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27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
TUBERCULOSE: ATENÇÃO PROPORCIONADA AO DOENTE NOS
SERVIÇOS DE ATENÇÃO BÁSICA
Reinaldo Antonio Silva-Sobrinho1,
Rosane Munhak da Silva2,
Carline Slovinski Acordi3,
Érika Simone Galvão Pinto 4,
Ana Carolina Pereira5,
Tereza Cristina Scatena Villa6
INTRODUÇÃO
Apesar de ser uma doença antiga e bem conhecida, a tuberculose (TB) dentre as
doenças infecciosas, continua sendo responsável pelo maior índice de mortalidade no
mundo. Nos anos 80 foi considerada controlada, sendo praticamente esquecida pela
saúde pública dos países desenvolvidos dessa época. Contudo, este fato tornou-se um
equívoco, uma vez que houveram inúmeras mudanças no mundo no decorrer dos anos
as quais favoreceram o aparecimento da doença, como a urbanização, o envelhecimento
da população, a pandemia do Human Immunodeficiency Virus (HIV), o surgimento de
grandes favelas e, a multirresistência do Mycobacterium tuberculosis - causador da
doença (WHO, 2004).
Considerando essas mudanças e o controle negligenciado, a TB persiste como
um sério problema de saúde pública, sendo que, o Brasil vem tentando estruturar o
serviço de saúde para atender esses doentes. Hoje além do enfoque ao tratamento do
doente por meio do Programa de Controle da Tuberculose (PCT), a Atenção Básica à
1
Enfermeiro. Doutor. Universidade Estadual do Oeste do Paraná Unioeste, Campus Foz do Iguaçu, PR.
Av. Tarquínio Joslin dos Santos 1300. Foz do Iguaçu, PR. (45) 3576 8128.
2
Enfermeira. Especialista. Mestranda pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste. Rua
Universitária, 2069. Bairro: Jardim Universitário Cascavel, PR. (45) 3220 3000.
3
Enfermeira. Especialista. Universidade Estadual do Oeste do Paraná Unioeste, Campus Foz do Iguaçu,
PR. Av. Tarquínio Joslin dos Santos 1300. Foz do Iguaçu, PR. (45) 3576 8128.
4
Enfermeira. Doutora. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN. Av. Sen. Salgado Filho,
3000 - Lagoa Nova. Natal, RN. (84) 3215-3119.
5
Acadêmica de Enfermagem. Universidade Estadual do Oeste do Paraná Unioeste, Campus Foz do
Iguaçu, PR. Av. Tarquínio Joslin dos Santos 1300. Foz do Iguaçu, PR.
6
Enfermeira. Doutora, Professora Titular. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – EERP-USP. Av.
Dos Bandeirantes 3900. Ribeirão Preto São Paulo - SP (16) 3621 3407.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Saúde (ABS) também tornou-se responsável pelo atendimento em TB com foco na
família e a comunidade (NOGUEIRA, 2007).
O Brasil passa por um imenso esforço para descentralizar as ações de controle
da TB para a ABS, levando o doente a encontrar inúmeras dificuldades para o acesso ao
tratamento, a começar pelo acesso ao próprio serviço em Unidades de Saúde da Família
(USF) (SÁ et al., 2011). A descentralização das ações para o controle da TB representa
um avanço significativo, no entanto poderá gerar riscos inicialmente pelo fato de
apresentar fragilidades e necessitar de ajustes (MARCOLINO; NOGUEIRA, 2009).
Diante das dificuldades relacionadas a baixa adesão e abandono do tratamento, foi
implantado pelo Ministério da Saúde o Tratamento Diretamente Observado (TDO) com
o objetivo de potencializar o sucesso do tratamento, incorporando as ações de controle
da TB na ABS (FIGUEIREDO et al., 2009).
Ressalta-se que a ABS também passa por um período de transformação desde a
década de 1990, a qual tem encontrado dificuldades na execução de suas ações e
práticas em saúde coletiva, principalmente no que tange a estruturação de uma
referência
(ESCOREL;
GIOVANELLA,
2007).
Existem
ainda,
dificuldades
quantitativas e qualitativas em relação aos recursos humanos para atender os usuários
acometidos pela TB. Estes obstáculos envolvem principalmente a formação e a
capacitação profissional e a baixa oferta de educação em saúde em TB para a
comunidade (MONROE; GONZÁLES, 2008).
Ressalta-se que a TB continua representando um constante desafio para a ABS, a
qual busca adotar medidas de prevenção e controle, mediante uma atenção à saúde com
enfoque integral, social e cultural (OBLITAS; LONCHARICH, 2010).
Dessa forma, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose tem se
estruturado para desenvolver estratégias relacionadas à descentralização das ações para
o controle da TB por meio das equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF),
entretanto as dificuldades para implantação encontram-se presentes e, mesmo com esse
esforço, a TB permanece como um problema de magnitude epidemiológica e social
(NOGUEIRA, 2007).
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Considerando o processo de descentralização em TB estimulado pelo Ministério
da Saúde e que recentemente o município de Foz do Iguaçu, aderiu a essa
recomendação e somando-se o fato de ser uma cidade de tríplice fronteira a qual
contribui para os altos índices da TB é que se propõe o presente estudo. Nesse sentido,
espera-se que, a partir do conhecimento das ações e práticas dos serviços de ABS do
município, possamos contribuir para a efetivação da atenção à saúde e controle da TB.
OBJETIVO
Avaliar a atenção proporcionada (processo) ao doente de TB na Atenção Básica
à Saúde no município de Foz do Iguaçu, Paraná.
METODOLOGIA
Esta pesquisa está articulada a um projeto de âmbito nacional, intitulada:
Estratégia DOTS no Tratamento da Tuberculose: Desempenho da Atenção Básica em
Municípios da Região Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – PR,
financiada pelo CNPq e desenvolvida pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto –
USP em parceria com outras Universidades do Brasil, entre elas a Universidade
Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste.
Trata-se de uma pesquisa epidemiológica, com abordagem metodológica de
avaliação de caráter quantitativa, realizada em um município de tríplice fronteira,
considerado prioritário para o controle da TB segundo Ministério da Saúde.
Foz do Iguaçu, PR com população estimada de 325.132 habitantes para o ano de
2009, está localizada no extremo oeste do Estado do Paraná, fazendo fronteira com
Ciudad D’Leste (Paraguay) e Puerto Iguazu (Argentina). Em 2009 foram notificados no
município 126 casos novos de TB, neste período a cobertura do TDO alcançou 53,2%
da área, sendo que, 67,3% dos casos evoluíram para cura, 14,7% abandonaram o
tratamento e 15,1% apresentaram co-infecção TB-HIV (SILVA-SOBRINHO et al.,
2012).
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
As unidades de ABS do município somam 27 unidades de ABS, sendo que 11
são UBS e 16 USF, as quais estão distribuídas por distritos sanitários, quais sejam:
Leste, seis unidades de saúde; Oeste, quatro unidades de saúde; Sul, seis unidades de
saúde; Norte, sete unidades de saúde; Nordeste, quatro unidades de saúde.
Os Informantes-chave foram constituídos por enfermeiros, auxiliares e técnicos
de enfermagem, médicos e Agentes Comunitários de Saúde envolvidos com o
tratamento dos doentes de TB nos serviços de ABS.
A coleta de dados foi realizada por meio de um instrumento estruturado com
questões fechadas, elaborado com base nas definições dos componentes básicos da
avaliação da qualidade dos serviços de saúde (estrutura-processo-resultado) elaborado
pelo
Grupo
de
Pesquisas
Operacionais
em
Tuberculose
–
GEOTB/USP,
(DONABEDIAN, 1988). O banco de dados da pesquisa foi explorado após treinamento
no software Statistic 9.0. Para análise dos dados, foram realizadas técnicas de análise
exploratória das variáveis do estudo, utilizando a distribuição de frequências absolutas e
relativas.
A análise ocorreu à luz do referencial designado estrutura – processo – resultado
para avaliação da qualidade dos serviços de saúde proposto por Donabedian em 1960.
Atendendo à resolução nº 196/96, o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética
da Universidade Estadual do Oeste do Paraná sob o registro nº 166/2011/CEP,
cadastrado no Conselho Nacional de Ética em Pesquisa.
Cada entrevistado participou da pesquisa mediante a assinatura de um Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido sendo garantido o anonimato dos participantes.
RESULTADOS
Entrevistou-se 28 enfermeiros, 55 auxiliar/técnicos de enfermagem, 29 médicos
e 113 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de 21serviços de saúde da AB do
município de Foz do Iguaçu (PR). A distribuição dos profissionais entrevistados
mostrou que a maioria é do sexo feminino e é constituída por ACS (50,2%). Em se
tratando das informações básicas sobre a doença conforme orientação do Ministério da
Saúde, constatou-se que 98% dos profissionais orientam os doentes. Dentre as
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orientações repassadas, as mais citadas foram: forma de transmissão da doença; horário
de tomar a medicação; reações adversas da medicação; necessidade de examinar os
contatos; importância da adesão ao tratamento.
No município em estudo, a medicação é disponibilizada semanalmente para
28,9% dos doentes; quinzenalmente para 2,7% doente e mensalmente para 33,8% dos
doentes. Conforme os entrevistados, o TDO é realizado na maioria das vezes no próprio
domicílio do doente (72,4%), sendo pouco comum sua realização no ambiente de
trabalho do doente (2,2%).
Quanto a regularidade na solicitação de baciloscopia de controle durante o
tratamento de TB, 55,9% dos profissionais responderam não saber qual é a frequência
de solicitação desse exame. Para 94,2% das dos doentes acompanhados pelo serviço, o
atendimento é realizado sempre pelos mesmos profissionais, conforme equipe de
referência.
Destaca-se que 85,8% dos profissionais responderam que existe no município a
referência diante das necessidades dos doentes, contudo nem sempre a contrarreferência
acontece entre os níveis de atenção à saúde (51,1%). A busca ativa aos faltosos é
realizada pela maioria dos profissionais (98,2%), independente da finalidade da ação,
seja para consulta ou para o momento da busca do medicamento. O “Livro Verde” é
desconhecido para muitos profissionais (64,9%).
Por fim, verificou-se que as ações educativas são realizadas apenas quando a
secretaria de saúde estimula por ocasião de campanhas municipais e estaduais.
CONCLUSÕES
Em síntese pode-se afirmar que não há uniformidade das ações (processo) na
realidade estudada, uma vez que inúmeros problemas foram encontrados nas práticas
profissionais voltadas à atenção à saúde a pessoa acometida pela TB. A descentralização
recente justificaria as dificuldades encontradas na ABS para o controle da TB, no
entanto não é motivo para a ocorrência de falhas na atenção que ocorrem aos doentes de
TB, visto que o direito ao tratamento adequado é garantido pela política de Atenção
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Básica a Saúde. Desse modo, salienta-se que o serviço precisa ser reorganizado no que
se refere ao planejamento e execução de ações para o controle da TB em nosso país.
PALAVRAS-CHAVE: Atenção Básica à Saúde. Tuberculose. Avaliação de Serviços
de Saúde. Saúde Coletiva. Avaliação de Processos.
REFERÊNCIAS
DONABEDIAN, A. The assessment of technology and quality. A comparative study of
certainties and ambiguities. International Journal Technology Assessment in Health
Care. Cambrigde, v. 4, n. 4, p. 487-496, 1988.
ESCOREL, S. et al. O Programa de Saúde da Família e a construção de um novo
modelo para a atenção básica no Brasil. Revista Panamericana de Salud
Publica [online], v.21, n.2-3, p. 164-176. 2007.
FIGUEIREDO, T. M. R. M. et al. Desempenho da Atenção Básica no Controle da
Tuberculose. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 43 n.5, 825-831, 2009.
MARCOLINO, A. B. L. et al. Avaliação do acesso às ações de controle da tuberculose
no contexto das equipes de saúde da família de Bayeux - PB. Revista Brasileira de
Epidemiologia. São Paulo, v. 12, n. 2, p. 144-157, 2009.
MONROE, A. A. et al. Envolvimento de Equipes da Atenção Básica à Saúde no
Controle da Tuberculose. Revista da Escola de Enfermagem da USP. v. 42 n. 2,
p.262-267. 2008.
NOGUEIRA, J. A. et al. Busca ativa de sintomáticos respiratórios no controle da
tuberculose na percepção do Agente Comunitário de Saúde. Revista Eletrônica de
Enfermagem. Goiânia, v. 9, n. 1, p. 106-118, 2007.
OBLITAS, F. Y. M. et al. O Papel da Enfermagem no Controle da Tuberculose: uma
Discussão sob a perspectiva da equidade.
Revista
Latino-Americana
de.
Enfermagem. v.18, n.1, p. 130-138, 2010.
SÁ, L. D. et al. A organização da estratégia saúde da família e aspectos relacionados ao
atraso do diagnóstico da tuberculose. Cogitare Enfermagem. v. 16, n. 3 p. 437-42,
2011.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
SILVA, SOBRINHO, R. A. et al. Retardo no diagnóstico da tuberculose em município
da tríplice fronteira Brasil, Paraguai e Argentina. Pan American Journal of Public
Health (Impresa). v. 31, p. 461-468, 2012.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global
tuberculosis
control:
surveillance, planning, financing. WHO Report. Geneva: WHO/HTM/TB, 2004.
EIXO TEMÁTICO: Saúde do Adulto
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
ATENÇÃO BÁSICA A SAÚDE: AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA EXISTENTE
PARA O CONTROLE DA TUBERCULOSE
Reinaldo Antonio Silva-Sobrinho7
Anneliese Domingues Wysocki8
Janaína Pauli9
Aline Ale Beraldo10
Katya Regina Polanczyk11
Tereza Cristina Scatena Villa12
INTRODUÇÃO
Na segunda metade da década de 80, o processo de implantação do Sistema
Único de Saúde (SUS) caminhou para a adoção de uma série de medidas
governamentais voltadas para o fortalecimento da Atenção Básica a Saúde (ABS)
(ESCOREL et al., 2007), caracterizada por um conjunto de ações de saúde, no âmbito
individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de
agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde (BRASIL,
2006). Concomitantemente, o crescente incentivo à descentralização do setor saúde ,
fomentou grandes mudanças na organização, financiamento e oferta dos serviços de
saúde (SS), com a introdução de programas inovadores e estratégicos, centrados na
Atenção Primária à Saúde (APS), família e comunidade, articulando-os aos outros
níveis de atenção. (VILLA et al., 2008).
ABS no contexto da tuberculose (TB), as ações de controle do agravo
inicialmente eram realizadas de forma centralizada nos Programas de Controle e, apenas
1
Enfermeiro. Doutor. Universidade Estadual do Oeste do Paraná Unioeste, Campus Foz do Iguaçu, PR.
Av. Tarquínio Joslin dos Santos 1300. Foz do Iguaçu, PR. (45) 3576 8128.
2
Enfermeira. Mestre. Doutoranda pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – EERP-USP. Av. Dos
Bandeirantes 3900. Ribeirão Preto São Paulo - SP (16) 3621 3407.
3
Enfermeira. Especialista. Universidade Estadual do Oeste do Paraná Unioeste, Campus Foz do Iguaçu,
PR. Av. Tarquínio Joslin dos Santos 1300. Foz do Iguaçu, PR. (45) 3576 8128.
4
Enfermeira. Mestre. Doutoranda pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – EERP-USP. Av. Dos
Bandeirantes 3900. Ribeirão Preto São Paulo - SP (16) 3621 3407.
5
Acadêmica de Enfermagem. Universidade Estadual do Oeste do Paraná Unioeste, Campus Foz do
Iguaçu, PR. Av. Tarquínio Joslin dos Santos 1300. Foz do Iguaçu, PR.
6
Enfermeira. Doutora, Professora Titular. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – EERP-USP. Av.
Dos Bandeirantes 3900. Ribeirão Preto São Paulo - SP (16) 3621 3407.
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a partir de 2006 o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) passou a
considerar a descentralização das medidas de controle do agravo para a Atenção Básica
(AB) no sentido de ampliar e fortalecer o acesso da população em geral e das
populações mais vulneráveis ou sob risco acrescido de contrair a TB (BRASIL, 2010).
Nesse sentido, atualmente as diretrizes nacionais de controle da TB estão sendo
operacionalizadas pela ABS por meio das Unidades Básicas de Saúde Tradicionais
(UBS) e pelas Unidades com Estratégia de Saúde da Família (UESF), reafirmando a
política de descentralização dos serviços estabelecidos pelo SUS (GOMES et al., 2007).
Sabe-se que o contexto de saúde brasileiro é amplo e diversificado, portanto,
atualmente existem municípios que atuam de forma central e descentralizada no
controle da TB. Um dos municípios que vem realizando as ações de diagnóstico,
controle e acompanhamento dos doentes de TB e comunicantes de maneira
descentralizada é Foz do Iguaçu (PR), no qual as equipes de saúde da família são
responsáveis pelo controle do agravo, contando com o respaldo do PCT municipal
(SILVA-SOBRINHO et al. 2012).
Por se tratar de uma doença cujos determinantes do desfecho diagnóstico
favorável vai além da eficácia medicamentosa, a TB permanece como um dos maiores
desafios às políticas de saúde pública, uma vez que desafios relacionados aos
constituintes organizacionais dos serviços de saúde também estão diretamente
relacionados à continuidade do tratamento (BRUNELLO et al., 2007). Diversos são os
obstáculos que dificultam a acessibilidade ao cuidado em saúde durante o tratamento da
TB, sendo esses relacionados à terapêutica, ao paciente e ao modo como o serviço se
organiza para prestar assistência (ARAKAWA et al. 2011).
A adesão ao programa de tratamento da TB exige acesso e cuidados de saúde
adequados, embora não seja garantido que a simples disponibilidade desses serviços
leve à adesão ao regime pretendido. Para melhorar a aderência dos doentes ao
tratamento é importante o desenvolvimento de medidas específicas destinadas a
influenciar o comportamento do doente de TB, como a presença de aspectos estruturais
adequados e compatíveis às exigências ddos programas de saúde e organização do
serviço (VOLMINK e GARNER, 2009).
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Nesse sentido, é possível que a persistência da TB como um agravo cujos
indicadores estão muito aquém de serem alcançados esteja relacionada à forma como
os serviços de saúde estão estruturados para organizar a assistência aos doentes de TB
em tratamento.
OBJETIVO
Avaliar a estrutura dos serviços de atenção básica para o tratamento dos doentes
de TB no município de Foz do Iguaçu (PR) na perspectiva dos profissionais de saúde.
MÉTODOS
Esta pesquisa está articulada com um projeto de âmbito nacional, intitulada:
Estratégia DOTS no Tratamento da Tuberculose: Desempenho da Atenção Básica em
Municípios da Região Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – PR,
financiada pelo CNPq e desenvolvida pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto –
USP em parceria com outras Universidades do Brasil, entre elas a Universidade
Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste.
Trata-se de uma pesquisa de avaliação da estrutura da atenção básica no controle
da TB utilizando uma investigação com abordagem quantitativa.
A população do estudo para a pesquisa foi constituída pelos profissionais de
saúde das unidades de Atenção Básica de Foz do Iguaçu que aceitaram participar da
pesquisa, mediante a aceitação e assinatura do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido, em cumprimento da Resolução n.° 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.
Os dados foram coletados por meio de um instrumento estruturado aplicado aos
profissionais de saúde, elaborado pelo Grupo de Pesquisas Operacionais em
Tuberculose – GEOTB/USP, baseando nos conceitos teóricos da avaliação em saúde
(Estrutura-Processo-Resultado) (DONABEDIAN, 1988).
A estrutura dos serviços de atenção básica contempla a capacidade instalada
(recursos humanos e físicos) e a organização do serviço. Para classificar e descrever a
estrutura destes serviços, por meio de técnicas de estatística foram avaliados os
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seguintes indicadores: recursos físicos, recursos humanos e a organização do serviço
com enfoque nas ações de tratamento e acompanhamento da TB.
RESULTADOS
Foram entrevistados 28 enfermeiros, 55 auxiliar/técnicos de enfermagem, 29
médicos e 113 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de 21serviços de saúde da AB do
município de Foz do Iguaçu (PR).
Os entrevistados relataram que o enfermeiro é o principal profissional envolvido
no atendimento ao doente de TB e os auxiliares e técnicos de enfermagem constituemse como a categoria profissional que menos se envolvem com a assistência aos doentes.
Segundo os respondentes as capacitações para atendimentos em TB tem sido
direcionadas ao enfermeiro e o médico. A maioria dos auxiliares/técnicos de
enfermagem (73,35%) e agentes comunitários de saúde (89,8%) não foram capacitados
para o controle da TB, assim como outras categorias de profissionais como assistentes
sociais, psicólogos e profissionais da saúde bucal.
Relatou-se que o enfermeiro é o principal profissional responsável pelo
Tratamento Diretamente Observado (TDO) nos serviços de saúde (53,8%), contrariando
a respostas de alguns entrevistados (6,2%) que verbalizaram não existir um profissional
responsável pelo TDO em algumas unidades de saúde.
Os entrevistados relataram que não existem consultórios médicos e salas de
enfermagem separadas para atendimento ao doente de TB, além de não ser
disponibilizados vale alimentação e vale transporte a esses doentes.
A maioria dos entrevistados revelou possuir acesso aos instrumentos de registros
de TB (fichas de notificação, prontuários, fichas de acompanhamento mensal de
tratamento, fichas diárias de TDO e o livro verde). Já quanto à disponibilidade de
insumos/equipamentos para o controle da TB (pote para exame de escarro, pedido de
baciloscopia, pedido de cultura, pedido de exame HIV e fichas de referência e contrareferência), a maioria dos respondentes (95,8%) apontaram que estes materiais e
serviços são ofertados pelos serviços de saúde.
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Com relação aos medicamentos para TB 97,8% dos profissionais responderam
que houve disponibilidade (entrega) destes nas Unidades de Saúde nos últimos 12
messes.
Os entrevistados relataram ainda que os doentes de TB são atendidos mesmo nos
casos em que não possuem consultas agendadas (84,4%), e nos casos em que passam
mal devido à medicação ou outra intercorrência no tratamento, os mesmos conseguem
atendimento no prazo de 24 horas.
Ao serem questionados sobre o prazo em que fica pronto o resultado do exame
de baciloscopia escarro, os entrevistados relataram que o mesmo não chega ao serviço
em até 7 dias (49,3%). Sessenta e quatro porcento dos entrevistados relataram que há
nos serviços um sistema informatizado contendo informações sobre o doente de TB.
CONCLUSÕES
Ficou evidenciado que os diferentes profissionais possuem conhecimento
distinto sobre os insumos e estrutura física existente e como está funcionando o controle
da TB em sua própria unidade de trabalho.
Destaca-se que foi verbalizado no estudo a não existência de responsável pelo
tratamento supervisionado em algumas unidades de saúde, ponto desfavorável para a
adesão ao tratamento da doença.
No que tange ao oferecimento de vale alimentação e vale transporte,
identificaram-se semelhanças nas respostas, visto que a maior porcentagem dos
profissionais entrevistados apontou que não é ofertado o benefício para os doentes de
TB. Deve-se reconhecer que essa situação é desfavorável à acessibilidade, constituindose de uma barreira econômica ao cuidado.
Os profissionais de saúde possuem acesso aos instrumentos de registro como, as
fichas de notificação, prontuários, fichas de acompanhamento mensal de tratamento,
fichas diária de TDO e ao livro verde. Os instrumentos de registros de TB são
importantes para a identificação de pacientes bacilíferos e para o controle do tratamento,
pois oferecem informações sobre o tratamento, cura, abandono e encerramento dos
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casos. Contudo, os profissionais não realizam as anotações em todos os instrumentos
havendo deficiência na qualidade do atendimento ao doente e exatidão dos dados.
Em relação aos insumos/equipamentos/medicamentos para controle do
tratamento, os resultados apontam que os serviços de saúde possuem potes para exame
de escarro, pedido de exames de baciloscopia, cultura, HIV e fichas de referência e
contra referência, assim a não solicitação desses exames passaria a ser relacionada ao
processo de trabalho dos profissionais. A disponibilidade de insumos e manutenção
regular dos materiais é fundamental para garantir a continuidade da assistência e
continuidade terapêutica.
Estudos avaliativos, que permitem o conhecimento da realidade local, podem
subsidiar o planejamento de ações efetivas, voltadas para o tratamento da TB, bem
como servir de base para a construção e fortalecimento da estratégia de controle à
tuberculose.
PALAVRAS-CHAVE: Atenção Básica à Saúde. Tuberculose. Avaliação de Serviços
de Saúde. Saúde Coletiva. Estrutura dos Serviços.
REFERÊNCIAS
ARAKAWA, T. et al. Accessibility to tuberculosis treatment: assessment of health
service performance. Revista Latino-Americana de Enfermagem. v. 19, p. 994-1002.
2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional
de Controle da Tuberculose. Manual de Recomendações para o Controle da
Tuberculose no Brasil. 2010.
BRUNELLO, M. E. Firmino. et al. O Desempenho dos Profissionais de Saúde para o
Estabelecimento do Vínculo na Atenção ao Doente de Tuberculose, Ribeirão Preto,
2007. Tuberculose: pesquisas operacionais. Ribeirão Preto, SP: FUNPEC Editora.
2009; 132:137.
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DONABEDIAN, A. The assessment of technology and quality. A comparative study of
certainties and ambiguities. International Journal Technology Assessment in Health
Care. Cambrigde, v. 4, n. 4, p. 487-496, 1988.
ESCOREL, S. et al. O Programa de Saúde da Família e a construção de um novo
modelo para a atenção básica no Brasil. Revista Panamericana de Salud
Publica [online], v.21, n.2-3, p. 164-176. 2007.
GOMES, A. L. C. et al. O Vínculo e a Relação com as Ações de Controle da
Tuberculose: Concepções de Profissionais das Equipes de Saúde da Família.
Tuberculose: pesquisas operacionais. Ribeirão Preto, SP: FUNPEC. 2009; p.132:137.
SILVA, SOBRINHO, R. A. et al. Retardo no diagnóstico da tuberculose em município
da tríplice fronteira Brasil, Paraguai e Argentina. Pan American Journal of Public
Health (Impresa), v. 31, p. 461-468, 2012.
VILLA, T. C. S. et al. Cobertura do tratamento diretamente observado (DOTS) no
Estado de São Paulo (1998 a 2004). Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 42,
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VOLMINK, J.; GARNER, P. Directly observed therapy for treating tuberculosis.
Cochrane Database. v. 4. p. 29. 2007.
Eixo temático: Saúde do Adulto
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA TUBERCULOSE: UMA REVISÃO
INTEGRATIVA DA LITERATURA
Ana Carolina Bueno Guisso1
Louise Polina1
João Lucas Campos de Oliveira2
Daiane Morilha Rodrigues3
Luana Luiza Enzweiler3
Claudia Ross4
1
Graduanda em Enfermagem na Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE campus de
Cascavel. Contato: (45) 99697173
2
Enfermeiro. Mestrando no Programa de Pós Graduação em Enfermagem – PSE da Universidade
Estadual de Maringá – UEM.
3
Enfermeira. Graduada em Enfermagem na UNIOESTE.
4
Enfermeira. Doutora em Microbiologia. Docente do curso de graduação em Enfermagem da
UNIOESTE.
INTRODUÇÃO: A Tuberculose (TB) vem preocupando as autoridades de saúde de
todo o mundo. Trata-se de uma enfermidade antiga que persiste como problema sério de
saúde pública. Em 1993 a Organização Mundial de Saúde (OMS), declarou a TB como
um estado de urgência, e várias outras instituições a nível mundial juntaram-se a ela na
batalha pelo controle da TB (PROTTI et al., 2010).
A persistência e importância clínico-epidemiológica que a tuberculose vem
demonstrando ao longo do tempo levaram a busca científica por tratamentos que
viabilizassem a otimização da recuperação da doença. Existem evidências da elevada
eficácia das drogas atualmente utilizadas para o tratamento da TB. Neste cenário, inferese que o óbito decorrente da doença em questão e considerável um evento evitável
(SELIG et al., 2004).
Apesar de toda a evolução tecnológica e de ações em saúde que procuram a
prevenção da doença, a TB ainda configura-se como uma das principais causas de morte
no mundo, tendo o Brasil uma posição de destaque com elevadas taxas de incidência da
patologia. A transferência de ações de execução do controle da TB ocorreu a partir da
década de 80, quando os municípios iniciaram a desenvolver ações de controle da TB
baseado nas normas e orientações do Plano Nacional de controle da Tuberculose
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(PNCT). Nas últimas décadas o controle da TB foi fortemente negligenciado, sendo as
políticas públicas direcionadas para outros campos de atuação. A estratégia Directly
Observed Treatment (DOTS) vem sendo recomendada e introduzida em diferentes
partes do mundo, e tem no Tratamento Supervisionado (TS), ou tratamento diretamente
supervisionado um de seus elementos de sucesso terapêutico, no entanto, vem
encontrando dificuldades na sua implantação na Atenção Básica (AB), mais
recentemente, Atenção Primária à Saúde (APS) (PROTTI et al., 2010; SILVA et al.,
2007).
Uma das dificuldades relacionadas ao tratamento e ao manejo dos pacientes
portadores da TB é a adesão ao correto tratamento medicamentoso que esta condição de
saúde demanda. Entretanto, é indiscutível que a adesão ao tratamento medicamentoso
depende, também, da forma como a pessoa é acolhida pela equipe e pelo serviço de
saúde, ou seja, está condicionada à humanização da assistência, que envolve uma
relação de confiança e vínculo entre os usuários e os profissionais. Além disso, sabe-se
que os comportamentos das pessoas acometidas por agravos à saúde são orientados
pelas suas concepções sobre o processo saúde/doença vivenciado (HINO et al., 2012).
Atualmente, enfatiza-se a importância de fatores não biológicos determinantes
da morbidade e da mortalidade decorrentes da TB. A simples presença do bacilo de
Koch não basta para causá-la. Frequêntemente, os fatores de ordem social, econômica e
cultural têm que estar presentes para que a moléstia se desenvolva (SEVERO et al.,
2007). A premissa anterior reforça a importância da APS como elemento para
assistência preventiva e no tratamento da TB.
O estudo justifica-se na razão de que se entende a relevância epidemiológica de
caráter historicamente persistente que a TB exerce nas populações. Para tanto, estudos
que se utilizem de todas as questões que permeiam a doença, suas implicações, seus
determinantes, controle e tratamento, entre outros, devem ser estimulados a fim de que
melhorias possam ser discutidas a partir de dificuldades encontradas e/ou possíveis
falhas no processo da prevenção e recuperação do agravo. Além disso, o conhecimento
já produzido deve ser continuamente repensado com olhar crítico e reflexivo, para que
colabore para o melhor entendimento da situação do fenômeno na atualidade.
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OBJETIVOS
Tem-se por objetivo do presente estudo a busca por uma reflexão acerca da
temática apresentada anteriormente, utilizando-se da revisão integrativa, sobre a
assistência de saúde ao portador de TB tanto a nível primário da atenção, como também
a nível hospitalar, dando enfoque principal à relação da equipe de enfermagem na
assistência ao paciente portador de tal agravo à saúde.
METODOLOGIA
O percurso metodológico deste estudo iniciou-se com a proposta de uma
disciplina optativa acerca da assistência de enfermagem à pacientes portadores de
doenças infecto-contagiosas do curso de graduação em enfermagem da Universidade
Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) em realizar uma revisão integrativa acerca
dos cuidados e da assistência de enfermagem prestada aos portadores de Tuberculose.
Desta forma a questão norteadora para o desenvolvimento do estudo foi “Quais são os
focos da assistência de enfermagem para a tuberculose?”.
A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados Medline, Lilacs, Scielo,
BDenf e CAPES, no período de outubro a novembro de 2012. Utilizou-se os descritores
“assistência de enfermagem”, “tuberculose”, “cuidado em saúde”.
Os critérios de inclusão para a averiguação dos materiais encontrados na busca
bibliográfica foram: artigos em português e espanhol, artigos disponíveis na íntegra na
rede online, artigos publicados nos últimos 10 anos (2002 a 2012) e artigos relacionados
com a assistência primária e/ou hospitalar na TB. Por outro lado, foram considerados
excluídos do banco de dados do estudo os trabalhos com as seguintes características:
artigos repetidos, manuais, anais de congresso, resenha, artigos de opinião, artigos de
reflexão, editoriais e artigos que não abordaram diretamente o tema de interesse ao
estudo.
RESULTADOS
No total foram encontrados 502 artigos, dos quais se procedeu a leitura do
resumo de todos. O total de artigos que atendeu todos os critérios de inclusão para o
estudo, bem como não foram excluídos segundo os critérios de exclusão do mesmo foi
de 19 trabalhos. A maior parte dos artigos foi produzida no ano de 2010, 6 artigos;
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seguidos de 2009, 4 artigos; 2012, 2011, 2008 e 2007 todos com 2 artigos cada; e por
último um artigo produzido em 2005. A metodologia utilizada foi em expressiva
maioria estudos qualitativos, com 9 artigos; seguidos de estudos quantitativos, com 4
artigos; estudos quanti-qualitativos e revisão integrativa com 2 artigos cada; e inquérito
epidemiológico e incidente crítico com um artigo cada.
Do atendimento prestado ao doente de TB, a maioria foi centrada no
atendimento no que permeia a assistência prestada na Unidade Básica de Saúde (UBS),
sendo estas unidades vinculadas principalmente à Estratégia Saúde da Família (ESF);
três artigos ao tratamento a nível ambulatorial e apenas um artigo discorreu sobre a
assistência a nível hospitalar.
A classificação conforme as evidências de forma hierarquizada definiu quatro
categorias principais relacionadas à assistência de enfermagem ao portador de TB, a
saber: “O vínculo entre o profissional de saúde e o portador de tuberculose”, “A
interferência do contexto sócio-econômico no tratamento da tuberculose”, “As
dificuldades da adesão ao tratamento de tuberculose na visão do doente”, “A atuação
do profissional de enfermagem no controle da tuberculose”.
As categorias mencionadas emergiram com a leitura aprofundada dos trabalhos
selecionados na amostra da revisão de literatura. Tal leitura, além de embasar a
formulação das categorias possibilitou a discussão dialógica dos resultados com outras
obras bibliográficas, bem como acerca da percepção dos estudantes que realizaram o
exercício da revisão. Não cabe, no presente estudo, a descrição em pormenores dos
elementos constitutivos de cada categoria definida.
CONCLUSÃO
Grande parte dos artigos voltados para a assistência de enfermagem à
tuberculose foi produzida no ano de 2010. Teve-se o método de pesquisa qualitativa
como o mais difundido, e a atenção primária foi o foco em detrimento da
descentralização da atenção voltada à TB.
Os estudos avaliados apontam que apesar da doença ainda ter um caráter
fortemente relacionado com o contexto sócio-econômico, tem-se o vínculo entre doente
e equipe de saúde um elemento destacado como crucial no que se refere ao sucesso
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terapêutico; a ele se somam situações que interferem na adesão como dificuldade no
acesso a unidade de saúde, incompatibilidade de horários entre turno de trabalho e
consultas, falta de conhecimentos acerca da doença, apoio da família, entre outros.
Como barreiras a prestação de um atendimento de qualidade para os doentes de TB
foram relacionados dificuldades de operacionalizar o Programa de Controle da
Tuberculose, dificuldades relacionadas à estrutura física da unidade, insuficiente
conhecimento a cerca da doença por parte dos profissionais, falta de treinamento
contínuo, desinteresse por parte dos gestores, dentre outros.
Salienta-se que, de acordo com os estudos avaliados, o agente comunitário de
saúde juntamente com o médico foram os profissionais mais procurados pelos doentes
de TB quando tiveram problemas de ordem biológica; o enfermeiro tem se distanciado
das atividades de atenção a TB para atividades administrativas ou outras atividades,
delegando suas responsabilidades para outros elementos da equipe, quando deveria ser
uma peça chave e de referência aos doentes de TB. Impera-se a necessidade de
elaboração de estudos voltados ao conhecimento dos enfermeiros, mas também de toda
a equipe, acerca da TB, e ainda sobre os limites que estes encontram no manejo dos
portadores da doença e das questões que permeiam a problemática.
A utilização da revisão integrativa da literatura possibilitou um olhar mais
aprofundado e crítico perante a questão da TB no Brasil e no mundo. Mesmo a doença
sendo descrita como cronologicamente antiga, ela ainda exerce importância clínica e
epidemiológica bastante atual, o que demanda, possivelmente, ações que extrapolem o
tratamento clínico-medicamentoso, e que possam ir ao encontro das reais necessidades
da população no tocante aos determinantes não biológicos da doença.
Palavras-Chave: Tuberculose; Doenças transmissíveis; Enfermagem.
REFERÊNCIAS
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Conhecimento da equipe de saúde da família acerca das necessidades de saúde das
pessoas com tuberculose. Rev. Latino-Am. Enferm. v. 20, n. 1, p. 44-51, 2012.
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PROTTI, S.T. et al. A gerência da unidade básica de saúde no controle da tuberculose:
um campo de desafios. Rev. Esc. Enferm. USP. v. 44, n. 3, 2010.
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Bras. Pneumol. v. 30, n. 4, p. 417-24, 2004.
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clínico-demográficas de pacientes hospitalizados com tuberculose no Brasil, no período
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SILVA, A.C.O.; SOUSA, M.C.M.; NOGUEIRA, J.; MOTTA, M.C.S. Tratamento
supervisionado no controle da tuberculose: potencialidades e fragilidades na percepção
do enfermeiro. Rev. Eletr. Enferm. v. 9, n. 2, 2007.
Eixo temático: Saúde do adulto
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EXPERIÊNCIA DO HOMEM EM RELAÇÃO AOS CUIDADOS COM A SUA
SAÚDE
Rosana Claudia de Assunção13
Cesar Junior de Carvalho14
Silvia Cristina Mangini Bocchi15
Juliane Pagliari Araujo 16
INTRODUÇÃO
A saúde do homem é um tema que vem sendo explorado nacionalmente,
observa-se que a mídia tem sido utilizada como estratégia de educação em saúde,
objetivando alertar a população para um problema de saúde pública.
É comum, a tradicional exclusão do homem da prática dos cuidados em saúde
(consigo próprio e com outros), espaço considerado e direcionado as mulheres, e a
dependência que os homens geralmente têm delas nesta arena, ampliam a experiência da
vulnerabilidade masculina (MADUREIRA, 2005).
A despeito da maior vulnerabilidade e das altas taxas de morbimortalidade, os
homens não buscam como fazem as mulheres, os serviços de atenção primária,
adentrando ao sistema de saúde pela atenção ambulatorial e hospitalar de média e alta
complexidade, o que tem como consequência agravo da morbidade pelo retardamento
na atenção e maior custo para o sistema de saúde.
13
Enfermeira. Mestre em enfermagem. Docente do departamento de enfermagem do Instituto Federal
do Paraná – Campus Londrina.
2
Enfermeiro. Mestre em enfermagem. Docente do departamento de enfermagem do Instituto Federal
do Paraná – Campus Londrina.
3
Enfermeira. Orientadora. Pós-Doutora. Docente do Programa de Pós-Graduação Saúde Coletiva da
Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP.
4
Enfermeira. Mestranda em Biociências pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná -UNIOESTE.
Docente do departamento de enfermagem do Instituto Federal do Paraná – Campus Londrina..
Endereço: Rua João XIII, 600, Jardim Dom Bosco, Londrina/PR. Telefone: (43)38786100. Email:
[email protected]
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Estes dados indicam que os homens vivem menos e que apresentam
comportamentos diferenciados em relação às questões relacionadas à saúde, quando
comparados com as mulheres, realidade que inspira preocupação para todos os gestores
em saúde.
A relevância consiste em buscar nas falas dos entrevistados a relação existente
entre homem e processo saúde-doença, buscando compreender melhor este contexto,
podendo se possível até sugerir caminhos que possam auxiliar nas questões que tange a
saúde do homem.
OBJETIVOS
Descrever a experiência do homem em relação aos cuidados com sua saúde.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo que utilizou abordagem qualitativa.
O cenário de estudo foi um hospital público localizado no município de
Londrina- PR. Trata-se de um hospital de grande porte, que é credenciado ao Sistema
Único de Saúde (SUS), caracterizando-se como instituição de caráter público, é
considerado um Centro de referência regional para o Sistema Único de Saúde (SUS),
sendo o único hospital público de grande porte no norte do Paraná. O referido hospital
contempla em sua estrutura, unidades de internação médico-cirúrgicas, pediátrica,
maternidade, centro-cirúrgico, pronto-socorro e UTI adulto, pediátrica e neonatal.
Fizeram parte deste estudo 21 homens com crise hipertensiva que procuraram
atendimento no serviço de emergência no ano de 2010. O período da coleta de dados
ocorreu no período de outubro de 2011 a abril de 2012.
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A técnica da coleta de dados utilizada, foi à entrevista não-estruturada. Para
motivar os homens a falarem foi utilizada a questão norteadora: Conte-me qual a sua
experiência em relação aos cuidados com a sua saúde?
A entrevista foi realizada no domicílio, após a assinatura do termo de
consentimento livre e esclarecido. Durante a realização de cada entrevista, as narrativas
foram audiogravadas em gravador digital e depois transcritas na íntegra.
O referencial teórico adotado foi Teoria Fundamentada nos Dados que consiste
na descoberta e no desenvolvimento de uma teoria a partir das informações obtidas e
analisadas sistemática e comparativamente (GLASER, 1967).
Categorias são abstrações do fenômeno observado nos dados e formam a
principal unidade de análise. A teoria se desenvolve por meio do trabalho realizado com
as categorias, que faz emergir uma que é central, sendo geralmente um processo, como
consequência da análise (CHENITZ; SWANSON, 1986).
A pesquisa foi desenvolvida mediante a apreciação e parecer favorável do
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina – UEL, sob nº CEP
277/2010 e atendeu inteiramente a Resolução no 196, de 10 de outubro de 1996, que
aprovou seguindo as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo
seres humanos (BRASIL, 1996).
Para garantir o anonimato dos homens entrevistados, os mesmos foram
identificados pela letra H (homem) seguida pela ordem numérica em que foram
realizadas as entrevistas, por exemplo, H.1.
RESULTADOS
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Será apresentada uma breve caracterização dos pacientes que fizeram parte do
estudo. Estavam na faixa etária entre 30 e 81anos, quanto ao estado civil apareceu
casado, viúvo e solteiro, quanto a ocupação surgiram diversas dentre elas: técnico de
segurança, vendedor autônomo, protético, advogado e pensionista.
Neste item, são apresentados os resultados oriundos do conteúdo das falas dos
participantes, os quais estão agrupados em um único tema: A experiência do homem em
relação aos cuidados com sua saúde, conforme apresentado a seguir.
Tema: A experiência do homem em relação aos cuidados com sua saúde.
H9 É! Como se diz não bebê, não fumá, né... Como isso aí isso aí eu faz muito tempo
que eu parei de beber essas pingas. Mas agora a cervejinha lá de vez em quando a
gente toma né! Mas aí a gente procura evitá muitas coisas né. Não fumá bom, isso aí
faz uns quinze anos que eu parei né. Bebê esses negócios de pinga tem uns quinze
também. É o que eu faço é só tomar uma cervejinha né. Quando a pressão sobe paro de
tomá. E assim por diante.
H.11 Experiência na parte teórica tenho vasto conhecimento, mas o problema é o que é
aplicado na prática né, que poderia ser o que? Poderia ser melhor aplicado. Eu me
cuido, mas deveria me cuidar muito mais né. Apesar de já ter várias de ter muita
informação tanto na minha casa, o ambiente de trabalho, poderia ter assim muito mais
cuidados a serem tomados em relação à alimentação à atividade física né, cuidados
necessários pra manter um bom funcionamento do que? Do corpo e mente né.
H 14 É a minha experiência é assim eu quando descobri que tinha diabetes daí comecei
todos os tratamento possíveis de prevenção
H 15 Bom, além da medicação é a única forma de eu a única forma de eu me cuidar é a
medicação, não tem outro meio de eu me cuidar daí.
H 17 É, minha experiência com a minha saúde é péssima, não dô, não ligo pra minha
saúde. (sorriso) Minha alimentação é má, meu ritmo de vida é corrido alimentação má,
ritmo de vida e vivo totalmente estressado.
H 18 Ah, que tem experiência de pouca coisa né, porque a gente quando é mais novo
não se cuida, né e agora que tem pobrema (sic) e saúde a gente, quase não vai atrás
também. Né e pouco se cuida.
H 19 Ah... eu antigamente eu num dava bola não.
Os discursos apontam que os homens apresentam um comportamento não
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positivo em relação aos cuidados com sua saúde.
No discurso H9 pode-se perceber que na fala do paciente ele relata que não
beber e não fumar pode ser considerado como ter cuidados com a saúde e reforça que
não faz mais isso há muito tempo, porém seguindo o discurso afirma tomar cervejinha e
ainda acrescenta que quando a pressão sobe para de tomar.
Em estudo realizado por Jardim, Gondim e Humb (2007) cujo objetivo foi o de
estimar a prevalência da hipertensão arterial (HA) e de alguns fatores de risco
cardiovasculares na população adulta de uma capital brasileira, avaliaram 1.739 pessoas
(87% do previsto). Dentre os resultados apareceu que o sedentarismo esteve presente
em 62,3% da população, sem diferenças entre os sexos. Em relação ao hábito da
ingestão regular de bebidas alcoólicas em 44,4% dos indivíduos, sendo mais frequente
entre homens.
Outra questão a ser destacada é a falta de adesão dos pacientes hipertensos ao
tratamento, conduta esta que se torna um fator de impedimento para o alcance dos
objetivos terapêuticos e também pode constituir se em uma fonte de frustração para os
profissionais de saúde (JESUS et al., 2008). Quanto ao controle da HAS depende de
medidas dietéticas e de mudança no estilo de vida (atividade física regular combate ao
tabagismo, controle do consumo de álcool) e, quando necessário, do uso regular de
medicamentos (SANTA-HELENA et al., 2010).
Percebe-se que nos demais discursos observa-se que os homens admitem que
não apresentam cuidados adequados com a saúde ( H.11, H.14, H.15, H.17, H.18 e
H.19). Sobre este assunto, pesquisas revelam que a presença masculina em Instituições
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de baixa complexidade é bastante diminuída, quando confrontado com as mulheres. Tal
fato pode se justificar na dificuldade que os homens possuem em exteriorizarem suas
aflições e de admitirem problemas de saúde, pois isto insinua em reconhecerem-se
fracos (FIGUEIREDO, SCHRAIBER, 2011). Também há de se atentar para o fato dos
serviços de saúde não reconhecer a singularidade dos homens, fato este que pode trazer
dificuldades em esses sujeitos incorpora-se como um protagonista de seus cuidados
(GOMES et al., 2011).
Estudos apontam que os homens reprimem suas necessidades de saúde e
apresentam dificuldades para expressá-las, buscando menos que as mulheres o
atendimento dos serviços de saúde. È possível observar que na atenção primária, essa
situação torna-se mais enfática, pois os serviços são designados principalmente às
mulheres, às crianças e aos idosos (FIGUEIREDO, 2005). Para os homens o ambiente
das unidades básicas de saúde são feminilizados, o que desenvolve neles a sensação de
não pertencimento àquele espaço. Da parte dos serviços, estudos mostram que o sistema
de cuidados edifica um comportamento de saúde dentro da referência dominante de
atribuições de gênero, direcionando à invisibilidade dos homens (SCHRAIBER, 2005).
Assim, os serviços de atenção primária apresentam dificuldades para acionar práticas de
prevenção e promoção da saúde dos homens.
Desta forma, o medo dos homens em buscarem instituições primárias de saúde
faz com que a população masculina fique carente de cuidados indispensáveis para a
manutenção de sua saúde. Fato que resulta no aumento dos custos para o sistema de
saúde, pois os homens buscam assistência em serviços de urgência e emergência quando
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já apresentam consequências graves de alguma doença (BRASIL, 2008).
CONCLUSÕES
Os dados que foram apresentados neste estudo revelaram que os homens não
apresentaram cuidados adequados com sua saúde, porém culpá-los não mudará o
cenário atual.
É possível perceber que o homem ao longo do tempo foi educado para ser forte
fisicamente e emocionalmente. Neste contexto a esfera das relações homem-mulher é
histórica social e culturalmente conferida ao homem o papel de provedor
(MADUREIRA, 2005). Acredita-se que essa forma de concepção tem enraizamento na
tradição patriarcal, que reserva ao homem um mundo diferenciado o mundo público, da
rua, e à mulher o mundo privado, do lar, constituindo uma diferenciação entre produção
e reprodução, na qual a acoplamento ‘homem-trabalho produtivo’ e ‘mulher trabalho
reprodutivo’ é fortemente ressaltada. Essa distinção coloca para o homem a obrigação
de suprir as necessidades materiais para a sobrevivência da família, na qual o sustento
da mulher está embutido.
É necessário procurar entender o que verdadeiramente está por trás destas
atitudes de não se cuidarem, vale destacar que os comportamentos humanos apresentam
influência de toda uma trajetória de vida, e também dos valores de uma sociedade.
Desta forma é preciso ser cauteloso quando se fala em saúde, entendendo que não há
nada acabado, mas sim em permanente construção. Assim, é imprescindível que a
sociedade proporcione um novo olhar no que diz respeito à saúde do homem
entendendo todas as suas extensões. Também é preciso buscar soluções para as
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dificuldades reais do cotidiano dos serviços de saúde e ainda construir novos espaços de
atendimento (CARVALHO; BRITO; SANTOS, 2011).
Vale salientar que este estudo não teve a pretensão de esgotar um tema relevante
e tão complexo, mas sim fazer algumas reflexões. Vale pontuar que é imprescindível
compreender a percepção do homem neste contexto saúde doença. Para concluir é
necessário dispensar esforços no que diz respeito às questões que tange a saúde do
homem, bem como investir em estudos que possam apontar porque os homens, não
procuram a atenção primária, e só buscam o serviço de saúde em situações de
emergência.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde do homem; Cuidados de enfermagem; Pesquisa
qualitativa.
REFERÊNCIAS
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Ética em Pesquisa. Resolução nº 196 de 10 de outubro de 1996. Diretrizes e normas
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saúde: Programa Saúde da Família em questão. Rio de Janeiro: Abrasco/UNFPA, 2005.
p. 39-61.
Eixo temático: Saúde do Adulto
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ÚLCERA DE PRESSÃO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Carina Reis17
Elizabeth Braz18
INTRODUÇÃO
Mesmo com os avanços terapêuticos e de recursos tecnológicos, a úlcera de
pressão continua preocupando os profissionais que lidam com pacientes acamados, pois,
sua presença pode aumentar o tempo de permanência do paciente no ambiente
hospitalar e desse modo, acarretar complicações que podem agravar seu quadro,
trazendo sofrimento físico, emocional e social, além de custo elevado para seu
tratamento (DEALEY, 1996; TALIBERTI; MACHADO, 1982; HOLZAPFEL, 1993,
apud LEAL, 2005).
Segundo o NPUAP – American National Pressure Ulcer Adivisory Panel (1989),
apud Costa (2003, p. 23), a úlcera de pressão é definida como:
uma área localizada de morte celular, desenvolvida quando um tecido mole é
comprimido entre uma proeminência óssea e uma superfície dura, por um longo período
de tempo.
Podemos considerar que, os índices de prevalência e incidência de UP variam de
acordo com o país, a população de pacientes, a instituição e a metodologia utilizada no
estudo (NPUAP, 1989, apud LEAL, 2005).
Entretanto, sabemos que, a incidência deste agravo é realidade em diversos locais de
assistência à saúde, com uma prevalência maior em pacientes graves agudos,
hospitalizados ou crônicos e em instituições com longa permanência (SOUZA, 2005;
CUDDIGAN et al., 2001, apud COSTA, 2003).
Pacientes de terapia intensiva apresentam um elevado risco para UP, pois,
freqüentemente apresentam coma patológico ou induzidos por medicamentos ou com
aparelhagem que dificultam a realização de mudanças de decúbito, levando a
imobilidade (COSTA, 2003).
17
18
Enfermeira, Especialista, Rua Recife 741, 99938252, [email protected]
Enfermeira, Doutora
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Algumas doenças que afetam a percepção sensorial e o nível de consciência
podem também, levar o paciente à diminuição da mobilidade e da capacidade de aliviar
as forças de pressão, tornando-o dependente para a mobilização (FERNANDES, 2000).
As diretrizes para prevenção de úlcera de pressão abordam quatro aspectos do
cuidado e discriminam as ações necessárias para obtenção dos objetivos
(BERGSTROM; ALLMAN; CARLSON et al., 1992, apud FERNANDES, 2000), sendo
elas: avaliação do risco, cuidados com a pele e avaliação precoce (medidas preventivas),
redução da carga mecânica e utilização de superfícies de suporte e educação.
Segundo Rabeh (2001) por muitos anos a UP foi considerada um problema da
enfermagem, sinônimo de uma enfermagem ruim. Desde a época da Florence
Nightingale que a UP tem essa conotação negativa, caracterizando-se como uma falha
no cuidado prestado. Esse fato fez com que a equipe de enfermagem tivesse o
sentimento de culpa quando um paciente desenvolvia essas lesões (GOULD, 1986, apud
RABEH, 2001).
Atualmente a úlcera de pressão tem sido usada como um indicador de qualidade
do serviço, e não somente da equipe de enfermagem. Com as novas pesquisas sabe-se
que a UP não é responsabilidade única do enfermeiro, devido a seus fatores
multicausais, todavia a equipe de enfermagem continua tendo um papel fundamental na
prevenção e tratamento dessas lesões, o que traz a necessidade de conhecimento
científico nesta área específica (BERGSTROM et al., 1987; WALSH; FORD, 1992,
apud SOUZA, 2005; DEALEY, 1997; WALSH, FORD, 1992, apud RABEH, 2001).
OBJETIVO
Realizar uma revisão sistematizada sobre a produção teórica referente ao tema
úlcera de pressão, sintetizando as contribuições das pesquisas.
METODOLOGIA
O levantamento bibliográfico realizou-se baseado na necessidade de construção
de um corpo de conhecimento a cerca da úlcera de pressão.
O presente estudo teve seis fases no seu processo de elaboração, conforme o
preconizado por WHITTEMORE; KNAFL (2005); BEYEA; NICOLL (1998);
BROOME (2000); GANONG (1987); COOPER (1984), apud MENDES; SILVEIRA;
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GALVÃO (2008): Identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa
para a elaboração da revisão integrativa; Estabelecimento para critérios de inclusão/
exclusão de estudos/ amostragem ou busca na literatura; definição das informações a
serem extraídas dos estudos selecionados/ categorização dos estudos; Avaliação dos
estudos incluídos na revisão integrativa: corresponde a analise dos dados; Interpretação
dos resultados: corresponde à fase de discussão dos principais resultados na pesquisa
convencional; Apresentação da revisão/ síntese do conhecimento.
Os critérios de inclusão adotados para seleção dos artigos foram: Artigos que
abordem o tema úlcera de pressão, indexados no banco de dados Lilacs (Literatura
Latino-Americana em ciências da Saúde) e Sielo (Sientific Eletronic Library Online)
cuja apresentação seja dentro da modalidade texto completo, publicados em português,
dentro do período delimitado para esta pesquisa, ou seja, entre os anos de 1999 e 2010.
As palavras – chaves utilizadas para este levantamento bibliográfico no Lilacs e
no Scielo foram “úlcera de pressão” e “úlcera de decúbito” e a busca ativa dos artigos
foi realizada no primeiro bimestre de 2011. A amostra desta pesquisa foi composta de
vinte e oito artigos indexados na base de dados Lilacs que estavam dentro dos critérios
de seleção. Foi realizada leitura destes artigos, interpretação e preenchimento do
instrumento de coleta de dados. Após a leitura exaustiva dos artigos foi preenchido os
instrumentos de coleta de dados de forma a atender os objetivos da pesquisa, e posterior
análise dos dados.
RESULTADOS
Os anos que mais apresentaram publicações foram 2007 e 2009, perfazendo um
total de 21,4% (6) artigos cada. A segunda maior freqüência foram os anos 2005, 2008 e
2010 com 14,3% (4) dos artigos. O ano de 2006 apareceu com 7,1% (2) dos artigos,
1999 e 2004 tiveram a frequência de 3,6% (1) das publicações.
A grande maioria das publicações ocorreu, em periódicos da área da enfermagem
(12 periódicos), enquanto apenas três foram da área médica ou de medicina intensiva.
Isso demonstra que apesar de a UP não ser responsabilidade única do enfermeiro,
devido a seus fatores multicausais, a área da enfermagem é a que está mais envolvida
em pesquisas nesta temática.
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Analisando a produção bibliográfica da amostra desta pesquisa constatamos uma
desigualdade acentuada na distribuição da produção científica. A região Sudeste
concentrou 64,3% da produção nacional sobre a temática UP no período de 1999 a
2010, seguidos pelo Centro-oeste (14,3), o Nordeste (7,1%), e o Sul (7,1%). A região
norte não possui nenhum periódico com publicação nesta temática na nossa amostra
utilizada. A internet foi responsável por 7,1% das publicações. Pode estar ocorrendo
pouco incentivo a produção de conhecimento nessas regiões, uma maior necessidade de
educação permanente e de incentivo à pesquisa na área de úlcera de pressão.
Na maior parte dos artigos desta amostra o dado sobre a titulação dos
profissionais está indisponível no artigo (40,2% dos autores). Os profissionais que mais
produziram conhecimento nesta temática são doutores (14,6% dos autores) ou mestres
(13,4% dos autores), seguidos por graduados (12,1% dos autores) e especialistas (9,8%
dos autores).
Nos artigos desta amostra que o profissional que mais tem produzido
conhecimento a cerca do tema úlcera de pressão é o enfermeiro. Dentre os enfermeiros
os docentes foram os que mais produziram pesquisa nesta temática (31,7% dos autores),
estando mais voltados para pesquisa. No Brasil, geralmente o enfermeiro mais graduado
se concentram nas instituições de ensino, que oferecem maior estímulo para tal. Os
enfermeiros assistenciais (17% dos autores) necessitam se inserir mais na produção e no
consumo de conhecimento, pois estão diretamente ligados ao cuidado. Para que isto
ocorra deve haver um maior incentivo ao aprimoramento dos profissionais que atuam na
assistência. Outros profissionais como médicos, fisioterapeutas e dentistas foram
responsáveis por 10,9% dos artigos desta amostra, o que nos mostra que falta um
envolvimento maior de outros profissionais não enfermeiros, para que o cuidado a cerca
de UP seja multiprofissional.
O maior número de estudos foi desenvolvido em hospitais (53,6%), seguidos por
revisão bibliográfica (17,9%) e Unidade Básica de Saúde (7,1%). Os Outros locais
somaram juntos 21,6%. A grande quantidade de estudos realizados em hospitais pode-se
dar em decorrência do grande número dessas lesões em pacientes hospitalizados, o que
representa um grande problema para os cuidadores e para os pacientes.
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Durante os 11 anos estudados, o cenário hospitalar foi o predominante nas
pesquisas sobre úlcera de pressão. Dentre as pesquisas da amostra 6 foram
desenvolvidas em várias unidades do hospital (hospital geral18,2%), 3 em UTI adulto
(Unidade de Terapia Intensiva 9,1%), 3 em clínica médica (9,1%), 2 em CTI (Centro de
Terapia Intensiva 6,1%), Clínica Cirúrgica (6,1%), Instituto de Ortopedia e
Traumatologia (6,1%). Em Unidade Básicas de Saúde, também foram desenvolvidos
dois estudos (6,1%). Os outros cenários somaram juntos 24% dos estudos sobre a
temática úlcera de pressão nos últimos 11 anos.
A maior parte dos sujeitos da amostra, ou seja, 28,6% (08) eram pacientes sem
úlceras de pressão prévia. Os pacientes com UP prévia foram sujeitos de 4 artigos
(13,8%), em 5 artigos (17,2%) foram realizadas revisões bibliográficas, 10,3% dos
sujeitos eram pacientes com lesão medular traumática, e em 3 artigos os sujeitos foram
enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem (10,3%). Os outros sujeitos da
amostra somaram juntos 20,4%. O maior interesse dos pesquisadores foi pela
assistência de enfermagem ao paciente com UP e conhecimento a cerca da temática
úlcera de pressão (21,4%). Em seguida aparece a incidência e prevalência de UP com
17,9% da amostra. Prevenção e tratamento da UP, fatores de risco para UP, e escalas de
risco para avaliação da UP tiveram 14,3% cada. Epidemiologia teve 10,7% da amostra.
Os outros temas somaram 7,2%. Em todos os artigos da amostra as pesquisa estavam de
acordo com os objetivos, e os mesmos foram alcançados.
CONCLUSÕES
A úlcera de pressão é um problema antigo, mas até hoje preocupa os
profissionais da área da saúde, por ser uma lesão que aumenta o tempo de permanência
do paciente nas instituições, podendo levar a complicações no quadro, além de
sofrimento emocional e aumento de custos no tratamento. A úlcera de pressão deve ser
tratada por uma equipe multiprofissional, entretanto o que observamos nesse estudo foi
que os profissionais da equipe de enfermagem continuam tendo papel fundamental tanto
na prevenção quanto no tratamento dessas lesões. Identificamos que os periódicos com
maior freqüência na publicação de estudos relacionados à úlcera de pressão são da área
da enfermagem (82,3%), e que são os enfermeiros, tanto os docentes quanto os
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enfermeiros assistenciais, os que mais produziram pesquisa sobre o tema (52,4%).
Dessa forma, como é o enfermeiro que está mais próximo no cuidado ao paciente com
UP, destacamos a importância do profissional enfermeiro produzir pesquisa, e além
disso consumir conhecimento, para que sua prática seja baseada em evidências
científicas.
Observamos nesta pesquisa, que os enfermeiros assistenciais precisam se inserir
mais na produção de pesquisa, e para que isso ocorra seria necessário uma maior
motivação ao aprimoramento profissional, por parte das instituições onde estes
profissionais desenvolvem seus trabalhos, através de incentivos salariais quanto maior
for nível de graduação e a quantidade de pesquisa produzida e através de educação
continuada e discussões a cerca da temática úlcera de pressão, para que sejam
minimizadas as lacunas no âmbito da avaliação, prevenção e tratamento dessas lesões .
Palavras-chave: Úlcera de pressão; Prevenção; Enfermeiro
REFERÊNCIA
COSTA, I. G. Incidência de úlcera de pressão e fatores de risco relacionados em
pacientes de um centro de terapia intensiva. 2003. 150p. Dissertação [Mestrado] –
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, 2003.
FERNADES, L. M. Úlcera de pressão em pacientes críticos hospitalizados. Uma
revisão integrativa da literatura. 2000. 186p. Dissertação [Mestrado] – Escola de
enfermagem de Ribeirão Preto/ USP, Ribeirão Preto, 2000.
LEAL, P. S. Úlcera por pressão: avaliação pela Escala de Braden em pacientes
institucionalizados. 2005. 115p. Dissertação [Mestrado] – Uni Vap, São José dos
Campos, 2005.
MENDES, K. D. S. ; SILVEIRA, R. C. C. P. ; GALVÃO, C. M. Revisão Integrativa:
método de pesquisa para incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto
contexto enfermagem, Florianópolis, v. 17, n. 4, 7p. Out/ dez. 2008.
RABEH, S. A. N. Úlcera de Pressão: a clarificação do conceito e estratégias para
divulgação do conhecimento na literatura de enfermagem. 2001. 195p. Dissertação
[Mestrado] – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/ USP, Ribeirão Preto, 2001.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
SOUZA, D. M. S. T. Incidência de úlcera de pressão e fatores de risco em idosos
institucionalizados. 2005. 119 p. Dissertaçã [Mestrado] - Escola de Enfermagem/ USP,
Ribeirão Preto, 2005.
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PERCEPÇÃO DE ENFERMEIROS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA
SOBRE O HIPERDIA
Tatiane Baratieri19
Jéssica Dal Santos Ottoni20
Rita de Cassia Serpa Maciel21
Maria Luciana Botti22
Letícia Gramazio Soares23
INTRODUÇÃO
Até a metade do século XX, as doenças que causavam a morte dos indivíduos e a
mobilização dos profissionais de saúde eram as doenças infecciosas e transmissíveis
como a tuberculose, hanseníase, dengue, malária, entre outras.
As transformações
decorrentes transição demográfica, epidemiológica, nutricional e ocupacional, geraram
mudanças importantes no que diz respeito ao processo saúde-doença. Além disso, o
constante processo de industrialização, entrada da mulher no mercado de trabalho e a
grande influência do capitalismo favoreceram mudanças nos hábitos de vida,
caracterizados muitas vezes, por hábitos não saudáveis (CARNELOSSO, 2008).
Segundo Moura et al. (2011), as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT),
constituem-se em um dos principais problemas de saúde pública, tanto em países
desenvolvidos como nos em desenvolvimento, pois 58% das mortes ocorridas em todo
mundo são causadas por estas. Tais enfermidades têm como característica a
multiplicidade etiológica, assim como a diversidade dos fatores de risco, além do longo
período de latência, podendo causar incapacidades funcionais permanentes.
19
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora da Universidade Estadual do Centro-Oeste
(Unicentro). Endereço: Simeão Varela de Sá, 03, Bairro Vila Carli. Cep: 85040-080. E-mail:
[email protected] Celular: 42 98105804
20
Enfermeira.
21
Enfermagem. Especialista. Professora da Unicentro.
22
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora da Unicentro.
23
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora da Unicentro.
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Sendo assim, Malta et al. (2010) aponta a necessidade de ações de âmbito
coletivo, que ultrapasse as ações prescritivas individuais, para o enfrentamento da
DCNT. Tais ações têm maior capacidade resolutiva, pois consideram as esferas sociais,
ambientais e históricas como determinantes complementares no estabelecimento de
saúde.
Nesse contexto, para melhorar a atenção e direcionar ações tanto no âmbito da
prevenção aos agravos como para melhora da qualidade de vida dos portadores de
DCNT, no século XX foi implementado, no Brasil, o Sistema de Cadastramento e
Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos (SisHiperdia), conhecido como
programa HiperDia, que pode auxiliar os profissionais da saúde, em especial os
enfermeiros, a detectar quais os principais agravos a saúde que acometem a população
pela qual é responsável, além de nortear investigações e disponibilizar informações
relacionadas às DCNT de maior impacto epidemiológico no contexto brasileiro. Sendo
assim, caracteriza-se como um importante aliado no diz respeito a diagnósticos de
situações de saúde (ZILLMER et al., 2010).
Destaca-se a importância da utilização do cadastro dos usuários no HiperDia,
como ferramenta de pesquisa para realização do levantamento de fatores de risco para
DCNT que acometem os indivíduos cadastrados, e consequentemente pessoas que
convivem com os mesmos. Além disso, o cadastro pode ser um aliado dos profissionais
enfermeiros na realização de suas ações de promoção a saúde, prevenção de agravos e
seguimento terapêutico favorecendo o planejamento das ações e atenção adequada às
necessidades de saúde da população pela a qual é responsável.
OBJETIVO
Levantar a percepção de enfermeiros atuantes na saúde da família sobre o
HiperDia em uma cidade do Centro-Oeste do Paraná.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo-exploratório de abordagem qualitativa. A
pesquisa foi realizada na cidade de Pitanga, a qual está localizada no centro-oeste do
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estado do Paraná, com 32.638 habitantes. Atualmente a cidade possui a cobertura de
oito equipes de Estratégia Saúde da Família, representado 100% de cobertura.
Para seleção dos sujeitos do estudo foram usados os seguintes critérios:
enfermeiros que estivessem atuando por mais de um ano na unidade e enfermeiros que
se aceitaram a participar do estudo. Assim, dos oito profissionais atuantes, fizeram parte
do estudo apenas dois enfermeiros. O tempo em questão foi definido, pois o trabalho
aborda a questão de fatores de risco para desenvolvimento de DCNT, sendo que, as
ações de promoção e prevenção que os enfermeiros realizam acerca destes fatores
requerem este período mínimo para serem implementadas, além disso, esse período é
fundamental para reconhecimento do território e vínculo com a população
(STARFIELD, 2002);
A coleta de dados se deu no mês de maio de 2012, após autorização da
Secretaria Municipal de Saúde e agendamento da coleta com os enfermeiros, após a
aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da
Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).
Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada, a qual foi
gravada para não se perder a fidedignidade dos dados. A questão norteadora da
entrevista foi: Quais são suas ações quando ao tratar sobre o Hiperdia?
A análise dos dados se deu pela análise temática de Minayo (2004), sendo
realizada a pré-análise, leitura exaustiva do material, codificação, enumeração,
classificação e agregação (MINAYO, 2004).
O presente estudo seguiu os preceitos éticos da resolução n.º 196/96 do
Conselho Nacional de Saúde - CNS/MS, e foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa
da Unicentro pelo parecer nº 082/2012. Para preservar a identidade dos sujeitos os
enfermeiros foram referenciados no texto com a codificação E1 e E2.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para que haja a promoção da saúde os indivíduos esses devem ter acesso a
informações de qualidade e educação em saúde, tendo suas habilidades desenvolvidas
para a construção de uma vida saudável por meio de escolhas mais adequadas, visando
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assegurar a igualdade de oportunidade para que conheçam e controlem os fatores
determinantes da sua vida (RIBEIRO, 2012).
O Hiperdia consiste em um instrumento importante, pois gera informações de
saúde aos gestores a respeito do perfil epidemiológico da sua população, fornecendo
meios para a elaboração de estratégias de combate e prevenção de complicações das
DNCT (PEREIRA, 2008).
Entretanto, evidenciou-se que o mesmo não está ocorrendo conforme o proposto,
pois, conforme a fala dos sujeitos do estudo as fichas de cadastro no Hiperdia não são
utilizadas para o acompanhamento e/ou elaboração das ações em saúde em sua área de
abrangência: [...] o programa existe, mas as fichas não estão em dia, não estão dentro
da unidade [...] (E1); [...] com o passar do tempo foi mudando a equipe e as pessoas,
foi-se deixando de lado esse cadastro... e a equipe também acabou deixando de lado, a
secretaria de saúde não cobrava mais [...] (E2).
Estas gestoras do cuidado não possuem um instrumento de avaliação
sistematizada para os hipertensos e/ou diabéticos de sua área de abrangência. Não há
planejamento com base nas reais necessidades de saúde dessa população, expondo-os a
maiores agravos à saúde, tendo em vista a falta de atenção conforme as necessidades de
cada um e do grupo, necessidades essas que poderiam ser melhor evidenciadas frente à
classificação de risco dos hipertensos e diabéticos, e o direcionamento das ações
conforme o risco.
A avaliação com classificação de risco proporciona agilidade no atendimento a
partir da verificação do grau de necessidade e da gravidade da situação de saúde dos
cadastrados, direcionando o atendimento de acordo com o nível de complexidade em
que o indivíduo se apresenta, sendo estes dados essenciais para definir o tratamento
mais adequado e as ações que deverão ser direcionadas a problemática de saúde ao qual
se apresenta, ou seja, os fatores ou fator de risco ao qual está exposto (BRASIL, 2004).
Apesar dos enfermeiros não pautarem suas ações conforme o cadastro do
Hiperdia, e com ele realizar a assistência em saúde aos indivíduos, elas vêem o mesmo
com um instrumento facilitador do processo do trabalho entre a equipe multidisciplinar,
o que pode ser visto nas seguintes falas: [...] poderiam estar sendo usados até em
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reuniões com a equipe... na
ficha existem dados que poderiam ajudar. (E1). Eu
acredito que poderia ser usada por toda a equipe. É um instrumento para toda a equipe
da unidade, para que se possa estar acompanhando o paciente [...] (E2).
Percebe-se que estas profissionais reconhecem a importância do trabalho em
equipe e da interdisciplinaridade dentro das unidades de estratégia saúde família, sendo
que este deve ser o foco para os que integram tais unidades elaborarem planos conjuntos
de trabalho, atingindo a população na sua totalidade. Os profissionais que atuam em
unidades de ESF têm o compromisso de prestar uma assistência integral aos indivíduos,
tanto na unidade quanto no domicílio, conforme as necessidades e fatores de riscos
identificados, intervindo de maneira adequada. Permitindo a continuidade do
atendimento e maior envolvimento da equipe com a população, o que favorece a adesão
ao tratamento (OLIVEIRA; SPIRE, 2006).
Quando mencionado o trabalho multidisciplinar durante a entrevista, apenas uma
dos enfermeiros relatou o acompanhamento, juntamente com uma fisioterapeuta, aos
cadastrados no programa. Porém, em nenhum momento foi falado de classificação dos
indivíduos ou interação com outros profissionais, sendo que as ações relatadas se
mostram bem restritas: O programa teoricamente existe, a gente acompanha os
pacientes semanalmente, eles fazem atividade física uma vez por semana com uma
fisioterapeuta que vem acompanhar, e juntas aferimos a pressão [...] (E1).
As ações realizadas ainda são muito limitadas, e o trabalho interdisciplinar é
incipiente, de modo que a prevenção de doenças e promoção da saúde não estão sendo
feitas de maneira efetiva nas unidades pesquisadas, mas sim realizadas apenas ações
pontuais, sem estudo epidemiológico e de necessidades de saúde da população assistida.
Destaca-se que o enfermeiro é de suma importância, tanto na elaboração de
estratégias direcionadas às DCNT’s, quanto na identificação do diagnóstico clínico, na
conduta terapêutica e no processo de informar e educar estes usuários, priorizando as
ações básicas de saúde. Pois ele é qualificado para realizar tais atividades de promoção
da saúde e prevenção de doenças, podendo contribuindo significativamente para
transformar o modelo assistencial (NÓBREGA, MEDEIROS; LEITE, 2010).
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Apesar de o enfermeiro como gestor do cuidado ter como atribuição o
desenvolvimento de atividades de prevenção de agravos e promoção da saúde à
população de sua área adscrita, devendo ter como propósito central, já que estão
inseridas na saúde da família, a integralidade do cuidado, as entrevistadas ainda
apresentam uma visão médico centrada do assunto, além de reduzirem a avaliação do
usuário e o levantamento dos problemas a um atendimento de livre demanda, em que o
usuário que sente necessidade busca o profissional: Os dados da ficha podem contribuir
porque poderiam estar sendo usados até em reuniões com a equipe, talvez o médico não
conheça direito ou o paciente não esteja vindo para as consultas médicas direito (E1);
[...]A ficha acaba sendo um instrumento, e durante a entrevista com o paciente você
pode ta levantando coisas a mais que a ficha não traz. (E1)
Evidencia-se que os enfermeiros não compreendem a importância da atenção
qualificada aos hipertensos e diabéticos, não havendo a organização da demanda de
trabalho pensando no usuário. Além disso, as mesmas estão contrariando suas falas, ao
comparar com fala em momento anterior sobre multidisciplinaridade, mostrando que
sua visão sobre este assunto ainda não está clara nos seus processos de trabalho,
havendo ainda a figura do médico como profissional “superior” aos demais na
assistência à população.
A população precisa ser atendida por profissionais que tenham uma visão
voltada para a atenção integral do cuidado em todos os níveis de assistência,
respondendo às demandas e necessidades de saúde dos indivíduos e da sua comunidade,
e não uma visão tradicional, onde somente o médico tem ação (GONÇALVES et al.,
2009).
CONCLUSÃO
O estudo evidenciou que o enfermeiro não tem conhecimento sobre o real
potencial do Hiperdia, evidenciado pela não utilização do cadastro dos usuários para
facilitar, qualificar e organizar seu processo de trabalho. Além disso, os mesmos não
realizam a classificação de risco destes indivíduos, não sabendo distingui-los de acordo
com suas reais necessidades e especificidades. Sendo assim, estes profissionais realizam
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um trabalho pouco efetivo perante esta população, favorecendo para o agravamento da
situação e aumento das doenças crônicas em sua área de abrangência.
Durante o estudo, pode-se dizer que houve limitações, porém estas não
impediram o alcance do objetivo proposto, dentre elas, a realização da pesquisa em
somente duas unidades de ESF e com apenas dois enfermeiros. Estudos dessa natureza
são grande relevância, pois servem de subsídios para melhorar a atenção à saúde à
população de hipertensos e diabéticos no âmbito da Atenção Primária à Saúde.
PALAVRAS-CHAVE: Hipertensão, Diabetes Mellitus, Doenças Crônicas, Fatores de
Risco, Enfermagem em Saúde Comunitária.
REFERÊNCIAS
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Nacional de Humanização.
HumanizaSUS:
acolhimento
com
avaliação
e
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Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
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GONÇALVES, R. J.; SOARES, R. A.; TROLL, T.; CYRINO, E. G. Ser médico no
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MALTA, D. C.; MOURA, E. C.; SILVA, S. A.; OLIVEIRA, P. P. V.; COSTA &
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
MOURA, E. C., SILVA, S. A., MALTA, D. C., NETO O. L. M. Fatores de risco e
proteção para doenças crônicas: vigilância por meio e inquérito telefônico, VIGITEL,
Brasil, 2007. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 27, n. 3, p. 486-496, mar, 2011.
NÓBREGA, E. S. L.; MEDEIRO, A. L. F.; LEITE, M. C. A. Atuação do enfermeiro no
controle da hipertensão arterial em unidades de saúde da família. Revista de
enfermagem da UFPE. v. 4, n. 1, p. 50- 60. jan./mar. 2010.
OLIVEIRA, E. M.; SPIRI. W. C. Programa Saúde da Família: a experiência de equipe
multiprofissional. Revista de Saúde Pública. v. 40, n. 4, p. 727-33. 2006.
PEREIRA, A. P. R.; BARRETO, M. I. C.; OLIVEIRA, S. G. M.; DOMINGOS, S. R. F.
O perfil dos usuários hipertensos cadastrados e acompanhados por uma Unidade
de Saúde da Família de um município do interior do leste mineiro. Centro
Universitário de Caratinga – UNEC. Caratinga/MG, 2008.
ZILLMER, J. G. V.; Schwartz E.; Muniz, R. M.; Lima, L. M. Avaliação da completude
das informações do Hiperdia em uma unidade básica do sul do Brasil. Revista Gaúcha
de Enfermagem, Porto Alegre (RS) jun; v.31, n. 2, p. 240-6. 2010.
Eixo temático: Saúde do Adulto
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
MONITORAMENTO DA PARTICIPAÇÃO DOS CADASTRADOS NO
PROGRAMA HIPERDIA EM UMA UNIDADE DE ATENÇÃO PRIMÁRIA
(UAP)
Rafael Capitani24
Katiane Mazetto Zini25
Nelsi Salete Tonini26
INTRODUÇÃO:
Atenção Primária é caracterizada pelo Ministério da Saúde na portaria 648 de
2006 como um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que
abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o
tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. A portaria ressalta ainda que deve
ser desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias democráticas
e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios
bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a
dinamicidade existente no território em que vivem essas populações.
Esse nível de atenção possui práticas assistenciais de elevada complexidade e
baixa densidade tecnológica, que devem resolver os problemas de saúde de maior
frequência e relevância em seu território. Deve se configurar como o contato
preferencial dos usuários com os sistemas de saúde. Orienta-se pelos princípios da
universalidade, da acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo e
continuidade, da integralidade, da responsabilização, da humanização, da equidade e da
participação social (PNAB, 2006).
Assim, compreende um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos
ordenados de modo a possibilitar a interação com a realidade, programar as estratégias e
as ações necessárias para alcançar os objetivos e as metas preestabelecidas, sendo um
24
Acadêmico da 5ª Série do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná –
UNIOESTE. End: Rua Administração, 530, Jardim Universitário, Cascavel – PR. Fone: (45) 9925 0592.
E-mail: [email protected]
25
Acadêmica da 5ª Série do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná –
UNIOESTE.
3
Enfermeira. Doutora em Enfermagem Psiquiátrica pela Universidade de São Paulo – USP – Ribeirão
Preto. Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
processo contínuo que permite uma postura ativa dos gestores de uma organização na
sua relação com a população e com o meio (TANCREDI et al., 1998).
Nesse contexto, consideraremos uma das atividades realizadas nesse nível de
atenção: o programa HiperDia, desenvolvido pela Atenção Primária em Saúde (APS), é
um Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos
captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial (HA)
e ao Diabetes Mellitus (DM), em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de
Saúde (SUS), gerando informações para os gerentes locais, gestores das secretarias
municipais, estaduais e do Ministério da Saúde.
Além do cadastro, o sistema permite a solicitação de exames, consultas,
orientações de saúde, o acompanhamento dos pacientes e a garantia do recebimento dos
medicamentos prescritos, ao mesmo tempo em que, em médio prazo, poderá ser
definido o perfil epidemiológico desta população, e o consequente desencadeamento de
estratégias de saúde pública que levarão à modificação do quadro atual, a melhoria da
qualidade de vida dessas pessoas e a redução do custo social.
Esse acompanhamento é realizado por meio de reuniões organizadas pelo
enfermeiro, onde é possível, verificar a pressão arterial, altura, circunferência
abdominal, peso, glicemia dos participantes do programa e ainda repassar informações
sobre medicação e cuidados adequados aos portadores de diabetes e hipertensão. A
Diabetes Mellitus e a Hipertensão Arterial são doenças crônicas não transmissíveis, e
representam problema de saúde de grande magnitude.
De acordo com o Ministério da Saúde em 2007, 72% dos óbitos no país foram
decorrentes dessas doenças, com destaque para doenças do aparelho circulatório
(31,3%), câncer (16,3%), diabetes (5,2%) e doença respiratória crônica (5,8%). As
Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNT) atingem indivíduos de todas as camadas
socioeconômicas, mas, principalmente, aqueles pertencentes a grupos vulneráveis, como
os idosos e aqueles de baixas escolaridade e renda (BRASIL, 2011).
Atualmente, doenças crônicas como o diabetes e a hipertensão arterial sistêmica
representam um importante problema de Saúde Pública para o Brasil. O levantamento
de dados e análise sobre essas doenças são de fundamental importância.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Com intuito de facilitar a identificação e o acompanhamento dessas doenças e
possibilitar melhor continuidade do HiperDia e de estratégias de controle das doenças
crônicas não-transmissíveis, o Ministério da Saúde publicou em 2010 o Caderno de
Rastreamento na Atenção Primária, o qual fornece direcionamentos às equipes de saúde,
ressaltando que o rastreamento e o acompanhamento deve ser realizado de forma
contínua e atenciosa, evitando o cadastramento precoce e possibilitando uma atividade
clínica fundamentada e qualificada.
O Ministério da Saúde reforça ainda, nos Cadernos de Atenção Básica nº 15 de
2006, que as estratégias de saúde pública são necessárias para a abordagem de fatores
relativos ao estilo de vida e aos hábitos da população, visando redução de doenças
crônicas e agudizações destas, através do acompanhamento adequado.
Portanto, considerando a importância do HiperDia e a necessidade de
acompanhamento dos pacientes portadores de doenças crônicas, é fundamental a
implementação de modelos de atenção que incorporem estratégias individuais e
coletivas que realizam o controle e o acompanhamento dessas doenças nesse sentido,
esse trabalho visa identificar as principais necessidades e características dos pacientes
que participam das reuniões do HiperDia na Unidade de Atenção Primária (UAP) do
bairro Floresta.
OBJETIVOS
Analisar a participação e o acompanhamento no HiperDia pelos pacientes
portadores de HA e DM do tipo II.
Identificar os participantes que não consultaram e não realizaram exames nos
últimos seis meses e agendar consulta médica para esses pacientes.
METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se por um estudo de caráter exploratóriodescritivo, de natureza quantitativa. Realizada no período de abril a maio de 2013,
durante as reuniões do HiperDia da Unidade de Atenção Primária do bairro Floresta.
Primeiramente, organizou-se um calendário de temas a serem discutidos nas reuniões do
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
grupo do HiperDia, que acontecem sempre na primeira terça-feira e primeira quintafeira do mês, sendo que na terça-feira o atendimento prioritário é para os hipertensos e a
reunião inicia-se às sete horas da manhã, e na quinta-feira o foco são os pacientes
diabéticos e a reunião inicia-se às nove horas da manhã. As reuniões são realizadas
visando o acompanhamento dos pacientes portadores destas doenças crônicas residentes
na área de abrangência da Unidade.
Em seguida, elaborou-se um questionário estruturado em forma de tabela, que
foi utilizado como instrumento de coleta de dados para entrevistar os pacientes durante
as reuniões do programa, os quesitos e a forma de preenchimento adequado do
instrumento são apresentados a seguir: nome (nome completo do participante); endereço
(descrever: rua, número da casa em que o participante reside); hipertenso (preencher: S
se o paciente for hipertenso, N se não); diabético (preencher: S se o paciente for
diabético, N se não); data da última consulta (mês e ano); data da última realização de
exames (mês e ano); trabalhador (S se o paciente trabalhar, N se não); turno de trabalho
(preencher: manhã, tarde, noite); frequência no grupo (preencher: primeira vez,
esporádico ou mensal).
A análise dos resultados foi realizada através de operações estatísticas de
distribuição de frequência em porcentagem e os resultados obtidos serão apresentados
em tabelas e gráficos, com posterior discussão embasada na literatura disponível acerca
da temática em questão.
Vale ressaltar que esta pesquisa está em andamento e os resultados apresentados
nesse trabalho são procedentes das duas reuniões do mês de abril, sendo que ainda serão
coletados os dados das duas reuniões do mês de maio e, assim, concluiremos a coleta da
pesquisa. Contudo, os resultados, mesmo que parciais, já demonstram relevância para
incentivar e contribuir com as discussões sobre as estratégias na Atenção Primária. Esta
pesquisa foi solicitada pela coordenação da UAP, que autorizou a utilização dos dados.
RESULTADOS
Os resultados apresentados nesse trabalho são parciais e, até o momento da
pesquisa, foram entrevistados 119 pacientes, dos quais 82 são do sexo feminino e 37 do
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
sexo masculino; quanto à doença crônica que apresentavam, identificamos 36 pacientes
portadores de HA, representando 30,25% do total; 6 pacientes, representando 5,04% do
total de portadores de DM do tipo II; e 77 pacientes, o que significa 64,7%, portadores
das duas doenças. Quanto à realização de consultas, identificou-se que a maioria dos
pacientes (63 pessoas, 52,94% do total) realizou consulta médica nos últimos seis
meses; contudo, para 47,06%, ou seja, 56 pacientes, a última consulta foi realizada há
mais de seis meses, sendo que, destes, 5 pacientes (4,2%) estão a um período maior que
um ano sem se consultarem.
O item realização de exames demonstrou que 72 pacientes (60,5%) não
realizaram nenhum exame nos últimos 6 meses; para 8 pessoas (6,72%) esse período é
maior que um ano; e somente 39 pacientes (32,77%) realizaram exames nos últimos 6
meses. Quatro pacientes trabalham durante o período diurno (manhã e tarde) o restante
relatou não trabalhar, quanto à idade dos participantes, obtivemos uma margem entre 30
(paciente mais novo) e 82 anos (paciente mais velho), prevalecendo a idade entre 50 e
69 anos. O último item pesquisado foi a frequência de participação no grupo do
HiperDia. Noventa pacientes relataram que participam mensalmente das reuniões, 8
pacientes estavam presentes pela primeira vez e 21 responderam que participavam
esporadicamente.
CONCLUSÃO
Os participantes do HiperDia na UAP do bairro Floresta são, em sua maioria,
idosos, do sexo feminino, não trabalham, são portadores das duas doenças crônicas,
Diabetes Mellitus tipo II e Hipertensão Arterial, grande parte são participantes mensais
das reuniões do programa, ainda que não realizem consulta médica ou exames de rotina
com frequência, participando do grupo para verificar a pressão arterial e a glicemia e
para efetuar a troca de receitas realizada pela unidade.
Com esta pesquisa, identificamos que, mesmo quando o paciente adere ao
programa e participa mensalmente das reuniões, se não houver adequada atenção da
equipe de saúde, o paciente pode permanecer sem realizar consultas ou exames. Com o
intuito de proporcionar melhor acompanhamento das doenças crônicas, os pacientes que
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
estavam há mais de 6 meses sem consulta e/ou sem exames de rotina terão as consultas
agendadas na unidade com o clínico geral para serem avaliados e realizarem os exames
necessários. Cabe ainda ressaltar que a Hipertensão Arterial e o Diabetes Mellitus são
dois agravos debilitantes, que, se não tratados adequadamente, levam ao surgimento de
diversas outras doenças incapacitantes. Além disso, os profissionais de enfermagem são
fundamentais na assistência a estes pacientes, planejando, executando e, sobretudo,
acompanhando os portadores de doenças crônicas.
Palavras-chave: Monitoramento; HiperDia; Atenção Primária em Saúde; Estratégias de
Atenção.
REFERÊNCIAS.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº. 648, de 28 de março de 2006. Aprova a
Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas
para a organização da Atenção Básica para o Programa Saúde da Família (PSF) e o
Programa
Agentes
Comunitários
de
Saúde
(PACS).
Disponível
em:
<http://dtr2004.saude.gov.br/dab/docs/publicacoes/pactos/pactos_vol4.pdf>. Acesso em
12 abr. 2013.
______. Ministério da Saúde. Portaria nº. 648/2006, que estabelece a Política Nacional
de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de
Análise de Situação de Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das
doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022. Brasília:
Ministério da Saúde, 2011.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Rastreamento/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 95 p.: il. – Série
A. Normas e Manuais Técnicos. Cadernos de Atenção Primária, n. 29.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Hipertensão arterial sistêmica para o Sistema Único de Saúde / Ministério
da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília:
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
Ministério da Saúde, 2006. 58 p. – Cadernos de Atenção Básica; 16. Série A. Normas e
Manuais Técnicos.
TANCREDI, F. B et al. Planejamento em saúde. Série Saúde e Cidadania. São Paulo:
Faculdade de Saúde Pública; 1998.
Eixo temático: Saúde do Adulto
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
DESENVOLVENDO AÇÕES DE PREVENÇÃO DA HIPERTENSÃO
ARTERIAL E DIABETES MELLITUS
Suzamara Batista1
Eva Marcanssoni Rochi
Marinilce Mariano Dobbins
Edicarcia Milhoretto Rinaldi
Thaise de Almeida Granzotto
INTRODUÇÃO
O aumento epidêmico das patologias Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
tornou-se uma prioridade de saúde pública, mundialmente são doenças de elevado
índice de acometimento, além de um alto custo nacional para seu atendimento
dependendo da prevalência e complexidade do tratamento disponível (BRUCE 2006). A
hipertensão arterial e a diabetes melittus são doenças que evoluem silenciosamente, as
pessoas acometidas mostram-se com freqüência, isentos de sintomas. O sedentarismo e
a alimentação inadequada são fatores que contribuem para seu desencadeamento.
Oficialmente a Hipertensão Arterial é definida como uma pressão arterial sistólica
superior a 140 mmHg e uma pressão arterial diastólica maior que 90mmHg durante um
período sustentável, quanto maior for a pressão arterial, quer sistólica ou diastólica,
maior será o risco (BRUNNER; SUDDARTH, 2002). O termo Diabetes Mellitus é
aplicado a um quadro de hiperglicemia crônica acompanhado de distúrbios no
metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. Os efeitos crônicos incluem danos,
disfunção ou falência de órgãos, especialmente rins, nervos, coração e vasos
sanguíneos. A identificação de casos diagnosticados precocemente e o tratamento e
acompanhamento de indivíduos já acometidos pela Hipertensão Arterial e Diabetes
Mellitus, visa prevenir complicações agudas e crônicas (BRUCE, 2006). Pensando em
intensificar os cuidados à pacientes acometidos pelas morbidades em discussão, o
município de Laranjeiras do Sul, localizada no centro-oeste do Paraná, com uma
população total de 30.783 mil habitantes (IBGE, 2010) disponibilizando de recurso
federal de incentivo a Promoção em Saúde, vem desenvolvendo, desde 2009, ações de
prevenção a hipertensão arterial e diabetes melittus, sendo sua população alvo
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
hipertensos e diabéticos acompanhados pelas Estratégias Saúde da Família (ESF) e
apoio do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF I), integrando uma equipe
multidiciplinar
com nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, educador físico e
profissionais integrantes da ESF.
OBJETIVO
Orientar e estimular pacientes hipertensos e diabéticos a adotarem uma vida
mais saudável através de alimentação adequada e prática de exercícios físicos.
METODOLOGIA
Trata-se de um relato de experiência, do trabalho desenvolvido em um
município de médio porte, desenvolvendo ações de prevenção de Hipertensão Arterial e
Diabetes Mellitus, utilizou-se dados do Ministério da Saúde DATASUS/SIAB e
referências bibliográficas. O plano de controle para a Hipertensão Arterial e Diabetes
Mellitus é simples e de baixo custo em relação a gravidade de suas complicações,
inicialmente requer a necessidade de mudança de estilo de vida do indivíduo. O
sedentarismo
aliados
a
uma
alimentação
inadequada
contribuem
para
o
desencadeamento de um importante fator de risco para o acometimento da Hipertensão
Arterial e Diabetes Mellitus, a obesidade, um dos grandes vilões e atualmente, devido a
um estilo de vida adotado tem seu índice elevado, pesquisas recentes estimam que 50%
dos indivíduos hipertensos e diabéticos estão acima do peso (BRUNNER &
SUDDARTH, 2002). As evidências epidemiológicas sustentam a indicação de prática
de atividades físicas como medida não farmacológica a redução do peso e alimentação
saudável é outra indicação racional. A prática de exercícios físico é indicada a todos os
pacientes hipertensos e diabéticos, pois melhora o controle metabólico, reduz a
necessidade de hipoglicemiantes, ajuda no controle da pressão arterial, promove
emagrecimento nos pacientes obesos, diminuindo assim, os riscos de agravos da doença
e melhora a qualidade de vida (BRUCE 2006). A promoção do exercício físico é
considerada prioritária tanto para o manejo quanto para a prevenção da Hipertensão
Arterial e Diabetes Mellitus, associada a uma alimentação saudável é a base para uma
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
qualidade de vida satisfatória. Os Hábitos alimentares saudáveis fazem parte de um
cardápio de estilo de vida que contribuem para a prevenção das doenças (BRUCE
2006).
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Com bases em dados de indicadores avaliados em 2009, notou-se a presença do
fator de risco obesidade em mais de 50% dos pacientes hipertensos e diabéticos, um
aumento na taxa de internamentos por complicações devido a hipertensão arterial e
diabetes mellitus e elevado número de casos de Acidente Vascular Cerebral
(DATASUS), o município de Laranjeiras do Sul-PR, desenvolve desde 2009, ações de
prevenção da hipertensão arterial e diabetes mellitus, integrando inicialmente 3.171
hipertensos e 528 diabéticos, atualmente integram 3576 hipertensos e 661 diabéticos
acompanhados por 11 ESFs, (DATASUS/SIAB). Esses pacientes são acompanhados
pelos profissionais nutricionista e psicólogo do NASF, educador físico e fisioterapeuta.
Os pacientes hipertensos e diabéticos são divididos em grupos, atualmente integram 35
grupos, são realizadas reuniões mensais onde os profissionais trabalham com atividade
de educação em saúde relacionadas às patologias e sua complicações, educação
alimentar, dinâmica de apoio psicológico, avaliação do Índice de Massa Corporal
(IMC), aferição da pressão arterial e hemoglicoteste, alem de fazer entrega de
medicamento do programa HIPERDIA. A atividade física sempre foi estimulada e
realizadas nestes grandes grupos a fim de incentivar a prática de exercícios físicos e, nos
últimos dois anos, foram criados os grupos Coração Feliz, os quais realizam atividades
físicas semanais com acompanhamento do educador físico e dos Agentes Comunitários
de Saúde (ACS) nas praças públicas, ginásio de esportes, no lago municipal e na
academia ao ar livre do município. Atualmente são 7 grupos do Coração Feliz com
cerca de 300 participantes, que possuem acompanhamento nutricional, através da
avaliação do IMC nos dias de atividades físicas e atendimentos individualizados nas
Unidades Básicas de Saúde (UBS) conforme agendamento e encaminhamento da ESF.
O excesso de peso foi detectado em 49,2% dos pacientes avaliados sendo 25,5%
estavam com sobre peso e 23,7% com obesidade agravando e aumentando os riscos de
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
complicações das patologias. As metas da experiência é estimular as práticas de
atividades físicas e hábitos alimentares saudáveis nos pacientes hipertensos e diabéticos
acompanhados pelas ESF, com isso diminuindo gradativamente o uso de medicamentos
relacionados à Obesidade, Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus, procura-se também,
um diagnostico precoce de novos casos da comorbidade em questão. Estima-se a longo
prazo, ações de controle da obesidade, um dos principais fatores de risco para o
desencadeamento
da
Hipertensão
Arterial
e Diabetes Mellitus.
Houve um
comprometimento por parte do município em disponibilizar condições de trabalho para
os profissionais através da aquisição de equipamentos, confecção de material educativo
(banners, folders, cartazes), que auxiliam no desenvolvimento de ações e atividades de
educação em saúde da ESF. Mensalmente são realizadas reuniões com os pacientes
hipertensos e diabéticos onde os profissionais da ESF e do NASF fazem Educação em
Saúde através de palestras orientando o público alvo sobre a Hipertensão Arterial e
Diabetes Mellitus seu acometimento, fatores de riscos, agravos e complicações, como
prevenir ou manter um controle sobre as patologias, a importância de uma alimentação
saudável aliada a prática de atividades físicas regulares possibilitando assim, qualidade
de vida. A equipe realiza aferição de pressão arterial e hemoglicoteste diagnosticando
assim, novos casos, muitas vezes assintomáticos, de familiares que acompanham os
pacientes hipertensos e diabéticos ate as reuniões. Indivíduos que encontram dificuldade
em manter o controle nos níveis da pressão arterial e glicemia requerem mais atenção e
alerta por parte dos profissionais da ESF e do NASF. A orientação aos familiares
também é essencial pois são grandes aliados tanto nos hábitos alimentares como na
questão de fármacos, percebe-se grande dificuldade em pacientes idosos em horários a
serem seguidos como também
na identificação dos fármacos. Trabalhando
integralmente individuo, família e comunidade com ações de prevenção simples e de
baixo custo através de orientações e incentivos percebe-se grandes evoluções na
melhoria da qualidade de vida e diminuição de agravos e complicações das morbidades
Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. Na Conferencia de Saúde realizada em Julho
de 2011, foi apresentada uma pesquisa com vários depoimentos dos participantes dos
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
grupos do Coração Feliz, os quais relatam melhora na auto estima, nos hábitos
alimentares e qualidade de vida.
CONCLUSÃO
O objetivo proposto com este estudo foi alcançado, pois possibilitou-nos
conhecer, mesmo que de maneira sucinta, a importâncias do desenvolvimento de ações
de prevenção de morbidades como a hipertensão arterial e diabetes mellitus, que
atualmente tem elevado índice de acometimento e agravos. Reconhecemos que os
resultados das ações em saúde e na qualidade de vida da população foram observados ao
longo do tempo. O número de hipertensos e diabéticos acompanhados pelas ESFs
manteve-se um valor maior decorrer dos últimos anos, em função da ampliação dos
cadastros da ESF que atualmente acompanham 83,7% da população do município
(SIAB), outrossim, o diagnóstico precoce da Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus,
principalmente dos familiares dos pacientes já acompanhados. Percebe-se que a
população alvo esta consciente das patologias e seus agravos e a necessidade da
mudança nos hábitos de vida, uma alimentação saudável e atividades físicas regulares.
Outrossim, salientamos que é imprescindível que medidas profiláticas e de orientação
sejam alvos de trabalhos da equipe multidisciplinar, considerando que a experiência
pode ser aplicada em qualquer local onde haja ESF que possam contar com o apoio dos
profissionais do NASF ou de outros programas que garantam a interdiciplinariedade,
tendo em vista que são ações simples e que trazem bons resultados, exigem apenas
comprometimento da equipe em promover a qualidade de vida do individuo e
comunidade.
PALAVRAS-CHAVES: Hipertensão Arterial; Diabetes Mellitus; Prevenção
REFERÊNCIAS:
BRUNNER & SUDDARTH. SMELTZER Suzanne C., BARE Brenda G. Tratado de
Enfermagem Medico Cirúrgica, nona edição, volume 2, Editora Guanabara Koogan.
São Paulo, 2002.
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
DUNCAN, Bruce B.; SCHMIDT Maria Inês; GIUGLIANI Elsa R. J. Medicina
Ambulatorial Condutas de Atençao Primária Baseadas em Evidencias, 3° edição,
editora Artmed. Porto Alegre- RS, 2006.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/ Indicadores/ censo 2010. Rio de
Janeiro,
2012.
Disponível
em:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populaçao/censo2012/tabelas, Acesso em: 22
abril 2013.
Eixo temático: Saúde do Adulto
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
SISTEMA DE REFERÊCNIA E CONTRA REFERÊNCIA DO AMBULATÓRIO
DE FERIDAS DE FOZ DO IGUAÇU/PR
Terezinha Aparecida Campos27
Nelsi Salete Tonini28
Maristela Salete Maraschin29
INTRODUÇÃO
O sistema de referência e contra referência constitui-se na articulação entre os
níveis de atenção à saúde, primário, secundário e terciário, sendo que a referência
compreende o fluxo de encaminhamento do usuário do nível menor para o de maior
complexidade, inversamente, a contra referência está relacionado ao ato de referenciar
do nível de maior para o de menor complexidade (JULIANI; CIAMPONE, 1999).
Como previsto pela Norma Operacional Básica (NOB-SUS 01/96), os municípios têm a
responsabilidade de desenvolver métodos de planejamento e de gestão, incluídos os
mecanismos de referência e contra referência (AGUIAR, 2007). Para garantir o acesso e
o atendimento ao usuário em todos os níveis de atenção a saúde, é imprescindível
estabelecer fluxos de referência e contra referência baseados na acessibilidade e
continuidade da assistência, segundo a lógica da complexidade, caso contrário, a
ausência deste sistema pode ser apenas um discurso reiterado, mas, sem possibilidade
de concretização. Entendemos que o sistema de referência e contra referência é um
instrumento gerencial importante para a organização dos serviços de saúde, no entanto,
na revisão de literatura observam-se escassas publicações em relação ao tema, sob a
visão do enfermeiro. Pautado neste aspecto, este estudo justificou-se na perspectiva de
que este profissional também pode intervir neste sistema, para isso, buscamos conhecer
na prática a aplicabilidade deste instrumento.
27
Enfermeira. Especialista em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná- UNIOESTE
e Residente do Curso de Gerenciamento em Clínica Médica e Cirúrgica - UNIOESTE. Contato:
[email protected] - Telefone: (45) 9105-6622
28
Enfermeira. Doutora em Enfermagem Psiquiátrica pela Universidade de São Paulo – USP – Ribeirão
Preto. Docente do Curso de Enfermagem na Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
29
Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Paraná – UFPR – Curitiba-Pr.
Docente do Curso de Enfermagem na Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
OBJETIVOS
Conhecer o funcionamento do sistema de referência das equipes de saúde da
família para o Ambulatório de Feridas do município de Foz do Iguaçu, e a contra
referência dos pacientes/clientes para as das equipes de saúde da família de origem.
METODOLOGIA
Após a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual
do Oeste do Paraná (Parecer nº 085/2011), juntamente com as Autorizações outorgados
pelo Departamento da Atenção Básica da Secretaria Municipal da Saúde de Foz do
Iguaçu/PR e Poliambulatório Nossa Senhora Aparecida, acrescido do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), o estudo foi desenvolvido por meio de
pesquisa de campo, na dimensão qualitativa de forma observacional e exploratória. Para
o desenvolvimento desta pesquisa foi selecionado o Ambulatório de Feridas e Unidades
de Saúde da Família (USF) do município de Foz do Iguaçu/PR. Na primeira etapa, foi
realizada a pesquisa de forma observacional com um roteiro previamente elaborado
pelas pesquisadoras, no intuito de conhecer como ocorre o fluxo de referência dos
pacientes/clientes acometidos por feridas crônicas ao Ambulatório de Feridas. Para que
o ato da observação pudesse contemplar os requisitos pré estabelecidos foi realizado um
teste piloto previamente em uma das USF, qual não estaria entre as selecionadas para a
pesquisa. Esta etapa ocorreu durante o acolhimento, já que, teoricamente esse é o
período de maior fluxo nas unidades de saúde. A segunda etapa consistiu de entrevista
gravada, semi estruturada, composta por quatro questões norteadoras, tendo como alvo
os enfermeiros das equipes de saúde da família (ESF), onde foi realizada a parte
observacional da pesquisa, mais o enfermeiro do Ambulatório de Ferida, totalizando um
n= 10 enfermeiros. Para a coleta dos dados desta etapa foi utilizado um gravador
portátil Sony M-430, adquirido pelos pesquisadores, esta fase da pesquisa ocorreu na
sequência do acolhimento, e, após o entrevistado assinar o TCLE. Para análise dos
dados foi procedido da seguinte forma: as informações da pesquisa observacional foram
quantificadas e discutidas por similaridade temática, enquanto que as entrevistas foram
transcritas na íntegra e agrupadas em quatro categorias principais, conforme referencial
de Minayo (1992), enfatizando a similaridade das respostas e expondo pontos relevantes
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das falas originais dos entrevistados, quais foram identificados com nome de pedras
preciosas, no intuito de preservar a identidade dos mesmos.
RESULTADOS
Primeiramente, foram apresentados e discutidos os dados obtidos por meio da
observação, no qual buscou conhecer os seguintes parâmetros: como o paciente/cliente
acometido por ferida crônica é atendido na USF; qual profissional faz a avaliação da
ferida; de que forma este indivíduo é encaminhado ao Ambulatório de Feridas; os
profissionais estão orientados em relação ao fluxo de encaminhamento; e, se há um
protocolo de feridas para nortear a assistência. Diante do que foi observado verificamos
que o cliente/paciente acometido por ferida crônica ao chegar à unidade de saúde é
atendido em livre demanda, exceto quando é apenas para realizar o curativo. Esse dado
corrobora na totalidade das USF observadas, o que leva a pensar que a organização
destes serviços ainda está vinculada a demanda espontânea, segundo Roncalli (2000),
este modelo reforça a atitude dos usuários que só procuram a unidade de saúde quando
estão doentes, predominando o modelo curativista ao invés do preventivo. Em relação
qual profissional faz a avaliação, constatou-se que 50% das avaliações são realizadas
juntamente pelos dois profissionais (médico/enfermeiro), enquanto que 30% está
centrada somente no médico, e, apenas 20% das avaliações é realizada só pelo
enfermeiro, o que consideramos baixa essa representatividade, pressupondo a
fragilidade da autonomia deste profissional. Dentre as atribuições privativas do
enfermeiro, Ferreira; Bogamil; Tormena (2008) salientam que em relação ao tratamento
de feridas, os cuidados baseiam-se em conhecimentos adquiridos durante a academia e
na busca por atualização. No entanto, a hegemonia médica e a falta de autonomia do
enfermeiro podem interferir na tomada de decisão, sobretudo quando se discute
especificamente o tratamento de feridas crônicas. Ao observarmos de que forma é
realizado o encaminhamento deste indivíduo ao Ambulatório de Feridas verificou-se
que metade dos enfermeiros não realiza nenhum tipo de encaminhamento, enquanto que
uma pequena parcela utiliza o sistema de referência e contra referência, além, de
previamente fazer o contato telefônico. Estas observações evidenciam que o mecanismo
formal administrativo do sistema de referência, nos serviços pesquisados não segue uma
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organização. Quando a pesquisa mostra que metade dos enfermeiros não utiliza nenhum
tipo de mecanismo para referenciar este paciente/cliente, acreditamos que isso possa
estar relacionado com a falta de informação do fluxo/direcionamento, já que 50% dos
enfermeiros desconhece como funciona o sistema de referência para o Ambulatório de
Feridas. Infelizmente, tais observações apresentam fragilidade na funcionalidade, na
resolutividade e na integralidade da assistência, pelo fato de não garantir a continuidade
da assistência. De acordo com Petruci (2010), o sistema de referência e contra
referência é fundamental para que se concretizem os direitos dos pacientes/clientes à
integralidade, norteando o processo de trabalho e as práticas dos profissionais
envolvidos. Para Fontoura; Mayer (2006), a integralidade da assistência é a pedra
angular para obter qualidade nas ações e serviços voltados para a promoção, prevenção,
tratamento e reabilitação da saúde. Outro aspecto a considerar é a resolutividade que
está ligada diretamente na maneira que os profissionais enfrentam os problemas de
saúde da comunidade, e, a capacidade de resolver os agravos da população sem a
necessidade de encaminhamento para um nível de maior complexidade, evitando assim
o aumento da demanda dos serviços especializados. Ao analisar se havia protocolo para
atendimento e tratamento de feridas, nos serviços que participaram da pesquisa, em
nenhum deles foi encontrado algum tipo de protocolo instituído, reforçando a
fragilidade na assistência prestada aos indivíduos acometidos por ferida crônica, do
referido município. Sabe-se que protocolos de ações e condutas constituem uma etapa
fundamental na organização dos serviços de saúde e da assistência. Consequentemente,
se este tipo de ferramenta não é padronizado no serviço, provavelmente cada
profissional realizará uma assistência conforme o que lhe parecer correto ou de acordo
com seu conhecimento científico. Segundo Dantas (2010), para realizar a assistência ao
paciente/cliente acometido por ferida crônica, é importante que o profissional esteja
pautado em um protocolo que contemple avaliação clínica, diagnóstico precoce,
planejamento do tratamento, implementação do plano de cuidados, evolução e
reavaliação das condutas instituídas. Referente à segunda etapa da pesquisa, a primeira
questão buscou identificar como funciona o sistema de referência e contra referência
para pacientes/clientes acometidos por feridas crônicas, onde se constatou que a minoria
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dos enfermeiros tem o hábito de referenciar. Esse fato corrobora com dados do estudo
realizado por Juliani; Ciampone (1999), que trazem achados como estes e sugerem a
realização de mais estudos de avaliação, já que referência e contra referência é um
sistema determinante para o sucesso e a agilidade no encaminhamento do usuário. Além
disso, compartilhamos da mesma ideia de Pontes et al. (2009), que quanto mais bem
estruturado for o fluxo de referência e contra referência entre os níveis de atenção a
saúde, maior será a eficiência e a eficácia da assistência prestada. No contexto das
entrevistas realizadas denota a falta de integração entre as USF e o Ambulatório de
Feridas, pressupõe que se o paciente/cliente precisar de encaminhamento ao serviço
especializado para avaliação e tratamento da ferida, não há um sistema efetivo que
contemple os princípios doutrinários do SUS, entre eles a integralidade e
hierarquização. Quando solicitados para elencar as potencialidades do sistema de
referência e contra referência, afirmam que este tipo de sistema é um dos métodos mais
adequado para assistir o paciente/cliente integralmente, embora saibam e verbalizem a
importância desse sistema não aplicam de maneira formal no cotidiano. Nesta
perspectiva, afirmamos e defendemos que o sistema de referência e contra referência é
uma ferramenta potente para a efetividade das ações em saúde. Conforme Fratini
(2007), a referência e contra referência assegura o fluxo em todos os níveis de atenção a
saúde, com acesso universal e contínuo, com qualidade, resolutividade e
desenvolvimento de vínculo entre profissionais e usuários. No que tange as fragilidades
deste sistema, foi apontado à inexistência da contra referência do Ambulatório de
Feridas para as USF. Isso, consequentemente, deixa os profissionais da atenção básica
sem as informações pertinentes sobre a assistência prestada e a conduta terapêutica
instituída. Igualmente Filho; Santos; Pinto (2010), em um estudo feito com enfermeiros
atuantes em ESF do município de Ipatinga/MG, diz que um dos obstáculos e desafios
enfrentados por estes profissionais está no sistema de contra referência, refletindo no
processo organizacional dos serviços de saúde. Ou seja, um sistema de referência e
contra referência, estruturado, sistematizado e praticado adequadamente pressupõe que
a assistência preventiva, curativa e de reabilitação ocorre de maneira integral, com
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fluxos bem delineados e distribuídos geograficamente de maneira compatível com a
demanda populacional de cada território.
CONCLUSÕES
Sabendo da importância dos benefícios que este sistema traz tanto para o usuário
quanto para os gestores, reconhecemos que para a efetivação da referência e contra
referência faz-se necessário levar os profissionais de saúde a reflexão e conscientização
da utilização deste sistema. Os dados encontrados nos serviços pesquisados
evidenciaram claramente a ausência deste sistema formalizado, presumindo que não há
princípios de organização e hierarquizada, como é preconizado pelo Sistema Único de
Saúde. Apesar das limitações deste estudo, e, reconhecendo a importância da
organização do serviço, propusemos um fluxo de referência e contra referência que
contemplasse as necessidades do mesmo. Reconhecendo que a construção e adoção de
diretrizes necessitam ser associadas à literatura e a realidade da instituição, bem como, a
validação do documento e constante avaliação da sua efetividade.
PALAVRAS-CHAVE: Referência; Ambulatório; Feridas; Usuário; Enfermeiro.
REFERÊNCIAS
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
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Eixo temático: Saúde do Adulto
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PROGRAMA EDUCATIVO DE ANTICOAGULAÇÃO ORAL COMO
PROPOSTA PARA AUTO EFICÁCIA E A ADESÃO*.
Flávia Martinelli Pelegrino1
Ariana Rodrigues da Silva Carvalho2
Fabiana Bolela3
Inaiara Scalçone de Almeida Corbi4
Rosana Aparecida Spadoti Dantas5
INTRODUÇÃO
Iniciar o uso da anticoagulação oral não é uma tarefa fácil, haja vista, a
complexidade de seu seguimento e o envolvimento de fatores intrínsecos e extrínsecos
aos indivíduos que fazem uso de anticoagulantes orais. O manejo do tratamento entre os
usuários de anticoagulação oral vem evoluindo nas últimas décadas, com o surgimento
de clínicas especializadas que favorecem um seguimento diferenciado aos usuários e
familiares a fim de otimizar os resultados para o controle da coagulação sanguínea
diminuindo as complicações do tratamento (BURNETT, TRUJILLO; 2013). Diretrizes
internacionais vêm sendo instituídas com o intuito de promover a segurança e a
qualidade do tratamento. A exemplo, pesquisadores da área publicaram a 9th ed.
American College of Chest Physicians para orientar as melhores práticas. Destaca-se a
necessidade de uma “Intensive Patient Education”(ACCP, 2012). Essas atitudes têm
demonstrado melhores controles da coagulação sanguínea, diminuição dos custos de
saúde, aumento da adesão ao tratamento, significativa redução de eventos
tromboembólicos e internações por complicações (PERNOD et al., 2008; GEYER,
FORD, RINDONE, 2011; GRUNAU, WIENS, HARDER, 2011). No entanto propor
um modelo de abordagem educativa aos indivíduos no processo saúde-doença torna-se
um desafio aos profissionais de saúde. Em teoria, “aquilo que as pessoas pensam, creem
e sentem afeta a maneira como se comportam” (BANDURA, 2008, p.99). Essas
capacidades proporcionam aos indivíduos os meios cognitivos pelos quais influenciam e
determinam as suas ações. É talvez a crença de auto eficácia o que mais afeta o
funcionamento humano, pois envolve um julgamento delas próprias em suas
capacidades para se organizarem e executarem as ações necessárias para alcançar
determinado objetivo. No entanto, o comportamento das pessoas pode não estar
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relacionado às suas capacidades reais ou pode diferir amplamente mesmo que tenha
conhecimentos e habilidades semelhantes. Surge daí a motivação, sendo o reforço
positivo a base para os indivíduos desenvolverem expectativas e estabelecerem
objetivos de melhora progressiva para si mesmos (BANDURA, 2008).
OBJETIVO
Comparar a auto eficácia e a adesão ao tratamento ao anticoagulante oral de
indivíduos que participaram de um programa educativo para o autocuidado relacionado
ao uso de anticoagulante oral baseado na Teoria de Bandura com aqueles que receberam
o cuidado de rotina.
MÉTODO
Estudo experimental com designação aleatória dos participantes para o grupo
intervenção (GI) ou grupo controle (GC). O estudo foi realizado em um hospital do
interior do estado de São Paulo. Os participantes foram esclarecidos quanto aos
objetivos do estudo e concordaram em participar mediante assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido. Os critérios de inclusão foram: ter iniciado o
anticoagulante oral durante a hospitalização, ter idade acima de 18 anos, ter capacidade
cognitiva para responder as questões de acordo com o teste do Mini-Exame do Estado
Mental de Bertolucci e colaboradores (1994). O programa educativo para o uso da
terapia da anticoagulação oral envolveu orientação verbal e escrita durante a internação
hospitalar; o reforço positivo por meio do contato telefônico na primeira e na quarta
semana após a alta hospitalar e o encontro ambulatorial após dois meses da alta
hospitalar. Ressaltamos que o monitoramento da anticoagulação oral durante os retornos
ambulatoriais foi realizado exclusivamente por enfermeiras as quais seguiam uma
diretriz de atendimento institucional. O médico era consultado conforme previsto nesta
diretriz. Os dados foram coletados por entrevistas individuais e consulta aos prontuários
dos participantes. Um roteiro para o contato telefônico foi desenvolvido e validado
pelas pesquisadoras. Este roteiro foi composto por 10 questões com suas respectivas
condutas a fim de nortear as respostas das pesquisadoras durante os contatos
telefônicos. A avaliação da auto eficácia foi obtida pela General Perceived Self-Efficacy
Scale que foi originalmente concebido por Schwarzer et al. (1997) e validada no Brasil
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Souza e Souza (2004). Trata-se de instrumento composto por 10 itens com respostas
que variam de um a cinco. Cada item refere-se ao alcance de metas e atribuí à percepção
interna do sucesso, sendo que maior pontuação indica maior percepção da auto eficácia,
em um intervalo de 10 a 50. Para a avaliação da adesão ao tratamento da anticoagulação
oral foi utilizado o instrumento Medida de Adesão ao Tratamento (MAT) de Delgado e
Lima (2001), em sua versão validada para o uso em pacientes anticoagulados
(CARVALHO, et al., 2010). Trata-se de um instrumento composto por sete itens, sendo
suas respostas fornecidas por meio de uma escala ordinal de seis pontos que varia de
sempre (um) a nunca (seis). Os valores obtidos com as respostas aos sete itens foram
somados e divididos pelo número de itens. Posteriormente, os valores cinco e seis foram
transformados no valor um (o que na escala original corresponde a aderente) e os
demais foram transformados no valor zero (não aderentes na escala original). Para
análise dos dados foi utilizado o programa Statistical Package for Social Science
version 20.0 (SPSS), sendo realizada análises descritivas de frequência simples e
análises de posição (média e mediana) e dispersão (desvio-padrão) para as
características sociodemográficas e clínicas; e o Teste t-student para comparação das
medidas obtidas pelos instrumentos de auto eficácia e adesão.
RESULTADOS
Durante o período de estudo, tivemos 98 pacientes elegíveis ao estudo, sendo
que três recusaram em participaram da pesquisa. Assim, 95 pacientes foram
aleatorizados para o GI ou para o GC. Durante o seguimento tivemos a descontinuidade
de 15 participantes por diversos motivos, como por exemplo, óbito, suspensão do
anticoagulante oral, desistência em participar do estudo, internação devido ao agravo da
doença, dentre outros. A amostra final foi composta de 80 participantes sendo que 40
foram alocados para participarem da nova proposta de gestão da anticoagulação e 40
receberam o cuidado de rotina. A maioria dos participantes era do sexo feminino
(GC:52,5%, GI:65%) com idade média de 59 anos, casados (GC:65%, GI:52,5%), em
uso de ACO devido a trombose venosa profunda (GC:40%) e fibrilação atrial
(GI:37,5%). Esses participantes apresentaram outras comorbidades, o que os levava ao
uso de outros medicamentos (média de quatro medicamentos/dia). Durante o período do
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estudo, os pacientes compareceram em média três vezes as consultas ambulatoriais.
Após dois meses de seguimento, os pacientes que participaram do programa educativo
da anticoagulação oral (GI) tiveram resultados relativamente melhores em relação
àqueles que receberam o cuidado de rotina (GC). Em relação à auto eficácia obtivemos
média de 39,1 para o GI e de 37,8 para o GC, sendo a diferença entre os grupos
estudados estatisticamente significantes (p=0,040). Na avaliação da adesão ao
tratamento, a pontuação obtida pelo MAT, indicou que os participantes de ambos os
grupos foram aderentes ao uso de anticoagulação oral. Embora as médias obtidas
fossem semelhantes entre os grupos, ou seja, média de 5,7 e desvio-padrão de 0,2 para
os participantes do GC e média de 5,8 e desvio-padrão de 0,1 para os participantes do
GI, a diferença entre eles ainda foi estatisticamente significante (p<0,001).
CONCLUSÕES
Fazer o uso de anticoagulantes orais implica em uma fase de mudanças e
adaptações para muitos indivíduos que se deparam com constantes controles, restrições
e observância de sinais e sintomas de desajustes do medicamento. Desenvolver uma
proposta de gestão da anticoagulação oral demonstrou melhoria nos aspectos
relacionados à auto eficácia e adesão ao tratamento com anticoagulação oral. A
implementação dessa estratégia pode ser um momento propicio na interação
“profissional de saúde-paciente" a fim de proporcionar-lhes um cuidado individual e
produzir melhores desfechos.
PALAVRAS-CHAVE: Anticoagulantes. Gestão em Saúde. Educação em Saúde.
Adesão à Medicação. Eficácia.
REFERÊNCIAS
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Management of Anticoagulant Therapy Antithrombotic Therapy and Prevention of
Thrombosis, Evidence-Based Clinical Practice Guidelines. CHEST, v.141, n.2, Suppl,
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
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básicos. Porto Alegre: ArtMed, 2008.
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Eixo temático: Saúde do Adulto
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ESTADO NUTRICIONAL DE IDOSOS COM DIABETES MELLITUS TIPO II
ACOMPANHADOS PELO HIPERDIA EM CIDADE PARANAENSE
Claudia Regina Felicetti Lordani1
Gladis Kilpp2
Tarcisio Lordani3
INTRODUÇÃO
As transições demográfica, nutricional e epidemiológica ocorridas no século XX
determinaram um perfil de risco em que doenças crônicas como o Diabetes Mellitus
(DM) assumiram ônus crescente e preocupante na população mundial. Atualmente é
considerado um importante problema de saúde pública em todos os países,
independente do seu grau de desenvolvimento (WHO, 2002; TOSCANO, 2004; WILD
et al., 2004). O DM é uma doença crônica, heterogênea caracterizada por distúrbios
metabólicos que apresentam em comum a hiperglicemia, sendo este, resultado de
defeitos na ação ou secreção da insulina ou em ambos. Os sintomas mais frequentes são
a fadiga, cansaço, polidipsia, poliúria, perda de peso corporal e polifagia (SBD, 2007).
O DM pode ser classificado em quatro classes segundo a American Diabetes
Association (ADA, 2003): DM tipo I, DM tipo II, outros tipos específicos de DM e DM
gestacional.
Ainda existem duas outras categorias, referidas como pré-diabetes,
caracterizada por glicemia de jejum alterada e a tolerância à glicose diminuída. O DM
tipo II é mais comum, representa cerca de 90% a 95% dos casos e caracteriza-se por
defeitos na ação e na secreção da insulina. Pacientes com essa forma de DM apresentam
sobrepeso ou obesidade e não são dependentes de insulina exógena, mas
______________________________________________________________________
1. Nutricionista. Mestre em Saúde Coletiva. Hospital Universitário do Oeste do Paraná
(HUOP), Cascavel – PR. Endereço: Rua Sibipiruna, 161, Recanto Tropical, CEP
85.807-210, Cascavel – PR. Telefone: 45 3321 5240, e-mail: [email protected]
2. Nutricionista. Pós graduanda em Nutrição Clínica. Faculdade Assis Gurgacz (FAG),
Cascavel – PR.
3. Enfermeiro. Mestre em Promoção da Saúde. Faculdade Assis Gurgacz (FAG), Cascavel
– PR.
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podem necessitar de tratamento com insulina para a obtenção de um controle
metabólico adequado ao longo da vida. De acordo com a Sociedade Brasileira de
Diabetes (SBD, 2007) pode ocorrer em qualquer idade, mas é geralmente diagnosticado
após os 40 anos pois o estilo de vida (erro alimentar, sedentarismo, excesso de peso)
estão fortemente associados ao seu aparecimento. De acordo com o Ministério da Saúde
