Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o - Ainfo

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Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o - Ainfo
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuáira – Embrapa
Secretaria de Gestão e Estratégia
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Embrapa Informação Tecnológica
Setembro, 2003
Brasília, DF
Exemplares desta publicação podem ser solicitados a:
Secretaria de Gestão e Estratégia
Parque Estação Biológica - PqEB - Av. W 3 Norte (final)
CEP 70770-901 Brasília - DF
Fone: (61) 448-4466
Fax: (61) 448-4319
Revisão de texto
Francisco C. Martins
Tratamento editorial
Raquel Siqueira de Lemos
Normalização bibliográfica e ficha catalográfica
Dauí Antunes Corrêa
Projeto gráfico e capa
Carlos Eduardo Felice Barbeiro
Fotos da capa
Arnaldo de Carvalho Jr. e Maurício Cubano
1ª edição
1ª impressão (2003): 2.000 exemplares
Todos os direitos reservados
A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo
ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).
Dados Internacionais da Catalogação na Publicação – CIP
Embrapa Informação Tecnológica.
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o agronegócio brasileiro: Cenários 20022012 / Embrapa , Secretaria de Gestão e Estratégia. - - Brasília, DF : Embrapa
Informação Tecnológica, 2003.
92 p.
1. Planejamento estratégico. 2. Pesquisa e desenvolvimento - Cenários. 3. Pesquisa
e desenvolvimento - Agronegócio. I. Embrapa. II. Secretaria de Gestão e Estratégia.
CDD 338.1 (21. ed.)
© Embrapa 2003
Sumário
Apresentação ................................................................................................................... 5
Introdução ........................................................................................................................ 7
Modelagem do Objeto de Estudo ..................................................................................... 9
Retrospectiva e Situação Atual ........................................................................................ 13
Tendências e Invariantes .................................................................................................. 33
Tendências Mundiais para o Agronegócio ........................................................................ 33
Tendências para o Brasil ................................................................................................... 37
Principais Invariantes ...................................................................................................... 45
Incertezas Críticas e Cenários ......................................................................................... 47
Principais Incertezas ........................................................................................................ 47
Matriz Morfológica dos Cenários ..................................................................................... 48
Descrição dos Cenários .................................................................................................... 48
Cenário A: Forte contribuição da PD&I para a inserção
social, a sustentabilidade ambiental e para o agronegócio ............................................. 48
Cenário B: Moderada contribuição da PD&I para a inserção
social, a sustentabilidade ambiental e para o agronegócio ............................................. 59
Cenário C: Forte contribuição da PD&I para o agronegócio empresarial ........................ 65
Cenário D: Fraca contribuição da PD&I para o agronegócio ........................................... 72
Análise Comparativa dos Cenários ................................................................................... 78
Ingredientes para Estratégias de Atuação das Organizações
Públicas de PD&I para o Agronegócio Brasileiro ............................................................ 81
Conclusões da avaliação estratégica ............................................................................... 81
Ingredientes de uma visão de futuro ................................................................................ 82
Opções estratégicas ......................................................................................................... 82
Objetivos sugeridos .......................................................................................................... 82
Referências ...................................................................................................................... 85
Cenários
Apresentação
Este documento apresenta os Cenários do Ambiente de Atuação das
Organizações Públicas de Pesquisa e Desenvolvimento para o
Agronegócio Brasileiro, no horizonte dos próximos 10 anos incluindo,
também, a avaliação estratégica efetuada para as organizações face
a cada cenário.
O estudo, fruto da parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos –
CGEE, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT,
objetiva aprimorar a visão prospectiva do contexto da PD&I para o
agronegócio. Esse projeto contou com o apoio metodológico da
Macroplan Prospectiva e Estratégia e reuniu, em Grupo de Trabalho,
especialistas da Embrapa, do Ministério da Ciência e Tecnologia –
MCT, da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep, do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, das
Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária – OEPAs e de
universidades públicas com atividades de pesquisa e desenvolvimento
em agropecuária.
Em etapa fundamental do desenvolvimento, o projeto contou, também,
com o envolvimento dos diversos agentes diretamente ligados ao
setor – empresas públicas, empresas privadas, tomadores de decisão
e especialistas – de forma a se estabelecer um processo de mobilização
e consolidação de idéias e percepções diversas, cujo debate e
aprofundamento contribuiu para o desenvolvimento de todo o trabalho.
Assim, o desenho preliminar dos cenários exploratórios de PD&I para
o agronegócio foi subsidiado por 57 entrevistas com especialistas ou
executivos do setor, que mapearam suas opiniões e expectativas
relativas ao futuro da PD&I no País. A versão preliminar foi, então,
amplamente debatida com 40 especialistas, membros do Grupo de
Trabalho, em dois workshops para a construção de cenários e
avaliação estratégica.
Como toda reflexão sobre o futuro, os cenários tratam de eventos e
de processos incertos, expostos a riscos e imprevisibilidades.
Reduzem, mas não eliminam as incertezas. Apenas as organizam,
permitindo aos decisores tirar o melhor proveito de seus desdobramentos.
5
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Na verdade, não é possível saber, com segurança, qual será o futuro,
morada especial do imprevisto. Por isso, a questão realmente relevante
é: “o que se deve fazer, se tal cenário vier a acontecer?” É com esse
enfoque que os cenários aqui apresentados podem ser interpretados
e utilizados pelo conjunto de organizações envolvidas no setor,
principalmente pelas empresas de PD&I para o agronegócio,
Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária – OEPAs,
instituições de fomento e universidades.
Brasília, setembro de 2003
Clayton Campanhola
Diretor-Presidente da Embrapa
6
Cenários
Introdução
As alterações que se têm processado na sociedade, a partir da década
de 70, se aceleraram nas décadas de 80 e 90 e causaram profundas
mudanças nos cenários nacional e internacional. Tais transformações
de caráter social, econômico, político-ideológico, cultural, tecnológico
e institucional, levaram as organizações a procederem a mudanças,
visando ajustarem-se ao novo contexto.
No planejamento estratégico, as organizações buscaram o recurso
gerencial para apoiar o processo de revisão e ajustes. Tal planejamento, no caso do agronegócio e da PD&I para o agronegócio, exige
antecipação temporal de pelo menos uma década, considerando-se,
por exemplo, que a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação constituem um processo complexo e de longa maturação.
A boa elaboração do planejamento estratégico depende fundamentalmente de uma clara visão de possíveis estados futuros, devendo estes
serem baseados em tendências e eventos potenciais. Assim, o uso da
técnica de cenários salienta a incerteza inerente aos processos de
mudança e a análise das incertezas leva a explicitações de determinantes
e condicionantes externos fundamentais à fixação de objetivos e diretrizes,
suficientemente robustos para enfrentar as transformações do ambiente
externo e assegurar a sustentabilidade das organizações.
Os principais objetivos deste Projeto incluíram:
• Construir cenários do ambiente de atuação das organizações
públicas de PD&I, no horizonte de 10 anos para antecipar tendências,
ameaças e oportunidades.
• Subsidiar o desenho de grandes estratégias para as organizações
de PD&I, em face de cada cenário.
A escolha da metodologia de cenários justifica-se num mundo cada
vez mais marcado pela transformação acelerada em todos os níveis.
Nesse novo horizonte que se vislumbra, o futuro não pode ser visto
com os mesmos olhos do passado. O desenho dos cenários, ao lidar
com diferentes possibilidades lógicas de evolução dos fenômenos,
permite orientar a ação presente, antecipando oportunidades e
ameaças, à luz de futuros possíveis, e assim inspirar opções estratégicas que fazem a diferença por longo tempo (Porto et al., 2001).
7
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Este documento está estruturado em seis partes. A primeira parte faz
uma breve introdução ao trabalho, enquanto a segunda delimita os
condicionantes do futuro da PD&I para o agronegócio, tendo como
objeto de estudo e cenarização o ambiente de atuação das
organizações públicas de PD&I para o agronegócio que é
reproduzido, de forma esquemática, na modelagem do objeto.
A terceira parte inclui uma retrospectiva das transformações sofridas
pelo agronegócio brasileiro, chegando à descrição de sua situação
atual. A quarta parte aborda as grandes tendências e os principais
invariantes do setor. As incertezas críticas e os quatro cenários do
ambiente de atuação das organizações públicas da PD&I para o
agronegócio brasileiro são detalhados na quinta parte. Finalmente,
na sexta parte são destacados os ingredientes de uma estratégia
robusta para as organizações de PD&I.
8
Cenários
Modelagem do
Objeto de Estudo
As grandes transformações estruturais da agricultura, ocorridas após
o advento da Revolução Industrial, foram diretamente condicionadas
pela dinâmica da inovação que conformou as três últimas revoluções
tecnológicas na agricultura. Destas, a Revolução Verde1, a partir da
década de 60, vem se constituindo no atual paradigma, na medida
em que a maior parte da produção da agricultura mundial está
submetida a esse modo de produção.
Dentre as transformações mais recentes, a emergência do conceito
de agronegócio2 deriva da necessidade de ampliar a abrangência do
significado histórico da palavra agricultura. Assim, desde sua origem,
este novo conceito incorpora a dimensão tecnológica como vetor
fundamental da competitividade atual e futura do agronegócio, motivo
pelo qual será utilizado no presente trabalho que visa a construção
de cenários do ambiente de atuação das organizações públicas de
pesquisa, desenvolvimento e inovação para o agronegócio brasileiro,
no horizonte dos próximos 10 anos.
A modelagem do objeto de estudo, utilizada para a prospecção do comportamento futuro do agronegócio, está representada esquematicamente
na Fig. 1, que apresenta os elementos do contexto que influenciam a
trajetória do agronegócio, dentre os quais destacam-se:
• Elementos do macroambiente.
• Elementos do agronegócio.
• Elementos da PD&I para o agronegócio.
Os elementos do macroambiente referem-se ao contexto geopolítico
e socioeconômico interno e externo. No panorama mundial, o contexto
1
Expressão que passou a ser utilizada para designar o novo modelo de produção agrícola, voltado para
incrementos de produtividade a partir da utilização de um conjunto homogêneo de práticas tecnológicas
baseadas no uso intensivo de insumos agrícolas de origem industrial.
2
A palavra agronegócio vem sendo utilizada como tradução da palavra em inglês agribusiness, cuja introdução
e massificação do uso do termo no Brasil inicia-se com a publicação, em 1990, do livro Complexo agroindustrial:
o Agribusiness Brasileiro dos autores Ney Bittencourt Araújo, Ivan Wedekin e Luis Antonio Pinazza.
9
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
geopolítico exerce influência significativa, inclusive regulando os
mercados de insumos, produtos, tecnologias e serviços. O contexto
socioeconômico mundial é importante na definição e na
caracterização da qualidade das commodities, dos produtos verdes,
dos produtos solidários e, de modo especial, no estabelecimento de
barreiras não tarifárias.
Em nível nacional, estão destacadas as políticas monetárias, fiscal e
as políticas setoriais. Dentre as últimas, atenção especial é dada às
políticas agrícola, ambiental, de CT&I para o agronegócio, de
desenvolvimento rural, industrial e comercial. São também
condicionantes da PD&I para o agronegócio, a distribuição de renda,
os padrões culturais e o nível educacional da população, os aparatos
legal e institucional, os recursos naturais, a biodiversidade e os meios
de comunicação. Estes elementos exercem influência direta no
ambiente do agronegócio e, por conseqüência, na PD&I para o
agronegócio.
Conforme constam na Fig.1, os elementos do agronegócio englobam
os fornecedores de bens e serviços à agricultura, os produtores
agropecuários empresariais e familiares, os processadores,
transformadores e distribuidores envolvidos na geração e no fluxo de
produtos agropecuários, até o consumidor final. Participam, ainda, os
agentes que operam na logística e que afetam e coordenam o fluxo
de produtos, tais como governo, mercados, as entidades comerciais,
financeiras e de serviços. Os impactos das atividades sobre o meio
ambiente, incluindo os resíduos líquidos, sólidos e gasosos, são
aspectos importantes do agronegócio e da PD&I, que devem ser
considerados.
Os elementos da pesquisa, desenvolvimento e inovação para o
agronegócio (PD&I), incluem os pesquisadores, os sistemas de
inteligência competitiva, as redes de financiamento, a infra-estrutura
tecnológica, o suporte institucional e as entidades educacionais
formadoras de competências. Essas variáveis influem e são influenciadas
diretamente pelo conjunto do agronegócio, em sua concepção mais
ampla, bem como pelos fatores macroeconômicos nacionais e
internacionais.
O esquema da Fig. 1 possibilita visualizar a complexidade e abrangência
dos inter-relacionamentos, influências e elementos que permeiam essa
modelagem.
10
11
Cenários
Fig.1. Elementos do Macroambiente, do agronegócio e da PD&I para o agronegócio.
Cenários
Retrospectiva e Situação Atual
A partir da segunda metade do século 20,
o agronegócio brasileiro passou por
diversas transformações, orientadas não
apenas pela modernização tecnológica
da agricultura, mas também por outros
fatores relevantes, tais como a abertura
da economia internacional e a globalização, impondo novas condições à
competitividade.
ram a busca de aumento da eficiência
produtiva das áreas ocupadas e a
incorporação de novas áreas (expansão
da fronteira agrícola), visando oferecer
alimentos em quantidade suficiente para
a população urbana, bem como produzir
commodities necessárias à geração das
divisas requeridas pelo modelo macroeconômico adotado no País. Deve-se
observar que a expansão da fronteira
agrícola esbarra nas deficientes condições para o seu crescimento: ausência
de infra-estrutura, transporte, armazenamento, processamento, escoamento,
etc. Assim, os problemas associados ao
custo Brasil têm significativo impacto
neste setor.
Vários estudos mostram que essas
mudanças, grande parte das quais com
efeitos estruturais, geraram forte
impacto no desenvolvimento social e
econômico do País, contribuíram para
o equilíbrio das contas públicas e para
a inserção do Brasil no mercado globalizado, com ônus e imposições.
A década de 70 pode ser caracterizada
como o período de internacionalização
do modelo de produção agrícola
intensiva em insumos e tecnologia,
denominado de Revolução Verde, tendo
requerido de países como o Brasil a
implementação de políticas públicas
ativas para sua viabilização: políticas
de crédito rural, de assistência técnica
pública, de pesquisa e desenvolvimento
apropriados à agricultura tropical e
políticas de implantação de indústrias
de insumos básicos (fertilizantes,
corretivos, defensivos agrícolas, etc.).
Dentre as transformações experimentadas pelo agronegócio brasileiro, as mais
relevantes para o quadro que se desenha
no início do século 21 tiveram seus
primórdios na década de 70. Essa década
marcou a intensificação do processo de
mudanças experimentado pelo agronegócio brasileiro. O crescimento acelerado da população, que apresentou taxa
média superior a 2,6% ao ano, no período
1970/19803; a intensa migração rural/
urbana, que elevou a taxa de urbanização
de 55,92%, em 1970, para 75,9% em
1991; e, principalmente, a opção política
pelo modelo agrícola exportador força-
Nesse período, a geração de novos
conhecimentos na área de Ciência,
Tecnologia e Inovação – CT&I – tornouse um imperativo para a competitividade,
levando ao início da estruturação de um
sistema de PD&I para o agronegócio,
3
Segundo dados do IBGE, no período 1950/1980, a
população brasileira mais que dobrou, passando de
51,9 para 119 milhões de pessoas, o que representa
uma taxa média de crescimento de 2,3% ao ano.
De 1980 a 1991, a taxa de crescimento populacional
já estava reduzida a 1,9% a.a. (População..., 2003).
13
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
A partir da década de 90, observou-se
uma sensível modificação em relação
ao papel do Estado e das políticas
públicas em relação ao grande agronegócio que se consolidou e se estruturou em bases peculiares. Assim, a
assistência técnica pública foi dispensada dentro do modelo adotado pelo
sistema agroindustrial, devido ao
processo de homogeneização tecnológica coordenado pelos grandes empreendimentos.
com forte investimento na formação de
pessoal e, conforme será discutido neste
capítulo, com significativos impactos no
agronegócio nacional (ver Tabela 1). Os
principais pontos dessa nova estrutura de
pesquisa setorial incluíram:
• Criação da Embrapa, em 1973, para
definir um novo modelo brasileiro de
pesquisa agropecuária, mediante a
introdução, a composição e a
estruturação de atividades de caráter
técnico-estrutural, administrativo e de
pesquisa.
O próprio papel do crédito rural oficial
vem perdendo importância devido a
crescente utilização de formas de
financiamento coordenadas internamente
pelo sistema agroindustrial. E o modelo
da pesquisa agropecuária, financiada
com recursos públicos, começa de
alguma forma, também, a sofrer a
influência dos vultosos investimentos
efetuados em PD&I pelas maiores
corporações, particularmente no setor de
insumos, que considera a questão da
inovação tecnológica como atributo
principal do padrão de concorrência
internacional.
• Organização do Sistema Nacional de
Pesquisa Agropecuária – SNPA,
constituído pelos denominados sistemas
estaduais de pesquisa agropecuária que
reúnem, em cada estado, órgãos públicos e privados de pesquisa agropecuária.
• Implementação de um amplo programa de formação, treinamento e capacitação de pessoal, tanto no exterior
quanto no Brasil, a partir da criação de
cursos de pós-graduação no País, dentro
do sistema universitário de pesquisa e
pós-graduação.
Aspectos Relevantes
do Crescimento do
Agronegócio Brasileiro
A partir da década de 70, o agronegócio
passou a ocupar posição de destaque no
processo de desenvolvimento brasileiro,
possibilitando o provimento de alimentos
para a crescente população urbana,
oferecendo matéria-prima para a agroindústria, constituindo-se em fator
relevante na geração de divisas, movimentando a indústria de insumos e o setor
14
Cenários
“a viabilização de soluções para o desenvolvimento
sustentável do agronegócio no País, por meio de
geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em benefício da sociedade”.
(Embrapa, 1998, p. 15).
de prestação de serviços. Pela incorporação de novas áreas ao processo produtivo, aumento da produtividade e adoção
de tecnologias modernas, a expansão da
agricultura no Cerrado foi determinante
para o crescimento do agronegócio
brasileiro. Enquanto os anos 70 foram
marcados pela expansão e consolidação
da agricultura empresarial no Brasil,
registrando aumento da área plantada em
torno de 43%, na década de 1980 a 1990,
os ganhos expressivos de produtividade
foram o fator preponderante para o
aumento da produção nacional. Naquele
período, a produtividade dos grãos
praticamente dobrou, a despeito da
desestruturação da economia produtiva
ocorrida nos anos 80 e do crescimento
da dívida da agricultura.
Com 37 centros de pesquisa e 3 unidades de serviços localizadas em
pontos estratégicos do território brasileiro, cobrindo todas as regiões e
ecossistemas nacionais, é considerada
uma das maiores organizações de
pesquisa agropecuária do mundo. Seu
sistema de gestão é voltado para a
busca da eficiência e eficácia, priorizando suas atividades-fim.
Grande parte do avanço da PD&I para o
agronegócio foi resultado da estruturação
de um sistema de parcerias de pesquisa
agropecuária. Tal sistema de parcerias,
além da Embrapa, inclui os Sistemas
Estaduais de Pesquisa Agropecuária que
reúnem, em cada estado, órgãos públicos
e privados quais sejam: 17 organizações
estaduais de pesquisa (OEPAs), todo o
sistema universitário de pesquisa e pósgraduação em apoio ao agronegócio
brasileiro, além de empresas privadas e
ONGs.
A partir de 1994, destaca-se o papel
fundamental do setor agropecuário no
plano de estabilização adotado pelo
governo federal. Enquanto os preços
dos insumos subiram de forma generalizada, inclusive as tarifas públicas, os
preços dos alimentos permaneceram
relativamente estáveis no período,
mesmo com o aumento da demanda
interna, o que permite classificar a
agricultura como a “âncora verde” do
Plano Real. 4
Atualmente, o Brasil possui um significativo sistema universitário de pesquisa e
pós-graduação, envolvendo as diversas
áreas das ciências agrárias que oferecem
suporte para o avanço da inovação
tecnológica no agronegócio. Em 2001, o
País contava com um total de 178
programas de pós-graduação na grande
área de Ciências Agrárias, distribuídos
conforme mostra a Tabela 2.
Sistema de Gestão da PD&I
Um dos principais fatores de sucesso
do agronegócio brasileiro é o sistema
de PD&I para o setor. A Embrapa, por
exemplo, tem como missão atual:
Esse sistema envolvia a participação de
3.115 docentes, dos quais 3.099 eram
pesquisadores com o nível mínimo de
doutoramento. Em termos de alunos de
4
De 1996 a 2000 a inflação medida pelo IPCA do
IBGE foi de 23,5% enquanto a variação do IPCA,
relativo aos alimentos e bebidas, foi de 15,2% e ao
vestuário, de 17,2%. (Associação Brasileira de
Agribusiness, 2002).
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Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
pós-graduação, em 2001, havia 5.247
alunos matriculados nos cursos em nível
de mestrado e 3.331 em nível de
doutorado no País. Naquele ano, foram
formados/titulados 2.139 novos mestres
e 720 novos doutores em todas as áreas
de concentração das ciências agrárias.
pré-história, a humanidade vem
alterando drasticamente o ambiente em
que habita, provocando degradação de
grandes espaços e do ar atmosférico,
assoreamento de rios, destruição de
florestas em níveis preocupantes e com
taxas aceleradas. Vale observar que o
uso intensivo da ciência e tecnologia
para fins de produção desencadeou um
processo mais dinâmico e complexo de
interferência do homem na natureza.
