Ana Cristina Oliveira em entrevista O Power

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Ana Cristina Oliveira em entrevista O Power
pure/
Pure Magazine / Edição 002 / INVERNO 2008
Ana Cristina Oliveira em entrevista
O Power Dressing
Do Punk aos “Emos”
Diana Vreeland
Moda
Cinema: “Flashdance”
/
/
/
EDITORIAL
FICHA TÉCNICA
COLABORADORES
A moda mais que nunca está a tornar-se global, a
miscelânea de tendências que surgem estação após estação
é o espelho da fusão de culturas alimentada pelas novas
tecnologias que permitem a circulação de informação
pelos quatro cantos do mundo em tempo quase real. Uma
onda de revivalismos apoiada noutras décadas levantam
questões como: “Não haverá mais nada a inventar?”
Independentemente das múltiplas respostas a esta
questão, a verdade é que a primeira década do século
XXI, é sobretudo uma década revivalista caracterizada
por um revisitar do passado ou um “ressurgimento de
ideias, modas ou tendências que fizeram parte do
passado”, mas com a característica de não deixar de ser
actual. Afinal é esse o papel da moda, ser o mais actual
possível mesmo que se inspire no passado.
Assim, decidimos dedicar este número aos anos 80,
tendência que tem sido trabalhada há algumas estações
por diferentes criadores e que continua mais presente
que nunca para o próximo Out./Inv. Mas, nem só a moda
tem abordado os anos 80, os valores da sociedade actual
aproximam-se dos da década e áreas como o cinema ou a
música têm ressuscitado imagens de super-heróis ao som
de batidas rítmicas de MC Hammer.
Do ponto de vista pessoal devo confessar que os anos 80
são uma das minhas décadas favoritas. Se por uma lado há
histórias suculentas com sabor a “patchouli”, “tigresse”
e “rose bonbon” (na mais kitsch versão), por outro lado
temos referências vanguardistas de criadores orientais
que marcaram esta década com ideias conceptuais e
intelectualizadas. Estes dois extremos são de facto
interessantes e no mínimo inspiradores.
Alber Elbaz para Lanvin, Marc Jacobs para Vuitton, Ivana
Omazic para Celine, Stefano Pilati para Yves Saint
Laurent, entre outros, mostram-nos como os anos 80 podem
reviver-se com sofisticação e bom gosto e…
é impossível dizer que não!
DIRECÇÃO / EDIÇÃO
Helga Carvalho
DESIGN GRÁFICO
Paulo Condez
SARA GOMES
Nasceu em Lisboa em 82. Estudou pintura e design gráfico nas Belas
Artes em Lisboa. Depois de um ano em Madrid a comer tortilha e
estudar serigrafia decidiu trocar os computadores pelas câmeras.
As suas paixões incluem um gato branco chamado Lula, discos de
vinyl, serigrafia, iogurte grego, aeroportos e revistas.
www.designedbynada.com
www.thesecondbushome.com
www.helgacarvalho.com
COLABORADORES
Edição/Texto
Ana Rita Clara
Brígida Ribeiros
Carlos Natálio
Ema Mendes
Francisco Vaz Fernandes
Joana Teodoro
Milene Matos
Michele Santos
Patrícia Cruz
Tiago Santos
Rita Tavares
Sandra Dias
Sara Andrade
Sónia Abrantes
Fotografia
Luís de Barros
www.luisdebarros.com
Ricardo Cruz
www.ricardo-cruz.com
Sara Gomes
www.lecadavre.com/thesecondbushome
JOANA TEODORO
O design de moda tem cumprido uma importante função ao longo da
sua vida. Desenvolve actualmente uma colecção de peças recicladas
de marca própria, Ladybug Recycled. Faz atendimento personalizado
na reciclagem de peças únicas. A reciclagem e o design sustentável
começaram a abrir-lhe outros horizontes há aproximadamente 2 anos.
CARLOS NATÁLIO
(Lisboa, Portugal, 1980) Licenciado em direito, frequenta
actualmente o último ano do curso de cinema na Escola Superior
de Teatro e Cinema. Escreve regularmente sobre cinema em
diversos sites. As suas áreas de especialização são a montagem
e o argumento. Actualmente estagia na Cinemateca Portuguesa no
Departamento de Programação.
EMA MENDES
Nasceu em Lisboa em 1979. Cedo desenvolveu interesse pelas artes
em geral mas nunca pela moda, tendo esta entrado quase ao acaso
na sua vida em 1998 quando ingressou na Licenciatura em Design
de Moda da Faculdade de Arquitectura de Lisboa. A moda passou
a ser um ponto de interesse. Tem vindo a colaborar com várias
publicações portuguesas e tem feito guarda-roupa de teatro, vídeo
clips e publicidade. Actualmente está mais ligada à imprensa e
publicidade, e estreia-se na Pure Magazine com um pequeno resumo
de tendências para a estação de Inverno de 2008/09.
Helga Carvalho
foto capa:
Ana Cristina veste vestido em cetim, ALEKSANDER PROTICH
Ana CRISTINA fotograda por Ricardo Cruz / Styling Helga Carvalho
BRÍGIDA RIBEIROS
Nasceu em Faro em 1975. Estudou design de moda na Faculdade de
Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e design e marketing
de Vestuário (Pós-Graduação) na Universidade do Minho. Concluiu a
licenciatura com um estágio em Paris, no gabinete de tendências
Peclers, onde colaborou como freelancer. Esteve ligada a projectos
de acessórios de moda e fez visitas guiadas ao Museu do Design
(CCB). Lecciona desde 2002, design de moda e desenho, na Escola
Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo
Branco, na licenciatura em Design de Moda e Têxtil. Vive em Lisboa
e em Castelo Branco.
www.puremagazine.pt
/
s
n
a a cri tina oliveira
Uma agência de modelos japonesa descobriu-a aos 17 anos, em Portugal,
através da Central Models. Desde então nunca mais parou. Trabalhou
em cidades como Milão, Paris, Nova Iorque e Tóquio, mas escolheu
Los Angeles para viver. Quem não se lembra da jovem irreverente
do anúncio da Levi’s que entra numa casa de banho de uma estação
de serviço e muda de visual? Ana Cristina Oliveira está agora a
trabalhar como actriz onde também promete dar cartas.
por Milene Matos Silva
Ana Cristina veste vestido em crepe com aplicação de lantejoulas ao nível do ombro, RICARDO PRETO
FOTOGRAFIA RICARDO CRUZ / STYLING HELGA CARVALHO / MAQUILHAGEM NÁNÁ BENJAMIM / ASSISTIDA POR CAROLINA ARCHER @A.R. ATELIER COM PRODUTOS
HAKANSSON / CABELOS DAVID SIMÃO PARA GRIFFE HAIR STYLE / MODELO ANA CRISTINA OLIVEIRA - CENTRAL MODELS
Ana Cristina veste casaco em malha com capuz, PEDRO PEDRO
Ana Cristina veste vestido em cetim, RICARDO DOURADO
Ana Cristina veste vestido em cetim, ALEKSANDER PROTICH
Ana Cristina veste vestido em malha e lurex, LUÍS BUCHINHO, €380
Ana Cristina veste vestido assimétrico em lantejoulas, NUNO BALTAZAR
Ana Cristina veste vestido em feltro, A-FOREST DESIGN
Ana Cristina veste vestido em fazenda de lã com aplicações de botões em madrepérola, DINO ALVES, €300
Ana Cristina veste vestido com detalhes em lurex, ALEXANDRA MOURA, €135,69 / Chapéu em feltro, HOSS, €60
Ana Cristina veste vestido em crepe com aplicação de lantejoulas ao nível do ombro, RICARDO PRETO
Aos 17 anos foste trabalhar para
o Oriente, não sentiste um choque
cultural?
Quando saí de Portugal pensava que ir
até ao Japão era bom. Mas lembro-me
que nas primeiras duas semanas estava
em choque. Andar de metro era labiríntico. Não conseguia identificar
nada porque era tudo em caracteres.
A primeira vez que vi Sushi foi no
Japão, em 1991. Aqui nem sequer havia
um MacDonalds, muito menos Sushi.
Lembro-me que era horrível tentar
ter uma conversa e na mais pequena
palavra ter que se recorrer ao dicionário. O último ano que estive em
Tóquio foi no início de 1993 e nunca
mais lá voltei.
Depois disso todo o teu percurso
profissional esteve relacionado com
o mundo da moda. Quando apareces no
anúncio da Levi’s, com dimensão internacional e com bastante reconhecimento, é aí que procuras ser actriz?
Até ter feito o anúncio da Levi’s,
estive de um lado para o outro, entre
Paris, Milão e Nova Iorque. Pontualmente, ia a Los Angeles. Uma cidade
que eu sempre adorei. A Europa acalma
sempre no Verão e em Nova Iorque
reflecte-se também uma quebra. Mas,
Los Angeles mantém-se sempre em funcionamento durante o todo o ano. Por
isso, resolvi criar mais bases em Los
Angeles. Aliás, o casting da Levi’s,
que foi levado a cabo em várias
cidades, como Nova Iorque, Londres,
e eu fi-lo em Los Angeles. Na altura
nem pensei muito, era mais um casting.
Estava na Austrália a passar uma temporada quando me começaram a avisar
que teria que regressar para fazer
um segundo casting. Até aí não sabia
se o anúncio iria ser internacional.
Só tive a noção do impacto quando
começou a passar.
E o curso de representação e a vontade
de representar surge com o anúncio?
Sim, um pouco. Foi um empurrão.
Como é que foi o regresso a Portugal
e a participação em filmes como o
Odete, de João Pedro Rodrigues, sendo
que continuas a viver em Los Angeles?
Como é que foi trabalhar aqui com
realizadores portugueses?
Não tenho qualquer problema em trabalhar em qualquer lado desde que
goste do argumento.
Mas é muito diferente trabalhar em
produções de Odete ou a de Miami
Vice?
É diferente ao nível da produção.
Mas, tenho um carinho especial pelo
filme Odete. É muito raro estar-se
numa equipa em que se gosta de toda a
gente. Adorei trabalhar com o realizador, João Pedro Rodrigues, porque
acho que ele é uma pessoa especial.
Apesar de ser uma produção pequena.
E o filme Odete trouxe-te um reconhecimento internacional, em 2005?
Estava em Los Angeles quando me
telefonaram a avisar que tinha ganho
o prémio de melhor interpretação
“Janine Bazin”. É sempre bom ganhar
um prémio, ter algum reconhecimento.
Os teus projectos passam por trabalhar mais em Lisboa, com realizadores portugueses, ou preferes
continuar em Los Angeles?
Apesar de continuar a viver lá,
sei sempre através da minha agente
o que se faz por cá, o que está em
pré-produção.
E como actriz de teatro?
O teatro e o cinema são mundos completamente diferentes. A maior parte
dos actores diz que o teatro é que
é a base. Não tenho nada contra o
teatro e posso até fazer, mas prefiro muito mais fazer cinema. Prefiro
a loucura do cinema ao snobismo do
teatro. Dentro desses dois mundos de
representação, as técnicas são muito
diferentes. No teatro há princípio,
meio e fim. No cinema filma-se com
uma equipa. No teatro, estamos apenas
com o encenador e os outros actores,
o que se torna aborrecido.
Ainda fazes algumas produções de
moda?
Ainda faço algumas. Não digo que não.
Mas, entretanto, segui outros caminhos e como já não faço o circuito da
moda, como estar nas cidades essenciais, não tenho tantas propostas.
Mas estás em Los Angeles e isso
permite-te uma aproximação ao mundo
do cinema?
Sim, mas hoje em dia já não está tudo
centralizado. Com o cyberworld já não
há centralidades.
Em relação à moda, sentes-te influenciada por aquilo que está na moda?
Depois destes anos todos a trabalhar
em moda, claro que vou vendo revistas e as tendências. Mas não sigo
a rigor, por exemplo não tenho os
must-haves. Só se ficar apaixonada
por uma peça.
Há algum criador internacional que se
destaque para ti?
Não tenho nenhum favorito. Consigo
eleger algumas peças ou acessórios
de alguns criadores. Nos últimos
anos tenho encontrado muitas peças de
Balencianga de que gosto imenso.
E um criador que te tenha marcado na
época em que trabalhavas como modelo?
Houve uma altura em que era fiel a
Calvin Klein porque vivia em Nova
Iorque e fazia muito desfiles para
ele. Tem um lado descontraído de que
gosto.
E nacionais?
Não conheço os novos criadores. Os
mais antigos são-me familiares, como
Ana Salazar, António Tenente ou
Nuno Gama. Mas já saí de Portugal há
muitos anos. A última Moda Lisboa em
que participei foi, julgo, em 2004.
Perdeste-te nas compras?
Não, odeio experimentar roupa. Sei
mais ou menos o meu número. Se comprar um vestido normalmente penduro-o
com o cabide no meu pescoço. Odeio
experimentar roupa talvez porque
trabalhei em moda e estava sempre a
experimentar, a vestir e a despir.
Em casa de ferreiro espeto de pau…
Acho que se pode ir por dois caminhos. Pode-se escolher estar sempre
atento e comprar a mala da X ou as
calças de determinada marca. Ou pode-se escolher um caminho mais simples
e não se ser refém da moda.
/
news
Nike
e Here I Am
Pestanas de Viktor & Rolf
para Shu Uemura
Colecção de arte
de Yves Saint Laurent
“Kapsule”
de Karl Lagerfeld
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de Sarah Moon
Trinta anos de História
de YSL Beauté
No seguimento da campanha europeia
“Here I Am”, iniciada no passado
mês de Fevereiro, a Nike Women
apresenta o livro com o mesmo
nome. Composto por histórias
reais e fotografias de várias
atletas internacionais, “Here I
am” pretende atrair mulheres de
todas as formas e idades para
o desporto. Baseado nos relatos
pessoais de desportistas como
Maria Sharapova, Vanessa Fernandes
e Fabienne Nadarajah, esta
publicação mostra o impacto que o
desporto tem na vida das mulheres
e que mesmo o hóquei e o judo não
lhes retira o lado feminino. “Here
I Am” foi criado pela agência de
publicidade Wieden + Kennedy em
Amsterdão, em colaboração com a
equipa de relações públicas da
marca, sendo que, de acordo com
os directores criativos daquela
agência, o livro consegue provar
como a ginástica reforça a auto-estima física e psicológica das
mulheres. De edição limitada e
indisponível para compra, esta
colectânea será oferecida a
atletas e personalidades do meio
cultural, estando exposto em todas
as lojas Nike Women da Europa. As
mais interessadas poderão ganhar
uma cópia através da consulta do
site da Nike Woman.
