1º Passo - Clínica de lentes de contato Coral Ghanem

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1º Passo - Clínica de lentes de contato Coral Ghanem
Nome do paciente:
Data de
adaptação
Data de Troca
Observações
Ficha Catalográfica
Coral-Ghanem, Cleusa.
C687
Lentes de contato: manual do usuário / Cleusa
Coral-Ghanem. Joinville: Oftalmologia e Clínica
de Lentes de Contato; Soluções, 2002.
52p.: il.; 20,5 cm.
ISBN 85-86403-10-5
1. Lentes de Contato. I. Título.
19. CDD-617.7523
Preparada pela Bibliotecária Maria Nazaré A. Fabel, CRB-199-14.Região).
Expediente:
Revisão de Redação / Apresentação: Dra. Cleusa Coral-Ghanem
Profº Valdir Vegini, D. Sc.
Supervisão:
Dra. Cleusa Coral-Ghanem
Produção Gráfica e
Editoração Eletrônica: Soluções e Informática Ltda.
Fone: (47) 433-8822
Joinville - Santa Catarina
www.solucoes.com.br
Capa:
Evandro da Rosa
Copyright© 2002 - Dra. Cleusa Coral-Ghanem
ISBN 85-86403-10-5
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Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, sem permissão expressa do autor.
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apreensão e indenizações diversas (arts. 122, 123, 124 e 126 da Lei 5988, de 14.12.1976, Lei dos Direitos Autorais).
Autora
Dra. Cleusa Coral-Ghanem
• Responsável pelo Departamento de Lentes de Contato
do Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem
Joinville – Santa Catarina
• Finance Committee Chairperson for the ICLSO International Contact Lens Society of Ophthalmologists
• SOBLEC’s Representative at ICLSO
• Membro da Comissão de Prevenção de Cegueira
e Reabilitação Visual do Conselho Brasileiro
de Oftalmologia
• Pós-graduanda em nível de Doutoramento
pela Universidade de São Paulo (USP)
• Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Lentes
de Contato e Córnea - SOBLEC
• Ex-Presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia
Sumário
LENTES DE CONTATO (LC):
Uma Boa Opção para Corrigir os Defeitos da Visão ................................ 09
Miopia ............................................................................................. 09
Hipermetropia .................................................................................. 10
Astigmatismo ................................................................................... 10
Presbiopia ........................................................................................ 11
LENTES DE CONTATO (LC) – INDICAÇÕES ............................................... 11
TIPOS DE LENTES DE CONTATO .............................................................. 13
Materiais .......................................................................................... 13
LC Rígidas de Polimetilmetacrilato (PMMA) .................................. 13
LC Rígidas Gás-Permeáveis (RGP) .................................................. 13
LC Gelatinosas Hidrofílicas ........................................................... 13
LC Gelatinosas de Silicone-Hidrogel ............................................. 14
LC Híbridas .................................................................................. 14
Formas de Uso .................................................................................. 14
Uso Diário (UD) ........................................................................... 14
Uso Prolongado (UP) ................................................................... 14
Uso Contínuo (UC) ....................................................................... 14
Uso Flexível (UF) .......................................................................... 15
Uso Ocasional (UO) ..................................................................... 15
MANUTENÇÃO DAS LENTES DE CONTATO ............................................. 16
Rotina para a Manutenção das Lentes de Contato
Rígidas e Gelatinosas ........................................................................ 16
Higiene das mãos, olhos e anexos ................................................ 16
Limpeza do Estojo ....................................................................... 17
Limpeza das Lentes de Contato .................................................... 17
Soluções Limpadoras Surfactantes .......................................... 17
Limpadores Enzimáticos ......................................................... 18
Passos para efetuar a limpeza enzimática semanal
(em comprimidos) ............................................................. 18
Passos para efetuar a limpeza enzimática diária
(em solução) ..................................................................... 19
Enxágüe das LC ...................................................................... 20
Desinfecção das LC ................................................................. 20
Desinfecção Química das LC Rígidas Gás-Permeáveis .......... 21
Desinfecção Química Oxidativa para Lentes
de Contato Rígidas e Gelatinosas ....................................... 21
OXYSEPT Comfort Plus (Allergan) .................................. 21
Sistema AO SEPT (Ciba Vision) ...................................... 22
Desinfecção Química Não Oxidativa para Lentes
de Contato Gelatinosas ...................................................... 23
Lubrificação ou umedecimento das LC .................................... 23
Roteiro para a Manutenção de Lentes de Contato
Gelatinosas (LCG) ............................................................................. 24
LCG de Uso Diário / Troca Anual ................................................... 24
LC Cosmética / Troca Anual .......................................................... 24
LC usada de Forma Contínua / Troca Anual ................................... 24
LC usada de Forma Ocasional ...................................................... 25
LC Descartável / Troca Programada ............................................... 25
LC Híbrida ................................................................................... 25
INSTRUÇÕES DE MANUSEIO DE LC GELATINOSA ................................... 26
Colocação da LC Gelatinosa .............................................................. 26
Remoção da LC Gelatinosa ................................................................ 30
INSTRUÇÕES DE MANUSEIO DE LC RÍGIDAS ........................................... 31
Colocação da LC Rígida ..................................................................... 31
Remoção da LC Rígida ...................................................................... 32
Método 1 .................................................................................... 32
Método 2 .................................................................................... 32
Método 3 .................................................................................... 33
CENTRALIZANDO A LC ........................................................................... 34
TEMPO RECOMENDADO DE USO E TROCA
DAS LENTES DE CONTATO ..................................................................... 34
Convencionais .................................................................................. 34
Descartáveis / Troca Programada ....................................................... 35
Descartável Diária ........................................................................ 35
Descartável Semanal .................................................................... 35
Descartável Mensal ...................................................................... 35
Troca Programada ....................................................................... 35
PERÍODO DE ADAPTAÇÃO .................................................................... 36
Principais Sintomas de Adaptação de Lentes de Contato
Rígidas Gás-Permeáveis ..................................................................... 37
Normais ...................................................................................... 37
Anormais ..................................................................................... 37
LENTES SECAS? USAR GOTAS UMIDIFICANTES! ..................................... 38
A PRÁTICA DA NATAÇÃO E O USO DE LENTES DE CONTATO .................. 39
Recomendações para Quem Necessita Nadar com LC ........................ 40
Em Piscina ................................................................................... 40
No Mar ....................................................................................... 40
COSMÉTICOS E LENTES DE CONTATO .................................................... 41
Seleção da Marca ............................................................................. 41
Higiene da Maquilagem .................................................................... 41
Modo de Aplicar ............................................................................... 42
Creme Noturno ................................................................................. 43
CUIDADOS COM AS LENTES DE CONTATO NO SALÃO DE BELEZA .......... 44
RECOMENDAÇÕES ÚTEIS PARA USUÁRIOS DE QUALQUER
TIPO DE LENTE DE CONTATO ................................................................. 45
Recomendações Especiais para Usuários de RGP .......................... 47
Recomendações Especiais para Usuários de LCG .......................... 48
Lentes de Contato (LC)
Uma Boa Opção para Corrigir
os Defeitos da Visão
Miopia
Figura 1.a - Olho normal
Figura 1.b - Olho míope
Figura 2.a - Visão com óculos
em alta miopia
Quando o olho é mais comprido que
o normal no seu eixo ântero-posterior, a
imagem refratada pela córnea e cristalino
é focalizada antes da retina (fig. 1.a e
1.b). A pessoa enxerga os objetos de
perto, mas não os que estão distantes.
