La verdadera muerte de Juan Ponce De León

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La verdadera muerte de Juan Ponce De León
Inti: Revista de literatura hispánica
Volume 1 | Number 43
Article 41
1996
La verdadera muerte de Juan Ponce De León
Luis Lopez Nieves
Citas recomendadas
Nieves, Luis Lopez (Primavera-Otoño 1996) "La verdadera muerte de Juan Ponce De León," Inti:
Revista de literatura hispánica: No. 43, Article 41.
Available at: http://digitalcommons.providence.edu/inti/vol1/iss43/41
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Luis López Nieves
LA VERDADERA MUERTE DE JUAN PONCE DE LEON
M i tía M a r í a del Pilar, h e r m a n a m a y o r d e mi m a d r e , m u r i ó a los setenta
y seis años y f u e m o n j a d e s d e los trece. P e r o n o f u e u n a religiosa ordinaria: a
los v e i n t i o c h o años de edad tuvo la dicha d e convertirse e n una de las dos
m o n j a s a cargo del palacio arzobispal d e San Juan. A pesar d e los r u m o r e s
maliciosos, lo cierto es que nuestro Cardenal n o vive c o m o u n millonario. Y a
h a n p a s a d o los t i e m p o s en q u e d o c e n a s de p e o n e s y m o n a g u i l l o s e s p e r a b a n a
las puertas del palacio u n a señal para lanzarse a la guerra, al t r a b a j o o a la
oración. E l C a r d e n a l vive ahora u n a existencia tranquila, solitaria, e n u n
i n m e n s o p a l a c i o q u e d e s d e h a c e m á s d e 2 6 5 años (1728) o c u p a u n a c u a d r a
u r b a n a e n la esquina d e las calles San Sebastián y del Cristo. P o r r a z o n e s d e
e c o n o m í a s y seguirdad — y por consideraciones prácticas, p o r q u e en realidad
n o es m u c h o el t r a b a j o — las ú n i c a s personas q u e atienden las n e c e s i d a d e s
p e r s o n a l e s del C a r d e n a l y el m a n t e n i m i e n t o del palacio son dos m o n j a s : mi tía
f u e u n a de ellas h a s t a h a c e p o c o m á s de u n año, c u a n d o m u r i ó .
P o c a s s e m a n a s antes d e su m u e r t e m e pidió u n favor. A u n q u e ella y su
c o m p a ñ e r a , la h e r m a n a M a r í a del C a r m e n , d a b a n abasto para la l i m p i e z a
rutinaria del palacio, ahora se e n f r e n t a b a n a una situación n u e v a : habían
a c u m u l a d o d e m a s i a d o e q u i p o m o d e r n o en el d e s p a c h o sobrio, elegante y añejo
del Cardenal (fotocopiadora, fax, computadora, impresora, contestador
a u t o m á t i c o , etcétera). L a m a q u i n a r i a electrónica n o sólo d e s e n t o n a b a en
t é r m i n o s estéticos e históricos, sino q u e e n verdad e n t o r p e c í a el acceso a ciertos
archivos. A mi tía, p o r supuesto, le habría bastado c o n pedirle a y u d a a
cualquiera d e los curas q u e transitan a diario p o r el palacio o a alguna principal
de c o l e g i o católico q u e c o n m u c h o placer h u b i e r a e n v i a d o a cientos de
estudiantes; c o n u n a sola l l a m a d a telefónica, de h e c h o , a mi tía le hubiera
b a s t a d o p a r a reunir en el palacio arzobispal, e n m e n o s d e c i n c o m i n u t o s , a u n a
multitud de beatos encabezados por ejércitos de Caballeros de Colón,
m o n a g u i l l o s e H i j a s d e M a r í a . P e r o m i querida tía prefería d a r a recibir.
Ella conocía m i f a s c i n a c i ó n p o r el palacio arzobispal: m u c h a s veces,
d e s d e p e q u e ñ o , m e h a b í a invitado a j u g a r e n ese m u s e o habitado y m e había
visto abrir la b o c a ante m u e b l e s adustos q u e llevan casi tres siglos o c u p a n d o el
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m i s m o espacio. Y o j u g a b a e n la antigua cochera, ahora c o n v e r t i d a e n g a r a j e
para veinte automóviles; m e escondía d e b a j o de alguna d e las l a r g u í s i m a s
m e s a s d e c o m e d o r c o n treinta sillas labradas a m a n o ; c o l o c a b a l o s antiguos
c a n d e l a b r o s d e plata e n el piso, en una sola fila infinita; p a s a b a horas
c o n t e m p l a n d o los s o m b r í o s c u a d r o s d e C a m p e c h e y d e otros p i n t o r e s sacros d e
v i e j o s tiempos. Junto a la entrada había una imitación, t a m a ñ o real, d e la Pietá
de M i g u e l A n g e l : yo m e acostaba en los brazos de la V i r g e n M a r í a y d o r m í a
la siesta j u n t o al Jesús agonizante.
U n a tarde m e despertó un persistente olor a incienso. Su E m i n e n c i a
R e v e r e n d í s i m a m e o b s e r v a b a e n silencio. Sonreía c o m o u n p a d r e e x h a u s t o q u e
se d e s v e l a ante la c a m a d e u n hijo e n f e r m o .
— P a d r e — e x c l a m é m e d i o d o r m i d o . Salté de los b r a z o s de la V i r g e n y
m e d e t u v e f r e n t e al A r z o b i s p o , c o n la c a b e z a b a j a — . P e r d ó n , su E m i n e n c i a ,
perdone.
E l A r z o b i s p o (aún n o era cardenal) vestía de gala: largas batas negras con
b o r d e s r o j o s y sedas blancas. C o n los d e d o s pulgares, s e g ú n su c o s t u m b r e ,
sostenía frente al p e c h o el gran crucifijo de oro q u e le c o l g a b a del cuello.
— L o s m i m a d o s d e C r i s t o — d i j o el A r z o b i s p o — . ¿ C u á n t o s años tienes?
— Once, Reverendísima.
— P e r o tu tía dice q u e te gusta leer. Q u e p a s a s horas largas en mi
biblioteca.
— Disculpe, padre.
E l Cardenal sonrió y m e tomó la m a n o . M e llevó hasta la biblioteca y m e
sentó e n una silla frente a la p e s a d a m e s a d e c a o b a negra.
— P u e d e s leer aquí c u a n t a s v e c e s lo desees. ¿ S a b e s q u e es la biblioteca
m á s antigua del país? — dijo con h u m i l d e orgullo — . ¿ S a b e s q u e alberga
d o c u m e n t o s q u e d a t a n del 1625?
— N o , padre.
— E n el 1625 el p é r f i d o h o l a n d é s B a l d u i n o E n r i c o atacó la ciudad.
Q u e m ó la biblioteca d e mi antecesor el obispo B e r n a n d o de B a l b u e n a , la m á s
f a m o s a y c o m p l e t a del h e m i s f e r i o americano. ¿ L o sabías?
— Sí, padre. L o estudié e n la escuela.
— S e p e r d i e r o n t o d o s los d o c u m e n t o s . P e r o d e s d e esa f e c h a e n adelante
lo g u a r d a m o s todo. E n n i n g ú n otro sitio del n u e v o m u n d o q u e d a tanto
t e s t i m o n i o d e nuestra p a s a d a gloria n a c i o n a l — continuó el A r z o b i s p o d e San
J u a n — . R e c u e r d a lo q u e te digo. P o r q u e e n ese t i e m p o nuestra diócesis era
u n a de las m á s extensas del planeta. Y a nadie lo recuerda.
El C a r d e n a l sacó u n o s m a p a s antiguos d e u n a gaveta y los desplegó f r e n t e
a m í e n la m e s a .
— D e N o r t e a Sur mi diócesis c o m p r e n d í a d e s d e San J u a n hasta los
establecimientos brasileños en el río A m a z o n a s — explicó, mientras a p u n t a b a
c o n el d e d o — ; d e s d e el O c é a n o Atlántico e n el E s t e p a s a b a p o r el alto O r i n o c o ,
R í o N e g r o y Casiaquari, hasta c u l m i n a r e n los v a s t o s desiertos q u e corren hasta
S a n t a F e d e B o g o t á aquí e n el Oeste. Incluía a los f r a n c e s e s d e la C a y e n a y a
LUIS LOPEZ NIEVES
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las c o l o n i a s h o l a n d e s a s d e E s q u i v o , Berbis y S u r i n a m , a d e m á s de Trinidad,
T o b a g o , Isla M a r g a r i t a , las P r o v i n c i a s d e C u m a n á , N u e v a Barcelona, v i e j a y
n u e v a G u y a n a , la Parine, Guirier y San J o s é d e los Marovitas. ¿Sabías q u e
f u i m o s la diócesis m á s grande d e A m é r i c a ?
