UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES ROBERTA
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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES ROBERTA SOMMERS RIBEIRO STABOLAITZ DIVERSIDADE DE FUNGOS ENDOFÍTICOS DE Cuscuta sp. E A PRODUÇÃO DE ENZIMAS CELULOLÍTICAS Mogi das Cruzes, SP 2010 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES ROBERTA SOMMERS RIBEIRO STABOLAITZ DIVERSIDADE DE FUNGOS ENDOFÍTICOS DE Cuscuta sp. E A PRODUÇÃO DE ENZIMAS CELULOLÍTICAS Dissertação apresentada ao curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes, como requisito parcial para obtenção do título de mestre. Orientador: Prof. Dr. João Lúcio de Azevedo Co-orientador: Prof. Dr. Welington Luiz de Araújo Mogi das Cruzes, SP 2010 DEDICATÓRIA Ao meu esposo, Jairo Alves Santos, e ao meu filho, Pedro Henrique Stabolaitz Santos, por terem suportado com carinho e compreensão todos os momentos de ausência. Aos meus pais, Jandira e Alberto, porque sem o conforto de seu amor e apoio, a caminhada teria sido muito mais árdua, ofereço. AGRADECIMENTOS Ao Prof. Dr. João Lúcio de Azevedo, pela orientação valiosa, a qual contribuiu para meu crescimento profissional e pessoal. Ao Prof. Dr. Welington Luiz de Araújo pela amizade e constante apoio e sugestões imprescindíveis para o desenvolvimento desse trabalho. À todos os professores de pós-graduação em Biotecnologia, pela ajuda durante as disciplinas, pela dedicação e pelos bons conselhos. À Maria Carolina Quecine pelas sugestões e auxílio na parte estatística do trabalho. Ao meu esposo Jairo, pelo seu amor, companheirismo e apoio. À minha mãe Jandira, que nestes anos me apoiou nos maus momentos, se preocupando com minha saúde e de minha família, e dando todo o suporte para que eu encontrasse forças para concluir esta etapa tão importante em minha vida. Aos amigos do Núcleo Integrado de Biotecnologia pela convivência agradável, pela união e pelos bons momentos que passamos estes anos. Ao Governo do Estado de São Paulo pela ajuda financeira cedida através do Projeto Bolsa-Mestrado. A UMC por auxiliar o meu crescimento profissional e educacional. RESUMO Fungos endofíticos foram isolados de caules de Cuscuta sp., com o objetivo de investigar a diversidade de endófitos e a produção de celulase. As coletas foram realizadas em três diferentes áreas quanto à vegetação local e em três épocas do ano. Considerando as características morfológicas das colônias e a observação em microscópio ótico, foi possível identificar nove gêneros: Aspergillus, Bipolaris, Chaetomium, Cladosporium, Colletotrichum, Fusarium, Penicillium, Paecilomyces e Ulocladium. Os gêneros isolados que apresentaram maior frequência foram: Cladosporium, Penicillium e Ulocladium, sendo Penicillium o gênero predominante. Quando testados quanto à atividade celulolítica pelo uso de carboximetilcelulose (CMC) o halo indicador da degradação da CMC e foi observada em apenas 12 isolados, ou seja, aproximadamente 15% dos fungos estudados. Destes, 8 pertencem ao gênero Penicillium. Nas condições expostas aqui neste trabalho, poucos dos fungos endofíticos associados à Cuscuta sp. apresentaram a capacidade de produzir celulase, sugerindo que sua comunidade fúngica endofítica não está envolvida na capacidade de penetração na planta hospedeira. Palavras-chave: fungos endofíticos, Cuscuta sp., celulase ABSTRACT Endophytic fungi were isolated from stems of Cuscuta sp. In order to investigate the diversity of endophytes and the production of cellulase. Samples were collected in three different areas on the local vegetation and in three seasons. Considering the characteristics of the colony and observation by optical microscopy, it was possible to identify nine genera, Aspergillus, Bipolaris, Chaetomium, Cladosporium, Colletotrichum, Fusarium, Penicillium, Paecilomyces and Ulocladium. The genera isolated which showed a higher frequency were Cladosporium, Penicillium and Ulocladium, Penicillium was the predominant genus. When tested for cellulolytic activity by the use of carboxymethylcellulose (CMC) indicator of the halo of CMC degradation was observed in only 12 isolates, or approximately 15% of the fungi studied. Of these, 8 belong to the genus Penicillium. In the circumstances described in this work, few of endophytic fungi associated with Cuscuta sp. had the ability to produce cellulase, suggesting that fungal endophytes your community is not involved in the ability to penetrate the host plant. Keywords: endophytic fungi, Cuscuta sp. Cellulase LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Cuscuta sp. parasitando Hibiscus sp........................................ 19 Figura 2: Cuscusta sp. parasitando Hibiscus sp.. Flecha mostrando haustórios. ................................................................................ 19 Exemplo de vegetação encontrada nos locais de coleta. Em a área de baixo grau de antropização. Em b área de vegetação secundária. Em c área fortemente antropizada. ...................... 30 Figura 3: Figura 4: Figura 5: Figura 6: Figura 7: Figura 8: Figura 9: Figura 10: Figura 11: Espécies hospedeiras de Cuscuta sp. e localização das amostras coletadas................................................................... 30 Frequência de colonização e erro padrão dos fungos endofíticos isolados de Cuscuta sp., comparando as épocas e os locais de coleta. ................................................................ 34 Frequência de colonização de fungos endofíticos e erro padrão nos três locais de coleta de Cuscuta sp. ..................... 36 Exemplos de colônias fúngicas isoladas de Cuscuta sp., agrupadas em 20 morfotipos.................................................... 