REVOLTAS DE ESCRAVOS NA BAHIA EM IN!

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REVOLTAS DE ESCRAVOS NA BAHIA EM IN!
C.D.U. 301.185.12(814.2=96)
REVOLTAS DE ESCRAVOS NA BAHIA EM IN!CIO DO SgCULO XIX
Sêrgio Figueiredo
*
Ferretti(l)
1 - INTRODUÇÃO
Entre 1807 e 1835
ocor
reram em Salvador urna série
revoltas de escravos que
de
até ho
respeito dos movimentos
e lutas
sociais provêm dos setores
que
comandaram
po~
a repressão. Os
je não têm sido muito estudadas.
cos autores que se interessaram
Procuraremos,
em estudar as revoltas de escra
baseado na
tura disponível,
principais
buscando
reconstituir
eventos
os
conhecidos
interpretar
o
signif!
cado desses movimentos
M. Chauí
litera
sociais.
diz que não
possuímos
a história dos escravos,nem
a
vos da Bahia, o que deles
ram conhecimento,
corno Nina
drigues, a partir de
orais provenientes
coletiva,
torna
Ro
tradições
da
memória
em função de seu
con
tacto com os negros, tiveram,e~
dos servos, nem a dos trabalhadQ
tretanto,que
se limitar
na
re
res vencidos(1980:
124). O vence
constituição
dos fatos, aos
re
dor e transformado
em único
su
latos de governantes,
impedindo
que
jeito da história
haja urna história dos
vencidos.
Afirma ser necessário
urna críti
ca da ideologia para se
compr~
chefes de
polícia e aos autos dos
sos que conseguiram
Nina Rodrigues
ma que
localizar.
(1977:43)
tudos futuros acabem
homem produz suas condições
de
do a lacuna que subsiste
Por outro lado, Ciro
1816 e 1826, descobrindo
Cardoso
(1979:384)
preenche~
entre
os
le
que
vantes que nesse período deviam
repre~
ter tido lugar". Outros autor~~
afirma
urna revolta que escape a
afir
"é de se esperar que e~
ender a históriá real de corno o
existência.
proce~
sao, escapa à história e que
g~
ralmente quase todas as fontes a
corno Clóvis Moura, ampliaram
te período de insurreições
e~
baia
*
Trabalho de conclusão da disciplina Movimentos Sociais (Seminário Especial),
apresentado à professora Ângela Tygel no Curso de Mestrado em
Antropologia
Social da U.F.R.N.
(1) Professor Adjunto de Departamento de Sociologia e Antropologia da
Universi
dade Federal do Maranhão - UFMA.
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
65
nas, encontrando
mencionam
documentos
que
pelo Bill Abeerdeen,
a InglateE
ra podia intervir em navios bra
uma revolta de
escra
vos em Salvador em 1844.
Esper~
sileiros que fossem encontrados
mos que futuras pesquisas
contri
transportando
buam para um melhor
conhencimen
escravos.
fluência do Govêrno
sobre o partido
to deste agitado período.
- CONTEXTO HISTÓRICO
escravagista
lisa detalhadamente
a
ana
importâ~
cia da produçâo do tabaco no
mércio de escravos
co
desenvolvido
r6z proibindo
Quei
a importação
de
escravos para o Brasil,que
en
tretanto continuará
clandesti
namente ainda por alguns
anos.
entre a Bahia e a Africa
Ociden
Constata-se
com estes fatos
o
tal entre o seco XVII e
meados
interesse do Govêrno Inglês
em
do XIX, e inclui a fase que est~
difundir
mos interessados,
talista, substituindo
o que denomina
e impor o sistema capi
o
traba
o quarto período do trâfico
de
lho escravo pelo trabalho
escravos,
de
lariado.
ou o ciclo da Baia
Benin, que vai de 1770 a 1850-51.
Entre os principais
tão ocorridos,
eventos
podemos
votou a proibição
Inglês
do tráfico
escravos e a partir daí a
çâo Industrial,
de
Ingl~
terra, após o início da
Revolu
vai lutar
para
impor seu ponto de vista a
ou
tras nações. Em 1810, e assinado
um tratado de aliança e
amizade
entre Portugal e Inglaterra.
1826, a Inglaterra
reconhece
Em
a
independência do Brasil
impondo
como condiçâo a abolição do trá
fico de escravos. Em 1831, o
verno Regencial
considera
aprova lei
Go
que
ilegal o tráfico de es
cravos para o Brasil. Em
2.1 - Escravismo
assa
Colonial
en
destacar
que em 1807 o Parlamento
66
aprovado
em 1850 a Lei Euzébio de
Pierre Verger(1968)
in
Britânico
(Verger, 1968:385), é
2
Por
1845,
Autores recentes
Ciro Cardoso e Jacob
identificam
Gorender
o sistema
co predominante
como
econômi
no Brasil no r~
ferido período como de produçâo
denominado
nial.Para
de escravismo
colo
Ciro CardosoU975:69),
a independência
do Brasil
1822 não significa a
em
derrubada
deste modo de produção no país,
que continuou
sendo
dominante
até 1850 e só desaparecendo
1888. Baseado em Marx, o
.afirma que "o grau de
autor
explora
ção dos escravos aumentava
função de dois fatores: 1)
grau de integração
ao
em
em
o
mercado
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
internacional,
o qual aumentando
implicava numa maior
o que tam
exigência
em lugar de veículos,
existên
bém ocorria em outras
2) a
de sobretrabalho;
usados
íngreme, os negros eram
c:i,dades
cia de um mercado de escravos re
do país. Os negros eram
gularmente
regados de todos os serviços uE
abastecido,
possibilidade
já que
de substituir
cilmente os escravos
permite
a
fa
falecidos
lIextrair do gado
humano
a maior massa de rendimentos
sível no menor tempoll.
que ~stes dois fatores
po~
Sabemos
existiam
no Brasil pela constante
e
cres
banos, sobretudo o do
Apesar da
inexistência
de investigações
sistemáticas
a respeito de Pernambuco
Bahia, semelhante
bre o Brasil Meridional,como
os
de Florestan
importação
Ianni e outros, que
primeira metade do séc.XIX,sendo
Fernandes,
fundamentalmente
a tese de
berto Freire sobre o
de da escravidão
brasileira,
mo afirma Gorender,
não se pode concordar
num
dos fatores dessas revoltas.
