a clínica da terapia ocupacional com dependentes

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a clínica da terapia ocupacional com dependentes
1
UNISALESIANO
Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium
Curso de Terapia Ocupacional
Ana Carla Albuquerque Novaes
Vinícius Boschetto Melo
A CLÍNICA DA TERAPIA OCUPACIONAL COM
DEPENDENTES DE ALCOOL E DROGAS QUE
FREQUENTAM O CAPS DE ALCOOLISMO E
DROGAS DE LINS/SP
LINS
SP
2008
2
Novaes, Ana Cala Albuquerque; Melo, Vinícius Boschetto
A clínica da Terapia Ocupacional com dependentes de álcool e
drogas que freqüentam o CAPS de Alcoolismo e Drogas de Lins/SP /
Ana Carla Albuquerque Novaes; Vinícius Boschetto Melo.
Lins,
2008.
124p. il. 31cm.
Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico
Salesiano Auxilium UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em
Terapia Ocupacional, 2008
Orientadores: Jovira Maria Sarraceni; Genicley Márcia Costa de
Oliveira
1. Dependência Química. 2. Terapia Ocupacional. 3. Grupos
Terapêuticos. I Título.
CDU 615.851.3
3
ANA CARLA ALBUQUERQUE NOVAES
VINÍCIUS BOSCHETTO MELO
A CLÍNICA DA TERAPIA OCUPACIONAL COM DEPENDENTES DE ÁLCOOL
E DROGAS QUE FREQUENTAM O CAPS DE ALCOOLISMO E DROGAS DE
LINS/SP
Trabalho de Conclusão de
Curso apresentado à Banca
Examinadora
do
Centro
Universitário Católico Salesiano
Auxilium, curso de Terapia
Ocupacional sob a orientação
da Profª M. Sc. Genicley Márcia
Costa de Almeida e orientação
técnica da Profª Especialista
Jovira Maria Sarraceni.
LINS
SP
2008
4
ANA CARLA ALBUQUERQUE NOVAES
VINÍCIUS BOSCHETTO MELO
A CLÍNICA DA TERAPIA OCUPACIONAL COM DEPENDENTES DE ÁLCOOL
E DROGAS QUE FREQUENTAM O CAPS DE ALCOOLISMO E DROGAS DE
LINS/SP
Monografia Apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium,
para obtenção do título de bacharel em Terapia Ocupacional.
Aprovada em: ___/___/___
Banca Examinadora:
Profª Orientadora M. Sc. Genicley Márcia Costa de Oliveira
Mestre em Terapia Ocupacional uma Visão Dinâmica Aplicada em Neurologia
Assinatura ________________________________.
1º Prof. (a) ______________________________________________________
Titulação _______________________________________________________
Assinatura ________________________________.
2º Prof. (a) ______________________________________________________
Titulação _______________________________________________________
Assinatura ________________________________.
5
DEDICATÓRIA
Dedico todo este trabalho à minha mãe Carla
e, meus avós Shirley e Walcenir, pois são os
responsáveis por eu estar onde estou, sempre
me incentivando, dando forças em todas as
circunstancias, e principalmente pelo amor
incondicional que me dedicaram todos esses
anos. Mãe, agradeço por tudo, pela educação
que me deu, pela dedicação, e por viver
exclusivamente para mim e por mim. Vô e Vó,
obrigada por terem me criado como sua filha,
serei eternamente grata a tudo que fizeram
por mim. Meus queridos só estou aqui hoje
pela força que me deram, nunca me deixando
desistir....AMO VOCÊS PRA SEMPRE!!!!
6
DEDICATÓRIA
Dedico esse trabalho a todas as pessoas que
amo e que se fizeram presentes nesse momento
de extrema importância de minha trajetória,
meus pais Suzilei e Elézio, meu irmão Rubens,
minha noiva Lia e a minha mestre e
orientadora Jane (Genicley), pois sem sua
sabedoria não chegaria aonde cheguei.
Agradeço a todas estas pessoas por me
apoiarem e orientarem. Agradeço ainda aos
funcionários e clientes do CAPS-AD de Lins,
pois sem eles não seria possível à conclusão
desse projeto. E finalmente agradeço a Deus
por ter me oferecido à oportunidade de
conquistar
singularidade
minha
subjetividade
durante estes
amadurecimento.
anos
e
de
7
Agradecimentos
A Deus
Por ter me dado a dádiva de nascer e crescer em uma família tão maravilhosa quanto a
minha, pela vida repleta de sonhos, desejos e conquistas como esta. Espero estar sempre à altura de
tudo que conquistei.
A minha mãe Carla, meus avós Shirley e Walcenir, ao meu pai Adilson, ao meu segundo pai número
dois Reinaldo, aos tios, tias, primas e primos
Obrigada, por serem simplesmente tudo na minha vida, sem vocês tenho certeza de que não
conseguiria nem começar essa caminhada. Só nós para sabemos o que passamos. Amo vocês
eternamente.
Da sua Florzinha deEstufa Ana
A Jane
Pela paciência incondicional, pela sabedoria e extrema competência com que nos orientou
durante este trabalho. Obrigada por ter compartilhado este desafio conosco, essa conquista também é
sua.
Ana
.
A Jovira
Obrigada, pela receptividade e atenção com que nos recebeu, sempre nos orientando e
indicando o melhor caminho. Obrigada!!
Ana
Aos pacientes/clientes e funcionários do CAPS/AD de Lins
Obrigada pela confiança, amizade, companheirismo e carinho durante esses meses que
passamos juntos. Sorte e sucesso a todos, vocês são grandiosos.
Ana
Aos amigos da sala
Nossa!! Chegamos ao final de mais uma trajetória, cheia de alegrias, esperamos tanto por esse
dia e agora que finalmente chegou, desejamos voltar e começar tudo de novo. Hoje tenho a certeza de
que Lins me trouxe uma coisa mágica,, a amizade eterna de vocês. Sucesso para nós. Saudades...
Ana
As meninas do oásis
Obrigada, pelo apoio, amizade, jantares, conversas e risadas, com vocês aprendi a ser menos
exigente e mais amiga. Obrigada às Irmãs, Joyce e Luzinete, adoro vocês.
Ana
Aninha, Renata, Gorda, Thaysa, Má, Ana Paula.
Obrigada pela amizade, Ana eMá pra sempresermos as jardineiras , epra Gorda eThá nós
somos mais que vencedoras, nós somos AS SOBREVIVENTES!!!
Ana
Vinícius
Mesmo com nossas brigas, conseguimos concluir esta etapa da nossa vida, Obrigada e
sucesso!!!
Ana
8
Agradecimentos
9
RESUMO
O aumento do consumo do álcool e drogas, constatado em todas as
camadas sociais da população mundial, tem levado a um crescente interesse
no conhecimento do uso e do abuso dessas substâncias, das suas razões,
preferências e distribuições. Os indivíduos dependentes de drogas ilícitas e
lícitas apresentam características de não conseguir resistir a impulsão do uso,
praticamente todos os dias, sem interrupções, a ponto de apresentar um
estado de intoxicação caracterizado por distúrbios psíquicos ou somáticos.
Quando essa incapacidade de se abster estiver instalada, as conseqüências
repercutem no próprio indivíduo trazendo danos psíquicos intelectuais,
orgânicos, profissionais, sociais e familiares. A Terapia Ocupacional, através
das abordagens terapêuticas poderá atuar como agente facilitador das relações
interpessoais dos pacientes em processos de dependência química que
freqüentam o CAPS alcoolismo e drogas de Lins e que apresentam alterações
psíquicas e/ou físicas; visando sobretudo, a uma melhora na qualidade de vida
dos mesmos. Na clínica da Terapia Ocupacional, o terapeuta ocupacional tem
o privilégio de vivenciar com seu cliente o seu dia-a-dia, suas reações, seus
medos, seus progressos e fracassos no difícil processo de se tornar um
indivíduo independente. Além disso, o terapeuta ocupacional tem condições de
mediar não só seu processo de adaptação, mas também o seu progresso de se
apropriar de um conhecimento maior sobre si e sobre as atividades cotidianas
de seu interesse, de modo a tornar-se capaz de descobrir e desenvolver novas
habilidades e, dentro do possível dirigir seu destino.
Palavras-chave:
terapêuticos.
Dependência
química.
Terapia
Ocupacional.
Grupos
10
ABSTRACT
The increase of the consumption of the alcohol and drugs, evidenced in
all the social classes of the world-wide population, has led to an increasing
interest in the knowledge of the use and the abuse of these substances, of its
reasons, preferences and distributions. The dependent individuals of illicit and
allowed drugs present characteristics not to obtain to resist the impulse of the
use, practically every day, without interruptions, the point to present a state of
poisoning characterized for psychic or somatic riots. When this incapacity of if
abstaining will be installed, the consequences reverberate in the proper
individual bringing intellectual, organic, professional, social and familiar
damages psychic. The Occupational Therapy, through the therapeutical
boardings will be able to act as facilitador agent of the interpersonal relations of
the patients in processes of chemical dependence that frequent the CAPS
alcoholism and drugs of Lins and that they present psychic and/or physical
alterations; aiming at over all, to an improvement in the quality of life of the
same ones. In the clinic of the Occupational Therapy, the occupational therapist
has the privilege to live deeply with its customer its day-by-day, its reactions, its
fears, its progressos and failures in the difficult process of if becoming an
independent individual. Moreover, the occupational therapist has conditions to
not only mediate its process of adaptation, but also its progress of if
appropriating of a major knowledge on itself and the daily activities of its
interest, in order to become capable to discover and to develop new abilities
and, inside of the possible one to direct its destination.
Key words: Chemical dependence. Occupational therapy. Groups
therapeutics.
11
LISTA DE SIGLAS
AA
Alcoólicos Anônimos
AD
Alcoolismo e Drogas
CAPS
CNH
NA
Centro de Atenção Psicossocial
Carteira Nacional de Habilitação
Narcóticos Anônimos
SAA
Síndrome de Abstinência do Álcool
SDA
Síndrome de Dependência do Álcool
SNC
Sistema Nervoso Central
THC
Tetrahidrocanabinol
12
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...................................................................................................14
CAPÍTULO I
DROGAS ..................................................................................16
A HISTÓRIA E CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS ..........................................16
1.1
Classificação das principais drogas que causam dependência............16
1.1.1 Drogas psicoestimulantes.......................................................................17
1.1.1.1Cocaína...................................................................................................17
1.1.1.2 Anfetaminas e Análogos.......................................................................18
1.1.1.3 Cafeína.................................................................................................19
1.1.2
Drogas depressoras do SNC................................................................19
1.1.2.1 Álcool etílico.........................................................................................19
1.1.2.2 Hipnóticos.............................................................................................21
1.1.2.3 Analgésicos opióides............................................................................21
1.1.3
Drogas que atuam predominantemente sobre a percepção................2
1.1.3.1 Canabióides
1.1.3.1.1Efeitos e Dependência da Maconha
1.1.3.2 Alucinógenos
1.1.3.3 Inalantes ou Solventes
1.2
As drogas: seu destino no presente e futuro
1.3
A violência e o tráfico
1.4
Saúde e doença dos dependentes
1.5
As relações na clínica da terapia ocupacional
1.6
Tratamentos
1.6.1 Diagnóstico
1.6.2 Prognóstico
1.6.3 Tratamento medicamentoso
1.6.4 Estratégias de tratamento
1.6.5 A importância do tratamento grupal
1.6.5.1Histórico
13
1.7
Introduzindo o quinto elemento: o grupo
1.7.1 Classificação Geral dos Grupos
1.7.1.1Grupos Operativos
1.7.1.2Grupos Psicoterápicos
1.8
Prognóstico
CAPÍTULO II
A CLÍNICA DA TERAPIA OCUPACIONAL
2
O PAPEL DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
2.1
A importância das Atividades
2.2
A Análise da atividade
2.3
Atividade X Produto
2.3.1 Atividade
2.3.2 Produto
2.4
A importância de atender em grupos de Terapia Ocupacional
2.4.1 Grupos de Terapia Ocupacional
2.5
O Papel do Terapeuta Ocupacional
CAPÍTULO III
A PESQUISA
3
INTRODUÇÃO: DESCREVENDO O LOCAL PESQUISADO
3.1
O trabalho realizado no CAPS AD
3.2
A opinião dos profissionais
3.2.1 A opinião do Psiquiatra
3.2.2 A opinião do clínico geral
3.2.3 A opinião do Enfermeiro
3.2.4 A opinião da Professora da sala de alfabetização
3.2.5 A opinião do Assistente social
3.2.6 A opinião do Psicólogo
3.2.7 A opinião do terapeuta ocupacional
3.3
A opinião dos familiares
3.3.1 M. S., mãe de W. L. S.
3.3.2 M. A. A. S., mãe do cliente P. R.S
3.3.3 L. H. S. S, irmã do cliente P. R. S, e tia do cliente W. L. S
14
3.3.4 V. P. D. G., mãe do cliente R. W. D. G
3.4
A opinião dos Clientes
3.4.1 Cliente R. W. D. G.
3.4.2 Cliente: L.
3.4.3 Cliente: P. R. S.
3.4.4 Cliente W. L. S.
3.4.5 Cliente A. B.
3.5
Discussão
3.6
Parecer sobre a pesquisa
PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
APÊNDICES
ANEXOS
15
INTRODUÇÃO
O Centro de Atenção Psicossocial alcoolismo e drogas de Lins/SP, é um
serviço público para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do
uso e dependência de substancias psicoativas.
O tema em estudo após aprovado pelo Comitê de Ética vem abordar a
contribuição do terapeuta ocupacional no favorecimento da ressocialização e
reinserção familiar dos clientes do CAPS/AD em estudo.
Para isto foi realizado atendimentos semanais no CAPS/AD para o
acompanhamento, descrição e análise da clínica da terapia ocupacional e
também verificar a importância do CAPS/AD para a desintoxicação dos clientes
deste serviço, já que os mesmos são usuários de alcoolismo e drogas há
tempos, e verificar a reestruturação da práxis
produtiva.
Desta forma o estudo procura resposta factível para a seguinte
pergunta-problema que o presente trabalho indaga: A atuação da terapia
ocupacional é eficaz no tratamento de dependentes químicos; a fim de se
tornar capaz de descobrir e desenvolver novas habilidades e, dentro do
possível dirigir seu destino?
A análise da clínica de terapia ocupacional com os clientes foi descrita e
analisada através do método de observação sistemática e de estudo de caso,
com a contribuição da atuação da terapia ocupacional, a partir do uso de
atividades, que pudessem promover reestruturação psíquica e social destes
clientes.
O tema se desenvolve a partir da hipótese de que o CAPS/AD de Lins
com a intervenção da Terapia Ocupacional através de suas atividades,
promove reestruturação psíquica e social para os usuários de drogas.
Para que se pudesse atingir os objetivos, dividiu-se o trabalho em três
capítulos.
O capítulo I é composto de um corpo teórico, partindo da história mais
antiga das drogas até os dias atuais com uso descontrolado e, inicio cada vez
mais precoce.
16
O capítulo II apresenta o papel e o perfil do terapeuta ocupacional neste
serviço, assim como a descrição dos elementos básicos da terapia ocupacional
para que o estudo de caso acontecesse, sendo estes, as atividades, o produto,
a análise de atividade, os grupos terapêuticos, e o papel do terapeuta
ocupacional.
O capítulo III descreve o estudo de caso por relatórios dos atendimentos
e das atividades realizadas no CAPS/AD, além da palavra dos profissionais
envolvidos no caso. Para o fechamento do trabalho tem-se a conclusão do
estudo, seguida da proposta de intervenção.
17
CAPÍTULO I
DROGAS
1
A HISTÓRIA E CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS
O homem desde tempos imemoriais, e independentes do lugar que
habitasse, grau, gênero ou cultura, utilizou substâncias, geralmente provindas
de plantas, que lhe proporcionassem sensação de prazer e bem estar físico,
acostumando-se aos mesmos. O clássico destes acontecimentos é o episódio
bíblico da embriaguez de Noé, revelando o abuso do álcool e do ópio (RAMOS
apud SILVA 2006).
Os tempos evoluíram, multiplicaram-se as drogas que têm a
propriedade de modificar o psiquismo. Várias delas tornaram-se
importantes em medicina, porque podiam, muitas vezes, corrigir
estados patológicos mentais, ou eram úteis devido às propriedades
benéficas sobre diversos sistemas do organismo (RAMOS apud
SILVA, 2006, p.204).
Entretanto, alguns indivíduos, utilizam drogas de forma abusiva,
geralmente por auto-administração, para buscar sensações especiais, não
sendo essas de finalidade terapêutica, frente aos padrões médicos e sociais
aceitos atualmente. O uso indevido dessas drogas caracteriza-se abusivo,
assim como o uso indevido substâncias que não alteram o psiquismo, tais
como os analgésicos (RAMOS apud SILVA, 2006).
O conceito de abuso é relativo e varia com a ocasião, época histórica
e regiões consideradas. Assim, a morfina administrada para aliviar a
dor não é abuso, mas o é o uso para causar euforia. Fumar ópio, no
Oriente antigo, era socialmente aceito, e não um abuso. Atualmente,
as sociedades orientais têm atitude semelhante para com o álcool
etílico. Nos planaltos andinos, a maioria da população usa folhas de
coca sem restrição pelas sociedades locais. O abuso de droga pode
ser ocasional e, passada a experiência, o indivíduo sente pouco ou
18
nenhum interesse em continuar a usá-la (RAMOS apud SILVA, 2006,
p.204).
1.1
Classificação das principais drogas que causam dependência
As drogas que podem causar dependência apresentam um efeito
proeminente sobre a mente, causando sensações caracterizadas agradáveis.
Todas as substâncias que atuam sobre a mente são denominadas
genericamente de psicotrópicos. Supõe-se que todas as drogas psicotrópicas
causem vício (RAMOS apud SILVA, 2006).
As drogas viciantes têm sido comumente denominadas tóxicos ,
narcóticos , entorpecentes , ou simplesmente drogas . Esses
termos são inadequados, porque não correspondem realmente às
propriedades de grande parte dessas substâncias, ou abrangem um
sentido muito mais amplo (RAMOS apud SILVA, 2006, p.204).
1.1.1
Drogas psicoestimulantes
1.1.1.1 Cocaína
Erythroxylon coca também conhecido como khoka. De suas folhas
retira-se uma substância natural: a cocaína. A cocaína é um alcalóide, que
pode ser introduzido no organismo por aspiração, ingestão ou injeção. Para ser
usada como fumo, deve ser misturado o cloridrato de cocaína com bicarbonato
de sódio e hidróxido de amônio, tratamento também conhecido como
freebasing (JOHANSON, 1988).
Os Incas tinham clara noção do perigo que havia no consumo da coca.
Em 1884, Sigmund Freud e Karl Koller comprovaram a ação anestésica da
cocaína sendo introduzida na prática médica em oftalmologia. No mesmo ano
descobriu-se a partir de uma experiência que o uso da droga sobre a córnea do
olho poderia causar danos e efeitos colaterais indesejáveis. Então, pesquisou-
19
se e sintetizou-se outros anestésicos, evitando os seus efeitos tóxicos e o seu
potencial de uso (BONIFÁCIO, 2000; JOHANSON, 1988).
Na Europa e nos Estados Unidos foi empregado o uso da cocaína no
preparo de remédios e na fabricação de gomas de mascar, cigarros, doces e
bebidas como coca-cola. No entanto, em 1903 a cocaína foi retirada da fórmula
da coca-cola. Em 1914, o governo norte-americano classificou a cocaína como
droga extremamente perigosa e decretou sua proibição (BONIFÁCIO, 2000).
A
Formas de Uso
A cocaína pode ser consumida na forma de pó, que é absorvido pelas
membranas mucosas da boca, pelo trato gastrointestinal e pelos canais nasais
(JOHANSON, 1988), sob a forma de injeção, fumo e inalação.
A via intra-nasal ou cafungada é o meio mais consumido da cocaína.
Faz-se carreiras com o pó para o usuário aspirá-lo através de um tubo e em
poucos segundos a pessoa experimenta uma sensação crescente de alegria,
euforia e energia, durante aproximadamente de 20 a 40 minutos (JOHANSON,
1988).