Uma edição limitada de pestanas
falsas em forma de clips, com
losangos ou de um comprimento
irreal, está disponível na loja
Colette em Paris. Criadas pelos
costureiros Viktor & Rolf para
o guru da cosmética Shu Uemura,
a fusão entre alta costura e
maquilhagem resulta nos modelos
“Wing”, “Rhombus” e “Swirl”. De
efeito dramático, a colecção
de V&R para vestir os olhos foi
inspirada nos personagens Arlequim
e Pierrot e custam 124.92 € o par.
Vão ser vendidas as peças de
arte do recentemente falecido
YSL e do seu sócio Pierre Bergé.
Os fundadores da casa de alta
costura reuniram ao longo de 40
anos uma colecção estimada em
599 milhões de dólares. As peças
serão leiloadas pela Christie`s
em parceria com a Pierre Bergé &
Associados, a leiloeira francesa
de Pierre Bergé. O “Art Newspaper”
anunciou que o espólio reúne
peças de uma grande variedade
de artistas contemporâneos e de
mestres mais antigos. Estão em
causa obras em esmalte, estatuetas
da Renascença, móveis Art Déco
e quadros de Picasso, Wharol,
Matisse e Goya, entre outros.
Quanto à data sabe-se que será em
Fevereiro do próximo ano.
O costureiro que criou perfumes
como KL, Photo e Lagerfeld
Classic, irá lançar no final de
Outubro as fragrâncias “Kapsule”.
Da parceria entre Lagerfeld
e a Casa Coty, nasceram três
perfumes que podem ser usados
individualmente ou combinados.
“Light”, “Floriental” e “Woody”
assentam no conceito do “roupeiro
cápsula” (conjuntos de estilos
e cores que criam um guarda-roupa básico adequado a qualquer
ocasião). Assim, da mesma forma
que de um roupeiro se podem
retirar inúmeras combinações de
roupa, estes aromas permitem
criar perfumes à medida. Basta
imaginação para misturá-los como
e nas doses que se quiser. Para
Lagerfeld, cujos aromas preferidos
são o de pão fresco, baunilha
e madeira, a moda depende dos
perfumes e o número destes nunca
será suficiente.
A fotógrafa de campanhas da Vogue,
Comme de Garçons e Cacharel,
reuniu em cinco volumes mais de
400 imagens impressionistas que
revelam o seu mundo imaginário e
estilo peculiar. Da experiência
publicitária e pessoal, a também
ex-modelo Sarah Moon criou estes
livros a partir de fotografias
de curtas e longas metragens
realizadas pela autora, com
destaque para o filme “Mississipi
One”, de fotografias de moda e
outras imagens captadas entre
1990 e 2000. Com textos de Alain
Fleischer, Robert Delpire e da
própria Sarah Moon, os volumes
incluem ainda entrevistas e um
DVD de 95 minutos. Publicado
pela Thomas & Hudson, o conjunto
destes volumes de capa mole serão
vendidos numa caixa de cartão
a partir do próximo dia 13 de
Outubro.
Ao criar a marca YSL Beauté, em
1978, Yves Saint Laurent explicou:
“faltava um rosto na mulher que
visto”. Grafismo e côr em forma de
blush, sombra ou batom, fez com
que todos os produtos da marca se
afirmassem pela sedução-emoção de
que se faz a individualidade de
cada mulher.
Os trinta anos de história de
maquilhagem contam-se através da
personalidade YSL e das embalagens
douradas que se assumiram como
ícones da marca. Assim, a YSL
Beauté faz uma retrospectiva dos
produtos que marcaram as 3 últimas
décadas, destacando o batom
“Rouge Pur” lançado no fim da
década de 70, o lápis “Dessin dês
Lèvres” de 1980, o disfarçador de
olheiras “Touche éclat” surgido
em 1996 e o “Gloss Pur” nº 49
de côr preta para o Inverno de
2008. As modelos Coco Rocha e
Kate Moss são os dois rostos
bem diferentes das campanhas YSL
para esta estação, os quais,
segundo Val Garland, conselheira
artística desta linha de
maquilhagem, mostram como a YSL
se adapta aos diferentes tipos
de mulher. O sucesso explica-se
pelo lançamento regular de novos
produtos, imagem da marca e a
confiança adquirida pelas clientes
e traduz-se no slogan “em cada
mulher, há uma mulher YSL”. É mais
uma celebração que homenageia o
criador no ano da sua morte.
www.nikewomen.com
Maria Sharapova por Alyse Altikov
www.colette.fr
Monette pour Comme des Garçons, Por SARA MOON
Diferentes campanhas publicitárias
de YSL Beauté
por Patrícia Cruz
/
s
ano 80
1
O Power Dressing, e o regresso dos anos 80.
por Rita Tavares
Se a moda dos anos 70 fica marcada por um desejo
de autenticidade, de regresso ao natural e de auto-realização, nos anos 80 o culto do êxito e a ideia
de que tudo era possível, que se manifesta também em
todos os outros domínios da sociedade, vai marcar
profundamente a moda e introduzir novos conceitos
nesta área. A demografia mudou a face da sociedade.
O mercado dominante estava a tornar-se mais velho e
era também financeiramente mais seguro. As pessoas
viviam mais e faziam por parecer mais novas ao mesmo
tempo. O boom económico marca esta década a todos os
níveis. As velhas indústrias morreram, enquanto as
novas tecnologias desenvolviam e explodiam. O cartão
de crédito encorajava ao consumo depois de anos de
recessão. Comprar tornou-se a palavra de ordem.
A moda transforma-se. Passa a ser definitivamente
internacional. A Alta-Costura francesa deixa de ser
a tendência dominante. Em todos os países do mundo
começam a desenvolver-se estilos próprios, que se
estendem para além das próprias fronteiras. Inglaterra,
Itália e Alemanha tornam-se verdadeiros países
produtores de moda. Os EUA enviam para a Europa um
vestuário clássico e desportivo, enquanto que do
Japão chegam tendências vanguardistas.
No dia a dia, a elegância simples e funcional ganha
força e torna-se a tendência dominante. No entanto,
o traço mais característico da moda dos anos 80 é
a coexistência dos mais diversos estilos. É nesta
década que o mundo da moda se despede finalmente da
ideia de que moda significava um só estilo, uma só
tendência. Impõe-se a partir daqui a diversidade
de estilos. Yuppies, punks, novo romantismo, power
dressing, vestuário desportivo… A originalidade
artística, tal como já acontecia em outras áreas,
consiste em saber utilizar as citações e relacioná-las umas com as outras. Assim, o indivíduo deixa de
ser uma entidade claramente definida para ser colocado num contexto histórico variável.
A onda nostálgica de outras décadas perde-se nos
anos 80 e dá lugar à introdução de elementos lúdicos e inspiração em épocas passadas, agora de forma
evidente e simultaneamente irónica. A abordagem de
estilos de moda históricos adquiriu uma nova qualidade, o que deu origem a uma espécie de historicismo
híbrido: já não se tratava de recriar um estilo,
pois nenhum estilo era citado no seu todo. Antes
pelo contrário, pegava-se em elementos de diferentes
origens que eram montados de forma nova e davam origem a algo de extremamente moderno. A moda começou a
desenvolver-se no mesmo sentido que a arquitectura
e as belas artes. O passado deixa de ser eternizado
para ser reanimado.
Madonna é um óptimo exemplo de conjugação de vários
elementos de forma original. Consegue jogar com todos os tabus e preconceitos, utilizando o seu corpo
como objecto altamente sexualizado e simultaneamente
“domesticado”. O seu corpo não é feminino no sentido
natural do termo, resulta de sessões de aeróbica,
musculação e dietas, um facto que não é dissimulado, antes pelo contrário, é exibido abertamente.
A mulher ideal dos anos 80 era esguia, musculada e
ambiciosa, com êxito a nível profissional e pessoal. Enquanto Madonna ou Grace Jones propagavam uma
imagem de feminilidade nova, bastante mais dura,
as estrelas da música pop masculinas cultivavam um
estilo de ambiguidade sexual. Artistas como Boy
George, Prince ou Michael Jackson acentuavam o lado
mais feminino com vozes agudas e suaves e a cara
muito maquilhada. Era uma imagem completamente nova
e muito erótica da masculinidade, encarada como provocação, mas ao mesmo tempo muito copiada.
Não só recriou a moda fetiche e o brilho algo frívolo dos clubes nocturnos e das estrelas de Hollywood,
Madonna contribuiu também para introduzir elementos
desportivos na moda dos anos 80. A aeróbica torna-se
o desporto da moda e com ela surge toda uma indumentária muito própria: calças de lycra coloridas
e brilhantes, maillots justos, faixas para a testa,
legwarmers e calçado especializado. Esta moda
desportiva não tardou a chegar às ruas. O vestuário
desportivo era muitas vezes combinado com sapatos
de salto alto ou blazers. Os ténis tornaram-se no
calçado de lazer por excelência e eram usados com
calças de ganga em quase todas as ocasiões.
Além da moda desportiva que deixou de estar reservada para os momentos de lazer e do vestuário luxuoso para a noite, apareceu ainda outra variante de
vestuário destinada às mulheres de sucesso cujo lema
era “Dress for Success”. As mulheres conseguiam
conquistar de forma natural quase todos os domínios
da vida profissional e empenhavam-se em atingir o
topo das suas carreiras. O vestuário masculino era a
inspiração e a mulher tornava-se invisível como ser
sexual para exaltar antes a sua competência profis-
2
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7
sional. O Power Dressing pôs as mulheres a usar
tailleurs, blazers compridos com os ombros largos
e acentuados por enchumaços, a combinar com saias
justas à altura do joelho, ou calças com pregas, e
sapatos de salto alto simples e elegantes.
Séries como Dinastia e Dallas são também forte
influência para formar a imagem tipo da mulher
dos anos 80. A roupa é utilizada para definir o
carácter, as personagens mais fortes usam um vestuário que acentua as formas, a “verdadeira senhora”
usa cores discretas e vestidos elegantes e que quase
não marcam o corpo.
Todas estas influências fazem com que surja uma
nova silhueta que marca impreterivelmente toda a década de 80. Os ombros do vestuário feminino tornam-se cada vez mais largos, indicador claro da masculinização da moda.
Desportivismo, êxito e espírito de iniciativa eram
características marcantes da sociedade americana
nos anos 80. É a grande década da moda americana,
pois esta corresponde em pleno ao espírito da época.
Donna Karan, Calvin Klein ou Ralph Lauren tornam-se
nomes com êxito mundial. Com um vestuário que vai
de encontro às necessidades das mulheres da década
de 80, Donna Karan é considerada a essência do estilo discreto, mas também confortável e simultaneamente correcto. As ideias conceptuais de Donna Karan
tinham como base simplificar a vida com a ajuda
do vestuário. A criadora dedica o seu trabalho às
“young urban professionals”, mulheres independentes
que vivem e trabalham nas grandes metrópoles. Calvin
Klein é o primeiro criador a comercializar calças de
ganga com o seu nome. Com a crescente importância
do estilo desportivo, era necessário adquirir umas
calças de ganga para estar na moda e este facto por
si só serviria de justificação para o crescente êxito
da marca nos anos 80. Mas nesta década, a marca
decide alargar as suas colecções e começa a criar
vestuário para escritório num estilo simultaneamente
clássico, desportivo e elegante.
“Não acredito no bom gosto”. A frase é de Gianni
Versace e ilustra bem aquilo que se passa na moda
europeia nos anos 80. Não há regras para as variações no estilo, vale tudo, sempre com a mulher como
centro das atenções. Thierry Mugler desenvolve um
trabalho de silhuetas extremamente elaboradas, com
cinturas muito finas e acentuadas por aplicações
de cor nos lados, bustos que lembram esculturas e
calças e saias muito justas. Um estilo hiperfeminino
que frequentemente se inspira na moda fetichista,
mostrando mulheres fortes e dominadoras. Nenhum
outro criador tem tão pouco receio do kitsch e do
que é considerado mau gosto como Jean Paul Gaultier.
Provocador e com um sentido de humor apurado, brinca
descaradamente com os sexos, criando a partir daí
ideias novas. Lagerfeld é o responsável pela nova
imagem da Chanel nos anos 80. Conseguiu rejuvenescer
o estilo da casa, conservando os elementos tradicionais do típico estilo Chanel, mas adicionando uma
elegância muito lúdica e um perfeccionismo absoluto.
“Um cortejo fúnebre a seguir a uma guerra nuclear.” Esta foi a definição da imprensa para o
primeiro desfile da marca Comme des Garçons em
Paris, em 1981. Além da marca de Rei Kawakubo,
estabelecem-se também nesta altura em Paris nomes
como Issey Miyake, Yohji Yamamoto e Kenzo. A chegada
dos criadores japoneses à Europa nos anos 80 marca
o início de uma revolução do conceito ocidental de
corpo e de vestuário. Caracterizada por silhuetas
completamente surpreendentes e por efeitos especiais, a moda japonesa coloca em primeiro plano materiais invulgares e vive em função do corpo.
Esta mescla de influências e estilos da década
de 80 pode bem ser a explicação para a constante
reinterpretação de pormenores desta época na moda
actual. Apesar de vivermos tempos em que a tendência
é não limitar as colecções a uma única tendência,
certo é que os anos 80 têm sido tema recorrente nos
desfiles das últimas estações de várias casas de
moda. Os ombros largos e marcados em Nina Ricci, a
silhueta marcada e agressiva em Lanvin e Yves Saint
Laurent, as formas extremamente geométricas em Louis
Vuitton, são exemplos claros do regresso aos anos 80
para Outono/Inverno 2008/09. A isso não será alheio
o facto de vivermos de novo uma época em que as
mulheres assumem o lado profissional com cada vez
mais protagonismo. Depois de algumas temporadas em
que a mulher aparecia com um aspecto frágil e naif,
cria-se agora uma nova imagem para a mulher actual,
com o culto do corpo a ganhar de novo importância,
ainda que de uma forma menos masculina, e o assumir
de uma nova força e agressividade, tanto no trabalho
como a nível pessoal.