Segundo Gorender,
na a cidade, embora as
de províncias,
nistrativos
domi
capitais
como centros admi
e cqmerciais
concentrassem
es
também
grandes massas
escravos. Gorender(1978:
de
com
do "mito da
os
democra
criti
cado entre outros por Bastide
,
Pierson, Florestan
e
especialmente
Fernandes
por Clóvis
e Abdias Nascimento
e
Moura
como efe
tivamentedemonstraram no
passado
os inúmeros levantes de
vos ocorridos
464
cQ
(1978:351),
cia racial", amplamente
no
cravismo colonial, o campo
defensores
Gil
benignid~
ração dos trabalhadores
sados, que se constituirá
Octávio
contestam
portanto elevado o grau de explQ
escravi
da
so
ma e a correlata
todas as fontes,foi crescente na
e
a estudos
de matéria - pri
escravos africanos, que, segundo
transpoE
te de mercadorias.
cente exportação
de
encar
escra
em todo o país,co
afirma que em fins do séc. XVIII,
mo os de inícios do séc. XIX em
no Convento de Santa Clara
Salvador, que nos
do
freiras
Desterro, na Bahia, 74
dispunham de 400 escravos
para
interessam
aqui. Gorender afirma
(1978:354)
mesmo
que foi provavelme~
servi-Ias. Diz que grandes casas
te a sociedade escravagista
de Salvador chegavam a
Brasil, aquela que no Novo
possuir
60 ou 70 escravos domésticos,
que no segundo porto da
do Sul, cidade com
e
América
topografia
do experimentou
sas, como reflexo dos maus
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
Mun
revoltas de
cravos mais contínuas e
do
es
inten
tra
6i
núcleos de escravos
tos recebidos.
2.2 -
Quilombos
e Outros Movimen
fugidos que
se formaram desde os
primeiros
séculos da colonização
tos de Negros
em todas
as regiões do país, e que em g~
Abdias do Nascimento
en
fatiza a importância
de
brasileiro
recuperar
sua memória
assumindo
suas raizes
históricas
o negro
étnicas,
e culturais
e de
tar para ser tratado como
aos demais segmentos da
de, através do ideal
igual
socied~
quilombi~
ta. Para Nascimento
qui lombo significa
lu
(1980:263)
reunião
comunhâo
existencial,
herdada dos quilombolas
XV ao XIX. Considera
cendentes
dos seco
que os
de africanos
Afirma (
275) que "quilombismo
mento político
popul~
assumir o P2
ção, devendo,assim,
der democrático.
des
consti
tuem a maioria de nossa
1980:
é um
a
Quilo~
bista, inspirado no modelo da R~
pública dos Palmares no
e em outros quilombos
afirma com Arthur Ramos a
necessidade
de combater a visão
de que o negro aceitou pacific~
mente a escravidão.
séc.XVI
que
exis
vamente em numerosos
destacando
Goulart
Alípio
(1972), uma síntese
bre movimentos
de reação de
cravos, ocorridos
de pequenas
em toda parte,
es
cotidianas
especialmente
séc. XIX, até aos quilombos
68
so
no Brasil, des
sedições
levantes
,
em
sociais
do
séc. XIX xomo a Cabanada no
Pa
rá, a Balaiada no Maranhão
vários outros. Baseado
palmente
em falas e
de Presidentes
e em
princl
relatórios
das Províncias
e
de Chefes de Polícia, apresenta
uma visâo destes movimentos
a década de 1880, nas
até
diversas
Províncias.
Em 1798 eclodiu na
hia a Chamada
Alfaiates",
"Conspiração
assim
eram alfaiates
no
ou
dos
membros
ou " conspiração
dos búzios", porque seus
de(1971:141).
Ba
denominada
porque alguns de seus
concha africana,
em
ati
sua participação
bros se reconheciam
tiram e existem no País".
Encontramos
Comprova
que os negros participaram
brasi
implant~
çâo de um Estado Nacional
Gou
movi
dos negros
leiros objetivando
lart
diversos movimentos
fra
terna e livre, solidariedade,co~
vivência,
ral são pouco conhencidos.
por
sados, incluíram-se
ciais militares,
essa
segundo
Entre os
ros, pedreiros,
mem
Basti
proce~
carpintel
soldados e
ofi
comerciantes,
funcionários,um professor, 5 a!
faiates, 11 escravos ( Tavares,
(1975:10). t considerada a prl
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1)
65 - 86, jan./jun.
1988
meira
ra.
revolução
social
Tavares(22/88)
transcrição
ciosos
dos
apresenta
de dez
boletins
apreendidos
autos
referência
França,
que
da devassa
aos
a
sedi
diversas
nos
Entre
da
e inícios
importante
cidadão~
ta
que,entre
Haiti,
po de
"homens
brasileiros
1794/97
um pequeno
de consideração"
que
repudiavam
ploração
colonial
ção pela
França
cráticas
... as conversas
homens
bem
alguns
a idéia
garantisse
de uma
1804.
Clóvis
os negros
que
autoridades
ca sobre
mas
desses
dos
conce
república
que
igualdade".
Tavares,
entre
35 acusados,
4 líderes
foram
à morte:
condenados
os
Luiz
Gonzaga
e Lucas
Dantas
das
da Bahia
são
João
de Deus
o ex-escravo
Manuel
Santos
Os demais
denados
a açoites
Tendo
ocorrido
antes
das
ressam
certa
aqui,
Cad.
Pesq.
pardo
e
dos
foram con
e banimento
de
que
é provive1
forma, tenham
o espírito
as
em
revol
as guerras
muçulmanas
que
na África
de
então
Negra.
em artigo
e retomado
N.!.
public~
em
sua
Virgens
Faustino
menos
revoltas
in
póstuma(1977:38/39),
faz
alfaiates
Nascimento,
Lira.
a ser
histórico
tas
obra
e os
da epQ
influência
fator
se desenvolveram
1900
das
comportamento
que
do em
mulatos
documen
o temor
no contexto
na Rodrigues
soldados
ti
brasileiros.
se travavam
os
em
revoltas,
por
no
Outro
expansão
Segundo
dessas
a possível
escravos
cluído
cul
no Brasil
brasileiras
fatos
e des
do
l790,que
demonstram
~ro
entre
Moura(l977:115
e comprovado
tos
fator
independência
o que
mula
que
sua
demo
livres
de escravos,
com
que
outro
em
notícias
soldados
ex-escravos
iniciada
minou
diz
do séc.XVIII
foi a revolta
veram
relações
me
diversos
repercutiu
atra
desses
discriminados,
soldados,
cendentes
ex
idéias
... homens
socialmente
tos,
das
de suas
fissionais
a
e sentiam
cativaram
e artesãos
gr~
fins
que
os escravos
em Salvador
de
classes
e de
do XIX,
e à república.Const~
atuou
das
favorecidas
à liberdade
(25/96)
a presença
pessoas
fazem
acontecimentos
os
inclusive
escravos.
constam
e que
conclamando
vista
brasilei
anos
nos
inte
que,
de
influenciado
de rebeJdia,
são Luis,
10
tendo
4
(1)
em
65 - 85,
referência
a esta
Islam
na África
mando
Nina
expansão
do
Ocidental.
Reto
Rodrigues,
A. Ramos,
Bastide,Verger
e outros,
deram
guerra
que
essa
continuava
tas
de escravos
liderados
1807
no Brasil
pelo
e 1816
jan./jun.
santa
se
nas
revol
e negros
livres
haussas
e 2elos
1988
consi
nagos
entre
e
ma
69
lê entre 1826 e 1835.