(BRASIL, 2009) há cerca de 6 milhões de diabéticos no Brasil, dos quais 3 milhões
fazem acompanhamento nas Unidades Básicas do Sistema Único de Saúde. Ghelman et
al. (2009) afirmam que as elevadas taxas de prevalência e incidência dessa doença torna
fundamental o acompanhamento dos portadores na rede básica de saúde. Como
diagnóstico primário é a sexta causa mais freqüente de internação hospitalar e contribui
de forma significativa (30% a 50%) para outras causas como cardiopatia isquêmica,
insuficiências cardíaca e renal, colecistopatias, acidente vascular cerebral e hipertensão
arterial. É, ainda, a principal causa de amputações de membros inferiores e a principal
causa de cegueira adquirida. Todas estas complicações comprometem a produtividade,
qualidade de vida e sobrevida dos indivíduos, além de envolver altos custos para o seu
tratamento (SBD, 2007). Segundo Gil; Haddad e Guariente (2008), o DM é uma doença
que necessita de mudanças permanentes no estilo de vida e seu tratamento exige um
acompanhamento de equipe multiprofissional especializada para reduzir o impacto
desfavorável sobre morbi-mortalidade prematura destes indivíduos.
OBJETIVOS
Verificar o perfil nutricional e bioquímico de indivíduos portadores de diabetes
mellitus tipo II acompanhados pelo Programa HiperDia em uma Unidade Básica de
Saúde do município de Céu Azul - PR, bem como de avaliar os hábitos alimentares
desta população.
METODOLOGIA
Pesquisa transversal realizada com idosos portadores de DM tipo II, acompanhados
pelo Programa HiperDia da Unidade Básica de Saúde (UBS) Central do município de
Céu Azul – Paraná. Os critérios de inclusão foram: idade igual ou superior a 60 anos,
diagnóstico clínico de DM tipo 2 que compareceram à reunião do HiperDia e
consentiram em participar do trabalho assinando o Termo de Consentimento Livre e
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Esclarecido. Foram excluídos da pesquisa os indivíduos com amputações de membros,
cadeirantes e que apresentavam algum tipo de fratura na ocasião do estudo. A coleta dos
dados foi realizada por meio de entrevista individual com aplicação de questionário
estruturado que possibilitou a identificação de dados demográficos, doenças atuais e
pregressas associadas ao DM. Também foi utilizado um formulário de frequência
alimentar para análise dos hábitos alimentares. Os exames laboratoriais de colesterol
total e frações, triglicérides e hemoglobina glicada foram coletados no dia da entrevista
com auxílio da equipe de enfermagem do local. Foram considerados aceitáveis os níveis
de hemoglobina glicada inferior a 7% (ADA, 2007; SBD, 2004), para a classificação do
lipidograma foram seguidas as recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia
(SBC, 2001). A avaliação nutricional consistiu da aferição do peso corporal, altura e
circunferência da cintura. O peso foi obtido por meio de balança mecânica da marca
Plenna®, com capacidade para 120 Kg onde a pessoa foi posicionada em pé, no centro
da base da balança, descalça e com roupas leves mantendo-se parada nessa posição até a
realização da leitura. Para a verificação da altura, foi fixada em uma parede lisa (sem
rodapé) uma fita métrica inelástica de 150 cm de comprimento, a 50 cm do chão, sendo
que o individuo foi orientado a posicionar-se em pé, ereto, com calcanhares, ombros e
nádegas encostadas na parede, de costas para a fita com a cabeça erguida livre de
adornos, olhando para um ponto fixo na altura dos olhos e com os braços estendidos ao
longo do corpo (CUPPARI, 2005). Com base nestes dados, foi calculado o índice de
massa corpórea (IMC), sendo interpretados conforme referências de Lipschitz (1994)
específico para população idosa. A circunferência da cintura foi aferida com o indivíduo
em pé, utilizando uma fita métrica inelástica que circundou a pessoa na linha natural da
cintura, na região mais estreita entre o tórax e o quadril, geralmente no ponto médio
entre a crista ilíaca e a última costela, realizando a medida no momento da expiração
(CUPPARI, 2005), os resultados foram comparados à recomendação da OMS (WHO,
1989). Para a análise estatística foi utilizado o teste não-paramétrico de Mann-Whitney
por meio do software ASSISTAT 7,5 Beta.
Foram consideradas significativas as
diferenças evidenciadas com o p<0,05. A pesquisa foi autorizada pela Secretaria
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Municipal de Saúde de Céu Azul – Pr e pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres
Humanos da FAG (Parecer nº069/2012).
RESULTADOS
No dia da reunião do HiperDia, compareceram 18 idosos que consentiram em
participar do estudo. A maioria eram mulheres (66,7%); média de idade de 65,5 ± 6,01
anos; 62,5% eram casados. Metade dos entrevistados já realizava tratamento para DM
há 5 anos e 16,7% há mais de 15 anos. Todo o grupo estudado possuía hipertensão
arterial como co-morbidade associada; 50% relataram fazer algum tipo de atividade
física regularmente, sendo mais comentado a caminhada diária (38%), seguido da
participação no grupo "vida ativa" (programa criado pelo Ministério dos Esportes no
Brasil em 1997) (BRASIL, 2009) que visa a prática de atividade física supervisionada
por profissional de educação física, direcionado à terceira idade, duas vezes na semana
(46%). Sobre o estado nutricional dos participantes, 75% das mulheres apresentaram
excesso de peso e 25% eutrofia (média de IMC de 31,04 ± 5,04); 83,3% dos homens
apresentaram excesso de peso e 17,7% eutrofia (IMC médio de 28,72 ± 4,22). Quanto à
circunferência da cintura, todos os participantes apresentaram valores superiores às
recomendações da OMS (WHO, 1989) com média de 107,5 cm ± 5,55 cm indicando
risco grave para doenças cardiovasculares. Resultados semelhantes foram verificados
nos estudos de Lagaci et al., (2008) com pessoas diabéticas, usuárias de Unidade Básica
de Saúde de Campinas, SP, cujas médias de IMC variaram entre 30,65 para as mulheres
e de 28,04 para os homens e dos estudos de Corrêa et al., (2003) com pacientes
diabéticos ambulatoriais do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Rio de Janeiro, onde
obtiveram médias superiores a referência para ambos os gêneros.
Sobre o hábito
alimentar do grupo de Céu Azul, observou-se uma ingestão alimentar rica em frutas
(77,8% dos participantes consumiam diariamente pelo menos 1 porção), hortaliças e
leguminosas (72,2% consumiam diariamente pelo menos uma porção), todos
consumiam carne (embutidos pelo menos uma vez ao dia) e leite integral diariamente.
Observou-se, ainda, que a maioria 88,8% consumia entre 5 a 6 porções de carboidratos
complexos por dia. Chama a atenção o fato de que 81,47% dos participantes relataram
consumo raro ou nulo de doces (balas, sobremesa e chocolate) podendo indicar
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
adequada adesão ao tratamento. Apesar disto, 38,9% dos participantes apresentaram
hemoglobina glicada superior a 9% (média de 7,6%) sendo significativamente maior no
gênero feminino comparada ao masculino (p=0,02). Um pequeno grupo (22,2%) referiu
consumo diário de frituras e o restante respondeu que o consumo girava em torno de 1 a
2 vezes por semana. Grande parte dos idosos (77,7%) referiu uso de óleo vegetal (soja)
para o cozimento e o restante banha de porco. Nenhum paciente referiu redução do uso
de sal de cozinha na preparação dos alimentos e todos referiram uso frequente de
temperos industrializados. O lipidograma dos participantes demonstrou valores de
colesterol total, colesterol-LDL e triglicérides dentro dos limites desejáveis, com
exceção dos triglicerídes para o sexo masculino, onde se observou uma pequena
alteração (média de 152,33 ± 41,10 em 75% dos homens).
CONCLUSÕES
Observou-se elevado índice de excesso de peso, sobretudo gordura abdominal nos
participantes; alterações nas taxas de hemoglobina glicada e, hipertrigliceridemia em
75% do grupo masculino demonstrando que os hábitos alimentares necessitam de
orientação profissional a fim de prevenir complicações futuras e proporcionar, com isso,
melhor qualidade de vida. Sugere-se outros estudos com metodologia mais detalhada a
cerca da alimentação e atividade física para avaliar a influencia destas práticas no
controle do DM e demais alterações bioquímicas. Por fim, os resultados deste estudo
indicam necessidade de inclusão do profissional Nutricionista na rede básica de atenção
à saúde deste município, como
estratégia de acompanhamento
nutricional
individualizado através de educação e acompanhamento nutricional; pois sabe-se que o
suporte nutricional é parte integrante do tratamento do DM.
PALAVRAS – CHAVE: Diabetes mellitus. Hábitos alimentares. Avaliação
Nutricional.
REFERÊNCIAS
ADA.
American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes.
Position Statement. Diabetes Care; 30(suppl. 1): S4-S41, 2007.
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
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Eixo temático: Saúde do Adulto
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
IMPACTO DA TERAPIA COM ANTICOAGULANTE ORAL NA QUALIDADE
DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE DE PACIENTES EM
ACOMPANHAMENTO AMBULATORIAL
Luana Luiza Enzweiler1
Ariana Rodrigues da Silva Carvalho2;
Laura Cristina da Silva Ahmann3;
INTRODUÇÃO
Os anticoagulantes orais (ACO) são fármacos que atuam diminuindo a
coagulação do sangue, e também, intentam garantir o equilíbrio hemostático. O uso da
terapia anticoagulante antivitamina K tem aumentado significativamente nas últimas
décadas, devido a sua eficácia, segurança comprovada e ampla indicação. No Brasil, os
dois tipos principais desses fármacos, aprovados para o uso clínico são a varfarina
sódica e a femprocumona. Como principais indicações ao uso de ACO antivitamina K
pode-se citar: a fibrilação atrial (FA), a trombose venosa profunda (TVP), a embolia
pulmonar (EP), as trombofilias, as próteses valvares cardíacas, entre outras. O
prognóstico de pacientes anticoagulados depende não só da terapêutica farmacológica,
mas também de aspectos não-farmacológicos, fundamentais para o tratamento (LEIRIA
et al., 2010; YOSHIDA; YOSHIDA; ROLLO, 2011). Existem muitas dificuldades
associadas ao uso do ACO, dito antivitamina K, devido à instabilidade para manter o
indivíduo dentro da faixa terapêutica, de acordo com sua indicação, o que gera riscos de
complicações hemorrágicas e tromboembólicas. A estabilidade da terapia com ACO
está relacionada a uma série de fatores, como: idade, nível socioeconômico, nível de
escolaridade, custo da medicação, complicações, comorbidades, polimorfismos
genéticos, uso concomitante com outras medicações, fatores psicológicos e emocionais,
interação com alimentos, em especial os que possuem vitamina K, educação em saúde e
acompanhamento sistemático (ÁVILA et. al, 2011; ESMÉRIO et al., 2009; LEIRIA et
al., 2010; LORENZATTO, s.d.). Devido à variação no metabolismo do ACO
antivitamina K, variando as doses entre sujeitos e para ele mesmo, existe a necessidade
de monitoramento laboratorial frequente, que deve ser semanal durante as primeiras
semanas de tratamento e, após estabilizada, o monitoramento não deve ultrapassar mais
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
do que quatro semanas (ANSELL et al., 2008; FORNARI, 2005). Dessa forma, o
controle farmacológico, ou seja, a indicação da dose de ACO é realizada a partir dos
resultados do exame laboratorial de coagulação do sangue. O uso das drogas
anticoagulantes exige uma especial atenção em razão das complicações hemorrágicas,
as estimativas anuais demonstram uma ocorrência de 2% e 8% de risco de sangramento
e 1% e 3% na falha do tratamento, dessa forma, é imprescindível um controle
laboratorial rigoroso do tratamento e acompanhamento por uma equipe multidisciplinar
(ESMERIO et al., 2009). As comorbidades, também afetam o metabolismo dos ACO,
as disfunções hepáticas são as mais preocupantes, devido ao metabolismo da droga
ocorrer principalmente neste órgão, mas pode-se citar ainda, as mutações genéticas que
levam a uma resistência genética a varfarina (ANSELL et al., 2008; BARBOSA;
MAFEI, MARIN, 2004; SANTOS et al., 2006). Um indivíduo que faz uso de um
número elevado de medicamentos deve ser uma preocupação para a terapia de
anticoagulação, considerado que há uma grande quantidade de medicamentos que
influenciam
na
farmacocinética
do
ACO,
dentre
eles,
alguns
antibióticos,
antinflamatórios, analgésicos, drogas que atuam sobre o sistema nervoso central, dentre
outros (ANSELL et al., 2008). Alguns sujeitos apontam necessidade de mais
informações sobre a doença, sequelas, uso da terapia, tempo de tratamento, efeitos
colaterais, situações de emergência, interações alimentares e, outras complicações do
tratamento (PRINS et al., 2009). Daí a importância de um acompanhamento
sistemático, em que seja aplicada a educação em saúde como um reforço positivo no
auxilio do tratamento anticoagulante. Devido às exigências práticas e psicológicas da
terapia de ACO podem surgir efeitos negativos e positivos com relação à percepção da
saúde e qualidade de vida (CARVALHO et al., 2010). O termo QVRS tem sido
utilizado quando a preocupação dos pesquisadores é investigar a influência da doença e
do tratamento na qualidade de vida do indivíduo (CORBI et al., 2011). Portanto, frente
a todas as exigências práticas relacionadas a terapia de ACO, faz-se necessário
investigar em que medida o tratamento de ACO afeta a qualidade de vida do sujeito.
OBJETIVO
Investigar a QVRS entre usuários de ACO em acompanhamento ambulatorial.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
METODOLOGIA
Estudo exploratório, prospectivo, descritivo e transversal. Submetido ao Comitê
de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Oeste do Paraná para sua apreciação
e deliberação, e aprovado pelo Parecer no201/2010 – CEPE, ata no 004/2010 – CEPE,
processo CR no 567/2010. A coleta de dados ocorreu de janeiro a agosto de 2012 no
Ambulatório de Anticoagulação Oral do Hospital Universitário do Oeste do Paraná
(HUOP). Participaram da pesquisa os usuários de ACO (Marevan® e Femprocumona
®), maiores de 18 anos, que concordaram formalmente a participar do estudo. A
abordagem aos usuários de ACO foi realizada no momento da coleta de exames de
coagulação, dentro do próprio ambulatório, a técnica de coleta de dados foi por meio de
entrevista individual e análise documental do prontuário. Foi realizada caracterização
sociodemográfica e clínica, e para avaliar a QVRS foram utilizados os instrumentos
Medical Outcomes Survey 36 – Item Short-Form (SF-36); Escala Visual Analógica
(EVA) e o Duke Anticoagulation Satisfaction Scale (DASS), válidos e confiáveis. Os
dados foram processados e analisados pelo SPSS versão 15.0.
RESULTADOS
Participaram do estudo 56 sujeitos, 53,6% homens, com idade média de 58 anos.
A Fibrilação Atrial (44,6%) aparece como principal indicação, e a varfarina sódica
(91,1%) foi o ACO mais usado. As mudanças que a terapia causou no cotidiano de 41
sujeitos (73,2%) esteve relacionada às alterações físicas, emocionais e ao próprio
tratamento. As alterações físicas e emocionais foram classificadas em positivas e
negativas pelos pacientes; foram mudança positiva, a melhora na disposição para as
atividades do dia-a-dia, menor cansaço, menor irritabilidade, mais segurança com o
tratamento; foi mudança negativa, a responsabilidade no uso correto do medicamento e
também a queda de cabelo. O maior incômodo apontado por 15 sujeitos (26,8%) foram
atividades relacionadas ao próprio tratamento, como: ter que lembrar-se de tomar o
medicamento nos horários e na dose correta, sentimento de responsabilidade, as coletas
de sangue, as consultas frequentes e as restrições alimentares; outros motivos de maior
incômodo (7,1%) citados foram: a demora no resultado do exame, o deslocamento até o
ambulatório, a compra do ACO, dificuldade de encontrar o ACO em farmácias e a
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
restrição de atividades que causassem risco. Na avaliação da QVRS, quando
questionado sobre seu estado de saúde atual pela aplicação da Escala Visual Analógica
(EVA), obteve-se média de 71 pontos; pelo SF-36, a melhor avaliação foi do domínio
Saúde mental (70,9), que inclui itens como sentimentos de depressão, nervosismo,
tristeza, felicidade, tranquilidade, etc. e expectativas relacionados à terapia como; cura,
ausência de complicações, facilidade do uso, acompanhamento médico, etc. Estes
elementos contribuíram para um melhor estado de saúde percebido e QVRS. Já a pior
avaliação ficou a cargo do domínio Aspectos físicos (36,2); que inclui itens como
capacidade de realizar atividades vigorosas, moderadas, maior dificuldade na realização
de atividades do dia-a-dia e atividades de auto-cuidado como, por exemplo, higiene
pessoal. Estes elementos contribuíram para uma piora na QVRS. Pelo DASS, a pior
avaliação foi do domínio Limitação (26,1), que inclui itens como medo de expor-se a
riscos e sangrar, dificuldade de realizar viagens, dificuldade no emprego, de realizar
outros tratamentos de saúde, dificuldade de consumir alimentos que não afetem a
terapia, etc. Contribuindo para uma piora na QVRS. Já a melhor avaliação ficou a cargo
do domínio Impacto psicológico negativo; os impactos negativos estão relacionados a
achar o tratamento difícil, doloroso, um sacrifício, gasto de tempo seguindo o
tratamento e a relação deste na piora da qualidade de vida. Dessa forma os impactos
negativos não contribuíram na piora da QVRS.
CONCLUSÕES
Foram entrevistados 56 sendo, (53,6%) do sexo masculino, com idade média de
58 anos. A Fibrilação atrial (44,6%) aparece como a principal indicação ao uso de ACO.
Das mudanças que apareceram com o início do tratamento de ACO, tem-se as alterações
físicas (67,9%), emocionais (5,4%), e ao próprio tratamento (1,8%); e o incômodo
esteve relacionado a diversos motivos, mas principalmente com o deslocamento até o
ambulatório. Quanto a QVRS, na avaliação global de saúde, realizado com a Escala
Visual Analógica (EVA), obteve a nota média de 71; na aplicação do SF-36 a melhor
avaliação da QVRS foi do domínio Saúde mental, e a pior avaliação foi do domínio
Aspectos físicos; e no instrumento DASS o item que obteve melhor avaliação Impacto
psicológico negativo, e o domínio que obteve a pior avaliação foi Limitação. Estima-se
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que os resultados podem ter sido influenciados por variáveis como a idade dos sujeitos,
que em sua maioria, eram idosos, mas também pelos próprios requisitos que compõe a
terapia ACO, que já eram vistos como uma possível fonte de influências na QVRS. No
entanto, de acordo com os resultados do instrumento DASS, fica estabelecido que as
atividades relacionadas diretamente à terapia não foram elementos que afetaram a
QVRS de forma significativa, e sim outras atividades, como seguir dieta, dificuldade em
outros tratamentos de saúde, deslocamento, demora no resultado do exame. Tendo em
vista estes resultados, fica evidente o importante papel que a equipe de saúde tem em
traçar planos personalizados na atenção à saúde, entender as dificuldades e facilidades
do sujeito anticoagulado, contribuindo dessa forma para bons resultados na QVRS. O
instrumento DASS obteve resultados satisfatórios nesta pesquisa, no entanto, há um
pequeno número de estudos que possibilitem um comparativo dos dados obtidos.
Palavras-chave: anticoagulante oral; qualidade de vida relacionada à saúde; saúde do
adulto; acompanhamento ambulatorial.
REFERÊNCIAS:
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American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines (8th
edition). CHEST, v.1, p. 160-198, 2008. Supplement.
ÁVILA, C.W.; ALITI, G.B.; FEIJÓ, M.K.F; RABELO, E.R. Adesão farmacológica ao
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BARBOSA, M.S.; MAFEI, F.H.; MARIN, M.J.S.; Diagnósticos e Intervenções de
Enfermagem aos Indivíduos em Terapia Anticoagulante. Revista Brasileira de
Enfermagem, v.57, n. 5, p. 601-604, 2004.
CARVALHO, A.R.S.; DANTAS, R. A. S.; PELEGRINO, F. M.; CORBI, I.S.A.;
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
CORBI, I.S.A.; DANTAS, R.A.S.; PELEGRINO, F.M.; CARVALHO, A.R.S.;
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Eixo temático: Saúde do Adulto
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
PERFIL DAS PESSOAS COM DIABETES MELLITUS TIPO 2 DE UMA
UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA
NEIVA, Caroline Fernandes Diniz1
FELICIANO, Adriana Barbieri2
PADILHA, Roberto de Queiroz3
INTRODUÇÃO
A categoria de doenças crônicas inclui tanto as doenças transmissíveis, como as
doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Dessa forma, pode-se enumerar o
Diabetes Mellitus (DM), as doenças cardiovasculares, o câncer, as doenças mentais e a
síndrome da imunodeficiência adquirida (HIV-AIDS) como exemplos de condições
crônicas de saúde (OMS, 2003). O impacto dessas doenças em muitos países, nos quais
há uma expressiva parcela da população de baixa e média renda, está crescendo
continuamente. Verifica-se que vários países em desenvolvimento estão vivenciando
uma rápida explosão de fatores de risco e mortes por doenças crônicas, especialmente
em ambientes urbanos. É importante que se faça uma nova abordagem focando esforços
de prevenção e controle de doenças crônicas, por meio dos profissionais, gestores de
saúde bem como da população em geral (OMS, 2005). As DCNT impõem novas
demandas de longo prazo aos sistemas de saúde, pois condições crônicas não só serão a
causa primeira de incapacidades em todo o mundo até o ano 2020, mas também se
tornarão os problemas de saúde mais dispendiosos para tais sistemas (OMS, 2003).
Estima-se que aproximadamente 50% das pessoas desconhecem sua doença, e de 20 a
30% não realiza tratamento, o que contribui para o aumento na sua morbimortalidade
devido ao aparecimento precoce de complicações crônicas, decorrentes do mau controle
(MALERBI; FRANCO, 1992).
OBJETIVOS
Descrever o perfil das pessoas com DM tipo 2 segundo as variáveis
sociodemográficas, de história da doença, de hábitos de vida, de morbidade referida, de
acesso aos serviços de saúde.
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo epidemiológico, do tipo seccional ou de corte transversal.
A população do estudo compreendeu o universo de 102 pessoas com DM tipo 2,
cadastradas em uma USF no município de São Carlos, SP. Dos 102 sujeitos
identificados, 90 participaram do estudo (perda de 11,8%). Como critérios de inclusão
do estudo considerou-se pessoas com idade superior a 18 anos, cadastrados na USF, que
concordaram em participar da pesquisa, com diagnostico clínico de DM tipo 2 há pelo
menos 6 meses.
As variáveis
do estudo
foram
agrupadas
em
variáveis
sociodemográficas; de história da doença, de hábitos de vida; de morbidade referida e
de acesso ao cuidado. O instrumento para a coleta de dados refere-se ao questionário
subdividido em cinco temas: I- Historia da doença; II- Dados Sociodemograficos; IIIAspectos clínicos e de morbidades; IV- Hábitos de vida; e V- Acesso aos serviços de
saúde. A coleta de dados constituiu-se de entrevistas com pessoas com DM tipo 2 por
meio de visitas domiciliares realizadas pelo próprio pesquisador. Para aquelas pessoas
que não foram encontradas na residência na primeira visita, realizou-se uma nova visita
em horários distintos. Consideraram-se usuários não localizados após ausência em três
visitas realizadas. Os dados foram coletados e organizados em uma planilha do
programa Microsoft Excel, por meio de dupla digitação e posterior validação, a fim de
controlar possíveis erros na transposição das informações. As variáveis foram
codificadas de acordo com a resposta obtida no questionário e, quando possível, foram
categorizadas para permitir maior facilidade na análise e compreensão dos resultados.
A análise descritiva foi realizada por frequências absolutas/relativas. Todas as análises
estatísticas foram realizadas com a utilização do software estatístico SAS® (Statistical
Analisys System) - Versão 9.3.
RESULTADOS
Na população estudada houve predomínio do sexo feminino (63%) e a faixa
etária de 71 a 91 anos correspondeu a maioria (28,9%), a idade variou de 32 a 91 anos.
Quanto ao estado conjugal, 55,6% dos sujeitos se declararam casados. Quanto à
composição familiar, 86,7% declararam viver com alguém, sendo que desses 34,4%
residem com companheiros e filhos e apenas 13,3% declararam viver sozinhos. A
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escolaridade foi analisada pelos anos de estudos e 47,8% apresentaram de 1 a 5 anos.
Quanto à procedência, 62,3% declararam terem nascido na região sudeste. Quanto à
ocupação, 35,6% correspondem a serviços gerais e 27,8% declaram do lar/diarista. Em
relação à atividade remunerada, 52,2% não exercem atividade remunerada e 54,4%
recebem aposentadoria e/ou pensão. Quanto à situação econômica 63,3% apresentam
satisfação às suas necessidades básicas, como moradia, saúde, alimentação e lazer. Em
relação à história da doença, a maioria (52,3%) dos sujeitos descobriu essa patologia a
menos de cinco anos e 58,9% não apresentavam sintomas no momento que descobriram
o DM tipo 2. Dos que apresentaram sintomas (41,1%), polidpisia, poliuria e
emagrecimento corresponderam aos mais significativos, 12,1%; 6,6%; 5,5%,
respectivamente. Referiram a unidade de saúde como o local de maior frequência do
diagnóstico da doença (84,4%) dos sujeitos. Ao analisar os hábitos de vida os resultados
mostraram que 84,4% dos sujeitos não são tabagistas, porém, dos 14 sujeitos (15,6%)
que apresentam o hábito de fumar atualmente, 13 (14,4%) consomem cigarro e apenas 1
(1,1%) corresponde ao cigarro de palha. Quanto à frequência, o consumo de até 10
cigarros por dia correspondeu a maioria (7,7%). Quanto à ingestão de bebida alcoólica,
51,1% dos sujeitos declararam nunca ter bebido, porém, 26,6% disseram ingerir bebida
alcoólica com alguma frequência. No que se refere à prática de atividade física, 72,2%
não praticam nenhuma atividade. Dos 27,8% que exercem a atividade física, 18,9%
realizam caminhada ao menos três vezes na semana. Em relação às complicações
referidas a retinopatia e coronariopatia apresentaram maior percentual (6,7%). Em
relação às comorbidades referidas, a HAS se caracterizou mais representativa com
77,8%, enquanto que as dislipidemias corresponderam a 40%. Em relação ao acesso aos
serviços de saúde, 90% declararam ter procurado algum serviço de saúde nos últimos
seis meses, e apenas 4,4% realizaram acompanhamento em serviços de saúde com
frequência anual. 93,3% utilizam a USF para acompanhamento em saúde. Considerando
o estado de saúde, 84,4% não apresentaram internação médica nos últimos dois anos.
Dos 15,6% que apresentaram internação nesse período, 10% correspondeu a apenas um
episodio, e 11% permaneceu até cinco dias. Em relação ao estado de saúde chama a
atenção o fato de que mais de 65% deles consideraram seu estado de saúde regular ou
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ruim. Para melhor caracterização do universo de pacientes estudados realizou-se
cruzamento de algumas variáveis, como história da doença, de morbidade referida, de
hábitos de vida e de acesso ao serviço de saúde segundo o sexo. Os dados mostraram
maior porcentagem de mulheres diagnosticadas com DM em serviços hospitalares
(15,8%), a incidência de HAS (82,5%) e a obesidade (42,1%) no sexo feminino. Quanto
ao tabagismo (18,1%) e a ingestão de bebidas alcoólicas foram predominantemente
presentes no sexo masculino (48,4%), porém, 68,4% dos indivíduos que nunca
ingeriram bebidas alcóolicas corresponderam ao sexo feminino. Em relação ao estado
de saúde, 51,4% dos homens relataram excelente/bom enquanto que 70,1% das
mulheres o consideraram regular/ruim.
CONCLUSÕES
O estudo nos mostra que a população estudada é predominantemente feminina,
acima de 60 anos, com baixa escolaridade, grande parte sedentária e apresenta como
comorbidades mais significativas a HAS e a dislipidemia. Como recomendação há a
necessidade de capacitação permanente dos profissionais de saúde que integram as
Equipes de Saúde da Família, a fim de obterem maior implementação de programas de
educação em DM e protocolos clínicos, intensificarem estratégias que melhorem a
adesão ao tratamento medicamentoso, e o controle metabólico no acompanhamento à
saúde. Reconhecer a educação em diabetes como uma estratégia é de suma importância
para que haja envolvimento da população no cuidado à saúde e na problemática que
envolve o tratamento do DM tipo 2. Assim, há a necessidade de qualificar a atenção do
DM com vistas a incrementar a eficácia dos serviços de saúde.
PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem. Diabetes Mellitus. Terapêutica.
REFERÊNCIAS
MALERBI, D. A.; FRANCO, L. J. Multicenter study of the prevalence of Diabetes
Mellitus and impaired glucose tolerance in the urban Brazilian population aged 30-69
yr. Diabetes Care, Washington, v. 15, n. 11, p. 1509-16, Nov. 1992.
OMS. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAUDE (OMS). Cuidados inovadores para
condições crônicas: componentes estruturais de ação. Relatório mundial. Brasília, DF:
OMS, 2003.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
______. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAUDE (OMS); ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAUDE (OPAS). Prevenção de doenças crônicas: um investimento
vital. Brasília, DF: OMS, 2005.
Eixo temático: saúde do Adulto
.
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ACOMPANHAMENTO DOMICILIAR DE PACIENTES COM DOENÇAS
CRÔNICAS PELAS RESIDENTES DE FARMÁCIA E NUTRIÇÃO DO PRMSF
Luna Rezende Machado de Sousa1
Paula Bianca Barbosa2
Joseane M. Andrade Mouzinho de Oliveira3
Suelen Braz de Jesus4
Fernanda do Pilar Maciel de Magalhães5
INTRODUÇÃO
A Estratégia Saúde da Família (ESF) representa um norte para a assistência à
saúde, baseada na responsabilização multiprofissional e atuação interdisciplinar
(BRASIL, 2006). Contrapondo-se ao modelo biomédico, a ESF tem uma equipe
multiprofissional como unidade prestadora dos serviços e seu foco deixa de ser somente
o indivíduo, mas inclui também a sua família e contexto social, priorizando ações de
prevenção, promoção e recuperação à saúde (RICIERI et al, 2006; FURTADO, 2008).
Neste sentido, o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família
(PRMSF) visa o desenvolvimento de diferentes profissionais de saúde, num contexto de
atuação crítica, reflexiva e tecnicamente competente, para uma atuação interdisciplinar
na atenção primária (RICIERI et al, 2006; GEUS et al, 2011).
1 Nutricionista Residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família (PRMSF)
da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Contato: [email protected] (41) 9681-4686 Rua Dom
Pedro I, 530 ap 26, CEP 80620-130, Curitiba-PR ² Farmacêutica Residente do PRMSF da UFPR 3
Supervisora do PRMSF da UFPR 4 Nutricionista Residente do PRMSF da UFPR 5 Preceptora do PET
Pró Saúde da UFPR e do PRMSF da UFPR
² Farmacêutica Residente do PRMSF da UFPR 3 Supervisora do PRMSF da UFPR 4 Nutricionista
Residente do PRMSF da UFPR 5 Preceptora do PET Pró Saúde da UFPR e do PRMSF da UFPR
3 Supervisora do PRMSF da UFPR
4 Nutricionista Residente do PRMSF da UFPR
5 Preceptora do PET Pró Saúde da UFPR e do PRMSF da UFPR
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Diferente do atendimento multiprofissional, onde o indivíduo é assistido por
diferentes especialidades isoladamente, a interdisciplinaridade representa uma
assistência desenvolvida e vivenciada a partir de distintos enfoques, integrando
diferentes conteúdos e convergindo-os para determinado objetivo (SAAR &
TREVIZAN, 2007). Assim, o PRMSF é um espaço privilegiado de construção de novos
saberes e articulação de diferentes núcleos profissionais, para a formação de
profissionais comprometidos com o SUS (SALVADOR et al, 2011).
Dentro da ESF o cuidado domiciliar deve ser enfatizado, não apenas para os
indivíduos com dificuldade de locomoção, mas como uma forma dos profissionais da
saúde interagirem com o ambiente em que acontecem as relações sociais, que geram
conflitos e fatores de risco de adoecer (KLOCK, HECK, CASARIM, 2005).
Nas Unidades Saúde da Família (USF) estão integradas ações programáticas, focadas
em grupos associados a fatores de risco específicos, como Saúde da Criança, Saúde da
Mulher e Doenças Crônicas. A mudança no perfil epidemiológico da população é
caracterizada pelo aumento da sobrevida da população idosa e das doenças crônicodegenerativas (KLOCK, HECK, CASARIM, 2005). Muitas destas doenças podem ser
prevenidas e tratadas, concomitantemente com terapia medicamentosa, com hábitos
alimentares e de vida saudáveis (SILVA et al, 2006). A promoção da alimentação
saudável deve ser realizada por todos os profissionais da saúde que integram a equipe
do PSF, essa prática faz com que se desenvolva a autonomia do indivíduo perante o
conhecimento do processo saúde-doença (MATTOS & NEVES, 2009).
A hipertensão arterial (HAS) não controlada, com as suas consequências, é a
maior responsável pelos gastos do sistema de saúde no Brasil (CARDOSO et al, 2011).
A incidência e prevalência da diabetes mellitus está aumentando no mundo todo,
alcançando proporções epidêmicas (SILVA et al, 2006). O controle de suas
complicações, bem como o tratamento, também geram altos custos para o SUS, sendo a
sexta causa mais frequente de internação hospitalar no Brasil (SILVA et al, 2006).
Este trabalho aborda o acompanhamento multiprofissional, de forma integrada,
do profissional farmacêutico e nutricionista em pacientes inseridos no grupo do
Hiperdia (hipertensos e diabéticos) de uma USF. As experiências do farmacêutico na
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Atenção Primária e na ESF ainda são incipientes, e suas atribuições pouco difundidas.
Isto se deve pela falta de referencial da atuação farmacêutica no serviço, a própria
Política de Assistência Farmacêutica não contempla a presença do farmacêutico em
todas as suas etapas e no âmbito da Atenção Primária (RICIERI et al, 2006).
Com o crescente envelhecimento da população, cresce também a terapia
medicamentosa como intervenção mais utilizada pela medicina atual (FURTADO,
2008). A medicalização visa à melhoria da qualidade de vida dos pacientes, porém,
também pode causar prejuízos a saúde quando não vem acompanhada com a promoção
do uso racional dos medicamentos (FURTADO, 2008). Muitos pacientes fazem uso de
medicamentos sem entender para que servem, como usá-los e quais outros cuidados
com a saúde devem tomar para prevenir as complicações da doença, o que deve ser
inadmissível na atenção à saúde (FURTADO, 2008). O conceito de Atenção
Farmacêutica vem sendo ampliado, incorporando o seguimento farmacoterapêutico,
caracterizado pelo acompanhamento individual dos pacientes em uso de medicamentos
para a promoção da farmacoterapia racional (CONSENSO..., 2002).
Muitas doenças crônicas têm como fator de risco o consumo inadequado de
alimentos, com alta ingestão de produtos ricos em sódio, açúcar e/ou gorduras, que
também está relacionada à falta de acesso aos alimentos saudáveis, caracterizando a
insegurança alimentar (MATTOS & NEVES, 2009). Não somente como forma de
prevenção, mas a alimentação saudável é fundamental no tratamento da hipertensão e
do diabetes mellitus, por isso é indispensável um modelo de atenção à saúde que associe
estes aspectos para uma intervenção adequada (MATTOS & NEVES, 2009). Deste
modo, o nutricionista tem papel fundamental na promoção de hábitos alimentares
saudáveis e orientação dietética específica para as diversas patologias. Mesmo assim,
pesquisas mostram que a presença do nutricionista nas equipes do PSF é rara
(MATTOS & NEVES, 2009).
OBJETIVO
A inclusão de outros profissionais de saúde nas equipes da ESF é uma estratégia
racional para alcançar uma abordagem não fragmentada do paciente (FURTADO,
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2008). Este trabalho visa mostrar a importância da atuação conjunta do nutricionista e
do farmacêutico na atenção primária, relatando a experiência das residentes de farmácia
e nutrição, do PRMSF, no acompanhamento integral de pacientes portadores de
hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus de uma USF.
METODOLOGIA
O acompanhamento interdisciplinar das residentes de farmácia e nutrição tem
sido realizado com pacientes cadastrados no grupo Hiperdia da Unidade de Saúde da
Família Alexandre Nadolny, Colombo-PR. Neste relato serão apresentados os
resultados preliminares dos acompanhamentos realizados com 10 pacientes, entre 25 de
março a 26 de abril de 2013. O critério de seleção foi o seu encaminhamento por
profissionais de saúde da equipe, por motivos de difícil controle glicêmico e pressão
arterial, ou descoberta recente da doença. Todos os acompanhamentos foram realizados
em domicílio, para melhor compreensão do contexto social e cultural dos pacientes, na
presença de um agente comunitário de saúde.
Dados como idade, presença de doenças crônicas e analfabetismo foram
coletados
anteriormente
às
visitas,
pelo
prontuário.
Durante
o
primeiro
acompanhamento foi verificada a quantidade de comprimidos tomados ao dia e a
presença de inadequações no uso da medicação e nos hábitos alimentares. Nos casos
onde não foram verificadas inadequações alimentares ou no uso dos medicamentos
reforçou-se a importância da terapia medicamentosa da alimentação saudável, porém
não foram realizados outros acompanhamentos.
Quando verificadas inadequações na terapia medicamentosa ou nos hábitos
alimentares, foram realizadas orientações dietoterápicas específicas e quanto ao uso
racional dos medicamentos, além de novos acompanhamentos, com intervalo de 5 a 15
dias, para avaliar a evolução dos pacientes, no que diz respeito a mudanças positivas no
uso de medicamentos e na alimentação. Para verificar mudanças positivas, ou não, no
uso dos medicamentos, foram comparados os relatos dos pacientes quanto às doses e
frequência da ingestão dos comprimidos, com a prescrição médica dos mesmos. Para
observar mudanças positivas nos hábitos alimentares, a nutricionista indagou se os
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pacientes
realizaram
alguma
modificação
na
alimentação
após
o
primeiro
acompanhamento. Diminuições na ingestão de alimentos ricos em sódio (temperos
industrializados, sal, embutidos, enlatados, etc.), pelos hipertensos, e carboidratos
simples (açúcar, doces, cereais não integrais, etc.), pelos diabéticos, foram consideradas
mudanças positivas nos hábitos alimentares. Também foram comparados os parâmetros
bioquímicos, de pressão arterial e glicemia capilar, aferidos até 1 mês antes do 1º
acompanhamentos e após a última visita realizada, dos pacientes que continham tais
dados em prontuário.
Todas as orientações foram realizadas verbalmente, e na presença de cuidadores
ou parentes para pacientes analfabetos. Quando o paciente era ou residia com parente
alfabetizado, as orientações também foram entregues por escrito. Para auxiliar os
pacientes analfabetos, foram confeccionadas e entregues “caixinhas de remédios” com
divisórias para a separação dos medicamentos de acordo com seus turnos de utilização,
manhã, tarde e noite (Figura 1).
Figura 1 – Caixinha de Remédios: ferramenta de auxílio na terapia medicamentosa
para pacientes analfabetos.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram observadas no primeiro acompanhamento, e coletadas via prontuário, as
seguintes características dos pacientes:
Tabela 1 - Características dos pacientes acompanhados
DM: Diabetes Mellitus tipo 2
HAS: Hipertensão Arterial
IR: Insuficiência renal
DPOC: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
Dos pacientes acompanhados, houve predominância de mulheres (70%),
analfabetos (80%) e idosos (70%). Dos dez pacientes que receberam o 1º
acompanhamento, três deles (nº 8, 9 e 10) não necessitaram de intervenção e outros
acompanhamentos, pois não foram detectadas inadequações alimentares e no uso dos
medicamentos. Em análise subjetiva, o número de comprimidos em uso ao dia não
parece estar correlacionado ao seu uso inadequado, já a alfabetização parece contribuir
para o tratamento, visto que todos os pacientes alfabetizados (nº 9 e 10) não
apresentaram inadequações alimentares ou no uso das medicações. Os dados
preliminares da evolução dos pacientes que demandaram outros acompanhamentos,
devido à presença de inadequações nos hábitos alimentares e/ou terapia medicamentosa,
são apresentados na Tabela 2.
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Todos os pacientes que receberam orientações alimentares e quanto ao uso
racional dos medicamentos apresentaram mudanças positivas na alimentação e na
terapia medicamentosa. Dos 5 pacientes que continham em prontuário os dados da PA
aferida em até 1 mês antes ao primeiro acompanhamento e pós-acompanhamento, 4
apresentaram melhora da mesma. Os 3 pacientes que continham dados de glicemia
aferida pré e pós-acompanhamento apresentaram melhora no controle glicêmico pósacompanhamento.
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CONCLUSÕES
Apesar do curto espaço de tempo e falta de informações dos parâmetros
bioquímicos em prontuário, a experiência do acompanhamento multiprofissional e
interdisciplinar dos setores de farmácia e nutrição se mostrou positiva para a melhoria
dos hábitos alimentares e uso correto das medicações em pacientes com hipertensão
e/ou diabetes mellitus.
Esta experiência também nos mostrou que a dificuldade de entendimento da
doença e dos seus cuidados necessários influencia a adesão ao tratamento, e que a
promoção das orientações de saúde pode melhorar esse quadro, desde que o profissional
da saúde tenha um olhar minucioso sobre todo o contexto de vida do paciente. Integrar
equipes multiprofissionais e interdisciplinares pode garantir uma compreensão mais
abrangente dos problemas de saúde e intervenções mais efetivas. Entretanto, a imensa
maioria das unidades assistenciais conta apenas com a chamada equipe mínima,
constituída por médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de
saúde (GEUS et al, 2011).
PALAVRAS-CHAVE: estratégia saúda da família; equipe multiprofissional; atenção
primária à saúde; educação em saúde; doenças crônicas.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na
Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Residência multiprofissional
em saúde: experiências, avanços e desafios / Ministério da Saúde, Secretaria de
Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Departamento de Gestão da Educação em
Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2006. 414 p.: il. – (Série B. Textos Básicos de
Saúde).
CARDOSO, C.K., et al. Importância da orientação interdisciplinar aos usuários
hipertensos do programa de Extensão universitária práticas integradas em saúde
coletiva. In: Congreso Iberoamericano de Extension Universitaria, 11º, 2011, Santa
Fé, Argentina. Anais... Disponível em:
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
http://www.unl.unl.edu.ar/iberoextension/dvd/archivos/ponencias/mesa3/importanciada-orientacao-in.pdf Acesso em: 20 de abril de 2013.
CONSENSO brasileiro de atenção farmacêutica. Brasília: Organização Pan
Americana de Saúde, 2002. 23 p.
FURTADO, B.T. O Farmacêutico na Atenção Básica: “A Experiência da Equipe de
Programa Saúde da Família Frente à Atenção Farmacêutica”. 101p. Dissertação
(Mestrado em Ciências Farmacêuticas) – Faculdade de Farmácia, Universidade Federal
de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.
GEUS, L.M.M. de, et al . A importância na inserção do nutricionista na Estratégia
Saúde da Família. Ciênc. saúde coletiva, v.16, supl.1, Rio de Janeiro, 2011. Disponível
em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141381232011000700010&script=sci_arttext Acesso em: 20 de abril de 2013.
KLOCK, A.D.; HECK, R.M.; CASARIM, S.T. Cuidado domiciliar: a experiência da
residência Multiprofissional em saúde da família/UFPEL-MS/BID. Texto Contexto
Enferm, v.14, n.2, p. 237-45, abr/jun, 2005. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/tce/v14n2/a11v14n2.pdf Acesso em: 20 de abril de 2013.
MATOS, P.F. & NEVES, A. dos S. A Importância da Atuação do Nutricionista na
Atenção Básica à Saúde. Rev Práxis, v.1, n.2, agosto, 2009. Disponível em:
http://www.unifoa.edu.br/praxis/numeros/02/11.pdf Acesso em: 20 de abril de 2013.
RICIERI, M.C., et al. O farmacêutico no contexto da estratégia em saúde da família,
que realidade é esta? Rev. Visão Acadêmica, v.2, n.2, 2006. Disponível em:
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/academica/article/viewArticle/9047 Acesso em: 20
de abril de 2013.
SAAR, S.R. da C.; TREVIZAN, M.A. Papéis profissionais de uma equipe de saúde:
visão de seus integrantes. Rev Latino-am Enfermagem, v.15, n.7, jan/fev, 2007.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v15n1/pt_v15n1a16.pdf Acesso em: 20 de
abril de 2013.
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
SALVADOR, A. de S., et al. Construindo a multiprofissionalidade: um olhar sobre a
Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade. Rev Bras de Ciênc
da Saúde, v.15, n.3, p. 329-338, 2011. Disponível em:
http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/rbcs/article/view/10834/6820 Acesso em: 20 de
abril de 2013.
SILVA, T.R., et al. Controle de diabetes mellitus e hipertensão arterial com grupos de
intervenção educacional e terapêutica em seguimento ambulatorial de uma unidade
básica de saúde. Saúde e Sociedade, v.15, n.3, p.180-189, set/dez, 2006.
Eixo Temático: Saúde da criança
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Cuidado em Atenção Primária na Saúde da Mulher
UM ESTUDO DAS PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS DO COMITÊ
MORTALIDADE MATERNA DO ESTADO PARANÁ
Leticia Gramazio Soares1
Larissa Gramazio Soares 2
Tatiane Baratieri 3
Maria Luciana Botti4
INTRODUÇÃO
As altas taxas de óbitos maternos se configuram um grave problema de saúde
pública, sendo que a redução é ainda um desafio para os serviços de saúde e a
sociedade. Observa-se que é um problema que atinge desigualmente todas as regiões
brasileiras, com maior prevalência entre mulheres das classes sociais com menor
ingresso e acesso aos bens sociais. Segundo Laurenti, Jorge e Gotlieb (2004) a
mortalidade materna (MM) pode ser considerada um excelente indicador de saúde, não
apenas da mulher, mas da população como um todo. O óbito materno, segundo a
Classificação Internacional de Doenças (CID10) é toda morte de uma mulher durante ou
até 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da
gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por
medidas em relação a ela, porém não relacionada às causas acidentais ou incidentais
(OMS, 1998). A MM é uma das mais graves violações dos direitos humanos das
mulheres. Em 92% dos casos é uma tragédia evitável, por ocorrer principalmente nos
países em desenvolvimento, onde os índices são alarmantes. No Brasil, em 2006 a taxa
de MM foi de 77 óbitos por 100 mil nascidos vivos (NV). Em, 2010 foi registrado 75
óbitos para cada 100 mil NV. Para a OMS, esse número não deveria ultrapassar 20
mortes para cada 100 mil nascimentos (BRASIL, 2009; ARNS, 2010). A redução da
MM é um dos Objetivos para Desenvolvimento do Milênio, o Ministério da Saúde
então vem adotando uma série de medidas para melhorar a qualidade da atenção à saúde
da mulher e o registro dos óbitos maternos, dentre elas a melhoria da Vigilância
Epidemiológica do Óbito Materno. Assim, em 2004, através da Portaria GM/MS 1.172,
definiu-se a vigilância epidemiológica da MM como uma atribuição de Municípios e
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Estados, pelo Pacto Nacional pela Redução da MM e Neonatal, que reconhece a
vigilância do óbito materno, por intermédio da organização da investigação dos óbitos
de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos) e a criação dos Comitês de MM, como uma
estratégia fundamental para o alcance dos seus objetivos. Em 2008, a Portaria 1119
GM/MS, regulamentou esta prática estabelecendo prazos e fluxos da investigação dos
óbitos maternos para agilizar a disponibilidade de informações pelo Sistema de
Informação sobre Mortalidade (SIM). Segundo Brasil (2009) os Comitês de MM são
organismos interinstitucionais, de caráter eminentemente educativo, com atuação
sigilosa, não coercitiva ou punitiva. Congregam instituições governamentais e da
sociedade civil organizada, contando com participação multiprofissional, visam analisar
todos os óbitos maternos e apontar medidas de intervenção para a sua redução na região
de abrangência. Constituem-se como importantes instrumentos de gestão que permitem
avaliar a qualidade da assistência a saúde prestada a mulher, para subsidiar as políticas
públicas e as ações de intervenção. Entre os objetivos dos comitês, estão as
investigações das circunstâncias de cada morte materna, dentro dos primeiros 30 dias
após a ocorrência; a identificação das responsabilidades técnicas e administrativas pelas
mortes; a realização de estudos para saber as causas e para a definição das medidas para
sanar as irregularidades; além da promoção de atividades educativas e de
conscientização da comunidade e dos profissionais envolvidos na assistência à saúde da
mulher.
OBJETIVO
Este trabalho teve como objetivo analisar a produção científica sobre óbito
materno a partir de dados obtidos no Comitê de Mortalidade Materna do Paraná.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa, na qual formulou-se a seguinte questão:
como são utilizados os dados do Comitê de Mortalidade Materna do Paraná para fins de
pesquisa científica? Para a seleção dos artigos foram utilizadas a base de dados Scielo
(Scientific Electronic Library Online). Os critérios de inclusão dos artigos foram:
artigos publicados em português, no período compreendido entre 2000 a 2012. As
palavras-chave
utilizadas
foram:
Mulher,
Mortalidade
Materna,
Comitê
de
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Profissionais. A busca foi realizada pelo acesso on-line, utilizando os critérios de
inclusão, a amostra final desta revisão integrativa foi constituída de artigos. Para a
coleta de dados dos artigos foi elaborado um instrumento que contempla os seguintes
itens: identificação do artigo original, dados dos autores, características metodológicas,
intervenções, resultados e principais considerações finais encontrados. A apresentação
dos resultados foi realizada de forma descritiva.
RESULTADOS
O Comitê de Mortalidade Materna do Paraná foi criado em 1989, moldado
conforme preconização do Ministério da Saúde, a partir dele forma criados os comitês
regionais e municipais, os quais atuam em rede no Estado. Os óbitos maternos
discutidos nos Comitês geram muitos dados, dessa forma, é possível perceber na
literatura científica publicações em periódicos da área da saúde. Foi possível verificar a
publicação de 06 artigos científicos, que utilizaram dados do Comitê de MM do Paraná,
sendo três em 2008 e os demais em 2006, 2009 e 2012. Os artigos foram publicados em
Revistas de Qualis A, sendo elas Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2),
Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano (1), Caderno de Saúde
Pública (1), Revista de saúde Materno-Infantil (1) e Revista de Enfermagem Anna Nery
(1). Sobre a formação dos autores prevalecem os enfermeiros. Os objetivos dos artigos
pesquisados remetem a identificar taxas e fatores de risco de MM, com foco na
eclâmpsia e aborto, assim a abordagem metodológica que prevaleceu é a quantitativa.
Um dos artigos apresenta a trajetória do Comitê de MM do Paraná. De modo geral, os
resultados convergem para a redução da taxa de MM no Estado nos últimos anos, sendo
de 65,9 por mil NV de 2008 a 2010, sendo que em outros anos já chegou a 80 por mil
NV. Os estudos destacam alguns problemas a serem enfrentados tais como: 90% dos
óbitos foram consideradas evitáveis; reforçam atenção adequada as multigestas; a taxa
de letalidade é alta mesmo em hospitais de referência para gestações de alto risco e na
mesma proporção em hospitais de baixo risco, o que aponta dificuldades no
atendimento das complicações obstétricas em ambos os níveis de atenção; mulheres
acima de 40 anos apresentaram maiores riscos às primigestas; confirmação da relação
entre MM e baixo status socioeconômico e baixa escolaridade, bem como renda e cor;
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
relação de abortos; taxa elevada de subnotificação e problemas no preenchimento
adequado de Declaração de Óbitos. Os artigos analisados demonstram claramente a
inserção ético-política dos Comitês no Paraná e a relação com os Comitês regionais e
municipais,
a
importância
do
Sistema
de
Informação
de
Mortalidade
e
comprometimento com a Vigilância em Saúde. Os artigos trazem considerações finais
relevantes, dentre elas destacam-se: Avaliação do risco obstétrico na primeira consulta
de pré-natal; encaminhamento oportuno das gestantes de risco para atenção
especializada; o problema social da MM, sendo um deles a orfandade e desestrutura
familiar causadas pela falta da figura materna; capacitação dos profissionais de
municípios para o correto preenchimento da Declaração de Óbito. Destaca-se o
consenso dos autores sobre capacitação dos profissionais para o atendimento às
emergências obstétricas e o monitoramento do uso dos protocolos em todos os níveis
hospitalares, bom como reforço no pré-natal. Os Comitês tem contribuído efetivamente
para a vigilância dos óbitos maternos, identificando e corrigindo a subnotificação das
MM, apontando os determinantes e medidas de prevenção.
CONCLUSÃO
O presente estudo conclui que a análise dos óbitos maternos realizada pelos
Comitês de MM configura-se num campo rico para a pesquisa em saúde. O Comitê do
Estado do Paraná, através de alguns membros e pesquisadores em geral, publicaram
artigos científicos de grande relevância e contribuição para o enfrentamento da temática
no país. A taxa de MM no Paraná tem apresentado redução, porém sabe-se que muito há
a ser feito para o alcance de níveis próximos aos 20 por 100 mil NV considerados como
relativamente baixos pela OMS, ou para nos igualarmos aos países desenvolvidos, que
apresentam índices inferiores a 10 óbitos maternos por 100 mil NV. Para tanto, é
necessário a atuação do Comitês, através de comprometimento dos membros,
cumprimento de obrigações, capacitação, fluxo ágil e continuo de informações para que
desempenhem adequadamente seu papel.
Palavras-chave: Saúde da Mulher, Mortalidade Materna, Vigilância em Saúde.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
REFERÊNCIAS
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NOB SUS 01/96 no que se refere as competências da União, Estados, Municípios e
Distrito Federal, na área de Vigilância em Saúde, define a sistemática de financiamento
e da outras providencias. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 17
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Plenário
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Disponível
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
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Eixo temático: Saúde da Mulher
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
INCIDÊNCIA DE CÂNCER UTERINO EM MORADORAS DE UMA
COMUNIDADE DA CIDADE DE CASCAVEL/PR
Zeneide Teresinha da Silva30
Maristela Maraschin31
INTRODUÇAO
O câncer do colo de útero se desenvolve a partir das lesões cervicais precursoras
que se apresentam em grau evolutivo, do ponto de vista cito histopatológico e são
classificados como neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) de graus I (lesão de baixo
grau), II e III (lesões de alto grau) (SAMPAIO; ALMEIDA, 2009). O fator mais
importante para o desenvolvimento de lesões pré-neoplásicas e de carcinoma invasor do
colo do útero é a infecção pelo papiloma vírus humano (HPV) e secundariamente, alta
paridade, grande número de parceiros sexuais, idade no primeiro coito, baixo nível
socioeconômico, tabagismo, pílula anticoncepcional e imunossupressão adquirida
(AIDS) ou induzida (drogas imunossupressoras) (COELHO; COSTA, 2005). No Brasil
representa o terceiro mais comum tipo de neoplasia maligna que acomete mulheres,
depois do câncer de pele não-melanoma e do câncer de mama (FERNANDES, et. al,
2009). O câncer do colo do útero é caracterizado pela replicação desordenada do
epitélio de revestimento do órgão, comprometendo o tecido subjacente (estroma) e
podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou à distância. Com os programas de
rastreamento do câncer do colo do útero realizados por meio do exame de Papanicolau
(colpocitologia oncótica) foi verificado um declínio em cerca de 70% da mortalidade
por este tipo de tumor, (COELHO; COSTA, 2005). O diagnóstico pode ser feito com
base nos resultados anormais do esfregaço de Papanicolau, seguidos pelos resultados de
biópsia identificando a displasia grave (neoplasia intra-epitelial cervical do tipo III [CIN
III], lesões intra-epiteliais escamosas de alto grau [HGSIL] [também referidas como
HSIL], ou carcinoma in situ, (SMELTZER; BARE, 2005). Os sinais e sintomas são
avaliados, sendo realizados radiografias, exames laboratoriais e exames específicos,
como a biópsia por punção e colposcopia. A detecção precoce do câncer do colo permite
evitar ou retardar a progressão para câncer invasor com o uso de intervenções como
colposcopia e biópsia, excisão local, conização e eventualmente a histerectomia
(COELHO; COSTA, 2005). O câncer do colo do útero incide mais em mulheres de
nível socioeconômico baixo, vida sexual precoce, múltiplo parceiros sexual, baixa
30
Enfermeira. Egressa do curso de Enfermagem da Universidade Paranaense/UNIPAR, campus de
Cascavel. Atua na Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel/PR. E-mail [email protected] Fone:
(45) 99142096. Rua Cipreste 249 – Parque Verde. Cascavel/PR.
31
Enfermeira. Mestre. Docente da Universidade Paranaense/UNIPAR, campus de Cascavel/PR e
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/UNIOESTE, campus de Cascavel. E-mail
[email protected] Fone 99716684.
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imunidade, carências nutricionais, multíparas e fumantes. Alguns estudos sugerem o uso
do contraceptivo oral como fator de risco, contudo eles podem ter sido influenciados
por variáveis de confundimento, como o início precoce da atividade sexual, múltiplos
parceiros e história prévia de doença sexualmente transmissível (TRINDADE; PRIMO,
2004).
OBJETIVOS
Conhecer a incidência de câncer do colo uterino em mulheres que realizaram
exame de Papanicolau entre os anos de 2008 a 2011, com idade de 23 a 71 anos, na
Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Aclimação, localizada no município de
Cascavel/PR; Identificar o perfil demográfico, socioeconômico, comportamental e
reprodutivo das mulheres que apresentaram algum tipo de alteração citopatológica no
exame de Papanicolau realizado na UBS do bairro Aclimação.
METODOLOGIA
Foi um estudo de campo, descritivo com abordagem quantitativa. O estudo foi
realizado na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Aclimação, localizada na região
oeste da cidade de Cascavel/PR. Para a realização deste estudo, primeiramente foram
coletados os dados secundários dos sujeitos participantes, realizado nos prontuários e/ou
livro de registros das mulheres com idade entre 23 a 71 anos, que realizaram o exame de
Papanicolau, nos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011. Para a coleta destes dados foi
construído um formulário com questões norteadoras. Após a coleta dos dados
secundários, foi realizada a segunda etapa da pesquisa com a aplicação de uma
entrevista contendo 08 questões fechadas e 10 questões abertas. As entrevistas foram
realizadas na casa das participantes. Os critérios de inclusão foram mulheres que
realizaram o exame de prevenção do câncer do colo uterino nos anos de 2008, 2009,
2010 e 2011, com idade entre de 23 a 71 anos e que já tenham iniciado a atividade
sexual e que pertencem à área de abrangência da UBS Aclimação. Nos anos de 2008,
2009, 2010 e 2011, foram coletados 2.899 preventivos dos quais 33 apresentaram algum
tipo de alteração, destes, 18 são pertencentes à área de abrangência da UBS e 15
provenientes de outras áreas do município. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de
Ética da Universidade Paranaense/UNIPAR, que envolve seres humanos, conforme
resolução 196/96, conforme parecer número 51759 do dia 26 de julho de 2012.
RESULTADOS
Inicialmente tínhamos um total de 18 mulheres que realizaram o exame de
preventivo de câncer, porém tivemos 1 (uma) mulher que recusou participar do estudo e
4 (quatro) mulheres mudaram de endereço. Diante disto, o total da amostra deste estudo
foram 13 mulheres que aceitaram participar. Encontramos 2 mulheres que apresentaram
NIC I, 6 mulheres apresentaram NIC I/HPV, 4 mulheres apresentaram NIC II/NIC III e
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1 mulher apresentou NIC III. Quanto as idades, tivemos de 23 a 27 anos encontramos 3
mulheres, de 33 a 37 anos também 3 mulheres, seguidos pelas idades de 28 a 32 anos,
38 a 42 anos e 60 anos ou mais apresentaram 2 casos para cada faixa etária, com idade
de 43 a 47 anos 1 mulher. Destas, 6 são solteiras, divorciadas 3, casadas 2, separadas 1 e
viúva 1. Quanto ao nível de escolaridade, possuem ensino fundamental completo 7
mulheres, ensino médio completo 3 mulheres, ensino superior completo 2 mulheres e
não alfabetizadas 1 mulher. As faixas etárias de 23 a 27 anos e de 33 a 37 anos
apresentaram o maior percentual de mulheres com alteração nos resultados dos exames
ginecológicos 3 casos, seguidos pelas idades de 28 a 32 anos, de 38 a 42 e acima de 60
anos, com 2 casos para cada faixa etária, e as mulheres de 43 a 47 anos 1 caso. Neste
estudo encontramos que a maioria das mulheres e suas famílias vivem com uma renda
familiar de 1 salário mínimo, correspondendo a 6 casos, das que recebem 2 salários
mínimos representam 4 casos, de 3 a 4 salários mínimos 2 e mulheres que recebem
acima de 5 salários mínimos 1. Das 13 mulheres participantes deste estudo,
encontramos 2 mulheres fumantes. Em relação à profissão, 2 empregadas domésticas, 2
aposentadas, 1 arquiteta, 1 esteticista, 1 vendedora, 1 encarregada de bazar, 1 operadora
de caixa, 1 zeladora, 1 diarista, 1 autônoma e 1 desempregada. A idade da primeira
menstruação predominou entre 13 e 14 anos. Das 13 mulheres, 10 tiveram ciclos
menstruais regulares. Em relação à idade que as mulheres iniciaram a atividade sexual,
3 mulheres iniciaram com 16 anos e 3 mulheres com 17 anos, com 18 anos, 2 casos, as
demais iniciaram aos 14, 19, 20, 25, 30 respectivamente. 5 mulheres fazem uso de
anticoncepcional oral, 4 mulheres não utilizam nenhum método contraceptivo, 2
mulheres assimilam dois métodos preservativos/anticoncepcional oral, 1 utiliza
preservativo/anticoncepcional injetável e 1 utiliza preservativo 1 mulher. A maioria das
mulheres afirma que realizam a coleta do exame de Papanicolau anualmente. Neste
estudo 11 mulheres relataram que fazem o exame de Papanicolau, para prevenir-se e 2
por apresentar algum sintoma. A maioria das mulheres relatou ter tido parto normal. Em
relação à quantidade de filhos que cada mulher tem, encontramos 4 mulheres com 2
filhos, 3 mulheres não possuem filhos, 3 mulheres possuem 1 filho, 2 mulheres possuem
4 filhos e 1 mulher está grávida. Em relação às práticas utilizadas para a prevenção do
câncer do colo uterino tivemos 5 mulheres que utilizam o uso de preservativos nas
relações sexuais e a prática de exercícios físicos, 4 mulheres referiram não adotar
nenhuma prática para prevenir o câncer de colo uterino, 2 mulheres relataram que
cuidam da alimentação e praticam atividades físicas, 1 mulher relata que faz ginástica
como forma de prevenção e 1 mulher relata possuir apenas um parceiro como forma de
prevenção do câncer de colo uterino. Diante da expectativa gerada pelo resultado do
exame encontramos que 5, mulheres tiveram uma expectativa positiva diante do
resultado, 4 mulheres sentiram medo diante do possível resultado, 1 mulher relatou
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sentir forte tensão emocional, 1 ter tido um pressentimento ruim em relação ao
resultado, 1 diz ter ficado tranquila diante do resultado e 1 ter sentido nervosismo e
ansiedade diante do possível resultado do exame. Diante dos resultados verificamos que
11, mulheres não possuem ninguém na família que tenha desenvolvido o câncer de colo
uterino, 1 mulher possui 1 prima que teve o câncer de colo uterino e 1 mulher tem 1
irmã que teve câncer de colo uterino. O impacto causado pelo resultado do exame nos
mostrou que 4 mulheres ficaram desesperadas, 1 destas mulheres além do desespero
ficou depressiva; 1 mulher ficou paralisada, 1 mulher ficou assustada, 1 além de
assustada sentiu medo e vergonha, 2 sentiram algo horrível sendo que 1 destas diz que
quase morreu do coração, 1 relatou ter saído o chão, 1 ficou nervosa diante do resultado,
1 não acreditou no resultado e entregou nas mãos de Deus e 1 agiu naturalmente.
Quanto ao tratamento, 11 mulheres usaram medicação via oral e intra-vaginal por um
breve período, destas 11 mulheres, além do tratamento medicamentoso, 4 mulheres
fizeram a conização de uma parte do colo uterino e 2 fizeram a cauterização, 1 mulher
fez somente a conização e 1 não fez nenhum tipo de tratamento. Depois de realizado os
tratamentos e após coleta de novos exames de Papanicolau 8 mulheres apresentaram
resultados satisfatórios, 4 mulheres não sabem do resultado após o tratamento por não
terem feito novamente o exame de Papanicolau, sendo que 1 destas mulheres não fez o
exame novamente por estar grávida e 1 mulher não fez tratamento e não sabe quando
irá fazer um novo exame de Papanicolau. Em relação às dificuldades enfrentadas
atualmente, encontramos 4 mulheres que relataram não possuir nenhum tipo de
dificuldade, 3 mulheres informaram que a dificuldade maior é a solidão, 3 mulheres
relataram dificuldades familiares, 2 relatam como dificuldades atuais questões
emocionais como cansaço e depressão, 1 relatou que a dificuldade atual é enfrentar a
gravidez sozinha. Entre as perspectivas futuras das mulheres entrevistadas encontramos
3 mulheres que querem melhorar de vida em todos os níveis, 1 mulher quer terminar o
ensino médio, 2 querem comprar a casa própria, 2 querem encontrar um novo
companheiro, 1 quer voltar a morar no Rio Grande do Sul, 1 quer mais atenção dos
filhos, 1 espera que a filha amadureça e cuide do filho que hoje mora com ela (avó), 1
espera que o pai do seu filho assuma as responsabilidades de pai e 1 quer que o filho
tenha um pai presente.
CONCLUSÕES
Encontramos que as faixas etárias de 23 a 27 anos e de 33 a 37 anos
apresentaram o maior percentual de mulheres com alteração nos resultados dos exames
ginecológicos. A maioria das mulheres são solteiras, à escolaridade que prevaleceu foi o
ensino fundamental completo, 6 mulheres vivem com suas famílias com uma renda de 1
salário mínimo. Diante dos resultados verificamos que 11, mulheres não possuem
ninguém na família que tenha desenvolvido o câncer de colo uterino, 1 mulher possui 1
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prima que teve o câncer de colo uterino e 1 mulher tem 1 irmã que teve câncer de colo
uterino. O impacto causado pelo resultado do exame mostrou que 4 mulheres ficaram
desesperadas com o resultado. Todas as mulheres que tenham iniciado atividade sexual
devem realizar o exame de Papanicolau, podendo assim, detectar precocemente o câncer
de colo uterino que permite a redução da morbimortalidade em mulheres.
PALAVRAS-CHAVE: Prevalência, câncer uterino, mulher.
REFERÊNCIAS
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Eixo temático: Saúde da Mulher
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
RELATO DE EXPERIÊNCIA: ASSISTÊNCIA HUMANIZADA AO PRÉ-NATAL DE
BAIXO RISCO
Andressa Larissa Dias Müller de Souza 32
Isabela Fernanda Larios Fracarolli
Maria Eduarda de Carli Rodrigues
Sebastião Caldeira
INTRODUÇÃO
A assistência pré-natal objetiva garantir a saúde materna e fetal. Para que isso seja
possível é preciso garantir o cuidado integral à saúde da mulher, sendo que assistência pré-natal
deve se organizar de forma a detectar às reais necessidades de cada gestante, isso se faz por
meio da utilização de conhecimentos técnico-científicos disponíveis na atualidade, além dos
meios e recursos adequados que são oferecidos. O intuito da assistência pré-natal é acolher a
mulher desde o início de sua gravidez considerando seus medos, angústias, dúvidas e
curiosidades, assegurando o bem-estar físico e mental da mãe, da família e do concepto. Ao
acolher a mulher no pré-natal o enfermeiro deve disponibilizar um atendimento humanizado que
ofereça serviços resolutivos, éticos e interdisciplinares, considerando a gestante e sua família em
sua integralidade¹. Esse tipo de humanização se inter-relaciona com a definição de ambiência
que se resume, no campo da saúde, como o modo de proceder ao espaço físico entendido como
espaço social, profissional e de relações interpessoais que deve proporcionar aos indivíduos uma
atenção acolhedora, resolutiva e humana³.
A assistência humanizada do pré-natal se dá por meio do acolhimento, sem intervenções
desnecessárias, ou seja, acolher a gestante, assegurando a ela e ao concepto, ao fim da gestação,
o nascimento de uma criança saudável e a garantia do bem-estar materno e neonatal². Nesse
cenário a enfermagem tem muito a contribuir, pois o pré-natal de baixo risco pode ser
inteiramente acompanhado pelo enfermeiro4.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda princípios essenciais para a
atenção pré-natal, perinatal e puerperal.
Os dez princípios fundamentais da atenção perinatal, assinalados pela OMS, indicam que o cuidado na
gestação e no parto normais deve:
32
Discente, enfermagem, Unioeste, Cascavel.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
1. Não ser medicalizado, o que significa que o cuidado fundamental deve ser previsto, utilizando conjunto
mínimo de intervenções que sejam realmente necessárias;
2. Ser baseado no uso de tecnologia apropriada, o que se define como conjunto de ações que inclui
métodos, procedimentos, tecnologia, equipamento e outras ferramentas, todas aplicadas para resolver um
problema específico. Esse princípio é direcionado a reduzir o uso excessivo de tecnologia, ou a aplicação
de tecnologia sofisticada, ou complexa, quando procedimentos mais simples podem ser suficientes, ou
ainda
ser
superiores;
3. Ser baseado em evidências, o que significa ser embasado pela melhor evidência científica disponível, e
por estudos controlados aleatorizados, quando seja possível, e apropriado;
4. Ser regionalizado e baseado em sistema eficiente de referência de centros de cuidado primário para
centros de cuidado secundário e terciário;
5. Ser multidisciplinar e multiprofissional, com a participação de médicos(as), enfermeiras(os),
técnicos(as) de enfermagem, agentes comunitários de saúde, educadores, parteiras tradicionais e cientistas
sociais;
6. Ser integral e levar em conta necessidades intelectuais, emocionais, sociais e culturais das mulheres,
seus filhos e famílias, e não somente um cuidado biológico;
7. Estar centrado nas famílias e ser dirigido para as necessidades não só da mulher e seu filho, mas do
casal;
8. Ser apropriado, tendo em conta as diferentes pautas culturais para permitir lograr seus objetivos;
9. Compartilhar a tomada de decisão com as mulheres;
10. Respeitar a privacidade, a dignidade e a confidencialidade das mulheres.
Esses princípios asseguram fortemente a proteção, a promoção e o suporte necessário para se atingir um
cuidado perinatal efetivo. Eles estão sendo incorporados nos materiais técnicos, bem como nas
ferramentas de monitorização e avaliação da OMS1 (BRASIL, 2005, p. 13 e 14).
A atenção obstétrica e neonatal, prestada pelos serviços de saúde, deve ter como
características essenciais à qualidade no atendimento, articulada com a humanização. É dever
dos serviços e profissionais de saúde acolher com dignidade e respeito a mulher e o seu filho,
dando enfoque em seus direitos¹. Também se destaca o fato de que a
atenção qualificada e
humanizada se resume na incorporação de condutas acolhedoras e sem intervenções
desnecessárias, garantindo o acesso a serviços de qualidade promovendo atividades que
interagem basicamente todos os níveis da atenção, sendo eles: promoção, prevenção e
assistência a saúde da gestante, desde o atendimento básico ambulatorial ao hospitalar de alto
risco¹.
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A gestante pode ter um atendimento de qualidade quando no momento da consulta de
pré-natal o profissional atuante garanta que ela seja ouvida, de abertura para que as suas dúvidas
sejam esclarecidas, e ainda realize os procedimentos de maneira eficiente, com a intenção de
diagnosticar os problemas precocemente, observando suas principais queixas e dificuldades,
sendo que é nesse momento que a paciente percebe a qualidade de uma consulta realizada
envolvendo a humanização.
As
ações
de
Atenção
Pré-natal,
Controle
Pré-natal,
Assistência
Pré-natal,
Acompanhamento Pré-natal, Cuidado Pré-natal, Consulta Pré-natal são atividades que envolvem
uma série de contatos, entrevistas ou visitas programadas à gestante com integrantes da equipe
de saúde. Isso promove o acolhimento da mulher desde o início de sua gestação respeitando a
vivência de cada uma, construindo uma atenção de qualidade ao atendimento, onde seja
valorizado as informações de cada mulher transformando-a em ações concretas. Essas atitudes
permitem ainda que o atendimento á gestante seja prestado por profissionais treinados que
selecionam dados necessários para a avaliação das estatísticas de serviço, proporcionando o
aumento de gestações saudáveis e livre de riscos.
O diálogo franco, a sensibilidade e a capacidade de percepção de quem acompanha o
pré-natal são condições básicas para que o saber em saúde seja colocado à disposição da mulher
e da sua família – atores principais da gestação e do parto. Uma escuta aberta, sem julgamento
nem preconceitos, que permita à mulher falar de sua intimidade com segurança, fortalece a
gestante no seu caminho até o parto e ajuda a construir o conhecimento sobre si mesma,
contribuindo para um parto e nascimento tranquilos e saudáveis1.
Nesse contexto observando a importância do cuidado pré-natal o enfermeiro deve estar
ciente das atividades a serem desenvolvidas para alcançar um pré-natal humanizado, que para
ser realizada com sucesso deve envolver as atividades de escuta da mulher e seus
acompanhantes, realização de atividades educativas que forneçam informações relacionadas a
gestação, esclarecimento de dúvidas, registro da história clínica da paciente, realização do
exame físico geral e gineco-obstétrico da gestante, bem como exames laboratoriais, imunização,
avaliação do estado nutricional, prevenção e tratamento dos distúrbios nutricionais, entre outros.
Preconiza-se no mínimo seis consultas de pré-natal, preferencialmente, uma no primeiro
trimestre, duas no segundo trimestre e três no último trimestre, isto é necessário para garantir
uma atenção pré-natal de qualidade, na qual será possível prevenir e avaliar diversas
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
intercorrências, tais como as complicações clínico-obstétricas que tem como exemplo o trabalho
de parto prematuro, a pré-eclâmpsia, descolamento de placenta, placenta prévia, entre outros.
OBJETIVO
Partilhar a experiência vivenciada pelas acadêmicas do Curso de Enfermagem durante o
atendimento pré-natal humanizado da gestante de baixo risco, em uma instituição filantrópica.
METODOLOGIA
Relato de experiência vivenciado pelas acadêmicas do 4º ano do Curso de Enfermagem
da Unioeste – Campus de Cascavel-PR em Atividades Práticas Supervisionadas na disciplina de
Enfermagem em Ginecologia e Obstetrícia entre maio a junho de 2012, desenvolvidas no
Núcleo Assistencial Francisco de Assis (NAFA), Bairro Interlagos.
RESULTADOS
Durante a realização das Atividades Práticas Supervisionadas, as acadêmicas realizaram
algumas tarefas que tinham como intenção a promoção da saúde da mulher. As acadêmicas
iniciaram as atividades supervisionadas com a realização de grupos focais, que tinham como
convidadas as futuras mães participantes do grupo de gestantes do NAFA. Nesse grupo foi
possível a abordagem de temas pertinentes ao período gravídico, que se resume em alimentação
saudável, desenvolvimento fetal, alterações gestacionais, exercícios na gestação, aleitamento
materno, cuidados com as mamas, sinais e sintomas do trabalho de parto e parto, cuidados no
puerpério e com recém-nascido, planejamento familiar dentre outros. Nesse momento foi
possível apresentar as gestantes as principais dúvidas e incertezas que a mulher encontra no
período gravídico, desse modo elas obtiveram maior conhecimento sobre os temas, e ainda
apresentaram suas queixas e dificuldades e esclareceram suas dúvidas com relação ao período
gravídico, parto e pós-parto.
Após a realização dos grupos, as gestantes foram encaminhadas ao atendimento
individual. Nesse período foram atendidas 28 gestantes, com idade entre 16 e 35 anos, 20
casadas e 8 solteiras. Quanto à escolaridade, 12 possuíam o segundo grau completo e 16 o
primeiro grau. O período gestacional compreendeu os três trimestres, sendo 4 gestantes no
primeiro, 8 no segundo e 16 no terceiro trimestre. Durante cada consulta de enfermagem de prénatal, utilizando o referencial da humanização, foi realizada a história clínica da gestante,
abordando aspectos epidemiológicos, antecedentes familiares, pessoais, ginecológicos e
obstétricos juntamente com a situação da gravidez atual. Após foi realizado o exame físico geral
completo, seguido do exame gineco-obstétrico, no qual se procedeu às atividades de pesagem da
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
gestante, medida da altura uterina, verificação de sinais vitais e ausculta de batimentos cardíaco
fetal. Durante todo o momento as gestantes foram receptivas às orientações, levantaram dúvidas
particulares sobre os temas abordados, bem como sobre a sua situação de saúde, oportunizando
momentos ricos ao processo ensino-aprendizagem.
CONCLUSÃO
Percebeu-se que o cuidado humanizado, além da aplicação de conhecimentos técnicos e
trabalho educativo, proporcionou a todos uma visão ampla sobre saúde da mulher, pois além de
uma gravidez segura a gestante pode se tornar autônoma quanto ao autocuidado. A realização
dessas atividades proporcionou as acadêmicas uma excelente oportunidade de aprofundarem os
conhecimentos sobre o tema pré-natal, além da gratificação pelo reconhecimento positivo
recebido pelas gestantes. Esse reconhecimento se deve ao fato de as acadêmicas proporcionarem
a gestante a assistência de cuidado humanizado, quem em várias situações não é oferecido por
muitos profissionais da saúde, desse modo a paciente reconhece esse cuidado diferenciado e
volta para sua casa com um sentimento de satisfação proporcionada pela consulta pré-natal
humanizada.
Palavras-chave: Pré-natal; gestante; enfermagem.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde (BR). Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e
humanizada. BRASÍLIA – DF, 2005.
_______. Decreto n. 94.406/87. Regulamenta a Lei nº 7.498 de 25 de junho de 1986. Dispõe
sobre o exercício profissional de enfermagem.
_______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. Ambiência/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. – 2. ed. – Brasília: Editora do Ministério
da Saúde, 2009. 32 p. – (Série B. Textos Básicos de Saúde).
CASCAVEL. Manual de Pré-natal e Puerpério. Cascavel: Secretaria Municipal de Saúde, 2010.
Eixo temático: Saúde da Mulher
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE DE PUÉRPERAS NO NÚCLEO ASSISTENCIAL
FRANCISCO DE ASSIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Angela Elisa Breda33
Laura Ahmann1
Louise Polina1
Priscila Rodrigues Xavier1
Tanielle Amanda Sulzbacher1
Michelle de Marchi Sanches34
INTRODUÇÃO
A disciplina de Enfermagem em Ginecologia e Obstetrícia compõe a grade
curricular do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste
do Paraná - UNIOESTE. A mesma compreende 221 horas-aula, dentre as quais 119
horas são aulas teóricas, 65 horas compreendem Aulas Práticas Supervisionadas e 37
horas são reservadas à Atividade Prática como Componente Curricular (APCC). A
APCC é direcionada à realização de atividades educativas e orientações a um grupo,
referentes à disciplina supracitada. Um dos objetivos da referida disciplina consiste em
proporcionar educação e promoção da saúde para a mulher, levando em conta a
participação da mesma na sociedade e comunidade. Os alunos da 4ª série do curso de
Enfermagem, supervisionados por docente da disciplina em questão, participam desta
prática, promovendo orientações para a Educação e Promoção da Saúde das puérperas
que frequentam o Clube de Mães do Núcleo Assistencial Francisco de Assis - NAFA,
abordando conteúdos relacionados ao período puerperal e valorizando os aspectos
fisiológicos e emocionais do pós-parto. A Educação em Saúde representa um dos
principais elementos para a Promoção da Saúde. Constitui-se como uma forma de
cuidar que leva ao desenvolvimento de uma consciência crítica e reflexiva, que permite
a emancipação dos sujeitos ao possibilitar a produção de um saber que contribui para
Discentes da 5ª Série do curso de Enfermagem Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
Discente da 5ª série do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE; Rua Universitária,
2069; Jardim. Universitário - Cascavel – PR; telefone: (45) 9906-7952; e-mail: [email protected]
2
Enfermeira, especialista em Cuidados Intensivos Neonatais, docente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste
do Paraná – UNIOESTE.
33
1
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
que as pessoas possam cuidar melhor de si e de seus familiares (SANTOS; PENNA,
2009). Vasconcelos apud Cardoso; Pereira (2010) afirma que: “... é um campo de
práticas e de conhecimentos que tem se ocupado com a criação de diálogos entre a ação
profissional e o pensar e o fazer cotidiano da população”. Assim, para Cardoso; Pereira
(2010) o conhecimento técnico-científico e o saber popular devem caminhar juntos a
fim de promover a permuta de conhecimentos e informações entre os diferentes sujeitos
que se encontram nos serviços de saúde (profissionais de saúde, pacientes e/ou usuários
do sistema de saúde). Teixeira; Ferreira; Queiroz (2010) afirmam que novos tempos e
modos de ensino de Educação em Saúde são necessários para que a enfermagem
alcance maior grau de autonomia, realize mudanças na sua prática social a fim de
beneficiar-se da potencialidade que possui para o desenvolvimento das ações educativas
e que embora haja um movimento de mudança, persiste ainda uma prática tradicional de
Educação em Saúde nos serviços, que coloca o usuário do sistema em uma posição
passiva diante do educador. Em relação à prática educativa em saúde, o trabalho em
grupo pode ser utilizado como estratégia, pois a construção deste acontece a partir das
interações entre seres humanos de forma dinâmica e reflexiva, uma vez que a técnica de
trabalho com grupos promove o fortalecimento das potencialidades individuais e
coletivas, a valorização da saúde, a utilização dos recursos disponíveis e o exercício da
cidadania (ALONSO, 1999 apud REBERT; HOGA, 2005). Souza et al (2005) referem
que ao participar de um grupo, cada indivíduo tem a possibilidade de expressar seu
pensamento, dar sua opinião, seu pondo de vista ou seu silêncio, constituindo-se em
importante ferramenta para a conscientização crítica dos indivíduos a respeito de seu
meio social e suas condições de vida e saúde. De acordo com os autores supracitados,
no trabalho realizado com grupos emergem possibilidades a partir do compartilhamento
do conhecimento que advêm das experiências e juntos estes indivíduos podem perceber
o potencial que o grupo tem para organizar e concretizar ações de mudança. O relato de
experiência em questão faz referência a um conjunto de mulheres reunidas em um
“grupo de puérperas” que busca compartilhar espaços de informações/orientações
relacionadas aos cuidados com o recém-nascido, modificações do organismo materno
no puerpério, métodos contraceptivos, aleitamento materno e outros assuntos
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
pertinentes ao período puerperal. Com relação à avaliação puerperal, desde a década de
80 do século passado, através do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher, a
assistência ao puerpério imediato é preconizada pelo Ministério da Saúde (BRASIL,
1984 apud CARDOSO; PEREIRA, 2010). Para os autores, o período pós-parto é
marcado tanto por alterações biológicas, quanto emocionais e sociais, portanto, devem
ser levadas em consideração as possibilidades de trabalhar ações que assegurem uma
atenção integral à saúde da mulher capaz de promover uma assistência obstétrica
qualificada e humanizada como previsto no Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres.
OBJETIVOS
Descrever as ações de Promoção e Educação em Saúde para as puérperas e
analisar a visão das mesmas sobre este espaço de encontro para o grupo.
METODOLOGIA
O cenário deste estudo foi o Núcleo Assistencial Francisco de Assis – NAFA
que está localizado no Bairro Jardim Interlagos, no município de Cascavel – PR. A
instituição é mantida pela Sociedade Espírita Paz Amor e Luz – SEPAL e objetiva
assistir a população da região, que é predominantemente carente. Um dos grupos
atendidos pelo NAFA é denominado Clube de Mães, e desde 1998 atende gestantes e
puérperas oportunizando o estudo da Doutrina Espírita, a doação de alimentos, roupas,
aulas de crochê e costura e a realização de práticas educativas, para instruir as
participantes sobre a saúde da mulher e da criança. É formado por cerca de 30 mulheres
que caracterizam faixa etária de 20 a 35 anos, sejam elas gestantes ou puérperas
(SEPAL, s/d). Para a atividade em questão participaram somente as puérperas e nutrizes
e os temas para a prática de Educação em Saúde foram decididos em consulta à
coordenação do NAFA que expôs as necessidades do conjunto. Os cônjuges ou outros
familiares não participaram da atividade devido ao horário que a mesma era realizada.
Os alunos foram subdivididos em grupos de cinco a seis, e cada subgrupo teve a
oportunidade de elaborar a Educação em Saúde destacando os seguintes assuntos:
Higiene
do
recém-nascido
e
Higiene
da
puérpera;
Doenças
Sexualmente
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Transmissíveis; Consulta Puerperal e Métodos Contraceptivos; Problemas Mamários e
Infecção Puerperal; Transtornos Psicológicos e Psiquiátricos no Puerpério; Aleitamento
Materno e Alimentação Complementar. Participaram do estudo 32 alunos, no período
de setembro a outubro de 2012, e os encontros aconteceram semanalmente, às quintasfeiras no período da manhã. Os discentes ministraram aulas expositivas dialogadas, com
auxílio de computador e multimídia, bonecos, banheira, bacias, roupas, fraldas, próteses
mamárias (manequins), entre outros, sob supervisão da docente da disciplina
Enfermagem em Ginecologia e Obstetrícia.
RESULTADOS
Durante o exercício da prática educacional em saúde era oportunizado às
participantes esclarecerem suas dúvidas, colaborando com os seus conhecimentos
cotidianos inerentes à comunidade onde residem e contribuindo assim para desmistificar
algumas práticas equivocadas, enriquecendo o conteúdo do trabalho. Além das
orientações para a saúde da mulher no puerpério também foram orientados os cuidados
e principais intercorrências relacionadas ao recém-nascido, conforme dúvidas das
mesmas. Por incentivo das mulheres, de acordo com a demanda e as dúvidas
apresentadas por elas, decidiu-se por abordar temas que não estavam no cronograma tais
como: conhecimentos sobre o calendário vacinal da criança e orientações quanto à
realização da puericultura, dentição da criança, planejamento familiar, sexualidade,
entre outros. Este fato demonstra o interesse das mulheres por outros assuntos
importantes dos quais elas não tinham conhecimento, uma vez que estas se sentiram à
vontade para questionar sobre diversos temas. O uso de bonecos, manequins e outros
recursos, segundo as mulheres, favoreceu a observação da prática correta de alguns
cuidados realizados por elas tais como banho do recém-nascido, higiene e troca de
fraldas, amamentação, e outros. A fala das mulheres nos revela que estes encontros
favoreceram a troca de experiências e de conhecimentos com as outras mulheres sobre
os assuntos relacionados à saúde da mulher e recém-nascido no período pós-parto. A
participação em grupos, para Cardoso; Pereira (2010) facilita a interação equipe de
saúde/puérpera e auxilia as pessoas a entenderem melhor o contexto em que estão
inseridas. As mulheres criam vínculos entre si e trocam experiências, com o propósito
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
de aprenderem com os profissionais e com todos os participantes do grupo (entre as
próprias mulheres). As participantes também apontaram que sentiram-se à vontade para
esclarecer dúvidas, devido ao grupo ser pequeno. Referem como ponto negativo o fato
de terem que levar os filhos, pois devido ao horário em que era realizada a atividade,
não tinham com quem deixá-los.
CONCLUSÕES
Partilhar saberes com a finalidade de promover a saúde através de ações
educativas possibilita a construção de conhecimentos em conjunto com a comunidade.
Consideramos que espaços para grupos como estes devem ser incentivados visto que
enriquecem a prática profissional oportunizando aos alunos e às mulheres um espaço de
acolhimento e educação para a saúde. O espaço criado para esta prática proporcionou às
mulheres o esclarecimento de dúvidas que não foram elucidadas durante a gestação ou
nas consultas de pré-natal e a participação de forma ativa, trocando experiências,
retirando dúvidas, diminuindo medos/ansiedades, contribuindo para promover a saúde
do grupo.
PALAVRAS CHAVE: Saúde da Mulher; Período pós-parto; Grupo Social; Educação em
Saúde.
REFERÊNCIAS:
BACKES, V.M.S.; LINO, M.M.; PRADO, M.L.; REIBNITZ, K.S.; CANAVEN. B.P.
Competência dos enfermeiros na atuação como educador em saúde. Rev. bras.
enferm.,
Brasília,
v.
61,
n.
6.
Dez..
2008.
Disponível
em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003471672008000600011&l
ng=en&nrm=iso>. Acesso em: 21 abr. 2013.
CARDOSO, N.D.; PEREIRA, A.V. Práticas interdisciplinares de acolhimento,
educação em saúde e avaliação pós-parto em grupo de puérperas.
Rev. APS, Juiz de Fora, v. 13, n.
4, p. 421-431, out./dez. 2010. Disponível em: http://www.aps.ufjf.br/index.php/aps/article/viewArticle/1019. Acesso em: 15 abri.
2013
REBERT, L.M.; HOGA, L.A.K. O desenvolvimento de um grupo de gestantes com a
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
utilização da abordagem corporal. Texto Contexto Enferm. v. 14, n. 2, p. 186-192.
Abr-Jun. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v14n2/a05v14n2.pdf.
Acesso em: 21 abr. 2013.
SANTOS, R.V.; PENNA, C.M.M. A educação em saúde como estratégia para o
cuidado à gestante, puérpera e ao recém-nascido. Texto Contexto Enferm, v. 18, n. 4.
pp.
652-660.
Out-
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2009.
Disponível
em:
http://www.scielo.br/pdf/tce/v18n4/06.pdf. Acesso em: 21 abr. 2013.
SEPAL. Sociedade Espírita Paz, Amor e Luz. Núcleo Assistencial Francisco de Assis –
NAFA. Disponível em: http://sepalcascavel.com/institucional/departamentos/nucleoassistencial-francisco-de-assis-nafa/. [S. d.]. Acesso em: 15 abril, 2013.
SOUZA, A.C.; COLOME, I.C.S.; COSTA, L.E.D.; OLIVEIRA, D.L.L.C. A educação
em saúde com grupos na comunidade: uma estratégica facilitadora da promoção em
saúde. Rev. Gaucha Enferm., Porto Alegre (RS) 2005 ago.; 26(2): 147-53. Disponível
em: http://seer.ufrgs.br/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/4547. Acesso em:15
abri.2013
TEIXEIRA, E.; FERREIRA, D.S.; QUEIROZ, A.M. Educação em Saúde: experiência
de avaliação em uma disciplina de pós-graduação. Rev. Eletr. Enf. [Internet].
2010;12(4):775-9.Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/fen/article/view/
5819. Acesso em: 22 out.2012.
Eixo temático: Saúde da Mulher
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
ADOLESCÊNCIA E GESTAÇÃO: DADOS DE UMA UNIDADEDE SAÚDE DA
FAMÍLIA DE COLOMBO - PR
Fernanda do Pilar Maciel de Magalhães1
Paula Francislaine Moura2
Arícia Vanessa Brasileiro Sampaio3
Aislaine Poplade Pereira de Mattos4
Juliana Bertolin Gonçalves5
Ana Cristina da Rosa6
INTRODUÇÃO
A adolescência, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),
compreende faixa de 10 a 19 anos de idade de um indivíduo, delimitando a evolução
entre a infância e a idade adulta, ocorrendo assim uma transição de um estado de
dependência para outro de relativa autonomia. Período este que é caracterizado pelo
crescimento rápido e desenvolvimento da personalidade, o que pode gerar estresse,
conflitos e instabilidade emocional, além de intensas transformações psicossociais e
biológicas (WHO, 2005; BERLOFI et al,2006; ACCIOLY; LACERDA; SAUNDERS,
2009; YAZLLE; FRANCO; MICHELLAZO, 2009). Elegendo-se assim como temas
prioritários a esta faixa etária o uso abusivo de drogas, os acidentes de trânsito, as
violências, as doenças sexualmente transmissíveis e as gestações não planejadas. (MS,
1999)
Frequentemente é nesse período que ocorre a iniciação sexual, o que gera
preocupações, seja pela possibilidade de gestações indesejadas ou pelas doenças
sexualmente transmissíveis (YAZLLE; FRANCO; MICHELLAZO, 2009)
A
gravidez
ocorrendo
simultaneamente
com
a
adolescência
revela
complicações, pois requer reestruturação em diversas dimensões como novas mudanças
de identidade e papéis sociais. (MOREIRA et.al, 2007) Apesar de muito frequente, nem
sempre a gestação na adolescência se torna um evento único, pois para muitas jovens
esta situação acaba se repetindo. Em diversos casos mulheres que iniciam a maternidade
na adolescência, tendem a ter um número maior de filhos em toda sua vida reprodutiva,
devido a primeira gestação não ser planejada, ou até mesmo indesejada, fazendo com
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
que a probabilidade das seguintes gestações adquirirem este caráter ser altíssima
(BERLOFI et al,2006).
Diversos estudos abordam a questão da gravidez precoce demonstrando
resultados obstétricos e perinatais desfavoráveis, como aumento dos índices de baixo
peso ao nascer (BPN – peso ao nascer menor que 2,5 Kg), restrito crescimento intrauterino, recém nascidos pré-termo (RNPT – idade gestacional ao nascer menor que 37
semanas), aborto espontâneo, sofrimento fetal intraparto, parto por cesárea, diabetes
gestacional,
pré eclampsia e dificuldade de amamentação o que influenciou
negativamente sobre o prognóstico infantil, com consequente elevação dos custos do
setor de saúde. (ACCIOLY; LACERDA; SAUNDERS, 2009; YAZLLE; FRANCO;
MICHELLAZO, 2009)
Quanto à questão social, a gravidez nesta época pode ocasionar repercussões
sociais negativas na evolução pessoal, profissional e no núcleo familiar (YAZLLE et al,
2004). Altas taxas de evasão escolar também são vistas nesse período, chegando a
aproximadamente 30% (WHO, 2004).
Das complicações que se estendem ao recém-nascido de mães adolescentes,
observa-se aumento na incidência de desnutrição, maus tratos e cuidados, podendo
persistir com o aumento da idade. Na infância, durante o primeiro ano de vida
principalmente, há maior incidência de desnutrição e acidentes domiciliares
(MALAMITSI-PUCHNER; BOUTSIKOU, 2006).
Existem estudos que abordam a questão da repetição da gravidez nessa faixa
etária, e foram observadas as seguintes características comuns às adolescentes que
apresentaram nova gestação: menarca precoce, primeira relação logo após a menarca,
repetição escolar, abandono da educação formal, ocupação não remunerada, família em
condição de pobreza, envolvimento com parceiro mais velho, coabitação com o
parceiro, baixa utilização de preservativo, pai ausente, aborto prévio, ausência de
consulta de puerpério reação positiva da família à gestação e antecedência familiar de
gestação na adolescência (PERSONA; CHIMO; TARALLO, 2004). Essas informações
precisam ser consideradas para propostas de programas de atenção a adolescentes,
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
visando à prevenção da gravidez e sua repetição (YAZLLE; FR ANCO;
MICHELLAZO, 2009).
Tendo em vista o desenvolvimento tecnológico que hoje presenciamos no
campo da contracepção e dados os avanços no âmbito da saúde sexual e reprodutiva,
disponibilizar
informações
e
meios
de
acesso
relacionados
aos
métodos
anticoncepcionais existentes é essencial para uma proposta de prevenção. De modo a
oferecer escolhas, gerando segurança para que os jovens possuam a capacidade de
reproduzir, porém com a liberdade para tomar suas próprias decisões quanto ao seu
melhor momento (BERLOFI et al,2006).
Em 2007, dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelavam que cerca de
25% das internações de parto e puerpério registradas correspondiam a adolescentes
entre 10 e 19 anos. (ACCIOLY; LACERDA; SAUNDERS, 2009).
Visto a importância do tema em questão, este trabalho tem por finalidade
debater índices atuais de fecundidade em âmbito nacional, estadual, municipal e local.
Exemplificando dados obtidos em uma Unidade de Saúde do Município de Colombo –
PR.
OBJETIVOS
Levantar a ocorrência da situação de gestação na adolescência em unidade de
saúde da família do município de Colombo-PR.
METODOLOGIA
Realizou-se um estudo utilizando como fontes de pesquisa dados eletrônicos
disponibilizados pelo Ministério da Saúde – Saúde da Criança e do Adolescente,
Sistema de Informação da Atenção Básica – SIAB e Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística- IBGE, com o intuito de abordar de forma clara e objetiva os índices de
gravidez na adolescência, realizando uma abordagem de nível nacional, estadual,
municipal e local exemplificando a realidade de uma Unidade de saúde em ColomboPR. Os índices avaliados nesta pesquisa são referentes ao período de 2005 a 2013.
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
Analisou-se então os dados obtidos, visando debater os riscos de uma gestação
indesejada e/ou reincidência gestacional nesta faixa etária.
RESULTADOS
Segundo o Censo de 2010 do IBGE, as adolescentes representam 35,8% do
total de mulheres em idade fértil no Brasil, sendo que 8% já tiveram filhos e 16% destas
já possuem dois ou mais filhos. O que demonstra taxa considerável de reincidência.
De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2005 e 2009 o número de partos
realizados entre adolescentes caiu 22,4% se comparado à década anterior. Já em janeiro
de 2013, o SIAB em seu levantamento apontou a prevalência de 21,5% de gestantes
com idade inferior a 20 anos.
Nas informações estatísticas disponibilizadas pelo SIAB, entre o ano de 2012 e
2013 os índices revelaram uma queda de 22, 9%. O que pode revelar uma maior atenção
para esta questão nesse período, como programas e ações voltadas a este tema. No
estudo realizado por Borges, Nichiata e Shor em 2006 foi evidenciada a presença da
escola como promotora de educação sexual, sendo relatada por 85,9% dos adolescentes
que já participaram de atividades desta natureza. No entanto, quando referida, a escola
apresenta-se de forma predominante como fonte de informações e esclarecimento de
dúvidas sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis DST’s/ AIDS e não como ambiente
de discussões sobre o planejamento familiar. A pesquisa também identificou a
importância da família como fonte de informação sobre sexualidade. O estudo apontou
que os amigos são a escolha para esclarecimento de dúvidas, seguido dos pais, quando
criado um espaço possível de diálogo e em terceira opção o ambiente escolar.
No Paraná, o índice de gestantes adolescentes apontado pelo SIAB, em relação
ao ano de 2010 apresentou uma diminuição de 1% caindo de 21% a 20% em janeiro de
2013 comparado ao total de gestantes. A mesma prevalência foi registrada no Município
de Colombo-PR no ano de 2013.
Num estudo realizado por Aquino et al, em 2003 nos municípios de Porto
Alegre, Rio de janeiro e Salvador onde se entrevistou 4634 jovens (47,2% do sexo
masculino e 52,8% do sexo feminino), a experiência de gestação antes dos vinte anos
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
foi relatada por 21,4% dos homens e 29,5 % das mulheres. Sendo que, na primeira
gestação adolescente, a maioria dos jovens entrevistados não estava planejando a
gravidez (85,6% dos homens e 70,3% das mulheres), porém somente 36,3% dos rapazes
e 31,4% das moças declararam estar em uso de algum método de contracepção por esta
ocasião. Torna-se importante destacar que a maioria das gestações ocorreram durante
relacionamentos afetivos e não em relações eventuais, sendo que em relação as
mulheres, 56,2% foram com o parceiro que se iniciaram sexualmente. Foi verificada a
diminuição do uso de contraceptivos conforme o tempo de relacionamento com o
mesmo parceiro.
Já em âmbito local, em uma Unidade de Saúde no município de Colombo - PR
a análise do total de gestantes cadastradas, quanto ao número de gestantes com idade
inferior a 20 anos, revelou o índice de 36% com relação ao total, registrando uma
acentuada prevalência na região.
Segundo o Ministério da Saúde, filhos de mães muito jovens são mais
propensos a morrer de desnutrição e problemas infecciosos no primeiro ano de vida
(MS,1999). Informação esta que pode ser confirmada pelo Censo de 2010 do IBGE que
apresentou um percentual de 2,5 de nascidos mortos entre o total de filhos tidos por
mães adolescentes, representando assim 0,9 % do total de nascidos mortos.
CONCLUSÃO
A adolescência repleta de novos desafios, desejos e aprendizagens representa
uma fase de construções, tanto da própria identidade do jovem, quanto dos processos de
preparação para uma vida adulta plena. Nela se definem as oportunidades de um futuro
profissional e as perspectivas da obtenção de uma situação financeira adequada que
garanta qualidade de vida. Sendo assim, este período possui extrema importância, no
sentido de garantir a preparação do indivíduo para que, de forma independente, consiga
fazer as melhores escolhas para seu futuro.
A educação em saúde pode colaborar na prevenção de muitas situações
indesejáveis e que podem gerar risco de adoecimento. A gravidez na adolescência pode
acarretar problemas de saúde para a mãe e para a criança, sobretudo em situações de
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
maior vulnerabilidade relacionadas à questões sociais, psicológicas e de saúde mais
críticas. A prevenção da gestação na adolescência deve também ser discutida nos casos
dos primeiros relacionamentos afetivos, visando o planejamento familiar, visto que a
maioria das gestações em menores de 20 anos se fazem dentro deste cenário.
Considerando a importância deste público e os riscos à saúde a que estão
expostos, programas e ações visando à prevenção e a informação do adolescente devem
ser fortalecidos, de modo que a escola não seja o único lugar de informação segura
sobre sexualidade para os adolescentes. A responsabilidade por este grupo deve ser
realizada de forma intersetorial entre escolas, unidades de saúde, pais e comunidade. A
promoção de uma educação sexual mais adequada ao momento de vida em que vive o
adolescente deve ser uma meta a ser atingida. Torna-se fundamental também a
utilização de uma abordagem mais humanizada e acolhedora por parte dos setores da
educação e da saúde sobre a temática, no sentido de se evitar constrangimentos por
parte dos adolescentes quando o assunto é tratado e para que haja o devido
esclarecimento das dúvidas mais recorrentes.
As unidades de saúde da família podem contribuir muito neste aspecto,
trabalhando essa temática junto às famílias de sua área de abrangência, cumprindo,
dessa forma, seu papel perante a sociedade no sentido de promover a abordagem mais
adequada para todos os assuntos que envolvem o planejamento familiar.
PALAVRAS CHAVE: Gestação; Adolescência; Educação Sexual; Planejamento
Familiar; Colombo-PR.
REFERÊNCIAS
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Pediatria. 2ª ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica: Guanabara Koogan, 2009.
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sociais. Cad. de Saúde Pública, Rio de janeiro, 19(Sup. 2):S377-S388, 2003.
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ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
BERLOFI, L. M. ALKMIN, E. L C. BARBIÉRI, M. GUAZZELLI, C. A. F. ARAUJO,
F. F. Prevenção da reincidência de gravidez em adolescentes: efeitos de um Programa
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http://www.brasil.gov.br/sobre/saude/saude-da-crianca-e-do-adolescente/gravidez-naadolescencia, acessado em 04 de março de 2013.
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_______. Ministério da Saúde - Sistema de Informação da Atenção Básica - SIAB.
Disponível em http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?siab/cnv/SIABSPR.def ,
acessado em 10 de abril de 2013.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. CENSO 2010 Disponível
em http://www.ibge.gov.br/paisesat/main_frameset.php Acesso em: 14 de abril de 2013
MALAMITSI-PUCHNER, A., BOUTSIKOU, T. Adolescent pregnancy and perinatal
outcome. Pediatr Endocrinol Rev. 3 Suppl 1:170. 2006.
MICHELAZZO D, YAZLLE MEHD, MENDES MC, PATTA MC, ROCHA JSY,
MOURA MD. Indicadores sociais de grávidas adolescentes: estudo caso-8. controle.
Rev Bras Ginecol Obstet. 26(8):633-9. 2004.
PERSONA, L., SHIMO, A.K., TARALLO, M.C. Perfil de adolescentes com repetição
da gravidez atendidas num ambulatório de pré-natal. Rev Latino-am Enfermagem.
12(5):745-50. 2004.
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________. World Health Organization. Discussion papers on adolescence. Nutrition in
adolescence- issues and challenges for the health sector: issues inadolescent health and
development. Geneva. WHO, 2005.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
YAZLLE, M.E.H.D; FRANCO, R.C; MICHELLAZO, D. Gravidez na adolescência:
uma proposta para prevenção. Rev Bras Ginecol. Obstet. 2009; 31(10):477-9, 2009.
Eixo temático: Saúde da Mulher
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
ACOMPANHAMENTO PRÉ-NATAL ENTRE MÃES DE MENORES DE UM
ANO DE IDADE QUE EVOLUÍRAM PARA ÓBITO35.
Jéssica Andrade Tizziani36
Rosângela Aparecida Pimenta Ferrari37
Flávia Lopes Sant’Anna38
Bianca Martins Marcos
Evanilde dos Santos Carneiro39
Bianca Martins Marcos40
INTRODUÇÃO
O acompanhamento pré-natal foi criado com o intuito de que toda gestação
termine com o nascimento de um bebê saudável e sem danos á saúde da mãe. É de
extrema importância que a mulher realize o pré-natal, pois, isso pode evitar problemas,
além de oferecer a gestante mais tranquilidade e confiança durante esse período tão
especial (BRASIL, 2001).
O principal objetivo da assistência pré-natal é acolher a mulher precocemente,
ou seja, desde a confirmação de sua gravidez, pois é um período de mudanças físicas e
emocionais, que cada gestante vivencia de forma diferente. Essas transformações podem
gerar medos, dúvidas, angústias, fantasias ou simplesmente a curiosidade de saber o que
35
Trabalho extraído do Projeto de Pesquisa: “Mortalidade Infantil: trajetória percorrida do adoecimento
ao óbito, Londrina-PR”, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG), Universidade Estadual de
Londrina-UEL, Paraná, Brasil.
36
Estudante do 3º ano do curso de Enfermagem. Colaborador do Projeto. Departamento de Enfermagem,
Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil. Endereço:Rua.
Pará, 1907, Centro, CEP: 86020410. Email: Jé[email protected]
37
Enfermeira, Doutora. Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da
Saúde, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
38
Enfermeira. Mestre. Professor Auxiliar do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da
Saúde, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
39
Estudante do 3º ano do curso de Enfermagem. Colaborador do Projeto. Departamento de Enfermagem,
Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil. Endereço:Rua.
Uruguai, 674, Centro, CEP: 86010-210. Email: [email protected]
40
Estudante do 3º ano do curso de Enfermagem. Colaborador do Projeto. Departamento de Enfermagem,
Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil. Endereço:Rua.
Pará, 1907, Centro, CEP: 8602410. Email: [email protected]
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
acontecerá com seu corpo durante esse período. Para que ocorra uma gravidez segura,
são necessários cuidados da própria gestante, do parceiro, da família e, especialmente,
dos profissionais de saúde (BRASIL, 2000).
Uma atenção pré-natal e puerperal qualificada e humanizada se dá por meio da
incorporação de condutas acolhedoras e sem intervenções desnecessárias. Portanto,
deve incluir ações de prevenção e promoção da saúde, além de diagnóstico e tratamento
precoce e adequado dos problemas que poderão ocorrer neste período (Brasil 2005).
Além disso, durante o pré-natal, a gestante recebe informações sobre cuidados
importantes como o aleitamento materno, alimentação balanceada e a prática de
exercícios físicos. Assim sendo, há a necessidade de que a equipe de assistência seja
treinada e preparada para o trabalho educativo e aborde, nas consultas, assuntos que
envolvam a importância do pré-natal, sexualidade, desenvolvimento da gestação,
modificações corporais e emocionais, sinais e sintomas do parto, cuidados com o
recém-nascido, entre outros, a fim de cessar todas as dúvidas, mitos e medos da gestante
(BRASIL, 1998).
Com relação aos exames, estes são realizados já quando é detectada a gravidez
e são fundamentais em termos de prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto
maternas como fetais, possibilitando o desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo
os riscos de morbimortalidade materna. São eles os testes de sangue, grupo sanguíneo,
coombs indireto (se necessário), glicemia, VDRL, urina, sorologia anti-HIV (que
identifica presença do vírus da Aids), sífilis, hepatite B e C, toxoplasmose, rubéola e
estreptococos, além de outros solicitados quando a gestante for de alto risco, como é o
caso de obesidade, diabetes, problemas cardíacos e histórico de aborto. Nesses casos o
pré-natal requer maior atenção e a gestante deve ser encaminhada para hospitais ou
centros de saúde que possam cuidar melhor da gestação (VANNESTE et al, 2000).
Visto que a mortalidade materna e infantil é um importante indicador de saúde
e de realidade social de um país por estar relacionado ao nível socioeconômico, a
qualidade da assistência, a iniquidade entre os gêneros, qualidade e acesso aos serviços
de saúde e a determinação política de promoção da saúde pública, teoricamente a
assistência pré-natal de qualidade, de fácil acesso, poderia reconhecer precocemente os
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sinais ou os fatores de risco para morbidade e mortalidade materna, permitindo, dessa
forma, que intervenções apropriadas fossem instituídas. Infelizmente, a efetividade da
detecção das condições gestacionais parece não estar sendo eficaz para prevenir as
mortes maternas e infantis, além de não garantir o emprego adequado dos recursos.
Entretanto, não se pode ignorar seu valor na detecção e tratamento das complicações
relacionadas à gravidez, além de permitir o correto planejamento do parto com
atendimento institucional apropriado (BRASIL, 2005).
No Brasil, vem-se registrando aumento do número de consultas de pré-natal
por mulher que realiza o parto no SUS, partindo de 1,2 consultas por parto em 1995
para 5,1 consultas por parto em 2003 (SIA-Datasus e AIH-Datasus, 2004).
Apesar da ampliação na cobertura, ainda há comprometimento da qualidade de
atenção, que pode ser identificado através do número expressivo de mortes, fazendo,
ainda, parte da realidade social e sanitária de nosso País. Muitas mortes ainda ocorrem
por causas evitáveis, que são aquelas passíveis de prevenção e/ou tratamento,
principalmente em relação às ações dos serviços de saúde e, entre elas, a atenção prénatal, as campanhas de vacinação, estímulo ao aleitamento materno e controle das
doenças infecciosas (BRASIL, 2002).
No intuito de uma melhor efetivação do programa, o Ministério da Saúde
lançou, em 2000, o Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento (PHPN) que
incentiva as gestantes a buscarem o Sistema Único de Saúde (SUS) e determina que seja
preconizado que toda mulher tenha direito ao serviço de pré-natal gratuito e realize, no
mínimo, 6 consultas (BASIL, 2000). Ele é baseado nas análises das necessidades de
atenção específica à gestante, ao recém-nascido e à mulher no período pós-parto e tem
como objetivo: reduzir as altas taxas de morbimortalidade materna e perinatal; assegurar
a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da
assistência ao parto, puerpério e neonatal; e ampliar os investimentos nas redes
estaduais de assistência à gestação de alto risco e nas unidades hospitalares integrantes
destas redes incrementando o custeio de procedimentos específicos (BRASIL, 2007).
Portanto, a equipe de cada unidade deve ser sensibilizada para o programa e possibilitar
efetividade de seus fundamentos, causando assim repercussões positivas, como: maior
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adesão ao pré-natal, captação precoce das gestantes e melhor qualidade na assistência
(BRASIL, 2002).
Outro recurso, na verdade um compromisso proposto pelo Governo Federal foi
o “O Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil” que tem por objetivo articular os
atores sociais, mobilizados em torno da melhoria da qualidade de vida de mulheres e
crianças, na luta contra os elevados índices de mortalidade materna e neonatal no Brasil.
Tem por princípios o respeito aos direitos humanos de mulheres e crianças; a
consideração das questões de gênero, dos aspectos étnicos e raciais e das desigualdades
sociais e regionais; a decisão política de investimentos na melhoria da atenção obstétrica
e neonatal; e a ampla mobilização e participação de gestores e organizações sociais
(BRASIL, 2007).
Por fim as ações de saúde devem estar voltadas para a cobertura de toda a
população-alvo da área de abrangência da unidade de saúde, assegurando continuidade
no atendimento, acompanhamento e avaliação dessas ações sobre a saúde materna e
perinatal (BRASIL, 2001).
OBJETIVO
Caracterizar o pré-natal entre mães de crianças menores de um ano de idade
que evoluíram para óbito.
METODOLOGIA
Este é um estudo retrospectivo quantitativo baseado em dados da cidade de
Londrina, Paraná, no período de 2000 a 2009. Foi realizado o levantamento e
agrupamento dos dados a partir da Declaração de Nascido Vivo (DN), da Declaração de
Óbito (DO) e das Fichas de Investigação de Óbito Infantil do Comitê Municipal de
Prevenção de Mortalidade Materna Infantil (CMPMMI), arquivada no Núcleo de
Informação de Mortalidade (NIM), da Secretaria de Saúde do município.
Os dados foram coletados em formulário previamente testado, sendo
digitalizados em dupla entrada no programa computacional Epi Info®. Em seguida, os
dados serão apresentados em números absolutos e proporções, em forma de tabelas e/ou
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gráficos. O programa Microsoft Office Excel® também viabilizou o processamento
eletrônico das variáveis, SSPS®. Para análise utilizou-se apresentação em números e
porcentagens.
As variáveis foram agrupadas em: faixa etária, escolaridade da mãe, situação
conjugal, realização ou não de consultas pré-natais, trimestre de início e número de
consultas pré-natais, afecções maternas, idade gestacional, classificação de evitabilidade
e período do óbito.
A pesquisa foi submetida à análise da Diretoria de Atenção à Saúde sob da
Autarquia Municipal de Saúde de Londrina e do Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Estadual de Londrina CEP/UEL, tendo sido aprovado em 19 de março de
2012 o número CAAE: 01079112.3.0000.5231.
RESULTADOS
No período de 2000 a 2009 ocorreram 783 óbitos infantis. Desse total obtevese a informação, nas fichas de Investigação do Óbito Infantil, que 719 mães dos
menores de 1 ano de idade haviam realizado o acompanhamento pré-natal.
Quanto às variáveis sociodemográficas maternas observou-se que 308 (39,3%)
das mulheres tinham idade maior que 28 anos, seguido de 299 (38,2%) com idade entre
20 e 27 anos e 176 (22,5%) com menos de 19 anos. Em relação à escolaridade 516
(65,9%) haviam concluído 8 anos ou mais de estudo e 267 (34,1%) menos de 7 anos.
Do total 631 (80,6%) tinham parceiro conjugal. A maioria das mães, 393 (71%),
disseram possuir renda familiar igual ou inferior a 3 salários mínimos e 160 (28%)
renda maior que 4 salários mínimos.
Em relação ao pré-natal 719 (91,8%) das mulheres realizaram o pré-natal,
sendo que destas, 546 (70,4%) iniciaram no 1° trimestre de gestação, 152 (19,6%) no 2°
semestre e 4 (0,5%) no 3° trimestre. Para 395 (55,1%) mulheres o número de consultas
foi igual ou menor que 6, sendo que destas 127 (32,1) fizeram menos que 4 e 322
(44,9%) sete ou mais.
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Do total das mulheres do presente estudo 644 (82,2%) apresentaram afecções
durante a gestação. Os nascimentos com 36 semanas ou menos de gestação ocorreram
em 466 (70,0%) crianças e com 37 semanas ou mais 200 (30,0%).
O óbito no período neonatal precoce (0 a 6 dias de vida) ocorreu para 395
(50,4%) crianças, para 143 (18,3%) no neonatal tardio (7 a 27 dias) e para 245 (31,3%)
no pós-neonatal (28 a 365 dias). Um dado preocupante foi que, o óbito em 581 (74,2%)
dos casos, foi considerado evitável mediante assistência adequada durante a gestação e
parto.
CONCLUSÃO
Tem-se observado que a assistência pré-natal de qualidade é de extrema
importância para a evitabilidade da mortalidade materno-infantil. Estudos apontam que
ações de prevenção e promoção são essenciais para a diminuição desse índice, já que,
em países desenvolvidos, onde a assistência é efetiva e a disponibilidade financeira é
elevada, as causas principais de mortes são consideradas não evitáveis, ou seja,
impossibilidade de sobrevida.
É possível identificar, na literatura, apontamentos que indicam que, no Brasil,
as condições socioeconômicas das gestantes estão diretamente relacionadas com a taxa
de mortalidade, visto que, em sua maioria, apresentam renda salarial reduzida, baixo
nível de escolaridade, precocidade da gestação e não adesão ao serviço de pré-natal. O
presente estudo revelou que, no município de Londrina, alguns desses fatores condizem
com a realidade nacional, entretanto, alguns dados como idade e escolaridade materna
não foram relevantes, pois, a minoria das mulheres possuía menos que 19 anos de idade.
Em relação às consultas pré-natais, a maioria realizou, contudo vale ressaltar que o
número realizado foi, na grande maioria, menor que 6 consultas e o Ministério da Saúde
preconiza no mínimo sete.
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a maior parte dos óbitos neonatais
ocorre no período neonatal precoce e sua maioria é considerada evitável. Isso também
pode ser evidenciado nesse estudo, e podemos destacar que a redução da mortalidade
neonatal é um desafio para o Brasil e a assistência básica ainda necessita de
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investimentos financeiros, de recursos humanos e da mobilização de gestores na
promoção de políticas e ações que busquem a melhoria da qualidade de vida da
população em geral.
Palavras-chaves: Mortalidade Infantil; Mortalidade Materna; Pré natal.
REFERÊNCIAS
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_______. Ministério da Saúde. Assistência Pré-Natal Manual Técnico. Brasília, 2000.
_______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e Puerpério:
atenção qualificada e humanizada - manual técnico/Ministério da Saúde, Secretaria
de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas – Brasília:
Ministério da Saúde, 2005.
_______. Ministério da Saúde. Assistência pré-natal: normas e manuais técnicos.
Brasília, 1998.
_______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e Puerpério:
atenção qualificada e humanizada – manual técnico/Ministério da Saúde, Secretaria de
Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas – Brasília:
Ministério da Saúde, 2005.
_______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco / Ministério da Saúde. Secretaria
de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Editora do
Ministério da Saúde, 2012.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde
da Mulher. Implantação do Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento.
Brasília, 2002.
_______. Ministério da Saúde. Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e
Neonatal. Brasília, 2007.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
VANNESTE, A.M.; RONSMANS, C.; CHAKRABORTY, J.; DE FRANCISCO, A.
Pre natal screening in rural Bangladesh: from prediction to care. Health Policy Plan.
2000, v15, n1, p.1-10.
Eixo temático: Saúde da Mulher
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A ENFERMAGEM NO CUIDADO HUMANIZADO DURANTE A PREVENÇÃO
DO CÂNCER CÉRVICO UTERINO E DE MAMA
Juliana Roberta Junges41
Jéssica Cristina Ruths42
Poliana Deves43
Sebastião Caldeira44
INTRODUÇÃO
Considera-se hoje o câncer um grave problema de saúde pública, devido ao fato de
que este representa a segunda causa de morte por doença, de modo que este fica atrás
apenas das doenças cardiovasculares. De acordo com Valente, Adrade, Soares e Silva
(2009) no Brasil, o câncer de mama representa a principal neoplasia maligna em
mulheres, sendo o segundo lugar ocupado pelo câncer de colo do útero, que se evidencia
a partir dos 20 anos de idade e apresenta seu maior risco entre 25 e 49 anos, sendo
responsável pelo óbito de aproximadamente 230 mil mulheres ao ano.
O exame especular para a prevenção das repercussões físicas e psicológicas do
câncer cérvicouterino “Papanicolaou”, o exame clínico de mama e o encaminhamento
para mamografia apresentam baixo custo e são simples se comparados ao tratamento da
doença em fase mais avançada. O enfermeiro em parceria com a equipe de saúde e a
comunidade pode desenvolver um trabalho importante na busca da prevenção destes
agravos.
Segundo Bim C. R. et al (2010), o câncer de mama é a principal causa de morte em
mulheres brasileiras, acompanhado de câncer de pulmão, cólon e reto e colo uterino. O
câncer de mama apesar de ter um bom prognóstico se diagnosticado e tratado
precocemente, ainda está sendo detectado tardiamente, o que prejudica seu tratamento,
acarretando índices elevados de morte entre as mulheres brasileiras.
De acordo com Bim C. R. et al (2010) e Brasil (2006), a prevenção do câncer
cérvicouterino é possível, pois sua evolução em geral ocorre de forma lenta, com fases
41
o
Acadêmica do 5 Ano do Curso de Enfermagem – Unioeste – Campus de Cascavel PR. Email:
[email protected] Endereço: Rua Pedro Miranda, 801 – Coqueiral, Cascavel, Paraná. Tel.: (45)
99220516
42
o
Acadêmica do 5 Ano do Curso de Enfermagem – Unioeste – Campus de Cascavel PR.
43
o
Acadêmica do 5 Ano do Curso de Enfermagem – Unioeste – Campus de Cascavel PR.
44
Enfermeiro Obstétra. Doutor em Ciências – Cuidado em Saúde – PPGE-EEUSP. Professor Adjunto A –
Enfermagem em Ginecologia e Obstetrícia – Unioeste – Campus de Cascavel PR.
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pré-clínicas detectáveis, exibindo expressivo potencial de cura no início frente aos
demais tipos de câncer.
A Humanização na saúde significa a valorização da qualidade técnica e ética do
cuidado, aliada ao reconhecimento dos direitos do/a usuário/a, de sua subjetividade e
referências culturais, garantindo o respeito às questões de gênero, etnia, raça, situação
econômica, orientação sexual e a grupos populacionais como indígenas, trabalhadores,
quilombolas, ribeirinhos e assentados. (BRASIL, 2006)
Ainda de acordo com Brasil, (2006, p. 07)
a concretude dessa política se dá por meio de seus dispositivos - tecnologias,
ferramentas e modos de operar. Dentre esses se destaca o “acolhimento”, que
se caracteriza como um modo de operar os processos de trabalho em saúde de
forma a dar atenção a todos/as que procuram os serviços de saúde, ouvindo
suas necessidades – escuta qualificada – e assumindo no serviço, uma postura
capaz de acolher, escutar e pactuar respostas mais adequadas com os/as
usuário/as. O acolhimento não é um espaço ou um local, mas uma postura
ética, não pressupõe hora ou um profissional específico para fazê-lo, implica
compartilhamento de saberes, necessidades, possibilidades, angústias e
invenções.
Sendo, portanto o acolhimento, e os demais preceitos das políticas de
humanização do SUS, visadas e colocas em prática durante as atividades realizadas
pelas acadêmicas. A atuação do enfermeiro na saúde da mulher permite, também,
atender a mulher integralmente, levando em conta aspectos sociais, culturais e
econômicos, além de diagnosticar algumas doenças sexualmente transmissíveis,
possibilitando a orientação adequada e se necessário, se houver um protocolo
institucional ele poderá realizar o tratamento não só da mulher, mas também de seu
parceiro.
OBJETIVOS
Partilhar a experiência vivenciada pelas acadêmicas do Curso de Enfermagem,
durante o atendimento ginecológico à mulher. Através deste, almeja-se evidenciar e
incentivar os benefícios do atendimento humanizado na saúde da mulher.
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METODOLOGIA
Como recursos metodológicos, utilizou-se o relato de experiência a fim de descrever
a experiência vivenciada pelas acadêmicas de Enfermagem do Curso de Enfermagem da
Unioeste – Campus de Cascavel PR em Atividades Práticas Supervisionadas (APSs) em
Enfermagem em Ginecologia e Obstetrícia entre o período de maio a junho de 2012. Os
atendimentos realizaram-se de segunda e quarta feira com média de seis atendimentos
por aluno, incluindo consulta e retorno com os resultados dos exames.
Foram
atendidas
mulheres
desde
a
adolescência,
período
fértil,
climatério/menopausa, fase adulta e mulheres idosas, desde que já tiveram atividade
sexual durante algum momento da vida.
Importante ressaltar que as mulheres
Histerectomizadas (retirada cirúrgica do útero, seja parcial ou total, ou total com
anexectomia “retirada dos anexos – trompas e ovários”), também puderam realizar o
exame. Afinal a mulher é um todo e não somente a soma de partes e não pode ser
fragmentada (útero e mamas) - mas sim a mulher inteira no aspecto biopsicossocial no
sentido da humanização.
O cuidado humanizado conforme Brasil (2004) foi o foco para o
desenvolvimento das nossas atividades. Assim sendo o cuidado de Enfermagem em
ginecologia realizou-se por meio do Exame clínico das mamas, orientação sobre o Auto
Exame das Mamas – AEM, encaminhamentos para mamografia, exame especular com a
coleta de material para o exame de prevenção do câncer cérvicouterino – Papanicolaou,
tratamentos conforme rotina e protocolo do Ministério da Saúde para o Enfermeiro
Obstetra, bem como os encaminhamentos para a equipe médica quando necessário.
RESULTADOS
As políticas de controle ao canceres, de mama e cérvico uterino, tratam, de acordo
com Valente, Andrade, Soares e Silva (2009) das seguintes diretrizes: aumento da
cobertura da população-alvo; garantia da qualidade; fortalecimento do sistema de
informação; desenvolvimento de cursos de capacitação; desenvolvimento de pesquisas e
mobilização social.
De maneira que estas são compostas por ações a serem
desenvolvidas, nos distintos níveis de atenção à saúde, sendo a atenção primária a porta
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de entrada das pacientes no sistema, bem como o nível de atenção onde a prevenção
deve caracterizar a principal estratégia de ação.
Neste sentido é fundamental que os serviços de saúde estejam estruturados para
orientar a população a respeito do exame preventivo, enfatizando sempre que a
realização periódica deste é um fator facilitador da redução da mortalidade por câncer
do colo do útero e de mama na população de risco.
Partindo-se do princípio de que a prevenção tem se destacado como a melhor
estratégia contra o câncer de colo uterino o presente trabalho, teve importante papel em
estratégias locais voltadas a saúde da mulher, integrando as propostas do Ministério da
Saúde.
Durante as atividades foram atendidas vinte e seis mulheres, de 18 à 56 anos, ou
seja, foi possível que as alunas tivessem contato variadas faixas etárias consideradas de
risco. Entre estas mulheres doze (46,2%) retornaram com o resultado do exame
citopatológico de colo de útero, evidênciando ainda a necessidade de se trabalhar em
cima da prevenção e da necessidade de continuidade dos tratamentos.
No que se refere aos resultados clínicos, oito mulheres (66,7%) não possuíam
nenhuma patologia ou alteração no resultado. Entretanto três (25%) foram diagnosticas
laboratorialmente com Gardnerella Vaginalis. Uma (8,3%) retornou para consulta e foi
diagnosticada clinicamente com Candidíase. Diante destes quadros, foi possível realizar