Em míopes, as LC fornecem
imagem retiniana maior do que os
óculos. Quanto mais alto o grau da
miopia, maior é o tamanho da
imagem retiniana conseguida com LC
em relação aos óculos e melhor é a
acuidade visual (fig. 2.a e fig. 2.b).
LC indicadas: gelatinosas
(descartáveis, troca mensal ou anual) e
rígidas gás-permeáveis.
Figura 2.b - Visão com LC em
alta miopia
9
Hipermetropia
Quando o olho é mais curto que
o normal no seu eixo ântero-posterior, a imagem cruza atrás da retina
(fig. 3.a e 3.b). A pessoa pode
queixar-se de dificuldade visual,
principalmente para perto, cansaço
visual e dor de cabeça (fig. 4).
LC indicadas: gelatinosas
(descartáveis, troca mensal ou anual)
e rígidas gás-permeáveis.
Figura 4 - Pessoa hipermétrope:
esforço visual maior
para perto.
Figura 3.a - Olho normal
Figura 3.b - Olho hipermétrope
Astigmatismo
É o borramento da visão, tanto para
longe quanto para perto, devido à
deformação da superfície da córnea ou
do cristalino (fig. 5.a, 5.b e 5.c).
Figura 5.a - Córnea normal
LC indicadas: rígidas gás-permeáveis,
esféricas e tóricas e gelatinosas tóricas
(descartáveis, troca mensal ou anual).
Figura 5.b - Córnea astigmática
Figura 5.c - Olho astigmata
10
Presbiopia
É a dificuldade para focalizar os
objetos próximos. Ocorre após os 40
anos, quando o cristalino torna-se
progressivamente menos flexível. É um
processo normal da idade, também
chamado “vista cansada”, que pode ser
corrigido através de óculos ou de LC
(fig. 6.a e 6.b).
LC indicadas: gelatinosas e rígidas,
monofocais ou multifocais.
Figura 6.a - Pessoa présbita
Figura 6.b - Présbita corrigido
com LC
Lentes de Contato (LC)
Indicações
O uso de LC é uma forma eficiente
para corrigir a visão, quando feito com
cuidado e supervisão apropriados.
O exame completo do olho, a
perfeita adaptação, o acompanhamento
oftalmológico e a obediência às
orientações recebidas são condições
indispensáveis para o uso confortável e
seguro das LC, a longo prazo.
11
As LC são usadas para fins estéticos,
substituindo os óculos em casos de
miopia, hipermetropia, astigmatismo e
presbiopia ou para mudar a cor dos
olhos (gelatinosas cosméticas). As LC
gelatinosas cosméticas (pintadas) são
também indicadas para albinos, para
pessoas que têm cicatriz aparente na
córnea ou opacidade total e em casos
de ausência ou perda da íris.
As LC filtrantes (coloridas, não
pintadas) são utilizadas para disfarçar
cicatrizes corneais, diminuir a
sensibilidade à luz e intensificar a cor
dos olhos.
Por indicação médica, usam LC os
portadores de anisometropia (grau
muito diferente entre um olho e
outro), ceratocone (protrusão e
afilamento do ápice da córnea que
provoca astigmatismo irregular),
portadores de astigmatismo irregular,
conseqüente a doenças corneais ou a
cirurgias (transplante de córnea ou
cirurgia para corrigir grau) e em outros
casos especiais.
Várias doenças de córnea só podem
ser curadas ou controladas com o uso
de LC gelatinosas terapêuticas.
12
Tipos de Lentes de Contato
M a t e r i a i s
Oxigênio
Figura 7 - LC rígida de PMMA
Oxigênio
Figura 8 - LC rígida gáspermeáveis (RGP)
LC Rígidas de Polimetilmetacrilato
(PMMA)
Pouco usadas nos dias atuais, foram
quase totalmente substituídas pelas LC
rígidas gás-permeáveis por não
permitirem a passagem de O2 através de
seu material (fig. 7).
LC Rígidas Gás-Permeáveis (RGP)
Têm aspecto semelhante àquelas de
PMMA; no entanto, contêm silicone e/
ou fluoropolímeros, materiais
permeáveis aos gases (fig. 8). São muito
menos agressivas à córnea quando
apresentam alto Dk, isto é, alta
permeabilidade do material ao oxigênio,
permitindo que ela se mantenha
saudável e transparente. Podem ser
indicadas para o uso prolongado ou
para dormir, mas necessitam de tantos
cuidados quanto as gelatinosas.
LC Gelatinosas Hidrofílicas
São fabricadas a partir de materiais
plásticos que absorvem água, deixandoas macias, flexíveis e confortáveis.
O oxigênio alcança a córnea através de
seus poros e a quantidade que lá chega
varia de acordo com a hidratação e a
espessura da LC.
13
LC Gelatinosas de Silicone-Hidrogel
Nova geração de materiais que permite a
oxigenação da córnea 3 a 6 vezes mais do que as
LC hidrofílicas. O silicone é responsável pela alta
permeabilidade ao oxigênio.
LC Híbridas
Combinam um centro RGP e a periferia
gelatinosa. São indicadas para casos especiais.
Formas de Uso
Uso Diário (UD)
Uso da LC por um número limitado de horas
por dia.
Uso Prolongado (UP)
Uso da LC por um número ilimitado de horas
durante o período de vigília.
Uso Contínuo (UC)
Uso da LC durante o sono, com remoção para
limpeza periódica.
14
Uso Flexível (UF)
Uso prolongado da LC com eventual uso
contínuo (dormir com LC esporadicamente).
Uso Ocasional (UO)
Uso eventual da LC (social ou
esportivo).
Observações
• As LC de uso diário nunca devem
ser usadas para dormir, mas as de
uso prolongado e as descartáveis
podem ser utilizadas como se
fossem de uso diário.
!
O acompanhamento
da adaptação pelo
oftalmologista pode
determinar o tempo
ideal para cada
usuário.
• A capacidade de uma LC
transportar o oxigênio do ar para a
córnea é que determina o número
de horas de uso. Esse tempo não é
igual para todos, devido às
diferenças individuais influenciadas
pela qualidade e quantidade do
filme lacrimal e pelo modo de
pestanejar. Assim, a LC indicada
pelo fabricante para uso contínuo
pode permanecer uma semana no
olho de uma pessoa enquanto
outro usuário será incapaz de
dormir apenas uma noite com o
mesmo tipo de LC.