A experiência em PD&I para o agronegócio, acumulada nas últimas décadas,
trouxe avanços ao setor, existindo hoje
uma percepção bastante forte de que
há necessidade de reestruturar o
sistema de pesquisa agropecuária
definindo papéis, responsabilidades e
instâncias de decisão.
Um dos primeiros estudos a discutir de
forma global as implicações resultantes
das relações homem versus natureza foi
The Limits to Growth (Meadows et al.,
1972) desenvolvido pelo Clube de Roma.
Teve o mérito de legitimar e dar
credibilidade às preocupações ecológicas
mundiais, propiciando o acelerado surgimento de organizações não governamentais e movimentos ativistas, preocupados
com a problemática ambiental.
Novos atores estão surgindo, como
ONGs, consórcios de pesquisa e
incubadoras de empresas de base
tecnológica; outros já existentes se
mostram mais atuantes, especialmente
na parte de desenvolvimento e inovação,
como as cooperativas e outras formas de
organização de produtores. As empresas
privadas, tanto as nacionais como as
multinacionais, apresentam-se cada vez
mais envolvidas com a geração e a
transferência de tecnologias.
Nos anos 80, a consciência social dos
problemas associados à deterioração
ambiental começou a tomar vulto no
Brasil ocorrendo, paralelamente, o
crescimento acelerado de movimentos
organizados. A Conferência das Nações
Unidas para o Desenvolvimento e Meio
Ambiente – Rio-92 foi uma demonstração
do grau de conscientização e do nível de
atenção com que passaram a ser tratadas,
Meio Ambiente,
Agricultura e Alimentação
Quanto à interface agronegócio/meio
ambiente, pode-se dizer que, desde a
16
Cenários
pela comunidade científica e pela
sociedade como um todo, as questões
relativas ao meio ambiente.
especialmente as expectativas relacionadas ao significativo incremento mundial
da demanda por alimentos, principalmente pelo aumento de renda na China
e demais países asiáticos. Conforme
ilustrado na Fig. 3, somente a China será
responsável por um aumento de 40% na
demanda por carnes e de 25% em relação
aos cereais, no horizonte de 2020. Por sua
vez, a América Latina terá um incremento
de 16% em relação às carnes e de 11%
em relação aos cereais.
A evolução desse quadro tem como
resultado a busca de equilíbrio entre o
desenvolvimento e o uso responsável
dos recursos naturais, passando a se
perseguir a agricultura sustentável, que
tem como uma de suas definições:
“Uma agricultura que contemple, simultaneamente, as dimensões econômica, ecológica e social,
segundo os atributos (não exclusivos) de produtividade, estabilidade e equidade” (Quirino et al., 1997,
p. 13).
Apesar dos significativos avanços e
conquistas das últimas décadas, a
exemplo da grande impulsão na produtividade agrícola e alguma contenção da
expansão das fronteiras agrícolas, via
aumento de produtividade, ainda resta
muito a fazer. Entretanto, a poluição
industrial, as diversas formas de degradação ambiental causadas pelas atividades
agropecuárias e o consumo de defensivos
agrícolas, entre outros, ainda preocupam
o meio científico, os tomadores de decisão
e a sociedade em geral, pois estão
essencialmente ligados à conservação
do planeta Terra.
Inserem-se, nessa discussão, em razão
dos riscos potenciais ao meio ambiente
e à saúde, temas relacionados à biotecnologia e aos organismos geneticamente modificados.
Na esfera mundial, o relatório Pilot
Analysis of Global Ecosystems – PAGE,
Agroecosystems, elaborado pelo
Instituto Internacional de Pesquisa sobre
Política Alimentar – Ifpri e pelo Instituto
de Recursos Mundiais – WRI (Wood et
al, 2000), confirma que a produção
mundial de alimentos está sendo
ameaçada por métodos de cultivo que
vêm degradando os solos, exaurindo os
lençóis de água subterrâneos, poluindo
as águas e causando a extinção de
espécies animais e vegetais. Essa
questão é relevante na medida em que
há demanda mundial crescente de
alimentos por uma população predominantemente urbana, e que deverá
aumentar em 1,5 bilhão de pessoas nos
próximos 20 anos (World Bank, 2002).
A Fig. 2 ilustra essa evolução.
O alerta contido no Relatório Page é de
grande importância, considerando
Fig. 2. Evolução da população mundial (em bilhões).
Fonte: IFPRI citado por Associação Brasileira de Agribusiness ( 2001, p. 19).
17
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Fig.3. Incremento da demanda global de alimentos – horizonte 2020.
Fonte: IFPRI citado por Associação Brasileira de Agribusiness ( 2001, p. 19).
pequenas propriedades rurais, que
caracterizam a agricultura familiar, e com
grandes contingentes de trabalhadores
sem terra. Essa discrepância pode ser
verificada pelos dados apresentados na
Tabela 3: os imóveis com menos de
50 ha (80,9% do total de estabelecimentos) ocupam 12% da área total, enquanto os imóveis com mais de 5.000 ha,
que representam 0,08% do total de estabelecimentos, ocupam área total de 21,6%.
Agropecuária, Contexto Social
e a PD&I para o Agronegócio
Apesar do quadro de acentuada evolução
observado nas últimas décadas no Brasil,
o agronegócio e a PD&I para o agronegócio ainda podem ser caracterizados em
termos de contrastes dramáticos observados nos mais diferentes aspectos. Grandes
propriedades voltadas para a agricultura
e a pecuária empresariais coexistem com
18
Cenários
No Brasil, no que diz respeito ao padrão
econômico e produtivo, um número
restrito de grandes proprietários domina
a agricultura empresarial competitiva,
concentrada fortemente nas regiões
Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto
uma parcela significativa, representada
por cerca de 4 milhões de famílias de
todo o País, das quais 50% na Região
Nordeste, está limitada à agricultura
familiar, em pequenas propriedades.
conseguiu ainda um melhor aproveitamento da biodiversidade e das características climáticas e de solo dessas regiões
para a produção de produtos diferenciados, de maior valor agregado e com
garantia de sustentabilidade, exceção
feita a alguns empreendimentos agropecuários e agroindustriais tecnificados que
atendem, inclusive, às exigências do
mercado internacional.
Os principais resultados da PD&I estão
centrados em pesquisas de alta qualidade, predominantemente para produtos
como as commodities. Por causa dessas
desigualdades regionais, grande parte dos
produtores agropecuários do Norte e do
Nordeste encontram-se em desvantagem
quanto à instrução, à inserção no mundo
capitalista e à disponibilidade e acesso a
tecnologias apropriadas.
Enquanto nas regiões Sul, Sudeste e
Centro-Oeste verificam-se pujança
produtiva, concentração de órgãos de
pesquisa, concentração de infraestrutura e investimentos econômicos,
nas regiões Norte e Nordeste observase um número muito menor de
pesquisadores ativos e escassez de
recursos destinados à PD&I e de infraestrutura para a pesquisa.
Entretanto, alguns programas direcionados especificamente aos agricultores
familiares se destacam, especialmente
o Programa Nacional da Agricultura
Familiar – Pronaf, além daqueles
voltados para os segmentos tecnológicos, como o Programa de Pesquisa e
Desenvolvimento para a Agricultura
Familiar da Embrapa, do MCT e de
algumas ONGs, que buscam a geração
de tecnologias agropecuárias compatí-
A Região Sudeste absorve 49% do total
de pesquisadores do segmento
acadêmico, conforme Tabela 4.
Na Amazônia, particularmente, verificase incapacidade de absorção pela
população regional dos benefícios
disponíveis da PD&I. Além disso, apesar
do enorme esforço que vem sendo feito
para a geração de tecnologia para
produtos de clima tropical, não se
19
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
veis com as necessidades dos agricultores familiares e com a realidade em
que vivem.
gem diferenciada no equacionamento
do trade off agricultura empresarial
(integrada ao complexo agroindustrial)
versus agricultura familiar. No sistema
agroindustrial de grande porte, as
estruturas de coordenação e domínio se
estabelecem e por si só adquirem
capacidade para determinar a dinâmica
da inovação e da gestão tecnológica
enquanto, na agricultura familiar, há
necessidade de se encontrar formas,
mecanismos organizacionais e institucionais capazes de prover essa gestão
tecnológica, sendo este um dos
principais desafios do processo.
Apesar da dimensão do mercado
consumidor e do grande potencial de
demanda, a má distribuição de renda
do Brasil restringe o consumo interno
de alimentos. Dados do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea
(2002a) mostram que a porcentagem de
brasileiros cuja renda é incapaz de
cobrir as necessidades alimentares vem
diminuindo nos últimos anos, mas ainda
é extremamente elevada, tendo caído
de 41,7% em 1993, para 33,6% em
2001.
Apesar de reconhecidos esforços para
a implementação da extensão rural no
Brasil, ainda permanecem dificuldades
na transferência de conhecimentos
gerados pelas instituições de pesquisa
para o setor produtivo. Essa situação
torna-se mais complexa, quando se
procura incrementar as ações voltadas
para um modelo agrícola sustentável.
Isso ocorre porque a base teórica e
prática da maioria dos serviços,
principalmente públicos, de extensão
rural e de pesquisa continua fundamentada no paradigma da modernização
agrícola.
Por sua vez, o agronegócio vem
ocupando cada vez mais posição de
destaque no cenário tecnológico
brasileiro e internacional. O progresso
tecnológico tem possibilitado ao País
ostentar uma situação atual dinâmica,
na qual o agronegócio é responsável
por cerca de 27% do PIB nacional;
responde por quase metade dos valores
gerados na exportação; e emprega em
torno de 26% da população economicamente ativa do País.
A safra nacional de grãos, que em 1975
era de 38 milhões de toneladas, vem
superando seus próprios recordes a
cada ano registrando, em 2003, 116
milhões de toneladas (IBGE, 2003). As
exportações do agronegócio brasileiro
em 2002 totalizaram cerca de R$ 24
bilhões, com superávit de US$ 20
bilhões (Brasil, 2003).
O caminho entre a bancada do pesquisador e o usuário final dos conhecimentos
e de tecnologias gerados precisa ser
revisto, procurando eficiência e sinergias.
Nesse aspecto, tem-se observado o
surgimento e a consolidação de
organizações de interesse de produtores
rurais (associações, sindicatos, etc.) que
aos poucos começam a tomar para si a
missão de prover a gestão tecnológica,
incluindo a assistência técnica, deman-
Extensão Rural
A questão da assistência técnica e
extensão rural demanda uma aborda-
20
Cenários
Entretanto, a falta de apoio e a descontinuidade de sustentação financeira e
política, principalmente no Norte e no
Nordeste, estão prejudicando a qualidade
do serviço, levando ao descrédito essa
política pública por parte da sociedade.
dada por seus associados, processo este,
em parte assemelhado ao surgimento dos
sindicatos profissionais da Europa.
Entretanto, a maioria dos pequenos
produtores e agricultores apresentam
baixo nível de organização e de
eficiência produtiva, carecendo da
assistência técnica pública tradicional e
da extensão rural.
Contudo, o serviço alcança mais de 1,7
milhão de agricultores familiares, o que
significa o relacionamento direto com
40% desse público em todas as regiões
brasileiras. Região Norte: 57%. Região
Nordeste: 26%. Região Sudeste: 62%.
Região Centro-Oeste: 36%. Região Sul
53% (Faser, 2002b).
Segundo a Federação das Associações
e Sindicatos dos Trabalhadores da
Extensão Rural e do Setor Público
Agrícola do Brasil – Faser, o serviço
oficial de extensão rural, no Brasil, tem
como público preferencial agricultores
e familiares, estando presente nas 27
unidades da federação, sob diversas
figuras jurídicas e diferentes denominações. São empresas estaduais de
assistência técnica e empresas mistas,
contando com 24 mil trabalhadores,
entre os quais 14,5 mil extensionistas
rurais (agrônomos, veterinários, zootecnistas, sociólogos, economistas, técnicos agrícolas, e extensionistas sociais).
Atuam direta e indiretamente no meio
rural, tendo 4.199 escritórios, o que
garante sua presença em 93% dos
municípios brasileiros. Para atender a
mais de 1,7 milhão de agricultores
familiares, os estados gastam, com suas
instituições oficiais de extensão rural,
cerca de R$ 800 milhões (pessoal e
manutenção), o equivalente a
R$ 450,00 por agricultor assistido/ano
(Faser, 2002a).
O grande desafio do sistema é construir
um projeto adequado de extensão rural
para o atendimento das reivindicações
dos agricultores familiares, ou seja, uma
assistência técnica pública de qualidade
e comprometida com o desenvolvimento
sustentável. Igualmente importante é a
articulação do sistema com as organizações de PD&I com vistas à construção
de uma nova matriz tecnológica que
atenda às necessidades desse segmento
de produtores.
Recursos Humanos
e Financiamento
Recursos Humanos
Os investimentos em formação e
capacitação de especialistas em
pesquisas agropecuárias foram maciços
nas duas últimas décadas, permitindo
ao País dispor, hoje, de um contingente
significativo de doutores e mestres. Um
dos principais instrumentos para viabilizar a expansão da pós-graduação no
Brasil tem sido a concessão de bolsas
O serviço de extensão é entendido
como um processo educativo,
sistemático, permanente e de forte
interatividade com os diferentes
segmentos do setor agropecuário.
21
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
de estudo. Dados do Ministério da
Ciência e Tecnologia mostram que o
total de bolsas de mestrado e doutorado,
concedidas por agências federais,
aumentou de um valor médio de 10 mil
bolsas/ano, em 1980, para mais de
30 mil bolsas/ano em 2000 (Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo, 2002). Incluindo agências estaduais, esse número se aproximou de
60 mil, em 2000.
O investimento
brasileiro em CT&I
permite ao País ocupar
uma posição
intermediária no
conjunto das nações que
se esforçam para
colocar a produção de
conhecimento no centro
do desenvolvimento
econômico e social.
A Tabela 5 destaca o número de pesquisadores por área do conhecimento,
incluindo aquelas correlatas à PD&I para
o agronegócio e mostra uma relativa
preponderância de pesquisadores doutores, em todas as áreas.
Considerando a evolução da qualificação dos recursos humanos especializados no País, no início da década de
90, os doutores formados ao ano nas
áreas de ciência e engenharia eram
pouco mais de mil. Hoje, são cerca de
6,3 mil.
do conhecimento, para 12.000 publicações em 1999 (Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo, 2002).
Com essa massa científica, o Brasil foi
capaz de alcançar 1% da produção
científica internacional, marca atingida
por apenas 18 países. Se considerada a
produção científica internacional, especificamente na área de ciências agrárias,
a participação brasileira sobe para
expressivos 4%.
Nas duas últimas décadas, a produção
científica brasileira cresceu de maneira
extraordinária, passando de 2.600
publicações em 1981, em todas as áreas
22
Cenários
Exterior, envolveu um contingente de
3.868 pesquisadores (mestrado, doutorado
e pós-doutorado), sendo 2.875 pertencentes ao quadro de pessoal da Embrapa
e 993 ao das OEPAs.
De acordo com a Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de São Paulo
(2002) Fapesp, e considerando
especificamente as áreas correlatas ao
setor de PD&I para o agronegócio,
observa-se uma queda no número de
pesquisadores engajados nas Ciências
Agrárias no País, que passa de 3.749
em 1996 para 2.893 em 1999. As
Ciências da Saúde também experimentaram queda no número total de pesquisadores envolvidos neste segmento
acadêmico.
Entretanto, a capacitação em PD&I para
a agropecuária ainda apresenta
importantes carências. Internamente, os
números mostram um crescimento
significativo nos principais indicadores
da PD&I para o agronegócio como, por
exemplo, o número total de bolsas de
mestrado e doutorado concedidas no
País.
Em contrapartida, houve notável incremento nas Ciências Biológicas, de 3.259
pesquisadores em 1996 para 5.112 em
1999, e um pequeno aumento dos
pesquisadores engajados nas Ciências
Exatas e da Terra: de 4.755 para 5.090,
no mesmo período. O total geral de
pesquisadores ativos teve ligeiro
aumento, passando de 28.165 em 1996
para 30.232 em 1999.
Quando se compara a situação
brasileira com a de países que têm
empreendido esforços maciços para
alcançar um padrão mais elevado de
desenvolvimento tecnológico, verificase que ainda temos um longo caminho
a percorrer.
Em 1997, enquanto no Brasil ocorreram
cerca de 10.470 matrículas para
mestrado e doutorado nas diversas áreas
da engenharia, na Coréia, país com
cerca de 47 milhões de habitantes, esse
número foi quase três vezes maior, com
cerca de 27 mil matrículas. Essa
situação ainda se agrava com uma
visível competição interinstitucional e
regional, que contribui para a
duplicidade de esforços e o baixo nível
de cooperação entre equipes.
No que concerne à Embrapa, o programa de pós-graduação tem sido executado desde 1974 e inclui cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado.
É destinado a empregados que ocupam
cargos de nível superior na Empresa e nas
Organizações Estaduais de Pesquisa
Agropecuária – OEPAs. A Tabela 6 mostra
que, de 1974 a 2002, o Programa de Pósgraduação da Embrapa, no Brasil e no
Fontes de Recursos
O investimento em CT&I permite ao País
ocupar uma posição intermediária no
conjunto das nações que se esforçam para
colocar a produção de conhecimento no
centro do desenvolvimento econômico e
23
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
social. O Brasil encontra-se aquém do
marco dos países industrializados, ainda
que numa posição favorável, quando
comparado com outros países em
desenvolvimento.
O fluxo de recursos financeiros destinados a PD&I tem se caracterizado não só
pela escassez, como também pela
pulverização em muitas atividades e pela
descontinuidade. A Tabela 7 apresenta o
dispêndio de recursos em CT&I no Brasil,
de 1995 a 1998.
Contudo, se for considerado o padrão
definido pela maior parte dos organismos
internacionais para comparação entre
países, o qual enfatiza o gasto em PD&I
dividido pelo Produto Interno Bruto – PIB,
a posição brasileira (0,9% em 1999) se
aproxima da de outros países como a
Espanha (0,9%) e a Hungria (0,7%).
Entretanto, está distante das posições
alcançadas pelos países industrializados
líderes, como os Estados Unidos(2,7%), a
Alemanha (2,3%) e o Japão (3,0%); e de
nações de industrialização mais recente,
que fizeram esforço notável nessa área,
como a Coréia do Sul (2,5%) e a Finlândia
(2,9%) – (Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de São Paulo, 2002).
As dificuldades do setor público em
financiar áreas prioritárias como a de
PD&I se devem, principalmente, à
vulnerabilidade econômica do Brasil,
em razão das dívidas públicas interna
e externa. O baixo investimento em
PD&I para o agronegócio, em relação
à magnitude do PIB do setor, evidencia
essa situação.
Ademais, a participação do capital
privado no desenvolvimento de projetos
de pesquisa em todos os setores
econômicos ainda é muito baixa.
A Tabela 8 mostra que o esforço do setor
empresarial e sua participação no
dispêndio nacional em PD&I cresceram
de forma consistente ao longo da década
de 90, quase dobrando no período 1993
– 1998, passando de US$ 326 milhões
para US$ 774 milhões. Contudo, o
investimento ainda é baixo: o número de
empresas que investem é pequeno (426)
e o montante é reduzido.
Embora na década passada tenha havido
algum crescimento dos dispêndios, a
situação do financiamento de PD&I ainda
é um fator crítico devido a sua grande
oscilação: mesmo havendo alocação na
Lei Orçamentária, a liberação dos
recursos do orçamento federal tem sido
submetida a contingenciamentos em
virtude das exigências do equilíbrio fiscal.
24
Cenários
passando a pesquisa brasileira. Esses
fundos têm por objetivo implantar, em
caráter permanente, um mecanismo
estável de financiamento para pesquisa
e constituem-se em proposta inovadora,
na medida em que selecionam projetos
estratégicos, conferem estabilidade ao
financiamento e definem a aplicação
de recursos por meio de uma gestão
compartilhada (Brasil. 2002b). Buscam,
assim, incentivar o desenvolvimento
científico e tecnológico em áreas
estratégicas.
A associação entre o capital privado e
as instituições de PD&I é limitada,
mesmo quando se consideram alguns
esforços de parcerias que já
demonstram resultados em áreas
importantes como, por exemplo, o
Fundo de Defesa da Citricultura –
Fundecitrus, instituição mantida por
produtores e indústrias de suco de
laranja e voltada para a defesa
sanitária vegetal.
Além de atuar no monitoramento, essa
entidade realiza e financia pesquisas
científicas para o controle ou convivência com doenças e pragas que
afetam essa lavoura. (Fundecitrus,
2002). Verifica-se um interesse crescente por parte de empresas nacionais
e transnacionais em investir em PD&I
em determinados setores agropecuários, particularmente na exploração da
biodiversidade. Esse movimento, ainda
incipiente, traz oportunidades e problemas cuja análise fogem ao escopo deste
documento.
A criação dos fundos setoriais configura
um importante avanço de um novo
padrão de financiamento e, espera-se
que, quando em plena operação,
representem significativo acréscimo de
recursos ao orçamento de CT&I do País.
Especificamente, na área do agronegócio, foi definido o Fundo Setorial do
Agronegócio, o CT-Agronegócio, criado
pela Lei 10.332, de 19/12/2001, e
regulamentado pelo Decreto 4.157, de 12/
03/2002. Este fundo objetiva a atualização
tecnológica da agropecuária brasileira e
a ampliação dos investimentos nas
pesquisas de sistemas, técnicas, métodos
e processos que propiciem inovação,
Numa tentativa de incrementar o
investimento público, foram criados os
Fundos Setoriais de CT&I, que surgiram
das dificuldades pelas quais vinha
25
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
qualidade e aumento de competitividade na exportação de produtos
agropecuários do Brasil (Brasil, 2002b).