atendimento clínico de enfermagem a diversas patologias, bem como foi possível
realizar ações de atenção psicológica a mulheres portadoras de doenção sexualmente
transmissíveis.
Durante os atendimentos clínicos, e após o retorno com resultado laboratorial, seis
mulheres receberam tratamento medicamentoso, uma com Fluconazol V.O. e Miconazol
V.V. para Cândida Albicans e cinco mulheres tratadas com Tinidazol 2 g V.O.
juntamente com seus parceiros sexuais, e a mulher recebeu creme vaginal de
Metronidazol para tratamento de Gardnerella Vaginalis. Os tratamentos foram
realizados conforme protocolos para prescrição dos enfermeiros obstetras.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
As mulheres diagnósticas dom doenças sexualmente transmissíveis (DST) receram
orientações específicas sobre a patologia que às acometia, bem como sobre o
acompanhamento mais criterioso, para prevenção de câncer cérvico uterino.
Segundo Brasil (2006), estudos de prevalência mostram que mulheres com DST
apresentam lesões precursoras do câncer do colo do útero cinco vezes mais
freqüentemente do que aquelas que procuram outros serviços médicos. Portanto,
justifica-se a atenção redobrada com mulheres que apresentam DST, estas têm maior
risco para câncer do colo do útero, principalmente se houver infecção pelo HPV
(Papilomavírus Humano). É razoável que mulheres com DST sejam submetidas à
citopatologia mais frequentemente, pelo seu maior risco de serem portadoras de câncer
do colo do útero ou de seus precursores.
O atendimento as mulheres, prezou a valorização das queixas das mulheres, através
da escuta de queixas, não desvalorização de seus problemas e reconhecimento seus
direitos e esclarecimentos em linguagem simples de fácil entendimento. As decisões
sobre ações, dentro dos limites terapêuticos foram realizados de maneira compartilhada.
Por meio das atividades, foi possível participar do atendimento às necessidades de saúde
definidas tecnicamente, contemplando promoção, prevenção, tratamento e reabilitação.
CONCLUSÃO
Conclui-se, portanto que a enfermagem tem papel importante na busca do
atendimento integral à mulher, levando em consideração seu âmbito social, econômico e
cultural.
Nesse contexto, a enfermagem, por sua formação mais generalista com
competência e habilidade para atuar em diversas áreas da saúde, especialmente no
cuidado à mulher em todo o ciclo de vida, de forma mais humana e mais voltada para a
educação em saúde, pode contribuir efetivamente para a melhoria dos números de
agravos as mulheres em ginecologia – em especial no câncer de mama e cervicouterino.
Todavia, é necessária também a ação do poder público, que deve se voltar para a
população mais necessitada e mais vulnerável por sua pouca escolaridade e baixa
condição socioeconômica. Só assim pode-se cumprir um dos princípios básicos da
Constituição Brasileira, de que a saúde é um direito de todos e dever do Estado.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
Palavras Chaves: Enfermagem; Prevenção; Câncer cérvico Uterino; Câncer de Mama
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http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342009000600008.
Eixo Temático: Saúde da Mulher
Disponível
em:
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
DISMENORRÉIA EM MULHERES JOVENS
Juliana Cristina Frare1,
Aniele Tomadon2,
Joseane Rodrigues da Silva3,
Letícia Dubay Murbach4
INTRODUÇÃO
O termo dismenorreia significa menstruação difícil e dolorosa acompanhada ou não de
manifestações gerais. Caracteriza-se como uma dor em região abdomino-pélvica, crônica e
cíclica associada à menstruação, comumente chamada de cólica menstrual. Em torno de 50% a
90% da população feminina experimenta este quadro álgico em alguma fase da vida (VIANNA
et al., 2008), constituindo uma das principais queixas ginecológicas observada nos consultórios
médicos (STEPHENSON E O´CONNOR, 2004).
Segundo Ribeiro e Rezende (1996) a dismenorréia pode ser classificada em primária e
secundária, com seus graus variando entre leve, moderado e severo.
A dismenorreia primária é definida como menstruação dolorosa em mulheres com
anatomia pélvica normal, com início, normalmente, durante a adolescência. Mulheres com
dismenorreia primária têm a atividade do músculo uterino aumentada com aumento da
contractilidade e frequência das contrações. Prostaglandinas são lançadas durante a menstruação
devido à destruição das células endometriais e ao lançamento resultante de seus conteúdos
(FONSECA; BANGNOLI, 1999).
A dismenorreia secundária é a dor menstrual associada à patologia subjacente, seu
início pode se dar anos após a menarca e está relacionada a alterações do sistema reprodutivo
como a endometriose, doenças de inflamação pélvica, dispositivos intrauterinos, ciclos
irregulares, problemas de infertilidade, cistos ovarianos, adenomiose, miomas uterinos ou
pólipos, aderências intrauterinas e estenose cervical (VIANNA et al, 2008).
A dor menstrual no grau leve não compromete as atividades habituais da mulher, no
grau moderado a dor interfere nas atividades diárias e pode durar todo o ciclo menstrual, já no
grau severo a dor não permite o desempenho normal e pode levar a alterações em diversos
sistemas do organismo. Estudos sobre a prevalência e gravidade da dor menstrual mostram que
muitos fatores podem estar relacionados a este distúrbio, os quais incluem uma idade mais
jovem, tabagismo, menarca precoce, fluxo menstrual intenso ou prolongado, queixas somáticas
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perimenstrual, distúrbios psicológicos e influência genética (LATTHE et al, 2006; TONINI,
2002).
O desconforto físico originado pela dismenorreia pode levar ao absenteísmo (escolar e
laboral) o que gera impactos sociais que desestabilizam as relações familiares, restringem o
contato social e interferem nos hábitos e rotinas mensalmente (COCO, 1999).
OBJETIVOS
Este estudo teve por objetivo avaliar a prevalência e intensidade da sintomatologia
dolorosa das cólicas menstruais das acadêmicas do Curso de Fisioterapia da Universidade
Estadual do Oeste do Paraná.
METODOLOGIA.
Trata-se de um estudo descritivo-epidemiológico, de caráter quantitativo. Foi
realizado, no período de junho a julho de 2012, através da aplicação de um questionário
elaborado para o estudo às acadêmicas matriculadas no ano letivo de 2012 no Curso de
Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus Cascavel.
Inicialmente as pesquisadoras entraram em contato com as acadêmicas do curso
para esclarecer às mesmas a importância do estudo, seus objetivos e forma de
realização, então foi aplicado o TCLE.
Na sequência foi entregue o questionário sócio pessoal, composto por 12
questões relacionadas aos dados pessoais e sociais das pacientes e por uma avaliação de
intensidade de dor através da Escala Visual Analógica (EVA).
Todos os dados foram lançados em uma planilha do Programa Excel 7.0
(Microsoft®), e posteriormente analisados em termos de frequências relativas e
absolutas. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas Envolvendo
Seres Humanos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
RESULTADOS
No ano letivo de 2012 matricularam-se no Curso de Fisioterapia da Unioeste 183
acadêmicos, destes 156 (85%) eram do sexo feminino. Do total de acadêmicas do curso, 112
(72%) participaram do estudo.
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Das 112 acadêmicas participantes 80 (71%) afirmaram ter dismenorreia.
A real incidência da dismenorréia é de difícil determinação, devido à variação dos
métodos diagnósticos e ao grande número de mulheres dismenorreicas que não procuram
auxílio médico (IKEDA; SALOMÃO; RAMOS, 1999).
Exite uma grande variação na estimativa da dismenorreia a partir de estudos ao redor do
mundo, os quais apresentam faixas de prevalência que variam entre 28% a 71,7% (PITTS et al,
2008; DAVIS; WESTHOFF, 2001).
Segundo Maio, Moraes e Santos (2012), fatores que podem levar a uma maior variação
de estimativas são a grande diversidade na definição do termo dismenorreia, às diferentes
metodologias utilizadas nos estudos e a faixa etária das amostras estudadas, pois a dismenorreia
esta diretamente ligada à concentração de prostaglandina (PGF2) intrauterina, sendo assim,
quanto maior for a concentração prostaglandinas a dor será mais intensa. Isso explica porque a
dismenorreia é mais comum nas adolescentes, as quais possuem um menor volume uterino,
apresentando assim altas concentrações de prostaglandina (DIEGOLI; DIEGOLI, 2007).
A alta prevalência de dismenorreia (71%) encontrada neste estudo entre as acadêmicas
estudadas é similar a de outros realizados ao redor do mundo que utilizaram faixa etária similar,
como o de Unsal et al (2010), de caráter descritivo e transversal, que observou uma prevalência
de dismenorreia de 72,7% da população estudada e o de Yanez et al (2010) com prevalência de
73% .
A média de idade das acadêmicas que participaram do estudo foi 22,21 anos (± 2,11) e a
média de idade da menarca da população estudada foi 12,37 anos (±1,24). A faixa etária da
menarca encontrada no presente estudo é similar a outros estudos que encontraram valores de
aproximadamente 12 anos, como o de Yanez et al (2010) e o de Rodrigues et al (2011).
Das pacientes com dismenorréia 63 (78,75%) tinham mães com histórico de
dismenorreia e 50 (62,50%) faziam uso de anticoncepcionais. Alguns trabalhos, como o de
Unsal et al (2010), mostram prevalência de dismenorreia em mulheres de um mesmo grupo
familiar. Podendo assim haver relação com algum fator genético, ainda não totalmente
esclarecido.
Com relação à utilização de anticoncepcionais, os resultados encontrados neste estudo
diferem dos encontrados por Brito et al (2012), em seu estudo descritivo, quantitativo,
prospectivo realizado em Pernambuco, onde de uma amostra de 642 acadêmicas com
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
dismenorreia, apenas 128 (23%)
utilizavam anticoncepcionais.
Dado este que pode ser
explicado devido às questões socioculturais locais.
Observou-se neste estudo que 41 (51%) das acadêmicas com dismenorréia entrevistadas
não realizavam nenhum tipo de atividade física.
Segundo estudo de Champman e Syrjala (1990), o hábito de praticar exercícios físicos
pode contribuir para a redução das queixas álgicas, pois a atividade física promove melhor
funcionamento dos órgãos pélvicos e extra pélvicos por adequar o metabolismo, o equilíbrio
hidroeletrolítico, as condições hemodinâmicas e o fluxo sanguíneo, principalmente na região
pélvica. Souza (2009) afirma que a atividade física também pode vir a promover um fenômeno
chamado de analgesia pelo exercício físico, por meio de mecanismos endógenos e de liberação
de opióides que agiriam aumentando o limiar de dor.
Apenas 1 (1,25%) acadêmica entrevistada neste estudo era tabagista. Segundo Harlow
et al (1996) o mecanismo pelo qual o tabaco agravaria a dismenorreia pode estar relacionado
com o efeito
vasoconstritor da nicotina, com consequente redução do
fluxo sanguíneo
endometrial e isquemia local.
Com relação à presença de alterações no sistema reprodutivo: 69 (85%) entrevistadas
referiram não apresentar nenhum tipo de alteração, 9 (11,25%) apresentavam ovário policístico,
2 (2,5%) endometriose e 1 (1,25%) útero retrovertido.
Segundo Vianna et al (2008), a dor menstrual pode estar associada à patologias
subjacentes tais como a endometriose, doenças de inflamação pélvica, problemas de
infertilidade, cistos ovarianos e disfunções uterinas, porém parte dos quadros de dismenorreia
são de origem primária, ou seja, ocorrem em mulheres com anatomia pélvica normal, sem
diagnóstico de patologias associadas e com inínio, em geral, durante a adolescência
(FONSECA; BANGNOLI, 1999).
Na avaliação da EVA, 27 acadêmicas (33,75%) referiram dor intensa (7 - 10), 28 (35%)
dor moderada (4 - 6) e 23 (28,75%) dor leve (0 - 3).
A EVA é classificada como um método de avaliação unidimensional, pois avalia
somente uma das dimensões da experiência dolorosa, a intensidade (LIMA NETO;
GOLDENBERG; JUCÁ, 2003). Para indivíduos jovens, esta escala apresenta alto índice de
validade e confiabilidade (JENSEN; KARROLY; BRAVER, 1986).
Resultados similares aos deste estudo no que diz respeito a intensidade da dor foram
observados em estudo de Unsal et al. (2010), onde 33,8% das participantes apresentam dor leve,
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42,4%
dor moderada e 23,8% dor severa. Em relação à sintomatologia causada pela
dismenorreia 58 (72,50%) entrevistadas neste estudo referiram dores nas costas, 27(33,75%)
cefaleia, 19 (23,75%) fadiga e 17 (21,25%) náuseas.
Segundo French (2005), em mais de 50% dos casos, a dismenorreia é acompanhada de
sintomas como vômitos, cefaleias, diarreia, fadiga e episódios de lipotímia, os quais resultam da
ação das prostaglandinas sobre a musculatura lisa do estômago, intestino e vasos sanguíneos.
34 (42%) acadêmicas participantes do estudo referiram já ter faltado a algum
compromisso devido à dismenorreia.
Resultado similar foi observado por Ortiz, et al. (2010) no qual a mesma porcentagem
de participantes já haviam faltado a compromissos..
A dismenorreia é considerada uma causa comum de absenteísmo por doença tanto em
atividades acadêmicas quanto laborais. O impacto da dismenorreia no absenteísmo das
atividades cotidianas tem sido um tema muito discutido nos últimos anos (UNSAL et al, 2010).
CONCLUSÃO.
A alta prevalência de dismenorreia encontrada neste estudo realizado com uma
população homogenea mostra a importância desta doença entre mulheres jovens.
A dor menstrual interfere e/ou nao permite realização das atividades de vida habituais
em 68,75% das acadêmicas.
A alta taxa de absentísmo relacionada à mesma demonstra que a dismenorreia continua
sendo uma doença de impacto que interfere negativamente nas atividades cotidianas da
população feminina.
PALAVRAS CHAVE: Dismenorréia; mulheres jovens; epidemiologia.
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
PLANEJAMENTO FAMILIAR: AÇÕES E PROGRAMAS VOLTADOS A
PREVENÇÃO DA GESTAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA EM UMA USF
Paula Francislaine Moura¹
Fernanda do Pilar Maciel de Magalhães²
Luna Rezende Machado de Sousa²
Aislane Poplade Pereira de Mattos²
Suelen Braz de Jesus²
Verônica Lima Ramos²
INTRODUÇÃO
Uma questão de saúde pública e de âmbito social já muito comentada mas que
ainda é vastamente discutida é a gravidez precoce ou a dita gravidez na adolescência.
Seja pelo risco materno ou por questões sociais este é um tema de âmbito nacional que
necessita ser tratado com mais atenção de modo a garantir uma diminuição nas taxas de
concepção na faixa etária de 10 a 19 anos garantindo a ordem cronológica e biológica
correta a fim de garantir mais estabilidade psicossocial a mãe bem como presar pela
saúde de ambos. (WHO, 2005; ACCIOLY; LACERDA; SAUNDERS, 2009)
Segundo Ministério da Saúde considera-se em idade fértil pessoas do sexo
feminino de 10 a 49 anos sendo consideradas adolescentes segundo a OMS pessoas de
10 a 19 anos. Com base em dados recentes contabiliza-se que dos 198.360.943
habitantes do Brasil 100.805.716 são do sexo feminino sendo que 70.533.725
encontram-se em idade fértil (CENSO, 2010).
Atualmente tem-se visto que a iniciação sexual ocorre frequentemente no
período da adolescência sendo que o número de adolescentes em vida sexual ativa tem
aumentado de maneira significante nos últimos anos, fato este que é motivo de
preocupação visto que além da ocorrência de uma gestação indesejada deve-se atentar
para a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis. Esse aumento nas
estatísticas ao longo do tempo tem causado muita preocupação por parte dos
profissionais de saúde sendo que motiva a realização de estudos mais aprofundados
sobre o assunto a fim de identificar a magnitude do problema de modo que dessa forma
pode-se oferecer meios para conscientização tanto dos profissionais de saúde e de outras
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
áreas bem como da população de um modo geral tornando dessa forma cada vez mais
viável a adoção de ações preventivas (YAZLLE; FRANCO; MICHELLAZO, 2009).
Outra preocupação em crescimento é a reincidência gestacional neste mesmo
grupo visto que em estudo já publicado avaliou-se um número relativo de adolescentes
dos quais pode-se obter resultados para realização de programas de atendimento
direcionado para este público visando a prevenção da gestação e abrangendo a sua
repetição sendo que a última bem como a primeira podem ser prevenidas considerando
a inclusão dessa faixa etária nos programas de assistência à saúde da mulher com ênfase
a contracepção e orientação sexual devendo-se considerar essas práticas como uma das
prioridades em atenção primaria à saúde (BRUNO et.al, 2009).
Assegurado pela Constituição Federal e pela Lei n° 9.263, de 1996, o
planejamento familiar caracteriza-se por ser um conjunto de ações que auxiliam pessoas
que pretendem ter filhos ou que preferem adiar por algum tempo a concepção. Sendo
assim além de evitar uma gravidez não planejada e auxiliar na prevenção de gestações
de alto risco também promove uma maior intervalo entre os partos e ainda garante que o
casal tenha somente o número de filhos que planejou (MS, PORTARIA Nº 426/GM
2005).
Desta forma, o trabalho a seguir discorre sobre alguns índices de gravidez na
adolescência tomando como exemplo dados de uma Unidade Saúde da Família em
Colombo PR, a importância de um programa especificamente para adolescentes e o
métodos contraceptivos e seu acesso no Sistema Único de Saúde (SUS).
OBJETIVOS
Realizar um levantamento dos programas de planejamento familiar existentes e
as ações desenvolvidas tanto em âmbito nacional como no município de Colombo-PR
voltadas à planejamento familiar e prevenção da gestação na adolescência, bem como,
citar os programas propostos a nível nacional e municipal. Discorrendo sobre os
métodos contraceptivos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde.
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METODOLOGIA
Foram levantados dados sobre a gestação na adolescência disponíveis nas bases
de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, do Sistema de
Informação da Atenção Básica - SIAB, do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde
do município de Colombo pesquisando as informações básicas sobre os programas de
planejamento familiar já existentes a nível nacional e municipal.
Também buscou-se levantar as ações realizadas no âmbito municipal voltadas à
realização da educação sexual no período da adolescência. Tendo como base as duas
categorias de informações disponíveis realizou-se a análise da situação evidenciada
considerando os referenciais teóricos disponíveis e a elaboração de proposições.
RESULTADOS
Toda mulher em idade fértil (de 10 a 49 anos de idade) segundo o Ministério
da Saúde tem o direito de ter acesso a métodos contraceptivos nas Unidades Saúde da
Família, sendo que na maioria dos casos é necessária consulta prévia com profissional
de saúde para a definição da opção mais adequada a cada caso. Nesta consulta deve-se
também avaliar a efetividade do método escolhido bem como a facilidade de obtenção
deste. A Política Nacional de Planejamento Familiar lançou um conjunto de ações para
garantir acesso aos métodos anticoncepcionais como além de oferecer métodos
contraceptivos hormonais gratuitos sendo que em 2008 foram incorporados a lista de
medicamentos do Programa Farmácia Popular garantindo a venda destes a preços
reduzidos nas mais de 10 mil drogarias privadas credenciadas. (BRASIL, 2012)
O acesso à informação acerca dos métodos contraceptivos é outro ponto
fundamental para uma prática consciente, saudável e efetiva, além de viabilizar a adesão
ao tratamento (MOURA; SILVA, 2004). Fazem parte, portanto, da Política de
Planejamento familiar a distribuição de preservativo masculino e feminino, realização
de vasectomias, realização de laqueaduras, uso de anticoncepcionais hormonais
(injetáveis, minipílula, pílula combinada, pílula de emergência), colocação de DIU e
diafragma.
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Os medicamentos hormonais geralmente são os métodos de escolha além da
camisinha, que sempre deve ser utilizada como prevenção das DSTs, para essa faixa
etária sendo que estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS): pílula oral
combinada (etinilestradiol 0,15 mg + levonorgestrel 0,03mg) e minipílula (norestiterona
0,35mg) indicada para o pós parto, sendo estes distribuídos a todos os municípios
brasileiros independentemente de qualquer critério prévio; injetável mensal (enantato de
norestiterona 50mg/mL + valerato de estradiol 5mg/mL) e injetável trimestral
(medroxiprogesterona 150mg), sendo estes distribuídos a municípios com população
igual ou superior a 5 mil habitantes.
Além dos métodos hormonais o diafragma é distribuído em municípios com
população igual ou superior a 200 mil habitantes sendo o DIU distribuído a municípios
que possuem população igual ou superior a 50 mil habitantes.
No Município de Colombo existe um Protocolo de Assistência Integral a Saúde
da mulher colombense no qual trata do direito sexual e reprodutivo. Neste protocolo são
colocadas ações de planejamento familiar no município bem como os métodos
anticoncepcionais utilizados no município que são os preconizados pelo Ministério da
Saúde. Na parte que trata do planejamento familiar relata-se o ciclo de atendimento
básico aos usuários que é composto do acolhimento, assistência preconcepção,
atendimento mulher/casal sendo feita avaliação dos riscos reprodutivos e nutricionais e
assistência anticoncepção.
No que diz respeito a ao enfoque principal esse é um protocolo que se direciona
as pessoas de 15 a 49 anos com vida sexual ativa que desejam evitar uma gestação;
devem ser considerados grupo de risco as mulheres com mais de 35 anos ou menores de
16 anos de idade, de baixa escolaridade materna (que não tenha completado a 4ª série do
ensino fundamental), que possuírem antecedentes obstétricos desfavoráveis e doenças
crônicas. Observando que mesmo que no protocolo conste o público alvo como
prioritário, ainda há ausência de ações específicas e adequadas voltadas aos
adolescentes.
Atualmente, na Unidade Saúde da Família em estudo, cerca de 97 pacientes
utilizam o método anticoncepcional hormonal e tem acompanhamento médico, sendo
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PRIMÁRIA EM SAÚDE
que fazem o exame preventivo anualmente. Destas 36,1% usam a pílula combinada;
12,37% usam minipílula sendo que todas estão amamentando; 20,61% utilizam
injetável mensal; 30,92% utilizam injetável trimestral. No que se trata dos métodos de
barreira o distribuído na Unidade Saúde da Familía em questão é o preservativo
masculino sendo o consumo mensal com base nos últimos cinco meses de 600
preservativos, valor este que no período de 19 de março a 19 de abril aumentou para o
excepcional consumo de 1100 preservativos.
Segundo informações do Protocolo de Assistência Integral a Saúde da mulher
Colombense encontra-se menores valores de falha em métodos contraceptivos do tipo
pílula combinada índice de falha deste método é de 0,1% se usada corretamente
podendo ir até 3%. Os métodos injetáveis apresentam ineficácia de 0,3 a 0,4%; foram
relatadas falha de 6 a 18% no uso de diafragma, de 2 a 12% no uso de preservativo
masculino e feminino, por fim o DIU disponibilizado na rede pública apresenta falha de
0,5 a 1%.
Quanto a ações propriamente voltadas para os adolescentes observa-se
distribuição de cartilhas de saúde e prevenção nas escolas o que acontece não só a nível
municipal mas também a nível nacional. Estas cartilhas basicamente são compostas de
informações sobre o sistema reprodutor, gravidez e métodos de contracepção.
Considera-se que o material do Ministério da Saúde apresenta-se como o mais
completo, tanto em nível de assuntos abordados como de esclarecimento de
informações, pois as em circulação no município muitas vezes são predominantemente
dotadas de figuras para melhor entendimento da população jovem considerando-se mais
completa quanto a conteúdo as distribuídas pelo Ministério da Saúde.
CONCLUSÕES
Frente as informações obtidas pode-se afirmar que o Planejamento Familiar
dentro de qualquer comunidade é de vital importância sendo que este deve ter ações
efetivas principalmente no que se diz respeito a prevenção da gestação não planejada.
Tais ações não devem se limitar a disponibilização de métodos anticoncepcionais a toda
a população havendo a necessidade do serviço de aconselhamento de como utilizar o
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
método. No caso de métodos hormonais, situações ou medicamentos que podem
inviabilizar ou diminuir a eficácia do método, a avaliação de adesão ao medicamento, as
possíveis taxas de falhas e o risco benefício de determinado método devem ser
discutidos permitindo a escolha e não a imposição ao paciente de um método que não
seja de sua preferência.
Considerando a ausência de programas de educação sexual adequados ao
público adolescente propõe-se o seu desenvolvimento no âmbito da estratégia de Saúde
da Família, com a utilização de referenciais vinculados à pedagogia da problematização
proposta por Paulo Freire, no sentido de que se garanta a estruturação de um processo
educativo permanente e adequado ao momento de vida que envolve a adolescência e a
juventude, considerando sempre o contexto social, econômico e cultural dentro do qual
encontra-se inserida a família do adolescente e o próprio adolescente.
PALAVRAS CHAVE: Contracepção; Planejamento Familiar; Gestação; Adolescência;
Colombo - PR.
REFERÊNCIAS
ACCIOLY, E. SAUNDERS, C. LACERDA, E.M.A. Nutrição em Obstetrícia e
Pediatria. 2ª ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica: Guanabara Koogan, 2009.
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IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE.
CENSO 2010 Disponível em http://www.ibge.gov.br/paisesat/main_frameset.php
Acesso em: 14 de abril de 2013
MICHELAZZO D, YAZLLE MEHD, MENDES MC, PATTA MC, ROCHA JSY,
MOURA MD. Indicadores sociais de grávidas adolescentes: estudo caso-8. controle.
Rev Bras Ginecol Obstet. 2004;26(8):633-9.
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
BRASIL - Lei n° 9.263, de 1996. Trata do planejamento familiar, estabelece
penalidades
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Disponível
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9263.htm Acesso em: 15 de abril de 2013.
_______. Ministério da Saúde. Manual de orientações às farmácias e drogarias
credenciadas
no
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tem
Farmácia
Popular”.
Disponível
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Acesso
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20/04/2013
_______.MINISTÉRIO DA SAÚDE - PORTARIA Nº 426/GM Em 22 de março de
2005.
Disponível
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http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/portaria_426_ac.htm Acesso em: 11 de abril
de 2013.
_______.MINISTÉRIO DA SAÚDE - Sistema de Informação da Atenção Básica SIAB.
Disponível
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http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?siab/cnv/SIABSPR.def , Acesso em 15 de
abril
de
2013.
Disponível
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abril de 2013.
MOURA, E.R.F.; SILVA, R.M. Informação e planejamento familiar como medidas de
promoção da saúde. Ciência & Saúde Coletiva, n.9, v.4, p.1023-1032, 2004.
SECRETARIA DE MUNICIPAL DE SAÚDE DE COLOMBO-PR. Protocolo
Municipal de Assistência Integral à Saúde da Mulher Colombense. 2012; pg. 26-28.
Disponível em: http://www.colombo.pr.gov.br/ Acesso em: 09 de abril de 2013.
WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Discussion papers on adolescence.
Nutrition in adolescence- issues and challenges for the health sector: issues inadolescent
health and development. Geneva. WHO, 2005
YAZLLE M.E.H.D; FRANCO, R.C; MICHELLAZO, D. Gravidez na adolescência:
uma proposta para prevenção. Rev Bras Ginecol Obstet. 2009; 31(10):477-9, 2009.
Eixo Temático: Saúde da Mulher
27 a 29 de maio de 2013 Cascavel, PR
ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL DE CUIDADO EM ATENÇÃO
PRIMÁRIA EM SAÚDE
VIVÊNCIA SOBRE O INCENTIVO AO ALEITAMENTO MATERNO
EXCLUSIVO NO PROGRAMA MUNICIPAL DE DIETAS ESPECIAIS –
COLOMBO/PR
Suelen Braz de Jesus¹
Aislaine Poplade Pereira de Mattos²
Elisa Ferreira Schermak³
Eloyse Weeny Ramos Bieberbach Ceschim4
Luna Rezende Machado de Sousa5
Silvia do Amaral Rigon6
INTRODUÇÃO
A Secretaria Municipal de Saúde de Colombo/PR (SMS) assumiu em fevereiro
de 2009 o Programa Municipal de Dietas Especiais (PMDE). Esse programa se fez
necessário devido à alta demanda de pacientes que no momento de alta hospitalar
voltam para seus domicílios e necessitam de uma assistência nutricional adequada.
Portanto, o PMDE atende pacientes que possuem alguma dificuldade na alimentação via
oral, sendo imprescindível a Terapia Nutricional Enteral Domiciliar.
O programa é gerido com recursos exclusivamente municipais e tem como
objetivo o fornecimento de dietas especiais para usuários do SUS residentes em
Colombo/PR. Estes são encaminhados pelas Unidades de Saúde do município, por
centros especializados ou por hospitais que possuem a responsabilidade de estabelecer o
seu estado de saúde e encaminhar os mesmos para tratamento dentro de seu domicílio.
Essa é uma das ações que vem ao encontro do propósito da Política Nacional
de Alimentação e Nutrição (PNAN) e visa melhorar as condições de alimentação,
nutrição e saúde da população brasileira, garantindo a Segurança Alimentar e
Nutricional de pacientes com dificuldades alimentares decorrentes de quadros
patológicos (BRASIL, 2003).
ANAIS DO I SENAPS
A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam o
aleitamento materno exclusivo (AME) até o sexto mês de vida e mantido até os dois
anos complementando a alimentação da criança. O leite materno oferece benefícios para
a saúde da criança e da mãe, estabelece vínculo e afeto entre ambos, proteção e nutrição
para a criança, constituindo a mais sensível, econômica e eficaz intervenção para
redução de morbimortalidade infantil (BRASIL, 2002).
Diante desses inúmeros benefícios à saúde, o aleitamento materno deve ser
mantido em diversas condições de saúde e hábitos da mãe, como tuberculose,
hanseníase, hepatites, tabagismo e alcoolismo. Obviamente, nesses casos existem
cuidados específicos para que o aleitamento não seja prejudicial à criança. Existem
ocasiões onde a interrupção temporária da amamentação é recomendada, por exemplo,
infecção herpética na pele da mama, varicela na mãe pré e pós-parto, doença de chagas,
abscesso mamário e consumo de drogas. Por fim, a amamentação não é recomendada
em alguns casos específicos como: mães infectadas pelos vírus HIV, HTLV1 ou
HTLV2, uso de medicamentos e galactosemia infantil (BRASIL, 2009).
No caso da impossibilidade de manter o AME pelos motivos citados acima ou
pela inviabilidade de reverter o desmame precoce, a melhor opção é a oferta de leite
humano pasteurizado, proveniente do Banco de Leite Humano (BLH) (BRASIL, 2009).
O município de Colombo não dispõe de um BLH, por isso a introdução de
fórmula láctea e/ou leite de vaca deverá ser avaliada pelo profissional de saúde. Vale
salientar que não é conveniente fazer uso do leite de vaca não modificado no primeiro
ano de vida devido o baixo teor de ferro, pelo risco de desenvolver alergias, distúrbios
eletrolíticos e predisposição futura para excesso de peso (BRASIL, 2009).
Devido o alto custo das fórmulas infantis, as famílias têm feito uso do leite de
vaca como substituto do leite materno. O grande perigo reside na oferta da mamadeira
com leite de vaca excessivamente diluído acrescido de cereais e açúcares, além do
pouco cuidado no manuseio e na higiene dos materiais utilizados (BARBOSA, 2007).
ANAIS DO I SENAPS
A partir dessa realidade o PMDE fornece a fórmula via fluxo criterioso
previamente estabelecido onde atuam diversos profissionais incluídos em diferentes
instâncias do SUS, como nutricionista, assistente social e equipe de enfermagem da
maternidade.
OBJETIVO
Relatar a experiência vivenciada por nutricionistas residentes sobre o incentivo
ao AME em visitas domiciliares do Programa Municipal de Dietas Especiais realizadas
no município de Colombo/PR.
METODOLOGIA
Para que um paciente seja assistido pelo PMDE, esse deve residir no município
de Colombo/PR. A porta de entrada para que esse processo se inicie é a Unidade de
Saúde (US) mais próxima de sua casa, ou seja, sua unidade de referência, onde o
paciente adquire a Ficha de Solicitação de Dieta Especial, mediante avaliação do
profissional de saúde competente. Nesta ficha constam dados sobre o diagnóstico, dieta
prescrita, profissional responsável pela prescrição e aspectos nutricionais.
Após isso, o paciente ou responsável deverá abrir um protocolo junto à
Prefeitura. Este protocolo é enviado ao Setor de Nutrição da SMS, o qual possui um
prazo de 30 dias para realizar uma visita domiciliar. Esta visita conta com a presença de
um profissional nutricionista, assistente social, Agente Comunitário de Saúde (ACS) e
motorista com carro próprio do setor de nutrição.
O nutricionista avalia o estado nutricional, consumo alimentar, aceitação de
alimentação e dieta industrializada, cuidados com sonda e equipo (quando utilizados) e
as condições de higiene no preparo das refeições e diluição da dieta. Também são
realizadas orientações nutricionais para adequação de dificuldades observadas na
alimentação e no manejo com a dieta no âmbito domiciliar.
ANAIS DO I SENAPS
O assistente social avalia as condições de vida, moradia, renda e gastos
mensais da família, incluindo gastos com o paciente. Diante do contexto observado, o
profissional realiza orientações sobre o protocolamento de pedido de medicações e
oxigenoterapia, quando necessário; encaminhamentos para Rede de Atendimento do
Município e Estado; para o CRAS de referência quando existe a possibilidade de
inclusão da família em programas sociais, como o Programa Bolsa Família; orientações
sobre o recebimento de pensão alimentícia e benefícios da Previdência Social.
O ACS por sua vez, tem a função de promover o vínculo do PMDE com a
família e US, visando melhorar a compreensão do contexto familiar, histórico social e
de saúde do paciente.
Em seguida é realizado o parecer nutricional e social para o fornecimento
parcial ou total da dieta. Nos casos onde o parecer não é favorável à liberação a família
é orientada e encaminhada, quando necessário, para outros instrumentos de saúde ou
programas. Caso haja resposta positiva, a dieta é entregue à US de referência, que tem a
responsabilidade de comunicar via telefone ou mediante busca ativa realizada por ACS,
o paciente ou familiar sobre a retirada das latas/frascos da respectiva dieta.
No caso de fornecimento de dieta de partida é observado durante a visita
domiciliar as dificuldades encontradas pelas mães em realizar o AME. Com vistas a
promover o apoio ao aleitamento materno a essas famílias que apresentam dificuldades
e solicitam uma vinculação ao PMDE, ocorre o encaminhamento para o Ambulatório de
Aleitamento Materno, na Maternidade do município, pactuada como Hospital Amigo da
Criança. Os profissionais da maternidade realizam uma avaliação minuciosa da mama,
pega correta, entre outros, fornecendo um suporte à família, encaminhando ao Setor de
Nutrição uma contra referência para efetuar o fechamento do parecer nutricional.
RESULTADOS
No período de junho a dezembro de 2011 foi atendida uma média de 24
pacientes/mês em uso de fórmula de partida pelo PMDE e no mesmo período em 2012,
ANAIS DO I SENAPS
uma média aproximada de 30 pacientes/mês. No período citado de 2012, foram
realizadas 55 solicitações de fórmula de partida, sendo estes criteriosamente avaliados.
Nas solicitações constavam diagnósticos como fissura palatina, síndromes, uso de
medicamento que contraindica o aleitamento, perda de peso, mãe em tratamento de
câncer ou usuária de drogas, mastite grave, óbito materno, disfunção cardíaca, paralisia
cerebral, hidrocefalia, uso de traqueostomia e sonda, além de alegações médicas e
familiares sobre “falta de leite materno”, “criança chorosa” e “criança rejeita o seio”’.
Diante do aumento do número de solicitações e das inúmeras alegações sobre
dificuldade na amamentação, percebeu-se a necessidade de criar outro mecanismo de
orientação individual, efetivando-se a vinculação com o Ambulatório de Aleitamento
Materno, na maternidade do município, a partir de novembro de 2012. Esta integração
entre serviços buscou incentivar o AME e fornecer as fórmulas infantis apenas para os
casos específicos que impossibilitam o sucesso do aleitamento.
Segundo experiência adquirida em visitas domiciliares do PMDE, pode-se
perceber uma alta demanda por solicitações de dieta de partida por outros motivos que
não se enquadram nas situações em que o aleitamento materno não é recomendado ou
quando é necessária a interrupção temporária deste. Por exemplo, pouca produção de
leite materno, dificuldade na pega correta, entre outros. Diante dos inúmeros benefícios
que aleitamento proporciona à saúde, foi observado que o PMDE possui um processo
elaborado para que não haja a substituição do aleitamento materno pelo programa,
ofertando às crianças com riscos de saúde uma fonte segura de alimentação.
Em alguns casos de gemelaridade e prematuridade, por exemplo, a dieta de
partida é fornecida como complemento ao aleitamento e todos esses casos obtêm
orientações especializadas da maternidade, utilizando-se a técnica de aconselhamento
durante as visitas e no Ambulatório de Aleitamento Materno, para que essas mães não
abandonem a prática do aleitamento, considerando essa situação uma condição de
muitas dúvidas e dificuldades.
ANAIS DO I SENAPS
Em ocasiões onde a amamentação direta não é possível ser efetuada, existe a
orientação sobre a técnica da ordenha manual. Esta técnica consiste na extração do leite
materno com as mãos e a oferta deste é realizada por copinhos à criança (VITOLO,
2008).
Aconselhar significa ajudar as mães a tomar decisões, após ouvi-las e
compreendê-las, dialogando sempre sobre os prós e contras das opções sugeridas. No
aconselhamento, é importante que as mulheres sintam que o profissional se interessa
pelo bem-estar delas e de seus filhos para que elas adquiram confiança e sintam-se
apoiadas e acolhidas para amamentar com segurança e tranquilidade (BRASIL, 2009).
Segundo Perin (2008), se faz necessário observar a realidade social como um
fenômeno a ser compreendido para chegar a sua essência. A partir dessa concepção, o
assistente social tende, a partir da atitude investigativa, chegar o mais próximo possível
da vida social dos sujeitos e famílias, conjugando-a a capacidade interventiva na sua
prática profissional.
Portanto, o trabalho desenvolvido pelo assistente social durante as visitas
domiciliares não se direciona apenas na possibilidade das famílias realizarem a compra
das dietas, mas esse profissional visa também como objetivo reconhecer a realidade
social existente e orientar sobre os direitos sociais que estas famílias possuem sobre
outros programas, desde municipais até aos programas nacionais, melhorando assim as
condições de vida e renda nestas famílias.
Por fim, a atuação do setor de nutrição no PMDE promove a Segurança
Alimentar e Nutricional (SAN) e o Direito Humano à Alimentação Adequada, pois
contempla dimensões de acesso a alimentos especiais a aqueles sujeitos que possuem
necessidades específicas, estabelecendo relações entre alimento e saúde. Nessas
dimensões, o programa recorre a ações de caráter emergencial, voltando seus objetivos
para o atendimento mais imediato de grupos em condições adversas do ponto de vista
social e de saúde (BRASIL, 2004).
ANAIS DO I SENAPS
A intersetorialidade é uma das premissas básicas de uma política de SAN e
significa ações articuladas e coordenadas, utilizando os recursos existentes em cada
setor (materiais, humanos, institucionais) de modo mais eficiente, direcionando-os para
ações que sigam uma escala de prioridades estabelecidas em conjunto (BRASIL, 2004).
Portanto, foi possível verificar que a intersetorialidade e o trabalho
multiprofissional estabelecido entre o serviço social, maternidade e o setor de nutrição
da SMS conseguiu implantar critérios rigorosos para que o aleitamento materno seja
estimulado, evitando o fornecimento de fórmulas infantis em casos onde o aleitamento
pode ser efetivo.
CONCLUSÕES
Diante do exposto, pode-se verificar que o PMDE vem se estruturando desde
sua implantação, em 2009, para que seja promovida uma alimentação adequada dentro
do âmbito familiar de pacientes com necessidades nutricionais específicas através da
intersetorialidade e do trabalho multiprofissional. Tem-se como meta a redução da ainda
elevada demanda de prescrições de fórmulas infantis, que se referem às dificuldades
apresentadas pelas mães relativas à adequada realização das técnicas de amamentação.
Nesse sentido, ressalta-se a importância da adoção da estratégia de vinculação do
PMDE ao Ambulatório de Aleitamento Materno, com vistas à promoção do suporte
necessário às famílias para a efetivação do aleitamento materno. Conforme já dito, tal
vinculação realizou-se somente em novembro de 2012 havendo portanto uma
expectativa que em 2013 ocorra uma redução significativa da demanda por fórmulas
infantis.
PALAVRAS-CHAVE: Programa Municipal de Dietas Especiais; aleitamento materno;
fórmula infantil; serviço social; Hospital Amigo da Criança.
REFERÊNCIAS
ANAIS DO I SENAPS
BARBOSA, M. B.; PALMA, D.; BATAGLIN, T.; TADDEI, J. A. A. C. Custo da
alimentação no primeiro ano de vida. Revista de Nutrição. Campinas, v. 20, n. 1, p. 5562, jan/fev 2007.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Política da Saúde. Guia alimentar para
crianças menores de 2 anos. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília: Ministério
da Saúde: 2002. 152p.
________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. 2ª ed. rev. Brasília:
Ministério da Saúde, 2003. 48p.
________. Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA.
Princípios e Diretrizes de uma Política de Segurança Alimentar e Nutricional.
Textos de Referência da II Conferência Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional. Brasília: 2004. 80p.
________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e
alimentação complementar. Cadernos de Atenção Básica, n°23. Série A. Normas e
Manuais Técnicos. Brasília, Ministério da Saúde, 2009. 111p.
PERIN, S. P. A visita domiciliar como instrumento de apreensão da realidade social. In:
Encontro Nacional do Serviço Social no Ministério Público. 2. 2008. Brasília. Relatório
final. Brasília: Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), 2008.
VITOLO, M. R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Ed. Rubio,
2008. 628p.
Eixo Temático: Saúde da Mulher
ANAIS DO I SENAPS
A LEI MARIA DA PENHA E A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Wanylla Paula dos Santos Czezaniak45
Francielly Batista Fernandes46
INTRODUÇÃO
A violência acompanha a história da humanidade, sendo considerado um fator
histórico onde a influencia das sociedades tiveram grande importância, embora cada
qual na sua época. A violência contra a mulher é um trágico quadro que perpetua na
sociedade devido à falta de informação e a conceitos socioculturais ainda enraizados.
Nos dias de hoje, a sociedade ainda é machista e patriarcal, carregando a concepção de
que o homem é superior à mulher, mais seguro, forte e equilibrado. Na medida em que a
sociedade e até mesmo a própria mulher aceita o homem como superior, ela se sente
insegura e inferior em todos os aspectos. É nesse momento que a violência ocorre.
De acordo com a Declaração das Nações Unidas, de 1949, sobre a Violência
Contra a Mulher, aprovada pela Conferência de Viena em 1993, a violência se constitui
em “[...] todo e qualquer ato embasado em uma situação de gênero, na vida pública ou
privada, que tenha como resultado dano de natureza física, sexual ou psicológica,
incluindo ameaças, coerção ou a privação arbitrária da liberdade.” (ADEODATO,
2005).
As situações de violência contra a mulher resultam, principalmente, da relação
hierárquica estabelecida entre os sexos, sacramentada ao longo da história pela
diferença de papéis instituídos socialmente a homens e mulheres, fruto da educação
diferenciada. Assim, o processo de “fabricação de machos e fêmeas”, desenvolve-se por
meio da escola, família, igreja, amigos, vizinhança e veículos de comunicação em
massa. Sendo assim, aos homens, de maneira geral, são atribuídas qualidades referentes
ao espaço público, domínio e agressividade. Já às mulheres foi dada a insígnia de “sexo
45
Enfermeira, Especialista, atua na Secretaria Municipal de Saúde de Assis Chateaubriand. Endereço:
Rua França, 492 Jardim Europa, Assis Chateaubriand, Telefone: 44-9911-5135. E-mail:
[email protected]
2
Bacharel em Enfermagem, Especialista.
ANAIS DO I SENAPS
frágil”, pelo fato de serem mais expressivas (afetivas, sensíveis), traços que se
contrapõem aos masculinos e, por isso mesmo, não são tão valorizados na sociedade
(AZEVEDO, 1985).
A violência é um fenômeno complexo que pode estar presente em todos os
âmbitos da vida, ao longo de seu ciclo vital, podendo se manifestar sob diferentes
formas e inúmeras circunstâncias dentre os principais tipos destacam-se: violência
física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
O Plano Estadual de Saúde Paraná (2012/2015) traz dados de violência contra a
mulher baseado nas notificações recebidas, de acordo com estudo randômico pode-se
constatar que o perfil das mulheres em situação de violência é: faixa etária de 20 a 29
anos, cor branca, e quanto aos tipos em primeiro lugar temos a violência física, seguida
de psicológica, moral e sexual.
De acordo com a Lei nº 11.340/2006 Lei Maria da Penha, violência doméstica e
familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial
(BRASIL, 2006).
A criação da lei é um avanço expressivo na conquista das mulheres que não
dispunham de lei especifica e guinada na história da impunidade, onde as mulheres
ganharam direito, proteção e fortalecimento da autonomia (BRASIL, 2012).
A Lei Maria da Penha tem esse nome devido o caso da biofarmacêutica Maria da
Penha Maia Fernandes que sofreu violência doméstica de seu cônjuge tornando-se
paraplégica, denunciou porém o crime ficou impune, até a Comissão Interamericana de
Direitos Humanos da OEA analisar a denuncia e condenar o Estado Brasileiro a julgar o
agressor e elaborar lei especifica para a violência contra a mulher. Após 6 anos de
análise, discussões de propostas a Lei foi sancionada pelo presidente em 7 de agosto de
2006, com olhar inovador, reconhecendo a situação de perigo e fragilidade que as
vítimas de violência doméstica e familiar se encontram, responsabilizando o Estado pela
ANAIS DO I SENAPS
prevenção à violência, auxilio na reconstrução da vida das mulheres agredidas e punição
dos agressores (BRASIL, 2012).
Contempla ainda os vários tipos de violência, prevê políticas públicas integradas
com Poder Judiciário, Ministério público e defensoria pública, áreas de segurança
pública, assistência social, educação, saúde, habitação e trabalho, medidas protetivas de
urgência onde delegacia ou juiz tem 48 horas para analisar a concessão da proteção
requerida, permite prisão em flagrante e preventiva, programas assistenciais nas três
esferas de governo, atendimento especializado, assegura vínculo trabalhista caso
necessite de afastamento. Impossibilitou a punição dos agressores com penas
pecuniárias (multas e cestas básica) (BRASIL, 2012).
A caracterização deste tipo de ato causa desde formas sutis até marcas visíveis
no corpo, causando prejuízos no desenvolvimento físico, cognitivo, social, moral e
emocional da mulher (FONSECA, 2006).
De acordo com os dados de notificação de violência, a região Noroeste do
Paraná é considerada a que menos tem casos notificados, caracterizando
subnotificações, baseado nos mesmos o Ministério da Saúde tem realizado
investimentos em treinamento de profissionais de saúde para reconhecimento de casos e
notificação dos mesmos.
A violência trata-se de um fenômeno multidimensional que requer integração
entre União, Estados, Municípios e ações não governamentais para lidar com a condição
existente, combate à violência, prevenção de males maiores, promoção à prevenção de
violência e cultura de paz (MELO, 2010).
Segundo O Relatório Mundial sobre Violência e Saúde (OMS, 2002), a violência
contra a mulher configura um grande problema de saúde pública no mundo e os serviços
de saúde são fundamentais na detecção do problema. Por ter um contato mais próximo
com as mulheres, podendo reconhecer e acolher o caso antes que incidentes mais graves
aconteçam. (SCHRAIBER, et al. 2002).
ANAIS DO I SENAPS
A violência pode ser prevenida e a saúde pública é interligada a essa
problemática, pois sua função é prevenir problemas de saúde, proporcionar segurança e
cuidados às populações em sua totalidade.
OBJETIVOS
- Orientar os profissionais da rede de atendimento à violência tais como: saúde,
educação e assistência social dos 18 municípios que compõem a 20° Regional de Saúde
objetivando o aumento da detecção precoce dos casos de violência através de métodos
de diagnóstico precoce, notificações e encaminhamentos necessários para a rede;
- Oferecer subsídios teóricos e práticos acerca da Lei Maria da Penha e violência
doméstica contra a mulher na atenção primária;
- Divulgar o conteúdo da capacitação recebida acerca do tema para os
profissionais de nível superior da Secretaria Municipal de Saúde de Assis
Chateaubriand.
METODOLOGIA
Este estudo baseou-se em um relato de experiência acerca da participação de 03
profissionais de nível superior da Secretaria Municipal de Saúde de Assis
Chateaubriand sendo 02 enfermeiros e 01 assistente social, na 1º Capacitação de
Sensibilização às Vítimas de Violência Contra a Mulher, realizada no dia 22 de março
de 2013, no auditório da Universidade Paranaense (UNIPAR) na cidade de Toledo, o
evento foi promovido pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná
(CISCOPAR).
Os temas abordados foram expostos através da fala de 08 palestrantes acrescida
de recurso áudio-visual, incluindo a interação com os participantes do evento para
esclarecimentos.
Os temas abordados incluem: Lei Maria da Penha - atuação do Ministério
Público; Protocolos de Tratamento; A violência contra Mulher e suas representações na
ANAIS DO I SENAPS
sociedade; Atendimento as vítimas de violência no IML de Toledo; Acompanhamento e
fluxo de atendimento farmacêutico dos pacientes; Ficha epidemiológica e notificações;
A drogadição/violência contra a mulher e a ética profissional.
Segundo a fala do Promotor de Justiça da cidade de Toledo a análise do número
de homicídios femininos no Brasil situado em 7º lugar de 1980/2010, com 4465
homicídios, 338 no Paraná, capital com mais homicídios ficou Salvador com 118, idade
das vítimas predomina de 20 a 29 anos por violência contra mulher no Brasil
(WAISELFISZ, 2012). Dentre as diversas situações de violência das quais as mulheres
são vítimas, destaca-se a doméstica, onde o agressor é geralmente alguém que já
manteve ou mantém uma relação íntima com a vítima.
RESULTADOS
A iniciativa tem como principal objetivo capacitar profissionais de saúde
pública, para articulação dos serviços que atendam vítimas de violência e realizam
ações preventivas com foco nas crianças, adolescentes, mulheres, idosos e pessoas com
deficiência. Com a capacitação os profissionais estarão devidamente orientados quanto
aos procedimentos de identificação e encaminhamento das vítimas.
Os organizadores do evento trabalharam a importância dos profissionais sobre a
necessidade do atendimento em rede e assim desenvolver ações para que se obtenha
100% de notificações dos casos de violência, atendimento qualificado às vítimas e
ampliação dos serviços quanto à prevenção da violência.
A adesão dos funcionários convidados para a capacitação foi de 100%, sendo
que os assuntos abordados forma satisfatórios no sentido de esclarecimento e
fortalecimento das ações já existentes nesta área bem como a iniciativa da formação de
redes de atenção à violência contra a mulher no município de Assis Chateaubriand.
CONCLUSÃO
ANAIS DO I SENAPS
Esta capacitação teve como objetivo a organização de redes de atendimentos
a partir da identificação da violência, formação de equipes multiprofissionais em
parceria com a Organização Mundial de Saúde, governos e Estados no intuito de
desenvolver estratégias nos serviços de saúde tornando-os mais atentos e conscientes
acerca da violência doméstica por detrás de demandas diárias.
Os profissionais devem dispor de condições para identificar, investigar e
dar seguimentos necessários dentro e fora dos serviços de saúde para que as mulheres
conheçam, exijam e pratiquem direito a uma vida sem violência e digna. A capacitação
foi o primeiro passo para a estruturação de uma rede de atendimento na qual as
mulheres tenham acesso facilitado e resolutivo nos serviços ofertados que contemplem
sua integralidade.
Palavras-chave: Violência. Mulher. Lei Maria da Penha. Capacitação.
REFERÊNCIAS
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vítimas de seus parceiros. Revista de Saúde Pública. 2005;
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Penha: Lei nº 11.340/2006. Brasília: 2012.
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doméstica contra a mulher e suas consequências psicológicas. 2006. Trabalho de
ANAIS DO I SENAPS
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Salvador, 2006. Disponível em:<http://newpsi.bvs-psi.org.br/tcc/152.pdf>. Acesso em:
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SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO PARANÁ. Plano Estadual de Saúde
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Disponível
em:<http://mapadaviolencia.org.br/pdf2012/MapaViolencia2012_atual_mulheres.pdf>.
Acesso em 25 de abril de 2013.
Eixo Temático: Saúde da Mulher
ANAIS DO I SENAPS
Cuidado em Atenção Primária na Saúde da Criança
PERFIL CLÍNICO DE CRIANÇAS MENORES DE CINCO ANOS ATENDIDAS 47NA
UPA II, EM CASCAVEL, PR.
Jéssica Rosin1
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso2
Cláudia Silveira Viera3
Cláudia Ross4
Jéssica Martins Valter5
Bruna Regina Bratti Frank6
RESUMO
Esta pesquisa objetivou caracterizar o perfil clínico de crianças de um a quatro anos, onze meses
e 29 dias que foram atendidas no serviço de pronto atendimento continuado II (PAC II), do
município de Cascavel, PR. O estudo é de natureza quantitativa, descritivo, inferencial e
retrospectivo, cuja técnica de coleta de dados foi a pesquisa documental em prontuários de
atendimento com uma matriz de coleta de dados estruturada e pré-definida. Os resultados
evidenciaram que: houve prevalência do sexo masculino na faixa etária de 13 a 23 meses e do
sexo feminino nas demais faixas de idade; a faixa etária prevalente foi dos 13 aos 23 meses de
idade; as temperaturas indicaram febre baixa ou pouco elevada; o diagnóstico clínico de
doenças respiratórias foi prevalente; avaliação médica e administração de medicamentos no
pronto atendimento foram as condutas mais adotadas; após o atendimento, as crianças
receberam alta ou foram encaminhadas para ambulatório SUS; a maioria dos atendimentos foi
realizado por pediatras, porém, uma porcentagem significativa foi realizada por clínicos. Nosso
estudo aponta para a necessidade das UBSse USFsse consolidarem como referência para a
47
Acadêmica do 5° ano do Curso de Enfermagem da Unioeste. End: Rua Aimorés, 147, Apto 01. Tel: (46)
9976-6570. E-mail: [email protected]
2
Doutora em Enfermagem pela EERP/USP. Professor adjunto do Curso de Enfermagem da Unioeste.
3
Doutora em Enfermagem pela EERP/USP. Professor adjunto do Curso de Enfermagem da Unioeste.
4
Doutora em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina. Professor adjunto do Curso de
Enfermagem da Unioeste.
5
Acadêmica do 5° ano do Curso de Enfermagem da Unioeste.
6
Acadêmica do 5° ano do Curso de Enfermagem da Unioeste.
ANAIS DO I SENAPS
população, para que esta busque neste local a resolução dos problemas de saúde apresentados.
Esta consolidação se dará através do cumprimento dos princípios de orientação da Política
Nacional de Atenção Básica e da valorização dos profissionais atuantes na rede. Será necessário
reorganizar a demanda, permitindo que cada nível de atenção realize atendimentos de acordo
com sua capacidade operacional e complexidade tecnológica, oferecendo serviços de qualidade
para os usuários.
INTRODUÇÃO
No município de Cascavel, PR, a Atenção Básica se divide entre as Unidades Básicas de
Saúde e as Unidades de Saúde da Família. O município conta com um total de nove Unidades
de Saúde da Família e vinte e duas Unidades Básicas de Saúde. Possui, no nível intermediário
de atenção a saúde, duas unidades de pronto atendimento continuado (atualmente denominadas
UPAs – Unidades de Pronto Atendimento), além da rede hospitalar e serviços especializados
(CASCAVEL, 2012).As Unidades de Pronto Atendimento - UPA 24h são estruturas de
complexidade intermediária, compondo a rede de atenção às urgências juntamente com o
componente hospitalar. São integrantes do componente pré-hospitalar fixo e devem ser
implantadas em locais estratégicos, com acolhimento e classificação de risco em todas as
unidades, em conformidade com a Política Nacional de Atenção às Urgências. O objetivo é
diminuir as filas nos prontos-socorros dos hospitais, evitando que casos que possam ser
resolvidos nas UPAs, ou unidades básicas de saúde, sejam encaminhados para as unidades
hospitalares (BRASIL, 2012). Idealmente as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou as Unidades
do Programa Saúde da Família (USF) devem atuar como a porta de entrada do sistema de saúde
e a partir delas os indivíduos são encaminhados para os níveis secundário e terciário de atenção,
de forma referenciada (BRASIL, 2006). Porém, grande parte dos indivíduos continuam
buscando atendimento à saúde em níveis mais complexos de atenção para problemas que
poderiam ser solucionados na atenção básica (KOVACS, 2005).
Constata-se que dentre todas as regiões do país, a região sul é que apresenta, desde 2000, a
menor taxa de mortalidade em menores de cinco anos e fazendo parte da região sul o estado do
Paraná é o que vem apresentando a maior taxa de mortalidade em menores de cinco anos, apesar
da evidente queda. Constatamos ainda quenos menores de cinco anos, as principais causas de
ANAIS DO I SENAPS
mortalidade incluem as afecções perinatais, as infecções respiratórias, as doenças diarréicas e a
desnutrição(DATASUS, 2011). Ainda de acordo com os dados disponíveis no DATASUS, em
2008 no estado do Paraná, a porcentagem de internações e suas respectivas causas em crianças
de 1 a 4 anos foi: doenças do aparelho respiratório com 46,26%, seguidas de doenças
infecciosas e parasitárias com 21,53%, doenças do aparelho digestivo com 5,46%, causas
externas com 4,29%, doenças do aparelho geniturinário com 4,70%, neoplasias com 1,63%,
transtornos mentais e comportamentais e doenças do aparelho circulatório somam juntos menos
que 1% e, por fim, demais causas somam 15,38%.
Assim, os questionamentos que levaram a condução deste estudo foram: por que as
crianças da faixa etária estudada continuam adoecendo por causas evitáveis? Por que continuam
sendo internadas se os problemas de saúde apresentados deveriam ser resolvidos pela atenção
básica ou em nível ambulatorial? O que leva à busca do pronto atendimento e não a atenção
básica? E, por fim, como os problemas de saúde dessas crianças são solucionados no pronto
atendimento?
OBJETIVOS
O objetivo deste estudo é caracterizar o perfil clínico de crianças de um a quatro anos, onze
meses e 29 dias que foram atendidas no Pronto Atendimento Continuado II (PAC II/UPAII), do
município de Cascavel, PR, no ano de 2010.
MATERIAIS E MÉTODOS
A população do estudo foram crianças atendidas na UPA II (PAC II), em Cascavel Paraná, no ano de 2010, compreendidas na faixa etária de um a quatro anos, onze meses e vinte
nove dias. A amostragem elegida foi a aleatória estratificada, que de acordo com Gil (2002),
caracteriza-se pela seleção de uma amostra de cada subgrupo da população considerada. Neste
caso, a população foi divida pela idade. Utilizou-se o intervalo de significância de 95% de
confiança e 4% de margem de erro. Obtivemos como amostra total a ser caracterizada 236
prontuários. Iniciamos a pesquisa através da captação de prontuários junto ao SAME (Serviço
de Arquivo Médico e Estatística) do PAC II. Neste serviço, constam os cadernos com os
registros de todos os atendimentos realizados na unidade. Em seguida, selecionamos a amostra
necessária através da enumeração das linhas de 00 a 33, sendo retirada a criança correspondente
ANAIS DO I SENAPS
ao número 29. Caso a criança não se enquadrasse na pesquisa, a imediatamente anterior foi
selecionada. Posteriormente, levantamos os prontuários na UPA II para coleta dos dados
clínicos, correspondendo à primeira etapa da pesquisa, a qual se refere o presente trabalho.O
instrumento de coleta de dados consta de variáveis relacionadas aos dados clínicos do
atendimento da criança na UPA II, sendo elas: sexo da criança; data do atendimento; idade;
temperatura; freqüência respiratória; saturação periférica de oxigênio; hipótese diagnóstica;
conduta; encaminhamento; e profissional que realizou o atendimento. A sistematização e análise
dos dados ocorreu mediante a criação de banco de dados no programa EPI-Info 2010.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa – CEP/Unioeste, sob parecer
de nº 495/2010 – CEP e contemplado no Edital Universal do CNPq 014/2010.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Obtivemos como amostra total 236 prontuários correspondentes a atendimentos de
menores de cinco anos e maiores de um ano realizados no PAC II no ano de 2010. Não houve
diferença significativa quanto ao sexo. A faixa etária mais acometida foi de 13 a 23 meses. Os
valores de temperatura se mostraram pouco elevados. As variáveis da frequência respiratória e
saturação de oxigênio, em mais de 90% dos casos, não foram aferidas. As doenças respiratórias
são os principais diagnósticos, seguindo-se as doenças gastrointestinais, outras causas
(ferimentos, alergias, dermatites, presença de corpo estranho), causas externas, doenças infecto
parasitárias (DIPs) e problemas geniturinários, respectivamente. As condutas adotadas incluíram
avaliação médica, administração de medicamentos, realização de raios-X e observação. A maior
parte dos encaminhamentos corresponde à alta, seguindo referência para ambulatório SUS.
Apenas um caso requeriu encaminhamento para nível terciário de atenção à saúde e nove casos
requereram internação no PA. Cerca de 70% dos atendimentos foram realizados por médicos
pediatras. Os resultados do nosso estudo mostraram que a grande maioria dos problemas de
saúde apresentados pelas crianças poderiam ser resolvidos pela atenção básica. Porém, ocorre
que os pais ou responsáveis vão diretamente para níveis mais complexos de atenção à saúde,
impedindo que a atenção básica proponha soluções para os problemas apresentados. Kovacset
al. (2005) traz como explicação para a demanda espontânea para serviços de urgência e
emergência o descompasso entre crescimento da rede básica, necessidades de atenção e
indefinição sobre o papel das unidades básicas, percepções dos responsáveis pelas crianças
ANAIS DO I SENAPS
sobre USF, concepções sobre a necessidade de pronto-atendimento, valores relativos a
utilização das urgências pediátricas e do cotidiano dos serviços, acessibilidade à rede básica e
qualidade do atendimento prestado.
CONCLUSÕES
Nosso estudo evidenciou que muitos dos problemas de saúde que motivaram a busca
pela UPA II (PAC II) eram passíveis de resolução na atenção básica. Porém, como os pais ou
responsáveis buscam primeiramente níveis mais complexos de atenção à saúde, a atenção básica
fica impossibilitada de resolver tais problemas. Nosso estudo aponta para a necessidade das
Unidades Básicas de Saúde se consolidarem como referência para a população, para que esta
busque nas UBSs/USFsa resolução dos problemas de saúde apresentados e não as utilizem
apenas para atendimentos previamente agendados. Esta consolidação se dará através do
cumprimento dos princípios de orientação da Política Nacional de Atenção Básica, como a
integralidade, o acesso universal, o acolhimento, a criação de vínculos, a participação da
população e controle social, além da valorização dos profissionais atuantes na rede. Da mesma
forma que cabe a população buscar por serviços em níveis adequados de complexidade
respeitando a hierarquia do sistema de saúde, é necessário que a Atenção Básica cumpra com
seu papel e proporcione resolução dos problemas que chegam até ela. Assim, o sistema de saúde
funcionará de forma adequada com a reorganização da demanda para as unidades de pronto
atendimento e/ou unidades de urgência, permitindo que cada nível de atenção realize
atendimentos de acordo com sua capacidade operacional e complexidade tecnológica,
oferecendo serviços de qualidade para os usuários.
PALAVRAS-CHAVE: criança, cuidado, organização do trabalho de saúde.
REFERÊNCIAS
BRASIL.
Ministério
da
Saúde.
Portal
da
Saúde.
UPA
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Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA – AÇÃO INTEGRADA PARA PROMOÇÃO
DA SAÚDE EM ESTUDANTES EM COLOMBO-PR
Aislaine Poplade Pereira de Mattos
Eloyse Weeny Ramos Bieberbach Ceschim
Bruna Larissa Klingbeil de Lima
Dayane Gomes Piala
Evelyn Kultum Opuszka
Nayana Cavassim do Nascimento
INTRODUÇÃO
Instituído pelo Decreto nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007, o Programa Saúde
na Escola (PSE) foi desenvolvido através da integração do Ministério da Saúde e
Ministério da Educação com o objetivo de ampliar as ações em saúde no ambiente
escolar. A partir da década de 90, a Escola passou a ser considerada como um espaço
para ações que estabeleçam mudanças de atitude e opções mais saudáveis de vida,
diminuindo assim, riscos e agravos à saúde de crianças, adolescentes e jovens adultos
(BRASIL, 2009).
A promoção de hábitos alimentares saudáveis está inserida no contexto da
adoção de estilos de vida saudáveis, sendo componente importante na promoção da
saúde e qualidade de vida. Esta promoção está pautada na concretização do direito
humano à alimentação adequada (DHAA) e na garantia da Segurança Alimentar e
Nutricional (SAN) da população sendo um eixo estratégico da Política Nacional de
Promoção da Saúde (BRASIL, 2006)constituindoa Política Nacional de Alimentação e
Nutrição como uma importante diretriz(BRASIL, 2005).
No ambiente escolar, o trabalho de promoção da saúde deve envolver
professores, funcionários, pais e comunidade para que assumam uma atitude frequente
de empoderamento dos estudantes de modo a desenvolver competências e autonomia
ANAIS DO I SENAPS
para o exercício pleno da cidadania (PORTUGAL, 2006; DEMARZO; AQUILANTE,
2008).
Nas últimas cinco décadas, o Brasil passou por mudanças significativas no que
diz respeito ao crescimento populacional, com aumento da expectativa de vida, aumento
da população urbana e mortalidade infantil, denominada transição demográfica. Tal
transição relaciona-se com a diminuição de doenças infecciosas e aumento das doenças
crônicas não transmissíveis (DCNT), chamada transição epidemiológica (RINALDI, et.
al., 2008apud LAURENTI, R., 1990).
Juntamente com tais mudanças, destaca-se atransição nutricional que é
caracterizada pela mudança de estilo de vida (entrada da mulher no mercado de
trabalho, alimentação fora de casa, entre outros), alteração do padrão dietético (aumento
do consumo de gorduras saturadas e de origem animal, quantidade reduzida de
carboidratos complexos e fibras, consumo de alimentos ricos em açúcares e sódio),
sedentarismo e mudanças econômicas, sociais e demográficas. Como resultado tem-se a
alteração do perfil nutricional da população, ou seja, a redução do número de casos de
desnutrição e aumento do binômio sobrepeso/obesidade (BRASIL, 2008a).
Diante deste cenário, cerca de 50% das crianças que são obesas até os seis meses
de idade e 80% das obesas até os cinco anos, permanecerão nesta condição na fase
adulta. Sendo assim, os hábitos alimentares estabelecidos na infância são de extrema
importância para a definição do risco de DCNT’s (Doenças Crônicas não
Transmissíveis), como: hipertensão, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e
neoplasias na fase adulta (GOTMARKER, 1987 apud ABRANTES et. al, 2002.)
Definida como o excesso de gordura corporal, a obesidade infantil vem
aumentando de forma significativa tanto no Brasil como em todo mundo e as
consequências de hábitos alimentares não saudáveis são determinantes de várias
complicações na infância e na idade adulta. A obesidade é considerada um grande
problema da sociedade moderna e globalizada, causada por diversos fatores como:
sedentarismo, alimentação inadequada, hábitos alimentares equivocados dos pais, entre
ANAIS DO I SENAPS
outros. Estudos mostram que a presença da obesidade na infância é um forte indicador
de sua permanência na fase adulta, com consequentes riscos de doenças
cardiovasculares e diabetes. Pode ainda acarretar distúrbios psicológicos, isolamento,
depressão, preconceito e baixa autoestima (SILVA, 2008).
OBJETIVO
Relatar a experiência de profissionais da Nutrição em uma atividade de educação
em saúde em 13 escolas do município de Colombo-PR,planejada a partir da iniciativa
nacional da Semana de Saúde na Escola e dos resultados do Programa Saúde na Escola
obtidos no ano de 2012.
METODOLOGIA
No período de 11 a 15 de março de 2013, foi desenvolvida uma atividade
lúdica de educação nutricional em 13 escolas da rede pública do município, como
resultado da Campanha da Semana da Saúde na Escola nas instituições públicas de
ensino básico de todo o país, vinculadas ao PSE. A ação atingiu cerca de 200 crianças
por escola e priorizou os 4º e 5º anos, não obrigatoriamente. O documentário “Muito
Além do Peso” (2012) dirigido por Estela Rennerfoi utilizado como base para a
preparação de um teatro contendo informações atuais para a conscientização de uma
alimentação adequada x obesidade. Foram utilizados materiais do Departamento de
Nutrição da Universidade Federal do Paraná, tais como: pacotes de salgadinhos e
biscoitos recheados, garrafas plásticas que simbolizavam sucos e achocolatados, lata de
achocolatado em pó, caixas de chocolate, embalagens de doces e frutas e verduras
artificiais. Estes materiais simbolizavam os alimentos que o consumo não é
recomendado e os alimentos consumidos frequentemente pelos alunos. Foram
necessárias garrafas para colocar açúcar e óleo conforme as quantidades presentes em
uma lata de refrigerante do tipo cola, um pacote médio de salgadinho de batata chips,
ANAIS DO I SENAPS
uma garrafa de refrigerante sabor uva de 600ml, uma caixa de achocolatado pronto para
consumo de 200ml e um pacote de bolacha recheada.
Os alimentos foram escolhidos com base no documentário assistido bem como
as quantidades de açúcar e óleo. Para o figurino foram necessárias roupas masculinas
(duas camisas e dois bonés), um avental colorido com frutas e verduras e três mochilas.
Foi disponibilizada uma cópia do Documentário “Muito além do peso” para os diretores
das 13 escolas assistidas pelo PSE, para que os mesmos repassassem aos professores,
funcionários e pais para conscientização da gravidade da obesidade infantil.
O roteiro foi distribuído entre quatro personagens.A nutricionista: uma
profissional que participa da história para interagir com os personagens e com o
público. É extrovertida, fala a linguagem das crianças, questiona e ensina de maneira
clara e simples sobre a quantidade de gordura e açúcar que os alimentos mais
consumidos pelas crianças possuem, sobre as doenças que podem decorrer do consumo
exagerado deles (diabetes mellitus, obesidade e hipertensão) e como os alunos poderiam
realizar mudanças no seu cotidiano (alimentação saudável, exemplos de lanches
saudáveis e atividade física).
O menino 1: aproximadamente 10 anos de idade que possui uma alimentação
inadequada. Tem um armário na sua casa com todos os alimentos que as crianças
gostam, porém não saudáveis. É o mais extrovertido, preguiçoso e reclama das
orientações da nutricionista. Influencia os amigos para a alimentação inadequada no
início, mas com o desenrolar do diálogo com os colegas, compreende e modifica seus
hábitos. Todos os alimentos escolhidos para o teatro estavam dentro do armário fictício
pertencente a este personagem.
O menino 2: aproximadamente 10 anos de idade. Tem hábitos alimentares
corretos e gosta de praticar atividade física. Não aceita as sugestões do amigo no início,
mas é influenciado um pouco depois. Sempre tenta corrigir os amigos, mas acaba se
frustrando quando eles nãolhe ouvem. É elogiado pela nutricionista e ao final, recebe o
reconhecimento dos colegas, que acabam se tornando como ele.
ANAIS DO I SENAPS
A menina: aproximadamente 10 anos de idade, não tem uma opinião formada
quanto a hábitos alimentares saudáveis. Julga-se correta sabendo muito bem o que é
saudável ou não. Deixa-se influenciar demasiadamente pelo amigo 1, porém reconhece
que estava errada e se assusta quando percebe que seus hábitos não estavam de acordo
com as orientações da nutricionista.
RESULTADOS
No PSE realizado no ano anterior em 4 escolas de Colombo (4 dentre as 13
anteriormente citadas), observou-se que 20,2% (n: 227) das crianças apresentaram
sobrepeso, 10,6% (n: 119) estavam obesas e 2,9% (n:33) já apresentavam obesidade
grave segundo IMC para idade.
Segundo protocolo do SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional)
(BRASIL, 2011) espera-se que em uma população saudável, a porcentagem de crianças
com sobrepeso seja de 15,9%, o que não corrobora com o resultado dos escolares
avaliados em Colombo (20,2%). Da mesma maneira, observa-se uma discordância nas
porcentagens referentes às crianças classificadas com obesidade e obesidade grave,
sendo estas maiores que o esperado (2,3% e 0,1%, respectivamente).
Diante de tais resultados, observou-se a necessidade da realização de uma
atividade de educação nutricional. Durante a apresentação do teatro pode-se observar
que, as crianças reconheceram e diferenciaram os alimentos considerados saudáveis e
não saudáveis. Muitos se manifestavam com expressões faciais e gestos de positivo ou
negativo.Quando os alunos foram questionados a respeito dos ingredientes contidos em
maior quantidade nos produtos industrializados mostrados no teatro, grande parte deles
soube identificar corretamente (grande quantidade de açúcar e gordura).
A ideia original foi baseada no documentário descrito anteriormente e assim
como no filme, os alunos mostraram-se surpresos quanto à quantidade desses
ingredientes nos produtos exibidos e destinados pela indústria ao público infantil.
ANAIS DO I SENAPS
Considerando o processo de transição nutricional presente atualmente, se faz
importante a elaboração de ações de nutrição e saúde, além disso, vale ressaltar que os
hábitos alimentares são formados na infância e a introdução de práticas alimentares
saudáveis pode prevenir doenças e agravos na vida adulta (CARVALHO; OLIVEIRA;
SANTOS, 2010).
A atenção das crianças, bem como os questionamentos realizados mostrou-se
como um ponto positivo no objetivo de conscientização sobre a obesidade infantil e os
problemas que uma má alimentação pode desencadear a saúde.Pode-se perceber que por
meio da didática utilizada, quando os alunos visualizavam o que estava sendo discutido,
a atenção dos mesmos era redobrada.
Após a apresentação, quando os alunos foram questionados se continuariam a
consumir os produtos industrializados mostrados, em algumas escolas, os alunos
relataram que continuariam o consumo, sugerindo que há uma forte influência da mídia
e de hábitos já arraigados, mesmo na mais tenra idade.
Sabe-se que atualmente a criança passa grande parte do tempo em frente à
televisão, e este é um veículo pelo qual diversos comerciais envolvendo produtos ricos
em gorduras e pobre em nutrientes são veiculados, fazendo com que estes sejam
consumidos na mesma proporção em que são anunciados (MIOTTO; OLIVEIRA,
2006).
Quando questionados sobre o consumo de frutas e verduras, os alunos em sua
maioria relataram consumir tais alimentos, porém de maneira esporádica. A importância
de uma alimentação saudável e que contemple todos os grupos alimentares foi
ressaltada e na medida em que o tema era abordado questionamentos surgiam e eram
esclarecidos.
Aproveitou-se a oportunidade para enfatizar a importância do consumo da
merenda escolar e não de outros produtos industrializados trazidos de casa ou
comprados próximos às escolas. A merenda escolar contempla e supre as necessidades
ANAIS DO I SENAPS
nutricionais dos escolares durante o período que estes se mantêm na escola,
contribuindo para o crescimento e aprendizado dos escolares.
CONCLUSÃO
Analisando a experiência vivenciada pelas profissionais de Nutrição, as
atividades de educação nutricional deveriam tornar-se constantes e/ou permanentes nas
escolas de Colombo, bem como a inserção de uma disciplina de Educação em Saúde na
grade curricular e incentivo a intersetorialidade entre Escolas e Unidades de Saúde
através de programas do Governo Federal como o PSE, sugerindo que hábitos de vida
saudáveis façam parte da rotina dos alunos, pais, diretores, funcionários, comunidade e
profissionais de saúde contribuindo de modo singular para o desenvolvimento integral
dos escolares em todos os âmbitos de vida.
PALAVRAS-CHAVE: Obesidade Infantil; Programa Saúde na Escola; Educação
Nutricional.
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Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
ADOLESCENTES E USO DE DROGAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE
PRÁTICA EDUCATIVA
Ana Tamara Kolecha Giordani1
Ana Paula Dias2
Cristina Bohrer2
Gleyce Kelly Duquesne Falco2
Leila Wiedmann3
Franciele Foshiera Camboin4
INTRODUÇÃO
A adolescência é um período crítico na vida de cada indivíduo, pois nessa fase o
jovem vivencia descobertas significativas e afirma a personalidade e a individualidade.
Caracterizar a adolescência somente como faixa etária seria uma maneira muito simplista de
observá-la, uma vez que ela compreende a transformação do jovem até a idade adulta, não
apenas sob o ponto de vista biológico, mas também social e, principalmente, psicológico
(CAVALCANTE; ALVES; BARROSO, 2008).
Para Schenker; Minayo (2005) a adolescência é um período crucial no ciclo vital
para o inicio do uso de drogas, seja como mera experimentação, seja como consumo
ocasional, indevido ou abusivo. Muitas vezes as relações familiares saudáveis servem como
fator de proteção para estes jovens. Embora na maioria das vezes este consumo seja
experimental, é possível notar padrões que refletem comportamentos observados na vida
adulta e que podem ser indicativos da necessidade de estabelecer medidas preventivas nesta
etapa do desenvolvimento (TAVARES; BÉRIA; LIMA, 2001).
A interface entre adolescência e uso de drogas é complexa, envolvendo aspectos
biológicos, sociais, culturais e éticos. A discussão destes fatores é fundamental para
subsidiar a abordagem pelos profissionais da saúde (BRASIL, 2003).
A imagem do usuário de drogas como alguém incapaz de funcionar
adequadamente dentro da sociedade reflete, na realidade, o estagio final do
problema, sendo difícil o reconhecimento em estágios iniciais. A
identificação de sinais precoces de comportamento de dependência é
altamente necessária para que a família e o setor escola e saúde possam tomar
providencias com maiores chances de sucesso. Tem-se a questão se a
ausência a escola seria uma consequência do uso de drogas ou marcaria um
ANAIS DO I SENAPS
comportamento de dificuldade em outras áreas, que incluiria ou culminaria o
uso de drogas (TAVARES; BÉRIA; LIMA, p. 157, 2001).
O adolescente apresenta sinais de instabilidade e dependência. Cabe aos familiares,
professores e equipe de saúde estarem atentos as mudanças comportamentais do individuo
ao longo dos anos, saber identificar quando o adolescente encontra-se na classificação de
risco para o uso de drogas e principalmente saber identificar quando este adolescente
precisa de ajuda profissional para se livrar das drogas. Assim, o enfermeiro pode ser o
profissional que faz o elo de ligação entre Unidade Básica de Saúde (UBS), escola e
domicílio e deve conhecer o ambiente em que vive o usuário da UBS, conhecer os riscos
que a população esta exposta e fazer um planejamento buscando a prevenção de tais males.
A prevenção muitas vezes se dá através da educação em saúde com os sujeitos. Sendo a
escola, a principal instituição voltada para formação de cidadãos, é compreendida como
local para execução de educação em saúde, uma vez que as crianças e os adolescentes são o
público mais vulnerável e são indicados para essas ações educativas. (BRASIL, 1998). As
forças negativas do ambiente social podem explorar a vulnerabilidade do jovem
ameaçando-o com problemas, como as drogas. A exploração é inevitável no
desenvolvimento humano, e cabe ao jovem tomar a decisão certa. Neste caso, pais e
professores podem exercer o papel de administradores e consultores na vida dos jovens,
estabelecendo um laço de confiança em que, através de seus conselhos, os objetivos possam
ser atingidos (TORRES; BOCHNIAK, 2003).
O conceito de vulnerabilidade remete a ideia de fragilidade e de dependência, que se
vincula à situação de crianças e adolescentes. Pode-se dizer que, ser vulnerável não é o
mesmo que ser incapaz, mas ter por direito a condição de superar os fatores de risco que
podem afetar o seu bem-estar. Quando se pensa em vulnerabilidade de crianças e
adolescentes é importante percebê-los como seres que precisam ser urgentemente atendidos.
Esta condição lança a família, a sociedade e ao Estado a responsabilidade para com sua
formação (SIERRA; MESQUITA 2006).
Quando se trata de uma atividade em que se deve relacionar a educação com a saúde
na sala de aula, o relacionamento professor-aluno deve ultrapassar os limites do óbvio e
surpreender os alunos, prender a atenção na aula e incentivar a participação dos mesmos.
ANAIS DO I SENAPS
Por isso o processo ensino aprendizagem deve ser diferente e os métodos de ensino
diversificados. Diante disso, durante as atividades práticas supervisionadas da disciplina de
prática de ensino do curso de enfermagem de uma universidade estadual no oeste do Paraná,
realizamos uma prática educativa com alunos do ensino médio envolvendo o assunto.
OBJETIVO
Apresentar a prática educativa em saúde realizada com alunos de uma escola
pública da região oeste do Paraná acerca dos principais tipos de drogas e os efeitos nocivos
causados pelo uso do mesmo
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo que para Gil (1999), tem o objetivo de descrever as
características de determinada população ou fenômeno.
Na prática educativa foram ministradas aulas teóricas expositivas e dialogadas em
dois dias, com carga horária de 5 horas/aula A cada dia, 3 horas/aula foram direcionadas
para a fundamentação teórica e 2 para atividades prática e as dúvidas, sugestões e
colocações foram realizadas no decorrer da prática educativa. Para isso, fez-se uso de
aparelho multimídia, vídeos, dinâmica avaliativa e demonstração prática dos efeitos do
tabagismo com a boneca Smokey Sue.
RESULTADOS
As aulas foram ministradas em dois dias, o que possibilitou uma maior interação
com os alunos. Num primeiro momento foram discutidos aspectos relacionados a
composição e efeitos das principais drogas no organismo. Durante a discussão varias
perguntas surgiram inclusive depoimentos acerca de experiências anteriores com o uso
abusivo de drogas.
Observou-se que a maior parte dos alunos teve contato com drogas, descrevendo
uma realidade diferente dos livros e nos mostrando como é fácil ter acesso as drogas na
realidade em que vivemos. Segundo alguns alunos, algumas drogas eram misturadas a
ANAIS DO I SENAPS
corantes, recebiam nome de super herói e eram vendidas de forma que o consumidor
acreditasse receber super poderes ao fazer uso da mesma. Além disso, houve depoimento de
um aluno que fazia uso de cocaína, relatou seu efeito alucinógeno, modo de usar intranasal
e a dificuldade para se livrar do vício. O aluno está em tratamento e acompanhamento e
descreve como sendo uma luta diária contra o desejo de consumo. Este e outros relatos nos
mostraram que os alunos tem um alto conhecimento sobre o assunto, citando drogas
desconhecidas na literatura.
Depois de realizadas as discussões, duas dinâmica avaliativas foram propostas. A
primeira foi um teatro feito pelos alunos demonstrando o uso de uma droga, em que os
demais colegas deveriam adivinhar a droga descrita. Na segunda dinâmica a sala foi
dividida em três grupos. Uma pessoa era responsável no grupo para responder as perguntas
relacionadas ao tema, outra pessoa andava casas no chão feitas com papel sulfite, como se
fosse um jogo de tabuleiro e o resto do grupo realizava discussão para chegar na resposta
certa. Assim, a cada resposta certa, o aluno andava uma casa e o grupo que respondia maior
número de questões corretamente, vencia. Entretanto, a primeira dinâmica não foi eficaz,
pois muitos dos alunos se recusaram a participar do teatro. Então, após esta primeira
tentativa, a dinâmica foi tirada, permanecendo a dinâmica de perguntas e respostas, sendo
que nesta, a maioria das questões eram respondidas corretamente e houve grande
participação dos alunos. Para complementar o tempo previsto, mais vídeos sobre o tema
foram apresentados. Por fim foi realizada uma demonstração pratica dos efeitos do
tabagismo com a boneca Smokey Sue. Como a boneca fumava os cigarros, a atividade foi
desenvolvida em um ambiente aberto, no pátio da escola. Um cigarro era colocado na boca
da boneca e acendido, insuflando-se o peito da boneca era possível tragar o cigarro.
Conforme o cigarro era consumido e a boneca fumava, as toxinas presentes no tabaco se
acumulavam em um tubo de ensaio que representava o pulmão, tornando o tubo escuro. A
atividade despertou o interesse e a curiosidade dos alunos e equipe pedagógica. Após a
apresentação da boneca, vídeos sobre drogas foram passados ate o final da aula.
CONSIDERAÇÕES
ANAIS DO I SENAPS
A realização de práticas educativas em saúde no ambiente escolar é uma atividade
contemplada na matriz curricular do curso de enfermagem da Universidade Estadual do
Oeste do Paraná, fazendo parte da formação do enfermeiro educador. Assim, esta atividade
possibilitou uma troca de experiência entre acadêmicos e alunos. Nota-se que muitos
adolescentes fazem o uso de drogas sem se preocupar com a maleficência do mesmo, e o
enfermeiro como profissional de saúde pode, alerta-los sobre os riscos e consequências
deste uso abusivo por meio de práticas educativas de prevenção, promoção e reabilitação à
saúde.
Para a enfermagem, o estudo sobre o comportamento dos adolescentes perante as
drogas é de fundamental importância, uma vez que é de nosso conhecimento o fato de que
tanto as medidas preventivas como as estatísticas disponíveis em nosso País são
insuficientes para tratar e dimensionar a problemática. Aproximar-se da realidade dos
nossos jovens a fim de conhecer o problema e elaborar políticas públicas e programas de
prevenção e tratamento para o uso/abuso de álcool e drogas é um dos papéis dos
profissionais de saúde, visando à manutenção da qualidade de vida da população jovem
(CAVALCANTE; ALVES; BARROSO, 2008). Trabalhar com adolescentes é um desafio.
Entretanto, buscando estratégias que fortaleçam o laço do profissional com o adolescente, a
relação se torna benéfica para ambos, neste sentido o adolescente pode implementar ações
para cuidar da sua saúde e tirar as dúvidas frequentes que se tem nesta fase, e o enfermeiro
tem um feedback dos resultados que esta interação propicia.
Palavras chaves: Drogas, Adolescentes, Enfermagem.
REFERÊNCIA
BRASIL. Núcleo de estudos da saúde do adolescente - NESA. Drogadição. Disponível em:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/multimedia/adolescente/drogas2.swf>. Acesso em:
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terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais/ Secretaria de Educação
Fundamental - Brasília: MEC/SEF, 1998.
ANAIS DO I SENAPS
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Janeiro, v. 12, n. 3, 2008.
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1999.
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adolescência. Ciênc. Saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, p. 707-717, 2005.
SIERRA, V.M.; MESQUITA, W.A. Vulnerabilidade e fatores de risco na vida de crianças e
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TAVARES, B. F.; BÉRIA, J. U.; LIMA, M. S. Fatores associados ao uso de drogas entre
adolescentes escolares. Rev. Saúde Pública, Pelotas, v. 38, n. 6, p. 787-796, 2004.
TORRES, P. L.; BOCHNIAK, R. Uma leitura para os temas transversais: ensino
fundamental. Curitiba: SENAR, 2003.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
PROCESSO DE TRABALHO NO CUIDADO DA CRIANÇA NA ATENÇÃO
PRIMÁRIA À SAÚDE: REVISÃO INTEGRATIVA
Anna Luisa Finkler48
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso49
Cláudia Silveira Viera50
INTRODUÇÃO
Todo trabalho constitui-se em uma atividade transformadora de um objeto de
trabalho em produtos, em que a transformação de tal atividade pretende o alcance de
uma finalidade (MARX, 1994). No setor saúde, tido como setor de serviços, tal
afirmação não difere, já que se tem o cuidado como objeto de trabalho e a resolução das
necessidades de saúde como a atividade fim deste trabalho, visto que ao conceber e
planejar as ações em saúde, os trabalhadores identificam a necessidade de saúde que é
possível ser satisfeita e a produção dessas ações incorpora os elementos que constituem
o processo de trabalho, como: objeto, instrumentos, produto e finalidade que juntos
articulam-se e sustentam-se em uma percepção do homem e do processo saúde-doença
(PEDUZZI; SCHRAIBER, 2008). Tais elementos, no trabalho em saúde configuram-se
por uma característica específica presente neste tipo de trabalho, o de ser relacional, ou
seja, ocorre por meio de uma relação existente entre um trabalhador e um usuário,
podendo ser de forma individual ou coletiva, com a utilização de conhecimentos que
busque como finalidade única a saúde (BRASIL, 2005). Desta maneira, o processo de
trabalho em saúde, dimensiona-se a partir do cotidiano do trabalho em saúde, na sua
48
Enfermeira. Mestranda. Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus Cascavel, PR. Rua
Universitária, 1619. Bairro: Jardim Universitário. Cascavel, PR. (45) 3220- 3000.
[email protected]
49
Enfermeira. Doutora em Ciências pelo Programa de Enfermagem em Saúde Pública da Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – EERP/USP. Docente do Curso de
Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
50
Enfermeira. Doutora em Saúde Pública. Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual
do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
ANAIS DO I SENAPS
prática diária dos trabalhadores de saúde inseridos na produção e consumo dos serviços
de saúde. Tal produção e consumo estão pautados por meio das tecnologias de saúde,
caracterizadas por serem leves (relações estabelecidas), duras (máquinas e instrumentos)
ou em leve - duras (conhecimento técnico), propostas por Merhy (2002). Assim, a
forma de agir dos profissionais de saúde no seu processo de trabalho com a utilização de
tais tecnologias, é o que caracterizará o trabalho em saúde e levará à resolução ou não
dos problemas de saúde existentes. Indicando que os problemas de saúde são sempre
complexos, pois envolvem inúmeras dimensões da vida, de ordem social, biológica e
subjetiva, sendo que o trabalho em saúde se tornará eficaz se alcançar tais
complexidades e der sentido à intervenção nos diversos campos de saúde (BRASIL,
2005). Dentre a complexidade do setor saúde, destaca-se a atenção especial requerida
junto à infância. Para o Ministério da Saúde a infância é um momento que exige uma
maior atenção, devido ao desenvolvimento das potencialidades humanas, sendo que o
aparecimento de qualquer distúrbio pode causar graves consequências para os
indivíduos e para a comunidade (BRASIL, 2009). Por esta causa, inúmeras ações
(programas e políticas) vêm sendo criadas desde a década de 1980, com o objetivo de
intervir nesta faixa etária a partir da mudança do modelo tecnoassistencial, representada
pela ampliação do acesso aos serviços de saúde, pela desfragmentação da assistência e
pela mudança na forma como o cuidado aos recém-nascidos e as crianças estava sendo
realizado (BRASIL, 2012). Como exemplo, tem-se a implantação, nos últimos dois
anos, de programas prioritários, como a Rede Cegonha e o Brasil Carinhoso. As ações
propostas pela maioria dos programas e políticas públicas de saúde da criança voltam-se
para o desenvolvimento e proteção da infância e da adolescência, destacando a
assistência ao recém-nascido, a promoção do aleitamento materno, o seguimento do
crescimento e desenvolvimento da criança, as imunizações, e também a prevenção e o
controle das doenças diarreicas e respiratórias agudas (BRASIL, 2009). Para a
concretização de tais ações, a Atenção Primária à Saúde (APS) foi designada como
sendo a ferramenta essencial, pois é nesse âmbito de atenção que devem ser assegurados
ANAIS DO I SENAPS
os cuidados preventivos para a promoção de boas condições de saúde na infância, bem
como os cuidados de promoção, prevenção e terapêutica, com o envolvimento dos
profissionais da saúde, da família, da comunidade e de outros setores sociais (MELO;
TONETE; SILVA, 2009). Para promover o cuidado da criança no âmbito da APS, fazse necessário a união e esforço contínuo da equipe de saúde, carreado por conhecimento
de afetividade em prol de uma maior aproximação com os seres cuidados, com o
objetivo de melhorar sua condição, resgatando a dimensão humana do cuidado, de
forma a ultrapassar antigos paradigmas (MOURA; ROCHA, 2012) que centram-se, de
maneira geral, apenas no conhecimento e condutas isoladas de um modelo biológico e
unicausal do processo saúde – doença dos indivíduos e coletividades. Desse modo,
levando em consideração a importância dada à atenção à saúde da criança e a forma
como o trabalho em saúde se estrutura na APS por meio do processo de trabalho, tornase passível o seguinte questionamento: o que as produções científicas existentes nos
periódicos nacionais têm abordado a respeito do processo de trabalho em saúde na
assistência à saúde da criança na APS?
OBJETIVOS
Identificar na literatura nacional e apresentar o conhecimento científico
produzido no que diz respeito ao processo de trabalho da equipe de saúde na assistência
à saúde da criança no âmbito da APS.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa, cujo método de pesquisa permite a síntese
de múltiplos estudos publicados e possibilita conclusões gerais a respeito de uma
particular área de estudo (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). Consiste na
construção de uma análise extensa da literatura, contribuindo para discussões sobre
métodos e resultados de pesquisas, assim como reflexões sobre a realização de futuros
estudos. O propósito inicial deste método de pesquisa é obter um profundo
entendimento de um determinado fenômeno baseando-se em estudos anteriores
ANAIS DO I SENAPS
(BROOME, 2000 apud MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). A ferramenta
utilizada para a busca de dados foi a internet. Após uma pesquisa prévia, optou-se pelo
levantamento por meio dos seguintes periódicos da área de saúde pública/coletiva:
Revista de Saúde Pública, Cadernos de Saúde Pública, Physis - Saúde Coletiva, Revista
Latino-Americana de Enfermagem, Revista Brasileira de Enfermagem (Reben),
Ciência, Cuidado e Saúde, Revista Escola de Enfermagem da USP, Acta Paulista de
Enfermagem e Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste (RevRene). Os critérios
para inclusão foram: a) artigos publicados em português, independente do método de
pesquisa utilizado; b) artigos que abordem a temática de atenção primária a saúde das
crianças, relacionados com o processo de trabalho em saúde da equipe; c) artigos que
possuam resumo e texto completo disponível online para facilitar sua seleção prévia e
acesso livre; e) artigos publicados no período entre julho de 2006 a abril de 2013. Para a
seleção dos artigos, primeiramente foi feita a leitura dos títulos e dos resumos dos
mesmos, percebendo se atendiam ao objetivo e à pergunta norteadora proposta pela
pesquisa. Após a seleção dos artigos, foi realizada a categorização para análise e
construção da interpretação dos resultados, seguida da conclusão. As palavras-chave
utilizadas para a busca foram: atenção primária à saúde, criança e trabalho. Todas foram
cruzadas e fazem parte dos descritores no DECs.
RESULTADOS
De um total de 225 artigos obtidos na primeira busca, após a leitura e aplicação
dos critérios de inclusão/exclusão, obteve-se uma amostra final de nove artigos, a partir
dos quais se elaborou os resultados. Por meio da análise das publicações selecionadas
foi possível identificar os elementos do processo de trabalho, a saber: objeto de
trabalho, instrumentos de trabalho e finalidade do trabalho. Objeto de trabalho em
saúde: Quanto ao objeto de trabalho em saúde, quatro estudos (ALEXANDRE et al.,
2010, COSTA et al., 2010, MONTEIRO et al., 2011, SILVA; RAMOS, 2011)
mencionaram que a assistência à saúde da criança na APS estava pautada no modelo de
assistência individual, curativo e biológico, que aborda as inúmeras e complexas
ANAIS DO I SENAPS
necessidades humanas e de cuidado de forma biologicista, centrado na doença e no
corpo físico e biológico, ao invés de considerar o objeto de trabalho em saúde o cuidado
humano que tem como ideal a consideração do indivíduo como um ser social e atuante.
A atenção à saúde na sua subjetividade pressupõe transformações e requer, no cotidiano
dos profissionais de saúde, uma postura ética, política e moral de reconhecimento da
diferença da diversidade das demandas apresentadas pela população infantil em que o
cuidado aplicado seja um cuidado amoroso, sensível, humano, solidário e terapêutico,
conciliando as várias dimensões da vida e do viver, aliando aos aspectos biológicos os
sociais, culturais e psicológicos (SOUSA; ERDMANN, 2012). Instrumentos de
trabalho no cuidado a saúde das crianças na APS: Quanto aos instrumentos de
trabalho, dois estudos (FLORES PENA; ALMEIDA; DURANZA, 2006, SOUSA;
ERDMANN, 2012), mencionaram uma assistência de saúde às crianças na APS
configurada como uma prática de saúde centrada em procedimentos, rotinas préestabelecidas, em que o trabalho vivo é substituído pelo trabalho morto, devido à
importância institucional expressa nos protocolos e rotinas do serviço compactadas.
Quanto a integralidade do cuidado à saúde da criança, abordada nas publicações, o
modo de produzir cuidado não alcança os preceitos idealizados por este conceito,
inviabilizando a resolução dos problemas de saúde das crianças, onde a articulação das
ações que ocorre entre a atenção básica, média e alta complexidade ocorre
informalmente e de forma descontínua, o que leva à pouca eficácia e insegurança por
parte da população e dos próprios profissionais (SILVA; RAMOS, 2011, SOUSA;
ERDMANN; MOCHEL, 2011). No entanto, no estudo de Ribeiro; Rocha e RamosJorge (2010) ao avaliar o acolhimento empregado pelos profissionais de uma equipe de
saúde na APS, as respostas foram satisfatórias quanto à postura e resolutividade das
ações segundo a visão das cuidadoras das crianças, evidenciando que a proposta do
acolhimento contribui, de certa forma, para a escuta, valorização e condutas pautadas na
integralidade da demanda assistida. A comunicação como ferramenta de instrumento de
trabalho, foi evidenciada em alguns estudos (FLORES PENA; ALMEIDA;
ANAIS DO I SENAPS
DURANZA, 2006, SOUSA; ERDMANN, 2012) como uma dificuldade enfrentada
durante o ato de cuidado a criança, impedindo que a mãe se sinta a vontade para
questionar e esclarecer dúvidas devido ao tempo reduzido das consultas, imposição do
profissional que conduz a um diálogo educativo, muitas vezes impositivo. Já em um
outro estudo (MONTEIRO et al., 2012) realizado com profissionais de saúde para
compreender a visão dos mesmos sobre humanização na APS, os profissionais
reconheceram a importância da comunicação no processo de escuta e acolhimento dos
pacientes, de forma a compreender os problemas apontados pelo usuário e o modo de
tentar resolvê-los. Contudo, faz-se necessário que os profissionais da saúde repensem
suas práticas e atuem em consonância com os princípios e diretrizes do SUS,
promovendo a integralidade por meio das ferramentas existentes na APS, como o
acolhimento e a proposta de assistência por meio das redes de atenção à saúde.
Finalidade do trabalho no cuidado à criança na APS: Percebe-se, nos estudos
selecionados, que os mesmos apontam estratégias para as mudanças necessárias, sendo
capazes de promover melhorias das ações e das práticas oferecidas ao grupo de crianças.
E também, apontam para a prática de um modelo de assistência hegemônico que
continua influenciando a atuação dos profissionais e gestores e imobilizando a
população na busca de autonomia e participação. Dessa forma, busca-se construir uma
prática emancipatória, colaborando com o processo de autonomia e responsabilidade
dos indivíduos com a sua saúde, através de uma relação horizontalizada, valorizando o
diálogo e a capacitação dos indivíduos sobre o seu processo saúde-doença, permitindolhes influir em decisões que afetem a vida de suas crianças, de sua família e da
coletividade (MONTEIRO et al., 2012).
CONCLUSÃO
Sendo assim, foi possível apreender que o cuidado à saúde da criança ofertado
na APS deve estar centrado nas necessidades de saúde dos usuários, em um espaço de
interação entre trabalhadores e no binômio materno-infantil, que permita a escuta e o
estabelecimento de vínculo e responsabilização, para que a mãe possa expressar suas
ANAIS DO I SENAPS
duvidas relacionadas ao cuidado de seu filho, ser acolhida e encaminhada à uma rede de
serviços que a olhe de maneira integral e resolutiva em toda a sua complexidade.
PALAVRAS-CHAVE: Atenção Primária à Saúde, Criança e Trabalho.
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ANAIS DO I SENAPS
LONGITUDINALIDADE DO CUIDADO EM SAÚDE PARA CRIANÇAS EM
UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA EM CASCAVEL51
Bruna Regina Bratti Frank52
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso53
Cláudia Silveira Viera3
Cláudia Ross3
Phallcha Luízar Obregón3
INTRODUÇÃO
No serviço de saúde temos uma série de programas que buscam a provisão de
serviços de cuidados primários, sendo estes, considerados a porta de entrada do sistema
de saúde, como, por exemplo, a Atenção Primária em Saúde (APS) (VIEIRA, 2010).
Por esse motivo é necessário que a atenção seja de fácil acesso a toda a população. A
atenção básica como porta de entrada encontra referência na Carta dos Direitos dos
Usuários do SUS (BRASIL, 2006) que assegura aos cidadãos acesso de forma ordenada
e organizada dos sistemas de saúde, prioritariamente por meio dos Serviços de Atenção
Primária encontrados em locais próximos a moraria dos usuários (STARFIELD, 2002).
Com a criação do Sistema Único de Saúde, consagrada pela aprovação do projeto de
Reforma Sanitária na Constituição de 1988, tendo como diretrizes a universalidade,
integralidade e participação social; e com as Leis Orgânicas da Saúde (Leis 8.080 e
8.142) em 1990 que estabeleceram bases para a organização do SUS, passamos a
vivenciar um sistema que assegurasse acesso universal às ações e aos serviços de
promoção, proteção, manutenção e recuperação da saúde, bem como avaliar a satisfação
51
Agradecimentos a equipe da pesquisa que não pode ser nominada na autoria em função da limitação do
número de co-autores: Ana Carolina de Souza, André Luiz Soares, Andreia Carrer, Caroline Wink Sotti,
Denise de Fátima Hoffmann Rigo, Henrique S. Shiroma, Jéssica Mayara Cardoso, Juliane Pagliari,
Karina Faquini, Lindsay Menna Pereira, Louise B. Polina, Maciel Costa da Silva, Marina Casagrande
Penteado, Nayara Angélica Barros Ribeiro, Paulo Henrique Pessali Dal’maso, Scaleti Vanessa Brisch.
52
Acadêmica do 5º ano do Curso de enfermagem, campus Cascavel, bolsista de Iniciação científica do
projeto Avaliação da efetividade da atenção primária em saúde para a criança.
53
Docentes da Unioeste, orientadores da pesquisa.
ANAIS DO I SENAPS
desta com os serviços ofertados (JÚNIOR et. al., 2011). O Ministério de Saúde, na
tentativa de operacionalizar um modelo assistencial com base nos princípios do Sistema
Único de Saúde, propôs, em 1994, o Programa de Saúde da Família (PSF) – hoje
denominado Estratégia de Saúde da Família (ESF) por não se tratar apenas de um
Programa, mas de uma maneira de reorganizar a produção dos cuidados de saúde,
objetivando a reorientação da prática assistencial em uma assistência voltada
essencialmente à família, compreendida a partir de seu âmbito físico e social
(ROECHER; BUDÓ; MARCON, 2012). No Brasil a ESF é definida como modelo
nacional de APS pela Política Nacional de Atenção Básica (PNAB, 2006) e dentre suas
diretrizes, além da integralidade, estão inclusos os atributos de coordenação da
assistência, centralidade na família, orientação e participação comunitária e
competência cultural dos profissionais de saúde, visando à efetividade dos atributos
essenciais da APS, com objetivo de alcançar a resolutividade frente aos principais
problemas de saúde da população (BARRETO; NERY; COSTA, 2012).
A APS
contempla quatro atributos essenciais, sendo eles: a acessibilidade, a longitudinalidade,
a integralidade e a coordenação e três atributos derivados: centralização familiar,
orientação comunitária e competência cultural. Dentre esses atributos importantes para a
APS e consequentemente para a Estratégia de Saúde Família, destaca-se a
longitudinalidade, que tem por significado o acompanhamento dos usuários pela equipe
de saúde, promovendo uma assistência continuada ao longo do tempo (STARFIELD,
2002). A continuidade não é obrigatória para que a relação exista, pois interrupções na
continuidade não interrompem a relação. A atenção à saúde da criança representa um
campo prioritário no cuidado à saúde da população. Para que essa atenção se desenvolva
de maneira efetiva e eficiente é necessário o conhecimento específico sobre as
características relacionadas à morbimortalidade, tais como os aspectos biológicos,
demográficos e socioeconômicos, bem como a importância de salientar o papel que os
serviços e o sistema de saúde desempenham no cuidado à popuu1lação infantil
(MACHADO et. al., 2012). Diante de seus atributos e sua concepção do processo saúde
ANAIS DO I SENAPS
doença, a APS é considerada porta de entrada para promoção da saúde infantil no
âmbito sanitário. Ao providenciar cuidado de primeiro contato, contínuo, com ênfase
nas ações de promoção e prevenção e forte componente de orientação familiar, os
serviços de APS possibilitam condições otimizadas para um acompanhamento de
qualidade da saúde da população infantil inserida no serviço. Ademais, grande parte das
intervenções preventivas e curativas destinadas aos problemas prevalentes de saúde
infantil é tecnologicamente simples, dispensando cuidados hospitalares. Por outro lado,
quando existe a necessidade de cuidados especializados e uma intervenção
tecnologicamente complexa, os serviços de APS, com a coordenação da atenção,
proporcionam uma ponte entre os distintos níveis, mantendo a continuidade do cuidado
e reforçando, junto aos demais níveis, a importância dos fatores socioambientais sobre a
saúde das crianças (HARZHEIM, STEIN, DARDET, 2004). De acordo com a Agenda
de Compromissos para Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil,
existem princípios norteadores do cuidado à saúde da criança, como o acesso universal,
acolhimento, responsabilização, assistência integral e resolutiva, equidade, dentre
outros, que garantem o acesso aos serviços de saúde, enfocando a integralidade do
indivíduo e da assistência. Se as unidades básicas se comprometessem com esses
princípios, talvez fosse possível modificar o cenário de busca dos serviços de saúde,
priorizando a Atenção Primária como porta de entrada da rede de saúde, deixando os
hospitais
e
ambulatórios
para
casos
realmente
necessários
(BATISTELA,
GUERREIRO, ROSSETTO apud BRASIL, 2005).
OBJETIVO
Avaliar a efetividade da atenção primária em saúde (APS) para crianças por
meio da identificação do cumprimento do principio da APS – longitudinalidade o
cuidado em saúde, em unidades de ESF do município de Cascavel.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa avaliativa, de natureza quantitativa, realizada nos
serviços de atenção básica de saúde, em unidades de saúde da família da área urbana do
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município de Cascavel – PR, por meio do Instrumento de Avaliação da Atenção
Primária, denominado PCATool – Brasil versão criança (BRASIL, 2010). Este estudo
faz parte da pesquisa denominada “Avaliação da Efetividade do Cuidado na atenção
primária em saúde para a criança”, financiada pelo edital universal CNPq nº 14/2011. A
coleta de dados por meio do PCATool - Brasil versão criança nas UBS e USF urbanas,
para um total de 548 participantes. A amostragem foi do tipo probabilística casual
simples estratificada dentre as unidades de saúde e aplicada aos familiares (pai, mãe)
e/ou cuidadores (avós, tios, cuidadores legais) de crianças até dez anos, atendidas nas
UBS e USF urbanas do município de Cascavel, enquanto aguardavam atendimento de
saúde na própria unidade, sendo que a amostra para a USF compreendeu 17 sujeitos. Os
critérios de inclusão foram: ser residente em área urbana dos municípios, ter condições
para ser o respondente do formulário, tais como capacidade de entendimento, expressão
e compreensão dos documentos apresentados e, como critérios de exclusão crianças
procedentes de outro município ou da área rural; pais ou responsáveis que não tivessem
condições de responder a entrevista. A coleta de dados ocorreu entre os meses de
outubro e dezembro de 2012 e fevereiro de 2013. Os dados foram digitados em banco
de dados no Excel e analisados quantitativamente em estatística simples de distribuição
de frequências absolutas e relativas, para posterior comparação com a literatura
disponível sobre a temática em questão. Para todos os sujeitos participantes da pesquisa
foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com o objetivo e forma
de realização da pesquisa, com posterior solicitação da assinatura dos sujeitos. O projeto
foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa com Seres Humanos da UNIOESTE,
sob parecer nº 19391/2012.
RESULTADOS
Em relação à regularidade de atendimento pelo profissional na USF para a
maioria dos casos (70,5%), a criança é atendida pelo mesmo profissional, esse dado
pode ser explicado pela evidência de que os profissionais dessas equipes percebem
maior vinculação dos usuários ao serviço, sendo capazes de reconhecer melhor sua
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população eletiva e, dessa forma, obtém-se maior afinidade do usuário com o
profissional (CHOMATAS, 2009). Para 82,3% dos casos o profissional de saúde
entende o que o usuário pergunta e, corroborando com esse item, existe o recíproco
entendimento por parte dos usuários em relação às respostas do profissional (76,8%).
Em relação às consultas, em 70,5% dos casos o responsável/principal cuidador têm
tempo suficiente para expor suas preocupações e problemas, e, desta forma, sente-se
livre para expor suas preocupações e problemas (58,8% dos casos). Segundo Stralen
et.al. (2008) a alta avaliação dos usuários, em relação a estes itens, sugere que as
Equipes de Saúde da Família estabelecem um vínculo profissional mais forte com os
usuários do que os tradicionais centros de saúde, fato esse que estimula o conforto e
afinidade do usuário ao esclarecer dúvidas pertinentes ao tratamento de sua criança.
Percebeu-se uma quantidade relativamente alta em relação ao reconhecimento da
criança mais como problema de saúde do que como pessoa por parte dos profissionais
(35,3% ). Esse dado pode ser explicado pela alta rotatividade dos profissionais de saúde,
principalmente os médicos, justificada por três questões principais: vínculo
empregatício, valores salariais e condições de trabalho (CUNHA, 2006). Por outro lado
observa-se uma alta afinidade dos profissionais em relação à história clínica completa
de seus pacientes (70,5% dos casos), bem como o conhecimento das medicações que a
criança toma/tomou (58,8% dos casos). Nestes casos, salientamos o papel que a APS
desempenha na coordenação e organização dos fluxos de assistência, na qual
observamos o sistema de contrarreferência dos próprios profissionais dentro do
estabelecimento em que, mesmo tendo em vista à alta rotatividade, mantém as
informações a respeito do atendimento prestado juntamente ao sistema de informações
referentes
ao
usuário,
ou
seja,
seu
prontuário
(CUNHA,
2006).
Os
responsáveis/principais cuidadores não sabem responder se os profissionais se reuniriam
com os membros de sua família, se esta achasse que isso fosse importante para a saúde
dos seus filhos em 35,3% dos casos. Observa-se que em 35,5% dos casos o
responsável/cuidador principal não mudaria de serviço de saúde. Baratieri e Marcon
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(2012) afirmam que quando os vínculos entre população e profissionais da ESF são
estabelecidos, o acompanhamento ao longo do tempo é favorecido, levando a população
a identificar na USF sua fonte regular de cuidados. Para o atributo Coordenação –
Integração dos cuidados, observamos que 41,8% das crianças precisaram de consulta
com especialista. Desse total, 71,4% tiveram a indicação da USF para a consulta; 85,7%
dos profissionais souberam que a consulta foi realizada; 85,7% souberam do resultado
da consulta com o especialista; 71,4% dos profissionais conversaram sobre os
resultados da consulta com o responsável/principal cuidador; e 71,4% dos profissionais
obtiveram interesse em relação ao cuidado prestado pelo especialista. Baratieri e
Marcon (2012) afirmam que quando o usuário é atendido em um serviço de maior
complexidade ele deve ser contra referenciado para sua equipe de ESF, pois isto
possibilita aos profissionais conhecer todo o processo de assistência à saúde do usuário
e, por conseguinte, obter um melhor acompanhamento de seu processo saúde/doença.
Isto, por sua vez, favorece a continuidade da assistência, promovendo maior
resolutividade e longitudinalidade no cuidado.
CONCLUSÃO
A avaliação da longitudinalidade na USF demonstrou que grande parte das
crianças são atendidas pelo mesmo profissional de saúde, sendo que este, na maioria dos
casos,
entende
quais
são
as
dúvidas
consideradas
pertinentes
para
o
responsável/principal cuidador. Os responsáveis/principais cuidadores entendem o que o
profissional diz em relação ao plano de cuidados de seus filhos, bem como têm tempo
suficiente e sentem-se a vontade em expor suas preocupações e problemas ao
profissional. Observou-se uma quantidade considerável de profissionais que
reconhecem as crianças mais como problema de saúde do que como pessoa. Por outro
lado esses mesmos profissionais obtém maior afinidade com a história clínica do
pacientes e têm conhecimento das medicações que a criança toma/tomou. Identificamos
que os responsáveis/principais cuidadores não sabiam responder se os profissionais se
reuniriam com sua família se esta considerasse pertinente à saúde de seus filhos e
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também não trocariam de serviço. Em relação à referência e contrarreferência a maioria
dos responsáveis/principais cuidadores foi encaminhada pela USF, e os profissionais
estavam cientes da consulta e de seus resultado, demonstraram interesse em relação ao
plano de cuidados prestado e conversaram com os responsáveis/principais cuidadores
sobre o que foi tratado na consulta. Constatou-se que a prestação de um atendimento
longitudinal por toda equipe de ESF pressupõe a manutenção de vínculos duradouros
com os usuários. Assim, os profissionais que conquistam a confiança das pessoas,
conhecem melhor sua realidade, consideram os aspectos biopsicossociais, de modo que
as ações sejam elaboradas a fim de viabilizar a melhoria da qualidade de vida da
população, reduzem a necessidade de utilização dos serviços de maior complexidade
pelos usuários, acompanhando a saúde das crianças no âmbito da ESF.
Palavras-chaves: Saúde da Criança; Atenção Primária a Saúde; Longitudinalidade;
Saúde da Família
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Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ACERCA DAS PUBLICAÇÕES
VOLTADAS PARA A PROTEÇÃO E SAÚDE DA CRIANÇA EM NÍVEL
FEDERAL DE GOVERNO
Denise de Fátima Hoffmann Rigo54
Fabieli Borges2
Claudia Ross3
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso4
Cláudia Silveira Viera5
Phallcha Luízar Obregón6
INTRODUÇÃO
No Brasil, as propostas de políticas de saúde voltadas para atenção à criança
surgiram juntamente com as demais políticas de saúde voltadas para os outros ciclos de
vida da população. A cada período histórico ocorre a elaboração de políticas públicas
condizentes com o momento histórico, político, econômico e social do país. Boa parte
destas tinha por objetivos melhorar a assistência e os indicadores de saúde desta
população, principalmente a redução dos altos coeficientes de mortalidade infantil do
país, uma vez que este indicador refletia não apenas o nível de saúde, mas a qualidade
de vida da população (NOVACZYK, 2008). “Para efeitos da Lei, no Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA), estabeleceu-se que “criança” compreende a faixa
etária de 0 a 12 anos incompletos [...]” (FUJIMORI; OHARA, 2009, p. 62-3).
54
Acadêmica do 4° ano de enfermagem, Universidade Estadual do oeste do Paraná - campus Cascavel.
² Acadêmica do 4° ano de enfermagem, Universidade Estadual do oeste do Paraná - campus Cascavel, Email: [email protected] Contato:(42)9946-2924, Rua Agronomia, 1276 Apto.1, Jardim
Universitário.
³ Profa. Dra da Área de Saúde Coletiva do Curso de Enfermagem - Campus de Cascavel - PR.
4
Profa. Dra. Área de Saúde da Criança e do Adolescente Curso de Enfermagem - Campus de Cascavel PR.
5
Profa. Dra da Área de Saúde pública e Enfermagem Pediátrica - Campus de Cascavel - PR.
6
Profa. Dra da Área de Saúde Pública do curso de Medicina - Campus Cascavel - PR.
ANAIS DO I SENAPS
As políticas de saúde voltadas para a criança tiveram “inicio” para melhorar os
indicadores de saúde dessa população, devido aos altos índices de mortalidade infantil,
no qual refletia não só um problema de saúde, mas sim uma má qualidade de vida da
população. As ações para combater esse quadro começaram ainda no período do estado
novo (1937/1945), (BRASIL, 2011).
No ano de 1983, foi elaborado o Programa de assistência Integral à Saúde da
Mulher e da Criança (PAISMC) pelo Ministério da Saúde que mais tarde foi
desmembrado dando origem a dois distintos programas: Programa de Assistência
Integral à Saúde da Mulher (PAISM) e Programa de Assistência Integral à Saúde da
Criança (PAISC), (BRASIL, 2011).
Em 1984, o MS, em conjunto com o Ministério da Previdência Social (MPS),
aprovou o Programa de Atenção Integral á Saúde da Criança (PAISC), com o objetivo
de reduzir a morbidade e mortalidade na faixa etária de 0 a 5 anos. (FUJIMORI;
OHARA, 2009).
As principais ações relativas ao PAISM e PAISC podem assim ser
resumidas: PAISM: assistência pré-natal; prevenção da mortalidade materna;
doenças sexualmente transmissíveis; assistência ao parto e puerpério;
planejamento familiar; controle do câncer ginecológico e mamário; promoção
ao parto normal. PAISC: crescimento e desenvolvimento; controle das
diarreias e desidratação; controle das infecções respiratórias agudas (IRA);
prevenção e manejo do recém-nascido de baixo peso; prevenção de acidentes
e intoxicações; assistência ao recém-nascido (BRASIL, 2011, p.13-4).
A partir da década de 1990, vem ocorrendo mudança nas principais causas de
óbitos infantis deslocando-se das diarreias e infecções respiratórias para afecções
perinatais, assim, os esforços do Ministério da Saúde tem sido redirecionados a atender
gestantes desde o pré-natal até o nascimento bem como para os cuidados ao recémnascido. (FUJIMORI; OHARA, 2009).
Nessa mesma década, muitas mudanças ocorreram, com a criação do Sistema
único de saúde em 1988. Respectivamente com a aprovação das leis orgânicas da saúde
n°. 8.080 e n°. 8.142, torna-se visível a forma como o SUS seria operacionalizado, por
ANAIS DO I SENAPS
meio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde juntamente com a
participação e controle social.
O primeiro grande marco no que se refere à proteção social da criança assim
como do adolescente foi na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança,
documento que ditou as bases para o estabelecimento da doutrina da proteção integral e
em 1990 foi instituído no Brasil o Estatuto da Criança e do Adolescente, por meio da
Lei nº 8.069. (JUNIOR, 2012).
O estatuto da criança e do adolescente (Lei n° 8.069, De 13 de julho de 1990)
dispõe no Capítulo I acerca do Direito à Vida e à Saúde que abrange o direito da criança
à vida e à saúde, desde a concepção até a adolescência com instrumentos criados
capazes de fazer valer o direito ao acesso a serviços de saúde com garantia de qualidade
nos art. 7, 11, 14 e parágrafo único. No Capítulo II Do Direito à Liberdade, ao Respeito
e à Dignidade nos art. 15, 16, 17 e 18.
Neste mesmo ano de 1990, surge a Iniciativa Hospital amigo da Criança
(IHAC), idealizada pela OMS e pelo Unicef e adotada pelo MS onde hospitais e
maternidades credenciados como “Amigos da Criança” redirecionam suas práticas com
o intuito de promover, proteger e apoiar o aleitamento materno partindo do pressuposto
que o mesmo reduz a morbidade e a mortalidade infantil proporcionando nutrição de
alta qualidade para a criança e contribuindo para o crescimento e desenvolvimento
infantil. (FUJIMORE; OHARA, 2009).
A portaria n° 80 de 2011, Estabelece na forma do Anexo desta Portaria, as
normas para o processo de credenciamento, renovação de credenciamento,
monitoramento e descredenciamento do Hospital Amigo da Criança integrante do
Sistema Único de Saúde - SUS.
Em 1996, foi proposto a estratégia de Atenção Integrada às doenças Prevalentes
na Infância (AIDPI) decorrente da determinação da Organização Mundial da Saúde
(OMS), Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e o fundo das Nações Unidas em
ANAIS DO I SENAPS
favor da infância (Unicef) ao reconhecer a precária situação de saúde do grupo infantil.
(FUJIMORE; OHARA, 2009, p.31-2).
A AIDPI tem por finalidade promover uma rápida e significativa redução da
mortalidade na infância. Trata-se de uma nova abordagem da atenção à saúde
na infância, desenvolvida originalmente pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Adolescência
(UNICEF), caracterizando-se pela consideração simultânea e integrada do
conjunto de doenças de maior prevalência na infância, ao invés do enfoque
tradicional que busca abordar cada doença isoladamente, como se ela fosse
independente das demais doenças que atingem a criança e do contexto em
que ela está inserida. (BRASIL, 2002, p.5).
Em 1998, o método Mãe-Canguru vem a ser implantado pelo MS para melhorar
as chances de vida do recém-nascido de baixo peso ou prematuro. Tal programa
promove o apego na relação mãe-bebê, por meio do contato pele a pele precoce entre
mãe e filho incentivando a prática do aleitamento materno, reduzindo o tempo de
internação e diminuindo os riscos de infecção hospitalar, tratando-se, portanto, na
assistência neonatal de livre escolha da família para o atendimento ao recém-nascido de
baixo peso. (FUJIMORE; OHARA, 2009, p.37).
Visando a assistência e proteção do recém-nascido pode-se citar as portarias Nº
930 de 2012 (Define as diretrizes e objetivos para a organização da atenção integral e
humanizada ao recém-nascido grave ou potencialmente grave e os critérios de
classificação e habilitação de leitos de Unidade Neonatal no âmbito do Sistema Único
de Saúde - SUS) , Nº 696 de 2010 (Esta portaria Institui a Comissão Nacional de
Bancos de Leite Humano - CNBLH), Nº 2.799 de 2008 (Institui, no âmbito do Sistema
Único de Saúde - SUS -, a Rede Amamenta Brasil) e N° 386 de 2005 (Aprova, na forma
do Anexo desta Portaria, o Regimento Interno da Comissão Nacional de Monitoramento
e Avaliação da Implementação do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade
Materna e Neonatal).
São diversos os cadernos de atenção básica e cartilhas direcionadas ao cuidado
com a saúde da criança sendo assim podem-se citar as seguintes: SAÚDE DA
CRIANÇA: Nutrição Infantil, Aleitamento Materno e Alimentação Complementar
ANAIS DO I SENAPS
,2009( aborda o aleitamento materno como estratégia natural de vínculo, afeto, proteção
e nutrição para a criança e constitui uma eficaz intervenção para redução da
morbimortalidade infantil.); Atenção à Saúde da Criança De 0 a 12 anos, 2009(descreve
a queda da mortalidade infantil e a remete
às ações de diminuição da pobreza,
ampliação da cobertura da Estratégia Saúde da Família e a outros fatores); saúde da
criança: Crescimento e desenvolvimento Cadernos de Atenção Básica, n° 33, 2012
(aborda aspectos fundamentais para a proteção da saúde da criança, entre eles como
preparar o “ninho” para melhor recebê-la, em visitá-la, oferecer suporte a seus pais ou
cuidadores, estimular o fortalecimento de vínculos – que serão importantes para toda a
sua vida –, e identificar situações que as coloquem em risco e pessoas que também
representem rede de apoio em momentos suscetíveis).
Em 6 de junho de 2001, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) foi
criado e normatizado por meio da Portaria GM/MS nº 822/2001, no âmbito do Sistema
Único de Saúde (SUS), que tem por finalidade desenvolver ações de triagem neonatal
em fase pré-sintomática, acompanhamento e tratamento das doenças congênitas em
todos os nascidos vivos. Em virtude dos diferentes níveis de organização das redes
assistenciais, esse programa deve ser implantado por meio do “Teste do Pezinho”.
(Brasil, 2008, p.15).
Na última década, foram incorporadas ações específicas em estratégias de
reforço à atenção básica, que visam a apresentar um novo paradigma de modelo
assistencial, como o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e,
posteriormente, o Programa Saúde da Família (PSF), onde se referem á necessidade de
um trabalho amplo e integrado abrangendo ações que se destinam a melhorar a atenção
prestada
reduzindo
a
morbimortalidade
na
infância,
sendo
implementados
prioritariamente em municípios de maior risco para mortalidade infantil. (BRASIL,
2002, p.11).
O programa Saúde da família teve alteração para Estratégia Saúde na Família.
Na área da Atenção Básica à Saúde, a Estratégia Saúde da Família, desde a sua criação,
ANAIS DO I SENAPS
no ano de 1993, vem se consolidando como um dos eixos estruturantes do Sistema
Único de Saúde (SUS), por meio de um movimento de expressiva expansão de
cobertura populacional, aprimorando em muito o acesso da população às ações de
saúde. Dessa forma, o Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal veio para
contribuir como instrumento para o fortalecimento da Saúde da Família no âmbito do
SUS. (BRASIL, 2009, p.09).
A Portaria N° 1.459, de 24 de junho de 2011 e Portaria N° 2.351, de 5 de
outubro de 2011 consolida mais um programa voltado para a saúde materno infantil
dentro da nova estrutura de atenção básica denominada Rede Cegonha (BRASIL, 2013).
OBJETIVO
Diante do exposto acima, o presente estudo buscou realizar uma reflexão de
caráter descritivo cronológico, relacionado às políticas públicas de saúde voltadas para a
criança, fazendo uma ponte entre as legislações e cadernos de atenção básica a fim de
identificar as ações e amparo legal despendidos pela esfera federal do governo,
relacionados à proteção, promoção da saúde, prevenção de doenças ligadas à assistência
a saúde da criança.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de natureza descritiva. A questão
norteadora da pesquisa foi: Quais as principais publicações voltadas para a proteção e
saúde da criança em nível federal de governo? Essa pergunta inseriu-se no contexto de
uma pesquisa para o projeto de iniciação científica (ICV), “Políticas de saúde voltadas
para criança elaboradas pela esfera federal de governo: uma revisão literatura”.
O levantamento bibliográfico foi realizado na Biblioteca Virtual em Saúde
(BVS) e nos sites governamentais oficiais. Foram elaborados dois quadros sinópticos no
qual o primeiro elenca: as leis, portarias e decretos, e o segundo abrange os cadernos e
ANAIS DO I SENAPS
cartilhas contendo normas técnicas, protocolos e informações acerca da atenção a saúde
