SEMINÁRIO CONCÓRDIA IGREJA LUTERANA

Comments

Transcription

SEMINÁRIO CONCÓRDIA IGREJA LUTERANA
SEMINÁRIO CONCÓRDIA
Diretor: Paulo Moisés Nerbas
Professores: Acir Raymann, Ely Prieto, Gerson Luís Linden,
Norberto Heine (CAAPP), Paulo Gerhard Pietzsch,
Paulo Moisés Nerbas, Vilson Scholz.
Professores eméritos: Arnaldo J. Schmidt, Arnaldo Schueler,
Donaldo Schueler, Otto A. Goerl, Johannes H. Rottmann, Martim C. Warth.
IGREJA LUTERANA
ISSN 0103-779X
Revista semestral de Teologia publicada em junho e novembro pela
Faculdade de Teologia do Seminário Concórdia, da Igreja Evangélica Luterana
do Brasil (IELB), São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil.
Conselho Editorial: Acir Raymann, editor
Vilson Scholz
Assistência Administrativa: Janisse M. Schindler
A Revista Igreja Luterana está indexada em Bibliografia Bíblica
Latino-Americana. Os originais dos artigos serão devolvidos
quando acompanhados de envelope com endereço e selado.
(--------------------------------------------------------------- <\
I
Solicita-se permuta
i
We request exchange
'
WirerbittenAustausch
'
^ ____________________________________ )
Correspondência: Revista
IGREJA LUTERANA
Seminário Concórdia
Caixa Postal, 202
93001-970 - São Leopoldo, RS
IGREJA LUTERANA
Volume 55
NOVEMBRO 1996
Número 2
ÍNDICE
EDITORIAIS
Nota do editor ..................................................................................................... 144
In memoriam....................................................................................................... 145
FÓRUM.................................................................................................................. 146
ARTIGOS
"A comunhão na confissão é comunhão eclesiástica"? Aspectos críticos da
eclesiologia da Federação Luterana Mundial
Manfred Zeuch ................................................................................................... 149
O lugar da Santa Ceia no culto da Igreja
João Carlos Schmidt........................................................................................... 173
O desafio do pluralismo à missão cristã: por que, afinal, Jesus? Pistas para uma
resposta a partir da teologia econômica de Paulo
Edward H. Schroeder. ........................................................................................ 181
índice remissivo do Hinário Luterano
David Karnopp .................................................................................................... 186
AUXÍLIOS HOMILÉTICOS .................................................................................... 209
LIVROS .................................................................................................................271
DEVOÇÕES ..........................................................................................................277
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 ■ 1996
1 43
EDITORIAIS
Nota do Editor:
Quatro temas teológicos distintos, mas não divorciados, estão na vitrine deste
número de Igreja Luterana. Tratam da eclesiologia, da Santa Ceia, da missão e do
culto.
Em A Comunhão na Confissão é comunhão eclesiástica? - Rev. Manfred Zeuch
analisa as tendências do conceito de igreja na Federação Luterana Mundial (FLM) a
partir do encontro desta organização realizado em Budapeste, em 1984. A decisão
tomada na ocasião tem repercussões porque resulta numa "nova" visão de igreja em
que se abdica da "livre união das igrejas luteranas" para uma radical "eclesiologia da
comunhão" com o objetivo de se desenvolver em sua estrutura um "episcopado
colegial". Partindo de uma análise de estudo publicado por Eugene Brand, do staff
da FLM, Zeuch avalia as dimensões desta tendência e suas implicações, cujos
ventos começam a soprar sobre a própria IELB.
Rev. João Carlos Schmidt, em O Lugar da Santa Ceia no Culto da Igreja, avalia
em que medida a Eucaristia é necessária ou não para que o "culto da igreja possa
ser considerado verdadeiro culto cristão". Com este propósito, aborda os
fundamentos bíblico-teológicos sobre a relação entre este sacramento e o culto,
culminando com um panorama histórico sobre a questão.
O trabalho do Dr. Edward H. Schroeder - O Desafio do Pluralismo á Missão
Cristã: Porque, afinal, Jesus? - é resultado de palestra que ele proferiu no Seminário
Concórdia no primeiro semestre do corrente. Fundamentado nos capítulos 3-6 de 2
Coríntios, Dr. Schroeder reporta-se à "teologia econômica" do apóstolo Paulo, que
distingue-se radicalmente de movimentos religiosos, tendências filosóficas e escolas
terapêuticas, que promovem um ponto focai periférico ao indicarem soluções para o
maior drama existencial do ser humano, ou seja, a ausência do perdão dos pecados.
É neste momento que a missão cristã faz a diferença e quando se entende por que,
afinal, Jesus.
Para concluir, uma contribuição do Rev. David Karnopp que se mostrará
bastante útil para o ministério pastoral na programação cúltica. Trata-se de uma
listagem remissiva e uma classificação alternativa dos hinos do Hinário Luterano uma pesquisa com resultados extremamente práticos e que certamente auxiliará o
pastor, sugerindo variadas opções no rico universo dos hinos da Igreja.
Não há como não ser beneficiado com estes trabalhos. Vale a pena conferir.
Abençoada leitura. AR.
Peccavimus
Na nota 53, página 22 do número 1 do volume 55, de Junho de 1996, onde se lê "G.Friedrich e
Pannemberg. Stuhlmacher", leia-se G.Friedrich e P. Stuhlmacher. Na página 129, o título deve ser:
"O telefonema divino da Páscoa".
144
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
IN MEMORIAM
CHRISTIANO JOAQUIM STEYER
(1932-1996) Ao
mestre... com carinho
Ao Mestre com Carinho foi um filme exibido há tempos com grande sucesso de
bilheteria. Tomamos emprestado o seu título para nele resumir a homenagem que
prestamos através da Igreja Luterana ao colega, professor e amigo Christiano
Joaquim Steyer, levado pelo Senhor para a glória em 14 de maio deste ano.
Nascido em 29 de novembro de 1932, no município de Santa Cruz do Sul, RS,
Christiano alcançou a idade de 63 anos, 5 meses e 15 dias. Sua vida caracterizou-se
por ser uma caminhada com Deus. Viveu sob as bênçãos do Altíssimo e a ele serviu
de forma humilde e consagrada nas várias funções para as quais foi solicitado
dentro da Igreja.
Formou-se em Teologia e Pedagogia pelo Seminário Concórdia em 1955, tendo
exercido o ministério pastoral em Marechal Cândido Rondon, PR (1956-1966). Em
1969 foi chamado para ser professor do Instituto Concórdia de São Leopoldo, RS. A
partir de 1985 tornou-se professor de Teologia Prática do Seminário Concórdia.
Além de ter ocupado a direção do Instituto Concórdia, foi também Vice-diretor Geral
do Centro Educacional Concórdia de São Leopoldo. Quase trinta anos, portanto, de
sua vida estiveram ligados à educação, privilegiando a tantos que foram
contemplados com a oportunidade de tê-lo como professor e mestre.
Seu falecimento deixou enlutados seus familiares, a esposa Saly e filhos
Charles, Deby e Marcos. Além desta, também uma outra família sentiu a perda do
Christiano: a IELB, a quem ele serviu pelo exercício de vários cargos e funções, e,
dentro desta família, o Seminário Concórdia muito especialmente.
Esta breve biografia do Prof. Christiano expressa o desejo de homenagear a
memória do querido amigo. Estamos convictos, todavia, de que a melhor
homenagem não se completa em atos isolados, porém se estende pelas nossas
vidas. Trata-se de acompanhá-lo na confissão de fé no Salvador Jesus, para que
também alcancemos o prêmio eterno já entregue ao Prof. Christiano.
Dona Saly, Charles, Deby e Marcos, recebam em lugar do esposo e pai já na
glória, a gratidão dos amigos do Seminário Concórdia. Quando dele nos lembramos,
e não são poucas as vezes em que isto acontece, vem-nos à mente a lembrança de
alguém a quem gostaríamos de continuar saudando como o "mestre ... com
carinho".
Paulo Moisés Nerbas
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
145
FÓRUM
Alguns apontamentos
sobre o Pai-Nosso
1. Um texto que conhecemos tão bem e ao mesmo tempo conhecemos
tão pouco.
2. Texto conciso, mas pedidos de alcance universal.
3. Oração mais usada entre cristãos, na versão de Mateus. Oração
ecumênica, embora o texto não seja o mesmo em todas as denominações.
(Não é nota ecclesiae. Cf. CA VII)
4. É bíblica, tanto nos conceitos como na linguagem.
5. A originalidade do Pai-Nosso está no conjunto, na escolha das petições,
no arranjo ou seqüência delas, na conclusão e abrangência.
6. O Pai-Nosso é, nas palavras de Tertuliano, o breviarium totius Evangelii,
um resumo de todo o evangelho. "A pregação de Jesus deve proporcionarnos o acesso ao Pai-Nosso e o Pai-Nosso deve ser a chave para o acesso à
pregação de Jesus". (Heinz Schuermann)
7. Temos duas versões do Pai-Nosso, uma mais longa (Mt) e outra mais
breve (Lc). Seria uma o original e a outra a cópia? Pelos cânones críticos, o
texto mais breve tende a ser o original. No entanto, o texto de Mt se aproxima
mais do hebraico/aramaico ("dívidas", p.ex.). Aqui se aplica o que disse alguém:
"As mais obscuras teorias dos exegetas é diferente. A versão mais breve (Lc)
está contida na íntegra em Mt. O texto mais breve (Lc) nos permite ver a
estrutura e a lógica interna da oração.
8. A doxologia aparece apenas em alguns manuscritos gregos de Mt. O
Pai-Nosso de Lc nunca teve uma doxologia. O Didaquê já inclui uma doxologia.
Versões mais antigas têm a doxologia, sempre em Mt. Lutero parece ignorála. O modelo pode ser 1 Cr 29.11-13. Cf. 2 Tm 4.18; Ap 1.6. No tempo de
Jesus, todas as orações concluíam com uma doxologia. Jesus pode muito
bem ter usado uma também.
146
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
9. O Pai-Nosso tem duas partes: "teu" "nosso"; "celestial" - "terreno".
(Influência do decálogo?) As petições em "tu" são colocadas lado a lado sem
conjunção. Isto contribui para a concisão do texto. As primeiras petições
também se caracterizam por paralelismo sintático e fonético, algo que uma
tradução dificilmente consegue reproduzir. As petições em "nós" são ligadas
por conjunção ("e"). Em 1519, no escrito Eine kurze und gute Auslegung des
Vaterunsers vor sich und hinter sich, Lutero chama a atenção para a seqüência
do Pai-Nosso. Diz também que aqueles que não oram de coração, apenas
balbuciando as palavras, oram o Pai-Nosso de trás para frente. O que mais
querem é ser libertos do mal, para que possam viver vida tranqüila e feliz. No
fim oram pelas coisas de Deus, pois estão mais interessados em sua própria
vontade e glória.
10. O Pai-Nosso é a oração modelo. Por meio dela podemos apresentar a Deus
todas as nossas necessidades. Ela nos abre os olhos para nossas maiores — e em
grande parte esquecidas — necessidades. Lutero tomou o Pai-Nosso como
paradigma, como um convite à oração, e uma fonte da qual fluem nossas orações. É
assim que devemos entender as explicações de Lutero nos Catecismos e alhures
(Missa Alemã, p.ex.).
11. O "Pai-Nosso" em João: 17.1/12.28/18.36/4.34/6.33-34/12.47/17.15.
12. O "Pai Nosso" em Paulo: Gl 4.6/Fp 2.9/ 1Co 15.28/ Rm 12.2/ 1 Co
10.17/ Rm 4.6-7/ Rm 13.8/ 1 Co 10.13.
Vilson Scholz
IGREJA LUTERANA - NUMERO2 -1996
147
148
IGREJA LUTERANA-NUMERO 2-1996
ARTIGOS
----------------------------------_—, --------------- ____ ---------------------------------------
"A comunhão na confissão é
comunhão eclesiástica"?
Aspectos críticos da eclesiologia
da Federação Luterana Mundial
Manfred Zeuch
A
reunião plenária da FLM em Budapeste, no ano de 1984, anterior à de Curitiba,
marcou sem dúvida a maior mudança na sua vida e estrutura nos últimos anos.
Naquela ocasião esta organização atingiu o alvo para o qual se trabalhou durante
décadas, desde a criação da "Conferência Luterana Mundial" (que não deve se
confundir com a atual Conferência Luterana Internacional, não membro da FLM) fase
anterior da FLM. O alvo consistia em passar da "livre união" de Igrejas para uma
comunhão de Igrejas. Subjacente a este resultado encontra-se uma certa
compreensão de communio, compreensão esta que deu origem a uma "nova"
eclesiologia caracterizada pelo novo conceito de "eclesiologia da comunhão". Esta
eclesiologia não é somente um conceito teológico, mas um verdadeiro programa
ideológico mundial, do qual se quer agora convencer todos os céticos.1
Tomei como base para uma análise do ponto de partida eclesiológico da FLM o
estudo publicado pelo Dr. Eugene Brand, membro do staff da FLM: A caminho de
uma comunhão luterana: comunhão de púlpito e altar.2 Este documento é uma
reflexão sobre as implicações do conceito teológico que levou às resoluções de
Budapeste, que estão diretamente relacionadas com a vida e a estrutura da FLM.3 A
comissão de estudos da FLM decidiu produzir
1
Cf. Communio/Koinonia: Un concept du Nouveau Testament et de Ia chrétienté antique aujourd'hui
repris. Son sens et sa portée. Une prise de position du centre d'Etudes oecuméniques. (Strasbourg,
1990),21.
2
Eugene Brand, Auf dem Wege zu einer lutherischen Gemeinschaft: Kanzel- und
Abendmahlsgemeinschaft. LWB-Report 26, (1989). A edição paralela inglesa: Toward a Lutheran
Communion: Pulpit and Altar Fellowship. LWB-Report N°26, (1988). Este estudo de Brand foi igualmente
tomado como base para o posicionamento do instituto ecumênico de Strasbourg, cf. nota n°1.
3
Brand, 5-6 (Os números entre parênteses, no texto, indicarão as páginas deste estudo).
Manfred Zeuch, D.E.A. de Théol., é pastor em Woerth / Iembach, França, e
doutorando em Teologia Sistemática na Universidade de Strasbourg R
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
149
para as Igrejas um material que elucide o sentido e o alcance da resolução de
Budapeste. O estudo de Brand trata principalmente do conceito da eclesiologia
da comunhão e de sua implicação para questões interconfessionais, de missão,
serviço e desenvolvimento, ética e problemas sócio-políticos (6).
Escolhi desse estudo - que consiste principalmente numa apresentação
histórica da FLM do ponto de vista do desenvolvimento da "nova" eclesiologia
- alguns pontos nevrálgicos que também precisamos discutir nos círculos da
ILC (Conferência Luterana Internacional, da qual a IELB e a EEL-SFB da
França e Bélgica, por exemplo, são membros) nesta era pós-Budapeste.
Também as Igrejas que não pertencem à FLM estão sendo desafiadas a
(re)descobrirem o caráter ecumênico da reforma luterana, e a assumir nesse
espírito suas próprias responsabilidades diante da desintegração institucional
e confessional da cristandade, na busca de uma real aproximação na base
sólida da confissão comum da verdade evangélica. Os luteranos confessionais
da ILC consideram que muitas vezes a tarefa ecumênica, assim como foi
conduzida nas últimas décadas tanto no âmbito do Conselho Mundial de Igrejas
(CMI) como na FLM, nem sempre correspondeu, em sua essência, ao espírito
ecumênico da Reforma e das Confissões Luteranas. O desafio é tanto maior
numa época em que se acentua novamente a "confissão": o de averiguar
cautelosamente os conceitos teológicos implicados bem como os pressupostos
históricos do movimento ecumênico. O presente artigo visa a contribuir para
esta reflexão. Estamos conscientes de que não levamos em consideração
uma enormidade de documentos e de literatura secundária sobre esse tema.
O presente estudo visa apenas a lançar alguns pontos de reflexão e de pesquisa
ulterior.
1. A compreensão de koinonia
A eclesiologia da comunhão é novidade enquanto termo, mas é vista como
enraizada já no Novo Testamento e na patrística enquanto conceito ou
conteúdo. Muito tem crescido nestes últimos anos a importância da
compreensão do conceito básico communio. Passando pelas "alianças" e
"uniões livres" dos primórdios do movimento ecumênico, os diversos segmentos
da cristandade estão procurando um novo ponto de partida para a compreensão
e a edificação da unidade cristã, a saber, no conceito da communio. E isto
tanto no âmbito eclesiástico protestante quanto no católico romano e oriental.
O conceito de communio foi, por exemplo, a intenção fundamental da encíclica
Ad Petri Cathedram de 29 de junho de 1959, antes da convocação do Vaticano
II,4 bem como da constituição dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium de
1964.5 Desde então "todos falam de communio": o papa, a Congregação para
4
Cf. M. do Mar. Concilio Ecumênico Vaticano II como resposta às mensagens do mundo atual.
Coleção Ut Unum Sit. (Uruguaiana, 1963), 70.
5
Cf. Bernd Jochen Hilberath. "Kirche als Communio. Beschworungsformel oder Projektbeschreibung?"
Theologische Quartalschrift M4. Jahrgang 1.Heft, (München, 1994), 45 ss. Cfe. Brand, 56.
1B0
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
a Fé, os bispos, os teólogos omopou;. o conlinenlais.'' Segundo a opinião do Sínodo
dos Bispos, de 1985, "a eclesiologia da comunhão é a idéia central e fundamental
dos documentos conciliares"/ Paralelamente este conceito adquiriu importância no
âmbito protestante. Mas, como disse Hilberath: "todos falam de communio e que
cada qual quer dizer outra coisa com isso".8 Os teólogos e pesquisadores do Instituto
de Pesquisa Ecumênica de Strasbourg reconhecem que há diferenças na
compreensão da comunhão quando se trata de constatar que elementos seriam
normativos e fundamentais para a comunhão eclesiástica, e quais as relações
existentes entre esses elementos.9 Por exemplo, no diálogo católico-luterano chegouse à conclusão de que o maior problema para uma comunhão eclesiástica
permanece sendo a compreensão do ministério.10
Até que ponto o conceito de communio é um lema para um projeto claro dentro
do diálogo ecumênico, ou antes uma "fórmula mágica" que pode ter sentidos
contraditórios,11 não posso dizer aqui. Gostaria, no entanto, de indicar alguns
problemas que essa "nova" eclesiologia da comunhão apresenta.
A communio no Novo Testamento - o evento batismal
Compreende-se a communio no Novo Testamento como sendo primordialmente
a participação do homem com Cristo, o que é um dom da graça de Deus (1 Co 1.9).
A communio é uma comunhão pessoal do homem com Cristo, sendo esta a sua
dimensão vertical (14). Esta comunhão é criada e dada pelo Espírito Santo no
batismo. O documento Communio fala de uma comunhão com Deus o Pai, com
Cristo e com o Espírito Santo, comunhão que está "fundamentada na Palavra de
Deus".12 É designada de comunhão na adoração e na oração, e significa
participação na morte e na ressurreição de Cristo através do batismo.
Estes elementos de definição podem ser aceitos por quase todos os cristãos. No
entanto este fato não deve esconder a realidade da interpretação diferenciada da
obra de Deus para com os homens, ou seja, o que significa realmente para o homem
o destino escatológico de Jesus Cristo. Sobre isso
6
Cf. Hilberath, Ibid.
7
Ibid., 48.
8
Ibid. 46.
9
Communio/Koinonia, 24.
10
"Voies vers Ia communion" (1981) e "Face à l'unité"(1985) in: Face à I'unité, Paris (1986), citado em
Communio, 25, nota 52.
1
Cf. Hilberath, Ibid.
12
Communio/Koinonia, 8.
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2-1996
151
não há concordância, como bem o lembrava já Pelikan.13 Tampouco há
concordância sobre o que seja a "compreensão comum do evangelho",14 que é
considerada fundamental para o reconhecimento da comunhão eclesiástica.
É fato incontestável que todos os que foram batizados em Cristo foram
integrados numa comunhão, e participam uns dos outros. Mas no Novo Testamento
este conceito não implica somente elo espiritual no corpo de Cristo, mas descreve
ocasionalmente a tentativa dos cristãos de chegara uma unidade "exterior" (At 2.42;
Gl 2.8).15 Essa distinção não transparece no trabalho de Brand. Quando ele afirma
que "os cristãos estão unidos uns aos outros numa comunhão enquanto indivíduos e
também enquanto comunidades", não se tem certeza se há consciência dos dois
aspectos da communio. Antes há indícios de uma provável confusão entre estes
dois aspectos, o que constitui um dos problemas maiores da nova eclesiologia.
Ainda voltaremos a este ponto mais adiante.
A dimensão horizontal da comunhão traz "conseqüências concretas" consigo.
Koinonia significa participação nas mesmas coisas. Daí a conclusão de que as
coisas que marcam a vida dos cristãos são bens comuns a todos. Mencionam-se
especialmente aqui os sofrimentos e alegrias de outros cristãos (1 Co 1.7),(14),
como a pobreza, atribulação ou a riqueza. Em outras palavras, compartilha-se com
outras pessoas aquilo que constitui a felicidade ou infelicidade da vida (15). Na
comunhão horizontal há então uma interdependência que se manifesta no dar e
receber (Fp 4.14,15). No caso da coleta macedônica para os cristãos de Jerusalém,
"Paulo coloca lado a lado a charis e a koinonia" (2 Co 8.4; confira também 9.13),
(15). Esta interdependência é "expressão concreta da dimensão vertical da
communio" (16). Para o ex-secretário geral da FLM, Gunnar Stalsett, estes aspectos
entram na designação geral de "comunhão (dos homens)", sendo que para ele esta
comunhão deve ser distinta da communio cristã.16 Uma certa falta de clareza
decorre deste
13
Cf. Jaroslav Pelikan, The Riddle of Roman Catholicism. (New York, 1959), 178.
14
Cf. Asendorf e Künneth, eds. Leuenberg - Konkordie oder Discordie?(Berlim, 1974), 106.
15
Cf. o Documento da CTRE— LC-MS: The nature and Implication of the concept of Fellowship.
(Março de 1981), 8.
16
Gunnar Stalsett, Communio und Gemeinschaft. Volk Gottes - Völker und Nationen. LWB
Dokumentation zur Tagung des Rates des LWB, 20.-30. Juni 1993, Kristiansand (Norwegen), Genf,
Nr.33, (September 1993),26.
152
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2-1996
entrelaçamento dos conceito:. 17para Stalsett, a "comunhão" é a cooperação humana
geral, que "está a :;oivu.:<> do I >ous, do ponto de vista cristão", e que tem a tarefa
de "preservar a integridade da criação de Deus", de "fazer a vida humana ser
verdadeiramente humana, de construir uma sociedade justa e pacífica, de lidar
sensatamente com a estrutura ecológica".18 Este é o ideal da convivência humana,
que se concretiza no cristão, uma vez que nele "coincide a communio e a
comunhão".19 O que Stalsett certamente quer dizer com esta designação algo densa
demais é que a Igreja, enquanto antecipação do Reino escatológico de Deus sobre a
humanidade inteira, é um símbolo e um sinal da comunhão que a humanidade
conhecerá nesse Reino futuro de Deus. É um uso sócio-político do termo comunhão,
que não se encontra assim por exemplo no documento de Strasbourg ou no
vocabulário de Brand. Aqui a expressão "comunhão" é simplesmente uma tradução
de communio ou então designa a comunhão eclesiástica. Assim, um dos problemas
da atual teologia ecumênica é que os conceitos não são sempre definidos
claramente e distinguidos, quando se os usa para designar coisas diferentes. Daí
resultam ambigüidades. Mesmo se existe uma relação indispensável entre a Igreja e
a sociedade, elas são realidades diferentes. Assim o é também com o termo de
comunhão em eclesiologia e em sociologia. Assim, mesmo se a realidade e o
conhecimento teológico aquém do eschaton sempre conhecem uma certa
ambigüidade, dada a realidade do pecado, a teologia (em particular a sistemática)
deve tentar evitar ambigüidades evitáveis.
Communio e eucaristia
A communio está intimamente relacionada ao sacramento do altar. Para
exemplificar o caráter comunitário da santa ceia, Brand cita 1 Co 10.18-21, onde
Paulo traça o paralelo entre a "mesa dos demônios" e a mesa do Senhor. O cálice
abençoado e o pão rompido "são koinonia no corpo e no sangue de Cristo". Certo.
Mas o que provoca dúvidas e perguntas é quando ele afirma
17
Para uma melhor compreensão da articulação entre a comunhão da Igreja e a comunhão dos
homens em geral, ou seja, da relação entre a eclesiologia e a sociologia em geral, estudar-se-á com
proveito as pesquisas eclesiológicas de Wolfhart Pannenberg, por exemplo: "Reich Gottes, Kirche
und Gesellschaft in der Sicht systematischer Theologie". In: Christlicher Glaube in moderner
Gesellschaft29, Enzyklopâdische Bibliothek. Franz Bòckle etalii, eds, (Freiburg, 1982), 119-135;
"Zukunft und Einheitder Menschheit". Evangelische Theologie4 (Juli/August 1972), Jg. 32, 384-402
(tradução em inglês: "Future and Unity". In: Hope and the Future of Man. Ewert H. Cousins, ed.
(Philadelphia, 1972), 60-78; "Die Einheitder Kirche unddie Einheitder Menschheit". In: Um Einheit
und Heil der Menschheit. J. Robert Nelson e W. Pannenberg, eds. (FestschriftfürWillem A. Vissert
Hooft), (Frankfurt, 1973), 7-21 (tradução italiana: "Unità delia Chiesaeunitàdell'umanità". Humanitas.
Jg. 29 (6/1974), 413-428), bem como Systematische Theologie vo\ 3 (Gòttingen, 1993).
18
Stalsett, ibid.
19
Ibid. 27.
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
153
em seguida, parecendo contradizer assim o próprio enunciado teológico do
texto citado: "mas isto não significa uma participação individualista de uma
realidade transcendente qualquer" (16). Procurando acentuar o aspecto
comunitário (horizontal) na eucaristia (1 Co 10.17), o autor coloca a presença
real de Cristo numa luz bastante duvidosa: é verdade que o indivíduo não
participa de uma realidade transcendente qualquer. Mas isso descarta o
elemento individual e transcendente especial que estão presentes no
sacramento? A impressão de negação desses elementos se reforça com o
exemplo que ele dá em seguida: "Assim como o altar no templo significa a
certeza da presença de Deus, assim Paulo ensina que a participação no pão
e no vinho é koinonia com Cristo, com seu corpo e sangue". Só que neste
caso o altar não é mais do que um sinal ou símbolo da presença de Deus no
meio de seu povo. Mas o altar não é Deus. Ele não comunica per se a presença
de Deus, independentemente da fé. Mas nos elementos consagrados do
sacramento do altar nós não temos somente um sinal da comunhão espiritual
com Deus, mas neles o indivíduo participa de uma rea/idade que não se pode
simplesmente chamar de imanente, quer creia quer não: Cristo dá ao homem
o seu verdadeiro corpo e sangue, que já o recebe por manducação, e não
somente quando crê neste corpo e sangue. Assim Paulo quis mostrar que o
cristão individual que participa obstinadamente à mesa dos ídolos, mesmo
não sendo estes reais, acabará no entanto tendo parte com poderes reais e
transcendentes: as potestades do mal. Há no meu entender um problema
exegético no uso desta passagem da parte de Brand nesse contexto. Duas
idéias parecem estorvar Brand aqui: a idéia do caráter também individual da
santa ceia (que ele chama de individualistisch) e a idéia de uma realidade
transcendente. Naturalmente a compreensão luterana da santa ceia insiste
no caráter ou na dimensão comunitária da sua celebração. Esta dimensão é
também determinante para o caráter confessional e conseqüentemente de
certa maneira limitador da celebração sacramentai.20 Mas uma compreensão
luterana não pode ignorar, ao lado da dimensão comunitária da santa ceia, a
sua dimensão individual (1 Co 11.27-29). Aqui trata-se da relação pessoal de
cada indivíduo com o Cristo, e esse elemento é igualmente determinante
para a comunhão com outras pessoas ou para a limitação da mesma, que
impõe a confessionalidade. Só existe comunhão com outros porque cada um,
individualmente, está ligado pela fé a Cristo. Não se pode crer por um outro.
Não é minha confiança na fé da mãe Igreja que me dá acesso à vida plena em
Deus, mas minha fé em Deus. No que diz respeito ao "elemento transcendental" da santa ceia, constata-se especialmente com a Concórdia de Leuenberg,
que certas afirmações dogmáticas ecumênicas deixam dúvidas quanto à
20
Contrariamente a J. Moltmann, por exemplo, que milita por uma participação universal da humanidade
à Santa Ceia, fora dos limites da fé.
154
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
pergunta pela natureza da presença de Cristo no sacramento. Aqui, em Leuenberg, o
aspecto sacramentai não foi separado do conceito geral da Palavra de Deus, antes
seguiu-se o modelo Bartiano da "compreensão verbalizada do batismo". O
sacramento do altar é colocado no âmbito geral da Palavra e da presença do Espírito
Santo.21
Não podemos no entanto entrar mais no tema sacramentai nesse trabalho,
mesmo sendo essa problemática essencial para a questão da comunhão
eclesiástica.
2. Da essência da Igreja
Os teólogos da FLM, como Eugene Brand ou Sven-Erik Brodd criticam a "antiga"
compreensão luterana da Igreja. Uma vez que se chegou a superar -depois de várias
décadas de discussão desde a fundação da FLM em 1947 em Lund — o conceito da
"livre união", aplicado a Igrejas-membros da FLM -conceito que "dificilmente pode ser
justificado eclesiologicamente" (45) segundo Brand — e uma vez que se chegou
finalmente a um novo conceito de comunhão nos estatutos em Curitiba em 1990, a
compreensão de que a Igreja seria uma "união livre de cristãos individuais" é
rejeitada como sendo "individualismo" e "ideologia de associação" (44, 28).22 Como
exemplos de tais Igrejas que ainda sustentam essa compreensão eclesiológica
"ideológica" são citados os grupos dissidentes suecos de renovação luterana (28) e
as Igrejas luteranas "novas" dos Estados Unidos da América (aqui toca-se em nossa
própria história), que viviam um "luteranismo marcado e conservador", e cuja
herança teológica fora "garantida especialmente pela confissão de Augsburgo
inalterada" (31). Mas essas Igrejas são consideradas como sendo uma
"compreensão individualística de cristianismo". O maior problema aqui, para a nova
eclesiologia, certamente não é tanto a união "voluntária" de cristãos, mas o fato de
que essa união acontece normalmente numa base dogmática e teológica, ou seja,
que a confissão é aceita pelo indivíduo e pela Igreja como doutrina. (No ponto 4
voltaremos a falar da relação entre confissão e teologia). Esse é outro ponto
nevrálgico da eclesiologia da comunhão tanto na esfera intra-eclesiástica como na
esfera inter-eclesiástica.
21
Cfe. John Drickamer, "A response to the Leuenberg Concord". The SpringfielderXXX\J\ (1972): 34
e: The Leuenberg Concord. The SpringfielderXXXV (1972): 245. Hans-Lutz Poetsch, "Leuenberg
Concord: three responses". The SpringfíelderXXX\/\ (1972): 185.
22
E a antiga forma dos estatutos da FLM, ainda ern Budapest. LWB-Report N°28-29. Ichhabedas
Schreien meines Volkes gehõrt. (Curitiba, 1990), relatório oficiai da oitava assembléia geral da FLM,
217, §lll, da essência da FLM; Ibid. 212; Brodd, Sven-Erik. Haushalterschaft undEkklesiologie. LWBDokumentation,(ApriM995),N°34, 21 ss.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
155
O que é, pois, a essência da Igreja, fica claro na interpretação da communio.
Cristãos são ligados uns aos outros em uma koinonia na qual entram pelo batismo e
na qual são mantidos pela fé. "A Igreja é uma communio de pessoas".23 Esta
"comunhão", que se reúne no culto da comunidade e que celebra a ceia do Senhor,
é a Igreja.24 Só se pode subscrever isso. Mas uma vez que toda a concepção de
Igreja parte de uma certa interpretação global de koinonia (a eclesiologia de
comunhão), a sua definição traz certos problemas. Para Brodd, por exemplo, a
definição de Igreja que valia até "há pouco" como sendo ela "a soma dos cristãos
batizados" não pode mais ser "defendida eclesiologicamente hoje". Por quê? Porque
de acordo com a eclesiologia da comunhão a "coletividade [...] passa antes do
indivíduo", e que a Igreja é assim vista como "pessoa corporativa".25 A nossa
pergunta aqui no entanto é como se relacionam a comunhão vertical e horizontal que
decorrem da fé. Absolutiza-se aqui um conceito sem distinguir entre os momentos
diferentes que o compõem. Com essa definição, em que o individual novamente é
descartado em absoluto, o cristão individual não é limitado ou atrofiado em sua
individualidade e mesmo em sua responsabilidade espiritual? A Igreja como sendo
pessoa corporativa nesse sentido não corre o risco de ser uma civitas platônica?26
Essa "pessoa" ou communio coloca o indivíduo num compromisso tal, que toda
barreira, todo "obstáculo", todas as razões para a sua não-concretização entre os
cristãos e entre Igrejas são considerados como ilegítimos. No âmbito das Igrejas de
confissão luterana o problema das separações é considerado, com razão, como
sendo a verdadeira "anomalia luterana"(50). Afirma-se que a integridade dessa
pessoa corporativa não admite auto-suficiência, nem condenações mútuas.27 Isso
está mais que correto. Mas receio que nessa afirmação não se fala da condenação
pessoal, mas certamente das condenações doutrinárias dos escritos confessionais,
que
23
Communio/Koinonia, 9.
24
Ibid. M.
25
Brodd, noart. cit.,25.
26
Apologia VI1, 20. Ver Communio 16.
27
Communio, 9: "La communion des croyants avec Christ engage toute Ia vie et tous les actes des
humains. II en vademêmedela "communion" des croyants entre eux: elleest, certes, lefruitd'une
croissance qui connait un point de départ et des étapes; mais lorsqu'elle est pleinement réalisée, elle
esttoujours et partout—tant au niveau local qu'universel — une communion qui engage mutuellement
et à laquelle on peut, pour cette raison, faire pleinement confiance. Son intégrité ne permet aucune
autosuffisance et aucune mise à 1'écart, aucune condamnation mutuelle et aucune discrimination".
156
IGREJA LUTERANA-NUMER02-1996
devem hoje ser anuladas. Pergunto-me se várias dessas anulações não foram
obtidas por meio de compromissos dogmáticos e certas ambigüidades.28
Condenações doutrinárias, separações motivadas por razões confessionais não têm
mais legitimidade, porque contradizem a imagem da communío exterior perfeita.
Estas "barreiras históricas e teológicas" devem por conseguinte ser "derrubadas".29
Isto foi o intento da reforma na época da Fórmula de Concórdia, e deve ser uma
meta da Igreja hoje. Só que a questão é: como? Quais são os critérios de consenso?
Na eclesiologia praticada hoje se revela em larga escala uma confusão entre os
conceitos da cristandade exterior e espiritual ou "interna", bem como uma mistura da
justiça da fé e da "nova justiça" com a qual procura-se determinar a ordem da
criação e a ordem mundial, mistura que tem suas raízes nos movimentos
entusiásticos.30
Esta não-distinção entre os aspectos interno e externo da Igreja evidencia-se na
argumentação de Brodd, segundo a qual a Igreja "era considerada, antigamente"
como a "totalidade dos cristãos batizados", como uma união daqueles que eram
"ouvintes, participantes da santa ceia e mordomos, ou servos".31 Mas esta definição
não se aplica antes ao aspecto exterior da cristandade? Indubitavelmente a Igreja
não é, na sua essência "invisível", como diz Lutero, uma comunhão que se pudesse
qualificar de união voluntária, porquanto a sua existência e sua unidade é operada
por Deus, sem que haja nos christiani que são a ecclesia (como diziam os antigos
dogmáticos) a consciência desse fato. Para Lutero a Igreja é creatura evangelii. O
Evangelho é o meio pelo qual é dada ao homem a justiça de Cristo. Mas esta
participação na justiça de Cristo acontece sem o acréscimo de forças humanas ou
da razão humana ou de reflexos humanos. O homem aqui permanece mere passive. Ela acontece por um ato de Deus na eternidade, e está assim completamente
fora do nosso tempo e mundo. Ela é extra nos. Este ponto, no qual o homem é unido
ao Cristo que é oferecido no evangelho, e que acontece por meio de um ato forense
(etimologícamente significando "de fora"), é a fé salvadora. Este ponto é imóvel na
eternidade, porque une o homem às ações
28
Martim Carlos Warth falou, num artigo dos anos 70, das ambigüidades e imprecisões nas afirmações
teológicas da teologia ecumênica: "Lutheran World Federation". In: Evangelical Directions for the
Lutheran Church. E. Kiehl. eW. Werning, eds. Lutheran Congress, (Chicago, 1970), 139, ecomentou:
"It seems to be in the light of the concept of freedom when assertions are made which are true but
which do not cover the whole issue. Starting from the principie that theology, as given by God, is
univocal, the church is not permitted to make unclear statements which may be used according to the
need of ecumenical accommodation".
29
Stalsett, noart. cit.,56.
30
Cf. J. Schõne, bispo da SELK numa carta pastoral àsua Igreja datada do dia 25 de julho de 1994,
10.
31
Brodd, 24.
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
157
salvíficas de Deus em Cristo Jesus na história, ações estas válidas por toda a
eternidade. Estas ações já determinaram a própria criação do universo.
Deus opera no ser humano que ele uniu a Cristo a consciência do justificado, a
fé como reflexo do homem, o sabere conhecer o amor de Deus e a salvação. A fé
reage positivamente à salvação divina (fides reflexa) e reconhece aquele que o
salvou. Esse reflexo é igualmente um dom de Deus, que vem da mesma fonte: o
evangelho. Este reflexo é a identificação da fonte da fé.32 Mas é naquela fé
justificante, naquele ponto extra nos que o homem é unido com Cristo e com todos
os outros justificados, formando uma e única comunhão. É nesse momento que se
efetua a unitas, a unidade da Igreja. Ela é um dom de Deus. Ela é "dada de
antemão" como diz Wolfhart Pannenberg.33
A identificação da fé, que acontece intra nos, é um exercício da fé. Ela faz parte
dos três exercícios básicos da fé que são a confissão (a identificação, que olha para
o passado), o amor (que é o exercício presente da fé) e a esperança (voltada ao
futuro).34 Trata-se aqui de um hábito prático na vida dos cristãos e da Igreja, e este
se pratica no âmbito da santificação. Assim o culto, a oração, a confissão, o serviço
não estão no nível da unitas. Esta evidencia-se, manifesta-se nestas coisas. Mas
nem todos os "ouvintes, participantes da santa ceia e servidores ou mordomos"
estão necessariamente unidos a Cristo e aos irmãos na fé que justifica. Pessoas
indiferentes e hipócritas podem igualmente agir assim. Como diz Poetsch: "a
associação ou participação organizatória ainda não significa participação na Una
Sancta".35
Assim, nunca foi a compreensão verdadeiramente luterana de dizer que a Igreja
é constituída pela totalidade dos ouvintes, e outros praticantes. Que alguns círculos
ou pessoas isoladas pudessem ter tal visão deturpada da essência da Igreja é bem
possível. Mas na compreensão luterana sempre se manteve que a unidade da Igreja
é "completamente transcendente".36 A Igreja universal não se identifica totalmente
com a cristandade espalhada pelo mundo. Esta está presa ao "espaço e ao
tempo"37, mas aquela é trans-
32
Os ex-alunos do Dr.Warth lembrarão disso.
33
"Vorgegeben", cf. Systematische Theologie3,441.
34
Ver também Wolfhart Pannenberg, Thesen zur Theologie der Kirche. Claudius Thesen Heft 1,
a
(München, 1970', 1974 ), e Systematische Theologie3,156-264.
35
Hans-Lutz Poetsch, "Òkumene. Was istdas?"Evangelium/Gospel H°S, (2/1988), 11.
36
M. Lutero, citado por Werner Elert. Die Morphologie des Luthertums. Vol. I, (München, 1931), 226.
37
OqueodocumentodeStrasbourg atribui à Igreja universal, Communio, 16. Mas cf. CA VII: quod
una sancta ecclesiaperpetuo mansura sit. BSLK, (1952), 61.
158
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
ecumênica,38 e eterna. Abscondita est ecciesia, latent sancti, dizia Lutero.39 Ela não é
"um pedaço do mundo", mas está "no Espírito, e é uma comunidade espiritual".40 Os
"frutos" deixam transparecer o cristão no mundo, e apontam para Cristo, é verdade,
mas de maneira absoluta não se pode decidir quem é verdadeiramente cristão:
"niemant sieht wer heylig odder gleubig sey", diz Lutero.41 Em muitas afirmações
sobre a essência da Igreja, da parte da nova eclesiologia, falta a clara distinção
(claro que não separação) entre a Igreja universal e a instituição exterior que
engloba o termo cristianismo: nesta, aquela deve manifestar-se pelas notae
ecclesiae. O documento citado de Strasbourg argumenta assim: se uma instituição
eclesiástica qualquer (cristandade local) se separa de outras instituições
eclesiásticas - digamos agora: sejam quais forem os motivos para tanto - isto
significa para ela uma "isolação da Igreja universal".42 Assim tal qual, essa afirmação
pode dificilmente ser aceita. Ela não tem, ao meu ver, validade ecumênica, pois
apesar da triste realidade das separações da cristandade, os cristãos têm a certeza
de que a Igreja universal perpassa as divisões e se acha lá onde a comunidade se
reúne sob a Palavra e Sacramentos.43
38
W. Oesch, "Die wahre Õkumene". Lutheríscher Rundblick. 13. Jahrgang (5/1965), 88. "Wenndie
Kirche nicht von dieser Welt ist, 'sondem (auch) von der kommenden Welt, so überschreitet der
Begriff ihrer Einheit die MaBstãbe der 'die Erde bewohnenden' Menschheit (oikoumené). Es geht um
himmlische, nicht nur irdische, ewige, nicht nur zeitliche Einheit'. Diese Einheit, die "von oben" kommt
ist aiso "trans- und überókumenisch" weil sie alie Begriffe von Erde und Zeit "unter sich lãsst".
39
WA18, 652, 23 apudElert, op.cit, 226.
40
Ibid. Cf. Ap VII, 5: Melanchthon deixa aparecer claramente o aspecto interior ou invisível da Igreja,
quando diz: "at ecciesia non est tantum societas externarum rerum ac ritum scunt aliae politiae, sed
principaliter est societas lidei et spirítu sancti in cordibum; quae tamen habet externas notas, ut
agnoscipossit, videlicetpuram evangelii doctrinam et administrationem sacramentorum consentaneam
evangelio Christi."
41
WA6, 301, 2, apud Elert, op.cit, 226.
42
Communio, 10. Mascomparea ApVII, 10: "etcatholicamecclesiamdicit, neintelligamus,ecclesiam
esse politiam externam certarum gentium, sed magis homines sparsos per totum orbem, qui de
evangelio consentiunt et habent eundum Christum, eundem spiritum sanetum et eadem sacramenta,
sive habeant traditiones humanas sive dissimiles. Etin decretis inquitglossa, ecclesiam large dictam
complecti bonos et maios; item malus nomine tantum in ecciesia esse, non re, bonos vero re et
nomine."
43
Cf. Manfred Zeuch, "Unidade das igrejas e ministérios de unidade: esperança ou utopia? Aspectos
de um colóquio internacional em Strasbourg". Vox Concordiana: Suplemento Teológico 10 (1995):
58-71.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
159
3. A compreensão comum do evangelho
O problema da definição de evangelho está estreitamente ligado com o
que foi dito acima. Como já foi indicado, a "compreensão comum do evangelho"
é também para a FLM o fundamento determinante para o reconhecimento da
comunhão eclesiástica. Mas o quanto esta problemática é complexa no diálogo
inter-eclesial, especialmente lá (como Brand faz questão de lembrar) onde
participam nesse diálogo Igrejas ou agrupamentos que estão num "elo estreito
com a Igreja Luterana - Sínodo de Missouri",(85) transparece já na declaração
da FLM em Evian, em 1970: "O fundamento para a unidade da Igreja é idêntico
com aquele que faz a Igreja ser Igreja: Jesus Cristo, que está presente no
evangelho, que é proclamado na Palavra e sacramentos e que é aceito pela
fé [...] em todas as comunidades em que Cristo é assim proclamado, a condição
para a comunhão eclesial já está presente."44 Tudo indica que aqui não se
trata da unidade "que já é dada" (por Deus), mas que "foi dada como tarefa",
segundo a distinção de Pannenberg.45 Na compreensão luterana da Reforma
esta unidade foi designada de concórdia, a unidade da cristandade exterior,
da Igreja late dieta. Esta unidade foi dada à cristandade como uma tarefa a
ser cumprida. Mas se o "fundamento" para essa unidade é Jesus Cristo, porque
ele "faz a Igreja ser Igreja", então se pensa aqui provavelmente no evangelho
de Jesus Cristo no sentido restrito. O evangelho proprie dieta é o meio essencial
pelo qual o Espírito Santo cria a Igreja, a une e a mantém (At 16.30-31; Jo
3.16; Lc 23.42-43).46 Esta é a única Igreja de Cristo, a Igreja proprie dieta. Mas
na teologia ecumênica é opinião corrente de que o evangelho proprie dieta é
necessário mas ao mesmo tempo suficiente para a comunhão eclesiástica,
para a unidade da cristandade exterior, ou late dieta, e para tal se atem ao
artigo VIIo da Confissão de Augsburgo. Isso fica claro no posicionamento da
Igreja Luterana da Estônia diante do documento "Batismo, Eucaristia e
Minsitério" (o documento de Lima): "o que é suficiente para a salvação dos
homens (o que aqui significa o evangelho proprie dieta), isto também é
suficiente para a unidade da Igreja (como se a unitas estivesse ainda por ser
-----------44
Relatório da FLM para a assembléia geral, Evian 1970,111, citado por Brand, 56. Tradução livre do
alemão: "Der Grund fürdie Einheit der Kirche ist identisch mit dem, wasdie Kirche zur Kirche macht:
Jesus Christus, im Evangelium gegenwãrtig, wird durch Wort und Sakrament verkündigt und im Glauben
angenommen [...] In allen Gemeinden, in denen Christus so verkündigt wird, ist die Voraussetzung für
Kirchengemeinschaft gegeben."
45
Pannenberg, Systematische Theologie3,441, "Vorgegebene Einheit"e "Aufgegebene Einheit".
46
Cf. Robert Preus. "A base para a concórdia". P. Buss, trad. In: Fórmula para a concórdia. Ensaios
Teológicos n°1, (Porto Alegre, Concórdia, 1978): 5-20.
160
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
realizada) e por isso não se precisa mais do que a palavra proclamada e
manifestada visivelmente nos sacramentos para a unidade da Igreja
(aparentemente parece tratar-se aqui de toda a doutrina cristã, o que não é o
caso). Aqui se tem em mente ainda o evangelho strícte dieta, porque nada
mais é necessário para a salvação".47 E esta "convicção", de que o evangelho
no sentido próprio seria suficiente para a comunhão eclesiástica, seria "um
capital ecumênico ainda inutilizado da tradição luterana".48
Mas a tradição luterana dos escritos confessionais não foi aqui mal
interpretada? A história do surgimento das confissões, a sua essência e seus
enunciados formam uma tradição — que foi também continuada na ortodoxia
ulteriormente — na qual existe a firme convicção de que paralelamente à
relação unificadora e indispensável do evangelho propríe dieta para com a
Igreja propríe dieta (relação de criador e criatura) e à unidade que dela resulta,
também está a relação do evangelho late dieta para com a Igreja late dieta e
a concórdia que sobre ela deve ser construída e mantida. Se o evangelho é a
"substância" da Igreja, como diz Lutero, então a correta identificação deste
evangelho é por sua vez a substância da ou o meio para a concórdia. A
identificação acontece no âmbito da confissão da Igreja, como vimos acima.
