A tessitura do texto

Comments

Transcription

A tessitura do texto
D I S C I P L I N A
Leitura, Interpretação e Produção Textual
A tessitura do texto
Autoras
Maria Divanira de Lima Arcoverde
Rossana Delmar de Lima Arcoverde
aula
07
Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministro da Educação
Fernando Haddad
Secretário de Educação a Distância – SEED
Carlos Eduardo Bielschowsky
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade Estadual da Paraíba
Reitor
José Ivonildo do Rêgo
Reitora
Marlene Alves Sousa Luna
Vice-Reitora
Ângela Maria Paiva Cruz
Secretária de Educação a Distância
Vera Lúcia do Amaral
Vice-Reitor
Aldo Bezerra Maciel
Coordenadora Institucional de Programas Especiais - CIPE
Eliane de Moura Silva
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky
Revisores de Estrutura e Linguagem
Rossana Delmar de Lima Arcoverde (UFCG)
Projeto Gráfico
Ivana Lima (UFRN)
Revisoras de Língua Portuguesa
Maria Divanira de Lima Arcoverde (UEPB)
Revisora Tipográfica
Nouraide Queiroz (UFRN)
Thaísa Maria Simplício Lemos (UFRN)
Ilustradora
Carolina Costa (UFRN)
Editoração de Imagens
Adauto Harley (UFRN)
Carolina Costa (UFRN)
Diagramadores
Bruno de Souza Melo (UFRN)
Dimetrius de Carvalho Ferreira (UFRN)
Ivana Lima (UFRN)
Johann Jean Evangelista de Melo (UFRN)
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - UEPB
A6751
Arcoverde, Maria Divanira de Lima.
Leitura, interpretação e produção textual./ Maria Divanira de Lima Arcoverde, Rossana Delmar de Lima Arcoverde. – Campina
Grande; Natal: UEPB/UFRN, 2007.
15 fasc.
“Curso de Licenciatura em Geografia – EaD”.
Conteúdo: Fasc. 1- Linguagem: diferentes concepções; Fasc. 2 - leitura – perspectivas teóricas; Fasc. 3 - o jogo discursivo
no processo de leitura; Fasc. 4 - leitura – antes e além da palavra; Fasc. 5 - a leitura como prática social; Fasc. 6 – produção
textual-perspectivas teóricas; Fasc. 7 – a tessitura do texto; Fasc. 8 – gêneros textuais ou discursivos; Fasc. 9 – gêneros
textuais e ensino; Fasc. 10 – a escrita como processo; Fasc. 11 – recursos de textualidade – coesão; Fasc. 12 – recursos
de textualidade – coerência; Fasc. 13 – produzindo gêneros textuais – o resumo; Fasc. 14 – produzindo gêneros textuais –
a resenha; Fasc. 15 – produzindo gêneros textuais – o memorial
ISBN: 978-85-87108-59-3
1. Leitura (Lingüística). 2. Produção de textos. 3. Educação a Distância. I. Título.
22 ed.
CDD 418.4
Copyright © 2007 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa da
UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da UEPB - Universidade Estadual da Paraíba.
Apresentação
N
ossas conversas agora se debruçam sobre “a tessitura do texto”. Vamos explorar
sobre o significado do que é tecer um texto e os diferentes conhecimentos que
são mobilizados para essa atividade. Sendo assim, você vai perceber que nesse
funcionamento da linguagem, interagimos com um destinatário que é nosso interlocutor,
tornando-nos co-autores do texto, ao produzir sentidos em sua leitura.
Tessitura
Organização dos
enunciados na elaboração
de um texto.
Para tanto, vamos continuar intercalando nossas conversas com atividades para que
nessa sintonia teoria/prática, firmemos nosso conhecimento e nos tornemos autores dos
textos produzidos.
Lembramos a você que a atividade de produção textual está relacionada a de leitura.
Então, procure ler e se informar. Esse é um passo necessário que o ajudará na tessitura dos
textos. Caso tenha dúvidas, consulte o material das aulas anteriores e procure dialogar com
seu tutor, colegas ou professores.
