Revista Saber nº3

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Revista Saber nº3
Número 03 - Agosto 2011
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Portas abertas para a inovação
Gestão de P&D
Novas ferramentas, indicadores
de desempenho e auditoria
de projetos mudam dia a
dia da área de pesquisa e
desenvolvimento da Light
Smart Grid
Programa de redes inteligentes
já tem protótipo do display e
portal para consumidor está
quase pronto
Inteligência Comercial
Projetos vão medir tempo de
restabelecimento da energia,
mapear problemas por
área geográfica e melhorar
atendimento ao cliente
N o 03 - AGO 2011
SOLUÇÕES EFICIENTES,
ENERGIA INTELIGENTE.
Há mais de 6 anos o LETD vem transformando ideias em soluções na área de Engenharia Elétrica. Além de
efetuar estudos e desenvolver pesquisas no setor de energia, nosso conceituado laboratório presta serviços
de consultoria e executa projetos para as grandes empresas do mercado, com a experiência de um corpo
técnico-científico formado por professores e engenheiros associados.
Nossos projetos de sucesso promovem, cada vez mais, a integração entre a Universidade, os Órgãos Governamentais, as Concessionárias de Energia Elétrica e a Indústria. Confira abaixo um desses projetos:
Sistema de rede inteligente – Economia e praticidade caminham juntos.
Através de uma nova rede inteligente,
a energia é distribuída.
NOSSOS PRINCIPAIS CLIENTES
2
Pode-se detectar qualquer ponto de
alteração na rede, através do novo
material de transmissão.
Pelo sistema, o operador detecta a
alteração e adota as devidas providências.
LETD – Laboratório de Estudos de Transmissão e Distribuição – Departamento de Engenharia Elétrica
Rua Passo da Pátria, 156 – bl. D – sala 513 – São Domingos – Niterói – RJ – CEP: 24.210-240
Tel: (21) 2629 5511 – Telfax: (21) 2629 5521 – email: [email protected]
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Mensagem do presidente
É com grande satisfação que apre-
Encorajamos pesquisas alinhadas
sento o número 3 da Revista Saber, com os
aos objetivos estratégicos da companhia,
resultados do Programa de Pesquisa e Desen-
que sirvam para melhorar a prestação dos
volvimento da Light. De 2010 para cá, o tra-
serviços e para assegurar justiça na aloca-
balho foi intenso. Novas ideias surgiram, ini-
ção dos correspondentes custos. São os ca-
ciamos diversos projetos e vários desafios
sos, por exemplo, do transformador de dis-
foram vencidos. Merece destaque o Progra-
tribuição autoprotegido, do dispositivo de
ma Smart Grid, devido ao ineditismo das so-
bloqueio e alarme de fraude e do bastão am-
luções alcançadas. Nesta edição, o leitor co-
perímetro para detecção de fraudes em insta-
nhecerá o protótipo industrial do display do
lações de baixa tensão.
medidor inteligente, já pronto para uso, e os
próximos passos do programa que entrará na
de ponta, como é o caso da nanotecnolo-
fase de testes em campo.
gia. Um exemplo é a pesquisa para detectar
Outra iniciativa que merece desta-
e talvez absorver gases, que colocam em ris-
que é o Programa de Inteligência Comercial,
co nossas instalações subterrâneas, e criação
que é composto de quatro projetos que vi-
de uma tinta para identificação de vazamen-
sam simplificar e aumentar a eficácia do re-
tos de SF6.
lacionamento com a Light. Nossa expectativa
é que, em alguns anos, o atendimento virtual
cer dois grandes desafios: a modernização
represente mais de 50% da forma como nos-
do sistema subterrâneo e o furto de energia,
sos clientes se comunicarão conosco.
que encarece a tarifa paga pelos clientes ho-
Preocupamo-nos também com o
nestos. Em ambos os casos, existem excelen-
desenvolvimento sustentável. Os projetos
tes oportunidades para inovações tecnoló-
de P&D desenvolvem soluções que não ape-
gicas. É por isso que temos grande interesse
nas reduzem custos operacionais, mas o fa-
em ideias criativas. Temos convicção de que
zem preservando o meio ambiente, com
os resultados dos projetos de P&D nos pos-
responsabilidade social. São projetos de
sibilitarão melhor servir aos clientes, com ta-
energias renováveis – como a fotovoltaica –,
rifas mais acessíveis, e simultaneamente re-
destinação correta de resíduos sólidos, ge-
munerar adequadamente o investimento
ração de renda com reciclagem e produção
dos acionistas.
Investimos também em tecnologias
A Light atualmente tem que ven-
de materiais não agressivos ao ambiente,
como o óleo 100% biodegradável. E diversos outros exemplos, apresentados nas páginas a seguir.
Jerson Kelman
Presidente da Light
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
Sumário
País da energia
renovável
6
Diretoria da Light
Diretor-presidente
Jerson Kelman
Diretor de Gestão Empresarial
Paulo Carvalho Filho
Diretor de Finanças e Relações com Investidores
João Batista Zolini Carneiro
Diretor de Energia
Evandro Leite Vasconcelos
Diretor de Distribuição
José Humberto Castro
Planejando
e gerindo o P&D
12
Diretora de Gente
Ana Silvia Corso Matte
Diretor de Novos Negócios e Institucional
Paulo Roberto Ribeiro Pinto
Saber | Revista de Pesquisa e
Desenvolvimento da Light
Gerência de Planejamento, Ambiente e Inovação da Light
Paulo Mauricio de A. Senra
José Tenorio B. Junior
Contato [email protected]
26
Promovendo
o P&D
Superintendência de Comunicação Empresarial
Oscar Guerra
Coordenação de Edição
Jordana Garcia
Gerência de Comunicação da Light
Contato [email protected]
Reportagem, Texto e edição
Massi Comunicação
Jornalista Responsável
O ingrediente
humano no P&D
34
Viviane Massi - MTB 7149/MG
Colaboração
Ana Beatriz Petrini e Fernanda Paes
revisão
Agnes Rissardo
Projeto Gráfico e Editoração
Quadratta Comunicação e Design
Fotografias
Humberto Teski
INFOGRÁFICOS
Diogo Torres
44
Influências
externas
Comercial
Regina Rei
Impressão
Editora Gráficos Burti Ltda.
Tiragem
5 mil exemplares
58
E por falar
em projetos
4
Para anunciar
Contato (21) 2211- 2563
A partir desta edição, a Revista Saber
adota o novo acordo ortográfico
da Língua Portuguesa.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Uma Rede Inteligente da PUC-Rio participa do esforço
colaborativo para desenvolver o Programa de P&D da Aneel
ICA - Inteligência Computacional Aplicada
IEPUC-Rio - Instituto de Energia
Sistemas inteligentes de apoio à decisão; previsão;
otimização; data/web/text mining.
Veículos híbridos e elétricos, novos combustíveis,
energia solar e eólica. Ciclos térmicos.
Testes de veículos e motores com análise de emissões.
Contato: Prof. Marco Aurélio C. Pacheco Tel. (21) 3527-1207
[email protected] | www.ica.ele.puc-rio.br
Contato: Prof: Sergio Leal Braga Tel. (21) 3527-1535
[email protected] | www.puc-rio.br/iepuc
Inovação & Metrologia
LAME - Laboratório de Avaliação
Avaliação Metrológica de Sistemas, normalização e
tecnologias de medição; gestão da inovação e do conhecimento;
mitigação de riscos regulatórios; tarifas, indicadores e métricas.
Projeto e avaliação técnico- econômica de desempenho de medidores
e de sistemas de geração e utilização de energias térmica e elétrica.
Certificação de sistemas de medição para transferência de custódia.
Contato: Prof. Maurício Nogueira Frota Tel. (21) 3527-1171
[email protected] | www.puc-rio.br/metrologia
Metrológica e Energética
Contato: Prof. Alcir de Faro Orlando Tel. (21) 3527-1176
[email protected] | www.puc-rio.br/lame
Métodos de Apoio à Decisão
NUPEI — Núcleo de Pesquisa em Energia e Infraestrutura
Modelos de previsão de mercado e de vazões, satisfação do
consumidor; combate a perdas; PPH (pesquisa de posses e hábitos);
mitigação de riscos no setor elétrico.
Finanças da energia; Avaliação de projetos;
Análise de risco; Modelos de otimização estocástica.
Contato: Prof. Reinaldo Castro Tel. (21) 3527-1213
[email protected] | www.reinaldosouza.com.br
Contato: Prof: Luiz Brandão Tel. (21) 2138-9304
[email protected] | www.iag.puc-rio.br
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Rio Rua Marquês de São Vicente, 225 Gávea - CEP 22451-900
www.puc-rio.br
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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ENTREVISTADO DA EDIÇÃO
País da energia renovável
Professor Goldemberg fala sobre os rumos
do setor no Brasil e afirma que faltam
políticas de incentivo à inovação na indústria
foto divulgação
6
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
ENTREVISTADO DA EDIÇÃO
A Revista Saber conversa, nesta edição, com
criatividade por parte da indústria nacional
o professor José Goldemberg, doutor em
para ocupar novos espaços. Pelo contrário,
Ciências Físicas pela Universidade de São
tornou-a acomodada e protegida.
Paulo (USP). Professor Goldemberg foi presidente da Sociedade Brasileira para o Pro-
Saber: O setor elétrico, comparado a ou-
gresso da Ciência, presidente da Compa-
tros segmentos, é visto ainda como tímido
nhia Energética de São Paulo (CESP) e reitor
em relação a inovações que provocam rup-
da USP. Assumiu as Secretarias de Ciência
turas, sendo considerado estável tecnologi-
e Tecnologia e Meio Ambiente do Governo
camente. O senhor concorda com essa vi-
Federal. Lecionou na Universidade de Paris
são? E, se sim, qual seria o principal motivo
(França) e Princeton (Estados Unidos). É au-
para esse fato? O ambiente regulado pode
tor de inúmeros trabalhos técnicos e vários
ser visto como um inibidor da inovação?
livros sobre física nuclear, energia e meio
Professor Goldemberg: Sim, mas a in-
ambiente. Em 2008, recebeu o Prêmio Blue
trodução das smart grids – redes inteligen-
Planet Prize da Asahi Glass Foundation (Ja-
tes – vai alterar isso.
pão), concedido a pessoas que contribuem
para a solução de problemas ambientais
globais. Em 2010, levou o Trieste Science
Prize, da Academia de Ciências do Terceiro
O Brasil investe em P&D uma fração comparável
Mundo. Nesta entrevista exclusiva, profes-
à de países como Espanha e Itália, o que não é
sor Goldemberg fala sobre o atual momen-
pouco. O que falta são políticas na área industrial
to e o futuro do setor de energia elétrica
no país, abordando temas como smart grid,
que encorajem a inovação.
energia renovável, pré-sal e eficiência energética. Leia a seguir.
S aber : Como o senhor vê o futuro
S a ber : No cenár io mundial, qual o
do negócio de distr ibuição de ener-
lugar ocupado pelo Brasil no campo
gia com o desenvolvimento das re -
da inovação?
des inteligentes?
Professor Goldemberg: O lugar ocupa-
Professor Goldemberg: É o que o futu-
do não é muito bom. A presença de produ-
ro nos reserva. À medida que entrarem no
tos fabricados no exterior é tão dominante
mercado usinas eólicas ou solares, have-
no Brasil que têm havido poucas contribui-
rá centenas ou milhares de unidades gera-
ções para a inovação. A existência de uma
doras que deverão ser operadas através de
reserva de mercado que caracteriza a po-
smart grids. Só para dar um exemplo: na Es-
lítica industrial do país durante várias dé-
panha, atualmente, existem mais de 20 mil
cadas, desde 1950, não resultou em grande
unidades geradoras.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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ENTREVISTADO DA EDIÇÃO
Claramen-
Saber: O país investe pouco em P&D quan-
Professor
do comparado a outras nações. Vamos “per-
te, essas leis têm sido insuficientes. Creio
der o bonde da história”?
que a indústria nacional só se movimenta-
Professor Goldemberg: Não. O Brasil
rá decisivamente na procura de inovações
investe em P&D uma fração comparável à
quando tiver que enfrentar a concorrên-
de países como Espanha e Itália, o que não
cia internacional. Não é apenas articulan-
é pouco, mas faltam políticas na área indus-
do a pesquisa nas universidades que isso
trial que encorajem a inovação.
vai ocorrer. A política industrial é que te-
Goldemberg:
rá que induzir a necessidade de inovação.
Saber: No programa de P&D ANEEL, as
Só então as indústrias irão procurar o apoio
empresas começam a avançar na cadeia de
das universidades. Existe uma visão de ino-
inovação, aproximando-se do setor indus-
vação que considero inapropriada: é a de
trial. Qual o papel das universidades neste
que ela se origina nas universidades e cen-
novo cenário?
tros de pesquisas e se irradia pela indústria.
Professor Goldemberg: O programa de
Mas a visão correta é a de que o governo
P&D da ANEEL é um passo na direção certa,
precisa adotar uma política fiscal que esti-
mas ainda está sendo pouco utilizado pelas
mule as indústrias a desenvolver soluções
universidades brasileiras, as quais, de mo-
inovadoras, sobretudo se houver competi-
do geral, têm se dedicado a atividades pu-
ção entre elas. Essas políticas, como isen-
ramente acadêmicas, distantes das aplica-
ção de impostos e empréstimos a juros bai-
ções industriais.
xos, levarão o setor industrial a procurar as
universidades e os centros de pesquisa para resolver seus problemas e ajudá-lo a ino-
O governo precisa adotar uma política fiscal
que estimule as indústrias a desenvolver
soluções inovadoras, como isenção de
impostos e juros baixos.
var. Algumas grandes companhias instalaram até seus próprios centros de pesquisa
e inovação para que se dediquem aos problemas em que estão interessados, com a
vantagem de garantir proteção intelectual
e patentária.
Saber: O Governo Federal publicou re-
8
Saber: As Leis de Inovação e do Bem têm
centemente o Plano Decenal de Expan-
sido utilizadas em todo o seu potencial pe-
são da Energia 2019, que faz projeções so-
las empresas para obtenção de benefícios
bre o crescimento da produção de energia
fiscais a serem investidos em inovação. Co-
no país e os caminhos que esse crescimen-
mo o senhor vê essa iniciativa do governo
to, provavelmente, vai seguir. Dentro des-
para dar outra dinâmica ao setor no país?
se contexto, qual a importância de ações de
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ENTREVISTADO DA EDIÇÃO
inovação no ambiente do setor elétrico?
plantar uma usina térmica do que uma hi-
Professor Goldemberg: Dentro do se-
drelétrica? Como superar esse dilema?
tor de energia, que é objeto dos planos
Professor Goldemberg: Tem sido de fa-
decenais, o que chama a atenção é a im-
to um dilema porque o processo de licen-
portância crescente das novas energias re-
ciamento ambiental no Brasil é problemá-
nováveis, principalmente energia eólica
tico. Um grande esforço deveria ser feito
e solar (fotovoltaica). A energia eólica de-
para simplificar esses procedimentos.
ve crescer de cerca de 1 gigawatt, em 2010,
para 10 gigawatts, em 2020. Pesquisa, desenvolvimento e inovação serão mais que
necessários para que isso ocorra e para que
os custos de produção caiam.
O acidente de Fukushima vai levar a uma
estagnação da energia nuclear no mundo.
Saber: Apesar de ser uma solução na luta
Como a grande maioria dos reatores nucleares
contra o aquecimento global, a energia nu-
existentes já tem 30 ou 40 anos, eles aos poucos
clear deixará de ser uma opção após o acidente no Japão?
serão desativados.
Professor Goldemberg: O acidente de
Fukushima vai levar a uma estagnação da
energia nuclear no mundo. Como a gran-
Saber: Investir em eficiência energética é
de maioria dos reatores nucleares existen-
a opção mais barata para atender ao cres-
tes já tem 30 ou 40 anos, eles aos poucos
cimento da demanda, mas continuamos a
serão desativados. Os custos de novos rea-
privilegiar a construção de novas usinas ge-
tores nucleares vão aumentar devido a nor-
radoras. É preciso mudar?
mas adicionais de segurança, de modo que
Professor Goldemberg: Sem dúvida,
eles deixarão de ser uma opção interessan-
mas não é fácil introduzir eficiência ener-
te no futuro.
gética, pois exige decisões individuais de
milhões de consumidores. Exortar as pes-
Saber: O Brasil será o país da energia reno-
soas a conservar energia não é um cami-
vável, além da hidroeletricidade?
nho muito produtivo. O que é preciso fa-
Professor Goldemberg: Sem dúvida. A
zer é etiquetar todos os produtos que
abundância de sol e de terra – biomassa
consomem energia e eliminar do mer-
– dá ao Brasil condições excepcionais pa-
cado os que são menos eficientes. Atu-
ra a produção de energia solar e de bio-
almente, a etiquetagem de alguns é fei-
combustíveis.
ta de forma voluntária. Fica nas mãos do
consumidor escolher o mais eficiente. E
Saber: Em alguns casos é mais fácil im-
isso não basta.
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ENTREVISTADO DA EDIÇÃO
Saber: Para quem nasceu hoje, o pri-
Saber: Há muito se espera o aumento
meiro carro será elétrico? Ou para o Bra-
na eficiência das caldeiras das usinas de
sil a melhor opção será o carro híbrido
açúcar e álcool. A cogeração com baga-
etanol-elétrico?
ço aumentará sua participação na matriz
Professor Goldemberg: Carros elétri-
energética?
cos ainda são um sonho distante. As ba-
Professor Goldemberg: A cogeração
terias existentes não são suficientemen-
nas usinas de álcool e açúcar já é feita cor-
te eficientes para permitir sua adoção nem
rentemente no país. Mais de 2 gigawatts de
existe uma rede de abastecimento adequa-
eletricidade dessa fonte são comercializa-
da. Híbridos etanol-elétricos parecem ser a
dos nos dias atuais. A melhoria da eficiên-
opção mais realista para o país.
cia das caldeiras está ocorrendo em todas
as usinas novas e se espera gerar pelo menos 10 gigawatts com essa fonte até 2020.
Energias renováveis representam hoje 45%
da energia que se usa no Brasil. O ideal é que
daqui a 50 anos esse percentual atinja 70% ou
80%, incluindo o uso de energia hidroelétrica.
Saber: O que esperar da RIO+20?
Professor Goldemberg: Podemos esperar o estabelecimento de metas para a introdução de energias renováveis no
mercado com a consequente redução das
emissões de gases de efeito estufa e outros
poluentes, que decorrem do uso de com-
Saber: Como conciliar a exploração do
bustíveis fósseis. Um grupo que assesso-
pré-sal com o desenvolvimento sustentá-
rou o secretário geral das Nações Unidas
vel? Eles são incompatíveis?
recomenda a adoção das seguintes metas:
Professor Goldemberg: O pré-sal
aumento da participação das energias re-
vai enriquecer o país, mas não o torna-
nováveis de 12% para 30%, em 2030; e re-
rá mais sustentável. O desafio é usar es-
dução da intensidade energética, isto é, au-
sa riqueza para modernizá-lo e adotar
mento da eficiência em 40% até 2030.
uma rota sustentável de desenvolvimento, evitando a “doença holandesa”, que é
Saber: Apesar de ser mais fácil “prever o
a desindustrialização.
passado”, como o senhor vê o Brasil daqui
a 50 anos?