É nessa identificação que os cristãos precisam procurar sua unidade no Espírito,
isto é, chegar a uma confissão comum do evangelho. É verdade que na FLM
também se está consciente disso, mas não se admite mais o fato de que de
acordo com a tradição luterana uma compreensão comum do evangelho propríe
dieta não é suficiente para a comunhão eclesiástica (o que, aliás, católicos e
luteranos estão constatando, apesar de sua declaração de terem chegado a
um consenso sobre a doutrina da justificação!) e que o evangelho nunca é
mera proclamação, mas sempre também doutrina, como o lembrava Schlink.49
É no consenso da doctrína evangelii, em "todos os seus artigos", que deve se
procurar a unidade das igrejas.50
Isto significa então que o evangelho no sentido lato (Mt 28.19-20), a doutrina
cristã "e todos os seus artigos"51 é o meio pelo qual o Espírito Santo guia a
Igreja para a unidade exterior (consonantia fidei)52 unidade que o movimento
ecumênico busca, com razão.
47
Cf. Michael Seils, Lutherische Konvergenz? Analyse der lutherischen Stellungnahmen zu den
Konvergenzerklãrungen "Taufe, Eucharistie und Amt" der Kommission für Glauben und
Kirchenverfassung des Òkumenischen Rates der Kirchen. LWB-Report25, (Juni 1988), 156.
48
Evian 1970, apudBrand, 57.
49
Cf. Preus, op.cit., 11.
50
Cf. também W. Pannenberg, "Le ministère ecclésial et 1'unité de 1'Eglise". Istina40, n°3 (JuilletSeptembre 1995), 190-201, e M. Zeuch, art. cit., 64+71.
51
52
FCSDX, 31.
Ibid.
IGREJALUTERANA-NÚMER02-1996
161
Mas a teologia praticada nos círculos da FLM parece tomar um outro caminho,
quando se continua a ler por exemplo o relatório de Evian, que ilustra uma opinião
hoje largamente espalhada: "As diferenças na interpretação e na transmissão do
evangelho, que podem continuar existindo no ensino e na ordem eclesiástica, não
são motivo suficiente para separar as Igrejas umas das outras." (57) Mas tais
diferenças podem significar divergências, contradições profundas, na identificação
comum da fonte da fé. Para Lutero isso fora um ponto vital: sua Igreja estava
ameaçada, porque ela não mais identificava (confessava, ensinava) corretamente o
evangelho. Sem essa consonância a unidade da cristandade não é possível, ela
sofre rupturas. Lutero teve que romper finalmente com Roma53 porque para ele
todos os outros artigos da fé estão ligados ao evangelho, pelo qual Deus cria a fé e
a Igreja. Os ensinamentos da fé cristã são predecessores ou sucessores da doutrina
da justificação pela fé.54
Brand afirma que "a FLM tomou a sério a intenção da Confissão de Augsburgo e
de sua Apologia, de confessar a fé ortodoxa, católica" (86). Ora, há somente uma fé
ortodoxa (Ef 4.5), e a correta identificação dessa fé é a confissão unívoca da uma
santa Igreja de Cristo. Não há outras identificações. Lutero lutou por ela. Porém de
um lado a Igreja Romana não queria voltar a ela, de outro lado os sacramentários
não queriam aderir a ela.55 Mas para Lutero não podia haver "diferenças na
interpretação do evangelho" nesse sentido. Só há uma confissão. Só há uma
compreensão teológica correta do evangelho e dos sacramentos. O diálogo católicoluterano por exemplo está marcando passo também por causa da compreensão
teológica dos sacramentos (p. ex. o ministério). Mas a Igreja de Cristo sempre
professou a boa confissão. Ela naturalmente não se identifica com nenhuma
instituição eclesiástica exterior. Cada denominação é chamada a realizar
concretamente o que é a essência da Igreja universal quanto à comunhão e à
abertura ao mundo (missão). Brand cita da introdução do Livro de Concórdia e
sublinha na citação a afirmação de que este consenso "é crido pela Igreja universal
ortodoxa de Cristo".66
53
Warth,op.cit.
54
Ralph Bohlmann. "Acelebração da Concórdia". In: Fórmula para a Concórdia. Ensaios Teológicos
n°1, (Porto Alegre, Concórdia, 1978): 49.
55
Cf. M. Zeuch, "'O Espírito embrulhado na carne': o choque entre Lutero e os entusiastas e
espiritualistas da Reforma". Vox Concordiana: Suplemento Teológico 11, (1996): 8ss.
56
"von derallgemeinen rechtfertigen Kirche Christi geglaubt ist", Brand, nota 20: "Es wird weiterhin
auf die rechtglâubige (katholische) Lehre verwiesen: die 'lutherischen' Kirchen haben 'dain (CA)
begriffene und in góttlicher Schrift wohlgegründete, auch in den bewàhrten alten Symbolis kurz verfasste
Lehre für den einigen alten und von derallgemeinen rechtlehrenden Kirchen Christi gegleubten, wieder
viel Ketzereien in Irrtumben erstrittenen und wiederholten Konsens erkannt, fest und berstàndig
gehalten."
162
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
Mas ele continua depois da citação de uma passagem tão clara dos livros
simbólicos, e afirma que a confissão de Augsburgo "não pretende identificar a Igreja
com grupos que mantêm uma compreensão teológica correta da proclamação e dos
sacramentos" (86). Estamos de acordo, cf. supra. Mas o que significa uma
"compreensão teológica correta" do evangelho e dos sacramentos? Não se trata, na
teologia e na Igreja, sempre da reivindicação de veracidade da revelação de Deus
em Cristo, e da luta por uma boa identificação dessa revelação, mesmo se esta
identificação sempre é formulada numa época histórica determinada? A verdade não
torna-se ao mesmo tempo confissão para a Igreja, e meio para a concretização da
unidade na Igreja? Não foi precisamente esta a missão da Reforma? Os esforços
aplicados para a concórdia no fim do século 16 visavam "esclarecer e espalhar as
verdades fundamentais, que semper et ubique foram cridas, mesmo se não o foram
ab omnibus (Vinzens von Lerinum)".57
Mas onde se parte por exemplo do método histórico-crítico58 para o estudo das
Escrituras, se chegará sem dúvida à conclusão de que a diversidade muitas vezes
profundamente contraditória de teologias na Igreja não seria outra coisa senão o
reflexo da diversidade expressa no Novo Testamento, e que o pluralismo na Igreja
teria suas raízes no pluralismo do Novo Testamento.59
Neste contexto Brand continua: "é o evento do evangelho o momento central e
constitutivo para a Igreja, e não a retidão teológica ou estruturas históricas. Uma
compreensão luterana de communio dá, pois, grande valor à comunhão de
confissão" (86). O que é o "evento do evangelho"? Não é a dynamis de Deus para a
salvação dos homens em Cristo? Ela é constitutiva para a Igreja e para a sua
unidade, como já foi dito acima. Mas a confissão correta, a identificação correta
desse evangelho fundamenta-se sobre uma teologia correta60 o que por sua vez é
constitutivo para a sua concórdia.
Mesmo assim, para Brand a "comunhão na confissão" é o grande princípio para
a comunhão eclesiástica. Muitas vezes aparece no seu estudo a fórmula que ele
chama de cantus firmus da nova eclesiologia: "a comunhão na confissão
57
Lewis Spitz, "Die Konkordienformel damals und heute", Lutherische Rundschau, Zeitschrift des
LWB. (4/1977), 544.
58
Não estou me referindo a técnicas isoladas empregadas neste método, que não são todas reprováveis,
mas me refiro ao método como um todo, enquanto atitude e enquanto programa.
59
Cf. Documento citado da CTRE da LC-MS, 23.
60
Veja Ingetraut Ludolphy. "Die Unentbehrlichkeit der theologischen Arbeit für die Gemeinde", in:
FuldaerHefte. Schriften des Theologischen KonvetnsAugsburgischen Bekenntnisses. Klapper, G.
ed. n° 17, (Berlim, 1967), 149.
IGREJA LUTERANA - NUMERQ2 -1996
163
é comunhão eclesiástica".61 Procuremos compreender isso na FLM: ficou-se
convencido de que não existe mais dúvida alguma se Igrejas que se chamam
luteranas podem ter comunhão umas com as outras ou não: elas já estão em
comunhão. Só que algumas se recusam a reconhecer este fato. Todas as
Igrejas que reconhecem ou assinam formalmente a CA ou outros escritos
confessionais luteranos, são consideradas como membros da comunhão
luterana. Se as Igrejas estão realmente comprometidas com estes escritos no
ensino e na prática, considerando-os como norma (normata), parece ser
pergunta secundária, porquanto se está convencido de que a maior parte das
confissões já está de qualquer maneira ultrapassada e carente de correção
(58). Separa-se "confissão" de "teologia correta", porque se toma a Igreja e o
evangelho no sentido estreito, com vistas à concórdia. E talvez também porque
assim o caminho para uma unidade exterior seja menos difícil e menos longo.
Assim Brand conclui logicamente: "Lá onde se entende a comunhão de
confissão no sentido de teologia correta, ela age [...] de maneira destrutiva"
(87) O cantus firmus é: "a comunhão na confissão é comunhão eclesiástica".
Mas se a confissão não tem nada a ver com "teologia correta", pergunta-se
portanto o que é "construtivo" para a comunhão eclesiástica. Até que ponto a
confissão luterana é, enquanto identificação comum correta do evangelho,
também um símbolo para o ensino e a vida da FLM, tendo como tal a função
de "confessar sua fé perante o mundo e definir as verdades bíblicas contra os
erros doutrinários e desmandos e abusos que vinham desgraçando, há séculos,
a Igreja cristã"?62 Brand lembra que os luteranos não "foram capazes", em sua
reunião plenária de Helsinki, "de estarem de acordo sobre a justificação" (55).
Mas esta questão ele diz não querer abordar no seu estudo porque, segundo
ele, ela "não tem uma relação direta com a questão da comunhão eclesiástica"
(sic). Temos aqui um sinal concreto: ficou claro que em sua opinião não precisa
haver consenso sobre a questão da justificação para se estar em comunhão
eclesiástica. Este dogma está, então, acima do satis est da CA VII. Nesse
caso o diálogo oficial da FLM com a Igreja Romana extrapolou o satis est uma
vez que se afirma ter chegado, após haverem deliberado sobre o que Lutero
chamava de articulus standis et cadendis ecclesiae, a um consenso católicoluterano sobre a questão da justificação (o que ainda está para ser confirmado!).
O que ainda resta, do ponto de vista das duas confissões, é um dissenso
sobre a questão do ministério.
61
Brand, 39, 57, 59, 61, 85, 93, 96.
62
Cf. a definição de símbolo de Otto Goerl A. Cremos, por isso também falamos. Fórmula de Concórdia.
(Porto Alegre, Concórdia, 1977), 11.
164
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
No entanto, na Fórmula de Concórdia, que serviu de instrumentário para 0
restabelecimento da comunhão eclesiástica entre igrejas interse pugnantes, e que
quer servir assim ainda hoje, a questão da iustitia fidei coram Deo é uma das
questões centrais!63 No entanto, com a "visão mais integrada da communio" que
"está surgindo" (58) pode-se procurar "agora já formas de comunhão (entenda-se
comunhão eclesiástica)" apesar das divergências doutrinárias mesmo em pontos
como a justificação.64
Assim o satis est da CA VII, que por muitos é considerado como tratando da
concórdia, ultrapassa o âmbito luterano segundo a nova eclesiologia, e "fazer
exigências além disso para a comunhão eclesiástica é uma negação da dimensão da
confissão da reforma" (58). Dá-se um novo sentido à CA VII, numa espécie de
revisionismo histórico, quando Brand afirma em seguida: "a diversidade de formas de
organização e de opiniões de escolas teológicas não anula a comunhão
eclesiástica". Foi adicionada aos adiáforos da CA VII (cerimônias uniformes) a
teologia, o dogma. Nossas confissões não têm mais, então, uma função teológica,
mas possuem apenas a função formal da identificação exterior: quem as subscreve
formalmente pertence à "koinonia luterana". Não existem mais dúvidas quanto a isso
na FLM. Mas Brand cita o dogmático Peter Brunner, que viu nisso um "problema
eclesiológico", pois "apesar da afirmação formal da base doutrinária (da FLM) há
dúvidas de que exista realmente entre as Igrejas da FLM um consenso na doutrina
do evangelho".65 Mas que apesar disso ainda existem Igrejas luteranas que não
podem entrar numa comunhão com certas outras é para Brand um "escândalo", é "a
verdadeira anomalia luterana" (53, 50).
Como responder a isso? Nesse contexto é preciso tomar em conta três aspectos
ou dimensões, quando se trata da relação entre os cristãos e entre as Igrejas. São
as dimensões da unidade, do amor e da verdade.66 São critérios. Nenhum destes
pode existir independentemente. São inter-dependentes. Pelo amor, que é um dos
três habitus da fé cristã, os cristãos procuram edificar-se e exortar-se mutuamente à
fé e à fidelidade ao Senhor. Mas esse amor obrigará cristãos a falarem claramente lá
onde há erros e discórdias, sem minimizar e escondê-los, para o interesse do
próximo, mesmo se isto implica impedimento da comunhão eclesiástica, e em muitas
lágrimas de parte e de outra. Rejeitar ou adiar a comunhão eclesiástica com Igrejas
ou grupos em que há abuso ou deturpação da palavra e sacramentos ao mesmo
tempo em que se busca
63
Veja a FC Ep III status controversiae, affirmativa, e negativa, através das quais "zween widerwãrtige
Irrtumbin 'etlichen'Kirchenabgeschafftwerdensollten", BSLK, (1952), 78ss: Veja também FCSD III.
64
Assembléia de Evian 1970, Brand, 57.
65
Peter Brunner. "Der Lutherische Weltbund ais ekklesiologisches Problem". Lutherische Rundschau
10(1960), 279ss, apuei Brand 49.
m
CTRE,LC-MS,lnter-ChristianRelationships.AnlnstrumentforStudyCl9^), 14-23.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
165
uma unidade sobre um consenso, não é opção, é um mandado divino, como
também o compreendeu a Reforma.67
Temos nesse sentido exemplos claros com os reformadores. Lutero considerava
a dissensão doutrinária com os suíços (sacramentários) a tal ponto decisiva, que
não lhe pareceu possível estabelecer com eles a comunhão eclesiástica.68 No que
diz respeito ao sacramento eucarístico, uma Igreja que o oferece de maneira
indistinta a toda e qualquer pessoa ou grupo, deve, segundo ele, ficar reservada aos
entusiastas.69
Por outro lado é também mandado divino praticar a comunhão onde o consenso
na doutrina do evangelho foi atingido. Há aqui igualmente muitos abusos nos meios
luteranos, e tristes separatismos. Lutero também nos dá aqui um exemplo. Ele
procurou a comunhão com os herdeiros espirituais de João Huss. Ele insistiu para
que os boêmios saíssem de seu isolamento cismático, dando-lhes o conselho de
fortalecerem a comunhão com cristãos que estavam além de suas fronteiras, por
exemplo os alemães. Assim Lutero não via na comunhão eclesiástica uma mera
instituição organizacional, mas sim uma confissão conjunta da doctrina evangelii, a
perseverança no evangelho redescoberto. Isto era para ele o único elo que pode unir
as comunidades cristãs em todas as partes do mundo na Igreja.70 Nota-se na Igreja
Luterana dos tempos de Lutero, em sua posição diante da Igreja Oriental, como ela
tentava "preservar as suas próprias Igrejas territoriais de um endurecimento e
estreiteza de coração", estando segura de sua própria existência dentro da Una
Sancta Catholica.71 Assim também Melanchthon fala dos elos com os suecos,
através da doctrina ecciesiae Dei, quam et Suedicae et nostrae ecciesiae uno spirito
et una você cum catholica ecclesia Christi profitentur.72
67
Compare quanto a este tema Ernst Lerle, "Streit um Abgrenzung", Evangelium/Gospel, n° 4 (outubro
de 1992), 128ss, eem inglês: "The controversy aboutdelimitation", trad. de J.Drickamer, na mesma
revista.
68
Cfe. a carta de Lutero aos de Frankfurt de 1533, citada por Elert op.cit, 245.
69
WA30 (3), 567,3 citado por Norman Nagel, "Closed communion: in the way of the Gospel; in the
way oftheLaw". Concórdia Journal í7(Janeirode 1991): 20.
70
Cf. George Posfay, "Die allgemeine Kirche bei Luther" in: Lutherische Kirche in der Welt. Jahrbuch
des Martin Luther-Bundes, 41 (1994), 29.
71
72
Elert, op.cit, 25.
Ibid.
166
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
Lutar pela unidade no evangelho late dieta significa que cristãos ajudam-se
mutuamente a confessar o evangelho ao mundo de maneira unívoca, e evitar erros
na explicação da Palavra de Deus.73 Mas este intento será menos forte onde
opiniões de escolas teológicas divergentes sobre a interpretação do evangelho são
consideradas como sendo uma diversidade enriquecedora.74 E também lá onde se
pratica a acomodação ecumênica nas formulações teológicas com vistas à
comunhão eclesiástica.
Isto foi o caso, por exemplo, no conceito da conciliaridade que apareceu pela
primeira vez em 1968 em Upsala. Nesse modelo de unidade procura-se atingir a
unidade orgânica, na qual não se exige "uniformidade teológica", mas somente a
assinatura de algumas afirmações que possam ser aceitas por todos e a
consideração para com a identidade confessional das Igrejas implicadas. Essas
identidades são consideradas como condicionadas ao tempo, como elemento da
história espiritual, cultural e litúrgica das diferentes denominações, sendo desta
maneira limitadas em sua importância (95).
Surgiu também na FLM um outro modelo de unidade, com o conceito da
diversidade reconciliada. Isto é o que vimos até aqui: a comunhão eclesiástica com
denominações não-luteranas já é possível onde há um consenso no evangelho
proprie dieta. A FLM já tomou grandes passos nos seus diálogos com outras Igrejas:
a Igreja luterana unida da Alemanha (VELKD) já estabeleceu comunhão de púlpito e
altar com a Igreja Metodista. A publicação recente dos diálogos lútero-batistas
mostra que apesar da dissensão aberta entres as duas Igrejas sobre o batismo, por
exemplo, ambas estão exortando para o estabelecimento da comunhão de púlpito e
altar. Nos Estados Unidos luteranos e reformados declararam há pouco oficialmente
que "estão em comunhão total uns com os outros". No entanto nesse documento, A
Com-mon Calling, o consenso nas afirmações teológicas não é pressuposto nem
procurado.75 Só para citar alguns exemplos.
73
Posfay, no art.cit. 41. Spitz diz nesse sentido, com vistas à FC: "ela une o ensino e a apologia (Lehre
und Wehre), quando ela introduz todas as affirmativa com 'cremos, ensinamos e confessamos', e
todas as negativa com 'por isso rejeitamos e condenamos'. Mas aqui ela compreende também as
condenações como atos do amor que exorta (...) Ela permanece sendo uma confissão evangélica no
sentido positivo. Ela respira o espírito da paz", no art.cit., 548.
74
A Igreja e a teologia acabarão tendo que fixar novamente critérios e limites, como bem o mostra o
caso do teólogo alemão G. Lüdemann, professor em Gòttingen, com suas recentes publicações
altamente provocadoras e controvertidas sobre a ressurreição de Cristo, e o conteúdo do credo
apostólico.
75
Depatment of SystematicTheology, Concórdia Seminary, St.Louis. "Basic understanding of and
Raction to a Common Calling: the ELCA-Reformed Conversations." Concórdia Journal20, (Julho de
1994): 293.
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
167
A FLM ainda utiliza a expressão "estabelecimento de comunhão de púlpito e
altar", o que é considerado por Brand uma "expressão tipicamente luterana" (95).
Mas ela diverge aqui da prática dos reformadores no sentido de que ela não mais
acontece sobre a base de um real consenso na doutrina. Nos tempos da Reforma,
todos os que subscreviam formalmente as confissões podiam ser considerados
como estando em comunhão com os luteranos.76 É verdade que hoje se procura, na
FLM, corresponder à prática da Reforma com o slogan: "a comunhão na confissão é
comunhão eclesiástica". Mas, quando a prática é separada das confissões, esse
cantus firmus não corresponde mais à Reforma, e fica sem efeito.
4. A estrutura como sendo nota ecclesiae?
É claro que a evolução presente confirma o "impulso em direção à Igreja
planetária".77 O "caráter eclesial" da FLM (45) está ficando cada vez mais evidente
(o que tornou-se um problema para algumas das igrejas-membros). A assembléia
geral em Budapeste declarou que a FLM de agora em diante é "uma expressão" e
um "instrumento" da comunhão luterana (89). Brand conclui com razão que nesse
caso poderiam ainda haver "outras expressões" de uma comunhão luterana, o que
em sua opinião praticamente não pode mais ser justificado do ponto de vista da
eclesiologia da comunhão (90). Ele pensa que se a FLM quisesse tornar-se o (único
e legítimo) modelo de comunhão luterana, haveria necessidade de operar nela uma
"reestruturação muito mais radical." A forma ou morfologia da FLM deve tornar-se
mais sólida, isso porque "o protestantismo sempre corre o risco de desintegrar-se
completamente em sua organização, porque não possui uma autoridade central e
porque acentua tanto a fé explícita do indivíduo", como o explicou Spitz.78 Agora não
só rejeita-se a acentuação da fé individual, mas igualmente a "autonomia" das
Igrejas-membros individuais. Se o regimento da FLM rezava assim antes de
Budapeste, no artigo 111,1 ("da essência e dos objetivos da FLM"): "A Federação
Luterana Mundial é uma livre união de Igrejas luteranas. Ela não tem autoridade
sobre as Igrejas-membros no sentido de legislar ou interferir na sua total
autonomia..." (44), esta formulação não cabe mais na concepção da nova
eclesiologia. Mesmo se existe a consciência de que a Igreja Luterana é a Igreja "que
desde os tempos de Lutero recusou-se a obedecer a uma autoridade central como
instância legislativa", como disse Vilmos Vajta em Budapeste,
76
CTRE, 33. Apesar de que Lutero "bem viu que a concordância formal com as confissões ecumênicas
da Igreja não evitou que ela perdesse a verdade evangélica. Os sinais ou notae determinantes da
Igreja eram a proclamação pura da palavra de Deus e a administração dos sacramentos de acordo
com essa palavra de Deus." Spitz, no art.cit., 546.
77
"Sturm und Drang in Richtung Globuskirche", cf. Oesch, op.cit, 87.
78
Spitz, op.cit, 542.
168
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
ela deveria evoluir, segundo os seus teólogos, no sentido de desenvolver em
seu seio um episcopado colegial.79
Esta episkopé corresponderia à introdução das visitações no tempo da
Reforma, e consistiria numa tarefa de visitação em nível mundial. Segundo
esta concepção, não existe mais autonomia espiritual das comunidades e
Igrejas, mas todos os que se encontram nessa communio estarão subordinados
a esse episcopado colegial-pastoral.80
Além das tarefas internacionais e externas (políticas) do episcopado, este
também terá tarefas "internas", ou seja, por exemplo, a de zelar para que
nenhuma Igreja tome passos em questões de comunhão eclesiástica sem
pelo menos ter informado as outras Igrejas-membros. A igreja que respeitasse
essa exigência tornar-se-ia assim um catalisador para as outras, para que
estas também procurem estabelecer na sua região as mesmas relações
eclesiais com outros.
O campo já foi preparado suficientemente para que isto seja possível com
denominações não-luteranas sem um real consenso na doutrina. Os diálogos
bilaterais terminam às vezes com a aceitação de documentos que minimizam
as divergências fundamentais de doutrina e fé existentes por meio de
formulações que todos possam aceitar sem no entanto mudarem as suas
próprias convicções.81 Exemplo disso é o resultado do diálogo luteranoreformado nos EUA. É nessa perspectiva — para não se ter falsas ilusões —
que deve-se compreender o desejo do ex-secretário geral, quando diz que a
FLM deve ter a "capacidade interna de assumir posições doutrinárias em nível
mundial".82 É daí que "uma Igreja-membro pode estabelecer a comunhão de
79
Vajta, citado por Band, 90. Brand lembra da afirmação de P. Brunner: "Im dem Augenblick aber, in
dem missionarische und õkumenische Aufgaben gemeinsam übernommen werden, 'wird das Handeln
des Weltbundes mehr und mehr das Handeln einer Kirche sein müssen'. Wenn Lutheraner diese
Herausforderung annehmen, dann hoffter (im Anschluss an Grundmann), daBsie einen Weg irgendwo
'zwischen Vatikan und Rotem Kreuz' finden werden", 49.
80
Ver as colocações do luterano Pannenberg e do católico Tillard sobre o assunto, e a dificuldade
implicada, emZeuch, "Unidade das igrejas...", cf. supra. Mesmo se esse episcopado ainda não foi
instituído ou aceito por todas as Igrejas-membros, ele já é praticado até um certo grau. Existem dois
exemplos para este fato: Gunnar Stalsett relata sobre alguns problemas que existem em duas Igrejasmembros, em Papua-Nova Guiné e nas Filipinas. Esses problemas exigiram uma visitação pastoral.
Stalsett afirma que nesses problemas a FLM viu-se "confrontada ao Sínodo de Missouri" que "considera
essas Igrejas como sua propriedade missionária", Stalsett, 45. Na África do Sul o secretário geral fez
uma "visita pastoral" em 1993 para tratar da relação da Igreja local com o processo de democratização,
ibid., 52.
81
Cf. Poetsch.no art.cit., 9.
82
Stalsett, no art.cit, 56.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
169
púlpito e altar ou (?) a comunhão eclesiástica total com uma Igreja não-luterana, ou
até mesmo unir-se com ela."83 A FLM precisaria somente dotar-se do instrumentarium necessário para estas decisões, conclui. Uma vez que as confissões
das diferentes denominações são vistas como dependendo do espaço cultural de
cada Igreja, e das mudanças que nele ocorreram,84 as tentativas de unificação
precisam ser procuradas em outras áreas. E aqui se oferece o âmbito institucional
de uma estrutura clara de colaboração na missão, de posicionamentos sóciopolíticos e de diaconia.85 Considera-se que a FLM e seu departamento de missão e
desenvolvimento corresponde a essa estrutura, e que é uma marca indispensável de
reconhecimento da Igreja. Ou seja, elementos estruturais enquanto notae
ecclesiae.86 Esta comunhão que se está construindo na FLM, e que quer expandirse em direção a outras denominações, é assim considerada como sendo aquilo que
o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) chamou de sacramentum mundF, ou seja,
"sinal e sacramento do reino de Deus entre os povos".
5. O ministério ordenado
O ministério ordenado continua sendo um problema, um tema para consultas e
diálogos, e necessita, segundo os teólogos da FLM, atenção especial, uma vez que
o reconhecimento mútuo dos ministérios ordenados fazem parte da questão da
comunhão de púlpito e altar. Em 1992 foi publicado o relatório de uma discussão
sobre a ordenação de mulheres, e este relatório estaria, segundo Stalsett,
"fortemente enraizado nas confissões luteranas". Mas ele também estaria
respeitando "evoluções ecumênicas". Surgiu assim, com a evolução da eclesiologia
da comunhão, o conceito da "compreensão inclusiva do ministério"(88). Esta
compreensão opõe-se a uma assim chamada "compreensão exclusiva do ministério"
(que exclui mulheres) que estaria sendo defendida ainda em alguns grupinhos
irredutíveis. Assim como a Igreja teria "discriminado mulheres, jovens e minorias nos
diferentes serviços", assim não existiriam ainda "direitos iguais para homens e
mulheres no ministério pastoral". Brand conclui, indignado, que "ainda existem
grupos - aos quais às vezes até bispos pertencem - que rejeitam a ordenação de
mulheres por razões teológicas e históricas" (89). Mas afirma que ela é aceita como
uma prática luterana geral.
83
Ibid.
84
Ibid, 10.
85
Cf. Poetsch,/to/tf
B6
Brodd,noart.cit.,26.
87
Im Zeichen des Heiligen Geistes. Bericht aus Camberra 1991, ed. porWalterMüller-Rohmheld,
Frankfurt, p.117, Bericht von Sektion IV der siebenten Vollversammlung des ÒRK, citado por Brodd,
p.29.
170
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
Sem dúvida não existe ainda na própria FLM um consenso geral sobre essa
questão. Entre as Igrejas-membros, a Igreja Luterana independente em Baden
(ELKiB) certamente não é a última que até meados de 1994 ainda não ordenava
mulheres. Mas num período curto tenciona-se convencer os últimos irredutíveis.
Porque a "compreensão exclusiva do ministério" é vista como uma "exclusão" de
"pessoas qualificadas no seio da comunhão luterana por motivos de sexo ou raça"
(89). Em linguagem clara isso significa que a ordenação exlusiva de homens para o
ministério pastoral nada mais seria do que uma forma de sexismo e racismo. Se isso
fosse o caso, é claro que uma tal postura seria "incompatível com a eclesiologia da
comunhão", e a maior parte da cristandade (ainda é a maioria) estaria no terrível erro
do racismo e da descriminação, há séculos e milênios, porque não ordena mulheres.
Esta postura é agora considerada como herética. Com efeito, na EKD (Igreja Unida
da Alemanha) houve uma declaração no sentido de que posições que rejeitam a
ordenação das mulheres estariam abandonando o solo da doutrina evangélica. 88As
Igrejas luteranas que continuam na concepção e na prática milenar da Igreja (das
quais a IELB) — porque sabem que essa questão dos ministérios não está ligada ao
tempo e à cultura, mas que tem implicações teológicas - são qualificadas de
"sectárias".
O maior problema com a nova compreensão, "inclusiva", do ministério continua
sendo sua não-aceitação por parte de denominações gigantes como a Igreja
Romana e a Ortodoxa. Este ponto é atualmente a maior barreira que separa essas
Igrejas da FLM. Na semana católica de 1994 em Dresden, na Alemanha, "os
representantes oficiais deixaram claro", apesar de uma presença maciça de
protestantes, "onde estão os limites e onde devem ficar, com todo amor, a saber, na
proibição da ordenação de mulheres ao sacerdócio e na separação da celebração
da santa ceia."89 Vê-se assim que há ainda um longo caminho para o consenso e a
unidade. De um lado a Igreja Anglicana decidiu ordenar mulheres, o que a colocou
em situação difícil face à Igreja Católica Romana, de outro lado a Igreja Luterana da
Estônia (FLM) decidiu voltar atrás, e não mais ordenar mulheres, o que relança a
polêmica do outro lado. Do ponto de vista da teologia ecumênica, os argumentos
contra a ordenação das mulheres seriam antes condicionados culturalmente, e não
teologicamente.
88
"Eine prinzípielle Kritik an der Frauenordination verlâBt den Boden der in der evangelischen Kirche
geltenden Lehre", afirmação da KammerfürTheologie, citada por Schòne, ibid., 3.
89
Holger Spierig, "Bischõfe und Bürger - Katholikentag in Dresden war eine Probe auf die Einheit",
Lutherische Monatshefte 8 (Agosto de 1994): 21. João Paulo II publicou uma carta pastoral apostólica,
na qual ele tenta encerrar autoritariamente o debate existente atualmente na Igreja Romana sobre a
ordenação de mulheres.
IGREJA LUTERANA - NUMERQ2 -1996
171
Isso é uma opinião, e ela precisa ser discutida. Também em Igrejas nãomembros da FLM trabalha-se nessa questão, como na Austrália, nos EUA, na IELB,
na SELK (na Alemanha) e na França, sendo que na maioria destas Igrejas o debate
está mais orientado para a questão do voto feminino e do papel da mulher na Igreja
em geral. É preciso discutir o assunto, quando surge. É preciso avaliar, averiguar os
argumentos teológicos, a hermenêutica dos textos em questão, os pressupostos.
Não se deve evitar o debate, abafar o assunto. Nossas igrejas devem participar de
discussões bi- e multilaterais com vistas à unidade. É uma vocação luterana, que
talvez é preciso redescobrir em nossos meios, e evitar a auto-suficiência.
Particularmente, a IELB e a IECLB devem prosseguir no caminho do diálogo, na
maior cooperação, na procura do consenso. Mas sem ocultar reais divergências.
Como disse Horst Bannach em seu comentário de Gaiatas: "duas concepções
teológicas divergentes não se encontram face a face como duas possibilidades de
uma só verdade, mas sim como fogo e água [...] Não existe na verdade uma regra
objetiva para a fé.90 Não se pode determinar a partir de um lugar neutro quem tem
mais razão do que o outro. Mas precisa-se entrar na arena e lutar. E nessa luta só
existe um árbitro: Deus mesmo. É ele quem proporciona conhecimentos, e lhes dá
enormes possibilidades de ação".91
90
Esta frase não pode ser tomada fora do seu contexto. Ela é bastante questionável, em si.
91
Horst Bannach. Die grenzenlose Freiheit. Probleme des 20. Jahrhunderts im Spiegel des
Galaterbriefes. (Stuttgart, 1964), 29.
172
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
O lugar da Santa Ceia no
culto da Igreja
João Carlos Schmidt
Este trabalho tem por objetivo verificar em que medida a Santa Ceia é um
dos elementos essenciais do culto da Igreja, ou, em outras palavras, saber se
a Santa Ceia é necessária ou não para que o culto da Igreja possa ser
considerado verdadeiro culto cristão.
Para atingir esse objetivo, primeiramente iremos abordar alguns
fundamentos bíblico-teológicos sobre a relação entre Santa Ceia e culto e,
numa segunda parte, o testemunho que a história da Igreja nos dá a respeito
da questão.
Fundamentos bíblico-teológicos sobre a relação entre a Santa Ceia
e o culto cristão
1. O culto cristão como anamnese da obra de Cristo.
O culto é, de início, anamnese da obra de Cristo. Através do culto, acontece
a recapitulação da história da salvação efetuada por Deus através de Seu
Filho.
A anamnese ou memorial é algo muito diferente do que apenas relembrar
fatos do passado, mas, no contexto da cultura bíblica, ela é uma atitude de
reatualização ou reconstrução do passado de forma a torná-lo presente e
operante aqui e agora.1
Essa dimensão essencial do culto cristão baseia-se nas palavras de Cristo:
touto poieite eis ten emem anamnesis (1 Co 11.24). Segundo Allmen, com
tais palavras Jesus instituiu o culto cristão.2 Seguindo o mesmo pensamento,
Peter Brunner atesta que essa ordem de Cristo inclui a proclamação oral da
palavra apostólica juntamente com á celebração da sua Ceia.3 A partir dessa
1
VonALLMEN, J. J. O culto cristão: teologia eprática. VirsonG.V. dos Santos, trad. São Paulo,
ASTE, 1968. p.33.
2
ld. Ibid.
3
BRUNNER, Peter. Worship in the nameof Jesus. Martin H. Betram, trad. Saint Louis, Concórdia
Publishing House, 1968. p. 283.
Rev. João Carlos Schmidt é pastor assistente da Selbstãndige Evangelische
Lutherische Kirche em Munique, Alemanha.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
173
interpretação, com a ordem "fazei isto", Jesus estaria instituindo o culto cristão como
um momento especial de anamnese de sua obra, que se dá através da pregação da
Palavra e da celebração da sua Ceia, realizados conjuntamente. A anamnese
acontece unicamente por causa da presença real do corpo e sangue de Cristo na
Santa Ceia que, por sua vez, depende da palavra de Cristo "dado e derramado por
vós para a remissão de pecados". Os efeitos salvíficos da obra de Cristo apenas
podem se tornar efetivos no culto, hoje, quando recebemos a Cristo através de sua
Palavra e da sua Ceia. Mas, na Santa Ceia, recebemos o mesmo Cristo da palavra
de uma forma especial, ou seja, através da manducatio oralis. Sob este aspecto, a
Santa Ceia, acompanhada pela Palavra (e não o contrário) é o que conserva o
caráter anamnético do culto em sua plena dimensão.
A partir desse ângulo, podemos concluir que, devido ao seu papel essencial
da anamnesis do culto da Igreja, a Santa Ceia é parte essencial do mesmo. Nesse
sentido, Allmen afirma que a Santa Ceia é necessária para o culto simplesmente
porque Cristo a instituiu e deu à Igreja a ordem de celebrá-la.4
1.2. A relação interdependente entre pregação da Palavra e celebração da
Santa Ceia no culto da Igreja.
O Novo Testamento atesta a relação íntima que há entre a Santa Ceia e o
Evangelho. O Evangelho é a boa nova sobre o que Cristo efetuou pela humanidade
em prol de sua salvação. A ordem de Cristo foi a de que esse Evangelho fosse
pregado a todas as nações até o fim dos tempos. Mas esse Evangelho não somente
deveria ser a mensagem do que aconteceu no passado e do que aconteceria no
futuro. A proclamação do Evangelho deveria ser acompanhada daquele sacramento
que anuncia a morte do Senhor.5
Através da pregação e da Santa Ceia, Cristo vem à sua Igreja. A presença de
Cristo no Evangelho e a Sua presença no sacramennto são elementos
interdependentes de uma realidade, ou seja, do culto. No entanto, a maneira como
se dá a presença é diferente. No Evangelho, Cristo nos fala, de maneira que sua
presença é real mas espiritual. No sacramento, Cristo se nos dá, de forma que sua
presença é real mas física ou sacramentai. Em ambos os casos, a graça e o perdão
são os mesmos, mas a maneira como eles se manifestam é distinta.
Pregação da Palavra e celebração da Santa Ceia formam uma unidade
interdependente no culto. O culto envolve uma progressão, um movimento da
anamnesis da Palavra para a anamnesis da Ceia. A pregação da Palavra
4
ALLMEN, op. cit.,p. 180.
5
SASSE, Hermann. Isto é o meu corpo. Mário L. Rehfeldt, trad. Porto Alegre, Concórdia, 1970. p.
1.
174
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
direciona o crente batizado para a participação na Santa Ceia. Esta, por sua vez,
confirma ao crente o que ele ouviu na pregação. Todo o culto é um movimento
anamnetico que alcança sua conclusão com o comer e o beber sacramentais. Essa
unidade do culto pertence à dinâmica de uma só anamnese de Cristo, que é
conduzido pela Palavra e pela Santa Ceia, numa progressão de um para o outro.6
Além disso, essa interdependência entre pregação da Palavra e celebração
da Ceia ajuda a Igreja a manter o equilíbrio no seu culto. A Igreja, sem a Santa Ceia
(que sempre proclama "dado e derramado para a remissão de pecados"), pode
tornar-se uma "escola" que ensina "doutrinas" e o seu culto uma "aula" de moral ou
ética. Em outras palavras, a celebração da Santa Ceia ajuda a Igreja a evitar a
intelectualização do Evangelho. Ou, como escreve Sasse: "Sem este sacramento [a
Santa Ceia] poder-se-ia entender o Evangelho como sendo uma das muitas
mensagens religiosas existentes no mundo."7 O contrário também é verdadeiro, ou
seja, a Santa Ceia, sem o devido acompanhamento da pregação da palavra, pode
tornar-se uma cerimônia ao redor da qual se formam confusões, falsos
ensinamentos e práticas errôneas e abusivas. Ou nas palavras de Sasse:
Sem a proclamação do Evangelho, poder-se-ia entender este sacramento como
sendo um dos muitos ritos religiosos existentes no mundo. Ambos, o Evangelho
e o sacramento, contêm uma e a mesma dádiva, o perdão dos pecados —
não apenas a mensagem da existência do perdão e não apenas uma cerimônia
que ilustra essa mensagem mas, em vez disso, o próprio perdão que ninguém
pode dar, exceto aquele que morreu como Cordeiro de Deus pelos pecados do
mundo, que virá novamente em glória e que está presente em seu Evangelho
e no seu Sacramento.8
Conforme Allmen, o culto reflete a própria vida terrena de Cristo. A vida de
Cristo leva inevitavelmente à cruz. Sem esta, o seu ministério profético é expoliado
de sua autêntica substância. Mas esse ministério profético também é necessário ao
seu ministério sacerdotal para fazê-lo inteligível. Portanto, conclui Allmen: "a
Eucaristia é tão necessária à pregação (...) quanto a cruz o é ao ministério de Jesus.
Sem a cruz, ele se torna embotado, desprovido de ponto focai, sectário e
moralizante. O culto sem Eucaristia é como um ministério de Jesus sem Sexta-Feira
de Paixão."9
6
BRUNNER,op.cit.,p. 284.
7
8
SASSE, op. cit.,p. 1. ld.
9
Ibid.,p. 1. ALLMEN, op.cit.,p.
181.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
175
1.3. As bênçãos da Santa Ceia oferecidas à comunidade cúltica.
A celebração e o recebimento da Santa Ceia, na fé e pela fé, concede várias
bênçãos para os comungantes. Através do recebimento da Santa Ceia, o
comungante passa a ter uma unio mystica com o próprio Cristo. Essa é a bênção
primária deste sacramento: o recebimento do próprio Cristo através da união
espiritual e sacramentai, que se dá pelo manducatio oralis.
Essa união com Cristo, efetuada pelo recebimento do Seu corpo e sangue, nos
traz aquilo de que mais precisamos: o perdão dos pecados. A nossa situação de
tensão, expressa pela máxima SimuI iustus et peccator, faz com que sempre de
novo retornemos à Ceia do Senhor para receber a Sua remissão. A Igreja apenas
permanecerá sobre o fundamento que é Cristo quando sempre de novo, em seu
culto público, proclamar e oferecer o perdão dos pecados na Palavra e na Santa
Ceia, pois, dessa forma, permitirá que o Espírito de Deus opere em nós
arrependimento e confiança na remissão de nossas iniqüidades.
A proclamação e a dádiva do perdão efetuados através da Ceia operam, por
sua vez, o fortalecimento da fé. A fé fortalecida mantém acesa a esperança da vida
eterna e produz no crente várias e multiformes respostas de amor a Deus e ao
próximo.
Além de todas essas bênçãos, a Santa Ceia ainda efetua outra muito
importante: fortalece a unidade da Igreja (1 Co 10.17). A Ceia não produz a unidade,
mas a reflete e perpetua. Na Santa Ceia, chamada também Santa Comunhão, a
Igreja confessa a unidade e a comunhão que existe entre os cristãos em dois níveis:
em nível universal, a Igreja é Corpus Christimysticum, ou seja, a Igreja Universal é o
corpo de Cristo (Ef 5.25ss., 22.17); em nível particular e tangível é a unidade
doutrinária e confessional professada por um grupo de cristãos reunidos em
comunidades, congregações, sínodos ou outro modo de organização. O declínio ou
a adulteração do sacramento resulta num definhamento ou numa visão deturpada
de Igreja e da sua unidade (1 Co 10.16,17).10 Por isso a Santa Ceia, celebrada
conforme a instituição de Cristo, é fator fundamental para essa unidade.
Portanto, muitas e maravilhosas são as bênçãos oferecidas por Deus na Sua
Ceia. Por causa disso, abandoná-la no culto seria uma atitude de desconhecimento
ou de desprezo pelas mesmas.
2. O testemunho da história do culto da Igreja
Para responder à questão se a Santa Ceia é necessária para haver o
verdadeiro culto cristão, faz-se necessário verificar de que modo a Igreja a tem
encarado no decorrer de sua história. Analisando essa história, poderemos, quem
sabe, avaliar como chegamos às nossas práticas em relação ao Sacramento do
Altar dentro do culto.
10
SASSE, op. cit.,p. 292.
176
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
O testemunho que temos dos primeiros cristãos é o de que "perseveravam na
doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações" (At 2.42). A
Ceia era, portanto, celebrada regularmente.
Atos 20.7 nos relata que os cristãos de Trôade, no primeiro dia da semana,
estavam "reunidos com o fim de partir o pão". Esse texto parece demonstrar que
havia um vínculo quase automático entre o "dia do Senhor" e o "partir o pão". No
início da Igreja de Jerusalém, os cristãos judeus continuavam participando das
reuniões no templo, mas possuíam o seu momento especial, no "Dia do Senhor",
para o culto especificamente cristão, o culto eucarístico (At 2.46). O problema
atacado pelo apóstolo Paulo através de sua primeira carta aos Coríntios (1 Co 11)
nada sugere que as reuniões fossem moralmente eucarísticas. Pelo contrário, é num
contexto em que fala do que acontece quando os Coríntios se reúnem normalmente
(synerchesthai) que o apóstolo os acusa de não celebrar a Ceia do Senhor devido à
maneira como eles procediam (1 Co 11.20). Por essas referências, pode-se
demonstrar que a Ceia era parte integrante do culto cristão na Igreja dos primeiros
cristãos.11
A partir do segundo século, teve início o processo de padronização da liturgia do
culto cristão. Sobre esse processo, encontramos depoimentos importantes nos
escritos de Justino Mártir, especialmente em sua primeira "Apologia" (ca. 150 AD).
Nesses depoimentos há referência apenas ao culto com celebração da Santa Ceia.12
Até o V século, tomava-se como pressuposto que todos os batizados não
excomungados participavam da Comunhão todos os domingos.13
Apesar do culto ter sofrido várias modificações depois que a Igreja foi
reconhecida como Igreja oficial do Império Romano com Constantino (Decreto de
395 AD), ainda permaneciam certos costumes tradicionais no culto, entre eles a
celebração da Ceia em todos os domingos.14
Durante a Idade Média, a celebração da Ceia continuou fazendo parte do culto,
mas, por diversas razões, a participação dos fiéis se tornou cada vez menos
freqüente. Por volta do século IX, costumava-se comungar uma vez por ano
somente.15 A Santa Ceia era celebrada todos os domingos, mas o oficiante era
talvez o único que comungava.
11
ALLMEN,op.cit.,p. 181.
12
GONZALEZ, Justo. J. Uma história ilustrada do Cristianismo. K. Yuasa e H. Fuchs, trad. São
Paulo, Vida Nova, 1986. v. 1, p. 151 -52.
13
MAXWELL, W. D. An outline oi Christian worship: its desenvolvements and form. Apud von
Allmen, op. cit., p. 176.
14
GONZALEZ, op.cit.,p. 45.
15
ALLMEN,op.cit.,p.176.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
177
A partir do fim da Idade Média, especialmente nas catedrais, acontecia,
paralelamente ao ofício eucarístico, cultos homiléticos chamados Pronaus. Foi esse
ofício sem Santa Ceia que se tornou, de certa forma, o protótipo do culto reformado,
ao menos do tipo alemão.16
Lutero, por sua vez, preservou a Santa Ceia dominical. A sua "Formula Missae"
(1523) e, mais tarde, a refinada "Deutsche Messe" são ordens litúrgicas eucarísticas.
Calvino e Zwínglio, no entanto, como já foi dito acima, basearam-se, de certa forma,
no Pronaus medieval. O culto reformado era um encontro para comunhão, oração,
exortação e instrução. A ordem elaborada por Calvino, "La forme de prieres et
chants ecciesiastiques avec Ia maniere d'administrer les sacraments" (A forma de
orações e cânticos eclesiásticos com a maneira de administrar os sacramentos) de
1542, era essencialmente um culto de pregação, de forma que a Santa Ceia era
celebrada apenas quatro vezes ao ano.17 Uma das razões para que Calvino
deixasse a Santa Ceia fora do culto dominical é a influência do humanismo
renascentista, que não podia tolerar uma piedade supersticiosa e que proporcionou
a idéia de que o culto aeveria ser apenas um momento inteligível e apropriado à
razão humana. Essa idéia de reduzir todos os elementos do culto a um significado
lógico e didático resultou no prejuízo do aspecto de mistério e de ação ritual no culto.