Propriedade Intelectual
O progresso técnico-científico –
alcançado pela humanidade no campo
da biotecnologia – tem suscitado discussões, envolvendo os mais diferentes segmentos da sociedade. São levantados não
apenas os aspectos éticos das pesquisas,
permitindo a intervenção técnica do
homem sobre a vida, mas também os
aspectos relacionados aos instrumentos
legais de apropriação dos conhecimentos
gerados.
Além desse fundo, outras fontes de
financiamento relacionadas com a
PD&I para o agronegócio são:
Fundo Verde-Amarelo – Fundo de
interação universidade/empresa, criado
para intensificar a cooperação
tecnológica entre universidades,
centros de pesquisa e o setor produtivo
em geral (em operação).
Fundo Setorial de Biotecnologia –
Aprovado em dezembro de 2001, para
dar continuidade aos estudos que
colocaram o País na vanguarda do
seqüenciamento genético, encontra-se
ainda em início de operação.
Os enormes benefícios proporcionados
pela biotecnologia moderna e os grandes
investimentos necessários para os
avanços da pesquisa nesta área despertam, igualmente, grandes interesses dos
setores econômico e industrial. Nesse
contexto, a importância da proteção legal
à propriedade intelectual como mecanismo de garantia dos direitos e de
estímulo aos investimentos aumenta
significativamente em âmbito mundial,
onde há predominância da “economia do
conhecimento”.
Fundo Setorial de Recursos Hídricos –
Destinado a financiar estudos e projetos
na área de recursos hídricos, com foco
na capacitação de recursos humanos e
no desenvolvimento de produtos,
processos e equipamentos para
aprimorar a utilização desses recursos.
O Fundo Verde-Amarelo e os demais
fundos setoriais constituem importante
conquista para assegurar estabilidade e
continuidade ao financiamento de
programas de pesquisa e desenvolvimento.
Atualmente, a sociedade do conhecimento é caracterizada, entre outros
aspectos, pela crescente capacidade de
codificação de conhecimentos e pelo
aprofundamento do nível de conhecimentos tácitos ou não codificáveis
acumulados por indivíduos, empresas e
instituições de pesquisa. Assim, a
atividade de inovação tem perspectiva
local e específica, na qual a cumulatividade, as inovações e as adaptações
ganham grande relevância.
Entretanto, esse sistema de financiamento deve passar por mudanças durante
o atual governo, de forma a complementar outros setores do conhecimento.
Afirma-se, também, que sua existência
dificulta a alocação de recursos
orçamentários pelos órgãos de fomento
como a Financiadora de Estudos e
Projetos – Finep e o Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico – CNPq.
Propriedade intelectual no Brasil
A legislação sobre propriedade intelectual, no País, foi revista no início da
26
Cenários
tivo, pode-se retardar o usufruto dos
benefícios trazidos com cultivares e
raças resistentes à doenças e pragas,
à seca ou com características nutricionais mais vantajosas. Há necessidade
de grandes investimentos, não só na
geração das tecnologias, mas também
em estudos quanto aos seus impactos
sobre o meio ambiente e a saúde
humana.
década de 90, procurando assegurar o
equilíbrio entre a proteção da atividade
científica e o benefício à sociedade.
Assim, um conjunto de leis referentes à
propriedade intelectual foi aprovado:
Lei de Propriedade Industrial, Lei de Proteção de Cultivares, Lei de Biossegurança
e a Convenção sobre Biodiversidade.
O Protocolo de Biossegurança à
Convenção sobre Diversidade Biológica
adicionou novos elementos e condições
para o comércio internacional de
sementes e de commodities agrícolas
geneticamente modificadas, que deverão
ser levados em conta pelo País (Scholze,
1997). Nesse contexto, devem merecer
atenção especial, as negociações
internacionais no âmbito da Organização
Mundial do Comércio – OMC, em
particular dos comitês de barreiras
técnicas para o comércio, de medidas
sanitárias e fitossanitárias, de aspectos da
propriedade intelectual relacionados ao
comércio e do Comitê de Comércio e
Meio Ambiente.
Ao lado dos recursos genéticos de
plantas, animais e microorganismos, a
propriedade intelectual e a biotecnologia têm o potencial de influir sobre a
competitividade do agronegócio
brasileiro. Têm ainda papel fundamental ao contribuir na redução dos
desequilíbrios sociais, possibilitar a
segurança alimentar da população,
assegurar proteção ambiental e a
sustentabilidade da agricultura.
A biotecnologia, a despeito dos acirrados debates públicos sobre seus
possíveis riscos e questionamentos
sobre sua aceitação, em muitos países,
tende a ter importância cada vez maior
para a agricultura. Seu uso deve ainda
ser considerado como um fator-chave,
para o aumento da capacidade de
produção de alimentos, diante das
preocupações ambientais, da limitação
das terras cultiváveis e do crescimento
da população.
Impacto ambiental, propriedade
intelectual e benefícios sociais
A introdução, em maior ou menor escala,
de organismos geneticamente modificados (OGMs) apresenta-se ainda como
um dilema. Ao mesmo tempo em que
essas novas possibilidades podem ampliar
os ganhos de produtividade, podem
também representar riscos ambientais e
à saúde do consumidor podendo, ainda,
tornar o mercado dependente de
empresas multinacionais.
Toda a discussão em torno da biotecnologia, ao lado das questões relacionadas
à propriedade intelectual, colocam as
organizações públicas de PD&I frente ao
desafio de se prepararem adequadamente
para defender os direitos de propriedade
quanto às invenções desenvolvidas por
seus pesquisadores.
Se essas questões impedirem a adoção
dessas tecnologias pelos setor produ-
27
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
são pequenas suas exigências com
relação à qualidade dos alimentos,
quando comparadas àquelas dos
consumidores dos países desenvolvidos.
Padrão de Consumo e
Competitividade do
Agronegócio
Paralelamente, cresce a tendência de
demanda por produtos diferenciados do
agronegócio. Isto é, também, conseqüência dos avanços tecnológicos
observados nos diversos setores da
economia, o que faz com que a população fique cada vez mais exigente e
procure mudar seu padrão alimentar,
passando a requerer produtos mais
elaborados, com melhor aparência e de
melhor qualidade.
Padrão de consumo
Nos últimos anos, foram significativas
as mudanças no padrão de consumo
brasileiro, com crescentes exigências
dos consumidores de classe média e
alta quanto à qualidade do produto e
quanto a sua procedência. Tais
demandas têm sido associadas,
principalmente, aos aspectos de
segurança alimentar e de preservação
do meio ambiente. Essa pressão pela
qualidade dos produtos aumentará no
futuro, tanto no mercado externo como
no interno.
As mudanças no padrão
de consumo do
consumidor brasileiro
são significativas, com
crescentes exigências
dos consumidores de
classe média e alta
quanto à qualidade do
produto e quanto a sua
procedência.
Por sua vez, a diminuição na taxa de
natalidade e o prolongamento na
expectativa de vida estão modificando
a composição etária da população.
Esses fatores, aliados ao aumento da
urbanização, estão alterando o padrão
da demanda por alimentos e por outros
produtos da agropecuária.
Outro aspecto relacionado com o
consumo que tem promovido grandes
transformações no agronegócio brasileiro
é o aumento da demanda por produtos
orgânicos. Estimativas do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento
indicam que a produção do setor vem
crescendo a taxas de 25% ao ano nos
últimos anos, e ocupa, hoje, cerca de 100
mil hectares, movimentando em torno de
US$ 150 milhões/ano (Entrevista..., 2002).
Contudo, mesmo sendo uma mudança em
curso já bastante identificada junto ao
consumidor interno mais abastado, ainda
Tais demandas têm sido
associadas,
principalmente, aos
aspectos de segurança
alimentar e de
preservação do meio
ambiente.
28
Cenários
Para que se atenda adequadamente a
essa demanda interna e à necessidade
de inserção competitiva dos produtos
brasileiros no mercado internacional,
têm sido necessárias mudanças nos
fatores de produção e nas cadeias
produtivas.
Os obstáculos ao acesso
aos mercados
internacionais incluem
não apenas altas
barreiras tarifárias, mas
também instrumentos
defensivos e barreiras
não tarifárias, tais como
medidas sanitárias,
circunvenção de
direitos antidumping,
medidas
compensatórias,
salvaguardas, marcas
de origem, marcas
comerciais e indicação
geográfica
Essas mudanças têm se caracterizado,
principalmente, pela incorporação de
novas tecnologias aos segmentos mais
tecnificados e pela estruturação de
protocolos que possibilitem o rastreamento dos alimentos, de forma a assegurar
e certificar suas características de origem,
de qualidade e de segurança, para
atender às exigências do mercado.
Competitividade e
Inserção Externa do
Agronegócio Brasileiro
O agronegócio brasileiro tem ampliado
significativamente sua participação nos
mercados internacionais. Entretanto,
existe uma série de fatores críticos que
dificultam a ampliação da exportação
de produtos do agronegócio para os
mercados desenvolvidos.
mas também com instrumentos defensivos e
barreiras não tarifárias, tais como medidas sanitárias
e fitossanitárias, circunvenção de direitos
antidumping, medidas compensatórias, salvaguardas, marcas de origem, marcas comerciais,
indicação geográfica, que se constituem em
obstáculos ao livre acesso a esses mercados”. (Brasil,
2001b, p.1)
No contexto externo, a manutenção de
subsídios às produções domésticas e as
barreiras tarifárias e não tarifárias à
importação de produtos oriundos do
agronegócio são os principais entraves
às exportações.
O estudo conclui ainda que, na década
de 90, as barreiras tarifárias sofreram
progressiva redução, mas paralelamente
as barreiras não tarifárias vêm ganhando
importância como uma nova forma de
proteção aos mercados nacionais.
No relatório Barreiras Externas às
Exportações Brasileiras para os Estados
Unidos, Japão e União Européia – 2001,
consta que:
As barreiras não tarifárias podem
proporcionar exigências legítimas de
segurança e proteção à saúde, a
exemplo de algumas barreiras sanitárias
“países desenvolvidos, como os Estados Unidos,
União Européia e Japão mantêm mecanismos que
dificultam a entrada de produtos brasileiros em seus
mercados. Não apenas com altas barreiras tarifárias,
29
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
que dificultam a colocação de produtos
brasileiros no mercado internacional.
realidade. Isso ficou evidenciado pela
recente aprovação, por parte do
congresso americano, da política
agrícola para os próximos anos.
Outras formas de protecionismo podem
surgir disfarçadas de demandas
legítimas da sociedade. Essas barreiras
podem ser superadas pela PD&I. A
diversidade das regras aplicadas em
cada país acabou se transformando em
outro tipo de dificuldade ao comércio.
Essa política, que se mostrava liberal
em sua primeira aprovação, em 1996,
quando havia poucos subsídios, era
baseada na premissa de que a
agricultura iria se capacitar para
enfrentar livres forças do mercado. No
entanto, em 2002, a Farm Bill foi revista,
recebendo dotações orçamentárias três
vezes maiores do que as que foram
alocadas no período anterior. (Estados
Unidos..., 2002b).
A falta de harmonização leva ao
aumento das barreiras e dos custos para
os exportadores e importadores, além
de falta de transparência para a política
comercial dos países envolvidos. Por
isso, em 1995, logo depois da Rodada
Uruguai, os países iniciaram negociações para harmonizar as regras de
origem já existentes (OMC..., 2002).
A Farm Bill foi um retorno ao
protecionismo americano com resultados danosos para países como o Brasil,
que dependem da exportação de
commodities para equilibrar suas contas
externas e que têm de competir no
comércio internacional na base da
eficiência e da conquista de novos
mercados.
Destaca-se, ainda, o papel dos
diferentes tipos de ajudas e subsídios,
que assumem a forma de barreiras não
tarifárias. Tais barreiras distorcem o
mercado de produtos do agronegócio,
acarretando aumento da produção e a
conseqüente oferta de produtos a
preços reduzidos. Além de limitar a
expansão da inserção do Brasil no
mercado internacional, essa realidade
pode levar à redução de investimentos
em PD&I do setor, uma vez que reduz
a pressão sobre a produção.
Ao lado da Farm Bill, a Política Agrícola
Comum – PAC da União Européia,
concebida nos anos 50 e 60, tem
também
grande
impacto
na
competitividade de alguns produtos do
agronegócio brasileiro. Para o Brasil, o
impacto de qualquer medida protecionista de seus principais parceiros comerciais pode se revestir de conseqüências
drásticas.
Em 1999, a Rodada do Milênio, como
foi chamada a Reunião de Seattle, da
Organização Mundial do Comércio –
OMC, representou a expectativa de
inúmeras nações em desenvolvimento,
quanto à perspectiva de se avançar para
uma economia mundial cada vez mais
integrada. Entretanto, os resultados
dessa reunião mostraram que a redução
do protecionismo ainda não é uma
Os Estados Unidos e a União Européia
participam juntos, com quase 50% das
exportações brasileiras. As barreiras
tarifárias e não tarifárias inibem as
vendas dos produtos mais competitivos
no mercado externo, como aço, suco
de laranja, açúcar, café, carnes,
30
Cenários
calçados, têxteis e outros produtos
agropecuários.
agronegócio brasileiro ao longo da
última década (Embrapa, 1990). Os cenários consideraram, entre outros fatores:
As barreiras tarifárias e, principalmente,
as não tarifárias impostas ao Brasil
pelos países importadores de produtos
do agronegócio condicionam em larga
medida o curso a ser seguido pela PD&I
para o agronegócio, pela imposição de
restrições quanto às características e à
qualidade dos produtos exportados.
• Tendência de maior participação da
sociedade na definição dos objetivos da
pesquisa agropecuária, bem como
maior cobrança por resultados.
• O novo paradigma tecnológico.
• Mudança do Perfil de Demanda
Alimentar.
Não apenas fatores externos constrangem
as exportações agropecuárias. No plano
doméstico, o Custo Brasil, além da
deficiente infra-estrutura e da política
tributária e fiscal, entre outros fatores,
reduz a competitividade dos produtos.
Apesar disso, inúmeros produtos
agropecuários brasileiros têm assegurado,
cada vez mais, seu espaço no mercado
internacional, em razão do nível de
qualidade alcançado.
• A Crescente Privatização do Desenvolvimento Tecnológico Agrícola.
• Ênfase na proteção ao meio ambiente.
• Necessidade de captação de recursos
pela venda de tecnologia.
• Pressão para regulamentar direitos à
propriedade intelectual.
• Competição por recursos públicos
entre as áreas econômica e social.
Essa sucinta retrospectiva e descrição
do panorama atual mostra que os
fatores considerados nos quatro
cenários desenvolvidos pela Embrapa,
em 1990, constituíram, em grande
parte, variáveis importantes para os
rumos da Instituição e tiveram
significativo impacto na PD&I para o
Como será visto a seguir, diversos
desses fatores ainda são importantes
para o setor. No novo milênio, surgem
novas tendências e oportunidades que
também devem ser consideradas na
elaboração de Cenários para a PD&I do
agronegócio brasileiro.
31
Cenários
Tendências e Invariantes
Entretanto, podem ser observadas
importantes diferenças entre os países.
As trajetórias futuras do Ambiente de
Atuação das Organizações Públicas de
Pesquisa e Desenvolvimento para o
Agronegócio Brasileiro dependem da
evolução de tendências selecionadas,
nas dimensões econômica, política,
social, ambiental e tecnológica e de
fatores condicionantes de futuro que,
no conceito de cenários alternativos,
apresentam intensidades diferenciadas
no horizonte de estudo.
Assim, a União Européia deverá alterar
seus subsídios, concentrando-os em
algumas áreas estratégicas, principalmente considerando que seu orçamento
não suportará a demanda projetada com
o ingresso dos países do Leste Europeu.
Uma nova e importante tendência é
refletida na Política Agrícola Comum –
PAC, que os condiciona às exigências
ambientais, inclusive para a inserção
dos países do Leste Europeu na União
Européia. Já os Estados Unidos deverão
manter uma política protecionista,
principalmente considerando a nova
Farm Bill que entrou em vigor em 2002,
e que tem um período de cobertura de
8 anos.
Neste capítulo, são apresentadas as
principais tendências que amadurecem
no ambiente macroeconômico e no
sistema de PD&I, diferenciadas segundo
o grau de incerteza do seu desempenho
futuro, distinguindo-se os processos com
alta probabilidade de permanecerem
constantes no horizonte considerado
(2002/2012), denominados invariantes. As
tendências estão apresentadas como
processos mundiais e nacionais,
destacando os aspectos relativos ao
sistema de pesquisa, desenvolvimento
tecnológico e inovação.
Maior competitividade nos mercados – A globalização da produção e de
capitais traz como conseqüência a
intensificação da concorrência, provocando dissolução de segmentos do
agronegócio com pouca vantagem
competitiva e com menor capacidade
de adaptação e acesso aos novos
mecanismos de inserção no mercado.
Tendências Mundiais
para o Agronegócio
A tendência de queda nos preços
internacionais de commodities deverá
continuar por um longo período. No
novo padrão de competição, se
acentuará a tendência de segmentação
e especialização do mercado de
commodities por meio da incorporação
de atributos de qualidade, dentre outros,
para mudança das características dos
produtos.
Tendências macroeconômicas
Manutenção dos subsídios e condicionamento dos subsídios internacionais às
exigências ambientais: a tendência nos
próximos 10 anos é a manutenção, pelos
países desenvolvidos, de instrumentos de
proteção aos seus setores agropecuários.
33
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Crescimento da demanda por produtos
do agronegócio – Vai haver um incremento da demanda mundial (concentrada
nos países em desenvolvimento), especialmente, por proteína de origem animal.
ornamentais, produtos da aqüicultura,
alimentos funcionais (nutracêuticos),
biofármacos e novos derivados dos
produtos agrícolas para substituição
daqueles oriundos de fontes não
renováveis e poluentes.
Na Ásia, a tendência é ocorrer aumento
da renda e melhoria do padrão de
consumo, com conseqüente aumento
da demanda por produtos do mercado
internacional, principalmente por
alimentos de origem vegetal e animal
e da agricultura orgânica (ecológica,
verde, natural). O ingresso da China na
OMC impactará substancialmente o
comércio internacional.
Avanço do processo de reestruturação
produtiva do agronegócio – A tendência
é de concentração das agroindústrias e
das redes de supermercados, com
verticalização da produção e formação
de grandes conglomerados, nos quais se
evidenciam novas formas de organização
dos processos produtivos e do trabalho.
Além disso, as cadeias tendem a ser mais
integradas mundialmente.
Novos produtos – No horizonte de 10
anos, o agronegócio será substancialmente enriquecido com a ampliação dos
mercados, nacional e internacional de
novos produtos tais como: plantas
Aumento do número e da importância de
países nas relações de troca do
agronegócio no comércio internacional – Os países de vocação agrícola
tendem a ser mais competitivos em seus
produtos e serviços. Para isso, deverão
contar com avanços na capacidade
gerencial, na articulação de blocos
econômicos de interesse e na ágil ocupação de segmentos de mercado com
produtos especializados.
São previstas grandes
mudanças nos hábitos e
preferências alimentares
dos consumidores das
classes média e alta.
A tendência de
envelhecimento da
população e a busca por
uma vida melhor e mais
saudável reforçam a
tendência de valorização
dos componentes
saudáveis dos alimentos.
Alteração nos padrões de consumo de
alimentos – São previstas mudanças nos
hábitos e preferências alimentares dos
consumidores, principalmente das
classes média e alta, tanto no nível
nacional como internacional.
As tendências de envelhecimento da
população e a busca por uma vida
melhor e mais saudável, o aumento da
participação das mulheres na força de
trabalho, e a reestruturação do tamanho
das famílias, a homogeneização dos
padrões de consumo decorrentes da
34
Cenários
globalização e da difusão de produtos
regionais modificam os hábitos de
consumo com reflexos na demanda.
sociedade civil aliadas ao aperfeiçoamento da democracia e à necessidade
de representação dos interesses sociais
dos diferentes atores.
Há crescente interesse por alimentos
funcionais, produtos diferenciados,
naturais e orgânicos, frutas e hortaliças,
carne branca e magra, assim como por
alimentos minimamente processados e
semiprontos. Uma tendência importante
nesse sentido é a disposição do
consumidor em pagar um sobrepreço pela
qualidade do produto e qualidade
ambiental resultante do processo
produtivo.
Essa tendência se cristaliza no surgimento de uma sociedade mais cidadã –
com maior força da sociedade organizada, maior pressão por justiça social e
maior visibilidade dos variados grupos
de interesse. Ocorre, também, uma
pressão crescente da sociedade por
maior responsabilidade social das
organizações públicas e privadas, nos
níveis nacional, estadual e municipal.
Tendência de diversificação alimentar – Em 2001, os países desenvolvidos
chegaram ao nível de saturação de
consumo de alimentos. Atualmente,
esses países querem conhecer novos
alimentos, o que abre espaço para
fornecedores diversificados, para além
do grupo básico de commodities.
Aumento das exigências éticas e da
qualidade no processo de produção –
A sustentabilidade ambiental e a
qualidade de vida da mão-de-obra
envolvida no setor rural serão crescentemente exigidas. Assim, o componente
social da qualidade de produtos do
agronegócio é cada vez mais importante: os consumidores das classes média e alta valorizam produtos decorrentes de processos conduzidos com ética,
tornando necessário o conhecimento
aprofundado da origem dos mesmos,
além das características socioeconômicas das regiões produtoras.