15
Manutenção das
Lentes de Contato
A maior parte das complicações com as LC resultam
da falha do usuário em seguir as orientações de
manutenção e o período de troca.
A limpeza e o enxágüe das LC devem ser feitos
diariamente, ao retirá-las dos olhos.
Limpeza, enxágüe e desinfecção são passos
fundamentais para conservar a qualidade óptica,
aumentar o tempo de vida útil, remover depósitos
lacrimais, ambientais, cosméticos e eliminar
microorganismos que podem provocar complicações
para os olhos.
Em portadores de pele oleosa, blefarites, alterações
do filme lacrimal ou em usuários que fazem pestanejar
incompleto, a limpeza e o enxágüe devem ser
rigorosos. Em seguida, realiza-se a desinfecção para
eliminar as bactérias que restaram.
Rotina para a Manutenção das Lentes
de Contato Rígidas e Gelatinosas
Higiene das mãos, olhos e anexos
Antes de tocar nas LC, recomenda-se lavar as mãos
com sabonete neutro para remover dos dedos restos de
nicotina, perfume, oleosidade ou corpos estranhos, que
podem danificá-las. Devem ser evitados sabonetes com
creme antisséptico, desodorante químico ou fragrância
pesada porque pequenas porções dessas substâncias
podem ser transferidas para os olhos. Recomenda-se
ainda secar as mãos em toalhas que não soltem fiapos
e manter as unhas sempre aparadas e limpas.
É preciso também não esquecer de remover as LC
antes de utilizar cremes de limpeza para a higiene das
bordas palpebrais e cílios.
16
Limpeza do Estojo
Deve ser feita, pelo menos, uma vez por semana,
com água quente sem sabão com utensílio tipo escova
de dentes. Deixar o estojo secar no ar e, depois de
seco, guardá-lo fechado.
Recomenda-se usar estojo descartável ou trocá-lo,
pelo menos, a cada 6 meses, porque nutrientes que
desenvolvem microrganismos provenientes dos dedos
ou da própria LC suja, podem se acumular no estojo.
Limpeza das Lentes de Contato
Iniciar o manuseio sempre pela mesma LC, direita ou
esquerda, para evitar a inversão. Para a limpeza podese utilizar soluções limpadoras surfactantes, limpadores
enzimáticos ou soluções multi-uso.
Soluções Limpadoras Surfactantes
São soluções que contêm substâncias detergentes
indicadas para remover oleosidades, mucosidades e
cosméticos (Clinensol e Lens Plus - Allergan; Opti-Clean,
Opti-Free Limpador Diário e Polyclens - Alcon):
- Pingar duas a três gotas de solução limpadora em
cada superfície da LC, molhando-a completamente.
- Friccionar suavemente cada lado da LC com o
indicador, de frente para trás, por 20 segundos
e enxaguar.
As soluções limpadoras surfactantes não são efetivas
para a remoção de proteínas. Por isso, a LC, para troca
anual, deve ser submetida ao limpador enzimático
que age especificamente na remoção de proteínas.
17
Limpadores Enzimáticos
Sistema de enzima simples contendo PAPAÍNA
– uso semanal, em comprimidos.
Nome comercial: Hydrocare comp. (Allergan).
Sistema de ação multienzimático contendo PANCREATINA
– uso semanal, em comprimidos.
Nomes comerciais: Polyzym e Opti-Free limpador
enzimático (Alcon).
PANCREATINA purificada
– uso diário, em solução.
Nome comercial: Opti-Free Supraclens (Alcon).
SUBTILISINA A
– uso semanal, em comprimidos.
Nomes comerciais: Ultrazyme (Allergan); FizziClean
(Bausch & Lomb).
Passos para efetuar a limpeza enzimática semanal
(em comprimidos)
18
1
2
Lavar as mãos antes de mexer com a LC;
3
Colocar um comprimido de limpador
enzimático no recipiente;
4
Remover a LC do olho e lavá-la com solução
limpadora surfactante;
5
6
Colocar a LC no recipiente e agitar;
7
Remover a LC, limpar novamente com
solução limpadora surfactante ou solução
multi-uso e enxaguar bem;
Preencher o recipiente específico até a linha
demarcatória com solução salina ou solução
específica;
Manter a LC submersa durante 15 minutos
se for de uso prolongado, ou 2 a 12 horas,
se for de uso diário;
8
9
Desinfetar;
Descartar o restante da solução enzimática, lavar
o recipiente e deixar secar no ar.
Observações
• Não usar água corrente ou água destilada para
dissolver os comprimidos.
• Usar somente solução enzimática fresca,
preparada imediatamente antes do uso, utilizando
os recipientes apropriados.
• Não estocar as LC com as soluções enzimáticas.
O tempo de imersão deve ser respeitado.
• Lembrar que algumas pessoas podem ser alérgicas
a algum componente do sistema.
• Nunca colocar a LC diretamente da solução
enzimática no olho.
• Se mesmo depois do tratamento enzimático diário
ou semanal, alguns usuários continuarem a
apresentar LC com depósitos, recomenda-se
mudar para LC RGP ou descartável.
• Quando se utiliza soluções multi-uso, a limpeza
enzimática pode ser dispensada em LC de troca
programada.
Passos para efetuar a limpeza enzimática diária (em solução)
1
Preencher os dois lados do estojo com Opti-Free
Express;
2
Limpar as LC com Opti-Free Express ou Opti-Free
Limpador Diário;
3
Enxaguar as LC com Opti-Free Express e colocá-las
no estojo;
4
Adicionar uma gota de SupraClens em cada lado
do estojo;
19
5
Fechar o estojo e agitar suavemente
para promover uma mistura
homogênea;
6
Deixar as LC nessa solução durante
toda a noite, ou no mínimo, por 4
horas;
7
Enxaguar abundantemente com
Opti-Free Express para remover
qualquer resíduo antes de colocálas nos olhos;
8
Descartar a solução após o uso.
!
A solução
SupraClens deve
ser utilizada
somente com a
solução Opti-Free
Express.
Enxágüe das LC
Indicado para remover os depósitos soltos e a
solução limpadora da superfície da LC, o enxágüe
pode ser feito com solução multi-uso ou solução
salina. Com a LC na palma da mão, dirige-se um
jato constante de solução, fazendo-se leve fricção
de trás para frente. Recomenda-se um segundo
enxágüe, sem fricção. Algumas soluções
permitem que a LC seja colocada no olho sem
enxágüe.
Desinfecção das LC
Após a limpeza e o enxágüe, a LC deve ser
submetida à desinfecção para eliminar os
microorganismos patogênicos. Pode-se usar soluções
desinfetantes, tipo multi-ação, ou peróxido de
hidrogênio a 3%. Quando se utiliza peróxido de
hidrogênio a 3% é necessário fazer a neutralização.