Saber: Já se falou em sociedade do hidro-
Professor Goldemberg: Energias reno-
gênio. Ele será uma opção energética?
váveis representam hoje 45% da energia
Goldemberg: Hidrogênio
que se usa no Brasil. O ideal é que daqui a
não é uma boa opção. É caro e difícil de pro-
50 anos esse percentual atinja 70% ou 80%,
duzir, além de perigoso.
incluindo o uso de energia hidroelétrica.
Professor
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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Planejando
e gerindo o P&D
Revisão de planejamento estratégico, novo sistema de gestão, escritório
de projetos, indicadores de desempenho: a área de P&D da Light está
vivendo um momento de grandes mudanças. Os processos e atividades
internas se tornarão ainda mais eficientes, repercutindo positivamente
na performance dos projetos de pesquisa e desenvolvimento da
companhia. Vem aí uma nova área de P&D.
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foto istockphotos
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PLANEJANDO E GERINDO O P&D
Novos horizontes
para o P&D da Light
Programa revê plano estratégico e se prepara
para avançar na gestão de ideias e projetos
Linhas de pesquisa: O Plano Estratégico para Investimentos em Projetos
de P&D da Light tem 18 linhas de pesquisa, entre elas Impactos ambientais e
inovação em gestão ambiental; Sustentabilidade; Modelagem de redes; Predição, segmentação, identificação e gestão de perdas comerciais; Sistemas de
medição, controle e gerenciamento de
energia; e Integração de centrais eólicas e de fontes de geração distribuída.
Para conhecer as outras linhas de pesquisa, acesse o Plano no link Pesquisa e Desenvolvimento, no site da Light:
www.light.com.br
Em 2011, a área de P&D da Light se
instituições acadêmicas e da alta gestão. Nesse
viu diante do desafio de rever e atualizar o seu
processo, serão identificadas linhas de pesquisa
Plano Estratégico de Investimentos em Pro-
que possam trazer resultados inovadores e ca-
jetos de P&D. O principal objetivo da revisão
pazes de ajudar a Light a atingir o patamar tec-
é alinhá-lo à nova estratégia da companhia,
nológico almejado”, explica o consultor Vicente
fruto da mudança no controle acionário e da
Guimarães, da Aquarius Reef, empresa que dá
gestão da Light. A revisão também é impor-
suporte à revisão do plano estratégico de P&D.
tante para que sejam consideradas e aprovei-
tadas as novas tendências tecnológicas.
ses da Light, a atualização do plano procurou
Frente a esse desafio, a área de P&D alo-
criar mais sinergia entre as linhas de pesquisa,
cou esforços para estar alinhada aos objetivos e
prevendo investimentos em projetos com ob-
interesses gerais da organização. “Os projetos de
jetivos convergentes e complementares, sem-
P&D precisam contribuir para que a Light atinja
pre de acordo com as exigências regulatórias da
seus objetivos estratégicos. O processo de revi-
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
são do plano é participativo e contará com o en-
volvimento de diversas áreas da companhia, de
cas é condição sine qua non para a área de P&D
Além do alinhamento com os interes-
Estar atenta às novidades tecnológi-
da Light. “Nesse recente trabalho de revisão, as
oportunidades trazidas pelo avanço da tecnologia ganharam destaque, principalmente porque
a alma do P&D é a escolha de soluções tecnológicas inovadoras”, ressalta o coordenador de
P&D da Light, José Tenório Júnior, que direcionou as mudanças feitas no plano estratégico.
ESCRITÓRIO DE PROJETOS
A coordenação de P&D da Light es-
tá viabilizando a implantação de um Escritófoto humberto teski
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Monitoramento e
controle de portfólio
SELEÇÃO
DE IDEIAS
SELEÇÃO DE
PROPOSTAS
SELEÇÃO DE
PROJETOS
ALINHAMENTO
DO PORTFÓLIO
GERENCIAMENTO
DE PROJETOS
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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PLANEJANDO E GERINDO O P&D
Novas normas da ABNT
O processo de normalização de sistemas de gestão, como o da qualidade ambiental e da
responsabilidade social nas organizações, é igualmente aplicável para a gestão de pesquisa, desenvolvimento e inovação. No Brasil, esse processo é conduzido pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da ABNT/CEE-130 – Comissão de Estudo
Especial de Gestão da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I). Um grupo de especialistas está trabalhando na elaboração de três textos que vão normalizar a área de P&D&I
no país. Serão definidas normas relativas à terminologia utilizada e às diretrizes para sistemas de gestão e projetos de P&D&I. As novas regras vão sistematizar a gestão da área no
ambiente corporativo, assegurar a eficiência dos projetos e racionalizar os recursos investidos. O P&D da Light vê com bons olhos a iniciativa da ABNT.
PMO: É uma unidade organizacional
com o objetivo de conduzir, planejar, organizar, controlar e finalizar as atividades de um projeto. As pessoas que integram essa unidade são capacitadas
para dar todo o suporte necessário aos
gerentes de projeto. Muitos o denominam de QG (Quartel General), pois é o
centro de controle.
16
rio de Projetos, também chamado de PMO
de atuação é vasto. O Escritório de Projetos
(Project Management Office), para conduzir
vai melhorar nossa expertise em gerir o P&D
as ações de P&D. “A implementação do Escri-
e contribuir para a internalização dos produ-
tório de Projetos dará mais credibilidade ao
tos desenvolvidos, orientando a Light sobre
processo dentro da empresa. A área de P&D
como aproveitar inovações em seu dia a dia”,
da Light já tem todas as características de
pontua Tenório.
um PMO, mas ainda não se intitula como tal.
É provável que isso aconteça ainda em 2011,
cam a implantação de um PMO, como a neces-
com a implementação do SAGe (Sistema de
sidade de controlar a apropriação de resultados
Apoio à Gestão de P&D) e do EPM (Enterprise
dos projetos, proliferação de aplicativos de su-
Project Management), este último um ambien-
porte, descentralização de dados e transferên-
te colaborativo completo para gerenciamen-
cia de conhecimentos. A área de P&D da Light
to de portfólios e projetos. Entendemos que
já atua nesses pontos, mas o PMO poderá con-
esses dois sistemas são pontos que faltam pa-
tribuir ainda mais para melhorá-los. “Queremos
ra uma intitulação adequada do que de fato
seguir todos os parâmetros conceituais de um
seja um PMO corporativo”, esclarece Tenório.
Escritório de Projetos. Estamos criando padrões
O PMO funciona como um centro de
para unificar a forma de atuar no P&D, contra-
suporte a projetos, capacitado para desen-
tando empresas e serviços para complementar
volver metodologias, orientar gerentes, fo-
o trabalho, criando indicadores de desempenho,
mentar treinamentos, administrar e padro-
entre muitas outras ações, cujo objetivo final é
nizar ferramentas e templates de gerência
tornar a área de P&D da Light referência ainda
de projetos, fazer análise de riscos, alinhar
maior no setor de pesquisa e desenvolvimento
os projetos com os objetivos da organização,
de produtos e softwares inovadores”, adianta o
entre muitas outras funções. “Nosso campo
coordenador de P&D da concessionária.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Existem demandas típicas que justifi-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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PLANEJANDO E GERINDO O P&D
Segundo Tenório, o PMO atribui fo-
teresses da companhia. “A partir de critérios
co e pragmatismo aos projetos, que ganham
preestabelecidos de priorização, chegamos
metas factíveis. Como não é viável fazer tan-
a um consenso sobre as ideias que se trans-
tos projetos quanto se gostaria, a política é
formarão em projetos. Essa análise é funda-
priorizar os mais importantes e urgentes do
mental para evitar desperdício de recursos,
ponto de vista da Light, mantendo a deci-
mão de obra e tempo”, conclui o coordena-
são estratégica de alinhamento com os in-
dor da área.
Via de mão dupla
Se, de um lado, o P&D trabalha para se manter alinhado ao planejamento estratégico da
Light, de outro, a Gerência de Planejamento, Ambiente e Inovação dá ao P&D as diretrizes para que esse alinhamento seja efetivo e coerente com os interesses globais da companhia. Portanto, não é por acaso que o P&D da Light está sob a tutela dessa gerência. O desafio é fazer
com que a inovação seja um instrumento de sustentabilidade do negócio. “O P&D é uma excelente ferramenta para alcançarmos nossa estratégia, pois concentra esforços em pontos críticos que precisam ser ajustados para que a Light atinja seus macro-objetivos”, declara a especialista de Planejamento e Regulação, Fernanda Laureano, cuja função é acompanhar as
ações estratégicas da Light em todas as áreas, inclusive o P&D. Segundo Fernanda, manter o
P&D na área de planejamento é uma forma de conservá-lo conectado e associado à realidade da companhia. “Se a Light quer investir em energia renovável, por exemplo, fica sem sentido desenvolver projetos voltados para outros tipos de energia. Assim, direcionar o P&D é uma
forma de garantir que os recursos sejam alocados onde há demanda”, completa Fernanda. Por
fim, o alinhamento ao plano estratégico da Light faz com que as soluções inovadoras sejam
efetivamente incorporadas pela companhia e pelo setor elétrico como um todo.
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
PLANEJANDO E GERINDO O P&D
Gestão da ideia
Projeto de P&D vai desenvolver
rede colaborativa de criatividade e inovação
Por trás de grandes projetos inova-
desenvolvendo, em conjunto com a PUC-Rio,
dores, há grandes ideias. A área de P&D da
uma rede colaborativa de criatividade e ino-
Light tem o permanente desafio de receber,
vação, um espaço virtual que será destinado
avaliar e viabilizar as ideias de colaborado-
exclusivamente a receber, abrigar e avaliar as
res e parceiros antes de inseri-las, de fato, no
ideias recebidas pela área de P&D. O sistema
contexto da pesquisa e do desenvolvimento.
funcionará como o LinkedIn, rede de relacio-
“Toda ideia é importante. Entretanto, no pro-
namento profissional altamente populariza-
grama de P&D da Light, ela tem que atender
da no mundo.
a critérios básicos para se tornar um projeto,
isto é, ser original, viável tecnologicamente e
sa rede está ainda em fase inicial, mas já é
adequada aos requisitos regulatórios e à estra-
aguardado com grandes expectativas por to-
tégia da companhia”, explica Vicente Guima-
dos. “A nossa intenção é criar um mecanismo
rães, consultor da Aquarius Reef, que vem tra-
por meio do qual se possa registrar a ideia e
balhando na gestão da ideia, no P&D da Light.
avaliá-la de forma mais estruturada, abrindo
Diante da importância que a gestão
caminho para seu amadurecimento, sempre
de ideias tem para o P&D da Light, o setor de
com a colaboração de parceiros tecnológi-
Tecnologia da Informação (TI) da empresa está
cos, membros da academia e funcionários da
O projeto de P&D que vai criar es-
Light”, esclarece Guimarães.
BUSCA DE ANTERIORIDADE
Outro procedimento que faz parte
da gestão de P&D é a busca da anterioridade. O consultor Jorge Ricardo de Carvalho, da
Empresa Fluminense de Pesquisas Energéticas (Eflupe), que auxilia o P&D da Light, explica que a originalidade dos projetos é verificada, principalmente, por meio de um
procedimento denominado busca de anterioridade. “Em qualquer segmento, inclusifoto humberto teski
20
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
ve no setor elétrico, é fundamental avaliar a
são casos bastante específicos, pois não há
oportunidade de negócio. Não vale a pena
com patenteá-los. Os dois primeiros são re-
investir recursos em pesquisa e desenvolvi-
gistrados em bancos de softwares, que exi-
mento de projetos que não tenham chances
bem apenas título e campo de aplicação, difi-
de sucesso”, afirma Carvalho.
cultando as análises e exigindo uma pesquisa
A busca de anterioridade pode acon-
complementar em bancos acadêmicos. Já a
tecer para investigar a originalidade de ideias
busca pela originalidade de uma metodolo-
relativas a produtos, processo, softwares e
gia só é possível em artigos científicos.
metodologias, cada qual com suas particu-
laridades. A investigação é mais comum na
to que a coordenação de P&D da Light vai
área de produtos e processos, feita em bancos
ampliar o escopo de atuação da Demarest &
mundiais de patentes, interligados e de fácil
Almeida Advogados. A empresa passará a re-
acesso devido à internet. “A busca evita des-
alizar a busca de anterioridade para todos os
perdício de recursos, por isso será implemen-
projetos de P&D, sem exceção.
Trabalhoso, mas indispensável. Tan-
tada no Programa de P&D da Light como um
procedimento obrigatório e sistemático. Nenhuma ideia passará ao status de projeto sem
antes ocorrer a busca de anterioridade. Não
chega a ser exigência da Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL), mas o órgão regulador recomenda que se faça. Isso contribui para que haja menor possibilidade de contestação na avaliação final do projeto feita pelo
regulador”, destaca o consultor da Eflupe.
Softwares, sistemas e metodologias
foto humberto teski
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
PLANEJANDO E GERINDO O P&D
Tudo sob controle
Sistema integra processos de gestão e gera indicadores
de desempenho do Programa de P&D da Light
O P&D da Light está se preparan-
dades da área de P&D”, lembra o analista de
do para ainda em 2011 começar a utilizar o
Negócios Alexandre Cohen, suporte da TI ao
SAGe (Sistema de Apoio à Gestão de P&D),
projeto SAGe.
projeto gerenciado pelo P&D, acompanha-
do de perto pela área de Tecnologia da In-
processos de P&D, que, mesmo bem-feitos,
formação (TI) da concessionária e desenvol-
eram dispersos em planilhas de Excel, ele-
vido pela PUC-Rio. O sistema integrará todos
vando os riscos de erro durante a digitação.
os processos para aprimorar o controle dos
Agora, com o SAGe, tudo o que diz respeito
projetos, garantindo confiabilidade às infor-
ao P&D está reunido em um mesmo sistema,
mações e agilidade na execução das ativida-
apto a compartilhar informações e gerar rela-
des. Além disso, está conectado diretamente
tórios. “A iniciativa da equipe de P&D da Light
ao módulo contábil do SAP, sistema corpora-
mostra o quanto a área está avançando na or-
tivo da Light, o que facilita a administração
ganização de processos e na produtividade,
dos recursos financeiros investidos em pes-
o que é fundamental tendo em vista o cresci-
quisa e desenvolvimento. “Nosso maior desa-
mento no número de projetos”, elogia Cohen.
fio foi entender todos os processos e necessi-
O maior benefício é a unificação dos
O analista de Negócios destaca ain-
da a maior interação da área de TI com os projetos de P&D. “Essa troca garante que, ao final do projeto, o sistema ou software seja
implantado sem riscos de incompatibilidade
com as tecnologias da Light. A equipe de TI
amadureceu bastante no que diz respeito a
compreender a importância da área de pesquisa e desenvolvimento dentro de uma organização”, acrescenta Cohen.
INDICADORES DE DESEMPENHO
O SAGe vai armazenar uma série de
informações e dados relacionados ao P&D da
foto humberto teski
22
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
PLANEJANDO E GERINDO O P&D
conheça alguns indicadores gerados pelo SAGe
• Investimentos Realizados no Ano por Tema ANEEL
• Investimentos Realizados no Ano por Linha de Pesquisa
• Tipo de Despesa (TD)
• Tipo de Finalidade das Atividades (TFA)
• Custo Médio dos Projetos Concluídos (VAPR)
• Prazo Planejado por Temas ANEEL
• Alinhamento do Programa de P&D aos Temas de Investimento ANEEL (ALTI)
• Alinhamento do Programa de P&D ao Plano Estratégico de P&D (ALPE)
Light, inclusive gerar os 11 indicadores de de-
to de termos mais controle dos valores com-
sempenho do portfólio de projetos. De acordo
prometidos, o que impacta em compromissos
com a estagiária Camila Caiaffa, esses indicado-
obrigatórios futuros”, assegura Camila.
res permitem total controle sobre o Programa
de P&D. “Teremos condições de acompanhar
apresentará indicadores muito importantes,
com facilidade na tela do SAGe, por exemplo,
como custo médio dos projetos concluídos,
os temas que mais recebem investimentos e o
tipos de despesa, entidades executoras das
andamento dos projetos. Soma-se a isso o fa-
pesquisas, investimentos realizados por ano,
O novo sistema de gestão de P&D
entre outros.
O indicador por tipo de despesa, por
exemplo, é capaz de mostrar em que ponto o
P&D está gastando mais: capacitação, mão de
obra própria, material de consumo. Outro indicador aponta a predominância de projetos
por finalidade: componente ou dispositivo,
conceito ou metodologia, máquina ou equipamento, material ou substância, sistema ou
software. Todos esses indicadores são visualizados em forma de gráficos, facilitando a leitura e a interpretação dos dados.
A previsão é de que ainda no se-
gundo semestre de 2011 o SAGe esteja em
pleno funcionamento no Programa de P&D
da Light, contribuindo para uma gestão cada
vez mais eficaz de uma área altamente estratégica para a companhia.
Camila Caiaffa, estagiária de P&D,
atua nos indicadores deREVISTA
desempenho
DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
PLANEJANDO E GERINDO O P&D
Conhecimento favorece a prática
Técnicas de gerenciamento contribuem para
cumprimento de metas
Paul Dinsmore, presidente da
Dinsmore Associates: excesso de
burocracia pode prejudicar a
criatividade
O P&D da Light, preocupado com o
menos palpável e mais abstrato. Por isso, tor-
desempenho dos projetos que conduz, pro-
na-se importante tomar cuidado para não
cura aplicar as técnicas mais eficientes e efi-
disciplinar excessivamente alguns projetos,
cazes de gerenciamento em busca de resul-
inibindo a criatividade”, destaca o presidente
tados satisfatórios. A coordenação do P&D
da Dinsmore Associates, consultoria focada
investe, portanto, em novos conhecimentos
em gestão empresarial e gerenciamento de
e novas certificações, contando com a exper-
projetos, Paul Dinsmore. Segundo ele, a ges-
tise de consultorias renomadas.
tão de projetos é fundamental para que as
Até alguns anos atrás, o gerencia-
empresas consigam atender às inúmeras de-
mento de projetos era restrito à engenharia,
mandas de mercado. Como é humanamente
mas, atualmente, se aplica a muitas outras
impossível satisfazer todas elas, é importante
áreas, como marketing, TI e, claro, pesqui-
priorizar, conjugando agilidade, qualidade e
sa e desenvolvimento de produtos e servi-
menor custo.
ços inovadores. “Com a metodologia adequa-
da, a empresa consegue se organizar melhor
executiva do PMI Rio, organização que pro-
e atingir objetivos e metas estabelecidos. No
move e amplia o conhecimento sobre o te-
entanto, o P&D tem como peculiaridade ser
ma,
De acordo com a vice-presidente
Elizabeth Borges, “nos dias atuais, a
gestão torna a empresa mais competitiva,
otimiza recursos e cria práticas padronizadas
na execução e condução dos projetos”, defende. Durante o processo, as corporações estabelecem critérios, fazem escolhas e avaliam o
retorno dos investimentos e dos indicadores.