1 Colecção Outono/Inverno 08/09, Paris, Nina Ricci / 2 “Keep Fit” Welness Studio, 1983. “Icons of Fashion, The 20th Century”. Prestel /
3 Rei Kawakubo designs, 1981. B.T. Batsford - London. Fashions of a Decade the 1980’s / 4 Campanha publicitária de Giorgio Armani Senhora,
Outono/Inverno 84/85. “Icons of Fashion, The 20th Century”. Prestel / 5 Yohji Yamamoto, vestido com pormenor em tule. Campanha Publicitária,
Outono/Inverno 86/87. “Icons of Fashion, The 20th Century”. Prestel 6 Look “Fauve”, Yves Saint Laurent Beauté, Outono/Inverno 1986/87 /
7 Colecção Outono/Inverno 08/09, Paris, Lanvin / 8 Colecção Outono/Inverno 08/09, Paris, Louis Vuitton / 9 Madonna. B.T. Batsford - London.
Fashions of a Decade the 1980’s / 10 Comme dEs Garçons, Daytime wear’ 1981. “Icons of Fashion, The 20th Century”. Prestel / 11 Colecção
Outono/Inverno 08/09, Paris, Yves Saint Laurent
8
9
10
11
/
onde estavas…
Num período de mudança, em que os jovens viviam
intensamente e unidos pela música, um boom de
criatividade invade Portugal, são os anos 80!!
Para percebermos melhor como aconteceu,
conversámos com quatro individualidades.
por Sandra Dias
O que representaram para ti
os 80’s?
Uma época muito marcante na
minha juventude, de excessos a
todos os níveis, de boa música e
de viragem de valores. Fazíamos
tudo como se não houvesse
amanhã.
Tiveste alguma peça ou acessório
que representasse a tua
individualidade?
O “Perfecto”, comprado em
Paris, que pesava imenso. E
mesmo depois de já ter comprado
outros, mais recentemente, ainda
o tenho guardado.
Que importância teve a moda nos
anos 80?
Sempre gostei de roupa, e foi
nos anos 80 que começou a minha
grande história de amor com a
moda.
Se se fizesses uma ilustração
tua dessa década como estarias
vestida?
Com um “Perfecto” sexy, uma
saia muito rodada, com tule por
baixo, e com All Star.
Quais foram as tuas influências
na altura?
O Pedro Luz, que conheci aos 16
anos na inauguração do Frágil
e com quem comecei a trabalhar
para a Mashe, e o Manuel Reis
pelo seu trabalho e como
impulsionador das artes.
O que recuperarias dessa década?
O estar com os amigos, mas sem
os excessos de bebida e drogas.
Helena Assédio
44 anos, Editora de Moda
da revista Máxima
Sentes alguma nostalgia dos 80’s?
Sinto saudades. O tempo parecia
interminável ao ouvir música e
a dançar.
Profissão nos Anos 80:
Estudante e fiz de tudo
um pouco: fui aderecista;
fiz roupa; vendi roupa;
tive um showroom…
Mudavas muito de visual?
Vestia roupa de criadores
nacionais e sempre a rigor para
sair à noite. Sempre fui adepta
dos jeans e tinha o cabelo muito
comprido, pela cintura, que usei
até aos 30 anos.
Notavas algum preconceito, por
parte das pessoas que não eram
do teu círculo de amizades,
relativamente ao teu visual?
Algumas pessoas fascinavam-se
pela minha aparência mas os
meus antigos amigos do Restelo
deixaram de falar comigo.
E os teus pais aceitavam a tua
irreverência?
Importavam-se muito, mas
acabaram por desistir e aceitar.
Fui uma boa rebelde.
O que representaram para ti os 80’s?
A adolescência, os meus 15 anos.
Foi uma fase de pura diversão,
em que não tinha qualquer tipo
de preocupação para além da
escola.
Que importância teve a moda nos
anos 80?
Muita, mesmo sem ter consciência
da moda como indústria mas sim
como conceito. Os vídeos que
via, e nisso o que mais adorava
era a roupa, a makeup,
a direcção artística, a imagem
no seu todo, mais do que a moda.
Ídolo nos anos 80:
Madonna, Bryan Ferry
Ídolo actual:
Madonna e Dai Lai Lama
(pela escolha de vida
espiritual)
Quais foram as tuas influências
estéticas na altura?
Algumas revistas de moda, a
primeira Vogue que vi foi no
final dos anos 70, uma Vogue
Paris – fiquei fascinado com as
fotos de Guy Bourdin! E a música!
Mudavas muito de visual?
Enquanto vivi no Porto
visualmente era muito normal,
mas quando vim para Lisboa, nos
finais dos anos 80, e comecei a
trabalhar como manequim, mudava
muito de visual. Produzíamo-nos muito para sair à noite.
Cada noite era uma personagem
diferente, não era nada
convencional.
Qual foi a tua maior ousadia ou
loucura em relação à tua imagem?
Houve tantos visuais, se saísse
100 dias tinha 100 visuais
diferentes. Comprava roupa
vintage, vestia roupa dos anos
60 do meu pai, alguns designers
davam-me roupa. Lembro-me que
comprei uns sapatos clássicos
com a pele perfurada, mas rosa
choque e brancos.
Notavas algum preconceito, por
parte das pessoas que não eram
do teu círculo de amizades,
relativamente ao teu visual?
Não, não me lembro e os meus
pais achavam muita graça, tal
como os meus amigos do Porto,
que continuavam “betinhos”,
mas respeitavam-me imenso. E
pessoas que não me conheciam
perguntavam-me de onde era e
onde tinha comprado as peças.
Nos 80’s já se identificavam (em
Portugal) as diferentes tribos
urbanas?
Não era muito visível, creio que
as diferenças eram mais notáveis
ao nível das classes.
Pertencias a alguma? Qual?
Na escola era um “nerd betinho”
(risos).
Paulo Macedo
41 anos, Director de moda da
revista Vogue Portugal
Tiveste alguma peça ou acessório
que representasse a tua
individualidade?
Nunca tive. A maior parte das
coisas que tive, as roupas que
comprei eram para compor um
visual. Ainda hoje não tenho
um estilo, vou tendo estilos
mediante as peças que adquiro
durante uma estação.
Profissão nos anos 80:
Estudante e manequim
Há alguma peça de roupa ou
acessório que te lembres
particularmente?
Lembro-me de um colete em tweed
e encanastrado do José António
Tenente, que talvez tenha mudado
a minha apreciação das peças de
moda enquanto peças de design.
O que recuperarias dessa década?
O lado pop de tudo! O lado
divertido e sofisticado da
questão. Nos 80’s dava-se grande
atenção aos detalhes. Havia uma
sofisticação muito grande. Cada
ano era uma década.
Sentes alguma nostalgia dos 80’s?
Não. Sinto que me diverti muito,
mas de facto a melhor época para
viver é a presente, isso sem
desvalorizar o passado.
Ídolo nos anos 80:
Tantos, na música, cinema,
fotografia, moda…
Ídolo actual:
Muitos
…nos anos 80’s?
O que representaram para ti
os 80’s?
Os anos 80 foram muito
importantes para Portugal
e Espanha, com o devido
distanciamento da ditadura. Foi
quando apropriámos os conceitos
e valores da liberdade.
Como líder de um grupo achas que
esse facto pode ter influenciado
o vestuário jovem dessa década?
Os Heróis do Mar apareceram
em 1981, e nessa data havia
muito provincianismo no país e
não se conheciam influências.
Actualmente vivemos uma época em
que tudo está diferente, agora
com o Google, por exemplo, todos
têm acesso a mais informação.
Contudo quando se é criativo,
tem-se a obrigação de conhecer
tudo o que é feito para poder
fazer mais culturalmente.
Mudavas muito de visual?
Como grupo, dávamos muita
importância ao Show Business, à
roupa, à cenografia e ao videoclip. O Paulo Gonçalves e eu
éramos os mais preocupados com
a imagem, delineávamos os traços
mestres e depois delegávamos
aos outros. No “Amor” quisemos
usar calçado infantil anos 40,
calças de pescadores da Nazaré e
casacos tiroleses.
Notavas algum preconceito, por
parte das pessoas que não eram
do teu círculo de amizades,
relativamente ao teu visual?
A fama traz isso para a ribalta,
tudo é permitido, passas a ser
um role model. Ao vestir-me
assim não tentava chocar mas
sim expressar-me de uma forma
diferente tanto social como
culturalmente. Marcámos pela
positiva como pela negativa,
pela falta de referências que
a uns chocou e a outros fez
confusão.
O que representaram para ti
os 80’s?
O excesso em tudo, quer em
termos de comportamento quer
em moda. Foi a década de todas
as fantasias em que tudo era
permitido e que vivi durante a
minha adolescência e início da
idade adulta.
Quais foram as tuas influências
estéticas na altura?
Não posso apontar ninguém
como ídolo. Não posso dizer
que queria ter sido alguém.
Éramos muito “redondinhos”
conceptualmente e, “para isso
ser muito coeso”, todos nós
tínhamos de ver os mesmos
filmes e ler os mesmos livros.
Não existe o “não haver
influências”, ou então é-se um
ermita.
Há alguma peça de roupa ou
acessório que te lembres
particularmente?
Tive uns All Star em lamé,
uns às riscas e outros
aos quadrados, em 83 ou
84, comprados em França, e
curiosamente a marca reeditou-os
recentemente.
Gostas de moda?
Imenso. Sempre tive contacto com
a moda, desde de miúdo que ia
aos desfiles do prêt-à-porter
a Paris e a feiras de moda.
Dediquei-me a fazer colecções de
roupa durante 3 anos.
Para ti, o que foi mais marcante
nos anos 80?
Foi nos anos 80 que foi feita
a melhor música (de expressão
electrónica) do século XX,
que influenciou toda a minha
geração, e falo a nível mundial.
É um período fascinante!
Estávamos numa altura em que a
música era “UAU”! O Disco anda
em transformação há 30 anos.
Vamos acrescentando. Já não
se cria, há quem diga, mas há
reinvenções incríveis.
Quem te inspira?
Tantos… Saltito de preferência
em preferência, das coisas que
eu gosto. Preciso disso para
respirar. Pessoas criativas.
Rui Pregal da Cunha
45 anos, Produtor de Publicidade
e Pai a tempo inteiro
Profissão nos 80’s:
Músico, Designer de moda,
Art Director e Jornalista
Ídolo nos anos 80:
Música
Ídolo actual:
Música
Que importância teve a moda nos
anos 80?
O meu melhor amigo, José António
Tenente e eu crescemos juntos,
e com essa amizade surgiu um
despertar para a moda. Comecei a
trabalhar como maquilhadora de
moda nessa altura, que coincidiu
com o início da Manobras de
Maio, com o lançamento das
revistas Máxima e Elle, e a
Moda Lisboa, dando início a um
mercado de moda que até então
não existia.
Quais foram as tuas influências
estéticas na altura?
A música sem dúvida teve
muita importância tal como os
videoclips. Assim como a Marie
Claire Bis (uma publicação
semestral), que era uma das
maiores referências de moda,
para nós. E os designers, Jean
Paul Gaultier, Thierry Mugler e
os Japoneses.
Notavas algum preconceito, por
parte das pessoas que não eram
do teu círculo de amizades,
relativamente ao teu visual?
Fantasiava-me todos os dias,
por exemplo de pirata, e
fazia-o sempre de uma forma
muito sofisticada. Mas apesar
de sentir uma certa vergonha,
e perceber que as pessoas
criticavam o meu visual,
continuava a insistir. Era a
minha informação e os meus pais
defendiam-me. As pessoas reagiam
de forma diferente e não podemos
esquecer que eu era de Cascais.
Qual foi a tua maior ousadia ou
loucura em relação à tua imagem?
Via tudo como natural. Pintei o
cabelo de várias cores, mas não
o fazia para ser ousada. Sempre
fui uma pessoa muito discreta.
Nos 80’s já se identificavam
(em Portugal) as diferentes
tribos urbanas?
Na Faculdade de Arquitectura,
onde estudei, encontrei outras
pessoas iguais, com os mesmos
gostos e aí percebi que era uma
provinciana, afinal havia mais
pessoas iguais a mim e até mais
exuberantes.
Pertencias a alguma? Qual?
Nunca me preocupei a tentar
perceber isso, simplesmente
descobri que havia mais pessoas
que gostavam do mesmo que eu.
Era tudo tão exuberante, tudo
era um look total.
Nicholas Cage em “Wild at Heart”
quando sai da prisão veste
um casaco em pele de cobra e
diz que este representa a sua
individualidade. Tiveste alguma
peça ou acessório com o mesmo
simbolismo?
Não, nenhuma peça
especificamente. A única coisa
que perdura é o cabelo ruivo.
Nasci com cabelo escuro, apesar
te ter a pele muito clara e
coberta de sardas, mas quando o
pintei de ruivo, encontrei a côr
que se identifica comigo.
O que recuperarias dessa década?
O divertimento, pelo conjunto de
circunstâncias.
Sentes alguma nostalgia no que
respeita à moda dos anos 80?
Não. Quem não me conhecia nos
anos 80, sente muita dificuldade
em imaginar como eu era na
altura.
Cristina Gomes
42 anos, Maquilhadora
Profissão nos anos 80:
Maquilhadora
Ídolo dos anos 80:
David Sylvian
Ídolo actual:
Casava-me com o David Bowie
(risos)
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p
s
s
n
m
do u k ao “e o ”
1 / 2
estilos de vida
por Patrícia Boto Cruz
“Não sinto prazer nem dor, nem físico nem emocional.
Já se sentiram assim? Quando não consegues sentir
nada, nem queres?”, foi o que Iggy Pop disse sentir
ao tocar punk.
Para os punks clássicos, o Estado, a Sociedade,
Deus e a Família, eram conceitos nulos por só se
preencherem através da subordinação do Homem. Os
erros da História, a opressão das instituições,
os problemas sociais e os tabus sexuais, criavamlhes uma revolta tão genuína, que só negando toda a
forma de autoridade se afigurava possível voltar a
entender cada pessoa como uma realidade anterior e
maior que o sistema instalado. Só assim acreditavam
alcançar a desejada liberdade individual, uma
existência feita apenas do respeito por normas e
escolhas próprias.