— N o , padre.
— N o lo olvides — dijo el Cardenal — . A q u í p u e d e s leer cuantas v e c e s
quieras, hijo. Pero n u n c a olvides d ó n d e estás. Este es u n recinto d o b l e m e n t e
sagrado. ¿ E s t a m o s de acuerdo?
— Sí, padre. Gracias.
A veces m e pregunto cuánto i n f l u y ó sobre mi vida esa breve conversación:
a partir de ese día f u e r o n m á s frecuentes m i s visitas d o m i n i c a l e s al palacio
arzobispal. M i tía, por supuesto, se enteró de lo que el C a r d e n a l m e había dicho.
Y d e s d e ese día f o m e n t ó el a m o r q u e siento por la historia d e la Iglesia en
nuestra tierra. P o r eso a p r o v e c h ó la ocasión para o b s e q u i a r m e otra visita al
palacio. M e regaló también el raro placer de j u g a r con la historia, p o r q u e e s
i n n e g a b l e q u e c u a n d o t o m a m o s u n m u e b l e q u e lleva casi 300 a ñ o s en un rincón,
y lo m o v e m o s a otro rincón, en cierto m o d o e s t a m o s alterando o reescribiendo
la historia. Es c o m o m u d a r el Coliseo R o m a n o a otra calle.
M i tía m e l l a m ó por t e l é f o n o p a r a p e d i r m e que la a y u d a r a a r e m o d e l a r el
d e s p a c h o . Al otro día estuve t e m p r a n o e n el palacio, a pesar d e mi c o s t u m b r e
de d o r m i r hasta tarde. L l e v é u n carrito de m a n o para m o v e r lo que, según
anticipaba, serían m u e b l e s pesados. P e r o mi tía h a b í a e x a g e r a d o el p r o b l e m a .
L o s tres e s t u d i a m o s el d e s p a c h o con detenimiento (la h e r m a n a M a r í a del
C a r m e n estaba m e n o s p r e o c u p a d a que mi tía), hice un plano a lápiz, y
a c o r d a m o s que con sólo m o v e r u n gabinete y colocarlo j u n t o a la ventana, se
despejaría u n a pared y quedaría espacio suficiente p a r a colocar t o d o el e q u i p o
moderno:
— L a pared c o n t e m p o r á n e a — b r o m e ó mi tía, con el c r u c i f i j o de plata
entre los pulgares — . L e p o n d r e m o s la pared E u g e n i o , en tu honor.
L e v a n t é c o n el carrito el p e s a d o gabinete de caoba n e g r a y patas m u y
gruesas. P o r suerte n o era tan g r a n d e c o m o la m a y o r í a de los d e m á s muebles.
P u d e transportarlo sin ayuda y con p o c a dificultad lo c o l o q u é j u n t o a la ventana:
tardó s e g u n d o s d e s h a c e r casi tres siglos de historia. M i e n t r a s e s c u c h a b a las
e x c l a m a c i o n e s aprobatorias de las h e r m a n a s , quienes c o n t e m p l a b a n c o n arrobo
casi místico ese c a m b i o radical de la decoración, n o t é e n el piso, e n m e d i o del
claro rectángulo en q u e había estado el gabinete, u n rollo d e p a p e l e s color cera
antigua, a m a r r a d o s con u n a cinta q u e debió ser roja en algún m o m e n t o , pero
q u e ahora estaba casi pulverizada. C o m p r e n d í d e i n m e d i a t o q u e el f o n d o del
g a b i n e t e no era plano sino c ó n c a v o ; q u e e n ese h u e c o , durante quién sabía
c u á n t o s siglos, había estado ese rollo de papeles secos y amarillentos.
E s t a es la parte m á s difícil d e mi relato; n o es fácil c o n f e s a r un crimen.
L e v a n t é el rollo c o n disimulo m i e n t r a s las h e r m a n a s seguían apreciando la
n u e v a u b i c a c i ó n del gabinete. Su diámetro era c o m o de tres pulgadas. A g a r r é
la p u n t a de la cinta pero ésta se desintegró. Abría el rollo un poco, lo suficiente
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c o m o p a r a leer el principio de la primera página, y vi escrito en letras antiguas
y nítidas:
El año de El Señor mil setecientos treinta y dos.
Para Su Excelencia el Señor Obispo
de la villa de San Juan Bautista de Puerto Rico.
Muy íntimo.
— ¿ Q u é es? — p r e g u n t ó mi tía.
L a s h e r m a n a s habían visto el p e r g a m i n o y m e o b s e r v a b a n a la expectativa.
— N a d a i m p o r t a n t e — m e n t í en v o z m u y baja. Sentí el rostro tan r o j o
c o m o la s a n g r e d e Cristo.
— ¿Estás seguro? — interrogó la h e r m a n a M a r í a del C a r m e n .
— A s í p a r e c e — insistí, h a c i e n d o u n e s f u e r z o s o b r e h u m a n o p o r simular
indiferencia. M e c o m e n z a b a u n súbito ataque d e m i g r a ñ a — . Si quieren lo
e x a m i n o e n casa con calma.
L a h e r m a n a M a r í a del C a r m e n c o m e n z ó a decir algo; p e r o m i tía, q u e era
la j e f a , le c o l o c ó la m a n o sobre el h o m b r o . L a h e r m a n a M a r í a del C a r m e n calló.
— M e p a r e c e b i e n — d i j o mi tía, con u n a sonrisa q u e aún sigo r e c o r d a n d o
p o r su peculiar complicidad — , haznos el f a v o r d e e x a m i n a r l o e n tu c a s a c o n
calma.
E n esta f o r m a llegó a m i s m a n o s el m a n u s c r i t o q u e estoy a p u n t o de
presentar.
Soy d o c t o r en historia p o r la Universidad C o m p l u t e n s e de M a d r i d y he
realizado estudios de postgrado en la S o r b o n a de París, en O x f o r d , e n la
U n i v e r s i d a d N a c i o n a l A u t ó n o m a d e M é x i c o y e n la Universidad G r e g o r i a n a
P o n t i f i c i a d e R o m a . H e dedicado d i e c i o c h o a ñ o s a la investigación histórica.
H e p u b l i c a d o tres libros y d o c e n a s d e e n s a y o s y m o n o g r a f í a s sobre la historia
caribeña d e los siglos X V I y X V I I . T e n g o dos libros inéditos sobre el m i s m o
t e m a , soy c o n f e r e n c i s t a c o n s p i c u o (tanto en L a t i n o a m é r i c a c o m o en E u r o p a y
E s t a d o s U n i d o s ) y n o creo q u e exista u n historiador q u e n i e g u e m i s credenciales
a c a d é m i c a s . Sin e m b a r g o , n o las presento para l e g i t i m a r lo que e x p o n d r é a
c o n t i n u a c i ó n sino t o d o lo contrario: las o f r e z c o c o m o n o t a irónica p o r q u e n o
h a n j u g a d o p a p e l alguno en lo q u e considero el l o g r o m á s substancial de mi
carrera académica. N o f u e resultado d e la erudición, del estudio ni del t r a b a j o :
f u e u n accidente.
T r e s m e s e s d e s p u é s de este suceso mi querida tía M a r í a del Pilar, a q u i e n
d e b o m á s q u e a todos m i s largos años de estudios, m u r i ó f u l m i n a d a p o r u n
d e r r a m e cerebral. Vi a la h e r m a n a M a r í a del C a r m e n p o r última v e z d u r a n t e el
entierro, h a c e p o c o m á s de u n año. N o m e n c i o n ó el m a n u s c r i t o y yo t a m p o c o
lo hice.
E s t e m a n u s c r i t o , quiero d e j a r constancia, es el legado de mi tía M a r í a del
Pilar al m u n d o : su regalo de despedida. Y a h e p o d i d o estudiar su c o n t e n i d o
a f o n d o y copiarlo, p o r lo q u e h a g o uso d e este e s p a c i o para c o m u n i c a r l e a Su
E m i n e n c i a R e v e r e n d í s i m a , el A r z o b i s p o d e San Juan, q u e el d o c u m e n t o aún es
p r o p i e d a d de la Iglesia. Sólo soy su custodio temporal.