Para ser bem-sucedido, um proje-
to precisa ser concretizado no prazo acordado, dentro do custo estabelecido e em
conformidade com o escopo determinado
pelos gestores. Existem ferramentas que auxiliam nessa tarefa, como softwares capazes
de acompanhar as atividades. No entanto,
foto humberto teski
24
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Elizabeth Borges, vice-presidente executiva do PMI Rio
As empresas estão investindo cada vez mais em
gestão e certificação. Assim como a gestão de
qualidade foi muito importante anos atrás, essa
mesma onda está atingindo agora a gestão de
projetos.
Paul Dinsmore | Presidente da Dinsmore
Associates
Dinsmore adverte que o fator humano é ca-
ções chegaram ao Brasil no final da década
da vez mais reconhecido. “Projetos são feitos
de 90 para atestar a competência do profis-
com e por pessoas”, frisa.
sional no gerenciamento de projetos. No Rio
O presidente do IPMA Brasil, organi-
de Janeiro, há duas escolas que certificam
zação sem fins lucrativos com foco na área,
profissionais, o IPMA Brasil e o PMI Rio. A for-
Raphael Albergarias, menciona mais um im-
mação e a certificação dos profissionais que
portante aspecto no gerenciamento de pro-
gerenciam projetos são fundamentais para a
jetos: a busca pela certificação. As certifica-
obtenção dos melhores resultados. Tanto que
já existe um movimento na ISO (International
Organization for Standardization) para criação de novas normas voltadas para gestão de
projetos. O P&D da Light conta com uma coordenação certificada, o que lhe agrega mais
um diferencial.
Geralmente, para obter uma certificação, são analisadas competências técnicas e comportamentais. “As empresas estão
IPMA Brasil: Aplica o modelo 4LC
de certificação por competências,
por meio do qual avalia as competências técnicas, contextuais e comportamentais do profissional que gerencia projetos.
PMI Rio: Para certificar, utiliza o modelo 5E de competência de gerenciamento de projetos, considerando critérios como educação, experiência,
examinação, ética e educação para
re-certificação.
ISO: É a sigla da Organização Internacional de Normalização (International
Organization for Standardization), com
sede em Genebra, na Suíça, que cuida
da normalização ou normatização em
nível mundial de produtos e serviços
em todas as áreas.
coordenação certificada: O coordenador do portfólio de projetos de
P&D da Light, José Tenório, é certificado
em gerenciamento de portfólio pelo
IPMA – nível A.
investindo cada vez mais em gestão e certificação. Assim como a gestão de qualidade
foi muito importante anos atrás e transformou controle de qualidade em uma obrigação não somente na linha de produção, mas
também em todas as áreas da empresa, essa
mesma onda está atingindo agora a gestão
de projetos”, finaliza Dinsmore.
Raphael Albergarias, presidente do IPMA Brasil
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
foto istockphotos
Promovendo o P&D
Bons resultados precisam ser compartilhados. Ao longo do ano,
o setor de energia elétrica do país promove diversos eventos.
Sempre que possível, o P&D da Light marca presença. Troca de
experiências, vitrine para os projetos realizados e contato com
novos parceiros são algumas das razões que motivam a
companhia a participar. Veja como a Light promove o P&D.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
PROMOVENDO O P&D
Olhares voltados para o P&D
Participação em importantes eventos do setor potencializa
resultados e incentiva novos projetos
Andre Chaves, Oscar Guerra,
Raphael Torres, Verônica
Moreira, Juliana Neves, Carolina
Storry, Marcella Paiva e Felipe
Baronto: alguns dos funcionários
da Light envolvidos na
organização do SENDI 2012
Entre as principais estratégias de
vendo relacionamento entre os agentes li-
promoção dos resultados obtidos em P&D
gados à inovação no setor elétrico brasileiro”,
destaca-se a participação em eventos ex-
destaca José Tenório Júnior, responsável pelo
ternos do setor elétrico e de inovação. Estar
P&D da Light. Segundo ele, esses encontros
presente neles é uma maneira de mostrar o
também são uma forma de prestar contas
trabalho do P&D da Light, conhecer novas
dos resultados alcançados com as pesquisas.
tendências e estabelecer novas parcerias.
“A divulgação dos resultados é cada vez mais
Os eventos nacionais são uma gran-
exigida pelos nossos stakeholders. O interes-
de vitrine para as pesquisas realizadas, dan-
sante é que, indiretamente, acabamos por fo-
do visibilidade aos projetos concluídos. “Es-
mentar novos projetos”, completa.
sas ocasiões servem ainda como intercâmbio
tecnológico entre os participantes, promo-
Seminário Nacional de Distribuição de Energia
O maior evento do setor no país é o
foto humberto teski
28
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
PROMOVENDO O P&D
ABRADEE: É uma sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos,
que reúne 43 concessionárias de distribuição de energia elétrica, estatais e
privadas, atuantes em todas as regiões do país, responsáveis pelo atendimento de 99% do mercado brasileiro de energia.
foto humberto teski
Elétrica (SENDI). A última edição aconteceu em
2010, em São Paulo, e a próxima será em 2012,
no Rio de Janeiro. A Light será anfitriã do evento e já se prepara para recebê-lo como manda
o figurino. Além do SENDI, o Rio será cenário
também para o 4º Rodeio de Energia, que tem
competições técnicas e exposições.
O SENDI, marcado para acontecer
entre os dias 22 e 26 de outubro de 2012, no
Centro de Convenções SulAmérica, está sendo organizado em conjunto com a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia
De acordo com o analista de Comunicação
Elétrica (Abradee). Segundo o superinten-
e responsável pelos eventos da companhia,
dente de Operação e Manutenção de Redes
Raphael Fernandes Torres, cada vez mais há
da Light, José Hilário, a essência do SENDI é
o que ser mostrado. “Agora, podemos expor
o seu conteúdo técnico. “Por isso, promove a
fisicamente os resultados inovadores de al-
inovação e aponta alternativas na área de dis-
guns projetos, materializá-los, o que é um fa-
tribuição de energia, estimulando a pesquisa
tor de motivação para a presença da compa-
e o desenvolvimento tecnológico. Esse evento
nhia nos eventos”, destaca Torres, que está
será uma vitrine para o P&D da Light”, comen-
envolvido na organização do SENDI ao lado
ta Hilário, que é coordenador geral do SENDI.
de uma grande equipe de diversas áreas.
Nos últimos três anos, a Light inten-
A cada dois anos, uma concessio-
sificou sua participação em eventos externos,
nária coordena o evento, que é promovi-
principalmente relacionados à área de P&D.
do pelo Instituto Abradee de Energia, uma
associação sem fins lucrativos, mantida pela Abradee. Na visão do diretor da associação, José Gabino Matias dos Santos, o SENDI
é uma oportunidade inigualável para troca
de experiências e apresentação de casos de
sucesso. “Acredito que, no XX SENDI, as distribuidoras discutirão soluções para o aumento da eficiência a curto e longo prazo”,
avalia Gabino. Ele lembra que, em 2012, as
concessionárias estarão sujeitas à nova regulamentação do processo de revisão tarifária do terceiro ciclo. Por conta disso, terão que aumentar a eficiência operacional.
José Hilário: coordenador geral do XX SENDI
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
PROMOVENDO O P&D
ANPEI: Tem como objetivo estimular a inovação tecnológica nas empresas
nacionais para aumentar a competitividade do Brasil no mercado global e
assegurar sua autossustentabilidade econômica.
foto humberto teski
P&D DA LIGHT
NA CONFERÊNCIA ANPEI
Outro canal de divulgação do P&D é
a Conferência Anpei de Inovação Tecnológica. Anualmente, o evento reúne especialistas
que discutem importantes aspectos da inovação e do desenvolvimento tecnológico no
Brasil e no mundo. A edição de 2011 aconteceu entre os dias 20 e 22 de junho, no Ceará.
Segundo o diretor da Associação Na-
cional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) e
coordenador do evento, Mario Barra, a confe“Nesse sentido, as ações de P&D serão uma
rência é uma oportunidade única para que as
ferramenta muito importante, pois, somen-
empresas se atualizem no quesito inovação.
te utilizando a criatividade e buscando a
O evento tem sido visto como um fórum para
inovação, poderemos encontrar as soluções
troca de experiências sobre as melhores prá-
que esse novo desafio nos apresenta”, com-
ticas da gestão da inovação e sobre como ti-
plementa Gabino.
rar o melhor proveito das novidades tecno-
Outros meios de promoção do P&D da Light
A Comunicação da Light também participa ativamente da promoção das ações e projetos
de P&D para funcionários, clientes e demais stakeholderes. Tanto na comunicação institucional quanto na comunicação interna, a intenção é desmitificar o tema. “Sempre tivemos
a preocupação de tornar o P&D acessível a todos. Em todas as plataformas de divulgação,
optamos por uma linguagem simplificada, focando mais no lado comportamental e humano”, diz Jordana Garcia, coordenadora de Comunicação Institucional da Light. A Revista Saber é um bom exemplo dessa forma de comunicar. O que era uma necessidade de prestação
de contas para a ANEEL acabou se tornando uma publicação aguardada por todos, com linguagem fácil, objetiva e dinâmica. Na comunicação interna, a divulgação das ações de P&D
acontece por meio do jornal eletrônico, o Últimas Notícias, e pela TV Corporativa da Light.
Fátima Vilas, coordenadora de Comunicação Interna, explica que, além de expor como essas ações evoluíram, os veículos mostram como a Light está pensando o futuro com projetos
de vanguarda tecnológica. “Os projetos são inovadores e devem ser compartilhados com os
funcionários, sempre em primeira mão. Entendemos que a divulgação de uma agenda positiva contribui para que todos se comprometam ainda mais com a empresa”, explica Fátima.
30
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Mario Barra, diretor da Anpei e coordenador da conferência
pois empresas de diversas áreas participam e interagem. Por isso, é fundamental
que o setor elétrico e o P&D da Light estejam presentes”, conta o gerente do projeto, Ivo Neves, que foi ao Ceará exclusivamente para apresentar o conector.
“Além de possibilitar o networking
entre especialistas com conhecimento nas
áreas afins, um evento desse porte propicia ao participante contato com o que há
de melhor em inovação, gestão, ciência e
tecnologia no Brasil”, analisa o pesquisador da Divisão de Sistemas Eletrônicos do
Lactec, Reginato Scremim, parceiro no delógicas para a competitividade no mercado
senvolvimento do conector.
local e no mundo globalizado. “O Grupo Light
vem se destacando pela participação dinâmi-
PRESENÇA CONFIRMADA
ca na atividade associativa da Anpei, compro-
TAMBÉM NO CITENEL
vando o quanto está investindo e obtendo
sucesso na área de pesquisa, desenvolvimen-
O Congresso de Inovação Tecno-
to e inovação”, ressalta Barra.
lógica em Energia Elétrica (Citenel) é um
Apesar de a participação do se-
evento bienal brasileiro, realizado pe-
tor elétrico ser ainda muito tímida, a Confe-
la Agência Nacional de Energia Elétri-
rência Anpei é uma excelente oportunidade para promover as ações de P&D. Há três
anos, a Light está presente no evento, mas somente na edição de 2011, pela primeira vez,
apresentou os resultados de um projeto. O
produto em questão é o conector especializado para corte de energia de consumidores
inadimplentes. Sua função é comprovar efetivamente a realização do corte e dificultar a
autorreligação.
“É muito importante estar alinha-
do com o desenvolvimento tecnológico do país. Um evento como a Conferência Anpei proporciona esse alinhamento,
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
Máximo Luiz Pompermayer, superintendente de Pesquisa,
Desenvolvimento e Eficiência Energética da ANEEL
ca (ANEEL), que tem o objetivo de divulgar os resultados obtidos nos Programas
de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica do país. Em 2011, o Citenel acontece entre os dias 17 e 19 de agosto, em Fortaleza, no Ceará. O P&D da Light
estará lá para divulgar seus projetos e lançar o número 3 da Revista Saber.
Durante o Citenel, a ANEEL vai
apresentar os impactos provocados pelo
Programa de P&D ao longo dos primeiros
dez anos de existência. O superintendente de Pesquisa, Desenvolvimento e Eficiência Energética da agência, Máximo Luiz
Pompermayer, destaca que, com o aporte de recursos superior a R$ 300 milhões
por ano, o Programa de P&D da ANEEL tem
proporcionado contribuições relevantes à
concepção e ao desenvolvimento de tecnologias que melhoram o desempenho
das companhias do setor.
“Além de prestar contas à socieda-
de sobre a destinação dos recursos arrecadados, o evento constitui um ambiente
altamente propício para compartilhar informações e experiências, bem como formar parcerias estratégicas entre empresas
de energia elétrica, instituições de pesquisa e fabricantes de tecnologia, o que irá
Além de prestar contas à sociedade sobre a
destinação dos recursos arrecadados, o Citenel
constitui um ambiente altamente propício
para compartilhar informações e experiências,
bem como formar parcerias estratégicas entre
empresas de energia elétrica, instituições de
pesquisa e fabricantes de tecnologia.
Máximo Luiz Pompermayer | Superintendente
de Pesquisa, Desenvolvimento e Eficiência
Energética da ANEEL
alavancar novas frentes em prol do desenvolvimento tecnológico e da melhoria dos
serviços prestados no setor de energia elétrica”, completa Pompermayer.
O gerente de P&D da Coelce, anfi-
triã do evento, Odailton Arruda, destaca a
expectativa que envolve o Citenel. “A grande novidade será o fortalecimento das novas tecnologias, que serão usadas desde
as inscrições e os credenciamentos até a
votação dos pôsteres. Estamos aproveitando cada espaço do local do evento, utilizando algumas surpresas tecnológicas”,
adianta Arruda.
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
AQUI, O INCENTIVO À PESQUISA
É INDEPENDENTE.
LACTEC, INICIATIVA POR NOVAS IDEIAS.
O Lactec é um instituto que tem compromisso com a inovação.
Acreditamos que não há desenvolvimento sem pesquisa e, para isso, buscar soluções
inovadoras diariamente está na cultura do instituto.
Essa filosofia já gerou frutos, como a grande parceria estabelecida com a Light, uma
aliada fundamental na busca pela evolução que gera melhorias a toda sociedade.
WWW.LACTEC.ORG.BR
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
foto istockphotos
O ingrediente
humano no P&D
A pesquisa e o desenvolvimento de soluções inovadoras dependem,
primordialmente, do comprometimento das pessoas. Cada gerente de
um projeto de P&D é peça fundamental na criação de um ambiente
inovador na Light. Ele motiva, estabelece o ritmo dos trabalhos, gerencia
os imprevistos, faz a ponte com os parceiros. Saiba qual é o valor do
ingrediente humano para o P&D da Light.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
O INGREDIENTE HUMANO NO P&D
O coração do P&D
Gerentes são peças fundamentais na engrenagem
que movimenta a pesquisa na Light
Uma empresa não é feita somen-
te de tecnologia, serviços e produtos. O co-
está ligado.
ração de uma organização empresarial é for-
mado por pessoas. O setor de P&D da Light
cução de um projeto é fundamental para que
considera o ingrediente humano um dos
os resultados sejam alcançados. “Gerenciar
principais responsáveis pelo sucesso de um
um projeto de P&D é uma experiência imen-
projeto. Sem o engajamento e a disponibili-
surável, pois integramos uma equipe de alto
dade de um gerente, não é possível chegar lá.
nível, entre profissionais seniores e pesqui-
“Os gerentes de projeto desempe-
sadores doutores e mestres, o que permite o
nham um importante papel no P&D, sendo
desenvolvimento de novas habilidades”, des-
peças fundamentais na criação de um am-
taca Ricardo Matos, gerente de P&D.
biente inovador na empresa. É a partir de
suas ideias e da vontade de fazer, aliadas
à boa condução dos projetos que gerenciam, que o Programa de P&D da Light garante o desenvolvimento de inovações tecnológicas”, destaca Paulo Mauricio Senra,
gerente de Planejamento, Ambiente e Ino-
O sucesso do projeto e, por consequência, de
todo o Programa de P&D da Light, depende
do engajamento desses profissionais. Para
nós, todo gerente de projeto é um cliente
preferencial.
Paulo Mauricio Senra | Gerente de
Planejamento, Ambiente e Inovação da Light
36
vação da concessionária, área a qual o P&D
Paulo Mauricio Senra, gerente de Planejamento,
Ambiente e Inovação da Light
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
O comprometimento durante a exe-
Depois da euforia da aprovação da
ideia, vem o desenvolvimento do projeto, e o
porque foram gerenciadas com boa vontade
ritmo dele é estabelecido pelo gerente. “Pa-
e entusiasmo”, lembra Maria Helena.
ra isso, ele precisa estar envolvido com tudo
o que acontece, porque se deixar de lado, o
rente de P&D, José Rodrigo Azevedo acabou
projeto não anda”, frisa. “Para mim, o P&D é
se envolvendo mais do que esperava, criando
uma ótima oportunidade de colocar em prá-
projetos relativos à sua área de atuação. Atu-
tica um sonho. O gerente é o guia do proces-
almente, gerencia três e participa de todas as
so, responsável por direcionar as atividades,
etapas. “A experiência do gerente é primor-
que devem estar em sintonia com os obje-
dial para que ele consiga atuar junto às uni-
tivos a serem atingidos”, acrescenta Paloma
versidades e centros de tecnologia na tentati-
Marques, que entrou recentemente para o
va de desenvolver soluções compatíveis com
grupo que gerencia projetos.
a demanda da Light e do setor elétrico”, ob-
serva ele.
Com mais experiência no gerencia-
Ao ajudar por acaso um colega ge-
mento de projetos – o primeiro foi em 2005
e o segundo em 2007 –, Maria Helena Adria-
Busca por soluções e
no destaca que o P&D incentiva e cria novas
comprometimento pessoal
oportunidades para os profissionais. “O gerenciamento de projetos é uma forma que a
Gilson Valente teve um começo
companhia tem de reter talentos. Já tivemos
similar. Até algum tempo atrás, apenas
na Light pesquisas com excelentes resultados
participava de fases da execução. Agora,
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
O INGREDIENTE HUMANO NO P&D
foto humberto teski
José Benedito Costa Araujo é ge-
rente de P&D há sete anos e enxerga a
oportunidade como um reconhecimento da empresa ao seu trabalho. Para ele,
a experiência tem sido bastante enriquecedora, já que todos os projetos trouxeram para a Light produtos para melhorar
a rotina da concessionária. Um dos que
exigiram bastante esforço e dedicação foi
o desenvolvimento de sistemas de detecção da corrosão em cabos. Depois de muita pesquisa ao lado do CPqD, conseguiram desenvolver uma teoria inovadora.