38 Porcentagem de cada morfotipo dos fungos isolados de Cuscuta sp................................................................................ 38 Macro e micromorfologia de alguns dos fungos endofíticos isolados de Cuscuta sp. Estruturas reprodutivas observadas ao microscópio ótico em aumento de 400x e 1000x................. 39 População relativa de cada gênero de fungo endofítico isolado, e identificado, de Cuscuta sp....................................... 40 Porcentagem dos fungos endofíticos isolados, e identificado, comparando os locais de coleta de Cuscuta sp........................ 40 Figura 12: Figura 13: Porcentagem de fungos endofíticos isolados de Cuscuta sp. e suas respectivas respostas à produção de celulase............ 42 Atividade da celulase de fungos isolados de caules de cuscuta, cultivados em meio sintético com carboximetilcelulose por 7 dias a 28º C. As setas indicam formação de halo indicador da degradação de CMC. Em a, não houve degradação de CMC, b e c, halo indicando a degradação de CMC................................................................. 42 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BDA Batata dextrose ágar CF Frequência de colonização CMC Carboximetilcelulose EG Endoglicanase EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária HEC Hidroxietilcelulose PR População relativa SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO ........................................................................................ 11 2 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 13 2.1 Microrganismos endofíticos ........................................................................ 13 2.1.1 Fungos endofíticos ................................................................................... 14 2.2 Família Cuscutaceae .................................................................................. 16 2.2.1 Aspectos botânicos e ecológicos ............................................................. 16 2.2.2 Fungos endofíticos isolados de Cuscuta sp. ........................................... 20 2.3 Celulases .................................................................................................... 21 2.3.1 Endo-1,4- β-glicanase (EC 3.2.1.4) ......................................................... 23 2.3.2 Exo-β-1,4-glicanase (EC 3.2.1.91)........................................................... 24 2.3.3 β-D-glicosidase glicohidrolase (EC 3.2.1.21)............................................ 24 2.3.4 Fungos produtores de celulases .............................................................. 25 3 OBJETIVOS .................................................................................................. 28 3.1 Objetivo Geral ............................................................................................. 28 3.2 Objetivos Específicos ................................................................................. 28 4 MÉTODO....................................................................................................... 29 4.1 Material vegetal............................................................................................ 29 4.2 Desinfecção superficial ............................................................................... 31 4.3 Isolamento dos fungos endofíticos de Cuscuta sp. .................................... 31 4.4 Análise dos dados ...................................................................................... 32 4.5 Análise da diversidade de fungos associados à Cuscuta sp. ..................... 33 4.5.1 Identificação dos fungos endofíticos isolados ......................................... 33 4.6 Produção de endoglicanase ....................................................................... 33 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................... 34 5.2 Isolamento de fungos endofíticos ............................................................... 34 5.3 Identificação de fungos endofíticos ............................................................ 37 5.4 Produção de celulase (endoglicanase) ...................................................... 41 6 CONCLUSÕES E SUGESTÕES .................................................................. 43 REFERÊNCIAS ................................................................................................. 44 11 APRESENTAÇÃO Fungos endofíticos estão associados a muitas espécies de vegetais. Ocupam espaços intercelulares, o interior de tecidos vasculares ou mesmo intracelularmente. São encontrados nos mais variados órgãos vegetais como folhas, ramos, caules, raízes e estruturas florais. Competem por espaço e nutrientes com outros microrganismos, até mesmo com os patógenos, podendo assim, reduzir o aparecimento de doenças, além de obter nutrientes e proteção para a sua própria sobrevivência. Fungos endofíticos possuem certas características de interesse biotecnológico tais como a produção de enzimas, fármacos, hormônios de crescimento entre outras. A família Cuscutaceae possui gêneros que ocorrem em geral, em regiões tropicais, sendo conhecida como fios-de-ouro, fios-de-ovos, cipó-dourado, cipóchumbinho, cuscuta, ou xirimbeira. São parasitas obrigatórias e invadem o xilema de seus hospedeiros por meio de haustórios. Em vista da relevante importância que têm os endófitos para as plantas, o estudo das comunidades endofíticas de plantas ainda pouco investigadas, como a Cuscuta sp., amplia as possibilidades de descoberta de novos microrganismos de interesse biotecnológico. Uma vez que as cuscutas apresentam propriedades de penetração em plantas, pela produção de celulases, possivelmente os microrganismos endofíticos associados a estes sejam produtores de celulases também. O estudo da diversidade da comunidade endofítica de cuscuta, e a investigação de fungos celulolíticos, foram os objetivos principais que originaram a 12 ideia deste trabalho. Fatores abióticos e bióticos podem exercer pressões seletivas que favoreçam um ou outro endofítico em um dado ambiente. Assim, um hospedeiro pode hospedar diferentes comunidades endofíticas de microrganismos, dependendo da localização e condição às quais está sendo submetido. Com base no exposto, o presente trabalho objetivou: (i) isolar e caracterizar a comunidade de fungos endofíticos dos caules de Cuscuta sp., de três áreas de vegetação característica: área de baixo grau de antropização, área de vegetação secundária e área fortemente antropizada; (ii) Identificar morfologicamente os fungos endofíticos; (iii) verificar e avaliar a produção de enzimas celulolíticas pelos endófitos. Dessa forma, é esperado que esse trabalho possa vir a contribuir para investigações futuras acerca da relação de fungos endofíticos com a planta hospedeira. 