Foi neste contexto de vazio e anarquia que
uma cultura que começou como género musical na
década de 70, deu, na década de 80, lugar a um
dos maiores movimentos sociais conhecidos. Com
a referida atitude, dois dos grupos pioneiros
de referência, Sex Pistols e Siouxsies and the
Banshees, apresentaram-se ao povo inglês, ou não
fosse oportuno num programa de televisão em fim de
dia gritarem “Fuck Off”! ao apresentador. Criadas
editoras independentes e fanzines lançadas por fãs,
foi na música que os punks encontraram o modo ideal
de subversão. Êxitos como “Career opportunities” e
“God save the Queen” (acho que não no sentido de que
Ele a proteja, mas antes que a impeça de fazer mais
asneiras), criticaram avassaladoramente os efeitos
económicos e políticos do Governo. Mais… mostravam
ao mundo que cada um deve ser tão livre e espontâneo
quanto quiser. Através da agressividade de canções
com muita pressa, cantadas em volume máximo e feitas
de letras cruas e pessimistas, o som reflectia na
perfeição o espírito contestatário.
A zanga era igualmente óbvia na dança, se
assim se pode chamar, quando ao som de guitarras
estridentes, multidões se alienavam em concertos
de uma forma tão peculiar quanto se sabe: o moshing
(tecnicamente pulos e empurrões colectivos), o
headbanging (safanões violentos de cabeça), o crowd
surf (transporte de pessoas sobre as mãos e cabeças
da audiência) e o stage diving (saltos com balanço
do palco sobre o público) porque um vocalista também
não se fica, reflectem a fome de catarse. Assim,
bem andou um seguidor do movimento ao afirmar que
“até alguém se magoar é engraçado…, a partir daí é
hilário”.
Também a moda agrupava os punks. O impacto visual
por eles criado nos anos 80 foi inesquecível,
prolongando-se até hoje as braceletes com picos
metálicos, calças e blusões justos de cabedal e
os piercings. E a imagem de marca: os cabelos! A
contrastar com o look preto integral, as cabeças
pediam-se “à moicano”, ou seja, rapadas nos lados
e com imponentes cristas espetadas e pintadas de
fluorescente. À época, a excentricidade permitiu-lhes, à laia de atracção turística, fazerem-se
pagar para serem fotografados.
Como se para alguns deles ainda não bastasse,
surge, ainda em 80, o punk na sua versão mais
inconformista e furioso - o hardcore. Com
influências dos The Ramones, na proporção do
aumento da frustração individual, em Inglaterra,
as músicas tocadas por punks como os Black Flag,
tornaram-se mais agrestes e as cristas nos cabelos
inacreditavelmente altas. Já nos E.U.A, o vestuário
adoptado foi mais despojado. O novo estilo das
praias da Califórnia, levou parte de uma geração a
rapar cabelos e a receber influências do skate. À
parte da ira sonora, esta vaga tinha uma postura
mais construtiva, não à violência e drogas, sim ao
veganismo e libertação animal.
Surpresa maior acontece quando, já cansados de
tanta violência acústica e lírica, outro grupo
derivado dos punks cria, no fim da década, o
emocore, de “emotional hardcore”. Contraditória
nos seus termos, a expressão representava os que
sem querer abandonar o núcleo dos duros, pretendiam
mostrar o seu lado sentimental (sim porque também
o têm). Diz-se que o termo “emo” resultou de
actuações fortemente emotivas dos elementos de
certas bandas como os Rites of Spring, que juntaram
o som pesado com letras românticas.
De facto, enquanto as letras hardcore queriam
manifestar-se para o exterior, falando do ódio face
a problemas da sociedade, o emocore traduzia-se
em poemas voltados para o interior. Neste quadro,
mais uma vez a música servia de expiação, agora
para sentimentos de auto-vitimização e busca de bem
estar contra o isolamento, instabilidade interior,
e amores sofridos. O verão de 1985 ficou então
conhecido pelo verão da mudança, em que através de
sucessos musicais se trocavam experiências pessoais
e desabafos.
Com o tempo, este soft core deixa de ser só um
tipo de música, para passar a ser mais uma forma de
estar de quem precisava de dizer ao mundo que não
tinha vergonha de ser sensível. Nesta altura, ou
porque o conceito se tornara vago ou porque não se
queriam incluídos no punk piegas, os vocalistas das
bandas consideradas “emos” diziam-se ofendidos por
tal denominação.
Mas foi a partir de 2000 que os “emos” se tornaram
um verdadeiro culto, associado a um visual muito
seu. A condizer com a introspecção e intensidade
dos comportamentos, mantêm o preto, mas combinado
com vermelho e branco. As cristas dão lugar a
franjas escorridas, geometricamente penteadas
para tapar totalmente um dos lados da cara. Os
olhos são esfumados e dramaticamente pintados de
preto por raparigas e rapazes, o que dificulta
bastante distinguir-lhes o sexo. Os mais sossegados
acrescentam mais côr nas t-shirts manchadas e ténis
All Star. The Smiths e Joy Division fazem-lhes muita
companhia e “Welcome to the Black Parade” dos My
chemical Romance é o hino.
Há um ou dois anos surgiram novas facções de
“emos”. Uma delas reúne aqueles que lutam por um
aspecto doente e tão magro quanto possível (já que
para eles gordura não liga com desesperança). São
jovens que falam muito lentamente, arrastando a
voz com um ar muito chateado e andam de maneira a
que ninguém veja que existem. A propósito destes,
os pais têm sido alertados para a necessidade de
distinguir sinais de tristeza de atitudes suicidas
nos seus filhos. É que têm aparecido adolescentes
que não abandonando os seus quartos sombrios, se
automutilam e exibem cicatrizes em sites, acabando
alguns por morrer. É a tendência da romantização da
morte.
No outro extremo surgem os que levaram à letra
a ideia de demonstrar sentimentos, principalmente
o carinho. Preferem passear-se de mãos dadas, com
atitudes infantis e em bandos cujos comportamentos
já levaram (no Brazil) donos de lojas a colocar
avisos com a inscrição “Proibido “emos” encostaremse às montras”, por espantarem a clientela.
Abusam dos diminutivos e tratam-se entre amigos
por “marido/a”. As raparigas distinguem-se por
misturar o aspecto gótico da cara com o ar lolita no
corpo. Isto porque, se por um lado pintam olheiras
artificiais, por outro usam mini saias de xadrez,
ganchos com lacinhos cor-de-rosa, colares Hello
Kitty e …peluches. São os que esperam que o mundo
acabe aos abraçinhos. Enfim um punk fofinho…
1 Fotografado por Joel Aron www.joelaron.com /
2 Ramones 1977, Fotografado por Ian Dickson [email protected]
/
diana vreeland
Mrs. V… Why Don’t You?
Por Ana Rita Clara
Actualmente poderia não existir o conceito de
editora de moda se Diana Vreeland não tivesse
vivido. Esta poderá parecer uma afirmação exagerada,
mas a figura esguia e de temperamento difícil da
americana, aliadas ao seu bom gosto e sentido
crítico, tornou-a num verdadeiro ícone da moda e
permitiu a consagração da Vogue América enquanto
bíblia fashion mundial.
Diana Dalziel muda-se de Paris aos oito anos de
idade para a cidade de Nova Iorque, crescendo na
vontade de marcar simbolicamente o seio familiar,
onde era assumida como o membro menos capaz, até
mesmo como aquele a quem a beleza não deu muita
atenção. Talvez por causa desse mesmo motivo tenha
desenvolvido, estimulado, o seu lado mais criativo,
juntando estilos, acrescentando pormenores, exibindo
um visual exótico na idade adulta, com direito a
cabelos negros, batom e esmalte encarnado forte,
contrastando com a pele cheia de pó de arroz e
bijutaria extravagante.
Deixou de lado as comparações de beleza com a irmã
que teria sofrido na infância quando se casou com
o banqueiro Thomas Vreeland em 1924 e com a Grande
Depressão e a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929
mudaram-se para Londres, onde iniciou um negócio
de lingerie, criando ainda um círculo pessoal
interessante de personalidades como Wallis Simpson,
Cecil Beaton ou Cole Porter.
Regressa aos Estados Unidos em 1937 e invade o
panorama da moda pela mão de Carmel Snow, directora
da Harper’s Bazaar que, impressionada com o seu
carisma a convida para colunista dessa mesma
publicação, dando início a um dos mais interessantes
e marcantes percursos na área, instituindo a
palavra estilo e sobretudo o arriscar para novos
segmentos, quebra de estereótipos, infusão de novos
comportamentos, numa América “normatizada” e regida
pelo conservadorismo e estigmas sociais.
Diana Vreeland substituía as damas da sociedade
que posavam para as fotos, por mulheres reais,
realmente interessantes. As leitoras assumiam desta
forma proximidade a um universo pouco supérfluo,
de padrões de beleza e de estilo aspiracionais.
Fez um trabalho brilhante e deixou a revista 25
anos depois, ocupando posteriormente a posição de
directora da Vogue Americana. Diana Vreeland marcou
definitivamente o olhar sobre as tendências. A
criação de uma tendência não teria essa denominação
sem ela. Dona de uma capacidade incrível em
descobrir talentos, imortalizou figuras como Twiggy,
Marisa Berenson ou Lauren Hutton e nos editoriais
sabia como ninguém captar a beleza de rostos fora do
comum, como de Barbara Streisand ou Anjelica Huston,
conferindo-lhes a transparência e honestidade
que pretendia na fotografia. Aboliu as regras
existentes sobre imagem e pose, transformando a
fotografia de moda num exercício de força feminina,
de inteligência e personalidade. A sua personalidade
traria a simpatia dos outros para consigo, se em
trabalho abriu portas para um diferente tipo de
poder, ao nível pessoal ía aumentando a fama de
autoritária, com comportamentos de comando austeros
e exagerados. Exigia ainda às suas colaboradoras
que usassem bijutaria excessiva para saber quando se
aproximavam. Adorava fazer drama e conseguia levar à
loucura os seus funcionários… provavelmente o termo
diva terá surgido nesta altura.
A dose de whiskey e a sanduíche de manteiga de
amendoim ao almoço (could you be more american?)
completavam os rituais diários, do alto do seu
escritório em tons de vermelho, com vista para a
cidade que se lhe rendeu.
A excentricidade de Diana Vreeland atingiu níveis
insustentáveis pela Vogue América dando espaço
à rescisão do contrato da publicação com esta e
pondo fim a uma carreira única. Mulher de manias,
ficou célebre igualmente pelas relíquias verbais
que defendia, como quando exaltou “O biquíni foi a
invenção mais importante deste século, depois da
bomba atómica”. Se não tivesse existido teria de ser
inventada, mulher dona de um percurso marcante e que
ainda hoje inspira trendsetters e suscita interesse
e curiosidade.
Na sua morte também fez questão de ser diferente
ou pelo menos não ir ao encontro do comum e em 1989,
quase na pobreza decidiu abandonar-nos, como que no
limite proclamando para si o desligar das convenções
instituídas, do que seria suposto acontecer. Disse
adeus e nada deixou para trás a não ser a diferença
sobre tudo o que existia.
Curiosidade:
Why Don’t You
Este era o nome da coluna que Diana Vreeland tinha
na revista Harper’s Bazaar.
Tratava-se quase como uma provocação às leitoras
para se atreverem a mudar algo em si mesmas,
conjugarem peças diferentes e estilos. E sobretudo
procurarem criar a sua identidade. Pessoal e
intransmissível.
Ilustração Steven Le Priol
www.stevenlepriol.fr
/
s
s
n
n
e
e
v ti do co vicçõ
Vestindo convicções.
por Brígida Ribeiros
Temos nos últimos tempos assistido a uma tendência
de revivalismo da década de 1980. Exemplo disso é a
renovada predilecção pelas T-shirts com slogans activistas, “criadas” por Katharine Hamnett e copiadas
por muitos.
A T-shirt, inicialmente uma peça interior, foi
depois usada por militares e operários. Como peça
independente, tornou-se popular na década de 1950
através de actores como Marlon Brando e James Dean.
Avanços tecnológicos nos anos 1960, vieram impulsionar a difusão e o uso desta peça de malha jersey
de algodão, como
meio de expressão
e de comunicação
de massas. Nela se
inscrevem, slogans,
piadas, citações,
ilustrações, quadros
famosos, nomes e
imagens de bandas
rock, publicidade,
logótipos de marcas
e universidades, e
comentários sociais
e políticos.
Os punks cultivavam um visual
singular, incluindo
o uso de T-shirts
rasgadas. Vivienne
Westwood e Malcom
McLaren indelevelmente ligados ao
movimento, criaram
entre outras, as
T-shirts “Destroy” e
“Anarchy in the UK”
da década de 1970,
subvertendo elementos iconográficos.
O activismo de
Katharine Hamnett,
patente nas suas
T-shirts com slogans
pacifistas e ecologistas, tornaram-na famosa e marcaram a moda dos
anos 1980. A T-shirt “Choose Life”, lançada aquando
de uma exposição budista em 1983, viu o seu slogan
ser utilizado por grupos anti-aborto. Uma destas
T-shirts foi usada por George Michael, dos Wham!, no
vídeo de “Wake Me Up Before You Go Go” de 1984. Foi
recentemente reeditada, por Hamnett em algodão 100%
orgânico, ética e ambientalmente fabricada na Índia e estampada no Reino Unido com tintas à base de
águas, amigas do ambiente. Também de 1983 temos, entre outras a “Worldwide Nuclear Ban Now”, igualmente
reeditada. Há registos fotográficos de Boy George,
usando uma destas T-shirts.
O espectáculo Live Aid, realizado a 13 de Julho
de 1985, a partir do estádio de Wembley, em Londres
e do estádio JFK em Filadélfia, uniu músicos, apostados em acabar com a fome na Etiópia. Enquanto em
África se morria de fome, na Europa e nos EUA, o
consumo ostentatório estava ao rubro. Aproveitando o
facto de “milhares de pessoas desejarem ver um desfile de moda” e com o mesmo intuito do Live Aid, a
5 de Novembro do mesmo ano, realizou-se em Londres,
“o primeiro desfile beneficente de
sempre”. O Fashion
Aid, reuniu diversas
personalidades, como
Grace Jones, Jerry
Hall, Tina Turner,
Annie Lennox, Boy
George e Freddy Mercury, que ofereceram
a sua participação.
Yves Saint Laurent,
Giorgio Armani, Calvin Klein, Katherine Hamnett e Issey
Miyake, contam-se
entre os 18 designers de moda participantes. Cada um
dos designers criou
T-shirts “Fashion
Aid”, vendidas também para angariar
fundos para a causa.