Logo a seguir, tiveram que criar um robô
38
gerencia um projeto de P&D. “Há mui-
que fosse versátil o suficiente para supe-
ta expectativa nessa nova experiência. É
rar os concorrentes e atender às necessi-
uma grande oportunidade por diversos
dades de trabalho no campo.
motivos, entre eles crescimento profissio-
nal, capacitação por meio de mestrados e
mento chega a ser uma questão filosófica
MBAs e desenvolvimento de produtos e
e de cunho íntimo, pois só consigo reali-
serviços que não seriam possíveis em pro-
zar algo se estiver realmente envolvido e
cessos normais dentro da companhia”, ob-
acreditar que posso transformar o desafio
serva Valente.
em uma solução técnica. Somos o elo en-
“O papel do gerente de P&D é ali-
tre a ideia desafiadora e a solução do pro-
nhar o desenvolvimento do projeto com o
blema. Por isso, precisamos fornecer todos
parceiro. Os riscos devem ser calculados,
os elementos aos parceiros para o sucesso
e é fundamental encontrar soluções para
do projeto”, declara José Benedito.
imprevistos. Para isso, ouvimos sugestões
de todos os envolvidos, que podem ajudar
sequência, de todo o Programa de P&D
na busca por novos caminhos. O gerente
da Light, depende do engajamento des-
deve conseguir também motivar as pes-
ses profissionais. Para nós, todo geren-
soas envolvidas”, comenta Gilcinea Rangel
te de projeto é um cliente preferencial e
Pesenti, gerente de P&D que desenvolve
ele pode contar com a equipe do P&D pa-
projetos desde 2006. Segundo ela, a opor-
ra internalizar as soluções, divulgar os re-
tunidade de crescer profissionalmente e
sultados e continuar a pesquisar e a de-
de se relacionar com outras áreas da em-
senvolver novas ideias”, reforça Paulo
presa é enorme.
Mauricio Senra.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
“A importância do comprometi-
“O sucesso do projeto e, por con-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
O INGREDIENTE HUMANO NO P&D
Inovação que gera valor
Oficina realizada com gerentes discute estratégias
para potencializar produtos
40
Estar pronto para ser gerente de
profissional continua participando de ofici-
projeto de P&D requer bastante preparo. Co-
nas de capacitação. Afinal, é indispensável se
nhecimentos prévios sobre gerenciamen-
atualizar sempre.
to e experiência em outras funções na Light
são fundamentais para ocupar um cargo al-
ver essa capacitação, o Programa de P&D da
tamente estratégico para o futuro da com-
Light promoveu, no dia 12 de maio de 2011,
panhia. No entanto, não basta ter apenas o
uma oficina de trabalho chamada Inovação
conhecimento prévio. Mesmo após assumir
para Apropriação de Resultados de P&D, di-
o desafio de conduzir um projeto de P&D, o
recionada a uma equipe de gerentes. Foram
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Com o intuito de fomentar e promo-
Apropriabilidade: Refere-se às condições que permitem capturar valores gerados por um novo conhecimento. Pode ser definida ainda como a capacidade de impossibilitar a ação de imitadores e garantir o retorno otimizado dos investimentos em P&D.
três os objetivos da oficina: avaliar o regime
eficientes que permitam capturar o valor dos
de apropriabilidade e o uso dos mecanismos
resultados advindos de um projeto. A inten-
de proteção; definir a estratégia de apropria-
ção de desenvolver um produto com carac-
ção de valor mais adequada para cada proje-
terísticas comercializáveis deve ser incorpo-
to em questão; e promover troca de informa-
rada ao processo de gestão de um projeto
ções e conhecimento entre os participantes.
desde o seu estágio inicial, sendo amadure-
“Metodologia de gestão de falhas transitórias”,
cida em conjunto com a estratégia de apro-
“Conector especializado para corte de forneci-
priabilidade e com o modelo de negócios
mento a cliente de baixa tensão”, “Selo quími-
do Programa de P&D Light, considerando os
co” e “Manta polimérica” são os quatro projetos
possíveis cenários de referência para comer-
apresentados na oficina.
cialização. Sendo assim, a apropriabilidade
Participaram do treinamento gesto-
diz respeito às questões relativas à proteção
res envolvidos diretamente no Programa de
do conhecimento, que vem ganhando cada
P&D da Light, representantes de outras áreas
vez mais destaque na agenda de discussões
– planejamento e TI da empresa –, coordena-
de empresas que têm atividades de P&D. Tal
dores de P&D de instituições externas, escri-
proteção pode representar a garantia de ex-
tório de patentes que presta apoio à conces-
ploração exclusiva de um novo produto ou
sionária nessa área e professores da PUC-Rio.
processo inovador.
A oficina foi ministrada pela profes-
Os mecanismos de apropriabilida-
sora do programa PósMQI da PUC-Rio, Fá-
de de um conhecimento são diversos e in-
tima Ludovico. Na opinião dela, o encontro
cluem patentes, marcas, segredos industriais.
foi fundamental para a fase de consolidação
“Conhecer e entender os diferentes mecanis-
do relatório final do projeto “Inovação para
mos de apropriabilidade é o primeiro passo
apropriação de resultados de P&D”, que vem
para estruturar a gestão dos ativos de conhe-
sendo desenvolvido pela universidade. Esse
cimento das empresas”, explica Fátima.
projeto pretende elevar o grau de apropria-
ção dos resultados oriundos das atividades
nir a estratégia de apropriação de valor mais
de P&D implementadas pela Light. Na oficina
adequada para cada projeto do Programa de
de trabalho, foi possível discutir e validar com
P&D apresentado na ocasião. A professora da
gestores de P&D da companhia ferramentas
PUC-Rio explica que não há valor inerente a
avançadas de análise de apropriabilidade. Na
uma inovação tecnológica, pois ele é deter-
prática, essas ferramentas vão auxiliar a Light
minado pelo modelo de negócio utilizado
a definir a melhor estratégia de apropriação
para introduzir essa nova tecnologia no mer-
de valor dos resultados de projetos de P&D,
cado. A mesma tecnologia, apresentada por
atuais e futuros.
diversos modelos de negócio, resultará em
diferentes apropriações de valor, com menor
O retorno econômico das ativida-
des de P&D está relacionado a estratégias
Um dos objetivos da oficina era defi-
“Metodologia de gestão de
falhas transitórias”: O projeto teve como objetivo desenvolver dois protótipos de equipamento de baixo custo para coleta de dados de ocorrências. Esses
equipamentos são instalados em subestações e enviam os dados coletados via
GPRS para um software de análise, também desenvolvido pelo projeto de P&D.
Esse software analisa as características
das ocorrências transitórias para estimar
provável causa e localização.
“Selo químico”: Dispositivo de proteção que inibe ação ilícita em medidores e/ou sistemas de medição, indicando se houve alguma intenção de
violação no medidor. Uma ampola se
rompe e muda a cor do lacre caso seja violado.
“Manta polimérica”: É uma proteção para postes de madeira, com objetivo de prolongar sua vida útil, retardando o apodrecimento por umidade,
imunizando contra ataque de cupins
e aumentando a resistência. É de fácil
aplicação, não agride o meio ambiente
e tem baixo custo.
ou maior retorno financeiro.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
O INGREDIENTE HUMANO NO P&D
Entendemos que as questões da apropriabi-
Conhecer e entender os diferentes mecanismos de
lidade dos resultados devem ser avaliadas na
fase de definição do escopo do projeto, para
apropriabilidade é o primeiro passo para a
que cheguem amadurecidas ao final das pes-
estruturação da gestão estratégica dos ativos
quisas”, complementa Nilton, gerente do pro-
de conhecimento pelas empresas. Como esses
jeto do selo químico.
O gerente do projeto que criou uma
mecanismos serão utilizados depende dos
metodologia para gerir falhas transitórias,
objetivos estratégicos da Light, da natureza dos
Antônio Francisco Mello, concorda com Nil-
conhecimentos gerados pelos projetos de P&D e do
ton Guilherme e conta que só se preocupava
com o ponto de vista técnico. A participação
modelo de inovação.
na oficina propiciou novos entendimentos
Fátima Ludovico | Professora do programa PósMQI
sobre, por exemplo, a importância de se pa-
da PUC-Rio
tentear um produto inovador. “O aprendizado e a troca de experiências foram enormes,
principalmente devido ao contato com ou-
NOVA VISÃO SOBRE P&D
tros gerentes e especialistas da área. Agora,
tenho uma visão mais ampla sobre os negó-
“Quando assumimos um projeto de
cios que podem ser gerados a partir de uma
P&D, gerenciamos do início ao fim, mas a ofi-
gestão eficiente do conhecimento e dos me-
cina nos mostrou que esse ‘fim’ não é onde
canismos de apropriabilidade”, relata Mello.
pensávamos que fosse. Após sua conclusão,
o projeto entra em outra fase, que é a de co-
Alves Nunes, gerente do projeto da manta
mercialização. Essa consciência nos faz pen-
polimérica, acredita que os gerentes estejam
sar em questões como a vida do produto
aptos a contribuir ainda mais na definição das
após a conclusão do projeto ou em como se
ações de apropriação de valor mais adequa-
dará a produção em escala industrial”, reflete
das a cada projeto. “Aprendemos a definir o
o gerente de P&D Nilton Guilherme, que par-
modelo de negócio e o cenário de referên-
ticipou da oficina.
cia para apropriação de resultados de P&D,
Nilton destaca que, além de apren-
bem como vencer os desafios de sua implan-
der a olhar para o futuro e entender que é im-
tação”, comenta. Para ele, o grande ganho da
portante criar um produto com valor agrega-
oficina está na promoção de uma forma mais
do, com enfoque na perspectiva comercial, a
adequada de encarar a área de P&D da Light,
oficina teve outros ganhos. “Foi muito impor-
capaz de transformar ideias em produtos ino-
tante a integração com outras áreas e o ali-
vadores que tragam retorno financeiro para a
nhamento interno que tivemos por conta dos
companhia e benefícios para o setor elétrico
desafios no desenvolvimento dos projetos.
e a sociedade em geral.
42
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Como resultado da oficina, Fabrício
Pesquisa e desenvolvimento
com foco em aplicações práticas
O Laboratório de energia dos ventos da UFF – LEV – possui
ALGUNS PROJETOS DESENVOLVIDOS
uma equipe multidisciplinar composta por professores e
profissionais atuantes no mercado e parcerias com universida-
LIGHT
FURNAS
des e empresas especializadas em diversas áreas.
Medidor de energia elétrica
sob condições de fraude.
Concepção e construção de trecho
experimental de Linha de Transmissão
de Potência Natural Elevada em 500 kV
AMPLA
MPX
Mineração de
texto de call center.
Sistema de identificação
de parques eólicos.
O LEV atua no Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da
ANEEL criando soluções práticas para responder aos desafios
das diversas empresas do Setor Elétrico Brasileiro. São 9 anos de
atuação na área de P&D, com 30 projetos aprovados pela ANEEL.
Acesse www.uff.br/lev ou ligue (21) 2629-5700 / 2629-5701
e encontre as soluções práticas que você procura.
Clientes
Parceiros
Universidade
Federal
Fluminense
LEV
Laboratório de Energia dos Ventos
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
Influências externas
O P&D da Light é resultado de um conjunto de influências internas
e externas, que juntas definem o seu perfil. No ambiente externo, a
interação com outras concessionárias de energia elétrica enriquece o
processo de gestão e o desenvolvimento de novos projetos.
As determinações do órgão regulador também alteram
profundamente a rotina da área. Entenda como isso acontece
e quais os saldos para o P&D da Light.
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
foto istockphotos
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
Compartilhar para crescer
Interação entre programas de P&D das concessionárias
fortalece ações de pesquisa e desenvolvimento no país
No campo da inovação, interagir é
de ampliar sua expertise na área, desenvolver
fundamental. A troca de experiências am-
projetos cooperados e acompanhar o que o
plia horizontes, aprimora processos e une es-
setor elétrico tem produzido de inovador pe-
forços em prol de objetivos comuns. E é em
lo país afora.
função desses ganhos que os programas de
pesquisa e desenvolvimento das concessio-
dores de Energia Elétrica (Abradee) criou o
nárias do setor elétrico compartilham ações,
GT P&D para desenvolver importantes ações
conhecimentos e resultados. Seus membros
em prol das distribuidoras associadas. “O GT
se encontram periodicamente para discutir
P&D da Abradee possibilita uma troca de ex-
aspectos organizacionais, regulatórios, técni-
periências permanente, auxiliando no apri-
cos e de gestão de projetos. Dessa forma, o
moramento da regulamentação e defenden-
Programa de P&D da Light procura participar
do os interesses das empresas junto ao órgão
do maior número possível de encontros, a fim
regulador, Poder Executivo e Congresso Na-
A Associação Brasileira de Distribui-
cional. Com certeza, sem o GT, as distribuidoras teriam mais dificuldades para atender às
exigências regulatórias”, define o diretor da
Abradee, José Gabino Matias dos Santos.
As atividades de pesquisa e desen-
volvimento sempre estiveram presentes no
dia a dia do setor elétrico, mas se tornaram
obrigatórias a partir da Lei nº 9.991, publicada em 2000. Nesse contexto, o GT P&D ajuda
empresas que enfrentam dificuldades em desenvolver bons projetos. “Uma forma de superar essas dificuldades é o desenvolvimento de projetos cooperados, em que um grupo
de empresas se reúne para criar um projeto
único. Dessa forma, eventuais deficiências de
uma companhia podem ser superadas com
o aproveitamento da competência de outros
46
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
Estrutura Tarifária: Tem o objetivo de analisar a estrutura tarifária praticada atualmente
no Brasil, no contexto do atual arranjo institucional do setor elétrico, identificando sinais econômicos distorcidos, desnecessários ou ineficientes. Pretende também elaborar uma proposta de nova metodologia de estrutura tarifária para o sistema elétrico brasileiro, que solucione os problemas observados na estrutura em vigor, inclusive propondo novos postos e modalidades tarifárias.
foto Gilson Martins
parceiros. Como exemplo, podemos citar os
projetos Estrutura Tarifária, Redes Inteligentes
e Medição e Verificação, este na área de eficiência energética. Ambos estão sendo desenvolvidos pelo Instituto Abradee da Energia,
com a participação de um grande número de
empresas do setor elétrico”, destaca Gabino.
No início de 2010, o GT P&D do Gru-
po Cemig foi criado com o objetivo de aproveitar as sinergias que o trabalho em equipe
pode proporcionar. “Existe uma integração
muito boa entre os membros. Nota-se uma
preocupação grande com a troca de experiências no sentido de maximizar os ganhos
não somente do Programa de P&D, mas da
de pesquisas para apresentação de novas
gestão tecnológica como um todo, destacan-
tecnologias, atuações em conjunto perante a
do-se a utilização de isenções fiscais”, com-
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
plementa o superintendente de Tecnologia
e entidades representativas do setor, troca de
e Alternativas Energéticas do Grupo Cemig,
experiências em captações de financiamento
Alexandre Bueno.
ou de recursos não reembolsáveis e aquisição
No GT P&D do Grupo Cemig, os en-
de know-how, principalmente, quando da
contros resultam em diversas ações conjun-
ocorrência de um fato novo para todo o gru-
tas, entre elas visitas a empresas de bases tec-
po, como a obrigatoriedade da realização da
nológicas, convites a universidades e centros
primeira auditoria contábil-financeira para os
projetos de P&D já encerrados, o que ocorreu
no começo de 2011, com o Despacho 512.
“Os ganhos para as empresas são
infinitos, indo desde a melhoria no processo de gestão da tecnologia até a realização
de projetos com maior potencial de retor-
Redes Inteligentes: Entre seus objetivos, destacam-se a elaboração de
uma proposta para o setor elétrico
brasileiro de migração do estágio atual para a adoção plena do conceito de
rede inteligente em todo o país, contendo a definição das funcionalidades
e dos requisitos associados ao conceito no Brasil; a definição e padronização das tecnologias e metodologias a
serem adotadas; e a recomendação de
ações para solução das deficiências da
estrutura atual, sob os aspectos técnico, tecnológico, regulatório e da cadeia
de suprimentos, que deverão ser tratadas como premissas para a adoção do
conceito de Smart Grid.
Medição e Verificação: Este projeto prevê o desenvolvimento de um
procedimento para medição e verificação dos resultados dos projetos do
Programa de Eficiência Energética, em
conformidade com a Resolução Normativa nº 300/2008, da ANEEL.
no e aplicabilidade. A interação contribui para os avanços na área de P&D na medida em
que fortalece o programa como um todo por
Grupo Cemig: Formado pelas empresas Light, TAESA, TBE, Cemig e
Transmineira.
meio da realização e divulgação de projetos
mais consistentes e mais alinhados às estratégias empresariais. Colabora ainda para mudar o estigma de um programa de obrigação
Daniel Araujo, da AES Brasil
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
47
N o 03 - AGO 2011
Benchmarking: É um processo contínuo de comparação de produtos, serviços e práticas empresariais entre as
empresas reconhecidas como líderes,
para identificar o melhor dos melhores
e alcançar um nível de superioridade
ou vantagem competitiva.
AES Brasil: Grupo AES Brasil é controlador de oito empresas operacionais, que atuam nos setores de energia elétrica e telecomunicações – AES
Eletropaulo, AES Sul, AES Tietê, AES
Minas PCH (controlada pela AES Tietê), AES Uruguaiana, AES Infoenergy
e AES Atimus.
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
legal para uma oportunidade de eficiência
comendações do manual da ANEEL. No caso
operacional e geração de novos negócios”,
da AES Eletropaulo e Light, existe uma siner-
acrescenta Bueno.
gia importantíssima entre as concessionárias,
Representantes das áreas de P&D
tendo em vista a concentração populacional
da Light, Eletropaulo e Eletrobras se en-
e as semelhanças operacionais – subterrâneo,
contram algumas vezes por ano para um
por exemplo – que são quase exclusivas das
benchmarking em relação à gestão dos pro-
duas. “No futuro, esperamos criar uma rede de
gramas de pesquisa e desenvolvimento, tro-
compartilhamento de experiências entre as
cando experiências e buscando as melhores
diversas concessionárias que possuem a obri-
práticas para aplicação mais eficiente dos re-
gação regulatória de investimento em pes-
cursos oriundos do encargo regulatório de-
quisa e desenvolvimento”, conclui Carneiro.
finido pela Lei nº 9.991/2000. “Um exemplo
são as trocas sobre contratação e execução
res Independentes de Energia Elétrica (Api-
de contratos com instituições científicas e
ne) também possui o seu GT P&D. Criado no
tecnológicas, bem como fabricantes. No ca-
final de 2006, é formado por representantes
so específico da Light, contratamos a mesma
das empresas associadas à Apine que apli-
empresa fornecedora do software para ges-
cam anualmente um percentual mínimo de
tão dos programas. No decorrer do proces-
sua receita operacional líquida em progra-
so de implantação, trocamos informações re-
mas de pesquisa e desenvolvimento do setor
levantes”, conta o gerente de Gestão de P&D
de energia elétrica.
e Eficiência Energética da AES Brasil, Daniel
Araujo Carneiro.
niões, debates, conferências e workshops, cuja
Outro exemplo é a discussão de al-
iniciativa pode partir de qualquer empresa as-
ternativas na gestão dos projetos, frente às re-
sociada. O consenso sempre prevalece nas de-
A Associação Brasileira dos Produto-
O intercâmbio se dá por meio de reu-
cisões do grupo, valorizando o relacionamento pessoal e corporativo. “A junção de esforços
e recursos permite o desenvolvimento de projetos que dificilmente seriam executados por uma
única empresa. Estimulamos a participação de
outras entidades executoras em um mesmo
projeto com o propósito de agregar diferentes
opiniões, ideias e conhecimento técnico, fatores
considerados imprescindíveis para as áreas de
pesquisa e inovação”, diz o gerente da Divisão
de Assuntos Regulatórios da Companhia Energética de São Paulo (CESP) e coordenador do GT
P&D da Apine, Antonio Celso de Abreu Jr.
foto divulgação
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
Parceria na medida certa
Sinergia entre P&D e Eficiência Energética fomenta
pesquisa e abre espaço para a inovação
O Programa de P&D da Light man-
por meio de um piloto pela área de eficiência
tém uma linha de pesquisa voltada exclusiva-
energética, o kit foi desenvolvido por pesqui-
mente para a eficiência energética, fato que
sadores do P&D da Light com o objetivo de
aumenta e fortalece a sinergia com o Progra-
melhorar a eficiência de refrigeradores usa-
ma de Eficiência Energética (PEE) da compa-
dos e é constituído de três peças: compres-
nhia. O PEE funciona como uma alavanca pa-
sor, termostato e borracha. “Ficamos muito
ra produtos inovadores, contribuindo para
satisfeitos com os resultados dos estudos fei-
inseri-los no mercado.
tos pela equipe de P&D sobre a viabilidade
do kit” , conta Raad.