LUIS L O P E Z N I E V E S
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A n t e s d e p r e s e n t a r el c o n t e n i d o del t e x t o e s n e c e s a r i o e x p o n e r la m a n e r a
e n q u e h a l l e g a d o al siglo X X . P o r suerte, la h i s t o r i a del m a n u s c r i t o c o n s t a d e
d o c u m e n t a c i ó n i n c u e s t i o n a b l e ; a d e m á s , h a sido t r a n s c r i t a c o n tal n i t i d e z q u e
n i n g ú n h i s t o r i a d o r serio c u e s t i o n a r í a su a u t e n t i c i d a d . L o s s u c e s i v o s c u s t o d i o s
d e l d o c u m e n t o s i e m p r e t u v i e r o n c o n s c i e n c i a d e su i m p o r t a n c i a y h a n d e j a d o
p r u e b a s n o s ó l o d e su i n c o n t e s t a b i l i d a d , s i n o d e l c a r i ñ o c o n q u e d e d i c a r o n sus
v i d a s a p r o t e g e r l o . L o s c u s t o d i o s s u c e s i v o s , e n o r d e n inverso, s o n l o s s i g u i e n t e s :
4. Yo: profesor Eugenio Aristegui Arzallús
19563. Hermana Teresa de Larrabide
1682 - después de 1732
2. Padre Tomás de Mendizábal (el discípulo del Monje Vasco)
1640 - 1706 (66 años)
1. El autor: fray Pedro de Azpeitía (el Monje Vasco)
1567 - 1655 (88 años)
0. El indio taino: Danuax (Juanito)
c. 1500 - 1594 (94 años)
L o p r i m e r o q u e salta a la v i s t a e s q u e t o d o s los c u s t o d i o s son v a s c o s o d e
a s c e n d e n c i a v a s c u e n c e , c o m o e s m i caso. E s t e n o es u n d e t a l l e m e n o r , c o m o
se v e r á m á s a d e l a n t e .
T a m b i é n d e b o s e ñ a l a r q u e n u e s t r a Isla, e n t r e o t r a s c o s a s , f u e u n a e s p e c i e
d e c o l o n i a p e n a l d e s d e su f u n d a c i ó n h a s t a m e d i a d o s del s i g l o X I X . A q u í
a r r o j a b a n l o s r e y e s d e E s p a ñ a a sus i n d e s e a b l e s y s u b v e r s i v o s , c o n d e n a d o s a
destierros perpetuos o a temporeros exilios punitivos. Este dato ayudará a
c o m p r e n d e r a l g u n a s d e las s i t u a c i o n e s q u e v e r e m o s a c o n t i n u a c i ó n .
V o l v i e n d o a la t r a y e c t o r i a del m a n u s c r i t o , sólo h a y u n a e t a p a sin
d o c u m e n t a r : la ú l t i m a , la q u e lo d e p o s i t ó e n la p a r t e d e atrás del g a b i n e t e en
q u e p a s ó casi 3 0 0 a ñ o s . L a e x p l i c a c i ó n e s e v i d e n t e : se c a y ó o a l g u i e n lo
e s c o n d i ó . ¿ Q u i é n ? P u d o ser c u a l q u i e r a , d e s d e u n s e c r e t a r i o d e la c a n c i l l e r í a
h a s t a el m i s m o o b i s p o . ¿ C u á n d o ? L a e s p e c u l a c i ó n i r r e b a t i b l e es q u e f u e
d e s p u é s d e la c o n s t r u c c i ó n del p a l a c i o a r z o b i s p a l e n el 1728. U n a v e z a c l a r a d o
e s t e p r i m e r e s l a b ó n , los d e m á s e s t á n d e l i n e a d o s c o n c l a r i d a d .
L a p r i m e r a p á g i n a del m a n u s c r i t o (la q u e leí e n r o j e c i d o f r e n t e a m i
q u e r i d a tía) es u n a carta de la h e r m a n a T e r e s a d e L a r r a b i d e , el ú l t i m o c u s t o d i o
p r e m o d e r n o , f e c h a d a e n 1732. E s t á d i r i g i d a a " S u E x c e l e n c i a el O b i s p o d e la
V i l l a d e S a n J u a n B a u t i s t a " , p e r o n o m e n c i o n a el n o m b r e d e l o b i s p o ( S e b a s t i á n
L o r e n z o P i z a r r o : 1 7 2 8 - 3 6 ) . D i c e q u e n a c i ó e n el P a í s V a s c o ( n o c r e e n e c e s a r i o
i n d i c a r el p u e b l o e x a c t o ) en el a ñ o 1682. E x p l i c a q u e e s d e o r i g e n n o b l e , h i j a
d e c o n d e , y q u e t o m ó los h á b i t o s a los d i e c i s i e t e a ñ o s d e e d a d . T r e s a ñ o s
d e s p u é s l l e g ó a S a n J u a n y d e s d e e s e m o m e n t o d e d i c ó su v i d a a c u i d a r e n f e r m o s
e n e l H o s p i t a l d e la C o n c e p c i ó n , al l a d o d e L a F o r t a l e z a . D i c e q u e r e c i b i ó la
asignación extraordinaria de cuidar a un m o n j e dominico de nombre T o m á s de
M e n d i z á b a l ( u s a el n o m b r e u n a s o l a v e z : el resto d e l t i e m p o se r e f i e r e a é s t e
c o m o el " D i s c í p u l o d e l M o n j e V a s c o " ) . C o n t i n ú a e x p l i c a n d o q u e e s t e m o n j e ,
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primo hermano de una dama de compañía de la reina, murió a los 66 años en
el 1706 y que a ella correspondió disponer de sus pertenencias. La letra,
siempre firme, pierde entonces su compostura y se torna nerviosa. La religiosa
añade que descubrió espantada el manuscrito en lengua vasca. Aclara, con
temor evidente, que ella no tuvo culpa alguna; aunque testigo involuntario de
este secreto, no era su culpa haber leído palabras que nunca debió leer. Desde
los 24 años de edad (1706, cuando murió el Discípulo del Monje Vasco) había
guardado celosamente el manuscrito sin saber qué hacer. Ninguna de sus
superioras podía leer el vasco, el obispado estaba vacante (el famoso interregno
de 1706, entre Jerónimo de Valdés y Pedro de la Concepción Arteaga y Salazar)
y el Vicario General y Provisor estaba muy enfermo de disentería. Ahora,
sintiéndose enferma también, contagiada de la disentería endémica que azota
ala ciudad de San Juan, hace entrega al obispado (nótese que no dice "obispo",
sino "obispado") de lo que hace muchos años debió tener en sus cofres secretos.
La siguiente página del manuscrito es una nota del custodio anterior: el
Discípulo del Monje Vasco. Es mucho más breve. Dice que se llama padre
Tomás de Mendizábal, que nació en Bilbao (País Vasco) en el 1640, y que
desde el 1652, a los 12 años, entró al servicio de fray Pedro de Azpeitía, el
Monje Vasco (no dice cómo ni cuándo llegó a San Juan). Que éste murió en
el 1655, a los 88 años de edad, y que encontró entre sus pertenencias ese
"manuscrito infernal". Comprendiendo su gravedad, y siendo tal vez el único
habitante de la capital que entendía el idioma vasco, se había convertido en
custodio renuente del pergamino. Pasó el resto de su vida como párroco de uno
de los barrios de la capital, porque "el nefando y abominable pecado que a edad
tan temprana cometí en mi pueblo, y del cual sólo Cristo conoce el verdadero
grado de mi auténtico arrepentimiento, vedó por toda la eternidad mi regreso
a la patria amada". La nota, fechada en 1705 (un año antes de su muerte),
termina señalando que ya se siente viejo y que tiene la intención de llevar dentro
de poco tiempo el manuscrito ante las autoridades pertinentes "para proteger
los secretos de dos pecadores". Pero el hombre propone y Dios dispone: es
claro que la muerte debió tomar por sorpresa al padre Tomás de Mendizábal.