Essa nova demanda é, aparentemente,
favorável ao Brasil, pois representa uma
oportunidade para diversificar sua
pauta de exportação. Essa tendência
pode conduzir ao maior aproveitamento da agrobiodiversidade nativa do
Brasil, rica em frutas, castanhas, hortaliças e raízes amiláceas identificadas e
domesticadas pelas populações locais.
Essa tendência pode levar a um círculo
virtuoso: como conseqüência da
tendência de priorização da produção
de alimentos com responsabilidades
social e ecológica, deve ocorrer maior
valorização dos direitos dos trabalhadores que, por sua vez, são um ingrediente essencial para a qualidade de
vida da mão-de-obra utilizada.
Aumento da pressão de organizações
sociais – A ampliação dos movimentos
sociais, freqüentemente sob a forma de
organizações não-governamentais, é
uma clara tendência resultante de
movimentos que combinam, de um lado
a redução ou encolhimento do Estado
no atendimento às demandas sociais e,
de outro, o apelo às parcerias com a
35
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
para o reconhecimento socioeconômico
de seus serviços ambientais (biodiversidade, seqüestro de CO2, purificação da
água e do ar, controle climático, reserva
de fármacos naturais, etc.). O turismo
ecológico e a conservação da paisagem
estarão entre as novas funções das
florestas.
Tendências relacionadas
ao meio ambiente
Preocupação com os efeitos negativos
dos impactos ambientais – Existe
preocupação nacional e internacional
com os impactos ambientais não
assimiláveis das atividades agropecuárias e que implicam no esgotamento de
recursos naturais ou na degradação do
meio ambiente.
Tendências tecnológicas
Progressiva ampliação do uso de
produtos derivados da biotecnologia –
Haverá substancial aumento do uso e
da produção de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), melhorados para características relevantes
para o desenvolvimento sustentável
(aumento de produtividade, e
resistência a doenças).
Assim, destaca-se uma forte pressão
para a conservação e manejo racional
dos recursos ambientais no processo
produtivo, inclusive com normas
ambientais mais rígidas. A conservação
do meio ambiente e o paradigma da
sustentabilidade são considerações que
devem direcionar a geração de
tecnologias ambientalmente corretas.
Além disso, há necessidade do
desenvolvimento de tecnologias para a
reutilização dos resíduos rurais e
urbanos, a reciclagem de nutrientes e
a disposição, ambientalmente correta,
dos dejetos animais.
Assim, a biotecnologia animal e vegetal
irão introduzir novas tecnologias e
melhoras com forte impacto nos
próximos 10 anos e os transgênicos
devem superar a fase crítica de não
aceitação por ambientalistas e pelo
próprio mercado.
Maior conservação e melhor gerenciamento no uso da água – O uso sustentado deste recurso natural preocupa
cada vez mais pesquisadores e autoridades, em todo o mundo. A manutenção
da qualidade da água e seu uso
racional dependem da gestão, especialmente na irrigação, e da reutilização
após os processos produtivos da cadeia
do agronegócio. Outra importante
tendência é a preocupação com o
estoque e qualidade da água nas bacias
e aqüíferos.
Crescimento da pesquisa em biofármacos – O sistema de busca de
princípios ativos novos na área dos
biofármacos, baseado na biotecnologia
e na biodiversidade, é um campo
importante, que deve crescer e ser
explorado em parceria. Essa tendência
é complementada pela intensificação
da PD&I no aproveitamento de
produtos florestais não madeireiros.
A indústria química mudará seu foco
gradualmente – Grandes mudanças já
aconteceram nessa indústria desde a
década de 50. Outras novas e
Florestas e outras vegetações nativas
assumirão novas funções complementares à função produtiva – Com destaque
36
Cenários
exige um grande esforço de estruturação de redes de certificação. O papel
das certificadoras internacionais e o
controle que exercem é relevante.
importantes mudanças estão se
processando, com maturação para
além dos próximos 10 anos.
Duas macrotendências devem prosseguir
nos próximos anos. A primeira delas
aponta para a fusão empresarial, a
formação de grandes conglomerados
hegemônicos, concentrando o mercado
em poucos atores globais. A segunda
macrotendência é o investimento cada
vez mais intenso em biotecnologia e no
desenvolvimento de novas variedades,
cultivares e a conseqüente produção de
sementes e mudas, com progressiva
diminuição dos investimentos em
agrotóxicos, que serão parcialmente
substituídos por variedades resistentes a
pragas.
O processo de classificação como
produto orgânico, por exemplo, é
efetuado por entidades nacionais
credenciadas e vinculadas a certificadoras internacionais. Como a credibilidade
é importante perante os consumidores, o
processo é rigoroso, pode demorar vários
anos e é constantemente avaliado.
A dimensão do interesse desse mercado
pode ser avaliada pelo fato de que já
existem mais de dez certificadoras
nacionais e estrangeiras atuando no
País, a mais antiga, desde 1978.
É importante considerar que a
democratização dos produtos com Selo
Verde tenderá a ampliar mercados e a
incentivar a produção em larga escala,
resultando na descaracterização dos
nichos de mercados e na eliminação dos
sobrepreços para esses produtos.
A química verde, ou sustentável,
contribuirá cada vez mais para a
sustentabilidade ambiental em pelo
menos três áreas-chave: primeiro, no
campo das tecnologias de energia
renovável, que inclui a produção de
alta performance de biomassa e dos
seus derivados; segundo, os reagentes
usados pela indústria química, hoje
preponderantemente derivados do
petróleo, serão de modo crescente
obtidos de fontes renováveis agrícolas,
reduzindo a dependência das fontes de
carbono fóssil. Terceiro, as tecnologias
poluentes serão paulatinamente
substituídas por alternativas benignas,
entre as quais, a síntese química em
sistemas biológicos em escala agrícola.
Tendências para o Brasil
Continuada importância do agronegócio
para o País – O aumento das exportações
depende, em grande parte, da agricultura,
que é um setor capaz de gerar divisas
líquidas. O Brasil é um dos países com
maior saldo agrícola do mundo e depende
do agronegócio para fechar as contas
externas.
O agronegócio exerce um papel
destacado na exportação e na geração
de divisas. Deve ocorrer, portanto, uma
grande pressão no sentido de aumentar
a produção agrícola no País por sua
contribuição para o equilíbrio das
contas externas.
Crescimento do mercado de produtos
certificados – A tendência de aumento
das exigências de qualidade do processo de produção leva ao incremento do
mercado de produtos certificados. Isso
37
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Nova dinâmica de desenvolvimento
rural – Começa a se delinear uma nova
tendência de desenvolvimento de
atividades urbanas no meio rural e o
início da prática de atividades não
típicas e não agrícolas no setor rural,
destacando-se as relacionadas com as
indústrias e agroindústrias e com o
turismo, como por exemplo, o roteiro
do vinho na Serra Gaúcha, e com o
lazer (pesque-pague, hotéis-fazendas,
turismo ecológico, etc.).
do agronegócio, facilitando a mudança
de patamar tecnológico desses agentes
e impulsionando o desenvolvimento
regional.
Redução do Custo Brasil – As reformas
tributária e da Consolidação das Leis
do trabalho – CLT, a melhoria da infraestrutura de estradas, transportes,
comunicação e energia impulsionadas
pelos investimentos privados e maior
eficiência na gestão dos recursos
públicos favorecem a redução do Custo
Brasil. Deve ser observado que o Custo
Brasil é um empecilho à potenciação
ou apropriação integral do potencial
dos benefícios da pesquisa.
Na esteira desse processo, observa-se o
crescimento de atividades agropecuárias
emergentes, como a floricultura com
novas variedades, a criação de animais
silvestres, o cultivo de ervas medicinais
e aromatizantes, horticultura diversificada, dirigidos a nichos específicos de
mercados.
Crescimento do mercado interno – A
democratização do acesso aos fatores
produtivos, a diminuição das desigualdades sociais e regionais e o aumento
do bem-estar social permitem maior
exploração das possibilidades do
mercado interno, constituindo uma
grande oportunidade para o agronegócio, pois determinados produtos têm
maior consumo considerando-se,
principalmente, os consumidores nas
classes menos favorecidas.
Essa nova dinâmica de desenvolvimento
tem implicações como a intensificação
da agricultura no Cerrado e no Nordeste
e a ocupação de nichos de produção na
Pré-Amazônia e na Amazônia e a
valorização dos produtos regionais.
A continuidade de deslocamento da
produção de grãos e carnes para o
Cerrado e para as zonas de transição
pré-amazônicas gerará impactos
diferenciados nas diversas regiões.
Uma importante tendência associada à
nova dinâmica é o aumento da
participação das organizações de
PD&I em iniciativas para a promoção
do desenvolvimento rural sustentável.
Fortalecimento da agricultura familiar
– Os municípios que mais têm crescido
no Brasil são os pequenos e mais
diretamente relacionados com o setor
rural, ilustrando um processo endógeno
do crescimento e uma tendência de
desconcentração de pólos.
Esse movimento pode contribuir para
uma forte pressão política para reverter
o saldo rural negativo, via intensificação da educação para as famílias de
pequenos produtores rurais, com
Essa maior participação traz como
importante resultado um aumento na
possibilidade de geração de tecnologia
apropriada para os diferentes segmentos
38
Cenários
Aumento da competitividade internacional da agricultura brasileira – O
agronegócio brasileiro tem potencial e
oportunidade para aumentar sua
competitividade no mercado internacional. Há uma tendência de aumento da
produtividade de diversos produtos
nacionais quando comparado com os
mesmo produtos em outros países.
possibilidade de desenvolvimento da
agricultura familiar de valor agregado
e geração de postos de trabalho.
Reconfiguração profissional do
agronegócio nacional – A abertura da
economia, aliada à continuidade do
aumento de produtividade do capital,
da terra, do trabalho e da inovação
tecnológica implicam em mudanças
técnicas e gerenciais nos sistemas de
produção do agronegócio. A agricultura é cada vez mais vista como um
negócio que deve gerar produtos com
qualidade e em quantidades adequadas
aos mercados.
Além disso, o Brasil tem conquistado
espaços importantes no mercado
internacional para diversos produtos,
visto que as cadeias produtivas
brasileiras são competitivas em vários
segmentos. Entretanto, algumas
questões cruciais precisam ser tratadas
para viabilizar esse potencial, tais
como: os subsídios internacionais
implícitos, os impostos domésticos e a
alavancagem da PD&I, entre outros.
Assim, a mudança do agronegócio
envolve crescente reestruturação
patrimonial e produção sob relações
contratuais, nas quais se procura
eliminar o risco e a incerteza da comercialização de várias etapas do processo, o que decorre do ingresso de novos
atores em várias áreas.
Participação do Brasil como ator
importante na transferência de tecnologias para países tropicais – O País,
que detém a liderança na geração de
informações de CT&I para regiões
tropicais, deverá intensificar a
prospecção de oportunidades para a
transferência de tecnologia, incluindo
contratos para licenciamento, treinamentos e outras formas de disponibilização de produtos e serviços voltadas
para o exterior.
O agricultor torna-se um prestador de
serviços cada vez mais especializado;
cresce a informatização da produção e o
beneficiamento de produtos agropecuários; as explorações tipicamente familiares são incorporadas ao mercado por meio
da reorganização e de inovações
tecnológicas que possam garantir essa
incorporação mediante novas utilidades
e criação de valores (verticalização,
horizontalização e novos arranjos de
organização); cresce a participação de
associações de produtores para aglutinação de interesses comuns; incremento
do uso de energia, insumos e conhecimentos tecnológicos, bem como de um
aumento significativo na precisão dos
instrumentos e ferramentas.
Fortalecimento da política de exportação, ocupação de novos mercados e
ampliação da pauta de produtos
exportados – A política brasileira de
apoio às exportações tende a ser
fortalecida e o País deve conquistar e
manter novos mercados, tanto na
produção de matéria-prima quanto na
sua transformação competitiva.
39
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Deve ocorrer aumento da demanda por
produtos da agricultura orgânica in
natura e processados. Existem maiores
chances de ganhos para os produtos
diferenciados, assim como maior
estabilidade nos preços internacionais
para produtos mais elaborados. O Brasil
possui vantagens comparativas em
produtos como açúcar, carnes, soja,
café e suco de laranja; nestes, a PD&I
tem papel fundamental para aumentar
a competitividade e a sustentabilidade.
As fronteiras do
conhecimento estão
sendo constantemente
deslocadas para diante.
Para países como o
Brasil, é crucial
enfrentar o múltiplo
desafio de acompanhar
e contribuir para o
avanço do
conhecimento científico
e tecnológico; orientar
os esforços de PD&I
para resultados de
interesse da sociedade
e ao mesmo tempo
reduzir os hiatos
socioeconômicos,
criando melhores
possibilidades para que
a população tenha
acesso aos frutos do
progresso.
Existem ainda oportunidades na
produção de proteína animal de boa
qualidade; na produção de proteína
vegetal, em bases competitivas; e uma
grande oportunidade, muito pouco
explorada, de produção de óleo vegetal
fora do complexo da soja/milho (como
dendê, coco e outros). Também na
fruticultura, os mercados internacionais
não estão plenamente atendidos e o
consumo de frutas tropicais como
manga, goiaba, açaí, cupuaçu, entre
outros, além de frutos como o guaraná
tende a expandir-se nos mercados
internacionais.
Ampliação e criação de vantagens
competitivas na silvicultura – O Brasil
tem vantagens frente aos seus concorrentes que podem ser fortalecidas com
investimentos em pesquisa, particularmente em biotecnologia orientada para
maior conhecimento da base genética,
dando suporte à silvicultura e à
elaboração de estratégias de desenvolvimento racional e sustentável, em especial
da Região Amazônica.
A tendência é de desenvolvimento do
parque industrial madeireiro, com
melhoria do nível tecnológico e
ampliação da gama de produtos florestais
exportados, inclusive com a venda de
produtos de maior valor agregado, como
da celulose e da indústria de móveis.
Também deve ocorrer a expansão do
mercado interno de móveis com a
melhoria de renda no Brasil.
O aumento do valor comercial da
madeira nobre no mercado internacional e da demanda por celulose beneficiam o País.
40
Cenários
Como fator positivo para a sustentabilidade detecta-se uma preferência do
consumidor por madeira e papel oriundos
de reflorestamento e espécies cujo plantio
e processamento causam menor impacto
ambiental.
Na Amazônia, o País pode se beneficiar com a produção de cosméticos e
fármacos. A exploração dessa oportunidade ainda é marginal no contexto do
agronegócio brasileiro, mas deve ser
considerada.
Assim, deve ocorrer uma expansão da
produção sustentável de madeira de
reflorestamento e florestas nativas. A
intensificação da PD&I no aproveitamento de produtos florestais não
madeireiros contribuirá significativamente para a competitividade da silvicultura
brasileira.
Novas tendências advindas da biotecnologia – A tendência é que no médio
prazo, o agronegócio aproveitará
oportunidades emergentes que ainda
não foram definidas, como novas fibras
e materiais obtidos da transformação de
background genético de produtos.
Tendências para a Pesquisa,
Desenvolvimento e Inovação –
PD&I
Desenvolvimento de sistemas florestais,
agroflorestais e cultivo mínimo com
enfoque em produção e serviços
ambientais – Essa tendência está
fortemente associada à ampliação da
vantagem competitiva na silvicultura. O
desenvolvimento de sistemas florestais se
justifica cada vez mais pela necessidade
de associar a produção agropecuária
com a criação de mecanismos de
seqüestro de carbono, aumento de
estoque e qualidade de água, preservação do solo, diminuição da erosão
genética, e aumento da sustentabilidade
dos sistemas produtivos. Essa tendência
envolve também a intensificação da
PD&I no aproveitamento de produtos
florestais não madeireiros.
Aumento da complexidade no mercado
de Ciência, Tecnologia e Inovação —
CT&I – Os desafios enfrentados pelos
países em desenvolvimento, na
tentativa de acompanhar a fronteira do
conhecimento científico, fortalecer
seus sistemas regionais ou setoriais de
CT&I e aproveitar as oportunidades
geradas pelo avanço do conhecimento
para o desenvolvimento socioeconômico, isto é para a melhoria da qualidade de vida, são cada vez maiores.
A maior parte dos países centrais tem
aumentado os recursos públicos e
privados dedicados à geração e à
difusão do conhecimento e ao desenvolvimento de redes de cooperação, abrangendo pesquisadores sediados em
diferentes países.
Ampliação do uso sustentável da
biodiversidade – A biodiversidade é
uma fonte geradora de oportunidades
no cenário internacional para o Brasil,
pois a exploração sustentável das
florestas tropicais representa recursos
enormes.
As fronteiras do conhecimento estão
sendo constantemente deslocadas para
diante e as novas tecnologias caracterizam-se pela maior densidade em co-
41
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
O aumento da competitividade da
agroindústria nacional requer que o
desenvolvimento tecnológico atenda as
demandas do mercado internacional.
Para atuar nos mercados desenvolvidos,
é fundamental oferecer produtos que
incorporem alto nível de pesquisa,
permitindo vencer obstáculos como as
barreiras não tarifárias.
nhecimento científico e pessoal
qualificado.
Para países como o Brasil, é crucial
enfrentar o múltiplo desafio de
acompanhar e contribuir para o avanço
do conhecimento científico e tecnológico, orientando os esforços de PD&I
para resultados de interesse da sociedade e, ao mesmo tempo, reduzindo os
hiatos socioeconômicos, criando
melhores possibilidades para que a
população tenha acesso aos frutos do
progresso.
A expectativa é de que o Brasil invista
crescentemente no desenvolvimento de
tecnologias mais específicas e
adequadas para as suas condições de
produção. Este esforço pode ser
recompensado, também, pela grande
demanda por geração e transferência
de novas tecnologias voltadas para a
produção em países novos, emergentes
e competitivos, considerando que as
tradicionais áreas produtoras nas
regiões temperadas estão se reduzindo.
Aumento da demanda por PD&I na
área de agricultura familiar – A introdução de ações de política de desenvolvimento rural e reforma agrária deve
impulsionar a demanda por PD&I na
área de agricultura familiar.
Surgirão oportunidades de pesquisa que
beneficiem a produção familiar,
particularmente sobre sistemas de
produção, transformação, gestão, apoio
a normas de certificação e coordenação
econômica. O aproveitamento de tais
oportunidades dependerá, em grande
parte, do desenvolvimento de formas de
gestão tecnológica.
Geração de tecnologias de maior
sustentabilidade ambiental, econômica
e social – Vem se observando tendência
de aumento da pressão pela geração de
tecnologias que atendam, de modo
eqüitativo, aos requisitos de viabilidade
econômica, sustentabilidade ambiental
e que promova a justiça social e a
qualidade de vida.
Crescente importância da PD&I no
esforço para aumentar a competitividade dos produtos do agronegócio –
A PD&I terá papel relevante no processo mundial de aumento da diversificação alimentar com agregação de
valor, em algumas cadeias específicas.
Contribuirá para redução de custos,
identificando novas utilizações de
produtos já existentes e novos produtos
com potencial de absorção nos mercados externos.
A tendência é de se trabalhar, principalmente, com tecnologia que possa poupar
ambientes e recursos críticos limitados,
de difícil substituição técnico-econômica,
como água e energia e que levem em
consideração as questões sanitárias
ambientais e sociais.
Os países têm adotado estratégias
diferentes para atender a essa demanda,
combinando distintos graus de compati-
42
Cenários
gicas a essas oportunidades. A biodiversidade brasileira também contribui para
o aumento das alternativas para
expansão desse tipo de biotecnologia.
bilização das políticas ambientais,
comerciais e sociais.
Crescimento do mercado de energia
renovável – O Brasil é um grande
produtor de energia renovável, com
possibilidade de ampliação dessa
produção em programas como o do
álcool e o desenvolvimento de outras
fontes de origem biológica, como o
dendê e outros óleos vegetais. Tanto a
produção de álcool combustível, quanto
a produção de carvão vegetal para a
indústria, têm relativo sucesso no
mercado e tendem a se expandir.
Maior demanda por tecnologias que
integrem os conceitos de saúde e
nutrição – Os conhecimentos em
genética têm estreitado as ligações
entre saúde física e mental, e
alimentação.
Na área da saúde física, grandes
avanços já foram feitos, assim é que o
mercado para nutracêuticos é um dos
que mais cresce, principalmente nos
Estados Unidos. Para o Brasil, existem
importantes oportunidades na área de
alimentos funcionais e no País já
existem pesquisas sobre alimentos que
ajudam no tratamento da osteoporose,
reposição hormonal, câncer de útero,
avitaminoses e outras carências
nutricionais.
A sustentabilidade energética encerra,
entre outras questões, a redução da
dependência de fontes externas de
energia (autonomia energética) e a
utilização de fontes de energia renovável. A implementação de um modelo
sustentável tende a ampliar bastante a
demanda por cultivos com potencial
energético, a exemplo do dendê, da
cana-de-açúcar, da soja, etc.
Há ainda boas oportunidades para
pesquisa de produção orgânica de
alimentos e especiarias. Os estudos
relativos à saúde mental e à
alimentação estão conseguindo
grandes avanços, principalmente os
realizados na Inglaterra e na
Universidade da Califórnia, nos Estados
Unidos.
Essa demanda poderá transformar o
mercado agrícola de energéticos num
setor estratégico do agronegócio,
abrindo uma importante oportunidade
para o desenvolvimento de PD&I.
Aumento dos investimentos em
biotecnologia e bioinformática –
Cresce a tendência de uso da
biotecnologia, à medida que seus
produtos se mostram eficazes para
substituir, com vantagem, produtos
existentes e obter respostas para
problemas não solucionados.
O desenvolvimento do agronegócio deve
considerar as questões fitossanitárias
simples, as questões biomoleculares e
plantas com melhor qualidade nutricional.