Assim, a ação ritual deu lugar à pedagogia verbal. A pregação da Palavra dominou o
culto e os sacramentos perderam a sua importância e lugar dentro do mesmo. Esse
processo teve até implicações na arquitetura das igrejas reformadas (e luteranas),
onde o púlpito foi colocado em lugar bem mais alto do que o altar.
O grande trabalho que Lutero efetuou em termos de culto e liturgia foi logo
perdido ou expoliado pelos movimentos da Ortodoxia (séc. XVII) e, especialmente,
do Pietismo (séc. XVIII). O Pietismo, em reação ao formalismo da Ortodoxia,
produziu um tipo de Cristianismo que valorizava demasiadamente a experiência
pessoal na conversão e a vida ética rígida. Esse espírito tornou o culto e a liturgia
mais e mais algo subjetivo e fortemente emocional e, devido a isso na experiência
carismática, resultou numa depreciação dos meios da graça, especialmente dos
sacramentos. Deslocou-se a eficácia dos sacramentos da Palavra de Deus para a
piedade particular do crente. Essa depreciação foi ainda maior com o advento do
Racionalismo, que causou um esvaziamento total no culto e o transformou num
momento de instrução moralizante.18
O séc. XIX produziu o movimento denominado "Romantismo" que, no campo da
religião, o enfatizava como manifestação importante da vida espiritual do indivíduo.
A partir dessa influência romântica, originaram-se, em
16
ld. Ibid.
17
REED, LutherD. The lutheran liturgy. Philadelphia, Muhlemberg Press, 1947.p.83.
18
SENN, F. C. Christian worship andits culturalsetting. Philadelphia, Fortress Press, 1983. p. 46.
178
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
toda a Europa, movimentos de renovação litúrgica, que se voltaram ao passado
para renascer as antigas formas do culto cristão. E, com a renovação litúrgica,
houve também uma renovação em termos de sacramentologia e recuperouse, em parte, o lugar da Santa Ceia no culto cristão. O séc. XX também trouxe
movimentos de renovação litúrgica, mas, podemos afirmar que, em termos
de Igreja Universal, a Santa Ceia nunca mais ocupou o lugar relevante no
culto cristão como era nos primeiros séculos da Igreja.
Conclusão
A partir dessa pesquisa bibliográfica, podemos concluir o seguinte:
1. O culto cristão possuiu uma dimensão essencial de anamnese. Essa
dimensão se materializa através da pregação do Evangelho e da celebração
da Santa Ceia;
2. No culto Cristo vem a nós e nos concede a sua única graça de modos
diferentes - palavra e sacramentos - que não se sobrepõem e não substituem
um ao outro, mas são "lados da mesma moeda", formando uma unidade e
completando-se mutuamente;
3. A ordem de Cristo é muito clara: "fazei isto". Pressupondo que esta
ordem foi dada à Igreja (= os batizados) como parte essencial da sua adoração,
é um direito espiritual do crente batizado e digno o oferecimento da Santa
Ceia a ele por parte do ministério pastoral. Portanto, quando a Igreja se reúne
para a sua principal função (o culto), ela deve celebrar a Ceia do Senhor,
porque é do Senhor, e não dela;
4. O equilíbrio, a função e a essência do culto são garantidos pela unidade
entre Palavra e Sacramento. Enfatizar um desses em detrimento de outro
pode levar a Igreja a sérios problemas espirituais, entre eles, uma compreensão
legalista do Evangelho ou uma compreensão ritualística do Sacramento (ex
opera operato);
5. O fato de que a Santa Ceia oferece e concede muitas bênçãos para o
crente individual e para a Igreja mostra que Cristo, ao instituí-la, pretendeu
dar à Igreja um recurso espiritual poderoso para a sua missão e sua expansão
neste mundo. Por isso, não podemos, pelo nosso próprio crescimento espiritual,
desprezar essas bênçãos, limitando a celebração da Santa Ceia a partir de
critérios subjetivos, portanto, arbitrários e inconstantes. Por outro lado,
celebrando e oferecendo constantemente a Ceia do Senhor no contexto do
culto, estaremos deixando Deus Espírito Santo atuar mais nos crentes através
da plenitude dos meios da graça;
6. A história da Igreja primitiva, dentro daquilo que podemos conhecer,
nos mostra que apóstolos, as primeiras comunidades e os cristãos posteriores
ao primeiro século entenderam a ordem de Cristo ("fazei isto") como parte da
essência do culto dominical. Para a Igreja que esteve bem próxima
historicamente do seu Senhor, culto era sinônimo de celebração daquela Ceia
especial dada à sua Igreja antes da sua partida;
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
179
7. A história da Igreja até a Idade Média mostra que a Igreja continuou
celebrando dominicalmente a Ceia, apesar de que muitos cristãos não mais
participavam e de que havia vários erros e abusos com relação à prática da
Santa Ceia. Durante essa época, especialmente durante a Alta Idade Média,
vemos um desequilíbrio no culto, pois houve uma supervalorizaçao da Santa
Ceia em detrimento da pregação do Evangelho. É nesse contexto que surgiram
os Pronaus, os pregadores ambulantes e outras formas de preencher essa
lacuna do culto da Igreja;
8. Apesar de Lutero haver dado bastante ênfase à pregação da Palavra,
ele conservou e defendeu a importância e o lugar devido da doutrina e prática
da Santa Ceia, tanto na fé como no culto da Igreja. A sua luta pela presença
real deve ser vista, antes de tudo, como fruto da sua piedade e devoção a
Deus e não apenas como defesa de uma verdade doutrinária. Além disso,
Lutero, ao purificar e inovar a liturgia de sua época, conservou a celebração
da Santa Ceia como parte do culto;
9. Como pudemos ver (item 2), devido a várias razões de ordem teológica
e prática questionáveis, introduziu-se no meio protestante o "culto de pregação".
E tal prática, a partir do século XVI, causou o desequilíbrio no culto oposto ao
da Idade Média, ou seja, a Palavra pregada foi superenfatizada em detrimento
da celebração da Santa Ceia. Também esse desequilíbrio trouxe à Igreja
grandes problemas, entre eles, a intelectualização ou moralização do
Evangelho;
10. Os séculos XIX e XX nos ensinam que as renovações ou redescobertas
litúrgicas trazem em seu bojo a redescoberta da unidade de Palavra e
Sacramento no culto. Nos círculos protestantes, isso significa, especialmente,
a redescoberta do lugar devido da Santa Ceia no seu culto.
A partir dessas conclusões, precisamos repensar a prática litúrgica na
Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Em muitas comunidades, o "culto" sem
Santa Ceia ainda é a regra e o contrário é a exceção. De onde vem essa
prática? Qual é a influência? Está ela baseada num profundo entendimento
do que é o culto e da unidade entre Palavra e Sacramento? Ou ainda: como
decidimos quando o culto deve ter Santa Ceia e quando não deve? E com
base em que critérios tomamos tais decisões? Será que também não está
ocorrendo um desequilíbrio em nosso culto, de forma que enfatizamos a
Palavra em detrimento dos Sacramentos? A principal preocupação do
Programa de Evangelização e Mordomia (PEM) são os estudos-bíblicos em
pequenos grupos; mas, se queremos dinamizar a igreja, não deveríamos
começar por uma renovação substancial e formal de nosso culto?
Cristo concedeu ampla liberdade à Sua Igreja para criar formas de louválo. Podemos criar formas de encontros ou momentos específicos para louvor
(canto), oração, estudo-bíblico. Mas culto público e congregacional é o
momento culminante da Igreja, ao qual a unidade palavra e sacramento deve
ser buscada e mantida.
180
IGREJA LUTERANA -NÚMERO 2-1996
O desafio do pluralismo à missão
cristã: por que, afinal, Jesus?
Pistas para uma resposta a partir da teologia econômica
de Paulo
Edward H. Schroeder
1. Um pluralismo em escala mundial força os cristãos, numa escala nunca
antes vista, a responder a seguinte questão: Por que Jesus? (Para que Jesus
é necessário?) Apenas para exemplificar: na cidade de Saint Louis, que fica
no centro dos Estados Unidos, existem hoje mais de 20 denominações
religiosas diferentes, não contando aquelas que se denominam cristãs.
2. Geralmente se ouve, em círculos missiológicos cristãos, a tradicional
afirmação de que em Jesus a humanidade teve uma maior "plenitude" da
revelação divina. Tal afirmação não convence. Ela tem, na pior das hipóteses,
um tom triunfalista. Na melhor das hipóteses, carece de maior fundamentação
escriturística.
3. As diversas afirmações de Paulo a respeito da singularidade de Jesus,
afirmações estas feitas face ao judaísmo rabínico e à religião helenística de
seu tempo, ajudam os cristãos de hoje a formular a sua resposta à questão do
"por que Jesus?" Em alguns casos, as metáforas de Paulo são tiradas
(surpreendentemente?) do âmbito da economia.
4. Clássica é a afirmação de Paulo em 2 Co 5.19: "Deus estava em Cristo
acertando as contas do mundo para consigo mesmo, não lançando na conta
das pessoas os pecados delas." O mecanismo dessa transação foi de natureza
econômica (v.21): "Deus fez Cristo, que não tinha pecado (em sua conta),
pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus". Lutero, ao
descrever isso como sendo "der froehlicher Wechsel" (isto é, a "feliz troca"),
reconheceu que por trás disso existe uma imagem tirada do mundo da
economia.
5. Assim, por que Jesus? Somente em Jesus Deus não lança na conta
dos pecadores os pecados dos mesmos, algo que Deus normalmente faz
quando não se tem Cristo. Em Jesus, o Cristo, Deus oferece aos pecadores
uma feliz troca: o pecado dos pecadores é assumido por Cristo, e a justiça de
Cristo passa a ser dos pecadores.
Dr. Edward H. Schroeder é professor emérito do Concórdia Seminary St.
Louis, Missouri, e editor da revista Crossing. Esta conferência foi
apresentada à comunidade acadêmica do Seminário Concórdia no dia 25 de
abril de 1996. A tradução do original inglês foi feita pelo Dr. Vilson Scholz.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
181
6. Em Coríntios 3 Paulo inicia um excurso sobre a nova economia de
Deus em Cristo, que continua até a "feliz troca" do capítulo 5 e conclui no
capítulo 6. O termo chave é diakonia, a maneira que Deus tem de transferir
bens e serviços. Os textos em que aparecem diakonia, diakonoi e o verbo
diakoneo são os seguintes: 2 Co 3.3, 3.6, 3.7-9, 4.1, 5.18; 6.3-4.
7. Nesses textos Paulo faz com o termo diakonia o mesmo que, em suas
cartas, ele faz com outros termos fundamentais. Ao invés de dizer que existe
apenas uma realidade, ele fala em duas. Existem duas revelações diferentes
(Rm 1), duas distintas palavras de Deus (lei e evangelho), duas diferentes
alianças (a antiga e a nova), duas justiças diferentes (a da lei e a da fé), duas
criações diferentes (antiga e nova), duas obediências diferentes (a da lei e a
da fé), etc. Nas passagens de 2 Co 3 Paulo faz o mesmo com o termo diakonia:
Deus tem, também, duas diakoniai.
8. A economia da "nova" aliança de Deus (bem como da nova revelação,
nova justiça, nova criação, nova obediência) é o conteúdo da resposta que
Paulo dá à pergunta: Por que Jesus? Sem Jesus (ainda) não haveria essa
nova economia no relacionamento entre Deus e os seres humanos. Ao
contrário, a economia do "contabilizar transgressões" continuaria em vigor. A
lembrança da última transação na economia daquela antiga aliança leva Paulo
a caracterizá-la como sendo a aliança da morte.
9. Penso que a economia teológica de Paulo ajuda os cristãos a
responderem a pergunta pela necessidade de Jesus face ao pluralismo de
nosso tempo. Embora cada uma das "outras religiões" necessite de uma
resposta que leve em consideração as peculiaridades de cada uma delas, a
resposta de Paulo oferece subsídios que se aplicam ao quadro como um todo,
quer se trate de religiões clássicas, como o íslamismo e o budismo; de religiões
mais novas, tanto do oriente quanto do ocidente (aqui entra o neopentecostalismo); ou aquelas correntes do secularismo que supostamente não
são religiosas, como a terapia pessoal ou a nova ordem econômica.
10. Para compreender melhor a perspectiva de Paulo, vamos examinar
uma afirmação que, segundo Lucas, Paulo fez na presença de um auditório
judaico durante a primeira viagem missionária: "Por meio dele (Jesus) todo o
que crê é justificado de todas as cousas das quais vós não pudestes ser
justificados pela lei de Moisés" (Atos 13.39).
11. Por melhor que seja a lei de Moisés — e Paulo jamais procura denegrila — existe uma coisa que ela não consegue fazer: justificar pecadores.
Somente as boas novas de Jesus podem fazer isto. Logo, por que Jesus?
Com Jesus, e apenas com ele, é que pecadores podem ser justificados.
Contrastando com Moisés, essa notícia é ao mesmo tempo boa e nova.
12. Sem querer abrir um longo parêntese sobre o significado pleno da
expressão "justificação de pecadores", a percepção que Claus Westermann
tem da antropologia hebraica, assim como ela é apresentada nos Salmos (e
discutida no comentário de Westermann aos Salmos) nos ajuda neste par182
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
ticular. O ser humano foi criado por Deus e colocado em três relacionamentos
primordiais: para com os outros (para fora) - R1; para consigo mesmo (para
dentro) - R2; para com o seu Criador (para com Deus) - R3. A ruptura fundamental do pecado se localiza no nível do R3. As rupturas nos níveis R2 e R1
decorrem daquela. O perdão de pecados, a justificação do pecador, é cura no
nível R3. A cura nos níveis R2 e R1 decorrem daquela. (Nota: Pode-se ilustrar
isso com o desenho de uma árvore. R1 são os frutos; R2, o tronco; R3, a raiz.
No tempo da Reforma, a diferença fundamental entre Lutero e o escolasticismo
medieval no que diz respeito à doutrina da justificação (CA IV) residia no
campo da antropologia (CA II). Os escolásticos entendiam que pecado era
um problema no nível R1 (falta de frutos) ou, quando muito, no nível R2
(algum problema com a pessoa). Para Lutero, o problema era
fundamentalmente um problema no nível de R3).
13. Os cristãos asseveram que Jesus é necessário para que haja cura no
nível de R3, e eles não conhecem nenhuma outra mensagem que ao menos
se proponha a oferecer essa cura. O evangelho cristão afirma que sanar essa
ruptura primordial é uma transação que custa muito caro. Para fazê-lo, foi
necessário um Messias crucificado e ressuscitado, Jesus. Bonhoeffer tem
razão: trata-se de uma "teuere Gnade" (graça cara).
14. Ao dialogar com outras propostas de cura que são oferecidas hoje,
isto é, ao dialogar com as "boas novas" que vêm de outras fontes, sejam elas
propostas seculares ou os "evangelhos" de outras grandes religiões, os cristãos
propõem a discussão da agenda R3, não para se mostrarem pessimistas,
mas para saberem que tipo de diagnóstico da moléstia primordial é feito (se é
que é feito) por estes "evangelhos" alternativos, e que tipo e cura oferecem.
15. Os "evangelhos" seculares não chegam a atacar a moléstia no nível
R3 porque duvidam de sua existência ou realidade. Se se admite que o
problema existe, ele é transferido ao nível R2 e visto, quem sabe, como uma
ilusão ou neurose. Aqui, antes que possam responder a pergunta, "Por que
Jesus?", os cristãos precisam levar seus interlocutores a um diagnóstico mais
aprofundado da moléstia do ser humano. Do contrário, Jesus será de fato
desnecessário.
16. Existe aqui, penso eu, um paralelo com o budismo clássico. O budismo
se recusa a ver qualquer "má notícia" na história humana no nível de R3. O
problema da humanidade tem uma análise adequada, diz o budismo, quando
se analisa os desejos no nível do R2, e o sofrimento no nível de R1 deriva
essa raiz libidinosa. Também neste caso não se precisa das boas novas do
Jesus crucificado e ressureto. Mas, como não poderia deixar de ser, o cristão
afirma que tal diagnóstico é demasiadamente superficial.
17. Em conversa, no ano de 1995, com estudantes cristãos da Etiópia que
vêm de religiões tradicionais da África, nas quais a questão do R3 é coisa do
dia-a-dia (i.e. vive-se com medo de Deus), descobri que os sistemas sacrificiais
que existem, na cultura original deles, para "justificar pecadores" jamais os
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
183
libertaram do sistema "o-pecado-torna-necessário-um-sacrifício". Sem qualquer
influência de minha parte, a resposta que eles deram à pergunta do "por que
Jesus?" foi semelhante às palavras do apóstolo em Atos 13: "Com o kalisha (i.e. o
sacerdote, que representa o espírito) os pecados nunca são perdoados; eles são
pagos. O bom e o novo a respeito de Jesus é que os pecados são perdoados e a
gente é libertado do sistema em que se precisa pagar pelos pecados.
18. Ainda no ano passado, por ocasião de um simpósio, nos Estados Unidos,
um senhor fez uma descrição do quanto ele tinha sido auxiliado em seu processo de
cura por "terapias" psicológico-psiquiátricas. Ouvindo-o falar, esperava que ele
chegasse à conclusão de que não tinha necessidade de Jesus. Mesmo assim fiz a
pergunta: "E aí, João, qual é a tua resposta para a pergunta do "por que Jesus"?"
Sua resposta espontânea foi: "Preciso de Jesus para o perdão de meus pecados. A
terapia não faz isso, não pode fazê-lo". De fato, a terapia ajuda no nível de R1 e R2,
mas não no nível do R3.
19. Mas, voltemos às palavras de Paulo a respeito da nova economia de Deus,
a saber, a diakonia de Deus em que ele, na "feliz troca", acerta as contas com os
pecadores, deixando de lançar na conta deles os pecados, mas lançando-os na
conta de Jesus crucificado e vitorioso na páscoa. Essa economia não é a rigor uma
revelação de Deus "mais plena" do que a revelação de Deus na outra economia
anterior, que inclui a economia de Deus nas outras religiões universais. (A propósito
disso, convém lembrar as palavras de Lutero, no Catecismo Maior, 2a. parte: Do
Credo, Seção 66: "pois todos os que estão fora da cristandade,... ainda que creiam e
adorem um único Deus verdadeiro, não obstante ignoram qual o sentir de Deus
relativamente a eles, nem podem esperar dele qualquer amor e bem, razão por que
permanecem debaixo de eterna ira e condenação. Pois não têm o Cristo SENHOR
..."). Essa economia de Deus é algo qualitativamente diferente e novo em relação ao
que até mesmo os cristãos vivenciam em seu contato com a outra economia de
Deus (a da lei) em sua vida diária. Não existe nada realmente semelhante a ele nem
mesmo na bondade de Deus que sem dúvida se manifesta na primeira economia de
Deus, tampouco no que a economia de Deus apresenta em outras religiões.
20. Não seria de fundamental importância para o evangelho cristão que ele seja
um genuíno "vinho novo"? Sendo a resposta afirmativa, será que isto não levará a
um triunfalismo, a um ilegítimo sentimento de superioridade? Não necessariamente.
Quando o evangelho cristão afirma que tem uma boa notícia "melhor", não está
querendo dizer que "nós temos algo melhor do que os outros têm a oferecer". Não, a
boa nova cristã está ligada a um realismo no que diz respeito a um diagnóstico "pior"
da situação do ser humano, situação esta que pode ser descrita como má notícia. O
pecado é mais do que um comportamento egoísta no nível de R1. É mais do que a
maldade do coração humano no nível do R2. A realidade fundamental do pecado é
o problema do
184
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
pecador no que diz respeito a seu relacionamento com Deus (R3), a moléstia
crônica de não temer, amar, e confiar em Deus, colocando em lugar disto o
temor de si, o amor próprio, e a confiança em si mesmo.
21. A economia de Deus centrada no Jesus crucificado e ressuscitado é
tudo que os pecadores precisam para serem perdoados e justificados no que
diz respeito a seu problema em relação a Deus. Religiões que ignoram ou
negam o diagnóstico ao nível de R3 - sejam elas religiões novas, clássicas,
de cunho secular, ou falsificações do cristianismo - não têm uma real
necessidade do evangelho de Jesus. No entanto, qualquer religião cujo
diagnóstico é mais aprofundado do que costuma ser (i.e., que chega ao nível
R3) deveria, num diálogo religioso, interessar de perto ao cristão. A religião
que, além de fazer um diagnóstico aprofundado, também alega ter boas novas para fazer frente ao que foi diagnosticado, boas novas estas que não têm
nada a ver com o Jesus anunciado no Novo Testamento, precisa ser ouvida
de perto. O "evangelho" dessa religião é de fato um desafio às boas novas da
fé cristã.
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
185
índice Remissivo do Hinário Luterano
David Karnopp
Apresentação
O Hinário Luterano é um manancial de poesia, doutrina, consolo,
esperança, amore serviço ainda não aproveitados plenamente. Este trabalho
pretende ser um auxílio para aqueles que o querem conhecer e usar melhor.
Nele, porém, não constam todas as palavras do Hinário. Ative-me àquelas e
aos assuntos que julguei serem mais importantes. Desta forma, este índice
pode-se constituir numa "radiografia" do hinário. Ou seja, uma ampla e rápida
olhada nos ajuda a ver quais os assuntos que o Hinário Luterano mais aborda,
e aqueles dos quais pouco ou nada menciona.
Depois de pronto ele necessitaria de uma ampla revisão, pois é possível
que contenha erros. Este, no entanto, é um trabalho que deixo para aqueles
que irão usá-lo. Além disso, algumas palavras e assuntos podem ter fugido da
minha percepção.
A título de orientação de uso, tomemos o exemplo do tema da oração. No
índice vai indicar o primeiro hino (76.1) que fala do assunto. O hino, portanto
é 76 e a estrofe é a primeira. Quando mais de uma estrofe falam do assunto,
são separados por vírgula ( ex: 441.1,3). Quando estrofes seguidas falam do
assunto são separados por um hífen (-). Um hino para o outro é separado por
(;) ponto e vírgula.
-AAbraão 209.1,3
Águia (como exemplo de proteção) 213.2; 214.2
Aliança, nova aliança 44.3; 49.1; 256.2; 307.5
Alma 10.3; 13.1,2; 16.1; 168.5; 170.1,4; 179.1; 182.2; 185.3; 209.1,3; 212.1;
213.5; 215.1; 216.2; 240.3; 267.1; 288.2; 291.2; 294.1; 298.1; 312.1; 372.4,5;
404.1; 406.1,2; 419.3; 421.1; 427.1; 435.3; 437.1-3; 441.1; 456.1; 469.3; 478.4;
479.8; 483.1; 484.1; 487.2; 490.5; 494.1; 501.2; 506.1; 515.2; 518.1; 519.3;
520.4,5; 521.3; 523.3; 525.1; 527.2,3; 531.1; 540.1,3; 541.3; 542.3; 544.3;
545.5; 554.6
Anjos 21.1; 28.1; 32.5; 39.1; 40.1; 52.2; 60.1; 108.1; 112.2; 113.4; 117.1;
118.2; 122.1,2; 124.1; 128.3; 130.2; 131.2; 132.4; 151.1; 152.1; 170.2; 182.1,2;
189.2; 191.1; 203.3; 208.1; 212.4; 217.1; 221.3; 223.6; 225.1,2; 232.1; 259.4;
383.4; 447.2; 467.3; 486.2; 490.6; 493.3; 498.6; 501.6; 505.4; 506.1-3; 507.1;
Rev. David Karnopp é pastor em Panambi, RS.
186
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
510.1-3; 511.1-4; 515.4; 524.4; 534.1-3; 544.1; 545.1; 546.1-3; 547.2; 548.1-4;
552.1,2; 554.1; 555.2-4; 557.1-4; 558.2; 559.1-3; 560.1; 566.1; 567.1,2; 569.2;
570.2; 571.3; 573.2,3
Amém 42.4; 87.5; 133.6; 145.3; 148.5; 157.4; 205.1-4; 221.4; 230.5; 233.3;
235.1; 237.1; 248.3; 264.1; 357.5; 360.7; 419.5; 442.8; 443.9; 475.2; 489.3; 499.5
Arão 34.3
Arrependimento; contrição 259.4; 342.2; 344.1; 345.2; 346.1-3; 347.1,2;
348.2,5; 350.1 -4; 351.2; 352.1 -4; 353.1,3; 354.1,5; 355.5; 356.1-7; 357.1; 358.1 -3;
359.1,2,5; 360.1,2; 361.1-5; 363.1-3; 368.1; 378.3; 279.3; 400.1-3; 406.1; 442.1;
464.2; 496.4; 502.2
Átrios 175.1; 177.4; 219.2; 351.1
-BBatismo 9.2; 143.2; 250.1,2; 251.1; 252.2,4; 253.2; 255.5; 309.1; 310.1;
318.1; 320.2; 341.1; 375.5; 451.4
Bíblia 147.3; 164.2-6; 176.2; 187.3. 241.2; 244.3; 255.3; 269.3; 325.3;
454.3; 455.1-4; 458.2; 465.1; 471.3
Boa Nova, Nova 41.1-4; 59.1; 83.3; 163.2; 187.3; 196.1; 242.4; 244.1;
307.2; 324.2; 329.4; 338.2; 339.2; 355.1; 513.5; 552.3; 554.1; 557.2; 558.2;
567.1,2; 573.2
Brasil, Pátria 330.1; 335.2; 512.1-7; 513.1-5
313.1;
339.2;
304.1;
566.1;
-CCalvário 97.1-3; 284.3
Caridade 300.2; 386.2-5; 387.4,5; 388.1-6; 393.3; 398.3
Cativeiro(do pecado) 46.5; 90.1
Cegueira espiritual 168.2; 328.2
Céu 3.2; 4.5; 13.4,5; 26.1; 60.4; 84.4; 99.2; 100.1; 105.3,4; 106.1; 117.3; 156.1;
158.1; 165.4; 168.5; 171.2; 182.3,4; 184.3; 189.2; 195.4; 207.6; 208.1; 209.3; 217.1
-3; 223.6; 228.2; 245.3; 250.3; 273.3; 283.5; 331.1,2; 364.2; 366.7; 389.1; 401.1;
426.4; 458.1; 459.1; 461.2; 464.1; 465.3; 467.2-4; 468.1; 490.1; 505.4; 514.1-3;
516.1-4; 518.3; 521.3; 524.1,3,4; 525.3; 526.2,4,7; 527.1; 529.1-4; 530.1-3; 531.1;
532.5; 534.3; 535.2; 536.1-4; 537.1; 538.1-4; 540.1-4; 542.1,2; 544.4; 551.4; 553.1;
573.3;
Comunhão 332.1,2; 335.4; 341.4; 360.6; 378.3
Concórdia 164.6,7; 300.3
Condenação 111.3
Confissões (Livro de Concórdia) 164.4
Corrupção 20.3; 373.2; 392.4; 403.2; 406.1
Criador (Veja em Deus Criador e Cristo Criador)
Cristo
- é advogado 279.1; 294.3
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
187
- é água viva 279.1; 286.3; 292.2; 436.3; 469.3
-é alegria 272.1; 273.1; 285.1; 291.1; 292.1; 431.1-4; 432.6
- é Alfa e Ômega, Princípio e Fim 20.1; 24.5; 42.1; 272.1
-é amado 82.1-6; 85.3; 89.2; 90.3; 92.2; 95.1; 98.1; 99.2; 121.1; 127.3; 367.3; 379.3;
408.1; 419.3; 490.3
- é amigo 88.6; 89.2; 263.2; 266.2; 267.1; 279.1; 281.1,2,5; 282.1-3;
283.1,5; 293.1-3; 413.5; 425.1437.1; 456.1,3; 461.1; 462.2,4; 467.1; 553.3
-amor de 4.3; 8.3; 12.1; 13.4,5; 15.1; 16.3; 28.4; 31.5; 48.3; 52.2; 71.1 75.1-3;
76.2; 87.1; 89.3,4; 90.3; 92.2; 93.1-5; 94.1; 109.5; 118.4; 119.2; 120.2 124.2; 148.3;
154.2; 155.2; 175.4; 189.3; 190.4; 192.1; 194.2; 205.1; 207.3 211.2; 229.2; 230.3;
240.3; 250.3; 253.1,2; 259.1; 265.3; 266.3; 267.2; 268.4 269.1-4; 270.3; 272.2;
274.3; 275.4-6; 276.2; 3; 281.3-5; 282.1-3; 283.1; 284.2 285.2; 287.1,7; 288.1;
289.2; 290.4; 292.1; 294.3; 303.2; 305.1; 306.1; 324.1 327.4; 328.5; 331.2; 332.2,3;
336.3; 340.3; 347.1; 348.5; 352.4; 355.7; 361.5 368.2,3; 374.3; 376.5; 379.1,3;
390.5; 398.1; 398.2,3; 399.4; 400.4,6; 405.1 413.1; 415.3; 425.1-2; 427.3; 431.4;
435.1; 436.2; 441.4; 447.4; 452.3; 456.3 459.3; 462.1; 466.1; 467.1,4; 472.1; 491.2;
503.1; 504.1; 507.4; 513.5; 515.3 516.4; 523.4; 530.2; 531.1,3; 543.3; 548.4; 550.5;
551.2; 553.1; 554.6; 556.1 560.1; 568.4; 572.2
- é amparador, consolo, defensor, abrigo, refúgio, protetor 4.1; 8.2
9.3; 11.1; 14.2,3; 43.1; 88.8; 102.2; 120.3; 128.5; 130.5;148.1; 159.2; 165.4
190.1,2; 192.3; 193.2; 207.4,5; 218.2; 231.3; 240.5; 265.2; 259.4; 261.4; 266.2
269.3; 273.2; 274.1,3; 275.1; 276.1; 276.4; 277.2; 278.2; 279.1,3; 282.2; 283.1
5; 284.2; 285.1; 286.1-3; 289.1-3; 290.1,2,6; 291.1,2; 293.1,2; 297.2; 309.2
311.4; 315.3; 319.4; 319.5; 320.5; 321.1,3; 322.1; 321.1; 328.1; 334.3; 350.1
359.6; 360.2; 361.3; 362.3; 367.1,4; 369.1-3; 371.2,3; 377.2; 390.5; 394.4
398.2; 400.3; 401.3, 4; 402.3; 403.3,4; 405.4; 406.2,3; 408.1,2; 411.1-3; 412.2
413.1,3,4; 415.3; 417.1-3; 419.1-3; 420.1-4; 424.4; 425.1; 427.1-3; 435.1,2
436.1-3; 437.1; 439.1-3; 447.4; 448.4; 452.1; 462.1-4; 467.1; 469.2; 470.1
477.2; 480.1-5; 486.2; 488.2; 490.3; 493.1-4; 494.1-5; 498.1,3; 501.5,6; 502.1,4
503.2; 507.1-4; 513.1,4; 516.2,3; 518.1; 519.5-7; 525.1; 526.1; 531.1; 537.3
538.3; 541.3; 553.3; 571.2,3
- autor da salvação, da remissão, da vida 5.1; 60.3; 93.1; 125.1 129.3;
152.2; 171.3; 191.2;
193.1; 294.2; 309.2; 321.1; 345.2; 371.2; 511.2
- Bem, Benfeitor, Sumo-Bem 2.5; 7.1; 13.3; 22.1; 50.1; 288.3; 290.1;
321.1; 341.2; 357.5; 367.4; 427; 436.3; 461.1; 494.2; 498.6; 503.1; 534.2;
551.2; 560.1
-é bondoso 147.1; 155.2; 186.2; 218.2; 268.1; 296.1; 465.3
- Cajado de 158.3; 289.3; 292.2; 320.5
- Caminho 130.6; 265.1; 288.2; 310.3; 319.2; 378.1
- Cetro de 7.4; 14.2
188
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
- chagas de 93.5; 94.3; 120.2; 122.2; 367.4; 490.3; 522.1
- conduz-nos a fé, a Deus, desperta 149.2; 280.4; 288.2; 301.1; 303.2; 342.2;
390.1,5; 443.1; 451.7; 494.3; 522.2; 530.2
-Cordeiro 73.3; 87.4; 89.1,2.4; 91.1-3; 98.3; 109.5; 122.1; 129.2; 182.2; 203.3;
205.1; 230.2
231.3; 235.1; 272.5; 277.4; 347.1-5; 521.4; 532.5
- Coroa de 7.4: 14.2; 93.3; 94.5 121.1; 130.6; 378.4; 399.3
- Criador e mantenedor 26.5, 9; 31.3; 39.2; 63.3; 122.4207.2; 265.1; 278.1;
342.3; 490.1; 562.3
- Cruz, sangue e morte de 2.5; 14.1; 29.2; 59.4; 60.2; 75.1; 77.1; 79.1 81.1;
85.1,2,4; 87.1,4; 88.3,6; 89.1,3,4; 90.1; 91.1-3; 92.1; 93.4; 94.1,5; 96.3 97.2,3;
98.1,1,2,3; 101.5; 106.1; 107.1,2; 109.5; 115.1; 117.2; 131.3; 151.3 153.3; 171.3;
176.1; 190.4; 191.1; 209.2; 220.3; 226.4; 229.1; 230.3; 232.2 233.2; 246.2; 258.1,2;
265.4; 266.3; 269.2; 274.2; 275.1; 276.3; 278.3; 281.3,4 282.1; 284.3; 285.2; 287.5;
288.2; 294.1,2; 321.2; 324.2; 343.3; 348.4,5; 353.4 354.3; 360.5; 364.2; 367.4,6;
368.2; 371.2; 373.3,5; 374.1; 376.5; 379.1; 397.3 398.1; 419.4; 426.1,2; 435.1;
436.3; 455.4; 457.1; 458.1; 465.2; 456.1; 470.4 471.2; 495.2; 514.1; 521.1; 522.1;
527.2; 529.3; 542.2; 554.6
- cumpriu a lei 34.4; 124.1; 127.1; 188.2; 373.4; 376.6; 381.7 -dá a
vida por nós 122.3; 151.2; 287.4; 294.1; 362.2; 378.2
- Desejado 7'.1; 21.3
-éDeus verdadeiro 2.3,5; 7.2; 14.1,4; 25.2; 26.3; 43.1; 45.3; 59.4; 62.5 67,2;
71.2; 74.4; 77.2; 82.1-6; 89.2,3; 94.3; 94.3; 99.3; 102.1; 106.4; 117.2 122.4; 123.1;
155.2; 174.2; 175.2; 186.3; 230.2; 231.3; 233.2; 238.1; 255.4 264.1; 267.2,4; 277.4;
279.1; 280.6; 283.5; 284.4,5; 285.2; 288.1; 290.1; 294.2 314.1; 332.1; 342.3; 345.2;
360.7; 367.1,2; 371.2,3; 375.5; 376.4; 377.3; 396.4 411.1,3; 435.1; 456.2; 490.1;
491.2; 498.1,4,6; 525.2; 535.1; 541.2; 560.1-3 564.1
-é Emanuel 10.1-3; 18.1; 23.1; 25.2; 33.5; 44.3; 46.4; 399.1; 544.4; 573.3
- ensina 183.2; 196.1; 287.4; 290.6; 309.2; 319.4; 334.3; 367.2; 367.3; 475.1,2;
476.1; 498.5; 518.2
- envia o Espírito Santo 287.6; 362.3; 399.4
- está à direita de Deus 130.4; 230.3; 442.1 -Estrela 1.1,2;
17.2; 23.1; 66.1-3; 67.1; 328.1; 342.1
- Escudo 96.2; 284.5; 480.2
- é a esperança 384.1; 556.1
- Exaltação de 67A; 92.3; 131.4; 503.1
- Fiador 79.3; 82.4; 94.5;121.2; 260.2; 294.1,2 -é fiel
419.1; 470.3; 534.2
-é Filho de Davi 5.1; 7.4; 12.2,3; 22.2; 63.1; 67.1; 536.3
- é Filho de Deus 5.3; 12.3; 30.1; 31.1; 32.1; 33.1; 35.4; 39.2; 44.2; 45.2
46.1; 47.1; 56.2; 72.2; 89.3; 92.2; 104.1; 109.2,5; 115.1; 122.2; 128.3; 143.1
145.3; 148.1,3; 154.3; 156.2; 157.4; 158.3; 185.3; 191.1; 193.3; 195.2; 203.1
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
189
225.3; 231.2; 232.3; 233.2; 238.1; 239.1; 258.4; 269.1; 272.2; 284.6; 287.2; 299.2;
319.3; 320.5; 357.5; 366.3; 375.1; 376.5,6; 393.1,2; 409.3; 435.3; 448.4; 490.1;
499.5; 500.4; 520.4; 535.1; 538.4; 546.2; 547.4; 555.2
- é filho da Virgem Maria 20.1; 23.1; 24.4; 26.2; 35.1; 39.2; 72.2; 232.2; 233.2;
546.1-3
- é o fundamento da igreja 279.3; 306.1; 366.1,7
- Glória de 1.3; 7.3; 11.3; 205.2; 275.3; 306.4; 464.1; 573.3
- Graça, graça de 1.3; 8.2,3; 9.4; 14.5; 16.2,4; 30.4; 33.3,6; 41.1-4; 54.2,3;
55.1,2,4; 57.12; 63.5; 109.6; 129.4; 133.4; 152.2; 178.2; 184.2; 237.1; 240.3;
251.2,3; 263.2; 268.2; 272.6; 274.4; 275.2; 276.3; 280.1; 285.1; 292.1; 296.2; 301.2;
311.2; 313.3; 328.3; 332.3; 336.2; 346.1; 369.2; 3; 373.1; 379.3; 426.2; 435.1,2;
436.3; 439.1-3; 446.1; 464.2; 491.1; 524.4; 525.2; 531.1; 534.2; 535.6; 538.3; 541.1;
548.1;
- é o Guia, guia 53.1; 77.4; 88.5; 106.2; 184.2; 211.3; 268.3; 275.1; 292.2;
314.3; 322.1; 325.5; 332.1; 360.7; 367.3; 390.3; 397.3; 400.3; 403.3; 405.2; 411.3;
412.2; 413.1; 419.5; 423.1,2; 425.1; 461.1; 476.1; 503.1; 520.4; 538.3; 553.2
- herança nossa, galardão 170.3; 171.1; 240.6; 367.3; 378.4,5; 384.1; 394.4
-Herói 80.3; 101.2; 105.1; 115.2; 118.2; 120.2; 280.3
- Homem-Deus 29.3; 45.3; 158.3; 191.3; 544.4
- Homem, encarnação de 21.2; 25.2; 34.1; 35.5; 36.2; 59.4; 67.2; 77.2; 131.3;
153.3; 233.2; 269.1; 272.1; 287.1; 293.3; 375.2; 558.1
- humilhação de 27.2; 28.2; 30.2,3; 31.5; 34.3; 35.5; 36.2,3; 39.3; 45.2; 46.1;
49.3; 71.2; 93.3; 131.3; 284.2; 288.1; 290.2; 362.2; 491.2; 541.2; 546.2; 560.1;
562.1; 562.1
-ilumina 277.3; 303.1; 332.4; 342.1; 396.1; 476.2; 548.3; 565.2
- infalível, imutável 279.3
- é Intercessor 106.2; 121.2; 131.4; 184.3; 287.4; 294.3; 409.3
-é Irmão 26.7; 28.2; 40.4; 45.3; 128.6; 147.2; 272.3; 371.2; 560.3
- Jesus 2.2,7; 4.3; 6.2,3; 8.1; 9.2-4; 13.3,5; 14.1,5; 16.1; 17.2,3; 19.2;
22.1; 23.1; 25.1; 26.8,13; 29.3.30.4; 31.5; 33.3,7; 38.3,4; 39.4; 40.2; 41.2,4;
43.1,3; 44.2; 45.1; 48.2-4; 49.2,4; 50.5; 51.1; 52.1,2,4; 53.1-3; 59.5; 71.1-3;
73.3; 75.1; 76.1; 77.1,2; 79.3; 80.2-4; 81.1; 82.3,5; 85.2,6; 87.5; 88.4,6; 90.3;
91.1-3; 93.5; 94.1,7,10; 95.1,5; 96.1,3,6; 97.3; 98.1-3; 99.2; 100.1-4; 101.2,4,
103. 1-3; 104.2,3; 105.1,5; 106.4; 107.1,2; 109.3,4; 114.4; 115.3; 117.1,3.4;
118.3; 124.3; 127.1; 128.1,2; 130.1; 132.2; 136.3; 137.2; 138.3; 139.3; 140.3;
143.2; 147.2; 149.1; 152; 153.3;158.3; 159.2; 162.2; 167.1,2; 168.1; 171.1;
176.1-3; 178.4; 182.1,3,4; 183.1; 184.2,3; 189.3; 190.1,2,4; 191.1; 192.1,3;
195.3; 207.1-6; 217.3; 218.2,3; 220.3; 226.4; 230.2-4; 231.4; 232.2; 240.1-6;
245.2; 246.2; 248.1,2; 253.3; 257.4; 259.4; 260.1-12; 262.2; 264.1; 266.1-6;
269.2; 270.2,3; 271.1-3,5; 272.1-7; 273.1-3; 274.1,4; 276.3; 277.6; 279.1,2;
281.1 -6; 282.1,3; 283.2-5; 284.1; 285.1; 286.1-3; 288.2; 289.1,2; 290.2,5; 291.1190
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
3; 292.1; 293.1; 295.2; 296.1; 297.1; 299.1,3; 301.1; 302.1-3; 304.1; 305.3;
309.1,2; 310.3-6; 311.1; 314.3; 315.3; 316.3,5; 318.6; 320.3,4,6; 321.1,2; 326.2;
328.3,6; 329.1-4; 330.3,4; 336.3,4; 338.2,3; 342.1; 343.3; 345.2,3; 346.1; 348.1,
2; 352.1; 353.3; 355.2,5; 357.4; 359.5,6; 360.2; 362.1-4; 365.1; 366.4; 367.3,4;
369.1,2; 371.1-6; 372.4; 373.1; 374.1,2; 375.6; 376.4; 377.1; 378.1,2,5; 379.1;
381.7; 383.2,3; 390.1,3; 391.2,3; 396.1; 397.1,3; 399.2-4; 401.1,3; 402.5;
403.3,4; 404.2; 407.3; 411.1-3; 412.2,3; 417.1-3; 419.2-4; 420.3,4; 423.1-3;
425.1,3; 426.1,3,4; 427.2; 429.5; 430.1; 431.1,3; 432.6; 436.2; 437.1; 438.2;
439.1; 441.4; 443.1; 444.2; 447.4; 448.2; 451.4; 453.1,3; 455.4; 457.1,3;
458.1,2; 459.2,5; 460.1; 462.1.4; 463.1; 464.2; 465.3; 467.1-3; 468.1; 469.1-4;
470.3,4; 471.2; 472.1,3; 473.2; 474.1,4; 476.3; 480.1-3; 481.1; 490.2; 491.1;
493.1; 498.2; 501.2,6; 502.1,4; 505.4; 507.2; 508.1-3; 509.3; 511.2,3; 514.2;
516.2,3; 518.1; 519.5; 520.6; 521.1,4; 522.1,2; 523.3,4; 524.4,5; 525.2; 526.3,8;
528.1,3; 529.3,4; 531.1,3; 535.2; 536.3,4; 541.1,2; 542.2,3; 544.2; 545.2,5;
546.1-3; 547.1,5; 547.3; 549.1-3; 550.3,4; 551.2,3; 552.1,2; 554.4; 555.2,3;
556.1; 560.1-2; 562.1,2; 564.1-4; 565.2,3; 566.2,4; 569.3; 570.1,3; 571.1,2;
572.2; 573.1-3
-éJuiz 4.1; 265.4; 284.5; 317.3; 320.3; 535.6; 543.1,3; 561.3; 562.1,2
- é justiça 273.3; 375.5; 513.1
- liberta, do pecado e de todo mal 26.3; 27.1-4; 28.2; 29.2; 33.2,3,4; 34.1;
39.2,4; 42.3; 45.3; 47.1; 50.5; 53. 4; 55.3 ; 62.4; 67.3; 70.1; 78.3,4; 86.1; 89.2; 90.2;
92.2; 93.2,4; 96.1; 99.1; 106.3,4; 109.3; 112.3; 118.1-4;119.1; 124.3; 127.1; 148.4;
160.2; 175.2; 184.2; 186.2; 190.3; 191.3; 220.3; 242.6; 267.2; 270.1; 272.3; 272.4;