13 2 2.1 INTRODUÇÃO Microrganismos endofíticos Os microrganismos que em algum período de seu ciclo de vida habitam o interior de vegetais, são denominados microrganismos endofíticos ou simplesmente endófitos (AZEVEDO et al., 2002; ARNOLD, 2005). Estes se caracterizam por não causarem danos à planta hospedeira e podem até mesmo proporcionar benefícios ao vegetal. São representados principalmente por fungos e bactérias e podem ser encontrados em órgãos e tecidos vegetais como folhas, ramos e raízes (AZEVEDO et al. 2002, NETO et al., 2002). Os endófitos são potencialmente úteis na agricultura e na indústria. Podem ser utilizados como vetores para introdução de genes de interesse nas plantas, como agentes inibidores de pragas e patógenos e como fontes de metabólitos primários e secundários (AZEVEDO et al., 200; NETO et al., 2002; SILVA et al., 2006; SOUZA et al., 2004). As comunidades endofíticas variam de acordo com o hospedeiro e as condições ambientais (KOSKELA et al., 2001) e podem interagir no interior da planta hospedeira. O desequilíbrio desta interação pode afetar o comportamento de todos os microrganismos presentes, permitindo que microrganismos oportunistas manifestem seu potencial patogênico no hospedeiro (AZEVEDO et al., 2000; KOSKELA et al., 2001). 14 O primeiro registro a respeito de microrganismos endofíticos foi feito por Bary em 1866, e foram descritos novamente, apenas em 1904, na Alemanha (ARAÚJO et al., 2008; AZEVEDO, 1999). Trabalhos mais direcionados começaram a ser realizados por volta de 1940. Até então se conhecia pouco sobre as verdadeiras funções de microrganismos endofíticos, talvez, pelo fato destes não produzirem em seus hospedeiros estruturas externas visíveis (AZEVEDO et al., 2000; NETO et al., 2002). Já no final dos anos 70 do século XX, foi possível confirmar após vários estudos que os microrganismos endofíticos possuem algumas funções fundamentais para a defesa de seus hospedeiros, tal como a relação mutualística onde o endófito recebe nutrientes e proteção da planta hospedeira e produz compostos químicos, tais como enzimas, alcalóides que protegem e auxiliam a planta (ALMEIDA et al., 2005; NETO et al., 2002; SILVA et al., 2006). 2.1.1 Fungos endofíticos Os fungos endofíticos estão associados a muitas espécies de vegetais. Todas as plantas em ecossistemas naturais parecem ser simbióticas com fungos endofíticos (RODRIGUEZ et al., 2009). A cada espécie de planta examinada até agora, pelo menos uma espécie de fungo endofítico foi encontrada (ARNOLD, 2005). O número de espécies de microrganismos endofíticos varia consideravelmente e geralmente depende das técnicas e recursos utilizados nas pesquisas, o que permite ou não o desenvolvimento de certas espécies in vitro 15 (HYDE & SOYTONG, 2008). Dentro do vegetal, estes endófitos ocupam espaços intercelulares, o interior de tecidos vasculares ou mesmo intracelularmente. São encontrados nos mais variados órgãos vegetais como folhas, ramos, caules, raízes e estruturas florais, tais como pólen, ovários, estames e anteras (NETO et al., 2002; SILVA et al., 2006). Apesar dessa ampla ocorrência de endófitos, muitos destes parecem ser especializados para determinados tecidos hospedeiros (ARNOLD, 2005). Os microrganismos endofíticos podem penetrar na planta hospedeira por meio dos estômatos ou por ferimento e/ou secretando enzimas hidrolíticas que permitem a colonização (NETO et al., 2002; SILVA et al., 2006). No interior do vegetal, os fungos endofíticos competem por espaço e nutrientes com outros microrganismos, até mesmo com os patógenos, podendo assim, reduzir o aparecimento de doenças (PIMENTEL et al., 2006). Podem trazer vários benefícios para esta, além de obter nutrientes e proteção para a sua própria sobrevivência. Algumas espécies de fungos endofíticos são capazes de sintetizar compostos que inibem a herbivoria, enquanto que outras podem produzir fitormônios como a auxina que induz o aumento do sistema radicular e consequentemente melhora o crescimento da planta hospedeira (AZEVEDO et al., 2000; MACCHERONI Jr. et al., 2004). A presença dos endófitos, em algumas vezes leva alterações bioquímicas e histológicas do vegetal, podendo assim dificultar a penetração de patógenos, e aumentando a resistência da planta (MACCHERONI Jr. et al., 2004). Produtos de valor econômico, como fármacos tais como novos antibióticos e produtos anticancerígenos, também têm sido descobertos a partir de fungos endofíticos. Um exemplo é o taxol, um diterpenóide utilizado contra certos tipos de 16 câncer e que além de ser produzido por alguns vegetais, também é produzido por fungos que habitam endofiticamente esta planta (AZEVEDO, 1999). Os fungos endofíticos também são muito eficientes no controle de pragas na agricultura. É uma alternativa que se tem mediante a necessidade de reduzir o consumo de agroquímicos (AZEVEDO et al., 2002; ARAÚJO et al., 2008). Pimentel et al., (2006) descreveram de plantas de erva-mate, fungos endofíticos com potencial de biocontrole que segundo os autores deveriam ser testados quanto à capacidade de induzir proteção contra pragas e doenças. 