En la tercera página del manuscrito, bastante más oscura y borrosa que
las dos anteriores, comienza una larga introducción del autor fray Pedro de
Azpeitía. Pero el color del papel no es la única diferencia: de aquí en adelante
todo el texto, excepto una que otra expresión aislada, está redactado en idioma
euskera, vasco o vascuence. Aunque comparto esa ascendencia con el autor del
manuscrito, lo cierto es que el último miembro de mi familia que nació en
aquella tierra fue mi tatarabuelo, el juez Eugenio Aristegui, y hace muchos años
que los Aristegui de esta isla olvidamos el idioma primigenio. Durante mis
estudios en Madrid, sin embargo, hice amistad con algunos historiadores
vascos, muy especialmente con el doctor Boabdil de Olaguibel, quien es como
mi hermano. Demás está señalar que tomé un avión a Madrid cuatro semanas
después de haber encontrado el manuscrito, poseído de una curiosidad que sólo
puedo describir como delirante. En Barajas tomé otro vuelo hasta Bilbao, en
donde me esperaba Boabdil. Quince días estuve en su casa: impulsado por la
LUIS L O P E Z N I E V E S
427
a m i s t a d y la c u r i o s i d a d intelectual l l e v ó a c a b o la p r o e z a d e d e s c i f r a r y t r a d u c i r
e n t a n c o r t o t i e m p o v e i n t e f o l i o s a n t i q u í s i m o s y e s c a s a m e n t e legibles. L a s
h o j a s e r a n q u e b r a d i z a s , m u y f r á g i l e s , y c o n f i e s o q u e yo m i s m o a p e n a s m e
atrevía a tocarlas.
E n a d e l a n t e t o d o l o q u e c i t a r é s e r á d e la t r a d u c c i ó n al e s p a ñ o l
contemporáneo preparada por mi amigo B o b y editada con mi ayuda. Las
p r i m e r a s d o s p á g i n a s , c o m o d i j e antes, t i e n e n c a r á c t e r i n t r o d u c t o r i o . El a u t o r
d i c e q u e se l l a m a f r a y P e d r o d e A z p e i t í a , p e r o q u e t o d o s en la villa d e S a n J u a n
l o c o n o c e n c o m o el " M o n j e V a s c o " . N o e x p l i c a p o r q u é , p e r o es fácil s u p o n e r
q u e e r a e l ú n i c o m o n j e d e a s c e n d e n c i a v a s c a y q u e p o r e s o l l a m a b a la a t e n c i ó n .
A n a d i e h a b r í a n l l a m a d o el M o n j e C a s t e l l a n o . A c l a r a q u e n a c i ó e n el 1 5 6 7 y
q u e se h a s e n t a d o a r e d a c t a r el texto en el c u a r t o día d e m a r z o del año 1653 (dos
a ñ o s a n t e s d e m o r i r ) . A c o n t i n u a c i ó n c o p i o la t r a d u c c i ó n l i t e r a l m e n t e :
E n e l año d e N u e s t r o S e ñ o r d e 1594, c u a n d o y o t e n í a 2 7 a ñ o s de e d a d ,
t o c a r o n a m i p u e r t a d o s i n d i o s j ó v e n e s , sucios, h e d i o n d o s . E l m a y o r , c o m o d e
u n o s 19 a ñ o s , f o r n i d o y c o n el c a b e l l o h a s t a la cintura, d í j o m e (en la s i n g u l a r
m e z c l a d e p a l a b r a s y s e ñ a s q u e u s a n los i n d i o s ) q u e e n las a f u e r a s d e la Villa,
e n las p a r t e s m á s altas d e l b o s q u e l l a m a d o d e C a n g r e j o s , u n h o m b r e y a c í a
moribundo en un bohío. Díjome también queste dicho hombre pedía confesión
y s a c r a m e n t o s , y q u e le h a b í a m a n d a d o t o c a r a m i p u e r t a y s u p l i c a r m e q u e
a c u d i e r a e n su auxilio. ¿ C ó m o l l e g a r o n a m i h u m i l d e c a s a e s t o s d o s i n d i o s p o c o
d o m e s t i c a d o s , e n q u i e n e s h e n o t a d o d e i n m e d i a t o el e s c a s o c a r i ñ o q u e sentían
p o r e s t a villa? T a l v e z se d e b i ó a m i r e p u t a c i ó n c o m o d e f e n s o r d e los indios
( s o y d o m i n i c o ) o al h e c h o d e q u e n o o c u l t o m i s i m p a t í a p o r l a s i d e a s del g r a n
f r a y B a r t o l o m é d e las C a s a s , las c u a l e s m e h a n c o s t a d o el exilio d e m i p a t r i a
y d a d o f a m a e n ésta. T a l v e z p o r e s o a c u d i e r o n a m í . E l i n d i o a p u n t ó c o n la
m a n o h a c i a la c a l l e y m o s t r ó m e t r e s c a b a l l o s f r e s c o s . H i c e s e ñ a s p a r a q u e
e s p e r a r a n ; p r e p a r é u n lío c o n m i s o b j e t o s s a g r a d o s y l l e n é u n p o m i l l o c o n los
s a n t o s ó l e o s . P o c o s m i n u t o s d e s p u é s , c u a n d o t r o t á b a m o s f r e n t e al F o r t í n , los
i n d i o s i m p l o r á r o n m e q u e g a l o p a r a . L a e x t r a ñ a u r g e n c i a q u e vi e n sus o j o s
i m p u l s ó m e a los o b e d e c e r , a p e s a r d e l o s r i e s g o s m u c h o g r a n d e s q u e n o s
t o m á b a m o s e n los t e r r e n o s silvestres q u e a b u n d a n m u y m u c h o e n l a s a f u e r a s
d e S a n J u a n , e n el d i c h o b o s q u e d e C a n g r e j o s .
Varias horas tardónos llegar a una choza, que aquí llaman bohío. Los
i n d i o s d e t u v i é r o n s e ante la p u e r t a y p i d i é r o n m e q u e entrara. E l i n t e r i o r e s t a b a
s u c i o , a p e s t o s o , h ú m e d o : las p e n c a s d e p a l m a s q u e d a b a n f o r m a a la e s t r u c t u r a
resaltaban
c o m o u n e s q u e l e t o g i g a n t e . E l b a r r o d e l piso era m u y m á s o s c u r o
q u e la tierra del p a t i o , q u e a q u í l l a m a n b a t e y . C o n t r a u n a p a r e d , a c o s t a d o s o b r e
u n l e c h o d e h i e r b a seca, y a c í a u n i n d i o l a r g o y v i e j í s i m o . D e s a r r o p a d o ,
i n d e f e n s o , c o n l a s p a l m a s d e l a s m a n o s v u e l t a s h a c i a el c i e l o , sólo v e s t í a u n
t a p a r r a b o s d e s a c o v i e j o y sus h u e s o s se m a r c a b a n c o m o las p e n c a s d e p a l m a s
d e l b o h í o . E l l a r g o c a b e l l o b l a n c o e s t a b a d e s p a r r a m a d o s o b r e la h i e r b a sucia.
E n e l r o s t r o m u y m u c h o a r r u g a d o se d i s t i n g u í a n los p ó m u l o s altos y los o j o s
c a n s a d o s ; la f r e n t e a c h a t a d a l l e v a b a e n el c e n t r o la h o r r o r o s a m a r c a d e l
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INTI N°
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c a r i m b o , e n f o r m a de cruz. C a u s ó i m p r e s i ó n en mi m e m o r i a la c o m p o s t u r a
distinguida, elegante, casi noble, deste indio; irradiaba d i g n i d a d c o m o ya n o se
v e entre ellos, a pesar d e q u e era el c u a d r o m i s m o d e la desolación. P o r u n
instante p e n s é estar ante un prisionero de estirpe n o b l e y q u e yo, p o r algún
m e n e s t e r involuntario y desgraciado, era su v e r d u g o .
A c u c l i l l é m e j u n t o al lecho y t o m é su m a n o débil. El indio sonrió c o n
d u l z u r a agria y antigua; d e algún m o d o e s a sonrisa n o c o r r e s p o n d í a al m o m e n t o
ni al lugar.
— P a d r e , estoy m u y viejo y los espíritus m e l l a m a n — d í j o m e en
castellano q u e b r a d o , defectuoso, q u e b a l b u c e a b a casi sílaba por sílaba.
— E s D i o s quien te llama, hijo mío. C o n f i e s a .
H i z o u n e s f u e r z o p o r t o m a r aire: arqueó la e s p a l d a y respiró p r o f u n d o .
T r a g ó c o n dificultad, a p r e t ó m e la m a n o y h a b l ó c o n v o z ronca:
— N o quiero arder en el infierno d e los e s p a ñ o l e s — d i j o aterrado.
— E n el infierno del D e m o n i o , hijo mío. M a s n o lo verás si tu c o r a z ó n
es puro. C o n f i e s a , hijo, q u e tu a l m a se sienta libre.