Objetivos
Ao final desta aula, esperamos que você
1
reflita sobre os aspectos que envolvem o processo
da escrita e a construção do sujeito como autor dos
seus textos;
2
entenda que escrever é uma prática social que se
realiza dialogicamente, numa instância concreta entre
interlocutores.
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
Para começo de conversa...
T
exto e tecido têm a mesma origem. Tecer um tecido e tecer um texto podem, então,
metaforicamente, representar o mesmo processo: tecer os fios que os compõem.
Tecer um texto, assim, é um processo que envolve o autor e o leitor com suas linhas
– palavras/enunciados sócio-historicamente constituídas.
Contextos
Contexto pode ser
entendido como o
conjunto de elementos que
influenciam na significação
dos enunciados. Os
contextos são múltiplos:
sociais, históricos, entre
outros.
Texto
Etimologicamente a
palavra texto vem do latim
textus,us que significa
‘tecer, fazer tecido,
entrançar, entrelaçar;
construir sobrepondo ou
entrelaçando, compor ou
organizar o pensamento
nas modalidades
escrita e oral’.
Ao construir um texto, o escritor faz uso de diferentes conhecimentos, procurando
interagir com outros indivíduos em determinados contextos sociais. Por sua vez, os
indivíduos são seres que não vivem isolados. Ao contrário, cada indivíduo é um agente social
inserido numa rede de relações que acontecem em lugares específicos em uma sociedade
cultural. Cada instituição, como sabemos, tem suas práticas, seus valores, seus significados,
proibições e permissões que exercem influência direta sobre os indivíduos que convivem em
diferentes grupos sociais e que se articulam por meio da linguagem.
A linguagem funciona, pois, como um potencial de opções e possibilidades de interação
social, que formam a base a partir da qual os indivíduos produzem os seus textos, fios que
se unem na composição de um texto.
Vejamos então, como se dá o processo de construção de um texto.
O processo de construção do texto
Sempre que alguém escreve, há uma expectativa de que o texto produzido espelhe as
maneiras de falar ou escrever das diferentes instituições que regulam a comunidade onde o
indivíduo esta inserido. Espera-se, portanto, que todos os textos tenham formas, funções e
conteúdos específicos, que necessariamente estejam imbricados com os discursos.
Que são, então, texto e discurso?
Etimologicamente, texto significa tecido.
Do ponto de vista lingüístico, texto é “[...] qualquer passagem falada ou escrita, que
forma um todo significado, independente de sua extensão” (FÁVERO e KOCK, 1983, p. 25)
Garcez (1998, p. 66) conceitua texto como...
uma unidade lingüística, um exemplar concreto e único, o produto material de uma ação
verbal, que se caracteriza por uma organização de elementos ligados entre si, segundo
regras coesivas que asseguram a transmissão de uma mensagem de forma coerente.
Mas para a realização do texto é preciso que esse “todo significativo” seja produzido
num espaço e num tempo determinados.
O texto é pois, “um evento dialógico, de interação entre sujeitos sociais, contemporâneos
ou não, co-presentes ou não, do mesmo grupo social ou não, mas em diálogo constante”
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
(KOCK, 2003, p. 20 ). O texto pode ser entendido, ainda, em seu sentido amplo como o
resultado da história sócio-cultural do escritor e do leitor, considerando-o como um processo
que se efetiva sócio-histórico e culturalmente. Convivemos, portanto, com uma diversidade
de textos verbais e não-verbais, como uma foto, uma pintura, uma escultura, um filme, uma
dança, entre outros. Lembra-se dos estudos que você realizou na aula 04?
Nesse sentido, um texto não é um amontoado de palavras. Mas sim, um fenômeno
lingüístico, complexo, que se inscreve num contexto social, ideológico e dialógico, perpassado
pelos enunciados de um autor e por todos os outros enunciados que o compõe, formando
um “tecido”, advindo dos fios dialógico/ideológico.
Com base nessa perspectiva, destacamos que
na composição de quase todo enunciado do homem social – desde a curta réplica do
diálogo familiar até as grandes obras verbal-ideológicas (literárias, científicas e outras)
existe, numa forma aberta ou velada, uma parte considerável de palavras significativas
de outrem, transmitidas por um outro processo.