2.2 Família Cuscutaceae 2.2.1 Aspectos botânicos e ecológicos A família Cuscutaceae é representada por plantas conhecidas como: fios-deouro, fios-de-ovos, cipó-dourado, cipó-chumbinho, cuscuta, ou xirimbeira. São parasitas obrigatórias com aproximadamente 150 espécies diferentes distribuídas em todo o mundo, sendo mais comum nas Américas (LANINI et al., 2002). Em geral são originárias da Europa, mas algumas espécies são nativas da América do Sul, como a Cuscuta racemosa que é originária do Chile (PEREIRA, 1998). Atualmente a espécie Cuscuta pertence à Família Cuscutaceae, mas alguns autores a classificam na Família Convolvulaceae. Certos autores também divergem 17 em relação à classificação da Família Cuscutaceae, alguns relatam apenas um gênero (Cuscuta) enquanto outros autores consideram dois: Cuscuta e Grammica (JAYASINGHE et al., 2004; STEFANOVIC & OLMSTEAD, 2004; SWIFT, 2005; FATHOMLLA & DUHOKI, 2008). As cuscutas não possuem folhas, nem sistema radicular verdadeiro. Seus caules (Fig. 1) são em forma de fios ou cordões alaranjados, algumas vezes esbranquiçados, com várias ramificações, e o crescimento é indeterminado, variando com a espécie e compatibilidade com o hospedeiro (COSTEA & TARDIF, 2006). Quando se fixa a um hospedeiro, enrola-se à volta do tronco do mesmo e produz os haustórios (Fig. 2). A partir daí começa a extrair nutrientes e água do hospedeiro, e sua ligação com solo cessa (PEREIRA, 1998; LANINI et al., 2002). Embora a cuscuta seja capaz de realizar fotossíntese, obtém todas as suas energias a partir da planta hospedeira (LANINI e KOGAN, 2005; NICE et al., 2005; SWIFT, 2005). A plântula pode sobreviver vários dias sem um hospedeiro, mas se um não é encontrado dentro de 5 a 10 dias, ela irá morrer. Caules de cuscuta que foram destacados da planta hospedeira já foram descritos por terem sobrevivido vários dias (PRATHER & TYRL, 1993; LANINI et al., 2002; COSTEA & TARDIF, 2006). São consideradas plantas anuais, reproduzindo-se, principalmente, por sementes e/ou vegetativamente por pequenos pedaços de ramos que continuam presos em partes da hospedeira. As sementes variam de tamanho, cor e forma. (FATHOΜLLA et al., 2008). Cada planta é capaz de produzir milhares de sementes e geralmente apenas cerca de 5% germina no ano seguinte à sua produção. O restante pode permanecer latente, mas viáveis, no solo por mais de 20 anos, dependendo da espécie e das condições ambientais (PRATHER & TYRL, 1993; PEREIRA, 1998; LANINI et al., 2002; NICE et al., 2005). A temperatura favorável do 18 solo para a germinação está em um intervalo de 15 a 38°C, com um ótimo em torno de 30°C (LANINI & KOGAN, 2005) e ocorre independent emente de qualquer influência da planta hospedeira. O clima ideal para o desenvolvimento das cuscutas é do temperado até o subtropical, com C. campestri exibindo a mais ampla gama climática. A preferência para este clima está provavelmente relacionada com o ciclo de dormência das sementes no solo (COSTEA & TARDIF, 2006). Cuscuta sp. pode ser encontrada parasitando diversas culturas, plantas ornamentais, plantas nativas e plantas daninhas. No Brasil, C. racemosa, é a espécie mais comum encontrada parasitando as culturas de tomate, de cenoura, plantas ornamentais como Euphorbia milli, Hibiscus sp., Crhysanthemum spp. e outras. Algumas espécies apresentam uma estreita gama de hospedeiros, outras, no entanto, são capazes de parasitar numerosas espécies de diferentes famílias. Mesmo aquelas com uma ampla gama de hospedeiros podem mostrar uma preferência, e podem apresentar uma parcial ou total incompatibilidade com outros hospedeiros. Por exemplo, espécies como C. salina, são encontradas em sítios restritos (pântanos e lagoas) e em apenas algumas espécies de vegetais hospedeiros. No entanto, C. pentagona, pode ser encontrada em muitas culturas incluindo alfafa, aspargos, beterraba, tomate e plantas daninhas (PEREIRA, 1998; PRATHER & TYRL, 1993; LANINI et al., 2002; COSTEA & TARDIF, 2006). O impacto da cuscuta varia de moderada até severas reduções no crescimento do hospedeiro e, em alguns casos, pode resultar em completa perda de vigor e de morte. A severidade de uma infestação depende da fase de crescimento da planta hospedeira. A maior redução do crescimento ocorre quando cuscuta se fixa; após esta fase os hospedeiros não são habitualmente mortos. Quando múltiplos anexos são feitos para a mesma planta, a morte pode ocorrer (LANINI et al., 2002). 19 O mais bem sucedido controle de cuscuta envolve uma abordagem sistemática que combina vários métodos. Geralmente não podem ser eliminadas com um único tratamento ou em um único ano. Quando é detectada, a ação imediata é necessária para eliminar ou reduzir as infestações nestes locais (PEREIRA, 1998; LANINI et al., 2002; FATHOMLLA & DUHOKI, 2008). 2008 Figura 1. Cuscuta sp. parasitando Hibiscus sp. Figura 2.. Cuscusta sp. parasitando Hibiscus sp. Flecha mostrando haustórios. 20 2.2.2 Fungos endofíticos isolados de Cuscuta sp. Fungos endofíticos de Cuscuta sp. ainda é um assunto pouco descrito na literatura. Shakir et al., (1999) isolaram quatro espécies de fungos (Colletotrichum gloeosporioides, Fusarium pallidoroseum, Alternaria alternata, Curvularia lunata) que foram obtidos de caules doentes de Cuscuta reflexa e C. campestri. Estes fungos obtidos foram reinoculados em caules sadios, de cuscuta, com o objetivo de identificar os responsáveis por causar necrose. Todos os quatro fungos produziram lesões no vegetal. Foi observado que Colletotrichum gloeosporioides seguido de Fusarium pallidoroseum e Alternaria alternarta foram os mais destrutivos quando inoculadas separadamente. Ataque mais severos foram observados quando Alternaria alternata, Curvularia lunata, Colletotrichum gloeosporioides e Fusarium pallidoroseum foram inoculadas em combinações. Fungos endofíticos de Cuscuta reflexa foram estudados também por Suryanarayanan et al., (2000). Neste estudo o objetivo foi comparar os endófitos encontrados em Cuscuta reflexa com os encontrados nas espécies vegetais hospedeiras. Um total de quarenta fungos foi isolado do caule de Cuscuta reflexa, onde a porcentagem de colonização de endófitos variou de 28% a 87%. Cladosporium sp., Colletotrichum sp. e uma forma estéril (HI) pode ser isolado de Cuscuta reflexa em cinco diferentes espécies hospedeiras. 