El indio c o m e n z ó u n relato lento, p e n o s o , ronco. H a b l a b a c o n las m a n o s
tanto c o m o c o n la boca. Ha transcurrido m á s de m e d i o siglo d e s d e la c o n f e s i ó n
y r e c u e r d o p e r f e c t a m e n t e los hechos; m e basta cerrar los o j o s p a r a v e r a D a n u a x
gesticulando, l u c h a n d o por respirar, intentando g a n a r el p e r d ó n divino con la
m i n u c i o s a c o n f e s i ó n d e su pecado. R e c u e r d o las i m á g e n e s y l o s h e c h o s : pero,
para contarlos, d e b o recurrir a m i s palabras.
— T e n g o 94 años y m e llamo Juanito, padre. A s í m e han l l a m a d o vuestras
m e r c e d e s d u r a n t e los ú l t i m o s setenta y tantos años de mi vida. Mi n o m b r e ,
antes d e que llegaran v u e s t r a s m e r c e d e s , era D a n u a x . S i g n i f i c a n o b l e y valiente
guerrero. D e s d e j o v e n vivo aquí en la isla d e B o r i q u é n , q u e v u e s t r a s m e r c e d e s
l l a m a n de S a n Juan. Pero nací en una isla oriental, m u y vecina, que se l l a m a
Bieque.
" F u i el p r i m e r e s c l a v o de d o n J u a n P o n c e d e L e ó n . M e c a p t u r ó en los
t i e m p o s d e la primera villa, antes d e venir a la isleta. C o n s t r u í m u c h a s d e las
casas d e aquella primera villa. Y m u c h a s m á s en la q u e vuestra m e r c e d v i v e
ahora, padre. P e r o soy h i j o de cacique. P o r una discordia c o n mi p a d r e
a b a n d o n é mi tierra. C u e n t o mis orígenes p o r q u e vuestra m e r c e d d e b e saber q u e
f u i guerrero y que nuestra casta siempre vio el t r a b a j o c o n desprecio. Se m e
e n s e ñ ó quel t r a b a j o era para los inferiores, p a r a los naborías, y q u e mi única
f u n c i ó n sobre la tierra sería cazar, g o b e r n a r y guerrear reciamente.
" P o r eso sentí de m o d o singular la a f r e n t a de la esclavitud castellana.
C u a n d o los h o m b r e s d e d o n J u a n P o n c e e n c a d e n á r o n m e p o r primera vez j u r é a
t o d o s m i s dioses q u e m e vengaría d e aquel h o m b r e flaco, d e p o c a s palabras y
d e b a j a estatura q u e h a b í a m e h u m i l l a d o d e m a n e r a i m p e r d o n a b l e . C u a n d o m e
m a r c a r o n la f r e n t e con el hierro rojo del c a r i m b o , q u e m á n d o m e la dignidad, j u r é
q u e lo mataría. E n aquel tiempo, padre, yo era u n infiel despreciable q u e vivía
e n el i n f i e r n o d e la idolatría: alabado sea Cristo D i o s p o r q u e v u e s t r a s m e r c e d e s
e n s e ñ á r o n m e la v e r d a d divina de D i o s y la Trinidad y Cristo D i o s y el Dios
Espíritu Santo y las vírgenes.
LUIS LOPEZ NIEVES
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" E r a m o s tan pocos e n aquella época, y la villa era tan p e q u e ñ a , que tuve
la o p o r t u n i d a d de o b s e r v a r de cerca a los españoles. T o d o s los días, durante la
c o m i d a , d e d i c a b a n t i e m p o a e d u c a r m e en el h a b l a r castellano y en la palabra
d e D i o s y d e Cristo Dios. P e r o yo observaba a d o n J u a n P o n c e con odio, c o m o
u n c a z a d o r observa a su presa. M i r á b a l o sin quitarle los o j o s de e n c i m a . Y p o c o
a p o c o d e s c u b r í qué c o s a s movíanlo, por qué sonreía, c u á n d o sentía h a m b r e ,
q u é noticias alegrábanlo y p o r qué f r u n c í a el ceño. D e s c u b r í p o r qué estaba en
esta tierra y p o r q u é m e había sometido a la h u m i l l a c i ó n d e ser su esclavo.
" U n a n o c h e d e s c a n s a b a yo en mi h a m a c a , mi collar d e hierro a m a r r a d o a
la c a d e n a del capataz. Había t r a b a j a d o todo el día c o n s t r u y e n d o los m u r o s de
otra iglesia. T e n í a llagas en m u c h a s partes d e mi c u e r p o : v u e s t r a m e r c e d es
m u y j o v e n para lo recordar, pero e n aquella é p o c a n o s o b l i g a b a n a u s a r las
b o m b a c h a s gruesas y calientes que vuestras m e r c e d e s traen de Castilla. Esa
tela es m u y b u e n a para vuestras m e r c e d e s , yo creo, pero a n o s o t r o s p ú d r e n o s
la piel.
" D e s c a n s a b a en la h a m a c a y c o m í a una g u a y a b a m a d u r a . M i r a b a al cielo
y olía la sal d e la mar. D e pronto entró en mi cabeza una g r a n d e idea. I g n o r a n t e
q u e era y q u e soy, padre, p e n s é que la idea era u n regalo de m i s dioses. A h o r a
c o m p r e n d o que f u e Satanás.
" P e n s é : p o r primera vez pisan los españoles tierras c o m o éstas. V i e n e n
d e u n lugar pobre, inhóspito, desolado. S o n ignorantes, avarientos y estúpidos.
C r e e n q u e u n h o m b r e c a m i n ó sobre las aguas y q u e es padre d e sí m i s m o ; nació
d e m a d r e virgen y resucitó d e s p u é s d e muerto. D i c e n que e n el m u n d o hay
villas e n quel cielo arroja hielo blanco a la tierra y h a c e tanto frío que es
n e c e s a r i o cubrirse c o n cueros d e animales muertos. C r e e n q u e hay u n a raza d e
h o m b r e s c o n la piel negra y el pelo c o m o caracolas p e q u e ñ a s . C r e e n que la
l e j a n a c a c i c a d e Castilla es t a m b i é n cacica d e estas tierras. Creen que existe al
sur u n a ciudad l l a m a d a El D o r a d o en q u e los c a m i n o s son d e oro y los b o h í o s
d e piedras preciosas. Sienten h a m b r e furiosa p o r el oro. Entonces, concluí, ellos
c r e e n c u a l q u i e r cosa, y m u y m u c h o la creen si esta cosa es de beneficio y
p r o d u c e oro.
" E s a n o c h e no dormí. Paséla tratando de inventar un plan que m e librara
d e los e s p a ñ o l e s . Ya a m a n e c í a , los p r i m e r o s rayos del sol parecían u n f u e g o
débil, y a c o r d é m e d e pronto de u n a l e y e n d a de mi niñez. N o era real, sino
c u e n t o s q u e los m a y o r e s inventan p a r a entretener y maravillar a los niños. Pero
era lo ú n i c o que m e creerían los españoles.
" Y o tenía veinte años, padre, era j o v e n . C u a n d o al fin c o m e n z ó el día, tras
u n a m u y larga noche, c o m e n c é a construir los m u r o s de la iglesia con entusiasmo.
A m e d i a m a ñ a n a , c o m o era usual, se acercó don J u a n P o n c e a e x a m i n a r mi
t r a b a j o . Solté las h e r r a m i e n t a s y arriesguéme:
" — D o n J u a n — d i j e en mi pobre m e z c l a d e castellano y señas — , ¿ p u e d o
hablarle?
" E l capataz levantó el látigo y e s t u v o a p u n t o de g o l p e a r m e , p e r o d o n Juan
P o n c e o r d e n ó l e que m e dejara.
" — ¿ Q u é d e s e a s ? — preguntó.
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" — S e ñ o r don J u a n — dije, d i s i m u l a n d o mi n e r v i o s i s m o — , ¿ q u é edad
dice v u e s t r a m e r c e d q u e tengo?
" — ¿Pero es q u e todos vosotros buscáis la m e n o r e x c u s a para holgar? —
p r e g u n t ó , m á s sorprendido q u e irritado.
" — Señor, la respuesta será d e gran p r o v e c h o p a r a vuestra m e r c e d .
" — P u e s tendrás veinte años, a lo sumo — dijo d o n J u a n P o n c e , curioso.
" — N o , s e ñ o r — dije entonces — . T e n g o 118 años, señor.
" — ¿Por quién m e t o m a s ? — e x c l a m ó don J u a n P o n c e d e L e ó n .