O superintendente de Relações Ins-
titucionais da Light, Eduardo Camillo, afirma
A sinergia entre o Programa de P&D
que a parceria com o P&D tem sido bastante
e o Programa de Eficiência Energética não pa-
profícua. “O PEE se beneficiará cada vez mais
ra por aqui. Ela se estende até o campo regu-
dos produtos inovadores desenvolvidos pe-
latório. De acordo com a legislação em vigor,
lo programa”, completa Camillo, que já foi, in-
0,5% da receita operacional líquida da Light
clusive, superintendente da área de P&D.
é destinado ao P&D e 0,5% vai para a área de
Projetos de eficiência energética
eficiência energética. Até mesmo o manual
podem nascer de um P&D. Segundo o res-
de auditoria publicado pela ANEEL, em 2010,
ponsável pela área de Eficiência Energéti-
vale para os dois programas, que contrataram
ca da Light, Antônio Raad, o PEE consegue
uma única empresa de auditoria para obter
viabilizar o uso de produtos inovadores de-
ganhos de escala e reduzir custos.
senvolvidos pelo P&D da Light. “Depois de
Eduardo Camillo (à esquerda),
superintendente de Relações
Institucionais da Light, e Antônio
Raad, responsável pelo Programa
de Eficiência Energética
concluídos, os projetos não ficam no papel.
Testamos as inovações em campo para checar viabilidade e eficiência. Nesse sentido, o
PEE pode funcionar com um amplificador das
ações de P&D, fomentando os resultados das
pesquisas”, analisa Raad.
Um exemplo é o Kit Retrofitting de
Refrigeradores, oriundo de um projeto de
P&D. Já concluído e em fase de implantação
foto humberto teski
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
Hora de prestar contas
ANEEL regulamenta procedimentos para emissão de
relatórios financeiros e contábeis de projetos de P&D
O Despacho 512, publicado no iní-
tor de Energia Elétrica da ANEEL prevê es-
cio de 2011 pela Agência Nacional de Ener-
sa prestação de contas, mas a área de P&D
gia Elétrica (ANEEL), vem mexendo com a
estava aguardando o regulador determi-
rotina das áreas de P&D de todas as em-
nar quando, de fato, a auditoria começaria.
presas de energia, inclusive a Light. O do-
A área de P&D da Light já concluiu os rela-
cumento regulamenta a prestação de con-
tórios de 13 projetos. De agora em dian-
tas de cada projeto concluído, detalhando
te, esse trabalho será contínuo e deverá
procedimentos e estabelecendo prazos. O
ser feito dentro do prazo estabelecido pe-
Despacho 512 determina ainda a contrata-
lo regulador.
ção de uma empresa de auditoria externa
para preparação dos relatórios financeiros
que a ANEEL passaria a exigir de fato os re-
e contábeis em até 60 dias após a conclu-
latórios de comprovação de investimen-
são de um projeto de P&D, prazo máximo
tos em P&D, mas não sabíamos quando se-
para entrega à ANEEL.
ria exatamente. A notícia veio no início de
Desde 2008, o Manual do Progra-
2011 e mudou nossa rotina. Tivemos que
ma de Pesquisa e Desenvolvimento do Se-
reunir uma gama enorme de documentos
“Aguardávamos o momento em
para viabilizar o trabalho das auditorias
externas”, conta o analista de Regulação e
Planejamento da Light, Bruno Salerno, que
trabalha na área de P&D.
De acordo com Salerno, o P&D da
Light precisou reorganizar alguns processos internos para otimizar a preparação
da documentação que seria apresentada
à ANEEL. A exigência do regulador gerou
novas atividades, como a busca por notas fiscais originais e comprovantes de desembolso, arquivados em área específica
da Light. Com isso, a equipe de P&D está
tentando criar uma estrutura que favorefoto HUMBERTO TESKI
50
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
foto HUMBERTO TESKI
ça o acesso imediato a esses documentos
comprobatórios sempre que necessário.
“É um desafio diário adequar nos-
sos processos de trabalho para estarmos
alinhados às exigências do regulador, mas
é natural que nos adaptemos às mudanças. Estamos aprendendo muito, principalmente porque tivemos de orientar as
consultorias externas para o preparo dos
relatórios. A nossa expectativa é de que
elas se tornem cada vez mais independentes com o passar do tempo”, avalia Salerno.
AUDITORIA EXTERNA
Os relatórios contábeis e financei-
cendo o seu papel fiscalizador, porém
ros serão auditados por auditores exter-
contará com o suporte desses relatórios
nos contratados pela Light, conforme exi-
analisados por terceiros independentes”,
gência da ANEEL. Segundo o sócio-líder da
destaca Juliana Rigo, da PWC, consulto-
área de energia elétrica da empresa de au-
ria contratada pela Light para realização
ditoria e consultoria PWC, Guilherme Valle,
de trabalhos no âmbito de P&D.
a exigência de se realizar a auditoria exter-
na sobre os projetos de P&D contribui para
gulador tem a oportunidade de identificar
o processo de fiscalização da ANEEL, pois é
possíveis problemas com a aplicação dos
inviável a agência reguladora fiscalizar so-
recursos e direcionar esforços para resol-
zinha todos os projetos executados pelas
vê-los, ou ainda aplicar sanções que po-
empresas de energia elétrica obrigadas a
derá ser o estorno dos gastos não com-
investir em P&D. As auditorias terão o pa-
provados ou inadequados aos projetos.
Ao avaliar todos os projetos, o re-
pel de verificar a adequação dos gastos realizados em cada projeto.
“Não se trata de uma audito-
ria técnica para validar o caráter inovador do produto, mas de uma auditoria
Não se trata de uma auditoria técnica para validar o
caráter inovador do produto, mas de uma auditoria
de natureza financeira e contábil, pa-
de natureza financeira e contábil, para analisar a
ra analisar a aplicação dos gastos de ca-
aplicação dos gastos de cada projeto concluído.
da projeto concluído. Mas mesmo com
os relatórios, a ANEEL continuará exer-
Juliana Rigo | PWC
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
51
N o 03 - AGO 2011
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
foto humberto teski
da ANEEL e os procedimentos que deveriam ser executados para prestação de
contas dos projetos. Agora há uma regra e
todos sabem como proceder”, esclarece o
auditor da KPMG, Vinicius Nishioka, que já
aplicou os procedimentos de revisão preacordados, determinados pela ANEEL, em
13 projetos de P&D da Light.
A medida da ANEEL inaugura uma
nova fase para as empresas do setor elétrico com programas de pesquisa e desenvolvimento, o que é uma grande oportunidade de rever o controle de todos os
Portanto, o relatório conclusivo sobre a
investimentos em P&D. “As concessioná-
auditoria contábil e financeira dos proje-
rias, com base no Despacho 512, tiveram
tos de P&D tem por finalidade suportar
que rever os processos de preparação dos
a fiscalização da ANEEL e, sobretudo, dar
arquivos de documentos e as ferramentas
mais transparência aos recursos aplicados
de controle para as auditorias atuarem.
em P&D, traduzindo-se em benefícios para
Em se tratando de uma novidade, o desa-
a sociedade de forma geral.
fio é entender as necessidades da ANEEL
Na verdade, o Despacho 512 apro-
e rever os processos internos de contro-
va o Manual de Orientação dos Trabalhos
le dos projetos e programas, buscando es-
de Auditoria Contábil e Financeira dos Pro-
tabelecer a forma mais eficiente de aten-
jetos, Projetos/Planos de Gestão e Progra-
dê-las. As áreas de controle de P&D nunca
mas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)
haviam passado por esse momento antes”,
e Eficiência Energética (EE). “Antes do Des-
constata Nishioka.
pacho 512 e do Manual não havia nenhu-
ma norma especificando os requerimentos
as regras estabelecidas pelo regulador
Segundo o auditor da KPMG,
mostram a seriedade com que o governo brasileiro encara a pesquisa e o de-
As áreas de controle de P&D nunca haviam
passado por esse momento antes. A postura da
va concessionárias e aumenta a confiança
daquelas que realmente querem investir
ANEEL indica o quão importante é o surgimento de
em inovação. “A postura da ANEEL indica
tecnologias inovadoras para o futuro do Brasil.
o quão importante é o surgimento de tec-
Vinicius Nishioka | KPMG
52
senvolvimento no país. Tal postura moti-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
nologias inovadoras para o futuro do Brasil”, finaliza Nishioka.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
INFLUÊNCIAS EXTERNAS
Em perfeita sintonia com o P&D
Lei do Bem proporciona incentivo à inovação tecnológica
com redução da carga tributária
A Lei Federal nº 11.196/2005 é co-
Consultora da Hirashima & Associa-
nhecida como Lei do Bem, o que exprime
dos, empresa que auxilia o P&D da Light na
com perfeição o seu significado. Essa lei
interpretação e aplicação da lei, Samira Sou-
concede incentivos fiscais para empresas
za explica que a Lei do Bem estabelece bene-
que investem em pesquisa e desenvolvi-
fícios fiscais relacionados aos investimentos
mento, beneficiando diretamente a área de
efetuados em pesquisa e desenvolvimento
P&D e a sociedade em geral. A norma con-
para inovação tecnológica, os quais as em-
siste na redução do pagamento de Impos-
presas podem usufruir de forma automática.
to de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contri-
De acordo com a lei, regulamentada pelo De-
buição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
creto nº 5.798/06, para obter os benefícios, é
ao reconhecer até 60% do total das despe-
preciso apenas atender a algumas formalida-
sas aplicadas em P&D, além de reduzir 50%
des, como a regularidade fiscal.
do Imposto sobre Produtos Industrializa-
dos (IPI), que incide nas aquisições de equi-
é oferecer incentivos fiscais às empresas – in-
pamentos, máquinas, instrumentos e apa-
dependentemente do setor de atuação – pa-
relhos utilizados no projeto.
ra que apliquem recursos em pesquisa e de-
“O grande benefício da Lei do Bem
senvolvimento de inovações tecnológicas,
reduzindo a elevada carga tributária do país”,
comenta o gerente da área tributária da Hirashima & Associados, Alexandre do Carmo.
Uma companhia como a Light, que
tem a área de P&D consolidada, não poderia
ignorar a Lei do Bem. “Aproveitamos os benefícios trazidos por ela com responsabilidade
e compromisso, voltados para o interesse público, porque este norteia e é o arcabouço estrutural da própria lei. A Light se sente realizada por aproveitar uma oportunidade legítima
na conquista de uma posição melhor e mais
producente, principalmente, porque se mosfoto humberto teski
54
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
tra interessada nos benefícios e resultados
O gerente da Hirashima acrescenta
positivos trazidos pelas inovações de proces-
que a lei pode trazer redução da base de cál-
sos e produtos”, avalia o gerente tributário da
culo do IRPJ e da CSLL em função da deprecia-
concessionária, Frederico Videira.
ção acelerada das máquinas e equipamentos
A sócia de Impostos da Ernst Young
adquiridos no ano-calendário, e ainda permi-
Terco, empresa de autoria e consultoria que
te reduzir a base de cálculo do IRPJ via amor-
atende a Light, Maria do Carmo Leocádio, ex-
tização acelerada do intangível, também ad-
plica que, ao aderir ao incentivo, a empresa
quirido no mesmo período, dedução essa que
pode excluir do lucro líquido, na determina-
não se aplica à CSLL. Ele explica ainda que o
ção do lucro real e da base de cálculo da CSLL,
Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) é tri-
o valor correspondente a até 60% da soma
dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa e desenvolvimento. Esse
percentual poderá chegar a 70% se a companhia incrementar o número de pesquisado-
O grande benefício da Lei do Bem é
oferecer incentivos fiscais às empresas –
res contratados no ano-calendário de gozo
independentemente do setor de atuação –
do incentivo em até 5%, em relação à média
para que apliquem recursos em pesquisa e
de pesquisadores com contratos em vigor no
ano-calendário anterior; e 80%, no caso des-
desenvolvimento de inovações tecnológicas,
se incremento superar os 5%. São elegíveis
reduzindo a elevada carga tributária do país.
ao incentivo os dispêndios classificáveis co-
Alexandre do Carmo | Gerente da área
mo inovação nos termos da legislação aplicável pelo Decreto nº 5.798/2006.
tributária da Hirashima & Associados
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
Maria do Carmo Leocádio, da Ernst Young TerCo
butado à alíquota zero nas remessas efetuadas ao exterior para fins de registro de marcas
e patentes, reduzindo os custos da Light.
A conceituação de investimentos
em P&D é bastante abrangente, compreendendo criação de novos produtos; novas funcionalidades para produtos já existentes; novos mecanismos de produção ou
aprimoramento do processo produtivo; entre outros. “Apesar dos benefícios fiscais e
das inegáveis vantagens competitivas proporcionadas pela inovação tecnológica, o
irá melhorar a qualidade do produto final,
meio empresarial brasileiro ainda utiliza
gerar ganhos de produtividade e tornar
pouco a Lei do Bem, por uma série de fa-
os produtos mais competitivos frente aos
tores, como o próprio desconhecimento da
similares internacionais. Ao final do pro-
legislação e o receio das empresas quanto
cesso, todos ganham: as empresas melho-
a questionamentos fiscais”, destaca Samira,
ram sua situação financeira se tornando
da Hirashima. Esses incentivos fiscais deve-
mais sólidas e mais lucrativas, e o gover-
riam ser mais bem aproveitados pelos em-
no arrecada mais, com uma base maior
presários, especialmente diante das críticas
dos tributos envolvidos”, ressalta Maria
à carga e à complexidade do sistema tribu-
Leocádio. É uma solução para enfrentar o
tário brasileiro.
momento delicado de forte expansão das
“Com essa iniciativa do governo,
importações de produtos manufaturados
será possível criar um ciclo virtuoso que
e a consequente desindustrialização das
empresas nacionais.
Aproveitamos os benefícios trazidos pela Lei
do Bem com responsabilidade e compromisso,
voltados para o interesse público, porque este
norteia e é o arcabouço estrutural da própria lei.
A Light se sente realizada por aproveitar uma
oportunidade legítima na conquista de uma
posição melhor e mais producente.
Frederico Videira | Gerente Tributário da Light
56
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
“No setor elétrico, é importante
ressaltar a importância que a pesquisa, o
desenvolvimento e a eficiência energética
ganharam ao longo dos anos, por meio de
significativos esforços de todos da área, especialmente da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Nos chama a atenção
a preocupação das empresas com a melhoria dos controles e procedimentos relacionados aos projetos de P&D”, destaca José Ricardo de Oliveira, sócio de Advisory da
Ernst & Young Terco.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
E por falar em projetos
Falar em P&D é falar em projetos. E projeto é sinônimo de
trabalho, muito trabalho. É sair da inércia e se debruçar em
pesquisas que possam descobrir soluções inovadoras para as
demandas da Light, que beneficiarão também o setor elétrico e a
sociedade em geral. É se mexer para dar ao país a oportunidade
de alcançar novos patamares no mercado global. Conheça o
presente e o futuro dos projetos de P&D.
58
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
foto istockphotos
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Avanço no Smart Grid
Protótipo industrial do medidor inteligente
está quase pronto para ser utilizado pelo cliente da Light
Aguardado com grandes expectati-
poderá, se quiser pagar menos na conta de luz,
vas, o Programa Smart Grid, ou redes elétricas
acompanhar e controlar o consumo de energia
inteligentes – na tradução para o português –,
elétrica diariamente.
tem avançado a passos largos. O protótipo in-
O display exibirá informações de con-
dustrial do medidor inteligente deverá ser tes-
sumo mensal, semanal e diário em kilowatt/
tado até o final do ano em um projeto piloto. O
hora e será capaz de indicar o consumo de
novo modelo possui um display independente,
energia em relação à meta estabelecida pelo
a ser instalado na casa do cliente e pelo qual ele
próprio cliente, consumo instantâneo de ener-
foto humberto teski
60
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
gia, fluxo de energia, temperatura ambiente,
e Inovação da Light, Paulo Mauricio Senra.
entre outras informações. Na parte superior
do display, uma barra luminosa – que pode va-
próxima etapa é selecionar o grupo de mil
riar em verde, amarelo e vermelho – vai mos-
clientes que terão os equipamentos instala-
Com medidor e display prontos, a
trar o consumo instantâneo; na inferior, uma
segunda barra sinalizará, também em cores, as
tarifas diferenciadas – uma vez regulamentadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica
(ANEEL) - e os momentos mais propícios para
Neste projeto piloto, o cliente da Light poderá
acompanhar o seu consumo de energia elétrica
usar a energia sem gastar muito.
a partir de diferentes mídias, utilizando a que lhe
for mais familiar, o que possibilita a integração
Com todas essas possibilidades, o
usuário de energia elétrica poderia apagar
algumas luzes, desligar alguns aparelhos ou
e inclusão sociofinanceira dos consumidores,
deixar para passar a roupa em outro horário.
tomando em conta, dentre outros parâmetros,
“O Smart Grid é o futuro do negócio de distri-
aspectos culturais, socioeconômicos e suas
buição de energia no país. São ações que melhoram a gestão da rede e ajudam os clientes
diferentes faixas etárias.
a fazer escolhas mais econômicas. O mundo
Fabio Toledo | Coordenador executivo do
está mudando, e a Light se prepara para isso”,
Programa Smart Grid na Light
avalia o gerente de Planejamento, Ambiente
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
62
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
63
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Portal: Visão geral do consumo de
energia apoiado por um
calendário, que traz indicações
de consumo com relação às
metas nas cores verde, amarelo e
vermelho
dos em suas residências. O projeto piloto aju-
rá possível acompanhar o consumo de ener-
dará a avaliar os benefícios de tais serviços,
gia. Assim, além de utilizar o display do me-
bem como o comportamento de cada consu-
didor inteligente em casa, o cliente poderá,
midor na utilização das novas tecnologias.
por exemplo, acessar o portal do Smart Grid
de onde estiver. Em breve, o portal estará no
PORTAL SMART GRID
ar e possibilitará o acompanhamento do consumo através de mídias sociais.
64
O Programa Smart Grid evoluiu tam-
Os pesquisadores do Smart Grid es-
bém no desenvolvimento de variados ca-
tão atuando ainda no desenvolvimento de
nais de comunicação com o cliente (confor-
soluções para telefonia móvel e TV digital. As-
me figura da página 66), também chamados
sim como no display convencional e no por-
de displays indiretos, por meio dos quais se-
tal, o consumidor poderá acessar suas in-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
E POR FALAR EM PROJETOS
portal: Visualização de dados de
consumo por meio de gráficos, em
diferentes períodos (ano, mês,
semana e dia) e postos tarifários.