da criança.
RESULTADOS
As publicações disponíveis nos sites governamentais oficiais e na biblioteca
virtual de saúde (BVS) foram relacionadas à legislação, políticas, programas e ações de
saúde para criança, caracterizado por leis, portarias, decretos e cadernos de atenção a
saúde da criança.
Relacionado ao quesito legislação foram selecionadas 3 leis, 24 portarias e 1
decreto, referentes à saúde e bem estar da criança, já na pesquisa relacionada aos
cadernos de atenção básica foram selecionados 12 cadernos.
CONCLUSÃO
Nos últimos 70 anos, importantes leis e portarias foram publicados no país, a fim
de assegurar o direito da criança brasileira de 0 a 12 anos à saúde.
Hoje, a legislação brasileira trata de uma série de temas, como imunização,
aleitamento materno, atenção à saúde do recém-nascido, nutrição, prevenção de
acidentes e violências e muitos outros.
PALAVRAS – CHAVE: políticas de saúde, saúde da criança, legislação,
cadernos de atenção básica, nível federal.
AGRADECIMENTOS: A equipe da pesquisa que não pode ser nominada na
autoria em função da limitação do número de co-autores: Ana Carolina de Souza, André
Luiz Soares, Andreia Carrer, Bruna Regina Bratti Frank, Caroline Winck Sotti,
Henrique S. Shiroma, Jéssica Mayara Cardoso, Juliane Pagliari, Karina Faquini,
Lindsay Menna Pereira, Louise B. Polina, Maciel Costa da Silva, Marina Casagrande
Penteado, Nayara Angélica Barros Ribeiro, Paulo Henrique Pessali Dal’maso, Scaleti
Vanessa Brisch.
ANAIS DO I SENAPS
REFERENCIAS
BRASIL, Ministério da Saúde. AIDPI Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na
Infância.
Brasília:
Ministério
da
Saúde,
2002.
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Ministério
da
Saúde,
2008.
Disponível
em:
<
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_educacao_saude_volume1.pdf>.
Acesso em: 26 de Abr. 2013.
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Criança e Aleitamento Materno. Gestões e gestores de políticas públicas de atenção à
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acesso em: 27 de abr. 2012.
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Atenção Básica. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alime
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JUNIOR, João Paulo Roberti. Evolução jurídica do direito da criança e do adolescente
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ANAIS DO I SENAPS
SCHNEIDER, Alessandra; RAMIRES, Vera Regina. Primeira Infância Melhor: Uma
inovação em política pública. Brasília: UNESCO, Secretaria de Saúde do Estado do Rio
Grande do Sul, 2007.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
DECLARAÇÃO DE ÓBITO INFANTIL ANTES E APÓS INVESTIGAÇÃO EM
LONDRINA (PR), 2000 A 2009.
Stela de Godoy Gaspar1
Rosângela Aparecida Pimenta Ferrari2
Flávia Lopes Santa’Anna3
Evelyn Braun4.
1
Trabalho extraído do Projeto de Pesquisa: “Mortalidade Infantil: trajetória percorrida do adoecimento ao
óbito, Londrina-PR”, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG), Universidade Estadual de
Londrina-UEL, Paraná, Brasil.
2
Estudante do 3º ano do curso de Enfermagem. Bolsista CNPQ. Colaborador do Projeto. Departamento de
Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil.
Endereço:Rua da Torrei, 331, Parque residencial Cambé, CEP:86191170. Fone: (43) 9644-0895, Email:
[email protected]
3
Enfermeira, Doutora. Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde,
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440. Fone: (43)
3371-2249; Email: [email protected]
4
Enfermeira. Mestre. Professor Auxiliar do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde,
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440. Fone: (43)
3371-2249; Email: [email protected]
5
Estudante do 3 º ano do curso de Enfermagem. Colaborador do Projeto, Departamento de Enfermagem,
Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil. Endereço: Rua
Matão, 160, Jd. Floresta, CEP: 86 600 000.
ANAIS DO I SENAPS
INTRODUÇÃO
O Ministério da Saúde implantou, desde 1976, um modelo único de Declaração
de Óbito (DO) para ser utilizado em todo o território nacional, como documento base do
Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). A DO tem dois objetivos principais:
o primeiro é o de ser o documento padrão para a coleta das informações sobre
mortalidade, que servem de base para o cálculo das estatísticas vitais e epidemiológicas
do Brasil; o segundo, de caráter jurídico, é o de ser o documento hábil, para lavratura,
pelos Cartórios de Registro Civil, da Certidão de Óbito, indispensável para as
formalidades legais do sepultamento (BRASIL, 2009).
A D.O deve ser preenchida em três vias sendo uma do setor responsável pelo
reprocessamento dos dados, a segunda ao cartório de registro civil sendo arquivada para
procedimentos legais e a terceira permanece nas unidades notificadoras, e a D.O segue
um fluxo específico, passa pela coleta de dados, a periodicidade de envio das
informações sobre óbitos e nascidos vivos para os Sistemas de Informações em Saúde
(SIM) e Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC) para assim, viabilizar
controle populacional (BRASIL, 2013).
Para o cumprimento desses objetivos, são fundamentais o empenho e o
compromisso do médico com relação à veracidade, à completude e à fidedignidade das
informações registradas na D.O, uma vez que é o profissional responsável pelas
informações contidas no documento. Entre os coeficientes de mortalidade que utilizam a
D.O para seu cálculo, merece destaque o da mortalidade infantil por ser indicador
sensível das condições de vida em determinada população.
A Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) mensura a quantidade de mortes entre
nascidos vivos no primeiro ano de vida os quais são vulneraveis, as condições de vida,
intra e extrauterina e sua diminuição é uma das Metas do Milênio proposta pela
Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Caldeira (2005) a causa principal de
óbito decorre de uma combinação de fatores biológicos, sociais, culturais e de falhas do
ANAIS DO I SENAPS
sistema de saúde. No Brasil, houve um declínio da mortalidade infantil desde 1960,
associada, no âmbito das políticas centralizadoras do regime militar, às ações
representadas pela expansão da rede assistencial e à ampliação acelerada da
infraestrutura de saneamento básico, sobretudo da rede de abastecimento de água, que
tiveram o papel principal na continuidade do processo (BRASIL, 2009).
O Brasil diminui significativamente a mortalidade infantil, assim como
Londrina, devido a vinda de novas tecnologias, mas o indíce ainda é consideravel, e é
preciso ainda um grande esforço para se chegar a patamares aceitáveis (BRASIL,
2013). Entretanto, apesar da redução da TMI, é essencial que a causa básica seja
referida corretamente, permitindo que intervenções efetivas sejam implantadas para
evitar especificamente a causa que levou ao óbito.
A avaliação da TMI e de seus componentes contribui para a compreensão do
processo saúde-doença ao longo do primeiro ano de vida (componente neonatal estima o
risco de óbito nos primeiros 27 dias de vida, e o pós-neonatal estima o risco de óbito
entre o 28º dia até o final do primeiro ano de vida), já que as causas e os fatores de risco
para o óbito variam ao longo desse período. Conhecer a causa básica do óbito infantil é
essencial para que novas políticas de promoção da saúde e prevenção das doenças
possam ser implantadas e direcionadas para as crianças (BRASIL, 2009; BRASIL,
2010).
Em Londrina, município situado ao Norte do Estado do Paraná, há atuação do
Comitê Municipal de Prevenção de Mortalidade Materna Infantil (CMPMMI), o qual é
tem como objetivo identificar as causas que levaram ao óbito infantil, especialmente
aquelas que poderiam ser evitadas (FERRARI, 2012).
OBJETIVO
O objetivo desse estudo foi analisar a qualidade das informações contidas nas
declarações de óbitos infantis, e a confiabilidade da causa básica antes e após a
investigação do CMPMMI no município de Londrina, Paraná, Brasil.
ANAIS DO I SENAPS
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo retrospectivo quantitativo na cidade de Londrina, no
período de 2000 a 2009.
Foi realizado o levantamento e agrupamento dos dados a
partir da Declaração de Nascido Vivo (DN), da Declaração de Óbito (DO) e das Fichas
de Investigação de Óbito Infantil do CMPMMI, arquivada no Núcleo de Informação de
Mortalidade (NIM), da Secretaria de Saúde do município.
Os dados foram coletados e digitalizados em dupla entrada no programa
computacional Epi Info®. O programa Microsoft Office Excel® também viabilizou o
processamento eletrônico das variáveis.
Para análise estatística utilizou-se o teste qui-quadrado e teste exato de Fisher,
considerando nível de significância de 5% (p<0,05). As variáveis foram agrupadas em:
ano do óbito (2000-2001/ 2001-2002/ 2003-2004/ 2005-2006/ 2007-2008/ 2009), causa
básica do óbito (de acordo com a Classificação Internacional de Doenças décima
revisão - CID-10), causas evitáveis (reduzíveis por prevenção/ assistência/ atenção no
parto/ parcerias com outros setores, não evitáveis, mal definidas e não classificadas),
idade gestacional (até 36 semanas e 37 semanas ou mais), tipo de parto (vaginal e
cesária), peso ao nascer (até 2499g e 2500g ou mais), Apgar no 1º e 5º minutos (até 6 e
7 ou mais), local do óbito (hospital público ou privado) e confiabilidade das
informações definidas pelo CMPMMI (sim ou não).
A pesquisa foi submetida à apreciação da Diretoria de Atenção à Saúde da
Autarquia Municipal de Saúde de Londrina e do Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Estadual de Londrina CEP/UEL, tendo sido aprovado sob o número
CAAE: 01079112.3.0000.5231.
RESULTADOS
Dos 783 óbitos, verificou-se que a confiabilidade das informações era maior em
hospitais públicos (51,0%) comparado aos hospitais privados (49,0%). Foi verificado
ANAIS DO I SENAPS
com a pesquisa que da população de 783 crianças, 477 foram a óbito por afecções
originadas no período perinatal, enquanto que 113 decorreram dos sintomas, sinais e
achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte,
40 por doenças infecciosas e parasitárias, 17 do aparelho respiratório, 14 do aparelho
circulatório, 14 or malformações congênitas, 6 por causas externas, 4 por doenças do
sistema nervoso e devido a lesões, envenenamento e algumas outras conseqüências de
causas externas, 3 doenças endócrinas e 2 doenças do aparelho digestivo.
Houve mudança nas frequências da causa básica após avaliação do CMPMMI:
(1) Afecções originadas no período perinatal passaram de 58,4% para 60,0%; (2)
Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não
classificados em outra parte de 15,3% para 8,0%; (3) Algumas doenças infecciosas e
parasitárias de 4,8% para 6,3%; (4) Doenças do aparelho respiratório de 6,9% para
7,0%; (5) Doenças do aparelho circulatório de 1,9% para 2,2%; (6) e Outras causas
agrupadas de 12,7% para 16,5%, sendo p<0,001.
Verificou-se que a evitabilidade do óbito nas afecções originadas no periodo
perinatal 64,0% poderiam ser evitadas, enquanto que doenças do aparelho respiratório
85,2%, doenças do aparelho circulatório 94,1% e outras 81,3%, por outro lado foi
observado que 71,4% dos sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de
laboratório, não classificados em outra parte não poderiam ser evitados, esses dados
comprovam que a confiabilidade dos dados têm grande relevância na classificação dos
óbitos reduzíveis. No decorrer de 2000 a 2009 houve redução: Afecções originadas no
período perinatal antes representavam 62,3% das mortes chegando em 2009 a 53,6%
doenças infecciosas e parasitárias de 5,8% a 4,3%, doenças do aparelho circulatório de
3,7% a 1,4%, contrariamente houve aumento: nos sintomas, sinais e achados anormais
de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte 8,4% a 12,1%,
doenças do aparelho respiratório 5,8% para 9,3% e as demais causas básicas de 14,1%
para 19,3%.
ANAIS DO I SENAPS
O baixo peso ao nascer abaixo de 1600 gramas foi 67,7% no total e característica
predominante na população de estudo, enquanto que o apgar no 1 minuto de vida <6 foi
de 60,4%, enquanto que no 5º minuto de vida houve predominância >7 com 65,9%. O
Apgar além de indicar sinais vitais do neonato e sua evolução nos 5 primeiros minutos
também demonstra presença ou não de cuidados básicos na assistência pré e pós da
gestante e do bebê.
CONCLUSÃO
Nos últimos anos houve uma queda da mortalidade infantil em Londrina, mas os
estudos sobre D.O insistem em apontar o preenchimento incorreto/ discrepantes das
D.O’s e questionando sua validade, pois é um documento muito importante para
medidas de reflexão, planejamento da prevenção e assistência, para intervenções
efetivas que impulsionem o declínio da TMI no país.
Os fatores que levam ao preenchimento incorreto são diversos podendo ser
desde o descaso dos profissionais responsáveis por aferirem à causa, omissão, a
cobertura ineficiente, a ausência de correção no SIM e SINASC devido aos termos
vagos utilizados ou ainda quando é registrada a complicação apenas e não a causa do
óbito. Os resultados afirmam a necessidade do preenchimento correto da D.O e da
investigação sobre a real causa mortis, havendo a orientação aos médicos em relação a
reflexão e senso critico no momento de fechamento. Fica evidente o potencial de
utilização do atestado de óbito para o monitoramento de qualidade, para localizar
problemas que contribuíram para as ocorrências e ser o ponto de partida para
desenvolver politícas voltadas para prevenir esse tipo de morte no futuro, entretanto é
necessário um aprimoramento da qualidade do seu preenchimento para viabilidade das
ações.
PALAVRAS-CHAVES: mortalidade infantil, qualidade declaração de óbito, causa
óbito, evitabilidade óbito infantil.
ANAIS DO I SENAPS
REFERÊNCIAS:
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parto nos municípios brasileiros. Rev Saúde Pública. 2012. Disponível em:
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SOARES, J.A.S; HORTA, F.M.B.; CALDEIRA, ANTÔNIO P. Avaliação da qualidade
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Recife, 7 (3): 289-295, jul. / set., 2007.
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CARVALHO, M.L.; SILVER, L.D. Confiabilidade da declaração da causa básica de
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FERRARI, R.P. Mortalidade neonatal no município de Londrina-Paraná: Caracteristícas
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MENDONÇA, F. M.; DRUMOND, E.; CARDOSO, A.M.P. Problemas no
preenchimento da Declaração de Óbito: estudo exploratório. Rev. bras. Est. Pop., Rio
de Janeiro, v. 27, n. 2, p. 285-295, jul./dez. 2010
Eixo Temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
PERFIL DE CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA ATENDIDAS EM UM
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
Francieli Fransozi1
Daiana de Freitas2
Bruno Rafael Branco Zambiazi2
Kelly Ribeiro2
Carmen Lúcia Braibante3
INTRODUÇÃO
Desde a década de 1990, com a instituição do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), a notificação de violência doméstica, sexual e outras violências
vêm sendo concebida como um importante instrumento de proteção de criançase
adolescentes (BRASIL, 1990).
A realização da ficha de notificação de violência doméstica, sexual e/outras
violências do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) é realizada
em casos de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes. A
notificação é obrigatória e dirigida aos conselhos tutelares e/ou autoridades
competentes, de acordo com o art. 13 da Lei 8069/1990 (BRASIL, 1990).
A notificação compulsória da violência contra a criança e o adolescente permite
aos profissionais de saúde, assim como do campo da educação, da assistência social, do
Conselho Tutelar e da justiça, adotar medidas de cuidado às vítimas de violência.
(ASSIS et al., 2012)
Adicionalmente, a realização da ficha de notificação de violência doméstica,
sexual e /outras violências implica em dividir e compartilhar com os setores da
sociedade a responsabilidade de proteger crianças e adolescentes (ASSIS et al., 2012)
No contexto da vigilância, a notificação compulsória da violência tem a
finalidade de viabilizar a obtenção de dados e a divulgação de informações sobre
violências e acidentes (ASSIS et al., 2012).
ANAIS DO I SENAPS
A partir da realização da notificação, é possível dimensionar a magnitude da
violência no país, planejar o investimento em núcleos de vigilância e assistência,
possibilitar a garantia dos direitos de crianças e adolescentes e subsidiar pesquisas e
ajustes na rede de proteção (GONCALVES et al., 2002).
Apesar das determinações legais contidas no Estatuto da Criança e do
Adolescente, a subnotificação da violência é uma realidade no Brasil e em países onde a
legislação é mais antiga e os sistemas de atendimento mais aprimorados
(GONCALVESet al., 2002).
Segundo estudo, as principais dificuldades na realização das notificações se
devem as incertezas na identificação da violência nos serviços de saúde e a ausência de
informações na graduação (GONCALVES et al., 2002). Para que haja informações de
qualidade, é essencial capacitar e a mobilizar os profissionais de saúde que atuam em
todos os níveis de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive nas
unidades de urgência e emergência, com vistas a superar os problemas relacionados à
investigação e à informação relativa a violências.
Adicionalmente, é necessário elaborar norma e adequar os instrumentos de
registros, introduzindo questões específicas para o diagnóstico de violências e de
acidentes e sensibilizar os gestores do SUS, profissionais de saúde e gerentes dos
serviços, sobretudo de hospitais, adotando estratégias, como o estímulo à formação de
grupos intersetoriais de discussão sobre o impacto da violência doméstica, sexual e
/outras violências.
OBJETIVOS
Analisar o perfil das crianças vítimas de violência atendidas em um hospital
universitário no ano de 2012, tendo como base de dados às fichas de investigação do
Sistema de Informação de Agravo de Notificação (SINAN).
ANAIS DO I SENAPS
METODOLOGIA
Estudo retrospectivo, descritivo com abordagem quantitativa realizado em um
hospital universitário localizado na região oeste do Estado do Paraná que tem por
finalidade promover o ensino, a pesquisa e a assistência.
O hospital é de médio porte, com média de 195 leitos ativados, considerado de
referência para as regiões do oeste e sudoeste do Estado do Paraná, sendo referência nas
especialidades
de
ortopedia,
ginecologia,
dermatologia,
endocrinologia,
gastroenterologia, nefrologia, neurologia, neurocirurgia, obstetrícia, oftalmologia,
otorrinolaringologia, pneumologia, reumatologia, urologia, cirurgia pediátrica e
cardiopediatria.
Os
dados
analisados
foram
obtidos
através
das
fichas
de
Notificação/Investigação de Violência Doméstica, Sexual e/ou outras Violênciasdo ano
de 2012 realizadas pelo Núcleo Hospitalar de Epidemiologia.
A ficha de notificação/investigação de violência doméstica, sexual e/ou outras
violências é composta pelas seguintes variáveis: tipologia da violência, meio de
agressão, detalhamentos sobre atendimento de violência sexual, consequências da
violência, tipos de lesões, dados sobre os prováveis autores da agressão, a evolução e o
encaminhamento do caso.
Foram incluídas no estudo as crianças com idade entre 0 a17 anos e 29 dias, por
ser a faixa etária considerada na Ficha de Notificação/Investigação de Violência
ANAIS DO I SENAPS
Doméstica, Sexual e/ou outras Violências doSistema de Informação de Agravo de
Notificação (SINAN).
Para a tabulação dos dados quantitativos obtidos com a pesquisa e o
processamento destes utilizamos o programa Office Excel(Microsoft Corp., Estados
Unidos da América).
RESULTADOS
No ano de 2012 foram registradas 90 notificações de violência doméstica, sexual
e outras violências contra crianças menores de 17 anos e 29 dias. Deste total,72,2% (65)
das notificações ocorreram em crianças do sexo masculino e 27,8% (25) em crianças do
sexo feminino.
Em relação à faixa etária, nota-se um predomínio de crianças entre 15 e 17 anos
e 29 dias (34%) seguidos pela faixa etária de 10 a 14 anos (21%).
34%
21%
19%
9%
0-1 anos
7%
2-5 anos
6-9 anos
10-14 anos
>15 até 17
anos
Distribuição percentual das notificações de violência doméstica, sexual e
outras violências em crianças no ano de 2012. Cascavel (N=90)
No que se refere aos tipos de violência, a violência física foi mencionada em
71,2 % das notificações, seguido pela negligência/abandono com 17.5% das
ANAIS DO I SENAPS
notificações. Bem distante seguem os outros tipos de violência, com 3.7% das
notificações cada para violência psicológica/moral e sexual.
Quanto à violência física, estudos apontam ser a forma mais visível do
fenômeno, caracterizado pelo dano físico e comumente enfatizado pelos pais como um
método de educar. Na infância, as crianças iniciam a busca da autonomia, tornando-se
curiosas, inquietas, audaciosas, com intensa atividade motora e aquisições cognitivas,
necessitando,
portanto,
de
realizar
experimentações,
exigências
inerentes
e
fundamentais ao pleno desenvolvimento (SILVA et al., 2002).
A negligência familiar foi responsável pela segunda maior parte das
notificações, sendo a omissão de cuidados básicos e o abandono as principais
manifestações, tendo sido verificado tanto nas crianças como nos adolescentes (0 a 19
anos).
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a negligência familiar acontece
quando os pais ou responsáveis falham na provisão de cuidados básicos para o
desenvolvimento físico, emocional
e social adequados, devido
à condição
socioeconômica desfavorável da família; pelos atos omissivos infligidos pelos
agressores, assim como pelo abandono da criança (ASSIS et al., 1999).
A violência psicológica é a forma mais sutil, sendo carregada de subjetividade e
diferentes expressões, portanto, de difícil registro. Em geral, é exercida de forma
crônica, podendo cursar com sérios prejuízos para o desenvolvimento cognitivo e
psicossocial, comprometendo a saúde emocional das vítimas (COSTA et al., 2007).
Esta violência é uma das formas mais difíceis de ser identificada, por não
produzir evidências imediatas; consequentemente, costuma ser pouco notificada,
fazendo parte do cortejo das outras formas de violência (COSTA et al., 2007).
Quanto à violência sexual, a maior parte das vítimas não registra a queixa, por
constrangimento e receio de humilhação, somados ao medo da falta de compreensão ou
interpretação equivocada de familiares, amigos, vizinhos e autoridades. Sabe-se que a
ANAIS DO I SENAPS
real prevalência dos crimes sexuais ainda é pouco conhecida e acredita-se que o índice
de subnotificação seja muito alto (COSTA et al., 2007).
De acordo com a natureza da lesão infligida à criança, destacam-se os
cortes/perfurações/lacerações com 28,4% das notificações, as fratura com 15,6%,
traumatismo craniano e queimaduras com 13,7% e as contusões 11,7% das notificações.
O politrauma e a intoxicação exógena foram verificados em 1,9% das fichas de
notificação.
Dentre os meios de agressão que atingiram crianças com idade entre 0 a 17 anos
e 29 dias tem-se a utilização da arma de fogo como o meio mais comum (15,3%). Força
corporal vem a seguir (12,0%), objeto quente (10.9%), objeto perfuro-cortante com
(9,8%). Bem distantes estão às lesões decorrentes de enforcamento e objeto contundente
(1,9%). Em torno de 49,5% do total de registros estava sem informação sobre o meio
da agressão.
CONCLUSÕES
O presente estudo identificou o perfil das crianças e adolescentes vitimas de
violência doméstica, sexual e/ou outras violências atendidas em um hospital
universitário, por meio das fichas de notificações obtidas no Núcleo Hospitalar de
Epidemiologia, o que permitiu o conhecimento do tipo de violência, natureza da lesão e
meio de agressão.
Todas as faixas etárias da infância e adolescência foram acometidas, com
maiores prevalências nas faixas compreendidas entre 15 e 17 anos e 29 dias, seguido
pela faixa dos 10 aos 14 anos, atingindo mais homens do que mulheres.
As formas de violência mais prevalentes foram à violência física, seguido pela
negligência na maioria das vezes por omissão ou abandono. O meio de agressão mais
comum foi à utilização da arma de fogo seguido pela força física.
Quanto à natureza da lesão destacam-se os cortes/perfurações/lacerações em
seguidas pelas fraturas, traumatismo craniano e queimaduras.
ANAIS DO I SENAPS
Cabe ressaltar, que o ato de notificar possibilita o planejamento e avaliação das
políticas públicas. E além de uma ação política, permite caracterizar a violência contra a
criança e adolescente e criar de estratégias de cuidado e proteção.
Diante destes dados, verifica-se a necessidade de mais pesquisas e estudos que
abordem a amplitude da violência doméstica, sexual e/outras violências em crianças
com o intuito de desenvolver programas preventivos e definir intervenções apropriadas.
Os profissionais da área da saúde devem estar atentos para as situações de
violência como um fator desencadeante e agravante de doenças físicas e emocionais,
buscando uma efetiva prevenção e intervenção sobre elas.
PALAVRAS-CHAVES: Notificação, violência, Cuidado da criança.
REFERÊNCIAS
ASSIS, S. G.; AVANCI, J. Q.; PESCE, R. P.; PIRES, T. O.; GOMES, D. L.
Notificações de violência doméstica, sexual e outras violências contra crianças no
Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 17(9):2305-2317, 2012.
ASSIS S. G. SOUZA, E. R. Criando Caim e Abel – pensando a prevenção da infração
juvenil. Rev C S Col. 4 (1):131-144,1999.
BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente. São Paulo: Cortez; 1990.
COSTA, M.C. O et al. O perfil da violência contra crianças e adolescentes, segundo
registros
de
Conselhos
Tutelares: vítimas,
agressores
e
manifestações
de
violência. Ciênc. saúde coletiva. vol.12, n.5, pp. 1129-1141, 2007.
GONCALVES, H.S.; FERREIRA, A.L. A notificação da violência intrafamiliar contra
crianças e adolescentes por profissionais de saúde. Cad. Saúde Pública. vol.18, n.1, pp.
315-319, 2002.
LIMA, J. S. Análise da implantação da ficha de notificação violência sexual contra
crianças e adolescentes [tese]. Rio de Janeiro (RJ): Fundação Oswaldo Cruz; 2012.
ANAIS DO I SENAPS
SILVA, L. M. P; NASCIMENTO, C. A. D; SILVA,I.R.; GUIMARÃES K.N. et al.
Violência doméstica contra crianças e adolescentes. Brasília: Ministério da Saúde,
2002.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM MAIS COMUNS EM PACIENTES
PORTADORES DE FISSURAS LABIOPALATAIS
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso55
Eliane de Souza 56
Fabiana Gonçalves de Oliveira Azevedo Matos57
Fabiana Severino Kupka58
Giselle Colpani59
Thaís Dresch Eberhardt60
INTRODUÇÃO
A atenção especializada às pessoas portadoras de anomalias craniofaciais teve
início no Brasil no final da década de 60, com os trabalhos de reabilitação de crianças
com fissura de lábio e/ou palato do Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões
Lábio-Palatais da Universidade de São Paulo (HPRLLP - USP), na cidade de Bauru-SP
(THOMÉ, 1990; SPERI, 1996 apud ARARUNA; VENDRÚSCOLO, 2000).
O Centro de Atenção e Pesquisa em Anomalias Craniofaciais (CEAPAC) é um
serviço especializado vinculado ao Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP),
localizado na cidade de Cascavel-PR. É voltado ao atendimento de pessoas com fissuras
labiopalatais e demais anomalias craniofaciais, síndromes relacionadas e/ou distúrbios
da audição, bem como à indivíduos com afecções das vias áreas e digestivas superiores
da face e do pescoço, promovendo o ensino, a pesquisa e a extensão (UNIOESTE,
55
Enfermeira, Doutora em Ciências pelo Programa de Enfermagem em Saúde Pública da EERP/USP,
docente do Curso de Enfermagem da Unioeste, CCBS, campus Cascavel
56
Auxiliar de Enfermagem. Graduada em Pedagogia. Auxiliar de enfermagem do CEAPAC/UNIOESTE.
57
Enfermeira, Doutora em Ciências pelo Programa de Enfermagem em Saúde do Adulto da EEUSP,
docente do Curso de Enfermagem da Unioeste, CCBS, campus Cascavel
58
Enfermeira, Especialista em Saúde da Mulher pela UNIOESTE, enfermeira do CEAPAC/UNIOESTE.
59
Enfermeira, Residente do Programa de Residência em Gerenciamento de Enfermagem em Clínica
Médica e Cirúrgica, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), Cascavel, Unioeste. E-mail:
[email protected] Telefone: (45) 9909-8133. Endereço: Rua Natal, nº 3311, Residencial
Flamboyant II, Apto 32. Bairro: Recanto Tropical. Cascavel-PR.
60
Enfermeira, Residente do Programa de Residência em Gerenciamento de Enfermagem em Clínica
Médica e Cirúrgica, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), Cascavel, Unioeste.
ANAIS DO I SENAPS
2011). O referido serviço teve as atividades de atendimento ao público iniciadas em
março de 2013.
Entre os objetivos do CEAPAC destacam-se: desenvolver atividades de
promoção, proteção e recuperação da saúde do público alvo, por meio de ações
assistenciais e de atividades preventivas integradas; promover o ensino e a pesquisa,
servindo de campo de estudo; desenvolver tecnologias assistenciais e educativas; e
manter intercâmbio cultural e científico com instituições afins, nacionais e
internacionais (UNIOESTE, 2011).
Os pacientes portadores de anomalias craniofaciais e outras síndromes
relacionadas necessitam de cuidados multiprofissionais (FONTES, 2001). A equipe
interdisciplinar que atende no CEAPAC é composta por profissionais da área de
otorrinolaringologia, pediatria, fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, enfermagem,
serviço social, nutrição, neurologia, cirurgia plástica, anestesiologia e odontologia
(odontologia geral, odontopediatria, ortodontia, implantodontia e cirurgia buco-maxilofacial) (UNIOESTE, 2011).
A fissura labiopalatal é a anomalia congênita mais comum dentre as anomalias
craniofaciais, caracterizada pela abertura anatômica anormal de lábio e de palato. As
fissuras labiais e rebordos alveolares são desenvolvidos geralmente na 8ª semana do
período embrionário e as fissuras palatais na 12ª semana (MONDINI et al., 2003).
Segundo Fontes (2001) as fissuras orofaciais são importantes malformações
congênitas tanto pelos efeitos estéticos, funcionais, emocionais e comportamentais que
causam quanto pela sua incidência.
Considerando as alterações morfológicas e psicossociais vivenciadas pelos
fissurados, torna-se relevante uma assistência de enfermagem holística aos portadores
destas anomalias e seus familiares.
A assistência de enfermagem é embasada cientificamente por meio do processo
de enfermagem que, através de suas etapas, permite identificar, compreender, descrever,
explicar e/ou predizer os padrões de resposta humana frente à doença e determinar quais
ANAIS DO I SENAPS
aspectos dessas respostas necessitam de intervenção por parte do profissional de
enfermagem (BARROS, 2009; GARCIA E NOBREGA, 2000 apud FONTES et al,
2010). Cabe ressaltar que, para que esse processo ocorra, o enfermeiro se utiliza de uma
importante ferramenta de avaliação, os diagnósticos de enfermagem.
A ideia da atividade diagnóstica para a enfermagem teve início com o advento
da enfermagem moderna, quando Florence Nightingale diagnosticava e tratava os
problemas de saúde dos soldados durante a guerra da Criméia (FARIAS, 1990).
O desenvolvimento da segunda etapa do processo de enfermagem, que
corresponde à identificação dos diagnósticos de enfermagem, vem ocorrendo nos
últimos 20 anos. Compreender a etapa diagnóstica é fundamental para a correta
interpretação das respostas humanas, uma vez que a escolha adequada das intervenções
de enfermagem depende da acurácia dos diagnósticos enunciados (CARLSONCATALANO, 2004).
De acordo com Cruz (2001), além de ser definido como uma das etapas do
processo de enfermagem, o diagnóstico de enfermagem pode também ser definido como
um processo de julgamento clínico, que por meio de um processo cognitivo, permite
que o enfermeiro faça inferências sobre os dados que obteve da avaliação do paciente. A
utilização dos diagnósticos de enfermagem na prática clínica melhora a assistência de
enfermagem porque direciona as ações de enfermagem.
Para Stanton, Paul e Reeves (1993) o diagnóstico de enfermagem se refere às
necessidades de enfermagem do cliente, baseadas em problemas reais ou potenciais que
podem ser de ordem fisiológica, comportamental, psicossocial ou espiritual.
Durante a nona conferência da North American Nursing Diagnosis Association
(NANDA) em 1990, foi aprovada a definição oficial de diagnóstico de enfermagem
como sendo: Um julgamento clínico sobre as respostas do individuo, da família ou da
comunidade aos processos vitais ou aos problemas de saúde atuais ou potenciais, os
quais fornecem base para a seleção das intervenções de enfermagem, para atingir
resultados, pelos quais o enfermeiro é responsável (FARIAS et al. 1990).
ANAIS DO I SENAPS
De acordo com a NANDA-I (2013) os diagnósticos de enfermagem são
compostos por: título, definição, características definidoras, fatores relacionados e
fatores de risco. O título estabelece o nome para o diagnóstico; a definição descreve o
diagnóstico, diferenciando-o de outros diagnósticos similares; as características
definidoras são as manifestações clínicas do diagnóstico; os fatores relacionados são os
fatores etiológicos do diagnóstico e os fatores de risco são os fatores que aumentam a
vulnerabilidade de um indivíduo, família ou comunidade desenvolver o diagnóstico.
Quanto ao tipo, os diagnósticos de enfermagem podem ser classificados em:
diagnósticos reais, diagnósticos de risco, diagnósticos de bem-estar e diagnósticos de
síndrome. O diagnóstico de enfermagem real reapresenta uma situação clinicamente
validada. O diagnóstico de enfermagem de risco consiste em um julgamento clínico
sobre a maior vulnerabilidade do indivíduo, família ou comunidade comparando-se com
outros em situação similar. O diagnóstico de enfermagem de bem-estar consiste em um
julgamento clínico sobre um indivíduo, grupo ou comunidade em transição de um nível
específico de bem-estar para um nível mais elevado. O diagnóstico de enfermagem de
síndrome descreve um conjunto específico de diagnósticos de enfermagem que ocorrem
juntos, sendo mais bem tratados em conjunto (NANDA, 2013).
Pesquisadores renomados recomendam o aprofundamento dos estudos nessa
área, visando a evolução e a validação dos diagnósticos de enfermagem já existentes e o
desenvolvimento de novos diagnósticos de enfermagem. As iniciativas para a integração
dos diagnósticos de enfermagem na prática profissional devem continuar tanto coletiva
quanto individualmente. Coletivamente a profissão desenvolve e aprimora a estrutura
taxonômica dos diagnósticos de enfermagem, mas cabe a cada profissional, de forma
individual, a utilização dos diagnósticos de forma racional em sua atuação profissional
(CARPENITO, 1997).
Destacamos a necessidade deste estudo para favorecer a adequada seleção das
intervenções de enfermagem aos portadores de fissuras labiopalatais. Ao diagnosticar
corretamente as respostas dos clientes aos problemas vivenciados e ao prescrever os
ANAIS DO I SENAPS
cuidados de enfermagem adequados, o enfermeiro contribui não somente para se firmar
enquanto profissional, mas também contribui para a obtenção dos resultados de
enfermagem esperados e consequente melhora do paciente.
OBJETIVOS
Identificar os diagnósticos de enfermagem mais comuns aos pacientes
portadores de fissuras labiopalatais descritos na literatura.
METODOLOGIA
Trata-se de estudo bibliográfico que de acordo com Gil (1996), é desenvolvido a
partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.
A revisão da literatura foi realizada por meio de busca de artigos científicos nas
bases de dados on-line da Biblioteca Virtual da Saúde acessadas pelo endereço
eletrônico http://www.bireme.br e no portal da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações da Universidade de São Paulo acessado pelo endereço eletrônico
http://www.teses.usp.br.
As buscas foram feitas com os descritores de saúde:
“Avaliação em enfermagem”, “Diagnóstico de enfermagem” e “Anormalidades crânio
faciais”. Também foram feitas buscas com as palavras “Fissura lábio palatal” e “Fenda
palatina”.
Foram encontrados apenas dois estudos que abordavam o tema, sendo uma tese
de doutorado sobre diagnósticos de enfermagem pré e pós operatórios de pacientes
portadores de fissuras lábio-palatais e um artigo científico sobre diagnósticos de
enfermagem de gestantes cujos filhos tem diagnóstico pré-natal de anomalia
craniofacial.
Com base nas pesquisas identificadas e na experiência dos autores deste estudo,
foram elencados os diagnósticos de enfermagem mais comuns aos pacientes portadores
de anomalias craniofaciais atendidos no CEAPAC.
ANAIS DO I SENAPS
Os diagnósticos elencados seguem a Taxonomia dos diagnósticos de
enfermagem da NANDA-I (North American Nursing Diagnosis Association –
International) (NANDA, 2013).
RESULTADOS
Foram elencados 35 diagnósticos de enfermagem distribuídos em 11 domínios, sendo
eles: diagnósticos do domínio “Nutrição” (domínio 2): Deglutição prejudicada, Disposição para
nutrição melhorada, Nutrição desequilibrada: menos do que as necessidades corporais, Risco
para nutrição desequilibrada: menos do que as necessidades corporais, Padrão ineficaz de
alimentação do lactente; diagnósticos do domínio “Eliminação” (domínio 3): Constipação,
Diarreia; diagnósticos do domínio “Atividade/ Repouso” (domínio 4): Déficit no autocuidado
para alimentação, Déficit no autocuidado para banho, Déficit no autocuidado para higiene
íntima, Déficit no autocuidado para vestir-se, Mobilidade física prejudicada, Padrão do sono
prejudicado;
diagnósticos do domínio “Percepção/ Cognição” (domínio 5): Comunicação
verbal prejudicada, Conhecimento deficiente, Percepção sensorial perturbada (visual, auditivas,
gustativa, olfativa); diagnósticos do domínio “Auto Percepção” (domínio 6): Baixa auto-estima
crônica, Baixa auto-estima situacional; diagnósticos do domínio “Relacionamentos de Papel”
(domínio 7): Amamentação ineficaz, Conflito no papel de pai/mãe, Disposição para
amamentação melhorada, Interação social prejudicada, Processos familiares disfuncionais,
Risco de vínculo prejudicado; diagnósticos do domínio “Enfrentamento/ Tolerância ao
Estresse” (domínio 9): Ansiedade, Medo; diagnósticos do domínio “Princípios de Vida”
(domínio 10): Falta de adesão; diagnósticos do domínio “Segurança/ Proteção” (domínio 11):
Dentição prejudicada, Hipertermia; Integridade tissular prejudicada, Integridade da pele
prejudicada, Mucosa oral prejudicada, Recuperação cirúrgica retardada, Risco de aspiração e
Risco de Infecção, diagnósticos do domínio “Conforto” (domínio 12): Dor aguda, Dor crônica,
Isolamento social; e diagnósticos do domínio “Crescimento/ Desenvolvimento” (domínio 13):
Atraso no crescimento e no desenvolvimento.
Dos 35 (100%) diagnósticos de enfermagem elencados, 30 (86 %) são classificados
como diagnósticos reais, 04 (11%) são classificados como diagnósticos de risco e 01 (3%) é
classificado como diagnóstico de promoção da saúde.
ANAIS DO I SENAPS
CONCLUSÕES
O diagnóstico de enfermagem é um fenômeno que o profissional de enfermagem está
licenciado e tem competência para tratar. Acreditamos que a realização de todas as fases do
processo de enfermagem com ênfase na etapa diagnóstica, garanta o adequado planejamento e
direcionamento da assistência de enfermagem, o que qualifica o cuidado de enfermagem
prestado.
O presente estudo fornece uma ideia preliminar dos principais diagnósticos de
enfermagem que o enfermeiro do CEAPAC pode se deparar no seu cotidiano de trabalho. Os
resultados obtidos fornecem subsídios para a atuação do enfermeiro, visto que o conhecimento
prévio dos diagnósticos de enfermagem mais comuns aos pacientes portadores de anomalias
craniofaciais permite o adequado planejamento das ações de enfermagem. Estudos futuros são
necessários para confirmar ou descartar os diagnósticos de enfermagem aqui elencados.
PALAVRAS-CHAVE:
Avaliação
em
enfermagem,
Diagnóstico
de
enfermagem,
Anormalidades crânio faciais.
REFERÊNCIAS
ARARUNA, R. C.; VENDRÚSCOLO, Dulce Maria Silva. Alimentação da criança com fissura
de lábio e/ou palato – um estudo bibliográfico. Rev. latino-am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v.
8, n. 2, p. 99-105, abril. 2000.
CARLSON-CATALANO, J. Método pedagógico para o desenvolvimento da habilidade
diagnóstica. In: LUNNEY M. Pensamento crítico e diagnósticos de enfermagem: estudos de
caso e análises. Trad. de Rômulo Marques. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 70-95.
CARPENITO, L. J. Diagnósticos de enfermagem: aplicação à prática clínica. 6ª ed. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1997.
CRUZ, D. A. L. M. A inserção do diagnóstico de enfermagem no processo assistencial. In:
CIANCIARULLO, T. I. et al. Sistema de Assistência de Enfermagem: evolução e tendências.
3.ed São Paulo: Ícone, 2001.
FARIAS, J. N. et al. Diagnóstico de enfermagem: uma abordagem conceitual e prática. João
Pessoa: Santa Marta, 1990.
FONTES, C. M. B. et al. Assistência de enfermagem a gestante no HRAC/USP. Salusvita,
Bauru, v. 29, n. 3, p. 247-266, 2010.
ANAIS DO I SENAPS
FONTES, C. M. B. Fissuras lábio-palatais: diagnósticos de enfermagem no pré e pósoperatório. São Paulo: EEUSP, 2001. Dissertação (Mestrado), Escola de Enfermagem,
Universidade
de
São
Paulo,
2001.
Disponível
em:
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7135tde-07032006-160445/> Acesso em 10 abr
2013.
GIL, A. C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3.ed. São Paulo: Atlas S.A., 1996.
MONDINI, C. C. S. D. et al. Acolhimento de enfermagem a gestantes com diagnóstico prénatal de anomalia craniofacial no HRAC/USP. In: III Simpósio Internacional de Enfermagem ,
2003, São Paulo. Anais. São Paulo: 2003. Disponível em: <http://www.slideshare.net/AnaisIIISimpie/anais-iii-12748278> Acesso em 10 abr 2013.
NORTH AMERICAN
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DIAGNOSIS
ASSOCIATION
INTERNATIONAL.
Diagnósticos de enfermagem da NANDA-I: definições e classificação – 2012/2014. Porto
Alegre: Artmed, 2013.
STANTON. M.; PAUL, C.; REEVES, J. S. Um resumo do processo de enfermagem. In
GEORGE, J. B. et al. Teorias de enfermagem: os fundamentos à prática profissional. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1993.
UNIOESTE. Regulamento interno do Centro de Atenção e Pesquisa em Anomalias
Craniofaciais – CEAPAC. Cascavel, 2011.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
PERFIL CLÍNICO DE CRIANÇAS MENORES DE UM ANO ATENDIDAS NO
PRONTO ATENDIMENTO CONTINUADO II
Jéssica Martins Valter61
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso2
Bruna Regina Bratti Frank3
Cláudia Silveira Viera4
Cláudia Ross4
Jéssica Rosin6
RESUMO:
Estudo para caracterizar as crianças de zero a onze meses e 29 dias atendidas em serviço
de pronto atendimento quanto ao perfil clínico do atendimento. Pesquisa quantitativa,
descritiva e retrospectiva que utiliza como técnica de coleta de dados a pesquisa
documental em prontuários de atendimento com uma matriz de coleta de dados prédefinida. A amostra para a faixa etária estudada constituiu-se de 79 prontuários, destes a
maioria eram do sexo masculino (44), e possuíam idade de 03 a 04 meses (20,25%). A
maioria das crianças (77) apresentaram temperatura entre entre 36,1ºC e 37,7ºC. Em
88,46% e 98,70% dos prontuários não constavam dados referentes a frequência
respiratória e a saturação de oxigênio, respectivamente. A especialidade médica que
mais atendeu as crianças foi o pediatra. A hipótese diagnóstica mais indicada pelos
profissionais que atenderam as crianças foi a hipótese de doença respiratória (46),
61
Acadêmica do 5º ano de Enfermagem UNIOESTE, rua arquitetura 1228, (45)99019205, email:
[email protected];
2
Doutora em Enfermagem pela EERP/USP. Professor adjunto do Curso de Enfermagem da Unioeste.
3
Acadêmica do 5° ano do Curso de Enfermagem da Unioeste.
4
Doutora em Enfermagem pela EERP/USP. Professor adjunto do Curso de Enfermagem da Unioeste.
5
Doutora em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina. Professor adjunto do Curso de
Enfermagem da Unioeste.
6
Acadêmica do 5° ano do Curso de Enfermagem da Unioeste.
ANAIS DO I SENAPS
seguida pela doença gastrointestinal (11). As condutas médicas mais realizadas foram a
avaliação médica (67) e a administração de medicamentos (20). Com este estudo podese verificar que as doenças consideradas evitáveis, ainda são as que mais acometem as
crianças e que a atenção básica tem mostrado pouca resolubilidade frente aos casos de
doenças evitáveis, visto que estão sendo atendidos no pronto atendimento em
detrimento da atenção primária em saúde como porta de entrada do sistema.
INTRODUÇÃO
Os serviços de saúde são divididos em três níveis de atenção: primário, secundário
e terciário, de acordo com o tipo de atendimento e de acordo com a densidade
tecnológica do serviço. No município de Cascavel o atendimento primário é realizado
por meio da Unidade Básica de Saúde - UBS e Estratégia de Saúde da Família- ESF e
entres as instituições que prestam serviços de média e alta complexidade encontram-se
as Unidades de Pronto Atendimento. As UBS devem ser a porta de entrada para o
serviço, e devem garantir da mesma maneira que em outros níveis a resolutividade dos
problemas e assistência integral.
Em relação à atenção à saúde da criança as ações desenvolvidas fundamentam-se
nas ações básicas de imunização, de acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento infantil, estímulo ao aleitamento materno, controle das diarréias e
infecções respiratórias. A principal diretriz tem sido o acompanhamento do crescimento
e desenvolvimento infantil, que proporciona uma organização da assistência à criança,
utilizando uma rede de serviços públicos de saúde, contempla ações de saúde que visam
avaliar e assistir a criança.
O grande problema enfrentado nesses serviços resume-se na falta de
resolutividade da atenção primária. A Agenda de compromissos para saúde integral da
criança e redução da mortalidade infantil, afirma que a organização de uma rede
integrada de assistência deve ser baseada e focada na integralidade do indivíduo e da
assistência.
ANAIS DO I SENAPS
De acordo com Slomp et al (2007) o Ministério da Saúde com o objetivo de
reduzir a mortalidade infantil no Brasil e de acordo com proposição da OPAS/OMS e
Unicef, vem propondo várias medidas, entre elas a implementação da estratégia da
Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), que tem como objetivos
a redução da mortalidade de crianças menores de 5 anos de idade; diminuição da
incidência e/ou gravidade dos casos de doenças infecciosas e dos distúrbios nutricionais
que acometem as crianças; garantia de adequada qualidade da atenção à saúde dos
menores de 5 anos, tanto nos serviços de saúde como nos domicílios e na comunidade; e
o fortalecimento da promoção à saúde e de ações preventivas na infância.
O perfil de saúde infantil do país mostra uma proporção relativa de óbitos por
afecções originadas no período neonatal, consideradas de difícil intervenção, e, por
outro lado, a convivência com morbidades como problemas respiratórios e doenças
infecciosas e parasitárias, relatadas como doenças de internações passíveis de serem
reduzidas por meio de medidas de prevenção e assistência em nível primário,
contribuindo para diminuição de gastos e liberação de leitos para patologias mais
graves.
Diante disso esse estudo tem como objetivo a caracterização de crianças menores
de um ano que buscaram o pronto atendimento infantil para atenção à saúde,
estabelecendo um perfil clínico dos atendimentos. Seu resultado pode subsidiar o
planejamento de ações para prevenção e promoção de saúde para esse grupo etário.
OBJETIVOS
O objetivo deste estudo é caracterizar o perfil clínico de crianças de zero meses a
onze meses e vinte e nove dias que foram atendidas no Pronto Atendimento Continuado
II (PAC II/UPAII), do município de Cascavel, PR, no ano de 2010.
MATERIAIS E MÉTODOS
ANAIS DO I SENAPS
Realizou-se uma pesquisa quantitativa, descritiva, inferencial e retrospectiva. Os
dados foram obtidos junto ao Pronto Atendimento Continuado II (PAC II), em
prontuários das crianças de zero a onze meses e 29 dias, que receberam atendimento
ambulatorial na instituição, no período de janeiro a dezembro de 2010. Para ser efetuada
a captação dos prontuários para compor a amostra estratificada, foi feita seleção no
caderno de registro por meio da amostra sistemática. Um a cada 29 registros de
prontuários foi retirado, ou o imediatamente anterior caso não contemplasse os critérios
de inclusão. Obteve-se uma amostra real de 79 prontuários de crianças menores de um
ano. Os dados foram agrupados e analisados por meio do programa estatístico EPIINFO 5.0.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A maioria das crianças atendidas foi do sexo masculino (44), e possuíam idade
entre 03 e 04 meses (20,25%), ou seja, lactentes. Muitos trabalhos na literatura apontam
a faixa etária de menores de um ano, especificamente os lactentes, como sendo a faixa
etária que mais procura por atendimento, corroborando com nosso estudo. E assim,
pode-se concluir que eles estão mais predispostos a enfermidades e requerem maior
atenção por parte dos profissionais e instituições de saúde.
Houve predomínio de temperatura menor que 36ºC (22) e entre 36,1ºC e 37,7ºC,
(40), ou seja, sem presença de febre ou febrícula. Baracat (2005) apud Batistela,
Guerreiro e Rosseto (2008) referem que as queixas febris correspondem até 20% do
total de atendimentos em serviços de emergências e a febre é o sintoma mais frequente
na criança doente, mas, não é um sinal específico. Percebe-se assim que as crianças de
nosso estudo não necessitavam recorrer a UPAII para atendimento, mas sim procurar a
UBS. Como motivos da pouca procura das UBS ressalta-se aspectos como o
descompasso entre crescimento da rede básica, necessidades de atenção e indefinições
sobre papel das unidades básicas, concepções sobre necessidades e utilização do pronto-
ANAIS DO I SENAPS
atendimento e acessibilidade à rede básica, resolutividade e qualidade do atendimento
prestado.
Em 88,46% e 98,70% dos prontuários não constavam dados referentes a
frequência respiratória e a saturação de oxigênio, respectivamente, evidenciando assim
o descaso dos profissionais e do serviço quanto a um dado vital de suma importância no
diagnóstico e tratamento dos pacientes.
A maioria dos atendimentos foi realizada pelo pediatra (82,05%), mas 14,10% das
crianças foram atendidas pelo clínico, evidenciando assim a falta de profissionais
especializados na área de pediatria para atender as crianças.
A hipótese diagnóstica mais indicada pelos profissionais que atenderam as
crianças foi doença respiratória (46), seguida pela doença gastrointestinal (11). As
doenças respiratórias são o primeiro motivo de consulta em ambulatórios e serviços de
urgência, o que demanda capacitação das equipes de saúde para uma atenção
qualificada, com continuidade, da assistência até a resolução completa dos problemas,
evitando-se internação hospitalar desnecessária e morte por esse motivo.
Segundo a Agenda de Compromisso para a Saúde Integral da Criança (2004) as
doenças diarreicas e respiratórias persistem como graves problemas para a criança. As
doenças respiratórias são o primeiro motivo de consulta em ambulatórios e serviços de
urgência, o que demanda capacitação das equipes de saúde para uma atenção
qualificada, com continuidade, da assistência até a resolução completa dos problemas,
evitando-se internação hospitalar desnecessária e finalmente a morte por esse motivo.
As parasitoses intestinais seguem com prevalência significativa na infância, interferindo
no desenvolvimento adequado da criança, o que demanda, conjuntamente com a doença
diarréica, ações intersetoriais integradas e promotoras de acesso à água tratada e
esgotamento sanitário, além de tratamento adequado.
É possível verificar que as afecções que mais prevalecem ainda são as doenças
de causas evitáveis, mas se são evitáveis, por que continuam a ocorrer com tanta
frequência?
ANAIS DO I SENAPS
Segundo Oliveira et al (2010) as hospitalizações por causas sensíveis à atenção
primária são consideradas um indicador indireto da efetividade do sistema de saúde e da
resolubilidade deste nível de atenção, pode-se então afirmar que as internações
decorrentes destas doenças não receberam atenção de saúde efetiva no momento
adequado, levando a um agravamento da condição clínica que exigiu a hospitalização.
Malta et al. (2004) colaboram com a discussão referindo que quando há
fragmentação do cuidado é o usuário quem faz seu próprio caminho pelas redes de
serviço, ocasionando uma prática inadequada podendo levar a erros diagnósticos, acesso
negado e não efetividade do atendimento. As condutas médicas mais realizadas foram a
avaliação médica (67) e a administração de medicamentos (20).Com esses resultados
podemos perceber que a contrarreferencia à atenção primária acontece somente em
poucos casos.
Como já foi possível verificar foram poucos os agravos que motivaram demanda
infantil que realmente requeriam potencial tecnológico condizente com a capacidade
assistencial da unidade utilizada e a maioria que não necessitava do potencial
tecnológico disponibilizado pela UPA II e foi atendida, não foi referenciada para a
UBS.
CONCLUSÕES
Após a análise dos resultados pode-se obter o perfil epidemiológico e as
características das crianças de zero a onze meses que procuram assistência na UPA II.
As crianças em sua maioria procuram a UPA II para tratamento de afecções
respiratórias e gastrointestinais, afecções essas que são consideradas doenças de causa
evitáveis. Pode-se verificar que a sobrecarga de um nível de atenção, gera uma
assistência fragmentada e voltada somente para o aspecto curativo e não para a
prevenção. E que a atenção primária em saúde ainda necessita de mudanças e melhorias
para que o atendimento seja eficaz e garanta uma resolutividade adequada aos casos que
recorrem a ela, além da necessidade de estabelecer vínculos e relações de confiança e
ANAIS DO I SENAPS
satisfação com o usuário. Sendo necessária também a comunicação entre os diversos
níveis de assistência, para que se possa a integralidade do cuidado.
PALAVRAS-CHAVE: Perfil de saúde, criança, pronto atendimento.
REFERÊNCIAS
BATISTELA, S.; GUERREIRO, N. P.; ROSSETTO, E. G. Os motivos de procura pelo
pronto socorro pediátrico de um hospital universitário referidos pelos pais ou
responsáveis. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 29, n. 2, p. 121130, 2008.
MALTA, D. C. et al. Perspectivas da regulação na saúde suplementar diante dos
modelos assistenciais. Ciência Saúde Coletiva, Belo Horizonte, v.9, n.2, p.433-444,
2004.
OLIVEIRA, B. R.G; et al. Causas de hospitalização no SUS de crianças de zero a
quatro anos no Brasil. Revista Brasileira Epidemiologia, Cascavel, v.13, n.2, p.268-77, 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Agenda de compromissos para a saúde integral da
criança e redução da mortalidade infantil– Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
SLOMP; F. M. et al. Assistência ao recém-nascido em um Programa de Saúde da
Família. Rev. Esc. Enferm. USP, São Paulo, v. 41, n. 3, p. 441-6, out, 2007.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
A MEDICALIZAÇÃO DOS ADOLESCENTES PRIVADOS DE LIBERDADE
Juliana Biazze Feitosa 62
Maristela Maraschin 63
INTRODUÇÃO
O Estatuto da Criança e do Adolescente, legislação que regulamenta a justiça
infanto-juvenil no Brasil, prevê aos adolescentes autores de ato infracional o
cumprimento das medidas socioeducativas, que são elas: advertência, obrigação de
reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e
a internação, foco desta exposição. O artigo 106 do Estatuto da Criança e do
Adolescente prevê que nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em
flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade
judiciária competente. A sentença de internação em nenhuma hipótese será aplicada
havendo outra medida adequada e só se justifica, quando se tratar de ato infracional
cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, por reiteração no cometimento
de outras infrações graves e por descumprimento reiterado e injustificável da medida
anteriormente imposta (BRASIL, 1990). Ela está sujeita aos princípios de brevidade,
excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Conforme o artigo 121, não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser
reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses (BRASIL,
1990). Tanto o Estatuto da Criança e do Adolescente quanto às legislações
62
Mestre em Psicologia pela UEM. Especialista em Saúde Pública pela UNIOESTE e em Saúde Mental,
psicopatologia e psicanálise pela PUCPR. Graduada em Psicologia pela PUCPR. Psicóloga do Centro de
Socioeducação II de Cascavel. Endereço: Rua Rafael Picolli, 2675, apto 441. Country. Cascavel-PR. CEP
85.813.220. E-mail: [email protected] Telefone (45) 9942-8785.
63
Mestrado em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina. Especialização em Educação
Popular pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Graduação em Enfermagem pela Universidade
Estadual do Oeste do Paraná. Professor titular da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Docente
da Universidade Paranaense. Enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde.
ANAIS DO I SENAPS
internacionais promulgadas no Estado democrático preconizam que “o encarceramento
deverá ser o último recurso e pelo menor prazo possível e que sejam desenvolvidos
serviços e programas com base na comunidade para a prevenção da delinquência
juvenil” (VOLPI, 2008, p. 20). Contudo, estudos científicos mostram que a internação,
em geral, é uma das respostas que a sociedade tem oferecido para enfrentar a
delinquência juvenil. Suas causas continuam a ser atribuídas apenas aos indivíduos,
desconsiderando a complexidade social que envolve esta situação. A prática de atos
ilícitos tem sido associada a “patologização” do adolescente e além da internação, a
medicalização é presença constante nas instituições de privação de liberdade.
OBJETIVOS
Problematizar o fenômeno da medicalização nas Unidades de Internação
Socioeducativa e evidenciar que a medicalização de adolescentes privados de liberdade
pode ser mais uma estratégia para manter o modelo hegemônico de institucionalizar são
os objetivos dessa pesquisa.
METODOLOGIA
Neste estudo realizamos pesquisa bibliográfica e documental. Acessamos
documentos oficiais que retratam o atendimento prestado nas Unidades de Internação de
Adolescentes em Situação de Conflito com a Lei, dentre eles: o intitulado “Inspeção
Nacional às Unidades de Internação de Adolescentes em Conflito com Lei”, elaborado
pelo Conselho Federal de Psicologia e Conselho Federal da OAB. Vale esclarecer que
os dados apresentados no citado documento foram levantados por meio de visitas em
Unidades Socioeducativas de 22 Estados Brasileiros e no Distrito Federal realizadas na
data de 15 de março de 2006. Para analisar os dados tomamos como orientação a
história inspirada na vertente marxiana.
RESULTADOS
ANAIS DO I SENAPS
Estudos indicam que a violência praticada por crianças e adolescentes no Brasil
não é própria da atualidade e que há registros dela já no período imperial e
principalmente nas primeiras décadas da instauração da República, nos idos de 1889
(SANTOS, 2002; CUNHA, 2002). Desde o final do século XIX as crianças aparecem
nas estatísticas criminais do país, entretanto, é nas primeiras décadas do século XX que
estas tomam uma maior proporção, em consequência do processo de industrialização do
país. Contrastando com o “progresso”, centenas de brasileiros (principalmente os
escravos abolidos) perambulavam pelas ruas sem trabalho, viviam em condições de
extrema miséria, adoeciam em virtude das precárias e desumanas condições de saúde e
habitação e também praticavam delitos. Era evidente que a deterioração das condições
sociais, as mudanças impostas pela forma de organização capitalista e os novos padrões
de convívio que a urbanidade impunha potencializavam a prática de crimes cometidos
por adultos e menores de idade. Neste período, inúmeras prisões ocorriam, às vezes pelo
simples fato da pessoa não conseguir comprovar sua ocupação. Grande parte dessas
prisões arbitrárias tinha como alvo as crianças, que eram acusadas de vadiagem. No
Estado de São Paulo “entre 1900 e 1916 o coeficiente de prisões por 10 mil habitantes
era distribuído da seguinte forma: 307,32 maiores e 275,14 menores”. Todavia, os
crimes cometidos por “menores” se diferiam muito dos praticados por adultos, que eram
responsáveis por 93.1% dos homicídios realizados entre 1904 e 1906. As prisões de
crianças eram motivadas por vadiagem (20%), embriaguez (17%) e furto ou roubo
(16%) (SANTOS, 2002, p. 214). Já nesta época, conforme o autor, a sociedade e os
juristas acreditavam que as casas de correções, hoje chamadas de Unidades
Socioeducativas e a pedagogia do trabalho seriam medidas necessárias para o
enfrentamento da violência praticada por crianças e adolescentes. Voltando a atualidade,
constatamos que em 2009 foram registrados 16.940 adolescentes cumprindo medidas
socioeducativas no Brasil. Também se observou que a superlotação foi mais
evidenciada nas regiões Nordeste e Sul do Brasil, sendo que o Estado de São Paulo
concentrava 37% dos adolescentes em cumprimento de regimes em meio fechado,
ANAIS DO I SENAPS
tornando-se o maior sistema socioeducativo do país (BRASIL, 2010). Nota-se que os
estados das regiões mais desenvolvidas do Brasil, o Sudeste e o Sul, estão entre os que
possuem maior população de adolescentes privados de liberdade (SP, MG, RS e PR).
Esses resultados só reforçam uma das grandes contradições do capitalismo: o aumento
da pobreza da classe operária e contraditoriamente o aumento da produção de riqueza
(MARX, 2002). Parece que a institucionalização dos que não são absorvidos pelo
mercado de trabalho formal torna-se uma estratégia do estado neoliberal para mascarar a
desigualdade produzida pelo modo de organização social vigente. Tal percepção
também é compartilhada com Passetti (2002, p.373), tendo em vista que ele afirma que
com o neoliberalismo “se reconhece a necessidade do espaço de confinamento e
mortificação para pobres de todas as idades, tanto nos internatos, quanto nas prisões”. A
fim de minimizar o agravamento no estado emocional gerado pela própria privação de
liberdade, em geral, tem-se recorrido a medicação psicotrópica. O processo de
medicalização, de acordo com Barros (1983, p. 378), se define como “[...] a ampliação
crescente do trabalho de intervenção da medicina na vida das pessoas, passando para a
alçada médica, inclusive, problemas claramente determinados pela forma de ser da
sociedade, no interesse de se manter o status quo (por exemplo, escamoteando os
conflitos inerentes às relações capital - trabalho). De igual forma, processos antes tidos
como naturais ou fisiológicos crescentemente passaram a ser merecedores da
intervenção médica”. Conforme Suzuki (2012), durante o I Seminário Internacional “A
educação medicalizada: dislexia, TDAH e outros supostos transtornos”, realizado no
mês de Dezembro de 2010, em São Paulo, concluiu-se que a medicalização seria melhor
interpretada como o uso abusivo e exacerbado da medicação em fatos da vida que são
de natureza social, desconstruindo a ideia de que o referido termo significa
contrariedade ao uso da medicação. Como apontam Moysés e Collares (2010, p. 150),
“o processo de medicalização individualiza problemas coletivos, biologizando e
naturalizando-os”. Esse processo de medicalização tem se tornado tão frequente, que na
Inspeção Nacional às Unidades de Internação de Adolescentes em Conflito com Lei
ANAIS DO I SENAPS
constatou-se que mais de 80% dos adolescentes usavam antipsicóticos. Nos Estados de
Minas Gerais e Paraná, por meio das visitas, foi possível inferir que os adolescentes
costumavam ser medicados com psicotrópicos por problemas de comportamento
(CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA [CFP]; ORDEM DOS ADVOGADOS
DO BRASIL [OAB], 2006). Ainda nesta inspeção, verificou-se que no Estado do Rio
Grande do Sul cerca de 80% dos adolescentes eram medicados com o psicotrópico
Amplictil. De acordo com equipe de saúde, a medicação era necessária devido aos
quadros de ansiedade resultante do não uso de drogas. No Amazonas foi levantado que
não há acompanhamento terapêutico combinado com as prescrições medicamentosas
realizadas pelo hospital psiquiátrico, local onde eram atendidos os adolescentes que
necessitavam dos serviços de saúde mental. Na ocasião da inspeção, no Pará, observouse que os jovens pediam os medicamentos que desejavam e que a enfermagem parecia
atender aos pedidos, sem qualquer exame mais apurado e deixando dúvida se os
medicamentos tinham sido prescritos pelo médico. Em Mato Grosso do Sul a situação
era ainda mais crítica, pois era a enfermeira que medicava os adolescentes e os agentes
assim também agiam diante de queixas de dores de cabeça ou algum outro sintoma
durante a noite (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA [CFP]; ORDEM DOS
ADVOGADOS DO BRASIL [OAB], 2006). Em Brasília observou-se que uma
adolescente, que estava na cela de castigo, havia recebido uma dose forte de calmante.
Ao ser questionada sobre qual medicamento havia tomado, não soube responder e disse
que a medicação havia sido dada por ela estar nervosa. Vale destacar que a adolescente
estava visivelmente tonta, encontrava-se em uma cela de castigo, sem a luz do sol há
cinco dias. A cela era insalubre e sem chuveiro, havia apenas um buraco na parede de
onde saia água fria (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA [CFP]; ORDEM DOS
ADVOGADOS DO BRASIL [OAB], 2006). Por todo o exposto, nota-se que o processo
de medicalização também é comum nas unidades socioeducativas do Brasil. A
experiência profissional de Feitosa em unidades socioeducativas revela que grande parte
dos adolescentes que toma medicação psicotrópica iniciou o uso durante o cumprimento
ANAIS DO I SENAPS
da internação. Em geral, ela é ministrada para conter aqueles que denunciam os
malefícios da privação de liberdade e para aliviar o sofrimento produzido pela própria
institucionalização, tornando-se uma estratégia para manter o modelo hegemônico de
institucionalizar. Ao invés de problematizarmos um novo modelo de intervenção para o
enfrentamento da violência, medicamos os que estão institucionalizados para que eles
sobrevivam a essa experiência.
CONCLUSÕES
A violência praticada por adolescentes continua sendo entendida como um
problema do indivíduo, de sua família e do meio onde coabitam. Portanto, não sendo
uma construção coletiva e social, basta internar. A defesa se faz em prol do afastamento
daqueles que denunciam e evidenciam as contradições sociais. O discurso atual de
privilegiar o atendimento no seio da comunidade e o de esgotar as possibilidades de
reintegração familiar se contradiz a uma prática secular: a de institucionalizar, por mais
que a história tenha evidenciado a ineficácia desta medida. Apesar do Estatuto da
Criança e do Adolescente ser considerado um avanço no campo jurídico, de fato a
sociedade atual tem apostado na internação e medicalização para enfrentar a violência
praticada por jovens. Em geral, negamos e naturalizamos a intima relação entre
violência e o modo de organização social, a alienação e o processo de adoecimento
provocado pela institucionalização, por mais que inúmeros estudos indiquem que a
privação de liberdade esta longe de garantir o desenvolvimento humano. Nestes termos,
consideramos que as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente ganharão
concretude no momento em que conseguirmos superar a lógica de que a internação irá
corrigir comportamentos ou possibilitar uma educação para a cidadania. Entretanto as
ideias não são autônomas, alterando-se de acordo com as vontades individuais. Segundo
a concepção materialista da história “o modo de produção da vida material condiciona o
processo de vida social, política e intelectual" (MARX, 1922, p. 82). Portanto o desafio
é o de dar passagem a uma forma de organização social mais humana e igualitária.
ANAIS DO I SENAPS
Palavras-chave: Estatuto da Criança e do Adolescente, adolescência, internação
socioeducativa e medicalização.
REFERÊNCIAS
BARROS, J. A. C. Estratégias mercadológicas da indústria farmacêutica e o consumo de
medicamentos. Revista Saúde Pública, São Paulo n. 17, p. 377-386, 1983.
BRASIL. Secretaria Especial de Direitos Humanos. Secretaria Nacional de Promoção dos
Direitos da Criança e do Adolescente. Levantamento nacional do atendimento
socioeducativo ao adolescente em conflito com a Lei - 2009. Brasília, DF: SDH, 2010.
_______. Presidência da República. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF,
1990.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA [CFP]; ORDEM DOS ADVOGADOS DO
BRASIL [OAB]. Um retrato das unidades de internação de adolescentes em conflito com a
lei. 2. ed. Brasília: CFP, 2006.
CUNHA, O. M. G. da. Intenção e gesto: pessoa, cor e a produção cotidiana da (in)diferença no
Rio de Janeiro, 1927-1942. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2002.
MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2002.
_______. O prefácio da contribuição à crítica da economia política. In: MARX, K. Sociologia.
7. ed. São Paulo: Ática, 1922, p. 82-83.
MOYSÉS, M. A. A; COLLARES, C. A. L. Dislexia e TDAH: uma análise a partir da ciência
médica. In: CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DE SÃO PAULO; GRUPO
INTERISTITUCIONAL QUEIXA ESCOLAR. Medicalização de crianças e adolescentes:
conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doenças de indivíduos. São Paulo: Casa
do Psicólogo, 2010, p. 71-110.
PASSETTI, E. Crianças carentes e políticas públicas. In: DEL PRIORE, M. (Org.). História
das crianças no Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2002.
SANTOS, M. A. C. dos. Criança e criminalidade no início do século. In: DEL PRIORE, M.
(Org.). História das crianças no Brasil. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2002. p. 210-230.
ANAIS DO I SENAPS
VOLPI, M. (Org.). Adolescentes privados de liberdade: a normativa nacional e internacional
e reflexões acerca da responsabilidade penal. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
PERFIL DE INTERNAÇÕES PEDIÁTRICAS POR PNEUMONIAS EM
HOSPITAL ESCOLA PÚBLICO.
Karina Jullyana de Melo Brondani64
Rosângela Aparecida Pimenta Ferrari65
Flávia Lopes Sant’Anna66
Suellen dos Santos Silva 67
Mauren Teresa G. Mendes Tacla68
INTRODUÇÃO
As doenças respiratórias, em particular as pneumonias, ainda apresentam uma
importante causa de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo. Estima-se que no
ano de 2012 houve 18.517 óbitos em crianças com menos de 1 ano, sendo que deste
total 5% eram por pneumonia. Houve ainda mais de 100 mil internações hospitalares
por pneumonia, gerando um custo de aproximadamente 80 milhões de reais, sendo deste
número de casos 17% da região Sul (DATASUS, 2013).
A pneumonia é caracterizada por uma inflamação dos tecidos pulmonares,
geralmente causadas por bactérias, vírus, fungos, parasitas ou podendo, também, ser
64
Enfermeira Residente em Enfermagem em Saúde da Criança. Departamento de Enfermagem, Centro de
Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil. Endereço: Av. Robert Koch,
99, Jd. Operária, Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
65
Enfermeira. Doutora. Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da
Saúde, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
66
Enfermeira. Mestre. Professor Auxiliar do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde,
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
67
Enfermeira Residente em Enfermagem em Saúde da Criança. Departamento de Enfermagem, Centro de
Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil. Endereço: Av. Robert Koch,
99, Jd. Operária, Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
68
Enfermeira. Doutora. Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da
Saúde, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
ANAIS DO I SENAPS
secundária por radiação, ingestão de substâncias químicas e inalação de corpos
estranhos (ESCOBAR, GARCIA, 2002).
A literatura identifica como sendo fatores de risco para as pneumonias
bacterianas na infância, a pouca idade materna, baixa escolaridade, baixa renda, baixo
peso ao nascer, ausência de aleitamento materno, esquema vacinal incompleto,
aglomerado de pessoas em um mesmo domicílio e outros diversos fatores sociais e
história de pneumonia anterior. É válido lembrar que a expansão da Estratégia da Saúde
da Família (ESF), melhorou o acesso aos serviços de saúde através da ampliação do
ingresso à atenção primária, aumentando assim a chance de identificação e referência
dos casos necessários à internação (MOURA et. al., 2010).
A enfermagem possui um papel fundamental na promoção e prevenção de saúde,
atuando em muitas das causas evitáveis do acometimento por pneumonia e outras
doenças em crianças. Faz-se presente nas consultas de pré-natal e puericultura, na busca
ativa por vacinações e no incentivo ao aleitamento materno, sendo o profissional com
maior vínculo com os pacientes (NASCIMENTO et. al., 2004). O desmame precoce
está associado ao maior número de episódios de diarreia, risco de desnutrição,
hospitalizações por doença respiratória e menor absorção de nutrientes importantes do
leite materno, como o ferro e o zinco (BRASIL, 2009).
Esta relação entre ausência ou interrupção do aleitamento materno e as
internações por pneumonia é corroborada em uma análise multivariada de dados
secundários realizada nas capitais brasileiras e Distrito Federal, relatando redução do
risco de hospitalização por pneumonia entre crianças com menos de 1 ano de vida, com
o aleitamento materno exclusivo até 6 meses e de 9 a 12 meses, atingindo sua máxima
eficácia quando o aleitamento materno é mantido até os 2 anos de idade. (BOCCOLINI
et al, 2011). Isto também é observado em estudo realizado no Ceará, no qual se
comprovou que as crianças desmamadas ficam mais suscetíveis às afecções, quando
comparada àquelas em aleitamento materno exclusivo (AME) ou predominante, por
verificarem que 18,9% das crianças que foram desmamadas a partir do segundo mês de
ANAIS DO I SENAPS
vida apresentaram algum problema de saúde, com destaque para as ocorrências do
aparelho respiratório (XIMENES, 2010).
Outro fator que influencia na redução das taxas de internação por pneumonia é a
vacinação. Segundo análise do Ministério da Saúde no ano de 2010, verificou-se que a
após a campanha de vacinação contra a Influenza H1N1 e a introdução da vacina antipneumocócica na rotina de vacinação das crianças houve queda dos números de
hospitalização por essa morbidade. O maior impacto foi observado na cidade de
Curitiba, onde houve maior cobertura dessas vacinas e redução de 34,0% das
internações (BRASIL, 2010).
O enfermeiro está inserido diretamente nas ações de promoção do aleitamento
materno e vacinação, questões que podem ser abordadas por meio de educação em
saúde. Esta constitui instrumento para a promoção da qualidade de vida de indivíduos,
unindo conhecimentos técnicos e populares para uma melhor assistência de enfermagem
(OLIVEIRA, 2004). Diante desta realidade e da constante aproximação da enfermagem
com os pacientes, torna-se importante a atuação desta classe na profilaxia das
pneumonias na atenção primária, evitando o desenvolvimento da doença e a
consequente internação.
OBJETIVO
O presente estudo teve como objetivo caracterizar o perfil das internações
pediátricas por pneumonia em um hospital escola público do Sul do Brasil nos anos de
2007 a 2009.
MÉTODO
Trata-se de uma de pesquisa descritiva e transversal, realizada nos anos de 2007
a 2009, em um hospital público de grande porte em Londrina, Paraná.
A população de estudo foi constituída por crianças internadas na unidade
pediátrica de um hospital escola público situado no município. É classificado como
ANAIS DO I SENAPS
hospital terciário, referência no Norte do Estado no atendimento de pacientes
conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Atende pacientes de 250 municípios do
Paraná e de mais de 100 cidades de outros Estados. Conta com uma média mensal de
1.150 internações, 12.000 atendimentos ambulatoriais, 7.000 atendimentos de prontosocorro e 600 cirurgias. É constituído por 365 leitos. A Unidade Pediátrica dispõe de 34
leitos para crianças entre zero e 12 anos nas diversas especialidades, e conta com média
mensal de 49 internações e anual de 580.
A coleta de dados se deu mediante a análise dos prontuários disponibilizados
pelo Serviço de Arquivo Médico e Estatístico e incluiu as seguintes variáveis: idade,
sexo, tempo de permanência, época do ano, diagnóstico principal, agente causal e tipo
de saída hospitalar (alta ou óbito). Foram incluídas no estudo crianças de zero a 12 anos
de idade com diagnóstico médico de pneumonia independente do agente causal,
conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID 10).
Os dados coletadas foram registradas em banco de dados e processados
eletronicamente por meio do programa Epi info. A significância estatística foi testada
utilizando os testes Qui-quadrado e o teste Chi-Square Tests. O nível de significância
adotado para este estudo foi p <0,05.
Atendendo a Resolução nº 196, de 10 de outubro de 1990, do Conselho Nacional
de Saúde, que dispõe sobre as normas regulamentadoras de pesquisa com seres
humanos, o presente estudo obteve parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa
da UEL - nº 236/08.
RESULTADOS
No período de estudo 561 crianças foram internadas, ou seja, onde 85,9% foram
internações e 14,1% reinternações. No que se refere às internações 56,8% eram do sexo
masculino e 42,5% do feminino, principalmente nos menores de três anos de idade.
ANAIS DO I SENAPS
A idade media encontrada foi de 2,97 e mediana de 2,00, sendo a idade mínima
zero e máxima 17 anos. Apesar da amostra ser composta por crianças até 12 anos,
foram internados sete (1,45%) adolescentes na faixa etária de 13 a 17 anos .
A prevalência de internações por pneumonia ocorreu nos primeiros três anos de
vida (71,3%), sendo 24,5% nos menores de um ano e 46,8% na faixa etária de um a três
anos.
Observa-se também que a maior demanda foi da própria cidade com 65,9% dos
casos, as cidades circunvizinhas somaram 34,1%. Em Londrina, o maior número foi de
crianças provenientes da Região Sul (31,2%) seguida da Norte (25,2%).
Após análise dos dados verificou-se precariedade nas informações que
caracterizam essa população. Não foram encontrados registros de renda familiar,
escolaridade e raça, mesmo se tratando de um hospital escola publico.
Pode-se observar que em 80,8% das internações o agente causal da pneumonia
não foi esclarecido (CID: J18.9 – Pneumonia não esclarecida), em sua maioria nos
menores de três anos de idade.
O tempo de permanência na unidade pediátrica variou de zero a 130 dias. O
maior percentual observado foi de até 10 dias de internação (67,2%), em crianças de até
três anos esse valor chegou a 49,1%.
Ao comparar evolução da doença respiratória e a ocorrência de óbito durante a
internação, verificou-se a ocorrência desse evento em 7,7% das crianças. O maior
percentual encontra-se nos menores de um ano (27,0%), seguido de um a três anos
(35,1%), predominantemente no sexo masculino (57,0%) e por pneumonia não
esclarecida (89,1%). Os óbitos ocorreram principalmente no outono (36%) e no verão
(19,5%).
CONCLUSÃO
O estudo teve como objetivo caracterizar alguns dados sobre o perfil de crianças
atendidas em um hospital público e por se tratar de um estudo transversal, as
ANAIS DO I SENAPS
características apresentadas se referem a um momento específico, podendo sofrer
modificações à medida que intervenções vão sendo implantadas. Neste sentido, ressaltase a relevância da realização de novos estudos que aprofundem o conhecimento do tema
e levem à identificação dos múltiplos fatores facilitadores das enfermidades mais
comuns na infância, responsáveis por grande número de hospitalizações e reinternações
e, que dessa forma, possam estimular e nortear programas de alcance e ações tão amplos
e diversificados que logrem, idealmente, suplantar causas biopsicosociais.
Esse perfil reflete em parte o padrão de morbidade de crianças residentes em
Londrina e região, considerando que esses casos são internados, em sua maioria no
hospital em estudo, mas não na sua totalidade por ter outros hospitais que atendem tanto
o sistema privado como público.
Apesar de parecer óbvio e simples, a atenção dispensada pelos órgãos públicos
na prevenção primária poderia ser mais efetiva, a partir da intervenção sobre os fatores
de risco sabidamente relacionados com o processo da doença. Este estudo também
demonstrou certa variação sazonal no que se refere às causas de internações por
pneumonia o que pode subsidiar o planejamento de ações da Unidade de Pediatria
quanto à aquisição de medicamentos e outros materiais e de recursos humanos, bem
como os serviços de atenção primária à saúde sobre a necessidade de intervenções
específicas, visando reduzir estas demandas.
A partir dessas informações, pode-se apontar para a necessidade de
desenvolvimento de ações de saúde mais eficazes no nível primário, objetivando a
prevenção das complicações, a manutenção do calendário básico de vacinação, a
execução de consultas de acompanhamento do desenvolvimento e crescimento da
criança no intuito de detectar precocemente sinais e sintomas de doenças respiratórias e
evolução para pneumonias, dentre outras. Quanto ao nível terciário, além do tratamento
da pneumonia, é necessário desenvolver estratégias de integração com o serviço de
atenção básica antes da alta para a continuidade do atendimento e vigilância à saúde na
comunidade para que as reinternaçoes não sejam tão comuns.
ANAIS DO I SENAPS
PALAVRAS-CHAVE:
Pneumonia;
Criança;
Hospitalização;
Epidemiologia;
Mortalidade.
REFERÊNCIAS
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por pneumonia em crianças brasileiras menores de 1 ano. J. Pediatr. (Rio J.), Porto
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81452010000200023&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 28 Abr. 2013.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
AVALIAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ACESSIBILIDADE DA ATENÇÃO
PRIMÁRIA A SAÚDE DA CRIANÇA EM LONDRINA-PR¹
Louise Marina Silva Fontana²
Edilaine Giovanini Rossetto3
Mauren T. G. Mendes Tacla3
Barbara de Andrade Alves4
Este estudo faz parte de um projeto maior denominado “Avaliação da efetividade da atenção primária em saúde para crianças”,
financiado pelo edital universal CNPq 14/2011, sob nº 474743/2011-0. Agradecimentos a equipe da pesquisa que não pode ser
nominada na autoria em função da limitação do número de co-autores: Gabriela D´Ovídio, Gisleine Tiemi, Isadora Rossignolo,
Jéssica Mendes Daschevi, Leila Pegoraro.
2
Aluna da 3ª série do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina. Bolsista de Iniciação Científica.
3
Enfermeira. Doutora em Enfermagem em Saúde Pública pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo.
Docente Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina - UEL.
4
Enfermeira especialista em Pediatria. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina – UEL.
1
INTRODUÇÃO
A atenção primária é considerada a entrada no sistema de saúde para qualquer
nova necessidade ou problema de saúde. Oferece atenção de saúde à população no
decorrer do tempo, para todas as condições - com exceção das muito incomuns ou raras
- e coordena ou integra a atenção (STARFIELD, 2002). A Atenção Primária à Saúde é
baseada no acesso de primeiro contato, longitudinalidade, integralidade e coordenação.
O acesso é um conceito complexo e que ainda não está bem definido. É um conceito
que varia entre autores e que muda ao longo do tempo e de acordo com o contexto
(TRAVASSOS, MARTINS, 2004). O acesso foi definido por Millman (1993) como “o
uso oportuno de serviços pessoais de saúde para alcançar os melhores resultados
possíveis em saúde.” Pode significar também o ato de ingressar ou porta de entrada. O
comportamento do indivíduo é geralmente responsável pelo primeiro contato com os
serviços de saúde, e os profissionais de saúde são responsáveis pelos contatos
subsequentes (TRAVASSOS, MARTINS, 2004). Penchansky & Thomas (1981)
identificaram várias dimensões que compõem o conceito de acesso, tais como
disponibilidade, acessibilidade, acolhimento e aceitabilidade. Já a acessibilidade pode
ser vista como caráter ou qualidade do que é acessível, possibilita que as pessoas
ANAIS DO I SENAPS
cheguem aos serviços. Ou seja, este é um aspecto da estrutura de um sistema de saúde e
este aspecto é necessário para se atingir a atenção ao primeiro contato (STARFIELD,
2002). Acessibilidade é mais abrangente do que a mera disponibilidade de recursos em
um determinado momento e lugar, refere-se às características dos serviços e dos
recursos de saúde que facilitam ou limitam seu uso por potenciais usuários
(DONABEDIAN, 1973 apud TRAVASSOS, MARTINS, 2004).
Os termos acesso e acessibilidade são usados de forma intercalada e, geralmente,
ambígua; mas em linhas gerais, acessibilidade refere-se às características da oferta e o
acesso é a forma como as pessoas percebem a acessibilidade (STARFIELD, 2002). Esse
estudo científico tem a finalidade de avaliar a efetividade da acessibilidade na Atenção
Primária de Saúde buscando informações relevantes para a ação de medidas públicas
voltadas ao público infantil.
OBJETIVO
Avaliar a acessibilidade das crianças de até 12 anos residentes na área urbana da
cidade de Londrina para a efetividade do atendimento nas Unidades Básicas de Saúde.
MÉTODO
Pesquisa avaliativa, de natureza quantitativa, parte de uma pesquisa
multicêntrica, realizada em dois municípios no estado do Paraná (Cascavel e Londrina)
e um na Paraíba (João Pessoa), realizada por meio do instrumento de Avaliação da
Atenção Primária denominado PCATool (Primary Care Assessment Tool) versão
criança. Este questionário avalia os atributos essenciais da Atenção Primária (acesso de
primeiro contato, integralidade, longitudinalidade e coordenação) e seus atributos
derivados (orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural) a partir
de uma lista de questões sobre os serviços respondidas por usuários. O presente estudo
fará análise do atributo acessibilidade e os demais atributos serão estudados em estudos
subsequentes. No questionário o atributo acesso de Primeiro contato é formado por três
ANAIS DO I SENAPS
componentes: o grau de afiliação (A), utilização (B) – itens B1, B2 e B3 e a
acessibilidade (C) – itens C1, C2, C3, C4, C5 e C6. Para cada pergunta é possível
quatro respostas: “com certeza sim” (valor=4), “provavelmente sim” (valor=3),
“provavelmente não” (valor=2), “com certeza não” (valor=1) e “não sei / não lembro”
(valor=9). A partir daí foram calculados escores. Os escores para cada um dos atributos
ou seus componentes são calculados pela média dos valores das respostas dos itens que
compõe cada atributo ou seu componente. Por exemplo, o escore para o componente B é
calculado pela soma do valor dos itens dividido pelo número de itens para produzir um
escore médio. Escore = (B1 + B2 + B3) / 3. O instrumento foi aplicado em 39 unidades
básicas de saúde no município de Londrina, Paraná no período entre agosto de 2012 e
janeiro de 2013. A amostra foi de 609 entrevistas. Para a aplicação do instrumento
foram considerados critérios de inclusão ser residente em área urbana dos municípios e
ter condições para ser o respondente do formulário, tais como capacidade de
entendimento, expressão e compreensão dos documentos apresentados (TCLE). Foram
excluídos da pesquisa crianças procedentes de outro município do respectivo estado em
estudo ou da área rural. As perguntas eram feitas aos principais cuidadores das crianças,
menores de doze anos de idade, que utilizaram o serviço pelo menos três vezes.
RESULTADOS
Dos 609 entrevistados, 95,9% responderam que geralmente procuram a Unidade
Básica de Saúde quando seu filho está doente. Ao se questionar se havia um médico,
enfermeiro ou unidade de saúde que conhecia melhor a criança como pessoa 76,2%
responderam positivamente, apontando o mesmo serviço que geralmente levava a
criança, mas apenas 5,6% indicaram o médico ou enfermeiro como os profissionais que
melhor conheciam a criança. Sobre o Acesso de Primeiro Contato propriamente,
referente às questões de Utilização (B), quando perguntado se o responsável levava a
criança primeiro no serviço de referência antes de ir a outro local quando a criança
precisava de uma consulta de revisão, 86,9% responderam que sim. Já quando a criança
ANAIS DO I SENAPS
tinha um novo problema de saúde o número de respostas positivas reduziu para 62,1%.
A respeito do encaminhamento obrigatório para consultar um médico especialista,
81,1% responderam que são obrigadas a passar por uma consulta antes de levarem sua
criança para o especialista. Ainda sobre a utilização dos serviços, observou-se, por meio
dos escores médios, uma avaliação positiva por parte dos cuidadores, quando 64,8%
pontuaram com escore máximo, através da resposta Certo que Sim, seguido de mais
28,7% dos cuidadores respondendo Provavelmente Sim. Referente às questões de
Acessibilidade (C), quando questionados sobre o atendimento no mesmo dia caso sua
criança fique doente, 62,6% responderam que provavelmente/certamente que sim. Sobre
ter que esperar muito ou ter que falar com muitas pessoas para marcar hora, 36,2% dos
responsáveis respondeu afirmativamente. E 67,4% dos cuidadores alegam ter que
esperar mais de 30 minutos para ser atendido. Sobre a dificuldade para conseguir
atendimento para a criança quando o responsável pensa ser necessário, 38,1% indicaram
que sim. A respeito do aconselhamento rápido pelo telefone, somente 32,2% disseram
ter acesso. Verificando a acessibilidade, os respondentes realizaram a avaliação de
forma equilibrada tanto para os escores positivos (50,4%) e negativos (44,5%)
considerando os demais que não sabiam ou não lembravam. Sendo que a pontuação
negativa que apareceu em destaque foi a espera por mais de 30 minutos ao chegar ao
serviço de saúde (67,4%).
DISCUSSÃO
Os dados apresentados aqui são resultantes de uma análise parcial dos resultados
desta pesquisa. Grande parte dos achados nesta pesquisa assemelha-se ao encontrado em
outras pesquisas, embora em diferentes condições e em outros países. Pode-se observar
que o acesso da população aos serviços de saúde mostra-se relativamente bom,
indicando que ainda há barreiras ao acesso dos que procuram os serviços de saúde. É
perceptível também que não há muitos médicos/enfermeiros que conhecem bem as
crianças as quais prestam atendimento e que os pais não possuem um vínculo muito
ANAIS DO I SENAPS
significativo com os profissionais de saúde nas unidades básicas da cidade analisada. O
profissional pode até conhecer a família e sua criança, mas isso se dá superficialmente.
Quase nunca são os mesmo profissionais que atendem essas crianças nas consultas
subsequentes, sendo impossível criar um vinculo e desenvolver um relacionamento mais
profundo. O tempo de espera para ser atendido ultrapassa os 30 minutos na grande
maioria dos casos, mostrando uma necessidade de contratação de mais funcionários e/ou
reorganização do processo de trabalho para o melhor atendimento da população e
aprimoramento deste quadro. Em vista disso, podemos constatar que o acesso é um
importante aspecto na atenção primária a saúde, apesar de ser um conceito abrangente,
ainda é perceptível a necessidade de seu desenvolvimento para dar conta das recentes
mudanças no cenário da saúde brasileira. A coleta sistemática e periódica desses dados
serve como subsidio para uma avaliação mais profunda e efetiva do sistema de saúde
brasileiro.
CONCLUSÃO
O acesso, sendo uma das bases e a própria porta de entrada da atenção primária
deve iniciar o processo para que o mesmo funcione corretamente. Como porta de
entrada dos serviços de saúde deve estar bem organizada e adequada para atender a
demanda e não reprimi-la. Conclui-se que o grau de afiliação é limitado e o acesso é
positivo com algumas limitações. O problema maior está na demora em se receber o
atendimento, marcar consultas e receber aconselhamento rápido pelo telefone.
PALAVRAS-CHAVE: Avaliação de serviços de saúde; Atenção primaria á saúde;
Serviços de saúde, Acessibilidade.
REFERÊNCIAS
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ANAIS DO I SENAPS
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TRAVASSOS, C. MARTINS, M. Uma revisão sobre os conceitos de acesso e
utilização de serviços de saúde. Cad Saude Publica 2004; 20(Supl. 2):S190-S198.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
REPRESENTAÇÕES DA FAMÍLIA E DE ENFERMEIROS SOBRE O CUIDADO DO
RECÉM-NASCIDO DE MUITO BAIXO PESO NO DOMICÍLIO
Adriana Valongo Zani¹
Vera Lúcia Pamplona Tonete²
Cristina Maria Garcia de Lima Parada³
INTRODUÇÃO
Nascer pré-termo e de muito baixo peso significa passar de maneira precoce de um
ambiente aconchegante e seguro, o útero materno, para outro extremamente agressivo e novo, o
meio externo. Muitos dos recém-nascidos pré-termo e de muito baixo peso (RNPTMBP)
iniciam suas vidas extra-uterinas em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, local que tem sido
de suma importância para manter-lhe a vida. Por ser uma antecipação do nascimento biológico,
o parto prematuro acarreta nos pais uma tempestade de sentimentos, pois o nascimento se dará
no momento de maior desenvolvimento tanto para os pais quanto para o bebê, que cresce não
apenas no útero, mas no imaginário do casal que o aguarda.1 Desta maneira, a interrupção
abrupta da gravidez traz à luz tanto um RN prematuro, quanto pais prematuros, que além da
separação física precoce, enfrentarão uma separação ainda mais dramática imposta pelo quadro
clínico desses pré-termos. Nestes casos, o filho real em nada se assemelha ao filho imaginário, o
que de certa maneira dificulta a formação do vínculo afetivo do casal com o bebê. 1 Também, a
família se vê diante de experiência desgastante e desafiadora, fato que ocasiona profundas
alterações na dinâmica familiar e que se acentua ainda mais com a internação, muitas vezes
prolongada, do filho.2 Apesar de todas as dificuldades a serem enfrentadas durante essa
internação, a família sente-se, em geral, segura quanto ao cuidado, visto ser na maior parte das
vezes prestado por equipe especializada. Porém, com a evolução e alta do bebê, essa atribuição
passa a ser assumida pela família e serviços de atenção básica à saúde. Visando qualificar o
cuidado à saúde infantil, o Ministério da Saúde brasileiro busca, desde 2004, implementar a
linha de cuidado integral de saúde da criança, a qual tem, no acompanhamento do recémnascido de risco, um de seus eixos principais. Assim, no contexto da atenção básica, espera-se
que os RNPTMBP sejam prioritariamente assistidos, tanto nas Unidades Básicas de Saúde
quanto nas Unidades de Saúde da Família.3 Ao considerar a vulnerabilidade desses bebês e as
dificuldades de cuidado após a alta de unidades de terapia intensiva identifica-se a pertinência
ANAIS DO I SENAPS
de estudos que busquem compreender as experiências das famílias e de profissionais de saúde
quanto ao seu cuidado.
OBJETIVO
Apreender as representações de familiares e de enfermeiros sobre o cuidado do recémnascido de muito baixo peso ao nascer no domicílio.
MÉTODO
Adotou-se a abordagem qualitativa de pesquisa, que é entendida como aquela capaz de
incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes a atos, relações e
estruturas sociais, sendo essas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua
transformação, como construções humanas significativas.4 A Teoria das Representações Sociais
(TRS) fundamentou a realização desse estudo. Pode ser considerada interpretação da realidade
que pressupõe que não haja distinção entre sujeito e objeto da pesquisa. Uma vez que toda
realidade é representada pelo indivíduo, toda representação é, portanto, uma forma de visão
global e unitária de determinado objeto. Para que o indivíduo possa formar essa visão global, ele
usa elementos de fatos cotidianos e de conhecimentos do senso comum.5-6 A TRS é expressão
filosófica que significa a reprodução de uma percepção anterior da realidade ou do conteúdo do
pensamento. Assim, é expressa por representações coletivas, com o objetivo de referir as
categorias de pensamento por meio das quais determinada sociedade elabora e expressa sua
realidade. 4 Este estudo foi desenvolvido em Londrina – PR, município que conta com 510.770
habitantes7 e cujo número anual de nascidos vivos de mães residentes diminuiu de 8180 em
2000 para 6761 em 2009. No mesmo período, o número de crianças nascidas com peso inferior
a 1500 gramas manteve-se praticamente o mesmo: 102 no início da década e 101 no seu final. 8
Para atendimento neonatal de alta complexidade o município conta com três Unidade de Terapia
Intensiva (UTI), localizadas em três hospitais credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS),
sendo um serviço público considerado Centro de Referência Regional; outro é instituição
filantrópica e referência no atendimento a gestantes de alto risco e o terceiro atende diversos
planos de saúde e também é caracterizado como instituição filantrópica. Na configuração da
rede de atenção à saúde Londrina possui 52 unidades básicas de saúde (UBS), sendo 42 em área
urbana e 10 localizadas na área rural, e 100 Equipes Saúdes da Família (ESF). Porém, foram
incluídas nesta investigação apenas aquelas que tinham na sua área de abrangência uma das 41
famílias integrantes do estudo. Para serem incluídas no estudo as famílias precisavam residir em
ANAIS DO I SENAPS
Londrina, possuir recém-nascido com peso inferior a 1500 g, com necessidade de internação em
UTI Neonatal, sem malformação e com parto ocorrido no período de novembro de 2011 a julho
de 2012. Falecer nos primeiros seis meses de vida foi o único critério de exclusão infantil
adotado. Também foram incluídos 22 enfermeiros atuantes na rede básica de saúde do
município. Utilizaram-se entrevistas semi-estruturadas, processo de interação social no qual o
entrevistador tem a finalidade de obter informações do entrevistado, através de um roteiro
contendo tópicos em torno de uma problemática central.9 Além disso, privilegia a obtenção de
informações através da fala individual, a qual revela condições estruturais, sistemas de valores,
normas e símbolos e transmite, através de um porta-voz, representações de determinados
grupos.4 Podem ser consideradas conversas com finalidades.10 Considerando-se seu importante
papel no cuidado, elegeu-se a mãe como membro da família a participar, enquanto que os
enfermeiros foram os entrevistados como profissionais de saúde. A coleta de dados com as mães
foi realizada em seus respectivos domicílios no período de novembro de 2010 a julho de 2011,
em três momentos distintos: sete dias após a alta hospitalar, 45 dias após a primeira visita e no
sexto mês de vida da criança. Os enfermeiros foram entrevistados na unidade básica de saúde no
mesmo período e uma única vez. A análise dos dados foi realizada de acordo com o referencial
metodológico do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), proposta de organização e tabulação de
dados de natureza qualitativa, constituindo-se em estratégia que utiliza uma forma discursiva e
procura tomar claro o que pensa ou a vivência de determinada população sobre certo tema. Ao
utilizar o DSC, os depoimentos de cada participante não se reduzem a categorias unificadoras, já
que a proposta do método é reconstruir, com trechos dos relatos individuais, discurso síntese
para expressar dado pensar ou sentir sobre um fenômeno.11 A proposta do DSC consiste
basicamente em analisar o material verbal coletado, extraindo-se dos discursos algumas figuras
metodológicas para organizar, apresentar e analisar os dados obtidos através dos depoimentos.
As figuras metodológicas que auxiliam na análise dos dados são: as expressões chaves
(constituídas por transcrições literais de parte dos depoimentos, que permitem o resgate do que é
essencial no conteúdo discursivo dos segmentos em que se divide o depoimento), as idéias
centrais (entendida como afirmações que permitem traduzir o essencial do conteúdo discursivo
explicitado pelos sujeitos em seus depoimentos), o discurso do sujeito coletivo (construído na
primeira pessoa do singular, buscando reconstruir com pedaços de discursos individuais, como
um quebra–cabeça, tantos discursos-síntese quantos se julgue necessário para expressar o
ANAIS DO I SENAPS
pensamento ou representação social de um grupo de pessoas sobre determinado tema) e a
ancoragem (manifestação linguística explícita de dada teoria, ideologia ou crença que o autor do
discurso declara e que, na qualidade de afirmação genérica, está sendo usada pelo enunciador
para “enquadrar” uma situação específica).
11
No presente estudo, foram desenvolvidas as três
primeiras figuras. A pesquisa foi realizada mediante parecer favorável do Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina – UEL, sob nº CEP 228/2011 e do Comitê de
Ética em Pesquisa da Irmandade Santa Casa de Londrina - ISCAL, sob nº 393/2011 e atendeu
plenamente a Resolução no 196, de 10 de outubro de 1996, que aprovou as diretrizes e normas
regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos.12 Para garantir o anonimato, o nome
das mães foi substituído pela letra M seguida de sequência numérica e o nome dos enfermeiros
da rede básica de saúde foi substituído pela letra E, também seguido por sequência numérica.
RESULTADOS
Em relação às 41 mães participantes do estudo, possuíam entre 15 e 40 anos, sendo que
23 eram casadas, 12 tinham união estável, cinco eram solteiras e uma separada; 25 estavam
vivenciando pela primeira vez a maternidade e 16 já possuíam outros filhos. Quanto aos
enfermeiros, estavam na faixa etária entre 25 e 40 anos e tinham tempo de atuação profissional
na atenção básica entre um e 15 anos. Emergiram dos discursos maternos as Ideias Centrais: A
Felicidade impera na casa, Cuidado materno em tempo integral e A difícil adaptação.
Considerando-se os enfermeiros, foram cinco as Ideias Centrais: Insegurança materna para
realizar cuidados básicos, No domicílio é difícil manter a amamentação, As mães precisam de
melhor preparo para a alta, As mães preferem que a criança seja acompanhada pelo hospital e
Falta comunicação entre os serviços de saúde. Conclusão: São muitos os aspectos positivos
representados pelas mães dos RNMBP quando esses chegam ao domicílio, revelando a
superação de dificuldades até então vividas por elas e suas famílias desde o nascimento. Porém,
apontam a intensa dedicação requerida e certa dificuldade em atender às necessidades da
criança. Os enfermeiros da atenção básica consideram que o cuidado domiciliar é realizado com
insegurança pelas mães, devido a seu despreparo, havendo necessidade de maior
instrumentalização para os mesmos. A análise conjunta das representações maternas e dos
enfermeiros apreendidas sobre o cuidado domiciliar ao RNMBP permite inferir que existem
problemas com relação à integralidade da atenção a essas crianças, considerando os diferentes
ANAIS DO I SENAPS
níveis da assistência, havendo necessidade de fortalecimento da rede de cuidados à saúde
materno infantil, especialmente em situações de risco.
Palavras chaves: Peso muito baixo ao nascer, Cuidado do lactente, Família, Recém-nascido,
Relações enfermeiro-paciente.
REFERÊNCIAS
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saúde integral da criança e redução da mortalidade infantil. Brasília: Ministério da Saúde,
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Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
INTERNAÇÕES POR CAUSAS EXTERNAS ENTRE CRIANÇAS DE ZERO A DOZE
ANOS EM UMA UNIDADE DE PEDIATRIA DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
DO PARANÁ
Suellen dos Santos Silva 69
Rosângela Aparecida Pimenta Ferrari70
Flávia Lopes Sant’Anna71
Karina Jullyana de Melo Brondani72
Mauren Teresa G. Mendes Tacla73
INTRODUÇÃO
Os acidentes e violência, denominados pela Classificação Internacional de
Doenças (OMS, 2000) como causas externas de lesões e envenenamentos, representam
uma importante causa de morbi-mortalidade atualmente, constituindo-se em um
relevante problema de saúde pública, tendo em vista sua alta demanda (BLANK, 2002).
Devido a sua imaturidade, curiosidade e vulnerabilidade, as crianças constituem
um grupo propenso a sofrer acidentes e violência (MARTINS; ANDRADE, 2005). No
Brasil, as causas externas ocupam o quinto lugar nas causas de mortalidade na faixa de
zero a nove anos, sendo responsáveis por 124.935 óbitos apenas em 2006 (BRASIL,
2008?).
69
Enfermeira Residente em Enfermagem em Saúde da Criança. Departamento de Enfermagem, Centro de
Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil. Endereço: Av. Robert Koch,
99, Jd. Operária, Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
70
Enfermeira. Doutora. Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da
Saúde, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
71
Enfermeira. Mestre. Professor Auxiliar do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde,
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
72
Enfermeira Residente em Enfermagem em Saúde da Criança. Departamento de Enfermagem, Centro de
Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Londrina-UEL, Paraná, Brasil. Endereço: Av. Robert Koch,
99, Jd. Operária, Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
73
Enfermeira. Doutora. Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da
Saúde, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná. Av. Robert Koch, 99, Jd. Operária,
Departamento de Enfermagem, Centro de Ciências da Saúde, 3º andar, CEP: 86039-440.
ANAIS DO I SENAPS
Diante da magnitude e transcendência do problema, é necessário investir na
prevenção de acidentes, sendo essencial, primeiramente, abandonar a conotação de que
estes são imprevisíveis e casuais, e adotar o conceito de “evento não intencional e
evitável” descrito na Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes
e Violências (BRASIL, 2001).
As crianças e adolescentes, desde 1990 (BRASIL, 1990), têm o direito
assegurado de que seus pais e eles próprios detenham o conhecimento dos princípios
básicos de saúde, inclusive o de ações de prevenção de acidentes. Assim, acreditamos
que também é papel do enfermeiro promover tais orientações para evitar possíveis
agravos, pois o mesmo é apto para realizar programas de educação em saúde que
envolvam a família.
Tendo em vista que na infância dois terços dos acidentes ocorrem no ambiente
doméstico (HOCKENBERRY; WILSON, 2011), os enfermeiros que trabalham na
Atenção Básica em Saúde detêm uma posição privilegiada para atuar na orientação
sobre a prevenção de agravos de acordo com a faixa etária, pois os mesmos realizam o
acompanhamento das crianças atendidas pela sua unidade durante as consultas e visitas
domiciliares. Além de que é preconizado que os mesmos realizem tal intervenção
(LONDRINA, 2006).
Para que os enfermeiros da Atenção Básica realizem uma educação em saúde de
qualidade é necessário que os mesmos conheçam o perfil de morbidade infantil por
causas externas, para que elaborem ações de prevenção condizentes com o cenário em
que atuam, reestruturando sua assistência e serviço.
OBJETIVO
A presente pesquisa teve o objetivo de analisar o número de crianças internadas
na unidade de Pediatria do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná, entre
menores de 12 anos, que foram vítimas de acidentes ou violências no período de janeiro
de 2011 a dezembro de 2012.
ANAIS DO I SENAPS
MÉTODO
A pesquisa constituiu um estudo quantitativo, transversal, com coleta
retrospectiva de dados sobre o número de internações ocasionadas por acidentes na
Unidade de Pediatria do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná no período
de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, disponibilizados pelo Serviço de Atendimento
Médico e Estatística (SAME) do referido hospital.
A unidade possui 34 leitos. A equipe de enfermagem é composta por seis
enfermeiros, cinco técnicos de enfermagem, 21 auxiliares de enfermagem, três
atendentes de enfermagem e um técnico administrativo.
O Hospital tem caráter público, classificado como de grande porte, sendo o
único com tais características no norte do Paraná. É considerado de alta complexidade
por possuir serviços de diagnóstico e terapêutica, unidade de terapia intensiva adulto,
pediátrica e neonatal.
Foram considerados no estudo acidentes classificados nos códigos do capítulo
XX (Causas externas de morbidade e de mortalidade) como W00 a X59 (Outras causas
externas de traumatismos acidentais) e V01 a V99 (Acidentes de transporte) por serem
as duas maiores responsáveis pelas internações não-fatais por Causas externas, segundo
um estudo prévio realizado no Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná
(MARTINS; ANDRADE, 2005). Além de serem as mais passíveis de prevenção através
de educação em saúde promovida pela rede de Atenção Básica.
Os dados foram tabulados através de planilha eletrônica pelo programa
Microsoft Excel. As variáveis sexo e idade da população investigada foram analisadas.
RESULTADOS
No ano de 2011 ocorreram ao todo 11.455 internações no Hospital Universitário
Regional Norte do Paraná, dos quais 255 (2,2%) aconteceram na Unidade de Pediatria.
No ano de 2012 houve um acréscimo no número de internações, com um total de
ANAIS DO I SENAPS
11.806, no entanto houve uma diminuição do número de crianças internadas, sendo 218
(1,8%).
No período estudado houve um total de 93 (19, 6%) internações determinadas
pela casuística pesquisada. Houve prevalência no sexo masculino, com total de 61
internações, correspondendo a 65,6%, já o sexo feminino correspondeu a 32 internações
(34,4%). A unidade de Pediatria apresenta dados próximos à realidade brasileira quando
comparamos a proporção de sexo masculino e sexo feminino de tais internações. No
país 283.335, correspondendo, em média, a 7,4%, de todas as internações de pacientes
de 0 a 14 anos ocorreram devido a uma causa externa classificada nos códigos W00 a
X59 e V01 a V99. Dessas, 193.588 (68,3%) correspondem a internações de crianças do
sexo masculino e 89.747 (31,7%) do sexo feminino.
Podemos notar a prevalência do sexo masculino em ambos perfis local e
nacional. Blank (2002) aponta que tal fato pode ser justificado pelas diferenças de
comportamento de cada sexo, além de fatores culturais, como a estimulação que a
sociedade exerce sobre os meninos para que eles realizem brincadeiras mais ativas,
como jogar bola e andar de bicicleta e que as meninas permaneçam envolvidas em
brincadeiras mais tranquilas, como brincar de casinha.
A faixa etária predominante na pesquisa realizada foi a de 5 a 9 anos, com 45
(48,4%) internações, seguida de 1 a 4 anos com 35 (37,6%), e 10 a 12 anos com total de
11 (11,8%). O perfil nacional mostra que a faixa etária mais acometida por acidentes é a
de 10 a 14 anos, com 94.303 (38,5%) internações, seguida de 5 a 9 anos, com 8.090
(35,6%) internações, 1 a 4 anos, 52.775 (21,6%) e menores de 1 ano, 10.249 (4,1%).
Provavelmente, os dados do hospital diferem da realidade brasileira porque a unidade de
Pediatria atende apenas pacientes que ainda não possuam 12 anos completos 12 anos, já
os dados nacionais são apresentados com a faixa etária de 10 a 14 anos, o que gera uma
diferença no resultado final do número de internações.
De acordo com o CID, houve prevalência do código W00 a X59 (Outras causas
externas de traumatismos acidentais), 73 (15,4%) internações na unidade de Pediatria.
ANAIS DO I SENAPS
Destas, 47 (64,4%) foram de crianças do sexo masculino e 26 do sexo feminino
(35,6%). Estes dados assemelham-se ao perfil nacional, cujas internações de crianças no
mesmo período por este CID contabilizaram 210.475, sendo 65.794 (68,7%) meninos e
65.794 (31,2%) meninas.
Quanto a faixa etária, 37 (50,7%) pacientes de 5 a 9 anos foram internados
devido a queda, afogamento, envenenamento entre outros; 33 (45,3%), de 1 a 4 anos, 11
(15,0%), de 10 a 12 anos. Já nos dados do Brasil, há prevalência da faixa etária de 10 a
14 anos com 78.873 (37,4%) crianças internadas, seguida por 5 a 9 anos com 75.183
(35,7%), 1 a 4 anos com 47.305 (22,4%) e 0 a 1 ano com 9.114 (4,5%).
Martins e Andrade (2005) referem que, em geral, há um maior predomínio de
acidentes (quedas, lesões, fraturas) em crianças maiores, pois é característica desta fase
a prática de atividades motoras mais intensas, como andar de bicicleta e patins, jogos de
bola, os quais expõem a criança ao risco de sofrerem um trauma. Malta et al. (2009)
acrescenta que as crianças menores são mais propensas a sofrerem quedas de leito,
afogamento, acidente com corpos estranhos e queimaduras.
Internações relacionadas ao CID V01 a V99 (Acidentes de transporte)
contabilizaram 20, correspondendo a 4,2% das crianças internadas na unidade de
Pediatria do período pesquisado. Também houve um maior número de pacientes do
sexo masculino, sendo 14 (70,0%) contra 6 (30,0%) do sexo feminino. Tal perfil
assemelha-se ao brasileiro, visto que neste mesmo período, ocorreram 33.944
internações, sendo 23.520 (69,2%) meninos e 10.424 (30,8%) meninas.
Quanto a faixa etária do código V01 a V99, a idade prevalente foi a de 10 a 12
anos, representada por 9 (45,0%) crianças, seguida por 8 (40,0%) de 5 a 9 anos e 3
(15,0%) de 1 a 4 anos. Os dados do Brasil mostram que a maioria dos pacientes
internados vítimas de acidentes de transporte encontrava-se na faixa etária de 10 a 14
anos, 4.049 (45,4%), seguida por 5 a 9 anos com 1.907 (35,0%) pacientes; 1 a 4 anos
com 5.472 (16,1%) e, de 0 a 1 ano, com 1.135 (3,3%).
ANAIS DO I SENAPS
Um estudo realizado por Malta et al. (2009), baseado nos dados do Sistema de
Vigilância de Violências e Acidentes em Serviços Sentinelas de Urgência e Emergência
(Inquérito VIVA) verificou que dentre os acidentes de transporte predominam as
ocorrências envolvendo bicicletas, seguido por atropelamentos por automóvel e vítimas
ocupantes de veículo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise destas ocorrências pode auxiliar na orientação das ações de promoção
à saúde desenvolvidas pela Atenção primária em Saúde. A partir da análise dos dados
apresentados conclui-se que com as medidas de intervenção e prevenção, cerca de 20%
das internações de crianças em nível terciário poderiam ser evitadas.
Ações educativas para a prevenção de acidentes na infância realizadas com as
famílias e até mesmo suas escolas evitariam o estresse causado pela internação, tanto na
criança como na família, além da redução de gastos da hospitalização.
Palavra-chave: Enfermagem. Atenção Básica. Criança. Acidentes. Morbidade.
REFERÊNCIAS
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2005?. Disponível em:
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BLANK, D. Prevenção e controle de injúrias físicas: saímos ou não do século 20? Jornal de
Pediatria, v. 78, p.84-86, 2002.
BRASIL. Decreto nº 99.710 de 21 de novembro de 1990. Convenção sobre os Direitos da
Criança e Adolescente de 1990. Promulga a Convenção sobre os Direitos da Criança. Diário
Oficial da União. Brasília, DF, artigo 49, inciso 2, 1990. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D99710.htm>. Acesso: 26 abr. 2013.
ANAIS DO I SENAPS
_______. Ministério da Saúde. Saúde da Criança - Materiais Informativos. Brasília, 2007?.
Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_materiais_infomativos.pdf>.
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HOCKENBERRY, M. J.; WILSON, D. Promoção da saúde do lactente e da família. In: ______.
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2011.
LONDRINA. Londrina. Prefeitura do Município. Autarquia Municipal de Saúde. Saúde da
criança: protocolo. 1. ed.- Londrina - PR, 2006.
MALTA, D. C. et al. Acidentes e violência na infância: evidências do inquérito sobre
atendimentos de emergência por causas externas – Brasil, 2009. Ciência & Saúde Coletiva, v.
17, n. 9, p. 2247-2258, 2012.
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do Sul do Brasil: atendimentos em pronto-socorro, internações e óbitos. Revista Brasileira de
Epidemiologia, v. 8, n. 2, p. 94-204, 2005.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de
Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Centro Colaborador da OMS para a
Classificação de Doenças em Português. 10ª revisão. 8ª ed. São Paulo: Editora da Universidade
de São Paulo (EDUSP); 2000.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
ELEMENTOS DO CUIDADO INTEGRAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À
SAÚDE DA CRIANÇA
Rosane Meire Munhak da Silva74
Cláudia Silveira Viera75
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso76
Eliane Tatsch Neves77
Patrícia Oehlmeyer Nassar5
INTRODUÇÃO
O Brasil demonstrou ao longo de sua história o descaso na atenção à saúde da
criança, identificado pelos índices alarmantes da Mortalidade Infantil (MI) no período
colonial que alcançava 700/1000 Nascidos Vivos (NV). Em meio aos investimentos
para melhor as condições de vida das pessoas, a responsabilização e implementação de
políticas públicas este cenário foi modificado. Estes resultados podem ser vistos
mediante a redução expressiva na MI atualmente no Brasil, chegando a um índice de
16/1000 NV em 2011 (ARIÉS, 2011; UNICEF, 2012).
Muito embora tenha evidenciado tais regressões na MI, o agravante que
permaneceu neste cenário relaciona-se a alta possibilidade de redutibilidade nos óbitos
infantis, chegando a 60%, somados ainda a faixa etária das crianças afetadas, o recémnascido (BRASIL, 2009; MENDES, 2012). Quando referimos à questão redutibilidade
aos óbitos entre recém-nascidos, nos embasamos no fator causa de mortalidade, pois
complicações no período perinatal e prematuridade têm representado as maiores causas
de óbitos infantis no Brasil e no mundo (BASSANI, 2012).
74
Enfermeira. Mestranda. Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus Cascavel, PR. Rua
Universitária, 1619. Bairro: Jardim Universitário. Cascavel, PR. (45) 35784791. Email:
[email protected]
75
Enfermeira. Doutora. Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Rua Universitária, 1619. Bairro:
Jardim Universitário. Cascavel, PR. (45) 3220 3000.
76
Enfermeira. Doutora. Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Rua Universitária, 1619. Bairro:
Jardim Universitário. Cascavel, PR. (45) 3220 3000.
77
Enfermeira. Doutora. Universidade Federal de Santa Maria. Av. Roraima, 1000. Bairro: Camobi. Santa
Maria, RS. (55) 3220 8473.
5
Odontóloga. Doutora. Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Rua Universitária, 1619. Bairro:
Jardim Universitário. Cascavel, PR. (45) 3220 3000.
ANAIS DO I SENAPS
Salienta-se que, tais causas associam-se a ações sensíveis para a Atenção
Primária à Saúde (APS), mediante a adequada assistência no planejamento família, à
gestação e a continuidade do cuidado nas unidades de saúde ao longo do ciclo vital da
criança. Contudo, para abarcar um serviço de APS sólido e resolutivo capaz de
desenvolver ações de promoção da saúde e prevenção de agravos, é fundamental
contemplar em seu contexto, o seguimento de quatro atributos essenciais: acesso;
longitudinalidade; integralidade; coordenação. Deste modo, a APS garantirá
resolutividade e qualidade na atenção à saúde da criança, neste caso, o recém-nascido e,
principalmente colaborará na transformação do panorama nacional de mortalidade
(STARFIELD, 2002; MENDES, 2012), bem como da morbidade infantil decorrente de
problemas característicos da infância que muitas vezes levam a hospitalizações por
causas evitáveis.
A APS como proposta para atenção resolutiva será eficiente se considerar como
caminho aspectos cognitivos, sociais e tecnológicos para atender 85% dos problemas da
população infantil (MENDES, 2012). Esse caminho deve ancorar-se na integralidade
tendo como condutor das ações, o cuidado integral. Para tanto, segundo Ayres
(2003/2004) o cuidado deve ser direcionado por elementos essenciais, quais sejam:
movimento, edificador do cuidado; interação, processo de escuta, fala e acolhimento;
alteridade, essência do indivíduo; plasticidade, transformação; projeto, início do cuidado
até sua concretização; desejo, processo de escolha para cuidar; temporalidade,relação do
primeiro contato até sua resolutividade; não causalidade,processo de formação e
contemplação do cuidado; responsabilidade, assumir para os serviços as necessidades de
saúde dos indivíduos, independente da esfera de atenção.
Nesse sentido, apresenta-se como pressuposto que, a realidade estudada não
contempla em suas ações os elementos essenciais para cuidar integralmente, uma vez
que há um número elevado de crianças e famílias, que buscam atendimento nas
Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para resolução dos problemas de saúde. Desta
forma, a partir do conhecimento das ações e práticas dos serviços de APS do município
ANAIS DO I SENAPS
no cuidado à criança, poderemos contribuir para efetivar a atenção a esses segmentos,
principalmente no que se refere ao grupo de recém-nascidos.
OBJETIVOS
Identificar os elementos do cuidado integral na atenção primária àsaúde da
criança menor de um ano em Cascavel-PR.
METODOLOGIA
Este estudo é parte da dissertação de mestrado, intitulada “A integralidade à
saúde da criança com enfoque a atenção primária e seu itinerário de cuidado e cura”, a
qual se refere a um recorte de um projeto de pesquisa desenvolvido em dois municípios
do sul do Brasil financiado pelo CNPq.
Utilizou-se da abordagem qualitativa com base no referencial metodológico da
hermenêutica-diálética para análise (GADAMER, 2002). Assim, foram sujeitos do
estudo 16 famílias de crianças menores de um ano que receberam atendimento nas UPA
de Cascavel-PR em 2010, residentes na área urbana do município.
A coleta dos dados aconteceu no período de março a maio de 2012,
primeiramente no setor de arquivo das UPA, em seguida nas residências das famílias,
utilizando-se três técnicas de coleta: inquérito domiciliar; mapas falantes; entrevista
semiestruturada.
A construção dos resultados ocorreu pela organização dos dados em mapa
horizontal, seguido de leituras repetitivas e transversais para compreender os resultados
e discuti-los (MINAYO, 2008), ancorando-se nos referenciais elementos do cuidado
integral (AYRES, 2003/2004) e atributos da APS (STARFIELD, 2002).
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisada Universidade
Estadual do Oeste do Paraná, sob o parecer 495/2010, atendendo as normas da
resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa envolvendo seres
humanos.
ANAIS DO I SENAPS
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A figura 1 demonstra falas dos sujeitos envolvidos no estudo as quais
evidenciaram a parcialidade ou simplesmente a ausência dos elementos essenciais para
cuidar da criança no contexto da APS dos serviços de Cascavel-PR.
Elementos do cuidado
integral ausentes
Movimento
Interação
Alteridade
Projeto
Desejo
Plasticidade
Não-causalidade
Temporalidade
Responsabilidade
Falas dos sujeitos
[...] tem que esperar, ficar e enfrentar fila de novo
[refere-se a necessidade de retorno à consulta médica],
tudo de novo (sujeito 16).
Não dá oportunidade [refere-se a pediatra durante as
consultas], [...] como eu vou falar, eu não devia nem
procurar mais [...] (sujeito 12).
Ela [agente comunitária de saúde] só pergunta quantas
pessoas tem em casa, vai preenchendo aquela ficha, só e
dá para gente assinar. Pergunta de pessoas doentes na
casa, [...] olha a carteirinha, todos os meses, e, pergunta
se está com um resfriado ou não, se falar que não,
pronto. [...] não entra, não olha (sujeito 8).
[...] se é muito grave chamam [profissionais da Unidade
Básica de Saúde] a ambulância, se é uma situação muito
grave, mas se é leve, tem que pegar ônibus. Se tiver
carro, vai de carro (sujeito 7).
Eles mandam ir ao PAC[Posto de Atendimento
Continuado]. [...] só mandam ir pra lá (sujeito 9).
[...] um dia um senhor estava brigando [risos], estava
bravo, porque sua mulher estava mal e não vieram
atender. E o coitado ficou umas três horas esperando,
porque não falaram que não iria dar certo o encaixe, o
coitado ficou esperando (sujeito 9).
[...] a pediatra só pergunta o que está acontecendo
naquela hora, só no momento. Ela não quer saber se
melhorou do probleminha do olho, da visão
[exemplifica com o problema da filha] (sujeito 8).
[...] se, por exemplo, você toma uma medicação e não
melhora, você precisa consultar no posto, ou, tem
medicação que você não pode está repetindo em poucos
dias. [...] se você não falar para o médico, ele passa a
mesma medicação, pois ele não sabe o que a criança
tomou,[...] não sabe de nada[...] (sujeito 6).
Não, [...] não conhecem a história de saúde de meu filho
(sujeito 12).
Atributo da APS
não efetivados
Acesso,
Integralidade
e
Coordenação
Longitudinalidade
Longitudinalidade
e Integralidade
Coordenação
Coordenação
Acesso,
Longitudinalidade,
Integralidade
e
Coordenação
Integralidade
Longitudinalidade
e Integralidade
Longitudinalidade
e Integralidade
Figura 1 – Ausência de elementos para cuidar integralmente correlacionados aos
atributos da APS. Cascavel, PR, 2012.
ANAIS DO I SENAPS
Em análise ao movimento, o sujeito descreve que diante da necessidade de
retornar à consulta médica, a família precisa enfrentar filas intermináveis novamente
para ter acesso ao atendimento, demonstrando que existem dificultadores e
impedimentos para o acesso nos serviços da realidade estudada. E ainda, considerando
que, a integralidade refere-se à oferta de uma variedade ampla de serviços, independente
do número de vezes que necessita ou esfera de atenção procurada, percebe-se veemente
a ausência de seu seguimento, contribuindo para a não efetividade na atenção procurada,
por manifestar a ausência de um serviço de saúde público efetivo e coordenado
(STARFIELD, 2002).
A interação não foi contemplada para o sujeito 12, pois no momento das
consultas o profissional não possibilitou a interlocução entre os sujeitos, explicitando a
ausência de longitudinalidade, bem como, a fusão de horizontes (AYRES, 2005).
Momentos de fala, escuta atentiva e acolhimento devem existir em todo contato com o
usuário, para que, conjuntamente possam construir o vínculo duradouro e garantir
atenção à saúde da criança com base em suas reais necessidades, proporcionando-lhes
continuidade do cuidado e felicidade (STARFIELD, 2002; SILVA et al., 2002).
Em relação à alteridade, temos em vista que, profissionais de saúde atribuem
suas ações a conhecimentos prévios, mas também àqueles que tomam por base, seja na
família, na comunidade ou no trabalho. Deste modo, cada um agirá de acordo com seus
conhecimentos e relações, tornando o cuidado enfraquecido e vulnerável. A descrição
do sujeito na questão da alteridade demonstrou tais percepções, uma vez que, o grande
objetivo da visita domiciliar, importante ferramenta da APS, é conhecer e intervir na
realidade das famílias, este não foi explorado em sua plenitude pelo profissional que a
visitou (STARFIELD, 2002; AYRES, 2003/2004; MENDES, 2012).
Os elementos projeto e desejo serão discutidos conjuntamente pelo fato de
ambos interferirem no atributo coordenação. Uma vez procurado o serviço de APS, este
deverá se responsabilizar por seu usuário, independente da esfera da atenção que
necessite, segundo o atributo integralidade (STARFIELD, 2002; MENDES, 2012).
ANAIS DO I SENAPS
Assim, este serviço deverá referenciar seu usuário a esfera de atenção necessitada, bem
como, garantir-lhe um transporte seguro, o transporte sanitário. Tal fato não ocorreu
para os sujeitos 7 e 9 acima citados, dificultando expressivamente a integralidade da
atenção à saúde daquelas crianças (MENDES, 2012).
A plasticidade envolve a transformação na forma de fazer saúde, para tanto, é
fundamental garantir as famílias acesso resolutivo, bem como, o cuidado longitudinal
permeado pela integralidade e coordenação. Na fala do sujeito mencionado na figura 1,
percebe-se total ausência de tais atributos, e, principalmente essa transformação no
cuidar. Muito embora o serviço não pudesse dispor da consulta médica procurada, este
poderia o acolher e se necessário, referenciar a outro serviço, mediante o transporte
sanitário, garantindo-lhe continuidade do cuidado no serviço de APS procurado
(STARFIELD, 2002; MENDES, 2012).
O olhar biológico explícito pela causalidade foi descrito pelo sujeito 8, pois o
profissional de saúde que atendeu a referida família, não considerou as demais questões
que a preocupava, mas apenas em questões biológicas e imediatistas (AYRES, 2005). E
ainda, para os sujeitos 6 e 12 na sequencia, um olhar para além do biológico percebendo
as subjetividades dos sujeitos e, preocupando-se com a atenção a ser ofertada, pela
responsabilização e cuidado ao longo do tempo, completaram a concepção reducionista
no pensar e fazer saúde na realidade estudada.
Por fim, observou-se pelas falas que, a fragmentação do cuidado e o descaso aos
determinantes sociais ainda emergem entre muitos profissionais, envoltos pela não