" — P o r u n a p e r s o n a q u e ha descubierto las maravillas d e esta tierra —
dije entonces, p r o n u n c i a n d o las palabras m á s i m p o r t a n t e s de mi d e s g r a c i a d a
v i d a — . H a estado vuestra merced en las m o n t a ñ a s y ha divisado el río de
C o a m o q u e v o m i t a aguas hirvientes. H a visto a nuestros p á j a r o s q u e h a b l a n y
a n u e s t r o s perros q u e son m u d o s . H a l l e g a d o a esta tierra q u e n o c o n o c e el f r í o
y q u e p r o d u c e c o s e c h a s todo el año. Las frutas son nuevas, la tierra es m u y
negra; se p u e d e c a m i n a r de costa a costa sin pasar h a m b r e p o r q u e n u n c a escasea
el alimento. H a c o m i d o la deleitosa carne de tórtola que quita la tristeza. Ha
t o m a d o c o n sus propias m a n o s las ostras m u y saladas y suculentas que viven
e n el r a m a j e d e nuestros b o s q u e s y n o en el suelo. Vuestra merced se ha b a ñ a d o
e n n u e s t r o s ríos, d o n d e el oro abunda de tal m o d o que flota j u n t o a los peces.
S o n tran gruesas las pepitas q u e vuestras m e r c e d e s u s a n redes para cogerlo.
A d e m á s , señor, sabe vuestra m e r c e d de la ciudad l l a m a d a El D o r a d o , d o n d e el
oro y las piedras s o n m á s abundantes quel barro. E n t o n c e s , ¿por q u é n o p u e d e
creer q u e tengo 118 años?
" — P e r o ¿es que todos vosotros tenéis tan alta e d a d ?
" — N o , señor — expliqué — . Sólo aquellos que h e m o s ido a la F u e n t e
d e la E t e r n a Juventud.
" — ¿ Q u é dices? — preguntó d o n J u a n P o n c e , atónito. T e n í a la b o c a
abierta y se h a b í a e c h a d o el casco hacia atrás.
" — A l poniente, s e ñ o r — d i j e l e v a n t a n d o el b r a z o — . Cerca d e la isla q u e
v u e s t r a s m e r c e d e s l l a m a n Cuba. Allí e s t u v e h a c e m u c h o s años y b a ñ é m e e n las
aguas de la F u e n t e d e la Eterna Juventud. D e s d e entonces n o p u e d o e n v e j e c e r .
" D o n J u a n P o n c e ordenóle al capataz q u e m e soltara las c a d e n a s y
m a n d ó m e lo a c o m p a ñ a r hasta el batey. P a s a m o s el resto del día h a b l a n d o sobre
la F u e n t e d e la Eterna Juventud. N u n c a e n mi vida, antes ni d e s p u é s d e ese día,
h e m e n t i d o tan r e c i a m e n t e c o n tantos g r a n d e s fingimientos. Conté en detalle
m i falso v i a j e a la Fuente. A y u d é l e a trazar u n m a p a . Describí las c o s t u m b r e s
d e l o s g r u p o s d e indios que, s e g ú n mi vil imaginación, vivían c e r c a del lugar.
T r e s v e c e s h í z o m e narrar, d e principio a fin, el relato c o m p l e t o d e mi v i a j e .
E x i g i ó m e q u e le contara, mientras t o m a b a nota, c a d a m i n u c i a sobre el ritual y
la m a n e r a e n q u e h a b í a m e s u m e r g i d o en el agua. Q u i s o saber si era de día o d e
n o c h e , si q u e d é m e de pie o nadé, si estaba en cueros o vestido, c u á n t o t i e m p o
e s t u v e s u m e r g i d o , qué palabras dije, c u á n t o s días p e r m a n e c í allí. U n a v e z
saciada su curiosidad, se p u s o de pie, c o l o c ó m e la m a n o sobre el h o m b r o y
díjome:
" — Si divulgas este secreto a cualquier otra p e r s o n a o a algún salvaje,
LUIS LOPEZ NIEVES
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j u r o q u e te s o m e t e r é al tormento. T e m e t e r é el c u e r p o en aceite hirviente. T e
a r r a n c a r é el pellejo p a l m o a p a l m o . L u e g o te h a r é e m p a l a r . P u e d e s irte.
" E s a j o r n a d a , al oscurecer, a c o s t é m e en la h a m a c a c o n la satisfacción de
s a b e r q u e se a c e r c a b a el final d e la o c u p a c i ó n castellana iniciada p o r d o n J u a n
P o n c e . P o r otra parte, era la p r i m e r a vez, d e s d e q u e d o n J u a n P o n c e m e
esclavizara, q u e había p a s a d o u n día sin trabajar, c o n v e r s a n d o y b e b i e n d o agua
f r e s c a c o m o e n los t i e m p o s d e antes.
" D u r a n t e m á s d e u n m e s t r a b a j é feliz p o r q u e veía a don J u a n P o n c e
p r e p a r a n d o su v i a j e y creía estar en vísperas de la libertad. U n a e s p a n t o s a
m a ñ a n a , a l g u n o s cuarenta días d e s p u é s d e la c o n v e r s a c i ó n , don J u a n P o n c e
c o m e n z ó a despedirse d e sus familiares y d e los vecinos. C u a n d o el capataz se
acercó a d o n Juan P o n c e para despedirse, solté la pala y escuché. El capataz
d e s e ó l e b u e n v i a j e y m e j o r fortuna, y la m u j e r de d o n J u a n P o n c e , al igual q u e
sus hijas, e s c u c h a b a n con m u y g r a n d e alegría e n los rostros. Y o o b s e r v a b a
a d m i r a d o , p a s m a d o , sin p o d e r e x p l i c a r m e esta d e s p e d i d a inesperada. De
golpe, horrorizado, c o m p r e n d í que mi p l a n era un f r a c a s o . H a b í a supuesto q u e
d o n J u a n P o n c e , c o m o era la c o s t u m b r e entre los m í o s , se m a r c h a r í a con toda
su gente a b u s c a r la F u e n t e de la Eterna J u v e n t u d . P e r o no f u e así: había
d e c i d i d o partir casi solo, con un p e q u e ñ o g r u p o d e españoles, p o r q u e las
c o s t u m b r e s d e vuestras m e r c e d e s son diferentes a las nuestras.
" M i e s p a n t o n o cesó c o n el d e s c u b r i m i e n t o d e mi revés. D e s p u é s de
d e s p e d i r al capataz, d o n J u a n P o n c e m e buscó con la vista y díjole:
" — V e m e t i e n d o al s a l v a j e e n la n a v e .
" D e s e s p e r a d o , agarré c o n las m a n o s mi collar d e hierro. P o r p r i m e r a v e z
d e s d e q u e c o m e n z ó mi esclavitud p e r d í el j u i c i o y halé la c a d e n a c o m o m u y
e n l o q u e c i d o , c o m o f u e r a de mí; traté d e h u i r corriendo, p e r o m e d e t u v o el golpe
d e la c a d e n a q u e m e retenía r e c i a m e n t e p o r el cuello, c o m o a u n perro. F u e u n
g e s t o tonto, inútil, p e r o aún así traté d e abrir el collar c o n todas m i s f u e r z a s .
¿ C ó m o e x p l i c a r la z o z o b r a que se siente atado a u n a c a d e n a de hierro? ¿ P u e d e
e n t e n d e r vuestra m e r c e d , padre, la m a n e r a en q u e e n c o g i ó s e mi c o r a z ó n ? El
sonriente capataz m e c o l o c ó la e s p a d a en el p e c h o y sólo e n t o n c e s sentí q u e las
fuerzas me abandonaban.
" L a r g o s y tristes días estuve en la g r a n d e c a n o a e s p a ñ o l a que n a v e g a b a
h a c i a el poniente. Mi odio crecía con c a d a ola d e la mar. E n c a d e n a d o al mástil
principal, e s c u c h é m u c h a s c o n v e r s a c i o n e s d u r a n t e la travesía y d e s c u b r í las
intenciones d e d o n J u a n P o n c e , q u i e n n o había h a b l a d o c o n n a d i e sobre la
F u e n t e d e la E t e r n a J u v e n t u d . L a tripulación charlaba sobre oro, s o b r e grandes
riquezas y nuevas tierras, p e r o nadie m e n c i o n a b a la Fuente. E n t o n c e s c o m p r e n d í
q u e d o n J u a n P o n c e n o pretendía c o m p a r t i r la inmortalidad.