Ampliação da pesquisa para apoio
técnico-científico à qualidade e
segurança – A tendência é a exigência
por um rigoroso controle de qualidade
na produção de alimentos e a PD&I
Os progressos da biotecnologia avançada e da bioniformática aumentam as
possibilidades de respostas biotecnoló-
43
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Gestão flexível de PD&I – A flexibilidade dos processos de gestão das
instituições públicas de PD&I torna-se
imperiosa, tendo em vista a velocidade
e a complexidade da produção de
novos conhecimentos, a necessidade
de se otimizar a utilização da infraestrutura física e de recursos humanos
para a pesquisa, o compartilhamento de
informações e a gestão em tempo real
dos avanços obtidos pelos pesquisadores e organizações integrados em
redes.
poderá ajudar a desenvolver produtos
para certificação e para facilitar a
rastreabilidade.
Haverá maior demanda por solução de
gargalos tecnológicos quanto à conservação, manutenção da qualidade e
durabilidade dos alimentos, além de
exigências quanto à organização da
produção, logística, apoio institucional,
técnico, assistência técnica e extensão,
todos impostos pelo controle de
qualidade dos produtos.
Intensificação da pesquisa e maior
difusão dos seus resultados na área de
manejo do sistema agrícola – Há
amplas oportunidades para a pesquisa
em manejo regional das áreas
agrícolas, usando-se interações de
métodos para o controle regional de
pragas, doenças e plantas invasoras.
A eficiência de tal processo está
subordinada à existência de um marco
legal que discipline as relações e os
interesses dos pesquisadores e das
organizações de PD&I, particularmente
no que se refere à apropriação dos
resultados e à proteção intelectual.
Crescente importância do profissional
multifuncional – Além de ter
conhecimento em sua área específica,
o pesquisador terá também que
desenvolver domínio do conhecimento
em outras áreas. Ele passará a ser um
profissional multifuncional, com uma
visão mais ampla de suas obrigações e
de suas pesquisas.
Entre outros estudos, a pesquisa irá
focalizar, entre outros, estudos de
genoma voltados para a identificação
de genes que controlam o crescimento,
a produtividade e a defesa das plantas
contra o ataque de insetos e doenças,
bem como o estresse ambiental e as
alternativas biológicas ou práticas
culturais de controle de pragas.
Assim, ocorrerá maior especialização
do(a) pesquisador(a) que, simultaneamente, deverá ter uma visão sistêmica
da sua área de atuação e conhecimentos gerais, sobretudo em relação ao
meio ambiente e ao meio social.
As pesquisas direcionadas às mudanças
de tecnologias para diminuição da
dependência de insumos químicos
contribuirão positivamente para o
manejo do sistema agrícola. Isso
envolve ênfase na utilização dos
recursos naturais disponíveis, inclusive
a biodiversidade e na maior eficiência
de utilização dos mesmos com enfoque
para as condições específicas dos
trópicos.
Para isso, o treinamento formal e em
serviço deve prover uma base de
conhecimento nas três áreas (ciências
exatas, biológicas e humanas), possibilitando assim avanços significativos no
44
Cenários
grau de multidisciplinaridade da
pesquisa desenvolvida no País. Em
conseqüência, deve ocorrer investimento mais elevado não apenas na
qualificação do pesquisador, mas
também do suporte técnico.
processos com forte inércia e
consolidação
que não sofrerão
alterações nesse período, qualquer que
seja o futuro.
Os invariantes foram divididos em duas
categorias: os fatores do contexto
externo (macroambiente) e do
agronegócio e os fatores relacionados
a PD&I para o agronegócio.
Surgimento de agronegócio regionalizado e com características e padrões
de produção com identidade – Estão
surgindo clusters ecorregionais
especializados em produtos específicos
ou conjuntos de produtos afins (por
exemplo, frutas irrigadas no Vale do São
Francisco) devido ao sinergismo entre
fornecedores, produtores, transformadores, consumidores e até turistas.
Invariantes do macroambiente
e do agronegócio
• Desaceleração das taxas de crescimento populacional e de urbanização.
• Elevação do nível educacional da
população, inclusive nas áreas rurais.
A identidade ecorregional atua como
marca registrada, oferecendo um
diferencial de preço que pode
incrementar lucros na cadeia e oferecer
novidades para exportação.
• Maior consciência dos temas ligados
ao meio ambiente e ao desenvolvimento social.
• Aumento do poder de pressão dos
movimentos sociais.
Maior inovação em tecnologias automatizadas, sensores e mecatrônica –
Na produção e na comercialização
globalizadas, processos de homogeneização e padronização tecnológica se
estabelecem nas cadeias produtivas.
Esses processos, coordenados por
estruturas ou segmentos líderes do
agronegócio, geram demandas por
novas tecnologias mecânicas e
mecatrônicas.
• Acirramento da competição pelos
mercados associados ao processo de
globalização.
• Maiores exigências do mercado
consumidor com crescimento da
demanda por produtos certificados,
priorizando produtos de qualidade e de
origem conhecida, e produzidos com
responsabilidade social e ecológica.
Principais Invariantes
• Gradativa incorporação da agricultura familiar/pequeno produtor na
economia de mercado.
Os cenários de PD&I para o Agronegócio
Brasileiro, consideram, primeiramente, as
premissas quanto às tendências que
permanecem constantes no horizonte
considerado (2002/2012), denominadas
invariantes, ou sejam, aqueles fatores ou
• Oligopolização dos fornecedores de
insumos, dos traders, distribuição e
pontos de venda com forte presença de
grandes empresas.
45
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
• Redução do número de produtores e
da mão-de-obra ocupada diretamente
na agricultura.
meio ambiente e dos processos de
gestão.
• Avanço da biotecnologia.
• Multifuncionalidade do espaço rural,
com introdução de práticas não típicas
e não agrícolas no setor rural.
• Crescente aplicação e uso da
tecnologia da informação.
• Fortalecimento da apropriação do
conhecimento e transferência de
tecnologia (propriedade intelectual).
• Existência de grandes diferenças
socioeconômicas macroregionais,
especialmente entre o Norte-Nordeste
e o Centro-Sul.
• Destacada participação do setor
público na PD&I, na maioria dos
segmentos do agronegócio.
Invariantes da PD&I
para o agronegócio
• Elevação dos custos de PD&I.
• Aumento da demanda por tecnologias
apropriadas à agricultura familiar.
• Aumento da complexidade e da
disputa (por recursos, patentes, etc.),
dentro do ambiente de ciência e
tecnologia do agronegócio.
• Incremento da capacidade de conversão do conhecimento científico em
tecnologia (eficiência da pesquisa).
• Multidisciplinaridade nas ações de
PD&I.
• Crescente incorporação de informação, conhecimento e tecnologia no
agronegócio.
• Avanço da participação do setor
priva-do em segmentos específicos da
PD&I para o agronegócio.
• Aumento da pesquisa em apoio à
melhoria da qualidade dos produtos, do
46
Cenários
Incertezas Críticas e Cenários
Esta parte apresenta as principais
incertezas críticas da PD&I para o
Agronegócio e os quatro cenários
focalizados no ambiente de atuação das
organizações públicas de PD&I.
5. Qual será a política de desenvolvimento rural?
6. Quais serão as políticas nacionais
para o Agronegócio?
7. Qual será a política e como se dará
a gestão ambiental?
Principais Incertezas
8. Como evoluirá o mercado de especialidades em relação ao mercado de
commodities?
Os cenários foram construídos com base
na análise de algumas questões fundamentais para o agronegócio brasileiro nos
próximos 10 anos. Tais questões são as
incertezas, que se constituem em
processos de mudanças que apresentam
os maiores graus de impacto e de
imprevisibilidade em relação ao futuro do
objeto de cenarização.
Incertezas relativas à
PD&I para o agronegócio
1. Qual será a configuração Institucional do setor?
2. Como evoluirão os investimentos em
PD&I?
Da mesma forma que os invariantes, as
incertezas estão divididas em duas
categorias, quais sejam, os fatores
relacionados com o macroambiente e
o agronegócio, em geral, e os fatores
relacionados especificamente à PD&I
para o Agronegócio.
3. Como evoluirá a gestão dos investimentos em PD&I?
4. Qual será a percepção da sociedade
sobre transgênicos e como evoluirão as
exigências com respeito à biossegurança?
Incertezas do macroambiente
e do agronegócio
5. Como evoluirá o esforço de PD&I
(produção de conhecimento) para o uso
sustentável da biodiversidade?
1. Como evoluirá a economia internacional e como se dará a inserção do Brasil?
6. Como será a alocação de recursos
para PD&I, visando à agricultura
familiar?
2. Qual será a intensidade e a forma do
protecionismo internacional?
7. Como será a gestão do investimento
em capacitação em PD&I?
3. Qual será o crescimento da economia nacional e do agronegócio?
8. Como será o desempenho do Sistema
de PD&I do Agronegócio (produção de
conhecimento e agregação de valor)?
4. Como será a distribuição de renda
no Brasil?
47
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
9. Como evoluirão os investimentos em
formação e desenvolvimento de competências humanas para a PD&I?
de futuro detalhada depois, nos cenários,
a partir dos seus desdobramentos e
impactos associados com os invariantes.
10. Qual será o papel do setor público de
PD&I, na configuração das futuras trajetórias tecnológicas do agronegócio?
Descrição dos Cenários
Desse conjunto de incertezas, algumas
foram selecionadas como sendo críticas
e reproduzidas na Matriz Morfológica
a seguir:
Cenário A: Forte Contribuição
da PD&I para a Inserção Social,
a Sustentabilidade Ambiental
e para o Agronegócio.
Matriz Morfológica
dos Cenários
Filosofia
Neste cenário, o desempenho do sistema
de PD&I para o Agronegócio se beneficia
de uma melhoria ampla e generalizada.
Observam-se crescimentos qualitativo e
quantitativo das instituições de PD&I,
com aprimoramento dos talentos
científicos e técnicos. A busca contínua
da eficiência contribui ainda para
aumentar sensivelmente a produção e a
qualidade final dos produtos obtidos,
atendendo tanto o mercado externo como
o interno.
Os cenários alternativos decorrem da
combinação consistente das diferentes
hipóteses sobre o comportamento futuro
das incertezas críticas, na medida em
que os invariantes estarão presentes em
qualquer futuro da realidade estudada.
Essa combinação de hipóteses e a
análise da sua consistência foram feitas
com o apoio da Matriz de Investigação
Morfológica (Fig. 4), na qual são
ordenadas,
pela
abrangência,
permitindo construir os caminhos de
articulação de estados das incertezas,
formando quadros futuros diferenciados
do objeto em análise. Os estados
futuros de cada incerteza (hipóteses)
estão apresentados na matriz nas linhas
correspondentes a cada uma delas.
Os investimentos e a flexibilização do
sistema de PD&I nacional, com apoio
internacional privado, promovem
ainda, o avanço do conhecimento em
biotecnologia aplicada às áreas animal
e vegetal, aperfeiçoando os padrões
agroquímico e biotecnológico, ao
tempo em que abre espaço para o
padrão ambientalista.
Na configuração do ambiente de atuação
das organizações públicas de pesquisa e
desenvolvimento para o agronegócio
brasileiro, no horizonte de 10 anos, foram
construídos quatro cenários, apresentados
na matriz como as combinações mais
consistentes e pertinentes. Cada uma das
combinações expressa uma idéia-força
Como conseqüência, em 2012, são
alcançados resultados de alta
relevância e de grande impacto na
competitividade setorial e na qualidade
de vida da sociedade. O governo cria
incentivos à geração de PD&I para a
agricultura familiar.
48
49
Cenários
Fig. 4 . Matriz de Investigação Morfológica.
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
para o desenvolvimento de produtos de
alto valor agregado.
Cenário A
Desenvolvimento do Cenário
Crescimento moderado
da economia
internacional e nacional.
O contexto mundial é favorável ao
Brasil, com crescimento moderado em
âmbito internacional (média de 3% ao
ano, ao longo do período) que não se
restringe aos mercados tradicionais.
Novas oportunidades de negócios
surgem, especialmente com a China,
Índia, Indonésia e outras nações
emergentes.
Moderada redução do
nível geral do
protecionismo com
médio aumento das
barreiras não tarifárias.
A América Latina – principalmente a
Argentina – é bem sucedida no ajuste
econômico, saindo do estado crítico em
que se encontrava. O comércio
internacional brasileiro é favorecido
com a implantação parcial da Área de
Livre Comércio das Américas – Alca,
combinada com a consolidação do
Mercosul e com a abertura de outros
mercados. O Brasil amplia a abertura
externa da sua economia, passando dos
atuais 18,9% do PIB para cerca de
25,5%, em 2012.
Elevado crescimento
do agronegócio: acima
do PIB nacional.
A comunidade científica internacional
reconhece a excelência da contribuição
científica da pesquisa do agronegócio
executada no Brasil. Também há
reconhecimento da sociedade brasileira
do elevado retorno dos recursos aplicados
em PD&I e verifica-se crescimento da
demanda por serviços de extensão e de
pesquisa voltadas para a inovação.
A moderada redução do protecionismo,
aliada à recuperação da economia
internacional, com a manutenção dos
esforços no desenvolvimento de
inovações e no progresso técnico,
permite a intensificação das relações
comerciais, por meio de novos acordos
de integração e ampliação da abertura
comercial. Os traumas e os conflitos –
decorrentes da globalização desregulada e do terrorismo mundial – favorecem
os novos arranjos políticos e a
construção de instituições mundiais de
promoção do desenvolvimento.
Tudo isso é facilitado pelos maiores
investimentos governamentais e das
empresas privadas no agronegócio, além
do revigoramento do financiamento de
CT&I. Em médio e longo prazos, os
profissionais nacionais fortalecem o
sistema de pesquisa, estreitam a
cooperação internacional e consolidam
as parcerias com as empresas privadas,
nacionais e estrangeiras, especialmente
50
Cenários
para 0,64%, em 2012, podendo alcançar 0,51% em 2006.
A presença ativa das grandes nações
de desenvolvimento médio, como o
Brasil, viabiliza nova rodada da
Organização Mundial do Comércio –
OMC, fortalecida com a entrada da
China e da Rússia, com redução das
barreiras comerciais e dos subsídios
agrícolas dos países industrializados, ao
mesmo tempo em que as barreiras não
tarifárias apresentam moderado
aumento. Ocorre ampliação dos
mercados para produtos brasileiros que
atendem às novas barreiras técnicas, de
modo que a participação do Brasil no
PIB mundial se eleva dos atuais 1,7%
para cerca de 2,1%, em 2012. Ao
mesmo tempo, cresce a participação
brasileira no comércio mundial: de
0,43% das exportações no total do
comércio internacional, o Brasil passa
O quadro comparativo do desempenho
dos cenários apresenta o comportamento dos principais indicadores nos
intervalos 2002/2006 e 2007/2012 (ver
Tabela 10).
Nesse contexto internacional favorável,
o Brasil consegue equacionar os
estrangulamentos internos abrindo o
caminho para a retomada do crescimento e entrada de um grande volume
de investimentos externos diretos. A
taxa de investimento salta dos atuais
18% do PIB para mais de 26%, em 2012,
embora o déficit em transações
correntes ainda apresente valores
elevados.
A economia experimenta um crescimento moderado com taxa média em
torno de 5% ao ano, mais lento nos
primeiros anos e acelerado no período
2007/2012, podendo chegar a 5,5% ao
ano, com o agronegócio crescendo
acima do PIB nacional, tornando-se a
alavanca do crescimento. Ocorre
também uma leve desconcentração
espacial da economia, como resultado de
políticas de desenvolvimento regional.
Em decorrência do crescimento da economia brasileira, em 2012, o PIB é de
US$ 928 bilhões de dólares (quase o PIB
da Grã-Bretanha de 1990), elevando o PIB
per capita de US$ 3.200 dólares
(estimativa para 2002) para cerca de
US$ 4.400 em 2012.
Cenário A
Melhoria na distribuição
de renda estimula a
produção de alimentos.
Eficiente política de
desenvolvimento rural
sustentável.
Presença ativa do Estado
na regulação dos
instrumentos e indução
do desenvolvimento do
agronegócio.
Ao longo do período, ocorre melhoria
na distribuição de renda no Brasil,
ocasionada pelo forte crescimento da
economia e pela intervenção do
51
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
funcionais etc.) e incorporação das não
agrícolas, a exemplo do turismo
ecológico.
governo por meio do estímulo à criação
de empregos. São utilizados diversos
instrumentos de políticas públicas
centradas na justiça e na eqüidade
social, na reforma tributária que contempla a desoneração dos menos
aquinhoados, melhoria da nutrição e da
saúde (combate à mortalidade infantil,
apoio à gestante, etc.), melhoria e
barateamento do transporte público e
melhoria da educação.
Nesse contexto, a política de desenvolvimento rural prioriza essencialmente a
redução das desigualdades sociais e da
degradação ambiental, voltando-se,
também, para aspectos importantes como
a educação rural e o acesso do homem à
terra, visando a assegurar a permanência
no campo. A capacidade de resposta
econômica do complexo agroindustrial
brasileiro, e as pressões sociais internas
legitimam, politicamente, os governos
nacional e estaduais, para desenvolverem
forte presença no campo do agronegócio.
O clamor social conduz o governo à
aplicação de políticas compensatórias,
como os programas de renda mínima e
combate à fome e a ampliação dos
programas de cestas básicas, bolsaescola e merenda escolar. A melhoria
da distribuição da renda contribui para
o aumento substancial da demanda
interna por alimentos da cesta básica,
com estímulos à produção de alimentos.
A multifuncionalidade da agricultura
abre novas oportunidades de negócios
no ambiente rural, em integração com
os elementos naturais. A política
considera a integração entre os
diferentes aspectos do desenvolvimento
rural, incluindo a adoção da multifuncionalidade do espaço rural (atividades
agrícolas e não agrícolas), a adoção de
políticas sociais compensatórias para
áreas de risco ambiental, a gestão de
recursos naturais (áreas com vegetação
natural, preservação permanente,
reserva legal, água, solo), a educação
rural, o acesso à terra, a ampliação do
crédito subsidiado para segmentos mais
descapitalizados, a infra-estrutura e a
previdência social ativa.
O período caracteriza-se pela
implementação de uma eficiente
política de desenvolvimento rural sustentável. O padrão de concorrência no
mercado internacional de produtos
agropecuários incorpora atributos como
ética, justiça social e conservação
ambiental, exigindo das empresas e
outros produtores rurais a incorporação
de práticas sociais ambientalmente
corretas.
As forças políticas dominantes reorientam o modelo de desenvolvimento rural,
agora praticado com forte cunho de
sustentabilidade. A estrutura produtiva
agrícola passa por mudanças importantes com maior diversificação das atividades agrícolas (commodities, agricultura familiar, orgânicos, ecológicos,
produtos processados, nichos, alimentos
Quanto às políticas nacionais para o
agronegócio, a política agrícola está
sintonizada com as demandas do setor
e há presença ativa do Estado na
regulação dos instrumentos e na
indução do desenvolvimento do
agronegócio (volume de crédito, taxas
52
Cenários
de juros, fluxo de recursos, programas
especiais). Implanta-se nova ordem
tributária que incentiva a produção e
facilita a exportação. A infra-estrutura
recebe melhorias consideráveis,
garantindo o abastecimento de energia
a menor custo; os sistemas multimodais
de transporte são mais ágeis e baratos;
o sistema de armazenagem é ampliado;
os portos são modernizados e ampliados, tornando-se competitivos internacionalmente.
intracadeias produtivas, estimulando a
desconcentração dos investimentos
privados no território brasileiro.
A política e a gestão ambiental são
eficazes e por isso viabilizam a redução
dos impactos ambientais que permanecem em níveis moderados. Há intensificação da fiscalização governamental e
a política e a percepção da sociedade
estimulam a geração e a adoção de novas
tecnologias voltadas para a conservação
ambiental e para o manejo sustentável
dos recursos.
Tanto o governo quanto o setor
aprimoram a capacidade de negociação,
com uma postura mais agressiva nos foros
internacionais. São estabelecidos
programas de incentivo à qualidade, para
o atendimento às exigências dos
mercados internacionais. Como resultado,
o Brasil apresenta um forte dinamismo do
agronegócio, ampliando sua participação
no PIB brasileiro e no conjunto das
exportações nacionais. O PIB do
segmento chega a mais de 30% da
economia brasileira em 2012 (sendo
atualmente estimado em pouco mais de
27%) representando, no final do período
analisado, mais de 40% das exportações
do Brasil, ou US$ 55 bilhões de dólares.
Constitui, dessa forma, uma contribuição
importante para a geração de divisas da
economia brasileira.
Além disso, ocorre substancial fortalecimento da consciência social conservacionista e dos movimentos ecológicos,
conduzindo à implantação de programas
de educação ambiental como matéria
importante do currículo escolar nacional.
Como resultado, observa-se redução
significativa dos impactos ambientais e
maior proteção aos ecossistemas
ameaçados, incluindo a ampliação das
áreas de Reservas Particulares de
Proteção Natural – RPPNs.
A configuração institucional leva ao
fortalecimento do sistema de PD&I e ao
maior equilíbrio entre os setores
público, focado principalmente, mas
não exclusivamente, na agricultura
familiar e na conservação ambiental, e
o privado, visando, essencialmente, ao
desenvolvimento do agronegócio
empresarial. São realizadas inúmeras
alianças com forte apoio dos Ministérios
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Desenvolvimento Agrário, do
Meio Ambiente, da CT&I, ONGs,
associações, confederações e sindicatos.