plasticidade, temporalidade e responsabilização. Isto faz com que a atenção à saúde da
criança e da família torne-se deficiente em meio à nossa sociedade.
Nesse sentido, nota-se que para resolver os problemas de saúde da criança é
preciso ter um serviço acessível, longitudinal, integral e coordenado, com vistas a
atender os que necessitam de forma adequada, ágil e plena. Deste modo, a APS por estar
próxima às pessoas e ser considerada primeiro nível de atenção do Sistema Único de
ANAIS DO I SENAPS
Saúde orientada por elementos para cuidar da criança apresenta-se como caminho a
seguir.
CONCLUSÃO
Para a realidade estudada, percebeu-se a parcialidade ou ausência dos elementos
para cuidar da criança no contexto dos serviços de APS, muito embora, emergisse ações
profissionais solitárias para contemplar a integralidade.
Nesse sentido, pontua-se que o olhar centrado no sujeito, neste contexto a
criança, considerando-a sujeito social e de direitos seria uma proposta a seguir pelos
serviços de APS em busca do cuidado integral, a qual nos direcionaria ao sucesso
prático de nossas ações.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde da Criança; Atenção Primária à Saúde; Assistência
Integral à Saúde; Enfermagem.
REFERÊNCIAS
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Técnicos e Científicos, 2011. 196 p.
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Saúde da Família na interface cuidados e perspectivas da criança e do adolescente. IV
Congresso Internacional de Saúde da Criança e do Adolescente. Convidado de Toronto,
Canadá, proferiu palestra em 31/08/2012 às 10:50 horas no Centro de Convenções
Rebouças, São Paulo, SP, Brasil.
ANAIS DO I SENAPS
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância do óbito infantil e fetal e do
comitê de prevenção do óbito infantil e fetal. 2 ed.Brasília: Ministério da Saúde,
2009, 98 p.
GADAMER, H. Verdade e método: Traços fundamentais de uma hermenêutica
filosófica. Tradução de Ênio Paulo Giachini. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2002. 731 p.
MENDES, E. V. O cuidado das condições crônicas na atenção primária à saúde: o
imperativo da consolidação da estratégia da saúde da família. Brasília: Organização
Pan-Americana da Saúde, 2012. 512 p.
MINAYO, M. C. de S. O desafio do conhecimento. Pesquisa qualitativa em saúde.
11. ed. São Paulo: Hucitec-Abrasco, 2008. 406 p.
SILVA, N. E. K.; OLIVEIRA, L. A.; FIGUEIREDO, W. dos S.; LANDRONI, M. A. da
S.; WALDMAN, C. C. S.; AYRES, J. R. C. M. Limites do trabalho multiprofissional:
estudo de caso dos centros de referência para DST/Aids. Revista de Saúde Pública,
São Paulo, v. 36, n. 2, p. 108-116, ago. 2002.
STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços
e tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 2002. 726 p.
UNICEF. Fundo das Nações Unidas para a Infância. Committing to child survival:
a promise renewed. New York, USA, 2012, 44 p.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
EFETIVIDADE DOS ATRIBUTOS ESSENCIAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
DA CRIANÇA EM CASCAVEL-PR78
Juliane Pagliari Araujo79
Cláudia Silveira Viera80
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso81
Cláudia Ross82
Phallcha Luízar Obregón83
INTRODUÇÃO
A construção da Atenção Primária à Saúde (APS) no mundo e no Brasil perfaz longa
caminhada, partindo de reflexões no campo da saúde que denotavam lacunas no modo de
atenção à saúde vigente. Assim, em 1920, Dawson, médico inglês propõe no “Relatório
Dawson” uma reformulação dos serviços de saúde na Inglaterra para uma medicina comunitária.
Em suma este modelo fez crítica à separação entre serviços de ações curativas e preventivas,
propondo os serviços de saúde domiciliares e a assistência a saúde em três níveis principais
(primário, secundário e terciário). Neste modelo os serviços de atenção primária compreendiam
serviços organizados de modo regionalizado e em uma estrutura descentralizada,
proporcionando ações de promoção, prevenção e cuidado em saúde, bem como de tratamento e
reabilitação (FACCHINI; GARCIA, 2009; MENDES, 2011). Outro trabalho importante para a
construção da APS foi a Conferência Internacional sobre cuidados primários à saúde, em 1978,
em Alma Ata, pela Organização Mundial de Saúde, em que delinearam diretrizes para os
serviços de APS como: as unidades de saúde, com seus médicos generalistas, seriam
responsáveis pela maior parte dos atendimentos de saúde e quando não fosse possível a
resolução da situação nesse setor, o médico referendaria o usuário para o próximo nível. Desse
78
Este estudo faz parte de um projeto maior denominado “Avaliação da efetividade da atenção primária em saúde para crianças”,
financiado pelo edital universal CNPq 14/2011, sob nº 474743/2011-0. Agradecimentos a equipe da pesquisa que não pode ser
nominada na autoria em função da limitação do número de co-autores: Ana Carolina de Souza, André Luiz Soares, Andreia Carrer,
Bruna Regina Bratti Frank, Caroline wink Sotti, Denise de Fátima Hoffmann Rigo, Henrique S. Shiroma, Jéssica Mayara Cardoso,
Karina Faquini, Lindsay Menna Pereira, Louise B. Polina, Maciel Costa da Silva, Marina Casagrande Penteado, Nayara Angélica
Barros Ribeiro, Paulo Henrique Pessali Dal’maso, Scaleti Vanessa Brisch.
79
Enfermeira. Mestranda. Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus Cascavel, PR. Docente do Instituto Federal do
Paraná – Campus Londrina. Rua João XXIII. Bairro: Jardim Dom Bosco. Londrina, PR. (43) 3878 6100.
80
Enfermeira. Doutora em Enfermagem em Saúde Pública pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de São
Paulo. Docente do Colegiado de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
81
Enfermeira. Doutora em Ciências pelo programa de Enfermagem em Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo. Docente do Colegiado de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.
82
Enfermeira. Doutora em Microbiologia. Docente do Colegiado de Enfermagem da UNIOESTE.
83
Médica. Doutora em Saúde Pública. Docente do Colegiado de Medicina da UNIOESTE.
ANAIS DO I SENAPS
modo, com a Conferência de Alma-Ata, a APS, passou a ganhar destaque no âmbito das
políticas públicas de saúde e resultou em uma reafirmação sobre o significado da saúde como
um direito humano fundamental e uma das mais importantes metas sociais mundiais (MENDES,
2004). A APS é uma estratégia para reorganizar os sistemas de saúde, sendo que no Brasil o
método adotado pelo Ministério da Saúde para expansão desta proposta é a Estratégia Saúde da
Família. Neste estudo, utilizou-se o referêncial teórico da APS proposto por Starfield (2002), a
qual aponta quatro atributos essenciais “acesso de primeiro contato entre o usuário e o serviço
público de saúde, longitudinalidade da assistência, coordenação da assistência dentro do próprio
sistema e integralidade da atenção” e três atributos derivados “a orientação familiar, com
atenção centrada na família, a orientação comunitária das ações e a competência cultural dos
profissionais” para definir o grau de orientação da APS e a efetividade do sistema de atenção
primária.
OBJETIVO
Avaliar a efetividade dos atributos essenciais da atenção primária em saúde para
crianças por meio do instrumento PCATool-Brasil versão criança em unidades básicas de saúde
e unidades de saúde da família urbanas no município de Cascavel PR.
METODOLOGIA
Pesquisa de avaliação dos modelos de atenção em saúde dos serviços de APS no
cuidado à saúde da criança no município de Cascavel–PR, utilizando uma investigação com
abordagem quantitativa. Avaliou-se o cuidado à criança em 22 unidades básicas de saúde e duas
unidades de saúde da família na área urbana, por ocasião da coleta de dados da pesquisa, a qual
ocorreu nos meses de outubro a dezembro de 2012 e em fevereiro de 2013, por meio da
entrevista de aplicação do formulário PCATool Brasil, versão criança, à 548 usuários do serviço
de saúde da APS de Cascavel – PR, que estiveram presentes nas unidades para receber ação de
saúde, na forma de consulta médica ou de enfermagem, com seus filhos ou parentes menores de
doze anos. O instrumento é composto de 55 itens distribuídos em 10 componentes, em que cada
um está relacionado aos atributos da APS, compondo as variáveis a serem estudadas nessa
pesquisa: grau de afiliação com o serviço de saúde, acesso de primeiro contato (utilização e
acessibilidade), longitudinalidade, coordenação (integração de cuidados e sistema de
ANAIS DO I SENAPS
informações), integralidade (serviços disponíveis e serviços prestados), orientação familiar,
orientação comunitária e competência cultural. Adotou-se uma margem de erro de 5% e
intervalo de confiança de 95%, para obtenção da amostra de familiares a serem entrevistados.
Foi realizado contato com os familiares na unidade de saúde, enquanto aguardavam o
atendimento, verificado se contemplavam os critérios de inclusão, explicado sobre a pesquisa e
perguntado sobre a possibilidade de sua participação. Após aceitarem, foi aplicado o
instrumento de coleta na sala de espera da unidade ou outro local a disposição, de acordo com as
distintas realidades locais. Para o desenvolvimento da pesquisa foram observados os aspectos
éticos necessários para pesquisas com seres humanos por meio da resolução 196/96 do
Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 1997).
RESULTADOS
O presente estudo possibilitou avaliar a efetividade dos atributos da APS na saúde da
criança no município de Cascavel PR. Foram realizadas 548 entrevistas com os principais
cuidadores de crianças menores de doze anos que estavam na UBS ou ESF para
acompanhamento de saúde. Na avaliação do grau de afiliação 43,1% apontam que a UBS é o
local onde geralmente levam seu filho quando precisa de um conselho de saúde e 38,6%
referem-se diretamente ao médico. Em estudo realizado no município de Montes Claros - MG
foi identificado a ESF como serviço de referência (LEÃO; CALDEIRA; OLIVEIRA, 2011),
mostrando semelhanças com outros estudos já realizados. Como no município de Cascavel-PR o
modelo predominante de APS é o serviço de ABS, percebe-se uma semelhança com relação à
busca de atendimento nos serviços de APS. Com relação à utilização do serviço de saúde,
95,8% dos entrevistados apontam como resolutivo o atributo de primeiro contato. Ao avaliar a
acessibilidade no primeiro contato, 32,8% dos usuários garantem que foram atendidos no
mesmo dia em que procuraram o serviço de saúde, já 27,9% garantem que não conseguem
atendimento no mesmo dia que procuram a UBS, por motivo de adoecimento da criança. Com
relação às consultas de revisão, 49,2% acreditam que é fácil agendar consulta e 22,7% apontam
que com certeza não é fácil o agendamento de consultas de revisão. Na avaliação do usuário,
46,2% dizem que não precisam esperar muito tempo para falar com as pessoas ou agendar
consultas, no entanto, 25,4% relatam que esperam. Somados os usuários que relataram que
provavelmente não esperam a porcentagem sobe para 64,1%. No entanto, quando a espera é
ANAIS DO I SENAPS
para consultar a criança, 74% dos cuidadores relatam que ficam mais de 30 minutos esperando e
somente 25,1% relataram que não ou provavelmente não ficam esperando por mais de 30
minutos. Ainda abordando o atributo de acesso de primeiro contato, quando questionado ao
usuário se é difícil conseguir atendimento para a criança quando ele pensa ser necessário, 40,0%
tem certeza que não e 29,7% dizem que é difícil. Quando o usuário foi perguntado sobre o
aconselhamento via telefone 41,8% responderam que não conseguem atendimento, 23,4%
apontaram que são atendidos e 21,5% não souberam responder. Na avaliação do atributo do
primeiro contato os índices observados são baixos, pois apenas 15,3% dos entrevistados
apontaram como resposta o item certo que sim, indicando que ainda existem barreiras, sejam
elas, organizacionais, financeiras, políticas, geográficas, físicas, culturais ou de linguagem, que
dificultam o acesso das crianças aos serviços de saúde. O estudo de Leão; Caldeira e Oliveira
(2011) apontam também escores baixos para este atributo. O segundo atributo avaliado neste
estudo foi a longitudinalidade, a qual pressupõe a existência de uma fonte continuada de
atenção, e seu uso ao longo tempo. O vínculo da população com sua fonte de atenção deveria
ser refletido em fortes laços interpessoais que demonstrassem a cooperação mútua entre as
pessoas e os profissionais de saúde (STARFIELD, 2002). 77% dos usuários afirmam que é
sempre o mesmo profissional de saúde que atende a criança quando eles comparecem na UBS e
afirmam também com mais de 82% que esta mesma pessoa que atende a criança entende as
perguntas que são realizadas e 85,2% dos usuários compreendem de forma clara a resposta de
suas perguntas. Mais de 80% dos usuários afirmam ainda que, o profissional de saúde
disponibiliza tempo suficiente durante as consultas para questionamentos e exposição das
dúvidas relacionadas ao estado de saúde e tratamento da criança. Ainda, 82,7% dos
entrevistados relatam que se sentem a vontade contando suas preocupações ou problemas
relacionados ao seu filho. Na avaliação deste atributo pelos usuários, percebe-se que os índices
são mais elevados, pois 87,2% consideram que existe o atributo da longitudinalidade. A
presença deste atributo nos serviços de APS é um fator importante, pois quando existe aderência
a este princípio tende-se a realizar diagnósticos e tratamentos mais precisos, bem como a
redução das referências para especialistas e para a realização de procedimentos de maior
complexidade (LEÃO; CALDEIRA; OLIVEIRA, 2011). No entanto, quando questionados
sobre o conhecimento do profissional de saúde pela criança de forma integral, 41,6% dos
cuidadores afirmam que acreditam que o profissional não tem conhecimento sobre a vida da
ANAIS DO I SENAPS
criança e sim conhece seu problema de saúde. Já 29,7% dos entrevistados apontam que o
profissional tem sim, conhecimento sobre a história de vida da criança. Com relação à história
clinica completa da criança, 59,5% afirmam que o profissional tem conhecimento, se
considerados os cuidadores que responderam que provavelmente o profissional conhece, este
índice sobe para 72,8%. Quando questionados sobre o uso de medicamentos, 85% dos
entrevistados acreditam que o profissional sabe a respeito de todos os medicamentos que a
criança esta ingerindo. Este índice fortalece ainda mais o atributo da longitudinalidade,
resultando em atendimentos com maior qualidade. Devido à ineficiência de todos os atributos
da APS, 40,7% dos usuários apontam que mudariam para outro serviço de saúde se isto fosse
muito fácil de fazer e 56,6% não trocariam de serviço. A coordenação integra e reúne os demais
atributos (STARFIELD, 2002), assim, a avaliação deste atributo é importante para que a APS
seja efetiva. Das 30,5% crianças que consultaram com especialistas, 76,6% foram encaminhadas
pelo serviço de UBS ou pelo profissional que atua neste serviço e 74,3% dos entrevistados
afirmam que o profissional sabe sobre este encaminhamento para os especialistas. No entanto,
somente 64,7% dos usuários afirmam que o profissional que atua na UBS sabe dos resultados da
consulta com os especialistas, apontando uma deficiência no processo de referência e
contrarreferência. Como avaliação do usuário o escore médio deste atributo foi positivo com
69,5% dos entrevistados satisfeitos. A integralidade do cuidado foi outro atributo avaliado,
sendo entendida como um conjunto articulado e contínuo de ações e serviços preventivos,
curativos, individuais e coletivos nos diferentes níveis de complexidade do sistema e que seu
princípio busca romper com a polaridade entre as práticas de saúde preventivas e as práticas
meramente assistenciais (FRACOLLI et al. 2011; SALA et al., 2011). Assim, verificou-se que
estas ações estão sendo executadas pelos serviços de saúde. Foram avaliados neste atributo os
serviços disponíveis como vacinas, participação da família em programa de assistência social,
planejamento familiar, programas de suplementação alimentar, procedimentos de suturas,
aconselhamento para uso prejudicial de drogas, problemas de saúde mental, teste anti-HIV e
avaliação de problemas visuais. A imunização obteve maior índice com 93,8% dos
entrevistados afirmando a existência deste serviço na UBS. No entanto, o aconselhamento de
saúde mental obteve somente 16,8% de certeza que o serviço está disponível. O escore geral
deste atributo apontou que 58,3% dos usuários reconhecem que os serviços de saúde estão
disponíveis. Os serviços prestados também foram avaliados, a saber, orientações de vida
ANAIS DO I SENAPS
saudável, segurança no lar, mudanças no crescimento e desenvolvimento, problemas de
comportamento das crianças. A orientação para uma vida saudável foi o serviço prestado mais
reconhecido pelos usuários com 76,4% e as orientações sobre como lidar com os problemas de
comportamento das crianças e para a segurança no lar, obtiveram 40,4% e 35,5%,
respectivamente, de certeza da existência deste serviço pelos usuários. Estes dados apontam a
necessidade da expansão dos serviços nas UBS para que o atributo de integralidade seja efetivo.
CONCLUSÕES
Sabe-se que a adoção de um sistema de saúde integrado e que apresenta de forma
satisfatória os atributos da APS torna-se mais resolutivo e efetivo. No entanto, neste estudo
considera-se que alguns destes atributos, como o acesso, não apresentam resolutividade na visão
do usuário. Os atributos de longitudinalidade, coordenação e integralidade apresentaram escore
médio com valores satisfatórios na visão do usuário, apontando a presença destes atributos na
APS na saúde da criança, embora com lacunas no reconhecimento de alguns serviços, os quais
precisam ser ampliados para aumentar a efetividade do cuidado.
PALAVRAS-CHAVE: Atenção primária à saúde. Avaliação em saúde. Saúde da criança.
REFERÊNCIAS
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Pesquisa em Seres Humanos. Resolução 196/96, de 10 de outubro de 1996: diretrizes e
normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília, DF, 1997.
FACCHINI, L.A.; GARCIA, C.P. Evolução e avanços da saúde da família e os 20 anos do
sistema único de saúde no Brasil. In: Saúde Brasil 2008: 20 anos de sistema único de saúde
(SUS) no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
FRACOLLI, L.A.; et al. Conceito e prática da integralidade na Atenção Básica: a percepção das
enfermeiras. Rev Esc Enferm USP 2011; 45(5):1135-41.
LEÃO; C. D. A.; CALDEIRA, A. P.; OLIVEIRA, M. M. C. Atributos da atenção primária na
assistência à saúde da criança: avaliação dos cuidadores. Rev. Bras. Saúde Materno. Infantil.,
Recife, 11 (3): 323-334 jul./set., 2011.
ANAIS DO I SENAPS
MENDES, E.V. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde,
2011.
MENDES, I.A.C. Desenvolvimento e saúde: a declaração de alma-ata e movimentos
posteriores. Rev. Latino-am Enfermagem, São Paulo, 12(3):447-8, maio-jun. 2004.
SALA, A.; et al. Integralidade e Atenção Primária à Saúde: avaliação na perspectiva dos
usuários de unidades de saúde do município de São Paulo. Saúde Sociedade. São Paulo, v.20,
n.4, p.948-960, 2011.
STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e
tecnologia. Brasília : UNESCO, Ministério da Saúde, 2002.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
RASTREAMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE VOLTADAS
PARA A CRIANÇA
Karina Faquini84
Claudia Ross85
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso3
Cláudia Silveira Viera4
Phallcha Luízar Obregón5
INTRODUÇÃO
A saúde da criança é de extrema importância e é utilizada para medir o nível de
mortalidade de uma população, bem como, indicador da qualidade de saúde de um país.
Foi a partir do século XX que a expectativa de vida da população aumentou, como
consequência as crianças morriam menos (BELON; BARROS, 2011).
Políticas voltadas para as crianças, como a Puericultura não tiveram grande
impacto no perfil de morbimortalidade desses indivíduos. Então é possível concluir, que
as condições de saúde estão relacionadas diretamente com as condições de vida dessa
população (COSTA et al., 2011).
Foi na década de 80 que surge o Programa de Assistência Integral a Saúde da
Criança (PAISC), com objetivo de assegurar a assistência integral à saúde da criança,
reduzir agravos mais frequentes e de maior peso na mortalidade de crianças de 0 a 5
anos de idade. Com isso, cinco ações básicas foram propostas: promoção do aleitamento
materno e orientação alimentar no primeiro ano de vida, controle da diarréia, controle
das doenças respiratórias na infância, imunização e acompanhamento do crescimento e
84
Acadêmica do 5º ano do curso de Enfermagem - aluna iniciação científica - UNIOESTE - Cascavel/PR
Fone: (45) 88256531. e-mail: [email protected]
85
Docente do Curso de Enfermagem - UNIOESTE – Cascavel/PR Fone: (45) 9975-3713 e-mail: [email protected]
3
Docente do Curso de Enfermagem - UNIOESTE – Cascavel/PR Fone: (45) 9971-17 91e-mail: [email protected]
4
Docente do Curso de Enfermagem - UNIOESTE – Cascavel/PR Fone: (45) 9912- 00 66 email:[email protected]
5
Docente do Curso de Medicina - UNIOESTE – Cascavel/PR Fone: (45) 3220- 30 00 e-mail: [email protected]
ANAIS DO I SENAPS
desenvolvimento como metodologia para organização da assistência nessa faixa etária
(FIGUEIREDO; MELLO, 2007).
Nos anos 90, a temática família sofreu revalorização, onde em 1994 houve a
criação do Programa Saúde da Família (PSF) embasada nos princípios da
universalidade, equidade e integralidade da assistência. Foi com esse programa que a
criação da Atenção Integrada as Doenças Prevalentes da Infância (AIDIP) em 1996
achou um campo propício (FIGUEIREDO; MELLO, 2007). Ainda nessa década, houve
a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, com esse estatuto crianças e
adolescentes passam a ser considerados cidadãos com direitos garantidos, com isso o
poder público teve que implementar políticas públicas voltadas para essa população,
também no mesmo documento fica claro a responsabilidade da sociedade e dos pais em
relação as crianças e adolescentes (FIGUEIREDO; MELLO, 2007).
Em 2002, o Ministério da Saúde (MS) lançou o Caderno de Atenção Básica Saúde da Criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Esse
documento expressa adoção de medidas para o crescimento e desenvolvimento
saudáveis, que trás a garantia de direito da população e o cumprimento do dever do
Estado. Essas medidas se somam as recomendadas pela estratégia AIDPI. As normas
que o MS impôs foram incorporadas as atividades do PACS e do PSF (FIGUEIREDO;
MELLO, 2007).
Em 2004 o MS lançou Agenda de Compromissos para a Saúde Integral da
Criança e Redução da Mortalidade Infantil, que tem como objetivo frisar as ações
essenciais do Ministério da Saúde, como cuidado integral e multiprofissional que
responde pela compreensão das necessidades e direitos da criança como indivíduo
(FIGUEIREDO; MELLO, 2007). Qualquer local do sistema de saúde deve prestar atenção
integral a saúde da criança. Todas as unidades de saúde devem adotar Agenda de Compromissos
para a Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil, independendo sua forma de
organização, deve ainda periodicamente avaliar seus resultados, essa avaliação deve ser
pactuada entre a unidade de saúde e os gestores municipais (BRASIL, 2004).
ANAIS DO I SENAPS
Foi possível observar as principais causas de morbimortalidade de crianças no Brasil, e
com isso o MS priorizou ações de atenção à criança a serem realizadas na atenção primária,
como a promoção do nascimento saudável, acompanhamento do recém-nascido de risco,
acompanhamento do crescimento e desenvolvimento e imunização, promoção do aleitamento
materno e alimentação saudável atenção aos distúrbios nutricionais e anemias carências,
abordagem das doenças respiratórias e infecciosas (BRASIL, 2004).
OBJETIVOS
Realizar um levantamento acerca das políticas públicas de saúde voltadas para a
criança no município de Cascavel/PR. Verificar como estas políticas estão sendo
implementadas no município de Cascavel/PR.
MATERIAIS E MÉTODOS
Este projeto é um recorte do projeto intitulado: Avaliação da efetividade da
Atenção Primária em Saúde para Crianças, sob a coordenação da docente Beatriz
Rosana Gonçalves de Oliveira, do qual a docente Claudia Ross é colaboradora. Este
projeto foi aprovado em edital Universal-CNPq do ano de 2011 e se encontra
atualmente em tramitação no Comitê de Ética em Pesquisa da UNIOESTE, com início
de execução a partir de julho de 2012.
A presente pesquisa de abordagem qualitativa caracteriza-se com base em seus
objetivos em um estudo exploratório descritivo, cujo delineamento se concretizará
através de um levantamento e pesquisa documental. Será realizada em 2 etapas. O
levantamento é realizado pela interrogação direta do sujeito acerca do problema
estudado e a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam tratamento
analítico, ou seja, documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e
instituições privadas que tratem da temática em estudo (GIL, 2007).
Na primeira etapa da pesquisa, foco deste trabalho, foram entrevistados gestores
municipais responsáveis pela área técnica de saúde da criança do município em estudo
para se verificar junto a estes as principais políticas de saúde voltadas para a criança no
ANAIS DO I SENAPS
município de Cascavel/PR, como estas vem sendo implementadas e seus impactos na
assistência à saúde deste grupo.
Para coleta dos dados foi utilizado instrumento com perguntas abertas e fechadas
para caracterização do perfil sócio, econômico, demográfico e profissional dos gestores
entrevistados e a técnica de entrevista semi-dirigida gravada, a partir de uma questão
norteadora: quais as políticas de saúde existentes para a criança no município de
Cascavel/PR, como estas vêm sendo implementadas no município e qual o impacto das
mesmas na assistência à saúde da criança? As entrevistas foram realizadas após
agendamento prévio e no local de trabalho dos gestores. Somente sendo incluídos no
estudo os sujeitos que aceitarem participar da mesma, após o esclarecimento detalhado
do estudo e que assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), e após
aprovação do CEP/UNIOESTE.
A análise dos dados obtidos nas entrevistas obedecerá aos preceitos da análise
temática proposta por Minayo (2006).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
1- Quais as políticas públicas 2- Como estas políticas estão 3- Qual impacto dessas
de saúde voltadas para criança sendo implementadas no políticas para a assistência a
no município de Cascavel?
município de Cascavel?
saúde da criança no município
de Cascavel?
Gestor 1: ‘’ Nós hoje, Gestor 1: ‘’ Olha, essas Gestor 1: ‘’ Olha, a gente
estamos trabalhando com a políticas
já
estão pode apontar inúmeros fatores
chamada Atenção Primária sedimentadas, elas fazem que trazem vantagens. A
em Saúde, dentro da Atenção parte de um contexto, todo gente ta investindo na
Primária esta implícito o estabelecido pelo Ministério Atenção Primária em Saúde.
atendimento a criança , então da Saúde, desde 1988, como Os índices de vacinação são
todo o atendimento hoje é responsáveis diretos pela muito bons, considerado entre
feito através da Unidade Atenção primária em Saúde e o Paraná, um dos melhores,
Básica de Saúde, nós temos o essa consolidação veio se estamos
aí,
entre
os
programa Ninar que faz parte dando ao longo desse tempo, municípios que maia vacinam
da rede Mãe Paranaense e do então, é óbvio, nós hoje temos no Paraná. A mortalidade
programa cegonha no Brasil, ainda unidades que serão infantil nesse ano baixou de
este programa Ninar começa o construídas, que estão em dois dígitos para um digito
atendimento na gestante e ao construção e outras que serão esta abaixo de dez. Então, o
nascimento nós fazemos construídas a partir de 2013, resultado vem com o tempo,
vacinas, orientação pra mãe e que farão parte dessa rede. essa consolidação da Política
ANAIS DO I SENAPS
um manual de orientações
dos cuidados que elas devem
ter com o bebê durante o
primeiro ano de vida e a partir
daí já é agendado uma
consulta retorno na unidade e
a enfermagem na unidade, a
enfermeira
o
pediatra
recepcionam essa criança e a
partir daí fazem todo o
acompanhamento necessário e
ai essa criança é recebida em
um
programa
chamado
puericultura.
No próprio
protocolo nosso tem um
estabelecimento de regras e
requisitos que devem ser
seguidos pela enfermagem e
pelo pediatra, entre elas fazer
consultas nos primeiros meses
de vida pelo menos uma vez
ao mês, depois, isso vai se
estendendo a cada sessenta
dias e até o segundo ano de
vida há um acompanhamento
constante por parte dessa
equipe da unidade, inclusive
com visita domiciliar. Logo
após a recepção na unidade
pela equipe de enfermagem e
esse acompanhamento se der
necessário, dai... Ah uma
interação com o restante da
rede,
se
precisa
de
nutricionista nós temos, se
precisa
de
atendimento
oftalmológico ou qualquer
outra
especialidade...
o
atendimento oftalmológico,
fisioterapia, fono, psicologia...
nós temos um chamado
Centro da Criança
e do
Adolescente, que é o CEACRI
e no CISOP, que é um centro
regional de especialidades dos
25 municípios que compõe a
Essa rede é constantemente
melhorada,
adaptada,
redirecionada, mas dentro
dessa lógica de políticas de
Atenção Primária em Saúde
estabelecida pelo Ministério,
né! A gente segue né, isso
estabelecido pelo Ministério.
’’
de Atenção Primária em
Saúde, em principal a da
criança, faz com que a gente
tenha esse resultado positivo,
mas hoje temos uma grande
dificuldade pra não falar só
nas vantagens, que é ainda a
contratação
de
médicos
pediatras, como é uma
especialidade médica não
muito procurada por recém
formados. Então esse ai é um
grande problema que nós
temos hoje para administrar,
então,
nós
temos
que
constantemente fazer novos
concursos com uma boa
remuneração para poder os
atrair. ‘’
ANAIS DO I SENAPS
nossa regional, fazem a oferta
de
outras
especialidades
existentes, então as políticas
começam
na
Atenção
Primária também... e a gente
tem
uma
UPA
especificamente voltadas para
crianças que hoje em um
local, alocado, alugado la no
hospital Santa Catarina. A
rede secundária e terciária
esta toda formatada para
poder receber a criança, se ela
tiver necessidade de procurar
um auxilio especializado. ‘’
Gestor 2: ‘’ Nós implantamos
ano passado a Rede de
Atenção a Saúde MaternoInfantil e hoje aqui em
Cascavel esta como Programa
Ninar o nome, mas ela segue
as diretrizes da rede Cegonha
e o rede Mãe Paranaense do
estado do Paraná, essa é uma
das políticas importantes e
estamos também com a
programação de implantar na
sequencia a Rede de Atenção
a Saúde do Adolescente.’’
Gestor 2: ‘’ Essas políticas
são diretrizes do Ministério da
Saúde, do Estado. Ela vem
com uma parceria do Estado e
do Ministério da Saúde com a
Rede Cegonha e Rede Mãe
Paranaense,
dentro
do
município nós iniciamos ano
passado.
Iniciamos
esse
trabalho com a construção
dessa rede com a Câmara
Técnica de Saúde da Criança
e o comitê que nós temos já,
desde 2007, Comitê
de
redução
da
mortalidade
infantil. Nós formamos uma
grande comissão com parceria
com a 10 Regional de Saúde,
é...
nós
conseguimos
implantar essa rede e ainda
estamos em processo de
capacitação das equipes, e...
a... tentando contratualizar
referências dos hospitais, eu
acredito que até agora, já final
do ano nós temos uma
capacitação onde conclui a
primeira fase de capacitação
das equipes, ela vem sendo
implantada gradativamente.”
Gestor 2: ” Principalmente a
gente, o grande objetivo né,
que a gente tem é a redução
da mortalidade infantil, esse é
o grande objetivo. Também a
gente percebe uma qualidade
da
assistência
e
uma
qualificação
melhor
na
Atenção Primária.’’
ANAIS DO I SENAPS
Através da entrevista realizada com os Gestores municipais, foi possível
perceber que as Políticas Públicas implantadas no município surtiram efeito positivo na
população em estudo. Os Gestores citaram as políticas que estão implantadas no
Município de Cascavel: Programa Ninar que faz parte da Rede Mãe Paranaense e do
Programa Cegonha, Puericultura e Calendário Vacinal.
Conforme citado pelo Gestor 1 e reforçado pelo Gestor 2, o principal objetivo
da atual gestão, é reduzir a mortalidade infantil. No ano de 2012 a mortalidade infantil
diminuiu de dois dígitos para apenas um, estando abaixo de 10.
A entrevista com Gestores não foi esclarecedora em relação a quais
documentos estão disponíveis nas Secretarias do Município e nas Unidades Básicas de
Saúde, como Manuais do Ministério, Comunicação Interna, Protocolos, entre outros.
CONCLUSÃO
É possível concluir que as políticas que estão implementadas no município de
Cascavel/ PR, estão trazendo impacto positivo para a população em estudo. E conforme
foi citado pelos gestores nas entrevistas a mortalidade infantil na cidade diminuiu, sendo
esse o principal objetivo da atual gestão.
AGRADECIMENTOS
A equipe da pesquisa: Ana Carolina de Souza, André Luiz Soares, Andreia
Carrer, Bruna Regina Bratti Frank, Caroline Winck Sotti, Denise de Fátima Hoffmann
Rigo, Henrique S. Shiroma, Jéssica Mayara Cardoso, Juliane Pagliari, Lindsay Menna
Pereira, Louise B. Polina, Maciel Costa da Silva, Marina Casagrande Penteado, Nayara
Angélica Barros Ribeiro, Paulo Henrique Pessali Dal’maso, Scaleti Vanessa Brisch.
PALAVRAS-CHAVE: Políticas públicas; criança; história das políticas públicas.
ANAIS DO I SENAPS
REFERÊNCIAS
BELON, A.P; BARROS, M.B.A. Esperança de vida ao nascer: impacto das variações
na mortalidade por idade e causas de morte no Município de Campinas, São Paulo,
Brasil.Cad. Saúde Pública vol.27 n.5 Rio de Janeiro May. 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agenda de Compromissos para a Saúde Integral da
Criança
e
Redução
da
Mortalidade
Infantil.
2004.
Disponível
em:<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/agenda_compro_crianca.pdf>
online
acesso
em 19 de fevereiro de 2012.
FIGUEIREDO, G. L. A.; MELLO, D. F. Atenção à Saúde da Criança no Brasil:
aspectos da vulnerabilidade programática e dos direitos humanos. Rev Latino-am
Enfermagem 2007 novembro-dezembro; 15(6).
GIL, A. C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. 9. reimpr. São Paulo: Atlas,
2007.
MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento. 6a ed. São Paulo-Rio de Janeiro:
Hucitec-Abrasco,2006.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
A INTEGRALIDADE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE PARA
CRIANÇAS: AVALIAÇÃO DOS CUIDADORES
Isadora Rodrigues Rossignolo86
Mauren T. G. Mendes Tacla 87
Barbara de Andrade Alves88
Edilaine G. Rossetto4
Neusa Collet5
Beatriz Toso6
INTRODUÇÃO
O Sistema Único de Saúde (SUS), em seu artigo 196 da Constituição de 1988,
implica na reformulação do sistema de saúde, de modo a tratar a saúde como dever do
Estado e direito de todos. A mesma Constituição, no artigo 198, dispõe que os serviços
de saúde, assim como suas ações devem integrar uma rede de hierarquização e
regionalização, organizados de acordo com as diretrizes de centralização, integralidade
no atendimento (sem gerar custos para o cliente) e ter participação da população em
suas ações (BRASIL, 1988). No mesmo contexto sobre a implementação do SUS,
ditada no artigo 2° da LEI N.º 8.080, de 19 de Setembro de 1990, a integralidade é um
dos princípios e diretrizes do SUS e é entendida como o conjunto de ações e serviços
articulados, de caráter preventivo e curativo, bem como de forma individualizada e
coletiva, de acordo com o caso em que se adequa nas mais diversas complexidades
(BRASIL, 2006). Para concretizar a reformulação do SUS, o Ministério da Saúde criou
em 1994, o Programa de Saúde da Família que tem como objetivo a colaboração na
forma de organizar as ações de saúde, na municipalização, através da implementação
dos princípios e diretrizes do SUS. Hoje esse programa é denominado como Estratégia
86
Aluna da 3ª série do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina. Bolsista de Iniciação
Científica.
87
Enfermeira. Doutora em Enfermagem em Saúde Pública pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de São
Paulo. Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina - UEL.
4
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina - UEL
ANAIS DO I SENAPS
Saúde da Família (ESF), sendo composta por médico, enfermeiro, auxiliares de
enfermagem e agentes de saúde, que têm seu enfoque na priorização de ações
preventivas de saúde (BRASIL, 2006). Segundo Gomes e Pinheiro (2005) “atualmente a
ESF encontra-se em expansão em grandes centros urbanos e existe uma grande
expectativa de que essa estratégia possa vir a ser a reestruturação da atenção básica”. No
entanto, acredita-se que para a implementação de ações satisfatória, é necessário
minimizar os fatores impeditivos como a falta de verbas, despreparo ou qualificação
insuficiente desses profissionais. Em um estudo realizado sobre as práticas de
integralidade voltadas para a gestão em saúde, os autores elaboraram três sentidos que
caracterizavam a integralidade: “Integralidade como boa Medicina, Integralidade como
modo de organizar as práticas e Integralidade como respostas governamentais à
problemas de saúde”. O primeiro sentido era visto como uma resposta em meio aos
problemas de saúde, ao sofrimento do paciente, buscando-se uma solução pelo médico
que ultrapassasse sua demanda específica. Já a integralidade como modo de organização
constistia na elaboração de protocolos e o terceiro sentido, que fossem capazes de
identificar as situações de risco para a saúde, de acordo com as demandas, tanto
espontâneas como as programadas. Dessa maneira, seria necessário conhecer a
população e suas necessidades, para assim, conseguir o acolhimento e vínculo esperados
(GOMES; PINHEIRO, 2005). O conceito de integralidade para Starfield (2002), se
remete quanto à variedade disponível de serviços, ou seja, o quanto essa disponibilidade
atende às necessidades comuns de certas populações. Starfield (2002) ressalta que é
errôneo pensar que se há maior variedade e disponibilidade de serviços, o cuidado será
melhor contemplado. Isto se explica pelo fato de que a variedade de serviço pode não
condizer com as necessidades daquela população. Para tanto, assegura-se que a
integralidade é capaz de ajustar-se às necessidades de uma certa comunidade assistida.
A autora ainda enfatiza que a atenção primária é a “porta de entrada” para a saúde
individual, embora se oponha em dizer que seja apenas um dos componentes principais
de atenção. Em relação aos profissionais, é observado que a integralidade requer
ANAIS DO I SENAPS
disponibilidade de serviços e tecnologias, caso contrário fica evidente a dificuldade em
se manter a competência de seus profissionais. Essas necessidades podem variar de uma
população para outra, fato este que torna-se um dos principais desafios para a
concretização da integralidade Observa-se que a formação da integralidade é sujeita à
complexibilidade, ou seja, relacionar o trinômio trabalhador, gestor e usuário requer
muito trabalho, não se resumindo apenas à criação de conceitos, metodologias do saber
e sua aplicabilidade. Nesse contexto, enfatiza-se a importância do cotidiano dos serviços
de saúde pois são através deles que a construção e concretização desse desafio
interferem nas práticas do assistir. Outro problema que merece destaque é a focalização
da assistência no binômio “queixa-conduta”, isto é, a integralidade é tida pelos
profissionais como algo não integral e, sim, individualizado. Daí, a importância de se
reformular os modos de assistência a fim romper com o modelo sanitário anterior.
Desse modo, as práticas também são vistas como a construção de um modelo de
assistência a partir da relação dos sujeitos, interferindo-as no modo de gerir,
compartilhar informações, fazer e sentir do protagonista. A integralidade também é
vista como o conjunto das noções livres do reducionismo, não se limitando ao doente e
sua morbidade mas sim, tendo uma visão mais ampla do ser humano, identificando sua
ação social e seus sentimentos. A integralidade como ação intervencionista é colocada
como uma dificuldade da assistência, porém é uma realidade que será concretizada
quando o modelo sanitarista for completamente abandonado, sendo alterado para o
modelo da ESF. Por esses e outros motivos que a integralidade representa um dos
maiores desafios de saúde pública (COSTA; UCHOA; COSTA; DANTAS, 2010). Esse
estudo tem como finalidade verificar o exercício do princípio da integralidade na
Atenção Primária da Saúde sob a percepção dos responsáveis das crianças, a fim de
buscar soluções e medidas públicas que possam aprimorar o atendimento da saúde no
âmbito infantil.
OBJETIVO
ANAIS DO I SENAPS
Analisar a integralidade da Assistência da Atenção Primária em Saúde, através
do instrumento PcaTool-Brasil (Primary Care Assessment Tool) versão criança, nos
diferentes cenários de atendimento a crianças menores de doze anos, dos municípios de
Londrina e Cascavel, no Paraná e João Pessoa, na Paraíba.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa multicêntrica, de caráter quantitativo. Os locais de
coleta de dados incluem as Unidades Sáude da Família e Unidades Básicas de Saúde,
dos municípios de Londrina e Cascavel (PR) e João Pessoa, na Paraíba, nas áreas
urbanas dos mesmos. Sendo na totalidade 24 unidades de saúde urbanas em Cascavel
(2USF e 22 UBS); em Londrina, 39 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em João
Pessoa, devido à ampla rede municipal de atendimento, o estudo foi realizado no
Distrito Sanitário III por ser área de abrangência da Universidade Federal da Paraíba e
ser campo de atuação dos docentes da área da saúde desta universidade. Possui uma
população de 180.000 habitantes, com 53 Equipes de Saúde da Família, cobrindo 90,5%
das famílias daquela área. A população do estudo foi composta de familiares (pai, mãe)
e/ou cuidadores (avós, tios, cuidadores legais) de crianças menores de doze anos. O
cálculo amostral obtido total foi de 1501 entrevistados, realizado a partir do número de
atendimentos realizados nas UBS a crianças menores de 12 anos nos seis meses
anteriores à etapa de coleta de dados da pesquisa – Julho a Dezembro de 2011, sendo
344 entrevistados em João Pessoa, 548 em Cascavel e 609 em Londrina. À partir dos
dados e do tamanho amostral, foi aplicado um questionário sócio econômico
demográfico e o instrumento PCATool - Brasil versão criança nas UBS elencadas, por
amostragem probabilística casual simples estratificada, com partilha proporcional por
tipo de região e número de crianças por cada região. Do instrumento PCATool – Brasil
versão criança, foram analisados para a avaliação da integralidade nos modelos da APS
os itens G (G1 a G9) e H (H1 a H5) que avaliam a integralidade relacionada aos
serviços disponíveis e os serviços prestados à saúde da criança. Nos ítens “G” e “H”
ANAIS DO I SENAPS
avaliados,
incluem-se
as
vacinações,
o
planejamento
familiar,
aconselhamento/tratamento para uso de drogas, aconselhamento e solicitações para o
teste anti-HIV, orientação para manter a criança saudável (como alimentação saudável,
boa higiene ou sono adequado), segurança no lar ( como guardar medicamento com
segurança), maneira de lidar com o comportamento de sua criança, dentre outros ítens.
Adotou-se uma margem de erro de 3%, com intervalo de confiança de 95%, para
obtenção da amostra de familiares a serem entrevistados. O cuidador foi convidado a
participar da pesquisa quando o mesmo realizou a procura do atendimento da criança na
Unidade Básica de Saúde, sendo neste local aplicado o instrumento com a assinatura
prévia do termo de consentimento livre e esclarecido. . Resultados: Considerando a
análise preliminar dos resultados, verificou-se que os escores médios do item
Integralidade voltado aos Serviços Disponíveis foi avaliado pelos cuidadores dos três
centros de estudo, em sua maior parte de forma positiva, Londrina (68%), Cascavel
(58,3%) e João Pessoa (47,4%), com o destaque de que uma média de 18% dos
cuidadores optou pela resposta Não Sei/ Não Lembro em mais de 50% das questões. Os
serviços disponíveis com maior número de respostas Certo que Sim (Escore 4) foram
as Imunizações (92%) e o Planejamento Familiar (76.9%), apresentando uma certa
semelhança para todos os serviços disponíveis entre os três centros pesquisados. A
avaliação da Integralidade pelos Serviços Prestados também apresentou uma boa
avaliação pelos cuidadores das crianças com a seguinte soma de respostas positivas:
Londrina (68,8%), Cascavel (64,3%) e João Pessoa (56,7%). No último centro, João
Pessoa, o item de menor pontuação na avaliação de todos os centros de estudo foi
quando era perguntado se nas consultas conversava-se sobre as maneiras de lidar com
os problemas de comportamento da criança, com média de respostas negativas de
53,6%.
CONCLUSÃO
ANAIS DO I SENAPS
Após essa primeira análise, acredita-se que a integralidade da assistência se faz
necessária em diversos campos e discussões, constituindo-se em grande oportunidade de
transformação do antigo modelo sanitarista para o atual modelo do PSF. Para isso, é
importante que a Integralidade seja vista como uma assistência contínua, realizada por
meio de um planejamento eficaz entre gestores, profissionais da área da saúde e
comunidade. Acredita-se que uma forma eficaz para realizar uma boa gestão, que seja
capaz de integrar todas as propostas do SUS, precisa ser feita por meio da observação e
vivência do cotidiano que integra essas diretrizes. Para tanto, o aprofundamento dessa
pesquisa a cerca do tema Integralidade, bem como as especificidades observadas em
cada centro visam contribuir para a construção da Integralidade que deve ser composta
por diversos sentidos e atuação participativa de cada profissional envolvido, sobretudo
no domínio da coletividade. Destaca-se, a importância da humanização no atendimento,
assim como a resolutividade dos problemas , vistos de forma mais ampliada, não se
tratando ao homem como objeto da ciência.
Palavras-chaves: Saúde da Criança; Integraldiaed; Atenção Primária a Saúde.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasíli,
DF: Senado, 1988.
______. Ministério da Saúde. Cadernos Humanizasus: Formação e Intervenções.
Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização. Brasília, 2010.
v.1,p.15-17.
______. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Coletâneas de Normas
para o Controle Social no Sistema Único de Saúde. Brasília, 2006.
COSTA,I.K.F.;UCHOA, S.A.C.; COSTA, I.K.F.;DANTAS, R.A.N. Os Sentidos da
Integralidade da Assistência à Saúde: Uma Revisão de Literatura. Revista Científica
Internacional. Ano 3, n.12, mar/abr 2010.
ANAIS DO I SENAPS
FONTOURA, R.T.; MAYER, C.N. Uma breve reflexão sobre a integralidade.
Revista Brasileira de Enfermagem. Jul/ago 2006. P.532-7.
GOMES, M. C. O. A.;PINHEIRO, R. Acolhimento e vínculo: práticas de integralidade
na gestão do cuidado em saúde em grandes centros urbanos. Interface-comunic., Saúde,
Educ., v.9, n.17, p. 287-301, mar/ago, 2005.
STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e
tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 2002. P. 313-359.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
AVALIAÇÃO DO PRINCÍPIO DA COORDENAÇÃO NA ATENÇÃO
PRIMÁRIA À SAÚDE DA CRIANÇA EM LONDRINA-PR89
Gisleine Tiemi de Souza90
Mauren T. G. Mendes Tacla 91
Barbara de Andrade Alves92
INTRODUÇÃO
Atenção Primária à Saúde é definida como um nível individual e coletivo
contemplando a promoção e proteção da saúde, prevenção e tratamento. Também é
considerada a porta de entrada ao sistema de saúde e com isso o atendimento será com
equidade, integralidade e satisfação dos usuários (BRASIL, 2007; STARFIELD, 2002).
Para isso se concretizar, foi proposto a Estratégia Saúde da Família como meio para
implementação e organização da Atenção Primária a Saúde, e isso influenciaria na
coordenação do sistema de saúde. A Atenção Primária à Saúde é baseada no acesso de
primeiro contato, longitudinalidade, integralidade e coordenação (STARFIELD, 2002).
A coordenação é considerada uma articulação entre os diversos serviços e ações
relacionadas à saúde, que necessitam estar sincronizadas e contínuas para cada
atendimento prestado, não implicando o local (ALMEIDA; FAUSTO; GIOVANELLA,
2011). Entretanto, a coordenação se depara com desafios na Unidade Básica de Saúde
pela: variedade de informações disponíveis com diferentes profissionais; ausência de
integração entre os níveis assistenciais na referência e contra referência pela falta de
diálogo entre os níveis de atenção; difíceis meios de transferência de informações
(BRASIL, 2007; STARFIELD, 2002). A transferência de informação pode potencializar
a coordenação através do aprimoramento das informações descritas nos prontuários,
89
Este estudo faz parte de um projeto maior denominado “Avaliação da efetividade da atenção primária em saúde para crianças”,
financiado pelo edital universal CNPq 14/2011, sob nº 474743/2011-0. Agradecimentos a equipe da pesquisa que não pode ser
nominada na autoria em função da limitação do número de co-autores: Gabriela D´Ovídio, Isadora Rossignolo, Jéssica Mendes
Daschevi, Leila Pegoraro, Louise Fontana.
90
Aluna da 3ª série do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina. Bolsista de Iniciação Científica.
91
Enfermeira. Doutora em Enfermagem em Saúde Pública pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de São
Paulo. Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina - UEL.
4
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina - UEL
ANAIS DO I SENAPS
pois esses são fragilizados pela precariedade das informações descritas pelos
profissionais de saúde, pelas melhorias na continuidade dos profissionais (mesmo com a
continuidade dos profissionais na Unidade Básica de Saúde, as consultas realizadas em
outros
lugares
não
facilitou
o
reconhecimento),
sistemas
de
informações
computadorizados ou atenção compartilhada. A atenção compartilhada melhora o fluxo
das informações entre o profissional na Atenção Primária ao profissional especialista e
essa atenção compartilhada pode facilitar a transferência de informações quando o
paciente se consulta com vários profissionais envolvidos nos resultados (STARFIELD,
2002). Outros meios para potencializar a coordenação é a mudança no primeiro nível de
atenção para atender às demandas das doenças crônicas e a revisão dos recursos no setor
ambulatorial dado o progressivo deslocamento de procedimentos da atenção hospitalar
para este nível (BRASIL, 2007). A contra referência é baixa, devido a pouca
especificidade no prontuário médico para o retorno. Entretanto, esse retorno é facilitado
quando nenhum conselho específico tinha sido dado, por informações escritas e quando
o paciente considera quem encaminhou o médico da família. A continuidade na
coordenação é definida como a sequência de eventos entre as consultas sem importar
onde e por quais motivos ocorreram (STARFIELD, 2002). Objetivo: Avaliar o
princípio da coordenação da Atenção Primária à Saúde em Unidades Básicas de Saúde
do município de Londrina, Paraná e verificar se há contra referência da criança.
MÉTODO
Pesquisa desenvolvida no município de Londrina, estado do Paraná, na forma
avaliativa, de natureza quantitativa, realizada por meio do instrumento de Avaliação da
Atenção Primária denominado PCAToll (Primary Care Assessment Tool) versão
criança. Essa pesquisa foi aplicada em 39 Unidades Básicas de Saúde localizadas na
área urbana de Londrina, com 609 cuidadores no período de Agosto de 2012 a Janeiro
de 2013. Foram adotados alguns critérios de inclusão como morar em área urbana, o
acompanhante da criança na unidade de saúde deve ser o principal cuidador, a idade da
ANAIS DO I SENAPS
criança deve ser menor que 12 anos e o cuidador/respondente deve conhecer a unidade
que irá avaliar. Também foram adotados os seguintes critérios de exclusão: crianças
procedentes de outro município ou residente da área rural e familiares que utilizam
esporadicamente a unidade para finalidades específicas como, por exemplo, imunização.
RESULTADOS
Foram 609 entrevistados, destes 69.8% referiram que seus filhos não se
consultaram com o especialista. Entretanto, 30.2% referiram que seus filhos já passaram
por serviço especializado, e foi evidenciado que 24.1% foram encaminhados através da
Unidade Básica de Saúde e 23% referiram que a Unidade Básica de Saúde sabe a
respeito da consulta com o especialista. Dos 30.2% que consultaram o especialista,
19.5% responderam certo que sim na pergunta referente se o médico da Unidade Básica
de Saúde sabe a respeito dos resultados da consulta com o especialista. Quando
perguntados se o médico da Unidade Básica de Saúde conversou sobre o que aconteceu
durante a consulta com o serviço especializado e se pareceu interessado no cuidado
prestado à criança, foi encontrado que 17.4% dos entrevistados responderam certo que
sim em ambas as perguntas. Dos cuidadores entrevistados, 87.4% responderam que
levam algum dos registros de saúde ou boletins de atendimento anterior para a consulta,
87,4% relataram que o prontuário esta sempre disponível nas consultas e 26.1%
responderam com certeza não poderiam ler o prontuário da criança se quisessem,
ressaltando que 9.4% responderam que provavelmente não poderiam ler o prontuário e
23.5% responderam que não sabe ou não lembrava se poderia ou não consultar o
prontuário.
CONCLUSÃO
Pela pesquisa, identificamos que poucas crianças se consultaram com os
especialistas, o que pode indicar boa resolubilidade na Atenção Primária a Saúde.
Verificamos que a Unidade Básica de Saúde é de grande importância no
ANAIS DO I SENAPS
encaminhamento ao serviço especializado e que a Unidade Básica de Saúde possui
conhecimento da criança que realizou a consulta ao especialista, assim respeitando a
coordenação dos cuidados no serviço de saúde. Porém, quando perguntamos itens da
contra referência (se o médico da Unidade sabe dos resultados da consulta, se conversou
sobre o que aconteceu durante a consulta e ficou interessado na qualidade do cuidado
prestado no serviço especializado), observamos uma queda na porcentagem indicando
que a contra referência é baixa comparada com a referência, pois os médicos ou a
Unidade Básica de Saúde não se interessam pelo serviço prestado no especialista e pelo
baixo índice do conhecimento dos resultados, que dificultam a continuidade do cuidado
à criança e acarreta a quebra na coordenação entre os níveis assistenciais à saúde.
Percebemos o alto o índice de cuidadoras que levam os boletins de atendimento anterior
e a disponibilidade dos prontuários nas consultas. Então, aproveitando o alto índice de
disponibilidade dos prontuários, deve-se fazer associação com a referência e contra
referência, ambas fragilizadas, pois irá ajudar na continuidade dos cuidados prestados
em vários níveis de saúde. Ou seja, os prontuários necessitam estar completos e
inteligíveis para qualquer profissional de saúde que irá ler as informações descritas. Os
resultados encontrados na relação da consulta/leitura do prontuário foram baixos, pois
somando os cuidadores com a resposta que não poderiam ler, mais aquelas que não
tinham certeza e que não sabiam ou não lembravam, evidencia pouca informação da
população sobre seus direitos ou que as Unidades Básicas de Saúde podem não estar
sendo eficazes nas informações prestadas à comunidade.
Palvras-chaves: Atenção Básica em Saúde, Saúde da Criança, Avaliação,
Acessibilidade.
REFERÊNCIAS
ANAIS DO I SENAPS
ALMEIDA, P.F; FAUSTO, M.C.R; GIOVANELLA L. Fortalecimento da Atenção
Primária à Saúde: estratégia para potencializar a coordenação dos cuidados. Rev
Panam Salud Pública, v. 29, n.2, p. 84-95, 2011.
BRASIL. Texto referência – Atenção Primária na Saúde (APS). Ciclo de debates sobre
redes regionalizadas de atenção à saúde: desafios do SUS. Brasília/DF, 10 de março
de 2009.
STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e
tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 2002.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
EDUCAÇÃO CONTINUADA COMO COMPONENTE ESSENCIAL PARA
PRÁTICA CLINICA DE ENFERMAGEM RECEM-NASCIDO DE RISCO
Maria Eduarda de Carli Rodrigues
Cláudia Silveira Viera
INTRODUÇÃO
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 50% dos óbitos de
crianças menores de um ano de vida estão ligados a fatores de risco como nascimento
pré-termo, baixo peso ao nascer e intercorrências na gestação e parto (OMS, 2001 apud
ASSIS; MACHADO; RODRIGUES, 2008). Nesse contexto, nascimento prematuro,
93
baixo peso ao nascer, intercorrências durante a gestação e parto são fatores que
contribuem para a hospitalização de recém-nascidos em Unidade de Terapia Intensiva
Neonatal (UTIN), os quais após receberem alta hospitalar, continuam necessitando de
atendimento especializado nos serviços de saúde. Neste caso faz-se necessário, que os
profissionais de saúde da Atenção Primária em Saúde (APS) lhes ofertem atendimento
adequado.
Partindo deste pressuposto ressalta-se que o atendimento não se restringe apenas
durante o período de internamento hospitalar, este grupo de crianças e suas famílias
requerem cuidados após a alta, visto que não estão isentos de complicações no
domicílio,
havendo,
inclusive,
maior
probabilidade
de
intercorrências
e
rehospitalizações nos primeiros anos de vida (HAYAKAWA et al., 2010).
Portanto, ao retornar para casa, essa criança e sua família devem ser inseridas
precocemente no cuidado cotidiano das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Unidades
de Saúde da Família, as quais devem promover a saúde e reduzir os riscos e
93
Graduando do 5º ano de Enfermagem/ Universidade Estadual do Oeste do Paraná/ Rua Universitária,
Bairro Faculdade Nº 1630/ (46) 99182889/ [email protected]
ANAIS DO I SENAPS
vulnerabilidades a que estão expostos esta população, devido as suas condições que
frequentemente incluem o baixo peso e a prematuridade.
Para se cumprir estes objetivos, reconhece-se a necessidade do profissional de
saúde estar preparado para oferecer o suporte adequado ao RN e sua família, desde o
período pré-natal, de internação da gestante, posteriormente ao nascimento na UTIN,
quando houver esta condição, mantendo o vínculo entre os diversos pontos de atenção
dos serviços de saúde até seu retorno para casa e sua reinserção nas unidades da APS,
visando à recuperação completa, a manutenção e a promoção de saúde dos envolvidos
em todas as fases evolutivas.
Proporcionar a continuidade do cuidado a esse grupo após a alta hospitalar
significa possibilitar a redução da morbimortalidade neonatal precoce, visto que dentre
os principais fatores que contribuem para o aumento desta estão à prematuridade e o
Baixo Peso ao Nascer (BPN) anteriormente citados (SILVA, 2005). Tais consequências
decorrem da imaturidade associada às condições do nascimento e cuidados
subsequentes.
Diante deste contexto, enfatiza-se neste estudo a identificação do conhecimento
e as habilidades técnico-científicas dos enfermeiros que atuam na APS no município de
Cascavel-Paraná, no que diz respeito aos aspectos de acompanhamento e manejo de
saúde desse grupo em específico.
OBJETIVOS
Este estudo tem como objetivo inicial identificar o conhecimento dos
enfermeiros atuantes na Atenção Primária à Saúde do município de Cascavel,
relacionado às características do recém-nascido de risco e suas necessidades após a alta
da UTIN.
METODOLOGIA
ANAIS DO I SENAPS
Este estudo se iniciou por meio do levantamento bibliográfico a fim de embasar
a investigação da temática a ser estudada, instrumentalizando o pesquisador para a
discussão dos dados da mesma.
Possui caráter qualitativo, o qual para Minayo (2006) permite compreender a
lógica interna de grupos, instituições e atores, quanto a valores culturais, representação
sobre sua história e temas específicos. Afirma ainda que esta abordagem é capaz de
incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos.
Foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa – CEP/SESA-HT sob o nº
244/2010 e os dados foram coletados no município de Cascavel Paraná, por meio de
entrevistas gravadas no ambiente de trabalho do enfermeiro, em um horário por ele
definido.
Como técnica de coleta de dados elegeu-se a entrevista semi-dirigida, orientada
por roteiro específico. Foram considerados como critério de inclusão dos sujeitos do
estudo: tempo de serviço na ASP, o qual deveria ser superior a seis meses; realizar a
puericultura em sua unidade; aceitar participar do estudo.
Antes da realização da entrevista foi apresentado aos sujeitos da pesquisa o
Termo de Consentimento Livre Esclarecido para assinatura, caso o este aceitasse
participar desta pesquisa.
Entre o período de dezembro de 2011 a fevereiro de 2012, desenvolveu-se o
teste piloto em que foram contatados os enfermeiros responsáveis pela realização da
Puericultura nas UBS do município, dois dos enfermeiros contatados recusaram-se a
participar e alguns se encontravam em período de férias. Assim os sujeitos do estudo
foram nove enfermeiros.
Após cada entrevista, estas foram transcritas e sistematizadas conforme
congruência e convergência das informações e a análise dos dados obedeceu aos
preceitos da análise temática proposta por Minayo (2006). Na análise de dados
emergiram três eixos temáticos: Acompanhamento da Saúde da Criança na UBS,
Acompanhamento da Saúde da Criança na UBS, educação continuada: componente
ANAIS DO I SENAPS
essencial para formação de recursos humanos. Contudo, neste trabalho optou-se por
apresentar o ultimo tema.
RESULTADOS
Dentre os nove enfermeiros entrevistados o tempo de experiência na UBS
variava de sete meses a doze anos. Estes profissionais relataram conduzir seu
atendimento à criança de 0 a 1 ano baseados em constante atualização de sua prática
profissional, acompanhamento de protocolos do município e em trabalho conjunto com
a equipe médica da unidade de saúde.
A educação continuada como componente essencial para formação de recursos
humanos foi um dos temas que emergiram neste estudo, mostrando a necessidade desse
recurso para promover a pratica clinica de enfermagem no acompanhamento do RN de
risco na APS.
Na avaliação clinica do RN de risco na unidade, os enfermeiros referiram
dificuldades tanto nas habilidades técnicas como científicas, como também referentes à
estrutura do sistema, a qual muitas vezes dificulta e retarda o acesso dos usuários ao
serviço de saúde. Ainda, o excesso de trabalho destes profissionais e a amplitude dos
problemas de saúde da população adscrita a unidade que deve ser atendida pelo
enfermeiro associada às questões administrativas e burocráticas, não permite dedicação
para a população infantil em específico. Como pode ser observado nos trechos a seguir:
[...] não vimos muito essa parte na graduação (avaliação RN de risco), mas a
gente acostuma um pouquinho [...] o peso é mais baixo [...] até um ano por
aí, diferenciado das outras crianças, acho que essa criança que ficou uns três
meses na UTI, ela sai de lá, está com três meses e poucas vezes, tem o peso
da criança de um mês, então a gente sabe a diferença, mas assim, é alguma
coisa, não no geral (E5).
[...] Com relação ao prematuro, não tem diferença entre o crescimento e o
desenvolvimento, a única coisa é que após ter saído da UTIN, em pouco
tempo ele recupera se for bem cuidado, aí que entra o papel enfermeiro com
o bebê prematuro. [...] com relação às complicações, nós não temos muito
conhecimento [...] após a internação é a questão do baixo peso, a questão da
ANAIS DO I SENAPS
medicação, da mãe fazer o uso em casa incorretamente [...] as questões
psicológicas que podem afetar o RN (E7).
[...] Se não (criança não consegue realizar os reflexos esperados para a
idade) vai pra fila, tem que marcar com o pediatra, se o pediatra achar que
tem que ver o neuro, é pior ainda, às vezes demora até um ano pra chegar até
o especialista. [...] os exames específicos são só lá no centro e pra chegar lá é
complicado também (E3).
Em relação ao tema educação continuada: componente essencial para formação
de recursos humanos, os sujeitos do estudo apontaram que para o acompanhamento da
saúde da criança nas UBS seja efetivo e eficaz, é preciso que além da estrutura física,
recursos materiais, apoio da gestão e organização do serviço, os profissionais de saúde
possuam habilidades técnico-científicas para desenvolver e subsidiar tal atividade.
Nesse sentido, afirmam sua necessidade de adquirir novas competências no que tange
ao cuidar da criança, seja ela de risco ou não. Apontando temas a serem trabalhados
pela educação continuada: cuidados com a mãe-filho; relacionamento entre estes;
avaliação do pré-termo; complicações e sequelas da prematuridade; avaliação
nutricional, aleitamento materno e crianças cardiopatas.
[...] são os aspectos psicológicos, tanto da criança quanto da família, que
aqui na UBS a gente não tem muita base pra isso (E9).
[...] desconheço as complicações da prematuridade. É claro que a criança
vinda da UTIN vai ter alguma, a gente aprende o básico, o desenvolvimento
normal e não aquele que a criança nasceu com baixo peso, muito baixo peso
totalmente [...] (E5).
[...] têm crianças que nunca sobe o peso, eu já vi casos de 3, 4 anos eles tão
abaixo do peso e a gente acompanha até hoje e eles recebem até o leite do
governo por causa disso, mas a gente tem que aprender o porquê disso (E5).
[...] alguns anos atrás (tive uma) criança cardiopata [...] tive que aprender
junto com ela os cuidados necessários (E7).
É possível observar a preocupante posição dos profissionais envolvidos no
acompanhamento do RN de risco na APS, os quais demonstram lacunas no
conhecimento relacionado às possíveis complicações decorrentes da prematuridade e
ANAIS DO I SENAPS
consequentemente, a total dificuldade de detectá-las precocemente e realizar as
intervenções necessárias.
Os enfermeiros apontam ainda, que a falta do trabalho em equipe, de articulação
entre o hospital e a unidade e a falha do sistema no que tange a referência e de contra
referencia são fatores que dificultam o desenvolvimento de ações efetivas ao cuidado da
criança na APS.
[...] há uma falta de comunicação entre o hospital e a UBS, a gente não sabe
o que aconteceu no hospital pra dar continuidade no trabalho aqui na UBS,
eu acho que o que falta é referência e contra-referência (E9).
[...] tivessem (toda equipe) preparadas para atender melhor a demanda. Não
sobrecarregando determinado profissional, nem o médico, nem o enfermeiro,
mas envolver a equipe inteira (E10).
Rocha (2011) observou em seu estudo que o elo entre os diversos pontos de
atenção dos serviços de saúde não é satisfatório, o que não é exclusividade do município
de Cascavel. Afirmando que há necessidade de avançar para uma efetiva interlocução e
integração entre a APS e atenção hospitalar, uma vez que tecer uma rede de cuidados à
essa população, garantindo o acesso aos serviços de saúde, a integralidade, a
resolubilidade adequada e que promova a equidade depende não só das equipes de
saúde, mas também do envolvimento da gestão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise de resultados relacionada à prática de acompanhamento do recémnascido de alto risco e a prática da equipe de enfermagem nos cuidados primários à
saúde, em específico neste estudo nas UBS do município de Cascavel-PR, nos
possibilitou o conhecimento sobre o atendimento e o esclarecimento das necessidades e
dos desafios da prática clínica.
Apesar de haver apoio do município mediante protocolos fornecidos referentes
ao acompanhamento de crianças na APS, os enfermeiros lidam com outros obstáculos,
os quais são diretamente ligados a um sistema falho que dificulta o acesso da população
ANAIS DO I SENAPS
aos serviços de saúde. Consequentemente, não há continuidade ao cuidado integral da
criança e da família. Assim como há lacunas no conhecimento de características
especificas desse grupo infantil, em que apesar do interesse dos participantes do estudo
em realizar a puericultura de forma completa, nem sempre isto se reflete na prática,
decorrente dessa lacuna do conhecimento técnico-cientifico. Portanto, além da atenção
que deve ser dada as questões de estrutura e organização do serviço de saúde, fica claro
que investimentos devem ser realizados na educação continuada dos recursos humanos
para que se cumpram as metas de acolher estes usuários e suas famílias, auxiliar na
recuperação, prevenindo complicações e promovendo a saúde.
Pode-se concluir, diante dos vários aspectos apresentados no estudo que a
atenção ao RN de risco na APS no município estudado, encontra-se fragilizada e
incorrendo na urgência da reorganização das redes de atenção ao RN de risco e de sua
família, bem como o aprimoramento das habilidades técnico-científicas dos
profissionais enfermeiros para que promovam uma prática clínica resolutiva e de
qualidade.
Palavras-chave: Criança, puericultura, saúde, recém-nascido de risco.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSIS, M. H.; MACHADO, J. C.; RODRIGUES, N. R. Perfis de mortalidade neonatal
precoce: um estudo para uma Maternidade Pública de Belo Horizonte (MG), 2001-2006.
Revista Brasileira Epidemiologia. [online]. 2008, v.11, n.4, p. 675-686. Disponível em: <
http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v11n4/13.pdf> Acesso em: 05 mar. 2010.
HAYAKAWA, L.M. et al. Incidência de reinternação de prematuros com muito baixo
peso nascidos em um hospital universitário. Escola Anna Nery, v.14, n.2, p.324-329,
jun. 2010.
MINAYO, M. C. de S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 9.
ed. São Paulo: Hucitec-Abrasco, 2006.
ANAIS DO I SENAPS
ROCHA, F.G. O Atendimento e o Acompanhamento da Saúde da Criança de Zero
a Dois Anos Realizada pelos Enfermeiros das Unidades Básicas de Saúde do
Município de Toledo-PR. Monografia (Especialização em Saúde Pública). Cascavel:
UNIOESTE, 2011.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
O CUIDADO DAS CRIANÇAS E OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA
ATENÇÃO BÁSICA DE CASCAVEL - PR
Phallcha Luízar Obregón94
Beatriz Rosana Goncalves de Oliveira Toso2
Cláudia Silveira Vieira2
Claudia Ross2
INTRODUÇÃO:
A literatura internacional é rica em evidências que mostram que os sistemas de
saúde que possuem uma Atenção Primária à Saúde – APS fortalecida são mais efetivos1,
2
.
De acordo com Starfield2, as principais características dos serviços de APS são
constituídas pelos atributos essenciais como: acesso de primeiro contato do indivíduo
com o sistema de saúde, longitudinalidade, integralidade e coordenação da atenção.
Ainda considera os atributos derivados como orientação familiar, orientação
comunitária e competência cultural. Estudos4 apontam que a avaliação destes atributos
está relacionada com a prática assistencial dos serviços de APS.
No Brasil, a Atenção Primária à Saúde é também denominada Atenção Básica.
De acordo coma Política Nacional de Atenção Básica3, e a regulamentação da Lei
8.0804 a Atenção Básica é entendida como porta de entrada preferencial dos usuários
para o sistema de saúde, possibilitando o acesso universal e contínuo a serviços de
qualidade e resolutivos. A Atenção Básica à Saúde – ABS – constitui “um conjunto de
ações, de caráter individual ou coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos
sistemas de saúde, voltadas para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o
tratamento e a reabilitação”. No Brasil, a Atenção Básica é representada pelas Unidades
94
Professora, Doutora do Curso de Medicina – CCMF, Unioeste, Campus de Cascavel. Contato:
[email protected] Fone: 45- 88015923
2 Professora, Doutora do Curso de Enfermagem – CCBS, Unioeste, Campus de Cascavel.
ANAIS DO I SENAPS
Saúde da Família (USF) e o modelo tradicional representado pelas Unidades Básicas de
Saúde (UBS). A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do
modelo
assistencial,
operacionalizada
mediante
a
implantação
de
equipes
multiprofissionais em unidades básicas de saúde.
Os profissionais da Atenção Básica constituem uma importante força de trabalho
no contexto do Sistema Único de Saúde – SUS. Seu processo de trabalho é bastante
peculiar, no qual interagem habilidades técnicas e relações interpessoais. Os
profissionais da atenção básica devem ser capazes de planejar, organizar, desenvolver e
avaliar ações que respondam às necessidades da comunidade.
Evidências demonstram que receber atendimento continuado num mesmo
serviço e pelos mesmos profissionais faz com que os pacientes obedeçam melhor às
orientações médicas, utilizem menos serviços de urgência/emergência e tenham menos
hospitalizações do que os que não possuem este tipo de atendimento1.
A atenção à saúde da criança representa um campo prioritário dentro dos
cuidados à saúde das populações. As atividades profissionais estão centradas no
pediatra que atende geralmente uma demanda para a assistência curativa,
particularmente, de vida a problemas respiratórios e doenças infecciosas, reduzindo a
eficiência deste profissional para atendimento preventivo e funções de educação em
saúde2. Embora os atendimentos estejam fortemente centrados no profissional médico,
observa-se uma maior participação dos enfermeiros que desenvolvem programas como
puericultura e imunização; os odontólogos, que desenvolvem atividades de saúde bucal
e os assistentes sociais que atendem famílias de crianças em situações de risco biológico
e/ou social5.
É crescente o consenso entre os gestores e trabalhadores do SUS, de que a
formação, o desempenho e a gestão dos recursos humanos afetam profundamente a
qualidade dos serviços prestados e o grau de satisfação dos usuários.
ANAIS DO I SENAPS
Considerando a importância destes profissionais na ABS em relação ao cuidado
das crianças faz-se necessário, portanto, um conhecimento do perfil desses profissionais
integrantes do corpo de recursos humanos dos serviços.
O presente estudo faz parte do projeto de pesquisa multicêntrico: “Avaliação da
Efetividade da Atenção Primária em Saúde da Criança”, sendo desenvolvido nos
municípios de Cascavel, Londrina e Paraíba e coordenado pelo grupo de pesquisa em
Enfermagem Materno-Infantil da Unioeste.
OBJETIVO
Delinear o perfil dos pediatras e enfermeiros da rede de atenção básica do
Município de Cascavel.
METODOLOGIA
Trata-se de estudo descritivo, de abordagem quantitativa com enfoque nos
pediatras e enfermeiros que atuam nas UBS da área urbana do Município de Cascavel.
Os dados foram obtidos a partir de fontes secundarias na Secretaria de Saúde do
Município de Cascavel8 no período de agosto a dezembro de 2012. Como variáveis
avaliadas foram consideradas as seguintes: idade, sexo, tempo de vínculo com a
Prefeitura, carga horária semanal nas UBS e o local (UBS) onde desenvolvem as
atividades. Os dados coletados foram sistematizados e inseridos em planilhas de dados
no Programa Excel, versão 2010.A análise estatística dos dados contemplou uma
abordagem quantitativa mediante verificação de frequência simples e valor absoluto,
cujos resultados foram organizados em gráficos e são apresentados no item resultados.
RESULTADOS:
Descrição do Munícipio de Cascavel: A cidade de Cascavel localiza-se na região oeste
do estado do Paraná, distante 500 km da capital, e apresenta uma área de 2.100,83 km²,
com população de 286.205 habitantes, segundo o censo do IBGE do ano 20106. Na
ANAIS DO I SENAPS
atenção à saúde, o município de Cascavel tem uma ampla rede de serviços incluindo
unidades básicas de saúde, unidades de saúde da família urbanas e rurais; unidades de
pronto-atendimento continuado ao nível da atenção secundária, denominadas Unidades
de Pronto-atendimento (UPAs); centro regional de especialidades; clínicas privadas das
mais diversas especialidades e hospitais, tanto privados, conveniados ao Sistema Único
de Saúde, quanto públicos e filantrópicos7,8.
Atualmente, na rede de Atenção Básica são 36 unidades, sendo 14 equipes do
Programa Saúde da Família (PSF), dentre elas cinco em área urbana (Morumbi e Santo
Onofre com duas equipes cada unidade, Canadá e Esmeralda com uma equipe cada
unidade, estas últimas USF iniciaram suas atividades em julho de 2012) e nove
unidades na área rural ( Juvinópolis, Rio do Salto, Sede Alvorada, São Salvador, Santa
Bárbara, São Francisco, Navegantes, São João, Espigão Azul),e 23UBS na área urbana
(Aclimação, Brasmadeira, Cancelli, Claudete, Cascavel Velho, Cataratas, Colmeia,
Faculdade, Floresta, Guarujá, Interlagos, Los Angeles, Pacaembu, Palmeiras, Parque
Verde, Periolo, Parque São Paulo,Santa Cruz, Santa Felicidade, Santos Dumont, São
Cristovão, Vila Tolentino - antiga Neva -, XIV de Novembro). Ainda há previsão de
funcionamento de USF Lago Azul para 2013 que no momento encontra-se em fase de
implementação.
No período de 2011 a 2012, a Secretaria de Saúde do Município de Cascavel
realizou a territorialização8 nas unidades de saúde e estimou uma população de 321.843
habitantes para a zona urbana e de 21.741 habitantes para a zona rural. Em dezembro de
2012, a cobertura da atenção básica do município de Cascavel8 foi de 47,69%.
As UBS tradicionais contam com profissionais médicos nas áreas de Pediatria,
Ginecologia-Obstetrícia e um Clínico geral ou generalista. Enquanto que nas Unidades
de Saúde de Família, as equipes são formadas por médico, enfermeira, auxiliar de
enfermagem e agentes comunitários de saúde.
Na rede de atenção básica, o atendimento é de segunda a sexta feira com
horários diferenciados, sendo que 83% (19) das UBS funcionam das 07:00 às 19:00 Hs.
ANAIS DO I SENAPS
Apenas as UBS Santa Cruz, Floresta, Guarujá e Cascavel Velho (em reforma no período
da pesquisa) apresentaram um horário que se estendia das 07:00 Hs às 22:00 Hs. Por
sua vez, as USF funcionam das 08:00 às 12:00 Hs e das 13:00 Hs ás 17:00 Hs. Desta
forma, o acesso a estas unidades é limitado a cinco dias da semana em horários restritos.
Características dos profissionais de saúde
As informações referem-se aos profissionais que atuam nas 23 UBS da área
urbana do Município de Cascavel. Ao todo foram 58 profissionais de saúde, dos quais
17 (29,3%) são médicos e 41 (70,7%)enfermeiros. No momento da pesquisa duas
unidades de saúde (Palmeiras e Cataratas) encontravam-se sem pediatra.
A média da idade entre os pediatras foi de 46 anos, sendo a idade mínima de 32
anos e a máxima de 68 anos. Enquanto que para os enfermeiros a média da idade foi de
36 anos, sendo 26 anos a idade mínima e 55 anos a idade máxima. A Figura 1 apresenta
a distribuição dos profissionais de saúde segundo a faixa etária. Observa-se que o maior
número de trabalhadores por faixa etária concentrou-se no grupo de 30 a 39 anos para
ambas as categorias de profissionais. Destaca-se que não há médicos menores que 30
anos devido talvez ao fato que nessa faixa etária a maioria dos médicos está realizando a
residência e na faixa etária acima de 40 anos a proporção é quase um médico por
enfermeiro.
ANAIS DO I SENAPS
Figura 1 - Profissionais de Saúde segundo faixa
etária.
20
15
10
12
5
7 17
4
0
7
6
5
0
20 - 29
30 - 39
Pediatra
40 - 49
Enfermeira
> 50
O ingresso dos profissionais de saúde à rede de atenção básica é por concurso
público, cuja permanência é variável, como mostrado na Figura 2. A maioria dos
médicos (59%) está vinculada a UBS entre 1 e 5 anos, podendo estar associada a
rotatividade dos médicos na atenção básica como apontada em alguns estudos9,10, onde
são ressaltados a influência de fatores individuais (profissional e pessoal), de
organização e de mercado de trabalho. Por outro lado, o quadro de enfermeiros mostra
certa regularidade na distribuição deles com o tempo, sendo que maioria está entre 1 e
10 anos de contrato com a Secretaria de Saúde do município de Cascavel, além de uma
expressiva contratação de enfermeiros no ano de 2012.
ANAIS DO I SENAPS
Gráfico 2 - Profissionais da saúde e o tempo de
vínculo com o Município de Cascavel
14
12
10
13
14
8
6
8
4
6
10
5
2
0
1
< 1 ano
1
1 - 5 anos
Pediatra
6 - 10 anos
> 11 anos
Enfermeira
Em relação à jornada de trabalho, o contrato de trabalho de 40 horas inclui 53%
dos médicos (17) e 10 % dos enfermeiros (41). Em relação aos médicos também existe
o contrato para 15 e 20 horas semanais. No caso dos enfermeiros, a grande maioria
(90%) tem um contrato de 30 horas semanais. Os enfermeiros com vínculo de 40 horas
tem a função de coordenação da Unidade Básica de Saúde. Ainda, 41% dos enfermeiros
são responsáveis pela equipe PACS da unidade onde se encontram e 49% dos
enfermeiros realizam as atividades de atenção.
A distribuição de UBS por número de enfermeiros é mostrada na Figura 3.
Todas as UBS contam com pelo menos um enfermeiro, porém a grande maioria das
UBS (11 das 23) conta com duas enfermeiras.
ANAIS DO I SENAPS
Figura 3 - Distribuição de UBS por número de
enfermeiros
Número de UBS
12
10
8
6
9
11
4
2
2
0
Uma
enfermeira
Duas
enfermeiras
Três
enfermeiras
1
quatro
enfermeiras
Quanto a distribuição dos médicos em relação ao número de UBS, 93% das UBS
contavam com pediatra no momento da pesquisa e apenas 2 das 23UBS estavam sem
pediatra (Cataratas e Palmeiras). Desta forma, as crianças destas áreas que precisavam
de atendimento eram encaminhadas para as unidades mais próximas da sua residência
ou para as UPAS (Unidade de Pronto Atendimento). A forma da distribuição dos
médicos (17) é não uniforme entre as UBS. Assim, 71% dos pediatras atendiam
exclusivamente em uma UBS específica, enquanto que 24 % dos pediatras atendiam em
duas UBS e 5% atendiam em 3 UBS. Dessa forma entende-se que embora o município
conte com poucos pediatras, o atendimento na maioria das UBS foi garantido empelo
menos um período do dia.
Em relação aos períodos de atendimento dos pediatras, havia 48% das UBS
(Aclimação, Cancelli, Colmeia, Faculdade, Guarujá, Pacaembu, Parque São Paulo,
Santa Felicidade, São Cristóvão e Vila Tolentino) com atendimento matutino,
entretanto, em 33% das UBS (Brasmadeira, Cascavel Velho, Claudete, Interlagos, Los
Angeles, Parque Verde e XIV de Novembro)acontecia o atendimento vespertino e em
ANAIS DO I SENAPS
19% das UBS (Floresta, Periolo, Santa Cruz e Santos Dumont) o atendimento era
esporádico em ambos os períodos.
O treinamento dos profissionais de saúde é considerado como eixo estratégico
para o aumento de resolutividade e para a qualificação da APS, permitindo o
desenvolvimento de habilidades ou competências técnicas em áreas específicas. No
município de Cascavel, no ano 2012, houve apenas 02 capacitações direcionadas para os
profissionais da atenção básica: a Oficina Mãe Paranaense e a Capacitação sobre
Síndromes Respiratórias.
CONCLUSÕES
As UBS oferecem uma diversidade de serviços estabelecendo-se como porta de
entrada para o sistema de saúde, no entanto elas enfrentam problemas que
comprometem a condição da APS como entrada preferencial do sistema, como por
exemplo, horários restritos de funcionamento. Quanto aos profissionais de saúde, as
unidades não possuem uniformidade quanto à distribuição do número de recursos
humanos envolvidos, nem quanto à relação profissionais/população, havendo a
necessidade de promover ampliação da oferta destes profissionais, especialmente
pediatras nas UBS do município. A falta destes profissionais compromete o atributo da
longitudinalidade na continuidade do cuidado das crianças. Conclui-se que há a
necessidade de investimentos na rede municipal, visando fortalecer os atributos da
Atenção Básica.
Palavras Chave: Serviços de Saúde, Atenção Primária à Saúde, Saúde da Criança,
Profissionais de Saúde.
REFERÊNCIAS
1. MCWHINNEY, I. R. Medicina de família. Barcelona: Mosby/Doyma Libros; 1995.
2. STARFIELD, B. Atenção Primária: equilíbrio entre necessidades de saúde,
serviços e tecnologia. Brasília: Unesco, Ministério da Saúde; 2004.
ANAIS DO I SENAPS
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM no 2.488 GM/MS de 21 de outubro de
2011.Dispõe sobre a Política Nacional de Atenção Básica. Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 24 out. 2011. Seção 1. no 204 p. 48.
4._______. Presidência da República. Decreto 7.508, de 28 de junho de 2011.
Regulamenta a Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a
organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à
saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências.
5. _______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Ações programáticas Estratégicas. Agenda de compromissos para a saúde integral da
criança e redução da mortalidade infantil. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.
6. IBGE. Cidades. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1> Acesso em: 24abr. 2013.
7. CASCAVEL. Prefeitura Municipal de Cascavel. Dados da territorialização e outras
informações. Secretaria de Saúde. Cascavel/PR, 2012.
8. _______. Prefeitura Municipal de Cascavel. Unidades de Saúde. Secretaria de
Saúde.
Cascavel/PR,
2012.
Disponível
http://www.cascavel.pr.gov.br/secretarias/saude/pagina.php?id=136>
em:
Acesso
em
dezembro de 2012.
9. HARZHEIM, E; STEIN, A.T.; ÁLVAREZ-DARDET, C. A efetividade dos atributos
da atenção primária sobre a saúde infantil. Boletim da Saúde. Porto Alegre, v.18, n.1,
p. 23-40, Jan./Jun. 2004.
10. PERPÉTUO, I.H.O; COELHO DE OLIVEIRA, A; RIBEIRO, M.M; RODRIGUES,
R.B. A categoria profissional dos médicos: fatores condicionantes da sua atração e
fixação na Atenção Primária à Saúde em Minas Gerais. Belo Horizonte:
Observatório de Recursos Humanos em Saúde do Nig.One/UFMG, 2009. 140 p. : il.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
ACIDENTES AUTOMOBILÍSTICOS ENTRE MENORES DE 10 ANOS NA
CIDADE DE MARINGÁ, PARANÁ
Renata Andrade Teixeira2
Ana Cleide Soares Victor95
Amanda Amaral Bacaro96
Bárbara Alves Gaino2
Jucemeri Teixeira de Melo2
Mariana Calça Evaristo2
INTRODUÇÃO
Os acidentes de trânsito representam relevante papel no conjunto das principais
causas
de
morbimortalidade
no
mundo
contemporâneo.
O
aumento
da
morbimortalidade, devido à violência no trânsito, já é considerado uma epidemia, pela
sua extensão e conseqüências para o indivíduo, para a família e para a sociedade.
Segundo Dantas1, os acidentes de trânsito constituem um sério problema de
saúde pública em nações desenvolvidas, porém, o país detentor do título de campeão
mundial de acidentes de trânsito é o Brasil. Em 2004 a OMS divulgou um relatório
mundial apresentando as taxas de mortalidade de vários países, no qual o Brasil ocupou
o quinto lugar no ranking mundial2.
Conforme a última atualização do DATASUS3, em 2007 foram registrados
38.419 óbitos por acidentes de trânsito no Brasil, o que equivale a uma taxa de
mortalidade de 20,2 (óbitos por 100.000 habitantes). No Estado do Paraná foram
registrados 3.196 óbitos por acidentes automobilísticos no mesmo ano, uma taxa de
mortalidade de 30,2, a quinta maior do país.
95
Enfermeira. Mestra. Professora Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Enfermagem da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Maringá, Paraná, Brasil.
96
Enfermeiras. Alunas do Curso de Pós-Graduação em Enfermagem em Urgência e Emergência da PUCPR, Maringá, Paraná, Brasil.
Endereço para correspondência: Rua Paranaguá, 1058, apt. 63,Londrina - PR, Brasil -cep: 86020-030
E-mail: [email protected]
ANAIS DO I SENAPS
O Laboratório de Segurança Viária4 traz que “os acidentes automobilísticos
estão entre as cinco principais causas de morbimortalidade pediátrica, sendo
responsáveis por 50% da mortalidade de crianças maiores de um ano”.
“Nos países desenvolvidos, quase metade das lesões não intencionais em
crianças está relacionada a acidentes de transporte, sendo os acidentes de trânsito a
principal causa de morte entre 1 e 14 anos de idade”5
Oliveira5 confirma a criticidade desta situação apontando que “dados
internacionais afirmam que a maioria das crianças que morreram em acidentes de
trânsito era transportada sem uso de dispositivo de retenção infantil”. Em outro estudo
publicado em 2009, Oliveira6 alerta que estas crianças em questão estão sujeitas à
ejeção e possíveis colisões com passageiros e partes do carro no caso de acidentes,
frenagem ou curvas.
Assim, desde o início dos anos 90, tem aumentado o interesse por pesquisas que
buscam o conhecimento dos fatores pelos quais os acidentes ocorrem, bem como das
características próprias de determinados acidentes, visando à prevenção. Desta forma,
os estudos epidemiológicos com coleta de dados possibilitam qualificar e identificar
fatores de risco dentro de um enfoque preventivo 7,8.
Em relação à cidade de Maringá, os dados obtidos através da Secretaria de
Transito (SETRAN)9, mostram que o número de acidentes com vítimas aumentou de
2736 em 2005 para 3454 em 2009, porém a caracterização por faixa etária não é
especificada.
Assim, uma análise mais específica do panorama dos acidentes envolvendo
crianças de 0 a 10 anos se faz necessária, como base de dados para programas de
prevenção de acidentes de transito e conscientização quanto ao uso de dispositivos de
retenção infantil (DRI).
OBJETIVO
ANAIS DO I SENAPS
Caracterizar os acidentes automobilísticos com crianças de zero a dez anos, no
município de Maringá - Pr.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de natureza analítico-epidemiológica, com abordagem
quantitativa. A coleta de dados foi realizada no 15° Batalhão do Corpo de Bombeiros da
cidade de Maringá, Paraná, no ano de 2010. Foram avaliados retrospectivamente os
“Registro de Atendimento do Socorrista” (RAS), abrangendo os anos de 2005 a 2009.
Foram admitidos na pesquisa os RAS de todas as crianças de zero a dez anos,
vítimas de acidente automobilísticos, atendidas pelo Serviço Integrado de Atendimento
ao Trauma (SIAT). As variáveis utilizadas foram: ano; mês; sexo; idade; posição no
veículo; ejetado: sim/não; uso de cinto de segurança: sim/não; uso de dispositivo de
retenção infantil (DRI): sim/não; escala de coma de Glasgow; escala de trauma;
principais lesões; sinais clínicos e destino da vítima. As informações coletadas foram
repassadas em planilha previamente elaborada, realizando-se, posteriormente, a análise
estatística dos dados.
RESULTADOS
Foram analisados 315 RAS e os dados coletados mostraram que o maior número
de acidentes envolvendo crianças ocorreu no ano de 2009, 78 casos (24,76%), sendo
que janeiro, julho e dezembro foram os meses com maior número de ocorrências desse
tipo, 30 (9,52%), 31 (9,84%) e 30 (9,52%) respectivamente, praticamente um acidente
por dia do mês. Ainda observou-se que 164 (52,06%) eram crianças do sexo masculino
e a faixa etária de 6 a 8 anos foi a que apresentou maior número de vítimas de acidentes
automobilísticos 84 (26,67%).
Quanto à posição no veículo no momento da colisão, 257 indivíduos (83,71%)
estavam no banco traseiro enquanto 50 (16,29%) localizavam-se no banco dianteiro. O
estudo mostrou que a minoria das crianças fazia uso de DRI no momento da colisão,
ANAIS DO I SENAPS
apenas 12 (3,81%). Esta minoria também foi constatada em relação ao uso do cinto de
segurança, apenas 79 crianças (25,08%) faziam uso, enquanto 123 (39,05%) não o
usavam.
Dos 117 RAS em que constou a informação se a criança foi ejetada ou não,
constatou-se que houve 8 ejeções (2,54%). A maioria dos relatórios 198 (62,86%) não
continha essa informação. De acordo com a Escala de Coma de Glasgow, observou-se
que 86,98% das vítimas estavam conscientes, Glasgow 15 e na Escala de Trauma,
63,81% encontravam-se no nível 12(trauma leve).
As crianças que estavam no banco dianteiro, 16 (5,08%) eram crianças de 6 a 8
anos. Ainda sobre as crianças que estavam sentadas no banco dianteiro, 2 (0,63%)
destas foram ejetadas, nenhuma (0,0%) utilizava qualquer tipo de DRI e somente 14
(4,44%) estavam fazendo uso do cinto de segurança. Das crianças que estavam no
banco traseiro, 6 (1,9%) foram ejetadas, somente 12 (3,81%) fazia uso de DRI, 64
(20,32%) usavam o cinto de segurança e 104 (33,02%) não usavam.
Constatou-se ainda que na faixa etária compreendida entre 0 a 1 ano, 7 crianças
(2,22%) faziam uso de DRI e 7 (2,22%) não o faziam. Entre as crianças de 4 a 5 anos,
somente 1(0,32%) usava DRI, o mesmo valor encontrado para crianças de 9 a 10 anos.
Apenas 3 (0,95%) das crianças entre 2 a 3 anos usavam DRI e, em relação a faixa etária
compreendida entre 6 a 8 anos, nenhuma das crianças (0,00%) estava usando DRI.
No presente estudo observou-se grande número de crianças de 6 a 8 anos que
não usavam o cinto de segurança, 42 (13,33%). Podemos observar também que em
todas as faixas etárias a quantidade de crianças que não usavam o cinto de segurança no
momento da colisão é maior do que as que usavam. Outra constatação é que uma das
crianças que estava usando o cinto de segurança foi ejetada. Por último, 35 crianças
(11,11%) não faziam uso nem de cinto de segurança e nem de DRI.
Outra informação relevante é que nenhuma das crianças que usavam DRI no
momento da colisão foi ejetada e das 8 crianças ejetadas, 3 não usavam DRI, as outras 5
não foi informado.
ANAIS DO I SENAPS
O estudo mostrou ainda que as maiores proporções de lesões foram em áreas do
crânio e face, como escoriações no crânio que corresponderam a 2,64%, escoriações de
face 4,15%, ferida corto-contuso no crânio 4,15%, ferida corto-contuso face 7,55%,
contusão no crânio 16,04% e contusão face 10,38%.
CONCLUSÕES
Ao realizar a caracterização dos acidentes automobilísticos com a presença de
crianças de 0 a 10 anos, foram detectados aspectos importantes que devem ser
considerados quando se pretende atuar na prevenção de acidentes automobilísticos e na
redução das lesões provocadas por acidentes desse tipo, bem como na redução dos
óbitos. Sabemos que a violência no trânsito representa um grave problema de nossa
sociedade. Ocorre a cada instante e, indubitavelmente, a sociedade dispõe de condições
necessárias e suficientes para apresentar soluções e reduzir os seus efeitos, como o uso
do cinto de segurança, e os dispositivos de retenção infantil. Porém, esta pesquisa
mostrou que, apesar da legislação vigente determinar o uso de cinto de segurança e DRI
e as estatísticas mostrarem a eficácia destes na prevenção de lesões graves e óbitos,
grande parte das crianças ainda são transportadas sem a devida segurança, correndo
risco de morte. O que é pior, os próprios pais e cuidadores, são os que negligenciam o
uso destes mecanismos de proteção.
Levando em conta a proporção do corpo da criança e a sua cabeça, o risco, ou
melhor, a vulnerabilidade, da criança sofrer lesões em crâneo e devido ao acidente de
trânsito e permanecer com complicações graves é muito alta. Todo esse ônus pode ser
evitado através de ações de prevenção e promoção da equipe de saúde, principalmente
no âmbito da atenção primaria, no qual a criança é acompanhada frequente e
continuamente. Neste contexto e, uma vez que nosso comportamento é primordialmente
o resultado da educação que recebemos, considera-se a necessidade de ações no âmbito
da educação, conscientização e fiscalização, o que representam um desafio diante da
atual situação.
ANAIS DO I SENAPS
Ressalta-se a importância da equipe de saúde no que diz respeito às orientações
que os pais precisam receber quanto a prevenção de acidentes de trânsito envolvendo
crianças. Seja desde a orientação em pré-natal, orientando a família sobre como trazer
essa nova criança para casa, seja orientando conforme o crescimento e desenvolvimento
desta criança sobre os diferentes DRI conforme a faixa etária. Estas informações fazem
parte das orientações que devemos dar aos pais quanto à prevenção de acidentes.
Palavras-chave: Acidentes de Trânsito; Crianças; Dispositivo de Retenção
Infantil; Cinto de segurança.
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Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
ASSISTÊNCIA À SAÚDE DA CRIANÇA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Sara Alves Ribeiro ¹
Claudia Ross²
INTRODUÇÃO
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990); criança é a
pessoa com até doze anos de idade incompletos. As crianças têm todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana, entendendo os mesmos estando em
desenvolvimento. São assegurados, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades
e facilidades, a fim de possibilitar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e
social, em condições de liberdade e de dignidade (BRASIL, 1990).
Eles têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas
sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso,
em condições dignas de existência. Tem assegurado atendimento integral à saúde, por
intermédio do SUS, os portadores de deficiência receberão atendimento especializado
(BRASIL, 1990).
O entendimento da criança como ser em permanente desenvolvimento é
resultado de um longo processo que envolveu transformações na organização social, das
famílias, alcançando as políticas públicas, que permitiram a adoção de práticas e
condutas para esse processo de mudanças. Estas práticas referiram-se à assistência, à
saúde e à educação, ao validarem, como opção ao enfrentamento da questão social da
criança, a adoção de um caráter universal, obrigatório e de responsabilidade do Estado
para com a população infantil (ERDMANN; SOUSA, 2009).
¹ Enfermeira Trainee, Hospital policlínica de Cascavel, (45) 9904-6196, [email protected]
² Professora Doutora, Colegiado de Enfermagem da Unioeste – Campus Cascavel.
OBJETIVOS
ANAIS DO I SENAPS
Realizar pesquisa bibliográfica acerca da temática: assistência à saúde da criança
na atenção primária à saúde.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão bibliográfica, recorte do trabalho de conclusão de curso
em enfermagem.
RESULTADOS
O Ministério da Saúde ao longo dos anos tem procurado através de políticas
públicas diferenciadas para atender as necessidades dos diversos segmentos
populacionais, em especial os idosos, mulheres e crianças (BRASIL, 2004).
As crianças são alvo de preocupação de profissionais da saúde, gestores e
políticos. As políticas de saúde voltadas a essa faixa etária são atreladas as políticas
sociais de um modo geral. Sendo que os programas desenvolvidos buscam oferecer um
atendimento médico mais humano e de melhor qualidade para as nossas crianças
(BRASIL, 2004; SILVA, 2006; PINA et al., 2009).
A atenção à saúde a esta faixa etária sofre transformações, sendo influenciada
por cada período histórico, assim como pelos avanços do conhecimento técnicocientífico, pelas diretrizes das políticas sociais e pelo envolvimento de vários agentes e
segmentos da sociedade. Ao longo das últimas décadas do século passado, foi evidente
a evolução ocorrida na implementação de políticas assistenciais no país. Com ações de
promoção do crescimento e desenvolvimento infantil saudáveis, enfocando a vigilância
da saúde das crianças e o cuidado às doenças prevalentes, articulada às diretrizes do
PSF (FIGUEIREDO; MELLO, 2007; PINA et al., 2009).
A promoção da saúde integral da criança esta além de preocupação com a
redução da mortalidade na infância, sendo que engloba o compromisso mútuo entre
instituições governamentais e sociedade em prol da qualidade de vida da criança (PINA
et al., 2009; NOVACZYK; DIAS; GAÍVA, 2008).
ANAIS DO I SENAPS
A assistência à saúde da criança, primeiramente, foi baseada em ações
programáticas, convergiu-se numa proposta de atenção primária reducionista provida
por pessoal de baixa qualificação profissional e portanto, a não efetivação das ações
básicas, seja pelo despreparo técnico ou pelo reduzido número de trabalhadores ou pelos
pequenos investimentos políticos na atenção primária à saúde (FIGUEIREDO;
MELLO, 2003).
Sendo que a Política de Atenção à Criança sempre esteve ligada à saúde
materna, definida como política de Saúde Materno-Infantil (ERDMANN; SOUSA,
2009). A Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, como se apresenta
hoje, foi denominada em 1998, mas sua história vem sendo construída há décadas,
passando por uma série de mudanças de nomenclatura e gestão. A área é subordinada ao
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), da Secretaria de Atenção
à Saúde (SAS), do Ministério da Saúde (MS) (BRASIL, 2011).
Em 1984 foi implantado o Programa de Assistência Integral a Saúde da Criança
- PAISC, este elaborado com base na análise das condições sanitárias e epidemiológicas
da população; com enfoque nas ações básicas de saúde de alto custo-efetividade
(FIGUEIREDO; MELLO, 2003; FIGUEIREDO; MELLO, 2007).
O objetivo quando se apresentou esta proposta, era deslocar o enfoque de uma
assistência médico-curativista, centrada na atenção à demanda espontânea às crianças
doentes para garantir a integralidade na assistência prestada pelos serviços de saúde;
possibilitando a criação de elos entre a população e os serviços de saúde, através do
acompanhamento sistemático do crescimento e desenvolvimento de crianças menores
de 5 anos de idade (FIGUEIREDO; MELLO, 2003; PINA et al., 2009).
O PAISC foi preconizado, com objetivo mais amplo de reduzir a
morbimortalidade na faixa etária até cinco anos, sendo considerado uma política
universal, porque visava o beneficio e alcance de toda população infantil brasileira, a
fim de incrementar a capacidade resolutiva dos serviços de saúde na atenção à criança
(LACOSKI; HONER, 2005; PINA et al., 2009).
ANAIS DO I SENAPS
É inegável a contribuição do PAISC na redução da taxa de mortalidade infantil,
pois, após sua implementação, a mortalidade infantil caiu de 70.9 para 47.6 por 1000
NV, no início dos anos 1990. Esse programa era destinado a problemas de fácil
resolutividade, dependente apenas de ações governamentais tais como o saneamento
básico, o acesso aos serviços de saúde e a informação (CABRAL; AGUIAR, 2003).
A mortalidade infantil, a partir da década de 90, passa a ter uma redução mais
lenta indicando que somente as ações do PAISC não são mais suficientes. Isso explicase pelo fato de ter ocorrido uma mudança nos determinantes da taxa de mortalidade
infantil, antes da diarreia e infecções respiratórias para as afecções perinatais
(CABRAL; AGUIAR, 2003).
Nos anos 90, foram incorporadas ações específicas em estratégias de reforço à
atenção básica, com a finalidade de apresentar um novo paradigma de modelo
assistencial, como o PACS e o PSF, apontado para a necessidade de um trabalho amplo
e integrado. Abrangem ações destinadas a melhorar a atenção prestada e a reduzir a
morbimortalidade na infância, implementados prioritariamente nos municípios com
maior risco para mortalidade infantil (BRASIL, 2003).
Percebeu-se ser o PSF um campo propício à incorporação da estratégia de
Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), adotada no Brasil em
1996, onde foram priorizados os municípios com mortalidade infantil acima de 40 por
mil nascidos vivos nos municípios que aderirem a essa estratégia e municípios com o
PSF e PACS (CABRAL; AGUIAR, 2003; FIGUEIREDO; MELLO, 2007).
Trata-se de uma nova abordagem da atenção à saúde na infância, originalmente
desenvolvida pela OMS e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e a
Adolescência (UNICEF), caracterizando-se pela consideração simultânea e integrada do
conjunto de doenças de maior prevalência na infância, ao invés do enfoque tradicional
que busca abordar cada doença isoladamente, como se ela fosse independente das
demais doenças e do contexto em que encontra-se inserida, portanto, é diferente do que
ANAIS DO I SENAPS
acontecia com o PAISC, que interferia em problemas distintos (BRASIL, 2003;
CABRAL; AGUIAR, 2003).
Em 2002, o Ministério da Saúde lança o Caderno de Atenção Básica - Saúde da
Criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil; as medidas
preconizadas por essa integram-se as propostas pela estratégia AIDPI (FIGUEIREDO;
MELLO, 2007).
E em 2004, o MS lançou a Agenda de Compromissos para a Saúde Integral da
Criança e Redução da Mortalidade Infantil (FIGUEIREDO; MELLO, 2007).
Com o objetivo, de tornar o mesmo mais uma ferramenta de trabalho para ajudar
os gestores estaduais e municipais no processo de reorganização da rede de assistência à
infância em seus vários níveis quer se reforçar o compromisso com a promoção e
recuperação da saúde infantil, com estados e municípios para juntos construir um pacto
em prol da redução da mortalidade infantil e pela garantia de uma rede de assistência
pública integral, qualificada e humanizada (BRASIL, 2004).
No desenvolvimento de ações voltadas às crianças, um instrumento é a caderneta
de saúde da criança, importante no acompanhamento da saúde de cada indivíduo
(BRASIL, 2005).
Atualmente a assistência a saúde materna e da criança tem na rede cegonha a
busca pela integralidade, efetividade e resolutividade da assistência a estes grupos
específicos. Esta consiste numa rede de cuidados que visa assegurar à mulher o direito
ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao
puerpério, bem como à criança o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e ao
desenvolvimento saudáveis, focando nos seus primeiros 24 meses de vida. Foi pensada
com a intenção de organizar a rede de atenção à saúde materna e infantil, com a
finalidade de garantir acesso, acolhimento e resolutividade. Assim como pretende
reduzir a mortalidade materna e infantil com ênfase no componente neonatal (BRASIL,
2011).
ANAIS DO I SENAPS
Historicamente, em países em desenvolvimento os programas de assistência à
saúde têm se apresentado, quase sempre sob a forma de cuidados médico-hospitalares,
para o tratamento da doença. Consequentemente os programas de atenção à saúde
infantil tem se caracterizado por ações e atividades também marcadamente
hospitalocêntricas. Após a Conferência realizada em Alma ata, passa-se a considerar os
cuidados primários à saúde, como essenciais (TRAPÉ; FUJIMORI; BERTOLOZZI,
2009).
As atividades de promoção e de atenção básica são fundamentais para a
melhoria da qualidade de vida e saúde da população e que as ações educativas
contribuem para o melhoramento das condições de saúde da população infantil; neste
processo a família deve estar inserida (SILVA; FREIRE; MACHADO, 2010).
O coeficiente de mortalidade infantil tem sido um indicador bastante utilizado
para avaliar o nível global de saúde, as condições de vida de uma população e a eficácia
dos serviços de saúde. Em que as taxas de mortalidade neonatal precoce associam-se,
direito de acesso e a qualidade dos serviços de saúde, da assistência pré-natal ao parto, e
as taxas de mortalidade pós-neonatal (28 dias a um ano), que encontra-se mais associada
às condições gerais de vida e saúde.(FRIAS; LIRA; HARTZ, 2005; BRASIL, 2006;
PINA et al., 2009).
No Brasil, nas últimas três décadas, houve um declínio da mortalidade infantil e
na infância; estes dados são decorrentes de várias ações, estratégias, incorporadas ao
longo dos anos (FRIAS; LIRA; HARTZ, 2005).
A partir de 1980, as campanhas de vacinação em massa, as medidas de estímulo
ao aleitamento materno, a terapia de reidratação oral, o combate às infecções
respiratórias e doenças diarreicas, maior acesso relativo à assistência médica e
hospitalar; elevação no nível de instrução da mãe e redução da fecundidade, entre
outras, somam-se, contribuindo com o decréscimo da mortalidade nas últimas décadas.
Houve uma mudança no perfil de causas de mortalidade infantil de 1980 a 2000. No
início da década de 80, as doenças infecciosas intestinais constituíam a principal causa
de morte, enquanto que, ao seu final, igualam-se às infecções respiratórias agudas. A
ANAIS DO I SENAPS
mudança foi decorrente principalmente do decréscimo da proporção dos óbitos por
doenças infecciosas e aumento das afecções perinatais (NORONHA; PEREIRA;
VIACAVA, 2005; FRIAS; LIRA; HARTZ, 2005).
No início da década de 1990, foi instituído na região nordeste como instrumento
de intensificação das ações voltadas para crianças e mulheres o PACS. Logo em seguida
em 1994, institui-se o PSF, apresentado como uma estratégia capaz de estimular a
mudança do modelo assistencial, sendo que no ano seguinte, passou a ser considerado
projeto prioritário de governo (FRIAS; LIRA; HARTZ, 2005).
Os índices de mortalidade infantil no país, mesmo que tenham sido reduzidos na
última década, ainda são altos, principalmente em algumas regiões como o Nordeste.
Onde as principais causas da mortalidade estão ligadas diretamente às condições
socioeconômicas e culturais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Sendo que a
maioria destas mortes precoces pode ser evitada (PINA et al., 2009).
CONCLUSÃO
Ao longo do tempo, percebe-se que em cada período histórico houve inúmeras
mudanças nas diretrizes das políticas de saúde voltadas à população infantil, há o
reconhecimento de que, apesar dos avanços alcançados, os indicadores revelam um
longo caminho a percorrer com vistas ao direito integral à saúde, assumido nas leis
brasileiras (BRASIL, 2004; FIGUEIREDO; MELLO, 2007; PINA et al., 2009).
PALAVRAS-CHAVE: Atenção básica. Resolutividade. Assistência à criança.
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PINA, J. C; MELLO, D. F; MISHIMA, S. M; LUNARDELO, S. R. Contribuições da
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Disponível em: <www.scielo.br/pdf/ape/v22n2/a05v22n2.pdf>. Acesso em12 de jul de
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TRAPÉ, C. A; FUJIMORI, E; BERTOLOZZI, M. R. O sistema único de saúde e as
políticas de atenção à saúde da criança. In: FUJIMORI, E; OHARA, C. V. S (org).
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2009.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
INTEGRALIDADE DO CUIDADO A CRIANÇA NA ATENÇÃO PRIMARIA
EM SAÚDE EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE97
Scaleti Vanessa Brisch98
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso99
Cláudia Silveira Viera3
Cláudia Ross3
Phallcha Luízar Obregón3
INTRODUÇÃO
Estudo sobre a efetividade da atenção primária em saúde para crianças, que trata
do principio da Integralidade, o qual diz respeito ao atendimento de forma integral pela
equipe de saúde, executando atividades de prevenção, promoção, cura e reabilitação. A
Atenção Básica, aqui tratada como sinônimo de Atenção Primária em Saúde (APS)
caracteriza-se por conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que
abrangem promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico,
tratamento, reabilitação e manutenção da saúde (BRASIL, 2007). Pode ser definida
como conjunto indissociável de elementos estruturantes, os atributos do sistema de
serviços de saúde, que são: acesso de primeiro contato, integralidade, longitudinalidade,
coordenação, orientação familiar e comunitária e competência cultural (STARFIELD,
2002). No artigo 198, do texto constitucional, a integralidade aparece como umas das
diretrizes do sistema único de saúde, a qual expressa um atendimento de forma integral,
enfocando ações preventivas sem que ocorram danos aos serviços assistenciais
(BRASIL, 1988 apud ALBUQUERQUE; STOTZ, 2004). Teixeira (2011) coloca que a
97
Agradecimentos a equipe da pesquisa que não pode ser nominada na autoria em função da limitação do
número de co-autores: Ana Carolina de Souza, André Luiz Soares, Andreia Carrer, Bruna Regina Bratti
Frank, Caroline Wink Sotti, Denise de Fátima Hoffmann Rigo, Henrique S. Shiroma, Jéssica Mayara
Cardoso, Juliane Pagliari, Karina Faquini, Lindsay Menna Pereira, Louise B. Polina, Maciel Costa da
Silva, Marina Casagrande Penteado, Nayara Angélica Barros Ribeiro, Paulo Henrique Pessali Dal’maso.
98
Acadêmica do 4º ano do Curso de enfermagem, campus Cascavel, bolsista de Ações Afirmativas do
projeto Avaliação da efetividade da atenção primária em saúde para a criança. E-mail:
[email protected] Fone:(46)99112343
99
Docentes da Unioeste, orientadores da pesquisa.
ANAIS DO I SENAPS
integralidade diz respeito ao leque de ações possíveis para a promoção da saúde,
prevenção de riscos e agravos e assistência a doentes, implicando a sistematização do
conjunto de práticas que vem sendo desenvolvidas para o enfrentamento dos problemas
e atendimento das necessidades de saúde. Atenção integral seria aquela que
disponibilizasse unidades de prestação de serviços, pessoal capacitado e recursos
necessários, à produção de ações de saúde que vão desde as ações inespecíficas de
promoção da saúde em grupos populacionais definidos, às ações específicas de
vigilância ambiental, sanitária e epidemiológica dirigidas ao controle de riscos e danos,
até ações de assistência e recuperação de indivíduos enfermos, sejam ações para a
detecção precoce de doenças, sejam ações de diagnóstico, tratamento e reabilitação. A
APS trabalha no acompanhamento e cuidados a longo prazo de pacientes com
problemas indiferenciados; conhecimento do usuário, das famílias e da comunidade,
permitindo ao profissional planejar os cuidados a serem adotados; boa relação entre
usuários e serviço, como também equipe; ligação entre comunidade e os serviços de
saúde de diferente complexidade e maior probabilidade de atuar em regiões mais
carentes (MELO et al, 2008).
OBJETIVO
Avaliar o atributo da integralidade da atenção primaria em saúde no cuidado à
criança em unidades básicas de saúde do município de Cascavel, PR.
METODOLOGIA
Pesquisa quantitativa sobre a avaliação da integralidade do cuidado a saúde da
criança nas Unidades Básicas de Saúde no município de Cascavel. Cidade localizada na
região oeste do Paraná com 286.172 habitantes (IBGE, 2010), Cascavel é sede da 10º
Regional de saúde do estado do Paraná e se constitui em referência em saúde para 24
municípios da região oeste do estado. A APS é desenvolvida em 32 unidades de saúde,
sendo 10 equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF): duas em área urbana e oito
ANAIS DO I SENAPS
unidades na área rural e 22 unidades básicas de saúde (CASCAVEL, 2010), à época da
coleta de dados da pesquisa. Esta é uma pesquisa que faz parte de uma pesquisa maior
denominada “Avaliação da Efetividade do Cuidado na atenção primária em saúde para a
criança”, financiada pelo edital universal CNPq nº 14/2011. A coleta de dados ocorreu
com a aplicação do instrumento PCATool - Brasil versão criança nas UBS e USF
urbanas, para um total de 548 participantes. A amostragem foi do tipo probabilística
casual simples estratificada dentre as unidades de saúde e aplicada aos familiares de
crianças usuárias das UBS’s que estiveram presentes nas unidades no período estipulado
para a coleta. Foram considerados como critérios de inclusão da amostra ser residente
em área urbana dos municípios, ter condições para ser o respondente do formulário
(capacidade de entendimento, expressão e compreensão dos documentos apresentados).
Como critérios de exclusão crianças foram procedentes de outro município ou da área
rural; pais ou responsáveis que não tivessem condições de responder a entrevista. Os
entrevistados foram os familiares (pai, mãe) e/ou cuidadores (avós, tios, cuidadores
legais) de crianças até dez anos, atendidas nas UBS e USF urbanas do município de
Cascavel. A coleta de dados ocorreu entre os meses de outubro e dezembro de 2012 e
fevereiro de 2013. Os dados foram digitados em banco de dados no Excel e analisados
quantitativamente e tabulados em estatística simples de distribuição de frequências
absolutas e relativas, para posterior comparação com a literatura disponível acerca da
temática em questão. Para todos os sujeitos participantes da pesquisa foi apresentado o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com o objetivo e forma de realização da
pesquisa, com posterior solicitação da assinatura dos sujeitos.
RESULTADOS
A integralidade das ações implica que a unidade de APS precisa fazer arranjos
para que os usuários recebam todo o tipo de serviço de atenção à saúde, mesmo que
alguns não ocorram naquele ponto de atenção. No presente estudo, a avaliação dos
serviços de saúde permitiu aferir a percepção dos cuidadores sobre a qualidade destes
ANAIS DO I SENAPS
serviços dirigidos à população infantil, através da medida da extensão dos atributos da
APS, especificamente a integralidade. A identificação das UBS como serviço de
referência para o cuidado de saúde das crianças foi observada para a maioria dos
entrevistados no presente estudo. Esse fato ocorre devido ao serviço de atenção primária
do município de estudo ser ofertado à população, em quase toda sua totalidade, por
unidades básicas de saúde. Avaliando o item vacinas (imunização), identificou-se que o
enfermeiro foi citado por (45) 8,7% como profissional de referência para este serviço,
enquanto
que
o
médico
foi
lembrado em
(227)
44,1%. Os
demais (241)
46,8% apontaram a UBS como referencia. Quanto a participação em programas sociais
verificou-se que 53,9% sempre tiveram ou muitas vezes tiveram acesso ou participação
em programas sociais, enquanto que 24,3% afirmaram poucas vezes ou nunca terem
participação ou tido acesso aos programas ofertados pela UBS. Os demais 21,9% não
sabem ou não lembram sobre o acesso ou participação neste serviço. Ao analisar o item
planejamento familiar ou métodos anticoncepcionais 73,5% dos indivíduos afirmaram
sempre ter acesso ao serviço. Em relação aos que nunca ou poucas vezes tiveram acesso
ou informação, corresponderam a 12,9%. Os que não souberam ou não lembraram
correspondem a 9,1%. Desta forma a cobertura dos indivíduos que possuem acesso ou
informação ao planejamento familiar ou métodos anticoncepcionais é superior aos que
possuem pouca ou nenhuma informação, mostrando efetividade deste item nas UBS.
Em relação aos programas de suplementação nutricional 49,5% dos indivíduos sempre e
muitas vezes conheceram ou tiveram acesso aos mesmos. Enquanto 24% nunca ou
poucas vezes possuíram acesso. O restante 26,5% não souberam ou não se lembraram
de ter conhecimento ou participação sobre os mesmos. Esses dados revelam falhas na
atenção primária, pois mais de 50% dos usuários entrevistados nunca receberam
informações ou tiveram acesso. Quanto ao item aconselhamento ou tratamento para uso
prejudicial de drogas constatou-se que 38% sempre e muitas vezes tiveram acesso ao
serviço, ao mesmo tempo que 26,1% nunca e poucas vezes usufruíram do serviço.
Ainda, 36% não souberam ou não lembraram deste item, o que demonstra baixa
ANAIS DO I SENAPS
utilização e conhecimento do serviço nas UBS, visto que 62% não conhecem ou não
lembram de sua existência. Em relação ao item aconselhamento para problemas de
saúde mental, identificou-se que 26,7 nunca ou poucas vezes tiveram acesso ao serviço,
parâmetro que se iguala aos que sempre ou muitas vezes tiveram este acesso. Os que
não souberam ou não recordam da oferta foi de 49,9%, o que demonstra que a
população não tem conhecimento nem acesso ao serviço, visto que 76% nunca tiveram
acesso, não souberam ou não lembraram do serviço. Sobre a avaliação do item sutura de
corte que necessite de pontos os dados revelam que 15,3% dos indivíduos afirmaram
nunca ser realizado tal procedimento pelas UBS, em contrapartida 11,6% afirmam que
sempre é realizado nas UBS. Porém 13,8% dos indivíduos não souberam ou não
lembraram se este procedimento é realizado nas UBS. A avaliação do aconselhamento e
solicitação de teste anti-HIV demonstrou que 16,4% nunca e provavelmente não
conheceram e não tiveram acesso a este serviço. Enquanto que 60% afirmaram sempre e
muitas vezes ter acesso e conhecer o serviço. Os que afirmaram não saber ou não
lembrar foram 23,5%. Percebe-se assim que quanto a este quesito, no estudo realizado,
o item mostrou-se efetivo. O item identificação de problemas visuais apontou que
34,2% dos participantes relataram nunca e poucas vezes ter acesso ao serviço, ao
mesmo tempo que 26,4% afirmaram sempre e muitas vezes terem acesso ao serviço.
Outros afirmam não saber ou não lembrar do serviço prestado, correspondendo à 39,4%.
Quanto à avaliação dos serviços com relação ao item orientações para manter sua
criança saudável foram identificados que 81% dos indivíduos sempre e muitas vezes
receberam orientações sobre a saúde de suas crianças, e 19,9% afirmar nunca e poucas
vezes as terem recebido. Verifica-se, portanto a efetividade das UBS com relação às
orientações de saúde da criança. Quanto à segurança no lar 61,1% dos entrevistados
afirmaram sempre e muitas vezes receberem orientações quanto à segurança das
crianças. Os que afirmam nunca e poucas vezes receberem orientações quanto a esse
aspecto correspondem a 36,6%. Assim, entende-se que as UBS estão realizando as
orientações quanto à segurança das crianças, cumprindo, dessa forma, seu papel. O item
ANAIS DO I SENAPS
mudanças do crescimento e desenvolvimento da criança esperados para cada idade
mostrou que 67,3% dos entrevistados sempre e muitas vezes recebem orientações nas
UBS sobre o desenvolvimento e características de fase da vida das crianças. 30,7% dos
indivíduos nunca ou poucas vezes receberam orientações a respeito do desenvolvimento
das crianças. A avaliação do item maneiras de lidar com os problemas de
comportamento da criança revelou que 50,2% dos entrevistados das UBS nunca ou
poucas vezes receberam informações e orientações de como se portar e lidar com o
comportamento das crianças. 45,5% afirmam que sempre e muitas vezes recebem
explicações sobre o assunto, 4,2% não sabem ou não lembram do tipo de serviço
ofertado. O item maneiras para manter sua criança segura apontou que 57,5% sempre e
muitas vezes recebem orientações de como manter as crianças seguras. Enquanto 40,5%
demonstram que os entrevistados nunca e poucas vezes receberam orientações quanto a
este assunto. Em estudo semelhante realizado por Leão, Caldeira e Oliveira (2011), os
autores avaliaram os serviços ofertados nas USF e outros serviços de APS e
identificaram que existe uma necessidade das unidades de saúde da ESF
disponibilizarem mais serviços para atenderem às necessidades básicas de saúde da
população, incluindo insumos como vacinas e medicamentos. Registra-se também a
necessidade de uma melhora na qualificação dos profissionais em relação aos cuidados
no manejo das condições mais comuns e de grande impacto na saúde geral das famílias
e da comunidade (tais como alcoolismo, uso de drogas, problemas de saúde mental,
entre outros). Torna-se necessário, pois a ampliação do escopo de atuação dos serviços
de saúde. No estudo de Pereira et al. (2011), para avaliar características organizacionais
e de desempenho de uma UBS, os serviços mais disponíveis encontrados foram
vacinação, cuidado de pequenos ferimentos, acompanhmaneto das crianças e insipientes
ações de prevenção, em similaridade ao que encontramos em nossos resultados.
CONCLUSÃO
ANAIS DO I SENAPS
Conclui-se que o PCATool infantil representa um bom instrumento de avaliação
e comparação da estrutura e processo dos serviços de APS dirigidos à população
infantil. A APS de qualidade é uma estratégia efetiva na busca de maior promoção da
saúde, prevenção de doenças, melhor estado de saúde das crianças e maior satisfação
dos cuidadores. Contudo, em relação ao atributo integralidade, alguns de seus aspectos
são considerados satisfatórios pelos usuários, como a disponibilidade de vacinas, acesso
a programas sociais, planejamento familiar, enquanto outros precisam ser melhor
desenvolvidos, como programas de suplementação nutricional, tratamento do uso de
drogas e problemas de saúde mental.
PALAVRAS- CHAVE: Cuidado; Integralidade; Atenção primária em saúde; Criança.
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ANAIS DO I SENAPS
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Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
PROTOCOLO DE ALIMENTAÇÃO DO LACTENTE E DA CRIANÇA
PORTADORES DE FISSURA LÁBIO PALATAL
Thaís Dresch Eberhardt100
Fabiana Severino Kupka101
Giselle Colpani3
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso4
Fabiana Gonçalves de Oliveira Azevedo Matos5
Eliane de Souza6
INTRODUÇÃO:
A fissura lábio palatal é uma patologia congênita, caracterizada por uma falha
tecidual ao nível do lábio e palato superior, podendo comprometer a arcada alveolar, o
palato duro e o palato mole. (SÃO PAULO, 2012).
Os lactentes que nascem com fissuras labiais ou palatais sofrem interferência na
sua capacidade de alimentação, apresentando aspectos negativos na sua evolução
normal. Por isso, o tratamento deve garantir a nutrição, estimulação neurossensorial e
harmonia familiar, por meio de apoio e orientação aos familiares para que aceitem a
situação do portador de fissura e prestem os cuidados adequados a ele (ARARUNA;
VENDRUSCOLO, 2000).
100
Enfermeira, Residente do Programa de Residência em Gerenciamento de Enfermagem em Clínica
Médica e Cirúrgica da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) – Hospital Universitário do
Oeste do Paraná (HUOP), campus Cascavel. E-mail: [email protected] Telefone: (45) 99194200. Endereço: Rua do Encanador, nº 85, bairro Universitário, Cascavel - PR.
101
Enfermeira, Especialista em Saúde da Mulher, Enfermeira do CEAPAC/HUOP, Cascavel.
3
Enfermeira, Residente do Programa de Residência em Gerenciamento de Enfermagem em Clínica
Médica e Cirúrgica da UNIOESTE – HUOP, campus Cascavel.
4
Enfermeira, Doutora em Ciências pelo Programa de Enfermagem em Saúde Pública da EERP/USP,
docente do Curso de Enfermagem da Unioeste, campus Cascavel.
5
Enfermeira, Doutora em Ciências pelo Programa de Enfermagem em Saúde Pública da EERP/USP,
docente do Curso de Enfermagem da Unioeste, campus Cascavel
6 Auxiliar de Enfermagem. Graduada em Pedagogia. Auxiliar de enfermagem do CEAPAC/HUOP,
Cascavel.
ANAIS DO I SENAPS
Batista, Triches e Moreira (2011) estudaram a influência do aleitamento materno
sobre o desenvolvimento bucomaxilofacial em crianças com fissura. Concluíram que o
aleitamento em crianças portadoras de fissura de lábio palatal e/ou palatal é fator
decisivo para a correta maturação e crescimento craniofacial em nível ósseo, muscular e
funcional e na prevenção de problemas bucais.
É de fundamental importância que as crianças com más formações orais sejam
amamentadas porque o aleitamento materno diminui as infecções de ouvido e reduz a
inflamação da mucosa nasal causada por refluxo do leite. O aleitamento materno
promove o equilíbrio da musculatura orofacial, favorecendo o desenvolvimento das
estruturas do sistema motor oral. Crianças com fissuras que não envolvem o palato têm
menor dificuldade para mamar do que as que possuem fissura palatal, da mesma forma,
a criança com fissura labial que envolve narinas e arcada dentária tem maior dificuldade
de realizar a pega do mamilo e aréola e maior possibilidade de ter refluxo de leite para
as narinas. As fendas labiais bilaterais comprometem o músculo orbicular dos lábios e
consequentemente o vedamento anterior durante a amamentação. As fissuras posteriores
pequenas geralmente não causam problemas para a amamentação, mas as fissuras
palatais mais extensas dificultam a amamentação porque a língua não encontra apoio
para compressão do mamilo e da aréola, limitando a compressão dos seios lactíferos
para extração do leite (BRASIL, 2009).
Anexo ao Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) foi inaugurado no
começo do mês de março de 2013, o Centro de Atenção e Pesquisa em Anomalia
Craniofacial (CEAPAC). Este é um serviço novo, que realiza atendimento aos
portadores de fissura lábio palatal e outras doenças congênitas, por esse motivo, está em
fase de estruturação. Conta com equipe interdisciplinar composta por enfermeiros,
técnico de enfermagem, dentistas (ortodondista, cirurgiões bucomaxilofacial), médicos
(pediatra,
otorrinolaringologista,
cirurgião
plástico),
nutricionista,
psicóloga,
fonoaudióloga e assistente social, entre outros. Além disso, alguns destes profissionais
são docentes vinculados à Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE).
ANAIS DO I SENAPS
Para garantir a qualidade da assistência de enfermagem a estes pacientes, é preciso
construir protocolos de assistência. A elaboração de um protocolo sobre a alimentação
de lactentes e crianças portadoras de fissura lábio palatal atendidos pelo CEAPAC
torna-se relevante, pois permite padronizar as orientações realizadas pelos enfermeiros
do serviço aos pais e familiares dos fissurados.
OBJETIVO:
Elaborar protocolo de alimentação do lactente e da criança portadores de fissura
lábio palatal atendidos no CEAPAC com a finalidade de estimular a alimentação via
oral sempre que possível e orientar o usuário e/ou família sobre a alimentação do
portador de fissura lábio palatal.
METODOLOGIA
Trata-se de uma proposta de padronização dos procedimentos realizados pela
equipe de enfermagem neste serviço, a fim de melhorar a qualidade da assistência
prestada.
Foi realizada revisão da literatura através de busca de artigos científicos na
Biblioteca Virtual da Saúde, além de teses, dissertações e monografias, ou manuais de
outros órgãos e instituições disponíveis on-line que abordassem o tema.
As buscas foram feitas com o descritor de saúde: “alimentação” e também com
as palavras “fissura” e “fissura lábio palatal”.
RESULTADOS
Foram encontrados uma revisão sistemática publicada na Biblioteca Cochrane,
três artigos publicados em revistas científicas, um manual do Ministério da Saúde e
outro do município de São Paulo e uma monografia.
A partir da revisão da literatura específica encontrada, foi elaborado o protocolo,
no qual foram abordadas as orientações para alimentação do lactente e da criança, sendo
ANAIS DO I SENAPS
incluídos os seguintes assuntos: aleitamento materno, descrevendo a técnica adequada
de amamentação do fissurado; o uso correto de mamadeiras, nos casos em que houver
interrupção do aleitamento materno; o intervalo indicado entre as mamadas; os cuidados
após a alimentação/amamentação, para evitar broncoaspiração; a higiene oral e nasal, de
forma a prevenir infecções; introdução de alimentos pastosos e sólidos; e orientações
sobre prevenção e conduta frente à aspiração de corpo estranho.
Aleitamento materno:

Estimular o aleitamento materno (ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000; BRASIL,
2009) desde que a criança consiga sugar e a mãe sinta-se segura e à vontade (SÃO
PAULO, 2012); o recém-nascido deve ter nascido a termo e sem intercorrência
associada;

Lembrar que, geralmente, bebês com fissura palatina mais extensa ou labiopalatina não
apresentam níveis normais de sucção (ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000;
CAMPILLAY; DELGADO; BRESCOVICI, 2010);

Orientar a mãe sobre as posições corretas para o aleitamento materno (figura 1):
Figura 1: Posições corretas para o aleitamento materno de lactentes portadores de
fissura lábio palatina.
Fonte: São Paulo, 2012.
ANAIS DO I SENAPS

A criança deverá ficar em posição inclinada em situação quase vertical (ARARUNA;
VENDRUSCOLO, 2000; BRASIL, 2009; MARTINS, 2001; SANTOS et al., 2011,
SÃO PAULO, 2012), os lábios (superior e inferior) devem ficar virados para fora, como
se estivesse apoiados na mama (ROCHA et al., 2008, apud SÃO PAULO, 2012), o
mamilo deve ocluir a fenda (SÃO PAULO, 2012);

A mãe pode realizar a expressão manual do leite para amaciar o mamilo e a aréola
(BRASIL, 2009);