BAKHTIN, 1975, p. 153.
Compor um texto significa, assim, a realização de enunciados concretos numa dada
esfera da comunicação humana. E sendo assim, consiste o ponto central na constituição dos
textos, pois quando produzimos linguagem (oral ou escrita) estamos produzindo enunciados
concretos, formatados em gêneros, que discutiremos mais adiante.
Atividade 1
Enunciados
Um enunciado é a unidade
real da comunicação
verbal. Para Bakhtin (1979,
p. 293) “a fala só existe,
na realidade, na forma
concreta dos enunciados
de um indivíduo”.
sua resposta
O texto não é um resultado de inspiração. Como você entende essa afirmação?
Justifique.
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
Continuando nossa conversa...
Os textos/enunciados que produzimos são, então, perpassados por outros enunciados
que precederam, formando uma cadeia muito complexa de tantos outros enunciados/
discursos produzidos num tempo social e histórico
São, portanto, manifestações que articuladas, por meio da linguagem, veiculam valores,
integram pontos de vista, avaliações, acentos e significados de um grupo social.
Os enunciados formam a cadeia discursiva, pois “o discurso nasce no diálogo como
sua réplica viva, forma-se na mútua-orientação dialógica do discurso de outrem no interior
do objeto’ (BAKHTIN, 1975, p. 89). Nessa relação dialógica, o sujeito constitui seu discurso,
uma resposta a outros discursos já ditos e não-ditos, seja numa situação imediata, seja num
contexto mais amplo.
A palavra/enunciado é o signo ideológico por natureza de toda elaboração discursiva e nela
subjaz uma formação ideológica. Nesta direção, pode-se afirmar que não existem discursos
neutros. Todo discurso é orientado para uma resposta, que refuta, pergunta, discorda,
concorda, por que “a linguagem é grandemente pluridiscursiva” (BAKHTIN, 1975, p. 98).
Enunciação
É o processo de
transformação da língua
em discurso; processo que
supõe a interação entre o
sujeito falante, o locutor e
aquele a quem se dirige o
discurso, o alocutário.
O discurso é uma atividade do sujeito, de natureza sócio-histórica, que não se dá
apenas em relação ao aparelho formal da enunciação, mas em relação aos outros (discursos
históricos) e a situação social. É nesta atividade que o sujeito se constitui enquanto tal e
exatamente por esta atividade.
E toda a minha vida consiste em conduzir-me nesse universo, em reagir às palavras do
outro (as reações podem variar infinitamente), a começar pela minha assimilação delas
(durante o andamento do processo do domínio original da fala), para terminar pela
assimilação das riquezas da cultura humana.
BAKHTIN, 1975, p. 383
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
Atividade 2
Os textos abaixo são discursos produzidos, pela Prefeitura, em relação à
preparação dos jogos PanAmericanos que serão realizados na cidade do
Rio de Janeiro.
Obras para controle de enchentes no
entorno da área destinada ao PAN 2007
A Prefeitura do Rio, através da Subsecretaria de Águas
Municipais (Rio-Águas), órgãos da Secretaria Municipal de
Obras e Serviços Públicos, investe mais de R$ 1,4 milhão em
obras para controle de enchentes no entorno da área destinada
ao PAN 2007, na Barra da Tijuca. A área fica a 200 m do
Riocentro e do Parque Olímpico do Autódromo.
Retome a notícia “Maquiagem no Rio” da Revista ISTO É, analisada na aula
anterior (Aula 6) e responda às questões abaixo.
2
1.
O título da notícia “Maquiagem no Rio” e o slogan “Este investimento
vale ouro para a cidade” têm sentidos que se opõem? Por quê?
sua resposta
1
Que relação há entre o discurso divulgado no selo do PAN 2007 e a
notícia da Revista ISTO É?
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
sua resposta
2.
Como vimos, os discursos produzidos revelam o funcionamento dos recursos
expressivos de uma língua com determinado propósito, para dizer daquilo que se quer
assumir, defender e formar opiniões. Cabe ao leitor compreender estes discursos e adotar,
em relação a estes, uma atitude responsiva.