20
Desinfecção Química das LC Rígidas Gás-Permeáveis
Pode-se utilizar soluções específicas ou multi-uso,
onde elas devem ser conservadas, pelo menos por 4
horas. As específicas são: Duracare e Totalens
(Allergan); Opti-Soak (Alcon). As multi-uso: Boston
Simplicity (Bausch & Lomb) e Unique-pH (Alcon).
A solução Unique-pH não deve ser removida da LC
para conservar seu benefício de umidificação e
conforto, proporcionado pelo agente de viscosidade
HP-GUAR. Deve-se utilizar a própria solução quando for
necessário enxaguar a LC antes da sua colocação. O
Unique-pH é compatível com o limpador enzimático
Opti-Free SupraClens.
Desinfecção Química Oxidativa para Lentes de Contato
Rígidas e Gelatinosas
O peróxido de hidrogênio a 3% serve para
desinfetar LC rígidas e gelatinosas.
As bactérias mais comuns são eliminadas em 10
minutos; entretanto, para uma desinfecção segura é
melhor deixar 6 horas. Existem, no Brasil, o sistema
OXYSEPT Comfort Plus e o AO Sept.
OXYSEPT Comfort Plus (Allergan)
Este sistema faz a desinfecção e a neutralização do
peróxido de hidrogênio a 3% em apenas um
procedimento. Adiciona-se à solução desinfetante
uma pastilha de catalase que transforma o peróxido
de hidrogênio a 3% em água e oxigênio, evitando
irritação ocular.
21
Modo de usar
1. Encher o estojo até a linha indicada com o OXYSEPT
Solução Desinfetante;
2. Abrir as abas da cestinha encaixadas na tampa do
estojo e colocar as LC - uma de cada lado;
3. Adicionar um comprimido de OXYSEPT
Neutralizador no estojo, fechar e agitar levemente;
4. Deixar as LC na solução (OXYSEPT desinfetante +
comprimido neutralizador) por, no mínimo, 6
horas ou a noite toda.
A formação de bolhas de oxigênio significa que
está ocorrendo a neutralização. Se não houver o
aparecimento de bolhas, descartar a solução.
O comprimido neutralizador colore de rosa a
solução à medida que se dissolve. A falta de
coloração rósea indica que o comprimido não foi
adicionado. Seu uso é obrigatório;
5. Antes de remover as LC do estojo, recomenda-se
movimentá-lo para cima e para baixo, por 5
minutos, para ter certeza de que todos os resíduos
foram neutralizados;
6. Colocar as LC diretamente nos olhos;
7. Lavar o estojo com água corrente e deixá-lo secar no
ar e depois de seco, guardá-lo fechado.
Sistema AO SEPT (Ciba Vision)
No sistema AO Sept, a
neutralização é conseguida por
meio de um disco de platina
inserido junto à cestinha do
estojo. Discos velhos, cobertos de
resíduos, podem não neutralizar
completamente o peróxido e
causar grande irritação ocular.
22
A falta de
neutralização
do peróxido de
hidrogênio a 3%
provoca irritação
ocular, lacrimejamento abundante,
quemose, ceratite,
ardência e pontada.
!
Modo de usar
1. Encher o estojo até a linha indicada
com AO Sept Solução;
2. Posicionar as LC uma de cada lado
da cestinha;
3. Fechar o estojo e deixar as LC na
solução por, no mínimo, 6 horas ou
por toda a noite;
4. Enxaguar as LC antes do uso.
Desinfecção Química Não Oxidativa para Lentes de
Contato Gelatinosas
O OptiFree Express
foi liberado pelo
Food and Drug
Administration
(FDA) para ser uma
solução multi-uso
que dispensa a
fricção digital em
LCG, por um
período de até
30 dias.
!
A desinfecção é conseguida pela
imersão das LC por 4 a 6 horas em
soluções desinfetantes.
Soluções químicas disponíveis no
mercado brasileiro:
Específicas: Flex-Care (Alcon) e
Hydrocare (Allergan).
Multi-uso: Complete Comfort Plus
(Allergan); OptiFree Express
(Alcon); Renu Plus (Bausch &
Lomb); SoloCare (Ciba Vision).
Lubrificação ou umedecimento das LC
Antes da inserção e/ou durante o uso, a instilação
de gotas lubrificantes torna as LC mais confortáveis.
23
Roteiro para a Manutenção de
Lentes de Contato Gelatinosas (LCG)
LCG de Uso Diário / T
roca Anual
Troca
– Limpar diariamente com
solução surfactante.
– Fazer limpeza enzimática diária
(solução) ou semanal
(comprimidos).
– Desinfetar todos os dias com
soluções químicas ou peróxido
de hidrogênio a 3%.
Pessoas que têm
bom filme lacrimal
podem substituir as
soluções específicas
por soluções multiuso. Às vezes, é
necessário associar o
uso de limpador
surfactante e/ou
enzimático.
!
LC Cosmética / T
roca Anual
Troca
– Limpar diariamente com
solução surfactante.
– Fazer limpeza enzimática diária
(solução) ou semanal
(comprimidos).
– Desinfetar todos os dias com
soluções químicas.
!
Não se recomendam
soluções limpadoras
abrasivas e
desinfecção térmica.
LC usada de Forma Contínua / T
roca Anual
Troca
– Remover a LC pelo menos uma vez por semana
e, com maior freqüência, à medida que for
ficando mais velha.
– Usar solução surfactante e limpador enzimático.
– Desinfetar com soluções específicas ou peróxido
de hidrogênio a 3%.
24
LC usada de Forma Ocasional
Erro freqüente dos
usuários é confundir
limpeza com
desinfecção.
Limpeza e
desinfecção são
ações
complementares.
!
– Limpar com solução surfactante ou
multi-uso.
– Usar soluções químicas para a
desinfecção e a conservação.
– Trocar solução química de
conservação cada vez que usar a LC,
observando o tempo limite de
eficácia da solução.
– Não estocar em soro fisiológico.
Limpeza enzimática
pode ser dispensada
em LC de troca
programada
(descartada em até
3 meses), a não ser
em portadores de
Conjuntivite Papilar
Gigante (CPG).
!
LC Descartável / T
roca Programada
Troca
– Limpar e desinfetar a LC com
soluções multi-uso ou peróxido de
hidrogênio a 3% toda vez que for
removida do olho para ser
reaproveitada.
LC Híbrida
Um sistema de solução
multi-uso substitui a
solução limpadora, a
solução salina e a
solução desinfetante.
Entretanto, é importante
lembrar que o uso diário
de solução limpadora
remove melhor os
depósitos.
!
– Instilar lubrificante sobre a LC, antes
de removê-la do olho.
– Limpar com solução surfactante,
friccionando por 20 segundos.
– Evitar everter a LC.
– Desinfetar com peróxido de
hidrogênio a 3% ou soluções
químicas, evitando clorhexidina.
Recomenda-se
– Limpeza enzimática somente para os
usuários com facilidade na formação
de depósitos.