Também é possível cruzar
informações de consumo com
informações do posto
tarifário e temperatura
formações de consumo no televisor. Muitas
TRAÇANDO O PERFIL DO CLIENTE
pessoas têm mais familiaridade com esse tipo de equipamento eletrônico do que com
Quem é o cliente da Light? Quais são
celulares e internet.
suas características socioculturais? Qual o co-
“No Smart Grid, a Light quer oferecer
nhecimento tecnológico que possui? Essas e
pluralidade de canais de comunicação com o
outras perguntas precisavam ser respondidas
cliente. A informação deve ser entendida por
para orientar os designers no desenvolvimen-
todos. Somos desafiados com esse desejo, o
to dos aplicativos dos canais de comunicação
que é positivo porque estamos conseguindo
previstos no Smart Grid: display do medidor
superar as expectativas”, comemora o pesqui-
inteligente, portal Web, TV digital interativa
sador e coordenador do programa Smart Grid
e dispositivos móveis. As soluções estão sen-
pelo CPqD, Luiz José Hernandes.
do desenhadas respeitando os princípios de
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
65
N o 03 - AGO 2011
Personas: Metodologia proposta por
Alan Cooper que considera dados estatísticos e etnográficos para criar arquétipos do público-alvo. As características
socioculturais de cada persona orientam o design da interação.
66
E POR FALAR EM PROJETOS
usabilidade e acessibilidade de acordo com o
jeto piloto, o cliente da Light poderá acom-
perfil do cliente Light.
panhar o seu consumo de energia elétrica a
Foram necessárias algumas visitas
partir de diferentes mídias, utilizando a que
ao call center da empresa e a uma das prin-
lhe for mais familiar, o que possibilita a inte-
cipais agências de atendimento ao público.
gração e inclusão sociofinanceira dos consu-
Com base nessas visitas, dentre outras aná-
midores, tomando em conta, dentre outros
lises, os pesquisadores se utilizaram do mé-
parâmetros, aspectos culturais, socioeconô-
todo de Personas e criaram um modelo com
micos e suas diferentes faixas etárias”, declara
mais de dez perfis de clientes com dife-
Fabio Toledo, coordenador executivo do Pro-
rentes histórias de vida e motivações, que
grama Smart Grid na Light.
tem sido usado para orientar os profissio-
nais de criação.
comunicação que serão usadas na infraestru-
O consumidor terá à disposição um
tura de medição avançada também estão em
vasto leque de ferramentas para acompanhar
andamento. Agora é aguardar os resultados
seu consumo de energia. Todas as mídias es-
do piloto, que, em breve, será realizado com
tarão prontas até o final de 2011. “Neste pro-
alguns clientes da Light.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Os testes finais das tecnologias de
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Inteligência comercial
Quatro projetos prometem revolucionar o atendimento
da Light ao consumidor de energia elétrica
Satisfação do cliente e redução de
tecipa o superintendente da área Comercial,
custos. Esses são os ganhos finais de um pro-
Marco Vilela.
grama de P&D que está em andamento na
Light. Voltado para o relacionamento com o
importante para preservar a imagem da Light e a
consumidor de energia elétrica, o programa
qualidade do serviço prestado”, ressalta o pes-
de inteligência comercial abriga quatro pro-
quisador do Núcleo de Transferência de Tec-
jetos audaciosos, que prometem revolucio-
nologia da COPPE/UFRJ, Alexandre Evsukoff,
nar o atendimento da concessionária.
parceiro do P&D e responsável pelo desenvol-
Em fase inicial, o projeto de cálculo
vimento das novas tecnologias. Segundo ele,
do tempo para restabelecimento de energia
o software fará o processamento e dará a infor-
vai permitir que a empresa faça uma estimati-
mação sobre o tempo aproximado de restabe-
va de em quantos minutos ou horas a luz vol-
lecimento no momento em que o cliente esti-
tará a ser ligada. Essa informação é de gran-
ver na linha com o atendente da Light.
de valor para a Light, pois pesquisas indicam
que o cliente fica muito mais satisfeito quan-
cional para a companhia: redução de proces-
do informado sobre o tempo aproximado de
sos, multas e indenizações por interrupção
retorno da energia. Consequentemente, ele
no fornecimento de energia elétrica.
“Do ponto de vista do usuário, é muito
A tecnologia trará um benefício adi-
aguarda e telefona menos para a central de
atendimento, reduzindo custos com as liga-
Atendimento via sms
ções para o 0800 da companhia. A expecta-
68
tiva é de uma economia mínima de R$ 1 mi-
lhão por ano.
de um novo canal de atendimento via celu-
“A novidade do projeto de P&D é a
lar. O cliente poderá solicitar diversos servi-
inteligência do software, cujos cálculos serão
ços e informar problemas com a rede elétri-
feitos com base em uma série histórica sobre
ca enviando um SMS (mensagens de texto).
eventos passados. Levaremos em considera-
Para o consumidor, representa comodida-
ção o tempo gasto para restabelecimento da
de e praticidade. Para a Light, significa re-
energia, tipo de defeito, condições climáticas,
dução de custos com as ligações. Uma cha-
quantidade de técnicos envolvidos no repa-
mada para a central de atendimento custa,
ro, entre outras informações relevantes”, an-
em média, R$ 3, já uma mensagem sai por
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Um segundo projeto de P&D trata
Projeto que vai acompanhar
dia e noite as mídias sociais
na internet, como Facebook®,
Orkut®, LinkedIn®, Twitter®,
blogs, entre outras, para
rastrear tudo o que for falado
sobre a Light e assuntos
correlatos, possibilitando
a prestação de
atendimento ativo.
Projeto de cálculo
do tempo para
restabelecimento de
energia vai permitir que
a empresa faça uma
estimativa de em quantos
minutos ou horas a luz
voltará a ser ligada.
Projeto cria um novo
canal de atendimento
via celular, através do
qual o cliente poderá
solicitar diversos
serviços.
Projeto de mapeamento
geográfico das reclamações e
serviços comerciais, por meio
do qual será possível mapear
os tipos de problemas mais
comuns por áreas e regiões
do Rio de Janeiro, permitindo
realizar campanhas direcionadas
de relacionamento com o cliente.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
69
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
foto humberto teski
bre a Light e assuntos correlatos, para prestar atendimento proativo. Trata-se de uma
quebra de paradigma, pois o atendimento
no mercado de varejo é pautado em uma
ação receptiva. “Nossa pesquisa pretende
desenvolver um software capaz de armazenar menções à concessionária e processá-las de maneira que se possa entender o
contexto em que a Light é citada, identificando os principais formadores de opinião”,
explica Evsukoff.
O projeto de P&D para as redes so-
ciais é um pouco mais ousado, pois prevê
também o desenvolvimento de um aplicati-
1746 Rio: Aplicativo lançado recentemente pela própria Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro para atendimento
via smartphones.
LinkedIn®: Rede de negócios lançada
em 2003, comparável às redes de
relacionamento e utilizada, principalmente, por profissionais.
Twitter®: É uma rede social com formato de microblog, que permite aos
usuários enviar e receber atualizações
pessoais de outros contatos, em textos
de até 140 caracteres, conhecidos como
“tweets”, por meio do website do serviço, por SMS e por aplicativos específicos
de gerenciamento.
70
apenas R$ 0,18. A viabilidade do projeto
vo CRM (Customer Relationship Management
depende do desenvolvimento de um apli-
ou Gestão de Relacionamento com o Clien-
cativo exclusivo para a Light, algo pareci-
te) para Twitter® e Facebook®, com uma
do com o 1746 Rio, da Prefeitura do Rio de
plataforma amigável e intuitiva. “O nosso
Janeiro.
desafio é atender às gerações Y e Z, acosEstá em fase final de formatação o
tumadas com ambientes virtuais. As crian-
projeto de mapeamento geográfico das re-
ças e os adolescentes que ficam horas no
clamações e serviços comerciais. A ideia é
computador serão os nossos clientes em
bastante interessante e será muito útil pa-
um futuro breve. Como vamos nos relacio-
ra a Light. O software a ser desenvolvido
nar com eles?”, questiona Vilela.
vai mapear os tipos de problemas mais co-
muns por áreas e regiões do Rio de Janeiro.
área comercial, em três anos, o atendimen-
Essas informações, quando cruzadas com
to virtual vai representar mais de 50% na
os dados sociodemográficos dos bairros,
Light. Prova dessa tendência é a Agência
vão permitir descobrir os padrões dos con-
Virtual, que, em 2007, representava 4% do
sumidores. “Dessa forma, é possível buscar
total de atendimentos ao cliente. Em 2010,
soluções individualizadas mais efetivas”,
esse percentual saltou para 23%.
destaca Vilela.
Por fim, há o projeto de P&D que
Light de mecanismos tecnológicos alta-
vai acompanhar dia e noite as mídias so-
mente avançados, capazes de agregar valor
ciais na internet, como Facebook®, Orkut®,
aos serviços prestados pela concessionária.
LinkedIn®, Twitter®, blogs, entre outras. A
É uma questão estratégia ter o cliente satis-
intenção é rastrear tudo o que for falado so-
feito”, frisa o pesquisador da UFRJ.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
De acordo com as expectativas da
“Todos esses projetos dotarão a
Facebook® e Orkut®: Redes sociais
que reúnem amigos na internet.
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
A vida do produto
Após término do projeto, inovações são inseridas
no mercado. Espaçador de fios é uma delas
PEAD: Polietileno de alta densidade.
Geraldo Mendonça, diretor
comercial da PLP
Diversas mudanças implantadas
dor de fios, que nasceu de uma parceria entre
pela Agência Nacional de Energia Elétrica
a Light, a PLP e o Centro de Pesquisa de Ener-
(ANEEL), em 2008, trouxeram benefícios pa-
gia Elétrica da Eletrobras (Cepel).
ra o setor de pesquisa e desenvolvimento,
impulsionando a criação de soluções inova-
do a se beneficiar do produto foi a Light, que
doras, para facilitar o dia a dia das conces-
substituiu mais de 40 mil peças antigas pelo
sionárias. Produtos desenvolvidos por proje-
novo modelo, com melhor desempenho elé-
tos de P&D da Light estão prontos para entrar
trico e mecânico. Composto por PEAD e com
no mercado. O que há pouco tempo era ape-
modificações no desenho, o novo espaçador
nas uma possibilidade agora é fato, provando
traz importantes inovações, como a introdu-
que o futuro já começou.
ção de furos para o escoamento da água da
chuva e a substituição do anel elástico por
Em 2010, dois importantes projetos
A primeira concessionária do merca-
da área de P&D da Light foram finalizados,
uma trava automática.
podendo, enfim, entrar na fase de comercia-
lização. Um deles é a nova versão do espaça-
Mendonça, conta que a Light está testando
O diretor comercial da PLP, Geraldo
o produto em campo e que outras concessionárias estão interessadas no novo espaçador, como a Ceal, de Alagoas; a Companhia Energética de Pernambuco; e CPFL
Energia, de São Paulo. Por enquanto, a Light
fechou contrato de venda com a Ampla, para aquisição inicial de 120 peças. “Após concluir a entrega do pedido da Light, começaremos a atender outras companhias do setor
elétrico”, adianta Mendonça.
O novo espaçador tem tido uma
excelente aceitação. A intenção é levá-lo
para mercados da América do Sul, México
e Estados Unidos. “A nova tecnologia criada
para o espaçador permite entrar em regiões
foto divulgação
72
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
E POR FALAR EM PROJETOS
onde o dano ao modelo antigo era muito
grande devido à agressiva salinidade, como
o litoral do Brasil e a costa do Chile. O novo espaçador, constituído de polietileno de
alta densidade, será certamente uma excelente solução técnica e econômica”, afirma
o diretor da PLP.
Outro projeto de P&D finalizado
com sucesso foi o de gestão de baterias,
que pode ser utilizado por concessionárias
de energia elétrica ou empresas de telecomunicação. Desenvolvido em parceria com
o CPqD, teve como objetivo produzir um
software para gerir bancos de baterias utilizadas para alimentar os equipamentos das
subestações. O novo sistema é capaz de
acompanhar as condições de utilização e
o estado de conservação dessas máquinas.
Em casos de falta de energia elétrica, essas
baterias fazem com que elas continuem fun-
espaçador em uso no bairro da urca, rio de janeiro
cionando normalmente.
O gerente de Negócios do CPqD,
Iran Lima Gonçalves, gerente de negócios do CPqD
Iran Lima Gonçalves, diz que, apesar de
ainda não ter sido fechado nenhum contrato comercial, o software vem agradando
bastante. “Vejo facilidades na venda dele
para outras companhias. Acredito que, até
o fim de 2011, fecharemos alguns contratos”, diz Gonçalves.
Uma das telas do software de baterias
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Maré verde
Projetos pioneiros vão otimizar poda de árvores
e garantir mais eficiência na distribuição de energia
Ao receber energia em casa, pou-
desenvolvendo o projeto “Pesquisa de no-
cas pessoas param para imaginar o caminho
vas tecnologias de manejo da arborização
que ela percorreu, muito menos tudo o que
urbana”, que também é cooperado com a
precisou ser feito para que essa energia che-
Ampla, concessionária que atende Niterói,
gasse até o cliente da forma mais eficiente
São Gonçalo, Itaboraí, Magé e outros muni-
possível. Para alcançar a excelência em um
cípios da região.
serviço, as corporações investem em ações
que, aparentemente, não estão diretamen-
de quantidade de árvores para aumen-
te relacionadas ao negócio, mas que trazem
tar o conforto térmico. Se por um lado aju-
grandes ganhos indiretos, como aprimorar
dam os cariocas a viver melhor, por outro,
a poda das árvores em contato com a rede
criam desafios que devem ser vencidos pe-
elétrica, por exemplo.
las concessionárias de energia elétrica, co-
Em parceria com a Universida-
mo quedas, galhos quebrados, entre outros
de Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Uni-
problemas. “Nossa função é manejar eficien-
versidade Federal Rural do Rio de Janeiro
temente essas plantas, o que inclui o estudo
(UFRRJ), o Programa de P&D da Light está
de novas tecnologias para retardar o cres-
As ruas do Rio possuem gran-
cimento, interferindo o mínimo possível no
meio ambiente e garantindo que permaneçam vivas”, explica o professor do Laboratório de Química da Rizosfera, da UFRRJ, Jorge Jacob Neto, que coordena a pesquisa em
parceria com a UFRJ.
O projeto de P&D é inovador por-
que nenhuma outra empresa de energia elétrica no mundo teve iniciativa parecida. De
acordo com o gerente do projeto pela Light,
Max Pereira de Souza, o “objetivo é investigar como inibir o crescimento das árvores
sem prejudicá-las e aplicar tecnologias mais
eficazes de poda no ambiente urbano, visanfoto humberto teski
74
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Plataformas automáticas de coletas de dados serão instaladas em
locais estratégicos para medir os parâmetros de crescimento da
vegetação
plataformas de coleta de dados próximas às
árvores em cinco áreas-piloto. As informações possibilitarão prever o crescimento das
plantas e informar quando deverá ser feita
uma nova poda. O projeto permitirá entender o crescimento em função do clima, criar
As empresas cooperadas
gastam por ano,
Aproximadamente, R$ 48
milhões com serviços de poda.
A expectativa é que projetos
como estes tragam uma
economia anual de 3% desse
total, com o retorno do
investimento em menos de
dois anos.
mecanismos que inibam o rebrotamento e
reduzir quantidade e frequência de podas, o
que acaba por diminuir também custos com
transporte do material descartado.
“Ao mapear a rede elétrica com a
nova tecnologia, considerando as características das espécies que estão no ambiente urbano, é possível planejar remotamente a periodicidade da poda de maneira
mais inteligente”, destaca Max Souza, gedo sempre maior eficiência do processo”, ex-
rente do projeto.
plica Souza.
A gerente do projeto pela Ampla,
esse projeto possibilitará estudos integraliza-
Aline Agra, acrescenta que a ideia surgiu a
dos com as variáveis ambientais de cada local
partir da necessidade de reduzir interrup-
da pesquisa, analisando ventos, temperatura,
ções causadas pelo contato das árvores com
insolação, para tomadas rápidas e eficientes
as redes de energia e pesquisar meios de di-
de decisão, com menos riscos. “Estamos evi-
minuir os ruídos provocados pelas máqui-
tando a destruição de plantas ao longo dos
nas de poda.
anos, já que a árvore debilitada pode cair e
Jacob Neto, da UFRRJ, cita ainda que
até matar uma pessoa”, adverte Jacob.
PREVENDO O CRESCIMENTO
DAS PLANTAS
A Agência Nacional de Energia Elé-
trica (ANEEL) incentiva projetos cooperados
entre distribuidoras de energia. Ao falar so-
O segundo projeto, também coo-
bre a parceria entre as duas concessionárias,
perado com a Ampla, é chamado de “Desen-
Aline Agra ressalta a confiabilidade das em-
volvimento de modelo empírico de cresci-
presas envolvidas e a abrangência da coo-
mento vegetativo e catalogação eletrônica
peração, que beneficia todo o estado do Rio
da vegetação”. O professor e coordenador
de Janeiro. A importância desses projetos é
do Laboratório de Meteorologia Aplicada
enorme, não só pelo ineditismo, mas pela
da UFRJ, Gutemberg Borges França, que di-
preocupação com o meio ambiente e com o
rige o projeto, explica que serão instaladas
consumidor de energia elétrica.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
75
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Renovando as energias
Projeto de P&D pesquisa
tecnologia fotovoltaica
e confirma intenção da
Light de buscar fontes
renováveis
76
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
E POR FALAR EM PROJETOS
A preocupação com a preserva-
ra mostrar a quantidade de energia gerada
ção do meio ambiente atinge cada vez
e consumida. O grande diferencial é que
mais os diversos setores da sociedade. O
se pretende integrá-la à rede da Light pa-
mundo que vai ficar para as gerações fu-
ra ser usada por todo o complexo da sede,
turas começa a ser pensado e mudado a
na Rua Marechal Floriano, gerando um pa-
partir do presente, com grandes e peque-
drão técnico que poderá ser replicado pa-
nas atitudes, sejam elas governamentais,
ra todos os clientes.
privadas ou apenas uma iniciativa do ci-
dadão comum.
senvolver estratégias de negócio para
O esgotamento dos recursos na-
grandes clientes que queiram usar esse ti-
turais é uma preocupação universal, pois
po de energia renovável. E o Programa de
precisam ser substituídos antes que aca-
P&D tem um papel fundamental na con-
bem. Entre esses recursos encontra-se a
cretização desse objetivo. Fernanda expli-
energia produzida pelas hidrelétricas. A
ca que, atualmente, a energia fotovoltaica
água é um bem precioso para a humani-
ainda não é viável comercialmente devido
dade, mas corre o risco de se tornar es-
ao elevado custo de compra e instalação
casso. Em função desse perigo, o Progra-
das placas, porém os custos vêm baixando
ma de P&D da Light já pensa em soluções
ano após ano. Além da área de P&D, o pro-
que possam gerar energia a partir de fon-
jeto será desenvolvido em parceria com a
tes renováveis.