21 2.3 Celulases A celulose, dentre os materiais naturais, é o biopolímero mais abundante do mundo. É um dos principais constituintes da parede celular dos vegetais, juntamente com a xilana e outros polímeros. Quimicamente, celulose é um grande polímero de resíduos de glicose. A cadeia molecular de celulose é consideravelmente longa, variando com as diferentes espécies e diferentes tecidos (NORKRANS, 1963). É composta de longas fibras cristalinas em que pontes de hidrogênio unem as moléculas individuais. Além disso, as fibras são embebidas em uma matriz de hemicelulose e lignina, as quais reduzem ainda mais a acessibilidade das enzimas celulolíticas (BÉGUIN, 1990; LYND et al., 2002; ANGELO, 2004). Essas enzimas, conhecidas como celulases hidrolisam a ligação glicosídica entre dois ou mais carboidratos ou entre carboidratos e uma porção não carboidrato (CASTILLO et al., 2002). Um grande número de fungos e bactérias são capazes de produzir múltiplos grupos de enzimas, as quais são coletivamente conhecidas como celulases. Tais sistemas são compostos por uma variedade de enzimas com diferentes especificidades e modos de ação, as quais agem em conjunto para hidrolisar celulose. Podem ser classificadas em 3 tipos: endo-β-1,4 glicanase, exo-β-1,4 glicanase e β-D-glicosidade glicohidrolase (BÉGUIN, 1990; BALDRIAN & VALASKOVÁ, 2008; CULEN & KARSTEN, 1992). Assim como as demais enzimas extracelulares de hidrólise, as celulases são induzidas quando há a necessidade de serem secretadas pelos microrganismos para que ocorra a quebra de celulose, e sua produção depende do tipo de substrato 22 (RUEGGER & TORNISIELO, 2004). Celulases são induzidas na maioria dos fungos quando celulose ou um indutor existe; já em bactérias, celulases são produzidas constantemente (SUTO & TOMITA, 2001). Em Hypocrea jecorina e Penicillium purpurogenum, os respectivos indutores são soforose e gentiobiose, os quais não têm ligações β-1,4 assim como celobiose, as quais tem esta ligação, sendo um indutor em outros fungos (SUTO & TOMITA, 2001). As enzimas celulolíticas constituem o segundo grande grupo de carboidratases exploradas comercialmente. Podem ser hidrolisadas quimicamente em meio ácido, ou enzimaticamente, liberando produtos de baixo peso molecular como hexoses e pentoses. Graças à eficiência e a especificidade de ação de enzimas e ao seu apelo ambiental, a utilização de celulases em processos de hidrólise ganha cada vez mais importância em vários setores da indústria química e na agricultura (ANGELO, 2004). Vários têm sido os trabalhos descritos na literatura visando o aumento da produção de celulases, quer seja por otimização das condições de fermentação quer seja pela obtenção de linhagens microbianas com alta produtividade. O interesse na produção de celulases está ligado ao emprego destas enzimas na hidrólise de resíduos celulósicos para diversas finalidades tais como a produção de proteína microbiana para ração animal, produção de glicose, extração de componentes do chá verde, proteína de soja e óleos essenciais; na indústria de polpa de celulose e de papel, para melhorar as propriedades mecânicas das fibras ou ainda para facilitar o processo de reciclagem; em processos de hidrólise de biomassa para produção de reagentes químicos combustíveis e em silagem, entre outros (BHAT, 2000; RUEGGER & TORNISIELO, 2004). 23 A importância dos microrganismos na produção enzimática é devido a sua alta capacidade de produção, baixo custo e susceptibilidade à manipulação genética. Na verdade, as enzimas de origem microbiana tem alto interesse biotecnológico, como transformação de alimentos, fabricação de detergente, têxtil e de produtos farmacêuticos, terapia médica e biologia molecular. Enzimas de microrganismos endofíticos já foram estudadas, incluindo algumas com potencial de aplicação na indústria, tais como amilases, quitinases, glicanases e proteases e outros (ARAÚJO et al., 2008). Nagar e colaboradores (1984) estudaram as enzimas degradadoras de parede celular presentes em Cuscuta sp. e suas plantas hospedeiras. Como conclusão deste trabalho houve atividade celulolítica apenas pela própria cuscuta e não em suas plantas hospedeiras. 2.3.1 Endo-1,4- β-glicanase (EC 3.2.1.4) São também conhecidas como endo-β-1,4 glicanases, endoglicanases e carboximetilcelulases. São monoméricas, com massa molecular tipicamente entre 22 e 45 kDa. Hidrolizam randomicamente e internamente as pontes β-1,4 glicosídicas em celulose, gerando oligossacarídeos de vários tamanhos e consequentemente novas cadeias terminais. Como resultado, o polímero rapidamente decresce em tamanho, e a concentração da redução de açúcar aumenta vagarosamente (ONSORI et al., 2005; BALDRIAN & VALASKOVÁ, 2008). 24 Endoglicanases foram isoladas de muitos basidiomicetos e mostram catalise ótima com pH entre 4.0 e 5.0. Temperatura ótima está entre 50 e 70o C. Carboximetilcelulose e celulose amorfa são bons – embora não naturais – substratos da maioria das endoglicanases e indicam que a atividade enzimática é principalmente direcionada pelas regiões amorfas na molécula de celulose (BALDRIAN & VALASKOVÁ, 2008). 2.3.2 Exo-β-1,4 glicanase (EC 3.2.1.91) Conhecidas também como β-1,4 celobiohidrolase ou Avicelase, catalisam a hidrólise de ligações β-1,4-D-glicosídicas na celulose, liberando celobiose das extremidades não redutoras das cadeias. São capazes de atuar sobre a celulose microcristalina, encurtando cadeias do polissacarídeo. (BHAT & BHAT, 1997, LYND et al., 2002). Possuem ação limitada sobre substratos como carboximetilcelulose (CMC) e hidroxietilcelulose (HEC) (SINGH & HAYASHI, 1995). 2.3.3 β-D-glicosidase glicohidrolase (EC 3.2.2.21) Também conhecidas com celobiases, catalisa a hidrólise de resíduos β-Dglicose terminais não redutores, liberando β-D-glicose. Perdem sua atividade com o aumento da extensão da cadeia de celulose. Apresentam ampla especificidade por 25 β--D-glicosídeos, podendo hidrolisar também β-D-galactosídeos e β-D-xilosídeos (SINGH & HAYASHI, 1995; LIND et al., 2002). 