Verger
(1968:326)
afirma que
notícias
da expansão
islãmica entre
os
iorubfis chegavam regularmente
Bahia à cada vinda de
a
escravos
se possui
dados mais
cientes pois a repressão
mária,
seguindo-se
foi su
a dos nagôs,
entre 1826 e 1835.
3.1 - Revolta de 1807
a
do Golfo de Benin. Diz que
Rodrigues(1977:40)infoE
guerra Santa dos fulani, em 1804.
e o avanço do Islan,ao norte
do
ma que segundo declaração
do Go
país dos iorubás, se refletia na
vernador da Bahia, em 1806
chegada de prisioneiros
traram naquela província
vos.Considera
maciças
escra
que estas chegadas
de escravos
resultantes
forças ao 3entimento
principalmente
haussás e nagôs, grande
govern~
especial
dor tomou conhencimento
de
que
negros haussás tramavam um
le
- REVOLTAS NA BAHIA EM
INI
CIOS DO S~C. XIX
um embaixador
prevendo
em
1900,
um capitão
a fuga de escravos
cidade e do Recôncavo
ne Brazil em 1909 parece que
fo
para o dia da procissão
ram dos primeiros
se
pus Christi.
pelo estudo das revol
tas ocorridas
na Bahia na primei
da
para
zer guerra aos brancos
autores a
e,
para cada bairro,
Caldas Brito em 1903 e Pe. Etien
interessar
parte
dor. Em maio de 1807,0
vante designando
Nina Rodrigues
jejes,
revolta
mente aos islamizados.
3
8.037
em Salva
novas
de
dos escravos da Bahia,
escravos,
en
dos quais permaneceram
das guerras, vinham dar
fa
,marcada
de
Cor
Informado do local
das reuniões, conseguiu
prender sete líderes
mandar
armados
ra metade do século XIX, atribuí
com arcos e flechas, facas, pi~
das principalmente
tolas e tambor. Segundo Bastide
O desenvolvimento
aos escravos.
histórico
eventos é apresentado
mos principalmente
gues
dos
por alguns
autores entre os quais
Nina
Arthur Ramos
(1971).
(1971:148) e Verger(1968:325
os escravos planejavam
seguir~
tar a amotinação
Rodri
rarem do algumas
(1977), Pierre Verger(1968)
e ainda Roger Bastide
(1971)
e
Rodrigues
para se
),
aprovei
apod~
embarcações
e
viajarem para a Africa. Os haus
sás foram traídos
provavelme~
te por negros de outra
naçao.
divide as revoltas em dois perí~
O governo ,em repressão,
dos: primeiro,a
que dai em diante fossem presos
dos haussás,
partir de 1807 e sobre as
70
insufi
a
quais
todos os escravos
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1)
65 -
86,
ordenou
encontrados
jan. /jun. 1988
na rua apos as 21 horas
sem au
dos em Rodrigues
dão a
revolta
torização escrita de seu senhor.
como ocorrida em 1813 e
Os dois principais
diz que Rodrigues
culpados,AntQ
nio e Baltasar,foram
condenados
numero
à morte e os demais,em
Verger
indicou
aque
le ano por engano. Na madrugada
de 28 de fevereiro de 1814, ceE
de dez, açoitados em praça públi
ca de 600 negros haussás
ca.
varam-se e armados invadiram ca
suble
sas as senzalas atacando a
3.2 - Revolta de 1809
PQ
voaçao de Itapoã, matando ou fe
Em dezembro de 1808,
cravos haussás e nagôs
es
deserta
ram de engenhos do Recôncavo,
em janeiro de 1809,
e
desertaram
outros em Salvador. Atacados por
forças militares,
refugiaram-se
nas matas vizinhas. No combate
foram mortos grande
numero
,
de
escravos e mais de 100 foram pr~
sos e condenados
a trabalhos
çados transportandomaterial
for
para
aterrar a futura praça do
tea
tro. Nina Rodrigues,repetido
por
Ramos e Bastide, refere-se
existência
a
de uma sociedade
se
creta de escravos chamada Obgoni
ou Ohogbo, de origem
reconstituida
(1968:329)
africana,
no Brasil.
diz que um
vante teria ocorrido em
Verger
outro le
feverei
ro de 1810, sendo igualmente
primido,o
que em decorrência
Principe Regente ordenou que
escravos
insurretos
fossem
tados em praça pública
posteriormente
re
o
os
devendo
serem vendidos P~
nos
combates.
ano
Em maio do mesmo
houve denúncias
sás preparavam
de que os
haus
outro grande
le
vante para a noite da festa
de
S. João, com o apoio de
forros
e cativos de outras nações
da
cidade e do Recôncavo.
Planej~
vam atacar a
Pólvora
Casa de
tirando o que precisassem
lhando o rosto, com a
e
de degolar todos os brancos.
plano foi denunciado
mo
intenção
por
O
diver
gências outre os escravos. O gQ
verno proibiu os festejos
prendeu os implicados.
e
No
prQ
cesso iniciado em fevereiro,
39
réus foram condenados,
12 morre
ram na prisão, 4 foram
condena
dos à morte e os demais ,açoit~
dos e degredados para
Moçambi
que, Benguela e Angola.
Verger(1968:332)
ta que os ingleses
acredi
estivessem
por traz deste levante pois
um
escravo do cônsul inglês era um
- Revolta de 1814
Ramos e Bastide
de 50 negros foram mortos
açoi
ra fora da Província.
3.3
rindo cerca de 20 brancos. Mais
apoi~
dos que insulflava
Cad. Pesq. são Luis, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
a
revolta.
71
Segundo o autor, apesar da
pressão as revoltas
re
continuaram
e cita correspondência
do cônsul
inglês de 1816 fazendo
referên
cia a revoltas de escravos
ocor
ridas em janeiro e fevereiro
da
ten
do proibido as danças mas
mendando moderação
reco
em sua execu
ção,e como os divertimentos
blicos são autorizados
parte,mesmo
p~
em
toda
às pessoas das clas
quele ano com mortes de senhores
ses
a destruição
cidiu que os escravos dançassem
debelados
de engenhos,
sendo
por corpo de milícia
cavalo recentemente
a
organizado.
mais
baixas,
deci
na Praça da Graça e na de Barba
lho, at~ a hora da Ave Maria"
"O Governo Geral do Rio de Janei
Diz ainda que comerciantes
ro, respondendo
contentes
a
correspondê~
cia do Conde dos Arcos,
da-lhe um policiamento
ro sobre os escravos,
recomen
mais sev~
determina~
do que fossem proibidas
de negros chamadas
batuques,
reuniões
vulgarmente
à noite,
especialmente
fizeram uma
ao governador
petição
lembrando
que na
última revolta ·os negros
vam: Liberdade.
grit~
Vivam os negros
e seu Rei e Morte aos
e mulatos.
brancos,
Temiam o que
havia
ocorrido no Haiti e protestavam
embora isto lhes fosse permitido
para alegrá-los mas que não
na Bahia. Reclamavam que os
de
•
des
contra a falta de
policiamento
ba
viam continuar pelos abusos come
tuques fossem autorizados
aos
tiaos. No Rio,tais reuniões eram
domingos e que as reuniões
dos
permitidas
pois os negros angola
negros continuassem
e benguela
são diferentes
em conversas em suas línguas.