– Não submeter a LC híbrida à
desinfecção térmica.
25
Instruções de Manuseio
de LC Gelatinosa
Colocação da LC Gelatinosa
1º Passo
Fechar o ralo da pia ou colocar uma toalha de papel
limpa sobre o buraco antes de manusear as LC, para
evitar sua perda.
2º Passo
Lavar as mãos para remover sujeira e microorganismos
que podem se acumular nas LC e causar irritação ou
infecção. Secar com toalhas sem fiapos de tecido.
3º Passo
Enxaguar com solução multi-uso ou soro fisiológico
estéril para remover das LC possíveis traços de sujeira,
fiapos de tecido ou outras partículas. Corpos estranhos
podem ficar presos sob a LC e causar desconforto ocular.
4º Passo
Examinar a LC para ter certeza de
que está limpa e umidificada, sem
cortes ou partículas. Para tanto,
colocá-la na ponta do dedo indicador
e segurá-la no alto contra uma luz
brilhante. Se a LC parecer danificada
ou seca, não deve ser colocada no
olho (fig. 9).
5º Passo
Figura 9 - Verificação da integridade da LCG
Certificar-se que a LC está do lado certo. Quando
colocada no olho do lado avesso, torna-se
desconfortável e pode não fornecer boa visão.
26
Métodos para verificar se a LC está do lado certo:
Fig. 10.a
Certo
1. Prender a LC entre o indicador e
o polegar e apertar as bordas
suavemente.
– Se as bordas se unirem, a LC
está do lado certo (fig. 10.a).
– Se as bordas se abrirem, a LC
está do lado errado (fig. 10.b).
Fig. 10.b
Errado
123
Fig. 11.a
Certo
Fig. 11.b
2. Posicionar a LC na ponta do
dedo indicador, contra a luz e
olhar a gravação na sua borda.
– Se estiver do lado correto, a
gravação pode ser lida
corretamente (fig. 11.a).
– Se a LC estiver do avesso,
a gravação também estará
(fig. 11.b).
3. Posicionar a LC na ponta do
dedo indicador e verificar sua
forma.
– Se a borda tiver forma de arco,
está do lado certo (fig. 12.a).
– Se a borda estiver virada
para fora, está do lado errado
(fig. 12.b).
Figura 12.a - Certo
Figura 12.b - Errado
27
4. Colocar a LC na palma da mão,
fechando-a suavemente e
verificar sua forma.
– Se a borda tiver forma de arco,
está do lado certo (fig. 13.a).
– Se a borda estiver virada
para fora, está do lado errado
(fig. 13.b).
Figura 13.a - Certo
Figura 13.b - Errado
6º Passo
Colocar a LC no olho
1. Começar o manuseio sempre pela
mesma LC (direita ou esquerda).
Isso evita confusão entre elas.
2. Posicionar a LC na ponta do dedo
indicador direito, por exemplo.
Certificar-se de que ele esteja seco
para facilitar a transferência da LC
para o olho.
3. Colocar o dedo médio da mesma
mão próximo ao cílio inferior,
puxando a pálpebra inferior para
baixo (fig. 14.a).
4. Usar os dedos da outra mão para
levantar a pálpebra superior.
28
Figura 14.a - Colocação da LCG
no olho direito
5. Colocar a LC diretamente no olho,
deslizando-a para fora do dedo
indicador.
6. Olhar para baixo e vagarosamente
remover a mão direita, liberando a
pálpebra inferior.
7. Olhar para frente e remover a mão
esquerda, liberando a pálpebra
superior.
8. Piscar suavemente para favorecer
a centralização da LC.
9. Repetir todos os passos acima com
a LC esquerda (fig. 14.b).
Figura 14.b - Colocação da LCG
no olho esquerdo
7º Passo
Testar a visão, alternadamente para
certificar-se que as LC estão no lugar.
Se perceber a visão borrada ou
desconforto, verificar se a LC está:
• descentralizada;
• suja (cosméticos, óleos ou
partículas);
• no olho errado;
• do lado avesso;
• rasgada ou danificada (neste caso,
não colocar de volta no olho).
Eliminadas as situações acima,
enxaguar bem a LC e recolocá-la. Se a
visão ainda estiver borrada e/ou
continuar o desconforto, testar nova LC
ou suspender o uso e procurar o
oftalmologista.
29
Remoção da LC Gelatinosa
1º Passo
Lavar, enxaguar e secar as mãos.
2º Passo
Utilizar gotas umidificantes, 10 – 15 minutos antes
da sua remoção, principalmente se estiver sentido
ressecamento nos olhos ou nas LC. LC úmidas ficam
mais soltas e deslizam suavemente para fora do olho.
Isso evita irritação ocular e rompimento da LC durante
o processo de remoção.
3º Passo
Iniciar a remoção pela primeira LC colocada. Os
présbitas, adaptados pela técnica de monovisão, pela
LC focalizada para longe.
4º Passo
Certificar-se de que a LC esteja no olho.
5º Passo
Olhar para cima, sem levantar a cabeça. Puxar a
pálpebra inferior para baixo com o dedo médio.
Colocar a ponta do dedo indicador na borda inferior da
LC e deslizá-la sobre a parte branca dos olhos.
6º Passo
Prender a LC, gentilmente, entre
o indicador e o polegar para
removê-la (fig. 15).
Figura 15 - Remoção da LCG
30
Instruções de Manuseio
de LC Rígidas
Colocação da LC Rígida
1º Passo
Seguir os passos 1, 2 e 3 descritos
em LCG, pág. 26.
2º Passo
Figura 16 - Colocação de LC
rígida
Colocar a LC sobre o dedo
indicador da mão dominante. Com o
dedo médio da outra mão prender os
cílios superiores para levantar a
pálpebra superior. O dedo médio da
mão dominante deve ser colocado
diretamente sobre a pálpebra inferior,
puxando-a para baixo (fig. 16).
3º Passo
Utilizar um espelho sobre a mesa e
olhar direto através da LC à medida
em que ela é trazida em direção ao
olho. Olhar para o olho no espelho,
não para a LC. Evitar que a LC toque
a pálpebra superior ou a inferior.
Após a colocação da LC, liberar
primeiro a pálpebra inferior e depois
a superior.
31
Remoção da LC Rígida
Método 1
– Abrir uma toalha e colocar sobre a
mesa para evitar a perda da LC.
– Utilizar o dedo indicador da mão
direita para remover a LC do olho
direito e da mão esquerda para a
remoção da LC do olho esquerdo. O
dedo é colocado na junção da borda
lateral da pálpebra (fig. 17).
Figura 17 - Remoção
– Abrir bem os olhos, puxar as
da LC rígida
pálpebras para o lado; ao mesmo
tempo piscar, olhando fixo para a
frente para que a LC possa ser
ejetada. Esse procedimento pode ser
realizado tanto com o dedo
indicador quanto com o polegar da
mesma mão. A outra mão pode ser
posicionada abaixo do olho para
aparar a LC.