Ocluir a fenda com o dedo da mãe, durante a mamada (BRASIL, 2009);

Aplicar compressas mornas nas mamas para facilitar a saída do leite (BRASIL, 2009);

Posicionar o mamilo em direção ao lado oposto à fenda (BRASIL, 2009);

O bebê precisa abocanhar o mamilo e a maior parte possível da aréola (ROCHA et al.,
2008, apud SÃO PAULO, 2012);

O tempo da amamentação pode ser o dobro de uma criança sem fissura (SÃO PAULO,
2012);
Uso de mamadeiras:

Quando não se consegue aleitamento materno por meio da sucção no peito da mãe,
recomenda-se colocar o bebê por cinco minutos em cada seio para estimular a descida
do leite e reforçar o contato mãe-filho. Após, oferecer o leite ordenhado em mamadeira
com bico ortodôntico. Se isto não for possível, deve-se oferecer outro leite em
mamadeira (ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000);

O bico deve:
o ter um comprimento que não interfira na direção do crescimento da face (ARARUNA;
VENDRUSCOLO, 2000);
o ser flexível (SANTOS et al., 2011);

O furo do bico deve ser graduado de acordo com o poder de sucção que cada criança
tem, sendo um tamanho regular, indicado para intensificar o movimento de sucção,
além de manter um fluxo de leite próximo ao gotejar constante e mantendo o bico cheio
ANAIS DO I SENAPS
de leite (ARARUNA;
VENDRUSCOLO, 2000;
CAMPILLAY;
DELGADO;
BRESCOVICI, 2010);

O bico deve ser posicionado na região anterior da boca e com o furo voltado para cima,
evitando que o bico fique direcionado para a cavidade nasal; o bico deve estar sempre
formando um ângulo de 90º em relação à face (ALTMANN; et al., 1997 apud
ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000; MENDES; LOPES, 2006 apud CAMPILLAY;
DELGADO; BRESCOVICI, 2010); conforme figura 2, na qual o número 1 representa
sucção através do seio materno, 2 sucção através do bico da mamadeira e 3 através do
bico ortodôntico;
Figura 2: Posição do mamilo, bico da mamadeira e bico ortodôntico durante o
aleitamento.
Fonte: Kudo et al., 1980 apud Araruna e Vendruscolo, 2000.

A retirada da mamadeira deve acontecer entre um ano e seis meses e dois anos de idade
para que não ocorram problemas dentários e musculares (ALTMANN, 1997 apud
CAMPILLAY; DELGADO; BRESCOVICI, 2010; MENDES; LOPES, 2006 apud
CAMPILLAY; DELGADO; BRESCOVICI, 2010);

Somente na fase inicial, quando o recém-nascido ainda está apresentando alguma
dificuldade para se adaptar à mamadeira, indicam-se manobras que facilitem o
escoamento de leite para a cavidade oral:
ANAIS DO I SENAPS
o apertar o frasco da mamadeira de plástico (ALTMANN et al., 1997 apud ARARUNA;
VENDRUSCOLO, 2000; MARTINS, 2001);
o apertar levemente o próprio bico da mamadeira nas laterais (ALTMANN et al., 1997
apud ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000);
o pressionar o bico da mamadeira sobre a língua de forma a provocar o abaixamento da
mandíbula (ALTMANN et al., 1997 apud ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000);
o puxar levemente o bico da mamadeira para fora da boca (ALTMANN et al., 1997 apud
ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000);
o fazer pressão externa nas bochechas da criança, assim como embaixo da mandíbula
(ALTMANN et al., 1997 apud ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000; MARTINS,
2001);

Garrafas plásticas comprimíveis parecem ser mais fáceis de usar do que mamadeiras
rígidas para recém-nascidos com fendas labiais e/ou palatinas (BESSEL; et al., 2013);

A mamadeira pode ser substituída por uma xícara (ARARUNA; VENDRUSCOLO,
2000).
Intervalo entre as mamadas:

Durante o primeiro mês de vida: fracionar o horário de alimentação em intervalos de
duas em duas horas e sempre que o bebê sentir fome (LIMA et al., 1997 apud
MARTINS, 2001);

Após, alimentar o bebê pelo menos de três em três horas (LIMA et al., 1997 apud
MARTINS, 2001).
Cuidados após a alimentação:

Orientar os pais a manter o bebê em posição vertical até eructar (MARTINS, 2001);

Após, colocá-lo em decúbito lateral (ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000).
Higiene oral e nasal:

Realizar higiene oral e nasal antes e após a alimentação utilizando cotonete umedecido
em água (ARARUNA; VENDRUSCOLO, 2000; MARTINS, 2001; SANTOS et al.,
2011);
ANAIS DO I SENAPS
Alimentos pastosos e sólidos:

Recomenda-se que as crianças com fissuras labiopalatinas não recebam alimentos
pastosos antes dos cinco meses e a partir dos seis meses deve-se oferecer uma dieta
mista (ALTMANN et al., 1997 apud CAMPILLAY; DELGADO; BRESCOVICI, 2010;
SILVA et al., 2005 apud CAMPILLAY; DELGADO; BRESCOVICI, 2010);

A introdução de alimentos pastosos e sólidos deve seguir as recomendações da literatura
para a alimentação das crianças.
Orientações sobre aspiração de corpo estranho (segundo BARACT, [2010?]:

Orientar os pais sobre os sinais de aspiração durante a alimentação: tosse, engasgos,
sudorese e cianose;

Intorromper a alimentação imediamente após a presença dos sinais de aspiração;

Quando a aspiração é parcial, a criança pode tossir e esboçar sons. Nesta situação, o
melhor procedimento é a não intervenção no ambiente doméstico e encaminhamento a
um serviço de saúde para tratamento;

Quando a aspiração é total, a criança não consegue esboçar nenhum som, está com
asfixia, falta de ar importante e até com os lábios arroxeador. Nesta situação, deve-se
proceder da seguinte maneira:
o Crianças maiores de um ano: realizar a manobra de Heimlich, que consiste em
compressões abaixo das costelas, com sentido para cima, abraçando a criança por trás,
até que o corpo estranho seja deslocado da via aérea para a boca e expelido, conforme
figura 1;
Figura 1: Manobra de Heimlich
ANAIS DO I SENAPS
Fonte: BARACAT, [2010?].
o Crianças menores de um ano: realizar cinco percussões com a mão na região das costas,
a criança com a cabeça virada para baixo; seguida de cinco compressões na frente, até
que o corpo estranho seja expelido ou a criança torne-se responsiva e reaja;
Figura 2: título
Fonte: BARACAT, [2010?].
o Se você conseguir visualizar o corpo estranho na boca, retire-o com cuidado, mas não
tente ir às cegas com o dedo na boca, pois pode provocar lesões na região ou empurrar o
corpo estranho para regiões mais baixas, e piorar o quadro de obstrução;