274.2; 276.3; 277.5; 278.4; 286.2; 293.3; 342.3; 346.2,3; 350.3; 352.2; 361.2,4;
368.4; 370.2; 375.3,6; 406.3; 419.1; 424.4; 430.3; 467.3; 481.4; 501.4; 522.1; 523.2;
525.2,3; 535.5,6; 537.3
- é louvado, adorado 136.3; 147.2; 154.3; 162.2; 167.1; 171.1; 174.2; 182.1-4;
186.4; 191.1-4;
192.1,2; 196.3; 203.2,4; 205.1 -4; 211.3; 264.1; 271.1,2; 272.7; 285.2; 288.2;
290.1,7; 292.3; 310.4,5; 324.1,2; 361.4; 368.3; 369.3; 384.1; 398.1; 405.4; 419.5;
420.2; 448.4; 467.4; 474.3; 480.2; 486.1; 498.6; 499.5; 534.3; 545.1-5; 546.1-3;
547.1,2; 548.2-4; 550.5; 551.1; 552.1-3; 554.6; 555.3,4; 557.1 -4; 562.1 -5; 566.2,4;
569.1
-é Luz, Luz cte4.1,3; 8.1; 9.3; 13.3; 14.5; 23.1; 25.2; 35. 1,3; 49.2; 53.1; 59.3;
64.1,3,4; 65.1,3; 67.3; 71.1; 72.1; 83.1; 99.2; 128.1; 130.4,6; 133.4; 182.3; 184.2;
196.3; 213.5; 240.4; 258.1; 267.1,2; 270.3; 275.1; 277.1; 278.4; 280.3; 281.2; 283.4;
284.1; 291.1,3; 292.1,2; 296.1; 297.2; 301.1; 303.1; 319.2; 326.2; 336.3; 342.1;
345.1; 350.3; 362.4; 374.1; 378.1; 390.3; 396.1; 401.1; 413.5; 432.6; 459.2; 465.3;
466.1; 488.3; 491.1; 498.1; 541.1; 563.2; 564.1-5; 565.2; 571.1
-manto de 194.2; 252.4
- é o Mediador ASA, 51.3; 83.2 85.5; 103.1; 120.4; 149.1; 159.2; 231.2;
252.5; 361.4; 442.1; 500.4; 545.3
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
191
- é Menino, Menino-Deus 2.5; 19.3; 24.1; 26.2,5,7,9; 33.1; 39.2,3; 42.2; 43.3;
49.2; 68.2; 71.1; 464.1; 545.3,4; 546.1; 548.2; 551.2,4; 553.1; 554.5; 555.2; 556.1;
557.3; 558.1-4; 561.2; 563.1; 566.2; 567.3; 568.1
- é o Messias 49.4; 73.3; 551.3; 556.2
-é o Mestre 142.1; 240.3; 250.3; 290.6; 299.1; 311.1; 334.1,4; 403.3
- milagres de 287.4; 430.1,3; 477.2
- é o Noivo, Esposo 5.1; 534.2
- obras de 178.4
- ouve e atende orações 4.3; 64.1; 157.2; 183.1; 190.3,4; 211.1; 284.1; 350.4;
412.1; 430.2; 439.1; 451.1; 475.1; 502.4
- é o pão da vida 279.2
-Pastor 67.2; 88.4; 95.3; 140.3; 183.1; 195.3; 240.5; 260.3; 268.1; 269.3; 272.1;
289.1,4; 292.1,3; 303.3; 305.3; 332.4; 349.5; 399.4; 400.3; 401.3; 403.3; 413.4;
415.3; 427.1; 452.1; 459.3; 461.1; 462.1; 463.2; 519.6; 526.1
-épaz, dá a paz 43.1; 44.3; 76.2; 77.2; 82.2; 100.3; 103.3; 105.2; 106.3; 108.2;
121.1; 128.5; 178.6; 183.3; 186.2,4; 190.3; 230.3,4; 244.3; 248.3; 259.3,6; 261.3,4;
267.3; 271.3; 273.1; 275.2; 279.3; 286.1,2; 296.2; 300.1; 306.2; 318.6; 328.1; 332.3;
342.2; 346.1; 347.3; 360.5; 372.5; 376.6; 378.1; 379.2; 393.2; 405.1; 406.2,3; 407.3;
411.3; 419.4; 435.2; 471.2; 478.3; 494.1; 501.4; 504.1; 512.1; 513.5; 523.3; 524.5;
538.3; 541.1,3; 547.2; 549.2; 565.2; 569.2
- é pedra 306.4
-poder de 182.2; 205.3; 259.5; 261.4; 329.3; 346.2; 365.1; 518.1 -éa porta
279.3
-é príncipe, príncipe da paz, da vida 8.2; 12.3; 19.2; 23.1; 24.2; 31.4; 34.3;
108.2; 491.2
- é profeta 25.3
- é o Prometido 34.2; 36.1; 40.2; 46.6; 544.1
- é Rebento, Renovo de Jessé 3.3; 10.2; 45.1; 55.1; 67.1
- é Redentor, redenção 10.1; 13.1; 28.2; 29.1; 44.1; 49.3; 46.2; 62.2; 63.2; 67.6;
75.3; 76.1; 83.1; 90.2; 94.6; 99.1; 104.1; 105.2,4; 106.1; 107.3; 111.1,2,4; 122.4;
123.1,3; 125.1; 128.5; 130.1; 131.1; 134.5; 136.1; 140.1; 143.1; 145.3; 147.1; 148.4;
153.3; 156.2; 159.3; 162.1; 165.2; 174.3; 175.1; 186.2; 194.2; 195.3; 209.4; 225.2;
229.2; 239.1; 240.3; 246; 251.3; 255.1,5; 261.3; 263.1; 266.1; 268.5; 270.1,3; 273.3;
275.6; 279.1; 280.4; 282.3; 286.1-3; 288.2; 290.1,7; 306.3; 314.1; 318.2; 321.2;
324.1; 327.2; 328.1; 330.4; 345.2; 346.1; 348.3; 351.2; 352.4; 354.2; 355.3; 361.3;
368.1; 370.2,5; 378.3; 386.5; 391.2; 393.1; 401.1; 411.1-3; 415.4; 419.4,5; 424.4;
427.4; 435.3; 467.4; 474.3; 476.1; 499.5; 501.5; 516.3; 520.2; 521.1; 524.6; 526.1;
527.3; 530.2; 533.4; 535.6; 542.3; 558.4
-é Rei 3.2, 5.1,2,3; 6.1,3; 7.2; 8.1,2; 9.1-4; 12.1-3; 13.2; 14.1,3-5; 15.2; 17.1;
18.4; 21.1-4; 22.7; 25.1,3; 32.6; 36.1; 37.1,2; 38.2; 39.4; 40.2; 41.1; 43.1,3; 48.1,2;
50.4; 56.2; 59.4; 60.3; 62.5; 63.1,3,6; 66.2,3; 67.1,2,5; 71.2;
192
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
72.1,3; 76.3; 84.3; 94.1; 100.1-4; 102.1; 108.1; 110.1; 113.4; 111.4; 113.4 116.3;
119.1; 123.1; 124.1-3; 125.1; 127.1 3; 128.3; 130.1; 131.1-5; 152.2; 154.2 180.1;
191.4; 192.1; 211.3; 213.5; 225.3; 263.7; 284.5; 288.1; 291.2; 302.1 306.4; 317.3;
319.1; 325.2; 341.1,2; 342.1; 361.1; 365.2; 403.3; 411.1-3; 413.1 432.6; 446.3;
471.2; 490.4; 498.1; 513.2; 515.5; 528.3; 531.1; 533.1; 541.1,5 544.1; 545.5; 546.13; 554.1-6; 556.1; 557.4; 562.1; 564.1-5; 573.3
-reina62.2; 109.2; 121.3; 124.2; 151.2; 155.2; 157.2; 162.2; 182.3; 205.2; 218.3;
513.2; 562.2; 564.2
- é o resgate, resgata, perdoa, redime, compra 7.1; 13.5; 16.3; 58.3 87.2,4;
91.1-3; 93.3; 111.3; 121.2; 151.3; 152.2; 158.3; 159.2; 160.2; 161.2 171.3; 174.2;
184.3; 186.4; 194.2; 221.1; 221.2; 231.4; 233.2; 235.1; 242.6 244.2; 259.1,3; 265.4;
270.2; 271.1,4; 272.4; 272.6; 275.2; 276.1,4; 278.1,3 282.2; 284.3; 285.1; 286.1;
287.5; 288.1; 290.4,5; 295.2; 296.2; 301.5; 309.1 345.2; 348.4,6; 350.4; 351.3;
355.1-7; 359.5,6; 362.1-4; 364.1-4; 368.3,5; 371.3 374.1; 375.4; 376.6; 379.2;
390.2; 393.2; 398.1; 400.2; 406.6; 413.1; 419.4 426.1; 436.3; 439.2; 449.3; 452.1;
461.1; 464.1,2; 468.1; 476.3; 477.3; 490.3 491.2; 498.2; 500.4; 504.1; 513.5; 517.3;
521.4; 525.1; 541.3; 556.3
- é a Rocha 265.1; 276.1,4; 279.3; 281.2; 306.1; 319.4; 346.1,2; 347.4 378.3;
401.3
-salva, é a salvação 11.2; 14.1; 20.2; 24.4; 26.4; 27.3; 28.3; 32.4; 38.2 41.3;
44.23; 46.6; 55.2; 58.6; 59.1; 62.2; 65.5; 75.3; 81.2; 84.2; 86.1; 96.3 98.3,4; 101.2;
103.2; 119.3; 122.1-4; 128.5; 130.5; 137.3; 147.2; 155.2; 159.2 182.3; 187.3; 194.2;
220.4; 221.4; 231.3; 236.2; 240.4; 256.2; 258.1; 270.2 278.5; 279.3; 280.6; 281.4;
284.1; 285.1; 289.4; 294.2; 297.2; 302.1; 306.2 312.3; 314.3; 318.2; 319.4; 330.3;
342.2; 346.3; 347.5; 348; 350.2; 352.3 358.6; 361.3; 368.1; 371.2; 372.4; 376.5;
378.1-3; 427.4; 435.3; 437.3; 454.2 458.1; 459.2; 465.2; 488.3; 526.3; 538.3; 542.2;
546.3; 547.2; 550.3; 554.6 556.2; 560.3; 563.2
- é Salvador 3.1,2; 4.1; 6.7; 7.1,4; 13.1; 14.2,5; 25.3; 27.2; 28.5; 31.5
38.1; 39.4;40.2; 49.4;
51.2; 54.2; 63.6; 64.2; 72.2; 73.1; 76.3; 79.1; 83.2; 85.6; 87.1; 8g.2; g7.2 100.4;
103.1; 104.1-4; 109.6; 110.5; 113.1; 116.2; 117.2; 118.2; 120.2; 123.1 126.2; 127.3;
129.1; 130.5; 132.4; 133.1, 6; 137.1; 141.3; 151.3; 152.2; 155.1 157.2; 160.2;
161.2; 174.2; 175.3; 176.1; 178.3; 182.4; 185.3; 186.3; 191.3 192.4; 201.3; 207.1,4;
211.2; 230.4; 233.2; 237.1; 243.1,3; 244.2,3; 249.2 251.2; 253.3; 255.2; 256.3;
263.2; 263.6; 265.3; 267.4; 268.5; 270.4; 274.4 275.1,3; 279.1,2; 280.2; 282.1,3;
284.3; 286.1; 290.1,2,4,5; 293.2; 295.2; 296.4 298.1; 300.1; 306.1; 310.2,6; 311.1;
317.3; 320.2; 321.1; 325.4; 327.4; 328.5 330.1; 332.1,2; 336.1; 338.4,5; 340.2, 3;
346.1; 348.5; 349.5; 350.1; 352.3 355.1; 356.4; 358.5; 361.2,5; 364.2; 367.2; 369.3;
370.1; 371.5; 372.3; 373.4 374.1,3; 375.3,7; 377.3; 378.1; 382.5; 390.1; 397.3;
399.4; 400.1,4; 404.1 405.4; 406.2,3; 409.3; 412.4; 417.1-3; 425.2; 429.4; 435.1-3;
437.3; 446.1,4 450.1; 451.1,5; 456.2; 461.1; 467.4; 470.4; 471.2; 472.1; 474.1,2;
475.1; 477.3
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
193
481.4; 485.3; 486.2; 490.3; 492.2,3; 503.1; 504.1,2; 505.4; 507.2,4; 513.1
515.6; 516.4; 519.4,7; 521.5; 523.3,6; 524; 1; 528.3; 531.3; 532.2; 533.2; 534.2
535.5; 536.2; 537.3; 543.3; 544.3; 545.3,5; 547. 1; 550.3,4; 552.1; 555.3
556.1,3; 557.4; 557.1,2; 560.2; 563.2; 565.1; 566.2,4; 567.1; 569.3; 571.2,3
- é santo 230.4
-é Senhor 8.3; 9.3,4; 14.1,5; 51.3; 55.1-5; 56.2; 62.6; 83.3; 96.2,6; 98.1 99.1;
100.1-4; 101.1; 107.2; 113.3,4; 115.2; 119.1-3; 124.2; 127.2; 128.1,3,8 133.4; 147.1;
154.2; 166.1; 182.2.4; 183.3; 190.4; 196.3; 230.3,4; 236.2 253.1,4; 256,2; 259.1;
266.1; 269.3,4; 272.4; 278.1; 279.1; 279.2; 280.1,6 287.1; 290.1-3,7; 291.1; 298.1-3;
303.1 -4; 321.3; 325.4; 329.1-4; 332.1; 336.1 345.2; 346.1-3; 350.3,4; 352.1; 361.4;
365.2; 367.1; 373.4; 375.6; 377.3 378.2,5; 390.5; 396.3; 403.3; 408.2; 412.1-3;
413.1,4; 417.2; 419.1-3; 426.1 427.1,4; 430.1,3; 431.1; 439.1; 443.1; 446.2,4; 456.3;
457.3; 464.1; 469.3 470.3; 471.2; 474.1-3; 477.1; 480.5; 486.1,3,4; 490.4; 494.1,
2,4; 498.2,5 513.4; 521.5; 523.1-7; 524.3; 525.2; 526.3; 528.3; 531.1; 533.4; 534.2;
536.4 537.3; 545.1-4; 551.2; 554.6; 555.4; 557.3; 562.2-4; 566.1,2; 567.1; 568.1,2
569.3; 571.2; 573.3
-é servo 130.4; 159.2; 378.2; 398.1; 435.1-3; 436.2; 437.3
-soberano 50.1
-sofreu46.3; 75.1; 76.2; 79.2; 80.1,2; 81.1-4; 85.1-3; 86.1-3; 87.1-4; 881-3;
89.1,3; 90.1,2; 91.1-3; 92.1,2; 93.1-5; 94.1-6,10; 95.1-4; 97.2; 98.1-3; 109.5; 119.2;
121.1; 127.1; 188.2; 203.1; 233.2; 258.1; 260.11; 281.4; 282.1; 284.3; 287.3,5;
288.1; 290.3,4; 293.1; 373.1; 373.1; 419.4; 426.1; 457.1
- Sol da graça, da glória, do amor 14.3; 16.2; 27.1-4; 55.4; 118.1-4;
120.1; 159.2; 243.1; 263.6;
265.4; 275.1; 277.1,5; 279.2; 303.1; 342.1; 350.3; 378.4; 491.1
- é o tesouro 291.3; 431.3
-éa verdade 184.2; 491.1
-é Vencedor, triunfante^.3; 7.3; 15.2; 51.4; 63.1; 77.2; 87.5; 88.8; 93.1
94.6;101.2; 103.2; 105.1; 106.1; 107.1,3; 108.1; 109.2,3;111.1; 112.2,3; 113.1,5
114.2; 115.3;116.3; 117.3; 118.2; 119.1,2; 120.3; 121.1,3; 122.1,3; 124.1; 127.2
129.1; 130.2; 163.3; 156.2; 172.1;189.3 192.4; 193.2; 206.3; 220.3; 232.2 272.2;
272.5; 275.2,3; 281.5; 284.4; 285.2; 287.3; 294.2; 310.6; 376.6; 402.5 405.1; 536.3;
538.3; 541.3; 558.1; 562.5
- Verbo 2.1; 45.2; 48.4; 49.4; 50.3; 56.3; 63.2,6; 88.4; 139.2; 142.2; 144.5;
153.3; 157.2; 163.3
165.4; 171.3; 172.1; 181.4; 207.2; 214.4; 375.5
- é Vida, vive, dá vida, vida eterna 43.1; 76.2; 105.2; 106.3; 109.6 121.1; 128.8;
130.6; 151.3; 159.2; 166.3; 182.3; 218.3; 240.4; 244.3; 266.1 267.1; 272.7; 285.2;
288.1,2; 290.1; 293.3; 294.2; 309.3; 310.3; 313.3; 364.3 368.2; 373.4; 374.1; 379.2;
380.3; 383.4; 390.5; 399.3; 404.1; 406.3; 465.3 515.8; 518.1; 520.1; 526.1,2; 529.3;
541.1; 547.2; 549.2
- é a Videira 404.2
194
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
-a volta de 5.5; 13.5; 14.4*121.3; 125.3-5; 126.2,3; 131.5; 206.3; 255.2; 260.12;
277.5; 325.4; 331.3; 384.4; 399.3; 435.3; 479.8; 515.8; 523.6,7; 528.2,3; 531.1-2;
532.1,5; 533.1,4; 534.1,2; 535.1-6; 537.1-3; 541.4; 542.3; 543.1-3
- é o Ungido 5.1; 62.1; 544.2
- é o Unigênito 78.1; 230.2
Cruz do cristão 2.6; 57.8; 77.3; 85.6; 114.4; 117.4; 190.2; 222.3; 271.3; 277.6;
281.1,6; 288.3; 290.2; 319.1,5,6; 320.1,4; 322.2,3; 323.1; 327.3, 4; 353.5; 366.6;
375.6; 377.3; 378.5; 384.2; 402.4; 405.4; 407.2; 412.3; 413.3; 418.1,2; 420.3; 426.3;
443.4; 447.4; 515.7; 520.2;
Culpa (pecado) 13.4; 85.3; 88.3; 89.1; 92.2; 98.3; 105.4; 119.1-4; 127.1; 190.3;
208.4; 265.3; 288.1; 406.2
Culto 183.1; 187.1; 192.1; 201.1; 202.1,2; 452.2
-DDavi 551.1
Delitos 9.1; 10.1; 92.2; 135.2; 171.2; 219.3; 358.3
Deus
- abençoa 148.5; 150.1; 202.3; 223.3; 224.2; 389.2; 418.4; 443.5; 444.3;
447.1; 448.1; 478.1; 479.5; 481.1; 482.1; 484.5; 500.2; 524.5
-amor de 150.2; 151.3; 152.3; 153.1; 154.1; 155.1; 156.1; 167.3; 173.2; 175.4;
176.1; 179.1;180.1; 181.3; 189.1; 201.1; 203.1; 208.6; 209.1,2; 212.4; 214.1 -5;
216.1,2; 219.1,3; 220.3; 221.2,2; 222.1; 223.1,3; 226.2; 228.1,2; 229.1; 237.1; 242.1;
243.5; 243.2; 250.2; 254.1,3; 258.4; 270.1,2; 278.1-5; 284.6; 287.7; 288.1; 305.2;
306.3; 307.1,4; 314.2; 315.2; 318.5; 326.3; 335.1; 338.1; 339.1; 345.3; 349.3; 353.5;
354.2,4; 356.3; 357.1,3; 358.3; 362.4; 366.2-5;375.1,3; 376.1,4; 385.4; 402.1,2;
407.1; 424.5; 433.1,2,4; 434.4; 440.1 447.1,3; 449.1; 457.4; 469.4: 481.1-4; 485.2;
487.1; 488.1,4; 490.2; 491.3 493.1; 496.1; 496.1; 499.2; 500.1; 508.1-3; 509.4; 510.1;
512.7; 520.6; 544.3 547.4; 549.3; 550.1-5; 559.3; 562.2; 573.2,3
- é amparador, bondoso, consolador, guia, protetor 2.3; 34.3; 54.1
57.6.10; 58.1; 67.4; 82.4; 119.1-4; 130.5; 148.1-3,5; 150.2; 151.3; 153.1; 160.1
154.1; 159.1; 164.1; 165.1; 166.1; 175.4; 176.1; 177.3; 178.6; 180.1; 186.1
194.1; 196.1,4; 198.1; 199.1; 200.1; 201.1; 202.3; 204.2-3; 208.2,5,6; 209.2,3
212.3; 213.3,4; 214.1,2; 215.4; 216.1; 218.1,2; 219.1,2,4; 221.1,3; 222.3,4
223.4; 224.4-6; 226.1-3; 227.1,5; 228.1; 228.2; 231.1; 232.1; 233.1; 236.1
238.1; 263.4; 270.1; 305.4; 306.3; 307.5; 315.1; 317.1-3; 318.4; 322.1-4;343.1
345.3; 357.2; 363.1; 372.1; 374.3; 376.1; 380.1; 381.6; ; 394.3; 395.1; 402.1,2,4
403.1-5; 407.1-3; 409.2,4; 410.1,2; 414.2,3; 415.1-4; 416.1,2,5; 418.1,5,6
421.1-3; 422.2; 424.1-5; 428.1-3; 429.1,3,5-7; 430.4; 431.2,3; 433.1-4; 434.1
4; 437.2; 438.1; 440.1,3; 443.2-8; 444.3; 445.1,2; 447.2,3; 448.4; 449.1-3
455.3; 478.1-5; 479.4; 481.3; 484.1,4; 485.2,3; 487.2-3; 489.3; 490.2,4; 495.1
496.1,3-6; 497.1 -3; 499.1 -4; 500.1 -4; 502.3; 505.1 -3; 506.1-3; 508.1-3; 509.1,2
512.1,2; 532.3
IGREJA LUTERANA - NUMER02 -1996
195
- chama e equipa obreiros 337.1-4; 338.1-5; 339.1; 339.2
-éclemente, complacente 146.1; 150.2; 187.1; 199.1; 213.4; 345.1; 428.1;
501.4
- conhece nossa vida e ansiedades 58.1; 221.3; 414. 1-3; 418.3,4
- é Criador e mantenedor 14.1; 26.9; 31.3; 39.2; 63.3; 104.1; 131.2,4; 146.1,4;
147.1; 148.4; 150.1; 151.1,153.2; 155.1; 156.2; 157.1; 158.2; 160.1; 167.2; 180.3;
185.3; 189.2; 195.2; 204.6; 206.1-3; 209.1; 210.1,2; 213.2;3; 214.2; 215.3; 220.1,2;
224.3; 225.3; 227.3; 230.2; 232.1; 233.1; 243.2; 270.1; 290.5; 382.4; 416.3; 429.1;
434.1; 471.1; 479.1; 481.3; 485.3; 497.1; 511.1; 512.6
- é compassivo 146.4; 177.5; 393.1; 418.3
- cumpre suas promessas 18.1; 31.4; 32.2; 34.1-4; 44.3; 116.2; 236.1; 318.4;
529.1; 554.3; 556.2; 559.1; 571.1
- é Doador da vida, vida eterna 57.1;160.4;176.3; 218.1; 222.3; 224.8; 440.1;
485.1
-dá dons 147.1; 213.4; 221.4; 387.1; 389.2 -ensina 197.1;
240.1; 249.1; 305.1; 407.2; 443.2
- envia Cristo 92.2; 180.5; 214.3,4; 227.4; 366.3; 402.3; 555.1
- envia, concede o Espírito Santo 344.1
-éEterno 146.3,4; 150.2; 152.3; 156.1; 157.1; 158.1; 176.2; 178.1; 270.1;
416.3,4; 487.1; 491.3
-é Fiel 402.1-5; 424.5; 511.4
- é galardão nosso 130.5; 208.7; 418.5
-é glorioso, glória de 146.2; 154.1; 156.1; 157.1; 161.4; 189.1; 203.1; 204.1;
220.1; 234.1; 263.5; 305.2; 392.1; 442.8; 489.3; 518.2
-governa 215.1; 341.1; 424.5; 478.2
-agraça de39.2; 57.1; 147.1; 149.2; 150.2; 170.2,3; 179.1; 180.2; 212.4; 218.1;
227.1-5; 242.3; 242.6; 254.1; 307.4; 314.2; 315.2; 318.3; 335.2; 337.4; 349.1,5;
356.2; 358.2; 372.1; 392.1; 393.1; 429.4; 443.6; 443.9; 448.1; 449.1,2; 473.4; 487.1
;488.1,4; 489.3; 495.3; 500.2,4; 511.5
-é gracioso 148.5; 263.4; 339.5; 445.1-4; 447.1; 489.2
-é Grande 146.3; 147.1; 157.1,4; 158.1; 170.1,4; 178.1; 341.2; 539.3
- habita no céu 145.1; 180.2; 203.3; 241.1; 428.2; 467.2; 530.3
-é justiça, é justo, é reto 146.4; 178.6; 215.4; 363.2; 368.5; 433.1; 539.3
- é louvado, adorado, invocado 70.1; 84.4; 112.3; 115; 116.1; 119.14;129.2,4,6; 130.1,6; 134.1; 136.2; 145.2,3; 146.1,2,3; 147.1; 149.1,3; 150.1,3;
152.1,2; 153.2; 154.3; 155.1; 156.1,2;157.1, 4; 160.4; 161.1; 163.1; 164.1,2;
166.1; 167.1,2; 168.1; 170.1,4; 172.1,3; 173.3; 177.1-5; 178.1-3; 179.1; 180.1;
184.1; 186.1; 187.1,2; 188.1; 189.1-3;193.3; 194.3; 195.1,2; 196.4; 198.1; 204.16; 206.1; 207.6; 208.1,2; 209.1; 210.1,3; 211.1; 212.1-4; 213.1-5; 214.1; 215.1,5;
216-4; 217.1-3; 218.2-3; 219.1,2,4; 220.1-4; 221.1,4; 222.1-3; 223.1,2,5,6;
224.1,9; 226.2; 227.1,5; 228.2; 230.1; 231.1,2; 232.3; 234.1; 236.1; 238.1;
242.1; 254.4; 284.6; 287.7; 304.1,2; 305.5; 307.5; 314.2; 325.1; 335.1-4; 339.1;
196
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
340.3; 341.1,4; 363.4; 376.1; 381.7; 3H2.4; 393.1; 409.5; 413.2; 418.6; 422.3; 428.3;
440.1; 442.2; 445.1 -4; 459.1; 460.4; 4 /1.1; 481.1 -4; 482.1; 483.1; 484.1; 487.1,2;
489.1; 490.2; 491.3; 492.2; 493.2; 496.1; 499.5; 500.1,2; 502.4; 511.1,5; 512.7;
515.4; 529.4; 532.2; 538.1-4; 559.3; 565.1-3
- a luz de 145.1; 160.1; 322.2; 345.3; 499.1
- mão de 150.3; 208.3; 214.2; 307.1; 314.4; 343.3; 410.1; 478.2; 479.1; 490.5
-nome de 213.5; 216.4; 217.2; 220.1; 221.1; 287.7; 316.2; 372.1; 381.3; 409.5;
442.2
- é majestoso 146.2; 154.1; 217.1; 270.1
- é onisciente 155.1; 203.4; 216.3
- obras de 325.1; 335.1-4; 433.1 -4; 438.4; 532.2; 558.4
- ouve e atende orações 50.6; 57.13; 211.1; 252.5; 322.3; 341.3; 349.1; 357.5;
358.1; 409.1; 433.1; 442.2; 443.1; 444.1; 455.3
-é Pai 5.2; 8.1; 11.1; 12.3; 26.4; 30.1; 42.3,4; 49.2,5; 50.6; 54.1; 56.2; 57.5,
8,9,10; 58.6; 61.4; 67.4; 74.4; 80.2; 86.1,2; 89.2,3; 100.3,4; 106.2; 122.2; 123.2;
125.4; 126.1,2; 128.3; 130.1;131.1; 133.6; 142.2; 143.1; 145.3; 147.1; 148.1,2;
150.2; 151.1,3; 152.3; 153.2; 154.3; 155.1; 157.4; 158.2; 161.1; 174.1; 176.1; 179.1;
185.1; 187.1; 188.1; 191.2; 193.3; 195.2; 198.1,2; 201.1,2; 204.1,2; 209.1; 213.3;
214.5; 219.3; 221.3; 223.3,6; 225.3; 228.1,2; 229.1; 230.2-4; 231.1-3; 232.1; 233.1;
238.1; 239.1; 252.5; 258.4; 270; 283.5; 284.6; 288.2; 294.3; 299.2; 318.2; 357.1;
367.2; 371.5; 375.7; 376.1,5-7; 402.2; 410.1; 428.1; 431.4; 434.2; 437.1; 440.2;
442.2; 443.1; 446.4; 447.2,3; 448.1,4; 471.1; 479.1; 484.2; 489.1,3; 490.1; 492.1,3;
495.1; 497.3; 499.2,5; 500.2,3; 502.1; 512.1,7; 519.5; 524.5; 538.4; 549.3; 556.2;
558; 566.3
-a Paz de 11.1; 130.5; 148.5; 149.2; 150.2; 168.2; 172.2; 179.1; 187.2; 198.1-4;
199.1; 200.1; 201.1; 208.6; 222.1; 224.7; 231.1; 236.1; 242.3; 356.5; 363.1; 376.1;
380.1; 406.1; 424.3; 442.5; 443.5; 455.4; 491.3; 497.3; 509.2
-perdoa 147.1; 170.3; 197.1; 204.3; 208.4; 214.3; 219.3; 220.1; 221.2,3; 222.1;
223.3; 227.3; 228.1; 244.1; 270.1; 307.1; 343.1; 344.1,2; 345.1; 349.1,2,5; 351.1,4;
354.4; 356.3,5-7; 357.2; 358.3-6; 359.4; 363.1,3; 366.2-4; 376.1; 385.2; 409.2,3;
422.3; 442.6,7; 443.6; 493.4; 495.2; 496.4,5; 500.4
- é poderoso, onipotente 146.1; 156.2; 161.4; 180.1.4; 198.3; 213.1; 216.3;
220.2; 233.1; 478.1; 487.3; 508.1-3; 509.1
- é Rei 213.1; 215.5; 217.1; 218.1; 230.2; 231.2; 341.1,2; 345.3; 363.4; 416.2;
422.4; 439.3; 489.2; 489.4; 499.4; 511.5; 517.3
- reina, governa sobre sua criação 146.3; 170.2; 203.4; 206.2,3; 213.2; 221.3;
232.1; 413.2; 490.1
- salva 118.1; 129.4; 130.5; 143.3; 149.1,4; 201; 203.1; 208.7; 209.2,4; 212.1;
213.2; 215.4; 219.3,4; 242.6; 243.2; 276.2; 287.2; 305.1,2; 306.4,6; 338.1; 344.2;
351.4; 371.4,5; 372.3; 382.6; 402.3; 410.2; 414.1; 443.8; 444.4; 450.2; 469.4; 483.1;
485.1; 491.3; 508.1-3
- Salvador, Redentor 58.6; 194.1; 215.2; 418.3; 438.1; 443.8,9; 488.4
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
197
-é Santo 146.1-4; 154.1-3; 158.2; 160.4; 167.1; 172.1-4; 193.1; 196.4; 204.1;
234.1; 368.5; 487.1
-é Senhor 58.6,146.2; 147.1; 149.1; 150.1; 154.1-3; 158.1,5; 159.1; 162.1;
168.1,2,4,5; 169.1; 170.1; 173.2,3; 177.2; 178.1; 181.3,4; 186.1; 193.3; 194.1; 195.1;
198.1; 199.1; 200.1; 209.1; 213.1,4; 214.1; 215.1; 223.1,3; 224.1,7; 226.2; 228.1;
230.1,5; 232.2; 242.1; 254.3; 313.1,2; 315.1; 316.1; 317.2; 318.5; 323.1-4; 337.4;
339.1; 341.3; 343.1; 344.2; 345.1; 349.3; 353.1; 354.1,2.4; 356.5; 357.3; 358.1;
359.2; 363.1,3; 367.5; 381.2; 382.5; 383.1; 387.1,4; 394.2; 395.5; 403.1; 407.1-3;
415.1,2; 421.1; 422.3,4; 424.1,3; 429.7; 431.4; 433.1,2,4; 434.1-3; 437.1,3; 440.3;
442.8; 443.2; 445.1-4; 447.1,2; 449.1-3; 454.1,2; 455.3; 458.3,4; 460.4; 471.1-4;
478.4,5; 479.1,8; 481.1-4; 487.1,3; 488.1; 489.1,3; 490.2,4,5; 492.2: 493.2,3; 496.1;
499.4; 500.1,4; 502.3; 505.2; 506.3; 511.1; 512.3; 516.1,3,4; 519.7; 529.1-4; 530.3;
540.2
-é Todo-Poderoso 46.3; 67.2; 150.3; 151.1; 155.1; 158.2
-étrino, tríúno 99.3; 144.2; 146.1; 148.1; 150.3; 153.1; 157.4; 158.1;5; 160.4;
161.4; 1789.1; 193.2; 196.4; 218.4; 221.4; 230.1; 232.3; 239.1; 287.7; 318.1; 318.7;
340.1; 367.2; 375.7; 448.4; 498.6; 538.4
-éuno, um só 99.3; 146.1,4; 148.1; 149.1; 158.1; 233.1
- é Verdadeiro 158.5; 165.2; 230.1; 316.1
- tem a verdade que salva 158.1; 241.1; 242.3; 345.3; 509.2
-a voz de 11A-3; 136.1; 356.6; 395.1; 417.1; 430.4; 438.4; 442.3; 473.1; 559.3
Deus Espírito Santo (v. Espírito Santo)
Deus Filho (v. Cristo)
Devoção 244.1; 452.1
Diabo, demônio 10.2; 33.4,5; 39.4; 46.5; 56.3; 59.2; 63.5; 82.1; 87.2; 88.7;
165.3; 190.1; 212.3; 270.3; 272.3; 280.5; 291.2; 303.3; 305.2,3; 313.4; 371.3; 376.6;
384.2; 397.1; 400.1,5; 480.2; 501.5; 527.3; 533.3 (v. Satanás e Malfeitor)
Domingo, dia do Senhor 178.1; 181.1; 186.3; 193.1-3; 381.3
Dons 391.2; 393.2 (v. Deus dá dons; Espírito concede dons, Serviço do Povo de
Deus)
Doutrina pura e clara 164.5; 304.3; 306.3; 377.1; 455.4; 469.2
-EÉden 151.2; 448.1
Educação cristã no lar 450.1-5; 451.1-7; 453.1,4; 454.1-3; 455.2; 457.3; 458.3,4;
459.4 Efatá 430.3
Eleitos, escolhidos 53.2; 196.3; 231.4; 440.2; 511.4; 541.1,4 Elias,
profeta 540.3 Encarnação (v. Cristo Homem) Escola 460.3
198
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
Escritura, Verbo 163.2; 165.4; 166.1,2; 185.2,3; 200.1; 241.1; 243.1-3; 246.2; 280.2;
304.1,3; 404.3; 473.1; 490.4 Esperança 166.3; 167.3; 478.1,4 Espírito Santo
- abençoa o culto 155.3 -amor
de 148.1; 229.3
- é Amparador, Protetor 146.1,2; 148.1; 232.3; 448.3,4; 490.1
- é Benfeitor, benigno 132.1;137.3
- concede dons 142.1; 233.3
- conduz Evangelho, à verdade 151.4; 154.4; 156.2; 161.3; 214.4 -Consolador
126.1; 133.6; 134.4;136.4; 137.1; 139.1,5; 140.1-4; 141.1,3;
142.3; 143.1 ;157.3; 158.4; 159.3; 160.3; 162.3; 147.3; 148.4; 151.4; 153.4; 154.3;
155.3; 188.3; 213.4; 232.3; 233.3; 287.6; 299.2; 318.2; 343.4; 375.4; 471.3; 502.3;
538.4
-é Deus 74.4; 139.1-5; 142.1; 143.4; 155.3; 161.3; 229.3; 299.2; 333.2; 367.2;
471.3
-é Divino 147.3; 151.4; 174.3; 184.3; 188.3; 214.4; 233.3; 448.3
- é Ensinador 42.4; 132.2; 135.1; 136.2; 140.1; 143.1,3; 144.4; 157.4;
184.3; 188.3; 193.3
225.3; 233.3; 375.7; 490.1
- é esperança 132.2
- é Espírito da vida, da graça 152.3; 153.4; 155.3
- é Espírito de Deus 151.4; 158.4
- dá a fé e a ação 132.3; 133.1,2; 137.1; 139.2; 142.3; 148.4; 158.4; 159.3;
162.3; 174.3; 214.4; 326.3; 333.1,2; 376.6; 443.3; 471.3
- Guia, converte, conduza Cristo 14.5; 59.5; 132.2; 133.1; 134.3; 136.4; 141.3;
160.3 143.4,6; 144.4; 147.3; 149.3; 196.2; 202.2; 214.4; 357.2; 375.4; 471.3
-ilumina 148.3; 149.2; 155.3; 161.3; 184.4; 318.1
- inspira 134.2; 137.3; 157.3
- intercede por nós 143.3; 149.3
- livra do falso ensino 142.2; 144.5; 471.3
- é louvado, exaltado 185.3; 238.1; 239.1; 284.6; 499.5 -é Luz
137.2; 141.3;142.2; 144.1; 159.3; 132.3; 188.2 -é Mestre 140.1-4;
141.3; 142.2; 147.3
- é onisciente 188.3
- ouve e atende as orações 161.3; 249.3
- é penhor 159.3
- é poderoso, potente 188.3
- é Preceptor 49.5; 132.1; 136.1; 155.3; 156.2;
- procede do Pai e do Filho 133.1; 135.1; 156.2; 232.3; 376.6 -é
Senhor 139.1-5; 143.5; 147.3; 229.3; 230.4; 333.2; 471.3
- transforma, une 155.3; 162.3; 233.3
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
199
Eternidade 57.7; 364.4; 499.5; 539.1-5
Evangelho 64.4; 67.2; 166.2; 168.2; 174.1; 176.2; 183.3; 186.3; 242.1; 270.4;
296.2; 307.3; 327.1; 328.1; 329.3; 355.5; 373.5; 406.1; 452.2; 453.3; 512.3
Evangelistas 333.3
-FFamília 456.1-3; 512.3
Fé
- despertamento da 331.2; 333.1; 377.3; 390.1; 391.1; 444.2; 460.1; 469.3;
533.1-3; 534.1; 537.3; 539.4
- fé e obras 4.4; 8.3; 11.1; 27.3; 56.5; 71.1; 85.6; 94.7,8; 95.5; 101.5; 117.4;
133.5; 140.3; 144.1; 157.2; 158.5; 159.1; 160.1; 168,3,4; 169.2; 183.3; 200.1; 229.3;
243.3; 254.2; 257.2; 258.7,8; 261.2; 263.7; 267.4; 269.4; 271.5; 275.6; 277.3; 278.5;
280.4; 281.6; 286.1,2; 288.3; 292.3; 293.2; 295.2; 298.1; 298.3; 299.2; 300.2,3;
307.5; 308.1; 310.2-5; 312.1-4; 313.1-5; 314.1; 316.5; 318.3,5; 319.7; 320.1-6;
321.1,2; 325.2,3; 326.2; 328.3; 330.3; 331.2; 332.4; 335.2,3; 366.5; 367.1; 367.5;
373.1; 380.1-3; 381.1; 384.3; 386.6; 390.4; 391.1-3; 395.4; 399.3,4; 408.2; 412.2;
443.3,7; 450.1,4; 460.4; 473.2; 473.1; 478.5; 479.5; 484.3; 512.4,6; 517.2; 543.2
- é fogo 134.4; 138.4; 139.2; 144.2
- fraqueza da fé 13.1; 133.2; 134.5; 316.2,3; 390.5; 394.2
- fortalecida 164.4; 183.3; 187.3; 207.1 215.5; 274.2; 256.3; 260.10; 317.2;
318.6; 321.3; 338.4; 357.4; 367.4,5; 377.2; 435.2
-justifica, salva, liberta, ampara 29.3; 33.6; 47.3,4; 53.3,4; 55.5; 58.4; 67.4;
82.2,5; 88.8;119.4; 128.7; 133.3,5; 134.5; 139.2,5; 140.4; 141.1,4; 142.2,3; 143.5;
151.4; 173.3; 176.2; 180.5;195.4; 229.2; 255.6; 261.3; 275.4; 318.1; 320.5,6: 325.5;
328.1; 334.4; 343.2; 349.3; 352.3; 353.4,6; 355.3,4,7; 360.3; 365.1,3; 369.1; 370.1,3;
371.1-6; 374.1; 375.1,2; 375.7; 377.1; 381.1; 392.1-4; 395.4; 397.3,4; 401.3; 402.3;
404.2; 405.2,3; 406.1; 410.3; 412.1,4; 415.1-4; 418.4,6; 419.1-5; 420.4; 424.2,4;
425-3; 426.1,2; 429.4; 430.2,4; 436.2; 437.2; 439.1; 440.3; 445.1; 454.2; 458.2;
463.2; 473.1; 477.1; 479.4; 480.3; 487.5; 493.4; 495.4; 497.1; 519.3,4; 522.2; 523.1;
524.5; 526.1; 526.3; 530.1; 531.1; 543.3
Filhos 450.1,2,5; 451.3; 452.1-3; 453.1,4,5; 454.2,3; 455.2; 456.3; 458.1,3,4;
466.1; 467.1
Filho de Davi; de Deus; de Maria(v. Cristo)
Fome, pobreza, injustiça 62.4; 386.2,4; 388.2; 393.3; 395.3; 398.2; 469.3;
512.5; 513.4; 529.2
-GGetsêmani 76.1
Gólgota 109.4
200
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
Graça (v. graça de Deus e de Cristo)
Gratidão 278.1-5( v. Adoração a Deus e a Cristo)
Grei 23.7; 56.2; 61.2; 62.6; 71.2; 74.4; 124.3; 127.3; 157.1; 158.3; 171.1; 177.3;
192.1; 197.1; 204.4,5; 211.3; 254.2; 259.5; 284.5; 329.4; 332.2; 338.5; 401.4
Grilhões 191.4; 218.4
-HHerdeiros de Deus, dos céus 129.6; 251.1; 304.6; 318.1-3
Hosana 5.1; 7.1,3; 9.1; 34; 9.1; 14.1-4; 41.4; 399.1; 540.4; 544.1; 552.3
Humanação (v. Cristo verdadeiro homem)
Humilhação de Cristo (v. Cristo)
- IIgreja 162.1; 178.5; 298.1; 299.2; 300.1; 306.1,5; 307.4; 308.1; 329.4; 363.4;
386.1; 392.1; 438.2,3; 442.3; 443.3; 446.4; 455.4; 460.4; 474.2
Impenitência 258.6
ímpio 13.5; 178.5; 382.1
Inferno 2.7; 40.4; 66.2; 80.3; 85.5; 98.4; 101.3; 109.4; 128.5; 214.4; 275.5;
285.2; 291.2; 328.2; 399.3; 469.1; 516.4; 526.7; 535.4; 537.3; 539.3
Inspiração (v. Deus e Espírito inspira)
Isaías 234.1
Israel 3.2; 10.1; 236.2; 251.5; 416.1,5; 434.2; 511.4; 554.3
- JJacó 23.3
Jeová 116.1; 165.2; 209.1; 234.1
Jerusalém (como povo de Deus e céu)11.1; 12.1; 34.2; 99.1; 530.1; 534.1;
536.1; 540.1
Jessé3.3; 10.2; 45.1; 67.1
Jesus, Jesus-Menino (v. Cristo)
José, pai de Jesus 555.3; 566.4; 570.2
Jovens 383.1; 469.1; 470.1; 471.1-3; 472.1; 473.1-4; 474.1-4
Juízo Final ( v. Cristo, volta de)
Justificação pela fé 250.1; 251.1-5; 258.7; 275.3; 352.3; 364.3; 368.5;
371.1-6; 372.3; 378.2 (v. perdão dos pecados, Cristo, Deus, Espírito Santo e
fé)
-KKyrieleis 35.1-6 102.1,2; 137.1-4; 141.1-6; 264.1
-LLei 34.4 49.1; 50.4; 62.5; 177.3; 185.1; 187.3; 197.1; 254.2; 257.4; 260.4;
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
201
276.2; 338.5; 354.5; 362; 367.3; 373.2-4; 381.1,6,7; 382.2; 385.2; 395.2; 396.3;
404.1; 429.4; 438.3; 447.3; 453.4; 459.4; 461.2; 486.3; 498.2; 532.4
Libertação (v Cristo liberta)
Luta do Povo de Deus 295.1-3; 327.2; 372.2; 384.1-4; 390.1-5; 395.1-4; 397.13; 399.1-4; 400.5; 405.1-4; 440.2; 452.3; 469.2; 474.4; 480.3; 487.3(v. Cruz do
cristão)
Lutero 163.2; 166.1
-MMadeiro (v. Cruz de Cristo
Maldito; maldição 161.1; 175.2; 287.5; 401.2
Malfeitor, maligno 155.2; 280.1; 284.2; 287.3; 318.6; 390.4; 399.1; 401.1;
486.1; 500.1; 531.2
Magos 61.2; 63.2; 69.1-3; 547.3; 554.3-6; 564.1
Maná 168.5; 256.1; 452.1
Maria, mãe de Jesus 18.2; 19.2; 20.1; 23.1; 24.4; 26.2; 34.1; 35.1; 39.2; 42.2;
72.2; 120.1; 232.2; 264.1; 284.3; 546.1; 547.4; 551.2; 555.3; 566.4; 570.1; 573.2
Matrimônio 444 a 449
Mediador (v. Cristo)
Messias ( v. Cristo)
Milagres 208.2
Ministério 334.1-4; 336.1-5; 337.2-4; 338.2-5; 339.1-5
Missão do povo de Deus 295.1-3; 299.1,3; 302.1-3; 304.4; 306.3; 316.4;
324.2; 325.1-5; 327.1-3; 328.4-6; 329.4; 330.1,3; 331.1; 391.2; 393.3; 395.4; 455.4;
469.2-4
Mordomia 387.1,2,6; 389.3; 391.2; 393.3; 393.1,2; 413.2; 477.3; 558.4
Morte e vida Eterna 2.7; 3.4. 6.1; 9.3; 10.2; 13.3; 14.1; 40.4; 45.5; 54.3; 56.6;
58.5; 63.5; 67.3,6; 74.3; 82.6; 88.8; 92.3; 95.10; 96.5,6; 98.4; 100.2; 102.3,4; 104.3;
105.1,4; 106.4; 109. 2-5; 111.2; 117.2,3; 119.1-4; 121.1,3; 122.3; 127.1; 128.5;
130.3,4; 137.1; 143.6; 159.3; 200.1; 202.3; 208.8; 214.5; 226.3; 242.6; 268.3; 275.2;
283.4,5; 285.1,2; 290.7; 292.3; 296.5; 305.5; 313.5; 316.5; 318.7; 319.6,7; 320.6;
321.3; 340.4; 367.6; 377.2,3; 380.3; 394.4; 403.2,5; 405.1; 407.3; 411.3; 412.4;
417.3; 419.3; 421.3; 422.4; 424.6; 426.4; 429.7; 432.1; 432.5,6; 435.3; 437.1-3;
445.4; 468.1; 470.4; 475.2; 479.7,8; 480.4; 490.6; 494.5; 497.3; 503.3; 504.2; 515.18; 516.1-4; 517.1-3; 518.1-3; 519.1-7; 520.1-6; 521.1-5; 522.1,2; 523.1-7; 524.1-6;
525.1-3; 526.1-7; 527.1-3; 533.4; 535.2; 539.3,4; 540.3,4; 543.1
-NNatal 15.1-3; 26.14; 41.4; 43.2; 54.2; 48.2; 544.1-4; 547.5; 548.4; 549.1-3;
552.1,3; 554.1-6; 558.1-4; 560.1-3; 561.1-2; 562.5; 563.1,3; 565.1-3; 569.3; 571,3
202
IGREJA LUTERANA -NÚMERO 2-1996
Noivos 446.1-4
Nova criatura, novo ser 250.1; 396.3
-OOferta 43.2; 59.5; 69.3; 160.1; 169.1,2; 177.4; 210.3; 308.1; 328.5; 387.1,2;
391.2; 484.2; 546.3; 547.3; 554.5; 564.1-4
Oração 76.1;169.2; 214.5; 293.1,2; 298.2; 299.1; 325.3; 335.1; 337.1; 341.3;
378.3; 381.3; 408.2; 424.2; 425.3; 426.1; 440.1; 441.1,3; 442.1; 446.4; 449.2; 454.1;
456.3; 460.4; 473.4; 501.1; 507.3; 512.5; 555.5
Ovelhas, cordeiros (povo de Deus) 195.3; 259.1; 292.1; 459.3; 461.1; 466.1;
494.3; 539.4
-PPais 450.1-6; 451.1-7; 452.1-3; 453.1,5; 454.1; 456.3; 457.1-4; 460.2; 524.3,5
Palavra de Deus, Verbo, Escritura 164.2; 202.1; 225.2; 240.1-6; 241.1-6;
242.1,5; 245.1-3; 246.1-3; 247.1-4; 248.1-3; 249.1; 253.4; 255.5; 270.3; 296.1,5;
305.4; 314.1,4; 316.1; 326.1; 333.3; 335.1; 338.3; 340.1; 343.4; 357.4; 365.3; 371.1
;375.4; 377.1; 378.4; 399.1; 439.2; 443.2; 452.1; 455.1,2,4; 469.2; 484.5; 518.2
Palmas, palmeiras, ramos da vitória 5.3; 7.3; 12.2; 13.2; 14.4; 372.4; 472.2
Paraíso 67.6; 399.3
Paz (v. paz de Cristo, paz de Deus)
Pastores, arautos, obreiros, pregadores 307.3; 333.2; 337.2; 338.2,3;
339.3,4; 343.2
Pecado, perdição 13.4; 64.2; 75.3; 79.1,2; 84.1; 86.2; 89.1,2; 90.2,3; 94.2,3;
95.2; 98.4; 101.3; 106.2; 109.1,2; 124.4; 151.2; 161.1; 174.4; 175.2; 203.1; 212.1;
214.3; 242.2,4247.4; 251.4; 252.4; 254.1; 260.3-7,11; 279.1; 286.2,3; 301.2,3; 328.2;
329.1,2; 330.2; 336.1; 345.1; 346.1; 347.1,2; 348.1 -6; 353.1,2,4; 354.2,3; 355.1-7;
356.1-5; 357.2; 358.3,5; 361.2; 362.1-4; 365.2,3; 366.2; 370.2371.3-5; 373.2; 374.2;
375.3; 376.2,3; 378.2; 382.5; 387.3,4; 390.1,3,4; 394.1,2; 395.1-3; 397.2; 399.2;
400.1,2,4; 401.2; 404.1,3; 441.2; 442.1; 443.7; 450.2; 460.2; 465.1; 469.2; 469.4;
470.2,3; 475.2; 480.3; 484.5; 486.2; 488.3; 533.1; 535.4; 539.4; 542.2; 550.2
Pedro, apóstolo 535.1
Penitentes 11.2; 194.2
Perdão dos pecados 6.2; 7.3; 11.1,3; 14.2; 28.3; 33.6; 38.2; 44.3; 47.3; 50.4,5;
54.2 55.2; 57.7; 59.1; 60.4; 63.5; 68.3; 75.2; 84.1; 86.3; 88.5; 105.5; 98.3,4; 99.2;
100.1,3; 103.2; 105.5; 108.2; 109.1; 111.3; 117.2; 118.3; 121.3; 128.5; 174.2; 176.2;
187.3; 190.3; 217.3; 226.4; 251.4; 252.2; 256. 3; 258.5; 260.5,6,11; 261.3; 275.2;
283.1; 293.3; 298.2; 301.5; 307.2; 328.4; 330.3; 332.1; 343.2; 352.2; 355.1-7; 362.14; 366.2-4; 370.1; 493.4; 512.1,4; 567.2 (v. Cristo
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
203
e Deus perdoa)
Portas, portais 3.1; 5.4; 14.1,4; 168.1
Porvir 13.2; 23.7; 67.6; 161.3; 172.4; 198.4; 211.3; 276.4; 277.6; 322.3; 324.2;
334.4; 374.3; 377.2; 443.3; 506.3; 516.2; 522.2
Povo de Deus 166.1; 171.2; 191.2-4; 200.1; 203.3; 218.1 ;3; 259.1; 271,4,5;
299.1; 300.1; 307.1; 393.2 (v. Grei)
Pregação, proclamação da Palavra, de Deus 168.3; 177.3; 298.3; 302.1;
303.4; 304.5; 307.2; 328.4; 329.3; 330.1,4; 335.1,5; 336.5; 337.1,2; 338.1,2; 339.2,5;
340.2;341.3; 393.3; 474.2,3; 509.3
Promessas 1.1; 44.2; 68.3; 195.4) (v.Deus cumpre promessas)
Provações 322.2-4; 418.5; 419.1,2; 420.2; 421.2 422.1,2; 428.1-3; 432.2,3-4;
433.4; 439.2; 440.3; 441.1; 445.2; 446.3; 447.4; 470.1-3; 479.6; 490.2; 493.3; 494.4;
496.3; 499.2; 520.2 (v. Deus e Cristo Amparador)
-QQuerubins 31.6; 172.4; 225.1,2; 287.2
-RReforma, restauração 163.1; 166.2
Rebanho 88.4; 95.3; 250.3; 298.3; 301.1; 304.6; 305.3; 332.4; 355.2; 530.1
Reconciliação 256.3
Redenção 48.4; 60.4; 75.3; 84.2; 86.3; 99.2; 118.1; 133.4
Reino de Deus 12.1
Remidos 146.1; 161.4; 167.2; 217.1,2
Resgate (v. Cristo é o Resgate)
Ressurreição dos mortos (v. Morte e vida eterna)
-SSacramentos 304.6; 307.3; 335.4; 3343.4
Santa Ceia, comunhão 9.2; 255.2,4,5; 256.1,3,4; 257.1; 258.2; 259.2,4; 260.112; 261.1,2,4; 262.1,2; 263.1,3-7
Salvador (v. Cristo)
Salvos 175.1; 516.2; 521.4,5; 528.1; 529.4; 536.1,2; 540.4; 541.5; 559.3
Santidade 8.1; 14.2; 133.4; 135.1 168.2; 190.4; 192.4; 195.1; 197.1; 201.2;
202.2; 204.6; 252.4; 268.2; 271.4; 277.4; 298.3; 300.1; 314.1; 357.2; 380.1,2; 381.16; 382.2,3; 384.1-4; 385.1-4; 386.2-4; 387.4,5; 390.2; 395.4; 399.2; 402.5; 443.2;
449.2,3; 450.1-6; 452.2,3; 455.2; 461.2; 473.2,3; 476.2,3; 479.3-6; 489.3; 492.1;
511.3; 512.5 532.4(v. frutos da fé)
Satanás, Satã, tentador 6.1; 29.2; 38.3; 64.4; 78.3; 81.2; 92.3; 105.1; 117.2;
141.5; 143.5; 148.2; 165.1; 231.4; 232.2; 242.3; 270.4; 275.3; 296.3; 304.5; 318.3;
328.6; 333.3; 338.4; 360.4; 368.4; 376.2; 377.1 ;405.1; 435.2; 441.1; 443.3,7;
490.2,6; 496.2; 499.3; 535.4
Seara, ceifa, vinha 337.1; 338.1; 383.1; 474.3; 538.2
204
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
Serafins 172.4; 225.2; 234.1
Servos de Deus 307.3; 333.2; 335.3; 336.1; 336.1-5; 383.2,3
Serviço do povo de Deus 308.1; 309.3; 310.6; 311.1; 313.2; 328.3; 332.4;
334.1-4; 361.5; 383.1-4; 384.3,4; 386.3-5; 387.4,5; 391.2,3; 393.1,3; 396.3; 397.2;
398.1; 451.6; 468.1; 469.1; 472.1-3; 479.2; 485.3; 491.3; 492.3; 498.4; 526.8; 554.6
Sião, Filha de Sião 5.1,4; 12.1; 13.2; 18.2; 23.3; 34.2; 44.2; 67.3; 128.6; 156.3;
215.5; 333.1; 341.1; 479.8; 534.2; 536.2
Superstição 327.1
-TTemplo, casa do Senhor 168.1; 173.1-3; 181.2; 198.1; 219.2; 234.1; 268.5;
289.4; 310.3; 340.1,2; 452.2
Testemunho 270.3; 452.3; 474.1 (v. missão do povo de Deus)
Tentações 401.2; 403.3; 405.3; 408.1; 417.2; 439.3; 442.7; 443.7; 446.3; 487.3;
494.4; 496.3 : 501.5; 533.2 (v. diabo, Satanás, Luta do povo de Deus)
Trabalho 478.1; 480.1,4,5; 481.1-3; 487.5
Transgressão 13.4; 85.3; 92.2; 94.5; 255.1; 260.6; 261.2; 277.4; 356.2; 361.1;
409.2; 452.2
Trevas (como pecado) 1.3; 11.2; 16.2; 43.1; 57.5; 64.2; 65.2; 68.1; 70.2; 82.1;
99.2; 101.2; 04.3; 109.2; 120.1136.4; 140.2; 163.1; 196.2; 198.3; 209.2; 212.1,3;
249.2; 258.1; 263.1; 265.3; 275.2; 277.1; 279.2; 283.5; 285.1; 296.1; 304.4,5; 313.4;
314.4; 319.2; 327.2; 328.2,3; 342.1; 359.6; 362.4; 369.2; 370.3,4; 374.1; 390.2;
395.1; 395.3; 400.1,4; 403.1,4; 404.3; 412.3; 420.4; 422.2; 426.3; 437.2; 443.4;
454.3; 484.3; 488.2; 490.3; 491.1; 493.1; 498.3; 504.2; 572.2
Trindade 148.1; 153.1; 156.3; 158.1; 174.4
Trono de Deus 12.3; 31.1; 85.1; 122.2; 234.1
-UUngido (v. Cristo)
Unidade do povo 259.1; 300.1; 301.4,5; 303.3; 332.1; 443.6; 513.5
Unigênito (v. Cristo)
- VVencedores (por, com Cristo) 165.3; 296.4 Verbo (v.