Em 1989 Hamnett
lançou a T-shirt
com o slogan “Clean
Up Or Die”, tendo
também sido reeditada. Ao longo dos
anos 1990, Hamnett
continuou o seu
activismo, dando
palestras e tentando “limpar” a indústria. Depois do 11 de Setembro
de 2001, produziu as T-shirts “No War”, “Stop And
Think” e “Life Is Sacred”. Em 2004 cancelou as licenças da sua marca por não conseguir controlar
as condições éticas e ambientais em que as suas
colecções eram produzidas.
Duas décadas passadas e com o problema da pobreza
por resolver, de novo músicos uniram-se na realização do LIVE 8, sob o lema “Make Poverty History”, a
2 de Julho de 2005. Os espectáculos que constituíram
o evento realizaram-se nos países integrantes do G8
pag da esq:
T-shirt de Catherine Hamnett “Stay
em cima:
T-shirt de Maison Martin Margiela na luta contra a SIDA
alive
in
85”
e na África do Sul.
No rescaldo dos atentados em Londres, Vivienne
Westwoood, designer entretanto consagrada, lançou a
T-shirt em 2005 “I Am Not a Terrorist Please Don’t
Arrest Me’”, que critica as leis anti-terrorismo
adoptadas no Reino Unido e cujas vendas reverteram a
favor da Liberty, uma associação britânica de defesa
de direitos civis.
Desde Setembro de 2006, Hamnett apresenta a sua
linha criada em 2004 e simbolicamente rebaptizada de
“Katharine E. Hamnett na Estethica”,
evento incluído na
London Fashion Week
e dedicado a marcas
de moda sustentáveis. Continua a
sua luta, incitando
à compra de peças
de algodão orgânico
certificado, livre
de pesticidas e
fertilizantes químicos, e transformando
respeitando os trabalhadores.
A 7 de Julho de
2007 realizou-se o
Live Earth. Desta
vez músicos deram
a sua voz na luta
contra as alterações
climatéricas, com
concertos em Nova
Iorque, Londres,
Sidney, Tóquio,
Xangai, Rio de Janeiro, Joanesburgo e
Hamburgo. Tratou-se
de um acontecimento
global, pretendendo
iniciar um movimento
de mudança comportamental. T-shirts
proclamando “Green
Is The New Black”
foram vendidas associadas ao evento e à causa e o
slogan amplamente copiado.
Katharine Hamnett foi uma das personalidades participantes na colecção de T-shirts, sweatshirts e
tank tops em algodão biológico da H&M, “Fashion
Against AIDS”, resultante da aliança da marca sueca
com o colectivo Designers Against AIDS. Também
Rihanna, Chicks on Speed, Good Charlotte, Henrik
Vibskov, Jade Jagger, My Chemical Romance, Rufus
Wainwright, Scissor Sisters, The Cardigans, Tiga,
Timbaland e Ziggy Marley, colaboraram gratuitamente
e deram a cara na campanha lançada a 31 de Janeiro
de 2008. 25% dos lucros da colecção reverteram para
projectos de prevenção da SIDA em todo o mundo.
Também ligada à causa da SIDA, a Maison Martin
Margiela inclui em todas as suas colecções, desde
o Outono/Inverno 1993/4, uma T-shirt com o texto
“There Is More Action To Be Done To Fight AIDS Than
To Wear This T-Shirt But It´s A Good Start”. Uma
percentagem das vendas destas T-shirts é dada à
AIDES, uma associação francesa de luta
contra o VIH/SIDA.
O cancro é outra
doença a que aparecem ligadas T-shirts
solidárias. Marc
Jacobs lançou T-shirts de prevenção
do cancro de pele.
Sob slogans como
“Protect The Skin
You´re In” personalidades como Naomi
Campbell e Julianne
Moore deram o corpo
à estampa. Parte
da mesma campanha,
Marc Jacobs e Rufus
Wainwright (entre
outros) aparecem
nus em T-shirts que
proclamam “Protect
Your Largest Organ”.
Para além do alerta
para a doença, os
lucros alcançados
revertem a favor do
NYU Cancer Institute.
Fica também uma
referência e às T-shirts da campanha
“Fashion Targets
Breast Cancer” presente em diversos
países, incluindo
Portugal desde 2006, vendidas nas lojas Lanidor e
revertendo a favor da associação Laço.
Para a história da moda portuguesa ficou a T-shirt
“Who´s Afraid Of John Galliano”, lançada em Outubro
de 1993. A ModaLisboa convidou Galliano a apresentar
a sua colecção juntamente com os criadores portugueses. Estes opuseram-se e o convite foi retirado.
Carla Sousa recorda que «na altura, em Outubro de
1993, estava a inaugurar a minha loja Bazar Paraíso,
na Rua do Norte e a Catarina Portas e o Paulo Gomes,
em cima:
T-shirt “Who’s Afraid of John Galliano”
de Carla Sousa, Catarina Portas e Paulo Gomes
pag da dir:
T-shirt de Vivienne Westwood em crítica às leis anti-terrorismo
fizeram-me uma visita na qual comentámos o dramático
“acontecimento”. Um deles disse a frase, talvez
a Catarina, e eu e o Paulo dissemos que era giro
fazer T-shirts mas sem grande intenção de o fazer.
Mais tarde a ideia não me saia da cabeça e fiz 50
T-shirts brancas com a frase a encarnado e a azul.
Como não as podia vender dentro da ModaLisboa, por
razões óbvias, fui para o parque de estacionamento
em frente aos Jerónimos e todos os jornalistas estrangeiros compraram-na deliciados com o episódio.»
As referidas T-shirts tornaram-se peças de coleccionador… Os designers ingleses, mesmo que indirectamente, produzem T-shirts memoráveis.
Da House of Holland temos as T-shirts das
colecções “Fashion Groupies” e “One Trick Pony”.
Fazendo rimas com personalidades ligadas à moda,
Henry Holland recuperou a estética das T-shirts com
slogans de Katharine Hamnett, não por uma causa
pacifista ou ambientalista, mas para lançar a sua
carreira como designer de moda.
As mais recentes campanhas e T-shirts de Hamnett, são a “Free Burma” (actual, Mianmar, antiga
Birmânia) em colaboração com a associação Prospect
Burma e “Save The Sea”, em colaboração com a Environmental Justice Foundation, contra a pesca ilegal.
Para além do glamour, a moda pode ser um veículo
incitador de mudanças políticas, ambientais e comportamentais.
Desde as primeiras T-shirts activistas de Hamnett
em 1983, a moda transformou-se ao sabor dos tempos,
mas a sua capacidade de nos fazer reflectir continua
actual e é desejável. Uma T-shirt pode ser uma arma
poderosa na difusão de uma ideia, um ideal estético
ou ético, uma crítica política ou social e é usada
pela moda como parte de campanhas de responsabilidade social. Gillo Dorfles, referindo-se à T-shirt,
reconhece-lhe uma dupla acção, auto e “heteropublicitária”. A que está inscrita na mensagem literal e
aquela implícita na atitude e reconhecimento de quem
a veste, ou, digo ainda, assina…
Músicos e designers usam a sua notoriedade e associam-se às mais diversas causas. Há agora marcas
que combinam estética com sólidas preocupações ambientais e éticas, mas simultaneamente temos ciclos de
consumo cada vez mais rápidos, colecções “torpedo” e
afins. Onde vamos parar?
/
plus
Tour de Ricardo Tisci
Fashion Game Book
Com a tournée de Madonna, os
fãs mais fashionistas têm uma
mais valia adicionada ao preço
do ingresso: a raínha da pop
vai ser vestida pelo designer
Ricardo Tisci. O actual director
criativo da Givenchy partilhou:
“Sinto-me incrivelmente sortudo
por ter a oportunidade de
associar o univeros da Alta
costura de Givenchy ao ícone
que é a Madonna, a mulher pela
qual não tenho senão respeito e
admiração”. O espectáculo supõe
várias partes com diferentes
ambientes e os coordenados
reflectem cada uma das atitudes
– inspirações mais dark para
o cenário “Gangsta’s Pim-Art
Déco”; influências folk para a
sua entrada “Gipsy”; revivalismo
dos anos 80 para “80’-Old
Schoo”l; e um lado mais japonês
para a performance “Futuristic
rave”. Com Tisci a desenhar
alguns dos looks para estas
ambiências, a mediatização à
volta do guarda-roupa cresce, e
já circulam esboços das peças do
designer para a diva da música.
A apresentação da colecção ao
público português foi feita a
14 de Setembro, quando Madonna
subiu ao palco no Parque da
Bela Vista.
Muitos livros se fizeram sobre
a Moda do séc. XX – autênticas
bíblias em informação e
no tamanho, para falar a
verdade. Mas sem dúvida que
há espaço no mercado para
acolher a perspectiva sobre o
assunto de Florence Müller.
Historiadora de arte, professora
no Institut Français de la
Mode, especialista em moda
contemporânea e sua História,
e editora da revista parisiense
Surface, a palavra de Müller
é, para dizer o mínimo,
obrigatória. Tal como o livro
que edita agora com o apoio
da Assouline, o Fashion Game
Book – um guia do quem é quem,
e quem faz quê, no mundo de
moda do séc. XX: quais os
designers que vale a pena
conhecer, as silhuetas que
fizeram história… enfim, os
bastidores e o spotlight da
arte de fazer vestuário. De
Claire McCardell a Zac Posen,
de jeans a vestidos de noite,
o volume compreende ainda uma
série de testes de conhecimento
com perguntas, jogos de pares e
também inquéritos. Fantásticas
fotografias ilustram e revelam
os looks que marcaram o
século XX, tudo encadernado
num projecto que oferece
as directrizes necessárias
para compreender a arte das
aparências e que pretende ser
um indicador do que foi e
como evoluiu a moda no século
passado. Disponível a partir
de Setembro.
www.assouline.com
por Sara Andrade
Uniqlo e Grand Prix
de criatividade
MyModels.com de Costume
National
Não supõe a velocidade da
Fórmula 1, mas a adrenalina é a
mesma. Pelo menos para os jovens
que aspiram a ganhar estatuto
de designers de moda. Na sua 5ª
edição, a marca japonesa Uniqlo
volta a lançar o UT GP 2009
– o prémio Uniqlo T-shirt Grand
Prix 2009, que pretende desafiar
jovens criadores a costumizarem
a peça chave da marca e um
básico do guarda-roupa: a
t-shirt. Aberto a todas as
idades e nacionalidades, os
inscritos terão de passar pelo
aval de um júri constituído
por 8 pessoas, entre as quais
o director criativo da marca,
Kashiwa Sato, e o artista
contemporâneo, Yayoi Kusama. Uma
vez conseguindo passar as várias
eliminatórias, que deverão
decorrer até, sensivelmente,
Março do próximo ano, o vencedor
será anunciado numa cerimónia
posterior e galardoado com uma
bolsa de cerca de € 20.000.
Aliciante o suficiente para uma
enchente de inscrições? Muito
pouco expressivo, na verdade,
quando se junta ao prémio
monetário a possibilidade de
vender o projecto vitorioso
nas lojas Uniqlo – que já
ultrapassou as 800, desde a
fundação da marca, em 1984.
Para os que ficarem muito perto
do pódio, ainda há recompensas
financeiras que, mesmo sendo
mais singelas que o 1º galardão,
não deixam de ser honrosas.
É verdade que se está a assistir
a um regresso de modelos
veteranas nas grandes campanhas
publicitárias - é impossível não
reparar em Linda Evangelista
nas rendas de Miuccia Prada,
Naomi Campbell nas novas
silhuetas de Yves Saint Laurent
ou o grande plano the Christy
Turlington nos anúncios para
Escada - mas a Costume National
pode estar a mudar a tendência
e também a lançar um novo modo
de fazer castings. Ainda que a
procura de promissores rostos
não seja novidade, a Internet
conseguiu dar um significado
totalmente novo ao conceito
de scouting… ou pelo menos,
Ennio Capasa conseguiu dar essa
nova dimensão ao conceito.
O director criativo da marca
escolheu fazer a recruta de
manequins através do MySpace e
12 completamente desconhecidas
caras foram fotografadas, em
Nova Iorque, por Stephan Ruiz
para a propaganda do Outono/
Inverno 2008-09 da C’N’C Costume
National. “As comunidades
sociais online são um dos
mais interessantes fenómenos
na Internet, hoje em dia”,
explica Capasa, “representa a
grande mudança e dinamismo de
uma sociedade que é, cada vez
mais, consumidora compulsiva
de comunicação e contactos”.
Inteligentemente, apenas
explorou essa sede de consumismo
e, confortavelmente, escolheu
pessoalmente online as estrelas
da nova publicidade. A questão
impõe-se: será que as Sashas e
as Cocos da vida terão motivos
para se preocupar?
www.uniqlo.com.
Cavalli Cola
Annie Leibovitz em exibição
Veste a elite cinematográfica
de Hollywood e é conhecido por
não ser tímido quando se trata
de curvas femininas – pelo menos
no que diz respeito a acentuá-las e revelá-las. Por isso,
presume-se que vestir as curvas
de uma garrafa de Coca-Cola é
uma brincadeira de crianças para
Roberto Cavalli. Já habituado
a relacionar-se com grandes
nomes no mundo da moda e do
cinema, também não é novidade
vê-lo associado ao negócio da
sede: depois de lançar um Vodka
sob a égide do seu próprio
nome – Roberto Cavalli Vodka,
o criador concebe agora três
vestimentas diferentes para o
mais mediático refrigerante adequadamente à situação, na
sua versão light, para ser mais
correcta. “Foi muito divertido
desenhar três vestidos para esta
legendária silhueta”, confessa
o autor. “Todos são sedutores e
femininos, tipicamente Cavalli”.
Não era preciso apontá-lo:
as hipóteses em escolha são o
padrão leopardo, o tigrado com
pormenores dourados ou o zebra,
todos gritantes do nome que os
criou. Com a edição de 300.000
exemplares – 100.000 de cada
modelo, as novas Coca-Colas só
serão distribuídas em Itália, no
período de Setembro a Dezembro.
E com aquela que parece ser
a bebida mais chique para o
Outono-Inverno (ou pelo menos,
com a embalagem mais sensual),
a nova parceria pode ser até
uma boa estratégia de mercado
para o designer… quiçá com a
possibilidade de se apropriar
de um cocktail totalmente
“patrocinado” pelo próprio:
Roberto Cavalli’s Vodka & Coke,
talvez?