" P a d r e , q u é d a m e p o c a vida y aliento. N o p u e d o casi hablar. P e r o d e b o
t e r m i n a r . H a r é u n e s f u e r z o . Serví d e guía r e n u e n t e en este loco v i a j e a mi
p r o p i a i m a g i n a c i ó n . D o n Juan P o n c e se a c e r c a b a al mástil y p r e g u n t á b a m e :
' ¿ M á s al n o r t e ? ¿ V a m o s b i e n ? ' ; y yo r e s p o n d í a lo p r i m e r o que m e v e n í a a la
m e n t e . U n a m a d r u g a d a tibia, p o c o s m i n u t o s d e s p u é s de q u e saliera el sol,
s o r p r e n d í m e r e c i a m e n t e c u a n d o el vigía gritó con todas sus f u e r z a s : "¡Tierra!".
432
INTI N°
43-44
Habíamos llegado, no sé cómo, a las tierras que don Juan Ponce llamó de la
Florida.
" P a d r e , soy p e o r q u e Judas. C u a n d o d e s e m b a r c a m o s e n la playa d o n J u a n
P o n c e p r e g u n t ó m e q u é dirección t o m a r . M i r é las flores brillantes, los arbustos
d e v e r d e m u y p r o f u n d o , la arena blanquísima. L u e g o señalé a lo lejos, h a c i a lo
m á s e s p e s o del bosque. D o n Juan P o n c e o r d e n ó a los m a r i n e r o s que m e
v o l v i e r a n a e n c a d e n a r al mástil, p r e v i e n d o tal vez a l g u n a traición si m e l l e v a b a
p o r l o s b o s q u e s . N o recuerdo qué p e n s é c u a n d o lo vi partir c o n sus s o l d a d o s ,
p e r o n u n c a olvidaré lo que s u f r í aquellos días atado al palo m a y o r , b a j o el sol
del v e r a n o , c o m i e n d o sólo aquellos m e n d r u g o s q u e los m a r i n e r o s m e tiraban
e n t r e risas.
" C r e o q u e llevaba o c h o o n u e v e días atado al mástil c u a n d o un g r u p o d e
h o m b r e s se acercó u n a tarde a la gran canoa. L o s m a r i n e r o s recibieron g r a n d e
susto p o r q u e n o e s p e r a b a n e n c o n t r a r gentes tan cerca d e la playa. A m b o s
b a n d o s se m i r a r o n p o r e n c i m a d e la arena m o j a d a , sin m o v e r s e . F i n a l m e n t e los
h o m b r e s sonrieron y se acercaron a la n a o con cautela. L o s m a r i n e r o s
p r e p a r a r o n las armas, pero b a j a r o n de la n a v e sonriendo t a m b i é n y m o s t r a n d o
u n g r a n d e e s p e j o que llevaban para estas ocasiones.
" L o s e s p a ñ o l e s m e h a b í a n d e j a d o solo en la gran canoa; d e s d e el mástil,
sediento y c o n h a m b r e , y o observaba este e n c u e n t r o q u e m e llenaba d e tristeza.
P o c o después, castellanos y h o m b r e s , sentados e n la arena, h a b l a b a n p o r m e d i o
d e señas. Sonreían con f r e c u e n c i a y los h o m b r e s n o se c a n s a b a n de m i r a r en
el e s p e j o . D e p r o n t o sentí que una m a n o e m p a p a d a de a g u a salada, m e cubría
la b o c a . E r a u n o d e los h o m b r e s de esas tierras: había n a d a d o en silencio hasta
la b o r d a d e la n a v e y m e hacía señas p a r a q u e no diera voces. C u a n d o a f i r m é
c o n la c a b e z a que m a n t e n d r í a silencio, retiróme la m a n o d e la boca.
" — ¿Tienes sed? — p r e g u n t ó m e en l e n g u a que c o m p r e n d í con dificultad.
" L o s o j o s se m e llenaron d e l á g r i m a s y r e s p o n d í q u e sí, q u e tenía m u y
g r a n d e sed y h a m b r e . El h o m b r e sacó agua de u n tonel y d i ó m e l a e n sus m a n o s .
C u a n d o h ú b e m e saciado, p r e g u n t ó m e :
" — ¿ C ó m o d e s a m a r r o estas sogas?
" — Son c a d e n a s y hace falta una llave — dije.
" — ¿ C ó m o p u e d o ayudarte?
" — E s t o s q u e m e atormentan son castellanos m u y p o d e r o s o s . El j e f e es
u n loco. Si n o lo matáis pronto usará todas sus f u e r z a s contra tu gente. V e , avisa
a l o s tuyos.
" — ¿ N a d a p u e d o h a c e r por ti? — insistió el h o m b r e .
" — S í — r e p e t í . Advierte a los tuyos y acaba con ellos. Entraron al b o s q u e
e n dirección al poniente.
— ¿ S o n dioses? — preguntó antes de irse — . ¿ B e b e n sangre?
" — N o , son mortales. Heridlos e n las piernas, en los brazos y e n el rostro.
" L o s h o m b r e s de la Florida siguieron mi consejo. E m b o s c a r o n a los
castellanos y m a t a r o n r e c i a m e n t e a m u c h o s d e ellos, a u n q u e a d o n Juan P o n c e
sólo lo hirieron. C u a n d o los sobrevivientes llegaron a la n a v e c a r g a n d o con u n
d o n J u a n P o n c e e n f e b r e c i d o , se aprestaron a zarpar a C u b a d e prisa. El Capitán,
LUIS L O P E Z N I E V E S
433
m u y p r e o c u p a d o , r e p e t í a q u e e n e s a isla h a b í a u n m é d i c o d e g r a n d e f a m a q u e
d e v o l v e r í a a d o n J u a n P o n c e la v i d a .
" T a n pronto levamos anclas d o n Juan P o n c e volvió en sí y c o m e n z ó a
l l a m a r m e a g r i t o s . E l C a p i t á n d e s a t ó m e d e p r i s a y l l e v ó m e al c a s t i l l o d e p r o a .
D o n J u a n P o n c e y a c í a s o b r e u n l e c h o d e p a j a , a c o s t a d o s o b r e el l a d o d e r e c h o :
t e n í a u n a flecha e n t e r r a d a e n el s o b a c o i z q u i e r d o . C u a n d o v i o m e e n t r a r o r d e n ó
q u e n o s d e j a r a n s o l o s . Y o l o m i r a b a sin s a b e r q u é d e c i r . M i a l m a j u b i l o s a
s e n t í a d e s e o s d e g r i t a r d e f e l i c i d a d , p e r o m i rostro e r a u n a f r í a p i e d r a sin v i d a .
" — N o l l e g a r é v i v o a C u b a — d i j o c o n v o z d é b i l — . A y ú d a m e y te h a r é
libre.
" M e s o r p r e n d i e r o n sus p a l a b r a s p o r q u e la h e r i d a n o era g r a v e y la flecha
no tenía veneno.
" — ¿Cómo puedo ayudarte? — pregunté.
" — V é n d e m e tu i n m o r t a l i d a d . T e d a r é t o d a s m i s
riquezas.
" T a r d ó m e u n rato e n c o n t r a r u n a r e s p u e s t a a l a p e t i c i ó n d e d o n J u a n
P o n c e . Y o p e n s a b a e n m i s p a d r e s , e n m i v i d a a n t e s d e la l l e g a d a d e los
castellanos, en mi m u j e r que los hombres de don Juan arrebatáronme y llevaron
a o t r a isla. A n g u s t i a d o p o r lo q u e c o n s i d e r ó i n d e c i s i ó n , d o n J u a n P o n c e
a g a r r ó m e la m a n o y repitió d e s e s p e r a d o :
" — C o m p a r t e tu i n m o r t a l i d a d c o n m i g o .
" T a p é la b o c a d e d o n J u a n P o n c e c o n u n a m a n o . C o n la o t r a a g a r r é la
flecha, la t o r c í d e n t r o d e su c a r n e y usé la p u n t a a f i l a d a p a r a p e s c a r el s a l v a j e
c o r a z ó n d e e s e h o m b r e tan p e r v e r s o c o m o d e s a l m a d o . L a saeta se h u n d í a p o c o
a p o c o e n la c a r n e d u r a . E l h o m b r e p a t a l e ó d é b i l m e n t e al p r i n c i p i o , p e r o l u e g o
n o o p u s o resistencia. M e miraba con ojos sabios. Ojos rojos, desesperados,
a g ó n i c o s , p e r o s a b i o s al c o m p r e n d e r d e p r o n t o q u e h a b í a c o m e t i d o el g r a v í s i m o
e r r o r d e o l v i d a r q u e yo era u n g u e r r e r o y q u e l o s g u e r r e r o s , al igual q u e él, n o
p e r d o n a m o s a f r e n t a s . M o v í la flecha d e l a d o a l a d o , h a c i a a d e n t r o y h a c i a
a f u e r a , e n c í r c u l o s p e q u e ñ o s . S e n t í a l a c a r n e p a r t i r s e y v e í a e n los o j o s d e d o n
J u a n P o n c e el i n m e n s o d o l o r d e su tortura. C o n la p u n t a d e la flecha i n t e n t é
c a z a r el d u r o c o r a z ó n d e e s t e c a s t e l l a n o q u e t a n t a d e s o l a c i ó n h a b í a t r a í d o a m i
v i d a , p e r o n o lo h a l l é . C u a n d o s e n t í q u e q u e d á b a l e p o c a v i d a q u i t é la m a n o d e
su b o c a , d e v o l v í la flecha a su l u g a r y l l a m é al C a p i t á n a gritos.