A política de desenvolvimento prioriza a
consolidação de cadeias produtivas, ancoradas, preferencialmente, por empresas
mundialmente competitivas, sobretudo
por meio de estímulos horizontais como
linhas de crédito para exportação.
A recuperação gradativa da capacidade
de investimento, a intervenção do Estado
e a recuperação parcial da sua ação reguladora neutralizam a tendência de concentração regional e de desequilíbrio
A aplicação da Lei de Inovação e a
indução ocasionada pelos fundos
setoriais conduzem à formação de redes
53
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
de pesquisa que incluem instituições
públicas e privadas e que permitem a
complementaridade de recursos, infraestruturas e competências, e a obtenção
de ganhos conjuntos. Ademais, são ampliadas linhas de crédito para o pequeno e o médio produtor, incentivando a
formação de pequenos clusters no campo, com apoio de instituições de PD&I.
Na Lei de Diretrizes Orçamentárias –
LDO, a CT&I passa a ter o mesmo status
prioritário que saúde e a educação e
por isso seus recursos se tornam não
contingenciáveis. A alocação de
recursos é subordinada aos aspectos
sociais e ambientais, e há melhor
controle social na sua aplicação. Os
investimentos em PD&I, estimados
atualmente em 0,90% do PIB, devem
evoluir para cerca de 1,7% em 2012,
quase dobrando em termos relativos e
alcançando quase US$ 16 bilhões de
dólares.5
Paralelamente, instala-se uma competição entre os atores em virtude da
legislação de proteção à inovação. Isso,
além de exigir mais agilidade e flexibilidade das instituições, especialmente
as públicas, requer particularização
das demandas e restringe o espaço para
uma coordenação centralizada.
Assim, apresenta uma taxa de investimento ligeiramente acima da GrãBretanha atual, 1,6% do PIB, e pouco
abaixo da França e da Alemanha,
ambos com 1,8% do PIB. Ocorre
também um aumento da participação
dos investimentos em PD&I em relação
aos investimentos totais, passando de
5,2% em 2002, para cerca de 6,5%, em
2012. Essa ampliação dos investimentos
totais em PD&I é acompanhada pelo
aumento da participação do setor
privado, que passa dos 38,6% atuais
para quase 50%, em 2012.
A nova configuração do sistema
nacional de pesquisa é constituída por
um comitê paritário que monitora o
ambiente, consolida as informações e
viabiliza a atuação articulada. A
excelência da gestão permite efetividade no atendimento das demandas da
sociedade e a geração de tecnologias
de impactos social, econômico e
ambiental positivos.
Os investimentos em CT&I são
moderados, mas o acesso à tecnologia
de ponta é ampliado, não apenas via
aquisição tecnológica, mas também pela
maior capacidade de transformá-la em
inovação. As instituições de pesquisa
contam com aporte crescente de recursos
provenientes de royalties obtidos pelas
inovações tecnológicas geradas e pelas
ações de assistência e de consultoria
especializada. A disseminação dos fundos
setoriais de apoio às pesquisas e o maior
acesso a fontes internacionais que
beneficiam o ambiente ampliam os
recursos disponíveis.
O papel de coordenação que o Estado
exerce junto ao agronegócio garante um
fluxo contínuo de recursos e volumes
significativos decorrentes do crescimento
moderado de investimentos para PD&I,
reforçados pelo maior envolvimento do
setor privado. Os recursos são disponibilizados de acordo com o cronograma de
execução, por meio de processos ágeis
e interativos.
5
O volume de investimentos se refere à pesquisa,
desenvolvimento e inovação em todos os setores,
incluindo o agronegócio.
54
Cenários
Assim, a gestão de investimentos em
PD&I é excelente e a otimização é
expressa, não só em projetos que
buscam o aumento da produtividade
média e a redução de custos, mas
também nos que induzem o Brasil a
explorar nichos que possibilitam a
liderança do País. As políticas públicas
induzem pesquisas estratégicas em
biotecnologia e outras, especialmente
aquelas voltadas para a inclusão social.
Cenário A
Volume moderado de
investimentos em CT&I.
Fluxo contínuo de recursos
e excelente gestão de
investimentos em PD&I.
Ampla geração e adoção
de tecnologias.
Os temas relacionados com a biossegurança, com o patrimônio genético e com
os organismos geneticamente modificados são discutidos pela sociedade, e os
produtos derivados da biotecnologia têm
moderada aceitação no mercado
doméstico. A inserção do Brasil, no
comércio internacional, aumenta com a
evolução externa para produtos
transgênicos. Leis e regulamentações
sobre o tema são aprovadas e implementadas. Os sistemas regulatórios fazem
efetiva administração dos riscos, incluindo forte fiscalização e rotulagem de
sementes, alimentos e medicamentos.
Políticas de incentivos à
geração de PD&I para a
agricultura familiar.
Expressivo acréscimo de
recursos para o
desenvolvimento de
competências.
Um grande esforço multiinstitucional
para o uso sustentável da biodiversidade
é desenvolvido e seus resultados tornam
possível a conservação dos recursos
naturais mesmo com o grande incremento
do agronegócio. Novas oportunidades
comerciais derivam do aproveitamento
de espécies ou genes da biodiversidade,
em especial nas áreas de defensivos
naturais, resistência genética a pragas,
alimentos funcionais, nutracêuticos,
corantes, aditivos, essências e fármacos.
conhecimento, além de continuarem
focalizadas nas áreas temáticas
contempladas em 2002. O substancial
apoio público e privado à pesquisa leva
à geração de soluções inovadoras para
os desafios do desenvolvimento
sustentável do agronegócio brasileiro,
atendendo de forma mais ampla
possível, tanto às demandas dos
pequenos e médios produtores rurais,
quanto os requisitos da agricultura
empresarial.
Ocorre ampla geração e adoção de
tecnologias. Há significativa expansão
das pesquisas para novas áreas do
55
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
especialização, além de treinamentos em
conteúdos específicos para profissionais
e pesquisadores (qualidade, gestão, etc.).
As tecnologias geradas pelo sistema de
PD&I têm ampla disseminação. Além
disso, o agronegócio é beneficiado com
a incorporação de tecnologias de
outros setores tais como nanotecnologia, tecnologia da informação,
bioinformática, etc.
A agregação de valor e a profissionalização dos produtores são contempladas.
É observado, também, crescimento da
demanda por serviços de extensão e
pesquisa aplicada, o que é facilitado pelos
maiores investimentos governamentais
das empresas privadas no agronegócio,
além do revigoramento do financiamento
de CT&I.
Ampliam-se os incentivos diretos à
geração de PD&I para a agricultura
familiar por meio de uma linha exclusiva
de financiamento. Os fundos setoriais,
ligados ao agronegócio, vinculam um
percentual de seus recursos para o
atendimento de demandas específicas.
Empresas privadas e outros setores da
economia financiam projetos de
pesquisa voltados para a agricultura
familiar, que também conta com o
aporte de recursos de organismos
internacionais e ONGs de outros países.
Os profissionais nacionais fortalecem
as pesquisas via estreitamento da cooperação internacional e via parcerias
com empresas privadas, nacionais e
estrangeiras, especialmente no desenvolvimento de produtos de alto valor
agregado.
A gestão do investimento em capacitação é
boa, com variada oferta de oportunidades,
baseadas nas competências identificadas
como necessárias ao desempenho efetivo
das organizações vinculadas ao
agronegócio. Há incentivo ao intercâmbio
de competências entre instituições de PD&I.
O sistema de PD&I responde ao
aumento da demanda, desenvolvendo
tecnologias adaptadas aos diferentes
ecossistemas e sistemas de produção no
País, visando à produção com sustentabilidade. O ambiente institucional do
agronegócio é reconfigurado de modo
a possibilitar a inserção da agricultura
familiar nos mercados formais.
Implicações do Cenário A
para a PD&I do Agronegócio
O acréscimo de recursos financeiros
para o desenvolvimento de competências é expressivo, com multiplicação
das fontes de recursos nacionais e
internacionais. Há atualização e
melhoria das grades curriculares
pertinentes, substancial expansão e
diversificação do ensino nas escolas
especializadas, principalmente nos
cursos técnicos, nos cursos superiores
de curta duração (tecnológicos e
seqüenciais), de aperfeiçoamento e de
Neste cenário, de forte contribuição da
PD&I para a inserção social, a sustentabilidade ambiental e o agronegócio, a
demanda por PD&I é intensa e atendida
por tecnologias desenvolvidas pelas
instituições nacionais.
A atuação dos setores público e privado
pode ser sintetizada da seguinte forma:
no segmento empresarial, os esforços
são voltados, principalmente, para o
desenvolvimento de transgênicos,
56
Cenários
O sistema de inteligência competitiva se
fortalece amplamente e beneficia o
processo decisório das organizações
vinculadas ao agronegócio. A articulação
da pesquisa com a inovação sofre ampla
melhoria, principalmente em razão dos
mecanismos de comunicação e integração entre a PD&I e a inovação. A infraestrutura de PD&I se amplia e se
beneficia da melhoria da qualidade, tanto
em tecnologias de apoio à agricultura
fami-liar, quanto em áreas de fronteira do
conhecimento. Neste cenário, há também
melhor utilização da capacidade instalada, inclusive com compartilhamento da
infra-estrutura pública e privada.
commodities, novos produtos, produtos
processados e semiprocessados, produtos
diferenciados e desenvolvimento de
novos insumos. Paralelamente, o setor
público foca, prioritariamente, o
desenvolvimento de tecnologias para a
agricultura familiar e para a conservação
ambiental, atuando ainda nos produtos de
importância no mercado internacional e
fundamentais para o equilíbrio da balança
comercial brasileira.
Em relação à quantidade e à qualificação
de pesquisadores e tecnólogos, o cenário
prevê aumento significativo do número
de pesquisadores com alto nível de
qualificação, com moderada redução da
desigualdade regional, e um aumento
significativo de tecnólogos. Há melhoria
ampla do pessoal de apoio e, especialmente, da mão-de-obra dos diversos
segmentos das cadeias produtivas (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 2002).
Cenário A
Melhoria na
distribuição de renda
estimula a produção
de alimentos.
O total de pesquisadores brasileiros se
eleva dos atuais 60.642 para mais de
89 mil em 2012, resultado de um
crescimento anual de 4,0% ao longo do
período. Isso representa um aumento do
número de pesquisadores por milhão de
habitantes de 346,1 para 456,8 no final
do cenário, o que representa pouco
mais de 10% do indicador dos Estados
Unidos, em 1997.
Eficiente política
de desenvolvimento
rural sustentável.
Presença ativa do
Estado na regulação
dos instrumentos
e indução do
desenvolvimento
do agronegócio.
Por sua vez, cresce também o percentual
de pesquisadores e tecnológos brasileiros
atuantes na PD&I do agronegócio: de
12,6%, estimados para 2002, o que
equivale a 7.611 pesquisadores, evolui
para 22,6% em 2012, o que corresponde,
aproximadamente, a 20.243 pesquisadores.
57
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Quantificação das Variáveis em Anos
Selecionados
As redes de financiamento da PD&I são
ampliadas significativamente, com
fortalecimento das fontes existentes e
com destaque para os fundos setoriais.
São criados novos fundos especiais,
como o de Meio Ambiente. Finalmente,
o suporte institucional para a PD&I é
mais amplo e mais bem articulado.
De forma a fundamentar as hipóteses
qualitativas colocadas no Cenário A, as
Fig. 5 e 6 mostram a evolução de duas
variáveis selecionadas: a Distribuição
de Investimentos em PD&I e a Evolução
do total de Pesquisadores no Brasil e nº
de Pesquisadores no agronegócio no
Cenário A – 2002/2012.
Fig. 5. Evolução Futura da Distribuição de Investimentos em PD&I no Cenário A –
2002/2012 (Público, Privado e Totais) em U$ bilhões
Fig. 6. Evolução do total de pesquisadores no Brasil e número de pesquisadores no
agronegócio no Cenário A – 2002/2012.
Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2002)
58
Cenários
média em torno de 2% ao ano no período.
O comércio internacional na América
Latina aumenta com a implantação
parcial da Alca, incorporando medidas
para atenuar potenciais impactos
desfavoráveis na Balança Comercial
Brasileira, resultado da habilidade de
negociação do governo e da sociedade.
Há prejuízo do Mercosul com a
ampliação da Alca e pela lenta
recuperação das economias regionais,
principalmente a da Argentina. Os fluxos
de investimentos estrangeiros apresentam
oscilações importantes no decorrer do
período.
Cenário B . Moderada
Contribuição da PD&I
para a Inserção Social,
a Sustentabilidade Ambiental
e para o Agronegócio
Filosofia
Neste cenário, o sistema de PD&I para o
Agronegócio registra melhora em
segmentos específicos, principalmente
tecnologias para a agricultura familiar e
para a sustentabilidade dos sistemas
agropecuários e agroindustriais. Os investimentos em PD&I são apenas
moderados, mas as políticas públicas
apresentam uma orientação para o
desenvolvimento social e conservação
ambiental, privilegiando assim a
agricultura familiar. Entretanto, devido às
dificuldades estruturais e limitações de
recursos, entre outras razões, as mudanças são de maturação lenta e eficácia
limitada.
A moderada recuperação da economia
internacional associada à manutenção
do nível de produção de inovações e
do progresso técnico-científico permite
intensificação das relações comerciais.
Tal intensificação se dará, especialmente, por meio de novos acordos de
integração bilaterais (entre países e
blocos) multilaterais, e ampliação do
processo da abertura comercial.
Em 2012, a capacidade instalada de PD&I
contribui moderadamente para o
crescimento do agronegócio, para a
inclusão social e para a sustentabilidade
ambiental. E, apesar da gestão apenas
moderadamente eficiente e da escassez
de recursos disponíveis, políticas como
adoção de tecnologias voltadas para a
redução de uso de produtos químicos, de
proteção ambiental e de implantação de
programas de certificação de produtos
contribuem para um desempenho mais
competente e eficaz.
Os traumas e conflitos decorrentes da
globalização desregulada e da possibilidade latente de arrefecimento do terrorismo mundial estimulam a negociação de
arranjos políticos e a construção de
instituições mundiais de regulação e de
promoção do desenvolvimento, embora
convivendo com crises pontuais e fatores
de instabilidade.
A presença ativa das grandes nações
de médio desenvolvimento, como o
Brasil, viabiliza uma nova rodada da
OMC, fortalecida com a entrada da
China, com pequena redução das
barreiras comerciais e dos subsídios
agrícolas dos países industrializados.
Desenvolvimento do Cenário
A economia internacional cresce de
forma moderada e irregular, com taxa
59
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Dentro dessas condições internacionais,
o governo brasileiro implementa políticas
macroeconômicas capazes de reduzir a
dependência externa e o endividamento,
combinadas com políticas sociais e
ambientais. Esse desempenho interno, e
a consolidação no mercado internacional
viabilizam a recuperação da confiança
dos investidores internacionais. Somados
à recuperação da poupança interna,
amplia-se lenta, mas consistentemente a
taxa de investimentos, chegando a 22,3%
do PIB, em 2006 e aumentando para
cerca de 24% no final do período (2012).
Cenário B
Moderado investimento
em CT&I.
Fluxo descontínuo de
recursos com gestão
moderadamente eficaz.
Ampla geração e baixa
adoção de tecnologias
para o uso sustentável
da biodiversidade.
O País experimenta crescimento
econômico moderado e o PIB evolui em
torno de 3,74% ao ano no período, embora
crescendo de forma lenta nos primeiros
quatro anos de ajuste e restrições para
4,11% em 2012.
Aumento moderado das
políticas de incentivos
à geração de PD&I
para a Agricultura
familiar.
O PIB brasileiro salta para cerca de
US$ 823 bilhões, no final do período, vale
dizer, 2012, equivalente ao produto da
Grã-Bretanha em 1985. Como resultado
do crescimento econômico moderado, a
renda per capita brasileira também se
eleva; em 2012, passa dos atuais
US$ 3.200 dólares para aproximadamente US$ 3.900.
Incremento moderado
de recursos para o
desenvolvimento de
competências.
Cresce a participação do Brasil no
conjunto da economia internacional,
passando dos atuais 1,7% para pouco
mais de 2%, em 2012. A combinação de
crescimento econômico, com abertura
externa, tende a aumentar lentamente a
participação das exportações brasileiras
no comércio internacional.
As pressões provenientes dos países em
desenvolvimento resultam em diminuição
lenta, mas constante, do protecionismo
financeiro, com substituição parcial por
barreiras não tarifárias. Nesta instância,
o Brasil se beneficia e amplia seu mercado
ao mesmo tempo em que registra
pequeno aumento do grau de abertura
externa; nos 10 anos do cenário, a
abertura passa de 18,9% do PIB para 23%
(sendo estimado em 22,7%, em 2006).
A política de adoção de tecnologias
voltadas para a redução de uso de
produtos químicos, de proteção ambiental e de implantação de programas
60
Cenários
Além disso, a política de qualificação de
pessoal promove melhorias de renda.
Paralelo a isso, políticas mais eficientes
de combate à sonegação de impostos, e
uma maior tributação sobre o capital, são
implementadas pelo Estado. O ligeiro
incremento nessa distribuição resulta num
aumento da demanda interna por
alimentos da cesta básica, com estímulos
positivos ao aumento da produção e da
produtividade desses alimentos, vendidos
a preços mais populares. A exemplo do
que ocorre na esfera internacional
também há maior demanda no mercado
interno por produtos com certificação
ambiental, principalmente por alguns
segmentos do mercado.
de certificação de produtos contribui
para o desempenho mais competente
e eficaz da economia brasileira. O
agronegócio aumenta a sua produtividade por meio da incorporação de
novas tecnologias, redução de custos,
melhoria da capacidade gerencial e
dos processos de gestão, visando a
agregação de valores. Cresce a participação do agronegócio na Balança
Comercial Brasileira com melhor atendimento das necessidades dos mercados e contribuindo para a melhoria da
Balança Comercial.
As exportações do agronegócio aumentam em termos absolutos, quase dobrando
em 10 anos (de US$ 24,67 bilhões de
dólares, em 2002, para cerca de US$ 42,6
bilhões de dólares, em 2012, levando
também a uma pequena ampliação da
sua participação no total das exportações
brasileiras: de 41,3%, estimados para
2002, chega a 43,3%, em 2012. Dessa
forma, o agronegócio aumenta sua
participação no PIB brasileiro, passando
dos atuais 27,5% para cerca de 30,8%,
em 2012.
Cenário B
Melhoria na
distribuição de renda
estimula a produção
de alimentos.
Política de
desenvolvimento
rural sustentável
moderadamente
eficiente.
O projeto político dominante no Brasil
contempla políticas sociais e prioriza a
desconcentração de renda familiar e
regional. Esse projeto é favorecido pelo
moderado crescimento econômico
brasileiro e uma participação cada vez
maior do agronegócio nesse processo,
contribuindo para a expansão do nível de
empregos e de renda. Ocorre aumento
do poder aquisitivo do salário mínimo e
das políticas sociais compensatórias
(renda mínima, bolsa-escola, cupons
alimentação, etc.).
Presença moderada
do Estado na regulação
dos instrumentos e na
indução do
desenvolvimento
do agronegócio.
61
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Em relação às políticas de desenvolvimento rural sustentável, apesar de
melhorias nos processos de planejamento
ocorridas no período, seus resultados são
apenas moderadamente eficazes e a
escassez de recursos e infra-estrutura não
favorece a ocorrência de impactos
importantes.
poderes públicos, ONGs, Associações e
Sindicatos. São criadas linhas de crédito
para o pequeno produtor, incentivando a
formação de associações, com apoio de
instituições de ciência e tecnologia,
melhorando a produtividade e fortalecendo o sistema. A Lei de Inovação é
aprovada, aportando benefícios para o
sistema e para seus pesquisadores.
Nesse cenário, há uma presença
moderada do Estado na regulamentação
dos instrumentos e na indução do
desenvolvimento do agronegócio. As
forças políticas no poder reorientam o
modelo de desenvolvimento, preservando
a estabilidade econômica, mas priorizando a redução das desigualdades sociais
e a modernização econômica, visando a
aumentar a competitividade e a dinamização da produção e do mercado interno,
principalmente via redução dos impostos
sobre produtos agropecuários de valor
agregado.
Neste cenário, a PD&I é considerada um
importante instrumento de desenvolvimento econômico e social, mas o volume
de recursos para suas atividades é
moderado, embora cresçam de forma
persistente. O fluxo de recursos é descontínuo e sua gestão é apenas moderadamente eficiente. O aumento do volume
de recursos, sem haver regularidade na
sua liberação e no acompanhamento de
sua aplicação, pode resultar em redução
na eficiência da PD&I.
Em 10 anos, o total de recursos investidos
em PD&I no Brasil praticamente duplica
em valores absolutos, passando da
estimativa atual de US$ 5,4 bilhões de
dólares, para cerca de US$ 10,7 bilhões
de dólares, em 2012.6 Isso corresponde a
uma ampliação de 0,9% do PIB, em 2002,
para 1,3%, em 2012, menos do que
investe hoje a Grã-Bretanha (cerca de
1,6% do PIB).
A política e a gestão ambiental são
moderadamente eficazes, permitindo
atenuação dos impactos ambientais. De
qualquer forma, ainda persistem
processos localizados de degradação dos
ecossistemas, convivendo com iniciativas
de recuperação de ambientes transformados.