Método 2
– Utilizar as duas mãos para a
remoção. O fator mais importante é
prender a LC entre as bordas
palpebrais para que elas empurrem a
LC para fora, ao piscar (fig. 18.a).
Figura 18.a - Remoção da
LC rígida
– Segurar a pálpebra inferior com a
mão dominante e a pálpebra superior com a contra-lateral.
– Fazer pressão com as 2 pálpebras em
direção ao centro do olho, sobre as
bordas da LC (fig. 18.b).
32
Figura 18.b - Remoção da
LC rígida
!
A borda palpebral pode
everter, dificultando a
remoção da LC, se a pálpebra
for pressionada de forma
incorreta (fig. 19).
Figura 19 - Forma incorreta de
pressionar a pálpebra inferior
Método 3
– Segurar a ventosa com o polegar
e o dedo indicador da mão
dominante.
– Prender a pálpebra superior com
o indicador da outra mão.
– Manter o olhar para frente, reto
com o espelho.
Figura 20.a - Colocação correta
da ventosa
Figura 20.b - Remoção da LC
rígida com a
ventosa
– Encostar a ventosa na superfície
da LC. A ventosa grudará na LC,
facilitando sua retirada (fig. 20.a
e 20.b).
!
Pacientes com tensão
palpebral fraca, problemas
de posicionamento de
bordas palpebrais e LC de
diâmetro grande podem ter
mais sucesso com os
métodos 2 e 3.
33
Centralizando a LC
A LC pode se deslocar para a parte
branca do olho durante a colocação ou
pelo uso. Para centralizá-la, seguir um dos
métodos abaixo:
1. Olhar na direção da LC deslocada.
Piscar suavemente. A LC deve
movimentar-se automaticamente em
direção ao centro do olho, voltando à
posição correta.
Figura 21.a - Centralização de
LCG deslocada
2. Fechar as pálpebras e massagear a LC
suavemente para o local, sobre a
pálpebra fechada (fig. 21.a).
3. Empurrar a LC descentralizada para a
córnea com o olho aberto, fazendo
suave pressão com o dedo na borda da
pálpebra superior ou inferior
Figura 21.b - Centralização de
(fig. 21.b).
LC RGP deslocada
Tempo Recomendado
de Uso e Troca das
Lentes de Contato
Convencionais
Tipo de LC
Tempo de Troca
LC R de PMMA
10 h
Anos
LC RGP de Uso Diário
15 h
18 - 24 meses
Todo o tempo de vigília
12 - 18 meses
LC RGP de Uso Prolongado
LC RGP de Uso Contínuo
LCG de Uso Diário
LCG de Uso Prolongado
LCG de Uso Contínuo
34
Período de Uso
até 7 dias
12 meses
12 h
12 - 18 meses
Todo o tempo de vigília
12 meses
até 7 dias
até 12 meses
D e s c a r t á v e i s / Tr o c a P r o g r a m a d a
Descartável Diária
1 dia de uso e descartar. Ex.: One-day (Vistakon J&J);
Focus Dailies (Ciba Vision).
Descartável Semanal
Uso contínuo de até 7 dias e descartar ou remover
todas as noites e descartar em 2 semanas. Ex.: Acuvue
1 e 2 (Vistakon J&J); Focus Week (Ciba Vision); Hydron
Biomedics 55 (Ocular Sciences); Precision UV (Wesley
Jessen); SofLens 66 (Bausch & Lomb) e outras.
Descartável Mensal
As LC de silicone-hidrogel podem, geralmente, ser
usadas para dormir por até 30 dias, quando devem ser
descartadas. Recomenda-se removê-las uma vez por
semana para limpeza e desinfecção. Ex.: Night & Day
(Ciba Vision); Purevision (Bausch & Lomb).
Troca Programada
Uso diário e substituição mensal. Ex.: Surevue e
Vistavue (Vistakon J&J); Coloridas FreshLook (Wesley
Jessen); Focus Tóricas e Focus Progressives – Multifocal
(Ciba Vision).
Obs.: Existem LC para troca trimestral, pouco utilizadas
em nosso meio.
!
As informações acima
servem como orientação
geral, eximindo os casos de
depósitos precoces,
rupturas e outras alterações
ligadas ao manuseio.
35
Período de Adaptação
LC de Uso Diário
Duas sugestões:
1. Iniciar com 6 horas de uso, fazendo 2 horas de
intervalo (3 horas / 2 horas de intervalo / 3 horas).
Aumentar 1 hora por período a cada 3 dias, até
um total de 10 horas.
Se for necessário, usar mais tempo do que o
recomendado, depois de 8 a 10 horas de uso
contínuo, recomenda-se fazer um intervalo de 2
horas. Assim, os olhos terão contato livre com o
oxigênio atmosférico, necessário para manter a
córnea transparente.
2. Iniciar com 4 horas de uso diário,
aumentando 2 horas a cada 2 dias,
até completar 10 horas de uso
contínuo. Para que haja conforto
progressivo, no caso de ser RGP, é
recomendável não interromper a
adaptação. Se isso acontecer, o
esquema de uso deve ser reiniciado.
!
Recomenda-se não
ultrapassar 12 horas
de uso contínuo.
LC de Uso Ocasional
Pessoas que fazem uso de LC de uso diário,
apenas em finais de semana ou para praticar
esportes, não devem ultrapassar 5 horas de uso
contínuo. O ideal é não utilizá-las 3 horas a mais do
que no dia anterior.
LC de Uso Contínuo
Duas sugestões:
1. Na primeira semana usar o dia todo, retirando-as
para dormir. Se não causarem irritação ocular ou
nublação de visão, dormir com as LC e voltar ao
oftalmologista para avaliação.
36
2. Permanecer com elas desde o primeiro dia, retornando
ao consultório no dia seguinte para controle.
O tempo de permanência das LC nos olhos será
determinado pelo oftalmologista. A regra geral é que
sejam removidas uma vez por semana, pelo menos
para limpeza e desinfecção.
Principais Sintomas de
Adaptação de Lentes de Contato
Rígidas Gás-Permeáveis
Normais
!
Tempo de
desaparecimento
dos sintomas:
1 a 2 meses.
– Sensação de olhos molhados e borramento
visual intermitente por aumento do
lacrimejamento.
– Irritação palpebral pode provocar piscar
excessivo ou incompleto.
O piscar incompleto (reação inconsciente de
defesa para diminuir o desconforto provocado
pela borda da LC contra a pálpebra) deve ser
vencido para haver a adaptação.
– Dificuldade de olhar para cima.
– Fotofobia.
Anormais (procurar o oftalmologista)
– Dor ou queimação repentina. Dor aguda pode
ser causada por partículas de pó sob a LC.
– Halo constante e forte em torno de luzes.
– Irritação ocular e vermelhidão progressivas.
– LC difícil de remover, grudada no olho.