A reputação da cocaína como intensificador da interação social, sua
ação de início quase que instantâneo, sua breve duração, a noção
de que possui muito pouco efeito colateral e o fato de que pode ser
usada sem chamar a atenção contribuem, indubitavelmente, para
isso (LAPATE; TUMA, 1994, p. 48).
Já na via intravenosa, o usuário usa uma dose de 10 miligramas (mg).
Ao entrar na corrente sangüínea, o usuário experimenta um
baque
(aceleração) por apenas 2 minutos (JOHANSON, 1988).
Nos países onde se encontra maior plantação de cocaína, é freqüente o
hábito de fumar pasta de coca. É quase imediata a euforia causada pela rápida
absorção nos pulmões (JOHANSON, 1988).
Outra maneira de fumar cocaína dá-se por meio do processo de
freebasing, que pode ser fumado em um narguilé e requer aproximadamente
100 mg de cocaína. No entanto, somente de 5 a 6% passa pelo tubo do
20
cachimbo, pois a maior parte se perde pela fumaça que escapa (JOHANSON,
1988).
1.1.1.2 Anfetaminas e Análogos
No sistema nervoso central (SNC), as anfetaminas liberam dopamina
de síntese recente, liberam outros neurotransmissores e inibem a reentrada na
terminação nervosa. Causa efeitos marcantes sobre o aparelho cardiovascular,
como taquicardia, arritmias cardíacas e elevação da pressão arterial (RAMOS
apud SILVA, 2006).
Apesar de serem ilegais, as anfetaminas são utilizadas por via oral e
venosa. Seus efeitos duram cerca de 5 a 10 horas, seu uso médico é limitado e
alguns correlatos são usados como auxiliar no tratamento da obesidade. Seus
derivados mais potentes, como metanfetamina e dexanfetamina, prolongam o
estado de vigília, com elevação da resistência e do ânimo, ocorrência de
irritabilidade, insônia, aumento do ânimo, anorexia, euforia, nervosismo.
Depressão e sonolência compõem o estágio final dos efeitos (RAMOS apud
SILVA, 2006).
1.1.1.3
Cafeína
Psicoestimulante,
causador
de
hábito,
a
cafeína
não
causa
dependência franca. No entanto, grandes bebedores de café podem
experimentar uma crise de abstinência com sua retirada brusca (RAMOS apud
SILVA, 2006).
Doses elevadas ou muito elevadas, por exemplo, 600 mg, causam
confusão mental, sensação de angústia, agitação, nervosismo, entre outros.
Bebidas como mate, guaraná, café e chá contêm cafeína (RAMOS apud
SILVA, 2006).
21
1.1.2
Drogas depressoras do SNC
1.1.2.1 Álcool etílico
O alcoolismo é uma das maiores causas de morte em clínica em muitos
países e um dos maiores problemas mundiais. É muito difícil detectar a origem
desse problema, pois não é um fator único, o que faz o tratamento alcoólico ser
um problema ainda mais difícil (MASCARENHAS, 1990).
A psicanálise vem estudando o alcoolismo há muitos anos, porém,
advertiu sobre a resistência à transformação de certos sintomas. Assim,
consegue-se entender seu funcionamento, mas não transformá-los em desejos
passíveis de controle espontâneo pela vontade. Não se pode sustentar a idéia
de que o álcool é o único responsável pelo alcoolismo. Neste sendito, não é o
álcool que leva ao alcoolismo, mas sim, o contrário (MASCARENHAS, 1990).
Segundo Twerski, quando qualquer função normal se torna
dependente do álcool, não importando a quantidade consumida
comer dormir, sociabilizar-se, ter relações sexuais etc. são funções
normais. Quando qualquer uma destas funções ou mais de uma se
torna dependente do consumo do álcool para sua execução, pode-se
dizer que existe alcoolismo (ALFARO, 1993).
Comprovou-se que há uma vulnerabilidade quatro vezes maior de
síndrome de dependência do álcool (SDA) em parentes de primeiro grau de
dependentes. O tratamento de SDA melhora quando, por exemplo, o início do
uso de álcool ocorre tardiamente, o tratamento inicia-se o mais rápido possível,
a família participa ativamente do tratamento, o paciente apresenta bom
relacionamento com a equipe (ABREU; CORDAS; CANGUELLI FILHO, 2006).
O tratamento para consumistas do álcool deve ser iniciado com
orientações para que o mesmo abandone o consumo. No entanto, não existe
nenhum tratamento que seja totalmente eficaz, devendo levar-se em conta as
características de cada paciente, para dar início às abordagens escolhidas, e,
mesmo assim, pode ocorrer o insucesso e tornar-se necessário adotar outro
método. Durante o processo sem consumo de álcool, muitos apresentarão
síndrome de abstinência do álcool (SAA), a qual, dependendo da gravidade,
22
deve ser tratada exclusivamente em hospitais (ABREU; CORDAS; CANGUELLI
FIHO, 2006).
Pode-se considerar que uma pessoa torna-se alcoólatra por ter alguma
tragédia amorosa na vida, ou então, por perder seu patrimônio financeiro.
Tantas outras, acham que se tornaram alcoólatras por serem sexualmente
tímidas. no entanto, se o álcool a princípio favorece o sexo e o amor, em
etapas avançadas de alcoolismo os pacientes passam a apresentar disfunções
sexuais que interferem de forma negativa na vida a dois (MASCARENHAS,
1990).
O álcool tem alto teor calórico, além de propriedades que abrem o
apetite e relaxam a força de vontade. Mesmo assim, os bebedores convictos
são magros, na maioria, pois deixam de comer para beber cada vez mais.
1.1.2.4 Hipnóticos
Os hipnóticos são substâncias que determinam graus variados de
depressão do SNC. Tal depressão depende de fatores ligados à via de
administração, dose da substância hipnótica e à sensibilidade do paciente à
droga (CORREIA, ALVES, 2006).
A dependência física ou psíquica pelo uso desses medicamentos, não é
tão freqüente como se observa com barbitúricos e morfínicos. Contudo, podese desenvolver de forma lenta, principalmente quando este uso é feito em
associação com outras drogas, de forma regular e por tempo prolongado
(CORREIA, ALVES, 2006).
A
Hipnóticos Barbitúricos
Foram os fármacos hipnóticos mais utilizados na medicina, até que
surgiram os benzodiazepínicos. Em 1903, Von Mering utilizou pela primeira vez
em clínica o barbital, conhecido como Veronal. Em 1912, começou a ser usado
23
o fenobarbital (Luminal, Gardenal) e em nossos dias existem cerca de 50
especialidades comercializadas e grande parte delas de uso freqüente
(CORREIA, ALVES, 2006).
A intoxicação crônica surge naqueles indivíduos que usam barbitúricos
por tem prolongado, seja por necessidade orgânica ou psíquica (CORREIA,
ALVES, 2006).
Um aspecto interessante da dependência ao barbitúrico e que o
torna grave problema social é que o dependente dos barbitúricos não
consegue exercer suas atividades normais, pela sonolência e
adinamia produzida pela droga (CORREIA, ALVES, 2006, p.376).
B
Ansiolíticos
Os ansiolíticos são fármacos utilizados no combate a sintomas causados
pela ansiedade, disfunção que é um mal característico do século atual
(SILVEIRA, 2006).
São numerosos os casos de abuso e dependência correlacionados ao
uso tanto terapêutico quanto irracional (SILVEIRA, 2006 p.333).
Os principais sintomas da abstinência são: ansiedade, agitação,
irritabilidade, tremores, insônia, diarréia, fotofobia, despersonalização e
depressão. Tais sintomas podem aparecer uma semana após a retirada do
medicamento, a depender da meia-vida, da conversão de metabólitos ativos e
respectivas meias-vidas (SILVEIRA, 2006).
1.1.2.3 Analgésicos opióides
Algumas referências descrevem que o ópio era conhecido pelos
primitivos médicos. Os povos antigos conheciam as características que as
plantas tinham de curar, dentre elas a papoula, planta por meio da qual,
através de seu sulco, obtém-se o ópio (ROCHA, 1993).
24
Sabe-se que por mais de dois milênios, o ópio era um medicamento
muito importante por possuir propriedades analgésicas, antidiarréicas,
antitussígenas e euforizantes. A morfina extraída do ópio bruto, tomada por via
oral, tornou-se um medicamento de extrema importância em meados de 1805,
tanto que se introduziu um tratamento endovenoso, melhorando ainda mais a
qualidade de vida dos usuários, mas marcado pelo surgimento de vários
problemas de farmacodependência destes medicamentos (ROCHA, 1993).
Existe uma diferença entre o termo opióides e opiáceos. Opióides são
drogas naturais e sintéticas, com propriedades semelhantes a da morfina.
Opiáceos são substâncias alcalóides derivadas do ópio, como a morfina e as
semi-sintéticas, como a codeína (ROCHA, 1993).
A
Morfina
A morfina é um alcalóide do ópio que já foi muito usado como analgésico
para aliviar dores. A morfina é conhecida pelos dependentes químicos como
white stuff, M, hard stuff, morpho, unkie e Miss Emma, normalmente utilizada
quando a heroína está em falta (ROCHA, 1993).
A euforia pode ser obtida com pequenas doses e a tolerância se
forma rapidamente. Apresenta-se em pó, que é diluído e injetado,
sendo dez a vinte vezes mais forte do que o ópio ingerido (ROCHA,
1993, p.13).
B
História da Heroína
A heroína é uma droga derivada do ópio, cuja substância é extraída da
papoula. O ópio possui propriedades calmantes, soníferas e anestésicas sendo
que ainda hoje é muito utilizada para fins medicinais (ZACKON, 1988).
A heroína foi sintetizada em 1898, a partir da morfina, e era indicada
para aliviar o vício por esta última. A empresa de medicamentos Bayer foi
quem deu início à sua produção industrial dando-lhe o nome de Heroína . A
25
substância
começou
a
constituir
xaropes
para
tosse
entre
outros
medicamentos, e, nessa época, seus efeitos negativos ainda não eram levados
em consideração (ZACKON, 1988).
A papoula é uma planta originária da região mediterrânea oriental. Há
mais de 5000 anos, sumérios, assírios, babilônios, egípcios, gregos, turcos,
árabes, indianos e chineses já utilizavam o ópio para fins medicinais. Na
Europa, o uso era restrito devido à influência da Igreja Católica medieval que
controlava o uso dos medicamentos (ZACKON, 1988).
No começo do século XVI, Paracelso, médico e alquimista suíço,
elaborou um concentrado sulco de papoula, conhecido como
láudano . Paracelso afirmava que a droga tinha o poder de curar
muitas doenças, sendo capaz até de rejuvenescer. As teorias de
Paracelso e de seus seguidores acabaram por disseminar o uso do
láudano em todo mundo ocidental, tornando-o popular (ZACKON,
1988, p.15).
B.b
Efeitos da Heroína
Após a heroína entrar em contato com a corrente sangüínea, pela ação
do fígado ela se transformará em morfina produzindo efeito analgésico. A
administração endovenosa da droga produz efeito mais intenso e rápido, razão
pela qual o indivíduo pode vir a sentir uma agradável sensação física,
iniciando-se no abdome e espalhando-se por todo corpo. A sensação de prazer
físico é curta e precedida de relativo bem-estar, letargia e sono. A heroína não
provoca alucinações ou alterações da percepção, mas dependendo da
quantidade administrada pode ocorrer a morte (ZACKON, 1988).
Os usuários regulares de heroína afirmam que a droga os faz
sentirem-se em paz , sem dor , sem sofrimento , livres de
quaisquer problemas e preocupações , mas em geral perdem a
capacidade de concentrar o raciocínio e de manter fixa a atenção
(ZACKON, 1988, p.49 e 50).
A heroína ainda produz reações alérgicas que podem gerar feridas
cutâneas, já que os usuários coçam-se muito após a utilização. A primeira
aplicação da droga ainda pode provocar vômitos, vertigem, perda da orientação
e mal-estar (ZACKON, 1988).
26
A principal característica dos opiáceos é que logo os usuários adquirem
tolerância e passam a administrar quantidades cada vez maiores da substância
(ZACKON, 1988).
Como a heroína é um tipo de tranqüilizante, desacelera muitas funções
fisiológicas normais do sistema nervoso central, como ritmo da pulsação e
movimentos respiratórios, causando queda da pressão arterial. A heroína ainda
pode deprimir a atividade da musculatura involuntária, tais como diafragma e
os músculos responsáveis pelos movimentos peristálticos intestinais. A pessoa
que está sob o efeito da droga ainda tem déficit de coordenação psicomotora e
diminuição dos reflexos (ZACKON, 1988).
Nos anos 70 descobriu-se que as moléculas dos opiáceos afetam os
terminais receptores dos neurônios, mas os cientistas ainda queriam
saber de que forma as moléculas dos opiáceos se encaixam nesses
terminais, como chaves em fechaduras (ZACKON, 1988, p.50).
1.1.3
Drogas que atuam predominantemente sobre a percepção
1.1.3.2 Canabióides
Nos tempos coloniais a maconha foi introduzida no Brasil, juntamente
com o tráfico de negros. Passou a ser cultivada nos estados do nordeste e
usada como substância tóxica. Foi proibida a plantação de maconha e
considerada entorpecente a partir de 1937 (BONIFÁCIO, 2000).
Nos anos 50, a maconha era considerada costume de pobre . Hoje, o
uso dessa droga alcançou todas as idades e classes sociais, tanto que alguns
defendem a legalização da maconha, sob o argumento de não ser prejudicial.
Contrariamente, pesquisas comprovam que a maconha é prejudicial e seu uso
constante provoca dependência (COHEN, 1988).
Antigamente a maconha era usada por antigos persas, gregos, romanos,
indianos e assírios para controle de espasmos musculares no tratamento da
indigestão e controle da dor. Também usavam-na, como incenso ou defumador
de ambiente (COHEN, 1988).
27
A Cannabis sativa cresce em várias regiões do mundo. A substância
delta-9 tetrahidrocanabinol, ou THC, é um dos 60 canabinóides presentes e o
principal responsável por seus efeitos psicoativos. É a concentração do THC
que determina a potência dos efeitos, sendo na flor da planta que se encontra a
maior concentração de THC. Essa concentração de THC também varia entre
as três formas mais comuns da Cannabis sativa: a maconha, o haxixe e o óleo
de hash. A maconha é a forma mais utilizada no Brasil, conhecida também
como marijuana, erva, fumo, back, etc (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
O I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no
Brasil, realizado em 2001, indicou que há cerca de 1% dependentes
de maconha nas 107 cidades pesquisadas, o que corresponde a
uma população estimada de 451.000 pessoas, sendo 5 vezes mais
prevalente no sexo masculino(FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA,
2004, p. 109).
O princípio ativo puro da maconha - tetrahidrocanabinol (THC) - pode ser
útil no alívio de náuseas e vômitos e na estimulação do apetite. Porém, existem
outros medicamentos que podem ser utilizados no alívio, além de serem mais
seguros e eficazes, tirando a razão para o uso de uma droga que pode causar
dependência (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
Fumar é o método mais comum de utilização da droga, em que o
produto final tem aspecto de cigarro e é conhecido como baseado . O THC é
absorvido dos pulmões para a corrente sangüínea, onde atinge o nível mais
alto de concentração dez minutos após ter sido inalado (FIGLIE; BORDIN;
LARANJEIRA, 2004).
1.1.3.1.1
Efeitos e Dependência da Maconha
Entre os efeitos psicoativos encontramos a sensação de barato que os
usuários experimentam. Trata-se de um estado alterado de consciência
caracterizado
por
mudanças
emocionais,
como
euforia
moderada
e
relaxamento; alterações perceptuais, como distorção do tempo; e intensificação
das experiências sensoriais simples, como comer, assistir a filmes, ouvir
música e ter relações sexuais (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
28
Nem todos os efeitos da cannabis são agradáveis. Ansiedade, disforia,
pânico e paranóia são os efeitos indesejáveis mais comumente relatados.
Sintomas psicóticos, como delírios e alucinações, também podem ocorrer com
o uso de altas doses (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
Há um número razoável de casos que se referem a uma psicose de
cannabis , em que os indivíduos desenvolvem sintomas psicóticos após o uso.
Os mais comuns são: confusão, alucinações, delírios, labilidade emocional,
amnésia, desorientação, despersonalização e sintomas paranóides. São
reações raras e podem ocorrer após uso eventual (FIGLIE; BORDIN;
LARANJEIRA, 2004).
Existem poucas evidências de que o uso de cannabis provoque uma
psicose que persista além do período de intoxicação. Isso se deve à
relativa raridade desse fenômeno e à dificuldade de distinguir esse
tipo de psicose da esquizofrenia e de quadros afetivos que ocorrem
em usuários de cannabis. Existe uma associação entre o uso da
cannabis e a esquizofrenia: o uso crônico da cannabis pode
precipitar a esquizofrenia em indivíduos vulneráveis; os portadores
de esquizofrenia podem fazer o uso de cannabis como uma forma de
medicar os sintomas desagradáveis associados ou os efeitos
colaterais dos neurolépticos utilizados no tratamento, tais como
depressão, ansiedade, letargia e anedonia; o uso de cannabis pode
exacerbar os sintomas da esquizofrenia (FIGLIE; BORDIN;
LARANJEIRA, 2004, p. 109).
Existe uma polêmica entre a relação do consumo da maconha e o início
do uso de outras drogas ilícitas. Pesquisas indicam o desenvolvimento de uma
seqüência iniciada pelos comportamentos delinqüentes que progridem para o
uso descontrolado de drogas lícitas como álcool e tabaco, sendo finalizado com
o uso de drogas pesadas. A melhor explicação não é o efeito psicoativo que a
maconha fornece e sim fatores sociais aos quais qualquer usuário de drogas
ilícitas fica exposto (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
Existem evidências de que o uso crônico de maconha produza
deficiências leves nas funções cognitivas de memória podendo afetar tarefas
do dia-a-dia. Não se sabe se tais deficiências são reversíveis (FIGLIE;
BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
Há
muita
preocupação
quanto
aos
efeitos
da
maconha
no
comportamento e na motivação. Uma síndrome motivacional foi identificada em
1971 por alguns psiquiatras, a qual se caracteriza por falta de motivação e
redução da produtividade do usuário e tais comportamentos estão mais
29
relacionados à intoxicação do que às mudanças de personalidade ou do
funcionamento cerebral, tendendo a melhorar com a interrupção do uso e
aconselhamento (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
Estudos apontam sujeitos que haviam cessado bruscamente o uso de
doses diárias de cannabis e relataram certo desassossego interno , horas
após a última dose de THC. Irritabilidade, calores repentinos, insônia, suores,
inquietude, coriza, soluços, diminuição do apetite, náuseas, dores musculares,
ansiedade, sensação de frio, diarréia, sensibilidade à luz, vontade intensa de
usar a droga, depressão, perda de peso e tremores discretos podem
caracterizar a síndrome de abstinência (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA,
2004).
A toxidade aguda da maconha é extremamente baixa. Não existe caso
de morte por intoxicação confirmado na literatura médica mundial, ao passo
que complicações agudas são relatadas com freqüência (FIGLIE; BORDIN;
LARANJEIRA, 2004).
Quadros psicóticos agudos têm sido descritos tanto em usuários
crônicos como em principiantes, e os sinais e sintomas freqüentes são
inquietação motora, insônia, fuga de idéias e leves alterações de pensamento
(FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
O reasseguramento psicológico e a orientação para a realidade, feita por
amigos e familiares, costumam ser suficientes. Os benzodiazepínicos podem
ser úteis nos quadros ansiosos agudos, assim como nos psicóticos, se
associados a algum neuroléptico (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004).
1.1.3.3 Alucinógenos
Os alucinógenos formam um grupo complexo de substâncias, nãocausadoras de dependência, embora muitos usuários usem-no habitualmente.
As alucinações são causadas por substâncias obtidas da síntese ou extração
de plantas. Essas substâncias são: LSD-25, mescalina, harmina, DOM, DMP,
MDA, psilocibina, DMT, DMA (RAMOS apud SILVA, 2006).
30
Segundo Ramos (apud Silva, 2006), LSD-25 é a dietilamida do ácido
lisérgico. Essa droga, considerada o protótipo do grupo, foi sintetizada a partir
de derivados do esporão do centeio (ergot). Seus efeitos alucinogênicos foram
descobertos casualmente pelo químico Hoffman, quando ingeriu diminuta
quantidade e descreveu: Ficando de olhos fechados, figuras fantásticas, de
extraordinária plasticidade e cor intensa, pareciam assomar em minha
direção... (RAMOS apud SILVA, 2006).