Aproveitando a capacidade instalada de
PD&I para o agronegócio no País, ocorre
pequeno fortalecimento do sistema de
PD&I com equilíbrio entre os setores
público – focado principalmente na
agricultura familiar e na preservação
ambiental – e o setor privado, visando
essencialmente o desenvolvimento do
agronegócio empresarial. O sistema
nacional de pesquisa e desenvolvimento
realiza inúmeras parcerias com apoio dos
Neste investimento, a participação do
setor privado se eleva de forma rápida,
sendo ligeiramente superior aos gastos
públicos no final do período analisado.
Em 2012, estima-se que mais de 51%
do total dos recursos sejam privados
6
O volume de investimentos se refere à pesquisa,
desenvolvimento e inovação em todos os setores,
incluindo o agronegócio
62
Cenários
(hoje é de apenas 38,6%), o que significa a mobilização de US$ 5,5 bilhões
de dólares.
para garantir a formação dos recursos
humanos para PD&I têm seus recursos
incrementados de forma moderada.
Ocorre relativa melhoria, expansão e
diversificação do ensino nas escolas
especializadas no setor e em algumas
universidades privadas, mas esse
avanço permanece aquém das reais
necessidades da pesquisa e apoio
técnicos voltados para o agronegócio.
Os investimentos governamentais e das
empresas privadas atendem apenas
parcialmente o crescimento da
demanda por serviços de extensão e
pesquisa aplicada. Os laços de
cooperação internacional e parcerias
são mantidos nos atuais patamares.
Os temas relacionados com a biossegurança, com o patrimônio genético e com
os organismos geneticamente modificados são discutidos pela sociedade e os
produtos derivados da biotecnologia têm
moderada aceitação no mercado doméstico. A inserção do Brasil no comércio
internacional aumenta com a evolução
externa para produtos transgênicos. Leis
e regulamentações sobre o tema são
aprovadas e implementadas. Os sistemas
regulatórios fazem efetiva administração
dos riscos, incluindo forte fiscalização e
rotulagem de sementes, alimentos e
medicamentos.
A gestão do investimento em capacitação é boa e as questões relacionadas
com a qualidade de pesquisa estão
presentes nas atividades de PD&I. A
cultura voltada para a qualidade de
pesquisa encontra-se incorporada em
todos as organizações e são componentes estruturais de todos os projetos
correntes. As políticas públicas têm um
perfil modificado para um contexto
mais sócio-ambiental, com um leve
privilégio para a agricultura familiar.
As tecnologias geradas têm baixa
adoção e as pesquisas permanecem focalizadas em áreas temáticas atualmente contempladas, havendo pequena expansão para novas áreas do
conhecimento. Ainda que moderado, o
apoio público e privado à pesquisa leva
à geração de algumas soluções
inovadoras para os desafios do
desenvolvimento sustentável do
agronegócio brasileiro, tanto para as
demandas dos pequenos produtores
rurais, quanto para os requisitos da
agricultura empresarial.
Implicações do Cenário B
para a PD&I do Agronegócio
Neste cenário, a contribuição da PD&I
para a inserção social, sustentabilidade
ambiental e para o agronegócio é apenas
moderada.
Os recursos de PD&I para a agricultura
familiar são relativamente modestos.
Por sua vez, o incremento de políticas
públicas sócio-ambientais favorece um
pequeno aumento nos recursos de PD&I
para a agricultura familiar.
A atuação dos setores público e privado
incentiva, no segmento empresarial, um
desenvolvimento tecnológico das
cadeias dos commodities, enquanto o
segmento público se concentra principal-
A renovação e a ampliação de quadros
de pessoal, a reeducação e o desenvolvimento de habilidades necessárias
63
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
O sistema de inteligência competitiva se
fortalece. A distribuição e a articulação
da pesquisa com a inovação se beneficia
com uma moderada melhoria da
integração e das competências, privilegiando o desenvolvimento de tecnologias.
Em relação à infra-estrutura de PD&I, há
manutenção da capacidade com moderada melhoria da qualidade. As redes de
financiamento de PD&I são ampliadas
com fortalecimento das fontes
existentes. Finalmente, o suporte
institucional para a PD&I é fortalecido
com melhorias na sua estrutura e
alguma flexibilização enfocada nas
disparidades regionais.
mente na geração de tecnologias para
agricultura familiar e em produtos e temas
estratégicos nacionais e regionais.
Em relação à quantidade e à qualificação
de pesquisadores e tecnólogos, o cenário
prevê aumento moderado de pesquisadores e de tecnólogos e a definição destes
últimos como Agentes de Desenvolvimento. A massa de pesquisadores ativos
no sistema de PD&I cresce a uma taxa
média anual de 3%, de modo que, em
2012, o Brasil tem cerca de 81 mil
pesquisadores frente aos quase 60 mil da
atualidade (Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 2002).
Quantificação das Variáveis
em Anos Selecionados
Com isso, o indicador pesquisador por
milhão de habitantes também aumenta,
passando dos atuais 346,1 para cerca de
414,7, em 2012 (menos de 10,0% do valor
dos Estados Unidos, em 1997). Por sua
vez, praticamente dobra a participação
do agronegócio no total de pesquisadores
ativos no sistema de PD&I brasileiro: de
12,6% estimado para 2002, salta para
21,6%, o que equivale a 17.563 pesquisadores, em 2012.
De forma a fundamentar as hipóteses
qualitativas colocadas no Cenário B, as
Fig. 7 e 8 mostram a evolução de duas
variáveis selecionadas: a Distribuição
de Investimentos em PD&I, a Evolução
do Total de Pesquisadores no Brasil
e o Número de Pesquisadores no
Agronegócio no Cenário B – 2002/
2012.
Fig. 7 . Evolução Futura dos Investimentos em PD&I
no Cenário B – 2002/2012. (Público, Privado e Totais) em U$ bilhões.
Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2002)
64
Cenários
Fig. 8 . Evolução do total de pesquisadores no Brasil e
número de pesquisadores no agronegócio no Cenário B – 2002/2012.
Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2002)
logia e qualidade, otimizando o padrão
agroquímico e biotecnológico. Agregar
valor à produção favorece a acumulação
de capital. Assim, os investimentos em
PD&I e sua gestão no desenvolvimento
de competências são direcionados ao
avanço da biotecnologia e temas que
apóiam o agronegócio empresarial.
Cenário C: Forte Contribuição
da PD&I para o Agronegócio
Empresarial
Filosofia
Neste cenário, o sistema de PD&I para o
Agronegócio apresenta melhora em
segmentos específicos, com o crescimento do setor e da sua contribuição para
o aumento da produção de alimentos.
Como a diferenciação de produtos se
consolida como um importante
instrumento competitivo, ocorre uma
busca constante por maior agregação de
valor aos produtos do agronegócio.
Paralelamente à existência de estímulos
econômicos (preço e crédito), há um
incremento moderado na formação e na
capacitação adequada dos produtores,
bem como disponibilização de
tecnologias e conhecimentos apropriados
às suas necessidades.
Cenário C
Crescimento moderado
da economia
internacional e
nacional.
Pequena redução do
nível geral do
protecionismo com
médio aumento das
barreiras não tarifárias.
Elevado crescimento
do agronegócio – acima
do PIB nacional.
Em 2012, os investimentos e a flexibilização do sistema de PD&I nacional, com
apoio internacional privado, promove o
avanço do conhecimento em biotecno-
65
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Desenvolvimento do Cenário
pequeno aumento no PIB global e no
conjunto das exportações internacionais.
O contexto mundial é favorável à
retomada do crescimento (em torno de
3% ao ano no período) e a boa inserção
do Brasil no comércio internacional.
O País é beneficiado com a implantação
parcial da Alca, a consolidação do
Mercosul, e as oportunidades abertas
em outros mercados por substanciais
aportes de capital externo na economia
brasileira.
Em 2012, o PIB brasileiro deve representar
cerca de 1,93% do produto mundial
(atualmente equivale a 1,7%), e as
exportações brasileiras alcançam apenas
0,54% de todas as trocas internacionais,
pouco acima dos atuais 0,43%. Essa
posição na economia mundial coincide
com a ampliação do grau de abertura
externa do Brasil, chegando a 2012 com
cerca de 24,7% do PIB, superior aos
18,9% registrados em 2002. Esse
movimento é acompanhado de um
aumento dos déficits em conta corrente,
passando de 2,4% do PIB, atualmente,
para cerca de 3,9% do PIB, em 2012.
A moderada redução do protecionismo,
aliada à recuperação da economia
internacional, com manutenção das
inovações e do progresso técnico,
permite a intensificação das relações
de troca, por meio de novos acordos de
integração e abertura comercial. Os
traumas e conflitos decorrentes da
globalização desregulada e do
terrorismo mundial favorecem os novos
arranjos políticos e a construção de
instituições mundiais para promoção do
desenvolvimento.
Cenário C
A presença ativa das grandes nações
de médio desenvolvimento, como o
Brasil, viabiliza uma nova rodada da
OMC, fortalecida com a entrada da
China, com redução das barreiras
comerciais e dos subsídios agrícolas
dos países industrializados, ao mesmo
tempo em que as barreiras não tarifárias
aumentam em importância. Ocorre
ampliação dos mercados para produtos
brasileiros que atendem às novas
exigências técnicas. Mas no período,
intensificam-se as exigências de qualidade dos produtos, certificação, rastreabilidade, padrões sanitários, embalagem, etc. O Brasil ocupa espaços na
economia e no comércio mundial, com
Melhoria na distribuição
de renda estimula a
produção de alimentos.
Política de
Desenvolvimento Rural
Sustentável Ineficiente.
Presença moderada do
Estado – predominância
do mercado.
Política e gestão
ambiental ineficazes.
66
Cenários
empresas com maiores lucros. Há
medidas eficientes de combate à
sonegação de impostos e à corrupção,
com redução da economia informal. A
melhora da distribuição da renda
contribui para o aumento moderado da
demanda interna por alimentos da cesta
básica, com estímulos à produção de
alimentos.
Combinando o dinamismo externo e a
inserção brasileira na economia
mundial com a implantação de medidas
internas para equacionamento dos
estrangulamentos econômicos, o Brasil
registra um moderado movimento de
expansão econômica. Com efeito, a
taxa de investimento brasileira se
amplia para 25,2% do PIB, em 2012,
promovendo o crescimento econômico
a taxas médias de, aproximadamente,
4,3% ao ano. Em 2012, o PIB do Brasil
deve alcançar US$ 867,4 bilhões de
dólares, nível registrado pela GrãBretanha em 1987, mais de 50% acima
dos atuais US$ 570 bilhões de dólares.
A política de desenvolvimento rural é
inconsistente. A estrutura produtiva
brasileira passa por mudanças importantes, em parte decorrentes de sua especialização para o comércio internacional, e
em parte como resultado das novas
demandas geradas pelo mercado interno.
Nessas mudanças, destaca-se o crescimento nos diversos segmentos agropecuários, a política não é capaz de produzir
um equilíbrio relativo entre a agricultura
familiar e os produtores voltados para a
competitividade internacional.
O agronegócio exerce um papel
importante neste crescimento da
economia e na ampliação das
exportações brasileiras, apresentando
ritmo superior ao do PIB. Em 10 anos, o
segmento do agronegócio registra uma
elevação da sua participação nas
exportações brasileiras: dos 41,3%
estimados para 2002, passa para 44,8%
em 2012, resultado do aumento em
termos absolutos, chegando a quase
US$ 50 bilhões de dólares no final do
período. Como conseqüência, apresenta um leve aumento da sua participação
no PIB brasileiro, chegando a 29,8%,
em 2012.
O Brasil registra uma tendência de
pequena desconcentração regional,
mas as vantagens competitivas do Sul,
Sudeste, combinadas à consolidação do
Mercosul, fortalecem o grande eixo de
dinamismo econômico entre Minas
Gerais e Buenos Aires. O Centro-Oeste
e o Cerrado ganham forte impulsão.
A presença do Estado é moderada, com
predominância do mercado. O crescimento e a relativa abertura da economia
mundial favorecem a implementação de
medidas setoriais de promoção das
exportações e competitividade internacional. Nesse contexto, a produção
agropecuária cresce mais rapidamente
do que o PIB, devido à combinação de
políticas tributárias favoráveis com as
facilidades de exportações aos países
centrais.
O crescimento da economia faz a renda
per capita ultrapassar US$ 4 mil dólares
em 2012, favorece a redução do
desemprego, com leve melhoria das
condições de vida e redução das
desigualdades. Esse processo é facilitado também pelos mecanismos diferenciados de impostos e taxas para os
segmentos sociais mais ricos e as
67
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
alto impacto ambiental e ampliação das
áreas degradadas.
Cenário C
A configuração institucional leva ao
fortalecimento da PD&I, com equilíbrio
entre os setores público e privado e com
foco principalmente no agronegócio
empresarial. Cresce a participação da
iniciativa privada, incluso as
universidades particulares, no esforço
de PD&I.
Investimentos moderados
em CT&I.
Fluxo contínuo de
recursos e excelente
gestão de investimentos
em PD&I.
O sistema nacional de PD&I, incluindo
as organizações estaduais de pesquisa
agropecuária, universidades e entidades do setor privado realiza inúmeras
parcerias com forte apoio dos Ministérios da Agricultura e da Ciência e
Tecnologia, associações e sindicatos
patronais. São criadas linhas de crédito
para médios e grandes produtores,
incentivando a formação de clusters,
com apoio de empresas privadas e
instituições de ciência e tecnologia,
melhorando a produtividade.
Baixa geração e adoção
de tecnologias.
Investimentos em PD&I
para a agricultura
familiar: pequenos e
fragmentados.
Expressivo acréscimo de
recursos privados para o
desenvolvimento de
competências.
A Lei de Inovação é aprovada e estimula
os resultados esperados. Neste contexto,
o foco da programação de PD&I é
determinado principalmente pela
demanda proveniente do mercado.
A política de desenvolvimento prioriza
a consolidação de cadeias produtivas
ancoradas, preferencialmente, por
empresas competitivas em âmbito
mundial, sobretudo por meio de
estímulos horizontais como linhas de
crédito para exportação.
Os investimentos em ciência e
tecnologia são moderados, oriundos dos
fundos setoriais e de aplicações do setor
privado. Entretanto, este permanece
privilegiando a aquisição de tecnologia
via compra de equipamentos e sistemas
e os recursos disponíveis para investimento não atendem a demanda. Em 10
anos, mais do que dobra o volume de
recursos investidos em PD&I no Brasil,
saltando dos atuais US$ 5,44 bilhões de
dólares, para cerca de US$ 13 bilhões,
em 2012.
Neste cenário, a política e a gestão
ambiental não alcançam a eficácia
desejada. A reduzida presença do Estado
na gestão ambiental, combinada com
níveis médios de crescimento econômico,
promove uma forte pressão antrópica
sobre os ecossistemas, continuando com
68
Cenários
derivados da biotecnologia. Assim,
apesar do consumo de produtos geneticamente modificados, pela sociedade,
os sistemas de fiscalização são pouco
eficientes, não conseguindo fiscalizar
os cultivos, a adequação da rotulagem
de sementes, dos alimentos e dos
medicamentos modificados.
Esses valores absolutos correspondem
a uma ampliação da parcela do
investimento total que é destinada a
PD&I, evoluindo de 0,95% estimado
para 2002, para cerca de 1,5%, em
2012. Contudo, o mais significativo
neste cenário é o predomínio do setor
privado nos investimentos em PD&I,
quase invertendo a distribuição atual,
majoritariamente pública.
Nesse contexto de baixos recursos e
presença moderada do Estado, o esforço
de PD&I para o uso sustentável da
biodiversidade leva apenas à baixa
geração e adoção de tecnologias e,
assim, o choque secular entre atividades
de cunho econômico e conservação
ambiental continua.
Em 10 anos, o setor público tende a
reduzir sua participação nos gastos
brasileiros em ciência, tecnologia e
inovação dos 61,4%, estimados para
2002, para apenas 36,4%, em 2012.
Assim, o setor privado deve investir no
final do período US$ 8,3 bilhões de
dólares em PD&I.
As pesquisas permanecem focalizadas
nas áreas temáticas atualmente
contempladas. O substancial apoio
público e privado à pesquisa leva à
geração de soluções inovadoras para
os desafios do agronegócio brasileiro,
atendendo os requisitos da agricultura
empresarial em detrimento do uso da
biodiversidade.
A despeito da escassez de recursos, a
gestão de investimentos em PD&I é
excelente e a otimização é expressa,
não só em projetos que buscam o
aumento da produtividade média e a
redução de custos, mas também nos
que induzem o Brasil a explorar áreas
que possibilitam a liderança do País. O
setor privado está fortemente envolvido
no sistema nacional de PD&I para o
agronegócio. Essa aproximação
permite que as pesquisas representem
as necessidades das empresas que são
suas maiores consumidoras com vistas
a continuarem competitivas em seus
mercados.
Neste cenário, os investimentos em
PD&I para a agricultura familiar
permanecem em 2012 como estavam
em 2002: pequenos e fragmentados.
Em compensação, o grande incremento
nos investimentos em competências
humanas, impulsionado pelo segmento
empresarial, permite renovar e ampliar o
quadro de pessoal. O acréscimo de
recursos é possível graças, principalmente, à multiplicação das fontes
privadas nacionais e internacionais.
Há moderada aceitação social dos
transgênicos, mas a fiscalização é
deficiente. Leis e regulamentações
sobre o tema são aprovadas, mas sua
implementação e fiscalização ocorrem
a passos mais lentos do que o necessário
para garantir a segurança dos alimentos
Há atualização e melhoria das grades
curriculares pertinentes, substancial
expansão e diversificação do ensino nas
69
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
a pesquisa estratégica e prospectiva e as
tecnologias para aproveitamento da
biodiversidade.
escolas especializadas no setor, especialmente nos cursos técnicos, superiores de curta duração (tecnológicos e
seqüenciais), de aperfeiçoamento e de
especialização, além de treinamentos
em conteúdos específicos para profissionais, pesquisadores e pessoal de
apoio (qualidade, gestão, etc.).
Em relação à quantidade e à qualificação
de pesquisadores e tecnólogos, o cenário
prevê aumento moderado do número de
pesquisadores e aumento significativo de
tecnólogos. O sistema de capacitação
promove um aumento anual de, aproximadamente, 3,5% no número total de
pesquisadores ativos no sistema de PD&I
brasileiro.
A gestão do investimento em capacitação
é boa, refletindo principalmente as
necessidades das empresas, que são as
principais consumidoras dos resultados
das pesquisas. A cultura voltada para
qualidade de pesquisa encontra-se
incorporada em todas as instituições de
PD&I e são componentes estruturais de
grande parte dos projetos. A cooperação
internacional e as parcerias são mantidas.
Assim, em 2012, o Brasil conta com
cerca de 82 mil pesquisadores, bem
acima dos atuais 60 mil profissionais
atuantes no segmento (Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 2002), o que representa uma
elevação do indicador pesquisador por
milhão de habitantes: de 346,1 pesquisadores por milhão de habitantes registrado
na atualidade, o Brasil registra, em 2012,
em torno de 397,7, menos que 10,0%
do registrado pelos Estados Unidos,
em 1997.
Implicações do Cenário C
para a PD&I do Agronegócio
Neste cenário, há uma forte contribuição
da PD&I para o agronegócio empresarial.
A demanda por PD&I é particularmente
intensa no que se refere ao atendimento
dos requisitos originários do setor privado.
Nesse caso, vale observar que áreas
tradicionais de pesquisa não são
negligenciadas, embora não se
destaquem como sendo as de maior
demanda.
Por sua vez, cresce também no cenário
a parcela de pesquisadores ativos no
agronegócio brasileiro, chegando a
19,3% do total, em 2012 (hoje flutua em
torno de 12,6%), equivalente a pouco mais
de 15 mil pesquisadores.
O sistema de inteligência competitiva se
fortalece amplamente. Na articulação da
pesquisa com a inovação, ocorre
moderada melhoria. Já em relação à infraestrutura de PD&I, há ampliação e
melhoria da qualidade, com sofisticação
dos laboratórios, e com destaque para o
crescimento da informação e da
telemática, além de compartilhamento
da infra-estrutura.
A atuação do setor privado na PD&I para
o agronegócio é voltada, principalmente,
para o desenvolvimento nas cadeias de
commodities e tecnologias apropriáveis
em parceria com o setor público (núcleos
privados de pesquisa). O segmento
público contempla a pesquisa básica, as
tecnologias para a agricultura familiar e
para preservação dos recursos naturais,
70
Cenários
Quantificação das Variáveis
em Anos Selecionados
As redes de financiamento de PD&I
aumentam moderadamente com
diversificação das fontes, consolidam-se
os fundos setoriais e aprimoram-se as
fontes existentes, com destaque para o
financiamento privado. Finalmente, o
suporte institucional de PD&I é significativamente ampliado, principalmente
devido ao suporte empresarial com fortes
conexões internacionais.
De forma a fundamentar as hipóteses
qualitativas colocadas no Cenário C, as
Fig. 9 e 10 mostram a evolução de duas
variáveis selecionadas: a Distribuição
de Investimentos em PD&I e a Evolução
do Total de Pesquisadores no Brasil, e
número de pesquisadores no agronegócio no Cenário C – 2002/2012.
Fig. 9 . Evolução Futura dos Investimentos em PD&I no Cenário C –
2002/2012 (Públicos, Privados e Totais) em U$ bilhões.
Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2002)
Fig. 10 . Evolução do total de pesquisadores no Brasil e número de
pesquisadores no agronegócio no Cenário C – 2002/2012.
Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2002)
71
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Cenário D. Fraca Contribuição
da PD&I para o Agronegócio
Cenário D
Filosofia
Lento crescimento
econômico e das
relações comerciais.
Neste cenário, o desempenho do sistema
de PD&I do agronegócio reflete as
dificuldades da inserção do Brasil nos
mercados internacionais e o quadro geral
de restrição econômica. As dificuldades
são graves e o desempenho do sistema
piora progressivamente.