– Visão borrada com óculos por mais de 1 hora
após a remoção da LC.
37
Lentes Secas?
Usar Gotas Umidificantes!
A evaporação do filme lacrimal
aumenta em clima seco, em ambientes
com ar condicionado, em usuários que
piscam pouco ou de forma
incompleta.
Com a evaporação do filme lacrimal, a LC desidrata, provocando
desconforto palpebral, torna-se mais
apertada, podendo alterar o grau e
nublar a visão. A desidratação da LCG
prejudica a transmissibilidade de
oxigênio para a córnea, facilita a
formação de depósitos em sua
superfície, causando sensação de
corpo estranho.
Para minimizar esse problema,
aconselha-se pingar gotas
umidificantes / lubrificantes. Elas
reequilibram o conteúdo de água das
LC, tornando-as mais confortáveis
durante a colocação inicial e o uso
subseqüente. São indicadas para
usuários de LC rígidas ou gelatinosas,
principalmente para pacientes que têm
deficiência de filme lacrimal e do
pestanejar. São recomendadas,
também, para pessoas que dormem
com as LC (pingar ao deitar e ao
acordar), trabalham em ambientes
secos, usuários de computador e
durante longas viagens aéreas.
38
A Prática da Natação e o
Uso de Lentes de Contato
A preocupação de usar LC durante a natação está
no risco de infecção bacteriana porque os ambientes
aquáticos estão, geralmente, contaminados. Apesar
disso, deve-se considerar que os nadadores,
mergulhadores, esquiadores e os surfistas necessitam
de boa visão a distância para evitar acidentes pessoais e
melhorar sua performance.
Em lagos e oceanos, pode haver contaminação por
produtos químicos e até por água de esgoto,
principalmente após enxurradas. Entretanto, alguns
estudos demonstram que a presença de químicos ou
micróbios nas LC gelatinosas, após o uso pelos
nadadores, não é significativa.
Em água de piscina, proliferam staphylococcus,
streptococcus, pseudomonas aeruginosa e
acanthamoeba. Os dois últimos são agentes causais de
graves úlceras de córnea associadas ao uso de LC. Para
diminuir a contaminação, coloca-se, periodicamente,
grande quantidade de cloro. O cloro, além de alterar a
cor da LCG, pode aderir ao seu polímero e provocar
irritação ocular.
Portanto, cabe ao usuário a decisão de correr o
risco e a responsabilidade sobre seus olhos e suas LC.
39
Recomendações para quem
necessita nadar com LC
Em piscina
– Usar óculos de proteção.
– Limpar e desinfetar cuidadosamente
as LC após a natação.
– Aguardar 20 minutos para remover
as LC, caso entre água nos olhos.
Esse tempo permite o reequilíbrio
das LC com as lágrimas, tornando-as
mais frouxas e prevenindo alteração
do epitélio corneal durante a
remoção.
– Usar gotas umidificantes antes de
remover as LC para torná-las mais
soltas e auxiliar a eliminação de
produtos químicos e micróbios.
– Ter dois pares de LC para que o par
usado, durante a natação, possa ser
retirado, limpo e desinfetado.
– Descartar as LC após a natação,
quando o risco de infecção for
grande.
No mar
– Fechar os olhos debaixo d’água e dar
rápidas piscadas para remover a
água dos olhos, ao invés de esfregálos. Em contato com água salgada,
as LCG ficam mais soltas.
40
!
Levar óculos
para o caso de
perder as LC.
Cosméticos
e Lentes de Contato
Os cosméticos representam importante fonte de
depósitos que podem causar reações alérgicas, além de
formar um filme gorduroso sobre a LC, nublando a
visão e reduzindo o tempo de uso por desconforto.
Conhecer os produtos que devem ser usados bem
como a forma de aplicá-los é uma maneira de evitar ou
reduzir esses problemas.
Seleção da Marca
Para evitar reações alérgicas, usar cosméticos sem
perfume e adquirir aqueles que conhecidamente sejam
“hipoalergênicos” ou “especiais para usuários de LC”.
Entretanto, mesmo essas formulações podem causar
alergias em pessoas muito sensíveis.
Recomenda-se adquirir cosméticos de firmas
conceituadas, pois estas, normalmente, têm mais
condições de pesquisa e melhor controle de qualidade.
Higiene da Maquilagem
Pincéis para rímel (máscara para cílios) ou
delineador não devem ser emprestados. As escovas de
rímel devem ser lavadas freqüentemente e, se possível,
trocadas a cada três meses. Rímel deve ser comprado
com pincel e não somente o refil. O rímel é uma
combinação de pigmentos de gordura, ceras e
preservativos químicos, geralmente com base líquida,
ótimo meio para crescimento de microrganismos.
41
De modo geral, os cosméticos estão livres de
contaminação quando novos, mas os preservativos
utilizados para retardar o crescimento das bactérias
perdem seu efeito com o tempo, que varia de 1 até 36
meses, no máximo. Dessa forma, com o uso, a
contaminação é rápida e o usuário dissemina
microrganismos sobre os seus cílios. É um risco em
potencial, uma vez que eles poderão invadir o olho à
menor lesão da córnea, causando infecção.
Recomenda-se que os cosméticos sejam fechados
logo após o uso e não sofram a ação do calor.
Modo de Aplicar
42
1
Fazer a maquilagem com as LC já no lugar para
reduzir o risco de sujá-las. Mesmo com lacrimejamento durante a colocação, não haverá problemas
com a maquilagem. Os míopes com mais de 40 anos
enxergam melhor de perto sem LC. Por isso devem
colocá-las depois de fazer a maquilagem.
2
Lavar bem as mãos para remover qualquer resíduo
de maquilagem antes de tocar nas LC. Cosméticos
oleosos são difíceis de remover dos dedos e das LC.
3
Utilizar, de preferência, pó facial compacto. O pó
solto deve ser aplicado com cuidado e seu excesso
removido das pálpebras e cílios.
4
Evitar sombras cintilantes, perolizadas ou outras
semelhantes à purpurina. As partículas podem
entrar nos olhos e ficar debaixo das LC. Sombras
compactas são melhores do que as líquidas, oleosas
ou cremosas, difíceis de remover das LC. É
aconselhável que as sombras sejam utilizadas em
quantidade moderada para que o excesso não caia
dentro dos olhos.
5
Passar o delineador por baixo da porção cutânea da
borda palpebral, para evitar a obstrução das
glândulas de Meibômio que pode resultar em
blefarites, ordéolos e calásios. Para usuários de LC,
delineadores tipo lápis são melhores do que os
líquidos ou pastosos. O delineador líquido deve ser à
base de água. Não usar saliva para lubrificar o pincel
ou o cosmético.
6
Aplicar o rímel levemente distante da base dos
cílios. Nunca usar objeto pontiagudo para separálos (agulha, grampo de cabelo etc.).