Bahia, especialmente
dos da
os haussás"
(Verger:330). Segundo
Rodrigues
(156), o Conde dos Arcos era
vorável aos batuques que
dicamente
agrupavam
os
origens e animosidades
escravos
suas
reclprQ
cas na Âfrica. Considerava
esses batuques
tinham o
3.4 - Insurreições
pela
noite
dos Nagõs em
1826, 1827, 1828 e 1830
fa
periQ
por nações lembrando-lhes
que
efeito
Verger(333)
respondência
cita nova cor
do cônsul da Ingl~
terra em 1822, fazendo
referên
cias e levante de populações
n~
gras ocorridas em junho na Vila
de Itaparica, dominada pela
PQ
da desunião entre essas diversas
lícia com a morte de dois
ne
nações dificultando
gros e o ferimento dos outros 20.
a
revolta
conjunta de todos. Verger(331
.afirma que "o Conde dos
72
cumpriu as ordens recebidas
Arcos
Rodrigues
(48) diz que
em
1826, nas Matas do Urubu,em
Pi
Cad. pesq. são Luís, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
rajá, havia um quilombo que
mantinha
se
com o auxílio de uma ca
sa de fetiche chamada casa
can
domblé. Alguns capitães do
mato
de abril de 1830, so negros at~
caram tres lojas de
da Cidade Baixa vi: ando apoder~
rem-se de armamentos.
Atacaram
escravos
atacaram este qui lombo sendo
re
também um depósito de
primidos. A polícia interviu
e,
recentemente
após sérios combates,
capturou
ferragens
Africa,
desembarcados
libertando mais de 100 e
alguns negros e inclusive uma ne
ferindo 18 que se recusaram
gra chamada Zeferina. Ela
segui-los.
decla
da
Juntando-se
a
a
escra
rou que os negros estavam contan
vos, o grupo atacou um posto de
do com uma insurreição
polícia para roubar armas.Ataca
de
nagos
da cidade na véspera do natal
dos por vários soldados,
Perseguições
morre
na cidade
levaram
ram mais de 150 e cerca de
a numerosas prisões,ao
recolhi
foram aprisionados,
40
dispersa~
mento de atabaques e outros obj~
do-se os demais. Este movimento
tos que,segundo
destinava-se
pertencer
Verger,
deviam
a conseguir
armas
a algum candomblé.
Se
para uma grande revolta que
gundo Verger, por esta época
as
tava sendo tramada para o
palavras nagõ e malé começam
a
aparecer nos relatórios
da
poli
cia.
13 de abril e que ter1a
do por denúncias.
es
dia
aborda
Diversos
es
craVOS nagôs foram presos,incl~
De acordo com Nina Rodri
sive o escravo Francisco,
gues, em 22 de abril de 1827,uma
havia participado
insurreição
çao de 1828.
de escravos
muçulmis
do Engenho Vitória, próximo
Cachoeira,
provocou um
em outros engenhos do
vo, reprimido
à
3.5
da
Recõnca
luta. Informa também que em
- Revolta dos Malês em 1835
A revolta estava
jada para a manhã do dia 25
11
janeiro, quando grande parte da
população
gros africanos de Salvador deser
fim, deixando a cidade
tou, juntando-se
a outros de
deserta. Deveria ser
genhos vizinhos.
Foram
en
atacados
havendo
vai a igreja do
os presos.
surretos. Estava
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1)
Bon
quase
iniciada
apanhar água das fontes
cas e poderiam
1
de
quando os escravos s~íssem para
numerosos mortos e punições para
diz que a
plan~
de
de maio de 1828 uma parte dos ne
Rodrigues(50)
insurrei
levante
após dois dias
pela pOlícia em Pirajá,
que
realização
65 - 86, jan./jun.
se juntar aos in
prevista
de incêndios
1988
públi
a
simul
73.
tâneos em vários pontos
da
ci
crade para distrair
a atenção da
polícia. Contava-se
com o apoio
do escravos de plantações
do
Recôncavo.
emancipada,
Guilhermina
Souza,preveniu
uma casa,
dirigiE
do-se para Agua dos Meninos.
chefe de polícia avaliou
nago
havendo ai~da grande
Rosa de
feridos que morreram
a um vizinho,
co
de escravos,sobre
a
mortos,
numero de
depois.
A polícia passou
então
em revista diversas casas de na
gôs libertos, de haussás e
soubera por várias
alguns escravos. Nessas
fontes,
~n
O
em
revolta que se tramava e de que
de
buscas
formando que alguns nagôs já ha
foram apreendidos
viam chegado de Santo Amaro.Avi
péis escritos com
sou que planejavam
árabes e fardarnentos que consta
os brancos,
matar
todos
cabras e negros
de
livros e
p~
caracteres
vam de túnicas brancas e
barre
outras nações que não quisessem
tes com distintivos.
depoi:.
se unir aos revoltosos,poupando
mentos demonstraram
lhes servir de escravos.
forma tomadas
que os
es
.
critos eram oraçoes malês ou mu
Comuni
çulmis, e que Luís Sanin, da na
cado o fato ao Presidente
Província,
Os
a
apenas mulatos destinados
da
diver
ção Tapa, que era mestre de
en
e
efetuadas
que os escra
\ ~
vos fizessem uma junta
contr~
buscas em casas de
africanos.
buindo com uma ou meia pataca ca
sas providências
sinar, aconselhava
Numa das buscas, cerca de 60 n~
da um, para comprarem
gros armados reagiram dispersa~
de culto e passarem
do os guardas. Dividiram-se
seus senhores.
dois grupos, atacaram a
em
guarda
roupas
alforria a
Encontrara-se
fragmentos de inscrições
com
do Palácio, o Colégio dos Jesuí
frases do Alcorão e rezas
for
tas e tentaram várias vezes
tes colocadas em pequenas
boI
in
vandir a prisão da rua da Ajuda
sas de couro, usados como talis
para libertar prisioneiros.
mã contra todos os perigos, bem
caram outros quartéis de
At~
poli
como tábuas para ensinar a
es
cia e seguiram para Âgua dos Me
crever. A descoberta
desses
ob
ninos, onde havia um quartel de
jetos em mãos de africanos,
que
cavalaria. Ai foram
se pensava serem planos de
violentos
travados
combates em que morre
ram cerca de 40 escravos.
74
incendiaram
mais de 60 o número de
Na vespera, uma
merciante
ainda
manhã retardatários
Pela
surreição, provocou a
in
oeport~
1
ção de negros livres e penas de
Cad. Pesq. são Luis, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
açoites aos escravos. Também
ram encontrados
rosários
fo
muçul
Contra
08
Revo1tosos
Entre os quase 300
ne
gros que foram julgados,194
eram
nagôs, 25 haussás,
9 jejes, 7 mi
nas, 6 tapas e os
demais,de
tras procedências.