Seu uso é feito em cápsulas, comprimidos e ampolas, podendo ser
facilmente dissimulado em bolachas, selos, cartões, lenços ou cubinhos de
açúcar, por serem inodoros e insípidos (RAMOS apud SILVA, 2006).
1.1.3.3 Inalantes ou Solventes
Substâncias como óxido nitroso, éter etílico, solventes industriais,
anticongelantes e colas têm sido utilizadas em aerosol e inaladas em saco
plástico (prática mais comum). Os indivíduos dedicados ao seu uso estão
predispostos ao abuso de outros tóxicos e ligados a grupos marginais,
tornando difícil o enquadramento ao conceito de vício, toxicomania ou
dependência (RAMOS apud SILVA, 2006).
1.2
As drogas: seu destino no presente e futuro
Segundo dados da UNODC as drogas ilícitas são responsáveis hoje por
uma mínima parcela da mortalidade da população mundial.
Já as drogas
lícitas, como o álcool e o tabaco apresentam alta taxa de mortalidade.
Conter o problema das drogas ilícitas em uma pequena parcela da
população, com idade entre 15 e 64 anos de idade, parece uma realização
mais importante quando é considerada sob a perspectivas de outras 3
estimativas (UNODC, 2008):
31
Primeiro, o uso considerado problemático de drogas (dependência
química) tem sido restrito a uma parcela mínima da população
(0,6%) em idade entre 15 a 64 anos. Segundo, o consumo de tabaco
outra droga psicoativa que também causa dependência química e
que é amplamente vendida em mercados
afeta até 25% da
população adulta do mundo. Terceiro, as estatísticas de mortalidade
mostram que drogas ilícitas correspondem a uma parcela pequena
em relação àquelas vidas que o tabaco tomou, em média 200 mil
mortes por ano causadas por drogas ilícitas comparadas a uma
média de 5 milhões de mortes ao ano causadas pelo tabaco
(UNODC, 2008, p. 5).
No Brasil, seria difícil ocorrer alguma mudança principalmente no
tratamento da maconha. Caso houvesse uma legalização da droga, haveria
dois modelos possíveis: o primeiro seria o monopólio estatal, no caso o
governo plantando e vendendo as drogas para que pudesse ter controle sobre
tais; a outra possibilidade, seria o estabelecimento de regras também pelo
governo, tais como composição química exigida, proibição para menores,
proibição do fumo combinado com a direção de veículos, cobrança de altas
taxas (MICHELINI, 2002).
Este ano, foi validada a lei onde o condutor que for flagrado dirigindo sob
a influência de álcool ou de qualquer substância psicoativa terá a Carteira
Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por doze meses, e ainda receberá
multa de R$ 957,70, além da retenção do veículo até a apresentação de
condutor habilitado e o recolhimento do documento de habilitação (DETRAN,
2008).
1.3
A violência e o tráfico
Nos grandes centros urbanos, não só no Brasil, mas em todo o mundo, o
desemprego, a educação precária, a delinqüência, dentre outros fatores geram
conseqüentemente a violência, devido à contradição existente entre o
desenvolvimento tecnológico e a desigualdade social (FEFFERMANN, 2007).
O tráfico de drogas é uma atividade imprescindível, já que inserido em
uma espécie de comércio e finanças internacionais (FEFFERMANN, 2007). Na
sociedade moderna, o jovem ocupa um espaço problemático e some-se ainda
32
o fato de a sociedade encarar tudo que emerge do mundo dos jovens como
impertinência, delinqüência ou mesmo doença (FEFFERMANN, 2007).
O deslocamento da produção social da delinqüência para a
hereditariedade, para a família e para a estrutura psíquica oculta
suas origens históricas e sociopolíticas. Condenam-se essa prática e
seus agentes, antes de se tentar entender o que acontece para que
esses jovens, inseridos num contexto de perda de valores, de
frustrações, de falta de expectativas, de violência, se voltem para a
droga como fonte do prazer que lhes é negado no dia-a-dia.
(FEFFERMANN, 2007).
No Brasil a miséria e a falta de oportunidades tornam-se fatores
responsáveis pelo tráfico de drogas, e pode-se observar que a violência se
espalha rapidamente nesse meio. Os jovens de baixa renda, alguma maneira
envolvidos com o trafico, são rotulados de preguiçosos, perigosos e intratáveis
(FEFFERMANN, 2007).
Os estereótipos desfiguram a realidade, encobrindo o que gera a
desigualdade, e servindo, assim, como justificativa para a
dominação. Dessa forma, a situação de opressão é naturalizada. Os
estereótipos delimitam campos, são categorias que impedem nossa
identificação com eles. (FEFFERMANN, 2007).
Jovens que passam por tal situação, costumam olhar a sociedade com
os mesmos olhos pelos quais são vistos: discriminam, classificam, rotulam e
excluem. Os jovens, assim, agrupam-se na busca de uma identidade. Mas, se
num primeiro momento, essa é a finalidade, percebe-se que muitos desses
grupos transformam-se em grupos que têm como propósito, implícito ou
explícito, a manutenção das condições sociais (FEFFERMANN, 2007).
Julgados como possuidores de um caráter irracional, os jovens
discriminados tentam demonstrar para a sociedade que a responsável de toda
essa irracionalidade é ela mesma. O preconceito passa a ser uma das
grandes conseqüências. Pode-se observar que, o tráfico é uma atividade
extremamente arriscada, começando pela ilegalidade. A perspectiva de morte
faz desses jovens reféns de uma sobrevivência sofrida e angustiada.
(FEFFERMANN, 2007).
De certa forma estes jovens possuem o mesmo pensamento de uma
sociedade ávida pelo consumo, já que se demonstram atraídos por dinheiro,
astúcia, armas, carros e competição, principalmente.
33
A falta de perspectiva quanto ao futuro desta sociedade que
contribuiu para a sua posição de marginal é uma das razões que o
motiva a ter um lugar, no qual pode ser respeitado, e obter dinheiro;
nas relações do tráfico, o jovem busca a aquisição de bens
reconhecidos e socialmente valorizados. (FEFFERMANN, 2007).
Estes indivíduos são de uma forma geral, dependentes do crack, que
tem como principal característica impulsionar o usuário a tomar qualquer
atitude, por mais arriscada que seja para obter a droga. A polícia muitas vezes
cumpre seu papel de forma cruel. Neste passo, alguns jovens descontam em
outros a agressividade em troca da humilhação sofrida (FEFFERMANN, 2007).
O sentimento de humilhação ainda pode gerar revoltas com o sistema
social, impulsionando os jovens à prática de atos de crueldade. A violência, no
tráfico de drogas, institui-se como um dos fundamentos para sua manutenção e
expansão. (FEFFERMANN, 2007).
Devemos nos considerar em estado de total alerta, já que tais indivíduos
sentem-se excluídos e criam mecanismos desconhecidos para lidar com a
discriminação (FEFFERMANN, 2007).
Ou seja, diante da recusa do reconhecimento simbólico desses
jovens, diante do desprezo e da indiferença a que estão submetidos
(mais acentuados ainda perante as desigualdades sociais do cenário
brasileiro), espera-se que a instância da lei se faça valer pela força
bruta. (FEFFERMANN, 2007).
Em síntese, a violência seria a resposta encontrada pelos jovens ligados
ao tráfico de drogas, em devolver à sociedade tudo aquilo que a mesma lhe
proporciona (FEFFERMANN, 2007).
1.4
Saúde e doença dos dependentes
Existem algumas diferenças entre dependência física e vício e
dependência psíquica e vício. A dependência física é desencadeia no indivíduo
a continuidade ao uso de uma droga, no sentido de que o usuário procura
evitar a crise de abstinência. Este fator não é indubitavelmente o determinante
do vício. Alguns medicamentos como os neurolépticos, por exemplo, causam
dependência física, porém, sem induzir abuso ou vício. A dependência psíquica
34
é a verdadeira determinante para o vício. As sensações causadas pela
utilização da droga satisfazem certas necessidades, induzindo o indivíduo a
usá-la mais vezes (RAMOS apud SILVA, 2006).
Por outro lado, está bem demonstrado que os arcabouços da
personalidade e psíquicos do usuário têm grande influência na
instalação do vício: enquanto alguns sentem pelas drogas
euforizantes indiferença tranqüila, outros têm por elas atração
especial (RAMOS apud SILVA, 2006)., p. 205)
Cada droga causa um efeito diferente no organismo, por possuírem
mecanismos de ação também diferentes. A cocaína atua no SNC, diminuindo a
reentrada de dopamina, já que se liga aos locais transportadores aumentando
o contato do neurotransmissor com receptores sinápticos. Sabe-se também
que a cocaína interage com sistemas neuroquímicos que podem causar efeitos
comportamentais. As anfetaminas diferentemente da cocaína, causam
liberação e inibem reentrada nas terminações nervosas de dopamina de
síntese recente entre outros neurotransmissores, o que pode explicar seus
efeitos de toxidade além dos efeitos farmacológicos (RAMOS apud SILVA,
2006).
Os efeitos da cafeína são tão fisiológicos, que são imperceptíveis.
Estudos demonstram que uma xícara e meia de café forte levam a um aumento
do rendimento físico e intelectual. Doses mais altas podem causar sinais
perceptíveis de confusão mental e indução de erros em tarefas intelectuais.
Pode-se observar ainda agitação, nervosismo, sensação de angústia e até
delírio (RAMOS apud SILVA, 2006).
O álcool etílico pode causar danos a diversos sistemas e dentre eles os
mais importantes a serem citados são o sistema nervoso e o hepático (fígado).
Níveis altamente elevados de etanol são responsáveis por causar lesões no
sistema nervoso, seja através da toxidade ou ainda pelas deficiências
vitamínicas e nutricionais que seu uso crônico pode acarretar. No sistema
hepático a lesão mais comum seria a esteatose. Existe, ainda, a hepatite
alcoólica que pode se agravar e levar a uma cirrose (RAMOS apud SILVA,
2006).
A morfina e a heroína são responsáveis pelo vício mais profundo que
existe, podendo levar o indivíduo ao grau máximo de dependência e
escravidão absoluta. Além da dependência psíquica profunda, a
dependência física pode ser tal que o viciado persiste no uso da
35
droga por temer o quadro dramático da crise de abstinência [...]
(RAMOS apud SILVA 2006 p.207)
A nicotina estimula o SNC através de sua absorção nos pulmões, causa
dependência profunda, com o uso continuado, aparece tolerância e efeitos
como náusea e vômito. As doenças mais claramente relacionadas ao
tabagismo são as das vias respiratórias: 80% dos casos de bronquite e
enfisema e entre 85 e 90% dos de câncer de pulmão são causados pelo tabaco
(FERREIRA, 2006).
Os efeitos tóxicos e farmacológicos da maconha são muitos. Observa-se
taquicardia, aumento ou queda brusca de pressão arterial, depressão do
sistema imunológico além de bronquite e asma causadas pelo uso prolongado
(RAMOS apud SILVA, 2006).
1.5
As relações na clínica da terapia ocupacional
O método de Terapia Ocupacional Dinâmica tem como característica a
observação, elaboração e intervenção sobre a dinâmica que se estabelece
entre realidade externa e interna, numa relação composta pelos elementos
terapeuta
paciente
atividades (BENETTON apud PESSUTO et al., 2004, p.
06).
No tratamento de Terapia Ocupacional, quando o paciente é colocado
frente a um material a ser transformado, o aspecto essencial é um pensar
específico sobre um fazer concreto (OSTROWER apud PESSUTO ET al.,
2004, p. 17).
As atividades, enquanto termo médio da relação triádica no contexto
do setting terapêutico, possibilitam ao paciente uma ampliação do
seu conhecimento e contato com o mundo, ajudando-o a fazer
escolhas, explorar técnicas e materiais diferentes, falar da sua
história e transpor para seu cotidiano experiências vivenciadas no
setting, processo que possibilita a experimentação de um novo modo
de ser, fazer e estar social (PESSUTO et al., 2004, p. 25).
1.6
Tratamentos
36
1.6.1 Diagnóstico
Durante anos, a dependência de álcool e drogas era vista como um
desvio de caráter, passando nesse século a ser considerada uma doença,
avaliada não apenas sob a ótica da moral, mas também a da Medicina
(FORMIGONI; CASTEL, 1999).
Uma avaliação adequada e abrangente é fundamental tanto para o
desenvolvimento do tratamento apropriado, como na pesquisa de problemas
relacionados ao uso de substâncias e da efetividade das intervenções. No
entanto, a utilização de escalas pode ter objetivos diferentes (FORMIGONI;
CASTEL, 1999).
Todas substâncias consideradas pelo DSM-IV-TR na categoria de
transtornos relacionados a substâncias associadas a estado patológico de
intoxicação, variam quanto ao estado patológico estar relacionado à
abstinência ou persistir após sua eliminação (SADOCK; SADOCK, 2007).
Os pacientes que experimentam intoxicação ou abstinência de
substâncias acompanhadas de sintomas psiquiátricos, mas que não satisfazem
os critérios para padrão sindrômico de sintoma específico recebem o
diagnóstico de intoxicação por substância, ou abstinência de substância,
possivelmente em associação com dependência ou abuso (SADOCK;
SADOCK, 2007).
Em 1954, a OMS concluiu que o termo adição não era científico e
recomendou sua substituição pelo termo dependência de drogas.
O diagnóstico não só do uso de álcool assim como a avaliação rápida e
eficiente dos problemas associados ao uso de álcool e outras drogas por
adolescentes pode ser feita pelo DUSI (Drug Use Screening Inventory) entre
outros. No Brasil, ele foi adaptado e validado por pesquisadoras da
Universidade Federal de São Paulo, Denise De Micheli e Maira Lucia Formigoni
(OBID, 2007).
1.6.2 Tratamento medicamentoso
37
Há dois fatos que precisam ser considerados: nas últimas décadas
houve um incontestável avanço
das ciências que estudam os fenômenos
mentais, com descobertas de vários psicofármacos e comprovação da eficácia
de inúmeras técnicas terapêuticas psico-sociais; outrossim, quando se pensa
no tratamento das dependências químicas é necessário e útil estabelecer seus
princípios
gerais,
podendo
ao
mesmo
tempo,
afastar
preconceitos
marginalizantes, proporcionar eficácia baseada em evidências científicas e
obter avanços na assistência àqueles que sofrem com este problema. Não há
um tratamento único que seja apropriado. É importante que haja uma
combinação adequada entre tipo de ambiente, intervenções e serviços para
cada problema e necessidade do indivíduo, contribuindo para o sucesso do
tratamento e para o retorno a uma vida produtiva na família, trabalho e
sociedade (OBID, 2007).
Para ser efetivo, o tratamento deve ser dirigido ao uso de drogas, mas
também a qualquer outro problema médico, psicológico, social, profissional e
jurídico da pessoa.
No Brasil, as seguintes medicações podem ser utilizadas na prática
clínica como adjuvantes no tratamento específico da
dependência de
substâncias psicoativas:
A
para álcool: dissulfiram, naltrexone e acamprosato
B
para nicotina: bupropiona e reposição de nicotina
C
para opióides: naltrexone e clinidina. A metadona (um opióide
sintético,
quem tem seu uso preconizado em nosso meio como
analgésico), embora
efetiva como fármaco de reposição em
dependência à opióides, não tem seu uso liberado oficialmente
para este fim no Brasil (OBID, 2007).
No caso de indivíduos com problemas de dependência de drogas que ao
mesmo tempo apresentam outros transtornos mentais, devem-se tratar os dois
problemas concomitantemente. Os pacientes que apresentam as duas
condições devem ser avaliados e tratados conforme ambos os transtornos
(OBID, 2007).
A desintoxicação é apenas a primeira etapa do tratamento para a
dependência e, por si só, pouco faz para modificar o uso de drogas em longo
prazo.
38
O tratamento pode ser facilitado pela forte motivação do cliente,
entretanto, medidas compulsórias ou recompensas dentro da família, do
ambiente de trabalho ou do próprio sistema judiciário podem aumentar
significativamente a porcentagem de indivíduos que entram e se mantém no
processo, assim como o sucesso do tratamento da dependência de drogas
(OBID, 2007).
O dissulfiram é utilizado para se garantir a abstinência no tratamento
da dependência de álcool. Seu principal efeito é produzir uma reação
rápida e desagradável na pessoa que ingere mesmo uma pequena
quantidade de álcool quando tomado o dissulfiram. Devido ao risco
de reações graves e mesmo fatais da combinação álcool-dissufiram,
esse tratamento é utilizado com menos freqüência hoje em dia do que
o foi no passado (Sadock; Sadock, 2007, p. 1113).
1.6.3 Estratégias de tratamento
Os usuários de substâncias psicoativas atualmente podem se beneficiar
de várias abordagens terapêuticas, recebendo assistência em clínicas
particulares, ambulatórios de saúde mental, unidades básicas de saúde e
centros de atenção psicossocial.
De modo geral tanto os pacientes como seus familiares devem ser
assistidos nestes programas, recebendo orientações e esclarecimentos e caso
haja indicação, o familiar poderá ser tomado em tratamento individual ou
grupal, dependendo de suas necessidades. (SILVA, 2003, p.153)
Quanto à escolha do programa de tratamento, os pacientes menos
graves
são
psiquicamente
menos
comprometidos
e
teoricamente
beneficiariam de psicoterapia compreensiva voltada para o
se
insight . Os
pacientes crônicos freqüentemente manifestam uma deterioração intelectual e
outros graves prejuízos físicos e sociais. Um acompanhamento clínico e um
trabalho conjunto com uma equipe multiprofissional são necessárias.
O tratamento preconizado para esses pacientes caracteriza-se por se
desenvolver num nível mais objetivo e pela determinação no início das metas a
serem cumpridas. A estratégia desta abordagem reside na tentativa de
mobilizar usuário a utilizar seus próprios processos naturais de cura. São
39
estimulados a procurarem outras formas de ajuda existentes na própria
comunidade, bem como substitutos para sua dependência, são os casos dês
Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, novos relacionamentos sociais,
trabalho, religião, etc.
1.6.4 A importância do tratamento grupal
1.6.4.1 Histórico
A história da terapia grupal começou nos Estados Unidos onde, em
1905, organizaram-se cursos para tratamento a tuberculosos. A partir de 1920,
apareceram trabalhos em grupos para diversas doenças físicas e/ou mentais.
Na década de 40, surgiu a expressão dinâmica de grupo e a seguir a
chamada psicoterapia de grupo . Ficou então proposto o grupo psicológico,
onde a pluralidade de pessoas, em um dado momento, estabelece interação
precisa e sistemática entre si, fazendo do fenômeno grupal seu campo de
investigação e de operações terapêuticas.
Esse método mostrou excelentes resultados com relação a recuperação
física dos pacientes, pois compõe uma estrutura familiar-fraternal e exerce o
que hoje conhecemos por função continente do grupo.
O ser humano é gregário por natureza e somente existe, ou subsiste,
em função de seus inter-relacionamentos grupais. Sempre, desde o
nascimento, o indivíduo participa de diferentes grupos, numa
constante dialética entre a busca de sua identidade individual e a
necessidade de uma identidade grupal e social. Um conjunto de
pessoas constitui um grupo, um conjunto de grupos constitui uma
comunidade e um conjunto interativo das comunidades configura
uma sociedade (ZIMERMAN, 1997, p. 26).
A psicologia grupal é de extrema importância, pois sabe-se que todo
indivíduo passa a maior parte do tempo de sua vida convivendo com grupos
distintos.
A essência de qualquer indivíduo consiste no fato dele ser portador de
um conjunto de vários sistemas, tais como: desejos, valores, capacidades e,
40
sobretudo, necessidades básicas na qual se destaca a dependência de ser
reconhecido por pessoas nas quais ele convive.
[...] É legítimo afirmar que todo indivíduo é um grupo (na medida em
que, no seu mundo interno, um grupo de personagens introjetados,
como os pais, irmãos, etc., convive e interage entre si), da mesma
maneira como todo grupo pode comportar-se como uma
individualidade [...] (ZIMERMAN, 1997, p. 27).
Existem grupos de diversos tipos, e uma primeira subdivisão é a que
diferencia os grandes grupos dos pequenos. Os microgrupos, como no caso de
um grupo terapêutico, costumam reproduzir, as características sócioeconômico-políticas e dinâmica psicológica dos grandes grupos.