Voltando à conversa inicial...
Produzir um discurso é continuar agindo lingüisticamente não só em relação a um
interlocutor, mas também, sobre a própria língua.
Como já afirmamos, escrever é uma atividade discursiva, em que “cada enunciado é um
elo da cadeia muito complexa de outros enunciados” (BAKHTIN, 1979, p. 291) resultado do
fluxo da comunicação verbal, em que o próprio locutor é o respondente e pressupõe além
da existência da língua, a presença de tantos outros enunciados, sejam do próprio autor ou
de um outro.
Assimetria
A não interação entre os
pares; falta de sintonia..
Nesse sentido, de uma orientação tradicional marcada pela assimetria entre os pares,
a aprendizagem de produção de textos começa a voltar-se para a construção conjunta de
conhecimentos. Lembra-se dessa discussão na aula anterior?
A aprendizagem da escrita passa a ser vista como um processo que se realiza com a
participação ativa do outro. No dizer de Garcez (1998, p. 42)
É pela via da reflexão das práticas interativas sobre a escrita no universo escolar
que o paradigma cognitivista começa a ser superado, dando lugar às reflexões
socioconstrutivistas e sociointeracionistas.
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
O “outro” tem, portanto, vários papéis nesse processo:
n É parceiro no diálogo (mesmo a distância), e assim determina sua configuração;
n Permit
e que o eu se constitua como enunciador e compreenda sua própria
enunciação, a partir da possibilidade de compreensão do outro;
n É
o fornecedor da matéria-prima do discurso: qualquer discurso tem na sua
origem outras palavras e outras vozes que não a do locutor.
GARCEZ, 1998, p. 62
É, pois, na vertente das discussões ideológicas em grande escala, que a produção
escrita toma relevo. É em função do interlocutor e da cadeia dialógica sócio-histórica que se
estabelece a função do destinatário.
No dizer de Garcez (1998, p. 68)
A busca da compreensão, a necessidade de ser compreendido e o caráter dialógico
intrínseco ao enunciado fazem com que o sujeito que enuncia constitua para si um
possível destinatário, e de certa forma, se constitua também, transitoriamente como
esse possível destinatário num processo dinâmico e complexo de inserção na rede
comunicativa que se estabelece no sistema social.
Assim, o texto escrito, enquanto atividade significativa, constitui uma forma de relação
dialógica que ultrapassa as meras relações lingüísticas. É, portanto, uma unidade discursiva,
significativa, que tem articulações com outras esferas de valores.
Qualquer usuário da língua quando produz um texto faz uso de uma linguagem
social, pertencente a um grupo social particular e para isso faz uso, de gêneros textuais ou
discursivos, conforme a esfera de produção da linguagem.
Vale lembrar que essa questão dos gêneros será discutida detalhadamente na
próxima aula.
Assim, a atividade de escrever um gênero textual (carta, artigo científico, depoimento,
tese, memorial, entre outros), para muitas pessoas pode ser uma experiência agradável, mas
para outras pode ser muito difícil, conflitante e momento de muita tensão. Toda pessoa que
escreve está inscrita numa prática social, em que deve escolher o que, como, onde, quando e
por que vai produzir um gênero textual. Trata-se, muitas vezes, de um dilema que poderá ser
solucionado à medida que compreendermos que só escrevemos quando temos finalidades
sociais para usar a escrita, pois é assim que ela existe. Produzir um gênero só é possível
quando temos razões para escrever, quando sabemos para quem devemos escrever e para
onde vai a nossa escrita.
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
Para refletir sobre o processo
de produção textual
P
ara ajudar você a compreender como se dá esse processo, selecionamos um filme
para você assistir, que traduz essa inquietação vivida por aqueles que usam a escrita.
Você vai ver que, nem mesmo “Shakespeare” conseguiu se livrar dessa angústia,
pelo menos na ficção. Porém, ao assistir ao filme, poderemos constatar que escrever não é
mesmo uma questão de inspiração, como estamos discutindo desde a aula anterior.
Shakespeare Apaixonado
Direção: John Madden
Miramax Films / Universal Pictures, 1998
Com Gwyneth Paltrow, Judi Dench, Ben Affleck, Joseph Fiennes e
Geoffrey Rush. Vencedor de 7 Oscars, incluindo melhor filme.