Comunicar e solicitar remoção ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência
(SAMU) através do número de telefone 192.
CONLUSÕES
Com a elaboração deste protocolo espera-se que as orientações realizadas pelos
profissionais do CEAPAC aos pais e familiares dos portadores de fissura lábio palatal
sejam padronizadas e embasadas cientificamente, visando adequar os cuidados
relacionados à alimentação. Espera-se também incentivar o aleitamento materno
exclusivo, naqueles casos em que for possível, por meio de orientação quanto à técnica
adequada de amamentação do lactente fissurado. Para tornar o protocolo
interdisciplinar, pretende-se discuti-lo com a nutricionista e a fonoaudióloga do setor.
ANAIS DO I SENAPS
PALAVRAS-CHAVE: Fenda labial, Fissura palatina, Alimentação.
REFERÊNCIAS
ARARUNA, Raimunda da Costa; VENDRUSCOLO, Dulce Maria Silva. Alimentação
da criança com fissura de lábio e/ou palato: um estudo bibliográfico. Revista LatinoAmericana de Enfermagem, [online], v. 8, n. 2, p. 99-105, 2000. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rlae/v8n2/12424.pdf>. Acesso em 18 mar. 2013.
BARACAT, Emílio Carlos. Elias. Aspiração de corpo estranho. Sociedade Brasileira
de
Pediatria:
[online],
[2010?].
Disponível
em:
<http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=21&id_detalhe=2918&tipo_det
alhe=S>. Acesso em 25 mar. 2013.
BATISTA, Luciana Rodrigues; TRICHES, Thaiza Cezária; MOREIRA, Emília
Addison M. Desenvolvimento bucal e aleitamento materno em crianças com fissura
labiopalatal. Revista Paulista de Pediatria, v. 29, n. 4, p. 674-9, 2011. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rpp/v29n4/31.pdf>. Acesso em 23 abr. 2013.
BESSELL, Alyson; HOOPER, Lee; SHAW, William C.; REILLY, Sheena; REID,
Julie; GLENNY, Anne-Marie. Feeding interventions for growth and development in
infants with cleft lip, cleft palate or cleft lip and palate. The Cochrane Library,
[online],
Issue
2,
2013.
Disponível
em:
<http://cochrane.bvsalud.org/cochrane/show.php?db=reviews&mfn=&i>. Acesso em 18
mar. 2013.
BRASIL. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação
complementar.
Ministério
da
Saúde:
Brasília,
2009.
Disponível
em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alime
ntacao.pdf>. Acesso em 18 mar. 2013.
CAMPILLAY. Paloma Letelier; DELGADO, Susana Elena; BRESCOVICI, Silvana
Maria. Avaliação da alimentação em crianças com fissura de lábio e/ou palato atendidas
ANAIS DO I SENAPS
em um hospital de Porto Alegre. Revista CEFAC, [online], v. 12, n. 2, mar./abr. 2010.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v12n2/20-09.pdf>. Acesso em 18 mar.
2013.
MARTINS, Juliana. Orientações aos pais de portadores de fissura lábio palatal: um
olhar clínico. 2001. 53 f. Monografia (Especialização em motricidade oral) – Centro de
Especialização
em
Fonoaudiologia
Clínica,
Itajaí,
2001.
Disponível
<http://www.cefac.br/library/teses/6f20781ef10734cb0af1d58aae6d84eb.pdf>.
em:
Acesso
em 18 mar. 2013.
SANTOS, Elen Cristina dos; LEITE, Silvanilde Gomes da Silva; SANTOS, Susana
Maria Pereira; NEVES, Zaianni Ferreira; PASSOS, Xisto Sena; SILVEIRA, Fabiana
Fagundes de Carvalho Fernandes. Análise qualitativa do padrão alimentar de crianças
portadoras de fissura de lábio e/ou palato atendidas em um hospital de Goiânia – GO.
Journal of the Health Sciences Institute, [online], v. 29, n. 3, p. 183-5, 2011.
Disponível em: <http://www.unip.br/comunicacao/publicacoes/ics/edicoes/2011/03_julset/V29_n3_2011_p183-185.pdf>. Acesso em 19 mar. 2013.
SÃO PAULO. Manual cuidados básicos aos portadores de fissuras labiopalatinas.
São
Paulo:
SMS,
2012.
Disponível
em:
<http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/saudebucal/
manual_fissura_2012.pdf >. Acesso em 20 mar. 2013.
ANAIS DO I SENAPS
AVALIAÇÃO DA ORIENTAÇÃO FAMILIAR E COMUNITÁRIA NA
ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE DA CRIANÇA EM LONDRINA-PR102
Jéssica Mendes Daschevi103
Mauren T. G. Mendes Tacla 104
Barbara de Andrade Alves105
INTRODUÇÃO
A atenção primaria é considerada a porta de entrada dos serviços de saúde, ou
seja, o primeiro contato dos indivíduos, suas famílias e a população com o sistema de
saúde, além de ser o local responsável pela organização do cuidado e que tenta propor
um equilíbrio entre melhorar a saúde da população e proporcionar a equidade na
distribuição de recursos. (STARFIELD, 2002) Foi adotado então, a Estratégia da Saúde
da Família como uma maneira de expandir a atenção básica, tornando-o uma estratégia
de implementação e organização da Atenção Primaria à Saúde focada na família e
inserida na comunidade. (BRASIL, 1997) Conforme chega mais próximo dos
indivíduos e da comunidade, a atenção primária consegue aumentar seu poder de
interação. (HARZHEIM et al, 2006) Sendo assim, a orientação familiar consiste no
conhecimento dos fatores familiares relacionados à origem e aos cuidados das
enfermidades e a orientação comunitária como reconhecer as necessidades na
comunidade através de dados epidemiológicos e contato direto.(STARFIELD, 2002)
OBJETIVO
Avaliar os princípios da orientação familiar e comunitária, da Atenção Primária
a Saúde da Criança do município de Londrina-PR.
102
Este estudo faz parte de um projeto maior denominado “Avaliação da efetividade da atenção primária em saúde para
crianças”, financiado pelo edital universal CNPq 14/2011, sob nº 474743/2011-0. Agradecimentos a equipe da pesquisa que não
pode ser nominada na autoria em função da limitação do número de co-autores: Gisleine Tiemi de Souza, Gabriela D´Ovídio,
Isadora Rossignolo, Leila Pegoraro, Louise Fontana.
103
Aluna da 3ª série do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina. Bolsista de Iniciação
Científica.
104
Enfermeira. Doutora em Enfermagem em Saúde Pública pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de São
Paulo. Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina - UEL.
4
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina - UEL
ANAIS DO I SENAPS
MÉTODOS
Pesquisa avaliativa, de natureza quantitativa, realizada por meio do instrumento
de Avaliação da Atenção Primária denominado PCATool (Primary Care Assessment
Tool)-Brasil versão criança. Este questionário avalia os atributos essenciais da Atenção
Primária (acesso de primeiro contato, integralidade, longitudinalidade e coordenação) e
seus atributos derivados (orientação familiar, orientação comunitária e competência
cultural) a partir de uma lista de questões sobre os serviços respondidas por usuários. O
instrumento foi aplicado em 39 unidades básicas de saúde no município de Londrina,
Paraná no período entre agosto de 2012 e janeiro de 2013. A amostra foi de 609
entrevistas. As perguntas eram feitas aos principais cuidadores das crianças, menores de
doze anos de idade, que utilizaram o serviço pelo menos três vezes. O entrevistado
escolhia a melhor opção entre as respostas: com certeza não, provavelmente não, com
certeza sim, provavelmente sim e não sei/não lembro.
RESULTADOS
De acordo com a análise dos dados referente à dimensão da orientação familiar,
ao perguntar aos cuidadores se o profissional conhecia bastante a família da criança,
prevaleceu as respostas negativas (67,9%) em que 58,9% responderam com certeza não
e 21,5 % com certeza sim; para o conhecimento do profissional sobre os problemas
mais importantes da família também prevaleceu as respostas negativas (67,4%),com
certeza não (58,9%),com certeza sim (19,5%); sobre o conhecimento do
trabalho/emprego dos familiares da criança teve prevalência as respostas negativas
(79,8%), com certeza não (73,2%) e com certeza sim (16,4); se o profissional saberia se
o cuidador tivesse problemas em obter medicamentos respostas negativas prevaleceram
(51%), com certeza não (42,2%), com certeza sim (32,7%); se o profissional pergunta
sobre opiniões e ideias no tratamento da criança houve resultados negativos
(65,8%),com certeza não( 60,2%), com certeza sim (29,2%); se perguntam sobre
problemas e doenças existentes na família, as respostas foram positivas (68,2%), com
ANAIS DO I SENAPS
certeza não (29,3%) e com certeza sim (66,2%). Os resultados geraram um escore
negativo para o atributo de orientação familiar (64,1%). Já em relação á orientação
comunitária os resultados foram satisfatórios com respostas positivas para as perguntas
sobre realização de visitas domiciliares (69,9%); conhecimento sobre os problemas da
vizinhança (63,9%) e realização de pesquisas para identificar esses problemas (42,9%),
enquanto em relação à pergunta do convite para participação do Conselho de Saúde, os
resultados não foram satisfatórios, com prevalência nas respostas negativas (56,2%). O
escore gerado para a orientação comunitária foi positivo (59,9%).
CONCLUSÃO
Conhecer como está sendo a orientação para família e comunidade é importante
na avaliação da efetividade da atenção primária, tendo em vista seu compromisso com a
integralidade da assistência focada na unidade familiar e na consistência com o contexto
socioeconômico, cultural e epidemiológico da comunidade. Os resultados apontam, pelo
ponto de vista dos usuários (cuidadores), uma deficiência por parte das unidades básicas
de saúde em oferecer uma orientação familiar adequada, mostrando que o profissional
responsável pelo atendimento pode, em alguns casos, não conhecer os problemas
voltados às famílias das crianças. A grande preocupação em se resolver os problemas
das crianças, ou seja, tratar a doença em si e não olhar o contexto em que ela está
inserida, pode estar contribuindo para que isso ocorra. Além disso, o que poderia
também justificar esses resultados, seria uma alta rotatividade e/ou falta de
profissionais, principalmente de pediatras, nos serviços, além do problema da carga
horaria efetiva, que em alguns casos é inferior à contratada.
A orientação à
comunidade, no entanto, obteve resultados positivos quanto à sua avaliação, mostrando
que as unidades básicas de saúde apresentam uma equipe interessada e disponível para
fazer visitas domiciliares e pesquisas na comunidade, a fim de identificar e
posteriormente tentar solucionar os problemas existentes na população. A visita
domiciliar é uma importante atividade que possibilita o conhecimento da situação de
ANAIS DO I SENAPS
saúde das famílias, e constitui uma boa maneira para estabelecer vínculos entre as
equipes e as famílias. Se o serviço fornecer uma boa orientação às famílias e à
comunidade, poderão identificar os problemas existentes, que por sua vez, se forem
prevenidos e solucionados, diminuirão a morbidade na população em geral e
principalmente nas crianças. É por isso que devemos voltar nossa atenção não apenas ao
problema da criança, mas também ao contexto em que ela inserida (ambiente familiar e
comunitário), o qual influenciará na qualidade da sua saúde.
PALAVRAS-CHAVE: Avaliação de serviços de saúde; Atenção primaria á saúde;
Serviços de saúde.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Avaliação normativa do Programa Saúde da Família no Brasil:
monitoramento da implantação e funcionamento das equipes de saúde da família:
2001-2002 / Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. –
Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Atenção Primária e Promoção da
Saúde / Conselho Nacional de Secretários de Saúde. – Brasília : CONASS, 2007. 1-232
p. (Coleção Progestores – Para entender a gestão do SUS, 8).
HARZHEIM, E. et al. Consistência interna e confiabilidade da versão em português
do Instrumento de Avaliação da Atenção Primária (PCATool-Brasil) para serviços
de saúde infantil. Cad Saude Publica, Rio de Janeiro, v.22, n.8, p.1649-59, 2006.
STRALEN, C. J. et al. Percepção dos usuários e profissionais de saúde sobre
atenção básica: comparação entre unidades com e sem saúde da família na Região
Centro-Oeste do Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.24, Sup 1, p.S148-S158,
2008.
ANAIS DO I SENAPS
STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e
tecnologia. Brasília: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura/Ministério da Saúde; 2002.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
AVALIAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LONGITUDINALIDADE DA ATENÇÃO
PRIMÁRIA A SAÚDE DA CRIANÇA EM LONDRINA-PR
Leila Garcia de Oliveira Pegoraro106
Gabriela D’ovidio Menezes ¹
Sarah Nancy Deggau Hegeto de Souza²
INTRODUÇÃO
A partir da reorganização do Sistema Único de Saúde e a ampliação da rede de
serviço na área da Atenção Primária à Saúde, responsável pela prevenção, promoção e
recuperação da saúde dos indivíduos em todas as fases da vida, a Estratégia Saúde da
Família vem aprimorando o acesso da população às ações de saúde. A Atenção Primária
à Saúde vista como o primeiro nível de atenção, é a porta de entrada do sistema de
saúde. Identificar o grau de orientação à atenção primária em saúde de cada serviço ou
equipe de ESF, possibilita conhecermos sua efetividade. Sabe-se da influência que
fatores socioambientais exercem na saúde da criança, porém questiona-se: por que as
crianças continuam adoecendo e necessitando de internação hospitalar por doenças que
são de internação evitável e poderiam ser resolvidas no nível da atenção básica em
saúde? Os serviços de atenção primária à saúde – unidade básica de saúde, unidade de
saúde da família, ambulatório – têm conseguido resolver os problemas de saúde quando
a família traz sua criança doente para atendimento? Utilizando o instrumento de
avaliação da atenção primária PCATool podemos comparar o grau de orientação à APS
dos outros modelos de atenção básica que ainda coexistem junto à ESF, como as
106
Acadêmica do 3º e 4º ano do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade
Estadual de Londrina/ PR.
²Enfermeira. Doutora em Ciências. Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade
Estadual de Londrina/PR
ANAIS DO I SENAPS
unidades básicas tradicionais. Sua efetividade tem o potencial de evitar o agravamento
de problemas de saúde que se diagnosticados e tratados em tempo evitam as
hospitalizações. O presente estudo avaliará o princípio da longitudinalidade, que é
definida pela existência de uma fonte continuada de atenção, assim como sua utilização
ao longo do tempo. A relação entre a população e sua fonte de atenção deve se refletir
em uma relação interpessoal intensa que expresse a confiança mútua entre os usuários e
os profissionais de saúde. Tendo as crianças como objeto de estudo, a longitudinalidade
é de grande importância, para que as orientações não se percam e para o cuidador ter um
local e profissional como referência para a prevenção e tratamento de agravos na saúde
infantil.
OBJETIVO
Avaliar o princípio da longitudinalidade na atenção primária a saúde por meio
do instrumento Pcatool-Brasil versão criança em unidades básicas de saúde do
município de Londrina, Paraná.
MÉTODO
Pesquisa multicêntrica, desenvolvida concomitante em dois municípios da região
sul e um da região nordeste. Trata-se de uma pesquisa avaliativa, quantitativa, realizada
por meio do instrumento de Avaliação da Atenção Primária denominado PCATool
(Primary Care Assessment Tool) versão criança. Participaram da pesquisa 609
cuidadores legais de crianças com idade até onze anos, onze meses e vinte e nove dias,
em 39 UBS de referência para os participantes. A coleta de dados ocorreu no período de
agosto de 2012 a janeiro de 2013, realizado por alunos de graduação e pós-graduação
participantes do Grupo de Pesquisa de Assistência Integral à Saúde da Criança da
ANAIS DO I SENAPS
Universidade Estadual de Londrina, treinados para esse fim. Os critérios de exclusão
foram familiares de crianças procedentes da área rural e/ou que utilizam
esporadicamente a unidade para finalidades específicas, por exemplo, somente
imunização. Para todos os sujeitos participantes da pesquisa foi apresentado o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, com posterior solicitação da assinatura.
RESULTADOS
Registrou-se a regularidade no atendimento pelo mesmo profissional em cerca
de 72,6% das respostas obtidas. Os dados demonstraram que há uma boa comunicação
do profissional com o usuário. Na questão quanto ao entendimento do cuidador em
relação às orientações do profissional, 77,8% disseram que entendem a explicação do
profissional, 84,8% dos usuários relataram que o profissional responde suas perguntas
de maneira que ele entenda, porém 10,4% dos pacientes disseram que o profissional não
dá tempo para que suas preocupações sejam expostas. Importante analisarmos que
65,1% relatou que o profissional sabe a respeito dos medicamentos que seu filho está
tomando, porem 44,9% da população relata que o profissional desconhece as
medicações em uso. Observou-se que a maioria dos usuários, 44,3%, não consegue ter
acesso aos profissionais pelo telefone, e que se tiverem uma emergência teriam que ir
até a unidade básica de saúde para conversar com o profissional que melhor conhece seu
filho; 25% relatou que não sabem se poderiam telefonar e conversar ou disseram que
nunca tentaram. Grande parte dos cuidadores, 42,7%, respondeu que o profissional
conhece a criança além de um problema de saúde, o que deveria gerar melhor
receptividade dos cuidados preventivos e melhor comunicação e estabelecer vinculo.
Mas 36,4% desta população avaliada acredita que o profissional não vê a criança além
do problema de saúde. Outro dado avaliado demonstra que 35,2%, ou seja, 214
cuidadores das 609 entrevistas relataram que mudariam de serviço de aúde se fosse
possível, demonstrando certo descontentamento em relação a algum aspecto da
ANAIS DO I SENAPS
assistência recebida para com seus filhos. Quando o usuário tem resolutividade em seu
atendimento, conquista-se uma importante etapa na adesão do tratamento e resolução
dos problemas de saúde, Dessa forma, favorece a construção de uma relação de
confiança e respeito para com o usuário que busca o atendimento. Analisando os escores
do item longitudinalidade, observa-se que para esse grupo de perguntas analisadas
tivemos um bom resultado vendo que 53,2% responderam provavelmente sim, o que é
avaliado de uma forma positiva para respostas das perguntas que foram feitas pelo
entrevistador. A porcentagem que avalia negativamente a longitudinalidade foi de
16,6%. A presença adequada da longitudinalidade é um fator essencial para o sistema
de saúde, pois este atributo tende a produzir diagnóstico e tratamentos mais precisos,
além da redução dos encaminhamentos desnecessários para especialistas e para a
realização de procedimentos de maior complexidade. A formação do vínculo ocorre
pela aproximação entre usuário e profissionais de saúde, neste caso os cuidadores, que
para a assistência à saúde da criança é preciso maior interação com a família e com a
história de vida da criança para que possa atender e cuidar em suas fragilidades. É
provável que o paciente procure inicialmente aquele profissional de saúde que já o
conhece para atendimento no caso de um novo problema, fortalecendo o vinculo entre o
usuário e o serviço.
CONCLUSÃO
Este presente estudo nos permitiu apontar a necessidade de maiores reflexões
sobre prática dos profissionais de saúde no sentido de buscar esforços para que suas
ações não estejam mais centradas na doença e sim a busca por um cuidado integral.
Desta forma, há a possibilidade de se constituir uma assistência de melhor qualidade
com vista ao cuidado em suas distintas manifestações, com impactos positivos tanto
para o profissional e principalmente para o usuário, fortalecendo a relação duradoura
entre profissional e usuário, tornando possível acompanhá-lo nos diferentes ciclos de
ANAIS DO I SENAPS
vida, conhecendo sua individualidade. Isso viabiliza a elaboração de intervenções mais
eficazes, chegando à resolutividade dos problemas com maior rapidez e diminuindo o
descontentamento pelo usuário.
Desta forma, o profissional de saúde deve ser um investigador dos significados das suas
ações e das relações estabelecidas com o usuário, para que possa favorecer a longitudinalidade
no cuidado. Por estarem em contato frequente com os usuários, os profissionais de saúde devem
criar e fortalecer o vínculo com a criança e seu cuidador para que assim possa conhecer as
características, necessidades e problemas relacionados à saúde da criança e sua família.
PALAVRAS-CHAVE: Atenção Básica em Saúde, Saúde da Criança, Avaliação,
Longitudinalidade.
REFERÊNCIA:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e
alimentação complementar – Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2009.
STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços
e tecnologia. UNESCO/ Ministério da Saúde; 2002.
HARZHEIM, E. ET AL. Manual do instrumento de avaliação da atenção primária à
saúde – Primary Care Assessmente Tool – PCATool – Brasil. Porto Alegre: UFRGS,
2010.
Eixo temático: Saúde da criança
ANAIS DO I SENAPS
Cuidado em Atenção Primária na Saúde do Idoso
O ENFERMEIRO NO CUIDADO DA MULHER IDOSA: Abordagem da
Fenomenologia Social de Alfred Schütz
Sheila Aparecida Soares¹
Sebastião Caldeira²
Claudia Silveira Viera3
Elizabeth Aparecida de Souza4
Silvana Maria Parecy5
INTRODUÇÃO
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (WHO/2011), a longevidade,
em especial a feminina aumenta em todos os países do mundo em especial no Brasil
sendo uma das principais preocupações para a atenção à saúde. Segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2010) a projeção da população brasileira
mostra a tendência de crescimento do número de idosos, que deve alcançar a população
de mais de 25 milhões de pessoas em 2020, sendo a maioria composta por mulheres
(aproximadamente 15 milhões). No que diz respeito ao aumento da população feminina,
percebe-se que esta tem aumentado consideravelmente. De acordo com dados
apresentados pelo IBGE, no ano de 2010 havia no Brasil 8.549.259 de idosos do sexo
masculino e 10.732.790, do sexo feminino.
No Brasil, a expectativa de vida das
mulheres é maior do que a dos homens. Segundo dados do IBGE, a média de vida dos
homens é de 69,4 anos e das mulheres, 77 anos. Das cinco regiões do país, a Região Sul
tem a maior diferença entre os sexos. Na faixa etária dos 65 anos ou mais, há somente
67 homens para cada 100 mulheres. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde do
Paraná (SESA/2010) dos 10.439.601 habitantes que constituem a população do Estado
do Paraná (região Sul do Brasil), 1.170.995 são idosos. Destes, 537.008 são homens e
ANAIS DO I SENAPS
633.947 são mulheres. Na área de abrangência da Décima Regional de Saúde (10ª RS)
de Cascavel no Oeste do Paraná, que inclui 25 municípios, local onde esta pesquisa está
sendo realizada, a população de idosos totaliza 36.648 habitantes, sendo 18.232 do sexo
masculino e 18.416 do sexo feminino. No tocante ao cuidado por parte do enfermeiro,
importante salientar que o aumento da expectativa de vida no Brasil e no mundo, com
destaque para o gênero feminino, reflete a necessidade de estudos que se dediquem a
investigar o cuidado à mulher idosa pelo enfermeiro, considerando a perspectiva dos
sujeitos envolvidos nessa relação de cuidado de saúde. Para tanto este precisa estar
preparado para realizar o cuidado que permeia capacitação adequada, compromisso
profissional, bem como de suporte dos setores governamentais. (CALDEIRA, 2012;
CALDEIRA et al, 2012). Nesse contexto várias inquietações dos pesquisadores
permearam a temática deste estudo: 1. Qual a compreensão do enfermeiro sobre a
longevidade feminina? 2. Como o enfermeiro cuida da mulher idosa? 3. Quais fatores
facilitam ou dificultam o cuidado de saúde à mulher idosa pelo enfermeiro? 4. O que o
enfermeiro espera das suas ações de cuidado a saúde voltada a essa clientela?
OBJETIVO
Compreender como o enfermeiro cuida da mulher idosa.
METODOLOGIA
Esta é uma pesquisa qualitativa na qual os pesquisadores apropriaram-se do
referencial da Fenomenologia Social de Alfred Schütz. Investigações qualitativas
contribuem para a melhor compreensão da distância entre o conhecimento e a prática,
na medida em que auxiliam na compreensão da vivência dos sujeitos explicando suas
ações diante das necessidades de cuidado de saúde (MINAYO, 2010; MERIGHI,
PRAÇA, 2003). A Fenomenologia Social visa compreender o mundo social em seu
significado intersubjetivo e tem como proposta a análise das relações sociais (SCHÜTZ,
2003; SCHÜTZ, 2003a). O enfermeiro ao cuidar da mulher torna a sua ação de cuidado
compreendida como relação social de cuidado em saúde, por isso, a opção por esse
ANAIS DO I SENAPS
referencial – A Fenomenologia Social. O campo de pesquisa foi as Unidades Básicas de
Saúde pertencentes à área de abrangência da 10ª Regional de Saúde do Estado do
Paraná. A escolha pela rede básica deve-se ao fato destas prestarem atendimento às
usuárias do Sistema Único de Saúde – SUS e possuir enfermeiros que atuam
diretamente com as mulheres idosas. A obtenção das falas foi por meio de entrevista
gravada, com questões norteadoras derivadas das inquietações dos pesquisadores já
citadas anteriormente. Os enfermeiros foram entrevistados em local privativo, por
questão de sigilo e anonimato, os profissionais participantes da pesquisa terão nomes
fictícios – Enfermeiro 1, Enfermeiro 2, Enfermeiro 3 e assim sucessivamente.
Obtivemos Parecer favorável de número 026/2012 do Comitê de Ética em Pesquisa em
Seres Humanos - CEP/Unioeste. Este estudo deriva de um projeto de pesquisa
intitulado: O Enfermeiro e a Mulher Idosa: vivências do cuidado de saúde, coordenado
pelo orientador desta presente pesquisa. Dos depoimentos dos enfermeiros resultaram
cinco (5) categorias concretas do vivido. As quatro primeiras referem-se aos “Motivos
Porque”, ou seja, ações do passado e presente e a última referente aos “Motivos Para” –
ações futuras (perspectivas para a ação do cuidado). 1. Compreensão sobre a
longevidade feminina; 2. Percepção de necessidades de saúde e cuidado; 3.
Conhecimento sobre os fatores de risco para as mulheres idosas; 4. Fatores que
facilitam e ou dificultam o cuidado; 5. Expectativas do enfermeiro para o cuidado
profissional. A organização e a categorização do material obtido foram realizadas
seguindo-se os passos adotados pelos pesquisadores da Fenomenologia Social de Alfred
Schütz: a) Leitura atentiva e criteriosa de cada depoimento na íntegra, procurando,
primeiramente, identificar e apreender o sentido global da ação social; b) Releitura de
cada depoimento com o objetivo de identificar aspectos comuns nos depoimentos dos
sujeitos; c) Agrupamento dos aspectos comuns conforme convergência de conteúdos
para a composição de categorias concretas; d) Análise ou organização das categorias
concretas para a compreensão da ação social dos sujeitos do estudo; e) Discussão dos
dados à luz da Fenomenologia Social de Alfred Schütz e outros referenciais
ANAIS DO I SENAPS
relacionados à temática (CALDEIRA, S; MERIGHI, MAB; MUÑOZ, LA; JESUS,
MCP de; DOMINGOS, SR da F; OLIVEIRA, DM).
DISCUSSÃO
A compreensão da ação de cuidar da mulher idosa pelo enfermeiro nos fez
perceber que o enfermeiro em sua atuação no cuidado possui um estoque de
conhecimento adquirido durante suas experiências ao longo da vida. No tocante à
compreensão sobre a longevidade feminina, de acordo com sua vivência, experiência e
formação pode compreender como se dá essa fase da vida para a mulher idosa permeada
de experiências, ou seja, o estoque de conhecimento dessa mulher. Alguns enfermeiros
referem-se à prevenção e ao autocuidado como forma de aumentar a longevidade e
espera a contrapartida das mulheres idosas para alcançar êxito nas suas ações de
cuidado. O enfermeiro deste estudo é capaz de identificar as necessidades de cuidado de
saúde da mulher idosa tornando-o capaz de planejar o cuidado diferenciado a essa
clientela. Percebe a fragilidade, sendo esta uma das características do envelhecimento, o
baixo nível escolar socioeconômico, os valores arraigados na população idosa, visto que
o aspecto cultural e a não adesão da mulher idosa aos programas e serviços oferecidos
também foram relatados pelos enfermeiros como dificultadores para o cuidado, em
especial quando se trata da prevenção de alguns agravos como o câncer de mama e
cérvicouterino. A dificuldade da mulher idosa em compreender a linguagem do
enfermeiro também foi destacada como dificultador. O enfermeiro deste estudo percebe
que o idoso tem maior facilidade de acesso aos serviços de saúde, mas mesmo assim são
deixados de lado pelos profissionais de saúde. A participação da família foi citada como
facilitador do cuidado. Assim destacou-se a importância da rede de apoio social em
especial a família como mediadora e extensão do cuidado.
CONSIDERAÇÕES
Para que o cuidado seja desenvolvido com resolutividade faz-se necessária a
participação recíproca por parte de ambos os sujeitos envolvidos no cuidar-cuidado,
ANAIS DO I SENAPS
nesse caso em especial o enfermeiro – aquele que cuida e a mulher idosa – que requer o
cuidado (VEIGA; MENEZES, 2008). Para tanto o enfermeiro espera maior participação
da mulher idosa, bem como maior responsabilidade no tocante ao autocuidado. A
participação da família foi evidenciada em outros estudos como algo imprescindível
para a continuidade das ações de cuidado (ARAÚJO, BARBOSA, 2010;
GONÇALVES; ALVAREZ; SENA; SANTANA; VICENTE, 2006). A falta de
programas, projetos e protocolos norteadores para o cuidado da mulher idosa
evidenciou-se nos depoimentos dos enfermeiros, fazendo com que este tenha
expectativas de que se houver algo que o respalde em suas atribuições como os
protocolos ou linhas-guia de ação para o cuidado do idoso, isso poderia facilitar o
desenvolvimento de suas atividades. A formação para o cuidado ao idoso, bem como a
elaboração e desenvolvimento de protocolos para o cuidado deveriam ser pautados
como fundamentais para o enfermeiro no cuidado ao idoso em especial à mulher
(LIMA; TOCANTINS, 2009; BRASIL, 2001). Percebemos que abordagem teóricometodológica da Fenomenologia Social permitiu aos pesquisadores desvelar que o
enfermeiro tem expectativas de prestar o cuidado qualificado à mulher idosa, isto requer
o envolvimento tanto dos profissionais da saúde como da família para que o cuidado
prestado pelo enfermeiro seja estendido para outras instâncias e para outros atores de
cuidado. Para tanto o enfermeiro evidencia a formação profissional e a qualificação
como essencial para o cuidado do idoso, em especial a mulher. Por fim não
consideramos este estudo estanque, uma vez que os pesquisadores apreenderam apenas
um olhar sobre o fenômeno – o enfermeiro no cuidado da mulher idosa. Sendo assim
outros olhares devem ser lançados sobre este mesmo fenômeno para que possam ser
somados aos resultados deste presente estudo.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde da mulher, Longevidade, Cuidado de Enfermagem,
Pesquisa qualitativa.
REFERÊNCIAS:
ANAIS DO I SENAPS
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Eixo Temático: Saúde do Idoso
26].
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ANAIS DO I SENAPS
ANAIS DO I SENAPS
VIVENCIA DAS MULHERES IDOSAS TABAGISTAS: o olhar da
Fenomenologia Social de Alfred Schütz
Silvana Maria Parecy 1
Sebastião Caldeira2
Sheila Aparecida Soares3
Beatriz Rosana Gonçalves de Oliveira Toso4
Michelle de Marchi Sanches5
.
INTRODUÇÃO
A longevidade está aumentando em todo mundo em particular no Brasil
repercutindo nos cenários das políticas e de cuidados à saúde. Esse aumento envolve
aspectos de seguridade social, formação de profissionais que sejam capazes de atender
essa clientela, bem como a organização dos setores e serviços de saúde. Importe
ressaltar que a expectativa de vida deve ser acompanhada com as expectativas de saúde
bem-estar.
Ao referir-se ao aumento da longevidade e às repercussões desse
fenômeno no contexto da saúde, estudo desenvolvido no Canadá mostrou que a
população mundial de pessoas idosas duplicará de 11% em 2006 para 22% em 2050,
com implicações globais no desenvolvimento humano e na saúde no século XXI
(PLOUFFE, KALACHE, 2010). No Brasil, o número de idosos passou de três
milhões, em 1960, para sete milhões, em 1975, e para 20 milhões em 2008 – um
aumento de quase 700% em menos de 50 anos. As projeções mais conservadoras
indicam que, em 2020, o país será o sexto país do mundo em número de idosos, com
um contingente superior a 30 milhões de pessoas. Consequentemente, doenças próprias
do envelhecimento passaram a ganhar maior expressão no conjunto da sociedade
(VERAS, 2009). Nesse sentido, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE/2010) vale a pena destacar que as doenças crônicas tendem a
acelerar o processo do envelhecimento. Importante considerar que as doenças
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decorrentes do tabagismo encontram-se em destaque, principalmente se não houver
acompanhamento por parte dos profissionais que atuam nos serviços de saúde, pois de
modo geral, o envelhecimento populacional se traduz em maior carga de doenças na
população, mais incapacidades e aumento do uso dos serviços de saúde (VERAS,
2009). O tabagismo é um fator agravante para á saúde da população senil, sendo
responsável por diferentes comorbidades, por sofrimentos e mortes prematuras, por um
custo social e financeiro alto para as instituições de saúde. Existem poucos estudos
sobre a prevalência do tabagismo na terceira idade no Brasil e no mundo, acredita-se
que esta seja em torno de 10 a 11% da população geral dos fumantes. É um problema
de saúde pública em todos os países do mundo com repercussões físicas, psicológicas,
sociais e econômicas. Envolvem os tabagistas, a família, a sociedade, os serviços e
profissionais da saúde e serviço social e o sistema de saúde. Nesse sentido o processo
de envelhecimento populacional aumenta a necessidade de conhecer a situação de
saúde e os fatores de risco envolvidos na gênese das doenças crônicas não
transmissíveis, sobretudo das doenças cardiovasculares (DCV). Desde a década de 60,
as DCV lideram as causas de óbito no país, são responsáveis por impacto expressivo
na mortalidade da população brasileira e corresponderam, em 2007, a 29,4% dos óbitos
em todas as idades e a 37,7% de mortes entre os idosos (FERREIRA, cols, 2010;
MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009; CRUZ, et al, 2004). É notável que existe carência
de informações sobre as patologias decorrentes do tabagismo, principalmente às
doenças do aparelho cardiocirculatório – infarto agudo do miocárdio (IAM),
aterosclerose, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e as doenças pulmonares como a
Doença Bronco Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Estudo desenvolvido por
Sousa, et al (2011) na cidade de São Paulo mostrou que o fator de risco considerado
mais importante para presença da DPOC é a fumaça de cigarro. O cachimbo, o charuto
e outros tipos de tabaco, populares em muitos países também são fatores associados à
DPOC. O tabaco é a segunda causa de mortalidade no mundo, sendo responsável pelo
desencadeamento de doenças cardiovasculares, déficit cognitivo, diminuição da função
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respiratória e disfunção osteoarticular, que adquirem maior significado com o avançar
da idade. Nesse sentido, fez-se necessário buscar conhecimento em torno dos
principais fatores que dificultam o abandono do tabaco (MINISTÉRIO DA SAÚDE,
2009). Quanto aos profissionais que atuam no controle ao tabagismo, além da equipe
de saúde composta por enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem, Agentes
Comunitários de Saúde (ACS), psicólogos, fisioterapeutas, convém lembrar que o
trabalho do assistente social no Programa de Controle e Tratamento do Tabagismo é
imprescindível na equipe de saúde.
OBJETIVO
Compreender como a mulher idosa vivencia o tabagismo.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo qualitativo direcionado pela abordagem da
Fenomenologia Social de Alfred Schütz (2003) por ser o tabagismo uma ação social.
As pesquisas qualitativas contribuem para a melhor compreensão da distância entre o
conhecimento e a prática, na medida em que auxiliam na compreensão da vivência dos
sujeitos explicando suas ações diante das necessidades de cuidado de saúde
(MERIGHI; PRAÇA, 2003). São investigações que se preocupam com a realidade,
com o universo de significados, bem como com outros motivos, valores e crenças que
não podem ser quantificados e por aprofundar-se no mundo das ações, dos significados
e das relações humanas (MINAYO, 2004). Dentre as diversas modalidades da pesquisa
qualitativa, a Fenomenologia Social é a que se mostra mais pertinente no presente
estudo por ser a que permite a compreensão dos fenômenos humanos vivenciados no
cotidiano a partir de experiências concretas (SCHÜTZ, 2003). Foram entrevistadas dez
mulheres idosas que participam de grupos de apoio ao antitabagismo em Unidades
Básicas de Saúde no município de Cascavel PR – Brasil. A técnica para a coleta dos
depoimentos se deu por meio da entrevista gravada com questões orientadoras. As
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mulheres participantes deste estudo possuem idade entre 60 a 85 anos, a maioria com
ensino fundamental incompleto, aposentada com ganho médio de aproximadamente de
1 a 3 salários mínimos, 10 são do lar, 07 casadas, 01 viúva e 02 solteiras. Todas as
usuárias da sua respectiva Unidade Básica de Saúde (UBS) e todas participaram ou
participam de atividades de grupo antitabagismo. Algumas dependem de atendimento
especializado tais como pneumologista e gastroenterologista, endocrinologista sendo
que a maioria adquiriu alguma patologia decorrente do tabagismo como bronquite,
enfisema pulmonar e gastrite, diabete.
RESULTADOS
Os dados obtidos foram organizados em seis categorias concretas do vivido
referentes à vivência da mulher idosa tabagista conforme os passos seguidos por
pesquisadores da Fenomenologia Social de Alfred Schütz (CALDEIRA, 2012;
CALDEIRA, MERIGHI, JESUS, MUÑOZ, DOMINGOS, OLIVEIRA, 2012). Quatro
(4) categorias referem-se à vivência da mulher idosa até o momento atual, o que
Schütz denomina “motivos porque”: a) Compreensão sobre o tabagismo; b) Vivência
do tabagismo; c) Participação em espaços para discutir e tratar o tabagismo; d)
Percepção da mulher quanto à atuação profissional no antitabagismo. Duas (2)
categorias referem-se às perspectivas de ação (futuro) da mulher idosa denominadas
por Schütz (2003) “motivos para”: a) Perspectivas de vida; b) Expectativas frente aos
profissionais e serviços no antitabagismo. Os dados foram discutidos à luz do
referencial da Fenomenologia Social e outros referenciais que abordam a temática do
presente estudo conforme sugerem pesquisadores da Fenomenologia Social
(CALDEIRA, 2012; CALDEIRA, MERIGHI, JESUS, MUÑOZ et al, 2012).
DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES
Embora as idosas sintam-se mais aptas do que os jovens para enfrentar o
tabagismo, falta a elas “a entrega” aos novos desafios, pois têm grande dificuldade de
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romper barreiras e promover mudanças. Nesse sentido Schütz (2003) refere em seus
estudos que a bagagem ou o estoque de conhecimento determina a situação biográfica.
Assim sendo percebe-se que dependendo da bagagem de conhecimento que a mulher
idosa adquiriu durante a sua vida, esta pode ou não ter facilidade em aderir às ações
antitabagistas. Além disso, o aprendizado nessa faixa etária é mais lento e requer
reforço e detalhamento das intervenções conjuntas de treinamento e habilidades. As
idosas costumam ter menos laços sociais, por isso, deve-se preferir a abordagem em
grupo, ampliando a rede de relacionamentos, os vínculos afetivos e as relações de
interdependência. Não há evidência de que os grupos compostos exclusivamente por
idosas apresentem benefícios. Deve-se apoiar a participação de outras faixas etárias,
favorecendo a dinâmica e enriquecendo o repertório temático. Na relação social seja
essa nos grupos familiares, de amigos ou de profissionais de saúde deve haver o que
Schütz (2003) nos traz como relação face a face. Essa relação entre os sujeitos –
mulher idosa tabagista e profissional da saúde que atua no antitabagismo - pode
determinar as ações de cuidado no antitabagismo. Schütz (2003) também trabalha com
o pressuposto de motivação. Nesse sentido, deve-se lembrar de que neste presente
estudo a motivação da idosa fumante para deixar de fumar pode reforçar a
conscientização da sociedade contemporânea sobre a importância do seu papel na
família como estoque de sabedoria e refúgio afetivo para crianças e jovens, assumindo,
assim, a função de modelo de conduta para futuros adultos e idosos. A capacitação de
profissionais ligados á área de saúde para o atendimento a fumante idosa, pode ser
semelhante ao da população em geral, mas se faz necessária uma atenção especial,
como refere Schütz (2003) uma relação face a face por parte dos profissionais
encorajando a idosa a iniciar o tratamento no programa de prevenção e controle do
tabagismo. Podemos ressaltar que é fundamental a dedicação da equipe
multiprofissional, que precisa estar sempre disponível e acessível aos usuários em
tratamento. Esta disponibilidade é evidenciada e efetivamente realizada, pois as
mulheres idosas buscam a equipe a qualquer hora do dia, nos seus momentos de crise,
ANAIS DO I SENAPS
quando estão com sintomas de abstinência, ou qualquer outro problema pelo qual
estavam passando. Esta relação de confiança, relação face a face estabelecida com a
equipe acabou resultando num atendimento que vai além das paredes da unidade
básica: as idosas abordam os integrantes da equipe, médico, enfermeiro, assistente
social, agende comunitário de saúde e outros para conversar sobre tabagismo em
qualquer lugar fora do espaço da unidade de saúde. Importante destacar também que
além da equipe multiprofissional responsável pelo tratamento é importante que toda a
equipe de saúde esteja ciente do programa antitabagismo e de como funciona. Muitas
vezes eles são os responsáveis por aconselhar, orientar e encaminhar novos
participantes para o tratamento, bem como incentivar os que já estão em abstinência.
A bagagem de conhecimento da equipe como vimos pode determinar as ações de
cuidado no antitabagismo. Por fim, este estudo não pode ser considerado estanque,
pronto, pois entendemos que em pesquisas qualitativas sempre pode haver novos
olhares sobre o fenômeno pesquisado – neste caso – a vivência das mulheres idosas
tabagistas. Espera-se que os resultados deste estudo possam subsidiar equipes que
atuam no antitabagismo, bem como instigar novos estudos sobre a temática.
Palavras-chaves: Mulher idosa; Fenomenologia; Tabagismo
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Eixo temático: Saúde do Idoso
ANAIS DO I SENAPS
A INFLUÊNCIA DAS PRÁTICAS EDUCATIVAS EM SAÚDE NO COTIDIANO DA
PESSOA IDOSA
Aluana Moraes¹
Karolinne de Andrade Colonhese Gama²
Elizabeth Braz³
INTRODUÇÃO
Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, há a necessidade de desenvolver
programas educacionais que tenham a finalidade de garantir a saúde e também a qualidade de
vida da população idosa. A idade de acordo com Wong e Moreira (2000 apud
ALBUQUERQUE, 2005, p.11) tem definição intuitiva e introversa, pois para um indivíduo, sua
idade é o tempo decorrido entre o nascimento e a data atual e entre duas pessoas, é considerada
a mais velha a que apresenta idade mais elevada. A idade é um dos fatores mais importantes de
diferenciação social podendo ser relacionada com sexo, cor e classe social. “Usualmente
identifica-se o envelhecer individual como fruto da passagem do tempo, resultante do aumento
da idade pessoal”. O processo de envelhecimento individual assume particularidades tão
distintas que quando se associa o envelhecimento com idade cronológica, é apresentado apenas
“uma percepção grosseira do processo de envelhecimento, além de retirar a sua feição social e a
sua condicionante histórica”, mesmo assim, é considerado como idosa segundo a Organização
das Nações Unidas (ONU) o indivíduo que apresentar 65 anos para países desenvolvidos e 60
anos em países em desenvolvimento (MOREIRA, 1997 apud ALBUQUERQUE, 2005 p. 12).
Ao longo das aulas práticas supervisionadas, tanto no Hospital Universitário do Oeste do Paraná
(HUOP) quanto em Unidades Básicas de Saúde da cidade de Cascavel (Pr) como discente do
Curso de Enfermagem, foi observado a necessidade que a pessoa idosa apresenta em adquirir
conhecimentos tanto da prevenção quanto da patologia em si, portanto a educação em saúde
realizada pela enfermagem e por demais profissionais da saúde auxilia na transmissão de
conhecimentos, no autocuidado e na prevenção e manutenção da saúde. Há problemas de saúde
considerados peculiares e que acometem a população idosa e que estão relacionadas ao
sedentarismo e a falta de cuidados com a manutenção da saúde durante toda a vida do indivíduo,
ANAIS DO I SENAPS
como a hipertensão arterial, diabetes mellitus, osteoporose, redução da acuidade visual, perda da
dentição, quedas e labirintite. Muitas dessas condições de saúde poderiam ser evitadas ou
reduzidas e através de atividades físicas, como alongamento e caminhadas, a fim de melhorar a
qualidade de vida na velhice. Diante dessas situações, busca-se identificar se há mudanças
significativas na vida e nas condições de saúde dos idosos que participam do Projeto “Pequenos
passos, grande caminhada” que, a enfermeira da UBS Faculdade de Cascavel (Pr) realiza a
educação em saúde associada às atividades físicas, verificando a efetividade dessas práticas
educativas em saúde avaliado por uma amostra dos idosos pertencentes ao projeto.
OBJETIVOS
O objetivo desse estudo buscou identificar em que medida a educação em saúde
associada com as atividades físicas provocam mudanças qualitativas na vida dos indivíduos da
amostra, traçando o perfil dos idosos que frequentam o projeto e identificando possíveis
mudanças de comportamento dos idosos decorrentes das orientações recebidas e das atividades
realizadas.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de campo, exploratória de caráter quanti-qualitativo. De
acordo com Lakatos (1985), pesquisa de campo tem por objetivo adquirir informações e
também conhecimentos sobre um problema, não sendo uma simples coleta de dados, pois requer
planejamento prévio. A pesquisa foi realizada no projeto “Pequenos passos, grande caminhada”
coordenado pela enfermeira da UBS Faculdade do Bairro Jardim Universitário de Cascavel, PR.
O Projeto foi criado para atuar a prevenção, promoção, tratamento e recuperação de doenças
crônicas, com ênfase na obesidade. Inicialmente, o grupo era formado por pessoas obesas de até
50 anos, mas com o tempo, pessoas idosas começaram a frequentar, tornando-se a maioria.
Atualmente, participam 110 pessoas, entre elas obesas, idosas e gestantes. Esse grupo se reúne
duas vezes por semana no Salão Comunitário do Jardim União para realizar atividades corporais
e educativas. Nestes encontros, além da educação em saúde são realizadas caminhadas e
alongamentos sob supervisão de um professor de educação física além de encaminhamentos
para clínico geral, ginecologista, nutricionista, psicólogo e serviço social. A coleta de dados foi
realizada em Junho e Julho de 2012 por meio de entrevista semipadronizada Para a coleta de
dados foi utilizado o instrumento de avaliação sócio-funcional em idosos (IASFI).
ANAIS DO I SENAPS
RESULTADOS
Foram incluídas na pesquisa, todas as pessoas acima de 60 anos integrantes do grupo
que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa, assinando o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (TCLE). O estudo buscou contribuir para ampliar os conhecimentos dos
profissionais de enfermagem, mostrando a importância sobre as práticas educativas em saúde e
os benefícios que podem proporcionar para a melhoria da qualidade de vida dos idosos. Na
busca da classificação e as condições de saúde, foram identificadas que 60% a consideram como
boa, mesmo possuindo ou não doenças crônicas e fazendo uso ou não de medicações. Com
relação ao sexo, 40% são homens e apesar do estigma referente à vulnerabilidade da saúde
masculina imposta pela sociedade, esses idosos frequentam o grupo a fim de buscar e/ou manter
a saúde. A saúde é regular para 30% da amostra, sendo relacionada com doenças crônicas e
presença de dor. Dos 30% que relataram que a saúde está regular, 20% relacionaram à presença
de doenças crônicas e 10% relacionam com o uso excessivo de medicações. Somente 10%
considerou a saúde excelente, independente da presença de doenças, pois os exames que realiza
estão sempre dentro dos parâmetros normais, portanto, a patologia está controlada e isso em seu
ponto de vista é excelente. Dos 10% que classificaram como excelente, relacionaram com o fato
de que os exames têm resultados dentro da normalidade, o que confirma para o idoso a ausência
de doenças. Das doenças não transmissíveis, as que se destacaram na amostra foram a
hipertensão arterial e diabetes mellitus. Verifica-se que 20% do total apresentam somente
hipertensão, 60% apresentou hipertensão associados com outras patologias, tais como diabetes
(40%), osteoporose (10%) e colesterol elevado (10%), 20% afirmou não apresentar doenças,
mas um desses idosos faz uso de Atenolol e AAS, ou seja, devido o fato da patologia estar
controlada, sendo assintomático e também por não considerar o uso de medicamentos como
presença de doenças, o indivíduo acredita ser sadio. Os indivíduos referiram o uso das seguintes
medicações: Insulina, Captopril, Hidroclorotiazida, Nifedipino, Omeprazol, AAS, Metformida,
Losartana, Sinvastatina, Atenolol, Alendronato sódico. Entre idosos destacam-se as doenças não
transmissíveis (DNT’s) como principal causa de morbidade, mortalidade e incapacidade e o
tratamento das DNT’s apresentam custo elevado tanto para o indivíduo e familiares, quanto para
o Estado. Muitas dessas patologias podem ser evitadas ou adiadas através de programas e
políticas que devem atuar em todas as fases da vida do indivíduo para garantir um
envelhecimento com qualidade, pois “o que relativamente aumenta o risco de desenvolvimento
ANAIS DO I SENAPS
de DNT’s em idades mais avançadas é o tabagismo, falta de atividade física e dieta inadequada
entre outros fatores de risco da vida adulta” (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2005,
p.17). Com relação à dor, 50% dos indivíduos apresentaram queixas de cefaléia, mialgia, dor em
região lombar, pernas e pescoço, quanto às características da dor, relataram ser: constante,
aguda e dormente. Os fatores que motivaram os idosos a participar do grupo de práticas
educativas foram: a busca de benefícios para a saúde, a indicação por profissionais, necessidade
física, social e psicológica. Para os idosos, a importância da participação apontada por 80% é a
educação em saúde que trabalha a promoção, prevenção e os cuidados com as patologias que
acometem os idosos. Outro fator identificado é a redução de dores físicas a partir da realização
de caminhadas e alongamentos. Relataram também que a participação influenciou no
autocuidado, na disposição e também na autoestima. Para os participantes da pesquisa, a
Qualidade de Vida está relacionada com o relacionamento familiar satisfatório, a possibilidade
de interagir com a sociedade através da participação em grupos, estabelecer laços de amizade,
ser independente, ter tranquilidade, ser saudável, ter momentos de lazer e poder praticar
exercícios e ter boa alimentação. Todos os idosos reconheceram que as suas condições de saúde
e de vida melhoraram quando começaram a frequentar o grupo onde são realizadas práticas
educativas em saúde, pois o alongamento e a caminhada proporcionam o convívio com diversas
pessoas, melhorando o relacionamento com a comunidade, e a educação em saúde dá a
oportunidade para o idoso ter a autonomia para cuidar de sua saúde e do seu corpo recebendo
orientações diretas e tendo a possibilidade de manter o autocuidado, resultando em benefícios
para sua autoestima e também para a sua qualidade de vida. Portanto, pode-se observar que para
realizar as práticas educativas em saúde de forma efetiva, deve-se primeiramente levantar o
perfil dos idosos e aplicar essas práticas de acordo com as necessidades individuais dos
integrantes do grupo.
CONCLUSÃO
Na pesquisa evidenciou-se os benefícios e as mudanças de comportamento dos idosos,
adquiridos pela associação da educação em saúde com as práticas educativas associada à
atividade física. Este fato aponta para o fortalecimento do vinculo entre os idosos e os
profissionais de saúde, contribuindo para uma relação efetiva na sua participação na UBS e os
serviços realizados pelo projeto como encaminhamentos à clínicos gerais, ginecologistas,
ANAIS DO I SENAPS
nutricionistas. Assim sendo, o atendimento multidisciplinar estimula a frequência dos
participantes.
PALAVRAS CHAVES: Saúde do idoso, Educação em saúde, Educação física, Qualidade de
vida
REFERÊNCIAS
ALBANO, Bruno Ramos; BASILIO, Marcia Chaves; NEVES, Jussara Bôtto. Desafios
para a inclusão dos homens nos serviços de atenção primária à saúde. Revista Enfermagem
Integrada,
Ipatinga,
v.3,
n.2,
p.554-563,
nov./dez.
2010.
Disponível
em:
<http://www.unilestemg.br/enfermagemintegrada/artigo/V3_2/08-desafios-parinclusao-doshomens-em-servicos-primarios-de-saude.pdf>. Acesso em: 10 set. 2012
ARRAIS, Paulo Sergio D. Perfil da automedicação no Brasil. Revista de saúde Pública. São
Paulo, v. 31, n.1, p. 71-77, 1997.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Envelhecimento ativo: uma política de
saúde. Brasília: Organização Pan-americana da Saúde, 2005.
PASCHOAL, S. M. Qualidade de vida do idoso: elaboração de um instrumento que
privilegia sua opinião. 2000. 225 f. Dissertação (Mestrado em Medicina) - Faculdade
de Medicina de São Paulo, São Paulo, 2000.
Eixo temático: Saúde do Idoso
ANAIS DO I SENAPS
VIVÊNCIA DA MULHER IDOSA SOBRE A SEXUALIDADE
Cuidado em atenção primária na saúde do idoso
Renata Jacobovski107
Thais Vanessa Bugs108
Claudia Ross109
Maristela Salete Maraschin110
Sebastião Caldeira111
INTRODUÇÃO
O aumento da população idosa se dá em decorrência das taxas de fertilidade em
declínio e maior expectativa de vida ao nascer. No Brasil, essa faixa etária vem
aumentando significativamente, com destaque para o gênero feminino. Diante disso,
ocorre o surgimento de novos desafios das políticas públicas e profissionais de saúde
em relação as necessidade de cuidado dessa população (WHO, 2008), em especial no
tocante a sexualidade na terceira idade. Assim, é relevante pensar que envelhecer não
significa ficar triste ou ser assexuado, porém, ainda persiste em nossa cultura mitos
atribuídos as pessoas com idade avançada e isso dificulta a vivência da sexualidade
entre esse grupo.
OBJETIVO
Compreender como as mulheres idosas vivenciam a sexualidade nessa fase da
107
Acadêmica do 3º ano do Curso de Enfermagem na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Bolsista
PIBIC da Fundação Araucária. Rua filosofia, 1333, Cascavel-PR. [email protected] (45)99558776.
Membro do Grupo de Pesquisa em Enfermagem Materna e Infantil (GPEMI).
108
Acadêmica do 4º ano do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Bolsista
PIBIC da Fundação Araucária. Membro do Grupo de Pesquisa em Enfermagem Materna e Infantil
(GPEMI).
109
Doutora em microbiologia pela UEL - Londrina. Docente em Enfermagem na Universidade Estadual
do Oeste do Paraná. Coordenadora do Curso de Enfermagem. Membro do Grupo de Pesquisa em
Enfermagem Materna e Infantil (GPEMI).
110
Mestre pela UFSC. Docente em Enfermagem na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Membro
do Grupo de Pesquisa em Enfermagem Materna e Infantil (GPEMI).
111
Doutor em Ciência – Cuidado em Saúde – PPGE-EEUSP. Docente em Enfermagem na Universidade
Estadual do Oeste do Paraná. Líder do Grupo de Pesquisa em Enfermagem Materna e Infantil (GPEMI).
ANAIS DO I SENAPS
vida.
METODOLOGIA
Estudo qualitativo, fundamentado na Fenomenologia Social de Alfred Schütz
(SCHÜTZ, 2003). Para o desenvolvimento deste estudo a Fenomenologia Social é a que
se mostra mais adequada por permitir a compreensão dos fenômenos humanos
vivenciados no cotidiano a partir de experiências concretas, neste caso, a vivência da
mulher idosa frente à sexualidade para nós é um evento social (SCHÜTZ, 2003;
SCHÜTZ 2003a; CALDEIRA etal, 2012). Pesquisa desenvolvida nos municípios da
área de abrangência da Décima Regional de Saúde (10ª RS) de Cascavel Paraná Brasil.A coleta de dados se deu nas dependências do Centro Regional de Especialidades
do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná (CRE-CISOP) após
autorização para a pesquisa. Foram entrevistadas 18 mulheres idosasapós concordarem
em participar da pesquisa e assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE). Os dados coletados ocorrerampor meio de entrevista gravada com questões
abertas.
RESULTADOS
A organização dos dados se deu a partir da identificação das categorias concretas
do vivido das 18 mulheres idosas sobre a sexualidade, sendo um conjunto de
experiências vivenciadas pela mulher idosa o qual nos referimos segundo o referencial
da Fenomenologia Social de Alfred Schütz (2003), como "motivos por que". Também
consideramos as expectativas da mulher idosa frente a sua sexualidade, bem como as
expectativas de cuidado daquelas em relação aos profissionais de saúde denominadas
"motivos para".Dessa forma, os depoimentos das mulheres idosas resultaram em seis
categorias, sendo quatro referentes às experiências vividas, consideradas por Schütz
(2003) “motivos porque”: 1) Compreensão sobre a sexualidade; 2) Vivência da
sexualidade; 3) Espaço para discutir a sexualidade; 4) Percepção da atuação profissional
frente à sexualidade. E duas categorias referentes por Schütz (2003) como “motivos
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para”, ou seja, as perspectivas para ações futuras: 5) O que espera frente à sexualidade e
6) Expectativas frente aos serviços e profissionais de saúde. As idosas deste estudo
compreendem a sexualidade a partir do conhecimento adquirido em suas relações
sociais no mundo social. Alfred Schütz (2003) trata o mundo social como mundo vida,
sendo o cenário de interação humana em que a pessoa utiliza o acervo ou bagagem de
conhecimentos derivado de suas vivências e que são transmitidos aos outros que lhe
antecederam e ou sucederam para a significação de suas experiências (CALDEIRA et
al, 2012). Assim, para a maioria das mulheres estudadas a sexualidade não é
compreendida apenas como um ato sexual, mas o conjunto que envolve o
companheirismo, o respeito, fidelidade, um bom relacionamento entre o casal e a
família, uma boa estrutura familiar. Porém, algumas referiram ser a sexualidade uma
atividade sexual que depende do estado de saúde e doença, bem como da afinidade entre
o casal.É como a mulher vivenciar e expressar o ser mulher e o homem ser homem.
Através dos gestos, da postura, da fala, do andar, da voz, das roupas, dos enfeites, do
perfume, enfim, de cada detalhe do individuo. Confunde-se sexualidade com relação
sexual, no entanto, a relação sexual é um componente da sexualidade e ao contrário do
que muita gente pensa não é apenas a relação pênis-vagina, mas sim a troca de sons,
cheiros, olhares, toques, secreções e carícias (RIBEIRO, 2002).A mulher idosa vivencia
a sexualidade de acordo com o conhecimento que possui sobre a mesma, o que Schütz
(2003) denomina Bagagem de conhecimento. Para algumas mulheres, vivenciar a
sexualidade está fortemente atrelada com a atividade sexual. Elas trazem em suas falas
que a diminuição da libido, muitas vezes, interfere no relacionamento conjugal, uma vez
que a longevidade pode, naturalmente, diminuir o desejo sexual, às vezes pela mulher,
às vezes pelo companheiro. Além de que, essa fase da vida, podeenvolver preocupações,
problemas de saúde, de acordo com as experiências vivenciadas por essas mulheres.As
vivências sexuais da pessoa idosa ocorrem de forma distinta das etapas anteriores do
desenvolvimento humano, existindo muito mais carinho e cumplicidade (VIEIRA;
MIRANDA; COUTINHO,2012). Os fatores que interferem de forma negativa nessa
ANAIS DO I SENAPS
vivência considerada por Schütz (2003) como situação biográficatem relação com a
presença de patologias, dificuldades financeiras, a percepção negativa da sociedade em
geral em relação à sexualidade na velhice, gerando preconceito e discriminação contra a
pessoa idosa, acarretando prejuízos a sua qualidade de vida (VIEIRA; MIRANDA;
COUTINHO, 2012). A maioria das mulheres deste estudo relata que não possuem
espaço para discutir a sexualidade nos serviços de saúde, ficando essa discussão restrita
com o marido ou com as amigas. Outras falam que, simplesmente, não costumam
conversar sobre o assunto, muitas vezes, por vergonha. E apenas a minoria diz que
mantém uma discussão aberta com profissionais de saúde. Os estudos relacionados aos
idosos, em sua maioria, dizem respeito aos problemas físicos dessa faixa etária, ficando
a sexualidade em segundo plano (FRUGOLI; MAGALHÃES, 2011). Considerando
isso, cabe aos profissionais de saúde manter um diálogo aberto e respeitoso com a
mulher idosa, bem como esclarecer sobre as mudanças que o seu corpo apresenta nesse
momento da vida (COELHO et al., 2010). Quando tratamos de diálogo no contexto
deste estudo, podemos nos reportar aos conceitos da Fenomenologia Social em que
Schütz (2003) traz a relação face a face nas relações sociais. Neste caso, o profissional
de saúde e a mulher idosa estão envoltos por meio dessa relação face a face do cuidado
no tocante a sexualidade e pela intersubjetividade, sendo esta uma precondição da vida
social em que a vivência é a fonte dos significados humanos. Estes não são individuais,
pois, à medida que são contextualizados na relação intersubjetiva, configuram um
sentido social (CALDEIRA et al, 2012). As mulheres idosas deste estudo expõem
satisfação na atuação dos profissionais, por meio de conversas com os mesmos, por
esclarecimentos de dúvidas, por palestras, porém, ocorreu um relato de que há maior
enfoque no âmbito de saúde e doença do que no aspecto sexual. Outras idosas dizem
que nunca foram abordadas por profissionais para falarem sobre sexualidade, porém
complementam que não possuem participação ativa em atividades desse nível. Nesse
contexto é importante destacar que a saúde para a população idosa não se restringe à
prevenção de agravos de doenças crônicas não transmissíveis, mas dizem respeito
ANAIS DO I SENAPS
também à saúde no tocante as ações que se destinam a garantir condições de bem-estar
físico, mental e social (BRASIL, 1990). As idosas ressaltaram também que não
possuem expectativas em relação à sexualidade, isso decorre do fato da idade avançada,
aparecimento de doenças ou por já terem perdido o marido. Quando referem esperar
algo sobre a sexualidade, os relatos não são detalhados, se restringindo, apenas, a
esperarem algo bom ou que melhore. Segundo o Ministério da Saúde (2007), os
serviços de atenção básica devem se adequar para atender as idosas tendo como alvo a
educação no cuidado primário em saúde. Ainda, deve buscar, por meio de capacitação,
aperfeiçoar a formação dos profissionais de saúde de modo que possam analisar as
condições que afligem as idosas, dando a elas ferramentas para um envelhecimento
saudável. Referente às expectativas das idosas, neste estudo ficou evidente que essas
possuem expectativa em relação aos serviços e profissionais de saúde, pois além de
expressarem intensa receptividade aos profissionais, almejam que estes melhorem as
ações direcionadas para o idoso em especial no tocante à sexualidade. As mulheres que
mostraram posicionamento contrário a este referiram não saber opinar por falta de
participação ou envolvimento com os trabalhadores de saúde ou por já não esperarem
mais nada em relação a própria sexualidade. Portanto, a Política Nacional de Saúde da
Pessoa Idosa traz entre suas finalidades e diretrizes manter e promover a autonomia e a
independência dos indivíduos idosos, a formação e educação permanente dos
profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa; facilitar a participação
das pessoas idosas em equipamentos sociais, grupos de terceira idade, atividade física,
conselhos de saúde locais e conselhos comunitários onde o idoso possa ser ouvido e
apresentar suas demandas e necessidades; informar e estimular a prática de nutrição
balanceada, sexo seguro, imunização e hábito de vida saudáveis; implementar ações
que contraponham atitudes preconceituosas e sejam esclarecedoras de que
envelhecimento não é sinônimo de doença; disseminar informação adequada sobre o
envelhecimento para os profissionais de saúde e para toda a população, em especial para
a população idosa.
ANAIS DO I SENAPS
CONCLUSÃO
Percebeu-se nas falas das mulheres idosas que essas conhecem e vivenciam sua
sexualidade de modos diferentes dependendo das suas experiências e bagagem de
conhecimento adquirida, dessa forma elas ocultam ou deixam clara a sua compreensão
sobre a sexualidade. A maioria valorizam os espaços para discussão sobre a
sexualidade, porém receiam pela busca de conhecimento sobre o tema. Algumas
referem não conhecer e não vivenciar a sexualidade e não apresentam expectativas, ao
passo que outras, além de conhecerem e vivenciarem satisfatoriamente a sua
sexualidade, vislumbram que possam melhorar ainda mais. As idosas deste estudo
referem necessidade de maior envolvimento entre os profissionais de saúde e as
mulheres idosas no tocante a sexualidade. Por fim, entendendo que a sexualidade não é
somente a prática de atividade sexual, mas um conjunto que envolve o respeito, o
companheirismo, a saúde e a qualidade de vida, cabe a nós profissionais de saúde buscar
qualificação para cuidar da população idosa e consequentemente atuar mais eficazmente
na educação em saúde em especial sobre a sexualidade como forma de cuidado integral
a essa clientela.
Palavras-chaves: Longevidade, Sexualidade, Pesquisa qualitativa.
REFERÊNCIAS
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Básica. Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa. Brasília: Ministério da Saúde,
2007.
_______. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.528 de 19 de outubro de 2006: Política
Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Disponível em
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/2528%20aprova%20a%20politica%20na
cional%20de%20saude%20da%20pessoa%20idosa.pdf>. Acesso em: 1 mar. 2013.
ANAIS DO I SENAPS
_______. Diário Oficial da União. Lei nº 8080/90. Dispõe sobre as condições para
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o financiamento dos
serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília DF,19 de setembro de 1990.
Disponível em <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/lei8080.pdf >. Acesso
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CALDEIRA S; MERIGHI M. A. B; MUÑOZ L. A; JESUS M. C. P; DOMINGOS
S.R.F; OLIVEIRA D. M. O enfermeiro e o cuidado à mulher idosa: abordagem da
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Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/rlae/v20n5/pt_10.pdf>. Acesso em: 1 fev.
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COELHO D. N. P; DAHER D. V; SANTANA R. F; ESPÍRITO SANTO F. H.
Percepção de mulheres idosas sobre sexualidade: implicações de gênero e no Cuidado
de Enfermagem. Rev. Rene. Fortaleza, v.11, n.4, p. 163-173, out./dez.2010. Disponível
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SCHÜTZ, A. El problema de La realidad social. Escritos I. 2 ed. Buenos Aires:
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VIEIRA K. F. L; MIRANDA R. S; COUTINHO M. P. L. Sexualidade na velhice: um
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ANAIS DO I SENAPS
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from: http://www.who.int/gender/en/.
Eixo temático: Saúde do Idoso
ANAIS DO I SENAPS
SEXUALIDADE NA TERCEIRA IDADE: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE
PROJETO DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE COM IDOSOS.
Cristina Daiana Bohrer1
Lili Marlene Hofstatter2
Ana Tamara Kolecha Giordani3
Wandressa Argente3
INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo natural que envolve o ser humano. Envelhecer
não significa apenas ser velho, mas sim, sofrer mudanças constantemente e lentamente,
tanto físicas como psicológicas. Dentre tantas mudanças, compreende-se também a
sexualidade.
Conforme Silva (2006), a sexualidade é o conjunto dos fenômenos da vida
sexual de um indivíduo que compreende os aspectos biológicos, psicológicos,
sociológicos, culturais e espirituais. Pode-se dizer que a sexualidade humana começa no
microssegundo da fecundação e só termina com a morte. Portanto, a sexualidade é uma
característica própria do ser humano desde sua criação, e que ao longo do tempo vai se
transformando, porém permanece até o fim de sua vida. Nos últimos anos vem
ocorrendo uma revolução na concepção e na prática da sexualidade, o que tem se
refletido de forma indiscutível na terceira idade (RIBEIRO, 2002).
Com o passar dos tempos, houve (e tende a prosseguir) uma mudança dos
padrões das populações no mundo. O envelhecimento, antes considerado um fenômeno,
hoje, faz parte da realidade da maioria das sociedades. Tanto isso é verdade que estimase que para o ano de 2050 que existam cerca de dois bilhões de pessoas com sessenta
anos e mais no mundo, a maioria delas vivendo em países em desenvolvimento
(BRASIL, 2007). De forma mais clara, o mundo está envelhecendo, e a partir disso,
torna-se necessário mudanças de comportamento envolvendo a todos, independente da
faixa etária.
ANAIS DO I SENAPS
Consequentemente, a saúde, e todos os envolvidos, devem sofrer mudanças em
sua assistência e cuidado. Cuidar da pessoa idosa é uma tarefa complexa, devido ás suas
particularidades e limitações, o que exige do profissional de saúde um melhor preparo
para lidar com essa população. Trabalhar com idosos essa temática (sexualidade), é de
certa forma bastante difícil, pois o que se vê ainda hoje é uma visão distorcida sobre o
assunto na terceira idade.
Mitos ou crenças infundadas há várias, tais como: na velhice o homem perde a
ereção, a mulher após a menopausa perde o desejo. Por isso, o principal fator a ser
abordado pelo profissional de saúde é a desmistificação (MANOCCI, 1995).
Engana-se quem acha que a prática sexual na terceira idade não existe. O ato
sexual deixou de ser uma atividade somente para procriação da espécie, e tornou-se algo
que visa o prazer e bem estar, sendo algo natural da vida humana. Estudos mostram que
74% dos homens e 56% das mulheres casadas mantêm vida sexual ativa após os 60 anos
(BRASIL, 2007). Essa afirmação vem para comprovar o fato de que a prática sexual
existe sim na terceira idade, da mesma maneira que em outros períodos da vida,
portanto, é um assunto que deve ser trabalhado com essa população.
É claro que devido á idade, essa prática pode tornar-se diferente em alguns
aspectos. Estruturalmente, não há qualquer causa que provoque diminuição do desejo,
apetite ou impulso sexual, o que pode ocorrer são algumas alterações orgânicas, como:
hipertensão arterial, arteriosclerose, diabetes, cardiopatias, processos reumáticos e
osteoporose (MANOCCI, 1995).
Um dos argumentos utilizados para a escolha desse tema foi também o crescente
número de idosos infectados com algum tipo de doença sexualmente transmissível no
nosso país nos últimos anos.
O grupo populacional com 60 anos ou mais representa 8,6% da população em
geral: cerca de 15 milhões de pessoas. A incidência de AIDS entre as pessoas
idosas está em torno de 2,1%, sendo a relação sexual a forma predominante
de infecção pelo HIV. Mas há uma crescente evidência de que esse grupo
está se infectando cada vez mais não só pelo HIV, mas também, por outras
ANAIS DO I SENAPS
doenças sexualmente transmissíveis como sífilis, gonorréia, etc (BRASIL,
2007).
Para reduzir tais índices, práticas de prevenção devem ser realizadas em
qualquer fase da vida, daí vem-se a necessidade de explicar aos idosos sua importância.
O profissional de saúde, na prática, ao prestar um atendimento integral ao paciente,
busca não só curar uma doença, mas sim, prevenir outras, sejam elas de qualquer tipo,
inclusive as DST’s. A enfermagem, principalmente por estar em contato direto com o
paciente, deve abordar em seu cuidado essa temática, seja através da consulta de
enfermagem, ou através de atividades educativas.
Nessa idade, muitas vezes, os idosos buscam os serviços de saúde, somente
quando tem algum tipo de doença ou agravo, e o seu tratamento é basicamente sobre
isso, não buscando suas dúvidas referentes a outros assuntos, que são de extrema
importância, como o deste relato.
O objetivo do projeto “Educação em Saúde para Idosos do CRAS” é o de
promover ações de educação em saúde visando melhoria da qualidade de vida da
população idosa inscrita do programa do CRAS (Centro de Referencia de Ação Social)
do município de Cascavel – PR além de esclarecer a população idosa, sobre os agravos
mais comuns na terceira idade, bem como a prevenção de suas possíveis complicações.
Assim, busca-se através de informações sobre o processo saúde –doença, melhorar a
qualidade de vida não só dos idosos envolvidos, mas, bem como seus familiares,
através da mudança de comportamento quanto ao seu autocuidado.
OBJETIVO
Descrever sobre as práticas educativas em saúde realizada com grupos de idosos
do município de Cascavel, PR, participantes do projeto “Educação em saúde para idosos
do CRAS”, acerca do tema “Sexualidade na Terceira Idade”.
METODOLOGIA
ANAIS DO I SENAPS
As reuniões com os grupos de idosos foram realizadas na segunda semana do
mês de novembro de 2012 e os grupos coordenados pelo CRAS tiveram dias da semana
definidos para os diferentes bairros (Brasília, Periolo, Morumbi, Pacaembú, São
Cristóvão e Consolata), ou seja, as reuniões ocorreram de segunda-feira a quinta-feira (4
reuniões) nos bairros acima citados, conforme cronograma da instituição.
As apresentações foram feitas na forma expositiva e dialogada. Foram
explicitados os principais aspectos referentes ao envelhecimento e sexualidade, doenças
sexualmente transmissíveis e sua prevenção, além da exposição da maquete do sistema
reprodutor feminino. Ao final da apresentação houve espaço para contribuições de
experiências vividas pelas idosas e questionamentos referentes ao tema.
RESULTADOS
Nos grupos de idosas participantes, a maioria delas possuia idade acima de 60
anos e muitas viveram em ambientes familiares tradicionais, onde falar sobre
sexualidade em público não era uma atividade normal por ser algo muito íntimo e
individual do casal, por isso, é um assunto delicado de ser tratado.
Durante a prática em saúde com esses grupos de idosas, pôde-se observar que
muitas delas desconhecem o assunto (principalmente quanto a anatomia do sistema
reprodutor feminino), ou ainda, não se sentem confortáveis para falar abertamente sobre
isso.
Na primeira reunião, obtivemos um desempenho não satisfatório, pois as idosas
do grupo se sentiram ofendidas com o assunto, não aceitando que pessoas jovens
falassem sobre o tema. Observou-se que esse era um grupo com idosas com maior idade
que nos outros grupos, o que pode ter contribuído para essa reação, devido á sua cultura
ser mais tradicional. A reunião foi iniciada pela apresentação da maquete feminina, o
que também pode ser um fator de rejeição das mesmas, assim, não houve quase
participação por parte delas e o assunto foi brevemente exposto devido a pouca
receptividade das participantes.
ANAIS DO I SENAPS
A partir desse comportamento, foi necessária uma mudança da forma de
transmissão do assunto nos próximos encontros, então, buscou-se iniciar a atividade de
educação em saúde trazendo uma discussão mais aberta, falando sobre as alterações no
organismo na terceira idade, depois expondo sobre as doenças sexualmente
transmissíveis e por último mostrando a maquete do sistema reprodutor feminino. Com
isso, obtivemos um resultado positivo nos outros 3 encontros, pois elas se interessaram
mais pelo assunto, participando da atividade de educação em saúde, dando suas
contribuições sobre experiências vivenciadas ou conhecidas e tirando algumas dúvidas
sobre o tema.
CONCLUSÃO
A sexualidade é um tema delicado ao ser tratado com a população idosa, devido
muitas vezes aos valores que essas pessoas carregam ao longo de sua vida, pois inclui
fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e religiosos.
Para uma boa prática, o profissional de saúde deve desmistificar fatos incorretos,
tabus e preconceitos em relação ao tema, e mostrar ao idoso que a prática sexual é
importante e deve ser realizada em todas as fases da vida, inclusive na terceira idade.
Expor os benefícios, incluindo o bem estar e satisfação pessoal, bem como mostrar
como é o corpo humano, além da importância da prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis é fundamental.
O enfermeiro tem papel essencial, pois é ele quem está em contato direto com
essa clientela. A saúde do idoso faz parte de todo o plano de cuidados de Enfermagem,
sendo uma prática diária. Assim, as atividades de educação fazem parte do cuidado,
devendo ser realizadas continuamente.
Devem ser reforçadas as práticas de educação em saúde, abrangendo este e os
mais diversos temas envolvendo o ser humano. Dar atenção integral aos idosos e suas
carências é fundamental, seja ele na promoção, prevenção ou recuperação da saúde
oferecendo á população um envelhecimento seguro e de qualidade.
ANAIS DO I SENAPS
Palavras-chave: Sexualidade, Idoso, Enfermagem.
REFERÊNCIAS
MANOCCI, J. F. Disfunções sexuais. São Paulo: Fundação By, 1995.p. 174-5.
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Eixo temático: Saúde do Idoso
ANAIS DO I SENAPS
ACIDENTES COM QUEDAS EM IDOSOS DE UMA UNIDADE SAÚDE DA
FAMÍLIA
Ana Maria Vitória112
Elizabeth Aparecida de Souza113
Leila Wiedmann114
INTRODUÇÃO
No Brasil o envelhecimento populacional é um fato real. Para Paixão Junior;
Heckman (2006) as mudanças que ocorreram na estrutura populacional trazem uma
série de desafios para a família, sociedade e serviços de saúde. Cabe ressaltar que as
equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) é a responsável pela atenção à saúde
de todas as pessoas, neste caso as pessoas idosas pertencentes a sua área de abrangência,
inclusive, aquelas que se encontram em instituições, públicas ou privadas (BRASIL,
2010). Dessa forma, o envelhecimento populacional brasileiro é um desafio para o
Sistema Único de Saúde (SUS), pois a associação entre envelhecimento populacional e
a assistência e/ou cuidado a esse grupo vem sendo estudada nacional e
internacionalmente (BRASIL, 2010). Destaca-se aqui que os acidentes com quedas
entre pessoas idosas são fatos preocupantes em razão da maior vulnerabilidade desta
parcela da população, resultando em comprometimento de gravidade incerta. Dentro
dessa perspectiva, o profissional deve questionar a ocorrência e frequência de quedas
nessa população, para a identificação do risco (BRASIL, 2010). O ambiente residencial
pode aumentar o risco de quedas e deve ser incluído na programação de avaliação da
pessoa idosa. Salienta-se que mais de dois terços daqueles que têm uma queda cairão
112
Enfermeira do Centro de Oncologia Cascavel – CEONC. Graduada pela Universidade Paranaense –
UNIPAR – Unidade de Cascavel/PR.
113
Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela Universidade Estadual de Maringá – UEM – PR. Docente do
Curso de Enfermagem da Universidade Paranaense – UNIPAR – Unidade de Cascavel e Enfermeira da
10ª Regional de Saúde.
114
Enfermeira. Especialista em Saúde da Família pela Universidade Paranaense – UNIPAR - Unidade de
Cascavel/PR. Enfermeira da 10ª Regional de Saúde. Rua Souza Naves 4081, Ap. 54 – Centro Cascavel - Pr (45) 9942-3860. [email protected] .
ANAIS DO I SENAPS
novamente nos seis meses subsequentes, 70% das quedas em idosos ocorrem dentro de
casa e, dos que caem cerca de 2% requer hospitalização e dessa apenas metade
sobrevivera após um ano (ESTADO, s/d). Concorda-se com Marin et. al. (2007) que
embora as quedas contribuam para o aumento da morbidade e da mortalidade entre os
idosos, elas são preveníveis, o que representa importante desafio para os profissionais
de saúde na formulação e implementação das ações de saúde tanto para a população
idosa como para a sociedade em geral.
OBJETIVOS
Conhecer os acidentes domésticos com quedas no último ano que ocorrem com
idosos residentes na área de abrangência da Estratégia de Saúde da Família de São
Salvador do município de Cascavel/PR e descrever os fatores de risco domésticos para
os acidentes ocorridos com os idosos daquele território.
METODOLOGIA
Optou-se pela pesquisa descritiva e exploratória com abordagem quantitativa.
Para a realização da pesquisa foi realizado um sorteio aleatório e foi selecionada a
Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) de São Salvador no município de
Cascavel/PR. Utilizou-se pesquisa de campo e a amostra foi composta pelos idosos de
ambos os sexos, com história de acidentes domésticos com quedas no último ano e
residentes na área de abrangência da UBSF de São Salvador. Os idosos foram
selecionados no primeiro momento pela indicação dos Agentes Comunitários de Saúde
(ACS) da área adscrita, no segundo momento foram seguidos os critérios de inclusão
para os sujeitos da pesquisa, ou seja, possuir 60 anos ou mais e ser residente do
território da UBSF do distrito de São Salvador e, a exclusão se deu pelos sujeitos sem
história de acidente domiciliar com quedas ou se recusem a participar da pesquisa e os
dados foram coletados por meio de entrevista conforme a disponibilidade dos idosos. O
ANAIS DO I SENAPS
projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade
Paranaense/UNIPAR e aprovado pelo parecer nº. 37120/2012.
RESULTADOS
Deve ser destacado que no delineamento da pesquisa algumas limitações devem
ser consideradas, como o tamanho amostral que se deu pela delimitação da mesma.
Entre os pesquisados não variou muito a faixa etária sendo apresentado de 60 a 64 anos
2 (40%) mulheres e 1 (20%) homem e de 75 a 79 anos para ambos os sexos 1 (20%),
obtendo-se a média de 67,4 anos entre os idosos. Quanto ao estado civil, verifica-se que
os sujeitos são casados 4 (80%) para ambos os sexos e 1 (20%) viúva, dentre as
mulheres 1 (20%) reside com o esposo, 1 (20%) reside com os filhos, 1 (20%) com
marido e filhos, os homens residem 1 (20%) com esposa e filhos e 1 (20%) com filhos e
netos. Lembrando que todos estão aposentados. Os dados apontam que os primogênitos
assumem uma parcela significativa da responsabilidade, situação que requer atenção dos
profissionais de saúde, principalmente da enfermeira, pois Caldas; Saldanha (2004)
refere que os membros da família nem sempre estão dispostos a assumir o cuidado e
quando assumem podem estar despreparados ou sobrecarregados. Entretanto os
cuidadores informais como filhos e parentes constituem a mais importante fonte de
suporte para os idosos. Salienta-se que as quedas registradas entre as mulheres na faixa
etária de 60 a 64 e 75 a 79 anos é de 1 (20%) tanto para a frequência de 1 a 2 quedas
como para 5 ou mais quedas. Entretanto os homens na faixa etária de 60 a 64 e 75 a 79
anos é de 1 (20%) tanto para a frequência de 1 a 2 quedas como de 3 a 4 quedas.
Salienta-se que conforme proposto a totalidade dos idosos apresenta história de quedas
no último ano, sendo resultante de um deslize ou tropeço. A ocorrência de queda foi
maior entre as mulheres. Yuaso; Sguizzatto (2002) relata que, aproximadamente 1/3 dos
idosos, morando em casa sofrem uma queda por ano e salienta que a frequência de
quedas em pessoas idosas é mais elevada do que se imagina, pois os idosos as aceitam
como um acontecimento inevitável do envelhecimento e geralmente não as referem, a
ANAIS DO I SENAPS
menos que interrogados. Para os autores acima cabe ao profissional da saúde indagar
sobre este evento, uma vez que o fato de cair pode significar a manifestação de doenças
importantes que devem ser diagnosticadas, lembrando que a queda é um sintoma e não
um acontecimento isolado. Técnicos do Ministério da Saúde sugerem que durante a
consulta tanto nas Unidades Básicas de Saúde como no domicílio, seja realizada
Avaliação Multidimencional Rápida da pessoa idosa, ponderando a queda sob os
aspectos biológicos, físico-funcionais, cognitivos e psicossociais para identificação do
mecanismo da queda, condições clínicas e medicamentos em uso (BRASIL, 2010). Os
idosos relataram que a maioria dos acidentes ocorreu no banheiro, seguidos pela
cozinha e lavanderia, e as principais lesões foram fratura seguidas pela contusão,
luxação. Ressalta-se que 40% dos idosos necessitaram de hospitalização. Com relação
ao desenvolvimento de doença após o trauma, 20% relataram terem desenvolvido
infecção urinária e 20% infecção respiratória. Vale salientar que, das vítimas de
acidentes domésticos, todos manifestaram dor. No Brasil o impacto econômico
representado pelos acidentes pode ser medido diretamente pelos gastos hospitalares com
internação, inclusive em unidades de terapia intensiva e em dias de permanência geral.
A proporção de internação hospitalar decorrente de acidentes domésticos ocorridos nos
conduz a pensar na necessidade de estratégias públicas para a prevenção desses
acidentes com a população idosa (CARVALHO, 2007; BRASIL, 2010). Embora os
idosos não articulem a queda com o ambiente, os resultados apontam que 80% não
possuem barra de apoio no chuveiro, 100% não conta com barra próxima ao vaso sanitário,
60% não tem piso antiderrapante ou tapete fixo, 80% não têm hábito de manter luz acessa
durante a noite, 100% não possuem nas escadas antiderrapantes ou corrimão, 40% não tem
interruptor de luz próxima à cama, 40% sem uso de calcados adequados para a idade, 20% com
roupas muito comprida, 20% com medicação para dormir, fatos que tem íntima relação com
maior probabilidade a quedas. Cabe ressaltar que quando aos riscos ambientais não será
possível fechar em 100%, pois dentre os idosos entrevistados obtivemos mais de uma
resposta, ou seja, 2 idosos respondeu piso e escada, 3 idosos referem o piso e 2 os
ANAIS DO I SENAPS
tapetes. Um dos fatores extrínsecos que mais leva os idosos à queda é a presença de
escadas com degraus irregulares e sem faixa antiderrapante no término ou corrimão para
apoio, o que condiz com Yuaso; Sguizzatto (2002), onde a maior incidência de queda
está relacionada aos fatores extrínsecos, dentre eles pode-se ressaltar como fatores de
risco, a presença de móveis instáveis, escadas inclinadas e sem corrimão, tapetes
avulsos e carpetes mal adaptados, iluminação inadequada, tacos soltos no chão, pisos
encerados ou escorregadios, camas altas, sofás, cadeiras e vaso sanitário muito baixo,
prateleiras de difícil alcance, presença de animais domésticos pela casa, uso de chinelos
ou sapatos em más condições ou mal adaptados e fios elétricos soltos. Messias; Neves
(2009) afirmam que pesquisas brasileiras têm dado grande ênfase referente às quedas
em idosos aos fatores ambientais como fatores extrínsecos de risco, mas não se
investiga sobre a influência do comportamento e atitude do idoso como contribuição
nestes eventos. Concorda-se com Messia; Neves (2009) que as atividades que resultam
em quedas se devem a condutas impensadas do próprio idoso, portanto, prevenir
atitudes de risco por parte dos idosos que nunca caíram e que têm bom estado funcional
é tão importante quanto à presença ou a exposição ao risco ambiental. Dessa forma, os
profissionais devem ater-se tanto para investigação de atitudes de risco por parte dos
idosos como exemplo subir em um banco para estender roupas no varal, como dos
fatores ambientais de riscos de quedas, ou seja, para presença de tapetes em superfícies
lisas, carpetes soltos ou com dobras, pisos escorregadios, cordas, cordões e fios no chão,
ambientes desorganizados, móveis instáveis, presença de escadas irregulares, má
iluminação, presença de animais, dentre outros. Alerta ainda para a necessidade de
evitar o uso de chinelos, sapatos desamarrados, mal ajustados ou com solado
escorregadio e cuidados em relação a roupas compridas, que arrastem no chão e podem
desencadear quedas (BRASIL, 2010). Referindo ao atendimento integral da pessoa
idosa na atenção básica, deve ser incluída na avaliação tanto a investigação de atitudes
de risco por parte dos idosos como dos fatores ambientais de riscos de quedas e
estabelecer estratégias para intervenção e prevenção da mesma (BRASIL, 2010). Não
ANAIS DO I SENAPS
podemos esquecer que 2 (40%) das mulheres referem insegurança ou medo de cair
novamente, enquanto 3 idosos não registram medo de cair novamente, sendo 1 mulher e
2 homens. Yuaso; Sguizzatto (2002) alertam que as quedas podem gerar graves
consequências físicas e psicológicas, como, por exemplo, lesões, hospitalizações, perda
da mobilidade, restrição da atividade, diminuição da capacidade funcional, e medo de
cair novamente. Salienta-se que o medo pode ser protetor quando o idoso toma mais cuidado
para não se expor ao risco, mas também pode ser um risco quando causa limitação e
insegurança. Dentre os idosos entrevistados a prevalência do uso de medicamentos foi de
100%, totalizando 11 medicamentos consumidos. O número máximo de medicamentos
utilizado por um idoso foi 7 e o mínimo de 1, sendo a média de consumo entre os
mesmos de até 3,4 medicamentos. A utilização de medicamentos em pessoas idosas
deve ser sempre uma preocupação dos profissionais de saúde, lembrando que a
fisiologia do idoso difere dos adultos jovens, bem como a interação medicamentosa
indesejada, torna o uso de medicamentos um fator de risco (BRASIL, 2006). Salienta-se
que um dos idosos é considerado idoso frágil ou em processo de fragilização, pois
utiliza 7 medicamentos. Para Flores; Benvegnú (2008) os idosos são, possivelmente, o
grupo etário mais medicalizado na sociedade, como o número de indivíduos idosos vem
aumentando, o consumo de medicamento por esta população acompanha esta tendência,
que possivelmente possa ser explicada devido ao aumento da prevalência de doenças
crônicas com a idade. Assim, os medicamentos representam um dos itens importantes
da atenção à saúde do idoso na prevenção de quedas.
CONCLUSÃO
Conclui-se que os acidentes domésticos com quedas no último ano e residentes
na área de abrangência da UBSF de São Salvador trazem serias consequências físicas,
psicológicas e sociais, portanto a identificação dos fatores de risco significativos
causadores de quedas é uma importante etapa no sentido de estabelecer estratégias para
prevenção da mesma. Visando a prevenção das quedas, as intervenções deverão ajudar
ANAIS DO I SENAPS
tanto os idosos, não ignorando sua parcela de responsabilidade, como família e
cuidadores, principalmente a compreender a forma de reduzir a probabilidade de queda,
sendo imprescindível que a residência do idoso seja diferenciada, a fim de que ofereça
segurança necessária e diminua ao máximo o risco das quedas e suas consequências
indesejáveis.
Palavras-chave: Idosos, Quedas, Enfermagem
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Eixo temático: Saúde do Idoso
ANAIS DO I SENAPS
IDOSOS VÍTIMAS DE MAUS TRATOS
Djulli Wirdian Lara115
Elizabeth Aparecida de Souza116
Leila Wiedmann117
INTRODUÇÃO
Em países em desenvolvimento, o envelhecimento é uma das mudanças mais
comuns e marcantes desde o século XX. De acordo com Alves et al., (2002) referem
que a violência vem sendo caracterizada como um dos principais problemas enfrentados
pela população de 60 anos ou mais e, acredita-se que isso acontece devido às diferenças
entre a faixa etária da população, aonde a violência vem sendo manifestada pelo poder
de outrem frente à fragilidade da pessoa idosa, resultando em uma série de conflitos e
complicações. Considerado como crime desde a Constituição Federal de 1988 e no
Estatuto do Idoso de 2003, os maus tratos causados aos idosos passam ainda
despercebidos. Desta forma, compreende-se que a violência acompanha diversos fatores
de riscos, receios e personalidades já formuladas por cuidadores, os quais na maioria
das vezes resultam e influenciam na relação do idoso e cuidador, gerando conflitos,
impondo um grau significativo de sentimentos evitáveis nessa relação.
Saldanha;
Caldas (2004) ressaltam que muitas vezes, os cuidados são prestados de forma
inadequada e insuficiente, devido às situações que os membros da família se
subestimam, não estando dispostos a lidar com o idoso, falta de paciência e
entendimento, despreparados ou estão sobrecarregados por esta responsabilidade.
115
Enfermeira. Graduada pela Universidade Paranaense – UNIPAR – Unidade de Cascavel/PR.
Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela Universidade Estadual de Maringá – UEM – PR. Docente do
Curso de Enfermagem da Universidade Paranaense – UNIPAR – Unidade de Cascavel e Enfermeira da
10ª Regional de Saúde.
117
Enfermeira. Especialista em Saúde da Família pela Universidade Paranaense – UNIPAR - Unidade de
Cascavel/PR. Enfermeira da 10ª Regional de Saúde. Rua Souza Naves 4081, Ap. 54 – Centro Cascavel - Pr (45) 9942-3860. [email protected] .
116
ANAIS DO I SENAPS
Portanto, a violência, segunda causa de mortalidade no Brasil, é uma das grandes
preocupações da saúde publica, pois atinge toda classe social e diferentes grupos etários,
mesmo que não leve à morte, causa danos, provoca lesões, traumas físicos e emocionais
de grande intensidade (MACHADO; QUEIROZ, 2006). O Estatuto do Idoso no art.4º, §
1 esclarece que prevenir a ameaça ou a violação dos direitos dos idosos passa a ser um
dever de toda a sociedade brasileira, bem como torna obrigatória a sua denuncia aos
órgãos competentes (BRASIL, 2003).
OBJETIVO
Descrever os registros de ocorrências de maus tratos praticados contra idosos de
ambos os sexos, no ano de 2011, na cidade de Cascavel, ressaltando um possível
detalhamento da causa básica da denuncia, bem como identificar os ofensores e os tipos
de lesões sofridas pelos idosos, segundo a Classificação Internacional das Doenças.
METODOLOGIA
Pesquisa descritiva de campo, com abordagem quantitativa fundamentada na
analise documental de registros fornecidos pela Vigilância Epidemiológica e Centro de
Referência Especializado de Assistência Social III (CREAS III) do Município de
Cascavel – PR, do ano de 2011. A amostra foi composta pelos idosos que sofreram
maus tratos e o caso estava registrado na Vigilância Epidemiológica e/ou no CREAS III
no ano de 2011. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade
Paranaense (UNIPAR), sob o parecer nº. 37119/2012.
RESULTADOS
Nos relatórios e fichas de notificações individuais de registros revisados junto
aos setores de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Cascavel (SESAU) e CREAS
III, constatou-se 180 casos de maus tratos aos idosos no ano de 2011 na cidade de
Cascavel. Destes, 102 idosas (56,7%) eram do sexo feminino e 78 idosos (43,3%) do
ANAIS DO I SENAPS
sexo masculino. Deve-se considerar que por se tratar de arquivos de confirmação e
investigação os registros de ocorrências encontrados no CREAS III e na Vigilância
Epidemiológica aqui traçado diz respeito somente a 07 dentre os 180 casos com
detalhamento dos maus tratos aos idosos, onde constam as seguintes lesões segundo a
Classificação Internacional das Doenças (CID - 10): desnutrição (E-43), alcoolismo
(Y91. 9), espancamento e fratura de membros (R45.6). Mediante a tais resultados
indaga-se realmente os maus tratos não resultou em lesão? ou a investigação não foi
adequada? Ressalta-se que esse item merece um estudo mais aprofundado
posteriormente. Destacam-se as faixas etárias de 70 a 74 anos, seguida pelas de 65 a 69
anos e 60 a 64 anos onde as mulheres sofreram mais em relação aos homens, enquanto
na faixa etária de 75 a 79 anos encontra-se equiparada nos dois grupos etários, sem
distinções, o que não se pode desconsiderar nas demais faixas etárias. Para Souza;
Freitas; Queiroz (2007) a idade mais avançada e a dependência emocional deixam os
idosos mais suscetíveis aos maus tratos, tais informações são confirmadas pelos dados
da pesquisa, pois ao estabelecer comparativo entre idade e maus tratos, percebeu-se que
os idosos sofrem algum tipo de maus tratos em todas as faixas etárias. As mulheres são
as principais vítimas da violência contra idosos em Cascavel-PR. Os números são
preocupantes, pois, sabe-se que a cada um que pede por socorro há dez destes que
calam, dificultando a visibilidade do problema. Isso ocorre por questões de gênero e
baixo poder de autonomia, onde ainda convivem com algumas tradições em que os
homens possuem o poder de machismo sob a mulher. Assim faz-se necessário facilitar à
mulher, o acesso a uma rede de apoio social como trabalho, moradia, etc., buscando
inclui-la na sociedade e elevar sua condição de cidadania (BRASIL, 2006). No entanto,
a violência contra pessoas mais velhas ainda é muito presente no contexto social, o que
pode ser considerado um fator contribuinte de abuso a pessoa idosa (SOUZA;
FREITAS; QUEIROZ, 2007). Dentre os 180 casos pesquisados, 146 (81,1%) dos
registros os agressores foram caracterizados pela violência intrafamiliar e 34 (18,9%)
por outros ofensores, tais como o próprio idoso (a), vizinho, desconhecido, cuidador e
ANAIS DO I SENAPS
enteado. Souza; Freitas; Queiroz (2007) afirma que a violência familiar é realçada como
a mais freqüente forma de abuso contra dos idosos nos estudos internacionais. Para o
Brasil essa afirmação é insipiente, pois as pesquisas existentes não permitem estabelecer
comparativo da proporção que incidem os abusos entre os parentes próximos com os
que acontecem fora dos lares, bem como dentro das instituições. É importante salientar
que todos os casos registrados de maus tratos aos idosos estavam acompanhados de um
ou mais tipo de violência e agressor, resultando por diversos abusos sofridos por uma
única vítima. Portanto, o número de maus tratos e agressores excedem o numero de
vítimas. Destaca-se que o alto índice de violência registrado contra idosos em Cascavel
tem sido liderado pela negligencia da família seguido pelo abandono. No entanto a
violência sexual contra os idosos tem ficado cada vez mais frequente. Ela não lidera as
estatísticas, mas exige bastante cautela e cuidado nas investigações. Em 2011 foi
identificado e oficialmente contabilizado pelo CREAS III, três pessoas vítimas de
violência sexual, quantas outras vítimas de abuso sexual omitiram o fato? Não se pode
descartar a possibilidade de que o número de casos de violência contra idosos seja
maior, porém muitos destas não são notificados, principalmente as que envolvam
familiares. Devemos lembrar ainda, que uma percentagem dessa população vive em
instituições para idosos, encontrando-se vulnerável aos mesmos tipos de violência já
mencionados. Os maus-tratos e os abusos causados aos idosos são dos mais variados e
na maioria causados pelas famílias (81,1%). Embora o idoso diga-se amparado pela
Constituição de 1988 que institui “os filhos maiores tenham o dever de ajudar e amparar
os seus pais na velhice”. Para Pasinato; Camarano; Machado, (2004) a família brasileira
nem sempre tem condições de arcar com essa responsabilidade. Diante de tal fato como
o estado está se organizando para acolher idosos vítimas de maus tratos que não podem
continuar com a família? E o município? No caso do perfil agressor, dentre os registros
analisados de maus tratos aos idosos, a violência intrafamiliar aparece com 157 dos
casos, destes tendo como principal ofensor o filho da vitima com 109 casos. Tais atos e
atitudes violentas dos filhos e de outros parentes visam quase sempre à ostentada de
ANAIS DO I SENAPS
bens, objetos e rendas, sem o consentimento dos idosos (SILVA, 2004). As queixas
associam-se às várias formas de maus tratos físicos e psicológicos como apontam os
dados com alto índice dessas agressões que consequentemente produzem lesões,
traumas ou até a morte. Cabe ressaltar que por estes motivos muitos dos idosos acabam
por procurar outros estilos de vida, como assinalam os resultados encontrados com um
número significativo de idosos em situações de auto negligencia e abandono. Já os
abusos financeiros seguem a margem percentual da violência física, o que
provavelmente ocorre devido à apropriação da aposentadoria, onde se faz comum o uso
de maus tratos físicos para com a pessoa idosa a fim de usufruir dos benefícios
financeiros deste. Entre os maus tratos causados aos idosos há ofensores desconhecidos
6 (3,3%). Fato preocupante, pois, como pode o idoso ser vitima de outrem, sem que o
mesmo o conheça? A partir dos dados significativos, ressalva a idéia de se discutir e
buscar a identificação dos fatores de risco da população, para facilitar a definição de
ações a serem desenvolvidas, com a finalidade de intervir preventivamente ou confirmar
um diagnóstico, visando à adoção das medidas adequadas às diversas situações de
violência intrafamiliar. Em casos de a família tentar ocultar situações de risco para o
idoso, a aproximação do profissional poderá facilitar a abertura a um diálogo futuro,
criando novos espaços de ajuda. Deve-se destacar que salvo situações de risco iminente,
ou quando a vítima não tem capacidade de tomar decisões à equipe de saúde deve
oferecer orientações e suporte para que a vítima possa compreender melhor o processo
que está vivendo, analise as soluções possíveis para os seus problemas, tomando a
decisão que lhe pareça mais adequada (BRASIL, 2006). Portanto, Souza; Freitas;
Queiroz, (2007) referem que é necessário buscar e aplicar estratégias que preservem o
idoso de maneira integral, principalmente aqueles em condição de dependência e
fragilizados.
CONCLUSÃO
ANAIS DO I SENAPS
Tendo em vista os aspectos observados, indaga-se sobre as condições de vida do
idoso pós denuncia? Como o idoso vai denunciar a pessoa que convive com ele? Após o
idoso denunciar casos de maus tratos, quais são as medidas de proteçao do estado? Que
garantia o idoso tem que não sera mais agredido após denuncia? Conclui-se que é
necessario uma rede de apoio ao idoso vitima de maus tratos, onde o mesmo poderá ter
amparo e proteçao durante o desenrolar do processo de denuncia, com profissionais
qualificados para auxilia-lo em qualquer dificuldade que possa vir a encontrar. Por fim,
que o estado assegure o planejamento de estratégias e políticas, visando a prevenção dos
maus tratos contra a pessoa idosa, favorecedo a estes o envelhecimento seguro e digno,
ou seja, que seja assegurado seus direitos.
Palavras-chave: Idoso. Maus tratos. Enfermagem.
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Revista Ciências da Saúde. Vol.23, n.1/2, p. 72-79, jan/dez. 2004.
SOUZA, J.A.V.; FREITAS, M.C.; QUEIROZ, T.A. Violência contra idosos: análise
documental. Revista Brasileira de Enfermagem – REBEN. Vol.1, n.1, mai-jun; p.
268-272; Brasília, 2007.
Eixo temático: Saúde do Idoso
ANAIS DO I SENAPS
A PERCEPÇÃO DO CUIDADOR FAMILIAR DE IDOSOS DEPENDENTES
SOBRE O PAPEL DO PROFISSIONAL DA SAÚDE EM SUA ATIVIDADE
Maíra Caroline de Oliveira118
Keila Okuda Tavares119
INTRODUÇÃO
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera uma população como
envelhecida quando a proporção de pessoas com 60 anos ou mais atinge 7%, com
tendência a crescer. Portanto, não se pode mais dizer que o Brasil é um país jovem, já
que a população de idosos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) entre os anos de 1999 e 2009, passou de um percentual de 9,1% para 11,3%
(IBGE, 2010).
Com o passar dos anos o organismo fica mais vulnerável as agressões do meio
externo e interno devido ao envelhecimento biológico, que em particular é intransigente,
ativo e irreversível. O processo de envelhecer é de natureza multifatorial, depende da
programação genética e das alterações que ocorrem em nível celular-molecular.
Consequentemente pode haver diminuição da capacidade funcional e sobrecarga dos
mecanismos de controle homeostático, que passam a servir como fundamento
fisiológico para o aparecimento de doenças (MORAES, 2008).
A maior longevidade dos brasileiros e a presença das doenças crônicas são duas
causas importantes do aumento dos percentuais de idosos portadores de incapacidades
(KARSCH, 2003). Levando em consideração essa realidade é de se esperar que aumente
o número de idosos dependentes inseridos no meio social e familiar (SILVA;
GALERA; MORENO, 2007). Grande parte das doenças e limitações que os idosos
118
Discente do Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Rua
Filosofia, 614 / Cascavel-PR. Fone: (46)9917-9308. E-mail: [email protected]
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Fisioterapeuta. Mestre. Docente do Colegiado de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná (UNIOESTE).
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apresentam não é responsável por sua morte, mas tendem a ocasionar complicações e
sequelas, a ponto de impedir o autocuidado, sobrecarregando a família e o sistema de
saúde (ROSA, 2003).
Considerando a família como um sistema, uma unidade na qual existe uma
interação entre seus membros, a presença de um idoso dependente no domicílio afeta
todos os componentes do grupo de diversas maneiras. Sendo assim, existe a necessidade
dos profissionais da área da saúde levar em consideração a estrutura e as
particularidades de cada família ao estabelecerem suas condutas e orientações, pois ela
representa a ligação entre a equipe multiprofissional e a pessoa idosa dependente
(SILVA; GALERA; MORENO, 2007). A família precisa de uma atenção específica,
pois na maioria dos casos os familiares não se encontram preparados em vários aspectos
para cuidar adequadamente desse indivíduo (RAFACHO; OLIVER, 2010).
Dessa forma, é fundamental conhecer a vivência de cuidadores familiares de
idosos dependentes para poder auxiliar de uma forma mais completa as pessoas que se
dedicam a essa atividade. Na maior parte das vezes suas necessidades e particularidades
não são observadas, o que por sua vez pode interferir no sucesso das abordagens das
equipes de saúde.
OBJETIVO
Nesse sentido, o objetivo deste estudo é conhecer a opinião de cuidadores de
idosos dependentes sobre como o profissional da saúde pode atuar no intuito de auxiliálo a ser um bom cuidador.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo-exploratório de caráter qualitativo. Foram
realizadas entrevistas diretas, no período de setembro de 2012 a janeiro de 2013, com os
cuidadores familiares dos idosos dependentes em domicílio assistidos pela Pastoral da
Pessoa Idosa do Bairro Neva, do município de Cascavel-PR.
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A coleta de dados foi realizada por meio de uma entrevista semi-estruturada,
baseada em uma pergunta orientadora. Elas foram gravadas, utilizando-se um gravador
digital e transcritas na íntegra para posterior análise. Todos os cuidadores foram
entrevistados envolvidos nas atividades de cuidado do idoso dependente.
A pesquisadora responsável entrou em contato com o cuidador familiar, e
posteriormente a uma apresentação, forneceu esclarecimentos sobre o estudo, seus
objetivos e sua forma de realização. Para os indivíduos que concordaram em participar,
foi solicitada a leitura e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE).
As entrevistas foram agendadas previamente e realizadas nas residências dessas
pessoas, por considerar que neste local elas se sentiriam mais à vontade para falar sobre
suas vivências. A entrevista baseou-se na seguinte pergunta norteadora: “O que você
acha que os profissionais da saúde poderiam fazer para te ajudar a ser um bom
cuidador(a) de idosos dependentes?” Para melhor caracterização dessas famílias foi
aplicado também um questionário com perguntas abertas, fechadas e mistas,
relacionadas a dados dos cuidadores e da pessoa idosa. Após a visita a cada residência,
foram anotadas em um “diário de campo” todas as informações e impressões obtidas,
com a finalidade de complementar os dados das entrevistas.
As entrevistas transcritas foram identificadas pela letra “C” de “cuidador” e por
números, e analisadas com o método da Análise do Conteúdo, obedecendo algumas
etapas: (1) a pré-análise, (2) a exploração do material e (3) a organização dos resultados,
inferência e interpretação (BARDIN, 2009).
RESULTADOS
Os cuidadores apresentavam em média 60,54 (±11,54) anos, com um mínimo de
48 e um máximo de 83 anos. Nove (69,23%) eram do sexo feminino e quatro (30,77%)
do sexo masculino. Em relação ao grau de parentesco, oito (61,54%) eram filhos dos
idosos, três (23,08%) eram seus cônjuges e dois (15,38%) eram companheiros/cônjuges
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dos filhos dos idosos. O tempo que esses cuidadores estavam cuidando dos idosos
variou de 6 meses a 15 anos.
Dez (76,92%) pessoas se classificaram como cuidadores principais, e três
(23,08%) como cuidadores secundários. A maioria era casada (76,92%), possuía ensino
médio completo (38,46%), era aposentado (46,15%) e apresentava uma renda familiar
de dois a cinco salários mínimos (69,23%). Todos entrevistados (100%) eram católicos.
Em relação ao grau de dependência do idoso, a maioria era totalmente
dependente para o banho e higiene pessoal (88,89%), vestuário (77,78%),
deambulação/locomoção (55,56%) (66,67% usavam meios auxiliares para locomoção) e
para executar transferências (mudanças de posição) (55,56%). A maioria era
independente para se alimentar (44,44%).
Por meio da leitura exaustiva dos textos transcritos e sua análise foi possível
obter três categorias temáticas.
Desconhecimento de alguns cuidadores familiares sobre como os profissionais de
saúde pode os ajudar em sua atividade
Após a leitura das falas dos cuidadores foi possível observar que alguns deles
não sabem como os profissionais da saúde poderiam ajudá-los a cuidar dos idosos
dependentes de uma forma mais completa e eficiente, no sentido de tentar atenuar a
sobrecarga física e psicológica e o estresse crônico associado a essa ocupação.
Pode-se notar que existe uma falta de conhecimento por parte desses sujeitos
sobre o assunto. Apesar dos cuidadores familiares estarem dia a dia com o idoso,
vivenciando as dificuldades que esse tipo de atividade acarreta, eles não conseguem
identificar quais as situações em que as equipes de saúde poderiam intervir, e de que
maneira elas poderiam intervir, para os auxiliarem em suas atividades.
Na cidade de Cascavel-PR onde foi realizada a pesquisa existe o PAID
(Programa de Assistência e Internação Domiciliar), um serviço de saúde da prefeitura
desse município que foi implantando a partir do ano de 2005. Esse Programa tem como
objetivo atender indivíduos (independente da idade) que se encontram dependentes total
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ou parcialmente de outras pessoas. Conta com uma equipe multidisciplinar qualificada
que presta serviços de saúde no âmbito domiciliar, buscando educar familiares e
pacientes para o fortalecimento do autocuidado, diminuindo o uso da rede hospitalar e
melhorando a qualidade de vida das pessoas acometidas e suas famílias.
Apesar de alguns dos cuidadores entrevistados estarem vinculados aos
atendimentos do PAID na época em que os dados foram coletados, estes também não
sabiam determinar o que mais esses profissionais poderiam fazer para os auxiliarem no
seu cotidiano relacionado ao cuidado do idoso dependente. Demonstraram por meio das
falas não saber se existiria algo mais a ser feito pela equipe de saúde para os ajudarem a
serem cuidadores