Por agrupamento entendemos um conjunto de pessoas que convive
partilhando de um mesmo espaço e que guardam entre si uma certa
valência de inter-relacionamento e uma potencialidade em virem a se
constituir como um grupo propriamente dito (ZIMERMAN, 1997, p.
27).
Um grupo possui leis e mecanismos próprios e específicos, onde os
indivíduos se reúnem para discutir assuntos de interesse em comum. O
tamanho do grupo não pode exceder o limite que ponha em risco a
comunicação.
O grupo é uma unidade que se comporta como uma totalidade, e viceversa, de modo que, tão importante quanto o fato de ele se organizar a serviço
de seus membros, é também a recíproca disso. (ZIMERMAN, 1997).
Em qualquer grupo constituído se forma um campo grupal dinâmico o
qual é composto por vários fenômenos e elementos do psiquismo. Sendo
assim, o campo grupal representa um enorme potencial energético psíquico.
O campo grupal se constitui como uma galeria de espelhos, onde
cada um pode refletir e ser refletido nos, e pelos outros.
Particularmente nos grupos psicoterapêuticos, essa oportunidade de
encontro do self de um indivíduo com o de outros configura uma
possibilidade de discriminar, afirmar e consolidar a própria identidade
(ZIMERMAN, 1997, p. 30).
O recurso grupoterápico começou com J. Pratt, que em 1905 em uma
enfermaria para tuberculosos, criou o método de classes coletivas , o qual
41
consistia em uma aula ministrada por Pratt, sobre higiene e os problemas da
tuberculose, seguidas pela livre participação dos pacientes.
1.7
Classificação geral dos grupos
A essência dos fenômenos grupais é a mesma em qualquer tipo de
grupo, e o que os diferencia é a finalidade para a qual eles foram criados. Em
algumas circunstâncias, os fenômenos psíquicos de um campo grupal estão
em estado latente, subjacente, e, em outras situações, é inerente à natureza do
grupo
em
questão
haja
a
emergência
de
ansiedades,
resistências,
transferências, etc., e que as mesmas sejam interpretadas e trabalhadas
(ZIMERMAN, 1997).
O leque de aplicações da dinâmica grupal é amplo, possibilitando
arranjos combinatórios criativos entre seus recursos técnicos e táticos
(ZIMERMAN, 1997).
A classificação dos grupos fundamentada no critério das finalidades a
que se destina o grupo, parte de uma divisão genérica nos dois seguintes
grandes ramos: operativos e psicoterápicos (ZIMERMAN, 1997).
1.7.1 Grupos Operativos
A conceituação da expressão grupo operativo é tão abrangente quanto
à extensa gama de suas aplicações práticas, que muitos preferem considerá-lo
sendo, genericamente, um continente de todos os demais grupos, inclusive os
terapêuticos, mesmo os especificamente psicanalíticos (ZIMERMAN, 1997).
Deve ser enfatizado que a atividade que a atividade do coordenador
dos grupos operativos deve ficar centralizada unicamente na tarefa
proposta, sendo que, somente nas situações em que os fatores
inconscientes inter-relacionais ameaçarem a integração ou evolução
exitosa do grupo, é que caberão eventuais intervenções de orem
42
interpretativa,
por
vezes
dirigida
ao
plano
do
inconsciente
(ZIMERMAN, 1997, p. 76).
Os grupos operativos propriamente ditos cobrem os seguintes quatro
campos: ensino-aprendizagem, institucionais, comunitários e terapêuticos
(ZIMERMAN, 1997).
1.7.2 Grupos Psicoterápicos
A terminologia de grupos psicoterápicos deve ser reservada para formas
de psicoterapia que se destinam prioritariamente à aquisição de insight,
notadamente, dos aspectos inconscientes dos indivíduos e da totalidade
grupal.
Não há um específico e acabado corpo teórico-técnico que dê uma
sólida fundamentação a todas as formas de grupoterapias. Enquanto
isso, elas vão se utilizando de outras fontes, das quais merecem um
registro à parte as quatro a seguir indicadas: a psicodramática, a da
teoria sistêmica, a da corrente cognitivo-comportamentalista e,
naturalmente, a de inspiração psicanalítica (ZIMERMAN, 1997, p.
78).
A abordagem grupal em alcoolismo e drogadição traz consigo um
aspecto valioso. Na medida em que vêem suas dificuldades relativas à bebida
ou ao uso de drogas psicoativas manifestadas pelos outros companheiros do
grupo, as pessoas se acalmam, diminuindo a angústia e a culpa. A situação
grupal também é valiosa no início do tratamento quando os mecanismos de
defesa típicos desses usuários são intensos, e os próprios companheiros do
grupo, melhor do que o terapeuta, se incumbem de desfazê-lo (NOTO, 2000).
O tratamento grupal é um meio de tornar possível o atendimento de um
maior número de dependentes, situação comumente encontrada nos
ambulatórios públicos, CAPS/AD, onde a demanda é sempre grande
(AMARANTE, 2007).
1.8
Prognóstico
43
As drogas de abuso promovem alterações em algumas partes cerebrais,
dentre elas destacando-se o circuito de recompensa, predominantemente
dopaminérgico (UNODC, 2008).
Estas alterações não se extinguem rapidamente, assim o indivíduo
passa a possuir fissura por consumir a droga por muitos anos (MALBERGIER,
2006).
O consumo de algumas drogas segundo o UNODC tem aumentado
progressivamente. O aumento mais importante no consumo de maconha na
América Latina foi registrado no maior país da região, o Brasil, o que reflete
aumento na disponibilidade de derivados de cannabis do vizinho Paraguai. A
prevalência anual do uso de maconha aumentou de 1% em 2001 para 2,6% em
2005 (UNODC, 2008).
De acordo com pesquisas domiciliares [CEBRID 2005], o maior
mercado de opiáceosna América do Sul é o Brasil, com cerca de 600
mil usuários, ou 0,5% da populaçãoentre 12-65 anos. A maior parte
dessas pessoas faz uso de opiáceos sintéticos. A prevalência anual
de heroína é baixa, menor que 0,05% da população entre 12-65 anos
(UNODC, 2008, p. 56).
A tendência mundial do uso de drogas está estável pelo quarto ano
consecutivo. Sabe-se que quase 5% da população utilizaram algum tipo de
droga nos últimos 12 meses. A dependência de drogas permanece entre 0,6%
da população mundial entre 15 e 64 anos de idade (UNODC, 2008).
Segundo Sadock & Sadock (2007) alguns sinais prognósticos são
favoráveis: o primeiro é a ausência de transtornos da personalidade anti-social
preexistente e do diagnóstico de abuso ou dependência de outras substâncias;
em segundo, evidências de estabilidade geral na vida; e terceiro, se o cliente
permanecer por todo o curso da reabilitação inicial, as chances de manter a
abstinência são boas, onde a combinação destes atributos prevê uma chance
de pelo menos 60% de ter um ou mais anos de abstinência.
44
CAPÍTULO II
A CLÍNICA DA TERAPIA OCUPACIONAL
2
O PAPEL DO TERAPEUTA OCUPACIONAL
A definição de Terapia Ocupacional, para Benetton (1994), é a arte de
aplicar conhecimentos científicos e empíricos e certas habilidades específicas,
decorrente do uso de atividades, à criação de estruturas, dispositivos e
processos que são utilizados para converter recursos físicos, psicológicos e
sociais em formas adequadas à prevenção, manutenção e tratamento em
Saúde, Educação, na área Social e outras correlatas.
É o campo de conhecimento e de intervenção em saúde, educação e
na esfera social, reunindo tecnologias orientadas para a emancipação
e autonomia das pessoas que, por razões ligadas a problemática
específica, físicas, sensoriais, mentais, psicológicas e/ou sociais,
apresentam, temporariamente ou definitivamente, dificuldade na
inserção e participação na vida social. As intervenções em Terapia
Ocupacional dimensionam-se pelo uso da atividade, elemento
centralizador e orientador, na construção complexa e contextualizada
do processo terapêutico (Universidade de São Paulo USP, p.70).
Segundo Benetton (1994), os elementos que caracterizam essa terapia
ocupacional são as atividades e a entrada do sujeito no sistema terapêutico. É
justamente o uso de atividades pelo sujeito alvo da intervenção que define uma
atuação específica para uma área de interação localizada entre o físico e o
psíquico, entre o objetivo e o subjetivo, entre o material e o imaterial.
2.1
A importância das atividades
As atividades são muito importantes para o parcial direcionamento do
tratamento, pois é a partir delas que se coleta informações do paciente. Com
45
tais informações o terapeuta ocupacional passa a ter uma previsão do que será
realizado com o paciente, visando suas habilidades e conseqüentemente
experiências que já foram vividas e já apresentaram respostas (BENETTON,
1994).
Os processos e procedimentos das atividades são também importantes
para que possa ser trilhada a manutenção dos pacientes nas atividades.
Durante o fazer, a terapeuta ocupacional pode abandonar ou mudar de
atividade dependendo das habilidades, dificuldades e interesses do paciente
com a mesma (BENETTON, 1994)
A atividade também é importante quando termina. Assim, o paciente é
capaz de tocar em algo útil construído por ele mesmo. Além da utilidade, a
estética das atividades é um ponto que agrada o paciente (BENETTON, 1994).
2.2
A análise da atividade
A análise de atividades é o meio pelo qual o terapeuta ocupacional
compreende as atividades, os componentes e os significados que cada
paciente atribui a elas. O uso da análise é um aspecto tão automático que
muitas vezes passa despercebido ou não é observado (CREPEAU. 2002).
Psiquiatria é uma das capacidades chaves do Terapeuta ocupacional,
são suas habilidades de analisar as partes que compõem uma
atividade visando usá-las em benefício do paciente, dando ênfase ao
seu crescimento e desempenho. Dessa forma, numa análise passo a
passo, pode-se sentir o processo laborial o que é essencial, até que o
terapeuta se sinta familiarizado com ambos: a natureza da atividade e
sua potencialidade como meio de tratamento (FINLAY, 1988 apud
BENETTON, 1994, p. 56).
Para Crepeau (2002), a análise de atividade ocorre em três níveis,
ênfases da tarefa, que aborda: (1) os métodos e o contexto típico do
desempenho da atividade, (2) a variedade de habilidades envolvidas neste
desempenho, e (3) os vários significados culturais que poderiam ser atribuídos
à atividade; ênfase da teoria, que examina as propriedades de uma atividade
em uma perspectiva teórica, e provavelmente será atividade de adaptação e
46
graduação; ênfase individual, que será voltada para os interesses objetivos,
particulares, limitações funcionais e capacidades de cada pessoa, tendo estas
como primeiro plano.
Segundo Benetton (1994) em Terapia Ocupacional a atividade é o
terceiro termo de uma relação que ocorre a partir do pressuposto de que existe
uma terapeuta ocupacional e um segundo indivíduo que apresenta qualquer
tipo de motivo, necessidade ou vontade de se encontrar para fazer terapia
ocupacional. De maneira geral, esse encontro é considerado já como uma
atividade, assim, como falar, gesticular, fazer ginástica, jogar, estudar, pensar,
que também integram o arsenal da Terapia Ocupacional.
Diálogos determinados pela quantidade e qualidade podem ser
considerados elementos centralizadores e orientadores da prática clínica em
Terapia Ocupacional. A análise de atividades é um procedimento que visa
mostrar o significado e o sentido das atividades.
Segundo Mc Garry as atividades constituem a particularidade e o
essencial de nossa competência. A Terapia Ocupacional é uma arte e uma
ciência, e seu desafio consiste em fazer uma ligação entre as duas,
reconhecendo a independência dos pontos de vista teórico e prático, e de
integrar o antigo e o novo.
Para a análise de atividade sai a pessoa de mil e uma atividades para
ingressar o terapeuta ocupacional culto, inteligente que sabe desenvolver
atividades e transformá-las em instrumento. Enfim, a análise de atividades é
uma técnica subjetiva.
2.3
Atividade X Produto
2.3.1 Atividade
A base fundamental para o trabalho da Terapia Ocupacional é a
atividade, que deve ser adaptada ao paciente para que seu uso seja definido
como mediador da relação terapêutica. De maneira geral, não tem o mesmo
47
significado sócio-econômico-cultural do trabalho, da mesma forma que não é
carregada do não fazer, do vazio (BENETTON, 1994).
A atividade por si só não basta para curar. A atividade só pode ser
concebida como terapêutica se for portadora de sentido para a
pessoa, independentemente da patologia que ela tiver. Todos já
puderam fazer a experiência de uma mudança na reeducação, ou
numa relação, contanto que a pessoa tratada se aproprie de uma
forma ou de outra das técnicas ou dos cuidados propostos. O
significado íntimo do que foi encontrado freqüentemente escapa ao
terapeuta. Porém, o importante é que o terapeuta tenha permitido ao
paciente que ele se aproprie do seu trabalho e que abra o seu apetite
de vida. (PIBAROT, p. 6)
As atividades direcionam o ato, a ação dos terapeutas e, não ficam
aprisionadas pela história nos hospitais psiquiátricos de ocupação e trabalho,
nos asilos e manicômios. É a especificidade do trabalho da Terapia
Ocupacional (BENETTON, 1994).
As atividades expressivas, desenvolvidas num setting terapêutico que
inclui a tríade terapêutica (terapeuta-paciente-atvidade), podem ser usadas
como caminho para demonstrar a correlação entre fatos, objetos e pessoas
(BENETTON, 1994).
2.3.2 Produto
Em Terapia Ocupacional o produto está associado à utilidade, no
entanto, o paciente e a família pensam na questão econômica. Esse produto é
visto com desaponto, como feio, esquisito, bonitinho, infantil, ou ainda
reconhecem a loucura nele (BENETTON, 1994).
Nos produtos vem sempre a importância da estética e da técnica, é o
tratamento a ser dado a qualquer produto. Esses dois fatores são
importantes subsídios instrumentais. O produto de um trabalho seja
ele qual for é antes de tudo uma aquisição absolutamente particular
daquele que assim se dispôs a proceder. A aquisição é exatamente o
resultado de um processo que, se inicia justamente com o propósito
de fazer. As expectativas, motivos e/ou desejos que levam a
obtenção de um produto sem dúvida alguma, estarão contidos nele,
depois de concluídos (BENETTON,1994, p.48).
48
2.4
A importância de atender em grupos de Terapia Ocupacional
Há dois tipos de grupos terapêuticos, os verbais e não verbais. Os
verbais seriam os grupos de psicoterapia, e os não verbais seriam grupos
expressivos que incluem grupos de terapia ocupacional, a culinária, a
assembléia, a rádio, entre outros. A diversidade dos grupos proporciona ao
paciente expressar, vivenciar e descobrir conteúdos novos, necessário ao seu
tratamento.
Os grupos têm como objetivo principal a construção de um eixo
ordenador, a re-significação da história particular e subjetiva vivida por cada um
e a reorganização do psiquismo. Permitem aos pacientes uma convivência com
o
outro,
suportando
e
agüentando-o,
assim,
trabalha
quase
que
constantemente a entrada de um terceiro a partir da experimentação
permanente de vivência apoiadas nas diferentes transferências.
2.4.1 Grupos de Terapia Ocupacional
A construção de um grupo de terapia ocupacional se dá a partir de cada
paciente, expondo suas particularidades sem que exista alguma troca entre
eles.
O setting terapêutico é estabelecido por três elementos. São eles:
terapeuta-paciente-atividades, e, normalmente, são introduzidos elementos
externos como materiais, atividades, fragmentos da história do paciente,
questões mundiais, que podem ser fundamentais no estabelecimento de
transferência abrindo caminhos para uma possível construção de sentido.
A relação triádica acrescida do acontecer grupal tem por objetivo a
expressão de conflitos inconscientes, estimular a ampliação das possibilidades
de comunicação, permitindo ao paciente e/ou grupo a criação e a vivência de
cenas e imagens. Os grupos de terapia ocupacional também têm como
objetivos incentivar a experimentação de novas formas do fazer, de criar, de
captar o mundo, trocar, relacionar-se com a sua produção e com os outros.
49
Segundo Benetton (2006, p.42), os grupos de terapia ocupacional
ocorrem em duas dinâmicas de funcionamento: grupo de atividades e atividade
grupal.
O grupo de atividades, no qual cada paciente realiza sua atividade,
privilegia a leitura do processo de cada paciente no grupo intensificando o foco
na relação triádica, embora tendo sempre o grupo como referência. Já a
atividade grupal que pressupõe a realização de uma atividade conjunta por
todos os integrantes do grupo, tem outros objetivos como a importância do
exercício da sociabilização, participação e cooperação, vivências inéditas para
a maior parte dos pacientes (FERRARI, 2006).
2.5
O Papel do Terapeuta Ocupacional
Benetton (2007), o terapeuta ocupacional numa ação grupal tem o papel
de facilitador, ou seja, facilitar para que o grupo entre em ação grupal
participando das trocas de experiências entre os participantes.
De acordo com Santamaría, 2004, existem algumas características
peculiares e necessárias no trabalho do Terapeuta Ocupacional com grupos.
De maneira geral, os usuários de substâncias psicoativas apresentam pouca
condição de suportar altos níveis de tensão. Por isso o Terapeuta Ocupacional
deve:
a) ser ativo e monitorar o ambiente do grupo;
b) modular a expressão dos afetos para controlar o nível de ansiedade;
c) encontrar temas, estimular a conversação, perguntar aos pacientes
sua opinião, organizar a conversa, ou seja, coordenar o grupo;
d) oferecer suporte e proteção propiciando um ambiente seguro e
agradável;
e) criar um clima de compreensão, respeito e empatia, favorecendo a
coesão;
f)
facilitar para que o grupo entre em ação grupal.
Esses pacientes podem fazer projeção no terapeuta e distorcer a
realidade. Um terapeuta menos neutro ajudará o paciente a
50
discriminar o que é fantasia do que não é. O terapeuta pode, por
exemplo, trabalhar no concreto, no aqui e agora. Fazer pouca
investigação ou alusão do passado é mais adequado. Sua fala deve
ser concreta e simples, sabendo-se que esse tipo de paciente é muito
sensível a rejeição do tratamento. O terapeuta deve ser habilidoso ao
colocar suas intervenções para não confrontar ou desautorizar esses
pacientes em grupos. É necessário que o grupo seja observado como
um todo, incluindo a percepção de todos os seus aspectos nos
variados níveis
individual, interpessoal e grupal. Só assim, o
Terapeuta Ocupacional, terá uma maior chance de executar a
intervenção com a atividade mais adequada para cada momento
grupal. Por exemplo, diante de um paciente aborrecido, hostil, ou
raivoso, tolerar esse sentimento sem questioná-lo, a princípio, para
manter o nível de tensão suportável para o grupo, reconhecer suas
colocações como pertinentes (se de fato forem) e, só depois de
alcançada uma tranquilização do paciente, investigar o que se
passava com ele no grupo (SANTAMARIA, 2004)
É conhecido que usuários de substâncias psicoativas, apresentam
causas múltiplas de relacionamentos com quase todas as áreas do
conhecimento e práticas do homem contemporâneo.
Porém, diante da limitação de pensamento encontrado inicialmente
nesses dependentes, suas manifestações plásticas e verbais serão sempre
relacionadas às substâncias, produtos ou qualquer outra situação que explicite
os modos de consumo, ou seja, tais indivíduos apresentam uma conduta
estereotipada, facilmente percebida no olhar, no deambular, no pensar, no
desejar e agir. Esses dependentes transitam entre as sensações e alterações
advindas deste consumo, substituindo as regras e limites gerais, obrigando-os
a vivenciarem uma relação estagnada entre o vazio que delata a imperfeição e
a realização que se cumpre no uso dessas substâncias. Ficam alheios ao
processo de individualização e apresentam dificuldades ao manifestar outros
conteúdos, tais como os afetivos, sociais, recreativos, religiosos e profissionais.
A droga funciona como uma garantia permanente de que o indivíduo não
se confrontará com seu desamparo, pela exaltação e grandiosidade do ego que
seu uso produz (ZIMERMAN, 2000, p.78).