Will Shakespeare está às voltas com um bloqueio de criatividade,
desesperado em busca de inspiração. É a grande era dos espetáculos
elizabetanos, mas Will não consegue entusiasmar-se a complementar
sua nova peça teatral, Romeu e Ethel, a filha do Pirata.
De repente surge Lady Viola, uma jovem rica, que gostaria de ser
atriz. Destemida, Viola disfarça-se de homem para ganhar um papel
na peça de Will, autor cujos versos a fazem sonhar. Sua máscara cai,
no entanto, quando explode a paixão.
Violeta será para Will, na arte como na vida, a perfeita Julieta.
Transformando seu amor em palavras, ele irá criar uma das maiores
tragédias de todos os tempos e começar sua escalada rumo
à consagração.
Veja agora, alguns depoimentos de pessoas que usam a escrita em seu cotidiano por
diversas finalidades:
“Escrevo para que alguém
leia. Não para guardar”.
Jô Soares
“Escreva o que você gostaria de ler.”
Claudia Perrota
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
“O que é difícil não é escrever muito; é
dizer tudo, escrevendo pouco. A concisão
e a breviedade, virtudes gregas, são meio
caminho para a perfeição.”
Julio Dantas
“Escrever é uma luta. Uma luta que pode ser vã, como disse o poeta, mas
que lhe toma a manhã. E a tarde. Até a noite. Luta que requer paciência.
Humildade. Humor.”
Lygia Fagundes Telles
Atividade 3
E você? O que diria sobre o ato de escrever. Como você pode perceber há um
espaço, especialmente, para que você possa escrever seu depoimento.
Aluno (a)
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
Continuando nossa conversa...
Em nossa trajetória escolar colecionamos alguns preconceitos a respeito da escrita.
Ninguém saiu imune a esse conjunto equivocado de crenças e influências negativas sobre a
tarefa de escrever.
É muito comum, em nossas andanças, como professoras, ouvirmos depoimentos de
alunos confirmando a dificuldade que sentem para produzir um texto, fruto talvez dessas
falsas crenças, o que os fazem introjetar que nunca serão bons escritores, que escrever é
tarefa complexa e que só alguns nascem com esse dom.
Você pode ser um desses que adota essas premissas e acredita que não há formas de
melhorar seu desempenho. Se não é, parabéns!
Na visão de Lucília Garcez (2002), esses equívocos são cristalizados em verdadeiros
“mitos que cercam o ato de escrever”, sendo mais devastadores os que levam alguém a
acreditar que escrever é: um dom; um ato espontâneo que não exige empenho; uma questão
que se resolve com “dicas”; um ato isolado; algo desnecessário do mundo moderno; um ato
desvinculado das práticas sociais. Porém, não é verdade, pois escrever
10
n é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm;
n é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo;
n exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas”;
n é uma prática que se articula com a prática da leitura;
n é necessário no mundo moderno;
n é um ato vinculado a práticas sociais.
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
Atividade 4
Aprendemos que a escrita é uma prática social e que por meio dela atuamos
no mundo, defendemos pontos de vista, reagimos aos discursos com os quais
nos deparamos e usamos formas de escrever para interagir nesse meio social.
Como professor(a) de Geografia, como aluno de um curso de Ensino Superior
ou mesmo como cidadão ou cidadã na vida cotidiana, você tem necessidades,
em algumas situações singulares, de usar a escrita, de produzir textos.
São exatamente essas situações sociais que levam você a saber sobre o que vai
escrever, como escrever e, principalmente, que formato vai dar à sua escrita, ou
seja, que gênero vai escolher para dizer o que quer dizer.
Assim, nesta atividade, nós vamos criar uma situação social para o uso da escrita.
Para tanto, nós vamos sugerir um gênero textual de fácil reconhecimento e de
uso efetivo em sua prática cotidiana. Siga, então, as orientações que seguem e
elabore a produção textual sugerida:
Situação: Você foi convidado para assistir ao Pan 2007 na cidade do Rio de
Janeiro. Você foi, mas na sua viagem de volta, sua bagagem ficou retida no
aeroporto. Portanto, para você consegui-la de volta, terá que escrever uma carta,
solicitando ao gerente da empresa de aviação a devolução de sua bagagem.