A fotógrafa que é tão famosa
como os artistas que fotografa,
passa para o outro lado da
objectiva. Metaforicamente
falando, na verdade – Annie
Leibovitz não consta de
todas as fotografias, mas é
ela o centro das atenções.
Pela primeira vez na Europa,
é apresentado na Maison
Européenne de la Photographie,
em Paris, uma retrospectiva
do trabalho editorial da
célebre americana que fotografa
celebridades para revistas
como a Rolling Stone, a Vanity
Fair e a Vogue. Organizada
pelo Brooklyn Museum de Nova
Iorque, a exposição Annie
Leibovitz: A Photographer’s
Life, 1990-2005 compreende mais
de 200 fotografias do plano
profissional de Leibovitz,
com imagens editoriais de
referência, mas também da sua
família e amigos chegados, um
lado muito pouco explorado de
uma fotógrafa que é conhecida
pelo seu low-profile. “Eu não
tenho duas vidas”, justifica.
“Esta é a minha vida, a única,
e as fotografias pessoais bem
como as de trabalho fazem
parte dela”. Uma hipótese de
ver a reconciliação das duas
metades que compõem a artista
norte-americana, patente até
14 de Setembro, na capital
francesa. E já está agendada
a sua apresentação de 16 de
Outubro de 2008 a 1 de Fevereiro
de 2009, na National Portrait
Gallery, em Londres. Se ambas
as cidades ficarem fora do
caminho, o livro com o mesmo
nome da exposição está à venda
em www.amazon.co.uk.
s
n
tre d
/
Trends Outono/Inverno 08/09
por Ema Mendes
A moda apesar de efémera, perpetua-se de ano para ano e de estação para estação onde são adquiridos e
actualizados elementos de colecções passadas. Assim como o ser humano é feito de memórias, todo o mercado
da moda é influenciado pelas mesmas. Este Outono/Inverno não é excepção à regra com a predominância do
revivalismo dos anos 80, entre outras épocas mais longínquas, mas de uma forma mais actual e sofisticada.
Marni
Milão
Alexandra Moura
Lisboa
A-Forest Design
Lisboa
arquivo moda lisboa/estoril / Fotografado por Rui vasco
Christian Dior
Paris
Celine
Paris
Ann Demeulemeester
Paris
Viktor & Rolf
Paris
Sobressai a silhueta de ombros largos, cintura vincada e anca marcadamente feminina. Tal como Chanel disse
“Moda é arquitectura. É uma questão de proporções”. No entanto, esta é uma estação feita de antagonismos:
a silhueta curvilínea contrapõe a silhueta longa e delgada, os detalhes boémios e luxuosos em oposição ao
minimalismo total, e a elegância da heroína de BD futurista a contradizer o ruralismo campestre.
Louis Vuitton
Paris
Rodarte
Nova Iorque
Fotografado por DAN LECCA
Fendi
Milão
Dries Van Noten
Paris
Balenciaga
Paris
Proenza Schouler
Nova Iorque
Alexander Protich
Lisboa
Clhoé
Paris
Chanel
Paris
Lidija Kolovrat
Lisboa
arquivo moda
lisboa/estoril /
Fotografado
por Rui vasco
Jil Sander
Milão
Maison Martin Margiela
Paris
Prada
Milão
Luís Buchinho
Lisboa
arquivo moda
lisboa/estoril /
Fotografado
por Rui vasco
Yves Saint Laurent
Paris
Lara Torres
Lisboa
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lisboa/estoril /
Fotografado
por Rui vasco
Stella MCCartney
Paris
Yoji Yamamoto
Paris
Marc Jacobs
Nova Iorque
Alexander MCQueen
Paris
Nina Ricci
Paris
White Tent
Lisboa
Ricardo Dourado
Lisboa
Pedro Pedro
Lisboa
arquivo moda lisboa/estoril / Fotografado por Rui vasco
Givenchy
Paris
Felipe Oliveira Batista
Paris
Lanvin
Paris
Hussein Chalayan
Paris
Fotografado por Chris Moore
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beauty
Shopping Beauty - chic!
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coloridas, “Wayfarer”, RAY BAN / 5 Máquina fotográfica, DIANA, à venda na COLETTE / 6 Bandolete em pele de cobra, CHRISTIAN DIOR /
7 Saco em pele com monograma gravado, LOUIS VUIITON / 8 Eau de Parfum, “Ma Dame”, JEAN PAUL GAULTIER / 9 Gel de banho “Musk Shower Gel”,
KIELH’S SINCE 1851 / 10 Duo de sombras “The color”, nº7 e nº8, HAKANSSON
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BOSS ORANGE / 4 T-shirt em algodão estampado, STELLA MCCARTNEY para ADIDAS / 5 Conjunto de jarras em cerâmica, CHRISTIAN DIOR MAISON /
6 Óleo para o corpo, HAKANSSON / 7 Bailarina em pele metalizada, PATRÍZIA PEPE / 8 Almofada “Textiles of the 20th Century” desenhada
por Alexander Girard, 1954, ©VITRA / 9 Pestanas postiças, VIKTOR & ROLF para SHU UEMURA / 10 Eau de Parfum vaporizador, “Jeanne Lanvin”,
50ml, LANVIN, €47,60
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1 Cadeira em alumínio, desenhada por Charles & Ray Eames, 1958, ©VITRA / 2 Alfinete em metal lacado, SONIA RYKIEL / 3 Sombra de olhos
“ombres lumières” Nº5, YVES SAINT LAURENT, €50,36 / 4 Sabonete líquido perfumado, 300ml, ROGER & GALLET, €14,60 / 5 Jarra em vidro
colorido, CHRISTIAN DIOR MAISON / 6 Bebida energética, MOTLEY BIRD / 7 Cinto com laço, PATRÍZIA PEPE / 8 Sapato com sola compensada,
SONIA RYKIEL / 9 Cinto em pele, MANGO / 10 Carteira em plexiglas com corrente em metal, CHANEL
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1 Chaise Longue, desenhada por Maarten Van Severen, 2000, ©VITRA / 2 Vela “Bailes”, DYPTIQUE / 3 Crema Nera, GIORGIO ARMANI /
4 Abyssine Serum, KIELH’S SINCE 1851 / 5 Sapato em cunha com sola compensada, em pele envernizada e pele aveludada, LOUIS VUITTON /
6 Top em cetim, NUNO BALTAZAR / 7 Pochette “Dior Evening” em pele pespontada, CHRISTIAN DIOR / 8 Eau de Parfum “Antidote”, VICTOR & ROLF /
9 Pulseira “Dior Tinkles” em metal dourado e com cristais Swarovski, CHRISTIAN DIOR / 10 Máscara de pestanas, “Phenomen’Eyes”, nº1 Black,
GIVENCHY, €25,53
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moda lisboa
30ª Edição Inverno 2008/09
FOTOGRAFIA sara gomes
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fla hdance
Cinema
Dançar ao som das imagens
por Carlos Natálio
O cinema enquanto fenómeno cultural e artístico
mostra sempre, por natureza, mais História que
aquela a que os seus autores se propuseram. Essa
“transparência”, em maior ou menor medida documental,
acaba por ser um critério de discussão paralelo, ou
por vezes em sobreposição, face às linhas dominantes
da valorização estética, levadas a cabo pela história
da sétima arte. Ao percorrer estes mais de 110
anos de cinema, verificamos que não são escassas
as obras que, sendo medíocres do ponto de vista do
medium audiovisual, acabaram por entrar por essas
outras “portas” (do reconhecimento mediático, do
espelhamento dos tempos, da identificação icónica,
etc, etc) para o imaginário colectivo da sociedade
contemporânea.
Um dos mais expressivos exemplos dessa alternativa
é o culto gerado em torno da obra “Flashdance”,
de Adrian Lyne (1983). O filme, o qual muito
sugestivamente é reconhecido com um dos mais
atraentes e bem sucedidos “nadas” da história
do cinema, é ainda hoje um fenómeno de culto e
nostalgia para todos os que nos anos 80 o viram,
ou para os que ainda hoje o descobrem. Situado
historicamente num momento de afirmação do lifestyle
e look MTV (estes eram os anos em que o famoso canal
de música mostrava às pessoas que a música popular
moderna, além de estar na moda, podia ser arte),
“Flashdance” aproveitava uma história real sobre
uma jovem em busca dos seus sonhos e afirmação.
Alex (Jennifer Beals) é uma adolescente de 18 anos
que qual “cinderela dos eighties“ trabalha durante
o dia numa fábrica de melatúrgia (!) e à noite numa
boite como dançarina. No entanto, o seu verdadeiro
sonho é ser bailarina. Esta é a história da sua
auto-afirmação.
Visualmente, “Flashdance” era uma espécie
de extensão da estética MTV com sequências de
montagem rápidas, canções orelhudas encaixadas
na sua totalidade, com as peripécias e estilo
dos videoclips em formato de grande ecrã. É
curioso verificar que esta estética MTV envelheceu
rapidamente e mal e que tal coincidiu com a
transformação da importância do referido canal na
sociedade ocidental. A MTV em pouco mais de uma
década passa de plataforma de revelação de uma
nova realidade, inovadora, atractiva, a um espaço
decadente e massificado, bandeira dos excessos de
uniformização comercial dos actuais sistemas de
entretenimento.
A par deste look irremediavelmente enclausurado
no tempo, as representações fracas ou as imprecações
e superficialidades do argumento (este foi mesmo
nomeado para um Razzie Award, os contrapontos
negativos dos óscares), são comumente apontados
como os principais defeitos da obra, os quais fazem
hoje de “Flashdance” um discutível objecto kitsch
dos anos 80: por um lado, a nostalgia de uma época
próxima, por outro, o anedótico e caricatural da
inocência dos eighties.
Independentemente desta desvalorização, quase
unâmine, da qualidade de “Flashdance”, a importância
do mesmo é um dado indesmentível. Se dúvidas
houvesse bastaria perguntar a qualquer mulher
que por alturas da estreia do filme andasse pela
sua adolescência e ela certamente, com um brilho
nos olhos, recordará a célebre sequência final
da audição ou as célebres canções “ Maniac” ou
“Flashdance... What a Feeling”.
Parece certamente ser mesmo uma questão de
“feeling”, aquela que imortalizou “Flashdance”.
A sua protagonista encarnava uma outra mulher
emancipada, sem receios de lutar pelos seus
objectivos. E estes não passavam, como antes, pela
felicidade amorosa e familiar, muito retratada
no cinema, mas sim pela realização profissional e
concretização de sonhos. Pela primeira vez no cinema
era dada a oportunidade à mulher de exprimir o que
até então era exclusivamente masculino: o desejo
de mobilidade e ascensão social. Ora, “Flashdance”
mantém-se, por este prisma, como um hino à
perseverança e libertação femininas.
Mas o filme convoca ainda outros “universos de
fascínio”, muito em voga nos anos 80: o mundo da
dança pop urbana, dos night clubs, a expressão
livre do corpo - o mote a ser dado por “Let’s Get
Physical” de Olivia Newton John, ouvido até à
exaustão - aliados à sedução de um estilo de vida
saudável. Desta forma, obras como “Flashdance”,
“Footloose”, “Fame” herdam o mundo e o sucesso de
“Saturday Night Fever” e põem as pessoas a dançar,
num contexto de afirmação de uma nova youth culture
urbana. O trunfo comercial que faz o sucesso destas
obras tem evidentemente por arrasto todo um look,
uma moda e “gadgeteria” próprias, que hoje, a quase
trinta anos de distância se confundem com o espírito
e a moda dos próprios anos 80.
Aos leggings, perneiras e sweatshirts rasgadas a
mostrar os ombros de “Flashdance”, podem juntar-se
as meias de rede e brincos ousados de Madonna, as
calças largas de MC Hammer, os penteados plenos de
cores e volume das “Bananarama” ou os enchumaços
das personagens femininas de “Dallas”. A ideia era
celebrar uma nova streetwear que desse uma face
visível a uma nova juventude urbana, rebelde, sem
medo de lutar pelos seus ideais e sobretudo de se
afirmar nessa diferença.
Por todas estas razões, “Flashdance” é um objecto
cinematográfico que vale a pena recordar. Mesmo que
tenhamos na memória os detalhes inverosímeis da
história, os personagens pouco desenvolvidos ou os
fatos ridículos, o certo é que “what a feeling”...
/
nuno ramos
Arte
Acidentes das matérias
por Francisco Vaz Fernandes
A arte Brasileira vive um novo fulgor, com vários
artistas a captar atenção internacional. Este sucesso
pode ser explicado em parte pelo investimento dos
seus artistas no objecto plástico e na sua expressividade enquanto objecto artístico, caminhos em geral
abandonados pela contemporaneidade europeia e norte-americana. Os ditos países “ocidentais” levariam a
arte por caminhos da desintegração que passaram pela
negação do objecto artístico enveredando pelo cinismo. A arte brasileira, a partir de uma releitura das
vanguardas, percorre trilhos que passam pela empatia
e a afectividade com que olham a vida, por mais dura
que ela seja. De alguma forma, e mais afastada de um
espírito tecnológico
produzido pelos
centros urbanos do
capitalismo avançado,
o Brasil manteve-se
mais perto da materialidade e da natureza
dos elementos optando
por técnicas mais
próximas do craft.
Tomaremos como exemplo o trabalho de
Nuno Ramos, artista
nascido em São Paulo.
Numa análise rápida
ao seu trabalho,
verifica-se como é
possível construir
uma obra a partir da
reinterpretação das
vanguardas mantendo
questões alusivas
à forma e matéria,
centrado na ideia de
corpo e fluido. Essas
novas perspectivas,
ainda não esgotadas, fazem com que o
artista possa ainda
contribuir para questões relacionadas com o informe,
um diálogo aberto por Bataille percorrido por Robert
Smithson, Jackson Pollock, Josef Beuys e a Arte Povera em geral
Nuno Ramos mostrou pela primeira vez o seu trabalho em Portugal na Galeria Bernardo Marques
(Julho de 2008) onde foi possível ver um conjunto
de trabalhos recorrendo a várias técnicas: vídeo,
instalação e desenhos. Toda a exposição era subordinada a um denominador comum “Foda/Foice”, alusivo
ao título do registo vídeo de uma performance onde
se podia ver duas mulheres de foice em punho, murmurando repetidas vezes, “foda”, “foi-se(foice)”. A
importância das palavras, a ambiguidade de sentidos,
como veremos mais à frente, são elementos essenciais para a construção do sentido geral da obra do
artista. Contra a ideia de uma “literalidade”, a
obra do artista lê-se com um conjunto de signos, que
se oferecem como um mapa, onde a junção das partes
possibilita ao público indícios de uma interpretação
sempre em estado aberto. Ou seja, o som vídeo entra
em estado de contaminação com as duas peças da sala
seguinte. De maiores dimensões, essas obras estão
na sequência de uma série de trabalhos realizados
a partir de placas de vidro. Não se pode olhar para
esta peça e abstrairmo-nos da articulação sonora das
palavras “foda” e “foice” que nos chegam. Este tipo
de estratégias faz
com que os trabalhos
de Nuno Ramos estejam
sempre num processo
de ampliação e acumulação de sentidos.