Baseado nestas afirmativas, um dos benefícios em se atender em
grupos de terapia ocupacional está relacionado a esta dificuldade de
reestruturação
psicossocial, e, conseqüentemente, na
manutenção da
qualidade de vida dos mesmos. A terapia ocupacional torna-se um instrumento
de eleição, exatamente porque a sua natureza dinâmica vai de encontro às
limitações e/ou comprometimentos desses indivíduos, ou seja, o dependente
de substâncias psicoativas não consegue realizar e organizar suas idéias, ou
51
seja, relacionar-se concreta e adequadamente com o mundo, e na terapia
ocupacional, o princípio básico é a inscrição de qualquer idéia no mundo
concreto, constituindo assim, um instrumento que contribui para o rompimento
destas dificuldades. (SANTAMARIA, 2004).
52
CAPÍTULO III
A PESQUISA
3
INTRODUÇÃO
Para demonstrar a eficácia da clínica de Terapia Ocupacional na
abordagem grupal com dependentes químicos após aprovação de pesquisa
pelo Comitê de Ética e Pesquisa do UNISALESIANO de Lins, foi realizada uma
pesquisa de campo no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas de
Lins/SP, situado na Rodovia David Eid km 1
Rua das Camélias S/N, na
cidade de Lins, no período de julho a outubro de 2008.
Os métodos utilizados foram:
Método de estudo de caso com clientes que freqüentam o CAPS/AD de
Lins, em grupo aberto heterogêneo masculino, na faixa etária de 22 a 50 anos,
servindo em atendimentos como meio de observação, análise e intervenção.
As técnicas utilizadas foram as seguintes:
Roteiro de Estudo de Caso (Apêndice A)
Roteiro de Observação Sistemática (Apêndice B)
Roteiro de Entrevista com os familiares (Apêndice C)
Roteiro de Entrevista com Médico Psiquiatra (Apêndice D)
Roteiro de Entrevista com Médico Clínico Geral (Apêndice E)
Roteiro de Entrevista com Enfermeiro (Apêndice F)
Roteiro de Entrevista com Professor de Alfabetização (Apêndice G)
Roteiro de Entrevista com Assistente Social (Apêndice H)
Roteiro de Entrevista com Psicóloga (Apêndice I)
Roteiro de Entrevista com Terapeuta Ocupacional (Apêndice J)
Roteiro de Entrevista com os Clientes (Apêndice K)
3.1
DESCREVENDO O LOCAL
53
O CAPS/AD funciona em uma chácara localizada à Rodovia David Eid
km 1
Rua das Camélias S/N
Lins SP. O prédio é alugado pela prefeitura e
tem uma área de 5.000 m divididos em três prédios.
O primeiro prédio esta dividido da seguinte forma: recepção, cozinha,
sala de atendimento individual, sala de atendimento em grupo, sala de
alfabetização para alunos, banheiros feminino e masculino (equipe), lavanderia,
depósito para material de limpeza, administração. No segundo prédio a divisão
ocorre, assim: salão para refeitório e atividades recreativas, cozinha,
almoxarifado, banheiros feminino e masculino (clientes), depósito para horta e
jardinagem. Já o terceiro prédio tem: salão de espera dos clientes, consultório
médico, posto de enfermagem, sala da equipe interdisciplinar, leitos de
observação, banheiro para clientes em observação.
O CAPS/AD atende a oito municípios entre eles Promissão, Getulina,
Guaiçara, Sabino, Cafelândia, Pongaí, Uru e por fim, Lins. A equipe é formada
por um terapeuta ocupacional, um enfermeiro, uma psicóloga, um assistente
social, uma professora de alfabetização de adultos, uma nutricionista, um
educador físico, um técnico em enfermagem, um médico psiquiatra, um médico
clínico geral.
3.1
O trabalho realizado no CAPS/AD
Realizou-se acompanhamento com atendimentos no CAPS/AD de Lins,
duas vezes por semana, de segunda e quarta-feira, das 14:00 às 16:00 horas.
Os pacientes, aqui serão chamados de clientes, seguindo a dinâmica do
próprio CAPS/AD.
14/07/2008
A princípio, foi realizada palestra sobre crack pelo cliente Leandro, com
a colaboração do enfermeiro e terapeuta ocupacional (TO), juntamente com
demais clientes. Em seguida, foram escolhidos os clientes aos quais se faria a
proposta de participação no projeto. Estes foram convidados e explicou-se
54
como ocorreria a pesquisa, bem como se havia concordância em participar ou
não. Combinou-se que os atendimentos ocorreriam todas as segundas e
quartas-feiras a partir das 14horas (hs) 00minutos (min).
Objetivos: Estimular verbalização;
Estimular relação interpessoal e intergrupal;
Estimular interesse e iniciativa;
Estimular capacidade pragmática e volitiva.
Cliente R. W.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos parcialmente coerentes, com presença de
fabulações, acreditando em coisas irreais criadas em computador. Durante o
grupo de múltiplas drogas, o cliente apresentou-se participativo, comentou
fatos que segundo ele aconteceram com ele mesmo e com alguns amigos que
fizeram uso da droga citada. Em entrevista com estagiários, falou menos e
desde o princípio concordou em participar do projeto, colocando-se à
disposição para maiores detalhes sobre sua trajetória.
Cliente V.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes, não espontâneos, falando somente
quando questionado. Durante o grupo de múltiplas drogas o cliente apresentose calado, não se manifestou, nem opinou. Já em entrevista com os estagiários
contou sua história sem receio, com riqueza de detalhes, porém somente
quando era perguntado.
Cliente Leandro: Apresentou-se com higiene e vestuário adequados,
humor eutínico, fala e pensamentos coerentes, não espontâneos. Durante o
grupo de múltiplas drogas, apresentou o tema crack. Foi quem pesquisou e
preparou uma aula e responsabilizou-se em apresentá-la. Ao falar sobre os
sinais mais comuns que apresenta uma pessoa que usou crack, relatou que
muitos destes sinais ele apresentou, como é ruim o uso de tal droga e os
malefícios que a mesma causa. Após o grupo, os estagiários reuniram os
clientes, indicados pela T.O e enfermeiro, e explicaram o que estavam fazendo
ali, e perguntou-se se havia concordância na participação como clientes do
55
projeto. O cliente aderiu à idéia e fez algumas brincadeiras como: Vocês vão
fazer um trabalho com os noiados ?
Cliente P. S.: Apresentou-se com higiene e vestuário adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes, não espontâneos. Durante o grupo de
múltiplas drogas não falou muita coisa, apenas concordou com o que era
falado pelos demais usuários.
Após o grupo durante anamnese, o cliente
estava um pouco incomodado com a situação, porém no decorrer da
anamnese teve fala um pouco mais espontânea. Relatou que a princípio só iria
participar do grupo às segundas-feiras, por causa de seu trabalho, mas tentaria
sair às quartas e quando conseguisse, participaria do atendimento.
Cliente R. C.: Apresentou-se com higiene e vestuário adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes e espontâneos. Durante o grupo de
múltiplas drogas o cliente falou de sua experiência com o crack, e contou
algumas histórias de sua vida com as drogas. Sempre muito curioso, desde
que os estagiários entraram na sala já queria saber quem eram, porque
estavam ali, etc.
16/07/2008
Palestra com o Grupo Educação em Saúde
Houve a participação dos clientes L., R., V., R., neste grupo. Houve
participação no grupo de Educação em Saúde direcionado por TO e
enfermeiro, a fim de ensinar um pouco de saúde para todos os clientes, como é
feito todas as quartas-feiras.
Objetivos: Estimular verbalização; estimular relação interpessoal e
intergrupal; estimular tolerância e interesse; estimular iniciativa; estimular
capacidade pragmática e volitiva.
Cliente R. W.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos com fabulações, relatou ser hacker, e entender
tudo de computador. Participou do grupo, porém manteve-se calado, não
verbalizou em nenhum momento. Em seguida foi realizada anamnese, o cliente
56
ficou muito à vontade para contar sua história, não recusou responder
nenhuma questão, e ainda relatou mais fatos de sua vida.
Cliente L.: Apresentou-se com higiene e vestuário adequados, humor
eutínico para rebaixado. Estava desconfortável com o efeito dos medicamentos
que tomara, fala e pensamentos lentificados e diminuídos. Durante o grupo fez
alguns comentários, a respeito do tema abordado. Quando os estagiários
informaram que fariam anamnese, logo se prontificou e foi o primeiro a relatar
sua história. Ficou um pouco envergonhado, mas relatou sua história com
riqueza de detalhes.
Cliente V.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes, não espontâneos. Durante o grupo não
falou nada, ficou calado, apenas ouviu o que estava sendo passado. No início
da anamnese ficou um pouco incomodado com a situação. No decorrer, ficou
mais à vontade relatando suas experiências com as drogas.
Cliente R. C.: Apresentou-se com higiene e vestuário adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Durante o grupo não falou nada,
apenas ouviu o que era dito pelos demais. Pediu para ser o último na
anamnese, e durante a mesma, se emocionou ao relatar a história de seu
irmão que foi usuário e traficante de drogas. Relatou sua história e a de seu
irmão bem detalhadamente.
21/07/2008
Palestra
Participação dos clientes R. W., V., L., P. S. e entrada de W. L. S. Houve
participação no grupo de múltiplas drogas, onde foi discutido sobre heroína e
seus efeitos.
Objetivos: Estimular verbalização;
Estimular relação interpessoal e intergrupal;
Estimular interesse e tolerância;
Estimular iniciativa;
57
Estimular capacidade pragmática e volitiva.
Cliente R. W.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Durante o grupo verbalizou bastante,
dizendo que nunca havia usado essa droga; comentou a respeito de uma
reportagem noticiada em um programa de televisão (TV), que mostrava a vida
de uma família com o filho dependente de drogas.
Cliente V.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Durante o grupo verbalizou muito
pouco. Nem quando surgiu a discussão de um programa de TV, manifestou
sua opinião.
Cliente L.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Durante o grupo verbalizou bastante,
quando surgiu a discussão sobre o programa de TV. Disse não acreditar que
fosse verdade, que devia ser alguma coisa comprada, pois ninguém mostraria
sua vida dessa forma na TV.
Cliente P. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Durante o grupo verbalizou algumas
coisas, sobre o programa de TV. Disse achar que a situação chegou a tal ponto
por falta de pulso da mãe, e que não via a necessidade de mostrar na TV, já
que esta fantasia ainda mais a história.
Cliente W. L. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados,
humor eutínico, fala e pensamentos coerentes. Verbalizou bastante durante o
grupo, e se opôs à exposição da vida de um adolescente usuário de drogas,
em um programa de TV.
Cliente R. C.: Falta Injustificada.
23/07/2008
Atividade: Grupo Educação em Saúde
58
Participaram os clientes W. L. S.; P. S.; R. W.; V.; R. C., houve um
problema com o computador, e muitos clientes ficaram ansiosos e sem
paciência para esperar o início da apresentação do tema Convulsão.
Objetivos: Estimular verbalização;
Estimular relação interpessoal e intergrupal;
Estimular tolerância e interesse;
Estimular capacidade pragmática e volitiva.
Cliente W. L. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados,
humor eutínico, fala e pensamentos coerentes. Participou do grupo
verbalizando a respeito do tema, relatou algumas experiências e fez várias
perguntas querendo saber como agir quando alguém tiver convulsão na sua
frente.
Cliente P. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Participou do grupo, no entanto, não
verbalizou em nenhum momento, apenas ouviu os relatos dos demais clientes.
Cliente R. W.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos com fabulação. Quando o enfermeiro informou
que os clientes teriam que esperar, pois o computador estava com problema,
R. W. começou a dizer o que deveria fazer, fugindo um pouco do real
problema. Ao trocar o computador, pediu ao enfermeiro que presenteasse-o
com a máquina que havia dado problema, o enfermeiro disse que não podia
fazer isso, pois é propriedade do governo.
Cliente V.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Ficou um pouco incomodado com o
problema do computador, saiu algumas vezes da sala para tomar água.
Durante o grupo não verbalizou, somente ouviu o que disse os demais clientes
e enfermeiro e TO.
Cliente R. C.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerente. Teve verbalização com usuário que
59
estava ao seu lado enquanto esperava o conserto do computador. No entanto,
ao discutirem o tema, não verbalizou.
Cliente L.: Falta injustificada
28/07/2008
Atividade: Porta-retrato de jornal; fotografia
Os clientes R. W.; L.; P. S.; W. S. confeccionaram um porta-retrato de
jornal, atividade que foi desenvolvida em grupo. Todos cortaram o jornal,
fizeram canudos com as partes do jornal, seguindo modelo e instruções dos
estagiários. De maneira geral todos os usuários verbalizaram sobre o
tratamento medicamentoso, quais os medicamentos ingeridos, seus efeitos etc.
Na hora da foto todos fizeram pose e riram muito.
Objetivos: Exteriorização de sentimentos;
Estimular auto-estima e auto-valorização;
Estimular relação interpessoal e intergrupal;
Favorecer contato com a realidade;
Estimular orientação auto e alopsíquica;
Trabalhar coordenação motora fina e óculo-manual;
Estimular capacidade pragmática e volitiva.
Cliente L.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico para rebaixado, fala e pensamentos adequados. Durante a atividade,
apresentou dificuldade em fazer os canudos de jornal, momento em que os
estagiários foram instruindo como deveria ser feito e mostrando que não era
preciso fazer da maneira mais correta na primeira vez. Foi explicado que podia
haver erro, pois com o tempo e a prática o cliente teria habilidade para fazer
bem melhor. Verbalizou pouco, mas relatou estar com muito sono, desanimado
e com muita fome por causa dos remédios que havia tomado.
Cliente R. W.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Realizou a atividade de forma
brilhante, teve muito sucesso em todas as etapas da atividade. Verbalizou
60
muito com os estagiários e com os demais clientes, contou alguns fatos sobre
sua vida, como começou a usar drogas e por que iniciou o tratamento no
CAPS/AD.
Cliente P. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. No início, teve um pouco de
dificuldade em fazer os canudos com o jornal, mas no final já estava fazendo
da maneira como fora instruído. Verbalizou com os demais usuários e
estagiários, assuntos relacionados à atividade, contudo, em nenhum momento
falou de si.
Cliente W. L. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados,
humor eutínico, fala e pensamentos coerentes. Apresentou um pouco de
dificuldade em fazer os canudos, quando conseguiu ficaram grossos e
pequenos, ficou um pouco cabisbaixo, mas os estagiários mostraram que nem
eles conseguiam fazer da forma correta, bastante fino e comprido. Verbalizou
bastante com os usuários e com os estagiários. Não falou nada de sua vida, ao
passo que questionou bastante os outros usuários.
Cliente R. C.: Falta Justificada. Cliente acompanhando a esposa no
CAPS III.
Cliente V.: Falta Injustificada. Feito buscativa por telefone, sem sucesso.
30/07/2008
Atividade: Porta-retrato de jornal
Os clientes R. W., L., deram continuidade à confecção dos canudos de
jornal.
Objetivos: Exteriorização de sentimentos;
Estimular auto-estima e auto-valorização;
Estimular relação interpessoal e intergrupal;
Favorecer contato com a realidade;
Estimular orientação auto e alopsíquica;
61
Trabalhar coordenação motora fina e óculo-manual;
Estimular capacidade pragmática e volitiva.
Cliente R. W.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos parcialmente coerentes, com fabulação. Realizou
a atividade sozinho, sem a necessidade de orientação. Verbalizou sobre sua
relação com as drogas e os motivos que o levaram a procurar tratamento.
Relatou fatos confusos relacionados à computação e informática. Afirmou ser
hacker e entender tudo de computadores.
Cliente L.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico para rebaixado, fala e pensamentos coerentes. Durante a realização
da atividade o cliente relatou não se sentir muito bem. Observou que se sentia
melhor quando fazia tratamento em uma clínica de recuperação para
dependentes químicos, na cidade de Penápolis. Ainda relatou que se sentia um
pouco inútil e desvalorizado, já que a medicação prescrita o deixa apático e
desmotivado. Foi orientado a procurar atividades que ofereçam prazer e
advindo cansaço, respeitar seus limites, interrompendo e descansando um
pouco, para depois retomá-las.
Cliente P. S.: Falta Justificada. Cliente não pôde sair de seu emprego.
Cliente R. C.: Falta Justificada. Cliente acompanhando esposa no CAPS
III.
Cliente W. L. S.: Falta Injustificada.
Cliente V.: Falta Injustificada.
04/08/2008
Atividade: Porta-retrato de jornal
Os clientes R. W., P. S. participaram do grupo, confeccionando a base
do porta-retrato. Os estagiários mediram o tamanho mais adequado e
62
passaram as medidas para os clientes. Em seguida, os estagiários mostraram
como deveriam ser colados os canudos de jornal, devendo a maioria deveria
ser cortado. Foram orientados a medir corretamente para economizar canudos,
assim seria possível um canudo ser cortado em duas partes.
Objetivos: Exteriorização de sentimentos;
Estimular auto-estima e auto-valorização;
Estimular relação interpessoal e intergrupal;
Favorecer contato com a realidade;
Estimular orientação auto e alopsíquica;
Trabalhar coordenação motora fina e óculo-manual;
Estimular capacidade pragmática e volitiva.
Cliente R. W.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Verbalizou bastante sobre a namorada
e os amigos da cidade dela. Relatou fatos sobre sua prisão, bem como a ajuda
que obteve da namorada em um momento difícil.
Cliente P. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Verbalizou bastante sobre sua esposa,
o tratamento que realiza no CAPS/AD, o incentivo dela recebido para iniciar o
tratamento. Relatou sobre sua decadência social, causada pelas drogas, os
bens materiais perdidos. Afirmou que atualmente trabalha na sorveteria de
seus pais, como responsável pela fabricação de um tipo de picolé. Contou
sobre seus filhos e netos.
Cliente L.: Falta Justificada.
Cliente V.: Falta Justificada. Feito buscativa por telefone, mas cliente
não foi encontrado.
Cliente R. C.: Falta Injustificada.
Cliente W. L. S.: Falta Injustificada.
63
06/08/2008
Atividade: Término do porta-retrato de jornal
Os clientes R. W., P. S., L., W. L. S., concluíram a confecção do portaretrato. Colaram os canudos, pintaram e aplicaram verniz em alguns. Por fim,
colaram a fotografia tirada e revelada pelos estagiários no primeiro atendimento
da confecção do porta-retrato. Foi entregue uma para cada cliente. No final, os
clientes puderam levar para casa o seu porta-retrato.
Objetivos: Exteriorização de sentimentos;
Estimular auto-estima e auto-valorização;
Estimular relação interpessoal e intergrupal;
Favorecer contato com a realidade;
Estimular orientação auto e alopsíquica;
Trabalhar coordenação motora fina e óculo-manual;
Estimular capacidade pragmática e volitiva.
Cliente R. W.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Durante a atividade, o cliente
conversou com os clientes W. L. S. e L. a respeito de pessoas que usavam
drogas e eram conhecidos de todos. Os estagiários interromperam e sugeriram
que fosse falado sobre atualidades.
Cliente P. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. O cliente contou sobre sua esposa,
como se conheceram, sobre seus filhos e netos. Pouco comentou sobre
usuários de comum conhecimento, ficando mais à vontade quando houve
mudança de assunto.
Cliente W. L. S.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados,
humor eutínico, fala e pensamentos coerentes. Comentou sobre um projeto de
lava-car que está iniciando em sociedade com o irmão e outros amigos, falou
sobre o estado do prédio, pintura, iluminação, entre outros. Aparentou muita
empolgação e entusiasmo. Estava em ritmo um pouco acelerado . Perguntado
sobre o porquê de tanta agitação, respondeu que sempre foi assim e mudava
de assunto.
64
Cliente L.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e pensamentos coerentes. Cliente falou bastante sobre usuários
conhecidos e lugares que freqüentava para usar a droga. Foi orientado pelos
estagiários a mudar de assunto, como boas recordações. Houve concordância
e o cliente passou a comentar sobre o momento em que esteve em tratamento
em uma clínica na cidade de Penápolis.
11/08/08
Atividade:Abajur de palito de sorvete
Objetivos:
Estimular
práxis
produtiva,
exteriorização
de
sentimentos,
responsabilidade e senso crítico; estimular a relação interpessoal e intergrupal;
estimular auto-estima e auto-valorização, tolerância perante a atividade;
favorecer relação triádica.