2.3.4 Fungos produtores de celulases Na natureza existe uma grande variedade de microrganismos capazes de degradar celulose por meio da produção de celulases (CASTILLO et al., 2002; RUEGGER & TORNISIELO, 2004). Os fungos constituem um dos grupos de microrganismos mais importantes na atividade de decomposição de matéria orgânica em geral, e em particular dos substratos celulósicos (LYND et al., 2002). Sistemas celulolíticos de fungos diferem de complexos sistemas celulolíticos de bactérias (BALDRIAN & VALASKOVÁ, 2008). Em geral, os fungos que decompõem substâncias celulósicas ocorrem no solo, colonizando vegetais, suas raízes e resíduos, com importante função de reciclagem de nutrientes. A atividade fúngica depende do conteúdo de matéria orgânica no solo, a qual determina sobremaneira a ocorrência e a distribuição desses organismos (RUEGGER & TORNISIELO, 2004). Basidiomicetos são os mais potentes degradadores de celulose (BALDRIAN & VALASKOVÁ, 2008). As celulases fúngicas tem sido as mais estudadas e exploradas industrialmente e, apesar de grande parte dos trabalhos estarem voltados para a obtenção de enzimas de Trichoderma reesei e Trichoderma viridae, muitas outras espécies tem apresentado um bom potencial para produção de enzimas celulolíticas, tais como Neurospora crassa e espécies dos gêneros Curvularia, Aspergillus e 26 Penicillium (RUEGGER & TAUK-TORNISIELO, 2004). No contexto atual, grande ênfase tem sido dada à utilização de rejeitos de biomassa lignocelulósica provenientes da agricultura e de processos industriais, por exemplo: da produção de etanol e da produção de polpa de celulose, como substratos para obtenção de celulases a partir de fermentação microbiana (CULLEN & KERSTEN, 1992; ANGELO, 2004). ONSORI et al., (2005) estudaram várias espécies de Aspergillus para verificar qual produzia mais celulase. Aspergillus spp. são conhecidos por produzir uma variedade de enzimas celulolíticas, incluindo carboximetilcelulase ou endo-β-1,4glicanase. Neste trabalho identificaram Aspergillus sp. (R4) como o maior produtor de endo- β-1,4-glicanase entre as 13 diferentes espécies de Aspergillus. Em Cylindrocladium clavatum a celulase produzida é um complexo multienzimático que compreende duas endo e três exo β-1,4 glicanases e uma β glicosidase, sendo que C. clavatum é capaz de produzir tais enzimas in vitro, quanto cultivado em diferentes substratos. Três enzimas com pequenas diferenças foram isoladas de Gloeophyllum trabeum, Phanerochaete chrysosporium, Sclerotium rolfsii e Serpula incrassata. O mais estudado sistema de endoglicanase em Phanerochaete chrysosporium foi originalmente descrito contendo 5 diferentes enzimas, mas algumas delas foram depois identificadas como produtos de clivagem de outras endoglicanases (BALDRIAN & VALASKOVÁ, 2008). Sabe-se que o complexo celulásico de T. reessei possui pelo menos cinco enzimas com atividade endoglicanásica (EG I, II, III, IV e V) tal multiplicidade tem sido justificada por alguns autores como decorrente de modificações póstranslacionais como a glicosilação. No entanto, existem fortes evidências de que 27 estas enzimas sejam biomoléculas não relacionadas e que, como tal, possuam funções distintas durante o processo de sacarificação de celulose (GOYAL et al., 1991). A EG I é a endoglucanase produzida em maior quantidade pelo T. reesei, chegando a cerca de 5% do total de proteínas liberadas no meio de cultura, enquanto a EG II chega a 0,5% e as endoglucanases restantes apresentam-se como componentes minoritários (CLAEYSSENS & AERTS, 1992). 28 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral O objetivo deste trabalho foi o de isolar, identificar e avaliar a diversidade de fungos endofíticos associados à Cuscuta sp. e estudar a produção de endoglicanases. 3.2 • Objetivos Específicos Isolar fungos endofíticos de caules de Cuscuta sp. de três áreas de vegetação característica: área de baixo grau de antropização, área de vegetação secundária e área fortemente antropizada. • Identificar os fungos endofíticos. • Avaliar a produção de endoglicanases dos fungos endofíticos encontrados. 29 4 4.1 MÉTODO Material vegetal As amostras de Cuscuta sp. utilizadas neste trabalho foram coletadas em três diferentes áreas quanto à vegetação local e, consequentemente, parasitando diferentes espécies vegetais (Figura 3 e Tabela 1). As coletas dos caules maduros sem marcas, arranhaduras ou ferimentos foram realizadas em junho de 2007, agosto de 2007 e janeiro de 2008. Os três locais de coletas, diferem quanto à composição vegetal. O local de baixo grau de antropização, apresenta uma grande diversidade vegetal. A área de vegetação secundária apresenta vegetação natural, sem interferência humana em sua diversidade vegetal. No entanto, o local de forte antropização apresenta apenas duas espécies vegetais (Duranta repens periodicamente podadas e manuseadas. e Hibiscus sp.), sendo estas, 30 a b c Figura 3. Exemplo de vegetação encontrada nos locais de coleta. Em a área de baixo grau de antropização. Em b área de vegetação secundária. Em c área fortemente antropizada. Locais de coleta Área de baixo grau de antropização Espécies vegetais hospedeiras S W Malvaviscus arboreus 23° 26.031’ 046° 19.437’ Dracaena marginata 23° 26.030’ 046° 19.431’ Euphorbia milii 23° 26.030’ 046° 19.434’ Euphorbia milii 23° 28.085’ 046° 19.758’ Syngonium podophyllum 23° 28.028’ 046° 19.758’ Erythrina sp. 23° 28.029’ 046° 19.761’ Ligustrum lucidum 23° 29.091’ 046° 20.921’ Área de vegetação Bouteloua curtipendula 23° 29.100’ 046° 20.907’ secundária Asclepias sp. 23° 29.077’ 046° 20.900’ Duranta repens 23° 30.770’ 046° 11.400’ Duranta repens 23° 30.769’ 046° 11.401’ Área fortemente Hibiscus sp. 23° 30.769’ 046° 11.430’ antropizada Hibiscus sp. 23° 30.647’ 046° 11.654’ Hibiscus sp. 23° 30.746’ 046° 11.410’ Hibiscus sp. 23° 30.758’ 046° 11.406’ Figura 4. Espécies hospedeiras de Cuscuta sp. e localização das amostras coletadas. 