Haviam 125 que
eram africanos emancipados.
ou
Gra~
de parte dos revol tosas sabia ler
e escrever em caracteres
árabes,
diversos eram mestres e
alguns
eram ricos. Verger(3411
afirma
que os processos
existentes
nos
arquivos da Bahia são
incompl~
tos, tendo desaparecido
os
nos da revolta. Nina
(58/60)
pl~
Rodrigues
afirma que nao
trou documentos
encon
originais
os planos e apresenta
sobre
tradução
oficial feita pelo escravo
no, de documentos
Albi
encontrados
na
casa dos nagôs libertos Gaspar e
Belchior da Silva Cunha.Transcre
ve a tradução encontrada
de nove
papéis e duas tábuas.Alguns
lições em caracteres
tros,oraçôes
uma tradução dos
árabes,
eram
ou
transcrita
instruçôes
para reunião dos insurretos
em
Pú
traduzida,
e comentada
Rolf-Reichert,
por
que foi
republi
cada na série Documentos
O autor publicou os 30
tos encontrados,
nº 9.
documen
com a respecti
va tradução. Constata que os do
cumentos transcrevem
textos do
Alcorão, orações livres,
amule
tos ou orações fortes,
ções, exercícios
invoca
de escrita
que revelam grau de
e
instrução
muito variada de seus autores
Alguns contêm nomes de
te e destinatário.
.
remeten
O autor
con
clui que nada nestes documentos
era subversivo,
embora sua
po~
se era suficiente para que
o
réu fosse condenado como comprQ
va pela transcrição
processos.
de um
dos
Afirma tratar-se
tipo de escrita de que se
vem os negros do Sudão
tal, variedade
de
ser
Ociden
de tipo que
usa no Magreb, originária
se
da Tu
nísia.
Os lideres
para proteger o cor
po e alguns continham
do
cumentos árabes do Arquivo
blico do Estado,
manos sem cruzes.
3.5.1 - Processos
Afro-Ãsia,
identificados
foram
muçulmanos
considera
dos chefes da insurreção.Verger
Itapagipe. Havia alguns nomes co
(324I
mo Mala-Abubakar
guintes; Aluná ou Arumá,escravo
e o de um escra
vo de cidadão inglês.
nago com cicatrizes
Em 1966/68, o Centro
Estudos Afro-Orientais
Ba. publicou em sua
destaca entre eles os se
da
de
tório, negro nagõ chamado Sulé,
U.F.
que vendia tecidos; Luis Sanin,
Revista
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1)
tribais; Vi
negro Tapa, escravo que
65 - 86, jan./jun. 1988
ensina
.15
va oraçoes e era alufin ou sacer
dote; Pacífico Licutan,
vo alfaiate.
escravo
que tinha grande prestígio
entre
A. Ramos(1971:50)
referência
ainda a Luiza Mahin,
os nagos por ser alufá. Em novem
mãe do poeta negro
bro de 1834 fora posto em depôs!
ta Luis Gama, de que se
to na prisão da Ajuda, por
ser
da de seu senhor com os
carmelitas.
Recebeu
dívi
padres
inúmeras vi
princesa
dos redutos da revolta.
para obter sua liberdade, a
que
vos de estrangeiros
seu mestre se opôs. Durante
a
tentaram assaltar a cadeia
ele estava preso. Foi
onde
condenado
a receber 1000 açoites;
Elesbão
do Carmo, haussá emancipado,
co
dizia
refere-se
um
Verger
escra
a
inculpados.
Baseados em correspondência
do
consul inglês na Bahia, diz que
muitos escravos de
ros participaram
estrange!
da
insurrei
çao e que alguns foram
proce~
sados e outros foram protegidos
nhecido pelo nome de Dandara.Po~
por seus donos alegando o priv!
suia uma barraca de cOffiãrcio
e
1ãgio britânico.
tambãm ensinava a ler em nagô
e
en t re os 160 escravos
em haussá e era alufá: Luiz,
faiate, escravo que
aI
confecciona
va túnicas das usadas pelos
voltosos,
tinha 50 anos e
re
rece
Constata
que
Lricu Lpa
dos, 50 eram escravos de estran
geiros, 45 dos quais de
ses, muitos deles
que ensinavam
ingl~
professores
a ler o Alcorão
.
beu 500 açoites; Belchior da Sil
Afirma que em maio do mesmo ano
va Cunha, nagô com marcas
o Presidente
bais, pedreiro
emancipado;Gaspar
da Silva Cunha, nagô,
emancipado.
tri
alfaiate,
Os dois irmãos alug~
vam quartos a outros nagôs e
sua casa so se falava em
em
língua
nagô; Ova, escravo carregador
de
.-
que
em sua casa se localizava
(344/346)
negros
abolicionis
na Africa.Diz
sitas e seus amigos se cotizaram
revolta várias vezes os
faz
da província
fez
discurso que impressionou
bem
o consul britânico,fazendo
pro
fissâo do fé contra o
tráfico
de escravos.
A Assemblãia
Provincial
suspendeu por 30 dias as
gara~
palanquim que morava na casa dos
tias civis individuais
irmãos Silva Cunha; Mateus Dada,
do que se fizessem investigação
escravo
em todas as casas que
permiti~
.;
fereiro; Ojo, escravo n~
gô carregador
de palanquim;
ro, escravo nagôi
gô emancipado
76
NamQ
Josã Aliar, n~
e Josã,Congo,escr~
sem escravos,
trangeiros.
contives
inclusive de
Nessas
çôes foram encontradas
es
investig~
algumas
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
armas ocultas. Nagôs que
culto aos orixás foram
dos por vizinhos,
os emancipados
faziam
denuncia
entre os quais
Tomás Antônio
e
em trabalhos
portação
forçados ou em
de
e em açoites para
os
escravos. Cinco condenados
a
morte foram executados
em 14 de
Domingos da Silva, que us~vam ves
maio de 1835: Jorge da Cruz Bar
tes brancas, colares, dançavam e
bosa e José Francisco
cantavam em companhia de
ves, haussás emancipados,e
outros
negros. Ana Maria, escrava
de Ana Joaquina,
antiga
nago
escrava
jeje emancipada ,foi presa
com
sua dona pois em sua casa
foram
encontrados
tambores e
instru
Gonçal
escravos nagôs Joaquim,
Gonçalves.
Pedra e
Entre os 286
julg~
dos, 26 eram mulheres.
diz ter encontrado
119 julgamentos.
os
verger
vestígios
As penas
de
de
mentos do culto. Também
pelos
açoite variavam de 50 a 1.200 e
mesmos motivos
Pedra
foram inflingidas
foi preso
Lino da nação mina.
Rodrigues
por dia, em praça pública, apl~
(59) refere-se
a atos de bravura evidentes
processos
nos
de alguns que se
savam a dar informações,
alegavam desconhecer
companheiros
ou
de até 20
pétuas. Quatro foram condenados
o escravo nagõ Henrique,
ferido
antes de morrer d~
que
e que não diria mais
a banimento.