Gerência de Grandes Clientes e Engenha-
ria da companhia, bem como com o apoio
A executiva de Negócios da Light,
A intenção da companhia é de-
Fernanda Particelli, gerencia um projeto
técnico da Light Esco.
de P&D que vai desenvolver uma tecno-
logia para geração de energia fotovol-
buir com a introdução de melhorias nos
taica. Trata-se de um projeto piloto a ser
padrões atuais de consumo, estimulan-
implantado dentro da própria concessio-
do o uso de fontes renováveis, sempre
nária, que vai avaliar os benefícios desse
com foco na sustentabilidade do planeta.
tipo de energia e torná-la conhecida pelo
O Programa de P&D espera, inclusive, que
grande público.
o projeto possa servir de modelo para ou-
As placas para captar energia so-
tras concessionárias do setor elétrico. “As
lar serão colocadas no teto do Museu da
fontes de energia são finitas, mas mesmo
Energia, instalado no prédio da Light, no
assim o consumo tende a crescer. Ao in-
Centro do Rio de Janeiro. A área coberta
vestir em fontes renováveis, a Light busca
do telhado será de, aproximadamente, 160
trazer para o mercado uma gestão susten-
m2 e vai produzir 22 kW pico, o que equi-
tável, garantindo a perenidade do negócio
vale a 220 lâmpadas de 100 watts. Inter-
e a continuidade dos recursos ambientais”,
namente, haverá um painel eletrônico pa-
afirma Fernanda.
Light Esco: É uma empresa do Grupo
Light especializada em soluções energéticas e está presente em todo o território nacional. A empresa desenvolve soluções customizadas para atender
ao perfil de consumo e de produção de
seus clientes.
A energia fotovoltaica vai contri-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Energia fotovoltaica: É a geração de energia elétrica com energia renovável do sol.
Sustentabilidade: Conceito relacionado à continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais
da sociedade humana e do planeta.
77
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Mesa de Compras:
papel determinante no P&D
Mesa de Compras: Instância de
aprovação para todas as aquisições relevantes, com valor superior a R$ 200
mil, onde os processos são apresentados pelo Analista de Compras com a
presença do cliente interno, discutidos
e aprovados apenas por unanimidade pelos membros da Mesa de Compras
(gestores de Compras e de Projetos e representantes do Jurídico e Finanças).
78
Conheça também dois projetos da área de
Aquisição e Logística da Light
A área de Aquisição e Logística da
um projeto. “No geral, avaliamos imparcial-
Light é um parceiro estratégico do P&D, pois
mente prazo, preço, classificação tributária
contrata os fornecedores que atuam nas pes-
e aspectos legais envolvidos. Tentamos apli-
quisas. A Mesa de Compras desempenha pa-
car esses mesmos critérios quando se trata de
pel fundamental, pois sem a validação dos
P&D, mas nem sempre é possível, pois esta-
contratos é impossível iniciar a execução de
mos lidando com soluções inovadoras e sem
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Ricardo Vidinich, superintendente da área de aquisição, logística e
qualidade de fornecedores da Light
poderá acompanhar mensalmente a evolução dos custos por meio de índices de
insumos que compõem as atividades contratadas.
Outro projeto de P&D em fase fi-
nal é o sistema de monitoração remota de
baterias, cujo objetivo é avaliar periodicamente o estado de conservação desses
equipamentos, que devem estar em perfeitas condições de uso caso haja falha de
energia elétrica nas subestações da Light.
O projeto gerou dois hardwares, que fazem medição de eletrólito, corrente,
tensão, temperatura e impedância, e um
software, responsável pela análise dos dados coletados. “Os protótipos dos hardwares
referências”, explica o superintendente Ricar-
já estão instalados na subestação Baepen-
do Vidinich. Como projetos de P&D são bas-
di. Atualmente, as medições são feitas ma-
tante específicos, a alternativa é considerar
nualmente. A partir do projeto de P&D, po-
valores unitários e propostas anteriores de
derão ser programadas automaticamente,
cunho semelhante.
representando grande avanço para a área
de manutenção da Light”, aponta a geren-
Além de cumprir com seu papel,
a área também tem projetos de P&D. Um
te do projeto Gilcinea Pesenti.
deles é o Apogeu, que vai desenvolver um
software específico para formação de preço de referência para serviços técnicos de
distribuição de energia, considerando as
particularidades do setor elétrico. “Esse
software dará suporte à área de Compras,
reduzindo os riscos de serem contratados serviços com preços abaixo ou acima do estimado. Com isso, vai aprimorar
a negociação com os fornecedores, permitindo análises mais detalhadas e gerando
resultados com melhor qualidade e segurança nas informações”, destaca o gerente
do projeto Ricardo Oliveira Matos. A área
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Em sintonia com o regulador
Participação em projetos estratégicos alinha P&D da Light à
ANEEL e o mantém por dentro das tendências do setor
Regularmente, a Agência Nacional
estudo, as novas demandas do nosso setor.
de Energia Elétrica (ANEEL) propõe temas a
Os projetos estratégicos da ANEEL oferecem
serem pesquisados e desenvolvidos pelas
essa oportunidade”, diz Ribeiro.
áreas de P&D das concessionárias de energia
elétrica do país. Costumam ser temas estra-
cinco projetos estratégicos da ANEEL, entre
tégicos para o setor e de relevância nacional,
eles o que pretende estabelecer uma nova
como redes inteligentes (Smart Grid), estudo
estrutura tarifária para o serviço de distribui-
do mercado sul-americano de energia, efei-
ção de energia elétrica no Brasil. Seus princi-
tos das mudanças climáticas, estrutura tarifá-
pais parâmetros foram estimados há mais de
ria, entre muitos outros.
30 anos em um arranjo institucional e con-
Sempre que possível, o P&D da Light
tratual completamente diferente do vigente.
elabora propostas em conjunto com outras
Nesse contexto, a ANEEL defende pesquisas
companhias e participa dos projetos. Atual-
e estudos para aprimorar essa estrutura, por
mente, está envolvida em algumas pesquisas
meio de uma melhor adequação ao princípio
que reúnem diversos agentes do setor elé-
da modicidade tarifária, isto é, tarifas cobra-
trico, de várias regiões do Brasil. “Essa plura-
das em valores que facilitem o acesso ao ser-
lidade é ótima para o P&D da Light, porque
viço posto à disposição do usuário.
permite interação e troca de experiências”,
destaca o consultor da Empresa Fluminense
de Pesquisas Energéticas (EFLUPE), que trabalha no P&D da Light, Eduardo Ribeiro.
Além da interação com outras em-
presas e da convergência com a ANEEL, a
participação do P&D da Light em projetos
estratégicos contribui ainda para que a concessionária se mantenha atualizada no que
diz respeito às principais tendências das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento do setor
elétrico brasileiro. “Precisamos acompanhar
os novos debates, as novas tecnologias em
80
Eduardo Ribeiro, consultor da Empresa Fluminense
de Pesquisas Energéticas (EFLUPE)
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
O P&D da Light está envolvido em
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
81
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Segurança garantida
Rastreabilidade de equipamentos de proteção
assegura uso por trabalhadores
82
Até julho de 2012, 100% das mais
dade por chip são incipientes, mas o nos-
de 300 tecnologias de proteção, equipa-
so projeto de P&D tem sido bem-sucedido
mentos e ferramentas de alta responsabi-
e estimulado tanto pela Light quanto pe-
lidade da área de Segurança do Trabalho
lo regulador”, declara o gerente do proje-
e Operação da Light estarão prontas para
to Edson Muniz.
serem rastreadas. Traduzindo: tecnologia
inovadora sim, e desta vez a favor da for-
volvendo uma tecnologia capaz de rastre-
ça de trabalho da companhia. “No Brasil,
ar equipamentos e ferramentas por meio
as pesquisas no segmento de rastreabili-
de radiofrequência. Será possível saber on-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Este projeto de P&D está desen-
E POR FALAR EM PROJETOS
Alguns equipamentos e ferramentas que serão rastreados
• Capacete
• Óculos
• Uniforme retardante à chama
• Luva isolante de borracha
• Botina
• Vara isolante telescópica
• Ferramenta Y35
• Detector de Tensão
de e com quem estão. Cada um dos itens
de importância para a segurança de nossos trabalhadores receberá um chip com
informações sobre condições operativas,
confiabilidade, prazo de ensaios, manutenção, entre outras. Nenhum trabalhador
passará pelo portão de saída sem submeter os equipamentos ao profissional responsável por fazer a leitura dos chips. Se qualquer problema for acusado pelo software, os
equipamentos deverão ser substituídos.
“O principal benefício deste proje-
to é o salto no nível de segurança e proteção que ele vai proporcionar para nossa
equipe de técnicos. Cada trabalhador es-
campeonato, temos certeza de que essa
tá associado a um determinado grupo de
inovação será absorvida pela Light com
equipamentos. O software que receberá os
sucesso. E que o resultado final será repli-
dados da leitura do chip vai checar se es-
cado para outras concessionárias do se-
se trabalhador está de posse de tudo que
tor elétrico”, acrescenta Muniz. Ao todo,
precisa para sair a campo e quais as con-
aproximadamente, seis mil trabalhadores
dições desses itens. Tudo para minimizar
serão beneficiados com a nova tecnolo-
ainda mais os riscos”, explica Muniz.
gia de rastreamento de equipamentos de
segurança.
Em fase de testes operacionais,
leitoras e chips estão prontos. O proje-
to está desenvolvendo o software que fa-
feito em parceria com a ANEEL, Fundação
rá a leitura dos dados. “Nesta altura do
COGE e Universidade Federal Fluminense.
O trabalho de pesquisa tem sido
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
83
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
P&D vai prevenir ações judiciais
Projeto contribuirá para reduzir perdas comerciais
e número de processos contra a Light
ladores; e na terceira e última, vai definir os
procedimentos para lidar com todas as variáveis apuradas.
Segundo o superintendente Jurídico
da Light, Fábio Amorim da Rocha, para articular um projeto como esse é necessário entender quais razões motivam o cliente a procurar
a justiça para resolver um problema. “Há escritórios com mais de mil processos propostos contra a Light. Precisamos entender o que
impulsiona o ingresso de milhares de ações
no Judiciário. Por isso, é importante saber co
Stakeholders: Todos os públicos
com os quais uma empresa se
relaciona: clientes, funcionários,
governos, comunidades, órgãos
reguladores, acionistas, entre outros.
84
A área de P&D da Light é uma das
mo todos os stakeholders percebem esse ti-
responsáveis por projetos pioneiros em di-
po de situação”, frisa Amorim.
versos setores. Recentemente, em parceria
com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), ini-
Light, mas também para outras concessio-
ciou um projeto com viés jurídico. A ideia
nárias do país. O que está em destaque é a
surgiu a partir da necessidade de reduzir o
busca pela eficiência na solução de conflitos
número excessivo de ações judiciais contra
com o cidadão. “Quando a Light corre atrás
a concessionária, que, muitas vezes, provo-
e se antecipa para evitar o litígio, o conflito
cam perdas econômicas e danos à imagem
e o dano, temos uma expressão concreta de
da companhia.
compromisso com o bem-estar do consumi-
O projeto de P&D, assinado em ju-
dor e de toda a sociedade”, dispara Ricardo
nho deste ano e inédito no país, terá três fa-
Morishita, professor de Direito do Consumi-
ses: na primeira, vai avaliar a essência dos
dor da FGV.
conflitos, analisando os registros nos órgãos
de defesa do consumidor, Ministério Público,
res esperam ter construído a genealogia dos
Judiciário e da própria concessionária; na se-
conflitos e desenvolvido ferramentas eficien-
gunda, entrevistará consumidores, magistra-
tes de intervenção, que serão publicadas em
dos, promotores, advogados e agentes regu-
um guia de boas práticas sobre o tema.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
E será algo positivo não só para a
Ao final do projeto, os pesquisado-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
85
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Inovações para um
mundo sustentável
Projetos de P&D desenvolvem soluções inovadoras
para preservar o meio ambiente e reduzir custos
86
A palavra sustentabilidade nunca es-
A Light desenvolve projetos que contribuem
teve tão em evidência quanto neste momen-
com a preservação do meio ambiente, com
to. As ações sustentáveis podem ir da reci-
a qualidade de vida de empregados e co-
clagem de resíduos à economia de energia.
munidade e ainda com a melhoria dos servi-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Regiane Monteiro de Abreu, especialista em Sustentabilidade,
da Gerência de Planejamento, Ambiente e Inovação
e gerente de projeto
PROJETOS DA LIGHT ENERGIA
O grupo Light engloba a empresa
Light Energia, que gera e transmite a energia produzida por um parque gerador que
abrange cinco usinas hidrelétricas. Três delas, Fontes Nova, Nilo Peçanha e Pereira Passos, constituem o Complexo de Lajes, que fica em Piraí, no Centro-Sul Fluminense.
Diante de tamanha importância, o
Complexo de Lajes vem recebendo atenção
permanente da área de P&D da Light. A preocupação com o meio ambiente local motivou
o desenvolvimento de vários projetos que
contribuem com a sustentabilidade. Um deles avalia o potencial de utilização ecologicaços oferecidos aos clientes. Nesse contexto, o
mente sustentável das macrófitas aquáticas,
Programa de P&D da Light tem imensas con-
que se proliferam nos reservatórios e atrapa-
tribuições a dar com soluções inovadoras e,
lham o desempenho dos equipamentos.
ao mesmo tempo, sustentáveis.
Em 2006, a Light assumiu um com-
tem preocupado não apenas o setor elétrico
promisso formal com a sustentabilidade. “A
brasileiro, mas também todos os usuários de
estratégia da companhia deve estar alinhada
recursos hídricos em diversos países, por cau-
A proliferação de plantas aquáticas
ao conceito de sustentabilidade nas suas três
dimensões: ambiental, social e econômico-financeira, uma vez que a Light quer ser reco-
A estratégia da companhia deve estar
nhecida como uma empresa comprometida
alinhada ao conceito de sustentabilidade
com o tema. Para tanto, procura implemen-
nas suas três dimensões: ambiental, social e
tar as melhores práticas, buscando novas soluções, algumas vezes com a ajuda do P&D”,
econômico-financeira, uma vez que a Light
ressalta a especialista em Sustentabilidade da
quer ser reconhecida como uma empresa
Gerência de Planejamento, Ambiente e Ino-
comprometida com o tema.
vação e gerente de projeto, Regiane Monteiro de Abreu. Segundo ela, o P&D se constitui
Regiane Monteiro de Abreu | Especialista em
em um grande fórum para novas ideias, que
Sustentabilidade da Gerência de Planejamento,
fazem a Light avançar rumo a produtos e pro-
Ambiente e Inovação e gerente de projeto
cessos sustentáveis e inovadores.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
87
N o 03 - AGO 2011
Monicke Oliveira Vieira, gerente de P&D
sa dos danos aos processos produtivos, equipamentos e instalações. Essas plantas, além
de reterem os sedimentos carregados pelas
águas, diminuem o volume útil dos reservatórios, obstruem as tomadas d’água quando se
desprendem das margens e causam perdas de
carga, comprometendo tanto o bombeamento quanto a geração de energia nas usinas.
Segundo a gerente de projeto Moni-
cke Oliveira Vieira, a proposta do projeto é estudar a sazonalidade do crescimento das macrófitas, os nutrientes minerais e os metais
pesados gerados por elas nos reservatórios
ao longo do Rio Paraíba do Sul. Elas poderão ser utilizadas na produção de composMDL: É um dos mecanismos de flexibilização criados pelo Protocolo de Quioto
para auxiliar o processo de redução de
emissões de gases de efeito estufa ou
de captura de carbono (ou sequestro de
carbono) por parte dos países do Anexo I. Os projetos de MDL podem ser baseados em fontes renováveis e alternativas de energia.
tos orgânicos para diversas finalidades, por
exemplo, na recuperação de pastagens e áre-
ções inovadoras não só para a empresa, mas
as degradadas. Além disso, a equipe envolvi-
para outras concessionárias, esse P&D vai
da na pesquisa pretende elaborar um proje-
elaborar um Sistema Inteligente de Apoio à
to de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
Gestão Ambiental em Unidades de Geração
(MDL), que possibilitará a comercialização de
de Energia da Light (GERABIO). Esse acervo
crédito de fósforo, nutriente presente em ele-
online auxiliará o gerenciamento e manejo
vada concentração nessas plantas.
das usinas hidrelétricas”, destaca Monicke.
“Além de contribuir com a sustenta-
bilidade do Complexo de Lajes e trazer solu-
ICTIOFAUNA DE LAJES
É importante os consumidores terem
conhecimento de que a energia consumida
é produzida por uma empresa responsável,
que investe em pesquisa e inovação
tecnológica em prol do uso consciente
dos recursos naturais.
Rinaldo Rocha | Gerente de projeto de P&D
88
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
A preservação do meio ambiente nas
áreas em que os reservatórios do Complexo Gerador da Light Energia estão inseridos
contribui para reduzir os níveis de poluição,
melhorando, principalmente, a qualidade da
água. Por isso, a Light está investindo na aplicação de técnicas modernas de avaliação desses ecossistemas e do comportamento das
populações de peixes e demais comunidades
aquáticas que vivem nos reservatórios e em
trechos do Rio Paraíba do Sul.
E POR FALAR EM PROJETOS
Ictiofauna: Conjunto das espécies de peixes que existem em uma determinada região biogeográfica.
De acordo com o gerente de proje-
to Rinaldo Rocha, estão em andamento três
projetos de P&D simultâneos e integrados,
sendo que uma das propostas é estudar a ictiofauna dos reservatórios. Será possível determinar os padrões dominantes dos peixes e
relacioná-los às características do habitat, como condições das margens dos rios, cobertura vegetal do entorno e situação do subsolo.
Atualmente, a condição da ictiofauna é considerada um poderoso indicador da qualidade
ambiental do sistema.
Não é somente a Light e o meio am-
biente que saem ganhando, mas toda a sociedade. “É importante os consumidores terem
conhecimento de que a energia consumida
é produzida por uma empresa responsável,
que investe em pesquisa e inovação tecnoló-
gica em prol do uso consciente dos recursos
residentes na região metropolitana do Rio
naturais”, destaca o gerente do projeto.
de Janeiro e em outras cidades do Vale do
Cerca de 12 milhões de pessoas,
Paraíba, serão beneficiadas com os resultados desse projeto. Rocha menciona ainda
a melhoria da qualidade de vida das populações, pois a pesca esportiva e o turismo
ambiental são atividades de grande relevância na economia local.
Outro projeto de P&D voltado à
sustentabilidade vai analisar a estocagem
de carbono, fósforo e nitrogênio em sete
reservatórios – Ribeirão das Lajes, Tocos,
Santana, Vigário, Ponte Coberta, Santa
Branca e Ilha dos Pombos – e suas relações
com a sazonalidade climática. Este P&D
pretende aprofundar o conhecimento gerado por projetos anteriores, abordando
temas considerados estratégicos e prioritários para o setor elétrico.
Rinaldo Rocha, gerente do projeto que vai estudar a
ictiofauna do Complexo REVISTA
de LajesDE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
89
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Briquetes: Aglomerado de galhos e folhas, transformados em
madeira artificial.