Clientes: W., P., R., Rogério
Iniciada a terapia com os clientes em volta da mesa, o cliente W. foi
orientado a dar início à atividade a qual era de responsabilidade do mesmo. W.
apresentou-se com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsíquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva presentes.
Lembrou-se de trazer os palitos que conseguira com o avô. Enquanto realizava
a atividade, explicava passo a passo aos outros clientes e estagiários. Todos
se demonstraram interessados na atividade onde R. e W. verbalizaram sobre
épocas anteriores ao tratamento e sobre drogas. Foram orientados a trocar de
assunto.
R. apresentou-se com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsíquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva presentes.
Verbalizou sobre sua namorada demonstrando insegurança quanto ao
relacionamento. Perguntado se trabalhava, respondeu negativamente, mas que
estava à procura emprego.
P. apresentou-se com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsíquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva presentes.
Participou da atividade. Foi solicitado por sua mulher para conversar
65
reservadamente com o mesmo. P. foi autorizado a sair por 15 minutos.
Retornou com sorvetes de fabricação própria e distribuiu para clientes e
funcionários do CAPS/AD. Afirmou que trabalha na sorveteria dos pais e é o
responsável pela produção dos
ituzinhos
que hoje é o carro-chefe da
empresa.
Rogério apresentou-se com higiene e vestuário adequados, orientação
auto e alopsíquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva presentes.
Participou da atividade, verbalizou bastante sobre já ter feito esse tipo de
atividade com palitos de sorvete e falou que além do abajur sabe fazer outros
objetos. Brincou com P. perguntando se havia emprego na sorveteria.
A terapia foi encerrada e ficou combinado que o abajur seria terminado
na próxima terapia, ocasião em que todos trariam a fiação, lâmpada, soquete e
interruptor.
13/08/08
Atividade: Abajur de palito de sorvete
Objetivos:
Estimular
práxis
produtiva,
exteriorização
de
sentimentos,
responsabilidade e senso critico; estimular a relação interpessoal e intergrupal;
estimular auto-estima e auto-valorização, tolerância perante a atividade;
favorecer relação triádica.
Clientes: R., W.
P(falta justificada)
Iniciada a terapia com pacientes em volta da mesa junto com
estagiários, W. explicou como seria feita a fiação do abajur, e continuou com a
confecção do mesmo. Apresentou-se com higiene e vestuário adequados,
orientação auto e alopsíquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva
presentes. Aparentava ansiedade para o término da atividade. Solicitou fazer
um teste no abajur da estagiária antes da mesma terminar. Montou a fiação e
ligou na tomada queimando a lâmpada por motivos de divergência na
voltagem. W. ficou constrangido, contudo, deu continuidade à atividade. R.
apresentou-se com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsíquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva presentes. Voltou
a verbalizar sobre a namorada e os problemas enfrentados no relacionamento.
66
Foi orientado a ter calma, a tentar preocupar-se mais com ele mesmo e com
sua saúde. Verbalizou com estagiário sobre jogos de computador relatando
não ter mais tanta vontade de ficar no computador. Participou da atividade e
terminou o abajur faltando apenas a parte elétrica que relatou não possuir em
casa.
Os clientes pintaram o abajur com spray de tinta e com verniz.
Ficou a critério dos mesmos a seleção de cor ou preferência em aplicar verniz
ou não. Foi solicitado aos clientes que conseguissem caixas de papelão para a
próxima atividade, finalizando-se a terapia.
18/08/08
Atividade: Televisão de papelão
Objetivos:
Estimular
práxis
produtiva,
exteriorização
de
sentimentos,
responsabilidade e senso crítico; estimular a relação interpessoal e intergrupal;
estimular auto-estima e auto-valorização; favorecer relação triádica, resgate da
história singular dos clientes e reestruturação do cotidiano.
Clientes: Rogério, R., P.
Iniciada a terapia com pacientes em volta da mesa. Foi explicado sobre
a perda da rotina e cotidiano bem como a relação familiar que os clientes
tiveram durante a fase de abuso das drogas, que pode ser encarada como uma
destruição ou auto-agressão. O objetivo da atividade era a reconstrução mútua
na atividade proposta que era construir uma TV e ensaiar uma propaganda ou
outro tipo de apresentação. Rogério apresentou-se com higiene e vestuário
adequados, orientação auto e alopsíquica, humor eutínico, capacidade
pragmática e volitiva presentes. Fez sugestões, colaborando durante toda a
atividade. R. apresentou-se com higiene e vestuário adequados, orientação
auto e alopsíquica, humor eutínico para rebaixado, capacidade pragmática e
volitiva presentes. Verbalizou não ter nenhuma sugestão de como construir a
TV, mas comentou que iria apresentar um pedido de emprego. Colaborou na
confecção da TV e pintou com spray.
P. apresentou-se com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsíquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva presentes.
67
Verbalizou bastante durante toda a terapia, colaborou na confecção da TV.
Comentou que iria apresentar uma propaganda sobre os sorvetes Ituzinho . A
terapia foi satisfatória do ponto de vista da colaboração e interação entre
clientes e estagiários na realização da atividade.
20/08/08
Atividade: Televisão de papelão
Objetivos:
Estimular
práxis
produtiva,
exteriorização
de
sentimentos,
responsabilidade e senso critico; estimular a relação interpessoal e intergrupal;
estimular auto-estima e auto-valorização; favorecer relação triádica, resgate da
história singular dos clientes e reestruturação do cotidiano.
Cliente: R. (L., Rogério e P. falta justificada)
Iniciada terapia com R. de frente à mesa onde o mesmo se apresentou
com higiene e vestuário adequados, orientação auto e alopsíquica, humor
eutínico para rebaixado, capacidade pragmática e volitiva presentes. Contou
sobre a resolução dos problemas com a namorada e sobre a pretensão de
trabalhar com o pai, todavia, o mesmo já possuía ajuda do irmão mais velho.
Foi incentivado pelos estagiários ao que respondeu que iria pensar a respeito
do que fora orientado. Ajudou a terminar a TV, embora tenha apresentado
resistência em ensaiar sua fala, sob argumentos de que a atividade não daria
certo. A conclusão da atividade deu fim à terapia.
25/08/08
Atividade: Pintura de Tela
Objetivos: Estimular Práxis produtiva, estimular exteriorização de sentimentos,
estimular relação interpessoal e intergrupal, favorecer relação triádica,
estimular auto-estima e auto-valorizaçao, reforçar relação auto e alopsiquica.
Clientes:R. W. D. G., R, P. R. S, A. B.
68
Iniciada terapia com clientes em volta da mesa, foi proposta a atividade de
pintura de tela, os clientes concordaram dando inicia a atividade.
R se apresentou com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsiquica, humor
rebaixado, capacidade pragmática e volitiva presentes.
Durante a terapia o cliente relatou que teria que retornar a São Paulo para
fazer uma avaliação com psiquiatra e conversar com a Juíza sobre seu
processo, o mesmo apresentou fala diminuída verbalizando somente quando
solicitado e na maioria das vezes com um conteúdo monosilabico, desenhou na
tela e se manteve a maior parte da terapia apático.
Rogério se apresentou com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsiquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva presentes. Sua
mulher o acompanhou durante a terapia a mesma faz acompanhamento no
CAP S III, a mulher o ajudou a desenhar na tela, o cliente interagiu com os
estagiários e com o grupo verbalizando bastante sobre o desenho e seu
significado.
P se apresentou com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsiquica, humor eutínico, capacidade pragmática e volitiva presentes. O
cliente participou da atividade fazendo parte o desenho, relatou ter dificuldade
para desenhar e pediu orientação pois não sabia o que desenhar, interagiu
com grupo e com estagiários, fez brincadeiras com R tentando anima-lo.
A se apresentou com higiene e vestuário adequados, orientação auto e
alopsiquica, humor eutínico para rebaixado, capacidade pragmática e volitiva
presentes. Durante a terapia apresentou fala diminuída, falou com estagiários e
com componentes do grupo somente quando solicitado, demonstrou ter
facilidade para desenhar, quando questionado o mesmo relatou desenhar em
casa com o primo.
22/09/2008
69
Realizada entrevista com os pais do cliente W. L. S., o mesmo fora
encaminhado a uma clínica em Jaú, para um período de desintoxicação.
Confessou que estava um pouco perdido com a situação, embora confiante.
Falou bastante sobre sua filha e que precisa ficar curado para cuidar dela.
24/09/2008
Realizada entrevista com a mãe do cliente R. W. D. G. Logo em seguida foi
realizada entrevista com a mãe e irmã do cliente P.R.S. em sua casa, onde os
estagiários foram recebidos muito carinhosamente. Comentou que tentaria ir ao
CAPS/AD na segunda-feira seguinte, mas não era garantido, devido a uma
viagem ao estado do Paraná, em comemoração ao aniversário de um ano de
seu neto.
29/09/2008
Atividade: Término do enfeite para vaso
Estavam presentes os clientes R. W. D. G. e P. R. S. que terminaram a
atividade e decidiram o que seria feito no último atendimento. Decidiram-se
pela realização de cozinha terapêutica, com a confecção um bolo.
Objetivos:
Cliente R. W. D. G.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados,
fala e pensamentos coerentes, não espontâneos, respondendo somente
quando era perguntado e humor eutínico para rebaixado. O cliente estava
monossilábico, falou pouco, interagiu pouco, apresentava sonolência. Não
concordou em refazer a borboleta que dera início, preferindo deixá-la do
mesmo jeito. Colou as asas e quando informado que a levaria para sua casa,
colocou-a em um vaso próximo a ele. Permaneceu muito resistente em levar
para sua casa. Por fim, acabou por concordar e levar.
01/10/2008
Atividade: Bolo
Objetivos:
70
Cliente R. W. D. G.: Apresentou-se com vestuário e higiene adequados, humor
eutínico, fala e humor coerentes, não espontâneos, respondendo somente
quando perguntado. Não apresentou dificuldade para quebrar os ovos e
separar a gema da clara. Recusou-se a bater o bolo e a lavar a louça,
afirmando ser coisas de mulher .
3.2
A opinião dos profissionais
3.2.1 A opinião do Psiquiatra
Do sexo masculino, 37 anos,
Não conheço o trabalho da terapia ocupacional no
CAPS/AD de Lins, pois é a segunda semana que estou
atendendo aqui, mas conheço o trabalho que a terapia
ocupacional realiza. Acho fundamental, pois a terapia
ocupacional faz com que o paciente tenha função, ajuda o
indivíduo a descobrir suas habilidades e as melhora. É
fundamental a presença e participação da família, sem ela
se faz pouca coisa. A família é um co-dependente do
usuário e deve participar e receber tratamento. No
entanto, as famílias da maioria dos clientes do CAPS/AD
não são muito participativas e tampouco preocupadas
com o tratamento de seu familiar. Cada pessoa tem uma
história de vida, assim é impossível dizer que todos os
dependentes químicos responderão da mesma maneira e
no mesmo tempo. Dessa forma, as recaídas acabam se
tornando
regra,
já
que
cada
um
apresenta
uma
problemática e ninguém sabe o porquê se tornou
dependente. É provável que a cada recaída aja abandono
do tratamento, por isso, é fundamental que toda a equipe
e família se empenhem em não deixá-lo desistir. O papel
71
do médico psiquiatra no CAPS/AD é de orientação ao
paciente,
à
família,
administração
medicamentosa,
contato humano, entre outros, pois quem passa a maior
parte do tempo com o cliente é o restante da equipe. A
dependência química é uma doença crônica que não tem
cura. O cliente ao fazer o tratamento ficará controlado, por
isso, deve evitar o contato com qualquer outro tipo de
droga, já que o consumo de um cigarro, por exemplo,
pode desencadear o uso desenfreado e de drogas mais
pesadas em comparação às que usava antes, tornando o
consumo ainda mais prejudicial. O prognóstico do
tratamento de um dependente químico varia caso a caso.
No entanto, quanto maior a aderência, melhor o
prognóstico (PSIQUIATRA, 37 anos).
3.2.2 A opinião do clínico geral
M. L. G.
Do sexo masculino, 34 anos.
Conheço pouco do trabalho da terapia ocupacional no
CAPS/AD de Lins, pois faz aproximadamente um mês que
atuo no local. A terapia ocupacional é fundamental em
muitos tratamentos de medicina. Ela ocupa o tempo do
indivíduo não deixando que fique com o tempo ocioso,
ajuda na reinserção e redescoberta de cada um, entre
outras coisas. A presença e participação da família são
fundamentais no tratamento de dependentes químicos,
sem dúvida. No entanto, mais da metade dos clientes vêm
sozinho, a família está pouco presente e acompanha de
longe o tratamento. Com adolescentes a companhia da
mãe é mais freqüente. Mesmo assim, é difícil que a
família
participe
e/ou
incentive
o
tratamento.
A
dependência química (física) é muito forte. O indivíduo,
sem dúvida, fica sem expectativas, sentindo-se derrotado
72
e encontra como único recurso a droga. A dificuldade na
aderência ao tratamento é mais dificultada pela força da
droga, a falta de estrutura social e profissional. Quando
um usuário de drogas sabe que a droga não lhe faz bem,
tenta cessar seu uso. No entanto, não consegue se
controlar e acaba usando mais uma vez, podendo ser
considerado um dependente químico. Os sintomas de
abstinência podem variar muito de droga para droga e de
maneira geral são: tremor, taquicardia, irritação, nervoso,
alucinação,
disforia
(semelhante
ao
quadro
de
esquizofrenia). O papel do clínico geral é acompanhar o
tratamento (clínico), tratar as intercorrências clínicas,
como por exemplo, se um cliente estiver com gripe
administra o melhor medicamento para tal problema,
considerando a medicação que já receitada. Atuo
juntamente com o médico psiquiatra colaborando com as
doses dos medicamentos para cada paciente de acordo
com sua evolução ou recaída. Não existe cura para
dependentes químicos. Eles têm que ficar atentos quanto
ao uso e tomar cuidado com qualquer droga. Se
conseguirem cessar o uso poderão ter uma vida
praticamente normal. O prognóstico varia muito na
questão familiar e social. Se a família ajudar e participar
ativamente do tratamento, o prognóstico será melhor. Se
não o prognostico será o pior possível (CLÍNICO GERAL,
34 anos).
3.2.3 A opinião do Enfermeiro
W. L. N. V. P.
Do sexo masculino, 32 anos, formado há sete anos pela Universidade
Sagrado Coração, Pós-Graduado em Saúde Mental pelo Hospital de Base de
Bauru, experiência
73
O cliente recebe uma abordagem psicossocial em que é
marcada uma avaliação médica. Se o médico achar
necessário, faz a prescrição medicamentosa e passa para
o enfermeiro (se não tem o medicamento no CAPS/AD
este é requisitado à Secretária de Saúde de Lins). O
enfermeiro administra a medicação nos pacientes, que
por sua vez, não levam o medicamento para casa, tendo
que ir até o CAPS/AD para tomá-lo. Realizo todas as
tarefas da parte de enfermagem, desde administração
medicamentosa. Participo de grupos terapêuticos, da
sistematização da assistência de enfermagem, avalio
casos graves da dependência, entre outros. Se um cliente
entra em crise de abstinência, e esta for leve e/ou
moderada, é controlada no próprio CAPS/AD. Se for
abstinência grave o cliente é encaminhado para o
hospital. Realizo atendimentos familiares, no entanto, uns
40% das famílias não participam do tratamento. Neste
casos, se a família não comparecer por vontade própria é
feita convocação. A família participa como olheiro do
cliente. Pode ser realizado atendimento com a família e o
paciente ou somente com a família. É muito comum o
paciente procurar o tratamento por vontade própria. No
caso de abandono do tratamento é feito buscativa por
telefone, convocação da família e do paciente para saber
o porquê não está freqüentando o CAPS/AD. É importante
que sejam realizadas intervenções de acordo com a fase
em que o paciente se encontra. Na fase inicial de
desintoxicação são administrados medicamentos sob
observação no CAPS/AD. Em seguida, o medicamento é
diminuído aos poucos. O indivíduo começa a participar
dos grupos e a realizar atividades. A terapia ocupacional é
fundamental no tratamento de dependentes químicos,
pois irá ocupar o tempo e aos poucos retomar as
habilidades de cada cliente, vendo o que eles podem
74
reaprender e serem reinseridos. Nunca sofri agressão
física. No entanto, os profissionais correm muitos riscos
no CAPS/AD, tanto de agressões verbais como físicas
(ENFERMEIRO, 32 anos).
3.2.4 A opinião da Professora da sala de alfabetização
Do sexo feminino, 34 anos,
Como professora, oriento os alunos quanto ao seu
tratamento, apoio os demais profissionais da instituição
dando continuidade no trabalho através de leitura e
círculos de cultura. O dependente é muito sensível e
precisa sentir-se amado. Da mesma forma, a família
precisa de orientação e apoio sempre. Desse modo, o
apoio da família é indispensável no tratamento, assim
como
o
acompanhamento
dos
profissionais
especializados e a fé. Conheço o trabalho da terapia
ocupacional superficialmente. Realmente, os clientes são
muito diferentes enquanto seres humanos, todos somos
diferentes e temos o direito de ser diferente; ao
respeitarmos esse direito, daremos continuidade com
facilidade. Constantemente me coloco no lugar dos meus
alunos. Só assim poderei ajudá-los e aprender com eles.
Sou sincera em dizer que tenho muito a me capacitar e
entender, porém, o que tenho feito é ter sempre um olhar
amigo e dar liberdade de expressão para os alunos
(quando o aluno está em crise não participa das aulas).
Quando algum cliente abandona o tratamento, converso
com
os
demais
profissionais e
eles realizam
os
procedimentos necessários. Nunca sofri nenhum tipo de
agressão física.
75
3.2.5 A opinião da assistente social
Do sexo feminino, 27 anos, formada há quatro anos pela UNILINS
(Universidade de Lins), com experiência no Centro de Estudos do Menor da
Integração na Comunidade (CEMIC). Iniciou no CAPS/AD em agosto de 2006.
Conheço o trabalho da terapia ocupacional dentro do
CAPS/AD de Lins e acho imprescindível. Assim, como os
demais profissionais que trabalham no CAPS/AD é feito
um trabalho em equipe. Sempre são dois profissionais
atuando diretamente com todos os outros profissionais,
sendo muito parecido. De maneira geral todos fazem o
mesmo trabalho, fazendo o que é específico de cada
área. Durante o tratamento tudo é fundamental, não
priorizo nenhum ponto. Quando um cliente abandona o
seu tratamento é realizado buscativa através de telefone
ou visita (esta última priorizando os casos encaminhados
pelo fórum ou os de maiores necessidades). Todos os
pacientes sabem que o CAPS/AD é um lugar ao qual
podem voltar a hora que quiserem ou precisarem.
Quando comecei a trabalhar no CAPS/AD tive a noção da
realidade . Vi que meus problemas são pequenos,
entendi a problemática de cada cliente e dos dependentes
em geral; os adolescentes merecem uma atenção maior,
no entanto, é dado o mesmo tratamento a todos, sempre
priorizando os casos mais graves. A família é fundamental
no tratamento de dependentes químicos; sem a família é
quase impossível, ela tem que participar ativamente do
tratamento. Nos adolescentes é uma obrigação os pais
e/ou responsáveis acompanharem o tratamento. Já
realizei atendimento grupal e individual com as famílias.
Hoje priorizo atendimentos individuais, pois percebi que
as famílias minimizam ou omitem o problema do cliente,
talvez por vergonha ou por não aceitar que alguém esteja
melhor que o seu ente. Não posso obrigar ninguém a se
76
tratar. Tento conscientizar o cliente da gravidade do seu
caso. Normalmente ele não se recusa a fazer o
tratamento,
mas
se
não
quer
se
tratar
não
dá
continuidade e abandona o tratamento. É um pouco
complexa a questão dos materiais e do transporte, pois
demoram certo tempo, já que os materiais passam por
licitação e o transporte é único para toda a cidade. Há
ainda certa resistência e dificuldade nos municípios
vizinhos que fazem uso do serviço do CAPS/AD em
entender
o
trabalho
realizado
pela
instituição
(ASSISTENTE SOCAIL, 27 anos).
3.2.6 A opinião da psicóloga
Do sexo feminino, 26 anos, formada há cinco anos pela Universidade
Paulista (UNIP) de Bauru, Pós-Graduada em Psicologia Clínica pelo Hospital
Lauro de Souza Lima; experiência no Centro de Referência da Assistente
Social (CRAS) de Lins, na Casa da Criança e do Adolescente de Lins (CACAL);
lecionou em cursos técnicos no Colégio Zeta Objetivo de Promissão; ingressou
no CAPS/AD em agosto de 2006.