Os que
que
usar um colar de ferro ou
uma
cadeia nos pes, o que os
res deviam conservar
permanecessem
duas coisas". Afirma ainda
outras Províncias.
carras
co, os que foram condenados
morte
a
foram fuzilados como
sol
senho
enquanto
na Bahia. Por
so diversos
que
cumpriram
penas de açoites tinham
nada pois não era gente de dizer
nao se tendo encontrado
~nos
que
Diz que
o convidaram
ve condenações
de trabalhosforçadose degaleras ot!.!:
inclusive
clarou que "não conhecia os
cadas entre março e junho .. Hou
recu
de moradia.
nos combates,
à razão de 50
foram vendidos para
Duarte Mendes e sua
lher Sabina da Cruz,
emancipados
is
mu
africanos
que denunciaram
a
dados. Verger afirma que os doeu
insurreição,
mentos sendo incompletos
im
dos em 1845 e 1850 pelo Governo,
de
que os dispensou
e
possível conhecer o conjunto
penas inflingidas
executadas.
e as que foram
Houve pedidos de ele
mência que transformaram
de morte de alguns
penas
emancipados
de impostos
foram
recompens~
do
pagamento
(Verger:350). Segu~
doVerger(358),
o Presidente
Província declarou em 1835
cerca de 150 africanos
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
da
que
foram
77
deportados
para a Africa e
que
po mesmo ano mais de 700
portes foram fornecidos
nos que voltaram
ao
pass~
a africa
continente,
iniciando o movimento
de retorno
de escravos que se prolongou
até
corno Guerra dos
Ma
lês, a recusa dos senhores
libertação de negros que
ciam pelo resgate o valor
se estipulava
que'
para os escravos.
Luiz, que ao tempo de
Nina Ro
drigues exercia as funções
Nina Rodrigues
liman, confiou-lhe
realizava
seus
estudos sobre
negros
a
ofere
fins do séc. XIX, a época em que
primeiros
que o
de
liman
na época da revolta era o negro
na Bahia. Em 1845 os i~gleses e~
malê Abukar, que assinava
tabelecerarn o Bill Aberdeen
prol
dos documentos
escritos em
bindo o tráfico de escravos
no
be encontrados
pela polícia
e
por Albino. Luiz
re
Atlântico
Sul e autorgando-se
o
traduzidos
direito do intervirem em embarca
velou a Nina Rodrigues
ções brasileiras,que
me brasileiro
seria
siderado corno pirataria
con
este trá
fico. O tráfico de escravos
tretanto continuou
1850, quando,por
no britãnico
en
intenso
até
apoio do
aos
gove~
parlamentares
anti escravagistas(Verger;385)
foi finalmente abolido pela
Eusébio de Queiróz,
tendo
nuado clandestinamente
Lei
conti
até
mea
Verger(349)
comentando
essas
Nina Rodrigues
descobriram
um
de Abukar era
que
insurreições,
concluiu que "não
nunca quem era ache
To
mé,que mais tarde foi deportado
para a Africa, mas
acrescenta
o
autor
que nenhum Tomé teve
participação
surreições,
conhecida
nas
ca de Nina Rodrigues,
À
dos Jelhos africanos
terço
sobreviven
culto organizado.
creve esta organização
ga autoridade
ep~
segundo
ele afirma, cerca de um
mantinha
in
o que poderia se de
tes na Bahia era muçulmano
lembra
ára
que o no
ver ao sigilo dos fiéis.
dos da década de 1850.
e
Des
a partir
central do imã ou
liman, dos outros
sacerdotes,
marabus ou alufás,afirmando
ter
me do liman da Bahia naquela ep~
conhecido
sete. Descreve
sua
ca era desconhecido
da policia".
mesquita,
atos fúnebres,
feti
Nina Rodrigues(61)
diz
ches e
fe real desta revolta,pois
o
no
acredi
possuía
diversos
tar que o liman em 1835 era Paci
gris-gris, mandingas
fico Licutan,pois
tos de negros muçulmis.
os africanos
ao seu
sobreviventes
vam corno motivo da
78
conhecida
tempo
da
insurreição
alguns exemplares
ou
amule
Enviou
de sua
ção para serem traduzidos
Cada Pesq. são Luis, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
cole
em Pa
1988
ris por um padre maronita.
Apr~
sentou a versão portuguesa
de
cinco dessas peças que
versículos
místicas
contém
do Alcorão e palavras
escritas de modo
lico e semelhantes
aos
simbó
encontra
dos entre os revoltosos.
influências
revoltas
islãmicas nestas
liber
e de
tos. Nina Rodrigues,
seguido
por A. Ramos e Bastide,
analisa
os grupos de escravos
islamiza
dos chegados ao Brasil.Bles
conhecidos
eram
como muçulmis ou
lês. O têrmo muçulmis,
muçulmano.
ma
deriva de
O termo malê tem dado
origem a várias suposições.Segu~
do Rodrigues
(68), Malê ou Melli
deriva de Malinké,
homem do
Ma
li, um dos famosos impérios
do
(130), diz que Mali é
modificação
do termo mallit
os árabes davam aos povos
ké e que passou a
Malin
Diz
que Nina Rodrigues em seu
malês, os mandiga,
os
sofreram
com o Islamismo.
ainda identificou
que
significar
negros que na África
contactos
em vários
como os Malinké,
grupos
os haussá
Sudão Central e Nigéria,
subdivididos
do
também
em grupos, e
tros sudaneses
ou
islamizados
como
dos que na Bahia tomaram o nome
genérico de malês, ou muçulmis,
sendo que o maior grupo
constituido
tempo
entre os negro
os fula,
haussá, os tapa e outros,
estavam desaparecendo
os
que
em fins do
séc. XIX. Ramos identificou
tre os negros Islamizados
vieram para o Brasil, os
en
que
peuhls
era
pelos haussás.Ainda
a este respeito, Verger(352)
forma que os dicionários
i~
ioru
bás traduzem a palavra
imalê
Reichert ,
por muçulmano, e Rolf
em "Documentos Árabes •.•",
diz
que a palavra malê provem
do
iorubá "imalê", que talvez deri
ve do árabe e nada tem a
ver
com Mali, como se acreditava
significando
islamizado.
Manuel Querino(
Vale do Niger. Ramos, em As Cultu
ras Negras
Sudão,
que foram esses negros islamiza
Discutindo
escravos
subdivididos
do
os tapa, bornu o gurunsi.Afirma
3.5.2 - O Têrmo Malê
de
fulá, os mandiga
101)
1955:
diz que não encontrava
verdadeira
estrutura da palavra
malê e pensa como
que deriva de
conhecidos
Rodrigues
malinké,que
eram
no Brasil como malês
e eram islamizados.Querino
senta também inúmeras
ceu. Transcreve
apr~
informa
çoes sobre os malês que
conhe
diversas
suas orações com a
de
respectiva
tradução, descreve diversas
suas cerimônias
casamento,
alimentares
Cad , Pesq. são Luís, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
a
religiosos,
feitiços,
o
hábitos
e higiênicos,
1988
de
o j~
79
jum, etc. Considera
.verdade a atribuição
da respossibilidade
ser
sos em várias partes do Brasil,
malês
corno no Rio e em S. Paulo, con~
levan
tituindo uma comunidade
purit~
na, isolada dos demais
africa
nao
aos
dos
tes de 1835, achando que se
via sobretudo aos nagôs e
sas,
haus
pois nos processos
a revolta não constam
de
sobre
referên
cias a escravos malês. Diz
que
entre os 1500 participantes
da
revolta de 1835 a que se
refe
riu Etienne Brasil, não se
ap~
encontravam
diluídas em
diver
sas práticas religiosas
das
ma
cumbas e candomblés.