Cristo, Escritura e Palavra de Deus) Verdade ( a
Escritura, v. Palavra de Deus) Vida eterna (v. Morte e
Vida eterna) Virgens 5.4; 534.1
Vitória do povo de Deus 92.3; 305.2; 317.1; 320.1; 376.7; 383.2; 390.4; 392.1;
397.1; 397.4; 399.1-4; 405.3; 431.3; 440.2; 523.1,5; 528.1
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
205
Classificação Alternativa dos Hinos do Hinário Luterano
Advento (Além dos próprios v. Cristo presença entre o povo)
Agradecimento 70, 99, 122, 124, 128,129, 150, 164, 170, 173, 182, 187,
189,195, 204, 206, 208, 209, 210, 213, 216, 219, 222, 226, 227, 490, 493, 496
Alegria do povo de Deus 12,15, 27, 37, 99, 100, 118, 120,203,273,291, 370,
376, 431
Amor de Deus 27, 30, 46, 50, 52, 53, 57, 75, 79, 86-89, 93, 95, 98, 118,
151,152, 213, 216, 219, 229, 230, 253, 269, 278, 279, 281, 282, 287, 288, 292, 375,
431, 436, 481, 488, 510, 550;
Amparo e proteção 43, 77, 134, 148, 150, 164, 204, 212-214, 218, 219, 221,
223-225, 227, 245, 260, 265-268, 276, 277, 279, 282, 283, 286, 289-292, 297, 307,
315, 317, 320, 322, 323, 367, 377, 388, 401-429, 433-439, 477, 480, 486,487, 493,
495, 498-510
Anjos 510, 511
Arrependimento 276, 342-364, 414
Batismo 309, 318 (além dos próprios)
Caridade 385-388, 398
Céu 529-530, 536, 540
Consolo 11, 76, 100, 102, 243, 273, 274, 277, 286, 294, 307, 320, 370, 434,
514-527, 529 (Veja mais em Graça, Perdão)
Credos ecumênicos 35, 232, 233
Comunhão 259, 300, 307, 332
Confiança 41, 58, 96, 101, 133, 141, 160, 162, 183, 283, 312-315, 317, 319323, 365-367, 372-374, 377, 412, 418, 420, 424, 437, 470
Criação (v. Deus)
Cristo
- Humilhação e Exaltação de 131, 269, 288, 290, 294
- Obras de 13, 14, 16, 20, 23, 25, 26, 29, 32, 33, 38, 39,42, 46-50, 55, 59,
62,63, 67, 78-98, 106, 127, 131, 175, 178, 182, 184, 194, 196, 207, 211, 235, 253,
265-266, 271, 276, 278, 283, 284, 287, 288, 319, 376, 420, 430
-presença entre o Povo 3,4,6-13, 18, 28, 34; 63, 64, 73, 188, 190, 211, 240,
277, 280, 296, 303, 304, 421
- o prometido 34, 67
- Transfiguração 74
- Vitória de 99-122, 124, 125, 127, 128, 526
Deus
- Criador e mantenedor 151,180, 206, 215, 220, 224, 230, 438, 478, 497
- Poder, Glória, Majestade de 145-147, 149, 150, 152, 154-156, 158,
164, 165, 177, 180, 188, 189, 193, 195, 203, 206, 208-210, 213, 214, 215,
216, 225, 227, 230-234, 416, 424, 433, 440, 481, 489, 491
Diabo
206
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
- Poder e obras de 241, 397, 399
Educação cristã 450- 462, 475, 476
Eternidade 539
Festividades
-Aniversário e inauguração de templo 168, 177, 182, 183, 188, 195, 340,341
- Culto Jovem 469-474
- Dia das crianças 458-467
- Dia das mães 457
- Festa da Colheita 208, 210, 213, 220, 222, 226, 477, 478, 481 Graça, perdão
44, 51, 68, 99-101, 106, 109, 114, 118, 124, 176, 184, 190,
214, 215, 221, 227, 231, 236, 240, 244-248, 250-252, 254-257, 259-263, 266, 269,
271-274, 277, 279, 280, 285, 286, 290, 292, 293, 296, 301, 304, 307, 318, 331, 347349, 355, 362, 364, 366, 368, 370-376, 378, 379, 393, 414, 420, 430, 436, 438, 464,
465, 488, 492, 518 Hinos como Oração
- advento 3,4,7,10, 277, 284, 303
-agradecimento81,93, 147,164, 186, 440, 443, 485, 490, 493, 494, 496, 500
- confiança 54-56, 77, 93, 134, 137, 141, 153, 158, 159, 160, 162, 168, 183,
184, 186, 196, 200, 259, 283, 322, 365, 367, 412, 439, 477, 541
- consagração, crescimento 132,133, 135, 136-140, 142-144, 148, 160,
161,185,192, 197, 249, 252, 254, 270, 271, 275, 298, 301, 303, 311,312,318, 321,
332, 337, 357, 360, 379, 380, 385, 387, 389, 392, 396, 398, 430, 440, 442, 443, 468,
475, 479, 484, 485
- pedindo amparo, companhia 198, 200-202, 274, 315, 323, 395, 401, 404,
405, 409-411, 416, 421, 423, 426-428, 435, 436, 439, 443, 476, 484, 486, 487, 490,
493, 495, 497-499, 502, 503, 506, 517
- penitência 85, 94, 261, 275, 276, 277, 342-347, 349-354, 356-361, 363,
396,400
- das refeições 482, 483
Igreja 271, 298, 304-307, 332, 538
Juízo Final 125, 126 (além dos próprios)
Louvor e Adoração 25, 31, 36, 37, 60, 62, 65, 70-72, 99, 110, 116, 119, 122124,128,129,145,146, 149, 150, 152,163, 164, 167,170-173, 175,177-182, 184, 187198, 203-205, 207-213,216- 223, 225, 230, 231, 238, 264, 271, 285, 324, 341, 489
Ministério 334-339
Missão, Evangelização 68, 83, 270, 272, 302, 304, 316, 324-333, 335, 337
Morte e Vida Eterna 128, 130, 314, 320, 379, 389, 403, 413, 432, 435,
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
207
437, 463, 468, 479, 514-527, 529, 542
Nova Criatura 250-252, 254, 376, 395
Pai Nosso 442, 443
Palavra de Deus 163, 166, 168, 174, 185, 241-249
Pecado, perdição, falsidade 45, 241, 242, 328-331, 346, 394, 470
Provações 322, 377, 378, 394, 395, 397, 399, 401, 408, 411, 417-420, 422,
425,432, 441,479
Promessa 34, 44, 45
Ressurreição (v. hinos da Páscoa, Morte e Sepultamento e nesta classificação
em Morte e Vida Eterna)
Serviço do Povo de Deus 69, 85, 169, 204, 210, 295, 302, 308, 316, 327, 334,
383, 387, 389, 391, 393, 441, 538
Santificação 85, 132, 133, 144, 176, 197, 223, 246, 258, 267, 278, 293, 298300, 309, 313, 314, 318-320, 325, 378, 380-400, 479-481, 492
Trindade 230-233, 237-239 (além dos próprios)
Vitória por Cristo e pela fé 99, 101,102, 118, 121, 163-165, 250, 290, 297,
305, 313, 317, 392, 397, 431, 530, 538
208
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
AUXÍLIOS HOMILÉTICOS
Leitura da Epístola - Trienal B
PRIMEIRO DOMINGO NO ADVENTO
01 de dezembro de 1996
1 Coríntios 1.3-9
Preliminares
A rapidez com que o tempo passa oferece pouca oportunidade para o
preparo ao início do ano eclesiástico. A escada descendente do antepenúltimo,
penúltimo e último domingo do ano é rápida (como todas as escadas) - e o
ano novo desponta. Mas, a bem da verdade, este aspecto até é positivo: a
ênfase está não em preparar-se para iniciar o ano eclesiástico, mas em iniciálo pelo preparar-se. O tempo de Advento que nos prepara para a vinda e o
nascimento do Menino Jesus leva-nos para mais além, para o advento de
todas as maravilhas celestiais.
As leituras
A leitura do Antigo Testamento (Is 63.16b-17, 64.1-8) fala do SENHOR,
nosso Pai, nosso Redentor como o Deus que "trabalha para aquele que nele
espera". O tema do evangelho segundo Marcos (11.33-37) enfatiza a vigilância
pelo retorno indeterminado do "homem que, ausentando-se do país, deixa a
sua casa". A segunda leitura do Evangelho (Mc 11.1-11 - destaca a exaltação
do Rei, o "Bendito que vem em nome do SENHOR".
Contexto
Se houve uma congregação que parecia despreparada para receber seu
Rei no Seu "apocalipse" (v.7), esta era a congregação de Corinto. Cismas,
intrigas, falsas doutrinas, unionismo, superstição e abuso dos dons de Deus
eram a tônica em seu meio. Contudo, o apóstolo Paulo, na introdução de sua
carta à congregação, lembra a estes pecadores de Corinto (e a nós hoje) que
ninguém prepara a si mesmo para encontrar-se com o Rei. Deus é quem
prepara, pela sua graça, por meio de Jesus Cristo.
Texto
A saudação tradicional do mundo helenista era chairein - o infinitivo do
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
209
verbo "alegrar-se", que significava apenas "saudações!" (Cf. At 15.23;Tg 1.1).
No vocabulário do apóstolo há uma cristianização dessa fórmula para cháris,
"graça!", à qual agrega-se a tradicional saudação do Antigo Testamento "shalom!", "paz". A expressão "graça e paz" tem vínculos com o batismo. Por meio
deste sacramento é que recebemos graça e paz. (Na carta a seu filho Hans,
de 4 anos, Lutero também se dirige a ele com "graça e paz!" antes de descrever
para o filho o paraíso como um "jardim muito lindo e divertido". (Pelo Evangelho
de Cristo, p.335-36).
A comunidade de Corinto é batizada; portanto é uma congregação que é
elevada à dimensão escatológica, paradisíaca - que espera o "dia (heméra)
de nosso Senhor Jesus Cristo" (manuscritos ocidentais D, F, G trazem parousia
em vez de heméra no texto).
A nossa ação, assim como a dos Coríntios, é de espera — já neste tempo
de Advento. Mas quem "espera" ou "aguarda" (v.7) tem uma função meramente
passiva. A situação não depende de nós, nós dependemos dela totalmente. E
nisso há expectativa. O que podemos fazer é apenas olhar para o horizonte
— e aguardar. É o que revelam as próprias formas verbais empregadas pelo
apóstolo em nosso texto. Nada menos que 4 verbos estão no passivo; "dada"
(v.4), "enriquecidos" (v.5), "confirmado" (v.6), "chamados" (v.9). O verbo
"enriquecer" — emplutístete — é importante na carta aos cristãos de Corinto
porque contrasta com a "pobreza" de Cristo, que causou o "enriquecimento"
deles (2 Co 8.9). A forma "confirmado" — bebaióo — é empregada duas
vezes no texto (vv.6 e 8). Quando usado em relação a pessoas, como no
caso, o verbo está associado ao batismo (cf. 2 Co 1.21; Rm 16.25; 1 Ts 3.13).
Ao mesmo tempo em que as formas verbais acima mostram a nossa ação
como receptores, eles, por outro, indicam a ação de Deus em relação a nós.
A ação de Deus em relação a nós é em evangelho, como fica evidenciado no
texto. Todos os verbos descrevem uma ação que tem origem em Deus. Deus
é o sujeito, autor e consumador de toda a atividade que ilustra a "graça e paz"
batismais dadas "em Jesus Cristo" (v.4). Não é sem razão que o apóstolo
exalta o nome de nosso Senhor Jesus Cristo de forma especial no texto. Nos
primeiros 10 versículos desta epístola o nome de Cristo é mencionado em
todos eles. Ele é o Rei que vem, Bendito, e quer permanecer entre nós na
Palavra e sacramento até o fim — quando entramos, então, na dimensão de
um novo começo.
Tema
Neste tempo de Advento: Deus nos prepara para recebermos o Grande
Rei.
AcirRaymann
210
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
SEGUNDO DOMINGO NO ADVENTO
8 de dezembro de 1996
2 Pedro 3.8-14
Preliminares
O cap. 3 de 2 Pedro antecipa a destruição do universo. Mas é importante
que se diga que esta destruição do universo não afeta a sua substância, mas
a sua forma. Lutero, com base nas Escrituras, defendia a purificação e
glorificação do céu e da terra em vez de sua total aniquilação. A aniquilação
labora contra a doutrina da ressurreição visto que os mesmos corpos que
possuímos neste mundo voltarão à terra de onde vieram (Gn 3.19) e tornarão
a ser nossos novamente, então glorificados, no mundo que há de vir. A Escritura
afirma a permanência desta terra explícita (ex. SI 104.5) e implicitamente
quando promete sua posse futura aos bem-aventurados (ex. Mt 5.5).
A parusia trará uma profunda mudança no universo (SI 102.25-27), que
envolverá grande destruição mas não completa aniquilação (v. 13 fala de
kainós, não neos). Jesus, em Mateus 19.28 fala em regeneração (paliggenesia)
ao referir-se ao último dia. O próprio apóstolo Pedro relaciona a parusia à
"restauração (apokatastasis) de todas as coisas", profetizada "desde a
antigüidade" (ap' aionos), ou seja, uma restauração do universo à perfeição
ao tempo do jardim do Éden (At 3.21).
O texto
O apóstolo inicia com a referência às promessas de Deus: "Não retarda o
Senhor a sua promessa" (v.9). Como toda promessa na Escritura, seu
cumprimento está apenas em Deus. A referência à promessa é significativa.
A escala de tempo de Deus é diferente da dos homens, como se vê pela
citação do Salmo 90.4 (que não tem a nada a ver com posições quiliastas). As
promessas de Deus são o mais claro evangelho. Apenas os escamecedores
julgam (atribuem) a promessa de Deus como "demorada". A implicação é de
que a demora se dá - na visão dos escamecedores - por impotência ou por
falta de firmeza na execução. O apóstolo afirma que atrás da demora de
Deus, entretanto, está um atributo exclusivo de Deus, que é a sua
longanimidade (makrotymei).
A passagem dos céus (v. 10) refere-se claramente à forma, não à
substância, a saber, a presente configuração contaminada pelo pecado humano
dará lugar à perfeição original ou a uma forma ainda mais gloriosa (1 Co
7.31b). O advérbio onomatopaico roízedon, "ensurdecedor" é uma hapax
legomenon no Novo Testamento e está relacionado ao movimento do ar
deslocado, enfatizando a rapidez do evento. A cláusula seguinte, onde ocorre
de, (não kai), estabelece um contraste entre a glorificação dos céus e a perdição
dos anjos caídos. Almeida traz que os "elementos se desfarão abrasados".
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
211
Contudo, o uso bíblico de stoicheia refere-se não aos elementos no sentido
químico, mas aos espíritos a quem os pagãos identificavam com determinadas
entidades materiais, adorando-as sob tais formas (Gl 4.3, 9; Cl 2.8, 20) como
terra, água, ar, fogo e — na maioria das vezes — os corpos celestes (cf. Arndt
& Gingrich, A Greek-English Lexicon of the New Testament, p. 776.
O significado primeiro de lyo é "soltar" - aqui numa imagem de degeneração
gradual até à destruição. A destruição final de todos os espíritos desobedientes
se dará no Dia do Juízo quando o Senhor os condenará ao fogo do inferno (cf.
Mt 25.41; 2 Pe 2.2; Ap 20.10). o diabo sofre, não uma aniquilação, mas uma
dor e sofrimentos perpétuos.
O verbo lyo reaparece no v. 11: "todas as cousas hão de ser assim
desfeitas", como especificado nos vv. 7 e 10. A referênicia aos céus no v. 12
é equivalente à do v. 10 e diz respeito não à sua aniquilação, mas à sua
mudança formal. A perdição dos anjos maus é descrita numa linguagem mais
dramática, com o emprego do verbo téko: "e os demônios, sujeitos ao fogo,
derretem".
o contraste final se estabelece no v. 13 com de, "porém", quando o apóstolo
Pedro volta-se para a "palavra profética" (1.19) do Antigo Testamento como
único referencial seguro e controlador para as coisas referentes ao "Dia do
Senhor". Green, com propriedade afirma: "O pecado, que maculou o mundo
de Deus, não terá licença de ter a última palavra. Num mundo renovado as
devastações da queda serão consertadas pela glória da restauração. O Paraíso
Perdido se tornará o Paraíso Restaurado, e a vontade de Deus finalmente
será feita igualmente na terra como no céu", (p. 135).
Sugestão de Tema: Cristo vem para restaurar.
Adr Raymann
212
IGREJA LUTERANA-NÚMERO2-1996
TERCEIRO DOMINGO NO ADVENTO
15 de dezembro de 1996
1 Tessalonicenses 5.16-24
Contexto
Das cartas de Paulo que entraram no cânone, 1 Ts é, talvez, a mais antiga.
Escrita à jovem congregação de Tessalônica, é conhecida pelo seu cunho
escatologico. Não admira, portanto, que dela nos venha uma leitura de epístola
no Advento.
Paulo encerra a longa seção escatológica (4.13-5.11) com o estímulo a
que os cristãos se consolem mutuamente (5.11). A isto segue a parênese:
"pedimos" (v.12), "exortamos" (v.14). O texto é, portanto, parênese que segue
instrução escatológica.
Texto
A primeira parte do texto (vv.16-22) tem um tom semipoético. Os
imperativos de segunda pessoa aparecem ao final de cada frase, o que, no
original, chega a rimar: xocipexe, 7tpoo£"ux£o"Ge, tv^apiaxeize, etc. A segunda
metade (vv.23-24) é uma oração do apóstolo que se caracteriza pela presença
de dois verbos no modo optativo (raro no NT): ayiaaai.TnpriGeiv (v.23).
A perícope, embora parte de um documento ocasional (i.e., escrito para
uma circunstância específica), tem instruções que são aplicáveis a cristãos
em todos os tempos.
"Regozijai-vos sempre" soa estranho numa carta dirigida a cristãos que
passavam por dificuldades (1.6; 2.14-16). No entanto, isto é comum em Paulo
(Fp2.18; 3.1; 4.4).
Quanto a "orai sem cessar", cf. Rm 12.12; Cl 4.2; Ef 6.18; 1 Tm 2.1. Dar
graças em todas as circunstâncias é outra característica do cristão (Ef 5.20;
Cl 3.17).
Alegrar-se, orar, dar graças pode ser visto como um bloco, destacado do
restante pela afirmação: "porque esta é a vontade de Deus ..." Esta última
afirmação pode ser vista em referência ao dar graças, como é o caso na
Almeida, mas também pode ser aplicado a tudo que veio antes, como é
sugerido pelas edições do texto grego.
"Não apagueis o Espírito" significa "não bloqueiem a ação do Espírito
Santo". Não se pode ajudar o Espírito Santo, mas bloquear sua atividade é
possível. Em que consiste esta atividade do Espírito? Um exame de 1 Ts
como um todo poderia ajudar a responder.
"Não desprezeis as profecias" refere-se, não às profecias do AT, mas a
mensagens de profetas/pregadores cristãos. Para maiores detalhes, cf. 1 Co
12.10,29; 13.2; 14.1-5. Hoje podemos aplicar isto à pregação da palavra em
geral.
"Julgai/Provai todas as coisas, retende o que é bom" pode ser lido como
uma injunção de caráter genérico. No entanto, o texto grego, pela presença
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
213
da partícula ôe, sugere que este julgar e reter se refere antes de tudo à pregação
mencionada no v.20. Conferir 1 Co 14.29 e 1 Jo 4.1.
No v.23 o apóstolo ora para que o Deus da paz (para esta expressão, cf.
Rm 15.33; 2 Co 13.11; Fp 4.9) nos santifique "em tudo" ou "completamente".
Na segunda metade do v. 23 ocorre o termo oXoK?iepov, que em Almeida
aparece como "íntegros". Outra tradução possível é: "e todo o vosso ser,
espírito, alma e corpo sejam conservados irrepreensíveis ..." Espírito, alma e
corpo não são três partes do ser humano (tricotomia), mas, à luz da antropologia
veterotestamentária, três formas de descrever o mesmo ser humano.
Santificar totalmente e conservar todo o nosso ser irrepreensível não é
tarefa humana. Só Deus pode fazê-lo. E Ele, que nos chamou, o fará, pois é
fiel. Fará onde e quando lhe apraz.
Proposta homilética
No aguardo da vinda de nosso Senhor,
vivemos segundo a sua vontade
confiamos no que Ele promete fazer conosco.
Vilson Scholz
St. Louis, USA
QUARTO DOMINGO NO ADVENTO
22 de dezembro de 1996
Romanos 16.25-27
Contexto
Rm 16.25-27 é, a rigor, um texto em busca de um contexto. Nem todos os
manuscritos gregos de Romanos trazem esta doxologia aqui no final, razão
por que aparece entre colchetes em edições modernas do original. A maioria
dos manuscritos tem a doxologia no final do capítulo 14. O papiro 46, a mais
antiga cópia das cartas de Paulo, tem-na ao final do capítulo 15. No papiro 61
e nos códigos Sinaítico e Vaticano a doxologia aparece onde está em nossa
Bíblia. O que se depreende disso tudo é que nosso texto é uma unidade um
tanto quanto independente, embora profundamente ligada aos grandes temas
da carta aos Romanos.
Texto
Rm 16.25-27 tem um tom litúrgico. É uma doxologia. Um texto muito
adequado para a semana do Natal. E é bom notar que, na série trienal, no
advento, passa-se da prometida vinda do Senhor à sua primeira vinda. O
quarto domingo no Advento é sempre semana do Natal, e por isso o tema já
é natalino.
Em certo sentido a linguagem de Rm 16.25-27 é diferente do restante da
carta. Alguns termos vêm com certa surpresa, com é o caso de "pregação"
214
IGREJA LUTERANA -NÚMER02-1996
Knpi)Yu.a,
(κηρυμα v.25), "ministério" (v.25), "guardado em silêncio"(v.25), "Deus único e
sábio" (v.27). Por outro lado, a doxologia retoma o tema de Romanos e pode
ser lida em paralelismo com Rm 1.16-17. Os temas centrais da carta são
retomados aqui: "ao que é poderoso" (xcs ôt>voqj.evíB v.25), que lembra o
ÒUVOCUAÇ ©eot> de 1.16. "O meu evangelho" é expressão tipicamente paulina
(Rm 2.6; 2 Tm 2.8). "Revelação" (aTtoraÀtKpiv, v.25) ecoa o aTtoKo&ujrceToa
("se revela") de Rm 1.17. "Por meio das escrituras proféticas" se liga a Rm
1.2,17. "Para a obediência por fé, entre todas as nações" repete o "para a
obediência por fé, entre todos os gentios" de Rm 1.15. E o "por meio de Jesus
Cristo" ecoa o "mediante Jesus Cristo" de Rm 1.8.
Um texto tão rico poderia ser abordado de diferentes ângulos. No entanto,
na semana do Natal, sugerimos aprofundar a conexão entre o evangelho
apostólico (ou, se preferir, a pregação de Jesus Cristo) e "a revelação do
mistério guardado em silêncio nos tempos eternos". Um trecho do comentário
de Leon Morris sobre Romanos nos ajuda a refletir sobre este paradoxo do
"guardado em silêncio" (Deus absconditus) e "revelado agora" (Deus revelatus):
"o evangelho não é sabedoria humana; é verdade revelada. Paulo passa a
falar do mistério, o que significa que o evangelho não é algo que as pessoas
poderiam ter elaborado por si mesmas. O fato de o Filho de Deus ter vindo do
céu para viver e morrer por nós e o fato de recebermos salvação unicamente
pela fé nele não é coisa óbvia. Somente ficamos sabendo disso quando e na
medida que Deus o revelou ... O silêncio de Deus significa o ocultamento de
Deus, o fato de que o cerne de seu ser não está à disposição da investigação
de seres mortais. Deus tem a liberdade de se revelar, mas isto não significa
que tudo a seu respeito foi revelado. Sempre ainda existe, em Deus, algo que
fica além de nossa percepção e compreensão", (p.546)
Proposta homilética
Natal é evangelho.
Natal é pregação.
Natal é mistério guardado em silêncio, o silêncio de Deus, nos tempos
eternos.
Natal é mistério que se tornou manifesto segundo a ordem (o mandamento)
do Deus eterno (imutável).
Natal é mensagem para a obediência por fé.
Natal é para todas as nações.
Natal é para dar glória ao Deus único e sábio.
Natal é doxologia pelos séculos dos séculos.
Natal é tempo de pronunciar um vigoroso "amém".
Vilson Scholz St.
Louis, USA
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2-1996
215
O NASCIMENTO DE NOSSO SENHOR - NATAL
25 de dezembro de 1996
Tito 3.4-7
Contexto
Tito estava na ilha de Creta para organizar a igreja naquele local (1.5), a
começar pela constituição de presbiteros (pastores). Estes teriam, como uma
de suas atividades, convencer os que contradizem (1.9). Isto introduz o
problema que havia em Creta, de falsos mestres, de origem judaica (1.10 J4).
Na carta Paulo se dedica a mostrar a Tito como este deve exortar os cristãos
à nova vida em Cristo. Por duas vezes Paulo enfatiza de onde vem esta nova
vida: em 2.11-14 e em 3.4-7 (o texto do sermão). É na manifestação da graça
de Deus, em Cristo e na obra do Espírito Santo, que a nova vida tem sua
origem e fundamento.
Texto
Epefanee - (v. 4) - O verbo (epifainoó) significa "aparecer", "mostrar-se",
"manifestar". É o mesmo verbo de Tt 2.11 e de Lc 1.79 (no cântico de Zacarias,
numa referência à vinda do Salvador - o "sol nascente das alturas", que irá
"alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte"). Este é um dos
pontos onde o vínculo do texto com o Natal fica evidente. O manifestar-se da
graça e bondade de Deus acontece da forma mais concreta na vinda de Jesus
ao mundo. É significativo que o substantivo correspondente - epifaneia
(aparecimento) - era usado nos escritos gregos como "uma manifestação visível
de uma divindade oculta, seja na forma de uma aparição pessoal, seja por
alguma manifestação de poder pela qual sua presença se faria conhecida"
(Bauer, Arndt, Gingrich, Danker, A Greek-English Lexicon of lhe New Testamentand Other Early Christian üterature, p. 304). Na literatura cristã, epifaneia
é usado para o aparecimento de Cristo no mundo. Refere-se à sua vinda em
julgamento (1 Tm 6.14; 2Tm 4.1,8; Tt2.13; 2Ts 2.8) e àsua primeira vinda (2
Tm 1.10), situação esta vinculada ao texto em estudo. Do substantivo vem o
termo "epifania" - a manifestação de Jesus (e da salvação) ao mundo.
Xrestotes - (v.4) - bondade, generosidade, benignidade - é um atributo de
Deus, acentuando o aspecto dinâmico da relação de Deus conosco - a
benignidade de Deus se manifesta em ação concreta a nosso favor - SI 31.19;
■ Rm 2.4; 11.22.
Filantropia - (v. 4) - "amor para com os homens" (Almeida R.A); "amor
para com todos" (Almeida R.A., 2a edição); ou, simplesmente: "bondade,
amabilidade". A palavra é usada em referência a uma ação humanitária de
alguém pelo seu próximo (At 27.3; 28.2). É assim usada (filantropia) em nossa
língua. No entanto, Deus é o filantropo (Aquele que tem amor pela humanidade)
por excelência. Demonstrou-o na obra da salvação.
"Não por (e/cs) obras de justiça"- (v. 5) - a preposição é usada para apontar
216
IGREJA LUTERANA - NUMERO2 -1996
ii fonte de determinada ação. Não sáo nossas atitudes, por melhores que
sejam, que geram a ação bondosa de Deus. A expressão toda não está falando
contra as obras em si - são obras "de justiça" (o termo dikaiousine é usado por
Paulo para a justiça divina, recebida por nós pela fé - Rm 3.22, cf. 28). Isso
quer dizer que nem mesmo no caso dos cristãos ("praticadas por nós"), suas
boas obras são o motivo de Deus manifestar bondade e amor. A bem da
verdade, as obras que fazemos na justiça de Cristo são fruto, conseqüência
do amor de Deus por nós.
V. 5 - "nos salvou mediante (por meio / através de) o lavar...". O termo
loutron é usado somente aqui e em Ef 5.26: Cristo purificou a Igreja "por meio
da lavagem de água pela palavra". A referência ao Batismo é evidente. O
importante a ressaltar é que a salvação não é simplesmente simbolizada no
Batismo, mas acontece através dele - o Batismo é meio (preposição dia, com
genitivo) pelo qual Deus dá a salvação.
Palinggenesia (v. 5) - renascimento, regeneração. O termo é usado no NT
só aqui e em Mt 19.28. Refere-se a um "nascer de novo" (esta expressão
parece mais apropriada do que "regeneração", que parece implicar - pelo seu
uso moderno - numa atitude da pessoa). A ligação com Jo 3.3-8 é muito clara.
Anakainoosis- (v. 5) - renovação. A nova vida recebida no Batismo não é
simplesmente coisa futura, mas é vida presente, vida abundante, produzida
por Deus em nós e manifesta diariamente (Rm 12.2; 2 Co 4.16; Cl 3.10 nestes dois últimos textos é usado o verbo cognato, anakainoo).
"do Espírito Santo ... por meio de Jesus Cristo" - (vv. 5,6) - a ação do Deus
Triúno se faz notar na obra da salvação. É obra divina. Somos aqueles que
recebem, sem nada merecer, sem nada contribuir. Esta verdade encontra no
Natal um ponto de referência importante, no nascimento do Salvador. Fica
bem marcado, pela mensagem deste dia, que o amor de Deus é realmente
operante e independe de nosso mérito.
Justiça e herança para a vida eterna (v. 8) andam lado a lado. A justiça é
divina, é dádiva para nós (dikaiothentes está na voz passiva). Natal é festa de
alegria, pois marca de forma muito evidente a ação graciosa de Deus em
justificar o pecador e lhe dar uma esperança que vai muito além do aqui e
agora. O vínculo com o Batismo acentua a verdade de que a salvação é
usufruída já agora, pelo perdão dos pecados diário.
Disposição
Tema: Deus vem manifestar seu amor entre nós:
I. No Natal (Ele vem realizar a nossa salvação, pelo seu Filho)
II. No nosso Batismo (Ele aplica seu amor a nós, pelo poder do Espírito
Santo).
Gerson Luis Linden
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
217
PRIMEIRO DOMINGO APÓS O NATAL
29 de dezembro de 1996
Colossenses 3.12-17
Contexto
Colossos ficava na Ásia Menor, a oeste de Laodicéia. O evangelho chegou
lá, ao que parece, por meio de Epafras, colaborador de Paulo. Paulo não
havia visitado a cidade ainda (1.4; 2.1), mas queria fazê-lo (Fm 22). Filemon
e Onésimo eram membros da igreja em Colossos (Fm 1,10; Cl 4.9). A carta
foi escrita estando Paulo aprisionado em Roma, por volta do ano 61 A.D. A
igreja em Colossos era basicamente composta de pessoas de origem gentílica.
Havia problemas bem específicos ameaçando a congregação em Colossos
- a "heresia colossense": (1) importância exagerada aos poderes do mundo
espiritual (inclusive adoração a anjos), em detrimento de Cristo - 1.16-20;
2.15,18. (2) a influência da filosofia humana - 2.4,8,18. (3) elementos
judaizantes - observâncias exteriores, quanto a alimentos, observância do
sábado, etc. - 2.8,11,16ss,20ss; 3.11. Alguns têm chamado isto de
"gnosticismo". Sabe-se, no entanto, que o gnosticismo como tal apareceu no
século II, muito após Paulo ter escrito aos colossenses. No entanto, as
características da heresia colossense se assemelham, em grande parte, às
idéias gnósticas.
O grande tema da Epístola é a pessoa divina e obra criadora e redentora
de Cristo, cabeça da igreja. É sobre a base cristológica, especialmente colocada
nos dois primeiros capítulos, que o apóstolo faz exortações práticas para a
vida, nos capítulos 3 e 4, onde se encontra o texto em estudo. Pela sua ênfase
cristológica, a carta aos Colossenses é muito apropriada para o período litúrgico
- tempo do Natal, quando meditamos na encarnação do Senhor. O texto da
perícope enfoca exortações referentes ao convívio na congregação.
Texto
Neste estudo, fixaremos nossa atenção na primeira parte do v. 16: "Habite
ricamente em vós a palavra de Cristo".
Enoikeitoo - imperativo presente de enoikeoo = fixar residência, habitar
com alguém (e influenciá-lo). O fato de ser imp. presente salienta que a ação
há de ser contínua. Poder-se-ia traduzir: "A palavra de Cristo continue
habitando ricamente em vós." O verbo é utilizado em Rm 8.11b ("o Espírito
que em vós habita"); 2 Tm 1.14 ("o Espírito Santo que habita em vós"); 2 Tm
1.5 ("fé sem fingimento ... habitou ... também em ti"); 2 Co 6.16b (Habitarei e
andarei entre eles; serei o seu Deus e eles serão o meu povo.").
Ho logos tou Xrístou - pode ser tanto "a Palavra que vem de Cristo"
(genitivo subjetivo), sendo Cristo a origem da Palavra; ou "a palavra a respeito
de Cristo" (genitivo objetivo), sendo Cristo o assunto da Palavra. Ainda que
218
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
não se precise optar de forma absoluta por um, ignorando o outro significado,
o segundo parece mais apropriado no contexto. No ambiente paganizado de
nossa sociedade, em que a própria Palavra de Deus é usada em cultos pagãos
(ex.: Espiritismo), é importante lembrar que a Palavra, que é de Cristo, fala de
Cristo e nos traz Cristo, com Seus benefícios (perdão, vida e salvação). A
pregação na igreja, portanto, precisa sempre centralizar-se na obra de Cristo.
Vale aqui lembrar que a Palavra de Cristo tem, pelo menos, três grandes
propósitos: (1) É a revelação do conselho de Deus quanto à nossa eterna
salvação - Lc 16.27-29,31; 2 Tm 3.15; (2) É o meio pelo qual Deus cria e
preserva em nós a fé salvadora - Lc 16.31; (3) É o meio pelo qual Deus nos
instrui para vivermos conforme a sua vontade - SI 119.105; 2 Tm 3.16. (H.
Roepe, Abiding Word, vol. I, p. 73)
No texto, há pelo menos duas possibilidades de entendimento da expressão
en u'min - (1) entre vós - na vossa assembléia (igreja); (2) em vós - em vossos
corações. Evidentemente uma alternativa não elimina a outra, podendo inclusive as duas estarem na mente de Paulo. O contexto, no entanto, parece
favorecer a primeira. Na aplicação do sermão, as duas possibilidades poderão
ser abordadas. É, por certo, uma importante exortação para cada congregação,
que vive pela Palavra de Cristo e precisa continuamente dela. Daí a importância
da educação cristã continuada. Por outro lado, a exortação é fundamental na
vida de cada cristão. Fraqueza de fé, desânimo para a vida cristã, fragilidade
diante das tentações e dos falsos ensinos, tudo isto é, em boa parte,
conseqüência do pouco habitar da Palavra de Cristo nos corações.
Plousioos - o mesmo advérbio é empregado em 1 Tm 6.17 ("Deus ... tudo
nos proporciona ricamente para nosso aprazimento."); Tt 3.6 ("[Espírito Santo],
que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador."); 2 Pe 1.11 ("vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno
de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo."). O advérbio é empregado no NT
ressaltando a abundância da graça e bênçãos de Deus aos seus. Assim a
Palavra há de estar entre nós, abundantemente, sendo uma fonte inesgotável
de vigor, confiança em Cristo e alegria cristã. A congregação há de ser sempre
desafiada a rever seus planos, projetos e programações, se estes levam em
conta a necessidade de a Palavra de Deus estar habitando ricamente em seu
meio.
Sendo esta carta escrita para uma congregação atacada por idéias pagas
(ver acima - contexto), este texto vem mostrar a posição cristã. Diferente
daqueles que queriam, pelo culto aos anjos, conhecer os mistérios maiores
do universo, num culto misterioso, os cristãos, humildemente, fazem habitar
entre eles a Palavra de Cristo. Esta Palavra traz o grande mistério de Deus:
Cristo e sua obra redentora, que mente humana alguma jamais poderá alcançar
(1.26,27). O texto, visto em seu contexto é, pois, muito atual. Vivemos um
tempo onde há um culto pelo mistério, pelas forças da natureza. Daí a
multiplicação de publicações sobre: anjos, cristais, pirâmides, gnomos, etc.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
219
Nesta contexto pagão, de adoração à natureza, ao invés de ao Criador, o filho
de Deus é chamado a apegar-se na Palavra de Cristo, que traz conhecimento
da salvação e nova vida, pelo perdão dos pecados.
Disposição
Tema: Que a Palavra de Cristo habite ricamente em nós!
I. Precisamos dela para nossa salvação ("em vós")
a) o contexto paganizado em que vivemos
b) pela Palavra nos é dado conhecer e usufruir do "mistério", a salvação
em Cristo
c) que ela habite em nós, na nossa vida diária
II. Ela é preciosa para nossa vida congregacional ("entre vós")
a) a igreja vive em constante perigo de afastar-se de sua razão de ser e
de sua missão
b) o vínculo deste fato com o pobre habitar da Palavra entre nós
c) a Palavra de Cristo é fonte de vida para a igreja
d) que ela habite entre nós, como igreja de Cristo
Gerson Luís Linden
SEGUNDO DOMINGO APÓS O NATAL 5
de janeiro de 1997 Efésios 1.3-6;
15-18
Contexto
Três epístolas começam com uma doxologia: aos Efésios, a Segunda aos
Coríntios e a Primeira de Pedro. O texto, portanto, encontra-se dentro de um
contexto doxológico muito bem evidenciado pela maneira como Paulo escreve.
O Apóstolo contempla profundamente a obra de Deus para a salvação dos
homens e fica maravilhado com aquilo que percebe. Irrompe, então, num
magnífico cântico de louvor à glória do Senhor, onde aparecem com destaque
as ações salvíficas de Deus para com sua igreja.
Texto
V.3 - "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo". A doxologia
inicia com uma constatação e também, por que não, um convite. Constatação:
Deus é bendito. Após contemplar seus atributos e obras, só nos resta falar
bem dele. A razão para bendizê-lo aparece no desenvolvimento do próprio
versículo 3 e dos seguintes. Interessante: o Apóstolo principia com aquilo que
nós seguidamente olvidamos. Não consta da nossa rotina o falar bem de
220
IGREJA LUTERANA -NÚMERO 2-1996
Deus e a exaltação de sua grandeza, de sua graça e dos seus feitos. Ou por
nsquecimento, ou por falta de contemplação, somos "econômicos" demais
nas bendições ao Senhor. Convite: não as poupemos.
É o "Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo". É o Deus anunciado por
Cristo, confessado por ele como seu Deus e Senhor. Sendo Jesus também
verdadeiro homem, confessar a Deus como seu Deus e Pai não é um absurdo.
As palavras de Paulo ressaltam a sua confiança na obra e pregação de Jesus
Cristo. O Deus para o qual Cristo nos conduz é o verdadeiro. Para ele devem
ser dirigidas e dedicadas todas as bendições.
Segue agora a exposição da razão para bendizer o Senhor: "nos tem
abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em
Cristo". Não entendemos bênção espiritual por benefício dirigido apenas ao
nosso espírito. As bênçãos aqui mencionadas referem ao homem todo
regenerado, corpo e alma. São espirituais porque provêm do Espírito de Deus.
São bênçãos nascidas de Deus, aquele que habita nas regiões celestiais.