Conheço o trabalho realizado pela terapia ocupacional e
acho indispensável. Juntamente com outros profissionais
sou responsável pelas primeiras entrevistas, grupos
terapêuticos (psicoterápicos), atendimento psicológico
individual (em casos que a equipe julgar necessário),
visitas com a Assistente Social, encaminhamentos,
relatórios, trocas de informações com outros serviços
(conselho, fórum, etc.) discussão de caso com toda a
equipe, orientação e acompanhamento às famílias. A
participação da equipe é indispensável. O tratamento só
surte efeitos se for multidisciplinar. Ao contrário, se for de
acordo com o modelo médico não resolve. Normalmente
os jovens vêm encaminhados pelo Juizado de Menores.
77
Neste contexto, a família já esta desestruturada e
acompanha
muito
pouco
o
tratamento.
Sem
a
participação da família é quase impossível realizar o
tratamento. A família tem que participar ativamente do
tratamento, principalmente em relação aos adolescentes,
pois os pais têm a obrigação de acompanhar o
tratamento. Prefiro realizar atendimentos individuais com
os familiares, apesar de já ter realizado atendimentos
grupais com as famílias, onde percebi que, às vezes, elas
minimizam o problema do paciente, talvez por vergonha,
ou não aceitarem que outra pessoa conseguiu um
avanço melhor que seu filho. Em caso de abandono, faço
buscativa através de telefone, ou visita domiciliar. No
entanto, os clientes sabem que se precisarem podem
voltar ao CAPS/AD. Para visitas domiciliares são
priorizados os casos encaminhados pelo fórum ou de
necessidade extrema, com a equipe de comum acordo.
Tenho boas expectativas para o tratamento, mesmo os
clientes sendo oscilantes quando procuram ajuda ou
querem uma melhor qualidade de vida, mesmo não
abandonando de vez a droga só diminuindo e tentando
melhorar. Não acredito em cura, mas penso que
dependência química pode e deve ser controlada. Nunca
tive nenhum problema com os clientes (PSICÓLOGO, 26
anos.
3.2.7 A opinião da terapeuta ocupacional
Do sexo feminino, 29 anos, formada em 2001 pela Faculdade Salesiano
de Lins. Pós-graduada em Terapia Ocupacional uma Visão Dinâmica Aplicada
em Neurologia pela Faculdade Salesiano de Lins. Aprimoramento no Hospital
de Base de Rio Preto. Hospital Psiquiátrico Instituto Americano Bairral ,
Itapira/São Paulo. Ingressou no CAPS/AD em agosto de 2006.
78
Através do fazer atividades, desta maneira surge a
possibilidade do profissional tornar-se um facilitador e
mediador do contexto vivenciado pelos pacientes no
setting terapêutico, observando, portanto, os fenômenos
intrapsíquicos, ali ocorridos, investigando e intervindo; o
fazer atividades ainda auxilia o paciente na estruturação
do seu dia-a-dia, permitindo-lhe também organizar-se em
seu cotidiano, bem como, em ampliar seus contatos
interpessoais. Procuro levar os casos para discussão
junto aos demais componentes da equipe para poder,
desta forma, colher mais informações com os demais
colegas, somando-se assim o meu olhar com os olhares
dos
profissionais
das
outras
especificidades;
posteriormente, assumo a buscativa e/ou a realização de
visitas domiciliares dos clientes em que eu sou a
profissional de referência. Sim, os contratos terapêuticos
são imprescindíveis, sendo realizados por mim de forma
individual e/ou no contexto grupal conforme o primeiro
contato com o paciente; o contrato terapêutico por si só,
define e esclarece ao paciente; o papel do terapeuta
ocupacional e da terapia ocupacional, bem como,
favorecer ao paciente a possibilidade em o mesmo
perceber e entender com maior clareza as normas
trabalhadas pelas áreas correlatas. O contrato ainda
facilita o estabelecimento do vínculo terapêutico e auxilia
o paciente a ter percepção da importância do tratamento,
sentindo a contenção de regras e limites por ele a ser
vivenciada. O ponto de sua contribuição está justamente
em o instrumental ser o diferencial da terapia ocupacional;
as atividades são as molas propulsoras deste nosso
instrumento de trabalho, adentramos com maior facilidade
no universo biopsicossocial dos pacientes, através das
possibilidades
intrínsecas
do
fazer
atividades
79
estabelecidas nas dinâmicas processuais. Sim, os grupos
os quais realizo no contexto do CAPS/AD são: Grupo de
Múltiplas Drogas, Grupo de Orientações e Acolhimento,
Grupo de Educação em Saúde, Cozinha Terapêutica,
Grupo de Estimulação Cognitiva, Grupo com as famílias
dos pacientes do Grupo de Múltiplas Drogas, em
andamento a implantação da Oficina de Mosaico. O papel
do terapeuta ocupacional em um CAPS/AD é o de auxiliar
o dependente químico a aprender ou reaprender a
funcionar
de forma diferente conseguindo alterar os
comportamentos
disfuncionais
para
comportamentos
sadios conseguindo deste modo, melhorar as suas
relações interpessoais; através do fazer atividades,
instrumental da nossa profissão, surge a corroboração
das
mesmas
aos
dependentes
químicos
em
seu
cotidiano, propiciando na vivência dos diversos materiais
experimentados através do fazer (na relação triádica) a
(re)estruturação psíquica e também no dia-a-dia do
indivíduo. Não realizo análise de atividades dentro de uma
estética a ser seguida, pratico-a, entretanto, conforme
surjam os contatos com os clientes que vão compor os
respectivos Grupos Terapêuticos os quais realizo em
minha prática clínica. Em função da demanda ser
crescente, isto exige por parte do terapeuta ocupacional
que sejamos ágeis no momento das escolhas das
atividades a serem trabalhadas; porém dentro de um
contexto
que
ficam
evidenciadas
as
necessidades
individuais mesmo que a tônica seja o grupo, permito-me
aguçar
as
habilidades
intrínsecas
como
terapeuta
ocupacional lançando, portanto, um olhar de observação,
explorando
a
minha
intuição
na
elaboração
do
experimentar, explorar o desejo de conhecer para
desenvolver novas aptidões para fazer atividades, desta
forma, consigo visualizar de modo mais claro os
80
potenciais terapêuticos de cada atividade, uma vez, que
busco conhecer várias técnicas para me organizar com os
materiais utilizados no setting terapêutico podendo me
tornar no momento da realização das atividades a
mediadora e facilitadora para que os pacientes possam
experimentar, explorar e vivenciar o arsenal dos materiais
escolhidos por eles e por mim, digo por mim, quando os
auxilio nas escolhas junto com
eles quando houver
necessidade. No tratamento com dependentes químicos
tudo o é trabalhado pela equipe multiprofissional é de
extrema importância, mas talvez o que seja determinante
para que o indivíduo caminhe no tratamento, seja o ponto
referente aos aspectos motivacionais, os quais oscilam
muito de indivíduo para indivíduo, o que é observado
pelos
profissionais
nos
estágios
motivacionais
apresentados por cada paciente. Sim até por que com o
passar do tempo os membros das famílias tornam-se codependentes no processo da dependência. As famílias
são solicitadas a comparecer ao CAPS/AD para serem
orientadas sobre a importância do seu engajamento ao
tratamento do seu familiar; são realizados, portanto,
grupos com as famílias objetivando fornecer informações
sobre as substancias psicoativas, como também, auxiliar
os membros em que a fissura se fizer presente alterando
significativamente os comportamentos dos indivíduos. O
abandono do tratamento na área da dependência química
acontece com muita freqüência em função das recaídas
serem a regra e não a exceção. Os indivíduos
dependentes passam por estágios motivacionais, sendo:
pré-contemplação; contemplação; determinação; ação;
manutenção; recaída (TERAPEUTA OCUPACIONAL, 29
anos)
81
3.3
A opinião dos familiares
3.3.1 M. S., mãe de W. L. S., 54 anos, dona de casa.
O CAPS/AD realiza atendimentos com os familiares.
Acho muito importante essa ajuda já que toda a família
precisa de respaldo. Não posso avaliar o atendimento do
CAPS com nenhum cliente, nem com o meu filho, já que
de certa forma fomos (eu e meu marido) negligentes e
não participamos ativamente do tratamento. O W. L. S.,
não melhorou nada, acho que como continuou usando
droga e fazendo uso dos medicamentos, houve um atrito
que não fez bem para ele. Como tive um Acidente
Vascular Cerebral (AVC), conheço o trabalho da Terapia
Ocupacional, mas aqui no CAPS/AD, não sei como é
desenvolvido o trabalho realizado com meu filho. Descobri
que meu filho usava droga quando um rapaz, muito
conhecido na vizinhança por ser usuário de drogas, veio
buscar uma égua que tínhamos como pagamento das
drogas que meu filho usava. Fiquei sabendo pela minha
cunhada que faz tratamento no CAPS/AD e me informou
que seria bom para o W. L. S. iniciar o tratamento. Ele foi
trazido por uma tia. Já fez tratamento em uma clínica de
reabilitação em Marília por aproximadamente cinco ou
seis meses e participou dos Alcoólatras Anônimos. Em
outros tratamentos, o W. L. S. e seu irmão (que também é
usuário de drogas) relataram que sofreram muito por seu
pai ser mulherengo e ter filhos fora do casamento. Meu
marido é muito bravo, autoritário e já tentou matar meus
filhos várias vezes por causa das drogas.
3.3.2 M. A. A. S., mãe do cliente P. R.S., 78 anos, dona de casa.
Segundo comentários de pessoas próximas, o CAPS/AD
de Lins é um lugar muito bom que dá atenção à todas as
pessoas que precisam de tratamento, tanto para quem
82
usa drogas como para sua família, no entanto, nunca fui
até
lá
conhecer,
devido
à
minha
dificuldade
de
locomoção. Meu filho teve uma grande melhora, ele está
mais paciente, brincalhão, tem saído menos de casa à
noite, está indo à igreja comigo e voltou a ser o que era
antes de usar drogas. A família ajuda e apóia muito o
tratamento do P. R. S., mas não temos o hábito de ir até o
CAPS/AD. Sua esposa é mais presente nesta questão,
ela também faz tratamento para parar de beber, mas
incentivamos para que ele vá e se trate. O P. R. S., é
muito fechado, não fala do seu vício, tanto que algumas
pessoas da nossa família nem sabem que ele usa drogas,
mas também não esconde que freqüenta o CAPS/AD, e
nos mostra todos os trabalhos que são feitos. Depois
que a primeira mulher dele faleceu, senti que estava
mudado,
estava
sempre
nervoso,
sem
paciência,
começou a perder bens, diminuiu dedicação a seus filhos
e comércio. Ele nunca aceitou outro tratamento, quando
descobrimos há quatro anos, sempre dizia que conseguia
parar a hora que quisesse. Fiquei muito feliz por ele ter
iniciado o tratamento no CAPS/AD e ter apresentado
melhora. Acho que nem usa mais nenhum tipo de droga.
Espero que ele melhore cada vez mais e continue
seguindo o que vocês ensinam.
3.3.3 L. H. S. S, irmã do cliente P. R. S, e tia do cliente W. L. S., 44 anos,
sócia do pai na sorveteria.
Desconfiei que o P. R. S., estava usando drogas depois
que sua esposa faleceu. Ele parou de trabalhar na
padaria que tinha, estava sempre impaciente até com os
filhos, e tinha amizade com usuários de drogas. Ele veio
morar na casa dos meus pais e meu pai perguntou por
83
que ele não dormia à noite. Ele respondeu com alguma
mentira que não me lembro e quando perguntei se usava
drogas ele disse que sim. Sempre o incentivei a procurar
um tratamento. Os irmãos pagariam e o ajudariam a sair
desse vício. Ele, no entanto, sempre se recusou. Quando
veio me dizer que iniciaria tratamento no CAPS/AS e não
poderia trabalhar na segunda-feira, fiquei surpresa e
muito feliz, assim pude perceber que ele havia mudado, já
que estava procurando tratamento. Ele melhorou muito
depois que iniciou o tratamento no CAPS/AD, está mais
brincalhão, responsável, não tem nem comparação. Já
com o W. L. S., acho que sempre desconfiamos que ele
usava drogas, mas não me lembro quando nem como
descobrimos. Ele já fez alguns outros tratamentos. Até há
melhora, ele fica alguns anos sem usar drogas e depois
volta a usá-las. Sempre apóio todo tratamento, mas ele
não consegue dar continuidade.
3.3.4 V. P. D. G., mãe do cliente R. W. D. G., 52 anos, dona de casa.
O CAPS/AD realiza atendimentos com as famílias, eu já
recebi atendimento da T.O., do médico psiquiatra, do
clínico, e acho que é muito importante, pois eles dão um
suporte a mais para o usuário de drogas. Meu filho depois
que iniciou o tratamento diminuiu o uso do computador e
fica mais tempo em casa. Nós participamos ativamente do
tratamento dele. Meu marido veio poucas vezes no
CAPS/AD porque ele trabalha, mas sempre que estamos
em casa, ele apóia muito o R. W. D. G. Não sei o que a
T.O. faz, mas sei tudo o que meu filho fez nas terapias
com vocês, como o abajur, o porta-retrato. Descobri que o
R. W. D. G., usava drogas quando ele me mostrou um email que tinha recebido da Polícia Federal dizendo que
seria preso pelo uso das drogas. Meu marido mandou ele
84
pra São Paulo na casa da minha filha mais velha. Foi
quando ele teve uma crise por falta da droga, roubou um
carro e acabou sendo preso. Fiquei sabendo por uma exvereadora que lhe indicou uma clínica em Araçatuba
chamada Refúgio Cristão, onde ele iniciou tratamento e
ficou por duas semanas, mas não se adaptou e voltou
para casa. Essa mesma pessoa me indicou, mais tarde, o
CAPS/AD. Foi quando ele começou a fazer tratamento.
Espero que meu filho saia daqui bem, curado, com a
cabeça em ordem, curado do vício.
3.5
A opinião dos Clientes
3.4.1 Cliente R. W. D. G.
O Cliente R. relata que a primeira droga que teve contato
foi o álcool com 17 anos de idade, sendo que fez seu uso
por curiosidade. Diz ter apoio da família no tratamento,
mas que inicialmente a família não entendia seu
problema. Faz tratamento por vontade própria, além de
ser obrigado por um mandado judicial, pois o cliente foi
preso em São Paulo por roubo à mão armada. Segundo
R. estava em São Paulo e sem usar e precisava arrumar
dinheiro para voltar para minha casa e para usar, acabei
roubando um carro e forjando uma arma. Fui preso por
assalto à mão armada, fiquei 2 anos e meio preso e agora
estou em prisão domiciliar . R. tem consciência de que a
dependência química é uma doença, ao falar sobre o
tratamento anterior em uma clínica de Araçatuba, diz que
não deu certo pois lá havia muitas brigas e não há um
atendimento como o do CAPS-AD de Lins onde há
suporte e ajuda para todos os clientes. Comenta que o
uso de uma droga nunca foi incentivo para o uso de outra,
85
sua droga de preferência era a cocaína. Afirma estar em
abstinência desde que foi preso.
3.4.2 Cliente: L.
Começou a beber com 15 anos e usou cocaína aos 20
anos de idade por curiosidade. A família não o recrimina
pelo uso, finge não saber e diz que o mesmo não precisa
de tratamento. Relata estar fazendo tratamento no
CAPS/AD por vontade própria e que ficou sabendo sobre
o atendimento quando foi procurar ajuda no prontosocorro, sendo orientado pela assistente social. Relata já
ter desistido do tratamento no CAPS-AD, pois havia
começado um tratamento particular com psiquiatra mas
que acabou perdendo o emprego. Perdi bens materiais,
minha vida mudou para pior . Fica em casa e quando
precisa ajuda nos afazeres domésticos.
3.4.3 Cliente: P. R. S.:
Relata que a primeira droga que teve contato foi
Epofagim (remédio para emagrecer) e álcool quando tinha
11 anos. O álcool, meu irmão e meus amigos usavam e
eu queria saber qual era a sensação. O Epofagim foi
porque eu era gordo e meus amigos me recomendaram
usar, pois ajudava emagrecer . Conheceu o trabalho no
CAPS através de amigos que se tratavam lá e porque sua
mulher faz tratamento de álcool e depressão. Em relação
à família, o cliente relata: A minha família finge que não
vê. Fui casado por 12 anos e acabei ficando viúvo. Depois
de 15 anos me casei novamente, minha mulher é
dependente de álcool e também faz tratamento no
CAPS/AD; ela me ajuda muito e eu a ajudo . Diz que toda
parte do tratamento é importante, mas o ponto chave é a
86
conversa com os profissionais e outros clientes. Comenta
que já foi preso há quatro anos quando saia de uma boca
de fumo com algumas pedras de crack, ao que pagou
fiança e saiu. Não conhece o trabalho de TO pois faz uma
semana que freqüenta o CAPS. A cocaína foi um
incentivo para o uso de crack e segundo ele, quando
comecei a usar crack perdi bens materiais como casa,
terrenos, carros, e perdi meus objetivos de vida. Tive uma
lanchonete e depois uma padaria, acabei me endividando
e passei a padaria para minha irmã tocar. Quando meus
filhos completaram a maioridade foi passada a eles. Hoje,
trabalho na sorveteria do meu pai.
3.4.4 Cliente W. L. S.
A primeira droga que usei foi lança-perfume. Tinha por
volta de quinze anos. Alguns amigos bebiam, outros
fumavam maconha e eu não sabia a sensação que dava
nenhuma droga. Acabei usando lança-perfume por
curiosidade, ninguém me incentivou. Minha família
sempre me ajudou, me apoiou nos tratamentos e
entendeu que eu preciso de ajuda. Quando comecei o
tratamento aqui no CAPS/AD, foi por insistência de uma
tia. Eu vejo a dependência química como uma doença
que não tem cura, a gente tem que aprender viver sem
ela e com as tentações. Nunca pensei em desistir do
tratamento, eu faltei algumas vezes, mas foi por causa do
lava - car. Por enquanto, não tive contato com os outros
atendimentos oferecidos pelo CAPS/AD, só com este
grupo, mas acho que tudo é importante, não dá pra ficar
sem nada. Nunca fui preso, mas fui detido e meu pai
pagou a fiança. Depois que comecei a usar drogas eu
mudei muito, mudei pra pior, tudo ficou ruim, o convívio
com meus pais, desempenho físico, força de vontade,
87
falta de criatividade, perdi o emprego, perdi amizades,
meus pais e amigos perderam a confiança em mim, e
principalmente perdi o amor-próprio. Acho que a Terapia
Ocupacional é muito importante pra todos nós que
estamos aqui, pois ela mexe com o desenvolvimento da
mente e capacidade.
3.4.5 Cliente A. B.:
A primeira droga que usei foi a maconha. Eu tinha uns 17
anos, comecei por curiosidade, para saber o que fazia
com a pessoa, qual a reação que causava. Minha família
me ajuda muito, me apóia bastante no tratamento.
Quando eu vi que minha vida estava sem sentido, resolvi
procurar ajuda, e iniciei o tratamento aqui no CAPS/AD
por vontade própria. Acho sim, que a dependência
química é uma doença. Nunca desisti, faltei em alguns
atendimentos, mas não desisti, porque eu sei que se
desistir eu não vou conseguir me recuperar. Acho que
tudo aqui no CAPS/AD é muito importante para o
tratamento. Nunca fui preso, mas depois que comecei a
usar drogas o convívio com minha família ficou muito
conturbado, ficava o tempo todo fora de casa, comecei a
matar serviço até ser mandado embora.
3.5 Discussão
O presente estudo procurou demonstrar a intervenção da Terapia
Ocupacional através do método dinâmico, ao atuar na reabilitação de
dependentes químicos, com um grupo aberto heterogêneo formado por
homens entre 22 e 50 anos, freqüentadores do CAPS/AD de Lins.
88
Alfaro apud Twerski (1993), diz que quando qualquer função normal se
torna dependente do álcool, não importando a quantidade consumida
comer,
dormir, sociabilizar-se, ter relações sexuais etc, são funções normais. Quando
qualquer uma destas funções ou mais se torna dependente do consumo do
álcool para sua execução, pode-se dizer que existe alcoolismo.