31 4.2 Desinfecção superficial A comunidade de fungos endofíticos associada às plantas foi isolada pela técnica de desinfecção superficial dos tecidos vegetais. É a etapa mais importante para o trabalho, pois tem por objetivo a completa eliminação de microrganismos epifíticos, mantendo viável a comunidade endofítica da amostra vegetal. Para isso, os caules de Cuscuta sp. foram coletados e posteriormente lavados em água corrente abundante. Em seguida foram imersos em álcool 70% por 30 segundos, seguida de imersão em hipoclorito de sódio (NaOCl) a 3%, por 1 minuto e 30 segundos e novamente imersos em álcool 70% por 30 segundos e duas lavagens com água destilada esterilizada para finalizar. 4.3 Isolamento dos fungos endofíticos de Cuscuta sp. Após desinfecção superficial, o caule de Cuscuta sp. foi cortado, assepticamente, em fragmentos de aproximadamente 0,5 cm. Sete fragmentos foram colocados em cada placa de Petri com meio de cultura BDA 20% (Potato Dextrose Agar – MERCK) suplementado com o antibiótico tetraciclina (50 µg/ml-1) para impedir o crescimento bacteriano. As placas foram incubadas a 28º C por até 15 dias. Foi utilizado um total de 35 fragmentos de cada amostra de Cuscuta sp. em cada isolamento, totalizando ao final do trabalho, 1575 fragmentos. A última água de 32 lavagem, foi usada como controle sendo alíquotas da mesma semeadas nos mesmos meios para isolamento de endofíticos com finalidade de verificação de escape de microrganismos epifíticos não eliminados Se ocorreu crescimento de colônias o tratamento correspondente não foi utilizado. 4.4 Análise dos dados Para a análise dos dados de isolamento, foi calculada a frequência de colonização em porcentagem (CF%) ao final de cada isolamento para avaliar o número de fragmentos que apresentaram crescimento fúngico em relação ao número total de fragmentos vegetais avaliados. ೝೌೞ ೌೞ ܨܥ% = úೝ úೝ ೌ ೝೌೞ ×ଵ A população relativa (PR) foi calculada pela razão entre o número de indivíduos da espécie e o número total de isolados. 33 4.5 Análise da diversidade de fungos associados à Cuscuta sp. 4.5.1 Identificação de fungos endofíticos A identificação foi realizada por meio de observação de aspectos macro e micro-morfológicos de estruturas vegetativas e reprodutivas dos isolados endofíticos, para isto, pressionou-se um pedaço de fita adesiva contra a cultura do fungo, coletando-a sobre uma lâmina contendo uma gota do corante azul algodão. Os resultados foram comparados com literatura específica (BARNETT & HUNTER, 1972). 4.6 Produção de endoglicanase Para a obtenção de resultados de produção de endoglicanase, os fungos endofíticos foram crescidos em meio M9 contendo 1% de CMC (Carboximetilcelulose) a 28º C de 7 a 14 dias. Após o crescimento foram adicionados 10 mL de Vermelho Congo (1%) e posteriormente lavado com NaCl (5M). A presença de um halo incolor em torno da colônia indicou a secreção de endoglicanases. Foram realizadas três repetições para cada isolado fúngico. 34 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 Isolamento de fungos endofíticos Foram isolados 82 fungos endofítos dos caules de Cuscuta sp. A Fig. 4 compara os resultados obtidos quanto à frequência de colonização, nas três coletas realizadas. O terceiro período foi o que resultou em um maior número de fragmentos com fungos para todos os locais, embora o local de vegetação secundária tenha como resultado, igual frequência de colonização no segundo e terceiro períodos. 15 Frequência de colonização 12 9 Mai-Jun/2007 Jul-Ago/2007 6 Jan-Fev/2008 3 0 Baixo grau de antropização Vegetação secundária Fortemente antropizado Figura 5. Frequência de colonização e erro padrão dos fungos endofíticos isolados de Cuscuta sp., comparando as épocas e os locais de coleta. 35 Importantes aspectos ambientais podem influenciar a infecção da comunidade endofítica que muitas vezes não são consideradas, como temperatura, umidade, condições do solo, a espécie vegetal, precipitação anual entre outros fatores (CARROLL 1988). Nas coletas realizadas entre maio e agosto de 2007, a presença da própria cuscuta nas plantas hospedeiras era em menor quantidade que a mesma durante a época de coleta realizada entre janeiro e fevereiro. Segundo Lanini e Kogan (2005), temperaturas do solo favoráveis à germinação e emergência de Cuscuta sp. estão entre 15 e 38º C, com ótimo em torno de 30ºC, as quais correspondem às temperaturas que prevalecem na primavera e verão, época esta que corresponde aos dados referidos ao 3º isolamento.É provável que a baixa riqueza de fungos endofíticos nos primeiros isolamentos, esteja associada a algum destes aspectos intrínsecos a área de estudo, principalmente no que se refere ao clima ideal ao desenvolvimento da própria Cuscuta sp. Dados obtidos por Tóth et al., (2006) em culturas de beterraba na Eslováquia, mostraram que não houve o registro de C. campestri apenas em regiões de clima frio, sendo que eles analisaram a distribuição de cuscuta em 150 localidades no período de 2002 a 2004. Considerando as características de vegetação dos locais de coleta, com os valores obtidos, não foi possível observar se existe uma preferência destes endófitos por um hospedeiro específico, bem como o local de coleta não influenciou neste aspecto nos períodos em que foram realizados os isolamentos (Fig. 5). 36 25 Frequência de colonização 20 15 10 5 0 Baixo grau de antropização Vegetação secundária Fortemente antropizado Figura 6. Frequência de colonização de fungos endofíticos e erro padrão nos três locais de coleta de Cuscuta sp. 37 5.2 Identificação de fungos endofíticos Os 82 fungos isolados de Cuscuta sp. foram inicialmente agrupados de acordo com as suas características morfológicas em 20 morfotipos (Fig. 6). A Fig. 7 mostra a porcentagem de cada morfotipo isolado. Pode-se observar que, dentre estes, o morfotipo 11 é o que mais se destaca, correspondendo a aproximadamente 28% dos fungos isolados. A identificação microscópica apenas foi possível para os gêneros que desenvolveram estruturas reprodutivas in vitro. A figura 8 mostra os nove gêneros identicados: Penicillium, Bipolaris, Ulocladium, Colletotrichum, Fusarium, Cladosporium, Chaetomium, Aspergillus e Paecilomyces. Foi possível diferenciar em duas espécies, Penicillium sp. 1 e sp. 2, Fusarium sp. 1 e sp. 2 e Cladosporium sp. 1 e sp. 2. A população relativa de cada gênero identificado foi calculada e é apresentada na Fig. 9. Na Figura 10, estão sendo apresentados os gêneros identificados mostrando a ocorrência de cada uma destas e os referentes locais de coleta. Suryanarayanan et al., (2000) obtiveram um total de quarenta fungos endofíticos em Cuscuta reflexa sendo que Cladosporium sp., Colletotrichum sp. e uma forma estéril foram as espécies predominantes. Além destes foram obtidos também Alternaria sp, Aspergillus sp., Chaetomium sp., Fusarium sp., Penicillium sp., entre outros. 