A Construção Europeia Após a Segunda Grande Guerra Mundial

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A Construção Europeia Após a Segunda Grande Guerra Mundial
A Construção Europeia
Após a Segunda Grande Guerra
Mundial
Parte I
De 1945 a 1950
Instituições Mundiais após Yalta-Berlim-Postdam (1)
•
Entre Estaline, pela URSS, Roosevelt, pelos Estados
Unidos da América do Norte, e Churchill, pela GrãBretanha, realizaram-se três conferências no
período final da Segunda Guerra Mundial:
1.
2.
3.
Yalta, de 4 a 11 de Fevereiro de 1945;
Berlim, a 5 de Junho de 1945;
Potsdam, de 17 de Julho a 2 de Agosto de 1945.
Instituições Mundiais após Yalta-Berlim-Postdam (2)
•
Algumas decisões das conferências
1.
Divisão da Europa: (1) a parte oriental da Alemanha, a Polónia, a
Checoslováquia, Hungria, Roménia, Bulgária e Albânia, sob influência da
URSS; (2) parte ocidental da Europa, juntamente com a Alemanha
ocidental (com zonas de ocupação norte-americana, inglesa e francesa),
com governos democráticos por via de eleições, ao abrigo da
Declaração sobre a Europa Libertada, sob a influência dos EUA; estatuto
especial para Berlim, ficando sob administração das potências
vencedoras.
Criação da Organização das Nações Unidas (ONU): criada oficialmente
em 24 de Outubro de 1945, ratificada por 51 estados, destinada,
conforme a sua Carta, a promover a paz, os direitos humanos, o
respeito pelos tratados e do direito internacional em geral.
2.
Europa em 1970
Instituições Mundiais após Yalta-Berlim-Postdam (3)
•
Outras instituições e acordos internacionais
1.
Um novo Sistema Monetário Internacional, na Conferência de Bretton Woods,
em Julho de 1944, que consagra a hegemonia do Dólar Americano (em 1971,
Richard Nixon abandonará a convertibilidade directa do dólar em ouro),
juntamente com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional
para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD).
Em Outubro de 1947, cria-se o Acordo geral sobre os Tratados Aduaneiros
(GATT – General Agreement on Tariffs and Trade);
No interior das Nações Unidas, em 1947, os governos dos países europeus
ocidentais formam as instituições económicas seguintes:
- Organização Europeia do Carvão;
- Organização Europeia de Transportes por Terra;
- Comunidade Económica de Urgência para a Europa.
2.
3.
Instituições Mundiais após Yalta-Berlim-Postdam (4)
4. Criação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em 1949, uma
estrutura militar formada pelos Estados-Unidos, Canadá, Reino Unido, Portugal,
Noruega, Países-Baixos, Luxemburgo, Itália, Islândia, França, Dinamarca e Bélgica e
que integrou a Europa numa lógica de blocos geo-estratégicos, comandada pelos
Estados-Unidos (o Pacto de Varsóvia foi criado em 1955).
Às portas da União - Churchill e Marshall (1)
O Impulso Político
Discurso de Winston Churchill à juventude académica, pronunciado em Zurique, em 19 de
Setembro de 1946
I wish to speak to you to-day about the tragedy of Europe. […]
Yet all the while there is a remedy which, if it were generally and spontaneously adopted by the great majority of people in many
lands, would as if by a miracle transform the whole scene, and would in a few years make all Europe, or the greater part of
it, as free and as happy as Switzerland is to-day. What is this sovereign remedy? It is to re-create the European Family, or as
much of it as we can, and to provide it with a structure under which it can dwell in peace, in safety and in freedom. We must
build a kind of United States of Europe. In this way only will hundreds of millions of toilers be able to regain the simple joys
and hopes which make life worth living. […]
I was very glad to read in the newspapers two days ago that my friend President Truman had expressed his interest and sympathy
with this great design. There is no reason why a regional organization of Europe should in any way conflict with the world
organization of the United Nations. On the contrary, I believe that the larger synthesis will only survive if it is founded upon
coherent natural groupings. There is already a natural grouping in the western hemisphere. We British have our own
Commonwealth of Nations. […]
I am now going to say something that will astonish you. The first step in the re-creation of the European Family must be a
partnership between France and Germany. In this way only can France recover the moral and cultural leadership of Europe.
[…]
In all this urgent work, France and Germany must take the lead together. Great Britain, the British Commonwealth of Nations,
mighty America and I trust Soviet Russia -for then indeed all would be well- must be the friends and sponsors of the new
Europe and must champion its right to live and shine.
Therefore I say to you: l e t E u r o p e a r i s e !
Às portas da União - Churchill e Marshall (2)
Estimulados pelas palavras de Churchill, surgiram movimentos por toda a
Europa:
- Em Dezembro de 1946, surgia em França a União Europeia de Federalistas
- Em 1947, surge o Movimento para os Estados Unidos Socialistas da Europa
- Em 1947, os partidos Democratas-Cristãos de Itália, França e Alemanha criam as Novas Equipas
Internacionais
- Em 1947, surge na Grã-Bretanha o Movimento Europeu Unida, sob a influência de Churchill
- Em 1947, Koudenhove-Kalergi cria a União Parlamentar Europeia.
A “Questão Europeia” surge de novo na agenda política e é abordada por
todas as tendências do espectro político (liberais, democratas-cristãos,
socialistas), à exclusão da direita autoritária e dos comunistas, que
rejeitam a perspectiva de uma Europa unida.
Às portas da União - Churchill e Marshall (3)
O Impulso Económico
Discurso do General Marshall, pronunciado em Harvard em Junho de 1947
In considering the requirements for the rehabilitation of Europe, the physical loss of life, the visible destruction of cities, factories,
mines, and railroads was correctly estimated, but it has become obvious during recent months that this visible destruction
was probably less serious than the dislocation of the entire fabric of European economy. For the past ten years conditions
have been abnormal. The feverish preparation for war and the more feverish maintenance of the war effort engulfed all
aspects of national economies. […]
The remedy lies in breaking the vicious circle and restoring the confidence of the European people in the economic future of their
own countries and of Europe as a whole. The manufacturer and the farmer throughout wide areas must be able and willing
to exchange their product for currencies, the continuing value of which is not open to question. […]
It is already evident that, before the United States Government can proceed much further in its efforts to alleviate the situation
and help start the European world on its way to recovery, there must be some agreement among the countries of Europe as
to the requirements of the situation and the part those countries themselves will take in order to give proper effect to
whatever action might be undertaken by this Government. […]
The role of this country should consist of friendly aid in the drafting of a European program and of later support of such a program
so far as it may be practical for us to do so. The program should be a joint one, agreed to by a number, if not all, European
nations. […]
Às portas da União - Churchill e Marshall (4)
O Plano Marshall suscitou amplo interesse na Europa e foi adoptado por 16
países (Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grã Bretanha, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália,
Islândia, Luxemburgo, Noruega, Suécia, Suíça, Portugal e Turquia), criando-se
instituições adaptadas para o acolher:
- Um Comité de Cooperação Económica, em Julho de 1947
- Uma união aduaneira entre a Bélgica, os Países-Baixos e o Luxemburgo (BENELUX), em 1948
- A Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE), em 1948
- A União Europeia de Pagamentos, em 1950
O Plano Marshall foi aplicado pelo triénio de 1948/49, 1949/50, 1950/51.
Foram aplicados 13 mil milhões de dólares, o equivalente a quase 6% do
PIB norte-americano. Produziu um impacto assinalável no ressurgimento
da economia europeia e criou uma “boa vontade” permanente da Europa
em relação aos EUA.

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