Segundo Formigoni, Castel (1999) durante anos, a dependência de
álcool e drogas era vista como um desvio de caráter, passando neste século a
ser considerada uma doença, avaliada não apenas pela ótica da moral, mas
também da medicina. Uma avaliação adequada e abrangente é fundamental
para o desenvolvimento do tratamento apropriado, como na pesquisa de
problemas relacionados ao uso de substâncias e da efetividade das
intervenções.
Os pacientes que apresentam intoxicação ou abstinência de substâncias
acompanhadas de sintomas psiquiátricos, mas que não satisfazem os critérios
para padrão sindrômico de sintoma específico recebem o diagnóstico de
intoxicação por substância ou abstinência de substância, possivelmente em
associação com dependência ou abuso (SADOCK; SADOCK, 2007).
As intervenções em Terapia Ocupacional dimensionam-se pelo uso da
atividade, elemento centralizador e orientador, na construção complexa e
contextualizada do processo terapêutico. (USP, p.70).
Segundo Benetton (1994), os elementos que caracterizam essa terapia
ocupacional são as atividades e a entrada do sujeito no sistema terapêutico. É
justamente o uso de atividades pelo sujeito alvo da intervenção que define uma
atuação específica para uma área de interação localizada entre o físico e o
psíquico, entre o objetivo e o subjetivo, entre o material e o imaterial.
As atividades direcionam o ato, a ação das terapeutas e não ficam
aprisionadas pela história nos hospitais psiquiátricos de ocupação e trabalho,
nos asilos e manicômios. É a especificidade do trabalho da Terapia
Ocupacional. As atividades expressivas, desenvolvidas num setting terapêutico
que inclui a tríade terapêutica (terapeuta-paciente-atvidade), podem ser usadas
como caminho para demonstrar a correlação entre fatos, objetos e pessoas
(BENETTON, 1994).
Para favorecer tal processo, a pesquisa enfocou uma abordagem
dinâmica no processo de intervenção, sendo norteado pela relação que se
89
estabelece entre paciente-terapeuta-atividade para favorecer o resgate da
subjetividade e singularidade dos clientes freqüentadores do CAPS/AD de Lins.
A pesquisa realizada demonstrou que a clínica da Terapia Ocupacional ao
se utilizar da abordagem dinâmica, favorece uma reconstrução do cotidiano
saudável do indivíduo através da atividade onde aprender a fazer coisas se
torna algo muito maior que apenas uma atitude condicionada, dando condições
ao cliente de reestabelecer vínculos perdidos pelo abuso de múltiplas drogas.
3.6 Resultados
Pôde-se observar através dos relatórios de evolução dos atendimentos
prestados no CAPS/AD de Lins, que através das atividades utilizadas no
contexto terapêutico, foi possível estimular a capacidade pragmática e volitiva
dos clientes. Estes tiveram contato com a produção e a concretização de um
produto final.
O interesse pelas atividades aumentou quando os clientes perceberam
que eram capazes de construir coisas que além de úteis, eram também bonitas
e decorativas.
Foi possível concluir, após este estudo de caso, que a terapia
ocupacional é de fundamental importância, para a reestruturação da práxis
produtiva, assim como proporcionar a auto-valorização e o maior contato com a
realidade.
O cliente P. R. S. obteve melhora significativa, diminuindo o uso de
crack, melhorando o relacionamento familiar e principalmente seu desempenho
laborativo.
O cliente W. L. S. obteve melhora significativa na aceitação do
tratamento, tendo iniciativa em pedir ajuda,
O cliente R. W. D. G. obteve melhora significativa
O cliente L J. completou parcialmente o tratamento, pois o mesmo
ingressou em uma atividade profissional, não sendo possível obter conclusão
de um diagnóstico situacional.
90
O cliente A.B. participou apenas em duas terapias, não sendo possível
analisar e descrever uma provável melhora.
O cliente R. C. participou esporadicamente do tratamento, apresentando
muitos problemas familiares , o que resultou no abandono do tratamento.
91
PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
Realizada a pesquisa e o levantamento bibliográfico referente ao
assunto proposto, foi possível verificar que o Centro de Atendimento
Psicossocial de Álcool e Drogas de Lins, com a intervenção da Terapia
Ocupacional por meio de suas atividades, promove um maior contato com a
realidade para os clientes que são usuários de drogas há mais tempo.
Diante disso, propõe-se:
a)
que o CAPS/AD de Lins divulgue seu trabalho realizado a outras
instituições de saúde estadual e municipal afim de facilitar o
ingresso de usuários de álcool e drogas para o tratamento
especializado;
b)
que os profissionais envolvidos neste serviço possam sempre estar
se aperfeiçoando, fazendo cursos e tudo que for para melhorar o
estado dos clientes;
c)
que o setor de terapia ocupacional do local seja organizado a partir
dos desejos do cliente em relação ao fazer ampliado que tecem a
clínica da terapia ocupacional;
d)
que os dirigentes do CAPS/AD juntamente com a coordenadoria
municipal da saúde busquem subsídios financeiros municipais e/ou
estaduais afim de que os profissionais do local possam desenvolver
uma assistência com qualidade e dignidade;
e)
que o CAPS/AD de Lins possa ser implantado mais próximo do
centro da cidade, facilitando assim a inserção social de seus
clientes
92
CONCLUSÃO
Diante das teorias explanadas e dos resultados obtidos, demonstrou-se
a importância da clínica de Terapia Ocupacional com clientes do CAPS/AD de
Lins, contribuindo para melhora de vida dos mesmos a partir da utilização de
atividades.
Os objetivos levantados para a realização do estudo de caso foram
alcançados, uma vez que ficou demonstrada, por meio das observações, a
reestruturação psíquica e social dos clientes, tornando-se capazes de
reescrever suas histórias. Tal fenômeno ocorreu através dos atendimentos
realizados no local pesquisado.
A pergunta-problema e a hipótese levantada no início da pesquisa
evidenciam que a clínica de Terapia Ocupacional é eficaz no tratamento de
dependentes químicos, a fim de se tornarem capazes de descobrir e
desenvolver novas habilidades e dirigir seu destino, na medida do possível.
Propõe-se que dêem continuidade e aprofundamento nesta pesquisa
para que haja maiores benefícios aos clientes dos CAPS/AD em geral.
93
REFERÊNCIAS
ABREU, C, N. et al. Síndromes psiquiátricas: diagnóstico e entrevista para
profissionais de saúde mental. São Paulo: Artmed, 2006.
ALFARO, A. A. P. Alcoolismo: os seguidores de Baco. São Paulo. Mercúrio. 1993.
AMARANTE, P. Saúde mental e atuação psicossocial. Rio de Janeiro: Fiocruz,
2007.
BENETTON, M. J. A Terapia Ocupacional como instrumento nas ações de
saúde mental. 1994. Tese (Doutorado em Terapia Ocupacional) Faculdade de
Ciências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
BONOFÁCIO, J. R. V.; A terapia ocupacional no tratamento de dependentes
químicos. 2000. Monografia (Graduação em Terapia Ocupacional) Faculdade de
Educação Física de Lins, Lins.
BRASIL. Lei nº 11.705 e o Decreto nº 6.488., de 20 de junho de 2008.
DETRAN/MT Legislação de trânsito sobre álcool e direção deve mudar. 26 jun.
2008. Disponível em: <http://www.detran.mt.gov.br/?pg=noticias&noticia=274>
Acesso: 26. jun. 2008
COHEN, M; Tudo Sobre Drogas: maconha. São Paulo. Nova Cultural. 1988.
FEFFERMANN, M. A violência constitutiva dos padrões atuais de sociabilidade.
Revista
PUCVIVA,
São
Paulo,
abr/jun.
2007.
Disponível
em:
<http://www.apropucsp.org.br/revista/r30_r12.htm> Acesso em: 22 jun. 2008.
FERRARI, S.M.L. Terapia Ocupacional: A Clínica numa instituição de Saúde
Mental. Pagina 121 à 127. cadernos de terapia ocupacional, da UFSCar ano XIV
VOL 14. N.2 JULHO/DEZEMBRO 2006.
94
FIGLIE, N.B.; BORDIN, S.; LARANJEIRA, R. Aconselhamento em dependência
química. São Paulo: Rocca, 2004.
JOHANSON, C. E. Tudo Sobre Drogas: cocaína. São Paulo. Nova Cultural. 1988.
MARI, J, J. et al. Psiquiatria: guias de medicina ambulatorial e hospitalar UNIFESP/
escola paulista de medicina. Barueri: Manole, 2005.
MASCARENHAS, E. Alcoolismo, drogas e grupos anônimos de mútua ajuda.
São Paulo. Siciliano. 1990.
MICHELINI, K, R. Atuação grupal do terapeuta ocupacional, com usuários de
drogas no ambulatório de saúde mental. 2002. TCC (Graduação em Terapia
Ocupacional) - Cento Universitário Católico Salesiano Auxilium, Lins - São Paulo.
NOTO, A.R. Internações hospitalares provocadas por drogas : uma análise. Ver
ABP APAL, N...,2000
ROCHA, L.C. As drogas. 3.ed. São Paulo: Ática, 1993.
SANTAMARIA, A.L. A contribuição da terapia ocupacional aos indivíduos
usuários de álcool e drogas frente a dois tipos de abordagem de sistema
publico. Revista Quadrimestral do departamento de psicologia da universidade de
Brasília, Psicologia: teoria e pesquisa, VOL 4, N 42, jan/abr 2004, paginas 35 a 42
SILVA, C. E. Desenvolvimento de uma metodologia de diagnostico e tratamento
de alcoolismo e drogas. TEMAS teoria e pratica do psiquiatra revista semestral,
ano XVIII, jun/dez 2004, N 33/35. Hospital do servidor público do estado de S.P /S.P
SILVA, P. Farmacologia. 7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
UNODC - Nações Unidas contra Drogas e Crime. Relatório Mundial sobre
Drogas 2008 do UNODC. Nova York e Brasília, 2008. Disponível em:
<http://www.unodc.org/brazil/pt/pressrelease_20080626.html> Acesso em: 26.
jun. 2008
ZACKON, F. Tudo sobre drogas.São Paulo: Nova Cultural, 1988.
ZIMERMAN, D. E. Fundamentos Básicos das Grupoterapias. 2 ed. São Paulo:
Artmed, 2000.
95
APÊNDICES
96
APÊNDICE A Roteiro de Estudo de Caso
1
INTRODUÇÃO
1.1
Anamnese
2
OS ATENDIMENTOS REALIZADOS
2.1
Materiais Utilizados: serão específicos para cada atendimento
2.2
Métodos terapêuticos utilizados
2.3
Técnicas utilizadas
2.4
Entrevistas como os cliente e equipe multiprofissional
3
Discussão
Análise das intervenções realizadas junto aos clientes que freqüentam o
Centro de Atenção Psicossocial de Alcoolismo e Drogas de Lins/SP sob a ótica da
clínica da Terapia Ocupacional.
4
RESULTADOS
97
Descrição dos resultados obtidos pela intervenção de terapia ocupacional.
APÊNDICE B
1
Roteiro de Observação Sistemática
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
Sexo:
Idade:
Residência: Cidade:
2
ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS
2.1
2.2
Relacionamento familiar
2.3
Capacidade pragmática e volitiva
Estado
98
APÊNDICE C - Roteiro de entrevista com Médico Psiquiatra
I
Dados de identificação
Sexo:..............................................................................................................................
Idade:..............................................................................................................................
Residência: Cidade:..................................................................Estado:.........................
II
Perguntas
1- Você conhece o trabalho da terapia ocupacional no CAPS/AD?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
2- Você acha importante a presença da família no tratamento com dependentes
químicos?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
3- No seu ponto de vista, quais as problemáticas mais aparentes que leva o
dependente a abandonar o tratamento?
R:..............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
4- Quando o individuo e considerado dependente químico?
99
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
5- Em sua opinião qual a importância da Terapia Ocupacional no tratamento de
dependentes?
R:................................................................................................................................
...................................................................................................................................
...................................................................................................................................
6- Na maioria dos casos atendidos no CAPS/AD de Lins, a família do usuário é
presente no tratamento?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
7- Qual o papel do psiquiatra no CAPS/AD?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
8- Você acredita em uma cura, ou seja, que o dependente químico não voltará a
fazer uso de drogas como fazia antes?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
9- Os principais sintomas na abstinência as drogas?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
10- Como é o prognostico do dependente químico?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
100
APÊNDICE D Roteiro de Entrevista com Médico Clínico Geral
I
Dados de identificação
Sexo:..............................................................................................................................
Idade:..............................................................................................................................
Patologia:........................................................................................................................
Residência: Cidade:..................................................................Estado:.........................
II
Perguntas
1 Você conhece o trabalho da terapia ocupacional no CAPS/AD de Lins?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
4
Você acha importante a presença da família no tratamento com dependentes
químicos?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
5
No seu ponto de vista, quais as problemáticas mais aparentes que leva o
dependente a abandonar o tratamento?
R:..............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
101
6
Quando o individuo e considerado dependente químico?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
7
Em sua opinião qual a importância da Terapia Ocupacional no tratamento de
dependentes?
R:................................................................................................................................
...................................................................................................................................
...................................................................................................................................
8
Na maioria dos casos atendidos no CAPS/AD de Lins, a família do usuário é
presente no tratamento?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
9
Qual o papel do clínico geral no CAPS/AD?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
10
Você acredita em uma cura, ou seja, que o dependente químico não voltará
a fazer uso de drogas como fazia antes?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
11
Os principais sintomas na abstinência as drogas?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
12
Como é o prognostico do dependente químico?
R:...............................................................................................................................
..................................................................................................................................
..................................................................................................................................
102
APÊNDICE E Roteiro de Entrevista com Enfermeiro
I
Dados de identificação
Sexo:..............................................................................................................................
Idade:..............................................................................................................................
Patologia:........................................................................................................................
Residência: Cidade:..................................................................Estado:.........................
II
1
Perguntas
Como é feito a orientação e administração medicamentosa no CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
2
Qual o papel do enfermeiro no CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
3
Na crise de abstinência de drogas, qual o papel do enfermeiro?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
4
Você realiza atendimentos familiares?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
103
5
Na maioria dos casos atendidos no CAPS/AD de Lins, a família do usuário é
participante no tratamento?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
6
No caso de abandono ao tratamento qual sua conduta terapêutica?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
7
O que você acha de mais importante no tratamento de dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
8
Em sua opinião, qual o papel da terapia ocupacional, no tratamento de
dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
9
Na crise de abstinência você já sofreu agressão física de algum paciente do
CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
104
APÊNDICE F Roteiro de Entrevista com Professor de Alfabetização
I
Dados de identificação
Sexo:..............................................................................................................................
Idade:..............................................................................................................................
Patologia:........................................................................................................................
Residência: Cidade:..................................................................Estado:.........................
II
1
Perguntas
Qual o seu papel no tratamento de dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
2
O que você acha de mais importante no tratamento de dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
3
Você conhece o trabalho da terapia ocupacional no CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
4
Você acha importante a presença da família no tratamento de dependentes
químicos?
105
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
5
Em sua opinião, qual o fator desencadeante para o aumento de dependentes
químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
6
Como desenvolver um trabalho diversificado, diante de tantas diferenças entre
pacientes?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
7
Alguma vez você já se sensibilizou com a história de algum paciente e pensou:
E se fosse meu filho? .
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
8
Qual o papel do educador quando um paciente entra em crise de abstinência das
drogas?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
9
No caso de abandono do tratamento, qual a sua conduta terapêutica?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
10
Você já sofreu violência física por algum paciente do CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
106
APÊNDICE G Roteiro de Entrevista com Assistente Social
I
Dados de identificação
Sexo:..............................................................................................................................
Idade:..............................................................................................................................
Patologia:........................................................................................................................
Residência: Cidade:..................................................................Estado:.........................
II
1
Perguntas
Você conhece o trabalho da terapia ocupacional dentro do CASP/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
2
Como você desenvolve o seu trabalho juntamente com os outros profissionais
dessa instituição?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
3
O que você acha de mais importante no tratamento de dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
4
Qual sua conduta terapêutica quando um paciente abandona o tratamento?
107
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
5
Houve casos em que você sofreu ou emocionou-se junto com o paciente? Como
foi? Qual conduta adotar quando isso acontecer?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
6
Para você qual a importância da família durante o tratamento de dependentes
químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
7
Você realiza atendimentos familiares?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
8
Qual sua conduta terapêutica quando o paciente abandona o tratamento?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
9
Qual a sua conduta com dependentes que se recusam a fazer o tratamento?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
108
APÊNDICE H Roteiro de Entrevista com Psicóloga
I
Dados de identificação
Sexo:..............................................................................................................................
Idade:..............................................................................................................................
Patologia:........................................................................................................................
Residência: Cidade:..................................................................Estado:.........................
II
1
Perguntas
Você conhece o trabalho da terapia ocupacional dentro do CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
2
Qual o seu trabalho dentro do CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
3
Você acha importante o trabalho dos outros profissionais pra a recuperação dos
dependentes químicos? Por quê?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
4
O que você acha de mais importante no tratamento de dependentes químicos?
109
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
5
Você acha importante a presença da família durante o tratamento de
dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
6
Você realiza atendimentos familiares?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
7
No caso de abandono ao tratamento qual sua conduta terapêutica?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
8
Quais suas expectativas em relação ao prognostico dos pacientes do CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
.......................................................................................................................................
.......................................................................................................................................
9
Você acredita na cura de dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
.......................................................................................................................................
.......................................................................................................................................
10 Você já sofreu agressão física por parte de seus pacientes?
R:....................................................................................................................................
.......................................................................................................................................
.......................................................................................................................................
110
APÊNDICE I Roteiro de Entrevista com Terapeuta Ocupacional
I
Dados de identificação
Sexo:..............................................................................................................................
Idade:..............................................................................................................................
Patologia:........................................................................................................................
Residência: Cidade:..................................................................Estado:.........................
II
1
Perguntas
Como o Terapeuta Ocupacional pode contribuir no tratamento dos dependentes
químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
2
Quando o dependente químico abandona o tratamento qual a sua conduta?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
2
Em relação aos contratos terapêuticos na Terapia Ocupacional, você costuma
realizá-los?.....................................................................................................................
3.1- Acha Importante?
( )Sim ( )Não
Por quê?
111
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
3
Até que ponto o instrumental do Terapeuta Ocupacional pode contribuir no
processo terapêutico?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
4
Você faz grupos de atendimentos com dependentes químicos?
( )Sim ( )Não
Quais:.............................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
5
Qual o papel do Terapeuta Ocupacional em um CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
6
Você costuma realizar análises das atividades na terapia ocupacional? Por quê?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
7
O que você acha mais importante no tratamento de dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
8
As famílias costumam fazer parte do tratamento de dependentes químicos?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
10 Em sua opinião, o que leva o dependente químico abandonar o tratamento?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
112
APÊNDICE K Roteiro de entrevista com os usuários
I
Dados de identificação
Sexo:......................................................................................................................
Idade:.....................................................................................................................
Residência: Cidade:..........................................................Estado:.........................
II
1
Perguntas
Qual foi a primeira droga que você teve contato?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
2
Quantos anos você tinha quando fez uso pela primeira vez?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
3
Você fez uso por insistência de seus amigos, por familiares também fazer uso?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
4
Sua família entende as suas dificuldades diante as drogas e o ajuda?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
5
Você começou o tratamento no CAPS/AD por vontade própria?
113
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
6
Você tem consciência de que a dependência química é uma doença?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
7
Você já desistiu do tratamento? Por qual motivo?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
8
Porque resolveu voltar?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
9
O que você acha de mais importante no seu tratamento no CAPS/AD?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
10
Você já foi preso por conta das drogas?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
11
O que mais mudou na sua vida depois que começou a usar drogas?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
12
Qual a importância da terapia ocupacional no seu tratamento?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
13
Como é sua vida quando sai do CAPS/AD?
114
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
14
Alguma droga foi incentivo para o uso de outras drogas?
R:....................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
115
Anexos
116
Anexo A
Fotos das Atividades
Confecção de porta-retrato de jornal
117
Abajur de palito de sorvete
Tv de papelão
118
Pintura em tela
119
Bolo de chocolate
120
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