Embora habitando num plano imensamente mais elevado do que nós, assim
mesmo nos contempla com dádivas infinitamente superiores a qualquer riqueza
terrena.
Como acontece o recebimento de "toda a sorte de bênção"? Em Cristo!
Em união com Cristo. Por isso que dizemos ser dádiva ao homem regenerado,
pois separado de Cristo não há regeneração. É Cristo o fator decisivo para
sermos contemplados com bênçãos espirituais. Nada provém do Espírito de
Deus fora da união com Cristo. Tornar-se-á evidente esta verdade na descrição
das outras bênçãos. Sempre estarão atreladas a Cristo.
V.4 - A relação de bênçãos espirituais tem início. Paulo lembra aos efésios
aquele fato que traz um consolo extraordinário a todos os cristãos: a eleição
eterna antes da fundação do mundo. A Fórmula de Concórdia, no Artigo XII,
afirma que esta é uma doutrina para consolo dos cristãos, embora às vezes
ele nos deixe inquietos. Também nesta questão precisamos confiar no que
Deus nos revela e não nos deixar levar por tentativas de nossa razão buscando
penetrar nos mistérios divinos. Sempre que a Bíblia fala na eleição eterna,
apresenta-nos esta doutrina como resultado da graça de Deus, que chega a
nós como uma bênção e não como uma ameaça. Deus escolheu-nos antes
da fundação do mundo. Não foi uma escolha antevendo méritos em nós que
provocassem nossa eleição. Somos por natureza tão perdidos como a
totalidade do gênero humano. Por que, então, Deus nos escolheu? Por graça
unicamente! A escolha acontece em Cristo. Tal revelação reforça o consolo
desta doutrina. A certeza de nossa eleição não a buscamos em nós, olhando,
por exemplo, para a nossa vida santificada, à procura de indícios que nos
dêem esperanças de estarmos entre os eleitos. Pelo contrário, em Cristo fomos
escolhidos. Nele encontramos a certeza da eleição. Pela fé nele e graças à
obra redentora dele chegamos ao consolo e esperança de nossa escolha por
Deus antes da fundação do mundo.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
221
A nossa eleição tem um propósito: para sermos "santos e irrepreensíveis
perante ele (Deus)". Santos e inculpáveis ... é o resultado da nossa eleição
em Cristo. Por isto não podemos buscar a certeza da escolha em nós mesmos.
Jamais conseguiríamos a santidade e inculpabilidade para estarmos na
presença do Deus Santo. Em Cristo, em comunhão vital com ele, tais atributos
nos são alcançados, pois "tendo sido batizados em Cristo, de Cristo vos
revestistes" (Gl 3.27). Assim, no versículo 1 desta epístola, Paulo pôde saudar
os efésios como "santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus".
V.5 - Complementa a exposição do anterior. Deus predestinou-nos
(escolheu-nos) para ele, para a adoção de filhos. Notemos que o sujeito é
sempre Deus. Não nos cabe fazer nada para alcançar tamanha bênção. Somos
apenas os agraciados por este Deus maravilhoso que nos predestinou em
amor (v.4). No amor divino (que não depende de um ato recíproco para se
manifestar) está a fonte de nossa predestinação. Deus adota-nos como filhos,
embora fôssemos rebeldes e inimigos dele. Não somente retira de sobre nós
a sentença condenatória, mas ainda nos dá acesso à filiação junto dele. Para
que isto chegasse a ser uma feliz realidade para nós, novamente Paulo ressalta
o monergismo divino, excluindo qualquer hipótese de sinergismo de nossa
parte. É ato unicamente de Deus "por meio de Jesus Cristo, segundo o
beneplácito (a decisão) de sua vontade".
V.6 - Encontramos aqui, por assim dizer, a justificativa para a doxologia
formulada pelo Apóstolo. As bênçãos espirituais concedidas a ele e aos crentes
de Éfeso provocaram um resultado: o louvor da glória da graça divina. Esta
graça é estendida gratuitamente no Amado (Cristo). A doxologia, então,
concretiza o desejo de louvar aquele que se revela tão gracioso para com os
pecadores. A graça é alcançada gratuitamente. Parece redundância, contudo,
se justifica: o favor salvífico de Deus para conosco não é alcançado com
participação nossa. Por isto, a graça é também gloriosa. Pertence
completamente ao Senhor da glória. Caso algo em nós provocasse
merecimento da graça, também teríamos participação na glória. Ela, todavia,
chega gratuitamente a nós, não obstante tenha custado caríssimo para Deus.
No Amado (Cristo), o Senhor pagou o preço daquilo que hoje recebemos de
graça.
Vv.15,16 - Cinco anos já haviam passado desde que Paulo tinha saído de
Éfeso. Seu afastamento do lugar onde havia lançado a semente do evangelho
não impediu que esta germinasse. Por meio dela, o Espírito de Deus gerou
nos efésios a fé no Senhor Jesus, uma fé que se tornou notória perante outras
pessoas, o que se conclui da manifestação do próprio Apóstolo, ao dizer que
tinha ouvido da fé que havia entre os cristãos de Éfeso. A evidência da fé,
além disso, revelou-se também no "amor para com todos os santos". Pela
prática do amor também se confessa que somos de Cristo.
O que o Apóstolo ouviu provocou ações de graça de sua parte. Suas
orações incessantes foram igualmente uma confissão não de algum mérito
222
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
sou na pregação do evangelho, nem tampouco de alguma qualidade
preexistente nos efésios capaz de influenciar para o surgimento da fé e dos
Irutos desta, porém do reconhecimento da total suficiência da graça divina
liinto daquelas pessoas regeneradas.
Vv.17,18 - Paulo via os efésios como pessoas agraciadas com "toda sorte
de bênçãos espirituais" (v.3). Vinha agradecendo permanentemente por
tamanhas dádivas. Lembrava-se, todavia, também de interceder pelos efésios.
Para eles o Apóstolo rogava, da parte de Deus, "espírito de sabedoria e de
revelação no pleno conhecimento dele". A tolice ameaça sempre a qualquer
pessoa. No caso do cristão, ela surge com o esquecimento das virtudes das
grandes e maravilhosas bênçãos provenientes do Altíssimo. A tolice não se
instaura onde está presente um "espírito de sabedoria e de revelação no pleno
conhecimento de Deus". O segredo para que tal situação perdure encontra-se
no pleno conhecimento de Deus. Não há sabedoria, não existe revelação à
parte do conhecimento de Deus. Conhecer a Deus onde ele se revela (palavra),
garante o "espírito de sabedoria e de revelação". Apenas pelo conhecimento
de Deus na sua revelação pela palavra é que os olhos do coração serão
iluminados. As coisas espirituais são vistas por olhos iluminados pelo
conhecimento que Deus nos oferece na sua revelação. Sem essa iluminação
há o domínio das trevas. É um senhor tirano. Concretiza sua tirania sobre as
pessoas entronizando a tolice.
No pleno conhecimento de Deus estarão iluminados os olhos do nosso
coração. Nosso espírito guiar-se-á pela sabedoria do alto e pela revelação
que brota daquilo que o Senhor nos expõe. O que conheciam os efésios em
tal situação? O que conhecemos nós? A "esperança do seu chamamento", ou
seja, a esperança para a qual Deus os havia chamado e nos tem chamado,
bem como a "riqueza da glória da sua herança nos santos", da herança da
qual ele fez os efésios participar com os santos e a nós dá o privilégio de
também a possuir.
Vale a pena reforçar: Paulo ora incessantemente para que os efésios
recebam de Deus a capacidade para não perderem de vista as grandiosas
bênçãos. Pede, portanto, a ação contínua do Senhor sobre aqueles cristãos.
Creio que esta ação do Apóstolo transmite importante mensagem para os
pastores e congregados de todas as épocas.
Proposta homilética
Tema: Das muitas bênçãos para a ação.
Introdução
Texto provoca alegria em nós, muita alegria. Mostra-nos presentes
extraordinários e magníficos que recebemos de Deus. Convida-nos para uma
ação em alegria.
I - A descrição dos presentes
II - A tolice de não reconhecê-los ou esquecê-los e suas conseqüências.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
223
III - A solução divina para combater nossa tolice: Deus revela-se a nós.
Sua revelação: ilumina os olhos do nosso coração; dá-nos sabedoria para
sabermos a esperança para a qual Deus nos chamou e a riqueza da glória da
herança que nos é confiada com todos os santos.
IV - Por isto, com alegria:
somos consolados, pois há consolo no texto; somos estimulados, pois há
estímulo à perseverança na fé; louvamos a Deus, pois há motivação para
louvar ao Senhor com o que somos e temos.
Paulo Moisés Nerbas
PRIMEIRO DOMINGO APÓS EPIFANIA
12 de janeiro de 1997
Atos dos Apóstolos 10.34-38
Contexto
Os relatos de Atos dos Apóstolos são fascinantes sob vários aspectos.
Através deles conhecemos a maneira como Deus agiu para estabelecer a sua
igreja no mundo antigo, a fim de que ela fosse portadora e divulgadora da boa
nova da salvação pela fé em Jesus Cristo. O capítulo 10 é revelador de uma
verdade que, além de ser completa novidade na época, serviu também para
a igreja de Deus se expandir e se estabelecer entre os gentios. Lendo a história
de Cornélio, seu encontro com Pedro e todos os fatos relatados no capítulo
10, fica claro que, nos planos divinos, o tornar-se membro da igreja de Cristo
seguia uma ordem diferente da imaginada pelos cristãos de origem judaica.
Não era necessário primeiro o ingresso no judaísmo e a submissão às leis
deste para depois ser considerado um "irmão". Bastava a fé em Jesus Cristo
e o batismo para tornar alguém um fiel. Não era a raça nem as suas leis e
cerimônias religiosas que privilegiavam diante de Deus alguns e não outros,
ou, pelo menos, alguns mais do que outros. O Senhor da igreja não faz acepção
de pessoas," sua graça é universal; seu amorsalvífico não apresenta diferenças
na intensidade à vista de ninguém. O próprio Pedro teve de aprender isto,
conforme nos conta Lucas neste capítulo 10 de Atos.
Da leitura do capítulo concluímos que o Senhor é Deus para todos. A
maneira pela qual se ganha comunhão com ele é aquela por ele estabelecida
e não a imaginada por nós ou por quem quer que seja. A respeito dela Pedro
pregou a Cornélio e aos que o acompanhavam. Parte da pregação aparece
no texto desta perícope (vv.34-38).
A graça para todos tornou-se possível por meio de Jesus Cristo. A
possibilidade de salvação existe em Cristo e só por meio dele. Para a realização
224
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
de sua obra, também o seu batismo foi importante. Há no texto menção a um
acontecimento no batismo de Cristo que possui fundamental valor para o seu
ofício, o que justifica a inclusão do texto nas perícopes do dia em que a Igreja
relembra o batismo do seu Senhor e Salvador.
Texto
V.34 - Pedro reconhece aquela verdade que se constitui num dos pilares
da fé cristã: "Deus não faz acepção de pessoas". Por isso, cremos e
confessamos sua graça universal. Para Cornelio e seus acompanhantes, o
início da pregação do apóstolo foi alentador. Falar-lhes-ia sobre o Deus que
não exclui ninguém de sua misericórdia, até mesmo aqueles que sofriam
discriminações por não serem do "povo de Deus" em razão da raça diferente.
V.35 - "em qualquer nação" mostrou para Cornelio e os demais que não há
uma nação com privilégios especiais aos olhos de Deus, digna de maiores
favores na relação com as outras. Foi derrubada, portanto, qualquer barreira
que, porventura, pudesse estar erguida diante de Cornelio por causa da
diferença racial. A aceitação diante de Deus não aparece no favorecimento
diferenciado a uma raça. Ser judeu, por exemplo, não era prova de aceitação
por Deus. Quem é aceitável ao Senhor? Não é o judeu, o italiano, o alemão,
o brasileiro. A pregação de Pedro revela que "aquele que teme e faz o que é
justo lhe é aceitável'.
Precisamos tomar cuidado para não concluir das palavras do apóstolo
uma apologia do sinergismo. A aceitação diante de Deus não tem como causa
o temor e a prática do que é justo. Pelo contrário, são sinais, são testemunhas
na vida de quem já foi aceito por Deus. São frutos da confiança salvadora em
Cristo, a respeito de quem Pedro viria e falar logo a seguir. A graça divina
estendida sobre todos motiva ao temor filial (fé, reverência, obediência) e à
prática do que o Senhor considera justo.
V.36 - Pedro menciona "a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel". A
palavra veio de Deus. Isto, conseqüentemente, apresenta dois resultados:
1o.) ninguém tem o direito de modificá-la; 2o.) é digna de inteira confiança.
Aos filhos de Israel Deus se manifestou. O conteúdo de sua mensagem não
os colocava mais próximos da graça divina por algum mérito qualquer, nem
mesmo por constituírem o povo escolhido. A boa nova que levava paz para
os filhos de Israel era possível "por meio de Jesus Cristo". O evangelho da
paz dava-lhes a paz com Deus, a paz ganha por Cristo, a paz com fruto da
salvação.
V.37 - A boa nova que levava paz por meio de Jesus Cristo transpôs os
limites fronteiriços dos filhos de Israel. Cristo, o Senhor de todos, deveria ser
anunciado para todos. Por isto, Pedro inicia este versículo com um enfático:
"vós conheceis". A pregação da palavra, que havia começado desde a Galiléia,
depois do batismo pregado por João, e se divulgado por toda a Judéia, era
também conhecida por Cornelio e companheiros. Eles conheciam a pregação;
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
225
ela se espalhara pela boca de testemunhas. O que, porém, importava para
aquelas pessoas era crer no conteúdo daquela pregação. Toda a sua mensagem
concentrava-se na pessoa de Jesus de Nazaré. Com ele a salvação se
consumou. Todos falavam de Jesus de Nazaré. Quem foi ele?
V.38 - Foi o homem ungido por Deus "com o Espírito Santo e com poder".
Existe, portanto, a menção daquilo que aconteceu logo após o batismo de
Jesus. Foi ungido com o Espírito Santo e poder e manifestou os resultados da
unção pela prática do bem e cura dos oprimidos do diabo. Tudo aconteceu
"porque Deus era com ele".
Pedro apontou para Jesus de Nazaré, o homem. Creio que tal fato nos
recomenda destacar com mais ênfase aquela verdade que nem sempre é
evidenciada suficientemente, ou seja, a humanidade de Jesus Cristo. Não foi
apenas um pouco homem ou metade homem metade Deus. É totalmente
homem e totalmente Deus. Como homem necessitou da unção do Espírito
Santo e do poder de Deus para sua obra. Em lugar de nos trazer desconforto
a verdade da humanidade de Cristo, traz-nos um extraordinário conforto, porque
nos mostra quão maravilhoso é nosso Deus no seu amor para consoco. Chegou
ao máximo para nos beneficiar: tornou-se um de nós em Jesus,
Proposta homilética
A grande verdade do texto aponta para a universalidade da graça de Deus.
No entanto, o propósito gracioso de Deus se tornou eficaz por meio de Jesus
Cristo, o verdadeiro Deus e homem. Para concretizá-lo, Deus precisou se
tornar homem, sem dúvida uma prova extraordinária do amor do Senhor pelas
suas criaturas.
A mensagem para o Domingo do Batismo do Nosso Senhor pode destacar
os fatos em evidência no texto, fazendo menção do batismo como
acontecimento importante na vida e obra de Cristo, pois ressalta sua
humanidade, bem como da universalidade da graça divina como consolo aos
pecadores de todos os tempos.
Tema: Salvação para todos no homem-Deus Jesus Cristo
Introdução - O que aprendemos do batismo de Jesus?
I - Prova de sua verdadeira humanidade
1) Ungido com "o Espírito Santo e poder"
II - Sua humanação revela o grande amor de Deus. O Criador assumiu ser
criatura para que a nossa salvação fosse possível.
III - Um homem que trouxe benefício a todos. Embora judeu por raça, é o
Salvador de todos.
1) Nele podiam crer Cornélio e os que o acompanhavam. Nele cremos
nós.
226
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
IV - Nossa ação como agraciados: temer a Deus e fazer o que é justo aos
seus olhos. A suficiência para tanto encontra-se junto de sua graça.
Paulo Moisés Nerbas
SEGUNDO DOMINGO APÓS EPIFANIA
19 de janeiro de 1997
lCoríntios6.12-20
Contexto
"Viver à moda dos coríntios", nos dias do apóstolo Paulo, era uma expressão
proverbial. A cidade de Corinto era um centro de vícios sexuais de vários
tipos, talvez sem igual em qualquer outro lugar do mundo de então. Era difícil
para a igreja cristã ali existente não ser contaminada de alguma forma. Calculase que em Corinto havia nada menos de mil prostitutas religiosas profissionais,
que faziam parte ativa da suposta adoração aos deuses. O termo "corintinizar"
veio a ser usado para expressar os abusos sexuais de qualquer sorte.
Foi para uma gente assim mal acostumada que o apóstolo escreveu essa
epístola. Para muitos, o evangelho, embora tivesse sido bem recebido, na
realidade, não modificara seus hábitos. O apóstolo, por isso, aborda diversos
aspectos éticos da vida dos cristãos.
Muito provavelmente, os fiéis de Corinto tinham situado os vícios e desvios
sexuais na categoria das coisas indiferentes. Talvez pensassem: "É questão
indiferente o que alguém faz com seu próprio corpo. O que importa é somente
o espírito". Eles tinham distorcido o ensino de Paulo sobre a liberdade cristã.
Por isso, o apóstolo inicia o texto em foco, tratando e discutindo várias questões
"indiferentes", como a dos alimentos proibidos, etc.
Texto
V.12 - Nas religiões pagas, a abstinência de várias coisas era parte
necessária para a salvação. Para o cristianismo era diferente. A salvação é
oferecida pela "graça de Deus, revelada em Cristo" e é obtida pela fé. "Pela
graça sois salvos, mediante a fé" (Efésios 2.8). Neste sentido tudo é lícito.
Porém, "nem tudo, nem todas as coisas convém" (são úteis, aconselháveis,
acrescentam, fazem crescer e fortalecer-se na fé). Alguns exegetas traduzem
da seguinte forma: "Todas as coisas estão em meu poder, mas não serei
apoderado por coisa nenhuma".
Vv.13-18: Os alimentos foram criados para serem comidos e a ingestão
de alimentos serve para sustento do corpo biológico. Não há qualquer
moralidade envolvida no ato de comer, nos alimentos, no estômago e nos
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
227
processos digestivos. Nessa área, cada um pode fazer o que lhe parece melhor
(Rm 14.2,3,14,15).
0 corpo, porém, como tal, não é uma questão indiferente. A imoralidade
não pode ser situada dentro da mesma categoria dos alimentos para sustento
do corpo. Visto que o corpo é "para o Senhor" em sentido final, isto é, pertence
a ele por toda eternidade, tendo sido redimido por ele, é lógico que agora
mesmo os crentes usem os seus respectivos corpos para serem suados no
serviço de Cristo e para sua glória. Cristo comprou nosso corpo e é a ele que
o corpo pertence, tal como o escravo pertence ao seu senhor. Corpo aqui
entendido, provavelmente, como a "pessoa inteira", mesmo que o corpo
biológico também esteja em foco em nosso texto.
"Nos ressuscitará" (v.14), o corpo, mas também nossa personalidade inteira
será restaurada em Cristo e glorificada nele. Por tudo isso, o pecado da
imoralidade é um pecado grave, pois nosso corpo: a) será ressuscitado, b)
redimido, pertence ao Senhor e c) é templo do Espírito Santo, lugar da
habitação de Deus. Como derrotar os pecados da sexualidade distorcida, da
imoralidade?
"Fugindo" (v.18, assim como da idolatria 1 Co 10.44). Evitar sempre e a
todo custo as tentações.
Vv. 19,20 - Nosso corpo é morada, residência do Espírito Santo, lugar onde
ele manifesta a sua glória. Somos, pertencemos ao Senhor: a) por direito de
criação; b) por direito de redenção e c) por direito de possessão e habitação
permanente do Espírito Santo.
Sugestão homilética
A liberdade cristã, sua natureza e limitações
1 Natureza: pela redenção efetuada, alcançada por Cristo, o crente é
restaurado como "coroa de toda criação". Tudo está submetido, em Cristo.
Porém,
II Essa liberdade tem limitações
a) pela lei da conveniência
b) pela lei da autopreservação
c) pela lei da submissão.
Norberto E. Heine
228
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
TERCEIRO DOMINGO APÓS EPIFANIA
26 de janeiro de 1997
1 Coríntios 7.29-31
Contexto
Podem haver abusos sexuais de duas maneiras radicais, indesejáveis, a
saber: pelo uso excessivo e promíscuo (capítulos 5 e 6) ou pela prática de
ascetismo ou celibato forçado (capítulo 7). Esse segundo caso pode até surgir
entre pessoas casadas, mediante a abstinência por parte de um dos cônjuges,
ou por parte de ambos, por supostas razões espirituais. Os resultados podem
ser desastrosos (1 Co 7.3-5).
A "angustiosa situação presente" (v.26) parece ser referência do apóstolo
à "parousía", ou à segunda vinda de Cristo. Parece ser esta a expectativa que
domina a preocupação do apóstolo ao escrever o capítulo 7.
A história da cristandade, desde que o celibato foi decretado como
obrigatório para o clero (Papa Gregório, o grande, no ano 604 A.D.) tem
demonstrado a falácia de tal imposição. Verdade é que o celibato tem valor
indiscutível para aqueles chamados por Deus para tanto, como foi o caso de
Paulo. Jamais deve ser imposto, mas permanecer como escolha pessoal e
voluntária.
Texto
V.29: Para o apóstolo Paulo restava apenas um breve "intervalo" antes da
segunda vinda de Cristo. Paulo recomenda, por isso, total devoção e serviço
sincero e pleno a Cristo. Isso deveria excluir qualquer devoção intensa a
qualquer coisa que fosse terrena, como o matrimônio, a tristeza ou a
lamentação no que concerne as coisa materiais. Os crentes deveriam ser
"como forasteiros e peregrinos" em sua caminhada por esta vida. Claro que é
o apóstolo não está defendendo o desinteresse do esposo pela esposa ou
vice-versa ou o desinteresse às responsabilidades da família. Seria contra
seus próprios escritos e exortações anteriores no mesmo capítulo. Os cuidados
com estas coisas, porém, em comparação com o cuidado supremo que
devemos ter para com as realidades celestiais, é como se, nem ao menos,
fossem preocupações.
V.30: Salienta a manutenção da independência pessoal em face de todas
as relações com o mundo. Não nos deixarmos prender com nada daqui. Nem
o amor conjugai, nem a tristeza dos infortúnios e perdas, nem o exultar pela
boa sorte devem tomar conta de nossos corações, pois isso só contaminará e
perturbará nossa comunhão com o Senhor. O cristão deve sentir-se livre do
que é transitório, a fim de mantermos as bênçãos que são eternas.
V.31: "utilizam ... como se dele não usassem". Segue a mesma direção
dos versículos anteriores. Não devemos ser tão intensos em nossa vida morIGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
229
tal. Devemos viver com "moderação", "desprendimento" em nossas atitudes
em relação às coisas passageiras.
"... a aparência deste mundo passa". Viver o nosso mundo transitório, não
como se o mesmo fosse permanente. "Assim como os planetas, girando em
torno de seus respectivos eixos também gira em torno do sol, assim também
nós, apesar de agirmos na dimensão do mundo, Deus deve ser o centro dos
nossos desejos. Os casados não devem vincular seus interesses ao seu
matrimônio, nem os que lamentam ao seu infortúnio, nem os que se alegram
à sua prosperidade, nem os negociantes ao seu lucro e nem aquele que usa o
mundo ao uso que faz deste mundo".
Sugestão homilética
O casamento oportuniza numerosas ocasiões para o exercício do amor a
Deus e do amor ao próximo:
- os cônjuges devem amar-se com afeto peculiar e especial;
- esse amor, esse afeto deve temperar-se com a abnegação;
- ambos devem estar preparados, resignados para o chamado de Deus.
Norberto E. Heine
QUARTO DOMINGO APÓS EPIFANIA
2 de fevereiro de 1997
lCoríntios8.1-13
Contexto
No capítulo 7.1, o apóstolo Paulo faz referência a uma carta recebida por
ele da parte dos coríntios, na qual eles faziam algumas perguntas a respeito
de diversos assuntos, tais como:
- casamento, solteiros e viúvas, e também sobre a postura do cristão
diante de alimentos sacrificados a ídolos. O apóstolo dirige-se a um povo,
anteriormente idolatra e politeísta, e que se orgulhava do "muito saber".
"Alimentos sacrificados" é uma expressão que provém do judaísmo helenístico
(lerótota). Judeus eram expressamente proibidos de comer tais alimentos. Já
no capítulo 5.10,11 ele faz alguma referência ao assunto, e o faz também no
capítulo 10, só que chamando a atenção para o perigo de se comer na
companhia de idolatras, e mais, fazê-lo no seu recinto de adoração. A isto o
apóstolo se opõe.
230
IGREJA LUTERANA -NÚMERO 2-1996
O texto
Este relato aponta para uma questão histórica, à qual os coríntios já
estavam acostumados. A resposta tradicional do apóstolo Paulo leva em
consideração o fato de que em meio a uma congregação sempre existem os
"fracos" e os "fortes" espiritualmente. Em nome do "conhecimento" e da
"liberdade", o "forte" defende a idéia de que em qualquer circunstância, mesmo
em templo pagão, possa comer alimento sacrificado a ídolos. Neste caso o
"mais fraco", vendo o "mais forte", poderia ter a sua consciência perturbada ei
ou, até mesmo, incorrer no erro de fazê-lo novamente em nome do ídolo.
V.1 - Como é freqüente, o apóstolo inicia este capítulo com "Agora tratarei
a respeito de...", ou seja, de "alimentos sacrificados a ídolos". Mas, a princípio,
o apóstolo parece mudar de assunto. Ele embasa a sua argumentação numa
comparação entre o "conhecimento" que provoca orgulho (destrói, portanto) e
o amor, que edifica, apesar que estas duas palavras não sejam
necessariamente opostas entre si. Reconhecemos que todos somos senhores
do saber (é importante saber as coisas, contudo, não fazer de tal conhecimento
um meio de opressão às consciências). A verdadeira sabedoria (gnôsis) não é
meramente intelectual, mas aquela fundamentada no amor de Deus.
Conhecimento sem Deus provoca orgulho. O amor edifica (oikodomêi): este
termo é normalmente usado num contexto de edificação de prédios, e o
apóstolo gosta muito de usar esta comparação.
V.2 - Sempre precisamos aprender mais sobre Deus e seu reino. Enquanto
julgamos saber alguma coisa, sempre estamos aquém do que deveríamos
saber. Se alguém pensa que o conhecimento em si mesmo é tudo, tal
conhecimento pode vir em prejuízo para si mesmo e para o próximo. Kay
afirma: "O conhecimento orgulha-se de ter aprendido tanto. A sabedoria
humilha-se por não saber mais".
V.3 - Paulo argumenta que o perfeito conhecimento só pode vir de Deus.
Deus é amor e quem o ama é conhecido (égnostai) por ele. A essência da fé
está não no conhecimento, mas no fato de que somos amados por Deus e
conhecidos por ele, por isso "nós amamos porque ele nos amou primeiro". A
coisa mais importante não é o nosso conhecimento intelectual de Deus, mas
o fato de que ele nos conhece: "O Senhor conhece os que lhe pertencem" (2
Tm 2.I9). Portanto, o amor, antes que o saber, deve constituir o que determina
a vida do cristão.
V.4 - Para Paulo, ídolo (eidolon) é a sombra da própria morte, o vazio,
abismo espiritual, é algo sem valor (oudeis), insignificante. Aqui o apóstolo
retoma a questão dos alimentos, ressaltando, contudo, que na decisão sobre
este assunto, o amor deve sobrepor-se ao conhecimento. No cap. 13.2, gnôsis
sem agápe não é nada. O conhecimento, mesmo sendo um dom de Deus, é
finito, porém o amor permanece para sempre.
Paulo reforça a doutrina de um único Deus. Uma das primeiras coisas
ensinadas a um menino judeu era o "Shema" — "Ouve Israel, o Senhor nosso
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2-1996
231
Deus é o único Senhor" (Dt 6.4). Os cristãos de Corinto não estavam menos
convictos desta verdade.
V.5 - Usando a palavra "nos céus" (ouranós), sem dúvida o apóstolo está
referindo-se às divindades dos pagãos, tais como o sol e a lua; quando fala
em "terra" (gê), sem dúvida faz alusão ao Imperador Romano, que autoentitulou-se "deus". A congregação precisa ser conscientizada de que ninguém,
senão somente Deus Pai, deve ser adorado e glorificado, e aquele que por ele
foi enviado por ele, é o Senhor: Jesus Cristo.
V.6 - A verdade é estabelecida: Deus é o Pai e Criador de todas as coisas,
e é para ele que vivemos. Um único Senhor, que é Jesus Cristo, por quem
todas as coisas foram feitas e por ele continuam existindo.
V.7 - O apóstolo insiste na necessidade de tornar esta verdade conhecida
a quem a ignora. Paulo reconhece que havia pessoas que estavam tão
acostumadas com os ídolos e com a idéia de que determinados alimentos
pertenciam a eles que, mesmo convertidos ao cristianismo, ainda tinham
problemas de consciência ao ingerir tais alimentos. O apóstolo não condena
tais pessoas, mas evangelicamente procura lembrar que suas consciências
ainda são fracas, e que os "mais fortes" podem ajudá-los a vencer tais
fraquezas.
V.8 - O apóstolo mostra que não é o comer (fágomen), ou deixar de fazêlo que irá nos tornar melhores ou piores diante de Deus.
V.9 - Paulo lembra que os mais fracos (ástenes) também fazem parte da
congregação e que se tenha cuidado de não confundi-los, escandalizá-los,
tornar-se pedra de tropeço para eles (próskoma). Na decisão se vamos ou
não comer determinado alimento, o amor cristão fará com que tenhamos bom
senso.
V.10 - O apóstolo continua sua argumentação por amor aos mais fracos.
"Não façam tudo o que vocês podem fazer", pois algumas coisas poderão
afetar as consciências dos mais fracos e fazê-los tropeçar.
V.11 - Paulo usa uma palavra forte, apollitai (ser destruído, perdido,
arruinado), fazendo assim um apelo dramático para que ninguém faça uso do
seu conhecimento em prejuízo aos outros, especialmente aos mais fracos,
por quem Cristo também morreu (apeuanen). Se fizermos uso de nossa
liberdade cristã sem amor e bom senso, podemos arruinar, destruir a fé
daqueles que são mais fracos.
V.12 - "Golpeando e ferindo" (tiptontes) a consciência do mais fraco,
"pecando" (amartánontes) contra a sua consciência, estamos pecando também
contra Cristo. O amor cristão não é orgulhoso e muitas vezes deixa de fazer
as coisas às quais teria direito, por amor aos mais fracos.
V.13 - Se com alguma atitude minha "trouxer alguém à queda", "causar
escândalos", "nunca mais" (eis tòn aiôna) farei assim; se tiver que me abster
disto ou daquilo para que o meu irmão não se perca, assim o farei.
232
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 1996
Proposta homilética
Introdução:Também vivemos num mundo cheio de superstições e idolatria;
também em nosso meio existem os "mais fracos" e os "mais esclarecidos".
Mesmo que a liberdade cristã nos deixa a opção para muitas questões, o que
deve reger a nossa vida cristã sempre deve ser:
1 - o amor ao nosso único Deus
2 - o amor ao próximo
Tema: Amor, a base da conduta cristã
I - Afirmação da essência da nossa fé
a) ídolo representa algo que não existe
b) Um único Deus e Pai
c) Um único Senhor Jesus Cristo
II - Conhecimento x Amor
a) Conhecimento de si mesmo ensoberbece
b) Amor edifica
c) Amar a Deus y ser conhecido por ele
III - Cuidado no uso da liberdade cristã
a) Lembrar que comer ou deixar de comer não nos tornará melhores ao
olhos de Deus.
b) Reconhecer que na congregação há também os "mais fracos".
Conclusão: Conhecimento é importante, mas não é tudo, pois é limitado e
passageiro. O amor, porém, é o vínculo da perfeição e permanece para sempre.
Paulo Gerhard Pietzsch
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
233
ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR
9 de fevereiro de 1997
2 Coríntios 3.12-4.2
Contexto
O apóstolo Paulo está falando sobre a "antiga aliança e nova aliança". A
antiga, gravada em pedras, é chamada de "ministério da morte" (pois a Lei
mata, condena), mesmo assim teve os seus dias de glória.
A nova aliança, "ministério da justiça", é muito mais gloriosa, pois é
permanente, concretizada na pessoa e obra de Cristo.
No contexto da epifania, lembramos a manifestação da glória e amor de
Cristo em nossos corações.
Texto
Vv. 12 e 13 - Todas as imagens desta passagem estão ligadas à anterior.
Paulo parte da idéia de que quando Moisés desce do monte, a glória de Deus
resplandecia em seu rosto ao ponto de ninguém poder fitá-lo. A idéia que o
povo tinha é que Moisés colocava o véu sobre o rosto para que não vissem
como a glória de Deus estampada no seu rosto ia-se desvanecendo lentamente.
A idéia mais evidente é que o povo (imperfeito e pecador) não suportaria ver
a glória de Deus (santo e perfeito), pois seriam consumidos por ela. Pau\o
menciona que Moisés "colocava" (epitei) um véu sobre a cabeça, para que,
"fixando os olhos" (atenísai), não vissem que o brilho no rosto de Moisés se
desvanecia. A "antiga aliança" estava destinada a ser substituída, não como o
correto excede o incorreto, mas como o incompleto cessa diante do pleno (as
sombras desaparecem ao sol do meio-dia). A revelação que viera a Moisés
era verdadeira e grandiosa, porém era parcial. Agostinho escreve: "Falhamos
se negamos que o Antigo Testamento provém do mesmo Deus bondoso e
justo revelado no Novo Testamento". O Antigo Testamento aponta para a glória
do Messias, o Novo Testamento é o cumprimento. Por isso, Paulo mostra à
congregação de Corinto que ela tem, e até em medida mais plena do que
Moisés, a glória do Senhor estampada em seus corações.
Vv. 14 e 15 -Agora a idéia do véu é utilizada para apontar para a cegueira
espiritual dos judeus, que, mesmo escutando semanalmente na sinagoga a
leitura do Antigo Testamento, "havia um véu que encobria (anakalüptómenon)
seus olhos e os impedia de ver o significado da mesma". Ao escutar, sempre
deveriam lembrar-se de Cristo, mas sua cegueira os~ impedia de perceber
isto: a) O véu das vãs filosofias, que buscam nas Escrituras a sustentação de
teorias absurdas ou pontos de vista próprios, b) Quando queremos "crer" só
naquilo que nos interessa, c) Quando usamos o texto fora do seu contexto.
O véu que estava "sobre os seus corações" (epí ten kardían) os impedia
234
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
de verem o verdadeiro significado das Sagradas Escrituras, o mesmo véu se
interpõe entre eles e Deus. a) Pode ser o véu da desobediência. Em muitas
oportunidades é a cegueira moral, e não a intelectual que os impede de ver a
Deus. b)Pode ser o espírito de rebeldia e impaciência...
V.16 - Paulo não está mais se referindo a Moisés, mas sim ao povo de
Israel. Paulo esperava que pudesse haver uma mudança do povo de Israel
para a verdadeira fé (epistrépso = voltar atrás, retornar, ser convertido). Paulo
atribui o fato de o véu "ter sido removido" (periaireitai= retirado, levado embora)
do rosto dos cristãos para verem a glória de Deus, não como obra dos próprios
cristãos, mas ao Espírito Santo, o Senhor. O apóstolo em suas cartas sempre
reforça que a conversão acontece pela ação do Espírito Santo, e é o próprio
Espírito que nos leva a ver (com os olhos da fé) as coisas de Deus.
Vv.17-18 - Paulo continua dando ênfase no "ver a glória de Deus", sem
qualquer véu. Enquanto estamos em Cristo, também refletiremos esta sua
glória ("Eu sou a luz do mundo" - "Vós sois a luz do mundo"). Sua imagem,
seu reflexo aparece em nossas vidas. Se contemplamos a Deus pela fé, se
caminhamos com os olhos fitos na obra de Cristo, refletiremos a glória de
Deus.
Onde está o Espírito há liberdade. Paulo quer dizer que enquanto a nossa
obediência a Deus está condicionada apenas por um código de leis, não
podemos ser livres, mas escravos. Porém, quando o fazer a vontade do Senhor
é resultado da obra do Espírito em nossos corações, o qual revela Jesus
como único Salvador e Deus como um Pai misericordioso, não teremos outro
desejo, senão o de agradecer a Deus, servindo e obedecendo a ele, motivado
portanto pelo amor, jamais pela força da lei. Há muitas coisas que faríamos
contra a vontade para um estranho se fôssemos obrigados a fazê-lo, como
escravos por exemplo; mas é um privilégio e alegria fazê-los para alguém
que amamos. O amor reveste de glória as tarefas mais humildes e servis. No
servir ao Senhor certo sobre as nossas vidas encontramos nossa perfeita
liberdade.
Vv. 4.1-2 - A misericórdia da qual somos alvo faz com que não caiamos
em desânimo(eg/(a/íéo), ao contrário, nos faz lutar contra todas as coisas que
ofuscam a glória e misericórdia de nosso Deus e Pai.
Disposição
Introdução: O ser humano, por natureza, tende a fazer as coisas motivado
apenas pela força da lei ou por orgulho e glória próprios. Com isto, tornam-se
escravos da lei e fazem suas obras pensando apenas em recompensas. Pela
ação do Espírito em nossas vidas, nos concedendo a fé pela pregação da
Palavra, o véu da cegueira espiritual é removido de nossos corações, por
isso:
Tema: No Espírito de Deus somos livres
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
235
I. Enquanto estamos sob a lei, o véu da cegueira espiritual ofusca a glória
de Deus.
II. Pela fé o véu da ignorância é removido.
III. Andando com Cristo, manifestaremos também a sua glória.
IV. Lutando contra o desânimo, e rejeitando tudo que é contra sua vontade.
Conclusão
Somos verdadeiramente livres enquanto temos o Senhor certo sobre a
nossa vida.
Paulo Gerhard Pietzsch
PRIMEIRO DOMINGO NA QUARESMA
16 de fevereiro de 1997
Romanos 8.31-39
As leituras do dia
O período de quaresma tradicionalmente inicia com a tentação de Jesus.
Davi, no Salmo do dia (SI 6) lembra que, em tempo de angústia, só a
graça de Deus e a Sua misericórdia podem livrar e salvar da morte. Na prova
de Deus com Abraão, o texto lembra que é o próprio Deus quem providencia
o cordeiro para o sacrifício (Gn 22.1-18). Cristo, o Cordeiro de Deus, vence
Satanás (Mc 1.12-15) e nos leva a exclamar com Paulo: "Se Deus está do
nosso lado, quem nos vencerá?" (Rm 8.31-39).
Contexto
O versículo inicial da perícope, "destas coisas" (v.31), reporta ao contexto
imediato do capítulo, onde Paulo lembra que não há mais condenação para
os que estão em Cristo Jesus (v.1), afinal, o cristão é filho de Deus e,
conseqüentemente, Seu herdeiro (vv.16,17). Todavia, o sofrimento é uma
realidade na vida do cristão, mas nada se compara com a glória que lhe está
reservada (v.18) e esta é a sua esperança (v.24). Sabendo que todas as coisas
cooperam para o seu bem (v.28), o cristão segue a sua vida, sendo consolado
e confortado pelo Espírito Santo (vv.26-27), na certeza da vitória em Cristo
Jesus.
Texto
V.31: Paulo afirma que é Deus que está ao nosso lado, e não nós a Seu
lado. A forma condicional é aqui aplicada para que não haja dúvidas a esse
respeito. O apóstolo admite, porém, que muitos estão contra nós, mas o mal
que podem realizar não dura para sempre.
236
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
V.32: O argumento aqui usado é o mesmo que aparece em 5.9-10, ou
seja, do maior para o menor. Ele, que deu a maior das dádivas, certamente
com ela dará também a menor. Stoeckhardt diz que "Cristo é a grande dádiva
da graça. Todas as outras são suplementares. Essas necessariamente não
precisam ser esperadas se alguém já recebeu a primeira e a maior." Todavia,
ta panta denota que todas as coisas que são necessárias e salutares para o
nosso viver diário, Deus graciosamente também nos dará.
Vv.33-34: Um júri é o que Paulo tem em mente aqui. Nenhuma acusação
formal pode ser efetuada contra os eleitos de Deus, afinal o próprio Deus já
pronunciou o seu veredito: "O réu é inocente." E o apóstolo oferece as razões
porque ninguém pode condenar os eleitos de Deus: 1) Cristo morreu por eles;
2) Ele está vivo e está sentado à direita do Pai, uma posição de poder; 3) Ele
intercede por eles (v.34).
V.35-39: Paulo demonstra que os sofrimentos aqui nesse mundo não podem
separar os crentes de Cristo, mas na verdade se aprende a conviver com os
mesmos, pensando na esperança futura. O cristão não está imune ao
sofrimento e às fraquezas. O Salmo 44.22 é citado para demonstrar que o
sofrimento sempre fez parte da vida do povo de Deus, e não é algo novo
(v.36). Mas, apesar de tudo isso, somos vencedores, devido ao amor de Cristo
- e aqui entenda-se a Sua morte na cruz (v.37).
V.39: Nem...nem... É impossível, nada pode nos separar do alcance do
amor de Deus. Nem mesmo qualquer outra criatura. Paulo inclui todas as
coisas que foram criadas, somente Deus, o Criador, não está aqui incluído,
pois justamente é Ele quem nos justifica (v.33).
Proposta homilética
Tema: Vivendo como Vencedores
I - Nunca separados do amor de Deus
A. Condições físicas não são uma prova de amor
B. A prova do amor de Deus é a cruz
II - Nunca separados da família de Deus
A. Somos justificados
B. Somos membros da família de Deus
III - Vivemos como vencedores.
Ely Prieto
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
237
TERCEIRO DOMINGO NA QUARESMA 2
de março de 1997 1 Corintios 1.2225
Leituras do dia
Os textos indicados para este dia refletem todos a sabedoria de Deus,
contrastada com a ignorância que reina no mundo.
O Salmo 19.7-14 fala de lei perfeita de Deus, em contraste com os nossos
erros.
O texto de Êxodo 20.1-17 traz a lei perfeita de Deus: a Eterna Aliança
prometida em Cristo, e os Dez Mandamentos.
Para a meditação deste domingo foi escolhido o texto de 1 Corintios 1.2225, que mostra como o mundo busca uma outra sabedoria que não encontra,
e que ressalta ser Cristo a verdadeira sabedoria de Deus.
O evangelho do dia se acha em João 2.13-22. Comenta a purificação do
templo, mostrando como o mundo está preso a coisas materiais e soluções
da sua razão, quando a verdadeira sabedoria está em Cristo e sua ressurreição.
Contexto
A carta aos Corintios revela uma situação de conflito. Havia diferentes
partidos, em que cada grupo expressava a sua preferência por um líder
específico, inclusive o próprio Cristo dentro de uma visão bem liberal. A
pregação de Paulo não veio para satisfazer a liderança judaica, que podia
apontar para uma longa tradição religiosa apoiada em grandes realizações
pessoais. Nem veio satisfazer os gregos que se apoiavam na lógica aristotélica
como última solução da sabedoria. Um discurso sobre morte e ressurreição
não cabia dentro do padrão da lógica humana. Mas Paulo tem a coragem de
anunciar a verdadeira sabedoria de Deus.
Texto
No v.22 Paulo aponta para o que Jo.2.13-22 relata: os judeus buscam
sinais da autoridade de Jesus. Jesus aponta para o único sinal da autoridade
e da sabedoria de Deus: a sua morte e ressurreição. Os judeus, acostumados
a sinais que levavam seus reis no passado a vitórias, queriam um sinal para
fazer de Jesus um líder social e político. Não é este o caminho da sabedoria.
Os gregos queriam coisas lógicas para uma sabedoria de vida. Deus não
opera com a lógica humana que não atinge o essencial: a ressurreição.
O v.23 demonstra claramente que o evangelho se encontra na mensagem
do Cristo crucificado e ressuscitado. Isto é escândalo para os judeus, que
pedem um líder social. Isto é loucura para os gentios gregos, pois não cabe na
lógica de Aristóteles.
No v. 24 Paulo mostra que é necessário um chamado de Deus Espírito
240
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
Santo para levar judeus e gregos para Cristo, que é o poder e a sabedoria de
Deus.
O último versículo aponta para a transcendência desta mensagem: é a
única que resolve a vida e a existência humana. Pode ser considerado uma
loucura pelos homens, mas ela é a mais sábia solução que existe, pois é a
solução final de Deus para os pecadores. O que pode parecer fraqueza de
Deus na cruz de Cristo é, no entanto, o maior poder que existe no mundo, pois
vence a morte para sempre.
Proposta homilética
Neste tempo da quaresma a mensagem sempre se concentra em torno
do sofrimento de Cristo por todos nós. É importante ressaltar que não é a
religiosidade aparente, mesmo de um povo escolhido, como os judeus do
tempo de Jesus, que resolve o problema de pecado e graça. Nossas ações,
mesmo que aparentemente de acordo com o santos Dez Mandamentos, não
nos livram da culpa, o que unicamente a graça pode fazer. A graça vem da
morte e ressurreição de Cristo.
O mundo de hoje também busca soluções intelectuais e espirituais. Nada
resolvem sem a cruz de Cristo. Não basta dizer que há crescimento intelectual,
social ou religioso. Sem Cristo nada vale para a vida eterna. Aqui é possível
fazer uma série de reflexões em torno das propostas espiritualistas e filosóficas
do mundo moderno. Pode haver até uma melhoria social, associada a uma
convicção espiritualista, mas ela não resolve o essencial sem o Cristo
crucificado. A sabedoria de Deus que leva através do mundo para uma
eternidade bem-aventurada está somente na cruz e na ressurreição de Cristo.
Introdução. Quando abrimos o jornal ou ligamos a televisão, encontramos
facilmente propostas de solução para a verdadeira vida: gnose, espiritualidade,
animismo, magia, fanatismo religioso no oriente médio, guerras religiosas. A
vida não está aí. O Senhor e Doador da vida é o Espírito Santo, o espírito de
Cristo.
A verdadeira sabedoria
A. Cristo é o Senhor, Jahve, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Ele
estabeleceu o seu Reino para sempre: pela criação, pela redenção e pela
santificação. Seu plano de salvação é fantástico: ninguém o pode conhecer
por sabedoria humana, ou por movimentos religiosos esotéricos. Seu Reino
existe e se afirma. Ele governa e controla este seu mundo ainda hoje pela sua
lei básica: os Dez Mandamentos, também escritos no coração, e a Eterna
Aliança anunciada no evangelho. A Eterna Aliança estabelece o Reino de
Cristo em nós e nos indica o caminho da dupla lei do amor: a Deus e ao
próximo.
B. Cristo é o Senhor. Ele estende seu Reino através da mensagem do
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
241
evangelho na Palavra.
Não há outra mensagem válida para esta vida e a vida eterna. Mesmo que
pareça loucura e escândalo para o mundo moderno, a sabedoria de Deus continua
atualíssima e válida, mesmo na era da informática e da ciência de hoje.
C. Cristo é Senhor. Aceita e divulga esta mensagem da sabedoria de Deus: o
Cristo crucificado e ressuscitado para nossa salvação e verdadeira sabedoria.