SOLUÇÕES PARA RESÍDUOS
Um dos projetos da Light Sesa estu-
da alternativas e apresenta soluções inovadoras relacionadas ao destino de resíduos sólidos produzidos por toda a Light, no Rio de
Janeiro. Esse projeto contempla soluções para dois dos principais resíduos gerados por
uma concessionária de energia: britas contaminadas por óleo mineral e restos das podas
de árvores. A proposta é reaproveitar galhos
e folhas para a produção de briquetes, que
são usados como material para forno à lenha.
O projeto de resíduos envolve tam-
De acordo com Rinaldo Rocha, que
bém um programa de educação ambiental
também gerencia este P&D, o objetivo é de-
para a força de trabalho da Light, que recebeu
linear as influências das alterações climáticas
treinamento e capacitação na própria compa-
e das ações humanas sobre a incorporação
nhia sobre o lixo reciclável. “Para sensibilizar as
de carbono no ambiente aquático e sobre a
pessoas, elas precisam internalizar o conceito
concentração de nutrientes que fomentam a
de sustentabilidade. Mais do que a instituição
fixação do carbono pelos organismos vivos
ter uma cultura que priorize o meio ambiente,
presentes nos reservatórios. Essa pesquisa
é preciso que todos os empregados assimilem
vai buscar ainda estabelecer uma relação en-
e incorporem atitudes sustentáveis”, defende
tre os estoques de carbono, fósforo e nitro-
o coordenador do projeto pelo Centro de Es-
gênio com infestações de plantas aquáticas
tudos da Faculdade de Engenharia da UERJ
e estoques de peixes dos reservatórios.
(CEFEN), Carlos Eduardo Leal.
“O projeto, preocupado com a sus-
tentabilidade, traz benefícios para toda a so-
ÓLEO BIODEGRADÁVEL
ciedade. A formação e operação de reser-
90
vatórios exige, evidentemente, um manejo
adequado e sustentável dos ecossistemas, o
subterrânea da Light, o isolamento dos ca-
que implica conhecer as relações existentes
bos ainda é feito por papel impregnado de
entre a qualidade da água e as comunidades
óleo. Ao se romperem acidentalmente, po-
aquáticas. A introdução de técnicas de ma-
dem prejudicar o meio ambiente. Felizmen-
nejo integrado representa um passo impor-
te, a tendência para os próximos anos, no se-
tante na gestão sustentável dos reservató-
tor, é a fabricação de cabos secos, sem óleo.
rios”, finaliza Rocha.
Mas, enquanto esse momento não chega,
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Em 95% do sistema de transmissão
E POR FALAR EM PROJETOS
é possível amenizar o problema utilizando
de acordo com o plano de emergência da
óleo biodegradável, desenvolvido pelo P&D.
Light, essa parte do solo deveria ser levada à
Ao todo, foram criados oito tipos de bioóleo,
Central de Tratamento de Resíduos.
extraídos da soja, que agora estão na etapa
de testes de compatibilidade.
PEGADA DE CARBONO
“Os benefícios serão para todo
o setor elétrico brasileiro. As concessio-
nárias vão continuar transmitindo ener-
jeto de P&D que vai desenvolver uma metodo-
gia, mas agora com uma tecnologia limpa,
logia para calcular a pegada de carbono dos
sem agredir o meio ambiente. É uma solu-
sistemas de distribuição e geração de energia,
ção simples, porém com grande reflexo po-
podendo ser aplicada por todas as empresas
sitivo para o planeta, ratificando a postura
do setor. “A intenção não é comparar, mas es-
sustentável da Light”, ressalta o gerente do
tudar os processos para saber onde é possível
projeto, David Mello. A tecnologia é 100%
reduzir as emissões e ser mais eficiente, contri-
nacional e ainda poderá gerar royalties pa-
buindo assim com a sustentabilidade do pla-
ra a companhia.
neta”, avalia a gerente de Meio Ambiente e res-
ponsável pelo projeto, Fabiana Fioretti.
Além do bioóleo, o projeto desen-
No início de 2011, teve início um pro-
volveu um aditivo capaz de tratar o terreno
contaminado no mesmo local, reduzindo o
anuais produzidos pela Light sobre a emis-
nível de agressão ao meio ambiente. Antes,
são de gases de efeito estufa (GEE). Apesar de
Pegada de carbono: Quantidade
de carbono que a pessoa produz no dia
a dia para sobreviver.
Esse P&D é fruto dos inventários
a energia gerada pela concessionária ser limpa, já que vem de hidrelétricas, ainda não é
possível mensurar o quanto de GEE é emitido desde a produção da energia na usina até
o seu consumo na casa do cliente quando ele
aciona o interruptor.
O projeto de pegada de carbono es-
tá diretamente ligado às mudanças climáticas. “Esse P&D vai contribuir para a redução do
efeito estufa, mesmo que seja uma ação em
escala local. Cada um deve fazer a sua parte,
e a companhia está tentando fazer a dela”, expõe Fabiana. Ao reduzir as emissões, a empresa se torna mais eficiente do ponto de vista
econômico, porque reduz custos, e socioambiental, porque evita a poluição da atmosfera
e preserva a saúde das populações.
Fabiana Fioretti, gerente de P&D: redução nas emissões de carbono
contribui para o meio ambiente
e aumenta
eficiência da empresa
REVISTA DE
PESQUISA EaDESENVOLVIMENTO
DA LIGHT
91
N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
Pronto para uso
Três produtos de P&D absorvidos pela Light prometem
redução de perdas e mais eficiência nos serviços
Um projeto de P&D dura, aproximada-
produção industrial a partir da nacionaliza-
mente, de 2 a 3 anos para ser concluído. Em se-
ção dos materiais, compactação e regime de
guida, vem a fase industrial. Grande parte dos
operação com temperatura elevada. “Os prin-
projetos tem como objetivo reduzir perdas e fa-
cipais benefícios do novo produto são dimi-
lhas no atendimento ao cliente. As maiores per-
nuição da taxa de falhas, melhor relação cus-
das são provocadas por tentativas de fraude
to-benefício e, consequentemente, ganhos
e furto de energia. Mas há também falhas nos
de imagem para a empresa, pois reduzirá as
equipamentos. O P&D da Light atua pensando
interrupções de energia elétrica”, observa Ro-
em soluções para esses problemas. Um exemplo
berto Dias, gerente dos dois projetos de P&D.
é o transformador de distribuição autoprotegi-
do compacto com classe de temperatura eleva-
dor é igual ao anterior. Porém, internamente,
da, que está em sua segunda versão. A primei-
emprega materiais que permitem melhor de-
ra se mostrou inviável economicamente porque
sempenho. Até o fechamento desta edição
era produzida com materiais importados.
da Saber, a Light havia recebido 60 peças da
A segunda versão do transforma-
fase “cabeça de série”, faltando apenas cadas-
dor resgatou sua viabilidade econômica de
trá-las com o número de inventário para se-
Aparentemente, o novo transforma-
rem instaladas na rede.
REDUÇÃO DE PERDAS
Outro produto que está com o pro-
tótipo pronto e que deverá entrar na fase industrial em breve é o dispositivo de bloqueio
e alarme de fraude por queima da bobina de
potencial de medidores, conhecido por Disbloq. O gerente de P&D responsável pelo
projeto, Clayton Vabo, explica que o Disbloq
bloqueia tentativas de fraude por meio da
queima ou desligamento da bobina de potencial dos medidores de energia, enviando
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Bobina de potencial: Responsável por garantir a força de giro e torque
do medidor junto à bobina de corrente.
Disbloq: dispositivo dificulta ação de fraudadores e reduz
infrações que não eram detectadas
para a concessionária agilidade na detecção do
problema sem a necessidade de qualquer tipo
de intervenção humana imediata, diminuindo
a perda de energia e reduzindo os custos. Atualmente, parte dessas perdas ainda entra na tarifa. O Disbloq vai contribuir, dessa forma, com
uma possível redução na conta de luz dos consumidores”, ressalta o gerente do projeto.
Há ainda um terceiro produto em fa-
um alarme ao centro de controle de medição
se de teste e bem próximo à cadeia industrial:
e impedindo totalmente a saída do medidor
bastão amperímetro para detecção de frau-
para a carga. Por segurança, o fornecimento
des em instalações consumidoras de baixa
de energia é interrompido. “O dispositivo di-
tensão. O objetivo é checar o consumo antes
ficulta a ação de fraudadores e reduz a quan-
de uma possível visita da Light ao cliente. Essa
tidade de infrações que não eram detectadas
possibilidade permite à concessionária iden-
pela Light”, destaca Vabo.
tificar consumidores que tenham desfeito a
fraude antes dos técnicos vistoriarem o local.
O novo produto também pode ser
usado especialmente para medidores polifási-
cos, em que é mais difícil a detecção do desliga-
ponsável pelo projeto de P&D, Fernando Bra-
mento ou queima da bobina. “Esse projeto traz
ga, explica que o bastão facilita a identifica-
O gerente de Rede Subterrânea e res-
ção de um tipo comum de fraude: o desvio
de energia antes da medição. O diferencial do
produto está em verificar o consumo antes do
acionamento do cliente. Será possível comparar a energia fornecida com a registrada pelo
medidor. “O produto foi desenvolvido pela necessidade do efeito surpresa ao chegar na casa
do consumidor, já que ele se protege quando
a Light faz uma visita. Em alguns casos, percebemos que a fraude foi removida e passamos,
então, a monitorar”, completa Braga.
Por ser um bastão longo, o produto
evita que a equipe precise utilizar a escada
para acessar a rede, dando segurança e agilidade aos técnicos. Outro grande benefício é
a redução da perda de energia elétrica, hoje,
um dos grandes desafios da empresa.
Técnicos da Light testam consumo com uso
do bastão amperímetro
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
O que vem por aí: novas soluções
para demandas da Light
Projetos visionários investem em reciclagem como
fonte de renda e nanotecnologia para absorção de gases
Novos projetos estão por vir. Nos
caminhos para transformá-lo em política pú-
próximos meses, o P&D da Light vai colocar
blica permanente nas áreas com Unidades de
em andamento um projeto que desenvolve-
Polícia Pacificadora (UPP), gerando renda e
rá uma metodologia para reduzir a inadim-
aumentando a capacidade de pagamento da
plência em comunidades pacificadas do Rio
conta de luz. Os pesquisadores procurarão,
de Janeiro e, ao mesmo tempo, gerar renda
inclusive, por soluções inovadoras e bem-su-
para os moradores a partir da indústria da re-
cedidas em outros estados brasileiros.
ciclagem. O objeto de estudo é o Light Reci-
cla, projeto piloto do Programa de Eficiência
intenção é também reduzir a quantidade de
Energética da Light implantado, inicialmente,
lixo acumulada nos arredores, responsável
na comunidade Santa Marta, localizada nos
por poluir o meio ambiente e atrair doenças”,
bairros de Humaitá e Botafogo.
explica Fernanda Mayrink, gerente do projeto
de P&D e da área de Atendimento às Comuni-
Em outras palavras, o projeto de P&D
fará um estudo do Light Recicla, buscando
“Além de aumentar a adimplência, a
dades da Light.
Espuma nanotecnológica
para absorção de gases
A Light investe muito em sua rede
subterrânea, inclusive por meio de projetos de
pesquisa e desenvolvimento. O projeto “Sistema de previsão de falhas em redes subterrâneas” desenvolveu um sistema com inteligência artificial para prever falhas que possam
ocorrer nesses locais. A aplicação desse sistema permite se antecipar às ocorrências de falhas em componentes e equipamentos, direcionando ações de manutenção preventiva.
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REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
Depois do sucesso desse projeto, o
ainda que a espuma nanotecnológica tam-
P&D da Light está avaliando a possibilidade
bém será desenvolvida para aplicação em
de criar um novo, desta vez para aumentar
caixas de inspeção, que, diferentemente das
ainda mais a segurança nas câmaras sub-
câmaras transformadoras, não apresentam
terrâneas com o uso da nanotecnologia,
facilidade para aplicação de sensores e siste-
um dos campos mais modernos da ciência.
ma de monitoramento.
De acordo com o engenheiro de campo sênior da Light e gerente do projeto, Clayton
Vabo, a ideia é desenvolver uma espuma
nanotecnológica capaz de absorver gases,
em especial o metano. A presença indevida desses gases nas câmaras transformadoras e caixas de inspeção da Light aumenta
o risco de explosões.
No espaço subterrâneo, as espumas
serão distribuídas em pequenas quantidades
para absorver os gases e minimizar o nível de
explosividade do ambiente até que os técnicos da Light cheguem ao local. “Além da espuma absorvente, o sistema será composto
por sensores com alarme e acionamento no
sistema de ventilação e exaustão local, capazes de expulsar os possíveis gases excedentes
para a atmosfera”, explica Vabo.
A espuma é extremamente absor-
vente. Apenas um centímetro cúbico do nanoproduto é capaz de sorver mais de um
Além da espuma absorvente, o sistema
será composto por sensores com alarme
e acionamento no sistema de ventilação e
exaustão local.
Clayton Vabo | Gerente de P&D
metro cúbico de gás”, afirma Vabo. Ele conta
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
E POR FALAR EM PROJETOS
O que vem por aí: mundo nano,
benefícios grandiosos
P&D aplica nanotecnologia para identificar e combater
vazamentos de SF6 em subestações da Light
SF6: O hexafluoreto de enxofre é um
gás usado em equipamentos de energia
como isolador elétrico. É transparente,
inodoro e não inflamável. É um gás de
“efeito estufa” e seu potencial de aquecimento global é 24 mil vezes maior
que o do CO2.
Subestação: É uma instalação elétrica de alta potência, contendo equipamentos para transmissão, distribuição,
proteção e controle de energia elétrica.
Durante o percurso entre as usinas e as
cidades, a eletricidade passa por diversas subestações, onde transformadores aumentam ou diminuem a tensão.
Ao elevar a tensão elétrica no início da
transmissão, os transformadores evitam a perda excessiva de energia ao
longo do caminho. Já ao rebaixarem a
tensão elétrica na proximidade dos centros urbanos, permitem a distribuição
da energia por toda a cidade.
O uso da nanotecnologia pela ci-
ganhos para a Light e outras empresas do
ência avança em diversos setores da econo-
setor elétrico. Entre eles, redução dos cus-
mia, inclusive no setor elétrico. Prestes a dar
tos com manutenção, já que o vazamen-
os primeiros passos, um projeto de P&D da
to será identificado logo no início, e prote-
Light vai pesquisar uma substância reativa
ção ambiental, em consequência da menor
constituída de nanomateriais capaz de pos-
emissão do SF6 na atmosfera”, avalia a en-
sibilitar a rápida identificação de vazamen-
genheira de campo da concessionária e ge-
tos de SF6 nas subestações da Light. Mas
rente do projeto de P&D, Evelyn Goldner.
não apenas isso, os pesquisadores querem
Encontrar vazamentos assim que começam
também desenvolver uma cola para vedar a
poupa a equipe e evita a ocorrência de al-
área danificada sem ser necessário desmon-
gum desarme acidental da subestação, o
tar o trecho da tubulação que apresenta o
que provocaria interrupção no fornecimen-
problema para fazer o reparo.
to de energia elétrica para um grande nú-
mero de clientes.
Os benefícios dessa nova tecno-
logia são muitos. “Estou bastante anima-
da com a ideia, que poderá trazer grandes
as subestações de energia sejam mais com-
O SF6 é utilizado para permitir que
pactas, o que faz grande diferença em uma
cidade como o Rio, que sofre com a falta de
Essa ideia poderá trazer grandes ganhos
ta que as três fases fiquem mais próximas
para a Light e outras empresas do setor
umas as outras, tornando as subestações
elétrico. Entre eles, redução dos custos com
menores em volume. No entanto, há o de-
manutenção e proteção ambiental,
em consequência da menor emissão
do gás na atmosfera.
Evelyn Goldner | Gerente do projeto
96
espaço. O efeito isolante do gás possibili-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
safio de driblar os vazamentos. Desafio este
que a Light, por meio do P&D e da nanotecnologia, espera vencer em breve.
As dez subestações de SF6 da Light
no Rio de Janeiro obedecem rigorosamente
a todos os critérios de segurança, mas, infe-
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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Evelyn Goldner, gerente do projeto de P&D, em uma das
subestações que usam gás SF6
N o 03 - AGO 2011
lizmente, com o tempo, os vazamentos acabam sendo inevitáveis. A perda de SF6 é mínima, mas mesmo assim a companhia busca
alternativas tecnológicas para identificá-la
em estágio inicial e minimizar ao máximo a
emissão da substância na atmosfera.
Geralmente, o problema só é percebido quando há queda na pressão do gás
e o alarme é acionado. Além disso, o reparo
envolve o desligamento de parte da subestação e a desmontagem da tubulação (célula). Quando levou a questão para o P&D
da Light, Ermínio de Souza Pinto, na época
superintendente de Serviços de Manutenção e Operação de Sistema de Alta Tensão,
expôs a necessidade de não só identificar o
SF6. Para ser ter uma dimensão do que es-
problema, mas, principalmente, solucioná-
tamos falando, um grama de uma substân-
-lo. “Custa caro reparar e exige muitas ho-
cia desenvolvida com nanopartículas pode
ras de trabalho. Por isso, expliquei aos pes-
chegar a ter 600 metros quadrados de área”,
quisadores que, além da substância para
explica o professor do Instituto de Quími-
identificar o vazamento, gostaríamos tam-
ca da Universidade Federal do Rio de Ja-
bém que fosse desenvolvida outra que pu-
neiro e pesquisador envolvido neste proje-
desse reparar o defeito”, conta o superin-
to de P&D da Light, Rodrigo Corrêa. A tinta
tendente, que agora está em outra área.
reativa constituída de nanopartículas será
aplicada em áreas com maior incidência de
NANOPARTÍCULAS AUMENTAM
REATIVIDADE DO SF6
perda de SF6.
A cola para reparar o problema se-
gue o mesmo princípio. Por conter nanoma
Nanotecnologia: É a utilização de
materiais constituídos de partículas
com dimensões nanométricas, menores
que vírus, bactérias e células, chamadas
de nanopartículas. Esses nanomateriais
apresentam ganho de eficiência devido
às dimensões nanométricas,
obtendo alto desempenho quando
comparados a materiais de dimensões
perceptíveis a olho nu.
98
Por natureza, o SF6 é uma substân-
teriais, tem capacidade de secagem supe-
cia quase inerte, incapaz de reagir rapida-
rior aos produtos tradicionais, agindo mais
mente a muitas outras. Por isso, é muito difí-
rapidamente.
cil identificar vazamentos. Além disso, o gás
passa com muita velocidade pelas superfí-
com uso de nanotecnologia surgirão, por-
cies, sem deixar rastros. E é aqui que a na-
que com ela – a ciência já comprovou – é
notecnologia entra. “Ela permite criar ma-
possível melhorar o desempenho de equi-
teriais com áreas superficiais gigantescas,
pamentos, processos e substâncias. A Light
aumentando as chances de reação com o
quer acompanhar de perto essa evolução.
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
No futuro, novos projetos de P&D
REVISTA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA LIGHT
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N o 03 - AGO 2011
Para nós,
ter uma boa ideia
é aPenas
o Primeiro Passo.
Pensando no amanhã, a Light investe em Projetos de Pesquisa
e Desenvolvimento, para criar ideias e soluções que ajudem
o país a evoluir de forma ecológica e socialmente sustentável.
É um trabalho de inovação e pioneirismo a favor da sociedade.
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