Evitar rímel à prova d’água e os destinados para
alongamento dos cílios. Esses costumam conter
nylon e fibras de rayon, que são secas e podem
soltar-se, entrando nos olhos. As lágrimas levam as
fibras intactas para baixo da LC, o que pode causar
lesão corneal. Rímel RESISTENTE à água (não à
prova d’água) é o recomendado para usuário de LC
porque, sendo solúvel em água, pode ser removido
facilmente sem agentes emulsificadores; à prova
d’água, exige a utilização de produtos oleosos para
sua remoção. Restos de produtos oleosos que
permanecem nas bordas palpebrais podem sujar as
LC mesmo após um bom enxágüe dos olhos. LC
nubladas devido a cremes e removedores de
maquilagem são queixas freqüentes.
7
Retirar as LC antes de remover a maquilagem.
Creme Noturno
Ao aplicar creme nas pálpebras, cuidar para não
tocar nos cílios e, de preferência, depois de 20
minutos, remover o excesso com lenço de papel.
O creme pode penetrar nos olhos durante a noite
sujando o filme lacrimal e provocando turvação de
visão, além de ardência e queimor, no dia seguinte.
43
Cuidados com as Lentes de
Contato no Salão de Beleza
– Produtos em aerosol e outros que
liberem vapor ou gás devem ser
utilizados antes de colocar as LC. Se
for necessário aplicar spray para
cabelo, enquanto estiver usando LC,
fechar os olhos e, em seguida, deixar
rapidamente o local, pois o aerosol
permanece no ar por algum tempo.
– Não se deve usar LC durante o
tingimento dos cabelos e durante o
uso de loções químicas (permanentes
para ondular e xampus
medicamentosos, por exemplo).
44
Deve-se evitar
o uso de
cosméticos
e de LC se
os olhos
estiverem
vermelhos,
inchados ou
infectados.
!
Recomendações Úteis para
Usuários de Qualquer Tipo
de Lente de Contato
– Lavar sempre as mãos antes de manusear LC.
– Limpar e desinfetar a LC sempre que for removida
do olho. Isso vale para todos os tipos, inclusive para
as descartáveis.
– Evitar fricção sobre LC seca porque esta, ao ser
removida do olho, pode trazer consigo partículas
que arranham sua superfície durante o
procedimento de limpeza.
– Após o uso da solução limpadora, enxaguar abundantemente para auxiliar na remoção de depósitos
e de microorganismos, evitando irritação ocular.
– Não usar água de torneira, filtrada ou mineral, para
enxaguar as LC.
– Preferir soluções multi-uso para fazer o enxágüe
das LC. No caso de usar soro fisiológico, adquirir
frascos pequenos para serem rapidamente
descartados, diminuindo a probabilidade de
contaminação. De preferência, guardá-lo em
geladeira depois de aberto.
– Esvaziar o estojo, enxaguá-lo e deixá-lo aberto
para secar.
– Não usar saliva para umedecer a LC, nem colocar a
LC na boca.
– Utilizar colírios umidificantes / lubrificantes
diretamente dentro dos olhos para aumentar o
conforto, enquanto as LC estão sendo usadas.
– Não reutilizar soluções após o ciclo de limpeza
e desinfecção.
45
– Verificar se as soluções estão dentro do prazo de
validade.
– Evitar mistura de marcas dos produtos de
manutenção.
– Consultar o oftalmologista antes de trocar as
soluções recomendadas.
– Respeitar prazo de validade das soluções.
– Remover as LC, para limpeza e desinfecção, quando
usadas de forma contínua, uma vez por semana ou
com maior freqüência.
– Testar a visão e verificar os olhos diariamente.
Se estiverem vermelhos e, principalmente, se a visão
estiver turva, as LC devem ser removidas e limpas.
Se o problema persistir, suspender o uso e procurar
o oftalmologista. Não pingar colírio anestésico.
– Lembrar que,
• Mesmo uma LC bem adaptada pode causar
irritação ocular se houver sensibilidade aos
produtos químicos utilizados para a manutenção.
Tais soluções contêm preservativos que, em
algumas pessoas, podem causar reação tóxica
(manifesta-se nos primeiros minutos ou horas do
início do uso da LC), ou reações alérgicas (após
meses de uso da LC).
• Certos medicamentos podem causar
ressecamento dos olhos e das LC, provocando
visão borrada e desconforto. Entre eles: antihistamínicos, descongestionantes, diuréticos,
relaxantes musculares, tranquilizantes e remédios
para tratar acne.
• Extremo calor ou extremo frio podem alterar a
composição química das soluções de
manutenção das LC.
• Quando fumantes, os usuários de LC têm 3 vezes
maior risco de infecção de córnea.
• Portadores de diabetes ou glaucoma não devem
dormir com as LC.
46
• A gravidez pode alterar o uso
confortável da LC.
Usuários que
dormem com LC
devem consultar
o oftalmologista
a cada 6 meses
ou pelo menos
uma vez ao ano.
!
• Paciente em estado de
inconsciência deve ter suas LC
removidas.
• A anatomia do olho não permite
que a LC se desloque para trás
dele, mas pode permanecer
escondida sob as pálpebras.
– Fazer consulta oftalmológica
rotineiramente, mesmo que as LC
estejam confortáveis. Somente o
oftalmologista pode detectar e tratar
complicações antes de serem
sentidas pelo usuário.
Recomendações Especiais
para Usuários de RGP
– Pingar gotas de solução umidificante na LC RGP,
antes colocá-la no olho, para aumentar o conforto.
– Fazer fricção suave durante a limpeza. Pressão não é
o fator importante; tempo é o elemento chave nessa
operação. Uma forte pressão pode provocar danos
no material e modificar os parâmetros.
– Não friccionar a RGP entre os dedos porque pode
quebrar ou entortar.
– Não submeter a LC RGP à desinfecção térmica.
– Não utilizar, em RGP, soluções indicadas para LC de
PMMA, a não ser quando já vem indicado no rótulo
(por ex.: Unique pH).
– Lembrar que,
• Soluções recomendadas para LCG podem ser
utilizadas em RGP.
47
Recomendações Especiais
para Usuários de LCG
– Se a LC grudar no olho, o uso de colírio umidificante
ou soro fisiológico poderá soltá-la em minutos.
– Não guardar a LCG seca.
– Não guardar a LCG do lado avesso; ao ser colocada
no olho, pode ficar momentaneamente
desconfortável.
– Se a LCG dobrar e grudar, não forçá-la para abrir.
Deixar em solução salina com algumas gotas de
álcool.
– Quando colocar a LC e sentir desconforto, verificar
se não está do lado avesso ou se não tem algum
fiapo grudado nela. Observar, também, se não há
depósitos, cortes na superfície, borda rasgada. Caso
a LC não apresentar nenhum defeito e o incômodo
persistir, procurar o oftalmologista.
– Colírios que não sejam especialmente indicados para
LCG devem ser utilizados sem elas. Aguardar 15
minutos para recolocá-las.
48