MartimC.Warth
Canoas, RS
QUARTO DOMINGO NA QUARESMA
9 de março de 1997
Efésios 2.4-10
No final da sua segunda viagem missionária (ano 52 d.C), o apóstolo Paulo fez
uma breve estadia na cidade de Éfeso (Ásia Menor). Como de costume, visitou a
sinagoga local e testemunhou aos judeus que Jesus Cristo é o Messias profetizado
no Antigo Testamento. Devido a compromissos inadiáveis (At 18.18 cf. Nm 6), não
pôde atender ao convite de permanecer mais tempo na cidade. Prometeu, no
entanto, em breve retornar. Enquanto isso, o casal Aquila e Priscila daria
continuidade ao trabalho de evangelização (At 18.18-21; 18.24-26).
Paulo cumpriu sua promessa e no início da sua terceira viagem missionária (ano
53 d.C.) retornou a Éfeso. Inicialmente por três meses concentrou seu trabalho na
sinagoga, com o objetivo de trazer os judeus à fé cristã (At 19.8). Depois mudou de
endereço e estratégia. Ocupou uma sala na escola de Tirano e Paulo passa a liderar
uma equipe de missionários integrada por Epafras (Cl 1.7; 4.12,13), Timóteo, Erasto
(At 19.22) Gaio e Aristarco (At 19.29). Por dois anos esta equipe concentra sua
atenção na conversão de gentios, "dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia
(Menor) ouvissem a palavra do Senhor..." (At 19.9,10). A longa estadia de Paulo em
Éfeso justifica-se. Não foi tarefa fácil estabelecer o cristianismo na região. A cidade
era o centro do culto pagão da deusa Diana (Artemis para os gregos), "a majestade
daquela que toda a Ásia e o mundo adoram" (At 19.27). Seu grandioso templo na
cidade era uma das sete maravilhas do Mundo Antigo. O poeta Antípatros ao ver
pela primeira vez o templo, escreveu: "Quando vi a sagrada casa de Artemis que se
eleva até as nuvens (120 metros de comprimento, 50 de largura e 90 de altura), as
outras maravilhas foram postas na sombra, já que nem mesmo o sol viu jamais algo
igual em todo o Olimpo." Segundo o historiador romano Plínio, a construção deste
templo levou cerca de 200 anos.
242
IGREJA LUTERANA - NUMER02 -1996
O próprio apóstolo Paulo sentiu a força deste culto pagão, pois no tumulto
liderado por Demétrio, em honra à deusa Diana, certamente teria sido linchado se os
líderes cristãos não tivessem impedido Paulo de falar à fanática multidão que
histericamente gritava: "Grande é a Diana dos efésios"! (At 19.23-31). Mesmo assim
o trabalho de evangelização liderado por Paulo foi deveras abençoado e frutífero.
Em Éfeso não apenas se formou uma das maiores congregações cristãs, como
também foi um expressivo centro irradiador do cristianismo pela Ásia Menor nos
primeiros séculos da Era Cristã. A todas estas congregações lideradas por Éfeso, o
apóstolo Paulo, da cidade de Roma, provavelmente no ano 62 d.C, envia a sua
Epístola aos Efésios.
Como já o fizera anteriormente na sua Epístola aos Romanos (Rm 3,4,5),
também nesta carta aos efésios destaca a doutrina fundamental do cristianismo: a
redenção do homem como obra exclusiva do amor de Deus em Cristo Jesus.
Doutrina que sempre deve ser ressaltada, testemunhada, ensinada, por ser a
doutrina central e peculiar da Igreja Cristã, em oposição às outras religiões que
todas, sem exceção, atribuem ao próprio homem o mérito da salvação. Daí também
a premissa de toda a atividade paroquial ser cristocêntrica.
Nesta perícope o apóstolo Paulo destaca a ação redentora exclusiva de Deus,
sem nenhuma interferência ou merecimento humano. Aqui não vai nenhum
demérito, desprezo ou humilhação ao homem. Simplesmente pelo fato de que para
o homem é impossível salvar-se a si próprio (1 Pe 2.25), ou sequer cooperar na sua
redenção (SI 48.7,8). O fato de ser pecador lhe inviabiliza uma auto-redenção. Pois
pecado é morte física (Gn 3.19; Rm 6.23) e morte espiritual (Cl 2.13; Ef 2.1). Foi
preciso que Deus interferisse e providenciasse a salvação (v.4). Assim o "coração"
de Deus se compadeceu para com a miséria humana (v.4) — a desgraça da morte
física e morte espiritual — e em Cristo — na sua obra redentora, como verdadeiro
homem e verdadeiro Deus — nos deu VIDA (v.5), assegurada pela sua ressurreição
(v.5).
No seu grande amor e na sua rica misericórdia, não apenas deu VIDA
(salvação), mas ainda agraciou o homem com o estar junto a ele. Este "assentar nos
lugares celestiais" (v.6) restabelece a imagem divina perdida pelo pecado (Gn 1.26).
Agora novamente o Criador e sua criatura estão juntos, como inicialmente planejado
por Deus ao colocar o homem no Jardim do Éden. Esta é a verdadeira VIDA legada
pela ressurreição de Cristo.
Mas o seu grande amor e sua rica misericórdia vão mais além — não apenas
nos deu VIDA, não apenas nos faz assentar nos lugares celestiais — mas de
eternidade a eternidade irá proporcionar a "suprema riqueza da sua graça, em
bondade para conosco" (v.7). Sendo Deus infinito, a eternidade será insuficiente (em
linguagem humana) para esgotar seu amor, sua bondade para conosco.
IGREJA LUTERANA-NÚMER0 2-1996
243
Mérito humano? Cooperação humana?
Não!
"Pela graça sois salvos" (v.5 e 8). A repetição do apóstolo é proposital.
Quer desfazer qualquer idéia de auto-redenção, tão arraigada no mundo
gentílico. A salvação não se adquire por meio de obras, merecimento, compra,
raça, cor, profissão, oferendas, ascetismo. Ninguém pode dizer: "Eu ajudei!" "Eu cooperei!" - "Eu fiz por merecer!" - "Eu sou melhor que os outros!".
Gloriar-se a si mesmo, no que diz respeito à salvação, é impossível. A
obra redentora de Jesus Cristo foi completa (1 Jo 4.9,10 e Jo 3.16). Atribuir
assim méritos humanos é ofensa ao grande amor e imensa misericórdia. Por
outro, a salvação do homem foi um ato exclusivo do amor de Deus. A salvação
é um presente de Deus. A fé em Jesus é um "dom de Deus" — uma dádiva
imerecida (eleição por graça). A causa sempre está no grande amor e rica
misericórdia de Deus. Daí a razão da contínua repetição do apóstolo (v.5,6,7).
Para finalizar no v.10 com o "criados em Cristo Jesus" — o renascimento pela
conversão faz o cristão "feitura dele", um filho de Deus — como quando Adão
e Eva foram originalmente criados por Deus, isto é, para servi-lo em santidade
de perfeição. Esta é a tarefa, a função, a glória do homem, servir ao seu
Criador. O cristão, pela fé em Cristo Jesus, tem agora novamente este direito
e privilégio de ser "feitura dele". As boas obras, também já de antemão
preparadas por Deus, visam oportunizar ao cristão a prática deste exercício
da fé cristã com o qual serve ao seu Criador, Redentor e Santificador. Deus
quer se fazer visível no mundo através das boas obras praticadas pelos cristãos
(Mt 5.13,14,16).
Pela graça sois salvos!
1. não de obras - para que ninguém se glorie
2. mas mediante a fé - dom de Deus
Criados em Cristo Jesus para boas obras!
1. Não para obter a salvação
2. Mas como frutos da fé, as quais Deus de antemão preparou para que
andássemos nelas.
WalterO.Steyer São
Leopoldo, RS
244
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
QUINTO DOMINGO NA QUARESMA
16 de março de 1997
Hebreus 5.7-9
Análise e tradução de termos
V. 7 - déeeseis, subst., ac. pl. de hee déeesis, -éseoos — pedido, súplica
(salientando necessidade)
hiketeerías, subst., ac. pl. de hee hiketeería, -ias— (do galho de oliveira
levado pelo suplicante) súplica
kraugées, subst., gen. sg. de hee kraugée, -ées — clamor, grito, "choro"
ischurãs, adj., gen. f. sg. de ischurós, -á, -ón — forte fisicamente, valente
dakrúoon, subst., gen. pi. de tó dákru, -uos ou dákruon, -ou— lágrima
prosenégkas, part. aor. at. nom. m. sg. de prosphéroo — oferecer, trazer,
apresentar
eisakoustheís, part. aor. pass. nom. m. sg. de eisakouoo—ouvir, atender
eulabeías, subst., gen., f., sg. de hee eulábeía, -eias — temor piedoso,
reverência
V.8 - kaíper, conj. subord. concess. — embora, se bem que
émathen, ind. aor. at. 3o pess. sg. de manthánoo — aprender, chegar a
saber
épathen, ind. aor. at. 3o pess. sg. de pásxoo — sofrer
hupakoéen, subst. ac. de hee hupakoée, -ées — obediência, submissão
V. 9 - teleiootheís, part. aor. pass. nom. m. sg. de teleióoo — findar,
consumar, completar, aperfeiçoar
hupakoúousin, part. pres. at. dat. m. pi. de hupakoúoo — obedecer, ser
obediente
aítios, adj. pron. m., sg. de aítíos, -a, on — causador, originador,
responsável (substantivado: o autor)
V. 10 - prosagoreutheís, part. aor. pass. nom. m. sg. de prosagoréuoo —
designar (por certo título), reconhecer como, chamar de
archieseús, subst. sg. de hó archieseús, -éoos — sumo sacerdote
táxin, subst. f. de hée táxis, -eoos — ordem determinada, sucessão
fixa; regulamento, regra; categoria
Contexto
A Epístola aos Hebreus foi escrita entre os anos 67 (martírio de Paulo)
e 70 (destruição de Jerusalém) por Apoio a judeus de Roma que formavam
uma comunidade à parte dos demais cristãos, em sua maioria gentios. Esses
hebreus, convertidos pelo apóstolo Paulo (At 28.17-24), não chegaram a ser
vitimados pela perseguição de Nero porque, para todos os efeitos, ainda
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
245
continuavam sendo vistos como pertencentes à religião judaica pelo fato de
haverem transformado suas sinagogas em igrejas cristãs. Tendo, porém,
perdido seu grande líder, Paulo, e observando seus irmãos na fé passarem
pelos horrores da perseguição de Nero, começaram (se não todos, pelo menos
muitos) a planejar uma volta à velha religião a fim de se manterem em
segurança, pois o judaísmo continuava a ter o status de religião permitida e o
cristianismo não.
Por ser dirigida a cristãos judeus que ensaiavam uma volta às crenças
antigas, a epístola procura de todos os modos admoestá-los a permanecer na
fé revelada demonstrando que ela é o cumprimento e a plenitude da esperança
do povo de Israel. Por essa razão, Apoio (ver a introdução do Comentário de
Lenski à Epístola aos Hebreus) se refere a todo instante ao sistema sacrificial
do tabernáculo comparando-o e contrastando-o com o sacrifício único de Cristo.
As referências a Melquisedeque reforçam a originalidade desse sacrifício ao
colocar a anterioridade e a eternidade do sacerdócio de Cristo em oposição à
transitoriedade do de Arão.
Interpretação
V. 7. O texto afirma claramente a humanidade de Cristo, humanidade
completa não só no sentido físico (corpo, carne) mas também no psicológico
(lágrimas, clamor, angústia por causa da morte). Ora, é justamente com essa
humanidade que ele desenvolve o sacerdócio proposto pelo Pai. O que, porém,
havia de diferente em relação ao sacerdócio judaico? Nesse, o sacerdote, ele
próprio, também necessita do sacrifício (v. 3), o qual, por sua vez, é algo
exterior a quem o realiza, pois não oferece a si mesmo e, sim, bodes, ovelhas,
etc. No de Cristo não são os animais que são oferecidos, mas é ele mesmo
que se entrega à morte. Note-se que tal entrega não acontece de forma
tranqüila, burocrática, à maneira duma ação indiferente que tanto poderia
acontecer como não ou que não causasse nenhum transtorno. Pelo contrário!
Verifica-se aí toda uma luta, um vaivém de intenções marcado por gritos e
lágrimas de orações e súplicas para retardar e evitar aquele destino que o
prenderia na face da cruz com a cola da morte. Jesus, no entanto, não orou
de modo absoluto, incondicional, querendo o livramento da morte a todo
custo. Não. Ele orou de forma condicional: "Meu Pai: Se possível, passe de
mim esse cálice" (Mt 26.39). E desse modo é que ele foi atendido. O texto
ainda afirma que isso aconteceu por causa da piedade, a saber, o temor
reverente, que, na qualidade de Filho e de Homem, ele tinha para com o Pai.
V. 8.0 ser Filho, necessariamente, não significa aqui ser a segunda pessoa
da Santíssima Trindade. De qualquer modo, porém, implica um relacionamento
diferenciado daquele que o cristão comum tem em relação a Deus. Pois bem,
apesar de ser Filho, apesar de estar com Deus num relacionamento suigeneris,
isso não o isentou da obediência. Pelo contrário, aprendeu a exercê-la através
do caminho mais difícil: as coisas que sofreu. Apoio encontra aí um paralelo
246
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
apropriado com a situação dos cristãos hebreus de Roma, pois esses também
estavam em vias de experimentar um grande sofrimento embora ainda não o
tivessem feito (Hb 10.32-34; 12.4-13). O que ele, portanto, queria transmitir
àqueles cristãos era isto: se o próprio Filho de Deus havia passado pelo
sofrimento e disso tirado um grande proveito, eles não deveriam temer as
possíveis (e iminentes) angústias, mas, pela fé, tirar delas todas as lições
positivas que Deus lhes estaria a transmitir.
V. 9. O verbo teleiootheís pode significar não só tendo sido aperfeiçoado
como também tendo sido completado. Segundo a natureza divina, Cristo em
hipótese alguma poderia ser aperfeiçoado ou mesmo completado. Segundo,
no entanto, sua natureza humana, esses processos lhe poderiam ser aplicados.
O aperfeiçoar-se, no caso, não significaria um desenvolvimento moral mas
um completar-se (ficar pronto) em função da tarefa a que se havia proposto:
sacrificar-se uma vez por todas pela humanidade pecadora. É, então, que se
torna o causador da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, ou
seja, para todos os que têm nele autêntica fé, pois nesse contexto obediência
e fé se tornam sinônimos.
V.10. Nesse versículo, então, se fecha toda a argumentação mostrando
que Jesus Cristo foi designado sumo sacerdote segundo a ordem de
Melquisedeque, uma ordem, portanto, anterior e superior à do sacerdócio de
Arão, pois Abraão havia pago os dízimos a esse rei de Salém. O sacerdócio
de Arão, conseqüentemente, exercia apenas o papel secundário, embora de
grande importância, de preparar a plenitude do sacerdócio eterno.
Disposições
I
O sacerdócio de Cristo é eterno
1. porque se situa na linha do sacerdócio de Melquisedeque;
2. porque tem conseqüências eternas para aqueles que nele confiam.
II
A obediência de Cristo
1. resulta das coisas que sofreu;
2. resulta na salvação daqueles que lhe obedecem. III
A obediência dos que são salvos
1. brota da obediência sofrida de Cristo;
2. confia na obediência prestada por Cristo. IV
Jesus é o causador da salvação eterna
1. foi ouvido pelo Pai por causa da sua piedade;
2. aprendeu a obediência;
3. foi até o fim (plenitude) no que era necessário para cumprir sua missão.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
247
V
Jesus foi nomeado sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque
1. podia dirigir-se ao Pai por causa da sua piedade;
2. mesmo sendo Filho, não fugiu do sacrifício da morte;
3. foi o causador da salvação eterna.
VI
O aperfeiçoamento de Cristo expressou-se no cumprimento de todas as
etapas do processo da salvação humana
1. não fazia caso da sua condição de Filho;
2. orava ao Pai a fim de que a vontade dele e não a sua se cumprisse;
3. tinha os méritos da piedade pessoal;
4. aprendeu a obediência;
5. encarou a morte.
Martinho Lutero Hoffmann
Charqueadas, RS
DOMINGO DE RAMOS
23 de março de 1997
Filipenses 2.5-11
Contexto
A perícope nos faz olhar para a obra de Cristo pro nobis (pelo menos é
essa a intenção deste Domingo de Ramos). Mas, ao analisar a argumentação
anterior de Paulo (2.1-4), percebe-se que Paulo utiliza o exemplo de Cristo
como motivação para a vida ética dos cristãos filipenses. Esta é a idéia do
"tende em vós" do v.5. Obviamente que ambas as idéias estão intimamente
relacionadas (assim como as doutrinas da justificação e santificação).
Texto
V. 5 - A exortação de Paulo à ação dos Filipenses é de serem iguais a
Cristo. A ação do verbo fipov&zsnos leva a pensar numa atitude contínua e
habitual (presente imperativo) para os cristãos de Filipos. E esta ação é ev
Xpiarco II]<JOU O que esta fórmula nos sugere é o fundamento para a ação
cristã: a ação de Cristo por nós é modelo para nossa unidade e amor. O que
se descreve nos versículos seguintes é mostra do que Cristo fez por nós
como modelo para nós, não simplesmente para ser imitado (Cristo deu-se por
nós, nós nos damos aos outros), mas também por termos nEle a unidade e o
verdadeiro amor. Cristo é modelo e é sujeito da unidade e amor fraternal (por
isso ele é o cabeça da igreja).
248
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
V. 6 - Por que Cristo é o modelo e o sujeito da unidade? A resposta de
Paulo é este hino de exaltação da obra de Cristo. Para que Cristo conquistado
a sua primazia na vida do cristão, ele mesmo, sendo Deus todo poderoso, não
fez uso desta condição para realizar sua obra. Cristo realizou sua obra não
com intenções de ter poder, domínio, riquezas, prazer e glórias humanas e
deste mundo.
V. 7 - A assertiva é de que Jesus deixou seu poder e glória para agir como
"forma de servo". Jesus, "a si mesmo", não fez uso desta prerrogativa divina
de poder e glória para tomar a "forma de servo". Para caracterizar a condição
humana de Cristo, o apóstolo sugere que Jesus assumiu a "semelhança" e "a
figura humana". Com isso Paulo nos sugere não apenas uma aparência humana
(forma) mas também a essência humana. Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro
homem. Os particípios neste versículo demonstram como Cristo se esvaziou,
assumindo a forma de servo. É importante entender o esvaziamento de Cristo
não como despojamento completo e total de seus atributos divinos (esta é a
posição quenótica, que sugere que quando Jesus assumiu sua glória retomou
seus poderes) mas que ele simplesmente não fez uso de seus poderes como
verdadeiro Deus.
V. 8 - A condição de servo amplia-se: além de ser como homem, a
humilhação que Jesus assume para si mesmo chega até à morte de cruz.
Morrer faz parte da essência humana por causa do pecado. Mas, morrer na
cruz é uma morte de sofrimentos, vergonhosa e amaldiçoada, modo de morrer
destinado somente aos escravos, rebeldes e piores criminosos.
V. 9 - A exaltação de Cristo pode ser entendida como sendo conseqüência
da obra de humilhação: Cristo é aquele que está acima de todos pelo que fez
pela humanidade pecadora. Também pode-se entender a exaltação de Cristo
como parte de sua obra: ele ressuscitou e ascendeu aos céus. Talvez esta
segunda ênfase para ser mais sistemática e completa a obra de Cristo com
sua humilhação e exaltação. Cristo está acima de todos porque é servo e
senhor de todos. Um correlato pode se ter com a idéia que Lutero nos
proporciona no seu livro Da Liberdade Cristã quando enfatiza a ética cristã
como liberdade e escravidão ao mesmo tempo.
V. 10 - A obra de Cristo (servo e senhor) tem um propósito (a idéia do
subjuntivo denota isto): para que todo o joelho se dobre perante ele. Cristo é
reconhecido Senhor sobre todos — ele é o vencedor e está acima de tudo (a
idéia de que Jesus está acima dos céus, da terra e do que existe debaixo da
terra demonstra a glória que possui — ver também Ap 5.3-13).
V. 11 - Confessar a obra de Cristo é testemunhar; é deixar claro para todo
o universo que há um só Senhor, que é Jesus Cristo. É falar de Cristo como
servo e senhor de todos, por aquilo que fez pela humanidade pecadora. Para
a glória do Pai nos faz olhar para a obra que Deus aceita e quer. Quando Deus
criou o universo com tudo que nele está, viu que tudo era muito bom; por
causa do pecado, a degeneração só pode ser regenerada em Cristo, aquele
que recebe as devidas honras do Pai.
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2-1996
249
Proposta homilética
Cristo é a razão do nosso viver
porque ...
Ele assumiu a forma de servo para nos libertar da nossa escravidão
espiritual.
Ele assumiu a forma de rei para servirmos a ele na liberdade do amor ao
próximo.
Clóvis Jair Prunzel São José
dos Pinhais, PR
A RESSURREIÇÃO DO SENHOR - DIA DE PÁSCOA 1
Coríntios 15.19-28 30 de março de 1997
Contexto
É com orgulho que Paulo fala da congregação de Corinto como sendo seu
único fundador (1 Co 3.6-10). Seu cuidado por esta congregação desde sua
chegada em Corinto no ano de 52, fez com que ele iniciasse seu trabalho
entre os judeus que lá residiam (At 18.1-4) com uma nova técnica de
evangelização. Paulo trocara a arte da retórica pela simplicidade da pregação
do puro evangelho e a demonstração do poder do Espírito (1 Co 2.1-5).
Após sua saída de Corinto em Pentecostes de 54, a congregação mergulhou
em dúvidas e interpretações errôneas dos ensinamentos doutrinários. É neste
contexto que Paulo escreve a epístola que chegou a nossos dias, dirigida aos
membros daquela Igreja.
A perícope para o domingo de Páscoa apologiza a ressurreição dos mortos.
Muito provavelmente alguns cristãos convertidos do judaísmo ainda
carregavam consigo aspectos doutrinários da antiga religião. Os judeus
questionavam a ressurreição do corpo. No entanto, há fortes indícios que
estes membros da Igreja de Corinto faziam uma exceção aos eventos da
história do Evangelho, ou seja, da ressurreição de Cristo. É importante notar
que a contestação por parte de alguns da congregação de Corinto diz respeito
à "ressurreição dos mortos" (vers.12); não há menção sobre a ressurreição de
Cristo.
Vv.7-11: Aos amados, a quem o amor de Deus foi manifesto por meio do
envio de Jesus ao mundo para salvá-los, além da confissão pública da verdade
do Jesus Cristo vindo na carne ao mundo, resta somente uma coisa a fazer.
250
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
Na defesa da ressurreição dos mortos, Paulo usa a ressurreição de Cristo
como elemento comprobatorio desta verdade. Tal argumento não seria
empregado caso a ressurreição de Cristo não fosse aceita. Paulo apresenta
Cristo como as primícias dos que dormem - o primeiro fruto colhido de uma
safra que abrangerá todos os seres humanos. Primícias é a palavra chave da
perícope a ser estudada.
Texto e comentário
O texto de 1 Coríntios 15.19-28 pode ser dividido em três partes: introdução
(vers.19), explicação do significado da ressurreição (vers.20-23) e, finalmente,
as implicações escatológicas desta ressurreição (vers.24-28).
A primeira parte do discurso de Paulo aos Coríntios (vers.19) é uma
resposta à polêmica levantada por membros desta comunidade que não
acreditavam na ressurreição (vers.12). Não há esperança sem ressurreição,
é a asserção de Paulo. A ressurreição não poderia ser vista como um fato
histórico tão somente, é a sua significação para a eternidade que deveria
nortear a discussão entre os coríntios. Para o apóstolo, a ressurreição é um
ato de vitória (1 Coríntios 15.54) que demonstra o poder e o amor de Deus
Pai; uma incontestável prova para a paz de nosso espírito e a esperança de
nossa própria ressurreição.
A segunda parte do texto (vers.20-23) é a razão de asserção apresentada.
Os versículos formam o centro da mensagem.
Na primeira parte do versículo 20, o testemunho do apóstolo é apresentado
de forma enfática: "Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos". Esta
conclusão categórica já fora demonstrada anteriormente nos versículos 3-10
deste mesmo capítulo. As evidências são definitivas porque além das centenas
de testemunhas (vers.5-7), Paulo coloca seu testemunho pessoal da
ressurreição (vers.8). Além de ser um fato, a ressurreição é ato de amor, um
presente para nossas vidas. Em presente para toda a eternidade.
Para o apóstolo, a ressurreição precisa ser entendida a partir da morte de
Cristo, e a morte de Cristo a partir da nossa morte que é conseqüência do
pecado. A morte de Cristo por si só representou a condenação de todos os
pecados. A implacável justiça divina foi satisfeita no sacrifício daquele que
havia sido preparado para tal oferta - Jesus Cristo.
Perante os olhos dos homens havia inocência em Jesus. O oficial
centurião(Lucas 23.47), um grupo de pessoas que observava os
acontecimentos (Lucas 23.48), os discípulos, familiares e amigos, Pilatos
(Mateus 27.24), Herodes e até para Judas, o traidor, viam em Jesus Cristo um
inocente. No entanto, o Pai o abandonou por considerá-lo o maior dos
pecadores (Mateus 27.46). Nos momentos que precederam sua morte, o Pai
não enviou seu anjo para consolar como o fizera no Getsêmani. O Cordeiro
de Deus que não conheceu o pecado (2 Coríntios 5.21) tomou-se o maior dos
pecadores ao assumir os nossos pecados. O Filho Amado (Marcos 1.11)
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
251
conheceu a justiça de Deus ao ser condenado pelos pecados de todos. Aquele
que não conheceu o pecado foi razão para desprezo e punição dos homens e
do próprio Deus (Isaías 53.4).
Na segunda parte do versículo 20 o apóstolo apresenta Cristo como as
"primícias dos que dormem". Ao usar o termo primícias, os primeiros frutos da
terra, Paulo oferece uma simbologia que poderia ser facilmente entendida
pelos membros da comunidade de Corinto. No período das festas da Páscoa
e Pentecostes, os israelitas traziam os primeiros frutos da terra para os
sacerdotes (Levíticos 23.9-10). Estes frutos significavam a fartura da colheita
que estava por acontecer. Assim, Cristo torna-se o paradigma de todos os
que dormem e ressuscitarão. Primeiro Cristo, depois todos os que vieram a
crer.
Nos versículos 21 e 22, Paulo explica por analogia a relação entre morte
e ressurreição, entre Adão e Cristo. Assim como através de Adão a morte
passou a todos os homens (Romanos 5.12), assim também a morte vencida
por Cristo e a ressurreição para a vida eterna passarão a todo o que nele crê
(2 Timóteo 1.10). Mais claramente Paulo coloca o mesmo argumento na carta
aos Colossenses 1.18 "Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos,
para em todas as coisas ter a primazia".
No versículo 23 o apóstolo coloca a ordem dos fatos com respeito à
ressurreição para deixar ainda mais claro para os coríntios que nossa
ressurreição depende da de Cristo.
Aterceira parte da perícope inicia com a parousia (vers.24). Todos aqueles
que confiam na obra redentora de Cristo serão ressurrectos com ele na sua
segunda vinda. A parousia de Cristo é acompanhada pelo julgamento final
das forças do mal (Jo 5.29). A vitória está garantida para os justos perante
Deus.
No versículo 25 Paulo explica que neste período intermediário entre a
ressurreição e a parousia, Cristo deverá reinar (Ap. 20.1-6). Neste processo
de domínio, as forças do mal serão acorrentadas. É o período da graça, os mil
anos de que fala João (Ap 20.2). O versículo todo é uma referência ao Salmo
110.1 "Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita.até que eu
ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés". É importante observar que
neste Salmo messiânico, lembrado em outras oportunidades em o Novo Testamento, é mencionado o duplo ofício de Cristo: o Sacerdotai e o Real. Cristo
não somente terá o domínio universal (Efésios 1.20-23), mas continuará
intercedendo pelos seus eleitos (Hebreus 7.24-25).
No versículo 26 Paulo refere-se à morte como o último inimigo a ser
destruído pelo Senhor. Em Apocalipse 20.14 João diz: "Então a morte e o
inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte,
o lago do fogo". A aniquilação da morte eterna significa, por sua vez, a vida
eterna. Veja-se o que o apóstolo diz em 2 Timóteo 1.10 "e manifesta agora
pelo aparecimento do nosso salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a
252
IGREJA LUTERANA-NÚMERO2-1996
morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho".
Os últimos versículos (27 e 28) descrevem o final da obra salvífica que o
Pai confiou ao Filho. Uma vez que todas as coisas (inimigos de Cristo) estejam
debaixo de seus pés (Salmo 8.6) e tudo estiver de acordo com a vontade do
Pai, a obra estará definitivamente concluída. Quando tudo estiver sujeito ao
Filho, aí o Filho se sujeitará ao Pai. É importante notar que aqui não há
hierarquia ou diminuição de poder. As três pessoas da Santíssima Trindade
são iguais. A referência aqui deve ser entendida do ponto de vista da
administração de todas as coisas para as mãos do Pai. Uma vez concluída a
obra do Filho, tudo o que lhe fora confiado agora volta para as mãos do Pai.
No final, é o Triúno Deus que se mostra supremo e soberano.
Com a conclusão de toda a obra por Cristo, iniciamos uma nova e definitiva
existência com o Deus triúno no reino da Glória. A vitória de Cristo na
ressurreição é a nossa vitória.
Tema sugerido
Páscoa - A Festa da Vitória do Cordeiro
LeoFuhr
Canoas, RS
SEGUNDO DOMINGO DE PÁSCOA
06 de abril de 1997
1 João 5.1-6
Leituras do dia
Na antífona e intróito (1 Pe 2.2,3), o apóstolo incentiva o filho de Deus a
buscar o crescimento de sua fé através do uso intenso do leite espiritual da
Palavra. A Palavra faz o crente crescer em Cristo. Sua fé pode e deve crescer.
No texto de Atos, Pedro enfatiza que os israelitas mataram o Autor da
vida por ignorância e falta de fé. Só o arrependimento poderia cancelar este e
outros pecados seus. A mensagem da ressurreição do Autor da vida estava,
por isso, sendo levada em primeiro lugar para eles.
Nas palavras do evangelho (Jo 20.19-31), João registra as quedas da fé
de alguns dos discípulos, especialmente de Tome. A ressurreição do Senhor é
a base de todo evangelho. A fé neste evangelho é a garantia da vida
permanente em nome do Senhor Jesus.
Contexto
O apóstolo João menciona no capítulo 2 a obediência cristã (vv.3-6), o
amor cristão (vv.7-11) e a fé cristã (vv. 18-27). No capítulo 3 ele trata da
obediência cristã (2.28-3.10) e do amor cristão (vv. 11-18). No capítulo 4 eie
aponta à fé (1-6) e ao amor (7-12). Ao iniciar o capítulo 5, João junta o amor,
a fé e a obediência. Ele fala em crer, ter fé e obedecer.
IGREJA LUTERANA - NÚMERO 2 -1996
253
O parágrafo final do capítulo 4 diz que o amor a Deus também nos leva a
amar nosso irmão. Ele agora liga esse duplo amor à fé e à obediência. Os vv.
1-5 começam e finalizam com a fé. Mas no seu conteúdo se acha o amor e a
obediência. O elo básico entre eles é o novo nascimento. A fé, o amor e a
obediência são o crescimento natural e adequado ao novo nascimento
espiritual.
Texto
O v.1 apresenta a verdadeira raiz e base da fé, do crer. Crer que Jesus é
o Cristo, o Messias, procede do nascimento de Deus. A fé é conseqüência do
novo nascimento e não a sua causa. A realidade do crer é resultado, o sinal,
a evidência da experiência do novo nascimento que torna uma pessoa filho
de Deus.
O novo nascimento é obra de Deus. Por ele somos levados ao
conhecimento do Filho Eterno e também somos envolvidos num
relacionamento amoroso com o Pai Eterno e seus demais filhos. Os que dele
foram gerados amam a ele e a todos que dele nasceram e nascem. É o
maravilhoso relacionamento familiar entre pai e filho, e filhos e filhos.
Os vv. 2 e 3 acrescentam aos dois amores: a Deus e aos irmãos na fé
outro fruto da fé, que é a obediência. O amor aos filhos de Deus torna-se o
conhecimento, o reconhecimento, a constatação de que amamos a Deus e o
obedecemos, praticamos os seus mandamentos. Ninguém pode amar ninguém
como filho de Deus se não ama a Deus; e ninguém pode amar a Deus sem
dispensar amor aos demais filhos de Deus.
O amor de Deus resulta na obediência a Deus e é a constatação de que
obedecemos. É um amor ativo e prático, manifestado de fato e de verdade. A
obediência aos mandamentos de Deus não é penosa, nem dolorosa, nem
pesada, nem difícil. Eram pesados, sim, os regulamentos dos fariseus e
escribas (Mt 23.4). O jugo de Jesus é suave, o fardo é leve (Mt 11.30). A
vontade de Deus é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).
O v.4 fala da conquista do mundo. O novo nascimento, operado pelo Senhor
Deus nos homens pecadores, é um evento divino e maior vindo de Deus e
que nos tira da esfera do mundo dominado pelas forças opositoras a Deus.
Somos libertados de um verdadeiro império das trevas para nos tornarmos
conquistadores do mundo. A fé que nos foi concedida graciosamente é
poderosa para vencer e conquistar. A fé nos leva à vitória sobre o mundo. É
uma vitória permanente sobre o mundo. É a vitória sobre muitas coisas, do
mundo, como suas perspectivas, preocupações, atitudes, padrões, impiedades,
heresias, convicções e muito mais. Em todas suas formas de ataque do mundo
à família de Deus, os filhos de Deus, a vitória invariavelmente é nossa, graças
a Deus. A fé é o sinal, o símbolo, a garantia da nossa vitória.
Colocando as palavras do v.5 em sentença afirmativa, temos: Vence o
mundo aquele que crê ser Jesus e Filho de Deus. João repete a sentença
254
IGREJALUTERANA-NÚMER02-1996
"vence o mundo" três ve/es seguidas: o nascido de Deus vence o mundo, a
nossa fé vence o mundo, todo crente vence o mundo. Basta, pois, alguém em
sua alma estar convicto de que Jesus é o Cristo, e ele vencerá o mundo.
Jesus Cristo é a fonte, a força, a garantia da vitória sobre o mundo.
O v.6 é uma comprovação de João no sentido de que Cristo é Jesus
Cristo. João cita as três testemunhas dessa verdade: Espírito, a água e o
sangue. O Espírito Santo é o permanente Espírito da Verdade (Jo 15.26; 16.13).
A água, no batismo de Jesus, foi uma revelação e apresentação de Jesus
como o Cristo de Deus; foi o selo da Lei. Ele veio para cumpri-la. A presença
da voz do Pai, no batismo, foi importante. E o sangue de Jesus, vertido na
cruz, também comprova ser ele o Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo (Jo 1.29; 1 Jo 1.7). A obra da reconciliação exigiu o derramamento do
sangue de Jesus, na cruz.
Sugestão homilética
Introdução: As permanentes guerras e batalhas no mundo. Jamais houve
nem haverá paz. São incontáveis mundos dentro do mundo. O filho de Deus
enfrenta e vence o mundo inteiro.
Tema: Nós vencemos o mundo.
1. Cremos no Senhor Jesus.
A. Temos a maior riqueza do mundo: a fé
B. A fé procede de Deus.
C. A fé é concedida pelo Espírito Santo (3S Artigo).
D. A fé é transportada por todo filho de Deus.
2. Testemunhamos o Senhor Jesus.
A. Adoramos a Deus cooperativamente.
B. Amamos a Deus e aos filhos de Deus.
C. Na ceia, anunciamos a morte do Senhor.
D. Na vida, proclamamos a glória do Cristo vivo.
Elmer A. Roll Porto
Alegre, RS
TERCEIRO DOMINGO DE PÁSCOA
13 de abril de 1997
1 João 1.1-2.2
Contexto
A medula desta carta é o amor: o amor de Deus para com os homens e o
amor que estes devem ter uns pelos outros. O conteúdo é um alerta aos
leitores contra a falsa doutrina então em voga, a qual negava a real humanação
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
255
de Jesus e afirmava ter ele somente aparência de homem. Fugindo ao costume da antigüidade, o correspondente aqui inicia sua carta sem anunciar sua
identidade. Apenas em 2 e 3 João intitula-se "O presbítero", sem revelar o seu
nome. Não é, porém, um texto impessoal, geral ou "católico", como Origines
chegou a sugerir. Os destinatários são os chamados "filhinhos" do autor, de
quem conhece a história espiritual e circunstâncias do cotidiano. Em razão
dos temas abordados e do estilo, as cartas logo passaram a ser chamadas de
"Cartas de João", identificando-as com o autor do Evangelho de João. É uma
bela carta de um pastor ao seu rebanho.
Texto
Os vv. 1 -4 constituem o Prefácio, que poderia ser sintetizado nestes termos:
"Anunciamos a vós outros, com respeito ao Verbo da vida, o que era desde o
princípio, que temos visto, ouvido e apalpado, e os objetivos do nosso anúncio
são comunhão e alegria". A frase inicial, "o que era desde o princípio", ressalta
que o autor não está introduzindo nenhuma nova doutrina ou preceito, mas
proclamando o conteúdo original e inalterado do evangelho. A seguir descreve
que o Verbo se fez carne e se apresentou aos três sentidos mais elevados dos
homens: audição, vista e tato. Segundo Westcott, "partem do aspecto mais
abstrato para o aspecto mais material da revelação divina". Ter ouvido não
era suficiente (os homens "ouviam" a voz de Deus no AT). Ter visto era mais
persuasivo. Mas apalpar (epselaphesan) era a prova conclusiva de que o
Verbo se fez carne a "armou sua tenda" entre nós.
Ouvir, ver e apalpar só se tornou possível porque a "vida se manifestou".
O verbo aoristo ephanerothe, indicando o fato histórico da encarnação, aparece
duas vezes ( "...se manifestou"; " ... nos foi manifestada"): primeiro ocorre
absolutamente, depois acrescenta "nos foi manifestada", para deixar claro
que não poderíamos ver Aquele que estava eternamente com o Pai se ele
deliberadamente não tivesse tomado a iniciativa de manifestar-se.
Todo esse conteúdo do Verbo da vida que nos foi dado torna-se
proclamação a vós. A manifestação histórica da Vida precisa ser proclamada,
não ocultada ou monopolizada. João emprega dois termos para descrever o
anúncio apostólico: marturoumen (damos testemunho) e apangellomen
(anunciamos). O testemunho e proclamação não são um fim em si mesmo. O
propósito imediato é a koinonía (comunhão) e o propósito último é a chara
(alegria) pela salvação. A comunhão de uns com os outros baseia-se na
comunhão com o Pai e o Filho e irrompe na plenitude da alegria.
Vv. 5 - 2.2. Este bloco trata das implicações morais da mensagem
apostólica. A mensagem que anuncia não é dele ou dos apóstolos, mas é a
que ouviram "da parte dele". A proclamação de que se ocupa pode ser
condensada numa única e grandiosa afirmação: "Deus é luz (phos) e não há
nele treva alguma" (v. 5). O emprego metafórico de luz é vasto:
intelectualmente, luz é verdade; trevas, ignorância e erro. Moralmente, luz é
pureza; trevas, mal. Luz é justiça (Is 5.20) etc.
256
IGREJA LUTERANA -NÚMERO 2-1996
Em 1.6-2.2 três das espúrias pretensões dos falsos mestres são expostas
e contraditadas. A simetria dos sete versículos é evidente. Primeiro, introduz
o ensino falso com as palavras "se dissermos" (vv. 6,8,10). Depois contradiz
com um ineqívoco "mentimos", "enganamos". Dizer, por exemplo, que não
temos pecado (v.8) significa que somos auto-enganados e a verdade não está
em nós. Não somente falhamos na prática da verdade; estamos, de fato,
vazios dela, pois se habitasse em nós, inevitavelmente estaríamos conscientes
de nossa pecaminosidade. A atitude para com o pecado não é negá-lo, mas
admiti-lo e receber o perdão que Deus tornou possível e nos promete (v.9). E
a cruz é a única base moral sobre a qual ele pode perdoar o pecado, pois ali
o sangue de seu Filho (v.7) foi derramado para que ele pudesse ser a
"propiciação" por nossos pecados (2.2).
A franca admissão dos pecados e o pleno perdão dos mesmos não nos
podem levar a pensá-los, a partir daí, levianamente. Por isso o autor, pensando
primeiro em "impedir o pecado, não desculpá-lo" (Brooke), amplia o tema.
Primeiro o faz negativamente ("para que não pequeis") e depois positivamente
("se, todavia, alguém pecar..."). E a provisão para este último caso está no
"Advogado junto ao Pai". A palavra Advogado, em sua equivalente latina e
grega, (advocatus e parakletos) significa "chamado ao lado de", e descreve
alguém convocado para prestar assistência a outrem. Era particularmente
empregada nos tribunais de justiça para designar um advogado cuja
responsabilidade é defender a causa da pessoa em julgamento. Nosso
Advogado não defende que sejamos inocentes, nem propõe atenuantes;
reconhece nossa culpa e apresenta sua obra viçaria como base da nossa
absolvição. A provisão e socorro de quem peca está em Jesus, que possui
tríplice qualificação: seu caráter justo (2.1), sua morte propiciatória (2.2) e sua
advocacia celestial (2.2). E cada uma depende das demais: ele não poderia
ser o nosso Advogado se não tivesse morrido para ser propiciação (hilasmos)
pelos nossos pecados; sua propiciação não teria sido eficaz se em sua vida e
caráter não tivesse sido Jesus Cristo, o justo.
Proposta homilética
Insegurança e falta de referenciais talvez sejam as marcas maiores do
nosso tempo de pós-modernidade. A humanidade, através de descobertas
tecnológicas, mergulhou em um oceano de signos, uma floresta de símbolos,
um universo de palavras e imagens, uma vertigem comunicacional, o império
da transparência e, paradoxalmente, o reino da opacidade. A nossa era da
globalização, da comunicação e da informação abre-se sobre o palco da
descrença no futuro. Deve-se temer o futuro? Essa é a questão que mais tem
preocupado os intelectuais europeus depois de 1989, ano da deflagração das
profundas mudanças nos países do socialismo real que resultaram na
liquidação da utopia marxista-leninista. Octavio Paz, prêmio Nobel da Literatura
de 1990, declarou em entrevista recente que "a palavra futuro está em
decadência".
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
257
Pensadores e políticos inquietam-se com o amanhã das sociedades. A
cultura mudou. As certezas escorrem por entre os dedos. O homem deste fim
de século opera com o mecanicismo da opção: não está obrigado a aderir de
modo permanente a nada. Daí resulta um profundo sentimento de liberdade
ao mesmo tempo que impera a angústia do relativismo. Tudo é legítimo e
nada é sagrado. Tudo é possível e nada é necessário. O tempo real foi
substituído por um tempo virtual. Há uma febril busca do novo, do consumo
estéril. Vive-se a sociedade da obsolescência programada. O que é hoje,
amanhã está ultrapassado. Quais são, afinal, os referenciais? Objetos de arte,
ídolos, ideologias, crenças, utopias, certezas e tudo o mais perecem 30
segundos após o nascimento. Programas de rádio e televisão converteramse em consultórios de psicanálise para sessões coletivas de terapias vazias.
Apesar do estar-junto mediado pela tecnologia, a comunicação e a empatia
diluem-se ou nunca se constróem: cada um fala para si mesmo, por si mesmo.
A realidade que construímos é um verdadeiro mosaico; a vida é construída de
fragmentos que captamos dos veículos de comunicação de massa. Onde
buscar sentido, certezas, um amanhã?
O autor da epístola dirige-se aos seus endereçados para firmá-los em sua
fé e vida cristã frente às incertezas do futuro. Escreve-lhes: (1) "para que a
nossa alegria seja completa"; (2) "para que não pequeis" e (3) "a fim de saberdes
que tendes a vida eterna" (1.4; 2.1; 5.13). Alegria, santidade, certeza são o
recado do pastor ao seu rebanho. Alegria pela humanação do verbo, pela
comunhão que podemos ter com ele e com os irmãos, pelo perdão que nos
concede pelo "sangue que nos purifica de todo o pecado"(1.7); santidade que
o Advogado nos confere ao nos inocentar de todos os pecados pela
propiciação(2.2); certeza da vida eterna que recebemos dAquele que "é fiel e
justo para perdoar", que é o Verbo da vida, que é luz, que é verdade.
Na pós-modernidade eivada de sombras e de futuro incerto, a igreja
desfruta de certezas inconfundíveis e de caminhos claros (naquele que é Luz):
1. alegria completa pela manifestação do Filho;
2. consolo do perdão dos pecados e purificação da injustiça;
3. certeza de vida eterna.
Astomiro Romais
Porto Alegre, RS
QUARTO DOMINGO DE PÁSCOA
20 de abril de 1997
1 João 3.1-2
Contexto
O tema dominante da carta é o amor: o amor de Deus para conosco e o
amor que devemos ter uns para com os outros. O apóstolo exibe terno e
258
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
pastoral cuidado por seus loiloros. Ele procura proteger os seus leitores, os
seus amados "filhinhos", e firmá-los em sua vida e fé cristã. Assim, ele define
que o seu propósito ao escrever é "para que a nossa alegria seja completa",
"para que não pequeis", e "a fim de saberdes que tendes a vida eterna" (1.4;
2.1; 5.13).
Esta primeira epístola foi escrita para uma comunidade cristã que se
defrontava com a heresia gnostica do primeiro século e João procurou encorajar
os seus membros a viverem uma espécie de vida coerente com a comunhão
com Deus. A epístola aborda termos vitais como a justiça, o amor e o
conhecimento certo e aponta para a qualidade da vida cristã.
A perícope em estudo faz parte de uma divisão da carta que aponta para
advertências e promessas aos filhos de Deus (2.28; 3.24).
A última palavra do capítulo anterior aponta para o fato de que o cristão
está ligado a Deus por um espiritual e divino nascimento. Um cristão é um
"nascido do Espírito" — "nascido de Deus". Mas São João jubilosamente
percebe o quanto está envolvido e incluído neste novo divino nascimento, e
expressa em explosão de gratidão este fato no início deste terceiro capítulo.
O nascimento traz consigo a paternidade divina e os privilégios dos filhos
de Deus.
Assim, a perícope em estudo está estreitamente relacionada com o
versículo anterior que aponta para o novo nascimento em Cristo.
A divisão de capítulos não é feliz aqui, visto separar a expressão de
admiração em 3.1 daquilo que lhe deu lugar, o ser nascido de Deus. Em 2.29
lembra-nos que "ele é justo", e isto nos fornece um teste pelo qual podemos
aferir os verdadeiros cristãos: "reconhecei que todo aquele que pratica a justiça
é nascido dele". Dizendo isto, a maravilha e a graça desse fato arrebatam o
apóstolo. "Vede", diz ele, "vede que grande amor". Então ele emprega a palavra
grega tekna, a qual chama a atenção para a própria natureza do filho antes
que para direitos e privilégios; em outras palavras, chama atenção para nosso
novo nascimento antes que para o adoção. Note-se a adição da frase "e de
fato somos tais". Não somente somos chamados filhos de Deus, mas de fato
o somos. Tudo isto procede do amor admirável que Deus nos liberalizou.
Tamanho amor, e a vida que propicia, é algo que o mundo não compreende
que são objetos dele, assim como não compreendem a próprio Salvador (cf.