Gênero textual: carta de solicitação
sua resposta
Avaliando sua produção textual: leia sua carta para um colega, discuta sobre
sua produção e veja se ele sugere alguma modificação. Se for o caso, incorpore
as sugestões e passe a limpo sua carta. Depois registre aqui no seu material.
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
11
sua resposta
12
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
Leituras complementares
Sugerimos como leituras fundamentais para o aprofundamento da conversa que iniciamos
nesta aula:
KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2003.
Esta obra trata de questões sobre texto e linguagem, trazendo reflexões que constituem
o fato da atenção dos estudiosos na área de Lingüística Textual, abordando a construção
textual dos sentidos, tanto em relação à produção quanto de compreensão.
MATÊNCIO, Mª de L. M. Leitura, produção de textos e a escola: reflexões sobre o processo
de letramento. Campinas: SP: Mercado de Letras, 2000.
A autora apresenta uma reflexão sobre a relação entre o ensino de literatura e escrita
na escola, apresentando caminhos para que os alunos se apropriem de práticas que os
remetam à autoria de textos significativos.
Resumo
Texto significa tecido, e como tal, é nesse cruzamento de fios que se dá a
tessitura do que produzimos. Ao elaborar um texto, imprimimos as nossas
experiências históricas, sociais e culturais. O ato de escrever, como atividade
discursiva, tem seu lugar social e, conforme a intenção do autor, exerce influência
direta sobre os grupos sociais que se articulam por meio da linguagem. Ao
escrever, estabelecemos um caráter dialógico elegendo um destinatário, para
que num processo dinâmico e complexo de inserção na rede discursiva, se
efetive a interlocução no sistema social. Alguns mitos se cristalizam a respeito
da escrita, porém são desmitificados por meio das teorias interacionistas e
enunciativo- discursivas que mostram ser a tessitura do texto um processo de
natureza dialógica-ideológica, e não, um produto final.
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
13
Auto-avaliação
Leia as afirmações a seguir e teça comentários.
Seus comentários ajudarão você a identificar os pontos positivos de sua aprendizagem
e também os aspectos que você ainda deverá melhorar. Assim, avalie seu desempenho como
aluno nesta aula.
O texto não é um aglomerado de frases.
Pela escrita atuamos no mundo, nos relacionamos com o outro
e nos constituímos como autores e sujeitos enunciadores.
14
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
Referências
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1979.
_____ Questões de Literatura e de Estética: a teoria do romance. São Paulo:
UNESP, 1979.
BRAIT, B. Estudos enunciativos no Brasil: histórias e perspectivas. Campinas, SP:
Pontes. 2001.
BUNZEN, C. e MENDONÇA, M. (Orgs.) Da era da composição à era dos gêneros: o ensino
de produção de textos no ensino médio. In: Português no ensino médio e formação do
professor. São Paulo: Parábola editorial, 2006, p. 139-161.
FÁVERO, L. L. e KOCH, I. Lingüística Textual: Introdução. São Paulo: Cortez, 1983.
GARCEZ, L H. do C. A escrita e o outro: os modos de participação na construção do texto.
Brasília: UnB, 1998.
_____ Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. São Paulo:
Martins Fontes, 2002.
GERALDI, J. W. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
GOMES-SANTOS, S. N. Recontando histórias na escola: gêneros discursivos e produção
escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2003.
PERROTA, C. Um texto para chamar de seu: preliminares sobre a produção do texto
acadêmico. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
Fontes e créditos de imagens
n P.
5, Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/smo/ Consulta em 05/05/2007.
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
15
Anotações
16
Aula 07 Leitura, Interpretação e Produção Textual
SEB/SEED

Similar documents

Projeções cartográficas

Projeções cartográficas superfície da Terra tem uma forma esférica e quando desenhamos um mapa estamos fazendo um recorte de uma porção dessa superfície, o que nos permite fazer a representação cartográfica em papel ou em...

More information