38 Figura 7. Exemplos de colônias fúngicas isoladas de Cuscuta sp., agrupadas em 20 morfotipos. 30 Porcentagem 25 20 15 10 5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Morfotipos Figura 8. Porcentagem de cada morfotipo dos fungos isolados de Cuscuta sp. 39 Figura 9. Macro e micromorfologia de alguns dos fungos endofíticos isolados de Cuscuta sp. Estruturas reprodutivas observadas ao microscópio ótico em aumento de 400x e 1000x. 40 50 45 População relativa 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Figura 10. População relativa de cada gênero de fungo endofítico isolado, e identificado, de Cuscuta sp. 80 70 porcentagem 60 50 40 30 20 10 0 Área de baixo grau de antropização Área de vegetação secundária Áreas fortemente antropizada Figura 11. Porcentagem dos fungos isolados, e identificados, comparando os locais de coleta de Cuscuta sp. 41 5.3 Produção de celulase (endoglicanase) Os fungos endofíticos obtidos foram testados quanto à atividade celulolítica pelo uso de carboximetilcelulose (CMC). Em todos os isolados fúngicos, foram empregadas três repetições. A zona mais clara ao redor das colônias, correspondente ao halo indicador da degradação da CMC e foi observada (Fig. 12) em apenas 12 isolados, ou seja, aproximadamente 15% dos fungos estudados (Fig 11). Destes, 8 pertencem ao gênero Penicillium. A visualização do halo depende de vários fatores, além da composição do meio de cultura. Algumas substâncias químicas do meio de cultura podem interferir no corante proporcionando resultados falso-positivos, ou ainda provocar sua precipitação ou inibir a ligação deste aos polissacarídeos. Os fungos celulolíticos, na natureza, não ocupam o mesmo nicho ecológico em cultura pura, onde não existe competição; ao contrário, eles interagem com outros organismos celulolíticos e com aqueles que degradam outros compostos. Essa associação é responsável pela completa degradação dos substratos celulósicos nos ecossistemas onde estes organismos são encontrados. (NEIROTTI & AZEVEDO, 1988; RUEGGER & TORNISIELLO, 2004). Além disso, os fungos estudados foram isolados de três áreas com coberturas vegetais distintas e em diferentes estações do ano. Todos esses fatores influenciaram diretamente os resultados obtidos com os diferentes isolados de uma mesma espécie. Ruegger e Tornisiello, (2004) observaram que algumas colônias com pouco crescimento apresentaram os maiores índices enzimáticos, dentre eles P. herquei, P. miczynskii e P. verruculosum, P. glabrum e Trichoderma hamatum., 42 50 45 40 Porcentagem 35 30 25 20 15 10 5 0 positivo negativo Baixo grau de antropização positivo negativo Vegetação secundária positivo negativo Fortemente antropizado Figura 12. Porcentagem de fungos endofíticos isolados de Cuscuta sp. e suas respectivas respostas à produção de celulase. Figura 13. Atividade da celulase de fungos isolados de caules de cuscuta, cultivados em meio sintético com carboximetilcelulose por 7 dias a 28º C. As setas indicam formação de halo indicador da degradação de CMC. Em a, não houve degradação de CMC, b e c,, halo indicando a degradação de CMC. 43 6 CONCLUSÕES E SUGESTÕES A comunidade fúngica endofítica de Cuscuta sp. apresenta uma grande diversidade sendo composta pelos gêneros, identificados, Penicillium, Bipolaris, Ulocladium, Colletotrichum, Fusarium, Cladosporium, Chaetomium, Aspergillus e Paecilomyces sendo Penicillium o gênero predominante. A época do ano influencia sobre a freqüência de colonização de fungos endofíticos. As diferenças de antropização nos locais de coleta não influenciou na frequência de colonização dos fungos endofíticos, no entanto a diversidade endofítica encontrada foi diferente para cada local. Nas condições expostas aqui neste trabalho, poucos dos fungos endofíticos associados à Cuscuta sp. apresentaram capacidade de produzir endocelulase, sugerindo que sua comunidade fúngica endofítica não está envolvida na capacidade de penetração na planta hospedeira. 44 REFERÊNCIAS ALMEIDA, C. V. de; YARA, R.; ALMEIDA, M. de. Fungos endofíticos isolados de ápices caulinares de pupunheira cultivada in vivo e in vitro. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília, v. 40, n. 5, p. 467- 470, 2005. ANGELO, R. S. Enzimas hidrolíticas. In: Fungos: uma introdução à biologia, bioquímica e biotecnologia. Caxias do Sul: Educs, Cap. 8, 2004 ARAÚJO, W. L.; LACAVA, P. T.; ANDREOTE, F. D.; AZEVEDO, J. L. Interaction between endophytes and plant host: biotechnological aspects. In: Essaid Ait Barka; C. Clément. (Org.). Plant Microbe Interactions . Kerala: Research Signpost. p. 95 – 115, 2008. ARNOLD, A.E. Diversity and ecology of fungal endophytes in tropical forests. 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Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros de Física Baixar livros de Geociências Baixar livros de Geografia Baixar livros de História Baixar livros de Línguas Baixar livros de Literatura Baixar livros de Literatura de Cordel Baixar livros de Literatura Infantil Baixar livros de Matemática Baixar livros de Medicina Baixar livros de Medicina Veterinária Baixar livros de Meio Ambiente Baixar livros de Meteorologia Baixar Monografias e TCC Baixar livros Multidisciplinar Baixar livros de Música Baixar livros de Psicologia Baixar livros de Química Baixar livros de Saúde Coletiva Baixar livros de Serviço Social Baixar livros de Sociologia Baixar livros de Teologia Baixar livros de Trabalho Baixar livros de Turismo