Alipio Goulart(163)
tra que c16vis Moura,em
liôes da Senzala",
mos
"Rebe
1963,
refe
rou a presença de malês.Conc1ui
re-se a documentos
que os malês não tornaram parte
ainda uma revolta de
neste levante e sugere que
o
ocorrida na Bahia em 1844, dil~
p~
tando assim o ciclo de insurrei
mesmo teria sido insulf1ado
los ingleses então
residentes
material
brasileiro
sua existência.
prudentemente
despr~
particip~
çao para evitar conflitos
com
aquela naçao.
mencionando
escravos
çôes baianas. Diz que
na Bahia, dizendo que o governo
zou as provas dessa
embora o
seja reduzido,constata
O movimento
diz que
o
termo malê englobava
todos
escravos
e constata
islamizados
os
nagos islamizados.
As
Francisco Lisboa,que
dos participantes
preto
fora
da
um
insurrei
çao de 1835. Foi instituído
fundo monetário
malês ainda existentes
sas. A polícia apreendeu
para as
mate
di
rial na residência
fícil saber se esta posição
de
ceIo de Santa Escolástica,
descrição
dos malês para com ele ou
de
Querino para com seus leitores.
Ramos(143)
e Bastide(204)
do preto Ma~
do foi sufocado o levante
denúncia da amante de
qua~
por
Francis
co.
info~
mam que o islamismo dos
negros
no Brasil sempre esteve
sincre
tizado com práticas
um
desp~
ao seu tempo. Conclui que e
Querino era devido à
e
reuniôes
que Manuel Querino era amigo de
na Bahia
foi
liderado por haussás, tapas,
foram feitas na casa do
Verger(350)
4 - INTERPRETACOES E
DO DAS REVOLTAS
SIGNIFICA
Corno podemos
interpr~
africanas,
fenômeno que teria se
na Africa. Eles estavam
80
nos e que suas sobrevivências se
iniciado
dispe~
tar estas explosôes
de
violên
Cad. Pesq. são Luís, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
cia de escravos e ex-escravos
aceitar para si próprios o
que se desenvolveram
tigma da escravidão".
crescente
com
ímpeto
entre 1807 e 1835
Bahia? Nina Rodrigues,
seguido
por A. Ramos e R. Bastide,
atri
Diz
tempo um elemento
mesmo
religioso,
so porque a herança
poderio e de militarismo
talmente religiosas.
receberam
tide consideram mesmo ter
uma verdadeira
sido
guerra santa
çulmana contra cristãos.
mu
Bastide
(153) diz que este ponto de
vis
era uma herança muçul
mana acumulada pelas guerras s~
culares entre negros
tas, constituindo
fetichis
conseqllent~
mente uma cruzada religiosas.
Aderbal Ju
claro que também há o
rema em "Insurreiç5es
Negras
no
econ5mico.
Brasil",
1935, que v~ nesses
mo
tivavam apoderar-se
vimentos
a expressão da luta
de
ra nelas fazerem trabalhar
Embora não negue a exist~ncia
elementos
religiosos,
a religião como
idt~lógica
de
que é condicionada
econômica
que seria apenas um
p~
e
to de vista análogo e
pon
defendido
também por Djacir Menezes,em
"O
Outro Nordeste",
Ri
beiro,em
e por João
"O Elemento Negro",
vros estes que ,como
da Senzala",de
conseguimos
li
"Rebeli5es
Clovis Moura, nao
localizar.
Bastide
obj~
da terra p~
mula
ci~ncia de classe. Os
nos conservavam
Considera
cons
muçulm~
suas escolas
lugares de oração
freqüentavam
re
e nao da
... e
e
pouco
outros escravos"
assim que a
religião
está na ess~ncia dessas
revol
tas.
Na interpretação
revoltas,
não podemos
a influência
destas
esquecer
do contexto
rico que destacamos
histó
no item
pois havia no país uma
(154}
ou
tos. Elas teriam surgido da
instrumento
Bastide diz que
Estas revoltas
ligião muçulmana
E
elemento
tros negros, crioulos e
considera
superestrutura
la infra-estrutura
propagador.
.
de
que
ta foi criticado por
classes sob sua forma colonial
is
social
bui aos levantes causas fundamen
Ramos e Bas
que
"o elemento étnico é ao
na
es
2,
longa
conside
expri:.
re que essas insurreiç5es
tradição anterior de fugas
de
escravos para quilombos,que
se
mem sentimentos
continua durante o período
variados e
plexos. Diz que "há um
com
elemento
racial: os haussás e os
que na África eram senhores
nagos
de
escravos e da terra e não podiam
que
nos interessa aqui, e que e
an
tecedido pela Revolta dos
Al
faiates em que participaram
nu
merosos escravos e negros
Cad. Pe sq , são Luís, 4 (1): 65 - 86,
jan./jun.
1988
eman
81
mesma
cipados de Salvador. Da
internacio
forma, no contexto
nal, acontecimentos
como a
inde
a consciência
dos
maus tratos da escravidão
e
bu
cando uma açao efetiva para com
do Haiti, conseguida
a
bater este sistema e
subverter
partir de revoltas de escravos
,
a ordem estabelecida.
Pereira
de Queiroz
lernbran
pendência
eram do conhecimento
geral
forme indicam diversos
con
depoime~
tos. Além disso, a partir
1807, a Inglaterra,
do capitalismo
de
pela
lógica
em ascençao,
come
(1977:394),
do Engels e Weber, diz que a re
lj::riãotambém pode servir
contribuin
do para o movimento
histórico,
ser
especialmente
vil tomando medidas
con
redenção
ativas
rias revoltas
participação
va
ficou evidente
a
de escravos de cida
dãos ingleses,
sobretudo
a de 45
desses escravos entre os 160
cravos inculpados
es
em 1835. Seria
de acordo com a atuação
inglesa
uma atitude favorável a tais
re
como
veículo subversivo,
çava a se opo r ao trabalho
tra o tráfico de escravos.Em
as religiões
de
(em que podemos
cluir o islamismo),
in
que se
de
senvolvem em camadas sociais em
situação negativa de
gio, contribuindo
de consciência
privil~
para a tornada
das dificuldades
e das injustiças
sociais e para
3e lutar pela mudança de urna si
tuação considerada
abominável,
voltas, para que o Brasil,diante
num movimento
pela
modificação
deste perigo,se
da realidade.