Oferecem diferentes
formas de abordá-las.
Neste caso, o vidro
enquanto material,
corpo, é apercebido
através de sentidos
antagónicos. O olhar
autoriza atravessálo, mas para o tacto,
as paredes frias do
vidro, constituem uma
barreira. Por outro
lado, os limites do
vidro podem estabelecer linhas aéreas
que lhe dão uma dimensão de desenho.
Essas peças ganham
ainda maior complexidade pelo facto de
serem atravessadas
por tubos de ensaio
de grandes dimensões contendo líquidos. No mais escuro, mistura-se
petróleo e coca-cola, símbolos do imperialismo; no
outro transparente, mistura-se soro e formol dois
materiais com natureza e objectivos díspares. São
peças que são fixas lateralmente por um sistemas de
dobradiças que fazem entender que estas esculturas
se podem mover a partir desse eixo. A possibilidade
de mobilidade, a junção de materiais antagónicos,
sem lógicas definidas, o jogo dos opostos, tudo faz
parte de uma gramática essencial do artista. Cada um
deles contribui com a sua materialidade própria, a
sua opacidade, a sua história e valor sócio cultural
para a construção de um sentido narrativo. Juntos
produzem uma alquimia que amplia o entendimento do
Pagão, pedra sabão e instrumentos, Igreja do Rosário, Ouro Preto, 2002
mundo. Em última instância, esse caos de matérias
transbordantes em conflito com o meio em que o artista os integra, e com capacidade de reacção, criam
um perfil similar a tragédia quotidiana que vivemos.
O artista que começou a sua carreira como pintor, tendo inclusivamente participado na bienal de
S. Paulo de 1985 com seis grandes telas, acabaria
por se dedicar à tridimensionalidade. No entanto, a
sua pintura, que vinha a par da pintura Neo-Expressionista, caracterizava-se por um excesso de camadas
que apelava a um sentido táctil e criava volumes que
punham à prova as leis da bidimensionalidade. Esse
lado orgânico das matérias e dos objectos seria uma
constante nas suas
criações. No entanto,
a terceira dimensão
permitiu-lhe ganhar
em narratividade e
encenação subindo o
grau do dramatismo
que alvejava. A sua
primeira instalação,
“111”, realizada em
1992, continha uma
alusão directa ao
massacre dos presos
da Casa de Detenção do Carandiru,
que tinha ocorrido
naquele ano. Pedaços
de jornal e folhas
da Bíblia, colados
com alcatrão sobre
paralelepípedos tomam
o lugar dos mortos,
lembrados por seus
nomes impressos em
chumbo. Poemas ocupam
as paredes, escritos
com vaselina e, numa
segunda sala anexa,
tubos de vidro disformes contendo fumaça branca estão dispostos entre
fotos aéreas tiradas na data da chacina. Refere-se
à violência das prisões como um reflexo do sistema
do próprio país. A par do uso recorrente de matérias opostas, da ideia de fluidos que percorrem
corpos estranhos e que estão sempre em estado de
transição, a partir desta data, as instalações e a
narratividade foram ganhando maior dimensão. É de
referir a título de exemplo a exposição, “Morte das
Casas”, realizada no CCBB em São Paulo em 2004 ou a
exposição no CCBB de Brasília em 2008, duas das mais
representativas exposições individuais do artista.
Ambas apresentavam várias peças onde o texto e o som
eram relevantes. Na primeira, um som de chuva provo-
Black and Blue, areia comprimida vidro e óleo queimado, Museum of Contemporary Art San Diego, 2000
cado por uma queda de água que se precipitava a mais
de 20 metros de altura num vasto hall, misturava-se
com o declamar do poema “Morte das Casas de Ouro
Preto”, de Carlos Drummond de Andrade. Já em Brasília, a instalação “Bandeira Branca” era constituída
por três caixas de som de vidro escuro, cobertas por
mortalhas pretas. O público encontra-se separado
desta “cena” por uma grade, ou rede. Destas caixas
de som saem três “vozes”, como numa peça de teatro,
que vão conversando entre si. Numa, Mariana Aydar
canta “Carcará”; Arnaldo Antunes, “Bandeira Branca”; e a sambista Dona Inah, “Acalanto”, de Dorival
Caymmi. A epopeia trágica tem na base um “código
de vitalidade”. Os
versos alternam-se
compassados no tempo
dos recordes de corrida: 100 m rasos,
200 m, até completar
o tempo de uma maratona. Os sambas e as
palavras de grandes
escritores brasileiros
como Nelson Cavaquinho, Cartola e Carlos
Drummond de Andrade
ganham novos contextos e novos sentidos
ao mesmo tempo que
servem de matéria
identitária. São como
uma rede tratada como
uma qualquer outra
matéria de eleição
do artista. Elas
ganham a viscosidade
confrontam-se com
diferentes naturezas,
adversas até saírem
do seu enquadramento
convencional para ganharem na sua percepção uma nova dimensão. São fluídas como a vaselina
líquida a que recorre várias vezes, ou voláteis como
os fumos provocadas pelas combustões que cria. Ao
serem expropriadas dos autores, as palavras oferecem-se com os restantes materiais ao exercício dos
acasos, porque como Nuno Ramos bem entende, a lei
serve para esconder a existência do crime, as regras
da natureza para esconder os acidentes e mutações
constantes.
Instalação na Galeria Bernardo Marques, Lisboa, 2008-08-25
Vista parcial da instalação 111. Galeria Raquel Arnaud, São Paulo, 1992
Vista da instalação no MAM, Museu de Arte Moderna Brasileira, Rio de Janeiro, 1997
Morte das casas, CCBB, São Paulo, 2004
Matacão, granito terra e cimento, Orlândia São Paulo 1996
/
s
s
c
e
n
m
h rói o o ó
Música
por Tiago Santos
Corremos as notícias à procura do Mundo, à espera
que na gritaria de gordas em parangonas, nos diga
de que é feita a matéria dos dias. Nesse impulso,
de ânsia do tempo que nos foge todos os dias, em
que as vozes gritam as mesmas histórias de miséria,
exploração, guerra e demais detritos da chamada
civilização, percebemos então que nada disto é
novo, que esse é o ruído da mesma canção de sempre.
Mas entretanto... encontramos a tempos, apenas em
alguns lugares especiais, um som de uma canção que
nos parece fazer lembrar que o sol um dia ainda
vai voltar a brilhar, que podemos respirar e sentir
a música da vida no
meio da terra de
sombras. Esta podia
ser a legenda para a
introdução de quarenta
segundos do álbum de
estreia dos Part-Time
Heroes, o nome de uma
dupla inglesa que se
dedica à arte da fuga
através da música, das
palavras e do groove.
Uma introdução que no
meio do caos abre uma
porta para descobrir
o que pode ser um
mundo imaginário, onde
a música tem ainda
o poder de curar os
males do Mundo. A
surpresa começa então
a tomar forma, através
de canções que mais
não são do que hinos
à vida, ao amor,
ao conforto de uma
segunda oportunidade.
É disto que se trata em
“Meanwhile”, o título
do álbum destes heróis
em part-time, que dos
subúrbios de Southampton se dedicam a salvar os
espíritos contemporâneos através da música. Shopboy
e SandwichMan, são os disfarces sob os quais têm
marcado o passado recente do submundo da soul.
Divididos entre a escrita de canções memoráveis e
o alter–ego para as pistas de dança (PTH PROJECTS),
muitas têm sido as aventuras desta dupla que se
prepara para conquistar o Mundo. Depois de remisturarem nomes como Citizen Cope, Monday Michiru ou
Mj Cole, de editarem vários maxis e um e.p ainda
em 2006, de dinamitarem as noites de Londres com dj
sets ecléticos e de conquistarem fãs exigentes como
MrScruff, chega finalmente este ano o álbum de estreia.
Com dez títulos, onde a electrónica e os
instrumentos reais se confundem num som orgânico
capaz de trazer a memória de uns Zero 7 ou dos
4Hero, o álbum “Meanwhile” cria, do título até ao
último acorde, uma atmosfera que não parece ser
deste tempo. Transporta-nos para um estado poético
de contemplação, onde tudo é simples, grandioso e
belo, num conjunto de canções a roçar a perfeição.
A magia de “Meanwhile” está, em primeiro lugar,
na apropriação inteligente do jazz como ponto de
partida para a busca de profundidade no meio de
uma indústria marcada pelas fórmulas e tendências
descartáveis, ao
sabor do ritmo das
registadoras. A arte
dos músicos, o calor
do som, a linguagem
do ritmo, são lugarescomuns do jazz que
os Part-Time Heroes
souberam convocar
para colorir o espaço
onde se desenvolve
a acção desta fuga
memorável. Um espaço
onde os sons da música
se confundem com a
natureza dos sonhos.
Mas o jazz aqui está
tão presente que se
confunde na paisagem.
Como os próprios dizem,
a sua música não é tão
“esotérica” como o jazz
mais real. Ela é antes
marcada pela escrita
límpida de canções
soul, onde cada nota,
sílaba ou pausa são
rigorosamente estudadas
para atingir a mais
sedutora perfeição da
beleza harmónica. Aqui
não há liberdade e improviso. Essa é deixada para os
voos de cada um ao longo da audição das dez canções
de “Meanwhile”. Aqui há um encontro da arte da
escrita com o encanto da voz, um gesto tão simples
que é impossível não deixar de pensar onde foi que
ouvimos pela última vez um disco, de uma ponta a
outra, que nos falasse assim, numa linguagem que
todos podemos entender. E entretanto...
Part-TimeHeroes- “Meanwhile...”, WahWah45s 2008
Myspace.com/theparttimeheroes
www.wahwah45s.com
/
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tentável
Anos 80, A mudança sustentável
por Joana Oliveira Teodoro
Nos dias de hoje somos confrontados com
transformações complexas, tanto ao nível dos mercados
como das tecnologias, modos de organização, redes
de informação, fruto do processo conhecido por
Globalização. Vivemos tempos de mudança permanente e
profunda.
O fenómeno da moda conquistou um lugar
privilegiado nesta cultura global.
A década de 80 do século passado teve um papel
determinante para a sua afirmação, transformando
as passerelles em espectáculos, as top models mais
famosas que as actrizes, o consumo, anteriormente
criticado, livre e descomplexado. O acto das compras
era como que um desporto e a moda uma competição.
Enquanto que os anos 70 foram caracterizados como
um período de declínio económico, político e de
desfragmentação social, os anos 80 definiram-se como
a era da prosperidade e do optimismo. As casas de
Alta-Costura, as suas marcas e designers tornaram-se
objecto de culto. Os media, os Yuppies (Young, Urban
Professional), os Punks e uma enorme diversidade de
estilos propagaram-se.
Tal como a história nos ensinara antes, os
excessos trazem pontos opostos e os anos 80 não são
excepção. De facto, o Homem tem mesmo a capacidade
de procurar esse equilíbrio e em resposta, novos
conceitos afirmaram-se durante esta década, como
o Desenvolvimento Sustentável, a Reciclagem e o
Comércio justo.
Em Inglaterra, uma fracção de designers começava
a confrontar temas contemporâneos para as suas
colecções. Exemplo disso foi a designer Katharine
Hamnett, que trouxe para a arena da moda a paz
mundial e questões ambientais. Na estação de Outono/
Inverno de 1983-84 lançou a colecção de t-shirts
com slogans como “58% Don´t Want Pershing” (míssil
americano de médio alcance usado estrategicamente na
guerra fria), “Preserve the Rainforests”, “Worldwide
Nuclear ban now”, “Education not Missiles” - uma
parte das vendas era dirigida para acções de
solidariedade. Katharine Hamnett efeminou a sua
T-shirt “58% Don´t Want Pershing” quando a vestiu
em 1984, num encontro com a primeira-ministra da
altura, Margaret Thatcher. A imagem deste aperto
de mão assim como os slogans das T-shirts foram
difundidas pelos media, que conquistavam o seu papel
crucial e actual na sociedade. Os media, ou seja a
imprensa, foi também responsável pela propagação
do termo “reciclagem”. A palavra já existia mas a
sua difusão só se deu a partir do final da década
de 1980, quando foi constatado que as fontes de
petróleo e de outras matérias-primas não renováveis
estavam a esgotar-se rapidamente, e que havia falta
de espaço para a deposição de lixo e de outros
dejectos na natureza. Um novo período de alta dos
valores ambientais surge, tendo como símbolo a
entrada do partido político Os Verdes em 1983 para o
Parlamento Alemão.
Na sequência de uma conferência da Comissão
Mundial sobre o Meio Ambiente e desenvolvimento
da Organização das Nações Unidas emerge em 1987
o conceito de “Desenvolvimento Sustentável”. O
termo foi desenvolvido e adoptado pela primeira
vez no relatório resultante deste encontro,
intitulado “Our common Future” (O Nosso futuro
comum), também conhecido como Relatório Brundtand.
O Desenvolvimento Sustentável é definido como
“aquele que atende às necessidades presentes sem
comprometer a possibilidade das gerações futuras em
satisfazerem as suas próprias necessidades”. É um
desenvolvimento que considera e relaciona factores
como o ambiente, o desenvolvimento económico, social
e cultural. Uma das ferramentas para atingir o
Desenvolvimento Sustentável é o “Comércio justo”.
Enquanto conceito vem existindo há já uns 40 anos,
no entanto, o esquema da primeira etiqueta formal
só foi lançado em 1988. A partir daí, este movimento
social difundiu-se um pouco por todo o mundo,
fazendo com que o produtor receba a remuneração
justa pelo seu trabalho, eliminando ao máximo o
número de intermediários. Definiu também certos
padrões sociais e ambientais nas cadeias produtivas
de vários produtos, de modo a proteger todos os
trabalhadores, comunidades e meio envolvente.