Jo 1.10-11).
Tudo isto é maravilhosíssimo, mas vemos que ainda há mais: é que grandes
coisas estão reservadas para o crente, quando este o vir e for feito semelhante
a Ele. Esta expectativa é um estímulo presente para o cristão se desvencilhar
de tudo quanto no coração e na vida não condiga com a perfeita pureza do
Filho de Deus (v.3).
Texto
V.1: "Que grande amor" com a idéia de qualidade e quantidade: "que
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
259
glorioso, sublime amor" (Lutero). Uma expressão de júbilo pelo amor de Deus
fazendo-nos seus filhos, sendo uma alusão à natureza divina que recebemos
por sermos gerados de Deus e não por nossa posição filial. O amor vem de
Deus como Pai.
Potapen: "que grande", "que maneira de", significava originalmente "de
que país". É como se dissesse que o amor do Pai é tão diferente e maior do
que o amor terreno, tão estranho para esse mundo. É uma afirmação de espanto
e de admiração. Este amor Deus não apenas nos mostrou, mas nos concedeu.
Kaiesmen: "de fato somos", "e tais somos nós", "e de fato o somos". Estas
palavras aparecem nos representantes das tradições textuais mais antigas,
dando a idéia de que, mui provavelmente, fazem parte autêntica do texto,
embora omitidos por alguns manuscritos, principalmente da tradução bizantina.
Estas palavras estão presentes para efeito de ênfase, apontando de que somos
filhos de Deus, pela graça de Deus. Esta expressão aponta para o fato de que
o mundo não nos reconhece como tal, pelo fato de primeiro não conhecer a
Deus. Nós somos filhos de Deus, seja o que for que os homens (mundo)
digam e pensem. Os filhos de Deus e o mundo são tão diferentes entre si que,
de fato, o mundo não nos conhece (cf. 1 Co 2.15-16). A razão disso é que não
o conhecem a ele mesmo, o que deve referir-se a Cristo (cf. Cl 3.3). A nossa
filiação, embora real, ainda não é visível (Rm 8.19).
Este não conhecer implica em ódio, em desfavor. O resultado de não
conhecer é tornar-se ignorante, perseguidor (cf. Jo 15.18ss).
v.2: O autor chama de amados os seus leitores porque os que são amados
pelo Pai são amados pelo apóstolo também. Daí parte da reiteração "agora
somos filhos de Deus" — quer o mundo reconheça quer não — para uma
consideração do que havemos de ser. O que somos não aparece agora para
o mundo; o que seremos não aparece ainda para nós. Aqui João confessa
que o exato estado de condição dos remidos no céu não lhe tinha sido revelado.
"Agora somos filhos de Deus" reflete este fato pela terceira vez, mas "agora"
fixa atenção no tempo presente. "E ainda não está manifesto o que haveremos
de ser". Ainda não foi revelado publicamente por Deus a glória que pertence
aos seus filhos, a incorruptível, pura, inalterável herança, reservada para nós
no céu (1 Pe 1.4).
Contudo, não quer dizer que não sabemos nada acerca do nosso estado
futuro. Sabemos isto, que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a
ele, porque havemos de vê-lo como ele é. A ordem dos eventos parece ser
clara: Ele aparecerá, o veremos como Ele é e finalmente seremos semelhantes
a Ele. Em 2 Coríntios 3.18 se diz que a transformação é devida ao fato de que
estamos "com o rosto desvendado, contemplando... a glória do Senhor", assim,
é compreensível que quando o virmos como Ele é, e não somente o nosso
rosto for desvendado, mas também o dele, seremos final e completamente
semelhantes a Ele, incluindo-se os nossos corpos (Fp 3.21). Paulo, em suas
epístolas, se concentra na verdade de que no céu estaremos "com Cristo" (2
260
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
Co 5.8; Fp 1.23; Cl 3.4; 1 Ts 4.17; cf. Lc 23.43; Jo 14.3; Jo 17.24).
É-nos suficiente saber que no último dia e pela eternidade estaremos com
Cristo e seremos como Cristo; quanto a uma revelação mais completa do que
seremos, contentamo-nos em esperar.
Proposta homilética
Um amor do outro mundo.
1. O origem do amor: o Pai
2. O objeto do amor: nós
3. A gratuidade do amor: nos tem concedido
4. A realização atual do amor: somos chamados filhos de Deus
5. O propósito final do amor: a revelação do que havemos de ser.
Joel Renato Schacht São
Leopoldo, RS
QUINTO DOMINGO DE PÁSCOA
27 de abril de 1997
1 João 3.18-24
Leituras do dia
Salmo 22.25-31: "Do Senhor é o reino". Isto será proclamado a todos.
Atos 8.26-40: Filipe e o eunuco da Etiópia: A salvação por Cristo é
proclamada ao etíope, que confessa a sua fé em Jesus e é batizado.
1 João 3.18-24: "Crer em o nome de Jesus e nos amar uns aos outros."
Isto tranqüiliza o nosso coração e nos dá confiança em nossas orações. É a fé
que confia em Deus e age através do próximo.
João 15.1-8:0 verbo "permanecer" aparece oito vezes neste texto, ilustrado
pela comparação da videira e dos ramos, mostrando o que significa "crer em
Jesus" e "dar fruto" (fé e obras).
Contexto
O apóstolo do amor lembra que a fé não anda sozinha, mas sempre está
acompanhada do amor ao próximo. "Fé ativa no amor", como muito bem
expressa o livro de G.W.Forell, analisando a teologia de Lutero. E não é uma
fé qualquer, mas é a fé "em o nome de seu Filho Jesus Cristo", fonte e força
para o verdadeiro amor.
Lembramos que todas as leituras de Epístola do 29 ao 7g Domingo de
Páscoa são de 1 João. Cuidado para não ser repetitivo, mas explorar o detalhe
peculiar de cada Epístola.
Estamos perto da Ascensão e do Pentecostes; a mensagem pode ser
direcionada em preparação para estes dois eventos.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
261
Texto
V.18: Amor em ação {en ergo), não apenas da boca para fora. A situação
mencionada no v.17 é lembrada também por Tg 2.15-17 e é preparatória para
o v. 23 (base para esta mensagem). O lema da IELB "Servindo como povo de
Deus" enfoca a diaconia, o serviço social, o amor ao próximo. Pode ser bem
mencionado aqui. Cf. tb.: Tg 1.22.
Vv. 19,20: Nosso coração nos acusa, pois sabemos que ainda não somos
perfeitos. Mas Deus, que conhece nossas fraquezas, quer tranqüilizar o nosso
coração pelo perdão de Cristo. - Cf.: O filho pródigo: Lc 15.21 e 22: o
arrependimento do filho e o amor do pai; e: A negação de Pedro, Mt 26.75, e
o amor de Jesus, Lc 24.34, Jo 21.15ss.
Vv.21,22: Perdoados, tranqüilos, podemos chegar ao Pai como "seus
verdadeiros filhos e lhe rogar sem temor, com toda a confiança, como filhos
amados ao querido Pai" (M. Lutero, Explicação da Introdução do Pai Nosso,
Catecismo Menor). Cf.: Rm 5.1; Hb 4.16; Rm 8.1,33,34; 1 Jo 5.14,15.
V.23: Lutero comenta sobre fé e amor: "Com exceção da fé, nós devemos
direcionar todas as nossas obras ao nosso próximo; porque Deus não requer
de nós obra nenhuma, a não ser que creiamos em Cristo Jesus" (SI 11.95).
Assim como a fé é dirigida a Deus através de Cristo, assim as nossas obras
são dirigidas ao próximo movidas pelo amor de Cristo. Cf.: O julgamento
final, Mt 25.40; cf. tb.: Jo 6.29; Jo 13.34,35; Jo 15.12,17.
V.24: "permanecer": cf. o Evangelho deste domingo.
"O Espírito": aponta para o Pentecostes. Cf. 1 Jo 4.13; Rm 8.9; Jo 14.16,17.
Proposta homilética
Tema: Fé e ação!
Objetivo: Estimular a uma coerência maior entre a fé e a vida cristã,
baseada no amor de Cristo.
Problemas que impedem uma maior coerência:
- falsa compreensão do "sola fide'.
- medo de praticar obras "para a salvação".
- ser cristão só na igreja, não no dia-a-dia.
- falta de amor ao próximo.
A solução de Deus:
- O mesmo Espírito que nos chama à fé em Cristo nos capacita para as
obras através dos meios da graça.
Introdução: Ler no Livro de Concórdia, p.509ss."Das Boas Obras; Fórmula de
Concórdia, Declaração Sólida, IV e levantar a questão. I - Crer em Jesus
Cristo
262
IGREJA LUTERANA -NÚMER02-1996
A fé salvadora: Dom de Deus (Explicação do 3a Artigo do Credo). II
- Amar uns aos outros
Fruto da fé (Exemplos concretos locais - ou do FAPI - de oportunidades
de serviço).
Conclusão: Prefácio de Lutero à Ep. aos Romanos: Livro de Concórdia,
pp. 592,593, § 10-12.
Carlos Walter Winterle
Porto Alegre, RS
SEXTO DOMINGO DE PÁSCOA
4 de maio de 1997
1 João 4.1-11
Contexto
A epístola do domingo passado, no v.23, destaca a vontade de Deus no
sentido de que: 1o) Creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo; e 2o) Nos
amemos uns aos outros como ele ordenou.
A mesma, ao final, no v.24 nos mostra que o que guarda os seus
mandamentos permanece em Deus, e Deus nele, que a certeza da presença
de Deus no cristão está no fato de que o mesmo tem o Espírito que ele deu.
Este Espírito, ao contrário dos falsos espíritos, aqueles são os enganadores,
a serviço do mal, é o Espírito Santo, aquele que veio e vem a nós pelos meios
da graça e que, tendo-nos convertido, move-nos a confessar o Cristo vindo na
carne e a amar o próximo como Jesus nos amou. Estas duas são as grandes
verdades que o texto deste domingo proclama a cada um de nós.
Texto
Vv.1-6: João chama a atenção dos seus leitores, os amados, os cristãos,
para o fato de que havia a necessidade de se provarem os espíritos, isto é, de
examinar-se o que os profetas anunciavam a respeito de Jesus. Este exame,
este provar, revelaria quem estava a favor ou contra a verdade revelada pelo
Espírito de Deus. O referencial que determinaria quem era ou não um falso
profeta encontrar-se-ia no ensino contrário a respeito de Jesus Cristo vindo
na carne.
A pessoa de Jesus, o Deus-homem, sempre foi e continua sendo a pedra
de tropeço dos falsos profetas. Os que rejeitam a mensagem do Cristo
humanado não são de Deus. Os que a ouvem, confessam e nela crêem, lhe
pertencem.
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
263
Vv. 7-11: Aos amados, a quem o amor de Deus foi manifesto por meio do
envio de Jesus ao mundo para salvá-los, além da confissão pública da verdade
do Jesus Cristo vindo em carne ao mundo, resta somente uma coisa a fazer.
Não é algo sem importância; pelo contrário, é algo sublime, grandioso,
maravilhoso, a saber: amar como ele nos amou.
Proposta homilética
Introdução - Quando vemos aumentar o número dos que, sem o ser,
proclamam-se profetas de Deus para anunciar nos meios de comunicação
um evangelho diferente daquele que o próprio Cristo ensinou, quando vemos
o que fazem na área do serviço social associações não cristãs, nos
perguntamos: O que está acontecendo com a nossa igreja? Não nos
proclamamos a nós mesmos como a igreja que prega e ensina a única,
verdadeira e correta doutrina da palavra de Deus? Não temos nós dito que
embora sejamos salvos tão-somente por graça, mediante a fé, que
imediatamente a isso sucede a nova vida em Cristo onde se destaca a prática
do amor? No entanto, quando vemos diminuir entre nós o número dos que
anunciam o evangelho e que amam o próximo como Cristo os amou, não
precisamos também reconhecer que é hora de ouvir o clamor que Cristo, no
Apocalipse, apresentou à Igreja de Éfeso, quando disse: "Lembra-te, pois, de
onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e se não,
venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas"
(Apocalipse 2.5)? Eu creio que sim. Por isso oro a Deus para que a mensagem
de hoje, pelo poder do Espírito Santo, nos conforte com o seu amor e nos
estimule para tais fins.
Tema
"Os amados de Deus vencem os falsos profetas e amam como Cristo
amou!"
/ - Somos os amados de Deus;
a) Não por natureza;
b) Cristo nos salvou;
c) o Espírito Santo nos converteu;
d) Deus Pai nos adotou como seus filhos amados quando cremos.
// - Como amados de Deus vencemos os falsos profetas:
a) Nós os conhecemos (negam a Jesus Cristo, Deus-humanado, em seu
ofício redentor, sua ressurreição, etc);
b) Nós os podemos enfrentar (quando conhecemos a verdade - o
conhecimento vem pelo estudo bíblico - podemos defendê-la, proclamá-la,
confessá-la na certeza de que a palavra não retornará vazia a Deus);
c) Nós os vencemos (porque as portas do inferno não prevalecerão contra
264
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
a igreja. Eles poderão obter algumas vitórias, mas a vitória final será do Cordeiro
que reunirá a sua Igreja, os que perseveraram firmes até o fim, para a vida
eterna junto de si - Apocalipse 7.9-17).
/// - Como amados de Deus amamos como ele amou:
a) Desinteressadamente (isto é, sem a pretensão de querermos nos salvar
por meio das obras do amor; aqui a congregação pode receber exemplos de
obras de amor que outros cristãos praticam, dignas de imitação)
b) Mas também interessados (em fazer com que os que são atingidos
pelas nossas obras de amor glorifiquem a nosso Pai que está nos céus).
Conclusão
Nós somos os amados de Deus. Nós conhecemos os desafios que o lema
da IELB coloca diante de nós quando anuncia "Cristo para Todos". Nós
conhecemos as nossas fraquezas e limitações. Mas nós também conhecemos
o seu poder e amor. Por isso, não sejamos como aqueles homens de dura
cerviz, os "cabeças-duras" que fecharam, no tempo de Estevão, seus corações
ao Espírito Santo (Atos 7.51). Pelo contrário, que cada um de nós, de coração
aberto se deixe guiar pelo Espírito Santo, proclamando arrojadamente que
não há salvação em nenhum outro a não ser em Jesus e vivendo intensamente
uma vida de amor. Amém.
Egon Martin Seibert Porto
Alegre, RS
SÉTIMO DOMINGO DE PÁSCOA
11 de maio de 1997
Uo4.13-21
introdução
Fundamental no texto é o amor. O amor que, por sinal, é tema central de
1 João e da teologia joanina como um todo. Essa ênfase do texto representa
um desafio para nós. É muito difícil falar sobre o amor. Por diversas razões.
Uma delas é o lugar que a palavra amor ocupa em nossa linguagem diária.
Usa-se o termo "amor" para expressar realidades que apenas parcialmente e
com pouca profundidade apontam para a complexidade do que vem a ser o
amor. Costumamos ouvir: "Que amor!", como referência para algo que é
bonitinho, engraçadinho. Usa-se com freqüência a expressão "fazer amor"
como sinônimo de "praticar relações sexuais", mesmo quando esse "fazer
amor" não implique necessariamente algum tipo de manifestação amorosa.
Por outro lado, os sentimentos dominantes em nosso dia-a-dia são muitas
vezes opostos ao que se possa considerar amor. O que temos nas empresas,
nas ruas, no trânsito, nas escolas, nas praças de esporte, nos meios de
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
265
comunicação é bem mais marcado por ódio, intolerância, desconfiança, rivalidade e
toda sorte de sentimentos bem mais contrários do que afins ao amor.
Mesmo assim, apesar dos obstáculos da linguagem e da realidade diárias, 1
João nos impele a refletir acerca do amor. E o faz de forma contundente, quando
diz: Deus é amor! Sugiro abordar essa afirmação fundamental da Escritura partir de
três outras afirmações. "Deus é amor": (1) nisso nós cremos; (2) isso nos liberta do
medo; (3) isso nos leva a amar a pessoa próxima.
1. É o que cremos (v. 13-16)
Conheço pessoas que não aceitam a afirmação "Deus é amor!" Para elas todo o
mal e a injustiça presentes no mundo são uma evidência explícita de que Deus, o
Criador desse mundo, de modo algum pode ser amor. Se Deus fosse amor, dizem,
então o mundo e as criaturas seriam completamente diferentes. Um Deus amoroso
jamais permitiria tantos abusos e atrocidades.
Esse tipo de pensamento é permeado em boa medida por angústia, por
inconformidade com o estado de coisas e não deixa de ser lógico na perspectiva
humana. A questão é que 1 João fala "Deus é amor" de uma maneira
completamente alheia à lógica humana. O verso em que se lê "Deus é amor"
começa com as palavras: "Nós conhecemos e cremos o amor que Deus nos tem" (v.
16). Nós cremos esse amor.
Na época em que essa carta foi escrita também havia inconformidade em
relação ao mundo, também havia desconfiança em relação às boas intenções de
Deus. Nessa situação, a carta procura dizer claramente que o conhecimento acerca
do Deus, que é amor, não brota dos corações humanos, mas vem do próprio Deus.
Pode-se permanecer no Deus que é amor porque ele deu o seu Espírito (v. 13). Aí
se vê e testemunha que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo (v. 14).
Deus, por sua vez, permanece em quem confessa que Jesus é o Filho de Deus, e
quem dá tal testemunho permanece em Deus (v. 15). Crer, conhecer com os olhos e
na perspectiva da fé, testemunhar e confessar, são atitudes que levam ou apontam
ao Deus que é amor.
Deus, nessa forma, só é conhecido quando se olha para a cruz e para o
sepulcro vazio, como fizemos nos últimos dias, lembrando a paixão, a morte e
ressurreição de Jesus Cristo. Justamente para aí é que o texto está apontando: para
o Filho que o Pai envia como Salvador do mundo. 1 Jo polemiza com gente que
negava a encamação do Filho de Deus. Também combate um ensino nocivo às
comunidades, ensino este que rejeitava toda e qualquer ação salvífica que estivesse
fora das possibilidades humanas.
Quem crê, conhece, testemunha e confessa a partir da cruz e da ressurreição,
por outro lado, acaba descobrindo e se agarrando ao Deus que é amor. Não ignora,
com isso, toda injustiça e todo mal presentes no mundo. Pelo contrário, dá de cara
com o mal e com a injustiça porque Jesus se submeteu ao mal e à injustiça. Foi
morto por causa do pecado e da maldade
266
IGREJA LUTERANA-NÚMERO 2-1996
reinantes no mundo. Mas Jesus não se resignou diante disso tudo. Ele derrotou o
mal, a injustiça, o pecado e a morte de forma definitiva. Justamente nessa
perspectiva é que nos solidarizamos com todas as pessoas sujeitas às dores do
mundo. Ali está o Deus que é amor. É nisso que cremos.
2. É o que nos liberta do medo (vv. 17s.)
1 João segue falando no amor que vem de Deus, que é Deus, que nos envolve.
Diz que "no amor não existe medo; o perfeito amor lança fora o medo". Medo de
quê? A referência é ao dia do juízo. Quem se aperfeiçoa no amor de Deus mantém a
confiança, tem bom ânimo, coragem.
Parece ser uma palavra especialmente dita ao povo brasileiro. Pelo menos à
boa parte do povo brasileiro. O cristianismo que muitos conheceram desde a época
colonial no Brasil foi marcado pelas Santas Missões. Foi o caso, por exemplo, na
diáspora do sertão nordestino ou na região das reduções guaraníticas. O pequeno
número de sacerdotes fazia com que estes apenas de tempos em tempos pudessem
visitar as comunidades distantes e isoladas. Quando chegavam a uma comunidade,
antes de distribuir os sacramentos, organizavam sessões coletivas de penitência,
que eram o elemento principal das chamadas Santas Missões. Queria-se suscitar o
sentimento de pecado e penitência entre os participantes, gente do mundo, gente
casada, que trabalhava, que não era do clero. Gente, portanto, que supostamente
era mais suscetível ao pecado. As Santas Missões começavam com um sermão de
abertura, onde a morte e o inferno eram evocados. Fazia-se o povo desfilar à frente
do cemitério, acendia-se uma fogueira que simbolizava o inferno. Muitos eram
incentivados a se autoflagelarem, como forma de penitência (isso pode ser visto
ainda hoje!). Em meio a todo o medo provocado, era anunciado o perdão e
distribuíam-se os sacramentos. Pouco tempo depois, o sacerdote seguia caminho,
deixando para trás uma comunidade que ficava em constante estado de penitência,
impregnada pelo medo e pela resignação. Uma comunidade que, atemorizada,
voltava a esperar pelo perdão que não estava em seu meio, mas somente poderia vir
de fora.
As Santas Missões deixaram marcas profundas. Boa parte das pessoas no
Brasil continuam a se penitenciar com o medo. Recolhem-se em seu canto, aceitam
submissas tudo o que lhes é imposto, inclusive a miséria e o descaso. Ficam
resignadas, à espera do perdão, que ainda está longe, e do brevíssimo anúncio do
amor divino que vem lentamente sobre o lombo de um jegue. Elas, enfim, seguem
atormentadas, pois ainda não puderam experimentar o amor que lança fora o medo.
De "Deus é Amor" para elas, só mesmo a igreja de Davi Miranda.
As comunidades luteranas sabem, a partir de sua origem histórica, como é
consoladora a descoberta de que no amor se supera o medo. Em sua trajetória, elas
por vezes têm esquecido disso, têm escolhido o caminho do tormento e do medo e
não o aperfeiçoamento no amor. Por sua tradição conIGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
267
então que Pedro levantou e começou seu discurso: "Estes homens não estão
embriagados ..." (v. 15)
Texto
Vv.22-24: Pedro faz questão de chamar Jesus de O Nazareno. Ser nazareno
representava um certo desprezo. Natanael já havia perguntado: "De Nazaré pode
sair alguma coisa boa?" Pedro quer mostrar que este Nazareno, desprezado, morto
e crucificado pelos israelitas, Deus o aprovou, nomeou, atestou (apodeikumi). Todas
as obras dele demonstram que em tudo ele foi perfeito. Este era, de fato, o Messias
prometido no AT. Além disso, como Jesus já havia dito "Eu e o Pai somos um"(Jo
10.30), ele estava perfeitamente unido com o Pai e o Pai havia realizado tudo por
meio dele. Mas mesmo que eles o tivessem crucificado, Pedro lembra que, na
verdade, executaram o plano de Deus. Para realizar o plano da salvação da
humanidade, Deus determinou que seu Filho devia morrer. A morte de Cristo não foi
uma casualidade nem acidente. Contudo, este plano não os liberta da culpa. Pedro
os chama de anomos: "sem lei", ou seja, não pertenciam ao povo de Deus. Pedro
faz aqui então uma brilhante pregação de Lei e Evangelho: "vós o matastes"e "Deus
o ressuscitou". Com a ressurreição Cristo vence a morte e traz a nova vida para os
que confiam nele. Em Cristo a morte dá lugar para a vida. Cristo era Senhor sobre a
morte. Esta pregação é repetida no v.36, e que teve efeito imediato: "Que faremos
irmãos?" v.37
Vv. 25-28: Nesta citação do Salmo 16.5-11, Pedro quer dar a certeza de que a
ressurreição de Cristo já estava claramente revelada no Antigo Testamento e agora
sendo confirmada: "... não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o
teu Santo veja corrupção". De fato, nem o seu espírito ficou prisioneiro da morte,
nem o seu corpo entrou em decomposição, pois ele não tinha pecado em seu corpo.
Vv.29-31: Pedro agora explica que estas palavras citadas do salmo não se
referem a Davi, mas a Cristo. E o explica de três formas: 1o) O próprio túmulo de
Davi estava entre eles, o que mostrava que ele não havia ressuscitado ainda. 2o)
Como profeta, Davi sabia que Deus havia prometido um Rei Eterno para o seu
trono, que não seria vencido pela morte (veja detalhes em 2 Sm 7.12,13 e SI 89.4).
3o) O túmulo de Cristo, ao contrário do de Davi, estava vazio.
Vv.32-35: Este Jesus ressuscitou, não apenas de espírito, mas de corpo. Pedro
e os demais apóstolos eram testemunhas disso. O apóstolo Paulo diz que ele foi
visto por mais de 500 irmãos (1 Co 15.6). No v.22 vimos que Pedro falou que este
Nazareno foi aprovado. Ou seja, ele cumpriu perfeitamente o plano de salvação da
humanidade. Assim sendo, a missão dele aqui na terra terminou e, portanto, voltou
para o lugar de onde veio. Agora ele está exaltado à direita do Pai. Ele mesmo havia
dito que na casa do meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar. Jo 14.2. A
"promessa do Pai"agora estava
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
269
LIVROS
A árvore da cura: modelos de aconselhamentos e de psicoterapia.
Por Roger F. Hurding. Traduzido por Márcio Loureiro Redondo. São
Paulo: Edições Vida Nova, 1995. 487 páginas.
Esta obra, publicada no ano passado, chega em boa hora em nosso
vernáculo. O autor reconhece com humildade que, nesse assunto, os conceitos
não são necessariamente definitivos nem é esta sua pretensão: "Todos nós
temos conceitos que se transformam e se desenvolvem. O que afirmava em
1980 pode ter sido abandonado em 1990 — e talvez seja retomado no ano
2000. Cada vez mais me convenço de que os pensamentos de Deus estão
acima dos nossos, sendo impossível que um grupo ou outro monopolize a
verdade divina. A verdade é o próprio Jesus, e é em relação a ele que podemos
avançar humildemente rumo a uma compreensão melhor. Tal cautela vem a
calhar tanto na complexa área das ciências humanas quanto em qualquer
outra área". Sem dúvida, é um posicionamento válido também em relação ao
aconselhamento e à psicoterapia.
Por que: a árvore da cura? O autor responde: "Como quer que
compreendamos o papel do aconselhamento e da psicoterapia nos dias de
hoje, devemos lembrar que o povo de Deus sempre teve o compromisso do
amor mútuo e do cuidado tanto pelo próximo quanto pelo 'inimigo'. Talvez
possamos ver a história desse grande 'amor em ação' como uma grande
árvore — a árvore do cuidado pastoral — com raízes profundamente fincadas
no solo do chamado de Deus, o tronco e os galhos crescendo em obediência
a Cristo e a vida nutrida pelo Espírito".
São muito interessantes os enfoques do autor sobre o que é
aconselhamento, desde o aconselhamento "pastoral" até o "bíblico", passando
pelo aconselhamento "cristão". São os três a mesma coisa?
Começando assim, a caminhada vai percorrendo o assunto proposto. Avalia
o desenvolvimento das psicologias seculares mais conhecidas, focalizando
posteriormente a reação e a resposta cristã ao tema.
Merece destaque o capítulo 11, com sugestões de ajuda para avaliar
métodos de aconselhamento, especialmente a antropologia bíblica
caracterizada e discutida.
Depois de comentar nos capítulos 12, 13, 14 e 15 algumas das
metodologias defendidas por cristãos, o autor focaliza no capítulo 16 a pessoa
de Cristo e faz uma análise dos encontros entre o Filho do homem e as pessoas
com necessidades. No final, uma síntese importante: "em nossas tentativas
de levar um conselho aos outros só podemos ser frutíferos quando permitimos
que a vida de Cristo flua por nosso intermédio".
É uma obra que em alguns aspectos e abordagens pressupõem da parte
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
271
As parábolas de Lucas. Por Kenneth Bailey. 3 ed. São Paulo: Vida
Nova, 1995.
A obra de Bailey traz, para a história da interpretação das parábolas, algo
de novo e ao mesmo tempo faz-se o que se fez ao longo da história da
interpretação das parábolas.
Influenciado pela ênfase crítica surgida no século passado e pela
experiência de vários anos em uma comunidade palestina do Oriente Médio,
Bailey analisa treze parábolas contadas por Jesus como sendo realmente
ditos palestinos e escreve seu trabalho "a partir de uma profunda convicção
de que a forma literária e a cultura subjacente às parábolas precisam receber
uma atenção maior do que têm recebido até agora nos estudos
contemporâneos" (p. 12).
Esta preocupação cultural e literária foi rigidamente enfatizada na busca
pelo Sitz im Leben que teve em Joaquim Jeremias seu expoente máximo. E
Bailey amplia esta ênfase, possibilitando novos horizontes na interpretação
das parábolas.
O conceito de parábolas, para Bailey, é muito mais do que um enunciado
teórico para se ensinar algo prático ou algo que se deva fazer. Bailey afirma
que o pensamento oriental é diferente do ocidental. Por isso, precisa entender
as parábolas como "uma forma de experiência religiosa", nas quais Jesus
defronta dramaticamente seus ouvintes e leitores, demandando uma reação.
Diz Bailey: "As parábolas de Jesus são uma forma concreta e dramática de
linguagem teológica que força o ouvinte a reagir. Elas revelam a natureza do
reino de Deus e/ou indicam como um filho do reino deve agir." (p. 14). Com
este conceito, o termo "parábola" aplica-se a situações em meio a diálogos,
eventos narrativos, histórias de milagres, tópicos, poemas ou uma parábola
em si.
Quanto à interpretação das parábolas, Bailey apresenta alguns passos
que segue na sua análise:
a - a peça dentro da peça: Jesus usa a parábola como uma certa "arma"
contra seus inimigos e para entendê-la é preciso analisar o todo (a circunstância
que levou Jesus a falar a parábola), em relação ao ouvinte de Jesus;
b - o narrador de estórias e seu ouvinte: o ouvinte de Jesus tinha condições
de entender o que ele estava querendo ensinar; a dificuldade está em captar,
depois de dois mil anos e numa cultura diferente, o que Jesus inicialmente
quis dizer;
c - para solucionar este problema, Bailey sugere que se capte novamente
a cultura do Oriente Médio que informa as parábolas. Para que isso possa ser
feito, usa-se quatro ferramentas: 1 -descobrir os aspectos culturais, que nestes
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
273
melhor o ministério da graça de Cristo entre os homens e a proclamação do
reino de Deus de forma mais contundente.
Uma pergunta nos resta: por que ter e ler Bailey? Primeiramente, porque
reproduz o pensamento mestre da interpretação das parábolas nos dias de
hoje e está em português, facilitando a aquisição e a leitura daqueles que não
dominam outras pesquisas, especialmente no inglês. Depois, a leitura é
importante por ser uma ferramenta útil no entendimento dos ensinamentos de
Jesus. A compreensão do reino de Deus é fundamental para a sobrevivência
da igreja de Cristo e a leitura de Bailey certamente auxiliará nesta compreensão.
Clóvis Jair Prunzel
Curitiba, PR
Interpreting the parables. Por Craig L. Blomberg. Downers Grove,
IL: Intervarsity Press, 1990.
A obra de Craig Blomberg é dividida em duas partes: um referencial teórico
e uma análise de parábolas.
No referencial teórico, propõe-se a analisar a história da interpretação e
avalia os méritos das ênfases interpretativas. Obviamente, começa a análise
com a interpretação alegórica, que perdurou por um longo tempo na história
da interpretação. Para Blomberg, assim como a ênfase contemporânea, a
alegoria possui seus exageros mas não está completamente errada. Como
diz de Agostinho: ele apenas usou o código interpretativo errado. A liberdade
de interpretação das parábolas no método alegórico pecou somente na questão
de buscar e atribuir significado a detalhes menos importantes nas parábolas.
Mas quanto ao modo de colocá-las num segundo nível de interpretação (de
se ler o que está nas entrelinhas), o método estava correto, pois é esta a
maneira de se entender as parábolas.
A partir do método histórico crítico, especialmente com Jülicher e,
posteriormente, com Dodd e Jeremias, a interpretação das parábolas resumese de forma rígida à busca por apenas um termo de comparação. A tentativa
de restaurar o Sitz im Leben, a situação específica da parábola em si,
descartando o que a tradição acrescentou (se é que acrescentou), fez com
que o estudo das parábolas se preocupasse com objetos de pesquisa
anteriormente não enfatizados. Dá-se ênfase ao estudo dos aspectos culturais,
lingüísticos, etc, no afã de restaurar o que Jesus realmente disse. Muito do
que está nos registros bíblicos foi desconsiderado, visto que era entendido
como sendo acréscimo posterior ao que Jesus disse.
A ênfase pós-moderna, pós-crítica, é a proposta de Blomberg. O método
histórico-crítico remete o pesquisador a analisar o que realmente se disse e
como se disse. A análise do discurso, com seus aspectos culturais e lingüísticos,
é necessário. O método pós-moderno vai além disso: amplia o quadro,
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
275
DEVOÇOKS
O DOM DE CONFESSAR JESUS 1
Co 12.1-11
Em nome de Jesus. Amém.
Situações bem diferentes! É, são situações bem diferentes, aquela dos
coríntios - os primeiros a ouvirem as palavras de Paulo de 1 Coríntios 12, 1 a
11 - e os concordianos, que aqui se reúnem nesta devoção. Lá na Igreja em
Corinto uma das preocupações era sobre como lidar com tantos e inúmeros
dons, alguns deles bastante incomuns. Talvez entre nós haja quem se preocupe
com a "falta" de dons. Olhamos para nossas congregações e não vemos dons
de curar, operações de milagres, discernimento de espíritos, etc. Alguns até
agradecem a Deus por não terem tais dons na congregação - seria uma
dificuldade a mais para administrar!
Mas se é verdade que as situações são tão diferentes, também é verdade
que nós, luteranos não operadores de milagres e não falantes em línguas, nos
preocupamos a respeito dos dons. Como não vemos dons extraordinários,
passamos a chamar a capacidade de ensinar crianças, de cantar no coral, de
executar instrumentos musicais, de fazer teatro cristão ... de "dons". Há quem
pense que se deveria organizar uma congregação em torno dos "dons"
(possivelmente os citados acima e outros). O assunto nos interessa, portanto!
Mas talvez corramos o risco de entender mal o ponto que Paulo quer fazer.
Talvez nos fixemos nos dons em si, pensando que os citados por Paulo em 1
Coríntios 12 são todos os que existem.
Na verdade, Paulo está tratando, nesta carta, de problemas bem
específicos da congregação em Corinto. Lá havia divisões. Parece que em
parte porque havia quem se considerasse em um estágio espiritual superior
aos demais, por terem dons especiais. Paulo fala do assunto. Seu ponto não
é negar o direito dos dons na Igreja; mas também não é afirmar que estes
dons sejam, em si mesmos, a prova da presença do Espírito Santo. Ele mostra
aos coríntios o que é realmente necessário saber e confessar para que eles
não sejam ignorantes quanto aos dons do Espírito Santo. E aí os princípios
valem para nós, diretamente.
Dons servem à unidade da Igreja, até porque é o Deus único que os dá.
Havia divisões em Corinto. Havia também dons. Dons especiais não eram
suficientes para evitar que o pecado - pelo orgulho, vaidade e sectarismo fizesse suas marcas. Havia um mau uso dos dons. Eles não devem servir
para dividir, mas para manifestar a unidade da Igreja. É interessante que, ao
trabalhar a questão de a Igreja estar unida, Paulo volta-se para Deus. Nos
versículos 4 a 6, ao falar da diversidade de dons, serviços e realização, ele
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
277
O Espírito Santo escolheu agir por meio da Palavra; a Palavra é pregada,
porque o Espírito Santo dota, capacita, envia o pregador. O objetivo é único:
que os homens confessem a Jesus como Senhor, isto é, que reconheçam que
nele os seus pecados estão perdoados, que nele foram reconciliados com o
Pai, que nele têm vida eterna.
O assunto interessa aos que estão ou estarão no santo ministério da palavra
e sacramentos. Paulo, escrevendo a Timóteo, diz que este recebeu um dom
de Deus (1 Tm4.14; 2 Tm 1.6), sendo que tal dom está vinculado ao "cuidado
... da doutrina" (1 Tm 4.16) e ao "testemunho de nosso Senhor" (2 Tm 1.8). O
ofício do ministério é, portanto, visto como um dom de Deus, que é para
trazer benefício à Igreja, para que o evangelho seja pregado, pelo qual o
Espírito Santo faz o Seu principal e sublime trabalho: levar as pessoas à nova
vida, no reino de Deus, tendo a Jesus como o amado e gracioso Senhor.
Colegas e futuros colegas no ministério. Dons são um assunto importante
para a Igreja - não podemos ser ignorantes quanto a eles. É preciso saber e
confessar que eles são dádivas de Deus, não conquistas nossas, e que são
dados para o bem da Igreja como um todo. Além disso, dons precisam ser
vistos à luz do que é realmente fundamental para a Igreja e para o mundo —
e que constitui o ofício em que nós estamos ou estaremos envolvidos: que
Jesus Cristo seja proclamado, crido e confessado como o Senhor. Amém.
Devoção proferida pelo Prof. Gerson Luis Linden no dia 14 de agosto de
1996, na capela do Seminário.
MINISTROS PRECISAM DISTINGUIR
CX>RRETAMENTE ENTRE LEI E EVANGELHO
(2 Co 3.4-11)
Lutero foi um dos poucos teólogos que insistiu enfaticamente na
necessidade de se distinguir corretamente entre Lei e Evangelho. Dividir
corretamente Lei e Evangelho significava, para ele, maturidade teológica.
Em seu sermão de Ano Novo de 1532, baseado em Gaiatas 3.23-24, a certa
altura, Lutero afirma: "um homem que é capaz de assim proceder - entendase, distinguir Lei e Evangelho - deveria ser colocado em lugar de destaque, e
deveria ser chamado de Doutor da Sagrada Escritura."
Mas qual a razão? Bem, o Dr. Paulo a apresenta claramente em nosso
texto, quando afirma: "porque a letra mata, mas o espírito vivifica" (v.6).
Bem, apresentada a razão, só nos resta perguntar: "mas como se atinge
tamanha maturidade teológica?" Bem, o Dr. Lutero responde: "sem o Espírito
Santo, a aquisição desta diferenciação é impossível." E o Dr. Paulo
complementa: "não que por nós mesmos sejamos capazes... como se partisse
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
279
A OBRA MARAVILHOSA DE DEUS
Isaías 29.9-14
Não lembro o nome do filme, mas lembro uma cena. Era uma sala de
aula. O professor ministrava sua disciplina. Todos ouviam, anotavam. Um
aluno, no entanto, chamava a atenção porque estava ereto na cadeira olhando
com olhos grandes e fixos para o professor através de óculos de lentes
espessas. O professor admirou-se da concentração deste aluno. No final da
aula, sem que o aluno percebesse, o professor aproximou-se dele, tirou-lhe
gentilmente os óculos - e eis que o aluno cochilava. Os óculos eram de fantasia. Neles estavam pintados olhos grandes, fixos, atentos, por trás deles, os
verdadeiros olhos estavam fechados.
Judá, o povo de Deus, olha para o SENHOR com óculos de fantasia. Os
olhos estão cerrados, os ouvidos fechados e o cap. 28.7 diz que Judá está
bêbado. Quem fecha os olhos não quer ver porque acha que já viu tudo.
Quem fecha os ouvidos não quer ouvir porque imagina que já ouviu o suficiente.
Quem se embebeda não entende, não se faz entender - não acerta o caminho
por onde anda. Esta é a situação de Judá. Sua presença diante do SENHOR
e Sua Palavra é uma presença de fingimento: no fundo está surdo, cego,
bêbado espiritualmente.
Estamos no segundo período do ministério de Isaías. Passou-se o tempo
do reinado de Acaz. Acaz quebrara os utensílios da casa do SENHOR, fechara
suas portas. Construíra seu próprio altar e queimara seu filho em sacrifício.
Foram 16 anos de absurda confusão religiosa. Estamos no tempo de Ezequias,
fiel ao SENHOR e que promoveu uma reforma religiosa de grandes proporções.
Mas reforma exterior não é reforma se não tiver como pedra de toque a reforma
interior. Em última análise, os problemas de Ezequias não eram muito diferentes
dos do tempo de seu pai Acaz. A religião do rei aparentemente não era a
religião do novo.
O capítulo 29 está inserido no que Delitzsch denomina de "Livros dos
Ais". São seis oráculos que iniciam com um "ai!" de Deus sobre Judá. Nosso
texto é parte do segundo oráculo. O SENHOR observa o povo. O olhar de
Deus atravessa os óculos de fantasia do povo, penetra seus olhos, ouvidos e
como uma sonda microscópica chega ao coração e atesta que a sabedoria do
povo não é sabedoria divina mas idolatria. Yahweh encontra no coração do
seu povo uma fábrica de ídolos. O texto diz que a ira de Deus se materializa
de tal maneira que ele intensifica esse torpor, letargia, sono em que está o
povo, tira-lhes os profetas e videntes, lacra com o selo inviolável do rei o
pergaminho da Sua Palavra. Sem a Palavra de Deus não existe povo de
Deus. Lei, dura lei.
Não é sem razão que Lutero encontra neste texto os elementos suficientes
para lapidar sua expressão favorita para descrever a lei no seu segundo uso
— o que ele chama de opus alienum, a obra estranha de Deus da qual fala o
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2-1996
281
OS SÁBIOS ESCOLHEM A BOA PARTE
Lucas 10.38-42
Nem sempre é fácil fazer escolhas, pois delas vêm um resultado que
pode ser bom ou não. Algumas escolhas não estão relacionadas com coisas
importantes e, por isso, seus resultados pouco influem em nossa vida. Não
era este o caso na escolha que Marta e Maria precisaram fazer ao serem
visitadas por Jesus. As atitudes daquelas duas mulheres estavam dentro do
relacionamento mais importante que alguém pode ter, ou seja, o
relacionamento com Jesus. O texto conta-nos como as duas agiram e nos
fornece elementos para examinarmos como vai o nosso relacionamento com
Jesus.
Na escolha de Marta pesou mais o desejo de agradar o visitante com uma
série de atividades, preocupada, talvez, com a vontade de ser elogiada por
Jesus pelas tarefas que realizava. Buscava agradar o Senhor com suas obras.
Ser elogiados pelo que fazemos nos parece uma coisa bem agradável. Agradanos e muito. Até é importante para a nossa auto-estima. No caso de Marta, é
possível ter sido esta a razão para sua escolha. Julgando-se plenamente correta
na sua atitude, teve coragem e ousadia para repreender sua irmã e exigir dela
o mesmo procedimento. Aliás, as pessoas que colocam as obras em primeiro
lugar no seu relacionamento com Deus, são muito tentadas a fazer
comparações e se mostram corajosas para repreender quem não age como
elas. Não são poucos aqueles que consideram o fazer a coisa mais importante
no seu relacionamento com Deus.
Marta estava preocupada com o fazer. Sua atitude recebe hoje ainda muitos
seguidores. Isto se explica porque é o caminho imaginado para se adquirir
algo que, às vezes, secretamente desejamos obter, ou seja, a graça de Deus
meritoriamente. É o que exige de nós aquilo que se conhece por "opino legis".
Os seguidores de Marta são encontrados nas congregações cristãs, mas,
surpreendentemente, também poderão ser notados entre pastores, professores
e alunos de Faculdades de Teologia. Basta que a ânsia de servir nos impulsione
muito ao fazer e nos convença de que tudo se justifica quando as nossas
tarefas são cumpridas.
A escolha de Marta, todavia, não lhe garantiu a melhor parte na avaliação
de Jesus. Foi reprovada, assim como seremos sempre reprovados quando a
imitarmos. O fazer não nos dá méritos diante de Deus e não anula a nossa
condição de pecadores. Não é a melhor parte porque não nos coloca no céu.
A melhor parte não é aquela que nós oferecemos a Deus, porém aquela que
ele nos traz. E Jesus a trouxe para Marta e Maria. A melhor parte sempre será
aquela que nos põe em comunhão com o Salvador. No lar daquelas duas
irmãs, a comunhão com Jesus foi alcançada por Maria ao ouvir o que ele
ensinava. O fazer não vem antes do ouvir; o que apresentamos a Jesus não
supera o que ele nos oferece. Antes de oferecer algo a Deus na qualidade de
alunos, professores, pastores ou em qualquer outra função, necessitamos
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
283
MARCOS ME É ÚTIL PARA O MINISTÉRIO
2 Timóteo 4.11
Qual a utilidade de um dia santo, ou, mais especificamente, qual a utilidade
de um dia dedicado a um santo? De que nos serve o dia de hoje, dia de São
Marcos? Faria alguma diferença se, ao invés de Marcos, lembrássemos o
contabilista, que também tem seu dia hoje?
Na igreja luterana, a pergunta pela utilidaade dos dias dedicados a santos
já foi feita por Lutero. Na Formula Missae de 1523, Lutero constata que em
Wittenberg eles observavam apenas o dia do Senhor e as festas do Senhor.
"Pensamos que todas as festas dos santos deveriam ser ab-rogadas", escreve
Lutero, "ou, se houver nelas algo que valha à pena, isto deveria ser trazido
para o sermão do domingo". (Luther's Works, vol.53, p.23) Agora, a resposta
oficial só veio em 1530. A resposta poderia ter sido: "já que não se deve
invocar os santos ou procurar auxílio junto a eles", vamos de uma vez por
todas nos livrar dos santos. Mas os luteranos não fizeram isto. Ao contrário,
nossa Confissão diz (CA XXI): "Do culto aos santos os nossos ensinam que
devemos lembrar-nos deles, para fortalecer a nossa fé ao vermos como
receberam graça e foram ajudados pela fé; e, além disso, a fim de que tomemos
exemplo de suas boas obras, cada qual de acordo com a sua vocação..."
É neste capítulo que ainda hoje entendemos por legítimo lembrar o dia de
São Marcos Evangelista.
Marcos me é útil para o ministério. É o que Paulo diz, escrevendo a Timóteo.
Não sabemos ao certo onde Paulo estava. O texto parece sugerir que Timóteo,
a quem Paulo pede que venha depressa, deveria fazer uma escala em sua
viagem e apanhar Marcos, trazendo-o consigo. Pede que, além de Marcos,
traga também a capa (possivelmente para amenizar o inverno que se
aproximava), os livros (com certeza para a leitura), e os pergaminhos (quem
sabe para escrever mais cartas).
Marcos é útil, é valioso para o ministério. Não ficam bem claro se Paulo
tem em mente um ministério com eme maiúsculo (um serviço, quase serviço
social, prestado a Paulo) ou Ministério com eme maiúsculo (o ministério da
palavra, em que Marcos entraria como auxiliar do apóstolo). Por razões
contextuais, os exegetas tendem a ver nisso mais um auxílio pessoal a Paulo,
embora o termo "ministério", no NT, tenha quase um sentido técnico de
"ministério da palavra". Ambas as coisas podem estar em vista. Se fosse
preciso optar, preferiria Ministério com eme maiúsculo.
Marcos me é útil para o ministério. Valendo-me de uma liberdade homilética
(o que eqüivale a dizer, "torcendo o texto bem de leve, para facilitar a
aplicação"), passo a dizer que Marcos é útil também para nós. E aqui não
estou pensando no evangelho de Marcos (o que é óbvio), e sim na pessoa do
evangelista. Ele é útil também para o nosso ministério. O dia de São Marcos
é um dia muito apropriado para, no espírito do artigo 21 da Confissão de
Augsburgo, tirarmos uma lição para a nossa vida e nosso ministério.
Marcos me é útil para o meu ministério. Aqui podemos destacar dois
aspectos, sugeridos pelo texto da Confissão de Augsburgo: I. Marcos me é
útil, poque a lembrança de Marcos fortalece a minha fé ao ver como recebeu
IGREJA LUTERANA - NUMERO 2 -1996
285
Impressa com (ilme fornecido pelo clienle por:
LA SALLE
Grcificci*^^^^Edííora FONE: (051)
472-5899
CANOAS-RS 1996

Similar documents