As recentes revol
desinteressase
pela economia escravocrata.
Outro elemento
mente importante
mo o principal
drigues,
tas no Irã
igual
e destacado
de todos por
Ramos e Bastide
as guerras santa dos
na África Ocidental
se todos escravos
camos,assim,a
mento étnico religioso
junto com elementos
políticos
in
qu~
Verifi
influência do
ele
atuando
econômico
e contribuindo
vista.
de culturas diferentes,
islamizados,s~
bretudo haussás e nagos.
ilustrar este ponto de
Ro
em inícios do
foram
para
Assim, em situação de contactos
mulçumanos
fluentes das revoltas
podem servir
co
foram
séc. XIX. Os líderes mais
82
desenvolver
e
para
a
reli
gião, criando urna irmandade ri
t~al revolucionária,
constitui
um dos fatores atuantes na luta
pela transformação
social,
ao
lado de outros fatores que
tam
bém atuam. A identidade
e a solidariedade
étnica
religiosa
constituíram-se, assim em elemen
tos de unidade de interesses
criando movimentos
de
caráter
político-religioso.
Cad. Pesq. são Luís. 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988
Como as fontes destes le
vantes foram deixadas
Ia sua repress~o,
contrãrio",
apenas p~
ou "pelo bando
na denominaç~o
ro Cardoso, nao é fãcil
de Ci
ter-se
uma visão clara dos objetivos
da estratégia
destes movimentos.
Em geral as revoltas eram
jadas para eclodir num
plan~
dia
to importante como o Natal,a
ta do Bonfim, a prociss~o
nas, em que a cidade
cipal da festa. Eram
priQ
planejadas
por escravos e libertos da
cida
de, em acordo com escravos
de
plantações
de engenhos da
vizi
nhança ou de qui lombos mais
prQ
ximos. Os levantes na cidade
savam conseguir
vi
armas e munições,
atacar guarnições
policiais
nores com o mesmo fim, e
enateriormente.
as revoltas
me
liber
sidade crescente,
culminando
com a de 1835, que,segundo
gumas fontes, contou com
destaca-se
cia do islamismo,
aspecto
a influên
que
difundia
a escrita árabe entre os africa
nos e seus descendentes,
lização de cerimônias
de culto com vestes
e o uso de talismãs e
oraçoes
fortes, comuns entre os
negros
islamizados
usadas
e que eram
como proteção contra os
batuques ou de candomblés
ram igualmente punidos.
mes
ridades, decorrente
respoQ
às
auto
geralmente
do temor da participação
de
amante ou por divergências
o local, aclamando chefes negros.
tre grupos rivais, cujos
Incluíam escravos e
lhes não foram bem
emancipados
que eram artesãos ou
pequenos comerciantes
instruídos,que
e,em
sabiam ler e
sinavam aos demais.Alguns
res conseguiam
geral,
en
lide
sobrev í.ve r de uma
dos.
A
de
entre os revoltosos,e~
mo matar os brancos para dominar
africanos
fo
Consta
ta-se também a participação
sãveis pelas denúncias
de
tam
bém apoiavam as revoltas e
escravos urbanos. Visavam
à África ou
inimi
gos. Negros que participavam
bora vãrias tenham sido
para retornarem
rea
especiais
depósito e contar com o apoio de
de embarcações
a
próprias
mulheres
mente apoderar-se
aI
cerca
No
tar outros escravos presos ou em
igua1
Assi~
foram tomando inten
religioso,
estivesse
no lugar
acumulada
se
experiência
fes
deserta com a pop~
lação concentrada
guia, a partir da
de 1500 revoltosos.
juni
partici
paçao mais ativa na que se
san
de Cor
pus Christi ou as festas
relativamente
e
revolta a outra, tendo
repressao
vera e violenta,
tes nos combates,
um
en
deta
esclareci
era sempre
se
com muitas mar
apesar do
in
teresse natural e se recapturar
os escravos,
Cad. Pesq. são Luis, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
condenações
1988
a
p~
83
nas de morte e de numerosos
açoi
fun
tes em praça pública ou de degr~
diam em ocasiões de disputa con
do para os emancipados,
tra o inimigo comum,
do-se o esquema de
reforçag
segurança p~
ra evitar novos levantes.
Embora as revistas tives
sem assumido
intensidade
crescen
te, servindo as anteriores
como
preparo as que se seguissem,
com
destacan
do-se os grupos dos haussás,dos
nagõs, tapas, e outros.
Nenhum
dos lideres parece que
tinha o
controle
sobre o grupo todo,não
tendo sido identificados
res centralizadores
em
lide
nenhuma
auge em 1814 a 1835, constatamos
das revoltas, além da liderança
que suas formas de
dos mais alfabetizados.
organização,
pelo menos em função dos
atualmente
disponíveis,
dados
parecem
ter sido incipientes.
tuiam-se,assim,mais
sões de violência
Consti
em
que
expl~
experime~
tavam potencial idades contra
tuações de opressão.
Somos
si
leva
Consta
ta-se a atuação de grupos
camente segmentados
que se
diam por ocasião das
fun
revoltas
e cuja descentralização
agia como fator dé
etni
étnica
minimização
dos fracassos, gerando novas re
voltas ou procurando
estraté
dos portanto a considerá-las,com
gias alternativas
Hobssawn e Ciro Cardoso, como m~
mento de retorno de
vimentos pré-industriais e pré-p~
vos ao continente
liticos, isto é, movimentos
se inicia por volta de1835.Tais
surrecionais
"in
que, mesmo chegando
a graus inusitados de
violência,
são incapazes de articular
projeto politico
como
um
alternati
va às formas vigentes de
domina
ção social" (Ciro Cardoso,
386). Tal constatação
nui a importãncia
não
1979:
dimi
histórica
des
tes movimentos
como
tentativas
de organização
popular contra
Podemos igualmente
tatar o caráter
tes movimentos
policéfalo
como o
movi
ex-escra
africano, que
revoltas de escravos,
corno
rias outras, constituem
dios pouco conhecidos
epis~
e que
história oficial procura
frentam até hoje no
a
ign~
rar, na luta que os negros
de sua afirmação
va
en
processo
como grupo
cial, ao lado de outros
so
grupos
denominados.
a
5 - REFER~NCIAS
opressão das elites dominantes.
cons
des
político - religi~
sos, que tinham vários lídéres
84
com vários grupos que se
,
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Reflux
85
de Ia Traite des Negrês
le Golfe de Bénin et
entre
Bahia de
Todos os Santos du dix- septig
me au dix-neuviême
Siecle. Mou
tono Paris, 1968.
ENDEREÇO DO AUTOR
StRGIO
FIGUEIREDO
Departamento
FERRETTI
de Sociologia
e
An
tropologia.
Centro de Estudos Básicos
Universidade
Federal do Maranhão
Campus Universitário
Tel.:
do Bacanga
(098) 221-5433
65.000 - SÂO Luis - MA.
86
Cad. pesq. são Luis, 4 (1): 65 - 86, jan./jun.
1988