Manutenção do nível
geral do protecionismo
com leve aumento das
barreiras não tarifárias.
O sistema é pouco valorizado pela
sociedade e é enfraquecido, com baixo
volume de recursos disponíveis para
suas atividades e uma ineficaz gestão
de investimentos. Os fundos setoriais
são transformados em instrumento de
barganha política, e a iniciativa privada
não encontra estímulos para investir
significativamente em PD&I no
agronegócio brasileiro.
Crescimento moderado
do agronegócio,
aproveitando
oportunidades pontuais.
Em 2012, os esforços de PD&I levam
apenas à baixa geração e adoção de
tecnologias e os resultados pouco
contribuem para a competitividade
setorial e a qualidade de vida da sociedade. A escassez de recursos governamentais e das empresas privadas leva à
geração de soluções tecnológicas que
atendem, principalmente, os requisitos da
agricultura empresarial, em detrimento do
uso sustentável da biodiversidade.
no médio prazo. A Área de Livre
Comércio das Américas – Alca, não se
consolida e as condições desfavoráveis
são mantidas no Mercosul.
O Brasil sofre com a manutenção das
barreiras e as dificuldades de exportação
para os países centrais, que são amplamente protegidos. Os Estados Unidos
mantêm um forte subsídio financeiro a sua
agricultura, acompanhado de subsídios à
comercialização externa e dificuldades
para o ingresso de produtos agrícolas,
com recurso aos expedientes de quotas,
elevadas alíquotas de importação, sobretaxas e aplicação da lei antidumping. No
âmbito da União Européia, a incorporação dos países do Leste Europeu e os
constantes fluxos migratórios conduzem
à redução dos subsídios financeiros
Desenvolvimento do Cenário
Em 2012 o quadro é de lento crescimento econômico e das relações
comerciais. A economia internacional
não mostra sinais de recuperação
consistente e as tensões no Oriente
Médio se estendem, prejudicando ainda
mais a economia mundial e brasileira,
72
Cenários
com leve tendência declinante.
E, apesar da relativa estagnação da
economia brasileira, a vulnerabilidade
externa deve se ampliar com o
crescimento significativo dos déficits na
balança de transações correntes: pode
chegar a 5,7% do PIB brasileiro em
2012, mais do que dobrando as
dificuldades atuais (2,4% do PIB).
amplos e concentração em produtos de
alto valor agregado.
Apesar do esforço das grandes nações de
médio desenvolvimento, como o Brasil,
as novas rodadas da Organização
Mundial do Comércio – OMC não
conduzem a reduções significativas das
barreiras comerciais dos países industrializados. Além disso, os países centrais
aumentam as barreiras não tarifárias, tais
como tecnológicas, sanitárias, segurança
alimentar, certificação, rastreabilidade,
entre outras.
Assim, a economia brasileira registra,
nos próximos 10 anos, uma taxa média
de crescimento baixa, em torno de 1,8%
ao ano, que leva a um pequeno
aumento do PIB e a quase manutenção
da modesta renda per capita.
As condições externas desfavoráveis
afetam a economia brasileira, que sofre
com a falta de investimentos externos.
Isso é acentuado pela persistência de
instabilidade e crise interna no País,
decorrentes das dificuldades de gestão
política dos estrangulamentos econômicos e financeiros.
Cenário D
Distribuição de renda se
mantém nos níveis atuais
Assim, declinam os investimentos
internos e a taxa se mantém baixa, um
pouco acima de 18% do PIB em quase
todo o período. A economia brasileira
padece de prolongada estagnação e
perde espaços no comércio internacional, reduzindo parcialmente também o
grau de abertura externa.
Política de
desenvolvimento rural
sustentável ineficiente
Baixo volume de recursos
disponíveis para a PD&I
Gestão de investimentos
é ineficaz
A participação do PIB brasileiro na
economia mundial declina levemente,
chegando a 2012 com cerca de 1,7%,
da mesma forma em que diminui o peso
relativo do Brasil no total das exportações mundiais: dos atuais 0,43%, em
2012, as exportações brasileiras representam apenas cerca de 0,38%.
Baixa geração e adoção
de tecnologias
Investimentos em PD&I
para a agricultura familiar
pequenos e fragmentados
Estima-se que o grau de abertura externa da economia brasileira mantenha
um nível próximo do atual (19% do PIB)
73
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
De um produto atual estimado em US$
570 bilhões de dólares, o Brasil chega
a 2012 com um PIB de US$ 685 bilhões
de dólares, próximo do que apresentava a Grã-Bretanha em 1980. Como a
população brasileira deve alcançar
cerca de 211 milhões de habitantes em
2012, o PIB per capita brasileiro praticamente não aumenta representando, no
final do período, cerca de US$ 3.200
dólares.
mente pelo mercado devido à incapacidade de iniciativa e investimento do
governo. A estrutura produtiva brasileira
se volta, cada vez mais, para a especialização no comércio internacional.
Ocorre apenas moderada adoção da
multifuncionalidade do espaço e
pequena melhoria na educação rural,
mas o acesso à terra continua como
atualmente. Na organização do
espaço, agrava-se o processo seletivo
de distribuição das atividades
econômicas no território brasileiro.
A distribuição de renda no Brasil se
mantém nos níveis atuais e, ainda que
alguns setores específicos obtenham
ganhos de renda, muitos perdem. Até
2012, a perspectiva é de que ocorram
poucas mudanças importantes na
economia, com manutenção do quadro
atual da distribuição de renda. Como
conseqüência, deve ser baixa a demanda por alimentos no País, inibindo as
oportunidades internas de mercado para
o agronegócio.
As regiões com maior base de recursos
humanos e infra-estrutura têm melhores
condições de aproveitar as modestas
oportunidades econômicas no mercado
interno. Com isso, observa-se uma
pequena concentração regional da
economia nas áreas mais desenvolvidas,
aumentando lentamente o peso relativo
das Regiões Sul e Sudeste. O CentroOeste e o Cerrado melhoram gradualmente a sua posição relativa.
Embora a economia mundial também
registre limitado crescimento comercial, o agronegócio brasileiro tem vantagens competitivas que lhe permitem
aproveitar oportunidades localizadas.
Nessas condições, o agronegócio
apresenta leve aumento da sua
participação no PIB brasileiro dos atuais
27,5% para cerca de 30,8%, em 2012,
praticamente mantendo a participação
no total das exportações brasileiras.
A política e a gestão ambiental são
ineficazes devido à reduzida presença
e capacidade de atuação do Estado na
gestão ambiental, levando a uma
moderada pressão antrópica, uma vez
que a economia não aumenta os
volumes globais de produção. De
qualquer forma, o impacto ambiental
continua alto com ampliação das áreas
degradadas.
Em 2012, o PIB do agronegócio brasileiro é de, aproximadamente, US$ 211
bilhões de dólares, exportando-se cerca
de US$ 27 bilhões de dólares.
Neste cenário, o sistema de PD&I é
pouco valorizado pela sociedade e é
enfraquecido. O volume de recursos
disponíveis para suas atividades é baixo,
o que é agravado por uma ineficaz gestão
de investimentos. Os fundos setoriais são
A política de desenvolvimento rural
sustentável é ineficiente e o desenvolvimento agropecuário é dirigido principal-
74
Cenários
transformados em instrumento de
barganha política, e a iniciativa privada
não encontra estímulos para investir
significativamente em PD&I no
agronegócio brasileiro.
aceitação dos transgênicos pela
sociedade permanece moderada. Os
sistemas regulatórios e a fiscalização
são pouco eficientes, e mais lentos do
que o necessário para garantir a
segurança e ampla aceitação dos
alimentos derivados dos organismos
geneticamente modificados.
Os gastos com ciência e tecnologia se
mantêm em patamares baixos, embora
registrem um pequeno aumento em
termos absolutos. Com efeito, de 0,95%
do PIB investido em PD&I, em 2002,
pode-se chegar a 1%, em 2012. Com
um leve aumento do PIB, o gasto total
no segmento, no final do período, é de
aproximadamente US$ 6,9 bilhões de
dólares superior ao estimado para
2002, cerca de US$ 5,4 bilhões de
dólares.
O Estado não consegue fiscalizar os
cultivos, a adequação da rotulagem de
sementes, dos alimentos e dos
medicamentos modificados. Leis e
regulamentos são aprovados, mas sua
implementação e fiscalização ocorrem
a passos mais lentos do que o necessário
para garantir a segurança dos alimentos
derivados da biotecnologia.
O setor público continua sendo majoritário nos gastos totais em PD&I, embora
com pequeno declínio relativo, passando
dos atuais 61,4% do total para cerca de
53,9%, em 2012. O aumento do peso
relativo do setor privado decorre da
iniciativa de grandes empresas que
necessitam manter os investimentos para
assegurar competitividade externa.
O esforço de PD&I para o uso sustentável
da biodiversidade leva apenas à baixa
geração e adoção de tecnologias e assim,
o choque secular entre as atividades de
cunho econômico e conservação
ambiental continua e é intensificado. As
pesquisas permanecem focalizadas nas
áreas temáticas atualmente contempladas. A predominância do mercado e a
presença moderada do Estado levam à
geração de soluções tecnológicas que
atendem, principalmente, aos requisitos
da agricultura empresarial, em detrimento do uso sustentável da biodiversidade.
Assim, em 2012, as empresas gastam algo
próximo de US$ 3,17 bilhões de dólares,
apesar da estagnação da economia
brasileira e mundial. O quadro econômico
geral, tanto interno quanto externo, não
permite ser otimista quanto ao fluxo de
recursos e investimentos em PD&I para
o agronegócio. As limitações orçamentárias e descontinuidades financeiras não
são equacionadas e, além disso, aumenta
a complexidade do ambiente de CT&I e
a disputa por recursos para o setor.
Os investimentos em PD&I para a
agricultura familiar permanecem, em
2012, como estavam em 2002:
pequenos e fragmentados. Os recursos
financeiros aportados para formação e
desenvolvimento de competências
também são mantidos nos níveis
verificados em 2002.
Por falta de conhecimento e de
processos regulatórios eficientes, a
75
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Ocorre relativa melhoria, expansão e
diversificação do ensino nas escolas
especializadas e em algumas
universidades privadas, mas esse
avanço permanece aquém das reais
necessidades da pesquisa voltada para
o agronegócio. Os investimentos
governamentais e as empresas privadas
atendem apenas parcialmente ao
crescimento da demanda por serviços
de extensão e pesquisa aplicada.
de habitantes (atualmente o Brasil tem
quase 60 mil pesquisadores (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico, 2002), pouco mais de
340,9 pesquisadores por milhão de
habitantes), indicador muito baixo quando
comparado com países desenvolvidos. O
agronegócio praticamente mantém sua
posição relativa no número de
pesquisadores com um pequeno aumento,
de 12,6%, estimado para 2002, para cerca
de 13,6%, em 2012.
Implicações do Cenário D
para a PD&I do Agronegócio
Considerando, contudo, o descompasso
entre a capacitação de recursos
humanos para pesquisa e os investimentos nas instituições de PD&I, ocorre
um número significativo de pesquisadores não incorporados às atividades de
PD&I ou atuando na informalidade,
além da tendência do terceiro setor de
absorver parcela dos pesquisadores
excedentes.
As graves dificuldades internas e
externas e o enfraquecimento do
sistema de PD&I para o agronegócio
leva a uma focalização das demandas
por PD&I num pequeno conjunto de
segmentos.
Neste cenário, o segmento empresarial
privilegia os commodities e, no
segmento público, o foco se volta para
a segurança alimentar e otimização
econômica do uso dos recursos naturais
locais.
Os sistemas de informação e inteligência competitiva são limitados, atuando
essencialmente como sistemas de
organização de base de dados. A
articulação da pesquisa com a inovação e com o setor produtivo também é
limitada e pontual.
Em relação à quantidade e qualificação
de pessoal técnico, há pequeno aumento
de pesquisadores e tecnólogos e melhoria
moderada de sua qualificação. Mesmo
com as dificuldades econômicas e a
manutenção dos padrões de investimentos em PD&I, o total de pesquisadores
cresce a uma taxa baixa, em torno de 1%
ao ano, levando a um pequeno aumento
da massa crítica.
A infra-estrutura de PD&I sofre
obsolescência (exceto nas áreas de
maior demanda) e envelhecimento dos
recursos humanos, embora se observe
racionalização patrimonial e de RH em
áreas específicas. As redes de financiamento de PD&I têm redução na disponibilidade de recursos. Finalmente, o
suporte institucional para a PD&I é limitado, exceto em áreas emergenciais
específicas.
Em 2012, o Brasil conta com pouco menos
de 67 mil pesquisadores, o que representa
cerca de 316,8 pesquisadores por milhão
76
Cenários
Quantificação das Variáveis
em Anos Selecionados
variáveis selecionadas: a Distribuição de
Investimentos em PD&I e a Evolução do
Total de Pesquisadores no Brasil e o Número de Pesquisadores no Agronegócio no
Cenário D – 2002/2012.
De forma a fundamentar as hipóteses
qualitativas colocadas no Cenário D, as
Fig. 11 e 12 mostram a evolução de duas
Fig. 11 . Evolução Futura dos Investimentos em PD&I no Cenário D
em 2002/2012. (Públicas, Privadas e Totais) em U$ bilhões.
Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2002)
Fig. 12 . Evolução do total de pesquisadores no Brasil e nº de
pesquisadores no agronegócio no Cenário D – 2002/2012.
Fonte: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2002)
77
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
Análise Comparativa dos Cenários
As Tabelas 9 (qualitativa) e 10 (quantitativa) apresentam, resumidamente, a análise
comparativa dos quatro Cenários construídos.
78
Cenários
79
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
80
Cenários
Ingredientes para
Estratégias de Atuação
das Organizações Públicas
de PD&I para
o Agronegócio Brasileiro
As conclusões e indicações decorrentes
das análises estratégicas realizadas com
base nos cenários descritos possibilitam,
numa primeira aproximação, a definição
de um conjunto de estratégias.
• A qualidade da pesquisa nacional e a
credibilidade das instituições envolvidas.
Conclusões da
Avaliação Estratégica
• A desarticulação e falta de coordenação
entre as organizações públicas envolvidas na PD&I do agronegócio brasileiro.
Numa avaliação preliminar, a consolidação dos resultados da avaliação estratégica das organizações públicas de PD&I
para o agronegócio brasileiro nos quatro
cenários indica um posicionamento de
equilíbrio face à interação das forças e
fraquezas existentes com as oportunidades e ameaças identificadas. Este fato
recomenda ao conjunto de instituições
um posicionamento estratégico seletivo,
com a concentração de competências,
recursos e esforços num conjunto limitado
de focos e fatores críticos.
• A fragilidade dos processos de transferência de tecnologia tradicionais face
aos novos formatos de gestão tecnológica exigidos pelo agronegócio.
• A infra-estrutura disponível.
Fraquezas mais prejudiciais
• A inadequação na capacitação e desenvolvimento e a deficiência na reposição
do efetivo de recursos humanos.
Oportunidades mais acessíveis
• A intensificação da demanda pelo desenvolvimento sustentável do agronegócio.
Neste sentido, considerando os quatro
cenários, destacam-se:
• A crescente demanda pelo desenvolvimento de produtos competitivos e de
maior valor agregado (tendo em vista o
incremento das exportações).
Forças mais relevantes
• A qualificação dos pesquisadores.
81
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
• O surgimento e expansão das demandas por tecnologias de baixo custo e de
maior impacto social.
Opções Estratégicas
Como um primeiro desdobramento da
visão de futuro, identificam-se quatro
focos centrais nas opções estratégicas
para a atuação das organizações públicas de PD&I para o agronegócio
brasileiro nos próximos 10 anos:
Ameaças mais impactantes
• A insuficiência e a descontinuidade dos
fluxos de recursos para financiamento das
pesquisas.
• A adoção de um posicionamento
estratégico seletivo, o que recomenda
a concentração de recursos e esforços
numa quantidade e variedade relativamente reduzidas de linhas de atuação,
com forte senso de prioridade e
focalização.
• A cultura institucional predominante
que implica fortes entraves burocráticos
e reduzida flexibilidade e autonomia
para as instituições de pesquisa.
• Aumento da competição oportunística
num mercado em expansão, que atrai
novos investidores internos e externos,
não especificamente preparados e
voltados para a cadeia produtiva.
• Ênfase na diversificação de produtos
e serviços para os clientes atuais,
complementada pela expansão dos
mercados-alvo (conquista de novos
clientes, inclusive no exterior).
Ingredientes de
uma Visão de Futuro
• Prioridade ao desenvolvimento de
competências multidisciplinares com
ênfase nas áreas de sustentabilidade
dos sistemas, segurança alimentar e do
alimento, tecnologias emergentes e
transferência de tecnologia.
A comparação e a consolidação das
visões de futuro para o conjunto das
organizações públicas de PD&I do
agronegócio brasileiro, formuladas sob os
quatro cenários, permite identificar como
traços característicos comuns:
• A conquista e a manutenção de uma
posição de destaque (ou mesmo de
vanguarda) em nível internacional.
• Maior articulação e conectividade das
instituições de PD&I do agronegócio
brasileiro, com ênfase em integração, nas
parcerias e no desenvolvimento de redes
de pesquisa para geração de inovações.
• A liderança mundial em tecnologia para
clima tropical.
Objetivos Sugeridos
• A agregação de competitividade ao
agronegócio brasileiro.
Neste horizonte, e como desdobramento
da visão de futuro e das opções estratégicas, sugere-se a avaliação (para efeito
de seleção de um subconjunto) dos
seguintes objetivos, tendo em vista a
formulação de uma estratégia robusta
para esta década:
• Uma contribuição relevante para a
sustentabilidade ambiental, a segurança
alimentar (e dos alimentos) e a inclusão
(ou inserção) social.
82
Cenários
Relacionados à efetividade
das organizações
• Direcionar a PD&I para atender as
demandas dos programas sociais.
• Agregar níveis elevados de benefícios
econômicos, sociais e ambientais à PD&I.
• Desenvolver a PD&I para inserir a
agricultura familiar no agronegócio.
• Contribuir para a redução dos desequilíbrios regionais e das desigualdades
sociais.
• Fortalecer os processos de desenvolvimento rural e transferência de tecnologia,
considerando os novos formatos de gestão
tecnológica exigidos pelo agronegócio.
• Contribuir para a inserção competitiva
do agronegócio brasileiro no mercado
mundial.
• Assegurar que a PD&I se transforme em
elemento estratégico da política de
desenvolvimento rural e nacional.
• Dotar o agronegócio brasileiro de tecnologias para se produzir com sustentabilidade (econômica, social e ambiental).
• Ampliar a capacidade de inovação de
maneira a transformar o conhecimento
em produtos e serviços para a sociedade.
• Contribuir para a inclusão social,
reduzindo as desigualdades existentes.
Relacionados ao posicionamento
competitivo e focos prioritários
Relacionados ao
desenvolvimento e manutenção
de competências essenciais
• Consolidar posição de liderança nos
segmentos em que atua.
• Aumentar a eficiência dos processos
gerenciais e de PD&I.
• Alcançar e manter a posição de sistema
de excelência e referência internacional
em PD&I do agronegócio.
• Capacitar as organizações públicas
de PD&I para enfrentar situações de
crise.
• Assegurar, ao Brasil, a posição de
liderança mundial em PD&I para o
agronegócio tropical.
• Desenvolver novas competências e
habilidades humanas para atender as
ações de pesquisa interdisciplinares e
em redes.
• Liderar o processo de desenvolvimento
tecnológico para produção de biomassa
destinada à geração de energia e à
indústria química.
• Expandir e qualificar as equipes
científicas e os gestores e modernizar
a infra-estrutura de pesquisa.
• Liderar o processo de desenvolvimento
de produtos derivados da biodiversidade
tropical (biofábricas, alimentos funcionais,
nutracêuticos, aditivos, corantes,
fitoterápicos, bio-pesticidas, etc.).
• Adequar a estrutura e funções do
sistema de pesquisa agropecuária com
ênfase na multi-funcionalidade do meio
rural, nas questões do meio ambiente e
no desenvolvimento local.
• Desenvolver tecnologias capazes de
auxiliar o agronegócio brasileiro a liderar
o comércio internacional de proteínas.
• Assegurar a distribuição adequada das
organizações de PD&I, de acordo com
83
Pesquisa, desenvolvimento e inovação para o Agronegócio Brasileiro
as especificidades regionais e ecossistemas do País.
ambiente, etc., para regiões menos
favorecidas do País.
• Incentivar formas criativas para
difusão de informações tecnológicas,
que considerem à disseminação de
informações sobre agricultura, mercado, preço, saúde, educação, meio
• Consolidar, nas organizações públicas intervenientes, uma cultura organizacional baseada na integração com o
agronegócio e no atendimento das
exigências da sociedade.
84
Cenários
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Realidade e sonho no agronegócio mundial.
Valor Econômico, Rio de Janeiro, 8 ago. 2002.
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Equipe Técnica
Embrapa
Coordenação Geral
Antônio de Freitas Filho - SEA
Mariza Marilena T. L. Barbosa - SEA
Zani Edna Andrade Brei - SEA
Apoio Técnico
MaríliaCastelo Magalhães - SEA
Rosaura Gazzola - SEA
Macroplan
Supervisão
Cláudio Américo Porto
Coordenação Técnica
Ana Carolina Arroio
Ângela Aun
Enéas Fernandes Aguiar
Sérgio Cavalcante Buarque
Impressão e acabamento
Embrapa Informação Tecnológica

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