" V a r i o s m a r i n e r o s e n t r a r o n d e prisa, s e g u i d o s d e l C a p i t á n . A l v e r la
c o n d i c i ó n d e d o n J u a n P o n c e , u n o d e l o s m a r i n e r o s a g a r r ó m e p o r la g a r g a n t a
y e m p u j ó m e c o n t r a la p a r e d .
" — ¿ Q u é p a s ó ? — p r e g u n t ó m e el C a p i t á n .
" D o n J u a n P o n c e , rojo y a g ó n i c o , m e a p u n t ó c o n el d e d o . E l C a p i t á n
repitió:
" — Don Juan, ¿qué pasó?
" D o n J u a n P o n c e , el rostro d e s f i g u r a d o p o r el d o l o r , h a c í a u n g r a n d e
e s f u e r z o p o r h a b l a r . El C a p i t á n , d e s e s p e r a d o , n o s a b í a q u é h a c e r . A y u d ó a d o n
J u a n P o n c e a a c o s t a r s e n u e v a m e n t e s o b r e su l a d o d e r e c h o . L e o f r e c i ó a g u a .
M i r a b a a su a l r e d e d o r c o n i m p o t e n c i a y a n g u s t i a . C u a n d o p o s ó los o j o s s o b r e
m í le d i j o al m a r i n e r o q u e m e s a c a r a y v o l v i e r a a a t a r m e al m á s t i l d e la n a v e .
434
INTI N°
43-44
F u e e n t o n c e s q u e d o n Juan P o n c e d i j o sus últimas palabras:
" — D e j a d l o — dijo d e pronto. L a b o c a torcida r e f l e j a b a el m u y recio
d o l o r q u e lo d o m i n a b a — . N a d a h a h e c h o . Sólo q u i s o a y u d a r m e . H e l e
o t o r g a d o la libertad. Soltadlo... obedeced... d e j a d l o libre.
" T r a s decir estas palabras, don J u a n P o n c e se d e s m a y ó y n u n c a m á s volvió
e n sí.
" A p e s a r d e sus claras palabras, d e v o l v i é r o n m e al mástil d e la nao. N a d i e
s o s p e c h ó j a m á s la v e r d a d de la recaída d e don J u a n P o n c e . N a d i e p e n s ó j a m á s
q u e y o era el culpable d e t o d a s sus desgracias. N i e n m i tierra, ni e n la Florida,
ni e n C u b a , ni en la g r a n d e c a n o a española. L o s q u e m e v e í a n atado al mástil,
los l a b i o s resecos y la piel curtida, j a m á s p e n s a r o n que gracias a u n a m e n t i r a
y a u n a traición y o celebraba en secreto la agonía del español a quien m á s o d i a b a
e n el m u n d o .
" D o n J u a n P o n c e de L e ó n m u r i ó al llegar a Cuba, padre. Sí, m u r i ó sin
h a b e r d i c h o otra palabra. P e r o yo n o salí d e mi esclavitud hasta hace p o c o s
años, p o r q u e d e s p u é s d e su m u e r t e los castellanos o l v i d a r o n la libertad q u e
h a b í a m e sido otorgada. El b a r c o trajo los restos y las p e r t e n e n c i a s d e d o n J u a n
P o n c e a San J u a n Bautista, y yo n o era m á s que u n a d e sus pertenencias.
" M e n t í y traicioné, padre. Inspirado p o r Satanás v i l m e n t e m e n t í y
traicioné. C o n m i s a b o m i n a b l e s m a n o s c a u s é la m u e r t e de quien, ahora lo
r e c o n o z c o , f u e u n g r a n d e h o m b r e . Soy un asesino. R u e g o a Cristo D i o s y a
D i o s y a los espíritus santos que m e a b s u e l v a n " .
E s t a f u e la c o n f e s i ó n de un indio r e m o r d i d o p o r la consciencia. A u n q u e
l o s años y mi m a l a m e m o r i a sin dudas han e n r i q u e c i d o el v o c a b u l a r i o y
corregido la sintaxis d e lo que f u e u n a c o n f e s i ó n b a l b u c i e n t e y t o r m e n t o s a , n o
h e p u e s t o p a l a b r a s e n la b o c a de D a n u a x : ésta e s su historia.
P o c o d e s p u é s m u r i ó el inventor d e la F u e n t e d e la J u v e n t u d , tras h a b e r m e
c o n t a g i a d o c o n su secreto abominable. Y o tenía sólo 2 7 años: ¿ d e b o c o n f e s a r
la angustia q u e v i v o h a c e seis décadas? ¿ C ó m o decirle al m u n d o q u e el origen
d e la f a m o s a F u e n t e d e la J u v e n t u d , la q u e tanta d e s g r a c i a t r a j o a J u a n P o n c e
d e L e ó n y a su familia, la que tanto estrago c a u s ó luego entre e s p a ñ o l e s
a m b i c i o s o s e ilusos, n o f u e sino u n a treta de u n indio r e n c o r o s o y v e n g a t i v o ?
¿ C ó m o decirle a los bizarros castellanos, c u y a propia h o n r a tienen e n tan alta
e s t i m a , q u e u n primitivo aborigen inculto ridiculizó a u n o de sus m á s g r a n d e s
c o n q u i s t a d o r e s , a u n q u e m u c h o después, tras siete d é c a d a s d e esclavitud y
penurias, d o b l e g a d o s el orgullo y la resistencia, se h a y a arrepentido?
¿ T e n g o d e r e c h o a m o r i r c o n este p e s a d o secreto? ¿ T e n g o la obligación
d e d i v u l g a r ante el R e y y el m u n d o la v e r d a d e r a m u e r t e del gran J u a n P o n c e de
L e ó n ? M i s v o t o s m e p r o h í b e n c o m p a r t i r c o n nadie, ni siquiera con mi superior,
el secreto d e D a n u a x . P e r o ahora q u e estoy v i e j o m e p r e g u n t o : Si D i o s m e
c o n c e d i e r a la inmortalidad y transcurrieran mil años, ¿estaría s u j e t o al secreto
d e la c o n f e s i ó n a u n q u e las p e r s o n a s a f e c t a d a s ya n o existieran siquiera en la
m e m o r i a d e los h o m b r e s ? D o s mil años d e s p u é s d e su era n a d i e le r e c l a m a a
S u e t o n i o h a b e r c o n t a d o la asquerosa v e r d a d de los d o c e césares. T a l v e z de
LUIS LOPEZ NIEVES
435
aquí a dos mil años la iglesia p u e d a p e r d o n a r m e a m í . Siento q u e d e b o
c o m u n i c a r a la cristianidad la verdad sobre la m u e r t e del conquistador, hidalgo,
a d e l a n t a d o y g o b e r n a d o r d o n Juan P o n c e d e L e ó n . C o m o última c o n c e s i ó n a
m i p a z espiritual, a la disciplina eclesiástica y a m i consciencia, copio este
t e s t i m o n i o e n mi l e n g u a natal. D a d o el escaso c o n o c i m i e n t o q u e existe sobre
ella a q u í e n S a n J u a n Bautista, dormiré (y p o d r é morir) con la tranquilidad d e
s a b e r q u e n o llegará a m a n o s del vulgo.
P a r a q u e conste p o r los siglos de l o s siglos d i g o al p r i m e r o y al último
lector (si e s q u e alguna v e z se leyeran estas h o j a s ) q u e suplico p e r d ó n a D i o s p o r
h a b e r f a l t a d o al i m p r o f a n a b l e secreto de la c o n f e s i ó n . P e r o n i n g u n o de los
m e n t a d o s vive, y yo casi estoy p o r irme, y escribo e n mi l e n g u a vasca, y n o se
diga m á s .
Q u e las p a l a b r a s de D a n u a x sirvan d e lección a los h o m b r e s .

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