Actualmente, vivemos numa sociedade em que o
consumo é de abundância. As práticas industriais
convencionais não consideram os riscos e impactos
ambientais na produção de bens e serviços,
recorrendo a recursos naturais finitos. O
desperdício torna-se uma questão maior assim como
a degradação de ecossistemas e da biodiversidade.
O desequilíbrio sócio-económico entre os países
desenvolvidos e os que se encontram em vias de
desenvolvimento aumenta. Assistimos a mudanças
climáticas e ao aquecimento global.
Contudo, a sustentabilidade não propõe uma
meta mas um processo contínuo de aprendizagem e
adaptação. Torna-se, acima de tudo, um tema crucial
de importância crítica para os designers e para a
sociedade como um todo. Teremos que redefinir papéis
essenciais como o dos consumidores, dos designers,
das empresas e de seus governantes? Poderemos ver o
consumo para além da compra de um bem, como um acto
de civismo, cidadania ou mesmo um acto de voto?
Novos desafios irão surgir, criando novos mercados
e certamente uma mão cheia de oportunidades.
/
novas tecnologias
Vestuário e tecnologia
Nesta edição revivemos um pouco o passado, os fabulosos anos 80, e
algumas das suas tecnologias têxteis. A maior parte das descobertas
científicas acontecem muito antes de chegarem ao nosso quotidiano e à
produção em massa. Muitas destas descobertas ficam uns anos à espera
de uma ideia de aplicação até as conhecermos. As inovações na área do
vestuário não se verificam só nos têxteis, existem outras áreas transversais que promovem estes avanços, como o marketing e as suas estratégias. A soma das duas também deu os seus frutos na década de 80.
por Michele Santos
Elastano ou Spandex (em inglês)
Tyvek®
Roupa interior Calvin Klein
Lurex
O elastano foi inventado 1959 por Joseph Shivers,
da DuPont, mas o seu grande boom de utilização
deu-se durante os anos 80. Esta fibra é composta
maioritariamente por poliuretano (85%), um filamento
sintético de grande elasticidade, com alguma
resistência e durabilidade. A entrada desta fibra no
mercado do vestuário veio revolucionar muitas áreas.
O corte, a aparência das peças, o peso e as inúmeras
possibilidades de utilização, mudaram o modo como
as pessoas se vestiam. Aliando o gosto pela prática
da ginástica aeróbica, também característica desta
época, alguns elementos do vestuário desportivo
passaram a fazer parte do dia-a-dia como as fitas
na cabeça, leggings, bodys e maillots.
Tyvek® é um não tecido da marca Dupont™. Pode ser
aplicado aos mais variados produtos desde casacos,
malas, aventais, etiquetas, envelopes, entre
outros. É um material de grande durabilidade e
resistência, fino como uma folha de papel a um preço
acessível. A fibra foi descoberta nos anos 50 pelo
cientista Jim White, mas só em 1967 foi introduzida
para comercialização, Durante a década de 80 teve
uma grande aceitação, sobretudo pelas marcas que
veiculavam a sua publicidade em produtos feitos
de tyvek, como sacos e blusões. O tyvek® pode ser
reciclado e tem sido reciclado pela Dupont™ durante
os últimos 20 anos.
Em 1982 Calvin Klein fundou a Calvin Klein Underwear,
inicialmente só com roupa interior para homem e
um ano mais tarde com a linha de senhora. A roupa
interior deixou de ser um produto utilitário e
passou a ser um produto de desejo. As campanhas
publicitárias comunicavam uma mensagem actual, sexy
e com uma sensibilidade diferente de todas as outras
marcas. Desde então todos os anos surgem novas
linhas, do básico aos básicos com côr, às linhas mais
elaboradas. A Calvin Klein tem liderado o mercado com
o seu design de ponta, novos tecidos e excepcional
corte e qualidade.
Lurex é o nome de tipo de fio de aparência metálico.
Este fio é composto por uma fibra sintética, onde
uma das camadas é vaporizada com alumínio ou prata,
conferindo-lhe o aspecto metálico. A côr, o brilho e
o efeito da incidência da luz neste tipo de tecidos
foi um sucesso nos anos 80, onde tudo brilhava e
quanto mais brilhava mais poder simbolizava.
www.lycra.com
http://www.lesliejordan.com/
Lycra e La Perla Beachwear
Casaco em Tyvek®, Colecção Primavera/Verão 2008, White Tent
Calvin Klein Underwear, Primeira campanha da marca, 1983
Peça em Lurex, Colecção Outono/Inverno 2008/09, Alexandra Moura
Arquivo Moda Lisboa/Estoril / Fotografia Rui Vasco
FotografIA Bruce Webe
Arquivo Moda Lisboa/Estoril / Fotografia Rui Vasco
www.lurex.com
www.cku.com
http://www2.dupont.com/DuPont_Home/en_US/index.html
Saia em Lurex, Colecção Outono/Inverno 2008/09, Luís Buchinho
Arquivo Moda Lisboa/Estoril / Fotografia Rui Vasco
/
expos
Gothic: Dark Glamour
É a primeira exposição
de moda dedicada ao
gótico e é apresentada
pelo Fashion Institute
Technology em Nova
Iorque desde o dia 5
de Setembro até 21
Fevereiro de 2009.
O tema Gótico é
um epíteto que
evoca imagens de
morte, destruição e
decadência. Estas
conotações fazem deste
estilo um símbolo ideal
de rebelião e cultura
marginal.
Criadores como
Alexander McQueen, John
Galliano, Rick Owens,
Gareth Pugh, Anne
Demeulemeester, Anna
Sui, Olivier Theyskens,
Ricardo Tischi, Jun
Takahashi de Undercover
e Yohji Yamamoto
fazem-se representar
na exposição por 75
coordenados que variam
por estilos e que
ilustram a sub-cultura;
o gótico old school;
o ciber-gótico; e
o estilo japonês elegant gothic lolitas.
www.fitnyc.edu
Inspiração gótica
Alexander McQueen
por
Billy: Bill Gibb’s
Moment in Time
Vanity Fair:
Photographs 1913-2008
Sonia Rykiel,
“Exhibition”
Hello! Fashion: Kansai
Yamamoto, 1971–1973
O Fashion & Textile
Museum em Londres
apresenta entre 23
Outubro e 16 Janeiro
do próximo ano Billy:
Bill Gibb’s Moment in
Time, a retrospectiva
da carreira de um dos
designers de moda mais
criativos do século XX
na capital inglesa.
Bill Gibb trabalhou
conceitos de beleza
e fantasia na década
de 70 e a imaginação
extrema que projectava
no papel, foi
transposta para o nível
da alta-costura. A sua
inspiração, romântica
e histórica, está
presente nas impressões
texturadas, nos
padrões, nas aplicações
de contas e estampados
e nas peles, que dão ao
seu trabalho um estilo
único e inconfundível.
Com Kaffe Fassett
elevou o tricô a uma
forma de arte.
Fashion & Textile
Museum, 83 Bermondsey
Street, London. Billy:
Bill Gibb’s Moment in
Time- 23 Outubro 2008 16 Janeiro 2008
Entre Outubro e Março
de 2009 o LACMA
apresenta a primeira
grande exposição que
acolhe não só o arquivo
raro e vintage da
revista Vanity Fair,
como também fotografias
contemporâneas da mesma,
que exploram a forma
como os fotógrafos
e as celebridades
fotografadas
interagiram e mudaram
ao longo dos tempos.
São representados
retratos desde os
primórdios da revista
até aos dias de hoje
(1013-1936).
Cecil Beaton, Harry
Benson, Annie
Leibovitz, Man Ray,
Mary Ellen Mark, Steven
Meisel, Helmut Newton,
Irving Penn, Herb
Ritts, Mario Testino
e Bruce Weber são
alguns dos fotógrafos
representados. Esta
exposição é uma
colaboração entre
a Vanity Fair e a
National Portrait
em Londres com o
patrocínio da Burberry,
e será a única paragem
da tour internacional
em território
americano. LACMA- Los
Angeles County Museum
of Art, 5905 Wilshire
Boulevard. Vanity
Fair: Photographs 19132008- 26 Outubro 2008 01 Março 2009 | Hammer
Building
A propósito do
quadragésimo
aniversário da
sua Casa, Les
Arts Décoratifs em
Paris, consagram,
em retrospectiva, o
trabalho de Sonia
Rykiel, a partir de 20
de Novembro até 19 de
Abril de 2009.
Esta exposição conta
com peças de roupa,
fotografias (Sarah
Moon e Isserman),
vídeos e desfiles
de moda. Dedicada e
inspirada na sua Era,
onde foi pioneira,
Sonia Rykiel, no final
anos 60, abusou do
preto, utilizou roupa
do avesso, apresentou
baínhas inacabadas
e atreveu-se a usar
materiais tão insólitos
como a esponja, nas
suas criações.
Musée de la Mode et du
Textile, 107, rue de
Rivoli, Paris
www.ftmlondon.org
Página da frente do livro
de Bill Gibs, Printed leather
sequin 1972, British Vogue 1972,
Clive Arrowsmith
RUDI GERNREICH, BOLD
China Design Now
A exposição Rudi
Gernreich: BOLD
permite aos visitantes
testemunhar em primeira
mão a aproximação
modernista deste
designer californiano.
Imergido na Pop Art e
Op Art, Gernreich olhou
para a rua e não para as
elites e produziu roupa
funcional e informal.
Homem de grande talento
e activista, revelou
o seu lado feminista,
viu nas mulheres os
seus pontos fortes e
projectou a igualdade
entre os sexos através
do seu trabalho.
Confortável, colorida,
minimal e ocasionalmente
chocante,a roupa criada
por Rudi Gernreich
é experimental e
representativa do seu
tempo. Fascinado por
uma performance de
Marha Graham, depois
da sua chegada à
Califórnia, a dança
mudou o seu conceito de
design e passou a ser
o foco da sua crença.
É caracterizado pela
simplicidade de linhas,
um amor forte por cores
saturadas e um atrevido
senso de design gráfico,
usando quer o corpo quer
a roupa como media. O
seu trabalho revelou-se
e ultrapassou, muitas
vezes, os limites
sociológicos.
Ken State University
Museum. RUDI GERNREICH,
BOLD. 3 Julho 2008-31
Maio 2009
China Design Now é uma
exposição organizada
pelo pelo Victoria &
Albert Museum, e poderá
ser visitada de 18 de
Outubro de 2008 a 11 de
Janeiro de 2009. Captura
o extraordinário momento
em que a China se tornou
permeável às influências
globais e responde aos
sonhos e esperanças do
novo urbanismo de classe
média. Aqui apresentase a explosão do design
contemporâneo na China
e a primeira tentativa
para compreender o
impacte do rápido
desenvolvimento
económico na
arquitectura e design
nas grandes cidades.
Projectos como o estádio
Nacional Olímpico até
aos últimos trabalhos
gráficos e de moda,
podem ser observados
nesta exposição sob
forma de “um dia de
visita” às três cidades
com mais rápida expansão
na China - Beijing,
Shangai e Shenzhen.
São representados uma
centena de designers
expondo em área diversas
como a arquitectura,
moda e design gráfico,
bem como filmes,
fotografia, produtos e
design de equipamento,
cultura jovem e media
digital.Cincinnati Art
Museum, 953 Eden Park
Drive. China Design Now.
www.lacma.org
O Philadelphia Museum
Art apresenta até à
primavera do próximo
ano, Kansai Yamamoto, um
dos fundadores da moda
contemporânea japonesa
com Hello! Fashion:
Kansai Yamamoto (19711973). Conhecido pelo
trabalho que desenvolveu
nas décadas de 70 e 80,
as inspirações de Kansai
residem na arte colorida
do período Momoyama no
Japão (1568-1615) e
no teatro tradicional
Kabuki. O seu design
exuberante contrasta
com a simplicidade
do estilo Zen e das
silhuetas descontraídas
sustentadas por Yohji
Yamamoto e Issey Miyake.
Kansai Yamamoto foi o
primeiro criador japonês
a desfilar em Londres,
ocasião em que foi
notado por David Bowie,
para quem, mais tarde,
criou o guarda-roupa
do seu stage persona
Ziggy Stardust. Todas
as peças apresentadas
nesta galeria desfilaram
em NY e anteriormente
em Londres.Regressado
recentemente à moda,
apresentou peças de
roupa japonesa num
idioma contemporâneo,
tais como o Kimono
(2004). Continua a
produzir super desfiles
com o intuito de fazer
vigorar as artes do
Japão e sugerir o turismo e assuntos culturais
do seu país de origem.
Gloria Swanson, Vanity Fair
www.philamuseum.org
http://dept.kent.edu/museum/
Man, cedido por Victoria & Albert
Kansai Yamamoto, 1971
exhibit/gernreich/main.htm
Museum
www.lesartsdecoratifs.fr
”Tailleur et Chapeau”, 1980 ©
Fotografia de Dominique Issermann
www.cincinnatiartmuseum.org
Chen Man, capa de Vison Magazine,
Fevereiro de 2004, copyright Chen
The Essential Art of
African Textiles:
Design without End
Patente até dia 29 de
Março no Metropolitan
Museum of Art de Nova
Iorque, a exposição
The Essential Art of
African Textiles: Design
without End, representa
uma viagem pelas artes
de África, Oceânia e as
Américas onde existem
deslumbrantes tradições
de têxteis que constituíram uma inegável
expressão da história
africana e da paisagem
cultural. Os têxteis
foram em tempos, o foco
principal de trocas comerciais entre continentes e ligaram África ao
resto do mundo. Levaram
artistas contemporâneos
a reflectir a distinta
herança cultural africana e a sua relação com
o mundo, representando
a imagética dos tecidos
em áreas artísticas distintas como escultura,
pintura, fotografia,
instalações, vídeo entre
outros. Esta exposição
ilustra os inúmeros
géneros clássicos dos
tecidos criados por
artistas do Oeste africano através dos seus
primeiros e melhores
trabalhos. Serão apresentados 20 trabalhos
que fazem parte da
colecção do British
Museum desde o início do
século XX e representam
variações inventivas de
grandes temas clássicos
do género. The Metropolitan Museum of Art, 1000
Fifth Avenue, New York.
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por Sónia Abrantes
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